Ontem, a rever apresentações e entrevistas do Raul Seixas no YouTube, o algoritmo da plataforma conduziu-me automaticamente para uns vídeos do Serguei, o eterno, o rock que nunca morre.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2021
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Serguei, o de Vida Eterna
Agora, é verdade.
Serguei, o de vida eterna, abandonou a carcaça que lhe carregou por 85 anos, Sérgio Augusto Bustamante.
Sérgio Bustamante, diz o atestado de óbito, morreu de anemia associada a infecção e a pneumonia.
Serguei morreu de sexo, drogas e rock'n'roll. Que melhor morte, ou, melhor, que melhor vida pode haver?
Serguei
pode não ter sido o pai do rock, crédito dado ao diabo, mas foi o seu irmão mais velho, o primogênito a orientar o caçula nas
coisas boas da vida.
Serguei era o rockeiro mais velho que o rock'n'roll. Nasceu em 1933, o rock em 1951.
Serguei já era maior de idade quando o bom e velho rock ainda balbuciava e se cagava nas fraldas.
Serguei,
sempre subestimado pela crítica, sempre retratado como um maluco
beleza, com mais histórias e delírios para contar do que talento para
mostrar, era intérprete de primeira, cantava pra caralho, sim. Gravou a
melhor versão de Help, dos Beatles (a boy band mais superestimada da história), que eu conheço. Help,
na voz dos Beatles, é musiquinha de matinê, de brincadeira dançante, de
trilha sonora de novelinha da Globo, contraindicada para diabéticos; na
voz de Serguei, é apoteose sinfônica de anjos e querubins, com
demoniazinhas tetudas de mamilos flamejantes nos backing vocals.
Aliás, Serguei morreu porra nenhuma.
Serguei é o Mumm-Rá do rock, o de vida eterna.
Serguei é o Mumm-Rá do rock, o de vida eterna.
Continua vivo, no Inferno, sem dúvidas; a executar os clássicos do rock'n'roll.
A tocar fogo na guitarra. E na rosca.
Está lá nesse exato momento. A comer a Janis Joplin e a chupar a rola do Jim Morrison.
Serguei se definia como pansexual : transava com homens, mulheres, extraterrestres, árvores e robalos.
Frase de Serguei, ou atribuída a ele : "uma vez no inferno, o negócio é comer o cu do capeta".
O capeta tá andando pelo inferno com a bunda virada pra parede.
No lugar do capeta, eu também estaria.
No lugar do capeta, eu também estaria.
Serguei
1933 - 2019
domingo, 29 de março de 2015
Sábio Serguei
Certíssimo, o Serguei. Novela cozinha o cerébro mais do que LSD. Lúcido pra caralho, em seus delírios psicodélicos. E cantando os clássicos do rock'n'roll, aos 81 anos.
domingo, 5 de maio de 2013
Serguei Não Morreu
Escutei, anteontem, que o cantor Serguei havia falecido, que batera as botas talvez o mais velho roqueiro em atividade do planeta - só para efeito de comparação, Mick Jagger e Keith Richards nasceram em 1943, Serguei, em 1933.
No Brasil, então, Serguei não é nem o pai do rock, ou o avô, ou mesmo o bisavô, Serguei não é nem o Tutankamon do rock no Brasil : Serguei é a Lucy, a ossada mais velha já encontrada no território do rock tupiniquim.
Nascido Sérgio Augusto Bustamente, Serguei é a sua identidade nada secreta, o seu alterego espalhafatoso, que, do alto de seus quase oitenta anos, ainda se apresenta, pula, rebola e canta pelos mais diversos palcos do país, sempre a defender os clássicos do rock'n'roll, Stones, Beatles, Jim Morrison, Janis Joplin, além de composições próprias.
Contudo, mais que por sua música, Serguei é conhecido por suas peripécias sexuais, narradas de forma absolutamente não linear nas entrevistas que concede aos canais de televisão, isso quando consegue se lembrar do que lhe foi perguntado, Serguei é mais lapso do que memória, Serguei senta-se à frente de seu entrevistador e vai falando do que lembrar, e, às vezes, a resposta coincide com o que lhe foi perguntado, é o entrevistador que tem que ir encaixando as perguntas na fala de Serguei, engraçadíssimo.
Jô Soares foi o primeiro a trazer Serguei à baila de um grande meio de comunicação, em seu programa Jô Soares Onze e Meia, ainda no SBT. Foi lá, em uma entrevista já antológica, que Serguei surgiu para o grande público, e já veio com uma declaração bombástica, que marcaria, doravante, sua figura e sua carreira.
Serguei declarou-se pansexual, ou seja, transava com tudo o que se mexia, e com o que não se mexia, também. Homem, mulher, peixe e árvore. Árvore, um cajueiro de tronco grande e grosso localizado num parque de Saquarema (RJ), cidade onde Serguei reside. Num dia de escaldante sol, conta Serguei, ele estava no maior tesão, estava possuído, e como não havia ninguém por perto, abraçou-se a um velho cajueiro e fornicou com a árvore, aliviou-se ali mesmo.
Não vi à época, e muito menos vejo agora, motivos para tanto impacto e polêmica. Para quem já comeu a Janis Joplin, o que é dar uma roçadinha num cajueiro? De mais a mais, no ramo do fetiche vegetal, Serguei é praticamente um iniciante, um amador. Muito antes dele, Mário Gomes já se saciara com sua emblemática cenoura.
Voltando à vaca fria, a morte de Serguei, felizmente, foi só mais um boato. O velho Serguei não morreu. Esteve bem perto, mas ainda não foi dessa vez. Foi internado com um quadro de anemia, desidratação e desnutrição profundas, na quinta-feira, 25/04, num hospital de Saquarema. Submetido a reidratação intravenosa e dietas hipercalórica e hiperproteica, recebeu alta médica já no sábado, 27/04.
Nos últimos tempos, dizem as más línguas, Serguei teria passado a morar em uma casa na árvore (o cajueiro, talvez?) e se tornado adepto da doutrina do Respiratorianismo, que afirma que comida e até mesmo água não são necessárias e é possível viver somente de prana (a força vital do Hinduísmo), ou ainda, de acordo com alguns outros idiotas, se alimentando de luz solar. Tentar fazer fotossíntese teria sido a causa do grave quadro de saúde apresentado por Serguei à sua entrada no hospital.
Outros ainda dizem que Serguei teria contraído fitossífilis, rara doença vénerea transmitida por uma planta exótica, endêmica da região de Saquarema.
De qualquer forma, mais histórias, lendas e munição à sua extensa biografia.
O velho roqueiro está vivo. Pleno, reestabelecido e cada vez mais sexy, segundo ele. Já mandou avisar que está prontíssimo para o show em Brasília, dia 11 de maio, acompanhado de sua banda Pandemonium.
Longa vida a Serguei e aos clássicos do rock'n'roll.
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