quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Kakinho Big Dog

Quem gosta do humor genuinamente brasileiro, baixo, chulo, politicamente incorreto, não obstante muito inteligente, não pode continuar a não conhecer Kakinho Big Dog.
Músicas destaques: "a volta do Bráulio", "ataque epilético", "paixão de gaúcho", "cumpade osório", "capô de fusca", "pai toshiro", "zé gaguinho" ; procurem e baixem na net.
Só pra terem uma amostra, posto abaixo a letras de "ataque epiléptico"
Esse cara é uma marretada.


ATAQUE EPILÉPTICO

LÁ na festança tinha pinga tinha dança,
Saculejo di porpança, aprontei um escarcel.
E era cada muiézão, cada bitela,
Escolhi a melhor delas, piquei a mula pro motel.
Tomemo banho quente inté ficar vermeiu,
Ja cas calça nu joelho comessemo a se beijar.
Nóis se garrava chei de ansea e de malicia,
Doidim com a semergoissa com vontade de cruzar.

E parecia que eu possuia motor,
Miór qui firme pornô era minha evolução.
Eu fundava e desfundava com destreza,
Eu moiava a calabresa pra carcar no parmezão.
A muié gritava i rivirava os zói,
Babava q nem um boi, resmungando palavrão.
Tanto delirio, rala i rola no entra i sai.
Que nem abriu em cim em baixo puxa e vai.

(Refrão)

Eu feliz já me gabando, do meu desempenho atlético.
De amor me derretendo, mais a muié tava tendo,
Era um ataque epilético (2x)

E parecia que eu possuia motor,
Miór qui firme pornô era minha evolução.
Eu fundava e desfundava com destreza,
Eu moiava a calabresa pra carcar no parmezão.
A muié gritava i rivirava os zói,
Babava q nem um boi, resmungando palavrão.
Tanto delirio, rala i rola no entra i sai.
Que nem abriu em cim em baixo puxa e vai.

(Refrão)

Eu feliz já me gabando, do meu desempenho atlético.
De amor me derretendo, mais a muié tava tendo,
Era um ataque epilético (2x)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Saudades De Quando Os Robôs Eram De Lata

Ontem, longe de ser um de meus passeios preferidos, acabei por ir a um dos shoppings centers aqui da cidade. Sempre me entristeço com o gênero humano quando vou a esses lugares, mas ontem me entristeci mais.
Por conta do curto tempo de que eu dispunha para um compromisso que teria logo mais, acabei almoçando por lá, também.
A praça de alimentação estava atulhada de gente. Gente? De seres, gente, não sei.
Mesmo búfalos, gnus, girafas, zebras e outros "irracionais" conseguem ser mais organizados quando se reúnem à volta de um lago lamacento para beber.
Muitos desses seres (vou evitar chamá-los de gente daqui por diante), e garanto que não eram uma parcela inexpressiva da manada que ali se reunia, não se apercebiam do que acontecia em seu redor, isolados que estavam em seus aparelhos eletrônicos.
Raras as mesas onde duas ou mais pessoas conversavam ou, ainda que não conversassem, que apenas se alimentassem.
Esses seres alheios apresentavam um padrão básico: um laptop aberto à sua frente, um macqualquerbosta na boca, um fone de seus mp3, mp4, mpqp no ouvido e outro fone no outro ouvido, de seus celulares; uma mão no mouse do laptop e outra a se alternar entre segurar o sanduíche e verificar mensagens no telefone.
O rôbo do clássico Metropólis de Fritz Lang (foto acima) tem menos fios que esses seres que fiquei a observar ontem, imersos numa bolha virtual, em um mundo de catatonia e imbecilidade. Poderia passar a Angelina Jolie ao lado desses imbecis, que eles nem notariam.
Alguns brincavam com jogos em seus laptops, outros liam e-mails, outros consultavam coisas do trabalho.
E, desgraçadamente me ocorreu, alguns estivessem até "estudando", assistindo a "aulas" em seus laptops, esses cursos à distância que existem hoje em dia, talvez estivessem consumindo a imagem de um professor na tela juntamente com o macqualquerbosta.
Realmente não acredito nesses filmes de ficção que vaticinam um mundo onde as máquinas controlem humanos, mas vai ficar - já está - cada vez mais difícil saber onde começa um e termina o outro.
Chamem-me do que quiserem, mas eu me recuso a ser um professor virtual.
Nego-me a ser consumido juntamente - e no mesmo nível de importância - com um alimento
fastfood, com uma mensagem em mau português no celular e com uma música sertaneja no mp3.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Palavras Cruzadas

Agora, depois de velho, dei de apresentar a tal da ansiedade.
Frescura, viadagem, mesmo.
Mas fazer o quê?
A ansiedade vem da consciência (no meu caso) ou do saber instintivo (no caso da maioria) de que já se fez tudo o que tinha de ser feito, de que já deu sua cota à vida e que, apesar disso, ainda lhe restam muitos anos a serem vividos, que ainda vão lhe cobrar uma atividade, uma utilidade por muito tempo.
A ansiedade é provocada por essa procura do que ainda fazer, do que ainda ser. Quando não há mais nada, quando não há mais o quê. E é natural que assim seja, que não haja mais o quê. A ansiedade vem do homem em ser antinatural.
A ansiedade é deflagrada pela consciência do bicho que sabe do seu papel já cumprido, que sabe que já está a torrar mais oxigênio que o quinhão que lhe foi destinado.
Ansiedade é o sintoma manifesto pelo bicho que, em consciência de todo o supradito, só quer descansar, mas sabe que não irão deixá-lo.
Comprar e consumir exageradamente - seja comida, roupas, eletroeletrônicos e outros "teres" - não aplaca minha ansiedade, como é regra geral.
Prozac, Rivotril e outros ansiolíticos, ainda não os experimentei (li, dia desses, que o Rivotril é o remédio mais vendido hoje no Brasil, mais que aspirina, merthiolate, hipoglos, lacto-purga).
Maconha, outro ansiolítico, idem: ainda não a provei. Não por preconceito, não tenho nada contra droga nenhuma - salvas as religiões. É que, simplesmente, não me agrada a ideia de nenhuma espécie de fumaça a me invadir as ventas. Se houvesse maconha líquida, talvez já tivesse tomado uns goles.
Três ou quatro latinhas de cerveja - visto que o que ganho não chega para um bom Jack Daniels - têm contribuído para um sono menos entrecortado.
Mas o que funciona melhor para mim são as palavras cruzadas. Verdade.
Quando fico andando pra lá e pra cá, sem o que fazer, meio aflito, pego e vou preencher umas horizontais e umas verticais. Consigo me concentrar nas cruzadas em qualquer ambiente ou situação, em casa, na escola, em frente à televisão, com pessoas grasnando à volta, com cachorros latindo, com o barulho do trânsito.
Carrego-as, inclusive, ao banheiro. E fico ali, arriando, riscando a porcelana... e cruzadeando.
Mas são, as palavras cruzadas, uma droga como qualquer outra, doses cada vez maiores vão sendo requeridas. O cara começa com as do nível fácil, passa para o médio e assim por diante.
Há tempos que já me utilizo das que trazem a inscrição "Difícil" em sua embalagem, porém acho que estou sendo ludibriado, que estou a comprar "comprimidos de farinha", um placebo.
De qualquer forma, sempre aprendo algo novo ou, ao menos, lembro e reforço o que já conhecia; de qualquer forma, ainda está a fazer efeito.
As palavras cruzadas podem nem dar um "barato" feito essas fluoxetinas ou clonazepans da vida, mas são bem mais baratinhas.
E bem mais saudáveis.
Saudáveis? Sei lá.
Mas também quem aqui está atrás disso?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

