Após ler o meu Pequeno Conto Noturno (103), meu amigo corno e filósofo Fernandão enviou-me um zap : "fiz um comentário na última publicação... e por falar nisso, a foto ficou maravilhosa... kkk... És um artista". O "artista" foi pura sacanagem, claro.
Mostrando postagens com marcador pobre art. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pobre art. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
sexta-feira, 21 de junho de 2024
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023
Tolete Azul, Azul Tolete...
O ideal de cada civilização é superar a anterior em feitos, conquistas e realizações. Mas como suplantar, ou mesmo se equiparar, quando a perfeição numa área já foi alcançada anteriormente? No campo das artes plásticas, como sobrepujar, ou mesmo se colocar ombro a ombro, com os grandes da Renascença, Michelângelo, da Vinci, Botticelli etc? Como não corar de vergonha ao se dizer um artista, um pintor ou um escultor, quando, visivelmente, não se detém sequer uma fagulha do talento e da destreza destes monstros renascentistas?
quarta-feira, 18 de março de 2015
Troféu Óleo de Peroba da Arte Moderna (Ou : cadê o burro?)
Quem, por alguma razão (ou por falta dela), lê o Marreta há algum tempo, sabe que, volta e meia, eu manisfesto aqui meus sinceros "apreço" e "admiração", quase que um fascínio, pela tal arte moderna ou contemporânea, mormente a chamada arte conceitual.
Conceitual é o cacete! Arte não é conceito, é realização. Ou, pelo menos, não é só conceito. O conceito, a ideia, é a fagulha, é a chispa criativa, importantíssimo, portanto, mas se não for tornado em concreto, em belas formas materiais, não é arte porra nenhuma. É embuste, é fraude, é embromation, é 171, é empulhação de afetados sensíveis, preguiçosos e sem talento.
Arte conceitual é o cacete! Atividade intelectual porra nenhuma! Arte é trabalho braçal e suarento. De paciência, de privação, de vigor físico e habilidades motoras de ginasta. É trabalho de macho!
Arte é pôr as mãos à massa. É a tinta em feroz litígio contra a tela, a impregnar o virgem branco, os dedos, o rosto, as roupas e, dada a toxicidade de muitas delas, pulmões e fôlegos. É briga de 12 rounds contra a argila amorfa e desobediente. É armar-se de pesada marreta e afiado formão e extirpar e amputar sem anestesia do monolítico mármore tudo o que do mármore não for estátua.
O quilate da arte é direta e infalivelmente proporcional ao talento do artista em transpor barreiras dimensionais, do plano da ideia para o da realização. Conceitual, somente? Balela! Logro!
A exemplo, vá que eu, em um belo e ocioso dia, resolva esculpir um novo Davi. Preparo-me, então, para a empreita : muno-me de atlas de anatomia, faço um estudo minucioso da figura humana; visito também os laboratórios de anatomia de uma universidade, manipulo braços, pernas, troncos, pés, mãos, todos tirados do formol, sinto-lhes a consistência, a textura, cada reentrância e saliência de seus relevos, quase sinto a energia que os habitou outrora; visito academias de fisiculturismo, fico observando (tomo um Dramin antes, claro) aquela viadada toda se exibindo um para o outro em frente aos espelhos, atento para a musculatura humana em ação, seus movimentos coordenados, seu tônus, o trabalho sincronizado de músculos, ossos e tendões.
Emerjo desse estudo com o conceito de um corpo humano dos mais proporcionais e harmoniosos - de fazer inveja ao Homem Vitruviano - perfeitamente formado em minha cabeça, em minhas ideias. Vou ter, então, com a argila, para dar-lhe forma. Luto contra a argila, soco-a, sovo-a, estrangulo-a, modelo-a e a submento a meu bel-prazer. Finda, a minha obra, com muita boa vontade, pode ser reconhecida e tomada, mal e mal, por um daqueles bonecos de neve de filmes infantis. E o conceito? E a ideia? Que se fodam! O resultado não é arte e pronto.
