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sábado, 8 de janeiro de 2022

Carnaval... o Meu... Inescapável

Autorizado ou não
Lícito ou clandestino
De Momo ou de Baco,
Há um eterno e sacroprofano Carnaval em mim :
Nos salões das minhas entranhas, 
No meu mediastino 
Nos becos de paralelepípedos e lampiões a gás das minhas veias.

Sem hora
Sem data
Sem música
Sem Cinzas
(pois nada nele arde ou queima),
Há um eterno e melancólico
Baile de máscaras em mim :
A rodopiar pelo salão
A flutuar em atmosfera de éter
E a usar máscaras de Veneza
Só um par de mascarados :
Meu coração e meu córtex pré-frontal
Minha alma e meu fígado
Minhas saudades e meu mútuo funerário já quitado.

quarta-feira, 17 de março de 2021

Itamar Franco, o Presidente do Fusca. E do Capô de Fusca.

Na segunda-feira, publiquei a respeito de duas pesquisas de intenção de voto para 2022, uma da Exame/Ideia, outra da CNN/Real Time Big Data, que mostraram a imbrochável popularidade de Bolsonaro em comparação às dos outros possíveis e prováveis candidatos capazes de lhe fazerem frente, Lula, João Dória, Ciro Gomes, Luciano Huck.
Disse que, dadas as opções nos oferecidas, outubro de 2022 tem tudo para ser o maior mês de Halloween de todos os tempos. Todas as assombrações supracitadas a bater em nossas portas com suas cestinhas em forma de urna eletrônica e a nos intimar : votos ou travessuras? Nesse halloween brasileiro, presenteemos ou não as assombrações com nossos doces votos, sabemos que as travessuras e as sacanagens virão. 
No fim da postagem, rendi-me a um momento de nostalgia, do tipo "éramos felizes e não sabíamos" : "Ah, que saudade do fusca e do pão de queijo do Itamar! Ah, que saudade do bigodão do Sarney (sem nenhuma viadagem)".
De Itamar Franco, vice de Fernando Collor de Mello, tornado no 33º Presidente do Brasil depois do impeachment do "caçador de marajás" de Alagoas, além do tradicional pão de queijo mineiro, lembrei-me também de uma outra dele preferência gastronômica : a esfiha aberta de bacalhau. Aliás, lembrei-me, não, a minha cabeça do pau me lembrou. Itamar Franco, defensor ferrenho da volta da produção em série do Fusca, era também muito chegado a um capô de Fusca!
No carnaval de 1994, Itamar Franco apareceu num camarote da Sapucaí muito bem acompanhado de uma do que hoje se chama de "modelo e atriz". Itamar apareceu pondo pra jambrar, ou pra sambar, nesse caso, ao lado da gostosa Lilian Ramos, uma emergente subcelebridade de então catapultada aos seus 15 minutos de fama pela grande semelhança física guardada com a cantora Fafá de Belém, 15 minutos que foram prorrogados por uns tantos outros por conta do polêmico episódio ao lado de Itamar Franco no Sambódromo do Rio de Janeiro.
Itamar Franco, solteiro que era, Lilian Ramos, idem, o inusitado casal a se divertir sob os eflúvios de Momo não teria rendido mais do que pequenas notas em jornais e colunas sociais da época. Se não fosse pelos trajes da moça.
Lilian, da cintura para cima, estava com tudo dentro dos conformes da moral e dos bons costumes, vestia uma larga camiseta toda estampada de flores, folhas de coqueiro e tal; da cintura para baixo, foi o que pegou, ou, ao menos, foi o que o Itamar pegou.
