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segunda-feira, 28 de abril de 2025

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa... (59)

Antônio Gonçalves Sobral, de alcunha Nelson Gonçalves, foi o segundo maior vendedor de discos do Brasil, com quase 80 milhões de cópias vendidas, perdendo apenas para o Rei Roberto, que já bateu a cifra dos 120 milhões.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

A Desejada Invisibilidade

O chargista - o bom chargista, claro - é um sujeito dotado de incríveis poderes de síntese e concisão. É capaz de ser sucinto e abrangente ao mesmo tempo. Eu, que falo, falo, e não falo porra nenhuma, morro de inveja desses caras.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa... (55)

A canção "Mensagem", de autoria de Aldo Cabral e Cícero Nunes, de 1946, gravada por inúmeras cantoras de peso, desde Isaura Garcia até Maria Bethânia, passando por uma de suas versões mais conhecidas com Vanusa, não tem a grandiloquência e o refinamento de um de um Chico Buarque, de um Milton Nascimento, de um Belchior, de um Oswaldo Montenegro, de um Renato Russo, de um Flávio Venturini, de um Lupicínio Rodrigues, de um Herivelto Martins.
Porém, carrega em si uma simplicidade e uma singeleza que a tornam, na minha opinião, uma das mais tocantes e pungentes da MPB.
Guarda uma beleza tímida, que não se expõe de forma óbvia, exibicionista e ostensiva - e é mais bela por isso -, a beleza das coisas que nascem espontaneamente, sem esforço e sem fórceps, sem traumas; a majestade do miosótis que brota no solo fértil da saudade durante uma madrugada orvalhada de lua cheia. Sem se anunciar, sem ninguém ver.
A letra narra a curta história da mulher que recebe a visita do carteiro a lhe trazer notícias do homem que a abandonara, que, provavelmente, a trocara por outra, pois, como diz meu corno e filósofo amigo Fernandão, "alguém já viu o Tarzan largar de um cipó sem estar segurando em outro?".
A letra traz alguns achados, algumas pequenas pepitas de inspiração. Traz, por exemplo, a tão pouco usada preposição "ante"; "ante surpresa tão rude ", e segue com uma boa rima, "nem sei como pude chegar ao portão". E meu trecho preferido : "lendo o envelope bonito, em seu sobrescrito, eu reconheci, a mesma caligrafia que disse-me um dia estou farto de ti". Sobrescrito... pããããta que o pariu... quem sabe o que é isso hoje em dia? Bonito com sobrescrito, caligrafia com disse-me um dia, reconheci com estou farto de ti. Um primor.
Vanusa canta "que disse-me um dia"; Maria Bethânia, que gravou a canção mais recentemente e é uma baita conhecedora da nossa língua, canta "que me disse um dia", pois o pronome relativo "que" atrai para si, em próclise, o pronome pessoal "me". Não sei qual das duas maneiras é a original dos autores, mas, nesse caso, isso pouquíssimo importa.
E a moça não chega a abrir o envelope bonito. Destrói-o. Incinera-o : "quanta verdade tristonha ou mentira risonha, uma carta nos traz, e assim pensando rasguei tua carta e queimei, para não sofrer mais".
Ante uma nova e provável decepção, uma nova e provável tristeza, a moça abriu mão da possibilidade de uma ressurrecta felicidade. É a carta de Schrödinger!!!
Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...

Mensagem
(Aldo Cabral e Cícero Nunes)
Quando o carteiro chegou
E o meu nome gritou
Com uma carta na mão
Ante a surpresa tão rude
Nem sei como pude
Chegar ao portão

Lendo o envelope bonito
Em seu sobrescrito
Eu reconheci
A mesma caligrafia
Que disse-me um dia
Estou farto de ti

Porém não tive coragem
De abrir a mensagem
Porque na incerteza
Eu meditava e dizia
Será de alegria?
Será de tristeza?

Quanta verdade tristonha
Ou mentira risonha
Uma carta nos traz
E assim pensando rasguei
Tua carta e queimei
Para não sofrer mais

Porém não tive coragem
De abrir a mensagem
Porque na incerteza
Eu meditava e dizia
Será de alegria?
Será de tristeza?