Ou vá que eu decida pintar um belo nu, uma maja desnuda. Imagino a Scarlett Johansson peladinha, perfeitinha, lânguida e no cio, a posar para mim depois de uma bela trepada. Pincéis para cá, telas para lá, paletas e aquarelas para acolá, e voilà : o resultado é a Dilma Rousseff fazendo topless. Cadê a Scarlett? Cadê a arte? Estão na puta que o pariu do mundo das ideias. O conceito do nu perfeito de Scarlett só me servirá a uma boa bronha.
Esses janotas empoados da arte conceitual deveriam receber o Prêmio Óleo de Peroba da Arte Moderna, uma espécie de Taça Jules Rimet da cara de pau, mas não precisa ser de ouro, pode ser de papelão mesmo, afinal, o que importa é o conceito.
Só sendo muito cara de pau para chamar o que fazem (o que pensam em fazer, nesse caso) de arte. Ou são muito dos caras de pau, ou têm como certa a burrice do público pagante em suas exposições, instalações, intervenções etc. Ou ambas as coisas.
Tem que ser muito do pilantra para, a exemplo, amarrar um barbante à grade de um ventilador em funcionamento deitado no chão e dizer que o fio ereto pelo vento é arte - essa, desgraçadamente, eu vi, ao vivo, ninguém me contou. Ou ainda, na mesma mostra, em sala contígua à do barbante-boneco-posto-de-gasolina, espalhar quilos de farinha de trigo pelo assoalho e dizer que as pegadas impressas pelos visitantes que transitavam pela sala se configuravam na mais genuína das artes; as marcas dos pés, cada uma diferente da outra, no desenho do solado do calçado, no tamanho, na profundidade, o desenho errático da trilha seguida por cada um, o randômico das escolhas dos caminhos humanos em exposição.
Caras de pau até os ossos! Safardanas e picaretas até à medula! Achei que depois dessas e de outras, estivesse vacinado, que nada mais me surpreenderia. Enganei-me.
Hoje, e eu não procuro por essas coisas, elas simplesmente caem nas minhas vistas, tomei conhecimento, folheando uma revista Isto É em meu intervalo de trabalho, de uma artista que elevou a picaretagem conceitual a um patamar estratosférico : o da arte imaterial!
E parece que a moça, Marina Abramovic, é cachorro grande no mundo das artes. Foi uma das pioneiras da arte performática nos anos 70, autoconsidera-se "a avó da arte da performance". Ela possui até um instituto onde ensina o seu método para o aprendizado da arte imaterial, o Marina Abramovic Institute (MAI), sediado em Hudson, Nova York.
A reportagem fala do método de ensino da artista, inspirado, segundo ela, em monges budistas, diz que a proposta da artista é a transformação física e mental por meio da arte, com promessas até de autocura, conta das conversas e da pesquisa dela sobre métodos de cura e imersão com o médium brasileiro João de Deus, grande influência em sua arte e com quem aprendeu sobre a mudança de consciência e de estrutura de nosso planeta, revela que Lady Gaga, com que passou três dias em retiro espiritual, é uma grande entusiasta de sua arte e método, e mais ainda um amontoado de sandices e despropósitos
Mas nada que se possa falar sobre Marina Abramovic substitui o visualizar de sua arte. Vamos a alguns de seus trabalhos mais respeitados e cultuados.
A artista (de branco) se senta e as pessoas vão se revezando à sua frente, buscando sintonia espiritual com ela.
"Crystal Cinema", a artista olha pra um cristal e o público olha para ela.
E a minha preferida:
Cadê o burro? Com certeza, não está na foto.
Arte imaterial... Pããããta que o pariu!!!
Por essa, nem meu primo Leitinho, emérito entusiasta da arte contemporânea, esperava. Desafio-o, Leitinho, a dar a sua abalizada interpretação das obras.