José Saramago - O Fator Deus

Alguém já se tocou, além de nós, ateus, é claro, que não existe ateu burro?
Texto contundente de Saramago, a seguir:

O FATOR DEUS

Algures na Índia. Uma fila de peças de artilharia em posição. Atado à boca de cada uma delas há um homem. No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos, mas até a mais obtusa das imaginações poderá “ver” cabeças e troncos dispersos pelo campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, membros amputados. Os homens eram rebeldes. Algures em Angola. Dois soldados portugueses levantam pelos braços um negro que talvez não esteja morto, outro soldado empunha um machete e prepara-se para lhe separar a cabeça do corpo. Esta é a primeira fotografia. Na segunda, desta vez há uma segunda fotografia, a cabeça já foi cortada, está espetada num pau, e os soldados riem. O negro era um guerrilheiro. Algures em Israel. Enquanto alguns soldados israelitas imobilizam um palestino, outro militar parte-lhe à martelada os ossos da mão direita. O palestino tinha atirado pedras. Estados Unidos da América do Norte, cidade de Nova York. Dois aviões comerciais norte-americanos, seqüestrados por terroristas relacionados com o integrismo islâmico lançam-se contra as torres do World Trade Center e deitam-nas abaixo. Pelo mesmo processo um terceiro avião causa danos enormes no edifício do Pentágono, sede do poder bélico dos States. Os mortos, soterrados nos escombros, reduzidos a migalhas, volatilizados, contam-se por milhares.
As fotografias da Índia, de Angola e de Israel atiram-nos com o horror à cara, as vítimas são-nos mostradas no próprio instante da tortura, da agônica expectativa, da morte ignóbil. Em Nova York tudo pareceu irreal ao princípio, episódio repetido e sem novidade de mais uma catástrofe cinematográfica, realmente empolgante pelo grau de ilusão conseguido pelo engenheiro de efeitos especiais, mais limpo de estertores, de jorros de sangue, de carnes esmagadas, de ossos triturados, de merda. O horror, agachado como um animal imundo, esperou que saíssemos da estupefação para nos saltar à garganta. O horror disse pela primeira vez “aqui estou” quando aquelas pessoas saltaram para o vazio como se tivessem acabado de escolher uma morte que fosse sua. Agora o horror aparecerá a cada instante ao remover-se uma pedra, um pedaço de parede, uma chapa de alumínio retorcida, e será uma cabeça irreconhecível, um braço, uma perna, um abdômen desfeito, um tórax espalmado. Mas até mesmo isto é repetitivo e monótono, de certo modo já conhecido pelas imagens que nos chegaram daquele Ruanda-de-um-milhão-de-mortos, daquele Vietnã cozido a napalme, daquelas execuções em estádios cheios de gente, daqueles linchamentos e espancamentos daqueles soldados iraquianos sepultados vivos debaixo de toneladas de areia, daquelas bombas atômicas que arrasaram e calcinaram Hiroshima e Nagasaki, daqueles crematórios nazistas a vomitar cinzas, daqueles caminhões a despejar cadáveres como se de lixo se tratasse. De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus. Já foi dito que as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana. Ao menos em sinal de respeito pela vida, devíamos ter a coragem de proclamar em todas as circunstâncias esta verdade evidente e demonstrável, mas a maioria dos crentes de qualquer religião não só fingem ignorá-lo, como se levantam iracundos e intolerantes contra aqueles para quem Deus não é mais que um nome, o nome que, por medo de morrer, lhe pusemos um dia e que viria a travar-nos o passo para uma humanização real. Em troca prometeram-nos paraísos e ameaçaram-nos com infernos, tão falsos uns como os outros, insultos descarados a uma inteligência e a um sentido comum que tanto trabalho nos deram a criar. Disse Nietzsche que tudo seria permitido se Deus não existisse, e eu respondo que precisamente por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel. Durante séculos a Inquisição foi, ela também, como hoje os talebanes, uma organização terrorista que se dedicou a interpretar perversamente textos sagrados que deveriam merecer o respeito de quem neles dizia crer, um monstruoso conúbio pactuado entre a religião e o Estado contra a liberdade de consciência e contra o mais humano dos direitos: o direito a dizer não, o direito à heresia, o direito a escolher outra coisa, que isso só a palavra heresia significa.
E, contudo, Deus está inocente. Inocente como algo que não existe, que não existiu nem existirá nunca, inocente de haver criado um universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer os maiores crimes para logo virem justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória, enquanto os mortos se vão acumulando, estes das torres gêmeas de Nova York, e todos os outros que, em nome de um Deus tornado assassino pela vontade e pela ação dos homens, cobriram e teimam em cobrir de terror e sangue as páginas da história. Os deuses, acho eu, só existem no cérebro humano, prosperam ou definham dentro do mesmo universo que os inventou, mas o “fator deus”, esse, está presente na vida como se efetivamente fosse o dono e o senhor dela. Não é um Deus, mas o “fator Deus” o que se exibe nas notas de dólar e se mostra nos cartazes que pedem para a América (a dos Estados Unidos, e não a outra...) a bênção divina. E foi no “fator Deus” em que o Deus islâmico se transformou, que atirou contra as torres do World Trade Center os aviões da revolta contra os desprezos e da vingança contra as humilhações. Dir-se-á que um Deus andou a semear ventos e que outro Deus responde agora com tempestades. É possível, é mesmo certo. Mas não foram eles, pobres Deuses sem culpa, foi o “fator Deus”, esse que é terrivelmente igual em todos os seres humanos onde quer que estejam e seja qual for a religião que professem, esse que tem intoxicado o pensamento e aberto as portas às intolerâncias mais sórdidas, esse que não respeita senão aquilo em que manda crer, esse que depois de presumir ter feito da besta um homem acabou por fazer do homem uma besta.
Ao leitor crente (de qualquer crença...) que tenha conseguido suportar a repugnância que estas palavras provavelmente lhe inspiraram, não peço que se passe ao ateísmo de quem as escreveu. Simplesmente lhe rogo que compreenda, pelo sentimento de não poder ser pela razão, que, se há Deus, há só um Deus, e que, na sua relação com ele, o que menos importa é o nome que lhe ensinaram a dar. E que desconfie do “fator Deus”. Não faltam ao espírito humano inimigos, mas esse é um dos mais pertinazes e corrosivos. Como ficou demonstrado e desgraçadamente continuará a demonstrar-se.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

MULTIVERSO

NÃO É QUE TENHA DADO ERRADO;

SÓ NÃO DEU CERTO, SÓ ISSO.

PERSISTE A POSSIBILIDADE,

EXISTE AINDA UM PLANETA DESABITADO.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

AUGUSTO DOS ANJOS

Eu tenho algumas - muitas - invejas literárias, escritos que eu gostaria de ter escrito.
Entre elas, está esse soneto de Augusto dos Anjos, o poeta da putrefação.
Nessas 14 bem arquitetadas linhas, ele condensa a perfeita tradução da natureza humana.

