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quinta-feira, 29 de maio de 2025

As Astromeiras (Ou : Olavo de Carvalho Está a Rolar de Rir em Sua Tumba)

É prática comum - e das mais canalhas - tentar desqualificar um oponente quando nos faltam contra-argumentos para refutá-lo num embate intelectual ou ideológico. Nosso antagonista pode ser uma sumidade na questão debatida, pode ser impecável e irretocável em suas colocações, mas quando diante de seu ponto de vista contrário ao nosso e da nossa falta de recursos para desmontá-lo, jogá-lo à lona, não titubeamos, partimos para tentar desqualificá-lo, invocamos supostas imperfeições dele, que nada têm a ver com o assunto tratado, no qual ele é perfeito.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Queridos Formandos, Jumentos e Burros

Maurício Mühlmann Erthal é um escritor, professor universitário e pesquisador brasileiro. Erthal é um crítico ferrenho do sistema educacional brasileiro. Em um de seus discursos, transcrito logo abaixo, Erthal se dirigiu aos formandos de Relações Internacionais da UFRGS como “burros e jumentos”.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Escolas Cívico-Militares, Uma Tênue Luz no Fundo do Poço

As escolas cívico-militares, como a própria denominação entrega, são híbridos, meios-termos entre as escolas civis e as militares. Diferente das militares, a parte administrativa, a pedagógica e a definição do currículo continuam nas mãos de professores, pedagogos, educadores e outros embusteiros. Diferente das civis, a segurança, a disciplina e atividades extracurriculares de moral e cívica ficam a cargo e a soldo dos militares.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Pendurando o Apagador

Cinquenta anos de sala de aula. Vinte e oito e meio como professor, vinte e cinco só de escola pública.

Ninguém que exerça uma mesma profissão durante tanto tempo chega a essa altura da vida com grandes esperanças ou animações para com seu ofício - senão frustrações. Mesmo que seja um ofício respeitado, um serviço buscado e requisitado por quem dele prescinde.

sexta-feira, 1 de março de 2024

Ganhei a Sexta-Feira

Hoje. Primeiro do mês. Um longo, quente e estafante março, sem feriados, sem respiradouros, sem saídas de emergência, se nos descortina. A escola, às vezes, admito, faz o que pode pelo exaurido professor : marcou uma reunião de pais para essa sexta, com suspensão das atividades letivas.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Promoção de Volta às Aulas (Para Professores)

Todo começo de ano, fim de janeiro, começo de fevereiro, é o mesmo terrorismo psicológico para com o professor em merecidíssimas férias. Tudo quanto é livraria, papelaria, supermercado, farmácia, padaria, quitanda, buteco e zonão penduram em suas portas cartazes de "Volta às Aulas", e recheiam lá suas prateleiras e gôndolas com cadernos, lápis, canetas, borrachas, estojos, fichários.

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Todo Mundo em Pânico

Tentem imaginar a hipotética situação que, mal e porcamente, vos narrarei. Elas vos parecerá surreal, creio. E, no ambiente em que a colocarei inicialmente, de fato, ela o é.

domingo, 3 de setembro de 2023

Cavalo no Cio (Ou : Somos ou Não Somos um País de Quadrúpedes?)

A personagem Da. Cândida, da Escolinha do Professor Raimundo, aluna educada, aplicada, ingênua, pura e recatada, interpretada pela atriz Stella Freitas, está longe de ser uma das primeiras que nos vêm à cabeça quando nos lembramos da saudosa atração televisiva.

quinta-feira, 9 de março de 2023

O Louco da Praça

Acredito que todos conheçam a figura universal do louco a pregar em praça pública. Do menor vilarejo à mais monstruosa metrópole, o louco está lá, a discursar nas praças, às árvores, aos pombos e aos bustos em bronze.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Aos que Votaram em Lula (8)

Nem mesmo se completou um mês do retorno da democracia ao nosso país e Lula, o painho dos pobres, já baixou uma série de medidas para a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro. Fomentos à educação, à pesquisa científica e à cultura, áreas tão asfixiadas e seviciadas pelo genocida Bolsonaro. Lula também tomou medidas que visam erradicar a miséria, gerar mais empregos e renda, desonerar o assalariado com redução de impostos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