Em tempo : se quiserem ler sobre o infortúnio que foi minha (única) incursão ao mundo das instalações, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.
sábado, 20 de outubro de 2012
Pintura Íntima
"Vem amor que a hora é essa
Vê se entende a minha pressa
Não me diz que eu tô errada
Eu tô seca, eu tô molhada"
Vê se entende a minha pressa
Não me diz que eu tô errada
Eu tô seca, eu tô molhada"
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Será Arte?
Volta e meia, eu expresso aqui os meus apreço e admiração pela tal arte moderna ou contemporânea. Ironizo, desanco, faço chacota, marreto. Claro que exagero muitas vezes. Maldosamente, estereotipo-a, canalhamente, caricatuarizo-a, dou-lhe ainda menos importância do que ela tem. Até porque esse é o objetivo do blog, achincalhar.
Mas é claro que não sou tão intolerante para com a arte moderna como posso, muitas vezes, fazer supor. Entendo perfeitamente que ela é uma linguagem, mutável e moldável ao seu tempo e à sua época, feito qualquer outro tipo de linguagem, as línguas escrita e falada, a exemplos.
Mal comparando, a arte acadêmica e puramente figurativa é a norma culta da língua, é a língua usada pelos escritores, pelos literatos, é a língua falada nos grandes saraus. A arte acadêmica é o dicionário e a gramática, é a palavra pensada, é a vírgula ponderada, é a
concordância cinzelada, a regência esculpida.
A arte moderna é (são?) as gírias, os neologismos, os estrangeirismos canibalizados. A arte moderna é a palavra
dita como ferramenta, como instrumento de sobrevivência, dita nos
curtos espaços entre o verde e o vermelho de um semáforo, de cada
mastigada no fast food almoço nosso de cada dia, no intervalo laborial
para o cafezinho e maledicência da vida alheia.
A arte moderna é a linguagem coloquial, cotidiana, é a língua escrita e falada pelo vendedor ambulante, pelo taxista, pelo varredor de rua, pelo motoboy, pelo torcedor nos estádios de futebol, pelo maconheiro, pelo favelado, pelo aluno semianalfabeto. Com tanto poder de comunicar e se fazer entender - talvez até mais - quanto a norma culta, e igualmente merecedora de espaço e reconhecimento.
Não obstante todo esse meu entendimento acerca das esquisitices da arte moderna, alguns artistas conseguem minar qualquer complacência ou boa vontade que eu possa ter. Por exemplo, o autor da obra abaixo.
A obra é isto mesmo que você está vendo. Uma página quadriculada de agenda com uns triangulinhos pintados. Não é uma tela imitando uma folha de caderno, é uma folha de caderno, mesmo, de 15,5 X 21,5 cm. Com direito a rebarbas e tudo.
A obra, a aquarela homes (homenols), parte da série Lichtzwang, de valor inestimável para a humanidade, é do espanhol Daniel Steegmann Mangrané, que exige que elas sejam expostas exatamente assim, sem moldura nem nada, e são presas à parede com fitas adesivas, o famoso durex.
Leonardo da Vinci jamais imaginou tal código matemático e hermético, Van Gogh, de inveja, deceparia a outra orelha, Rubens, Caravaggio e Rembrandt estão afoitos para reencarnar e se tornarem adeptos e aprendizes de Mangrané.
E a obra, pasmem, foi surrupiada da 30ª Bienal de São Paulo. Puta que o pariu!!! Vai
ver que o cara precisou de um pedaço de papel pra anotar o telefone da
biscate e pegou o que estava mais à mão.
Falando sério, quanto, de verdade, pode valer um troço destes? Quanto alguém pode se dispor a pagar por isto?
Peguei uma agenda que tenho aqui, com umas folhas quadriculadas no final, e já desenhei várias obras iguaizinhas a essa. Creio que acabei de encontrar um meio de ganhar uma grana, tornar-me-ei um falsificador internacional de artes. O meu ficou igualzinho, até a disposição das rebarbas. Caso os organizadores da Bienal queiram repor a obra, a um preço bem módico, é só contatar a Marreta.
Para maior garantia, o artista aceitou que fossem instalados vidros de proteção nos trabalhos. A segurança ao espaço reservado à Lichtzwang também foi reforçada, de acordo com a Bienal.