VERSOS ÍNTIMOS
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

AGRIDOCE

AGRIDOCE 
(Pato Fu)
Por que você às vezes
Se faz de ruim?
Tenta me convencer
Que não mereço viver
Que não presto, enfim
Saio em segredo
Você nem vai notar
E assim sem despedida
Saio de sua vida
Tão espetacular
E ao chegar lá fora
Direi que fui embora
E que o mundo já pode se acabar
Pois tudo mais que existe
Só faz lembrar que o triste
Está em todo lugar
E quando acordo cedo
De uma noite sem sal
Sinto o gosto azedo
De uma vida doce
E amarga no final
Saio sem alarde
Sei que já vou tarde
Não tenho pressa
Nada a me esperar
Nenhuma novidade
As ruas da cidade
O mesmo velho mar.

O Professor-Gabiru

Há umas duas décadas, pouco mais, pouco menos, desconto dado à minha memória já não tão boa, ouvi dizer do Homem-gabiru.
Homem-gabiru é uma designação criada em Pernambuco por pesquisadores do Centro Josué de Castro: Tarsiana Portela, Daniel Amos e Zelito Passavante.
Esse homem seria o início do surgimento de uma possível subespécie humana, uma derivação do gênero ajustada a viver em condições extremas de miséria, adaptada a sobreviver com um gasto mínimo de energia.
A grosso modo, o homem-gabiru apresentaria um nanismo nutricional, estatura bem abaixo da média humana, atributo que lhe daria vantagens sobre os normais nessas regiões de alimento escasso, pois seu menor organismo requereria menor gasto energético.
Nessas regiões, seriam selecionados os indivíduos com esse nanismo, o que poderia levar à consolidação de uma derivação da espécie humana. Obviamente, o homem-gabiru também teria o intelecto bem reduzido em relação ao Homo Sapiens, no qual já não é grande coisa. O gabiru consome menos energia: menos energia, menor atividade cerebral, visto que cerca de 1/5 da energia consumida por nós é gasta pelo cérebro.
Não tenho ouvido falar muito do homem-gabiru ultimamente. O que não significa que ele não continue a existir, simplesmente não é mais noticiado. Mas, aparentemente, esses programas assistenciais do governo, essas esmolas eleitoreiras, deram uma barrada no processo de formação do homem-gabiru.
Mas se o homem-gabiru não existe como subespécie biológica, ele existe aos montes no aspecto comportamental do brasileiro, sobretudo no âmbito profissional.
Profissionais mal-formados é o que mais se vê hoje em dia. Desaculturados com diplomas.
Há médicos-gabiru, engenheiros-gabiru, administradores-gabiru, eletricistas-gabiru, encanadores-gabiru... o processo se alastrou por todas as áreas, em todos os niveis.
O mais perigoso dos gabirus: o professor-gabiru.
Um médico-gabiru, um engenheiro-gabiru, não necessariamente formam outros iguais.
O professor-gabiru, inevitavelmente, forma outros gabirus.
O professor-gabiru é aquele que não prepara sua aula, aquele fica conversando sobre a vida pessoal - dele e do aluno - ao invés do conteúdo que lhe cabe, aquele passa um filme para a classe sem nenhuma relação com o contexto, aquele que leva o aluno a passeios tão despropositados quanto, aquele que se faz de amigo do aluno para que esse desculpe sua inabilidade, aquele que se mete a ser psicólogo, conselheiro, assistente social e etc não por bondade, mas simplesmente porque não é capacitado nem para ser professor, é o professor que faz suas especializações em cursos de fim de semana, à distância, não-presenciais, é aquele que nem consegue se expressar num razoável português.
Mas ele nem é o mais perigoso.
O mais perigoso é o professor, os raros professores, que não é gabiru, mas que está desgraçadamente se dispondo a formar gabirus.
Esses professores tem sólida formação acadêmica, armanezam um grande cabedal de informações, são bem formados culturamente, sabem do valor do conhecimento obtido de modo árduo.
E apesar disso, de uns tempos para cá, tornaram-se divulgadores do conhecimento superficial, frugal, leviano, até. De uns tempos para cá, vêm renegando o estudo e conhecimento verdadeiro, os responsáveis por serem o que são.
Quem são esses não-gabirus formadores de gabirus? São aqueles que dão aulas nesses cursos à distância, são aqueles que pensam - talvez nem por maldade - que a grande massa é, como eles, capaz de estudar por conta própria, sendo dispensável a figura do professor, são aqueles que gravam suas aulas em vídeo, autênticos Cid-Moreiras da educação.
Se eles fossem também gabirus e formassem gabirus, estariam desculpados.
Não é o caso.
Execro aqui esse formadores de gabirus e sem medo de parecer saudosista. Até porque não ser saudosista não é aceitar toda e qualquer mudança dos tempos, se a mudança for para pior não é ser saudosista : é ter princípios, é não vendê-los por meros centavos.
Execro aqui esses Cid-Moreiras da educação.
Boa noite!

domingo, 9 de agosto de 2009

Professor É Burro, Sim

Por que é obrigatória a presença de um farmacêutico diplomado numa farmácia? Ainda que ela só venda remédios alopáticos e com receita? O farmacêutico não pode receitar, pode?
Por que, apesar da lei facultar ao cidadão o direito de se representar, a presença de um advogado é imprescíndivel num processo? Mesmo que seja uma briga de vizinhos banal?
Por que uma indústria que fabrique, digamos, xampú e que já o produza há muito tempo, que só repete infinitamente a mesma fórmula, precisa de um químico responsável para assinar a mesma velha fórmula de sempre? Sabemos que, na grande maioria dos casos, o químico apenas passa no fim do mês para receber o salário pela sua assinatura.
Por que uma simples e vulgar pet shop, ainda que só venda ração e ofereça serviços de tosa e banho, precisa ter um veterinário responsável?
Simples.
A resposta pra todas as perguntas, na verdade uma única, é : sobrevivência profissional.
Todas essas categorias citadas, e mais outras diversas, através de seus conselhos regionais, impõem-se pela lei.
Vão ocupando legalmente esses nichos. Todas as categorias profissionais impõem a sua presença, a sua "necessidade", ainda que pouco necessárias sejam. E elas estão certas. Se quer que sua profissão seja valorizada, você tem que ser o primeiro a afirmar categoricamente que ela tem valor. Mesmo que não tenha.
Mas existe uma categoria que faz exatamente o oposto.
Uma categoria que é a primeira a dizer que seus serviços são dispensáveis ou que podem ser feitos por qualquer um.
Uma categoria que comete, cada vez mais, suícidio profissional.
É a categoria dos PROFESSORES.
Professores, hoje, gravam aulas que serão passadas 0nline, simultaneamente, em diversas escolas. Escolas onde, em cada uma, deveria existir a presença de um outro profissional naquele momento. Mas não há. Há a tela.
E os que isso fazem dizem que são ótimos profissionais, que estão "antenados" com as novas tecnologias. Balela. São assassinos da categoria.
Professores, hoje, fazem seus cursos de especialização - complementação ou coisa que valha - à distância, em faculdades de "fim de semana", de qualidade mais que questionável.
Vai ser burro assim na puta que o pariu.
Quando um professor se torna aluno de um curso à distância, não-presencial, ele está sendo o primeiro a afirmar que a figura do professor não é importante no processo de aprendizagem.
É um tiro no pé, caralho!!!! (e no caralho, também).
Por isso digo, o que não me torna bem visto em meu ambiente de trabalho, que o professor merece tudo o que ele apanha. E mais: que apanha pouco.
Não podem : farmácia sem farmacêutico, xampú sem químico, tribunal sem advogado, pet shop sem veterinário...
Escola sem professor, pode. E com o aplauso dos mesmos.