A incauta e distraída donzela usava uma microssaia, e, como foi registrado por um sortudo fotógrafo com um ângulo privilegiado de visão, apenas a microssaia. Sem nada por baixo. Muito mal os escassos e esparsos pentelhos aparados e depilados da xavasca.
A foto correu todos os jornais e revistas de variedades - viralizou, como se diz hoje - e a celeuma se instalou. Muito se falou, comentou e questionou sobre o comportamento inadequado ou não de Itamar Franco. Muito alarido se fez em torno do fato. Muito mais com a intenção de esticar o assunto e vender jornais e revistas, muito mais para dar assunto aos fofoqueiros de plantão, do que propriamente com o objetivo de usar a trapalhada do presidente como munição para lhe fazer oposição política, ou pedir o seu topete numa bandeja de prata.
Embora algumas vozes mais conservadoras e invejosas tenham se levantado na ocasião, nunca se falou a sério a respeito de um possível impeachment de Itamar por conta da peludinha peladinha. Até porque sempre rezou a lenda, sempre correu à boca pequena, que o presidente impedido Fernando Collor de Mello, para evitar a coriza e a fungação típicas dos cocainômanos, era chegado em enfiar supositórios de cocaína no cu. Fato ou boato, ter em Itamar Franco um presidente que, visivelmente, preferia pôr no toba alheio do que levar no seu próprio, que era um macho comedor das antigas, foi, de certa forma, um alívio para a nação.
Fosse hoje em dia, fosse Bolsonaro, as duas cabeças do Mito estariam a prêmio. Feministas, LGBTs e PSOListas o estariam acusando de machista, sexista, objetificador de mulheres, assediador, estuprador etc.
Lembrei-me - lembrou-me a cabeça do pau, como eu disse - dessa célebre peripécia de Itamar Franco quando finalizei a postagem dizendo do fusca e do pão de queijo, cheguei a pesquisar e a encontrar uma foto da Lilian Ramos com a referida esfiha aberta de bacalhau exposta, sem aquela tarja preta de censura a cobri-la, mas preferi deixar o caso de fora da postagem, ele não fazia muito sentido por lá. Apenas salvei a foto em meus arquivos secretos.
E por lá ela ficaria até o final dos tempos, ou até o HD do meu velho computador queimar. Ficaria. Se não fosse pelo Pateta, leitor das antigas do Marreta, que, a julgar pelo comentário que fez, não tem nada de pateta : "Saudade da gostosa da Lilian Ramos sem calcinha ao lado do Itamar no carnaval, saudade do Plano Real e por aí vai...eram tempos mais ingênuos e otimistas. No caso das eleições 2022 vou abrir uma exceção: rezo a Crom e Mitra para que estes prognósticos se cumpram. Abraços!".
Prometi-lhe, então, uma postagem exclusiva sobre o caso Itamar/Lilian Ramos. Pois aí está, caro Pateta. Aí está Itamar Franco e a suculenta e suadinha Lilian Ramos, a (ul)trajar a sua já lendária microssaia, a desfilar pelo Sambódromo em seu já mitológico abajur de perereca.
Itamar é o Presidente do Fusca! E do capô de fusca!
É a rachadinha do Itamar!
Pããããããta que o pariu!!!!!!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O Pancadão dos Velhinhos (Ou : os 300 do Asilo)