sábado, 26 de novembro de 2022

O MSM, o Movimento das Sem-Modess

Duas semanas finais de aula. Finais, não : terminais. O negócio, agora, é fechar a conta e passar a régua - e a jumentada toda, é claro. Não há mais o que fazer - nunca houve, na verdade. É cumprir tabela e fingir - mais ainda (nem o poeta finge tão completamente) - que estamos a lecionar.
Conteúdo? Esqueçam! Nesse rescaldo de fim de ano, nesse fim de feira, nessa xepa letiva, até eu deixo a meninada à vontade em sala de aula. Deixo meus gizes, apagador e chicote de domador no armário e adentro a sala até com um semissorriso nos lábios. Sento-me, faço a chamada e deixo que eles ponham os seus cadernos em dia, para vistos a valer nota, lhes digo. Porra nenhuma.Todas as minhas notas já estão fechadas e digitadas. Digo que ainda não para que eles se ocupem de algo, pensem que estão a estudar, a recuperar o ano e, principalmente, para que me deixem em paz. E eu fico sentado, sossegado, esperando a hora passar, calado - o que dá exatamente na mesma do que eu falar por duas horas sobre genética, citologia etc.
Estava eu, então, ontem, nesse cenário descrito, aproveitando para adiantar a minha leitura de "Do amor e outros demônios", do Gabriel García Márquez, quando alguém bateu à minha inviolável porta. Abri. Tomei um ligeiro susto. Era a professora de geografia. Baranguíssima. Uma autêntica espanta-caralho. Esquerdista, feminista empoderada. Solteirona encalhada, é claro. Usava uma máscara anti-peste chinesa - é a única pessoa no planeta que ainda a mantém.
Pediu-me para dar um recado e recrutou seis alunas para que a acompanhassem e recebessem o kit feminino íntimo. Alunas que quisessem participar da ação de cidadania, ninguém era obrigado a. Que, depois da LDB paulocanalhafreirista e do ECA, o aluno pode escolher fazer o que bem entender na escola, inclusive, e principalmente, optar por estudar ou não. Meia dúzia de voluntárias a seguiu para receber o tal kit íntimo. Tentei não pensar sobre, tentei fingir demência sobre o assunto, sedar minha curiosidade, sublimei a questão.
Porém, como todos os que me conhecem sabem, o Universo não me dá folga. Logo, bateu o sinal para a troca de aulas. Sobre o sinal da escola, um breve particular : não é aquela sirene com que a maioria de nós está familiarizado. A cada 45 minutos, nos alto-falantes instalados em cada sala de aula, toca o trecho de uma música, de um repertório que é renovado diariamente, quem faz a programação musical, ou a playlist, como se diz hoje em dia, eu ainda não consegui descobrir, mas deve ser parente ou, no mínimo, estar a mando do cramulhão. Chico Buarque, Tom Jobim, Toquinho e Vínicius, Legião Urbana, a fazer valer a função educadora da escola? O caralho! Toca é sertanejo universitário. Nessas horas, sinto uma puta duma saudade da boa e velha sirene, muito mais afinada e melodiosa que a maioria dessa turma. Fim do particular.
Bem, soou o sinal para a troca de aulas e eu me dirigi para um outro bloco de salas, ou para o outro pavilhão, se assim preferirem a bem da verdade. No corredor que interliga os dois pavilhões, uma aglomeração feminina em frente ao gabinete da vice-diretora, uma algazarra de espantar maritacas. Ali estava a ser distribuído o kit íntimo feminino. Passei pela aglomeração e vi o que preferiria não ter visto - quem disse que temos livre-arbítrio?
Uma a uma, as alunas entravam na sala da vice e recebiam das mãos dela, com todas as pompas e circunstâncias, uma sacolinha cor-de-rosa com um conjunto de absorventes íntimos e sabe-se lá mais o quê. A cada entrega de kit, uma inspetora fotografava a felizarda aluna abraçada à vice-diretora e à citada professora de geografia.
Não sei, não quero saber e muito menos ver, mas tenho certeza de que a vice e a professora postaram as fotos em seus facebooks, instagrams, tinders e badoos com as seguintes legendas: "Cidadania", "Conscientização", "Empoderamento", "Igualdade menstrual", "Quem matou Mariele" etc etc. E ganharam milhares de views e de curtidas de suas amigas sem um cacete para chamarem de seu.
A distribuição gratuita de absorventes faz parte do projeto estadual "Programa de Dignidade Íntima". A iniciativa, na qual já foram gastos mais de 30 milhões de nossos suados impostos, tem o nobre objetivo de "combater a pobreza menstrual e seu impacto na educação, sobretudo na evasão escolar. Os produtos são disponibilizados em todas as unidades escolares da rede estadual para quaisquer alunas que precisarem, com destaque para aquelas em situação de vulnerabilidade".
Sobre o programa, o ex-secretário da educação Rossieli Soares, disse : "O recurso que é disponibilizado através do programa Dignidade Íntima é exclusivo para a aquisição dos itens de higiene menstrual das nossas estudantes. Não podemos, no ano de 2021, aceitar que meninas faltem à escola porque estão menstruadas e não têm condições econômicas para comprar absorvente”.
Ô, tadinhas... ô povinho sofrido e oprimido, esse nosso. Dinheiro para celulares de última geração, todas elas têm. Para comprar modess, não? E cunharam um novo termo : pobreza menstrual. Para mim, pobreza menstrual é a mulher que entrou na menopausa.
Em unidades escolares de ensino fundamental I, cujas alunas ainda não menstruam, o material é distribuído entres as digníssimas genitoras das apedeutas. Uma das autoras do projeto, explica : "Nossa ideia é dar continuidade neste tipo de ação, para ajudar não só as estudantes que precisam, mas também, quando possível, suas mães e responsáveis. Esse é um programa muito válido, que volta a atenção para a saúde da mulher. Isso é também papel da escola, e tem que partir dela”.
Agora, desgraçou de vez. O aluno já recebe tudo de mão beijada. Ganha desde o lápis, passando pelos cadernos (todos de capa dura), até os livros didáticos, material que não sairia por menos de dois, três mil reais se comprados em uma livraria ou papelaria. Tudo de graça. E não usam. Muitas vezes, jogam fora. Eu tenho em casa duas garrafas de água mineral de 500 ml cheias de canetas que recolhi do chão das salas de aulas, corredores e pátio da escola. Tenho uns 10 cadernos universitários de 200 folhas novinhos guardados no armário, todos achados no chão das salas, abandonados sem nome embaixo das carteiras e até nas lixeiras da escola. E se amanhã ou depois, o aluno resolver anotar alguma coisa da aula e se der conta de que perdeu o caderno e a caneta, não há problema : ele se dirige à inspetoria e, sem nenhum tipo de controle ou perguntas, recebe um novo material. Ganham também passe livre no transporte público. Só lhes falta a vontade de estudar e vergonha na cara. Mas esses, infelizmente, são artigos que não se pode dar a ninguém. Nasce-se com eles, ou não.
E agora, até tapa-racha, eles e suas mães irão ganhar na faixa! Pãããããta que o pariu!!!  Até zelar pela buceta da família virou função da escola!!!
Comentei depois, no intervalo, o tal descalabro com um professor. Esqueci-me, no entanto, que era um de "humanas", de História (pra boi dormir). Para me responder, estufou o peito, empavonou-se todo (já repararam como o povinho da esquerda se estufa feito um baiacu e assume voz de palanque sempre que vai falar?) e discursou que era uma necessária política de saúde pública, pois muitas não tem condições de comprar absorventes. Foi por ele que fiquei sabendo da existência do termo "pobreza menstrual". Um expert em bucetas carentes, o cara. Nem retruquei. Falar o quê para um sujeito que começou a trabalhar só depois de formado, perto dos 30 anos, que nunca pegou de verdade no batente?
Problema de saúde pública é o cacete!!! Questão de saúde pública, a exemplo, são os soros positivos para HIV, para os quais não há opções alternativas e caseiras do controle da doença, só os caríssimos fármacos distribuídos pelo sistema público de saúde.
Não tem dinheiro para comprar absorventes? Aprenda a fazer os próprios. E as famosas toalhinhas higiênicas? Tão usadas por nossas avós e até mesmo mães e tias dos que tem mais de cinquenta anos hoje? Minha mãe, hoje com 79 anos, é a segunda de uma família de sete irmãos, quatro dos quais, mulheres. Quando eu, hoje com 55, tinha meus seis, sete anos e muito frequentava a casa de minha avó, sempre via um monte de paninhos a secar no varal. Uma vez perguntei para minha avó o que era aquilo, e ela, sem tirar um olho do peixe e outro do gato, respondeu que eram as toalhinhas das minhas tias. E só. Sem mais explicações. Pensei que eram um tipo de toalha de rosto e ficou por isso mesmo.
Não têm dinheiro para O.B.? Gastou tudo para pagar a cerveja do macho? Voltem às toalhinhas higiênicas.
Hoje em dia, as empoderadas passam o dia nas redes sociais e a ver tutoriais no youtube de como colocar cílios postiços, unhas de gel, de como malhar o bumbum, fortalecer os músculos da xavasca, aprendendo design de sobrancelhas etc. Por que não aprendem a costurar toalhinhas higiênicas? Que, inclusive, são muito mais baratas, ecológicas, biodegradáveis e biodinâmicas que os absorventes industrializados. As toalhinhas higiênicas estão alinhadas com as metas de sustentabilidade do milênio. Um luxo só.
Aliás, ao invés das escolas distribuírem tapa-rachas comerciais, deveriam era ensinar as meninas a confeccionarem suas toalhinhas higiênicas, proporcionar-lhes um curso de corte e costura. Cortar, costurar e chulear um saco de aniagem? Fervê-lo em água com anil, deixá-lo quarar ao sol e lavá-lo a cada uso? As empoderadas? Imaginem... As empoderadas querem é tapa-racha da Johnsson & Johnsson e da Procter & Gamble, de preferência aqueles com um aplicador bem bem grosso e taludo. E, claro, de graça. Que de graça - e me desculpem as putas - é mais gostoso.
É por essas e por milhares de outras que o Brasil está, literalmente, no vermelho. E que voltou a eleger o vermelho. Sangue, quem derrama é só trabalhador.
Assim que as seis alunas despossuídas de numerário para comprarem seus próprios tapa-rachas ajeitaram seus celulares na cintura ou nos bolsos de suas calças compradas nos shoppings não por menos de 300 reais saíram da sala com a professora, uma bichinha muito gente boa, muito da divertida e brincalhona, mas sem nunca ser desrespeitosa para comigo ou qualquer outro professor, perguntou-me : "e aí, gato (ele chama todos os professores de gato), vai ter também kit íntimo para os meninos?"
Sabendo que posso brincar com ele, respondi : - vai sim, Fulano, chega na semana que vem e vai ter uns supositórios de glicerina deste tamanho, ó. E mostrei-lhe meu polegar e meu indicador afastados, delimitando um espaço de uns 15 centímetros.
- Oh, glória!!!, falou a bichinha espirituosa.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Ao Mestre, Com Asco e Desprezo