Dizem que o professor é mal remunerado.
Discordo totalmente.
Qualquer que seja o salário pago à burrice, ele é sempre alto.

sábado, 8 de agosto de 2009

Caio Fernando Abreu

Escritor fantástico.
Quem não conhece deixou de ter ótimos momentos de leitura, tristes, amargos, sangrentos e, sobretudo, de uma tentativa indescritível de sobrevivência.
Dois endereços para leitura do autor:http://www.pensador.info/autor/Caio_Fernando_Abreu/; http://semamorsoaloucura.blogspot.com/2006/09/os-sobreviventes.html.

Algumas frases retiradas desses endereços:

"Acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraco para entrar."
"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra."
"Importante é a luz, mesmo quando consome. A cinza é mais digna que a matéria intacta".
"Tudo já passou e minha vida não passa de um ontem não resolvido"
"Tenho dias lindos, mesmo quietinhos"
"Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado"
"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva".
"Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem".
"Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."

E uma das minhas preferidas:

"Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo..."

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Lutador

O escuro da tela se desfaz sobre um mural de recortes de jornal.
A câmera segue uma única trajetória por sobre as notícias dos desenlaces dos combates, trajetória única com dois sentidos: crescente cronologicamente, 1987 a 1989, e descendente na extensão física do mural bem como no aspecto dos êxitos do lutador, do auge ao nocaute, e salta 20 anos, do mural para um vestiário e cai sobre as costas velhas e reumáticas de Randy "The Ram", o das fotos dos recortes dos jornais.
Lutador de luta livre, vertente de combate que teve sua expressão maior aqui no Brasil através do programa Telecatch, décadas de 60 e 70, nas Tvs Excelsior e Record, nas figuras de Ted Boy Marino, Verdugo, Fantomas e outros.
Eram aquelas lutas de "marmelada", coreografadas, resultados combinados nos vestiários. Os resultados eram combinados, os golpes ensaiados, porém os machucados, as torções, as contusões aconteciam de fato, eram verdadeiras. Não havia a verdade. Nem por isso não havia o desgaste.
Randy "The Ram" (Mickey Rourke) é um desses lutadores, um homem que viveu de encenar, foi um campeão de mentira há vinte anos, um arremedo da própria mentira no tempo atual.
Entope-se de analgésicos para encenar a si próprio um corpo ainda vigoroso, acreditar talvez que ainda suporte mais uns vinte anos. Vive mais de dar autógrafos e tirar fotos com fãs em convenções que de lutas propriamente, mas ainda se arrisca nos ringues, contando com o respeito e condescendência dos lutadores jovens.
Sobrevém um infarto após uma luta, dizendo ao homem que viveu de encenar que o espetáculo havia terminado, não haveria mais encenações, só mundo real. Volte a lutar e morra, foi o diagnóstico do médico.
The Ram mantém um único relacionamento próximo do que pode ser classificado como afetivo, com Cassidy (Marisa Tomei, em perfeitíssima forma), uma stripper. Uma stripper também é pura encenação, uma stripper, nos moldes daqueles bares americanos, dança sem ser uma bailarina e é uma puta que não transa com os clientes, oferece uma dança que não é dança e sugere um sexo que não vai acontecer, as passarelas acima dos balcões por onde desfilam e os postes por onde se esfregam são os seus ringues, seus combates encenados. Esse relacionamento é restrito aos limites do clube da stripper; não existem The Ram e Cassidy no mundo real.
The Ram – Robin, no mundo real, tenta: carregador de caixas em um depósito, atendente de balcão em uma delicatessen, podia até ter tentando ser professor.
Faz uma triste e melancólica tentativa de reaproximação da filha, não funciona, ele é inepto para o mundo real, a filha o rejeita. Procura Cassidy – Pamela fora do clube – em outra tentativa de um vínculo real, também é rejeitado.
Até que um cliente da delicatessen o reconhece no balcão, reconhece “The Ram” por detrás do avental, da touca para os cabelos, do crachá escrito Robin. O reconhecimento foi pior que o não-reconhecimento. Ser reconhecido e não ser mais o objeto do reconhecimento, ser uma caricatura da caricatura, um campeão de mentira fatiando frios num mercado qualquer. Ele soca a máquina fatiadora, corta a mão e sai espalhando seu sangue pelo mercado. Se era sangue que a realidade queria dele, acabava de conseguir. Pela última vez.
The Ram vai viver mais uma vez, nem que seja a derradeira, mas que seja como The Ram. Faz ligações, remarca lutas.
Puta arrependida, Pam/Cassidy, vai até The Ram, tentar impedi-lo. Mas já é tarde, não há mais Robin, nunca houve, só há Randy The Ram. Ela o segue até o local da luta e até o último momento, segundos antes da entrada dele pelo corredor que o levaria ao ringue, ela tenta.
Ele entra. E volta a viver. Luzes, cartazes com seu nome, gritos do público. E o principal: um puta sorriso na cara dele, ali ele existia. A morte perto disso é muito pouco, não assusta.
A luta começa, programada para ele ganhar, socos, pontapés, acrobacias, cadeiras se quebrando em cabeças. O adversário está “subjugado”, mas falta o gran finale, falta o golpe para finalizar a luta, o golpe que sempre foi sua marca registrada, ficar em pé num dos cantos do ringue, se lançar ao ar e cair com o cotovelo no peito do inimigo, o golpe “The Ram esmaga”.
Começa a sentir dores no peito, no entanto. Subir ao canto do ringue e se lançar poderá ser fatal, o público o impulsiona, alheio a sua dor, à sua impotência. Ele sobe. E antes de se lançar, olha uma última vez para o alto das arquibancadas, para a pequena porta por onde desceu ao ringue, ver se Pam/Cassidy estava lá, olhando, esperando por ele. Ela não estava.
Ele se lança ao ar.
E a tela volta a ficar escura.
The End.
Morreu? Nunca ficaremos sabendo.
E pouco importa.
Importa que o cara executou o seu “The Ram esmaga”
Importa que ele deu seu salto no vácuo com joelhada.
Um brinde de vodka-tônica aos que ainda saltam.

A Noite Será Devagar, Bukowski, é Claro

bem, aqui estou eu
de novo
ouvindo as boas e velhas
músicas
de novo,
sentindo tristeza,
a boa
tristeza
à moda antiga
em que as lágrimas
não chegam
a sair.
bom.
ouço mais um pouco.
a mente pode
consumir quantidades
mágicas de
memória
enquanto a noite se
desdobra
noite adentro,
enquanto outro charuto
é acesso,
como se pode ficar
terrivelmente amuado
quando velhas
músicas seguem-se
uma às
outras,
rostos são
lembradas,
rostos jovens,
como fatias novas de uma
maçã,
estão mortos
agora,
quase todos
eles
mortos
agora.
a aparente
beleza e
a aparente bravura,
se foram.
sentado aqui
permitindo que meus
melhores sentidos
sejam diluídos pela
melancolia,
um homem
velho,
lembrando
de novo,
olhando de cima
a baixo o bar imaginário
cheio de assentos
vazios,
pensando naquela
criança com os loucos
olhos
vermelhos
que sentava lá
enchendo o copo e
enchendo e enchendo e
enchendo
de novo
ao ponto da
imbecilidade,
agora lembrando,
ouvindo
de novo,
permitindo a idiotice
entrar
de novo,
somos todos
idiotas para sempre
idiotizados
para sempre.
alegremente.
agora.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

OS INOCENTES - Rubem fonseca

O mar tem jogado na praia pinguim
[tartaruga gigante, cação, cachalote.
Hoje: mulher nua.
Depilada pareceria enorme arraia podre.
Porém cabelos e pelos lembram animal
[da família do macaco;
corpo lilás de manchas claras mármores de carrara
[incha exposto;
sangue, tripas, ossos perderam calor e pudor;
olhos, lábios, boca, vagina: peixes devoraram.