Conforme o esperado, proibir os foliões de Pindorama de pularem o carnaval fez pulular a quantidade de festas clandestinas por todo o País do Carnaval. Festas cujo o breve reinado de Momo só veio a servir de pretexto para a manada se congregar, pois, de fato, em nada guardam a essência dos velhos carnavais. São raves, bailes funks, pancadões e outras aberrações e excrescências.
Deliberada e inconsequentemente, por todo o território nacional, hordas e mais hordas de jovens, em rebeldia e desobediência civil, lançaram-se a festas que foram verdadeiros rituais suicidas de contaminação pela Peste Chinesa.
Jovens? Só se tiver sido por aí, na cidade em que você reside, caro leitor. Só se tiver sido por aí. Por aqui, na eternamente mal-educada e insalubre Ribeirão Preto (SP), rebeldia juvenil é coisa do passado. É, literalmente, coisa de velho. Por aqui, a vibe deste carnaval, o que bombou mesmo, foi o Pancadão dos Velhinhos!
No sábado de carnaval (13/02), uma denúncia de um filho da puta anônimo, levou a polícia a desbaratar uma festa com mais de 300 pessoas, promovida por uma casa de eventos localizada no Centro Velho da cidade, à rua Álvares Cabral, nº 50.
A denúncia, mais uma de várias, foi feita ao 190 e a polícia já foi preparada para descer o sarrafo na moçada (policiais ganham pouco, mas se divertem). Qual não foi a surpresa dos meganhas ao verem que era um bailão bate-coxa e mela-cueca destinado a idosos. Os famosos "bailes do desmanche".
E por pouco a polícia não pegava ninguém no local, pois o baile da velha guarda (e do velho que não mais "guarda") tinha término previsto para as 22 horas. Que Bailão do Desmanche é assim, começa ao anoitecer, ao lusco-fusco, às 21 horas é servida a canja, que é para não abusar do Corega, e às 22 todo mundo vai pra casa, vestir o pijama com bolso e as pantufas. Sei porque trabalhei com uma professora que era assídua e entusiasta frequentadora dessas matinês da terceira idade. Inclusive, corria à boca pequena que ela era conhecida como a Pantera do Palestra (tradicional e decadente clube aqui da cidade).
Ao jovem, o atenuante concedido à sua inconsequência é a sua própria condição de jovem, a sua juventude, que, dizem, não lhe permite ter a clara - ou mesmo nenhuma - percepção de sua mortalidade. Um jovem de 20 anos se julga imortal. Um eleito e um protegido dos deuses. E, convenhamos, o cara que é capaz de ter três ou quatro ereções por dia tem todos os motivos para acreditar nisso.
E aos velhinhos, o grupo de maior risco do comunavírus? E aos 300 do Asilo? Que atenuante poderíamos lhes conceder pelas suas inconsequências, para que não sejamos acusados de discriminação, de geriatrofobia? O que lhes poderia ser aceito como álibi?
Creio que um da mesma natureza que o concedido ao jovem; apenas no outro extremo do espectro da vida. O jovem não tem a precisa noção de sua finitude; já o velho não só a tem como também sabe que ela lhe chegará em breves e curtos anos.
Então, o velho, já com sua missão cumprida, filhos criados, já no bico do urubu, já mijando no pé, já tendo tirado as medidas com o alfaiate da funerária para o seu paletó de madeira, resolve desbundar, despirocar, "aproveitar" os poucos anos que lhe restam vivendo a ilusão de ser novamente jovem, dobrando e unindo, assim, os dois extremos do espectro da vida e fechando o círculo da triste existência humana.
Com 90 anos de idade, o matusalém vai se cuidar para quê? Vai adotar alimentação saudável e ir fazer ginástica na praça para quê? Para chegar aos 92, 93 anos? Porra nenhuma! O velhinho quer mais é rosetar! Parar de beber? De fumar? O caralho!! Na velhice, os vícios nos são os únicos prazeres possíveis.
O jovem se arrisca porque acha que não vai morrer; o velho, porque não tem muito mais pelo que viver.
Depois de uns quinze ou vinte minutos de filosofia barata, que geraram esta postagem, percebi que o motivo para a "loucura" cometida pelos 300 do Asilo aqui de Ribeirão nada teve de existencial, de "profundo" quiçá de metafísico. Foi produto da absoluta confiança na ciência. Na semana passada, os idosos e idosas (senão seria um baile gay) ribeirão-pretanos acima dos oitenta anos foram vacinados.
Pois os velhinhos tomaram a vacina, sentiram-se protegidos e foram brincar o carnaval!
Certíssimos, os velhinhos!!!!
Só esperemos que a vacina chinesa, a CoronaVac, não entre em conflito medicamentoso com o Viagra, produzido pela Pfizer. Interação desastrosa que levaria a uma movimentada e concorrida Quarta-Feira de Cinzas. No único crematório da cidade.
Pãããããta que o pariu!!!!!