Em tempo : alguém acreditou mesmo nessa lenga-lenga de arte acadêmica/norma culta da linguagem e arte moderna/fala coloquial? Eu, não. E aquela parte, então, em que eu digo dos estrangeirismos canibalizados, em que eu digo que a fala do idiota merece igual espaço que a do culto? Puta que o pariu!!!! Vocês não acreditaram, acreditaram? Não me decepcionem, meninos e meninas.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
30ª Bienal De São Paulo (Ou : As Olimpíadas dos Caras de Pau)
Há assuntos que costumeiramente eu pulo durante minha leitura dos jornais - cada vez mais rápida e sem paciência, devo confessar -, esportes, horóscopo, colunas sociais, previsão do tempo, economia, guerras, obituários, programação da TV, e tudo relacionado à tal arte contemporânea.
Arte pela qual já manifestei todo o meu apreço na postagem, Bienal : Vá, Mas Não Me Chame.
Por alguma razão, hoje, folheando rapidamente a Folha de São Paulo durante meu intervalo no trabalho, deparei-me com as 28 principais obras da atual Bienal de São Paulo, e não mudei de página. Por alguma razão afastada de qualquer racionalidade, fui dar uma olhada nos Fídias, Michelângelos, Caravaggios, Renoirs, Van Goghs, Rodins e Rembrandts dos tempos modernos, risíveis tempos.
Uma das obras de destaque da 30ª Bienal de São Paulo é a que coloco logo abaixo. Ela está exposta imediatamente ao fim da rampa que dá acesso ao primeiro andar da exposição, ou seja, é a primeira coisa que o amante das artes vislumbra ao iniciar sua maratona cultural.
A obra "articula a figuralidade do som e a sonoridade da imagem", explica David Moreno (EUA), o autor da obra. Sem dúvida, ele deu uma bela de uma obrada. Figuralidade do som e sonoridade da imagem...puta que o pariu.
Será que o sujeito acredita mesmo nisso? Houvesse uma Bienal do Cara de Pau, ele seria um sério candidato a primeiro prêmio, aliás, todos seriam, a Bienal do Cara de Pau terminaria empatada. Em uma Olimpíada do Cara de Pau, as artes plásticas levariam medalha de ouro, de cabo a rabo.
E esta tela é apenas o começo, o cartão de visitas da exposição, passando por ela e adentrando-se o recinto, coisa pior sempre vem.
Ocorreu-me que mais do que um cartão de visitas, esta tela é uma advertência. Advertência ao incauto visitante pouco acostumado ao mundo das "artes", àquele que está ali de gaiato, que foi porque os jornais noticiaram, que foi com os amigos, ou, ainda, que foi para tentar impressionar - e comer - um novo flerte, uma nova paquera metida a "cabeça".
É a este inocente desavisado que a tela quer alertar, aqui é o último ponto seguro, grita a pintura, se passar daqui, será por sua própria conta e risco. Se essa obra pudesse ser traduzida para palavras, elas certamente seriam : perdei, ó vós que aqui entrais, toda a esperança.
E ela, a tela, não está brincando, a Bienal tem ainda coisa pior, muito pior. Duvidam? Para verem as outras obras, basta clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO, se tiverem coragem.
Mas inspirado pela maciça exposição a tanta cultura, pelo ar seco que sequestra meu oxigênio e provoca alucinações de anoxia, e em homenagem a um primo meu, Marcelo, o famoso Leitinho, aficcionado pela arte contemporânea, quase um mecenas, dei vazão a toda minha sensibilidade plástica e compus a obra abaixo.
Ela retrata a palatabilidade do cheiro e a olfatabilidade do gosto, representadas claramente pela lenta decomposição de uma banana prata transgênica, a denunciar a pequenez de tudo o que se julga definitivo.
Esta é para você, Leitinho. Pãããããta que o pariu!!!
Esta é para você, Leitinho. Pãããããta que o pariu!!!
Assinar:
Postagens (Atom)







