Sim, Lula disse isso. E pro esquerdista cego ou mal intencionado, ou ambas as coisas, como é de praxe, que estiver duvidando, que quiser tentar livrar a cara de seu capo a dizer que é fake news, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO e conferir.
Mostrando postagens com marcador Mimetismos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mimetismos. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 29 de dezembro de 2023
segunda-feira, 13 de dezembro de 2021
Mimetismos (36)
Nada disso. É o modelito primavera-verão 2021/2022 do vírus chinês. A variante ômicron.
E não é que o bichinho é bonito pra danar? Muito bem feitinho, literalmente.
sábado, 17 de abril de 2021
Mimetismos (35)
Nesta mesma praça, talvez no ano passado, talvez no retrasado, já vira os estranhos e repugnantes frutos, as bizarras e repulsivas formações vegetais. Mas eram, então, apenas dois ou três, esparsos pela frondosa árvore e - eu não tinha como saber na época - estavam ainda beeeeeeem no início de seu desenvolvimento. Por isso, não foram dignos de nota na ocasião. Hoje, isso mudou.
Passo pouco por esta praça, só quando, como hoje, pego um caminho alternativo ao usual, não por necessidade, apenas para sair um pouco da rotina.
A árvore continua lá, em uma de suas esquinas, no cruzamento da rua Daniel Kujawski com a Margarida, exatamente como eu me lembrava dela, mas os seus frutos... quanta diferença! Não lhes fazem mais justiça os adjetivos "estranhos" e "bizarros", nem mesmos os "repugnantes" e "repulsivos". "Medonhos" e "assustadores", "horripilantes" e "aterradores", com muito mais fidedignidade, agora lhes qualificam.
Não mais apenas dois ou três; agora, eles pendiam e pendulavam às dúzias dos galhos da árvore. Não mais formações imberbes e nanicas; sim grossíssimos tarugos que atingiam, fácil, fácil, uns 40 ou 50 cm.
Do outro lado da rua, num antigo ponto de táxi, dois motoristas jogavam conversa fora à espera de suas próximas corridas. Fui até um deles e perguntei se ele sabia que árvore era aquela. Ele riu e falou, estranha, né? Bota estranha nisso, eu disse. Não sei como se chama, não, mas já peguei uns três desses negócios ai, falou. Pegou pra ver se era de comer?, eu, na minha santa ingenuidade. Não, pra sacanear com os amigos, pra colocar no banco do carro deles à noite e ver eles sentando, e riu com gosto. Ri também. É claro. E nem poderia ter deixado de. Molecagem de macho das antigas. De tiozão de churrasco.
Motorista de Uber, eu não sei, já deve ter muito viadinho e metrossexual ao volante, mas motorista de táxi raiz é tudo macho das antigas, aquele cara de meia idade, barrigudo, camisa aberta até o terceiro botão a mostrar os pelos do peitos e imensas rodelas de suor sob os suvacos. Chenile alaranjado nos bancos do carro, toca-fitas Motorádio e imã com a imagem de São Cristóvão grudado no painel.
Falei pra ele, olha, eu não uso celular nem tenho câmera etc, será que dá pra você tirar umas fotos e mandar pra mim num e-mail? Não sei disso de e-mail, não, só sei mandar no zap, ele falou. Passei o número do telefone da minha esposa e torci para que ela não apagasse a estranha mensagem antes que eu chegasse em casa.
Ele me deu o celular e falou, vai lá e tira, que depois eu envio, e me acrescenta no contato, Cebolinha taxista, pra se precisar de táxi algum dia. Bati uma meia dúzia de fotos. Devolvi o celular pra ele e ele falou que já tava me mandando. Agradeci e acelerei o passo pra casa.
Por sorte, minha esposa estava ocupada com outras coisas e nem vira ainda a mensagem. Expliquei pra ela e ela as encaminhou ao meu e-mail. Juntou o celular do taxista, que não me pareceu dos mais novos, e mais a mão sem nenhuma habilidade em manejá-lo desse que vos fala e as fotos saíram uma boa merda, meio desfocadas, sem muita defínição. Escolhi as duas "melhores" e as combinei abaixo.
Não obstante a baixa qualidade das fotos, o buscador de imagens do Google conseguiu reconhecer os frutos e me forneceu mais fotos - muito melhores que a minha -, o nome e outras informações sobre a agigantada espécie. Abaixo, uma imagem que mostra exatamente como foi o horror por mim presenciado.
A espécie é registrada no Cartório Lineano como Kigela Pinatta, mas é chamada popularmente, é óbvio, de árvore-de-salsicha. Seus frutos são venenosos para o ser humano e podem atingir 60 cm de comprimento e 7 kg de peso.
Não obstante a baixa qualidade das fotos, o buscador de imagens do Google conseguiu reconhecer os frutos e me forneceu mais fotos - muito melhores que a minha -, o nome e outras informações sobre a agigantada espécie. Abaixo, uma imagem que mostra exatamente como foi o horror por mim presenciado.
A espécie é registrada no Cartório Lineano como Kigela Pinatta, mas é chamada popularmente, é óbvio, de árvore-de-salsicha. Seus frutos são venenosos para o ser humano e podem atingir 60 cm de comprimento e 7 kg de peso.
Descobri também que ela não é nativa do Brasil, sendo pouquíssimo difundida por aqui, apesar de se adaptar bem ao clima. Seu cultivo é mais restrito a parques, jardins botânicos e coleções particulares de apreciadores de espécies exóticas, ou seja, de "entendidos" no assunto.
A Kigelia Pinatta é de origem - é óbvio, de novo - africana!!!
E tem gente que ainda não acredita na Evolução, que não acredita que todos os seres vivos derivaram de uma mesma protomatriz biológica. E tem gente que ainda acredita que as diversas semelhanças de forma observadas entre plantas e animais, das quais os últimos muitas vezes se valem para se proteger de predadores, ou para melhor se aproximarem de suas presas, sejam meras coincidências. Quem um dia poderá dizer que a Kigelia Pinatta não é o ancestral botânico do Kid Bengala? Que mão, que olho imortal, se atreveu a plasmar a terrível semelhança?