Banhistas instalam barracas longe da coisa morta,
logo envolvida por enorme círculo de areia, indiferença,
[asco.

Policial limpa suor da testa, olha gaivota, céu azul.
Afinal, rabecão: corpo carregado.
Espaço branco vazio cercado
pelo colorido das barracas, lenços, biquínis, chapéus,
[toalhas,
por todos os lados.

Chega família:
"Olha, parece que reservaram lugar para nós".

quarta-feira, 29 de julho de 2009

CACILDIS !!!

Já faz quinze anos a morte do Mussum.
O famoso Mussum forévis.
Aliás, o Mussum não morreu, ele se pirulitou ("eu vou me pirulitazis", dizia quando a coisa ficava pretis)
O mais autêntico dos quatro Trapalhões; ele não encarnava um personagem, era ele mesmo.
Mangueirense, sambista (originais do samba, "vou dar um pau nas piranhas lá fora") e cachaceiro boa-praça.
Impossível não lembrar dele armando um fiado no bar, dando uma de pai de "santis", em dupla com Tião Macalé, sempre se dando mal nas apostas com Didi, vestido de Fantasma no quadro de super-heróis, no show de calouros apresentado pelo Dedé, dando pinga para amaciar a carne de um peru a ser abatido para o Natal e depois, ele e o peru bêbados, protegendo o bicho de ir para a panela, a justificar: 'se tocar um dedo no meu amigo, eu te mato... ele é do sindicatis...
"Quero morrer pretis se estiver mentindo" e "negão é seu passadis" eram outras de suas frases clássicas. Frases que arrepiariam até os cabelos do cu dessas afro-ONGs de hoje em dia, essas verdadeiras gestapos negras. Mas ele não tava nem aí pra cor ou raça, queria era fazer rir, o resto era bobagem.
Procurem no youtube por vídeos dele, destaques para "Mussum armando uma pindureta", "na fila do banho", "mussum tomando leite", a participação dele em "Trapalhões - Teresinha", uma paródia da música de Chico Buarque interpretada por Maria Bethânia, o Mussum era o segundo - o segundo me chegou, como quem chega do bar, trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar -, e finalmente "Dedé, Mussum e o companheiris peru", abaixo reproduzo parte do dialoguis do Mussum com o peru:
"Seu piruzis, o senhor é do sindicatis? Da rapaziada que vai à lutis? O senhor mata o bicho? O senhor sabe beber socialmentis? Então tá convidadis pra dar uma beiçada... Vai, vai cumpade, dá uma pancadis..."
Eu, de minha parte, estou aqui revendo esses vídeos e tomando umas geladis em honra a Mussum.
Aliás, geladis, não.
Tomemos um mé em homenagem a Mussum.
Como de fatis! 

domingo, 26 de julho de 2009

Besame Mucho

BESAME MUCHO é basicamente um filme de amigos, dos melhores e mais tocantes que já vi.
Daqueles amigões, que quem tem ou teve, ainda que estejam distantes hoje, sabe do que vou falar.
Besame Mucho (de Mário Prata) narra retroativamente a história de dois amigos, XICO e TUCA.
O filme começa em 1984, com a crise das relações dos dois casais: XICO (José Wilker) está se separando de OLGA (Glória Pires) e TUCA (Antônio Fagundes) está enlouquecido e broxa, ameaçando DINA (Crhistiane Torloni) com uma faca.
A partir desses fatos, a história passa a ser narrada do fim para o começo, retrocede de 1984 até 1968.
Primeiro vem o efeito e depois vão se descobrindo as causas.
XICO veio do interior para São Paulo e é escritor de sucesso. Só que seus livros são escritos por sua mulher OLGA, que também veio do interior, exilou-se em Paris em 1968 e criou reputação como socióloga.
TUCA é amigo de XICO desde a infância, permaneceu no interior como homem de negócios realizado e se casou com DINA, que escolheu ser esposa e mãe. Mas ela tem a cabeça cheia de ensinamentos religiosos e por isso vive as mais loucas fantasias sexuais na tentativa de conseguir gozar.
As relações desses casais são mostradas como um retorno no tempo, com passagem por baile de debutantes, colégio de freiras, concurso de Miss Brasil, PT, machismo e feminismo, Marilyn Monroe, AI-5, as lutas políticas de 1968, a revolução de 64, namoros nas noites interioranas de domingo, ejaculação precoce, campeonato de punheta, bolinação de peitinhos no cinema, bailes com orquestras e cuba-libre... Tem tudo o que todo mundo deveria ter tido e passado um dia.
Esse retorno mágico e realista no tempo, descreve a amizade entre dois homens—nascidos na mesma cidade do interior—que viveram a alegria dos anos 60, o desencanto dos anos 70 e a queda na real dos anos 80. Um retorno que, no final, chega às causas que fizeram dos personagens o que eles são: o namoro com as duas garotas, ingênuas e simples, ao som da música que dá nome ao filme.
Mas aqui vai um aviso:
se o assistir num daqueles dias em que está um pouco melancólico, saiba que irá chorar no fim/começo do filme, ainda mais se tiver tomado umas e outras, e será um choro desavergonhado, choro de homem.
Outro detalhe: é filme para ver sozinho, sem mulher ao lado; no máximo com um amigo.
Não! Sozinho é melhor. Se estiver com um amigo do calibre de Besame Mucho, o melhor é sair com ele, beber, rir, chorar, fazer planos, viver...
Para que outros filmes como Besame Mucho possam ser contados.

Um Castanho E Polvorento Pôr-De-Sol

Encontraram-se num crepúsculo marrom
Onde o cheiro da poluição
Pareceu, a ambos, instantes antes de se encontrarem,
Com cheiro de café em torrefação.
Talvez tal cheiro, percebido apenas pela memória dos dois,
Fosse prenúncio do encontro
(coincidência? Um alarme para que desviassem de seu caminho e evitassem o esbarrão?).

Não eram mais jovens
- ele já não podia ter sido assim classificado quando se conheceram -,
Reconheceram que o cheiro de café
Não era de origem atmosférica,
Reconheceram o cheiro do café um no outro.
A cor do café em vossos olhos:
Preto, amargo e ainda combativo nos olhos dela,
Um tom mais arrefecido, leitoso, quem sabe nublado por incipiente catarata, nos dele.

Abraçaram-se forte e tenazmente
Como sempre faziam quando conseguiam se encontrar,
O mesmo vigor no abraço ainda que mais de década houvesse transcorrido.
Abraço que foi tudo o que sempre se permitiram,
Abraço que sempre foi a linha divisória para tudo o que poderiam ter tido,
Abraço - que por isso mesmo - não podia ser mais que isso,
Ainda que naquele reencontro, e nem depois dele,
Abraço que não tinha mais tempo para evoluir.