É possível apoiar e idolatrar um ladrão, um corrupto, e, ao mesmo tempo, dizer que defende valores éticos, morais e as instituições de um estado democrático? Pior : dizer que, justamente, ao apoiar um ladrão está a fazer isso, a defender a moral, a ética e a democracia?
Para qualquer pessoa minimamente sã e racional, isso é pura loucura, caso de internação. Para mim, menos condescendente, é caso, isso sim, de prisão perpétua, de pena de morte. Para o ladrão e para quem o idolatra.
Mas, sim, meus caros, isso é possível, sim. Na cabeça e na ideologia pervertidas e criminosas da esquerda, isso não é somente possível, é obrigatório, é condição sine qua non.
Essa, nesses dois dias (03 e 04/10/22) que sucederam o primeiro turno das eleições presidenciais, é a nova e atual tônica a ser usada (a continuar a) pelos professores esquerdistas com quem convivo (passar um pouco de Vick Vaporub dentro das narinas ao entrar na sala dos professores tem me ajudado bastante. Dramin, ainda não preciso lançar mão de. Tenho estômago forte, calejado pelos porres e bebedeiras) : doutrinar os alunos para que apoiem ladrões e criminosos de todas as espécies, desde que estejam sob a égide vermelha, e cobrar deles que, em sala de aula, se portem comportada e eticamente em relação à "aula" do professor, que, afinal, é um pobre proletário oprimido, um trabalhador, que respeitem a instituição Escola. Essa, daqui em diante, será a nova pérola do duplipensar comunista.
Explico meu nojo e o motivo dele.
Como era esperado, Lula foi bem votado pelos professores de onde leciono. Notadamente, pelos tais das "humanas"; não só por eles e nem por todos eles, mas, notadamente, pelos das "humanas".
São esses mesmos caras que, a partir da semana que vem (essa semana, estamos apenas em reuniões e conselhos de classe), entrarão em suas salas de aula e, como se nada tivesse acontecido, como se não tivessem votado em um ladrão, voltarão a dizer de ética, moral e valores para os alunos, voltarão a defender as Instituições, o estado democrático etc.
Entra o de filosofia, por exemplo, e diz : "olha, gente, eu votei num ladrão condenado e ainda réu em quatro processos, mas isso é só um detalhe, tá?, uma coisa de nada, vamos agora voltar a discutir a ética de Platão, de Kant, discutir os fundamentos da ação moral, aprender a distinguir as ações morais, das imorais e amorais etc etc etc"; toda uma vã e hipócrita papagaiada.
Entra o de Sociologia (esses são os piores), invariavelmente um sindicalista, e faz sua defesa de palanque, de showmício com cantor sertanejo universitário, do estado democrático, defende a preservação e a crença nas Instituições, fala de uma melhor distribuição de renda e o caralho. "Ah, sim, galera (os de sociologia são descolados, falam a linguagem do jovem), isso de eu ter desprezado o parecer da Instituição Justiça desse país e ter votado num corrupto condenado por ela, não tem importância nenhuma, tá? Temos que acreditar nas instituições"
Lula é sonegador de impostos, também. Deve R$ 18 milhões ao Fisco, cobrança que estava a ser feita pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e que foi suspensa por medida cautelar, adivinhem, de Gilmar Mendes, do STF, que apontou possível abuso de autoridade no caso, classificando a cobrança como "ideológica". E sem dúvida que foi ideológica, afinal, é contra a ideologia do esquerdista trabalhar e pagar qualquer coisa de seu próprio bolso.
Retoma a fala, o de Sociologia : "Galera, entre vários fatores, uma boa distribuição de renda depende de uma adequada arredação de impostos, tudo bem votar em um ex-presidente sonegador, tá?, desde que seja para um bem maior, desde que seja para a manutenção de um estado democrático, da democracia em que vivemos e "lutamos" tanto para conquistar. E não, também não tem problema que o Lula seja amigo e apoie, inclusive com o dinheiro de nossos impostos, todas as ditaduras da América do Sul".
Tem mesmo que ser muito canalha para votar num ladrão e continuar a pregar valores éticos e morais. Mas eles conseguem. Pãããããta que o pariu se conseguem. Sempre conseguiram. Nem ruborizam de vergonha. São vermelhos sem-vegonha.
Por que vocês acham que houve toda uma campanha de incentivo para que o jovem entre 16 e 17 anos e 11 meses (e, portanto, desobrigado ainda a votar) fizesse seu título de eleitor? Para que fossem doutrinados e direcionados pelos das "humanas" a votar em bandido e saírem das cabines eleitorais com a sensação de dever cumprido.
Se você é pai ou mãe de estudantes, sobretudo de escolas públicas, atentem-se. Seus filhos estão a ser cooptados por esses canalhas. O estrago moral neles causado transcenderá os muros da escola, eles o levarão para as suas vidas adultas, para as suas relações pessoais e de trabalho.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Setembro Amarelo (ou : o Suicídio Assistido do Ensino Público)