Também tomei conhecimento de outras variedades da árvore-de-salsicha, de adaptações da Kigelia em outros continentes. Nenhuma, é claro, tão colossal quanto a africana. Há até uma subespécie japonesa. Uma árvore-da-salsicha bonsai, se quisermos assim considerar. Abaixo, os frutos da variedade nipônica.
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Mimetismos (34)
Uma foto tirada nas ruas de uma cidade da Malásia está a escandalizar as sensibilidades e a encolerizar os brios do povinho sebento e excomungado das redes sociais, os patrulheiros da moral mundial e globalizada.
Um retrato da miséria e das condições sub-humanas em que vive grande parte do povo malaio? Uma polaroide chocante do tráfico, do trabalho forçado e da prostituição infantis, que colocam a Malásia na lista negra da ONU dos lugares de maior vilipêndio ao menor? Porra nenhuma! Que ser humano vivendo na merda é o que mais há nesse mundão do bom Deus, e os paladinos do feicibúqui só se ocupam das "minorias", daqueles que não têm como se proteger do abuso, exploração e preconceito. A miséria humana generalizada já não causa mais comoção nem dá mais ibope, e os justiceiros sociais de iphone querem é bombar, é viralizar, é receber milhões de likes e de cutucadas no cu.
A foto que vem matando de catapora as bichanas politicamente corretas é a de um cachorro, sem nenhum sinal de maus-tratos físicos, de doenças ou de desnutrição, que alguém, muito provavelmente o dono, tingiu a pelagem de laranja e traçou nela listras verticais pretas, a imitar a padronagem de um tigre. Ficou até legal.
Foi o que bastou para que os bostonautas vomitassem todo o seu repúdio e suas indignações de gente bem nascida e bem nutrida contra o anônimo maquiador do cachorro. É um abuso, gritaram alguns; quem vai pagar pelo sofrimento e humilhação impostos ao cão, bradaram outros.
De que forma esse cachorro pode estar a padecer? Que incômodo, a sentir? Será que está a ser alvo de gozação e de bullying por parte dos valentões do bairro, da vira-latada barra pesada? Será que o ONG Tigres de Bengala, Sim, Porém Sempre em Riste está a ameaçá-lo com um processo por falsidade ideológica? Será que a pintura vai deixar o cachorro em dúvida e com profundos conflitos a respeito de sua identidade e gênero? Ora, vão à merda! Depois de sua suma criação, o ser humano "vitiminha", o Homo mi-mi-mi, que é o encostado a quem o mundo nunca dá oportunidade, o politicamente correto está em fase final de testes de seu último protótipo : o animal oprimido, o pet discriminado. Quiçá, conseguirá lavrar um novo inciso em nosso Código Penal, o Peticídio. É muita viadagem! Sem, de forma alguma, querer ofender ao veado, o galante e imponente cervídeo.
Sem portar nehuma coleira, ou qualquer outra forma de identificação, o cachorro foi recolhido pela Persatuan Haiwan Malaysia, associação de defesa dos animais no país asiático, que relatou a "triste" história do cachorro no feicibúqui da organização para ver se consegue localizar o dono ou alguém que conheça o animal. Agora é que o dono não vai aparecer, mesmo. Agora é que ele não vai se arriscar a ser linchado por ativistas e passivistas de ONGs ambientais.
Vai ver o nome do cachorro é Tigrão, ou o seu equivalente em malaio, e o dono só quis adequar a pessoa ao nome. Fantasiou o bicho de tigre. Aliás, fantasiou, não, fez um cosplay! Que fantasia, agora, virou cosplay! Valha-me São Clóvis Bornay!
O cachoro malaio é um cosplay do Tygra, dos Thundercats! E sai com essa espada pra bem longe do meu olho de thundera!!!
Denúncias de "abusos" semelhantes chegam também de outras partes do mundo. No mês passado, uma outra foto, publicada pelo Indian Express, tirou o sono e fez descer a menstruação dos protetores dos animais. Em uma festa de casamento realizada em Cadiz (Espanha), havia, como parte da "decoração" do ambiente, dois cosplays de zebra, dois burricos pintados com listras verticais negras. E dá-lhe chilique dos ambientalistas.
Burro pintado de zebra não é abuso. É tradição. É um clássico. Quando eu era moleque, era comum a figura do carroceiro, geralmente um senhor de idade, que passava pelas ruas a levar pelo cabresto um burrico atrelado a uma charrete. Os bom velhinho ia perguntando às mães se não desejavam fazer uma foto dos seus pimpolhos na charrete ou mesmo montados no burrico. Eram charretes todas decoradas, com burricos ornados e paramentados, mais enfeitados que bicicleta de baiano. Não raro, esses burricos estavam caracterizados de zebras, era comum. E lá estava o burrico, todo tranquilo, gordo, com pelos lustrosos e bem escovados, manso, sem nenhum medo da aproximação das pessoas, atitude comum em animais que passam por maus-tratos. Hoje, aqueles simpáticos velhinhos seriam denunciados, autuados pelo IBAMA e privados de seu ganha-pão. O que é maior abuso, ou, simplesmente, o que é abuso, o sujeito que traveste o burrico de zebra ou o grande industrial que o transforma em mortadela defumada e gourmet?
Minha sogra, pessoa da maior honestidade e correção, ganhou a vida fazendo bolos para festas; casamentos, batizados, aniversários, formaturas. Até bolo para aniversário de puta de zona, ela já fez muito. Verdade! Eram suas freguesas habituais, as meninas da Buate da Vilma (com "U" mesmo), estabelecimento de diversão adulta muito famoso na pequena cidade mineira em que reside nas décadas de 1970, 80 e 90. Tinha festa no zonão, só dava a minha sogra, o bolo da minha sogra, quero dizer.
Pois bem. Por quase 15 anos, minha sogra teve uma cadela poodle que a acompanhou ao pé do fogão em sua faina diária, a lhe fazer companhia e à espera de alguma sobra de bolo. Não era dessas poodles toys. Era uma poodle gigante. Grande e gorda, devido à dieta de raspas de bolo; uma cadela, literalmente, tratada a pão de ló. Branca, mais parecia uma ovelha que uma cadela; não por coincidência, respondia por Dolly. Odiava-me, a Dolly. Não podia me ver que já rosnava.