Quanta verdade tristonha
Ou mentira risonha
Uma carta nos traz
E assim pensando rasguei
Tua carta e queimei
Para não sofrer mais

E assim pensando rasguei
Tua carta e queimei
Para não sofrer mais.
Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu missivista MARRETÃO.

terça-feira, 15 de março de 2022

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(54)

Desejos abafados, reprimidos, contidos e amordaçados são eternas metástases na alma, adormecidas. E que, quando nos distraímos, quando nos damos ao luxo e ao risco de baixar a guarda, bocejam aqui, ali e acolá.
Como lindamente escrito na música "Revelação", composição dos irmãos piauienses Clodomir e Clésio e imortalizada na voz do cearense Raimundo Fagner.
E essa postagem vai, primeiramente, para meu amigo virtual Jotabê. E, segundamente (como diria Odorico Paraguaçu), para todos nós, os velhos que um dia já fomos uma brasa.

Revelação
(Clodomir e Clésio)
Um dia vestido
De saudade viva
Faz ressuscitar
Casas mal vividas
Camas repartidas
Faz se revelar

Quando a gente tenta
De toda maneira
Dele se guardar
Sentimento ilhado
Morto, amordaçado
Volta a incomodar
Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu saudoso MARRETÃO.

em tempo : histórias, contos, crônicas etc podem ser, e geralmente são, frutos da imaginação; mas os sentimentos, não. Mal disfarçados ou não, não há como inventá-los, nem evitá-los; apenas moderá-los.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(53)

A paixão é uma merda! É droga pesadíssima. Ilícita, hedionda e inafiançável, deveria ser decretada. E a fossa, meu chapa, e a dor de cotovelo e a alma liquefeita em álcool e vômito e o beijo na boca da privada, nada mais são que os sintomas da abstinência da paixão. A fossa, meu chapa, é o choramingar e o implorar, é o uivar e o ganir do organismo ressentido e convulso pela falta da buceta que resolveu ir rodopiar em outras varas.
Deveriam existir clínicas de reabilitação para os apaixonados que não conseguem largar o vício. Clínicas de internação compulsória, pois o dependente da paixão não quer reconhecer que tem um problema. Antes pelo contrário, crê piamente que o seu vício, a paixão, é o caminho para a sua felicidade. Ah, esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei... Deveriam ser criados grupos de apoio para esses sofredores, para esses penitentes de Eros. Um A.A., apaixonados anônimos.
A fossa não tem prazo certo para acabar, ela durará o tempo do organismo se livrar de todos os resquícios e traços da paixão, de limpar e descontaminar todas as suas células, artérias, narinas, ouvidos, língua, dedos, lençóis, armários, gavetas e porta-retratos da onipresença da pérfida que lhe pôs penduricalhos à testa.
Disso, bem sabe e entende o cantor, compositor e também corno Ivan Lins. Grande e respeitável nome da MPB corneado pela então esposa Lucinha Lins, com Claúdio Tovar, um bailarino. Pãããããããta que o pariu!!!! E tão desnorteado Ivan estava pela abstinência do ser amado que permitiu que a algoz de seu coração e de seus testículos continuasse a envergar o seu sobrenome, nome que arrastara pela lama.
Ferido pelo galho e sensibilizado por ele em sua verve poética, Ivan Lins compôs a belíssima Você Foi Saindo de Mim. Mais que um simples relato musicado, um testemunho de vida de um corno em recuperação.
Você Foi Saindo de Mim
(Ivan Lins)
Você foi saindo de mim
Com palavras tão leves
De uma forma tão branda
De quem partiu alegre.

Você foi saindo de mim
Com sorriso impune
Como se toda faca não tivesse
Dois gumes.

Você foi saindo de mim
Devagar e pra sempre
De uma forma sincera
Definitivamente
Você foi saindo de mim
Por todos os meus poros
E ainda está saindo
Nas vezes em que choro.
Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu desintoxicado MARRETÃO.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(52)

A expressão Era Uma Vez... introduz histórias e narrativas fantásticas, com seres encantados e com finais felizes.
Era Pra Ser..., histórias e narrativas fatídicas, com seres desencantados e com finais; apenas com finais.

