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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Poty Puro Malte, Minha Próxima Meta a Ser Batida

Quando jovem, um explorador, um desbravador ainda sem grandes realizações em sua carreira, lança-se diariamente à cata de novos desafios, de novas e arriscadas empreitadas. 
Com o crepúsculo e o ocaso da idade a debruçarem-se sobre os seus horizontes, o outrora aventureiro, já com feitos memoráveis em seu histórico, arrefece seus ânimos, meio que se acomoda.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Caderno de Finanças do Marreta do Azarão

Mais uma vez, o Marreta do Azarão vem firmar e confirmar o seu compromisso social, estabelecido, lavrado e homologado em seu pétreo Regimento, honrar o seu caráter de - também - utilidade pública.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

As Boas e Baratas do Azarão - Episódio 22

Aquele em que eu trago a cerveja que já foi a vedete das prateleiras dos supermercados, balcões e mesas de bar em fins da década de 1990. E hoje, feito a musas que envelhecem indignamente, foi banida do panteão cervejeiro nacional, foi cancelada dos copos do brasileiro : Bavaria, a Cerveja dos Amigos.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

As Boas e Baratas do Azarão - Episódio 21

No ar, desde ontem, o vigésimo-primeiro episódio de As Boas e Baratas do Azarão. É o Boas e Baratas atingindo a sua maioridade plena.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Las Buenas y Módicas del Azarón

Salve, salve, bebedores de cerveja deste Brasil dantes muito mais varonil. Já está no ar o 15º episódio de As Boas e Baratas do Azarão. Um episódio mais que especial : internacional. No qual vos apresento não uma, mas três boas e baratas argentinas, vindas diretamente da Tríplice Fronteira. Presente do meu amigo, filósofo e chifrudo Fernandão.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

A Hora da Onça Beber Breja

Há poucos dias, uma imagem chocou e estarreceu ambientalistas, ecologistas, ONGuistas e outros viadinhos política e ecologicamente corretos : um filhotão de onça-pintada a carregar e a brincar com um latão de cerveja.
Água é o caralho!!! É a hora da onça beber breja!!! É água que passarinho e tuiuiu não bebem, mas que onça entorna!!! Como dizia o grande Mussum : esse é do sindicatis!!! Não consegui identificar a marca da cerveja pela foto. Pareceu-me uma Skol. Alguém saberia dizer?
A cena foi registrada às margens do rio São Lourenço (MT) pelo pesquisador e biólogo sensível Gustavo Gaspari, que lamentou em suas redes sociais : "Foi triste e vergonhoso ver a presença de lixo dentro de uma unidade de conservação e no local onde há a maior concentração de onças-pintadas no planeta. Me senti triste por ver um animal tão incrível sendo afetado pela nossa falta de educação e por compartilhar essa cena com inúmeros turistas de diversos países. Uma cena, no mínimo, horrível".
Outros ecologistas mais afrescalhados atentaram para um fato que agrava ainda o caso : a onça em questão é menor de idade. O que acrescenta também crime contra a criança e o adolescente, previsto no ECA, a cartilha de formar marginais, ao crime ambiental.
Viadagem, meus caros, viadagem. Uma bebida de baixo teor alcoólico como a cerveja poderia até causar danos e deixar zureta um filhotão de humano, mas não é nada para um filhotão de onça, criado e aleitado no mais puro leite de onça!
Outros ecobichas se horrorizaram ainda mais : que coisa horrível, que coisa horrível... nem era cerveja artesanal, nem era uma puro malte.
Pããããããta que o pariu!!!
Só está faltando agora dizerem que foi o Bolsonaro que jogou a latinha nas margens plácidas do rio São Lourenço.

terça-feira, 15 de junho de 2021

Puro Nada

Dizem os entendidos em publicidade que um dos fatores de êxito de um produto é a sua marca fantasia. Que um nome forte, chamativo, impactante e de fáceis memorização e lembrança - acompanhado, claro, de uma bela embalagem cheia de "designs" e outras frescuras - já é meio caminho andado para que a mercadoria se torne em um sucesso de vendas.
Pois o que me chamou a atenção nessa cerveja foi justamente o oposto. A falta de um nome fantasia. O fabricante achou por bem chamá-la, simplesmente, de Puro Malte. Seria a mesma coisa que a OMO passar a estampar na sua embalagem apenas Sabão em Pó. A Pullman, Pão de Forma; a Danone, iogurte; a Parmalat, leite; a Nike, tênis etc etc.
Apreciei, se não a coragem do fabricante, a sua simplicidade e o seu despojamento. Porém, o preço da tal, nas vezes em que a vira, nunca fora dos mais humildes, praticamente quatro reais a latinha de 350 ml.
Ontem, no entanto, ela estava em oferta no mercado em que me abasteço : R$ 2,19 a lata, o mesmo preço de uma Subzero. Sei que ontem foi segunda-feira, dia de não manguaçar e outros falsos moralismos, mas a oferta e mais o fato de que eu estava há mais de duas semanas sem beber me fizeram capitular. Comprei quatro latas. 
Enquanto as esperava gelar, li o rótulo e fiquei sabendo que a Puro Malte era confeccionada com dois tipos de malte, ambos importados, e mais o lúpulo de Hallertau, seja lá que porra for isso. Também informava que a receita da Pura Malte seguia a Lei da Pureza Alemã.
Cabe aqui um parêntese : a tal Lei da Pureza Alemã, a Reinheitsgebot, foi promulgada pelo Duque Guilherme IV da Baviera, em 1516, e determinou que a cerveja passaria a ser, obrigatoriamente, fabricada apenas com os seguintes ingredientes : água, malte de cevada e lúpulo, a Santíssima Trindade dos bebedores de cerveja.
Menos divulgado é o fato de que a lei não teve o objetivo de melhorar a qualidade da cerveja, de torná-la em um líquido mais nobre. Era uma época de escassez de alimentos na Alemanha e muito da produção de trigo era usada no fabrico de cerveja. A Lei da Pureza foi um subterfúgio usado pelo duque para garantir que as reservas de trigo fossem usadas tão-somente para fazer o pão destinado às massas. A Lei da Pureza foi uma "migué" do duque para garantir o bucho cheio do povo e, ao mesmo tempo, não causar a revolta e o levante dos biriteiros alemães, caso ele tivesse simplesmente proibido o uso do trigo. Então, saiu-se com a famosa lei.
Cerveja gelada, provei-a. Uma bosta!!!
Puro Malte porra nenhuma!!! Puro Nada, isso sim!!!
Sem gosto de nada. Nem de malte (muito menos de dois tipos) nem de lúpulo da puta que o pariu. Só da água. Talvez a intenção do mestre cervejeiro que a formulou tenha sido criar uma cerveja suave para os paladares efeminados de hoje em dia, mas o que ele conseguiu foi uma água amarela. E só. 
Fui investigar a origem da Puro Malte. E tudo se explicou. Pudera. Ela é irmã da cerveja Império, outro embuste superestimado. E consegue ser ainda pior que sua irmã mais famosa.
É tão sem gosto, mas tão sem gosto, que acho que consegui sentir até leves traços do alumínio da latinha. E olha que eu não tenho essa viadagem de paladar apurado e refinado, não. E olha que tenho papilas gustativas das antigas, calejadas por Polar, Malt 90, Lokal e, claro, buceta! Mas dava pra sentir o gosto da lata!
Ela consegue ser pior até que a pior cerveja que eu já tinha tomado até hoje, a Royal Beer, da qual falei na postagem  Barata, Ruim e, Provavelmente, Inexistente. Vindo de quem já tomou muito Belco, Krill e Glacial, podem se fiar no que digo.
Corram, meus caros, corram da Império, da Puro Malte e de qualquer outra que, porventura, seja ou venha a ser produzida pela Cervejaria Cidade Imperial.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Cusqueña, a Boa e Barata Peruana