De vez em quando, dava uma louca na minha sogra e ela coloria a Dolly, tingia a pelagem dela com as suas anilinas de bolo. A Dolly ficava azul, rosa, alaranjada. Verde-amarela, nos anos de Copa do Mundo. Morreu de velhice, gorda, feliz e sempre muito bem tratada e paparicada. Hoje, se algum(a) desocupado(a) passasse em frente ao portão da casa da minha sogra e tirasse uma foto da Dolly azul a dormir tranquilamente no alpendre e a postasse nas redes sociais, a minha sogra estaria em palpos de aranha. A Sociedade Protetora dos Animais, acompanhada da Polícia, logo bateria à sua porta com um mandado de busca, apreensão e condução coercitiva. Minha sogra seria execrada nas redes sociais. A "véia" seria "cancelada". Nunca mais venderia um mísero bolo em sua vida. Nem pra Buate da Vilma.
Apesar do brasileiro ser um povinho que copia o que há de mais inútil dos outros povos, tenho certeza de que o cosplay de tigre para cachorros não pegará por aqui, não se tornará em uma tendência. Primeiro porque o belo animal nem faz parte de nossa fauna nativa e, segundo, que o animal em voga no momento, o bola da vez, é um parente muito mais próximo, assemelhado e nobre do Canis familiaris : o lobo-guará. No Brasil, o cosplay pra cachorro que vai "causar" nesta próxima estação é o de lobo-guará.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Mimetismos (33)
Professores acumulam livros. Mais do que mullheres, sapatos. Professoras acumulam livros e sapatos. Ganhamos livros de editoras, tomamos livros emprestados ou os compramos em sebos e feiras do livro. Igualmente aos sapatos das mulheres, a maioria deles nunca é usada, lida. Vamos amontoando-os em armários, vamos relegando-os ao esquecimento e à naftalina.
Mas chega o dia, por mais que nos doa e tenhamos protelado, em que se faz inescapável a desocupação daquele espaço - ou isso, ou a esposa nos pede o divórcio; e divórcio dá mais trabalho, dá mais chateação, custa caro, é mais burocrático. Além do quê, em nosso íntimo, sabemos mesmo da necessidade de liberação daquele espaço improdutivo. Para que, futuramente, pouco a pouco, vá sendo de novo ocupado por novos livros, que também nunca leremos.
O que fazer com os livros nesta tão difícil hora do desapego? Jogá-los às ruas?
Dói no coração do professor das antigas jogar livros à lixeira ou mandá-los para a reciclagem, virarem guardanapo, papel higiênico, ou, pior, embalagem chique e politicamente correta para cosméticos ou chazinhos orgânicos, autossustentáveis e biodinâmicos. Aos professores das novas gerações, o que dói é ter que trocar o chip do celular e perder os dados do antigo.
Assim, na escola em que leciono, é comum que o professor, ao fazer a limpeza de seu armário de livros, leve o excedente para doá-lo à biblioteca da escola. Porém, antes que os volumes sejam catalogados, tombados e perfilados em seus lugares nas estantes da biblioteca, de onde não serão jamais retirados e lidos, tal e qual no armário do professor de onde saíram, é meio que de praxe que eles sejam oferecidos antes aos outros professores da casa. Os livros ficam expostos à apreciação na mesa da sala dos professores e cada um pega o que lhe for de algum interesse ou utilidade.
Em uma dessas desovas de livros, peguei uma edição em capa dura de 1001 Plantas & Flores, da Editora Europa, que, como o título sugere, traz belas fotos de 1001 espécies de plantas, divididas em várias categorias para melhor consulta : árvores e arvoretas (lembrei da piada do camelô que vendia bolsas, bolsinhas e bolsetas), arbustos, orquídeas e bromélias, cactos e suculentas, trepadeiras, plantas aquáticas, samambaias e outras.
O livro traz informações bem úteis e legais sobre cada uma das espécies retratadas : sua classificação biológica, se é planta de sol ou de sombra, quantas horas de luminosidade deve receber por dia, se é de clima quente ou frio, o tipo de solo que lhe é mais favorável, o número de vezes que ela dever ser regada por semana, se é frutífera, se é tóxica etc. Também mostra a forma de propagação de cada uma e em como obter ou confeccionar mudas; instrui, ainda, no combate às pragas mais comuns dos jardins.
Um livro bonito e, no mínimo, interessante, mesmo que você não tenha um jardim. Um livro que você pode ler com o mesmo descompromisso com que assiste a programas de culinária e suas receitas fantásticas, que você nunca vai fazer. Um livro para folhear quando a programação da TV não lhe agradar, ou enquanto você espera as necessárias 48 horas para uma nova ereção. Um livro para se distrair no banheiro, enquanto dá aquele cagote mais demorado, aquele em que você tem que se empenhar em demorada negociação com o cu para que ele libere os reféns.
Se você tiver um jardim, uns canteirinhos, feito eu tenho, melhor ainda. Sim, tenho o meu jardim. Seco, áspero e desesperançado. Uma estante vertical de madeira de 1,80m x 0,60 m escalonada em cinco patamares, cinco prateleiras. É o meu Jardim de Darwin, onde só os fortes sobrevivem, uma vez que escaldado diariamente pelo inclemente sol da tarde. É um jardim onde os fracos não tem vez. Composto de 50 tons de verdes-acinzentados. Apenas plantas suculentas e cactos. Ou plantas que, antes de ler o livro 1001 Plantas & Flores, julguei que fossem todas cactos.
A maioria até são cactos. Mas descobri que um deles não pertence à sofrida família das cactáceas. Que um deles, não obstante o seu perfeito disfarce, feito de caules armazenadores de água e guarnecidos por espinhos, é um farsante, um impostor, um denorex, um parece mas não é. Que ele é, na verdade, um agente infilstrado da família das Euforbiáceas. A mesma à qual pertencem, a exemplos bem conhecidos, a coroa-de-cristo, a bico-de-papagaio (aquela usada em decoração natalina) e o nosso orgulho nacional, a nossa idolatrada salve salve a mandioca; tão louvada em verso e prosa pela nossa ex-presidanta (e eterna anta) Dilma Rousseff.