sábado, 4 de abril de 2020

Máscaras de Veneza

- Quem é você?
- Adivinha, se gosta de mim!
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:

- Quem é você, diga logo...
- Que eu quero saber o seu jogo...
- Que eu quero morrer no seu bloco...
- Que eu quero me arder no seu fogo.
- Eu sou seresteiro,
Poeta e cantor.
- O meu tempo inteiro
Só zombo do amor.
- Eu tenho um pandeiro.
- Só quero um violão.
- Eu nado em dinheiro.
- Não tenho um tostão.
Fui porta-estandarte,
Não sei mais dançar.
- Eu, modéstia à parte,
Nasci pra sambar.
- Eu sou tão menina...
- Meu tempo passou...
- Eu sou Colombina!
- Eu sou Pierrô!
Mas é Carnaval!
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.
Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!

A letra é da belíssima canção do Chico, a Noite dos Mascarados.
Para ouvir, é só clicar aqui, no meu incontaminável MARRETÃO

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Marcha da Quarta-feira de Cinzas

Marcha da quarta-feira de Cinzas
(Carlos Lyra e Vinicius de Moraes)
Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais
Brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas
Foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando
Cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida
Feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza
Dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando
Seu canto de paz
Seu canto de paz

Para ouvir uma das mais belas canções de nossa dantes mais varonil MPB, é só clicar aqui, no meu MARRETÃO de Carnaval (na figura)
https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=Y88EguvjlVM

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Alessandra Negrini, a Ceci que Todo Peri Pediu a Tupã