Eu a vinha observando há algum tempo, de soslaio, com olhadelas furtivas sempre que eu entrava numa quitanda aqui perto de casa, que também mantém, lá num canto mais ao fundo, um pequeno empório improvisado no qual são vendidos queijos, bacalhau, frutas secas e cristalizadas a granel, temperos e especiarias desidratados, grãos variados, esfihas pré-assadas, coalhada seca, tahine etc. 
Em meio a esse pequeno bazar de Istambul, ela, a cerveja Cusqueña, em sua lata dourada e rutilante com os imponentes Andes estilizados em seu rótulo. Cusqueña, que - demorou-me a cair a ficha - é o gentílico feminino para os nativos de Cuzco, Peru, nada mais nada menos que a antiga capital do Império Inca. Cusqueña, certamente confeccionada com a mais pura água de degelo dos Andes; provavelmente criada pelos mestres cervejeiros do imperador Pachacútec.
Apesar do fetiche e das fantasias que a exoticidade de uma estrangeira costuma suscitar em nossas libido e sem-vergonhice, não a comprei logo de cara, não capitulei de primeira à sua sedução. 
Não sou xenófobo. Tampouco e menos ainda xenófilo; não sou nem nunca fui paga pau e baba ovo de gringo. Sempre tive e trouxe cá comigo que produto importado não é, necessariamente, sinônimo de artigo de boa qualidade. Assim como o Brasil, o Peru, e qualquer outro país, deve produzir cervejas muito boas e cervejas muito ruins.
Além do mais, se por um lado, ainda que o preço pedido pela lata de 355 ml da Cusqueña na quitanda, é bem verdade, não se configure no desaforo, exorbitância e abuso cobrado por muitas importadas, por outro lado, também não a qualifica exatamente para figurar no panteão das minhas boas e baratas. R$ 2,95 a latinha.
Ontem, porém, ao passar minhas compras pelo caixa, notei uma latinha da Cusqueña colocada bem ao lado da máquina registradora, a propósito mesmo de promovê-la a cada um que por ali transitasse. Resolvi levar uma, apenas uma para experimentar e talvez guardar a latinha na minha pequena e confusa coleção. Perguntei pro cara do caixa, que também é o dono da quitanda, se a cerveja era boa. Disse-me que ele próprio não bebia, mas que a cerveja tinha uma boa saída, que vários fregueses que a experimentaram voltaram para buscar mais. Claro que ele não falaria que ela era ruim, nem sei por que perguntei.
Então, em seguida, ele baixou o volume da voz, modulou-a ao tom de quem conta um segredo, correu os olhos à volta e confidenciou que o preço de uma latinha era R$ 2,95, mas a data de validade do lote da Cusqueña expirara no dia 17/12, tanto que se eu a procurasse por ali, só encontraria mesmo aquela amostra no caixa, ele havia retirado o produto ali da área de vendas justamente por conta do seu vencimento, guardara tudo na câmara fria no fundo do estabelecimento e que, se eu quisesse, ele estava liquidando o produto por 10 reais cada fardinho com 6 latas.
Garantiu-me que, segundo o fornecedor, há uma margem de segurança de aproximadamente dois meses entre a data de vencimento impressa no produto e a sua real deterioração.
Porra!!! Na minha família, eu sou conhecido como o rei da mercadoria vencida. Tomo iogurte vencido, e é bom porque ele vira até uma coalhada de vez em quando. Como muçarela vencida, com aquela camada branca de fungo na superfície, e é bom porque paguei preço de muçarela e acabo comendo queijo brie. Macarrão, bolacha, chocolate, embutidos, gelatina, café... venceu a validade, eu traço!
Não iria, eu, tomar a Cusqueña? Vencida há nem duas semanas? Claro que eu iria! Fiz as contas na hora, ato reflexo. Dez reais divididos por seis : R$ 1,66666666.... a latinha de 355 ml!
Pããããããta que o pariu!!!!! Aí, fica fácil. Aí, é dar sopa pro azar. Pro Azarão! Comprei um fardo com seis latas.
Ao chegar em casa, antes de pô-las pra gelar, fui conferir as informações do rótulo e constatei que, de fato, tirara a sorte grande. A Cusqueña é puro malte do tipo Golden Lager, cerveja de um amarelo bem escuro, intenso, mais encorpada, frutada sem ser cerveja de frutinhas, 5,5% de teor alcoólico. Do mesmo tipo que era a Proibida Puro Malte da latinha preta, também boa e barata, substituída, desgraçadamente, por uma nova versão em uma lata dourada e branca : corram dessa, ainda que esteja em tentadora promoção, ela virou uma Pilsen das mais aguadas que já provei, pura água de batatas.
Uma vez gelada, deitei-a ao meu poderoso canecão e entornei. Que macho das antigas não degusta, entorna. Boa. Muito boa. Boa pra caralho. Boa igual à Juliana Paes na propaganda da Boa. E barata. R$ 1,66 a latinha. O gosto e odor lembraram-me também, além da já citada Proibida Puro Malte rótulo preto, um pouco a cerveja Cacildis.
Minha esposa, ressabiada e receosa de que a cerveja vencida pudesse lhe causar algum revertério colateral, preferiu não se arriscar. Melhor. Sobrou mais para mim.
Como ontem foi sábado e a quitanda só funciona até o meio-dia e hoje é domingo e ela não abre, não houve, infelizmente, como eu comprar mais uns dois fardinhos, pelo menos, um para o sábado à noite e outro para hoje. Mas amanhã, no mais tardar na terça-feira, eu volto lá, pãããããta que o pariu se eu volto. Para arrematar o estoque!!!