O embusteiro de meu jardim, agora devidamente desmascarado, atende pelo nome de cacto candelabro. Você já deve ter visto muito dele por aí, e também ter sido enganado por ele.
Parece-lhe, de fato, um cacto, né? Como diferenciá-los, um cacto de uma eufórbia? Como não comprar gato por lebre?
O livro também dá dicas a este respeito. Primeira : além dos espinhos, as eufórbias possuem também pequenas folhas, ao contrário de um cacto verdadeiro. Segunda : nos cactos, os espinhos nascem e se irradiam de pontos específicos no caule, chamados aréolas; nas eufórbias, os espinhos nascem diretamente do caule e em toda a sua extensão. Terceira : os cactos tem flores grandes, coloridas e exuberantes; nas eufórbias, quando elas ocorrem, são reduzidas e pouco chamativas. Quarta e a mais infalível : se arrancarmos um ramo ou uma folha de uma eufórbia, ou fizermos uma pequena incisão em seu caule, deles escorrerão uma resina branca e leitosa, o que não ocorrerá se fizermos o mesmo com um cacto.
Faça o teste. Se você tiver em casa um canteiro com coroas-de-cristo, ou um vaso com bicos-de-papagaio, arranque uma de suas folhas ou fenda-lhes o caule, e você verá o leite brotar. Faça o mesmo se tiver um cacto, e verá que nada dele escorrerá. Se você tiver um quintal maior e nele houver plantado um pé de mandioca, melhor ainda. Vá lá, mexa na mandioca e verá a imensa quantidade de leite que dela emanará.
Aproveito o ensejo para deixar aqui a minha dica - como se eles já não soubessem disso - para os vegetarianos, veganos e outros antílopes e gazelas : fartem-se e labuzem-se de leite de mandioca! Uma vez que se autoproíbem do consumo de leite de vaca ou de qualquer outro animal (que dó eu tenho do marido de uma vegana...), os veganos dizem que o substituem pelo leite de soja.
Mentira! Conversa pra boi dormir! Eles entopem-se, sim, é de leite de mandioca! Adoram ordenhar uma mandioca! Já eu, tenho intolerância a este leite!
Pãããããããããta que o pariu!!!
domingo, 5 de abril de 2020
Mimetismos (32)
Ontem, que já era hoje, duas e pouco da manhã, eu a dar meus últimos beijos em Natasha, vodka boa e barata, e a admirar e a desejar de minha sacada a Lua quase cheia - o calendário me diz que ela atingirá todo o seu fogo, fulgor e plenilúnio no dia 07/04 -, o modo randômico do toca-CDs pulou das Travessuras do Oswaldo Montenegro ("Eu preciso é te provar que ainda sou o mesmo menino, que não dorme a planejar travessuras, e fez do som da tua risada um hino") para o Estrangeiro do Caetano Veloso ("O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara, o compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela, a Baía de Guanabara...o antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara, pareceu-lhe uma boca banguela").
Na mesma hora, ocorreu-me outro verso, que julguei ser da mesma canção, "Sou tímido e espalhafatoso, torre traçada por Gaudi", e fiquei esperando por ele na música. O Estrangeiro acabou e a torre traçada por Gaudi não apareceu.
Natasha, sussurrou-me, então, aos ouvidos, com a ponta de sua língua úmida a fazer-me cócegas nos tímpanos, que a torre de Gaudi não era d' O Estrangeiro, sim de outra composição do mano Caetano, Vaca Profana, a eterna dona das divinas tetas.
Pããããããta que o pariu!!!! Equivoquei-me de canção. O que não é comum. Raramente, esqueço-me de uma boa letra de música, menos ainda faço-lhe confusão. O que terá me causado a baralhada?
Foi quando, ao olhar para o canto direito da sacada - talvez minha visão periférica já o captasse há algum tempo e tenha causado a confusão -, vi uma das espécies de cacto que mantenho em uma estante vertical de madeira, 1,75m x 0,60 m, com cinco patamares, junto a outras variedades também de cactos e de suculentas. Estante à qual chamo de o meu Jardim de Darwin, uma vez que ali, devido a sacada ser face oeste e receber o inclemente açoite do sol de todas as tardes, só os fortes, os muito fortes sobrevivem.
Olhei para o tal cacto por mais uns instantes, dei um último e longo beijo na boca de Natasha e concluí que sim : fora sua visão que fizera com que eu trocasse as bolas de O Estrangeiro e Vaca Profana.
Vejam só se ele não é, de fato, uma pequena torre de Gaudi?
Ou será que somos só eu e a Natasha quem achamos?
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Mimetismos (31)
Bons tempos, os meus, de moleque, de petiz... O único cuidado que tínhamos de tomar era o de achar e não comer o bigato dentro da goiaba.
sábado, 20 de outubro de 2018
Mimetismos (30)
Feito bicho-pau
Que se faz comprar por graveto,
Me engaveto :
Sou meia furada
Sou cueca zorba frouxa
Fedendo a naftalina
E a saudade.
Feito coruja
Que na concha da madrugada
Se encaramuja, se encarapuça
Sou capuchinho monge.
Sou bicho vivo
Porém trago chumaços de algodão
Nas narinas
E nos ouvidos.
Sou defunto de Dorian Gray
Conservado no formol do teu esquecimento.
Sou de ontem.
Não é de hoje
Que sou longe.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
sábado, 17 de fevereiro de 2018
domingo, 14 de janeiro de 2018
Mimetismos (27)
Sob o comportado título de "No Dos Outros é Refresco", o meu amigo virtual JB, o monarca do Blogson Crusoe, o Donald Trump do Blog da Solidão Ampliada, que é homem fino e educado demais para ficar escrevendo no cu dos outros, postou e compartilhou com seus 2, 3 (segundo ele) leitores, uma inusitada e curiosa traquinagem da Mãe Natureza : a Peter Pepper, ou, como é conhecida mais popular e chulamente, a pimenta-pênis. Eis a pimenta que JB nos apresentou em seu blog:
E parece que foi até circuncidada. Terá origem judaica, o fálico fruto?