Ao longo de todo esse mês, a escola em que leciono abandonou, assumidamente e sem nenhum pudor, todo e qualquer resquício de atividade acadêmica que ainda pudesse subsistir por detrás da fachada do prédio onde está escrito que é uma instituição de ensino. Prevaricou, proposital e descaradamente, do dever sagrado de transmitir e perpetuar os rudimentos básicos das principais áreas do conhecimento humano.
Duas ou três professoras, de geografia, sociologia ou coisas parecidas, deram um tempo de falar mal da vida dos outros e, entre elas, sem perguntar a ninguém, decidiram envolver a escola num projeto coletivo do Setembro Amarelo. 
Odeio essas duas palavras. Projeto e, mais ainda, coletivo.
Frisaram, as tais, que não seria um projeto de prevenção ao suicídio, palavra que deveria, inclusive, nem ser pronunciada, mas sim uma iniciativa de valorização da vida. Senti-me como em décadas passadas, quando as pessoas não falavam a palavra "câncer"; diziam, fulano está com aquela "doença ruim", ou, beltrano está com c.a., como se a simples menção do nome pudesse atrair a moléstia para si. Agora, pelo visto, dizer suicídio parece ter o poder de acionar algum comando na cabeça da pessoa e levá-la ao autoextermínio.
Embora não tenha inclinações para tal ato, nada tenho contra o suicídio e o suicida. Já ouvi dizer que a única questão filosófica que vale a pena ser debatida é o suicídio. Não concordo. Acredito que a única questão filosófica que compensa uma noitada numa mesa de boteco é, justamente, a oposta : por que tanta gente ainda insiste em viver, aferra-se tanto à vida?
O revolucionário e vanguardista projeto das ociosas docentes consistiu em passar o mês inteiro a recortar, em cartolinas amarelas, figuras em forma de coração, de folhas de árvores, de lâmpadas, de mãos fazendo "joinha", de emojis com sorrisos idiotas etc e distribui-las aos alunos para que esses escrevessem nelas frases de motivação, de estímulo à vida, que mandassem seus recados a alguém que estivesse pensando em se matar. Frases de constranger qualquer para-choques de caminhão. Frases que, num primeiro momento, foram afixadas pelos murais, portas e corredores da escola. 
Para levar a cabo tão hercúlea tarefa, grupos de oito a dez alunos de cada sala, em horário letivo, independente da disciplina que estivessem tendo ou do professor que a estivesse a lecionar, foram recrutados e retirados de suas aulas para auxiliarem as tais.
Química? Biologia? Matemática? Para quê? De que isso servirá à vida do aluno? 'Bora recortar lampadinhas e coraçõezinhos de cartolina, que isso, sim, garantirá-lhes uma boa colocação no mercado de trabalho, no Enem, num concurso público.
Então, na segunda retrasada, 12/09, durante o intervalo, na sala dos professores, aos pacos, os recortes foram entregues aos professores presentes e orientado que cada um de nós os levássemos para a nossa próxima aula e os distribuíssimos entre os alunos, para que eles dessem a sua contribuição empática e humanitária aos aflitos e aos descontentes com a vida.
A adesão e o aplauso da professorada presente foram imediatos e quase que unânimes, choveram elogios à valorosa iniciativa. Pudera. É muito mais fácil se engajar em projetos e ações "sociais" do que dar aula, do que trabalhar. Não à toa, tanta gente quer a volta do alibabá Lula e seus quatrocentos ladrões.
Resolvido a passar despercebido nessa escola para a qual me removi no ano passado, depois de 18 anos em outra, e decidido em não recriar o mito e a lenda do enfant terrible que construí na anterior, peguei também do meu paco - fui agraciado com folhas de árvore - e, após o sinal, dirigi-me à minha sala, um terceiro ano do ensino médio.
Cheguei, domei e fiz calar os mais mal-educados, fiz a chamada e me pus a tentar falar seriamente do tal projeto e da importante tarefa que os alunos teriam à sua frente. Bem que eu tento seguir a manada, mas o personagem não desgruda de mim. Não consegui passar nenhuma credibilidade sobre a minha falsa crença no tal projeto, no meu engajamento. No meio da minha explanação, vi que três ou quatro alunos trocavam olhares e risos zombeteiros entre si. Assim que acabei, segurando o riso, um deles perguntou : e aí, professor, o que é que o senhor vai escrever na folhinha? 
Embora nem mesmo o maior filho da puta consiga dizer que minha aula não é boa (e é isso que me importa), tenho um público bem pequeno, poucos são os alunos que gostam de mim, mas esses são cativos, sabem exatamente no que eu acredito ou não. E é a esses a quem eu devo a minha honestidade profissional e intelectual.
Foi o que bastou. Também não me aguentei, ri e disse, vou deixar essa palhaçada aqui em cima da mesa e vocês peçam para o próximo professor fazer a atividade com vocês. E tasquei lá o teorema de Hardy-Weinberg.
O gran finale, ou, como se diz hoje em dia, a culminância do projeto se dará no encerramento do mês, nessa sexta-feira, 30/09. Os recortes serão retirados dos locais onde ficaram expostos durante o mês, amarrados a linhas e barbantes e dependurados num extenso varal instalado de ponta a ponta do pátio, formando uma grande cortina amarela de frases de autoajuda. Ouvi dizer que Paulo Coelho, Augusto Cury, Rubem Alves, Ana Maria Braga e Fátima Bernardes foram convidadas para a inauguração do varal, mas que, devido às suas agendas lotadas, foram obrigados a declinar do convite.
A "ideia" do varal é que os alunos, ao trafegarem (e traficarem) pelo pátio, atravessem a cortina e absorvam a energia positiva guardada nas frases ali escritas.
Pããããããta que o pariu!!!!!! Ateu não jura. Mas vou abrir uma exceção para jurar para vocês que não estou a inventar nada disso, é a mais pura e triste verdade.
Abaixo, um exemplo do que falei, frases em lâmpadas amarelas grudadas com fita adesiva na moldura do espelho de um antigo claviculário localizado em um dos corredores da escola. Borrei a minha cara na foto, de amarelo, claro.
Nas lâmpadas, se é possível ler coisas do tipo : "cuide de você", "olhe pra você com carinho", "você é forte, você é suficiente", "nenhuma tempestade dura para sempre" etc.
E um novo temor começa a me rondar. Mês que vem é outubro, Outubro Rosa. Será que as tais irão exibir as peitolas pela escola? Se as conhecessem, pensariam como eu : tomara que não, tomara que não.
Setembro Amarelo de valorização da vida é a puta que o pariu!!!
Setembro Amarelo, para mim, sempre remeteu ao amarelo da florada do ipê-amarelo, a belezura na foto abaixo, a florescer bem no pátio da escola, e pelo qual a maioria passa sem nem mesmo saber que ele ali está. 
Ao invés de ficarem a escrever imbecilidades em cartolinas amarelas, os alunos e também, e principalmente, as autoras do projeto deveriam ser expropriados de seus celulares e postos a contemplar o ipê-amarelo em flor. Se depois de um tempo a mirar tal beleza, alguém ali ainda quiser se matar, que se mate, ora porra.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Carta de Desistência