domingo, 6 de dezembro de 2020

Proibida Puro Malte, O Fim de Uma Boa e Barata

Dentre as cervejas puro malte mais comerciais, digamos, assim, mais acessíveis ao  meu bolso,  a Proibida Puro Malte, a do rótulo preto, ocupava, juntamente com a Brahma Extra Lager, o honroso segundo lugar de meu panteão da cevada. Perdiam para a Serramalte, a minha preferida da categoria.
Há tempos a latinha preta da Proibida Puro Malte sumiu das prateleiras dos mercados, ou das do mercado onde eu a comprava, pelo menos. Ontem, ela reapareceu. Em nova roupagem. Branca e dourada. Feito um hábito de monge.
A luz de alerta já acendeu na minha cabeça : embalagem nova, talvez nova formulação. Lembrei-me, no entanto, do notório adágio : o hábito não faz o monge. Fui me fiar nesse ditado popular e me estrepei!
Talvez o hábito, de fato, não faça o monge, mas monges diferentes, de diferentes ordens, vestem hábitos diferentes. Latas de cerveja diferentes vestem, sim, cervejas diferentes. E piores. Bem piores, nesse caso.
Cheguei a pensar em não comprá-la, o branco e dourado da nova roupa da PPM não me agradou nem um pouco, mas levado pelo preço em oferta (R$ 1,89 a lata de 350 ml) e, de novo, por outro ditado popular, o que diz que em time que está ganhando não se mexe (por que mudariam a PPM, se já era tão boa?), comprei três latinhas.
Assim que a verti no meu poderoso canecão, comecei a perceber o tamanho da encrenca. O amarelo forte, tendendo ao brônzeo, da PPM que eu conhecia sumira, dera lugar a um amarelo pálido, anêmico; a espuma, outrora densa e consistente, mostrou-se frágil e aerada, feito espuma de sabão em pó, e se desintegrou em menos de 30 segundos. O pior ainda estava por vir, o gosto. Desapareceram o amargor, o frutado, a forte carbonatação. Aguada pra caralho. Sem gosto de nada. 
Pus meus óculos de velho e fui ler as letras pequenas do rótulo. Do tipo Golden Lager que era, a PPM foi transformada em Pilsen. O antigo teor alcoólico de 5,2% caiu para 4,3%, cerveja para viadinhos. No rótulo, ainda: "cerveja puro malte com alto drinkability". Fui ver que porra era essa. Drinkability é "um conceito subjetivo que vai medir o quanto o líquido é bebível e agradável. Quanto maior o grau de drinkability maior é a satisfação provocada pela degustação da cerveja, o que faz com ela seja passível de ser consumida novamente".
Passível de ser consumida... foi o que eu disse, cerveja de passivinhos, que não podem ter o seus refinados paladares agredidos por sabores mais fortes, ou não comprarão de novo a cerveja. Jamais. Nem moooortas!!!
Nem o R$ 1,89 por latinha compensou a nova Proibida Puro Malte. Por esse preço, prefiro muito mais a Lokal e a Serrana.
Se derem de cara com a lata abaixo, não importa por quanto ela esteja sendo vendida, ignorem-na. Corram dela.

terça-feira, 2 de junho de 2020

A Polar Caipira

Em pequena e breve tertúlia sobre cervejas, entre ele e GRF nos comentários do blog, Mr. F disse que não liga de gastar seu dinheiro em boas cervejas, mas que também não foge da raia se alguma mais bagaceira lhe cai ao copo.
Conta-nos que, no quesito cerveja, já foi literalmente do Céu - já provou da lendária Deus Brut Des Flanders - ao inferno, ou, ao menos, ao purgatório - entornou também muito da cerveja Polar. E se mostrou um verdadeiro entendido em Polar, na pérola da cidade de Estrela (RS). Disse existir a Polar gaúcha - a qual já tomei muito, quando de minha estada em Gramado (RS), e que não é das mais intragáveis - e a Polar paraguaia, que nunca provei, mas que, pelo que Mr. F me deu a entender, se um cavalo comer malte, lúpulo e cevada e depois mijar, sai coisa melhor que a dita cuja.
Falou que já tomou da Polar em Santa Catarina, onde residiu por um tempo, e no Paraná, mas que acredita que ela nunca tenha ultrapassado a barreira da região Sul e sido distribuída e comercializada no Sudeste e demais regiões do país.
Engana-se, Mr. F. 
Como eu disse, entornei muito da Polar gaúcha quando estive em Gramado (RS), e por dois motivos. Primeiro : porque sou um dedicado pesquisador, um arqueólogo, um escavador de boas e baratas, e, sendo assim, sempre que viajo, vou aos mercados para descobrir marcas locais. Segundo : tomei-a com muito gosto também por nostalgia, para reavivar, fazer pegar no tranco a memória afetiva, para dar uma voltinha no meu túnel do tempo.
Engana-se Mr. F. A Polar já pisou terras sudestinas. Saiba, pois, que além da Polar gaúcha e da Polar paraguaia houve uma Polar paulista. Mais que paulista : uma Polar ribeirão-pretana, uma Polar caipira, por assim dizer. Ou, ao menos, existiu, durante quase toda a década de 1990, uma cerveja que circulou por aqui sob o rótulo de Polar - o porquê desta ressalva, desta desconfiança, digo mais ao fim da postagem.
Na década de 1990, só existiam cerveja de macho! Nem existia, então, o termo artesanal aplicado à boa e velha loura gelada. Artesanal, na época, eram as miçangas, os colares de contas, os brincos de pena, os incensos e os cachimbinhos para fumar maconha vendidos pelos hippies da Praça da Bandeira. Gourmet, então, é que piorou. Era tão-somente uma marca de margarina, ruim pra caralho.
As cervejarias Antarctica e Brahma dominavam o mercado cervejeiro. Existia a Skol e era bem conceituada, mas meio que corria por fora desta briga, parece-me que tinha produção mais modesta e ainda não investia tanto em publicidade. Foi quando começaram a surgir marcas mais baratas e populares, alternativas ao quase monopólio das duas grandes. A Kaiser surgiu nesta época, também a Malte 90, que chegou, se não me falha a velha memória, a patrocinar um Rock'in'Rio. Ainda a Nova Malta, a Krill, a Belco, a Cintra, a Itaipava e outras.
Foi neste novo cenário, de maior diversificação e concorrência, que a Antarctica de Ribeirão Preto lançou a Polar. Uma cerveja mais barata para disputar este nicho mais popular. Uma maneira de abiscoitar parte deste novo filão sem precisar baixar o preço de sua marca líder e correr o risco de depreciá-la às vistas de seus consumidores habituais.
Daí em diante, foi uma festa. Melhor : foram várias festas. Todas na república do meu corno amigo Fernandão. 1990, 91, 92, 93 e Copa do Mundo de 1994. Tudo regado a Polar. Eram tempos de faculdade, todo mundo duro e de bolsos furados. Como manter o (baixo) nível das festas? Polar! A Polar foi nossa tábua de salvação. Era baratíssima. Não me lembrarei de valores exatos, até porque passamos por várias moedas nesta época, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real. Mas sei que, durante a Copa de 94, a ampola de 600 ml da Polar saía a centavos da recém-criada moeda do Real. Era mais barata que passagem de ônibus. Se fôssemos a pé para a faculdade ao longo de toda a semana, dava pra comprar uma caixa de 24 ampolas no sábado. Sobrava até para o pão e o vinagrete.
Bebi muito da Polar caipira, Mr. F. E não posso me queixar dela no famoso dia seguinte. Muitas vezes, para não perder o público que viajava para a casa de seus pais ao término das aulas da sexta-feira, as festas eram realizadas nas quintas. O batente começava por volta das 21, 22 h e alguns de nós - eu, o Fernandão e os da "diretoria" - íamos fácil até as três, quatro da matina.
E, em verdade, vos digo, Mr. F : nunca tive uma porra de uma ressaca por conta da Polar. Nem sequer uma leve dor de cabeça. No outro dia - aliás, no mesmo dia, apenas umas poucas horas depois -, na sexta-feira, estávamos todos lá, às oito da manhã, a assistir a aula de Cálculo II do grande mestre e mito Jairzão.
Um único efeito adverso decorria do nosso consumo nada moderado de Polar. Um dano colateral que batizamos de O Efeito Polar : a gente cagava mole por uns dois ou três dias. Cagávamos feito patos. Mijávamos pelo cu. Chegava uma hora em que a gente nem mais limpava, só enxugava. E dá-lhe maisena pra não assar o toba.
Porém, voltando agora à ressalva feita mais ao início, há a possibilidade de que a Polar nunca tenha sido mesmo comercializada por aqui, apenas o seu rótulo a conter outra cerveja. É que alguns bebedores-raízes da Antarctica tradicional também experimentaram a Polar e garantiam, e juravam de pés juntos e cambaleantes, que o líquido contido na Polar era exatamente o mesmo das garrafas com o clássico rótulo do Pinguins Imperiais. Que a Polar era a própria Antarctica, em trajes mais humildes, mais classe C, uma Antarctica de chinelos Havaianas (na época, Havaianas eram coisa de pobre fudido). E que a Antarctica adotara tal estratégia para não ter que reduzir a produção, ou não ver parte dela estagnar nos tanques, em virtude da redução das vendas causada pelo advento das emergentes cervejas mais baratas. Sacrificava parte da produção a um preço inferior para evitar perdas maiores. A Polar caipira teria sido o boi de piranha da Antarctica.
Sejam verdadeiros, ou não, os rumores, o fato é que o hábito faz, sim, o monge. Se o rótulo era Polar, também o seu conteúdo. Até porque ela cumpriu com galhardia a sua função : era boa e barata.
Nunca vi dela em latinha, acho que nunca foi produzida desta forma, apenas em ampolas âmbar de 600 ml, e o rótulo que tantas alegrias nos deu era este aí abaixo:
Bem diferente do atual, mais colorido, alegre, festivo, mais turma do arco-íris, enfim... mais gaúcho.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Ideologias, ideologias... Burguesas de Belas Tetas à parte