Convidaram-se telepaticamente a ir tomar um café,
Sentaram-se a aspirar seus próprios cheiros saídos das fumegantes xícaras,
Sentaram-se a olhar um pro outro como antes faziam.
O olhar dele sempre se desviava antes do dela,
Uma derrota que ele nunca se importou em sofrer.
Ele sacou, sem aviso, uma barra de chocolate branco de sua aljava
(outra coincidência?)

E só, então, começaram a conversar.
E a reviver,
Uma vez mais e mais outra...
Puseram-se a reviver
Tudo aquilo que nunca haviam vivido.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

PESTE X deus

Ouvi, hoje, no matutino "Bom Dia São Paulo", das orientações da cúpula da igreja católica aos seus padres de como se comportarem frente à possibilidade da disseminação da Gripe Suína em suas paróquias.
Uma orientação é que os fiés, ungidos em plenitude pelo espírito cristão, não mais se deem as mãos a certa altura lá do ritual deles.
Belo exemplo de solidariedade cristã. Frente à adversidade, frente ao apocalipse ou, pelo menos, a um de seus cavaleiros, a Peste no caso, não dê a mão a seu irmão, recomenda a santa igreja, retire seu apoio fraternal.
A segunda orientação é para que o padre não mais ponha a hóstia diretamente à boca de sua ovelha que atravessa o vale das sombras, para que não se contamine através da saliva.
Outra exemplar demonstração de fé e confiança em seu deus.
Eu, particularmente, também temo a boca católica, abundante de peçonha e maledicência, mas será que um deus tão justo e bondoso não é capaz de proteger os seus sacerdotes da Peste? Ainda mais quando desses nos exercícios de suas sagradas funções?
Ou será que o problema está nos sacerdotes, que não têm a crença suficientemente arraigada de que seu deus possa protegê-los?
Fé fraca ou deus fraco?
Ambos, é a minha resposta.
E todos agem de maneira a confirmar a minha resposta.
Mas ninguém sequer se apercebe disso.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Gosto Do Pato Fu

TUDO VAI FICAR BEM
(John Ulhoa / Andrea Echeverry)
Sei que tudo vai ficar bem
Só não sei se vou ficar também

Eu faço tanta coisa
Pro mundo melhorar
Eu faço de um tudo
Que posso pra ajudar

Eu distribuo amor
Eu curo solidão
Mas peço por favor
Alguém me dê a mão

Sé que todo va a estar bien
Lo qué no sé es se sobreviviré
Sé que todo va a estar bien
Lo qué no sé es se yo me salvaré

Estoy comprometida
El mundo hay que cambiar
Y en esta corta vida
El verbo es ayudar

Yo distribuyo amor
Con toda soledá
Y pido por favor
Que mi tengan piedad

A vida da trabalho
Se lo digo señor
Eu digo pra senhora
La muerte es un horror

Eu luto só por paz
Ajudo meu irmão
Mas sinto que o destino
Quer me jogar no chão

Sé que todo va a estar bien
Lo qué no sé es se sobreviviré
Sé que todo va a estar bien
Lo qué no sé es se yo me salvaré

Sei que tudo vai ficar bem
Só não sei se vou ficar também

Minha Rendição A Morpheus

Os Sonhos, e aqui digo dos que temos quando acordados, são realidades alternativas, estradas vicinais, rotas de fuga, dimensões paralelas, sim!
São tudo isso. E também são o que dá solidez à estrutura da realidade.
A realidade desmoronaria em escombros não fossem esses Sonhos de olhos despertos.
Os Sonhos de pupilas arregaladas são as babás, são as amas-de-leite da realidade; são nossas usinas de força, nossas pequenas hidrelétricas.
Ótimo seria - isso é consenso geral - os Sonhos tornarem-se realidade.
Eu nunca tive a menor simpatia pelo consenso geral, pelo senso comum.
E não seria essa a primeira vez.
Pobres e ilusos meninos são os Sonhos recém-nascidos que almejam, um dia, serem promovidos à realidade (esses moços, pobres moços, ah se soubessem o que eu sei).
Se um Sonho converter-se em realidade, outro Sonho deverá ocupar o seu posto;
Se um Sonho se transubstanciar em realidade, outras usinas de força terão de ser construídas, outros terrenos serão alagados para novas hidrelétricas;
Se um Sonho se cristalizar em realidade, uma outra ama-de-leite, a toque de caixa, terá de ser providenciada, e a cujos peitos iremos ter que nos adaptar.
E eu gosto tanto do meu Sonho atual...
Nunca gostei tanto assim de outro!
Não quero os peitos de outra ama-de-leite!
Logo, esforçarei-me em me afeiçoar à minha realidade, farei o máximo para mantê-la exatamente como está.
Sustentarei minha realidade:
Para sustentar meu Sonho.

(até porque não são apenas cidades encantadas que Morpheus gosta de comprar; Ele igualmente se apraz em adquirir dias passados à beira de lagos)

terça-feira, 21 de julho de 2009

domingo, 19 de julho de 2009

SATÉLITE

Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.
Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.
Mas tão-somente
Satélite.
Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!
Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite.

(Manuel Bandeira)

sábado, 18 de julho de 2009

Nós, Universos Enevoados

Quando dois mundos tão diversos,  
Tão distintos, tão distantes no multiverso,  
Colidem,  
Se agradam, se afobam,  
Se afagam, se agridem,  
Há estragos em ambos os lados.

Mas, invariavelmente, um e apenas um
 
- taxadamente o mais infeliz –  
É arrancado de sua órbita.

Para o outro,
 
Os dias e as noites rotacionam  
E se sucedem  
Sem a menor diferença.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O Corvo Sou Eu, Seu Vizinho

Excerto de "O despertar dos mágicos", de louis pawel e jacques bergier:
"Descobrir outro mundo, diz ele, não é apenas um facto imaginário. Pode acontecer aos homens. Aos animais também.
Por vezes, as fronteiras resvalam ou interpenetram-se: basta estar presente nesse momento. Vi o facto acontecer a um corvo. Esse corvo é meu vizinho: nunca lhe fiz mal algum, mas ele tem o
cuidado de se conservar no cimo das árvores, de voar alto e de evitar a humanidade. O seu mundo principia onde a minha vista acaba. Ora, uma manhã, os nossos campos estavam mergulhados num nevoeiro extraordinariamente espesso, e eu dirigia-me às apalpadelas para a estação. Bruscamente, à altura dos meus olhos, surgiram duas asas negras, imensas, precedidas
por um bico gigantesco, e tudo isto passou como um raio, soltando um grito de terror tal que eu faço votos para que nunca mais oiça coisa semelhante. Esse grito perseguiu-me durante toda a tarde. Cheguei a consultar o espelho, perguntando a mim próprio o que teria eu de tão
revoltante...
"Acabei por perceber. A fronteira entre os nossos dois mundos resvalara, devido ao nevoeiro. Aquele corvo, que supunha voar à altitude habitual, vira de súbito um espectáculo espantoso,
contrário, para ele, às leis da natureza. Vira um homem caminhar no espaço, mesmo no centro do mundo dos corvos.
Deparara com a manifestação de estranheza mais completa que um corvo pode conceber: um homem voador. . .
"Agora, quando me vê, lá do alto, solta pequenos gritos, e reconheço nesses gritos a incerteza de um espírito cujo universo foi abalado.
Já não é, nunca mais será como os outros corvos..."