Comentei com JB que tal assunto bem poderia figurar na seção Mimetismos aqui do Marreta, há muito negligenciada. Respondeu-me, JB, que por ser mais do meu "estilo" (e não entendi direito o que ele quis dizer ou insinuar com isso, pois JB veste a pele de um senhor bem-comportado, todo sisudo e austero, mas tenho certeza de que, no íntimo, é um puta dum sacana), ele chegara a pensar em passar o assunto para mim, mas dado o Saara de ideias (como ele gosta de dizer) em que ele se encontra, resolveu postar no Blogson.
Pelo mesmo motivo de JB, por eu andar num Atacama de inspiração, repisarei o assunto aqui no Marreta, sem pedir-lhe prévia autorização.
Pouco terei a acrescentar sobre o que já o disse JB, não ousarei, de forma alguma, entrar no terreno dos trocadilhos com o formato do picante fruto, JB já os usou a todos, mestre imbatível que é nessa senda. Acrescentarei, no entanto, informações que são resultado de algumas dúvidas que tive após ler o texto de JB.
JB nos diz que a pimenta-pênis tem uma classificação de ardência muito alta, 40.000 Scoville. E ponto. E já se sai em novas elocubrações. Que merda é essa de Scoville? Porra, JB, não somos todos nós que temos as suas erudição e ilustração.
Pesquisei. Scoville é uma escala que classifica as pimentas quanto à ardência, quanto à picância, através da medida da concentração da substância capsaicina na pimenta, a responsável pelo ardor. O teste é realizado diluindo um extrato puro da pimenta em água com açúcar até que o ardor não seja mais detectável por paladares humanos e, com base na quantidade de diluições, um valor na escala Scoville é atribuído àquela pimenta.
O padrão usado é : uma xícara de extrato de pimenta que necessite de mil xícaras de água com açúcar para apagar o seu fogo (ou 1ml de extrato para 1 litro de água com açúcar), recebe o valor 1.000 na escala Scoville ; a escala vai de 0 (pimentas que não possuem capsaicina) até 15 milhões (capsaicina pura).
Um mililitro do extrato da pimenta do JB, portanto, necessitaria de 40 litros de água com açúcar para perder a picância, para derrubar a sua paudurescência. Forte pra caralho!
Por isso, o uso da pimenta-pênis é contraindicado para paladares e pregas mais sensíveis, sendo recomendado apenas o seu uso ornamental. A visita entra na sua casa e, ao invés de ver um vaso de begônias, margaridas, orquídeas etc, vê uma plantinha com um monte de rolas dependuradas.
Acho que eu, em beco sem saída profissional que me vejo, desesperado e desorientado que me encontro na procura de algum escape, vou pensar, talvez, em investir no cultivo da pimenta-pênis para uso decorativo e direcionar toda a publicidade do produto para um cada vez mais crescente público-alvo, a viadada. A pimenta-pênis do horto Azarão terá tudo para se transformar no novo "must" entre a viadada. Não vai ter viado que não quererá um vasinho de pimenta-pênis em casa, para enfeite e também para tira-gosto, para abrir o apetite, se é que vocês me entendem. A pimenta-pênis poderá também atingir um público secundário, um nicho colateral do mercado, as solteironas e as viúvas sem porvir.
Mas, para que um negócio se estabeleça e prospere, é necessário, por parte de quem o gerencia, um conhecimento profundo do produto e, mais ainda, ofertá-lo com variedade, em várias versões. Pesquisando, encontrei outra variedade da pimenta-pênis do JB, ideal, acredito, para os mais afeitos a uma afrobenga.
Pãããããta que o pariu!!! É a pimenta-pênis-kid-bengala! Estoura qualquer Escala Scoville de picância!!!
Aos mais tarimbados, de paladares e de pregas mais calejados, a pimenta-pênis pode, sim, ser destinada a fins alimentícios, consumida na forma de conservas. Nesse caso, contudo, um acompanhamento se faz imprescídivel à apreciação do exótico acepipe, uma guarnição se faz obrigatória à degustação da gourmet iguaria :
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
Mimetismos (26)
A pareidolia é um evento em que uma coisa aleatória e vaga acaba sendo percebida pelo indivíduo como algo distinto e com significado, ou seja, um fenômeno no qual pessoas reconhecem imagens que lhes são familiares em locais onde elas, simplesmente, não existem. A culpa é do cérebro, que é programado para procurar e reconhecer padrões que ou sejam prazerosos, ou favoreçam a sobrevivência, ou ponham a existência em risco.
São ocorrências de pareidolia, a exemplos, ver o cachorrinho de estimação da infância numa nuvem, ou o perfil da avó que nos fazia bolinhos de chuva; distinguir a face de Cristo, ou a imagem da Virgem Maria, num nó da madeira, na fumaça de um incêndio, numa mancha de mofo na parede; visualizar a silhueta do capeta, um fantasma, um monstro, uma assombração na sombra projetada por uma cortina esvoaçante, por um galho de uma árvore, por um gatinho que salta de um telhado a outro numa noite de lua cheia.
A grosso modo, pelas minhas observações, ora sóbrias, ora ébrias, mas, de qualquer forma, nunca confiáveis, são três as classes mais recorrentes de pareidolia. A que evoca recordações que nos são caras e preciosas, sobretudo as lembranças da infância - o bichinho de estimação, a vovó, os peitões da babá (eu já vi belos pares de peitos em nuvens); a de natureza místico-religiosa - a da cara do Cristo e/ou do manto sagrado da Virgem -, que parece ser a mais frequente e que podemos considerar uma dupla pareidolia, uma ilusão visual que dá ao seu observador a ilusão de que ele é uma espécie de ser abençoado, iluminado, afinal, muitos antes dele passaram por aquela vidraça trincada e não viram o claro rosto do Nazareno, ele se sente como se o próprio Cristo o tivesse escolhido para revelar-se na forma de uma mancha de óleo, de um nuggets mordido, nas pintas de uma banana nanica ou no cu de um cachorro; e, por fim, a que traduz nossos medos inconscientes e nossas paranoias - fantasmas, monstros e assombrações?
Não! Donald Trump!