A carta que reproduzirei logo mais, de autoria do uruguaio Leonardo Haberkorn, ex-professor universitário, escritor e jornalista, chegou ao meu conhecimento através do Blogson Crusoe, um dos inúmeros blogs do Jotabê - Jotabê tem mais blogs que Fernando Pessoa, heterônimos.
A carta é um triste relato de um professor que capitulou, que resolveu jogar a toalha frente à maior e mais nociva pandemia que já assolou a espécie humana. A do vírus chinês? Porra nenhuma. A dos telefones celulares. Para a qual, pelo visto, não há vacina, e, ainda que houvesse, não há quem se vacinaria.
O professor desistiu de competir com os celulares, de falar às paredes da sala, para alunos acéfalos.
Antes de publicar a carta, quero chamar a atenção para dois importantes pontos, que nos colocam num quadro ainda mais terrrível que o da carta.
Primeiro : ela é de 2015. Muito antes da pandemia do vírus chinês transformar os celulares no material escolar "oficial" da meninada.
Segundo : o desabafo nos chega do Uruguai. País que foi o primeiro colocado na América do Sul nas últimas duas edições trienais do PISA, a de 2015 e a de 2018. O PISA - Programa Internacional de Avaliação de Alunos - é aplicado em mais  de 70 países, de todos os continentes, PIBs e IDHs, e mede os conhecimentos básicos de idioma, matemática e ciências. O Uruguai foi o primeiro da América do Sul nos dois últimos PISAs. O Brasil, o penúltimo. Só "ganhamos" do Suriname. Você sabe onde fica o Suriname? Com que estados nossos ele faz divisa? A língua falada por lá? Não, né? O que só vem a confirmar a nossa colocação.
Imagine, então, como está uma sala de aula hoje, em 2022, e no Brasil.
E, finalmente, à carta :