A canalhada esquerdista decretou! Ou melhor, lacrou : índio não é fantasia!
Cara-pálida usar cocar no carnaval, ou tanga, ou pinturas corporais, ou portar arco e flecha, é ofensa e menoscabo ao sofrimento e à luta do povo silvícola. É crime de apropriação cultural!
Igualmente, a seguir o mesmo raciocínio torto e mal-intencionado da esquerda, também não são fantasias, e sim estereótipos preconceituosos e apropriação cultural, quaisquer trajes com referências ou elementos africanos, ciganos, árabes (acabou o carnaval para Sheik e para a Odalisca), nordestinos (esqueçam da folia, Lampião e Maria Bonita) etc etc.
E fantasia de gueixa, e usar uma máscara kabuki (aquela da música Você é Linda, do Caetano), será que é ofensa à milenar tradição japonesa? E usar um sarongue, um colar de flores e duas metades de um coco, uma em cada teta, como sutiã, a clássica fantasia hula-hula, incorrerá em vilepêndio à cultura havaiana, samoana etc?
E a tentativa de censura da esquerda ao comportamento e às vestes das pessoas durante a festa mais democrática do país (e é aí é que se encontra o cerne da censura esquerdista, ela não sabe o que é democracia; para a esquerda, só é democracia se um dos seus estiver autoritariamente no poder) não se restringe aos elementos étnicos, estende-se também aos profissionais e corporativos : fantasia de enfermeira gostosa, de aeromoça sexy, de bibliotecária lasciva e brasa encoberta, de policial feminina dominatrix e outros fetiches dos mais saudáveis, também são sacrílegos ao evangelho fascista da esquerda, também não são fantasias, são representações sexistas das profissionais de cada área, não as valoriza por suas competências em suas funções, sim por seus corpos. Meritocracia em pleno carnaval? É sério isso?
Também fica proibido - ou,  esquerda gostaria muito que ficasse - homem se vestir de mulher no carnaval. Ficam censurados os tradicionais e divertidíssimos - que não ofendem a ninguém, a não ser à paranoia ávida por indenizações da esquerda rançosa - Blocos das Piranhas. Motivo : ofensa e constrangimento à comunidade transgênero. 
Honestamente, a quem isto pode ofender?
Arrumaram até um nome, um rótulo novo (logo a esquerda que diz ser contra rótulos e pré-conceitos) para o Bloco das Piranhas : é o transfake! Transfake : tucanaram o Denorex : parece mas não é aquele que é e não parece. Pãããããta que o pariu!!!
Enfim, a querer agradar a tirania esquerdista do politicamente correto, não pode se fantasiar de nada, todo mundo teria que sair pelado às ruas durante o carnaval, em trajes de Adão e Eva. Ops, melhor que nem em trajes de Adão e Eva, pois poderia melindrar alguma ala mais conservadora dos católicos.
Sinceramente : isto é coisa de desocupados. Ô povinho à toa, este da esquerda
Nem Solange Hernandes, a Dona Solange para os íntimos, a mais draconiana censora dos tempos do regime militar, devidamente homenageada por Léo Jaime em sua canção homônima, Solange, quis proibir tanta coisa durante o seu período de exercício na função.
A esquerda grita, estrebucha, vocifera e cospe na cara (esquerdista adora cuspir na cara; vide Jean Wyllys em Bolsonaro ( e se tivesse sido o contrário?), Zé de Abreu num casal anônimo em um restaurante carioca e até Chico Buarque em Millôr Fernandes) diante da tentativa de censura a livros, peças teatrais e exposições em museus. Mesmo que a tal peça seja a Os Macaquinhos, cuja trama shakesperiana é basicamente um grupo de "atores" pelados, dançando em roda no palco e um enfiando o dedo no cu do outro. Mesmo que a tal exposição "artística" traga como a sua "mona lisa" uma obra intitulada "Criança Viada". Nestes casos, a esquerda chama os pretensos censores de fascistas, de nazistas, de... e só, que o vocabulário esquerdista não é dos mais ricos e sortidos.