A Democracia E O Bonde Do Capeta

O texto abaixo pode conter erros relacionados a certos fatos históricos (ao menos à versão oficial deles) ou, no mínimo, pequenas distorções desses fatos. Distorções feitas para corroborar minha opinião sobre o dito.
Esse não é um blog de opiniões, é um blog de opinião: a minha.
Ei-lo:
1984: fim da ditadura, advento da democracia, no Brasil.
Outra mudança artificial de regime de governo do país. Artificial, sim. Nunca houve, nesse país, uma mudança de regime por insatisfação popular, por pressão legítima das massas.
(E, por favor, não me venham dizer do movimento registrado como “Diretas Já”, basicamente uma pseudoelitizinha de pseudointelectuais composta por meia dúzia de cantores de violões capengas e fanhosas vozes e outra meia dúzia de artistas peitudas a berrar do alto de um palanque embandeirado. Pobre do país que tem cantores e atrizes como defensores)
As mudanças de regime, no Brasil, sempre se deram através de acordos escusos, sempre foram decididas nos bastidores, com a chancela das elites, sempre o comando sendo passado em revezamento de uma elite a outra; monarquistas, inconfidentes, escravocratas, abolicionistas, republicanos, ditadores, democratas, neoliberais, todos se encontram pra beber juntos quando não há uma câmera de TV por perto.
Todas as transições de regime foram praticadas na base da “canetada”. O Brasil é, entre outras desgraças, o país da canetada, do acordo, do deixa-disso.
O povão mesmo – aquele da boca banguela, da cachaça e do pagode, da fila dos postos de saúde, da sopa e da previdência social -, esse nunca se revoltou contra nada, nunca se rebelou, nunca sequer cogitou pegar em armas, nunca mudou ou pressionou para que se mudasse regime algum, até porque nunca entendeu sob que tipo de regime vive ou viveu. O povão, a grossa massa nunca legitimou porra nenhuma nesse país.
É óbvio que não!
Para haver revolta é preciso haver conscientização da situação lastimável em que vivem, para a conscientização é necessário se educar e, consequentemente, estudar. Só passar fome não resolve, só passar fome não faz ninguém se rebelar, a gente se acostuma a tudo, até à fome. É preciso ser educado (não confundir educado com cortês, cordial, cordeiro) para se rebelar.
Mas aí é que a coisa emperra e sempre emperrou. Educar-se é trabalhoso em demasia para a indolência inata ao brasileiro.
Se o povo não estuda, não se educa; se não se educa não se apercebe da necessidade da mudança; se não luta pela mudança, se não sofre por ela, não é capaz de entendê-la quando ela ocorre.
Essa, eu acho, é, e sempre foi, a grande sacada das elites brasileiras (aliás, sinceras palmas para elas): “dão”, na base da canetada, as mudanças ao povão antes que esse sinta a real necessidade delas. Assim, o povo, sem ser capaz de compreendê-las, fica feliz em saber que alguém mudou as coisas por ele, fica feliz em saber que tudo mudou, que as coisas agora vão melhorar. E tudo continua sempre igual.
Foi assim com a Independência (alguém conhece outro caso no mundo onde o próprio conquistador tenha feito a libertação da colônia?), com a abolição da escravidão (uma branca fez a abolição; e alguém acha mesmo que a bichona do Zumbi fez alguma diferença? Ele queria era um lugar sossegado para montar seu bloco afro, seu olodum), com a Proclamação da República (descendentes de D. Pedro moram confortavelmente em Petrópolis e recebem “salário” por seu pedegree), com o Estado Novo, com o fim do Estado Novo, com as “forças ocultas”, com a ditadura militar (não à toa, o “golpe” se deu em 1º de abril), com o fim da ditadura, o início da democracia.
A democracia, mais uma vez, foi dada de presente, caritosamente, ao povo brasileiro, na figura simpática do velhinho Tancredo, já perto de “bater as botas”, a democracia começou como uma puta que casa com um velho contando com a morte rápida dele.
E o povo, como mais uma vez não lutou por ela, nem sabia se a queria, de novo não entendeu a mudança. Simplificaram para o povo: antes você não podia nada, agora liberou geral, você pode tudo. Então o povo entendeu e riu se riso de hiena.
Houve a transição de um extremo ao outro sem que houvesse uma preparação para tal. Os limites foram derrubados do dia para a noite ou, melhor, da noite para o dia, que é a hora em que tudo acontece por aqui, nas caladas.
E democracia pode até ser muito bom lá pro Suíço, pro Dinamarquês, pro Norueguês, pra povo educado. Para bestas-feras, democracia dá em baderna.
Ainda não suficiente, em 1988, na figura de outro velhinho, veio a malfadada Constituinte, dando cria a uma Constituição permissiva, cheia de brechas legais, dizem que escorada na Declaração dos Direitos Humanos (e como errar é humano, é uma constituição que protege sempre o errado), uma constituição que torna efetivamente impossível alguém ser honesto sem se sentir um otário.
Não bastasse, vieram depois os suprapermissivos estatutos especiais. Ora, porra, se é uma constituição igualitária, não há necessidade de estatutos especiais. Mas eles vieram: do índio, do idoso, do negro, logo, logo, o do viado e, o pior deles, o Estatuto da Criança e Adolescente, a desgraça do ECA, elaborado por sociólogos, assistentes sociais, pedagogos, psicológos, educadores, acho que até a CNBB deu seus palpites.
Esse tal ECA (olha aí o país da piada pronta) tornou cada adolescente simplesmente INIMPUTÁVEL, blindado à ação da lei. De um pretenso escudo, o ECA tornou-se em arma atômica na mão do adolescente. Mas o adolescente também tem deveres..., dizem os defensores do ECA, os “pais” do ECA, defendendo seu estatuto como esse defende o mau adolescente; o ECA é bom, continuam eles, o que ocorre é que muitas vezes é que ele é mal interpretado pelos juristas. De novo, defendendo o estatuto do qual foram os geradores, como a mãe que defende o seu “santinho” que, por exemplo, pôs fogo na cortina da escola, dizendo que a culpa foi da cortina por estar ali.
Pois bem, defensores dos direitos humanos, sociólogos, CNBB, pedagogos, psicólogos, assistentes sociais e que tais, aí está o Bonde do Capeta.
O Bonde do Capeta é a mais perfeita tradução do ECA, é a melhor interpretação do ECA que jamais um jurista poderia dar.
Meus sinceros parabéns! Vocês finalmente conseguiram o que vieram preparando nessas duas últimas décadas, vossa cria veio à luz, doutores Franksteins.
Mais: o Bonde do Capeta tem legitimidade. Seus integrantes se sentem incomodados, sentem a necessidade de mudar o que lhes incomoda, vão lá e mudam. E dentro da lei, caríssimos! Dentro da mais absoluta conformidade do ECA e de seus idealizadores já listados acima.
O Brasil é, entre outras desgraças, o país onde as leis “pegam” ou “não pegam”. O ECA pegou.
E eu, como cidadão cumpridor das leis, só tenho a festejar o Bonde do Capeta. Até porque não sou loiro, estou longe de ser bonito, não ando nem nunca andei com roupinhas da moda e tampouco sou ou fui estudioso, CDF.
O Bonde do Capeta é só o começo, discíspulos de Piagets, Skinners, Freires e outros blá-blá-blás. Que o Bonde caia sobre vossas cabeças e que não lhes seja leve. Se eu fosse adolescente hoje e pudesse arrancar escalpos impunemente, certamente eu o faria; teria muitos escalpos para arrancar, uma lista deles. A começar pelos dos senhores.
Vivas ao ECA.
Longa vida ao Bonde do Capeta.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Michael Jackson No Céu

O Michael Jackson chegou ao céu, procurou São Pedro e foi logo perguntando:
"Cadê o menino-jesus, cadê o menino-jesus?"