"Depois de dezenas de anos lecionando, dei hoje a minha última aula nesta universidade. (...) Cansei de lutar contra os celulares, contra o WhatsApp e o Facebook. Eles me derrotaram, eu desisto, jogo a toalha. Cansei de falar de assuntos que me apaixonam diante de jovens que não conseguem tirar os olhos do celular e receber selfies.
 
É verdade que nem todos são assim. Mas há cada vez mais alunos desse tipo em todas as aulas. Até três ou quatro anos atrás, a proibição de usar o celular durante os noventa minutos de aula ainda surtia efeito — nem que fosse para que o aluno se sentisse culpado.
 
Isso acabou. Talvez seja eu... talvez eu tenha me desgastado e esteja cansado desse combate. Talvez até esteja errado. Uma coisa, porém, é certa: muitos desses jovens não têm consciência do quanto é ofensivo e prejudicial o que eles fazem. É cada vez mais difícil explicar como o jornalismo funciona para pessoas que não o consomem ou não veem sentido em se informar.
 
Esta semana na aula surgiu o tema da Venezuela. Só um aluno em vinte conseguiu explicar os fundamentos do problema. Só o básico, do resto ele não fazia a menor ideia. Perguntei se eles sabiam o nome do uruguaio que estava no meio da tempestade. Obviamente, nenhum deles sabia.
 
Perguntei-lhes se sabiam quem era o uruguaio Luis Almagro (secretário-geral da OEA). Silêncio. Por fim, do fundo da sala, uma jovem gaguejou: "Ele não é o Ministro das Relações Exteriores?"
 
 “O que está acontecendo na Síria?” Silêncio. (...)
 
“Qual partido é mais liberal, ou mais à esquerda nos Estados Unidos, os democratas ou os republicanos? Silêncio.
 
"Você sabe quem é Vargas Llosa?" Sim!
“Alguém aqui já leu um livro dele?" Ninguém.
 
Tentar conectar pessoas tão desinformadas com o básico do  jornalismo é complicado. É como ensinar botânica a alguém de um planeta onde não existe vida vegetal.
 
No exercício em que os alunos tiveram que sair para procurar uma notícia nas ruas, um deles voltou com esta notícia: “Jornais e revistas ainda são vendidos!” (...)
 
Existe um momento em que o jornalista funciona contra você. Porque você é treinado para se colocar no lugar de outras pessoas, cultiva a empatia como ferramenta básica de trabalho. Esses alunos ainda têm a mesma inteligência, simpatia e cordialidade de sempre, e a culpa dessa situação não é só deles. A falta de cultura, o desinteresse e a alienação não nascem por conta própria.
 
A curiosidade deles morreu aos poucos, a cada vez que um professor deixou de corrigir seus erros ortográficos. Aos poucos, lhes ensinaram que tudo tem mais ou menos o mesmo valor. E quando você percebe que eles também são vítimas, acaba baixando a guarda quase sem se dar conta.
 
Nesse momento o aluno mau é aprovado como mediano; o medíocre passa por bom; o aluno simplesmente bom, nas poucas vezes em que consegue uma boa nota, é celebrado como se fosse brilhante. Não quero mais fazer parte desse círculo perverso. Nunca fui assim e me recuso a ser.
 
Sempre gostei de fazer bem feito tudo que faço, com o melhor de minha capacidade. (...) Vejo rostos apáticos. Desinteresse. Um rapaz largado, olhando o Facebook. O ano inteiro foi igual. (...)
 
Silêncio. Silêncio. Silêncio. Nessas horas, o que eles mais queriam é que eu terminasse a aula.
 
Eu também."
Caso queiram ler um pouco mais sobre o desempenho do Brasil em provas internacionais:

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

É o Samba da Girafa Comunista Doida

Dizem que professor ganha pouco, mas se diverte. Não sei que asno de teta, que filho de égua barranqueira cunhou tão falacioso adágio.
Evolução. Ao longo de duas aulas, de 100 excruciantes minutos, falei aos 3º anos do Ensino Médio (a versão anêmica e aidética do saudoso Colegial) sobre Lamarck(ismo), Darwin(ismo) e Neodarwinismo. Coloquei no quadro os pontos principais de cada teoria, um apanhado geral das ideias de cada pensador e mais os destrinchei oralmente. 
Ao fim da aula, encomendei aos alunos de cada sala - tenho sete salas de terceiro ano - que fizessem um trabalho, uma pesquisa mais completa, mais ampla sobre o assunto exposto. Escrevi no quadro os tópicos que eu queria que pesquisassem. Como conclusão da pesquisa, que traçassem paralelos entre as três teorias, destacando seus pontos em comum e suas divergências.
Dizem também que os professores não leem os trabalhos que pedem. Nesse caso, pura verdade. Não seria possível nem que eu quisesse. Tenho 16 salas com uma média de 40, 42 alunos. Façam as contas e vejam se seria possível. Não leio os trabalhos linha a linha. Faço uma leitura mais do que dinâmica. Com a caneta, vou ticando os itens que pedi e pronto. E quando me descuido, quando me meto a ler mais pacienciosamente, estrepo-me, arrependo-me! Como hoje.
Vejam só que pérola da Progressão Continuada caiu-me às mãos, hoje, logo às sete da matina, que joia rara da pedagogia do afeto e da inclusão. Tão preciosa que fiz questão de registrá-la fotograficamente para a posteridade. Antes da foto, um aviso, ou melhor, um pedido : não cobrem do(a) apedeuta rigores e correções de ortografia, pontuação, qualquer noção de concordância ou de coesão de frase, afinal, vocês estão pensando o quê? Que escola é para formar literatos, novos Machados de Assis? Porra nenhuma. Escola, depois do finar do governo militar, presta-se, segundo a LDB paulofreirista que rege a educação brasileira, a formar o "cidadão". Esqueçam esse mero detalhe de que a maioria dos alunos sai do ensino médio mal alfabetizada, tentem se atentar apenas para o "conteúdo" da conclusão do(a) aluno(a), a sua conclusão a respeito da teoria de Lamarck; circulei-a à caneta.
Segundo o(a) pupilo(a), o lamarckismo era a teoria em que criam os povos que seguiam Lamarca (a maiúscula iniciando o nome é por minha conta, óbvio) na época da ditadura militar. 
Pããããããta que o pariu!!! Jean Baptiste Lamarck virou Carlos Lamarca, militar desertor que se tornou um dos líderes do movimento terrorista VPR, que visava a instalação da chamada "ditadura do proletariado" no Brasil, lá pelos idos das décadas de 1960, 1970.
Lamarck virou Lamarca!!! É o samba da girafa comunista doida!!!
O(a) aluno(a) também enfiou os neandertais na teoria de Darwin, porém, depois do Lamarca, isso até passa despercebido, quase chega a fazer algum sentido.
Valha-me São Darwin! Ou, como, provavelmente, diria o(a) aluno(a) em questão, Valha-me Santo Daime!!! Surreal é a atual normalidade!!!
Essa é a geração da Pátria Educadora da esquerda. Do ECA e da LDB paulofreirista. Essa é a geração que, a mando dos peidagogos, teve o seu "tempo de aprendizado" respeitado, que nunca foi "obrigada" a decorar a tabuada nem os tempos verbais nem os afluentes do Amazonas. Esses são os rebentos, as crias da cruza maldita entre Paulo Freire e o telefone celular!
Ganhamos pouco, mas nos divertimos? Só se o sujeito tiver pendores sadomasoquistas, se gostar de levar choques elétricos no saco e depilar o cu com cera quente.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Que Fóssil, Hein, Meu Chapa, Que Fóssil...

Fósseis não são apenas ossos de dinossauros - como bem pode achar a plebe iletrada. Aliás, fósseis nem mesmo são ossos - o que pode causar estranheza e estarrecer a choldra ignóbil.
A rigor, fósseis são restos, vestígios ou impressões petrificados ou mineralizados de espécies que habitaram o planeta em outras eras e cujas características básicas de forma foram preservadas ao longo do tempo.
Esqueletos ou partes deles, carapaças e exoesqueletos de invertebrados, galhos, folhas, troncos, ovos, pegadas e até mesmo fezes (os famosos coprólitos) podem se transformar em fósseis. Uma vez tornados em fósseis, deixam de ser o que um dia foram.
A exemplo, um fóssil de um osso não é mais um osso. 
Sob um conjunto muito especial e raro de condições, como o tipo de solo - textura, densidade, pH, permeabilidade, composição mineral rica em sílica, cálcio etc -, o clima, a temperatura, a umidade, a população bacteriana do local etc, aquela parte do animal, que um dia foi um osso, agora soterrada por solo sedimentar, passa a sofrer um lento processo de substituição de seus minerais pelos minerais do solo. Depois de muito e muito tempo, quando a substituição se completa, o que era osso foi tornado em uma rocha, uma pedra. Uma pedra que mantém a forma básico do osso. O osso serviu de molde para o fóssil.
Os fósseis são arquivos mortos da Natureza. São os registros das patentes de antigas espécies com firma reconhecida no Cartório da Evolução.
Os fósseis mostram que o planeta já foi povoado por espécies que hoje não existem mais, e também que as atuais espécies não lhes foram contemporâneas, uma vez que, por exemplo, um fóssil de uma galinha nunca foi encontrado no mesmo túmulo geológico de uma trilobita. Também, se obtidos em uma boa sequência de tempo, os fósseis revelam as gradativas mudanças sofridas pelas espécies ancestrais até culminarem no que são hoje.
Em suma : os fósseis são uma prova cabal de que as espécias não são fixas, que não foram criadas todas ao mesmo tempo por obra divina e assim permanecem desde então. Os fósseis mostram que a vida sofre mudanças, ou seja, que há a Evolução. A Evolução é um fato. Agora, se as teorias que a explicam são corretas ou não, já é uma outra história. A mudança é fato. Quanto a como a mudança acontece, há divergências. Mas isso é uma outra questão, para uma outra postagem, que provavelmente nunca acontecerá.
Por tudo o que foi dito (e, finalmente, chegando ao motivo da postagem), uma vez que os fósseis levam milhares de anos para serem formados, só serão achados restos e vestígios mineralizados das espécies atuais daqui a uns tantos éons, daqui a umas tantas eternidades, certo? 
Porra nenhuma. Erradíssimo.
Hoje, na volta do mercado, ao passar por uma praça recém-reformada aqui do bairro, verifiquei in loco a formação de fósseis atuais e modernos, fósseis expressos, feitos a toque de caixa, fast fósseis.
Com a reforma, o calçamento original da praça, todo em elegantes pedras portuguesas, foi substituído pelo plebeu e grosseiro cimento. Pelo que vi, deduzi e fotografei, enquanto o cimento secava, folhas de diversas espécies de árvores foram caindo e sendo tragadas pela massa fresca e movediça. Uma vez seco, o cimento, as impressões das folhas, suas "pegadas", ficaram.
Um verdadeiro sítio arqueológico moderno. Um arquivo para que futuras gerações saibam do que havia por aqui então. Sejam futuras gerações de humanos, sejam futuras gerações de futuras espécies de fato inteligentes, que saibam usar a inteligência de forma inteligente.
Bonito pra cacete. Eu, pelo menos, achei bonito.