Depois da eleição de Donald Trump a presidente dos EUA, os casos de pareidolia envolvendo o topete mais poderoso do planeta dispararam. Trump está prestes a desbancar o Cristo e a Virgem Maria, campeões absolutos na modalidade delírio coletivo.
A obsessão e o cagaço pela figura de Trump estão fazendo com que o chefe da Casa Branca esteja sendo visto nas situações mais inusitadas, ao redor de todo o planeta.
Donald Trump já foi visto na cara de um peixe, o blobfish, o peixe-bolha australiano,
Na cara de um outro peixe, o Cowfish, o peixe-vaca do Atlântico,
Nas cerdas venenosas da lagarta peluda peruana,
Na loura cabeleira de um nobre habitante do corn belt americano,
E, a minha preferida, no majestade faisão-dourado da Ásia.
Mimetismo pouco é bobagem!!! Donald Trump é de deixar qualquer camaleão roxo de inveja - roxo, vermelho, verde, amarelo, branco, bege, quadriculado...
Até agora, a única pareidolia que não ocorreu envolvendo Donald Trump foi ele ter sido visto e reconhecido na figura de um Presidente dos EUA.
Pããããããta que o pariu!!!
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Mimetismos (25)
A celebrar mais um ano de vida de sua filha, um casal estadunidense, presbiterianos de Wisconsin, resolveu surpreender a pequena com um bolo de aniversário na forma de um unicórnio. Os dedicados pais pesquisaram na net e fizeram a encomenda com um boleira que exibia a seguinte foto do produto final em seu site :
Os surpreendidos, porém, foram os pais, que receberam um primor da confeitaria artesanal, uma verdadeira obra de arte de Bienal :
Pãããããta que o pariu!!! Muito já ouvi dizer de comprar gato por lebre, mas levar jumento por unicórnio é a primeira vez. Em lugar de um delicado e encantado chifre das My Little Pony, uma benga de um jegue, o Kid Bengala do reino animal.
Indignado, o pai cancelou o Parabéns a Você, incluindo o "derrama, Senhor, derrama, Senhor, derrama sobre ela o seu amor...", e postou as fotos numa rede social como forma de protesto.
Disseram as más línguas - frequentadoras habituais e sorrateiras das festas familiares, sempre à espera de oportunidade para derramarem sua peçonha -, mais especificamente a da avó paterna, a famosa sogra, que, muito diferente do revoltado genitor, a mãe não mostrou nenhum tipo de assombro ou estupor; antes pelo contrário, a sogra disse ter notado um olhar maravilhado, cheio de fascinação da mãe da menina, e que lhe pareceu que, dependesse da mãe da criança, a festa teria transcorrido normalmente. Igual deslumbramento, disse ainda a sogra, notou no olhar de um tio da criança, o viadinho da família, que ficou o tempo todo ao lado da mãe, dando-lhe moral e tácito apoio.
Mais ao canto da sala, as duas tias velhas, uma solteirona e outra viúva, meio surdas, cheias de glaucoma e de catarata, de artrite, artrose e osteoporose, já chamando Alzheimer de meu louro. Uma, a solteirona, pergunta pra outra : - Essa é aquela velinha mágica, né, aquela que é só assoprar que acende de novo, que não nega fogo nunca, né? A outra tia velha, a viúva, com os olhos marejados de nostalgia, responde : - Ai, que saudades de assoprar uma velinha, bons tempos, Clotilde, bons tempos.
Nada como um aniversário infantil para exercitar e fortalecer os fraternos e sanguíneos laços familiares!!!
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
sábado, 23 de julho de 2016
Mimetismos (23)
Zoofilia é perversão já ultrapassada e cafona. Démodé. O moleque que passa a vara na galinha, na cadela ou na cabritinha e a madame que vive com o seu doberman, dogue alemão ou rottweiler sempre a reboque, engatado na xereca, ou que se lambuza na porra de um cavalo, não impressionam nem escandalizam mais ninguém.
A tendência entre os depravados agora é a fitofilia, o tesão em vegetais, especificamente no fruto, mais especificamente ainda na masturbação do fruto. E não é usar um fruto pra se masturbar, não. É masturbar o fruto. Tocar uma siririca para um figo, um morango, um melão, um limão siciliano, um pêssego etc.
A guru espiritual desse novo fetiche é a "artista" Stephanie Sarley. Ela diz que seu trabalho - que foi temporariamente censurado pelo instagram, plataforma onde ela o exibe - tem como objetivo discutir o tabu em torno da masturbação feminina e guiar a mulher na trilha do próprio prazer, ou seja, ensinar a mulherada a siriricar.
Porra nenhuma! Desculpa de tarado! Puro pretexto para dar vazão à sua pulsão sexual esdrúxula e ainda passar por intelectual, por "cabeça", por artista de vanguarda e engajada nas questões femininas.
Ninguém precisa ensinar ninguém a se masturbar. É instintivo. Na hora em que os hormônios borbulham e em que a coisa - tanto faz se o pau ou a xereca - começa a coçar, a pessoa leva a mão até lá. Aí, se o que ela encontrar for o suficiente para encher a mão, é um pinto, e o moleque toca uma bronha; se o que ela encontrar puder ser acomodado entre o polegar e o indicador, é um grelo (ou um japonês), e a moça dedilha uma siririca, toca uma campainha.
Se bem que a tara de Stephanie Sarley tem lá seus fundamentos. O fruto nada mais é que o ovário da planta, que se desenvolve, se espessa, ganha sumo e substância depois que seus óvulos são fecundados pelos grãos de pólen, para bem acolher e acomodar os embriõenzinhos contidos nas sementes, da mesma maneira que o endométrio uterino ganha tecidos e se torna mais espesso e vascularizado para abrigar o embrião humano.
Stephanie Sarley está é a fazer cosquinha, um cafuné, no útero das plantas. Pããããta que o pariu!!!
Mas se Stephanie Sarley pensa que está na dianteira dessa putaria toda, está redondamente enganada, pois, quando o assunto é putaria, quando a lição é de esculacho, olha aí, sai de baixo, o brasileiro é professor, ninguém nos supera.