Não à censura de livros, peças teatrais e exposições de "arte", brada em alto e bom tom, e em chuva de perdigotos, a esquerda. E, neste raríssimo caso, concordo com ela. Mas sim à censura e ao veto a marchinhas de carnaval que ela - e só ela - julga ofensivas?  Já há alguns carnavais, foliões esquerdistas tentam proibir a execução de marchinhas que eles - e só eles - julgam ofensivas a alguma das infinitas minorias vitiminhas deste nosso Brasil dantes mais varonil, como Maria Sapatão, Cabeleira do Zezé, Índio que apito etc. Mas sim à censura e ao veto de fantasias, pelos mesmos "motivos" alegados em relação às marchinhas?
A esquerda, que tanto prega, em discurso, a liberdade de ideias, a pluralidade de pensamentos e outras tantas conversas pra boi dormir, quando lhe é conveniente, consegue se mostrar e ser mais repressora que a direita, a quem assim adjetiva. Quando um esquerdista xinga de fascista àlguém de ideologia oposta à sua, é a si mesmo que ele ataca, é contra o seu próprio reflexo em Espelho de Obsidiana que investe, é o cachorro tentando morder o próprio rabo.
Proibir uma roda de atores fazendo fio-terra e ligação direta um no outro, uma suruba falangica-reto-anal,  não pode. Banir a Cabelereira do Zezé e a Odalisca e a Baiana do carnaval, sim? Qual a diferença? Assusta-me por demais - sempre me assustou - esse duplo padrão da canalhada vermelha.
A esquerda não quer proibir apenas certas fantasias. Quer proibir a Fantasia, quer proibir o Imaginário, quer castrar o Sonho. Para a esquerda, até a Fantasia, o Imaginário e o Sonho - únicos territórios em que somos verdadeiramente livres - deve seguir e se moldar à sua cartilha ideológica sarnenta. Mesmo porque o sonho da esquerda é simples, pobre e tacanho : viver a vida toda às custas do Estado, viver como sanguessuga do dinheiro dos impostos do capitalista opressor, macho, branco, heterossexual e de direita. 
Cara-pálida usa cocar é apropriação cultural. E índio de calça jeans, tênis Nike e wi-fi na taba, é o quê? E mesmo pessoas publicamente de esquerda, ou declaradamente simpáticas a ela, podem ser pegas em "fogo amigo" das patrulhas ideológicas, podem ser vítimas das balas perdidas das gestapos vermelhas das redes sociais.
A mais recente e famosa vítima da hidrofobia repressora da esquerda - e o motivo desta postagem - foi a bela, gostosa, suculenta e curvilínea Alessandra Negrini. Bastou a beldade, assumidamente feminista, empoderada, de esquerda e outros blás-blás-blás, desfilar suas voluptuosas formas em trajes de Ceci para deflagar a ira vermelha das redes sociais.
Rajadas de hastags de insultos e impropérios foram metralhadas contra a atriz. Não tenho facebook, twitter, ou qualquer outra rede social, mas li algumas das reações negativas à fantasia da atriz, publicadas em alguns jornais.
E percebi algo : todos os julgamentos e condenações sumários feitos contra a bela partiram e foram desferidos por internautas mulheres. Não havia, ao menos nas fontes em que li, um único homem a criticar e a crucificar Alessandra Negrini.
O que me leva a uma única e irrefutável conclusão : neste caso, especificamente neste caso, o "crime" da bem fornida Alessandra Negrini nem foi, exata e principalmente, o de apropriação cultural. Neste caso em particular, haja vista a origem de toda a revolta e esperneio, o delito maior de Alessandra Negrini foi o de ser gostosa. Muito da gostosa!!! Crime imperdoável, inafiançável e imprescritível de acordo com o Código Penal das Mocreias Feministas, um dos tentáculos mais recalcados e pegajosos do politicamente correto.
A fantasia de índia de Alessandra Negrini serviu tão-somente de pretexto, de pano de fundo para as suvacudas e muxibentas destilarem sua intolerância sem parecerem o que de fato o são, despeitadas.
Alessandra Negrini usar cocar na cabeça e urucum nas faces não é apropriação cultural! Apropriação cultural é feminista usar buceta! Pãããããããããta que o pariu!!!! E tenho dito!!!
Índio pode nem ser fantasia, mas a Alessandra Negrini vestida de índia, com certeza, o é! É a minha Fantasia! E a de todos os machos das antigas! Imagino a Alessandra Negrini, vestida de índia, chegando pra mim e falando : índia quer apito! Isto sim é que é fantasia!!!!! Pãããããta que o pariu se é!!!!!
 Alessandra Negrini, a Ceci que todo Peri pediu a Tupã!!!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Cabeleira do Zezé Forever