O que me fez lembrar de uma trágica situação ocorrida comigo, mas que, se ocorrida com outro, poderia até ser contada como uma piada, uma anedota de salão.
Devia ser 2014, 2015, mais ou menos. Eu estava a dar o visto nas atividades dos alunos, justamente, do assunto em questão, fósseis e outras evidências da evolução. No caderno de atividades recebido pelo aluno, havia algumas questões a respeito do tema, entre elas : O que são fósseis? Qual a sua importância para a ciência?
Quando dou vistos, geralmente, mal olho para o conteúdo, muitas vezes ininteligível, das respostas. Só vejo se o sujeito fez alguma coisa e dou o visto, o suficiente para ele passar de ano, como querem os dois, ele e o Estado. Mas, de vez em quando, eu baixo a guarda e busco entender a resposta do aluno, de vez em quando, questiono-o sobre o que ele respondeu.
À primeira indagação, o que são fósseis?, o tal aluno até que se saíra a contento. Transcreveu pro caderno de atividades a definição que eu tinha posto no quadro; embora, é bem verdade, tenha escrito "pedrificado", mas até aí, tudo certo. O que me chamou a atenção foi a resposta dele à segunda indagação, qual a sua importância para a ciência?, à qual, curto e grosso, ele respondera : nenhuma.
Como nenhuma?, perguntei eu. Nenhuma, professor; ele ratificou sua resposta. Disse-lhe que a importância dos fósseis era permitir a constatação de que as espécies estão em constante mudança etc etc.
- Ah - disse ele, como que iluminado por uma epifania -, é da importância dos fósseis que ele tá perguntando. 
Aí é que eu vi o motivo da resposta dele. Ele achou que a pergunta fosse qual é a SUA importância, a importância dele, aluno, para a ciência.
Nesse caso, disse-lhe eu, a sua resposta está correta.
Que fóssil, hein, meu chapa, que fóssil...

sexta-feira, 11 de março de 2022

Do Tempo em Que nos Era Permitido Rir

Sempre que estou a pedalar pelos infinitos e, ao mesmo tempo, limitadíssimos canais da TV a cabo e calha de estar no ar A Escolinha do Professor Raimundo - a antiga e única -, eu breco e a assisto até o fim.
De um tempo para cá, o responsável pela sua transmissão, o Canal Viva, adicionou um aviso, um alerta, uma observação ou sei lá o quê, ao encerramento da atração. Depois dos créditos finais aparecem os seguintes dizeres :
Mais que um esclarecimento aos telespectadores, os dizeres são uma maneira da emissora se proteger, resguardar-se, de tirar o seu cu da reta das minorias raivosas e ávidas por polpudas indenizações que imperam neste Brasil, dantes mais varonil e com um mínimo de vergonha na cara -
que, por aqui, a honra se restaura com dinheiro e uma meia dúzia de cestas básicas.
A Escolinha do Professor Raimundo (EPR) é uma maravilha. Um primor. Como, aliás, toda a obra do demiurgo Chico Anysio. Muito melhor que qualquer tratado sociológico. É um mosaico fidedigno dos principais tipos que compõem o grosso da população. É a colcha de retalhos mal cerzida e sem arremate da sociedade da terra de Pindorama. A EPR congregava todos os hoje chamados estereótipos, que nada mais são do que representações dos variados segmentos sociais. Toda a diversidade da fauna brasileira dentro de uma sala de aula.
A EPR tinha o bicha, o gaúcho, o baiano, o turco, o judeu, o índio, o caipira, o bêbado, o mineirinho, o carioca "esperto", o puxa-sacos, o conquistador barato, a gostosa burra, o marombeiro, o CDF, a puritana, a com calor na bacurinha, o favelado, a maloqueira etc.
E todo mundo fazia piada com todo mundo. E todo mundo tirava sarro de todo mundo. E todo mundo ria de todo mundo. E, sobretudo, de si próprio. E ninguém se sentia melindrado, discriminado ou ofendido de morte. E, principalmente, todo mundo se divertia a valer.
Tanto que, acredito, os dizeres de alerta do Canal Viva bem poderiam ser substituídos por outros, tão explicativos quanto e com um quê dos bons saudosismo e nostalgia. Bem que poderiam assim ser colocados:
"Esta obra é de uma época  em que era permitido rir. De um tempo em que rir era um comportamento e um costume aceitáveis".
Na verdade, de todos os tipos e personagens da EPR, ainda é permitido que se ria de um, de apenas um. E não só que se ria, mas que se avacalhe, que se achincalhe, que se escarneça e que se cague na cabeça dele. Apenas de um : o professor.
Que, no Brasil  "construído" pelo PT e pela esquerdalha, zombar do professor, da educação e do conhecimento é mais do que politicamente correto. É o esporte nacional da Pátria Educadora.