O falecido ator Cláudio Cavalcanti, no filme Contos Eróticos, de 1977, há quarenta anos, portanto, no auge da pornochanchada brasileira, ficou nacionalmente célebre por uma cena de fitofilia explícita. Cláudio Cavalcanti enterrou a rola numa melancia. Que brasileiro gosta é de fartura, de sustança, não se contenta com uns moranguinhos.
O próximo desdobramento dessa nova libertinagem será as Sociedades Protetoras dos Animais criarem um braço, uma ramificação para proteger os direitos que cada vegetal deve ter sobre o seu próprio corpo, defender as frutinhas dessa exploração sexual; em pouco tempo, exportar frutos será declarado tráfico de escravos sexuais e os horticultores, acusados de aliciamento de indefesos.
As feministas - acharam que elas ficariam fora dessa? - declararão que cada vegetariano ou apreciador de frutas é um estuprador em potencial. Pããããta que o pariu!!!! E logo, logo, organizarão a Marcha das Frutas Vadias, ao longo da qual as drupas, as bagas, as infrutescências e os pseudofrutos (uma espécie de LGBTs do reino vegetal, parece mas não são) clamarão pelo direito de se expor nos hortifrutis e nos varejões do jeito que vieram ao mundo, sem nenhuma embalagem, brilhantes, sedosos, reluzentes e suculentos, sem que sejam taxados de putas ou de promíscuas.
O pináculo da Marcha das Frutas Vadias será o discurso de fechamento de sua organizadora, a Banana, claramente uma sapatão. Aliás, a banana é a personificação (ou a frutificação?) da feminista de sovacos e pernas cabeludos, peitos caídos e grelo de 15 cm; a banana não precisa ser polinizada para produzir seus frutos, não precisa ser fecundada, os produz por um processo chamado partenocarpia, a banana é uma espécie de Virgem Maria do reino vegetal. Não é esse o ideal de vida de toda feminista? Gerar seus filhos - filhas, de preferência, pois não querem se arriscar a ter um estuprador em potencial dentro de suas próprias casas, a mamar em seus peitos - sem levar uma carga de porra, seja direto da rola ou de uma micropipeta, seja na buça ou numa placa de Petri?
Voltando : em seu discurso, a Banana sairá em defesa e em resgate da honra da Maçã, a fruta mais perseguida e injustiçada historicamente, irá cobrar em altos berros a dívida histórica que o cristianismo e toda a sociedade machista opressora tem para com a Maçã, desde o Gênesis vista como o fruto do pecado, por ter seduzido Adão e o levado a desobedecer o Todo-Poderoso. Um caso clássico de imputar à vítima a culpa pela violência sofrida, concluirá e encerrará o seu discurso, sob aplausos e ovações da plateia, a Banana.
Pãããããta que o pariu!!!
em tempo : mas a verdade é que, de hoje em diante, eu nunca mais olharei para um figo da mesma maneira; não é que ele, longitudinalmente cortado, parece mesmo uma fedegosa peludinha? Do jeito que eu gosto.
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Mimetismos (22)
Meu amigo Margá é um entusiasta, um militante xiita das causas ecológicas, ambientais, naturais e de toda a sorte de viadice.
Margá é 100% verde e orgânico. Nas horas de labuta, é professor de química e de ciências, cátedras das quais se vale para promover a catequese das novas gerações ao ecologicamente correto, ofício do qual se aproveita para fazer proselitismo do autossustentável. Margá é um missionário da reciclagem e da coleta seletiva. Nas horas vagas, Margá não descansa nem descuida de sua cruzada pela saúde do planeta, continua a empunhar firmemente o pau da bandeira da ecologia - Margá adora segurar num mastro.
Margá tem um espaço de terra no quintal de sua casa, e pensam que ele faz o quê? Que planta capim-guiné pra boi abanar rabo? Que instala ali uma arejada área de lazer com churrasqueira, freezer, mesa de sinuca etc para receber e beber com os amigos? Nada disso. Até porque o Margá é um dos seres mais sovinas que já pisou a face da boa e velha Terra.
Margá consagra esse seu pequeno espaço de paraíso à Mamãe Natureza, faz dele um autêntico altar de adoração, um oratório à consciência verde cósmica e planetária. Margá cultiva em seus canteiros hortaliças das mais variadas, em especial, os chamados legumes. Margá é um expert no plantio de pepinos, cenouras, nabos, berinjelas e tudo o mais que for roliço e taludo. Botânico diletante, Margá se especializou no cultivo dos vegetais da ordem dos Falicoformes.
Volta e meia, com orgulho de produtor, Margá me envia fotos dos vegetais de sua horta, fotos de vigorosos e suculentos pepinos e de altivas e empertigadas cenouras. Tudo fresquinho, fresquíssimo, aliás; e colhidos na hora. E tudo orgânico e livre de agrotóxicos. Tudo. Margá não se utiliza de nenhum adubo ou fertilizante de origem industrial. É tudo na base do esterco de cavalo e, principalmente, do húmus de minhoca - Margá é aficcionado por um bom minhocuçu. Margá também, vez em quando, cultiva uns jilozinhos em seu minifúndio, mas como não é - nunca foi - grande apreciador da iguaria, o jilozinho, o Margá dá para a vizinhança.
Mas, como não podia deixar de ser, a grande (e grossa) vedete dos canteiros autossustentáveis do Margá, a sua menina dos olhos (do terceiro olho), é a sua, agora na iminência de ser internacionalmente conhecida, plantação de mandiocas.
É à mandioca que Margá, sem negligenciar os nabos e as berinjelas, tem maior apego e afeição. É na mandioca que Margá foca e concentra todos os seus esforços, é para ela que Margá direciona toda a sua erudição e o seu experimentalismo cartesiano de homem da ciência.
Há rumores, inclusive, de que o já antológico - e também tapiresco - discurso laudatório à mandioca feito por Dilma Roussef teria sido redigido por Margá a pedido do Planalto.
Há que tempos que Margá está à procura da mandioca perfeita. Margá planta a mandioca, faz a seleção dos melhores espécimes, realiza fecundação cruzada entre eles, promove a hibridação, a propagação vegetativa com vistas ao aprimoramento genético, faz enxertos - Margá se esquece da vida quando está a enxertar uma mandioca -, participa de fóruns na internet para trocar informações - Margá é chegadíssimo num troca-troca - com outros mandiocófilos etc etc.