Era Pra Ser
(Adriana Calcanhoto)
Era pra ser canção de amor
Era o amor em versos
Era pra ser sobre você e eu e o meu deserto
Era pra ser para você, sempre você, pra sempre
Era pra poder ficar eternamente no presente

O amor soprou de outro lugar
Pra derrubar o que houvesse pela frente
Tenho que te falar
Essa canção não fala mais da gente

Era pra ser canção de amor
Era o amor em versos
Era pra ser sobre você e eu e o meu deserto
Era pra ser para você, sempre você, pra sempre
Era pra poder ficar eternamente no presente

O amor soprou de outro lugar
Pra derrubar o que houvesse pela frente
Tenho que te falar
Essa canção não fala mais da gente

O amor soprou de outro lugar
Pra derrubar o que houvesse pela frente
Tenho que te falar
Essa canção não fala mais da gente.

Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu melancólico MARRETÃO.

sábado, 30 de maio de 2020

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(51)

Você pode nunca ter ouvido falar dele, mas, certamente, já ouviu dezenas de suas composições : Evaldo Gouveia. Um dos grandes nomes da fossa e da dor de cotovelo da nossa outrora poética e valorosa MPB.
São dele e de seu indefectível parceiro Jair Amorim, a uns poucos exemplos : Alguém me Disse (alguém me disse que tu andas novamente, de novo amor, nova paixão, toda contente..."), Brigas (veja só, que tolice nós dois brigarmos tanto assim...), Que Queres Tu de Mim (que queres tu de mim, que fazes junto a mim, se tudo está perdido amor...), O Trovador (sonhei que eu era um dia um trovador, dos velhos tempos que não voltam mais), Sentimental Demais (sentimental eu sou, eu sou demais...), Tango para Tereza (hoje, alguém pôs a rodar, um disco de Gardel num apartamento junto ao meu, que tristeza me deu...), Bloco da Solidão (angústia, solidão, um triste adeus em cada mão, lá vai meu bloco, vai, só desse jeito é que ele sai...).
Evaldo Gouveia foi gravado por Altemar Dutra, Ângela Maria, Gal Costa, Nélson Gonçalves, Cauby Peixoto, Agnaldo Timóteo, Ney Matogrosso, Jair Rodrigues e outros intérpretes de uma época em que era necessário saber cantar para ser cantor ou cantora.
Morreu ontem, ao 91 anos, em decorrência de um AVC.
Evaldo Gouveia
1928 - 2020

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(50)

Vou chorar, desculpe, mas eu vou chorar... perdoe o meu coração. E quando vem a lucidez, estou sozinho outra vez, e então eu volto a conversar com minha tristeza...
Pããããta que o pariu!!!! Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...
Desculpe, Mas Eu Vou Chorar
(César Augusto)
As luzes da cidade acesa
Clareando a foto sobre a mesa
E eu comigo aqui trancado
Nesse apartamento

Olhando o brilho dos faróis
Eu me pego a pensar em nós
Voando na velocidade
Do meu pensamento

E saio a te procurar
Nas esquinas, em qualquer lugar
E às vezes chego a te encontrar
Num gole de cerveja

E quando vem a lucidez
Estou sozinho outra vez
E então eu volto a conversar
Com minha tristeza

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Não ligue, se eu não te ligar
Faz parte dessa solidão

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Na hora em que você voltar
Perdoe o meu coração

E saio a te procurar
Nas esquinas, em qualquer lugar
E às vezes chego a te encontrar
Num gole de cerveja

E quando vem a lucidez
Estou sozinho outra vez
E então eu volto a conversar
Com minha tristeza

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Não ligue, se eu não te ligar
Faz parte dessa solidão

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Na hora em que você voltar
Perdoe o meu coração.

Para ouvir a canção, em "trieto" com o finado Leandro (que o capeta o tenha) e com dois dos maiores comedores do Brasil, dois dos maiores machos das antigas, Leonardo e o imbatível Fábio Jr, é só clicar aqui, no meu poderoso e lacrimoso MARRETÃO.