Um comentário feito pelo sorumbático GRF, monarca do blog P-O-E-S-I-A, na postagem A Casa Caiu Para a Casa di Conti, a concordar com minha má impressão da cerveja Moinho Real, da referida cervejaria, permitará que eu repare aqui um lapso cometido em relação a uma boa e barata, também da mesma cervejaria; mais que um lapso, ou um esquecimento : uma injustiça.
Comentou GRF : "Não sei se já experimentou, mas a cerveja Burguesa, da mesma fabricante dessa porcaria moinho real (deve ser pra high society mesmo, um lixo), é excelente! Das que encontro por até R$1,99, é minha favorita. A 1500 também é boa. Muito boa. Em época de quarentena, toda noite meto a boca na burguesa".
Respondi a ele que sim, que conhecia a Burguesa. Lembrava-me, sim, de tê-la provado, mas não me lembrava da precisa impressão que me causara à época. Lembrava de que não tinha me desagradado, mas não retive dela os elementos necessários na  minha memória gustativa para lhe dar, ou não, à ocasião do comentário, o mais cobiçado selo da indústria cervejeira, o ISO-Azarão de Boa e Barata.
A verdade - uma vergonhosa verdade - é que, quando a provei, o fiz em trânsito, na volta de uma caminhada, para matar a sede antes de chegar em casa, para reidratar; que macho de respeito toma é cerveja pra reidratar e não águinha de coco ou Gatorade. Não lhe dei, confesso, a devida atenção.
Uma falha e uma lacuna imperdoável. Para comigo, para com o GRF e, sobretudo, para com a Burguesa. Ontem, ao voltar da minha caminhada crepuscular, desfiz a grave falta. Passei por uma loja de conveniência e comprei três Burguesas; R$ 1,99 a lata.
Eis a Burguesa de divinas e cornucópicas tetas que tanto seduz GRF, meus caros.
Ontem, foi diferente, cheguei, deixei-a no congelador, a se preparar para mim, fui tomar um banho, a me preparar para ela, deitei-lhe em merecida cama, no meu canecão viking, e olhando-a nos olhos e nos peitos, levei-lhe à boca.
Boa, muito boa. Bem encorpada, fazendo jus ao rótulo. Sim, meus caros, podem confiar no GRF e em mim, a Burguesa é boa e barata.
Lá pela segunda lata - sim, com uma Buguesa dessa eu dou duas sem tirar de dentro -, no entanto, ocorreu-me : GRF a elogiar, a se empolgar e a cair de boca numa burguesa?
GRF assim autodefine sua posição ideológica : "minha visão "de esquerda" é relacionada a metas sociais e posicionamento quanto aos Princípios Constitucionais. Não é partidária. Por assim dizer. Não sou Petista. Não sou Pedetista. Não sou sindicalista. Vocês entenderam. Sou alguém de esquerda no sentido da experimentação. Penso que poderíamos sim testar modelos econômicos diferentes do capitalismo selvagem". 
Ora, ora, GRF, por suas próprias palavras, é ferrenho crítico do grande capital; o sonho dele não é ir para Pasárgada, ser amigo do Rei, é se ir para Walden II, onde não há Rei. Sem contar que, no comentário, também refere-se ao high society de forma pejorativa. E, de uma hora pra outra, render-se assim aos encantos de uma burguesa? Trair seus princípios por um belo par de tetas?
Lembrou-me muito - e eu já disse isso a ele - do meu saudoso mestre de literatura Valfrides, o responsável por despertar em mim, isso lá pelos idos de 1983-84, no Colégio Objetivo de São José dos Campos, o interesse pela poesia e pela literatura de qualidade.
A vassalagem de GRF à Burguesa me lembrou de quando Valfrides nos disse sobre Gregório de Mattos Guerra, o Boca do Inferno. Contou-nos, ele, que Gregório de Mattos não gostava de padres, de índios e de negros; os satirizava de forma contumaz em seus poemas. Porém, adorava uma freira, uma índia e uma negra.  GRF não pode ver  um burguês pela frente, já uma burguesa...
É como bem disse o filósofo cearense Falcão, a complementar o burguês Cazuza : "eu sei que a burguesia fede, mas tem dinheiro pra comprar perfume".
Mas, neste caso, posso/podemos perdoar facilmente a traição ideológica de GRF; muito facilmente, ainda mais eu, que sou um frequente traidor de mim mesmo. E peço a esses moços que acreditem em mim : não há ideologia que valha um bom par de tetas! Isso sem falar na perseguida e no girassol, que aí não tem regime político nem sistema econômico que os valham!
Sim, podem tomar a Burguesa. É boa e barata. Podem degustá-la sem medo de ressacas, hepáticas ou ideológicas.

