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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Pequeno Conto Noturno (106)

Rubens e Yrina.
Hoje. No passado. No porvir. No que já feneceu. No que nunca virá. No que nunca respirará. No que nunca expirará. No que nunca resplandecerá em pirâmides. No que nunca mumificará. 
Ambos única singularidade. De uma explosão. De um novo Universo.
Ambos única singularidade. De um embrião em câmera criogênica. De uma nova entropia.

terça-feira, 10 de junho de 2025

Pequeno Conto Noturno (105)

02h11. Como diziam antigamente - pensa Rubens, ou nem pensa, simplesmente o pensamento o invade -, cheguei ao fim do pito. O fumo do cigarro, do temporizador da bomba-relógio que é a vida, há muito foi todo queimado. Não satisfeita, a vida, árbitro que se apraz do sofrimento, decretou acréscimos, prorrogações. 

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Pequeno Conto Noturno (104)

02h51. Madrugada de sábado. Vodka-tônica no copo. Uma pequena e de pouca potência caixa de som com conexão bluetooth na mesa de fórmica amarela lascada nos cantos. Um aplicativo de música aberto no celular. Rubens decide ouvir Vinicius de Moraes e Toquinho. Digita seu pedido no campo de busca do aplicativo e lança a sorte de seus ouvidos ao aleatório do algoritmo.

domingo, 19 de janeiro de 2025

Pequeno Conto Noturno (103)

00:52h. 
Rubens tranca a porta do apartamento com duas voltas na fechadura e acende a luz da sala (lâmpada ainda de filamento, 40 W), chegando da loja de conveniência com um fardo de latinhas e mais dois latões já gelados, para se distrair durante o tempo que as latinhas levarão a gelar.

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Pequeno Conto Noturno (101)

Por Dalila, Rubens cumpriu os doze trabalhos de Hércules - desceu ao Hades sem, no entanto, ascender ao Olimpo; imolou-se em esforços de proporções bíblicas.

sábado, 8 de junho de 2024

Pequeno Conto Noturno (100)

01:23h. Uma loja de conveniência de um posto de combustíveis qualquer. Todas são o perfeito carimbo uma das outras. São o mais próximo dos impessoais shoppings centers que Rubens se permite frequentar. Hoje, ou calculara mal a quantidade usual de bebida na geladeira, ou mal a voracidade de sua sede, ou mal a insaciedade de sua alma. Ou as três coisas.

sábado, 2 de dezembro de 2023

Pequeno Conto Noturno (97)

Rubens é de direita. Convicção forjada por fatos da vida real, temperada pelo esforço sempre mal pago e irreconhecido desde os seus 13, 14 anos, quando começou a pegar no batente. Rubens nunca teve tempo para utopias, para participar de passeatas e marchas inócuas e idiotas, para ficar fumando maconha de papo pro ar.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Pequeno Conto Noturno (94)

21h42. Rubens entra a passos largos no supermercado cujas portas se fecham às 22h00. É acompanhado pelos olhares de desgosto dos operadores de caixa, sempre a torcer pela ausência de retardatários feito Rubens. Mas eles sempre aparecem. A loja fecha sua entrada às dez da noite, mas os funcionários só largam do batente depois que o último dos clientes a entrar tenha feito suas compras e ido embora. Rubens já trabalhou em função correlata, sabe da frustração que é a chegada de um atrasadinho, sabe que poderá adiar o descanso de algum deles em excruciantes minutos. 

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Pequeno Conto Noturno (93)

03h07. Rubens sempre gostou de escrever cartas. Hábito que manteve, de forma contumaz, da adolescência até balzaquianas idades. Escreveu, enviou e recebeu em resposta mais de uma centena delas. Principalmente para o primo Leitinho e para o amigo Margá; algumas outras dúzias, talvez, para pequenos casos amorosos. Guarda ainda todas as que recebeu, em caixas de papelão protegidas por sentinelas de naftalina; tem até cópias de um tanto delas que enviou.

sábado, 4 de junho de 2022

Pequeno Conto Noturno (92)

Sexta-feira. 05:52 h. Mal amanheceu, nesses dias já a flertarem com o inverno. O silêncio da manhã é eivado pelo barulho da emissão do gás carbônico liberado quando ele rompe o lacre do latão da cerveja.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Pequeno Conto Noturno (89)

03:11 h. Pelas contas de Rubens, só há o suficiente para mais duas doses de rum na garrafa; o pirata e o papagaio lhe sorriem, zombeteiros. De uns tempos para cá, nessas horas mortas, que são as únicas em que ele se sente um pouco vivo, Rubens deu para se lembrar de G.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Pequeno Conto Noturno (88)

Silêncio. Um silêncio de já uns 20, 25, 40 minutos. Um silêncio habitado apenas por respirações, pulsações, batimentos cardíacos e ronronares intestinais involuntários. Um silêncio de pensamentos a andar nas pontas dos pés. Que é das coisas de que Rubens mais gosta com Yrina. A possibilidade desse silêncio.