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vejam Por Que Eu Execro O Futebol

Além de ser ateu, eu também não acredito em futebol.
Sabendo disso, as pessoas vivem a me perguntar por que eu não gosto de futebol.
Primeiro que o futebol, na minha imodesta opinião, é a atividade que mais reaproxima o ser humano da época em que ele vivia pendurado em árvores pelo rabo. Topo das árvores de onde, inclusive, de novo na minha nada humilde opinião, ele nunca deveria ter descido. Mas já que desceu, não regridamos, vamos em frente ver onde vai dar essa merda toda.
Dizem, uns "estudiosos" do comportamento humano, que o esporte é um substituto civilizado para o instinto de competição, que domamos nosso instinto selvagem e o convertemos em certames esportivos.
Pois eu digo: à merda com esses teóricos de merda. Só admito três tipos de competição como naturais: alimento, território e buceta.
Vinte e dois animais disputando um pedaço de couro inflado é patético, sem dizer dos milhões que ficam urrando conforme a bola troca de pés.
E ainda me perguntam por que eu não gosto de futebol.
Depois descem todos cheirando à jaula para os vestiários, onde um vai ficar vendo o outro ensaboar o pinto. Não dá, sinceramente.
E que sentido faz, por exemplo, um pai de família sair à janela e gritar: "Chupa, porco filho da puta", quando o São Paulo ou coisa que o valha faz um gol contra o Palmeiras, isso na frente da esposa, filhos, avós e etc. Deprimente.
E brigar pelos jogadores do time?
" 'Cê, viu? Meu time comprou fulano por tantos milhões".
Quem ganhou os milhões, puta que o pariu, foi o fulano, não foi o torcedor. E o cara vibra com isso.
Não sei se essa expressão foi cunhada pelo Lobão, mas foi dele que ouvi a primeira vez: "isso é gozar com o pau do outro"
E os rojões? Não basta ao fascismo do torcedor aporrinhar a mulher e uns poucos vizinhos com sua demência, ele tem que soltar rojões para incomodar o maior número de pessoas possível.
E se é decisão de campeonato lhe convém espalhar o caos pelas ruas, parando trânsito e desfilando com bandeiras penduradas no carro, pondo a cabeça para fora e beijando a camisa.
É comum nos locais de trabalho, funcionários discutindo qual a melhor escalação para o time, para a seleção. Por que não discutem qual seria a melhor escola e maneira de educar os filhos? Até para que não sejam uns doentes como eles?
Um fanatismo de dar nojo.
Segundo que esse fanatismo é tal e qual o religioso, aí me dá mais asco ainda.
O cara tem o time de "coração" dele, embora ninguém do time saiba quem o infeliz seja; o beato tem o santo de "devoção"; idolatram-se jogadores como idolatram santos.
Um cara durante um jogo "importante" exibe o mesmo semblante que um religioso fervoroso, um semblante de transe, por onde não passa pensamento sequer.
Um campeão do mundo vira deus.
Um jogador erguendo a troféu é idêntico ao padre que ergue a taça com o "sangue" de cristo; os coroinhas e "ministros" da igreja são os gandulas e os bandeirinhas.
Sem contar que pagar milhões a um retardado semianalfabeto é enraizar ainda mais o descaso do brasileiro pela cultura, pela educação. E se não quiserem que eu os mande tomar nos vossos cus, não venham dizer que futebol é "cultura" popular.
Mas se tudo o que disse ainda não justifica para a maioria eu detestar o tal futebol, a foto abaixo é definitiva e categórica. Por isso, eu não gosto de futebol:

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fodam-se A Clorofila E O Viço Das Paixões

Candidíase, caspa
Gorgonzola e psicodelia.
Embolorem-me,
Banqueteiem-se-me,
Decomponham-me, fungos.

Morreu Quem ?

Ouvi dizer que morreu o tal Michael Jackson (nem sei se é assim que se escreve).
Mas, falando sério, que porra foi Michael Jackson?
Um demente que rebolava num palco e a cada 5 minutos dava uma ajeitada no saco?
Morreu?
Posso passar sem.
Tranquilamente.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Feira Do Livro (Primeira Visita)

Admito que não estava no melhor dos ânimos nessa minha primeira visita à Feira do Livro, evento que é parte da comemoração pelo aniversário da cidade. 
Posso estar sendo chato, intransigente e tudo o mais que quiserem dizer, mas feira do livro deveria ser para quem gosta de ler, para quem gosta de livro. 
Explico: quem vai a um estádio ou liga a TV para ver futebol? Quem gosta de futebol, óbvio. Mesma coisa para algum imbecil que entra numa igreja, ele vai lá porque gosta de rezar, sei lá, e por aí vai. 
Pois bem. O que menos tenho visto nessas 5 ou 6 últimas feiras do livro são leitores. 
A feira virou um evento social, um ponto de encontro para todo o tipo de pessoa que se possa imaginar, sobretudo as ruins. 
Aquilo estava atulhado de adolescentes semianalfabetos, com suas roupas caindo pelas bundas, seus bonés detestáveis, seus celulares barulhentos e seus vocabulários de 15 palavras. 
Um ambiente que era para ter ares intelectuais acaba ficando refém dessa turba, dessa ralé. "Manos" e "cachorras", bandidos e biscates a mostrar peitos, bundas e rabos já cansados pelo uso, isso sim. Atravancando a passagem de quem queira verdadeiramente ver livros, inibindo com sua aparência marginal, com seus modos bárbaros. 
Sem contar com as "visitas" das escolas, aquelas crianças levadas pelas "tias", velhas paquidérmicas com seus bundões nos bancos, a comer algodão-doce, falando mal dos maridos, berrando em seus celulares, reclamando que o governo paga pouco, nem aí para os alunos, soltos feito uma horda de pequenos demônios. Todos numa atividade cultural da mais alta estirpe. Todos um bando de filhos das putas a matar aula. 
Levar "estudante" à feira do livro... que absurdo! 
Volto a dizer: feira do livro tinha que ser para quem lê, para quem gosta de ler, para quem sabe ler. E isso exclui o que se chama hoje de "estudante". 
Passei bem rápido pelas barracas de livros; 50% das barracas são de livros infantis, 30% ligadas a alguma religião e quase todo o resto de grandes livrarias, que não barateiam em nada seus preços. Poucas opções de livro barato. Acabei comprando um. 
A feira dura ainda mais de uma semana, talvez indo lá com mais tempo para garimpar eu encontre outras opções. 
Mas não sei se terei vontade de voltar lá. 
A leitura é mesmo um hábito solitário. 
Ainda bem.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Gripe Suína

O vírus da gripe suína,
Ouvi dizer,
Pode ter sido criado em laboratório.

"Que filhos da puta", pensei eu.

No México,
Ouvi também dizer,
Missas e jogos de futebol têm sido cancelados em função de.

Começo a simpatizar com esses filhos da puta...