Sem terem mais o que fazer da vida, uma vez que possuem exatamente os mesmos direitos civis e constitucionais que qualquer outro cidadão, os canalhas, os pilantras, os pústulas dos chamados movimentos sociais ocupam-se em tentar espalhar o seu fascismo cultural, a sua intolerância à diversidade de pensamento.
Logo eles, que tanto reclamam dela, da intransigência. Logo eles, que tanto pregam a tolerância. O que só me permite concluir duas coisas : a) que são uns escrotos duns hipócritas, esses esquerdistas metidos a justiceiros sociais; b) que tolerância no cu dos outros é refresco, que pedir para ser tolerado é muito fácil, quero ver também tolerar o que não lhe agrada.
Agora, o alvo desses vagabundos e desocupados - sim, porque só quem não tem serviço pra ficar de viadagem, pra ficar procurando pelo em ovo - é uma das maiores tradições culturais dentro da tradição maior do Carnaval : as antigas marchinhas carnavalescas. Querem banir do Carnaval marchinhas que consideram ofensivas às "minorias"
Quatro clássicos do carnaval estão na mira dos calhordas que querem controlar todas as esferas da vida alheia. : “Cabeleira do Zez锓Maria Sapatão”, “Índio quer apito” e “O teu cabelo não nega”.
No caso de "Cabeleira do Zezé", fico na dúvida de qual seria a origem do reclamante, se de algum grupo de rapazes alegres (como dizia Didi Mocó) vestidos de borboleta, desfilando em público com um fio dental enfiado no cu e pedindo por respeito, se de alguma minoria islâmica, ou, ainda, se é que isso existe, se de algum fã-clube do João Gilberto, pois a letra, em certo momento, diz : "Será que ele é bossa nova? Será que ele é Maomé? Parece que é transviado, mas isso eu não sei se ele é". Pãããããta que o pariu!!! Sejamos sinceros, como uma letra dessa pode ofender alguém? Viadagem, pura viadagem. E muita falta de serviço.
No caso de "Maria Sapatão", embora a origem da querela seja mais clara e definida - alguma ONG feminista 44 bico largo -, não entendo também o motivo do queixume, pois a música é só elogio às lesbiquinhas. Cantava Abelardo Barbosa, que tá com tudo e não tá prosa, menino levado da breca, o impagável gênio Chacrinha : "O sapatão está na moda, O mundo aplaudiu, É um barato, é um sucesso, Dentro e fora do Brasil". Cadê a ofensa, a intolerância? Não é isso que esse pessoal mais quer, aplauso? Pois, então. Até eu aplaudo de (pau em) pé quando vejo duas mimosas sapatõezinhas se engalfinhando e ralando coco.
No caso de "Índio quer Apito", aí, é que a coisa é ainda mais nebulosa, aí, é que eu não entendi porra nenhuma : "Lá no bananal mulher de branco, Levou pra pra índio colar esquisito, Índio viu presente mais bonito, Eu não quer colar! Índio quer apito! Ê, ê, ê, ê, ê, Índio quer apito, Se não der, pau vai comer!" Porra, eu também quero apito, e daí? Será que ressuscitaram a dupla Raoni e Sting?
Por fim, em "O Teu Cabelo Não Nega", o que parece estar "pegando" é a suposta inadequação da palavra "mulata". Nunca ouvi Valéria Valenssa, a eterna e insubstituível mulata Globeleza, reclamar disso.
Renata Rodrigues, líder do Bloco Mulheres Rodadas, que, juntamente a dois outros blocos, o Cordão do Boitatá e o Charanga do França, pede o banimento das marchinhas, em sua fúria fascista, disse : "“Se a gente é um bloco feminista, não temos como passar ao largo dessas coisas. Se isso está sendo considerado ofensivo, acho que a gente não deve fazer coro”.
Se isso está sendo considerado ofensivo, a moça disse, se... eu acho... Nem ela sabe, nem ela tem opinião formada a respeito e já sai por aí cagando regras, bem ao estilo do povo da esquerda, mesmo.
A confirmar, mais uma vez, a cabal burrice dos justiceiros sociais, eles farão vítimas dentro de suas próprias fileiras com essa história de demonizar as inocentes marchinhas : vão mandar para a fogueira o esquerdista de boutique Caetano Veloso. O clássico do baiano, Tropicália - sobre a cabeça os aviões, sob os meus pés, os caminhões, aponta contra os chapadões, meu nariz -, se dependesse desse povo, também estaria com seus dias contados. O motivo? O mesmo. O uso inadequado da palavra "mulata".
De novo, Renata Rodrigues : "“A gente tocava “Tropicália”, do Caetano Veloso. Agora, com toda a onda desse questionamento, principalmente, em função da palavra mulata, a gente está discutindo e vamos decidir se continuaremos tocando essa música ou não”. Uma discussão importantíssima, sem dúvida!!! Caetano deve estar se cagando de preocupação.
É a Lista da Marchinhas Proibidas!!! Bem aos medievais moldes do Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros proibidos da Inquisição Católica, os quais eram procurados, recolhidos e jogados, juntamente com seus donos, à fogueira santa, por serem considerados contrários e ofensivos à Igreja. Bem ao estilo da Grande Queima de Livros promovida pelos nazistas em 1933, por serem considerados "inconvenientes" ao regime do Adolfinho; tudo o que fosse considerado crítico, ou que se desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista era destruído pelo fogo.
É exatamente, sem tirar nem pôr, a mesma atitude assumida pelos tais movimentos sociais. O mesmo método e a mesma (má) intenção. Queimam na fogueira do politicamente correto tudo o que consideram contrário aos seus sonhos nefastos de poder, tudo o que possa lhes desmascarar e revelar a tirânica fraude que são.
Cabeleira do Zezé Forever! E pau no cu das ONGs e dos movimentos sociais fascistas! Ou, melhor, não pau no cu, que é disso que eles gostam, que é isso que eles mais esperam.
Por enquanto, até que alguma ONG de velhinhos broxas reclame, a Pipa do Vovô Não Sobe Mais está liberada para carnaval. Já o funk proibidão que fala de matar policiais não corre risco algum de veto ou banimento, que esse o pessoal da esquerda apoia e bate palma.
Em cima, da esquerda para a direita : queima de livros contrários às suas crenças e convicções pelos nazistas e pela Inquisição; embaixo : queima de sutiãs pelas feministas.
Pããããããta que o pariu!!! Cada tempo tem a Idade Média que merece.