Agora, tanto esforço, dedicação e, por que não dizer?, sacerdócio à mandioca foram recompensados. Margá não só aprimorou a mandioca tradicional, a Manihot esculenta, Margá criou uma nova espécie, Margá introduziu um novo táxon nos anais da Botânica.
E como cabe a todo bom pesquisador, Margá conteve a emoção da descoberta (não foi fácil) e concluiu também os detalhes técnicos e acadêmicos : descreveu, classificou e nomeou a nova espécie. Tudo de acordo e dentro dos mais ortodoxos conformes do sistema binomial de Lineu, um conjunto de regras que norteia a nomenclatura científica dos seres vivos, entre as quais a de que o nome deve ser composto por dois termos, o gênero e a espécie, e grafado obrigatoriamente em latim.
Margá, modesto e desprovido de vaidades, na nomeação da nova mandioca, não quis louros nem láureas para si, fez comovida homenagem ao amigo Fernandão, fonte de inspiração de seu trabalho e antigo companheiro de república e de quarto dos tempos da faculdade : ao valoroso e pujante tubérculo, Margá batizou de Manihot camolezii.
Para provar que não está a acochambrar dados, tampouco a promover alguma fraude científica, Margá me enviou a foto de um exemplar da Manihot camolezii. Um mimetismo impressionante. E, no e-mail, abaixo da foto ainda escreveu : ai, que saudades do Fernandão...
Eis o monstro, a Manihot camolezzi. É o que eu sempre digo : vira homem, Margá, vira homem!
terça-feira, 19 de abril de 2016
Mimetismos (21)
O que vocês veem na foto abaixo? Dois portentosos leões, certo?
Porra nenhuma! Duas gazelas! Gazelíssimas! Saltitantes veadinhos-campeiros em pele de leão! Um dos casos mais impressionantes de mimetismo jamais antes presenciado no reino animal.
Porra nenhuma! Duas gazelas! Gazelíssimas! Saltitantes veadinhos-campeiros em pele de leão! Um dos casos mais impressionantes de mimetismo jamais antes presenciado no reino animal.
Os dois "gosto muito de te ver leãozinho, de molhar minha juba" foram flagrados tentando o acasalamento na região de Kwando, em Botsuana. O registro foi feito pela fotógrafa Nicole Cambré, tarimbada especialista em vida animal.
De acordo com informações recebidas por Nicole de um guia local de safári, as duas princesas leões ficaram nessa putaria durante uma semana. Uma semana de bafo quente na nuca, de beijar pra trás, de te ver entrar no mar, tua pele, tua luz, tua juba, de estar perto de você e entrar numa.
Nicole relatou, estupefacta : "Esses machos expulsaram outros machos. As fêmeas seguiram para a região de Mopani. A única leoa que ficou não despertou interesse dos leões, o que nos leva a crer que ela esteja esperando filhotes. Foi a primeira vez que vi comportamento homossexual em leões".
Pãããããta que o pariu!!! Até tu, Natureza?
Será o aquecimento global? O efeito estufa? O buraco na camada de ozônio? A mudança na frequência do campo magnético do planeta?
Até tu, Seleção Natural, tomando mais o partido de Jean Wyllys que o do Jair Bolsonaro?
Frente a esse inédito e estarrecedor caso, visualizo uma única saída para o planeta : uma nova extinção em massa, passar a régua e recomeçar tudo do zero. A última grande extinção, a dos dinossauros, deu-se há 65 milhões de anos. Passou da hora de outra.
Uma catástrofe em escala global, por favor!!!
sexta-feira, 11 de março de 2016
Mimetismos (20)
Sério que essa eu jamais poderia ter imaginado : margarina sabor manteiga.
O ser humano está a se tornar cada vez mais fraco e covardão, cada vez mais artificial, mais fake. O cara adora o gosto da manteiga, do torresmo, da gordura a bordear o bife etc, morre de vontade de se lambuzar todo, sonha que está a comer tudo isso, mas está mais preocupadinho com o colesterol, com os triglicérides, com a barriguinha saliente do que em promover uma orgia em suas papilas gustativas, do que se lançar sem paraquedas nem rede proteção a uma gozosa ceia, do que enfiar o pé na cornucópia.
E aí, começa a viadagem em nome do politicamente correto, da estética do limpinho, da comida saudável. E aí, o bundão passa a comer só franguinho grelhado e esturricado, substitui o torresmo da pança do porco pelo torresmo de soja (sim, existe essa merda) e, agora, troca manteiga pela margarina sabor manteiga.
O ser humano moderno e politicamente correto não se arrisca, é um cuzão. Quer o prazer sem o risco inerente a ele. E nem se toca de que grande parte do prazer está justamente no risco que ele traz a reboque.
Valha-me Rei Roberto Carlos, tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.
O ser humano está se transformando em gente com sabor de androide, de manequim de vitrine de loja. O que anda em falta ultimamente é de gente com sabor de gente. Não tem mais. Já vem tudo light ou diet de fábrica. Já nascem todos sem sal nem açúcar.
Não me surpreenderei se, em breve, for lançada no mercado a buceta com sabor de cu!!!
Pãããããta que o pariu!!!!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
sábado, 27 de junho de 2015
Mimetismos (18)
Eis a mandioca tão saudada e aclamada por Dilma Rousseff. Um leitor do Marreta disse ter estranhado tal homenagem ao varonil tubérculo, pois, segundo ele, a nossa presidanta não tem cara de ser grande apreciadora da iguaria. Discordo dele. Acho que Dilma até que gosta muito da mandioca : a mandioca é que não gosta dela, ela é um verdadeira espanta-caralho, convenhamos.
Não tenho como certificar a informação, mas corre à boca miúda que o deputado Jean Wyllys manifestou seu apoio à presidanta e também saudou a mandioca : "Dilma fez muito bem em saudar a mandioca e deveria ter feito isso há mais tempo. Também faço o mesmo cotidianamente, mas hoje farei em público: olá, mandioca.”
E chega de mandioca!!!
Assinar:
Postagens (Atom)





