em tempo e ao GRF :  encerrada a quarentena, precisamos marcar pra tomar umas geladas. Pode até ser a Burguesa.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Tag Bier : o Equilíbrio do Universo foi Reestabelecido

Depois de provar da boa, dinamarquesa e não tão barata cerveja Faxe, uma aflição, uma inquietude se fez em mim. Uma urgência a ser satisfeita a bem do equilíbrio cósmico, da compensação Universal : descobrir e provar duma nova boa e barata para equilibrar os pratos da balança do Caos e da Ordem.
O Universo, ele próprio preocupado e abalado com a discrepância de eu ter gasto mais que dois reais com uma cerveja - dissonância espaço-temporal que poderia pôr em risco a Realidade corrente e todas as Realidades que desta poderão se ramificar -, em seu próprio socorro, veio ao meu.
Ontem, saí de casa sem nem suspeitar que meus passos, se não totalmente guiados pelo Universo, seriam levados por ele a uma mudança no meu caminho, para corrigir o desvio de meu ato impulsivo, impensado e perdulário de ter comprado a Faxe. O Universo cuida dos seus. E, principalmente, de si mesmo.
Precisei ir até a escola de meu filho para pegar um declaração de matrícula do ano de 2020, documento necessário à renovação do cartão do transporte público que lhe dá direito à meia passagem. Caminho obrigatório até a escola : passar pelo centro velho da cidade.
Evito o centro. Só passo pelo centro se estritamente necessário, se não houver rota alternativa possível. Um show de horrores, o centro. Um povo feio, chucro, fudido, gordo, desdentado, sorridente e barulhento. Ambulantes, pedintes, viciados em crack, distribuidores de panfletos, estátuas vivas, vendedoras de chip de celular de voz esganiçada, chineses a dominar o segmento das lojas de R$ 1,99, matilhas de pombos pestilentos a se alimentar dos restos e da sujeira humana. Tudo e todos se comunicando num dialeto, num subidioma que, muito vaga e injustamente, pode ser associado à última e bela Flor do Lácio.
Uma edição revista e ampliada da Divina Comédia, de Dante, fosse lançada, um décimo círculo infernal, obrigatoriamente, teria de lhe ser acrescido : o centro de Ribeirão Preto.
E, ontem, fui e voltei por ele. Quase que invariavelmente, vou pela rua General Osório e volto pela Mariana Junqueira. Mas, ontem, quando dei por mim, e vejo agora que já era o Universo em busca do equilíbrio perdido, estava a voltar pela São Sebastião, rua paralela e alguns quarteirões acima das supramencionadas, logradouro pelo qual pouco transito e, por consoante, pouco conheço de seus comércios. A certa altura da São Sebastião, meus olhos foram atraídos para uma pequena filial da rede de supermercados Dia. Imediatamente, como se plantado na minha cabeça, um pensamento me veio : já que estou aqui, não custa entrar e ver se acho alguma boa e barata.
Entrei e nem precisei procurar muito. Entrei e parecia que ela tinha sido posta ali somente para ser encontrada por mim. Entrei e lá estava ela : Tag Bier.
Tag Bier Cerveja puro malte. De R$ 2,19 por R$ 1,89. Uma puro malte do naipe da Petra, da Cacilidis, da Império, da Bohemia e outras que tais não saem por menos que R$ 2,59, nos mercados aqui da cidade. Peguei a lata e tentei ler as letras pequenas do rótulo lateral, as informações sobre teor alcoólico, o seu local de fabricação, a cervejaria responsável etc. Tentativa vã sem meus óculos de leitura, minhas muletas para meus paralíticos cristalinos, o viagra dos meus cansados olhos.
Era barata, na certa. Mas seria boa? Aí é que entra meu espírito indômito de explorador do desconhecido, de desbravador de novos territórios. Decidi dar, sem medo, este tiro no escuro. Comprei meia dúzia. Pu-las a gelar e provei. Uma cármica satisfação me dominou : era boa, excelente. E barata. E as engrenagens do Universo estavam a girar novamente em perfeita comunhão.
Satisfeitas minhas urgência e aflição, pus meus óculos e li as referências na lata. Não à toa era boa e barata. Tinha pedigree. Produzida pela tradicional e respeitável cervejaria Casa di Conti, também responsável pela outra puro malte boa e barata 1500, já mostrada aqui no blog : Cerveja 1500, Uma Descoberta. Produzida com as águas puras e cristalinas de Socorro (SP), estância mineral do Circuito das Águas Paulista.
E não sou só eu que a achei boa, o site Brejas.com.br lhe dá uma nota 2,4 (de um máximo de 5,0) de avaliação geral, a mesma nota que concede à Bohemia. E o inusitado site - descobri-o ontem - Cerveja Bosta, muito mais ao meu estilo, falando muito mais a minha língua, que não dá conceitos numéricos às cervejas analisadas, mas as classifica simplesmente em Cerveja Boa, ou Cerveja Bosta, carimbou-lhe a primeira opção.
Mas o mais importante : o equilíbrio cósmico foi reestabelecido; a Faxe, só um desprezível ponto fora da reta. A Realidade e o Multiverso podem dormir tranquilos. O Azarão voltou às boas e baratas. Ainda não será desta feita que uma onda de antimatéria nos varrerá.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Cacildis!!!

O ator Grande Otelo, por considerar o sambista Antônio Carlos Bernardes Gomes dotado de atributos assemelhados ao do mussum - peixe escorregadio, esquivo e liso, que se safa facilmente de situações embaraçosas -, apelidou o músico de Mussum. O apelido pegou fácil. E Antônio Carlos, em Mussum, tornou-se. Aliás, tornoussis!
Em 1973, a convite do amigo Manfried Santanna, o Dedé Santana, Mussum tornou-se Trapalhão. Tornou-se, não. Apenas assumiu publicamente a sua condição de. Mussum foi o Trapalhão por excelência. O mais original e autêntico deles. Dos quatro, Mussum era o único que não representava um personagem. Mussum era ele. Não lhe careciam scripts nem roteiris.
Mussum era o nosso embaixador da cachacis! O diplomata da biritis! O cônsul da caninha! O nosso adido cultural do mé! Mussum não bebericava, não degustava. Mussum dava uma beiçadis.
Mussum entrava no buteco - o balconista era sempre o ator Carlos Kurt -, mandava o Alemão medir um metro de pinguis no balcão e pedia pra embrulhar pra viagem. Ou chegava para o mesmo Carlos Kurt e pedia : me vê aí um leite de capivaris! Não temos, respondia o Alemão. Então, me vê aí um leite de jaguatiriquis! Não temos, respondia, de novo, o Alemão. Então, me vê aí um leite de elefantis. Também não temos, senhor, dizia o Alemão já às raias da paciência. Aí, Mussum tirava seu surrado chapéu da cabeça, levava-o ao peito, dirigia seu olhar ao Céu e dizia : o Senhor é testemunhis de que eu queria tomar leitis! Vira-se para o Alemão e dizia : então, me vê aí um mézis. Ou tentava, sempre escudado pelo "nojento" Tião Macalé, jogar um fiado para cima do Didi, armar uma pindureta no bar do cearense cabecinha de bater bife. Mussum dizia que eles eram da elite do morro da Mangueira, membros da diretoria, da família do Kunta Kinte, garantia Tião Macalé. Ou, ainda, na véspera de Natal, incumbido pelos amigos de dar pinga prum peru e amaciar-lhe a carne para a ceia, Mussum começa a beber junto com o peru. Segue monólogo de Mussum com o peru : "Seu piruzis, o senhor é do sindicatis? Da rapaziada que vai à lutis? O senhor mata o bicho? O senhor sabe beber socialmentis? Então tá convidadis pra dar uma beiçada... Vai, vai cumpade, dá uma pancadis..." Quando os amigos retornam, encontram Mussum e o peru bêbados e abraçados. Mussum os encara e diz : "se tocar um dedo no meu amigo, eu te mato... ele é do sindicatis..."
Para Mussum, era melhor melhor ser um bêbado conhecidis do que um alcoólatra anonimis.
Mussum morreu em 29 de julho de 1994, aos 53 anos. Não de cirrose hepática como muitos podem supor, sim de complicações por conta de um transplante de coração. Aliás, o Mussum não morreu, ele se pirulitou ("eu vou me pirulitazis", dizia quando a coisa ficava pretis).
Quase vinte anos após a sua morte, em 2013, Mussum recebeu a maior homenagem que pode ser prestada a um biriteiro de alma. Um de seus filhos, Sandro Gomes, se associou à cervejaria Brassaria Ampolis e, juntos, lançaram uma linha de cervejas com o nome do Trapalhão, a qual conta, hoje, com quatro títulos, a Biritis, a Cacildis, a Forévis e a Ditriguis.
Inicialmente as brejas do Mussum foram lançadas em ampolas, ops, em ampolis de 600 ml e produzidas artesanalmente em pequena escala; ou seja, com um preço, ao contrário de Mussum, nada engraçado. Nunca a tomara, portanto.
Até que, ontem, ao passar por um posto de combustíveis, um cartaz à entrada de sua loja de conveniência me chamou a atenção. Estava lá : Cerveja Cacildis (350 ml), R$ 3,19. A cerveja Cacildis transpôs os limites da garrafis e, agora, é produzida também em latis. 
Para os meus padrões, ainda num preço caro, porém praticável. Comprei duas. E é boa. Excelentis. Puro malte, coloração dourada, aroma que lembra um pouco um pão quentinho comprado à padaria, talvez pela fermentação do malte.
Continuarei a comprar a Cacildis? Muito provavelmente não. Hoje à noite estarei de volta às minhas boas e baratas. Só foi mesmo para experimentar, para prestar vassalagem ao mestre Mussum e para guardar a latinha.
Como de fatis!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Cerveja Haller - Cinco Estrelas na Escala das Boas e Baratas do Azarão

Viajar é bom para conhecer novas paisagens e horizontes? Sim, a gente viaja, as paisagens estão lá e a gente vê. Viajar é lúdico, pois travamos contato com outros costumes e provamos das culinárias locais? Sim, a gente viaja, os restaurantes típicos estão lá, a gente precisa cagar, então, vai lá e come. Viajar é ilustrativo e enriquecedor, pois conhecemos marcos, monumentos históricos e outros pontos turísticos? Sim, a gente viaja, os pontos turísticos estão lá, a gente é turista, então, vai lá e visita.
Mas viajar é melhor ainda para achar novas boas e baratas. Para dar continuidade à minha épica cruzada em busca do santo graal dos bebuns sem grana.
No feriadão da semana passada, fomos a Monte Verde (MG), cidade de montanha, clima mais para o frio mesmo no verão (em pleno novembro, durante a noite, os termômetros marcavam 12, 13ºC), arquitetura estilo alemão/suiço, lugar bom para andar, para a esposa e o filho tomarem chocolate quente, comerem pinhão cozido, strudel, fondue e outros trá-lá-lás.
Lugar ideal para o Azarão entornar. Que macho de respeito não degusta, entorna. O cara que degusta não é sommelier nem cachacier, é caralhier! Aquele biquinho de quem sorve o vinho e/ou a cerveja em curto aspirares nada mais é que a famosa boca de chupar rola.
Macho das antigas, quando solteiro, viaja atrás de bucetas boas e de graça; quando casado, atrás de cervejas boas e baratas.
Assim posto, acompanhei minha esposa e filho em peregrinação pela avenida principal da pequena cidade, pelos empórios de queijos e embutidos, pelas simpáticas fabriquetas de doces e de chocolates, pelos bangalôs de artesanato. Ela à cata de compotas, quitutes e de lembrancinhas para familiares e eu de olho, de butuca em boas e baratas; ocasionalmente, um ou outro peitão balouçante também me furtava a atenção; nem só de cerveja vive o homem.
Até que a vi. Brilhante, em um luxuriante dourado-vermelho. Na prateleira de um pequeno mercado em que entramos para comprar água mineral e levar para a pousada. Antes de prosseguir, um parêntese, em cidades turísticas, mesmo as marcas mais corriqueiras de cerveja têm seus preços superfaturados. Uma cerveja do tipo subzero, kaiser, bavária, itaipava, cujos preços giram em torno de 1,89 reais, 1,99, são vendidas a preço de loja de conveniência de posto de combustíveis, de 2,50 reais para mais. Fim do parêntese. 
E lá estava ela : Haller - Cerveja Lager Clara. Como bom macho das antigas que sou, confesso sem nenhum pudor que não foi o seu conteúdo, a sua beleza interior, que me atraiu à primeira vista - até porque quem gosta de beleza interior ou é decorador, ou é radiologista; quem gosta de beleza interior que vá bater punheta com a revista Casa & Jardim, ou com uma radiografia.
O que me atraiu no primeiro momento foi a beleza dela. Não tanto da embalagem, mas sim da etiqueta de preço nela adesivada : R$ 1,59. Fazendo a conversão cidade turística/cidade normal, ela custaria algo em torno de R$ 1,19, quiçá R$ 1,09, aqui em Ribeirão Preto. Entesei-me na hora. Pauduresci!
Tímido que sempre fui, cheguei a ela cheio de dedos, pisando em ovos. Peguei-a cuidadosamente da prateleira e, lentamente, comecei a desnudar-lhe o rótulo. Ver a procedência, a graduação alcoólica, o pedigree. Era do tipo lager, graduação alcoólica de 4,6% e fabricada na cidade de Socorro (SP), município do famoso e terapêutico Circuito Paulista das Águas.
Decidi que dava pra encarar. Totalmente pegável. Como dizia um amigo meu, Júlio César Barbosa, o mítico Porpeta, "essa dá pra comer beijando". Comprei meia dúzia. Só pra experimentar. A esposa não quis arriscar, nem se deu ao trabalho de ouvir meus argumentos, foi de Itaipava, mesmo.
Na pousada, pu-la a gelar e, quarenta minutos depois, dei-lhe a primeira beiçada. Não vi se a espuma se mantinha por muito tempo, não lhe notei a carbonatação, não reparei na transparência e na turbidez, não lhe aspirei as notas presentes (ou não) de malte e lúpulo, não lhe verifiquei a acidez nem a adstringência nem nenhuma outra viadagem. Apenas dei-lhe uma boa duma beiçada, uma boa duma talagada.
Aprovei! Pãããããããta que o pariu se aprovei. Chamei a esposa, pedi que também experimentasse. É, caros leitores, ser casada com o Marreta tem lá suas vantagens, mas exige seus sacríficios. Ela pôs na boca já com a intenção de não gostar. Bebeu, tomou outro gole, e outro. Não é ruim, disse. Foi a consagração da boa e barata. Minha esposa não dá o braço a torcer de jeito nenhum para as minhas descobertas cervejeiras. Prefere não incentivá-las, não quer se tornar uma cobaia da indústria cervejeira. Dizer que uma boa e barata comprada por mim "não é ruim", é o elogio máximo de sua parte. E também não se empolga : perguntei, uma vez que tinha gostado, se queria que eu lhe abrisse uma lata; respondeu que não, que ia de Itaipava, mesmo.
Entornei a meia dúzia sozinho, sem nenhuma mágoa. Com uns provolones e uns chouriços defumados.
Ei-la, caros leitores manguaceiros do Marreta. Recomendo! Haller - receita alemã com alma brasileira!!!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A Busca Continua, Companheiro

Muitos pensaram (torceram contra, fizeram troça, rogaram praga, até) que, após minha malograda, trágica e quase traumática experiência com a barata, ruim e, provavelmente, inexistente cerveja Royal Pilsen, eu, por fim, capitularia, amarelaria, desistiria de minha messiânica busca pela cerveja boa e barata. Que eu jamais passaria de novo por perto das prateleiras do mercado das cervejas mais populares, que eu viraria um cervejeiro artesanal.
Porra nenhuma! Cervejeiro artesanal é o cacete! As pregas continuam no lugar! Só dei um tempo por precaução. Feito lutador nocauteado que se afasta temporariamente dos ringues para se recuperar das lesões e observar possíveis sequelas. Mais de um mês e tudo certo. Nem sinal de envenamento químico e/ou radiativo. Nada de queda de cabelo, de descamação da pele, de pústula e sarcomas, nada de falência renal ou hepática e, principalmente, nada de broxidão. Decidi que estava pronto para outra.
Quarta-feira, voltando do banco pelo centro cada vez mais feio, sujo, barulhento, desorganizado e poluído de povo e de vendedores ambulantes da cidade, dei uma passada na rede de supermercados Dia, para comprar lá umas coisinhas. Passei pelo setor das cervejas e lá estava ela : Prosit.
De cara, gostei da lata, de um vermelho vivo e confiante e com um desenho bem caprichado dum alemão e seu canecão. Agradou-me, igualmente, o preço, R$ 1,19. Gato escaldado pela Royal, porém, fui comedido e parcimonioso, comprei apenas duas latinhas.
Pu-la a gelar e a provei. É cerveja leve, uma linha da bebida com menores teores alcoólicos - 3,8% contra os costumeiros 4,5 ou 5% -, cerveja para não bebuns, para consumidores moderados (o que não é o meu caso), para mulheres - geralmente mais suscetíveis ao efeito do álcool - e viadinhos em geral. Cerveja que até meu amigo JB pode tomar. Mas é boa. A aparência, o gosto, o aroma não ficam nada a dever para as cervejas comerciais mais corriqueiras, Skol, Brahma, Bavaria, Kaiser, Crystal etc. Inclusive, bem melhor que a Skol (nunca gostei da Skol) e a Kaiser. E com o precinho compatível com o salário do Professor Raimundo, e com o meu, também.
Minha opinião coincide com as dos especialistas do site Brejas.
As notas do site vão de 0 a 5, sendo que para conseguir um quatro ou um cinco tem que ser cerveja artesanal, com adição de malte e lúpulo importados, sabores exóticos etc, ou seja, tem que ser cerveja de viado.
Se vou voltar ao Dia e comprar mais da Prosit? Pããããããta que o pariu se vou!!!
Ein prosit, Ein prosit, amigos do Marreta. Que, em alemão, significa um brinde, um brinde.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Cerveja 1500 : Uma Descoberta

Em meu eterno e incansável garimpo pelo aluvião das cervejas boas e baratas, hoje brilhou nova pepita em minha bateia : 1500. Produzida pela cervejaria Casa di Conti, é cerveja da linha puro malte pelo preço de uma pilsen normal, de uma Bavária, uma Subzero etc.
Segundo o parecer de Erik Macedo, avaliador do site brejas.com, a 1500 tem coloração clara, espuma de moderada formação e duração. Sabor leve, com amargor no final e algo frutado no retrogosto. Cerveja de boa opção e excelente custo-benefício.
Só não entendi, e nem quero, essa coisa do "retrogosto", de dar ré, sei lá. Coisa de degustador! Tô fora desse negócio de retrogosto!
Tem a cara do Cabral e tudo. Melhor a cara do Cabral do que um taludo pau-brasil.
À esquerda, a 1500 na lata, sem nem imaginar o que lhe espera; à direita, deslacrada, descabaçada e deitada na caneca do Azarão, pronta para o abate, que degustação é coisa de viadinho politicamente correto! À minha saúde!!!

domingo, 24 de julho de 2016

As Boas e Baratas do Chile (3)

A gripe continua, companheiro. Deve ser alguma cepa milenar, das brabas, há muito soterrada nos Andes e que agora, com o aquecimento global e o degelo, aflorou novamente.
Eis a medalha de bronze no pódio do Azarão das cervejas boas e baratas, a Becker Grado 7. Que, como o próprio nome indica, tem um teor alcoólico de 7%,  um pouco maior que os usuais 4% ou 5% da maioria das cervejas.

sábado, 23 de julho de 2016

As Boas e Baratas do Chile (2)

Viajar é bem mais que se expor ao contágio de novos conhecimentos e de diferentes culturas. Muito mais, infinitamente mais. Viajar é, antes de tudo, expor-se ao contágio de diferentes cepas de vírus, contra as quais nosso organismo não tem seus exércitos de prontidão.
Se eu adquiri novos conhecimentos em minha viagem ao Chile? Muito provavelmente não. Mas que peguei uma boa duma gripe, isso eu peguei. Estou um caco há dois dias. Peguei uma boa duma cepa de influenza por lá.
Ainda se tivesse pego uma boa duma bucepa... mas, enfim, aí está a medalha de prata no pódio do Azarão das cervejas boas e baratas do Chile, a Cristal. É de coloração bem mais clara e de paladar bem mais leve que a campeã Escudo, parecida com a nossa Subzero.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

As Boas e Baratas do Chile

Ciências, esportes, artes plásticas, literatura, música, cinema, teatro, arquitetura, gastronomia, artesanato, história dos povos, religiões e mitologias, folclore... Todas, sem exceção, atividades humanas supervalorizadas, superestimadas. Superfaturadas, eu diria, até.
Exemplos pernósticos, todas elas, da vaca que lambe e admira a própria cria. O ser humano é a única espécie capaz - e que perde tempo com - de se gabar de suas realizações. A única espécie à qual a Evolução legou o gene do pedantismo. A única espécie capaz de se dobrar e de se contorcer e chupar o próprio pau. E como o ser humano gosta de fazê-lo.
Quando um atleta recebe o ouro olímpico, ou um escritor é laureado com o Prêmio Nobel, ou é atribuída uma cifra de milhões de dólares a uma tela, o que o ser humano está a fazer é isso : chupando o próprio pau. Cada láurea, medalha ou condecoração, uma chupada no próprio pau, uma autofelação.
Quem estabelece que tais manifestações do intelecto humano têm assim tanto valor ou expressividade, a ponto de alguns receberem o rótulo de mestres da pintura ou da literatura universal? Os próprios humanos! É o próprio ser humano quem atribui valores aos seus feitos. Portanto, desconfie. Somos uma espécie autochupadora de rola.
E de todas as atividades humanas, uma das mais superfaturadas : viajar a passeio; pois subentende-se que essa coloque o turista em contato com todas as outras atividades supracitadas - cultura, folclore etc - do local em que ele aportará. 
Viajar seria o vetor que carregaria o vírus de novas informações e aprendizados, que nos inocularia com inéditos e surpreendentes conhecimentos, que nos contaminaria com diferentes culturas, que nos infectaria da enorme diversidade humana, expandindo, inclusive, nossas míopes visões e nossos tacanhos horizontes, nos tornando mais sensíveis e tolerantes às diferenças. Viajar seria o Aedes aegypti de novos conhecimentos. O chupança de uma maior ilustração.
Viajar, na cartilha decorada pelos inteligentinhos sensíveis e corretos, seria um modo lúdico de tomar contato e assimilar os hábitos e costumes de outros povos. Ninguém, dizem tais inteligentinhos, volta o mesmo de uma viagem.
O caralho! Lúdico é o caralho! Balela pura. Falácia da mais bem montadas pela enorme indústria mundial do turismo, viajar é uma arapuca para escalpelar turistas. Turista, teu nome é otário. Ninguém aprende porra nenhuma viajando.
Ninguém que passe uma semana nessa ou naquela cidade, naquele ou naqueloutro país, aprende sobre a maneira de viver dos nativos dali. A não ser que se considere como um grande aprendizado passar intermináveis e fastidiosas horas fazendo check-in e check-out em aeroportos, verificando reservas em saguões de hotel, passando outras tantas e tão insuportáveis horas dentro de vans entulhadas de turistas barulhentos para visitar pontos turísticos predeterminados e maquiados para a apreciação boquiaberta e para a selfie dos visitantes, e, para finalizar, e para ajudar na preservação da cultura local, sim, todo turista é politicamente correto, comprando souvenirs do artesanato local para dar de presente para a parentada.
O sujeito compra uma estatueta de barro tosca para enfeitar a sua estante e um tapete rústico para pendurar na parede e já se considera um especialista na cultura inca, maia ou asteca.
Não importa a cidade ou o país, não importa se litoral ou montanha, se metrópole ou rincão, todo destino turístico se resume a hotéis, restaurantes típicos, cafés, cartões-postais e lojas de artesanato local. Não tem nada de aprendizado nisso.
Quer aprender realmente sobre os usos e costumes de um povo? Deixe isso a cargo dos viajantes profissionais, dos documentaristas. Quer aprender sobre as diferenças e particularidades de outra nação ou cultura humana? Assista a um bom documentário do Discovery, da BBC, ou mesmo do Globo Repórter. Faça isso da comodidade do sofá de sua casa, confortavelmente, bebendo uma cerveja. E o melhor : evitando todo e qualquer, e sempre desagradável, contato humano. Isso, sim, é uma forma lúdica de aprender, sem o povão por perto.
Não sou fã de viagens. Não gosto de sair de casa nem para ir ao mercado. Vinte ou trinta quilômetros de distância, para mim, já é praticamente uma aventura de Júlio Verne a bordo de um balão, ou do Nautilus.
Por mim, não viajava; ou raramente o faria - somente nas passagens do cometa Halley pela Terra. Porém... acabo por viajar amiúde. Então, como diz o outro, uma vez no inferno, o negócio é abraçar o capeta; eu tento relaxar e gozar. 
Também me lanço à pesquisa e ao aprendizado de elementos da cultura local. Óbvio que eu quero que o folclore de um povo se foda, sua dança, sua música, sua culinária, idem e ibidem
Quando viajo, faço um trabalho de arqueólogo  para descobrir e desenterrar as cervejas locais. Mas nada das afrescalhadas cervejas artesanais, que viadagem é igual em qualquer lugar do planeta, que a rosca frouxa é globalizada. Me interesso pelas cervejas de macho, me aprofundo no estudo das boas e baratas - essas representam os verdadeiros e cotidianos hábitos de um povo, não são cenografia nem macumba pra turista.
Em minha estada no Chile, depois de muita dedicação e muito afinco, elegi o meu pódio das boas e baratas, cujas estampas aqui apresentarei a partir de agora. São cervejas de preços equivalentes às nossas Bavarias, Schin, Subzero, Crystal etc.
E começo com a medalha de ouro do meu pódio das boas e baratas chilenas, a cerveja Escudo, do tipo lager. É cerveja forte e incorpada, de pedreiro, como se costumava dizer antigamente, daquelas que dão uma caganeira desgraçada no dia seguinte, o que, na verdade, até que é bom, pois limpa os intestinos da indigesta e entupitiva culinária local.