em tempo : mas que patifaria é essa? Queimam sutiãs, mas tem outros por baixo? Bem que eu gostaria de ver os peitões da loira bitela de calça preta e top azul.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Mesma Máscara Negra

Não gosto de Carnaval, nunca gostei e nem nutro a ilusão de que os antigos fossem bons, puros, ingênuos ou mais decentes, nada disso, não tenho saudades do que não vivi. Mas sei das músicas dos carnavais antigos - ah, sim, as músicas -, essas eram belíssimas.
Dentre uma miríade delas, e que ainda me comove por vezes, está a clássica "Máscara Negra", de Zé Keti (lembrei-me agora, e também, de "Vila Esperança", do Adoniran, mas essa fica pra outro dia).
Há aspectos tocantes e de singular brandura na letra da canção.
A surpresa nada surpresa do Pierrot frente ao reencontro com Colombina, seu espanto comedido, mais feito de gentileza que de sobressalto, ante aquela coincidência presumida. Entendam por coincidência presumida que o casal nada fez em planejar tal encontro, mas sabiam da inevitabilidade de estarem ali, naquele momento, naquelas exatas circunstâncias.
Belo também é o saber tácito e mútuo, e sem dramalhões posteriores às cinzas, acerca da brevidade - e mesmo da especificidade - de sua relação. Eles sabem que ela muito bem existe ali e só ali pode muito bem existir. Não ousam, não têm intenção, urgência ou mesmo vontade em ampliá-la para os outros dias do ano, são inteligentíssimos emocionalmente em aceitá-la como um doce hiato, um respiradouro, uma bolha iridescente de tempo. Por isso é uma relação sem desgaste, por isso já atravessa alguns séculos, e a música de Zé Keti pelo menos dois, por isso voltarão sempre a se encontrar, mesmo que em outros carnavais, mesmo que sejam outros por sob a fantasia.
E há, óbvio, o aspecto da Máscara Negra, as Luas de Veneza, o furtivo, Casanova a escalar janelas, o salão escuro, o anonimato, o ninguém por detrás da máscara, a não-necessidade de despir e vivissecçar o outro, bem como a não-necessidade de que os outros saibam deles. Dessa elegante discrição, tenho saudades, sim.
Os foliões contemporâneos querem notoriedade, holofotes, querem ser celebridades, os salões escuros recendendo a lança-perfume e as máscaras de mesmos matizes foram esmagados pelos sambódromos com luzes de mercúrio, pelas capas de revistas, orkuts, facebooks e twitters da vida.
Mas podem ainda ser vistos, Pierrot e Colombina. Sei disso porque os vejo de vez em quando, há de se olhar, no entanto, com zeloso reparo e dolência. Já consegui divisá-los fugazmente nas madrugadas umbrosas, nas esquinas de breu, nas escadarias enfumaçadas e fedendo a cigarro de bares enfumaçados fedendo a cigarro e até, em algumas ocasiões, os flagrei em sua dança de serpentinas dentro de mim.
Pierrot e Colombina ainda sobrevivem por ai. Aos frangalhos, mas sobrevivem. Na música do Zé Keti e em meus fevereiros existenciais.

Abaixo, a letra:
Máscara Negra

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval.