sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Silêncio Dos Nada Inocentes

Vi ontem as chamadas para o início da sétima temporada da série "House M.D.", em outubro, provavelmente a última. Pelo visto, o foco será o romance entre House e Cuddy, tudo indica que o tom piegas e água-com-acúçar será o eixo da nova temporada, rumo já tomado na sexta temporada, em oposição à atmosfera cáustica, sardônica, asfixiante e corrosiva das temporadas iniciais.
Eu fiquei puto com a "humanização" do personagem na temporada anterior. Mas chega uma hora em que os rebeldes como House têm o direito de capitular, de jogarem a toalha e abandonar o ringue, têm o direito de ceder ao cansaço e parar de brigar contra o mundo, mesmo sob o risco de parecer que foram derrotados, que aderiram à moral comum ou que foram cooptados, certo?
Errado. Por dois básicos motivos.
Caras como Gregory House, e tive a sorte de conhecer dois durante minha vida, não têm o direito de rendição; aos Houses, não é dado o privilégio de abandonar a luta, é sua maldição, seu ônus por serem superiores. Depois, os Houses são altruístas e magnânimos, eles não brigam contra o mundo como pode sugerir uma análise superficial e leviana, eles brigam pelo mundo, em favor do. São grosseiros, petulantes, é fato, porém suas agressões têm caráter educativo, têm por objetivo dar uma sacudida e acordar o mundo de seu estado de burrice e idiotia, seus ataques se prestam a despertar as pessoas de seus torpores, de suas faltas de senso crítico frente à vida. Mas o mundo não quer ser acordado, não quer ser tirado de sua sedação, pensar causa sofrimento e passar a vida sem dor é bem mais desejável.
E é quando percebem que não vale a pena tentar despertar as pessoas, que elas não merecem que se brigue por elas, é que os Houses aparentemente se rendem.
Aparentemente.
É justamente a partir daí que os Houses começam a brigar contra o mundo, é a partir daí que eles começam a se vingar, na sua aparente rendição. Suas armas, o silêncio, a indiferença, o descaso. O rebelde briga contra o mundo ficando quieto, deixando o mundo confortável em sua ignorância, em sua desorganização, em sua falta de método.
Foi isso que Gregory House começou a proceder em sua sexta temporada, deixou de se importar com o alheio, passou a se preocupar consigo próprio. House não capitulou, ele apenas começou a se vingar.
Alguém já disse que as sereias têm uma arma ainda mais terrível que seu canto, o seu silêncio. Igualmente, o silêncio de House se revelará a sua mais terrível arma.
Quem dera eu conseguisse torná-lo minha mais destrutiva arma, também; quem dera eu conseguisse ficar calado.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tudo Quanto É Puta Vem Pra Cá

Não se têm notícias - ao menos a mim elas não chegam - de cientistas, pesquisadores, prêmios Nobel, literatos, que venham se radicar no Brasil, por terem maior reconhecimento aqui que em seus territórios natais.
Em contrapartida, puta e bandido vêm tudo montar acampamento por aqui, se dizem bem acolhidos e reconhecidos em terras tupiniquins. Ronald Biggs é um exemplo clássico disso, o cara é considerado o maior bandido do século passado na Inglaterra; aqui o cara era até atração turística, levava vida de star e teve um filho que encheu muito o nosso saco sendo integrante do grupo Balão Mágico, uma das grandes aberrações da MPB.
Agora é a vez da tal Larissa Riquelme. Quem é essa puta? Tudo bem que ela seja muito da gostosa e etc, mas e daí? Uma puta paraguaia que surgiu torcendo para a seleção guarani na copa de 2010 e já a caminho do esquecimento em seu próprio país. Aí vem a playboy e alça a biscate à condição de musa, musa do caralho, isso sim. Faz uma revista com fotos 3D da moça.
A puta, vendo que o negócio aqui é muito mais fácil que no Paraguai (vejam só), agradece à playboy e diz que fixará residência no Brasil, em consideração ao carinho dos fãs. Que fãs? Um bando de punheteiros tocadores de vuvuzela.
A biscate disse, ainda, que mostrar o bucetão 3D para as câmeras foi a coisa mais difícil que já fez, tadinha dela; aliás, hoje em dia, mostrar o bucetão, posar pelada, chama-se ensaio fotográfico.
Não é de hoje que o Brasil importa contrabando do Paraguai, eletrônicos, perfumes, cigarros e whisky, principalmente. Agora estamos importando putas paraguaias, como se nossa produção já não fosse suficiente.

Ainda Me Pedes Um Sonho, Criança?

Os Sonhos são precipícios fendidos por nossos próprios cascos;
Os sonhadores, uns idiotas;
E os objetos dos sonhos, pela força que lhes é atribuída,
Portam-se comumente como canalhas.

Sonhar ou ser sonhado,
Idiota ou canalha?
Não há outros papéis no Teatro das Ilusões.

De minha parte, nunca neguei meu mau-caratismo congênito.
E tu, criança? Ainda me pedes um sonho?
Ainda anseias em ser irradiada pela luz de meu rubi?
Ainda desejas ser assombrada pelo espectro de meu elmo?
Queres mesmo que eu te lance aos olhos
Um punhado de minha areia?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tal Pai, Tal filho

Ou filho de peixe, peixinho é; ou quem sai aos seus não degenera.
Essa é muito boa, o pai de Mel Gibson, Hutton Gibson, 91 anos, declara que metade do Vaticano, incluso o Papa, é homossexual.
Eu também acho que o Papa queima a hóstia.
Nazista que foi/é, segue os costumes dos altos escalões da Gestapo, onde, de tão superiores que se achavam, inclusive às mulheres, só tinham tesão por eles mesmos, pela raça pura, e o troca-troca rolava direto. Heil, Hitler e a pistola Mauser entrava, Heil, Hitler e a Mauser saía, e era Heil Hitler o dia inteiro.
Excelente, essa família Gibson. Reportagem abaixo.


"Pai de Mel Gibson diz que Papa Bento 16 é homossexual"

O pai do ator Mel Gibson, Hutton Gibson, 91, disse em entrevista à uma rádio norte-americana que acredita que "metade do Vaticano", incluindo o Papa Bento 16, seja homossexual.
Na gravação, obtida pelo site especializado em celebridades TMZ, o pai do ator respondia perguntas sobre a Igreja católica.
"Eles não querem [lidar com assuntos como a homossexualidade] por que metade das pessoas do Vaticano são 'bichas'", disse Gibson.
Em seguida, o entrevistador lhe perguntou se isso também incluia o Papa Bento 16. "Com certeza. Por que mais ele adiaria isso?", afirmou. "Ele está fugindo", completou.

A CETESB Garante

Agosto passado foi o segundo mês mais seco na cidade de São Paulo desde os anos 1940. Além dos evidentes prejuízos à saúde respiratória causados pela baixa taxa de vapor d'água no ar, a falta de chuvas agrava também o problema da poluição nos grandes centros, uma vez que as precipitações "limpam" a atmosfera das mais variadas partículas em suspensão, pondo enxurrada abaixo a poeira, poluentes e até vírus.
Agosto foi o segundo mês mais seco desde 1940. Apesar disso, misteriosamente, os boletins da CETESB sobre a qualidade do ar tranquilizavam a população; segundo esse órgão, a qualidade do ar se manteve dentro dos padrões legais aceitáveis. A questão : dentro dos padrões de quem? Dos padrões da CETESB, bem mais lassos e permissivos que os da Organização Mundial da Sáude (OMS); o índice de poeira, por exemplo, é de 50 microgramas/m para a CETESB, contra os 20 microgramas/m da OMS. Nós, brasileiros, podemos respirar aproximadamente 3 vezes mais detritos que os americanos, os japoneses e os europeus. Será que alguma pesquisa médica feita no Brasil verificou que somos tão mais resistentes assim?
E essa frouxidão nos padrões de tolerância de substâncias tóxicas não se restringe à qualidade do ar. Nossos alimentos podem conter mais conservantes e corantes, nossas radiografias podem nos bombardear com maiores emissões de raios-x que ao indivíduo que teve a sorte de nascer fora desses tristes trópicos. Todas as escalas de toxidade brasileiras toleram números bem superiores aos das escalas internacionais.
Sempre foi assim no Brasil. Os problemas são resolvidos, pura e simplesmente, aumentando-se legalmente o grau de tolerância a eles. Subvertem-se os parâmetros, enlouquecem-se as escalas, desnorteiam-se os referenciais, descalibram-se os instrumentos medidores do problema. E pronto: tudo fica solucionado, tudo fica dentro dos limites permitidos pela lei.
Tal como o sujeito cujo médico começa a lhe impor muitas restrições, parar de beber, de fumar, de comer alimentos gordurosos, começar a realizar exercícios... o sujeito simplesmente troca de médico, o problema é o médico.
Quero crer que os referenciais adotados pela OMS sejam estabelecidos com base em pareceres técnicos e científicos das diversas áreas afins, médica, química, metereológica etc. E os referenciais da CETESB, tão discrepantes dos internacionais? Vai ver são fundamentados em pareceres dos industriais, cujos exorbitantes lucros poderiam, talvez, ser levemente corroídos pela obrigatoriedade da instalação de equipamentos antipoluição mais modernos. Vai ver os referenciais Cetesbianos se fundamentam na politicagem, nos lobbys e nos dólares e euros dos usineiros de cana-de-acúcar, que, apesar da proibição legal, continuam incendiando o estado de SP e enchendo o ar de fuligem cancerígena.
O pior é que esse truque, essa canalhice de "alargar" as escalas de referência, é utilizido em todos os âmbitos da administração pública, inclusive, e sobretudo hoje, na Educação, mas digo disso em uma próxima postagem.
Se você sente dificuldades para respirar, nariz, olhos e garganta arderem, tem acessos de tosse, asma ou bronquite, procure um psicólogo, deve ser coisa da sua cabeça.
O ar está prenhe de qualidade, garante a CETESB.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Nada De Novo Em Stephen Hawking

Conta-se sobre Pierre Simon, o Marquês de Laplace (1749-1827), a célebre história:
Laplace foi ao estado para implorar para Napoleão aceitar uma cópia de seu trabalho, que havia escutado que o livro não continha menção a Deus; Napoleão, que era fã de propor perguntas desconcertantes, recebeu-o com o comentário, "M. Laplace, me disseram que você escreveu este grande livro sobre o sistema do universo e jamais sequer mencionou seu Criador." Laplace, que, embora o mais obsequioso dos políticos, era inflexível como um mártir sobre cada aspecto de sua filosofia, levantou-se e respondeu rispidamente, "Je n'avais pas besoin de cette hypothèse-là". (Eu não precisei fazer tal suposição).

E agora vem Stephen Hawking dizer exatamente a mesma coisa, que deus é desnecessário para explicar a criação:
"Porque existe uma lei como a gravidade, o Universo pode e deve criar-se a partir do nada. Criação espontânea é a razão para haver alguma coisa em vez de nada, para que o Universo exista, para que nós existamos", escreve Hawking. "Não é necessário invocar Deus para acender o pavio e pôr o Universo em movimento".

Eu não tenho a mínima condição de entender os conceitos físicos que levaram esses dois senhores a afirmar a inutilidade de um deus no processo da criação, meu conhecimento acadêmico mal resvala na física e, sobretudo, na matemática. Não obstante, tenho a certeza da inexistência de deus desde os meus 6 anos, 7 anos, quando da época em que meus amigos começaram a fazer o catecismo para a primeira comunhão.
Para mim - e aqui agradeço a Monteiro Lobato, que me introduziu à mitologia, a grega e a brasileira -, a coisa sempre foi muito clara, para cada fenômeno sem uma explicação conhecida, um deus é criado. Onde estão Tupã e Thor, por exemplo, deuses do trovão nas mitologias brasileira e nórdica, respectivamente? Morreram. Causa mortis : a explicação física do que é um raio e um trovão. A Lua já foi deusa, O Sol, o Vento, o Mar Revolto...
O último grande fenômeno a ser desvendado é justamente o da Criação. Quando for devidamente elucidado - e será -, o último deus cairá ruidosa e majestosamente. E eu quero estar vivo e por perto, para pegar um caco dele, guardar de recordação.
Será um dia a se celebrar, o dia da ReCriação.

Pequeno Conto Noturno (16)

Samira dorme na cama de Rubens, barriga para cima, pernas semiabertas, lençol cobrindo a direita e negligenciando a esquerda. Dorme segura, sob a contemplação de Rubens, sentado na velha banqueta de sua velha mesa, uma dose de vodka-cola já pelo fim, a transpirar na superfície de fórmica.
Samira sonha, e Rubens, de certa forma, também. Aos sonhos de Rubens, temos acesso : Samira é agradável, sabe bem conversar, tem um corpo confortável, traja-se com uma discrição há muito esquecida. Poderia manter Samira ali por muito tempo, uns bons e longos anos, pensa Rubens.
Não fosse o que sempre põe tudo a perder. Não fosse o sexo. A inventada necessidade do sexo, a obrigatoriedade do, o mito.
Samira resolvera fazer "jogo duro", decidira liberar o sexo só após o terceiro encontro com Rubens, hoje, no caso; algumas vodkas a mais, porém, puseram-na fora de combate. Rubens não achou ruim. Samira durará mais tempo assim. Rubens considera que poderia conservá-la ali para sempre, em sua hibernação, pensa que Samira seria ótima companhia para a longa hibernação que é a vida.
No entanto, Samira acordará e quererá sexo - daqui a instantes ou pela manhã. E geralmente Rubens consegue fornecê-lo a contento para suas mulheres; ele estará pronto para Samira, acorde ela a hora que for, estará a postos para lhe proporcionar um bom sexo, hábil que o tempo o tornou. É ciente, contudo, da erosão que o sexo começa a impor a partir da primeira trepada, o sexo demarca seu latifúndio, crava seus mourões, estica seus arames farpados e, em pouco tempo, talvez em umas poucas semanas, Rubens terá que mandar Samira embora.
Ele toma o último gole de sua vodka-cola, já meio morno, e vai à cozinha preparar outra dose.
Talvez tenha sido o barulho do gelo contra o inox da pia, ou talvez tenha sido simplesmente a hora do ciclo recomeçar :
- Rubens... -, Samira chamando com uma voz espreguiçada e lânguida, saída de algum lugar entre a faringe e o Onírico.
Rubens termina de preparar sua dose, misturando tudo com o dedo, e se põe a fazer uma segunda, a de Samira.
Dirige-se para o quarto com os copos na mão.
Já pensando em Samira com uma enorme saudade.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

POR QUE TÃO SÉRIO?

- Por que choras, Curinga?
Da corte, não és o bobo?
Por nós, ser louco não é o teu encargo?
- Por que dizes que choro?
- Essas gotas de teus olhos...
- Há! Se julgas serem lágrimas, te confundes.
- E o que são?
- É minha loucura que se liquefaz e se funde,
Minha insanidade que escorre,
Que de tão plena não me cabe.
É meu histrionismo destilado.

- Mas e os cantos da tua boca que não mais se elevam,
E esse sorriso de ponta-cabeça, pendente, sisudo e grave
Que cede à força da gravidade?
- Bobagem tua!
Só errei um pouco no contorno do batom,
Só borrei um pouco a maquiagem.

- Sei... e essas unhas roídas, essas cutículas comidas,
Esse retorcer de dedos,
Esse estalar frenético das juntas?
- São parte das minhas traquinagens,
Da minha mise-en-scène,
Das minhas momices, minhas micagens.

- E esses olhos arenosos de quem há muito não dorme,
Essa face de crateras profundas,
Essas olheiras roxo-figo de quem há muito não sonha?
- Ora, se te dizes meu amigo, deixe de perguntas enfadonhas.

- E esse rombo?
Essa boca desdentada,
De gengivas a minar sangue e pus,
Que se abre em teu peito?
- Basta, maldito!
Pegaste-me de jeito, é o que queres ouvir?
Pegaste-me, eu admito.
Cessa com tuas judiarias.

- Algo errado tens...
- O que tenho é que sou um Curinga.
Sou nada e o Universo,
Sou Dr. Jekyll e Mr. Hyde,
Sou Hulk e Bruce Banner,
Hermes e Afrodite.
Nunca notaste como pareço Pierrot e Arlequim?
Sou Álvaro, Ricardo, Alberto, Fernando e Bernardo...
Todos dentro de uma mesma roupa,
Todos se disfarçando na mesma fantasia.
Sou uma dinastia de fantasmas,
A rondar e penar pela mesma casa,
Pela mesma casca vazia.
( Fim do “diálogo”.
Minutos após o qual,
Ouve-se o brutal estilhaçar de um espelho ).

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Aspirina Nossa De Cada Dia

Indianos reclamam que estão sendo usados como cobaias por laboratórios farmacêuticos, sem seu conhecimento ou autorização; os remédios neles testados estariam provocando efeitos indesejáveis, principalmente dores abdominais.
Bom, a prática das multinacionais farmacêuticas testarem novos medicamentos em povos subdesenvolvidos, terceiro-mundistas, já vem de longa data. E não se restringe à Índia. África e América "Latrina" também são utilíssimos como ratos de laboratório. O Brasil, inclusive.
Numa rápida pesquisa pela net - abri apenas quatro páginas -, encontrei uma substancial lista de medicamentos proibidos em vários países e comercializados livremente por aqui, com o selo da ANVISA e tudo mais. Entre eles, o ibuprofeno e a dipirona, usuais analgésicos e antitérmicos, também o diclofenaco (anti-inflamatório), a Neomicina (antibiótico, tem até pastilha dessa merda) e o Terconazol (famoso antifúngico bucetal). A lista é extensa e faz parte de um documento chamado banned products, publicado pela ONU.
Mas não adianta apenas espernear, queixar-se ou ir chorar as pitangas ao bispo, ao Papa ou à ONU. Se nós - terceiro mundo - não quisermos mais ser ratos de laboratórios das multinacionais, devemos pôr mãos à massa e começar a pesquisar e desenvolver nossos próprios medicamentos.
Dezenas de fatores, creio eu, impedem o desenvolvimento efetivo de uma tecnologia de fármacos nos países subdesenvolvidos; ocorrem-me, no momento, três desses fatores, que julgo serem os principais.
Primeiro, alguns países são subdesenvolvidos porque são habitados por povos subdesenvolvidos, grupos humanos que, na média, tem um Q.I. deficitário em comparação aos outros. Por mais que isso escandalize os das "ciências humanas" e comportamentalistas de plantão, é fato : no decurso da evolução, alguns povos se diferenciaram intelectualmente de outros. E desenvolver tecnologia não é tarefa para qualquer Q.I.
Segundo, os terceiro-mundistas são, na média, mais preguiçosos e acomodados, pautam-se pela Lei do Menor Esforço. Para que pesquisar, estudar e trabalhar? Para que fazer se podemos comprar pronto?
Terceiro, somos, na média, mais corruptos que os povos desenvolvidos ou, pelo menos, temos maior tolerância com a corrupção, nossos legisladores devem receber polpudas somas das farmacêuticas para dificultar uma tecnologia genuinamente nacional, bem como para fazer "vistas grossas" e liberar medicamentos venenosos, suprimindo, inclusive, das bulas, informações sobre os efeitos colaterais mais danosos.
O Terceiro Mundo é mais burro, mais preguiçoso e, no mínimo, nutre certa simpatia pela corrupção. E ainda se veste de indignação e se considera com o direito de reclamar quando um remédio "dado" lhe ocasiona uma dorzinha no bucho.
Não temos esse direito de reclamar!
Antes pelo contrário, demos graças à aspirina nossa (deles) de cada dia.

domingo, 29 de agosto de 2010

O Antiprofeta - Emil C. Cioran

"Todos os sentimentos extraem o seu absoluto da miséria das glândulas"
Em todo homem dorme um profeta, e quando ele acorda há um pouco mais de mal no mundo…
A loucura de pregar está tão enraizada em nós que emerge de profundidades desconhecidas ao instinto de conservação. Cada um espera seu momento para propor algo: não importa o quê. Tem uma voz: isto basta. Pagamos caro não ser surdos nem mudos…
Dos esfarrapados aos esnobes, todos gastam sua generosidade criminosa, todos distribuem receitas de felicidade, todos querem dirigir os passos de todos: a vida em comum torna-se intolerável e a vida consigo mesmo mais intolerável ainda: quando não se intervém nos assuntos dos outros, se está tão inquieto com os próprios que se converte o “eu” em religião ou, apóstolo às avessas, se o nega: somos vítimas do jogo universal…
A abundância de soluções para os aspectos da existência só é igualada por sua futilidade. A História: manufatura de ideais…, mitologia lunática, frenesi de hordas e de solitários…, recusa de aceitar a realidade tal qual é, sede mortal de ficções…
A fonte de nossos atos reside em uma propensão inconsciente a nos considerar o centro, a razão e o resultado do tempo. Nossos reflexos e nosso orgulho transformam em planeta a parcela de carne e de consciência que somos. Se tivéssemos o justo sentido de nossa posição no mundo, se comparar fosse inseparável de viver, a revelação de nossa ínfima presença nos esmagaria. Mas viver é estar cego em relação às suas próprias dimensões…
Se todos os nossos atos — desde a respiração até a fundação de impérios ou de sistemas metafísicos — derivam de uma ilusão sobre nossa importância, com maior razão ainda o instinto profético. Quem, com a visão exata de sua nulidade, tentaria ser eficaz e erigir-se em salvador?
Nostalgia de um mundo sem “ideal”, de uma agonia sem doutrina, de uma eternidade sem vida… O Paraíso… Mas não poderíamos existir um instante sem enganar-nos: o profeta em cada um de nós é o grão de loucura que nos faz prosperar em nosso vazio.
O homem idealmente lúcido, logo idealmente normal, não deveria ter nenhum recurso além do nada que está nele… Parece que o ouço: “Livre do fim, de todos os fins, de meus desejos e de minhas amarguras só conservo as fórmulas. Tendo resistido à tentação de concluir, venci o espírito, como venci a vida pelo horror, a buscar-lhe uma solução. O espetáculo do homem — que vomitivo! O amor — um encontro de duas salivas… Todos os sentimentos extraem seu absoluto da miséria das glândulas. Não há nobreza senão na negação da existência, em um sorriso que domina paisagens aniquiladas.
(Outrora tive um “eu”; agora sou apenas um objeto… Empanturro-me de todas as drogas da solidão; as do mundo foram fracas demais para me fazer esquecê-lo. Tendo matado o profeta em mim, como terei ainda um lugar entre os homens?

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Encarnação

Tu passas,
Pela minha solitária mesa na calçada de um bar,
Sem me notar,
Tu passas :
Rubra cabeleira em ondas crispadas
De um mar em ressaca;
Pilar de mármore veiado de manganês rosa
Fazendo-te função de pescoço;

Seios antigravidade
Acariciando o fino tecido da bata encarnada;
Ventre de pousada
Municiado por umbigo em poço sem fundo;
Ancas inverossímeis, virilha larga e generosa
Pondo à prova os limites das costuras e do zíper;

E quatro,
No canto esquerdo do lábio superior,
Quatro ou cinco vesículas de herpes
(quase camufladas por providencial maquiagem) :
És do amor
A mais fidedigna representação
Que alguém poderia criar.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ah, Não! Só Pode Ser Conspiração

Ontem, o Harry Potter; hoje, um Power Ranger gay. Só pode ser sacanagem.
Algum de vocês ainda não acredita em complô? Ainda duvidam das teorias da conspiração? De minha parte, acabo de decidir que passarei a acreditar em todas elas. Há mesmo uma orquestração dos donos do poder para o embichamento do mundo.
Quem será o próximo a ser recrutado para os quadros da "irmandade"? Tarzan, Hulk, Indiana Jones, Wolverine, Zorro, Hércules, John Holmes, Kid Bengala?
Os heteros precisam se organizar, já passou da hora de uma contra-ofensiva hetero. Eu já começo a pensar em providências, caseiras, inicialmente; atitudes de pequeno alcance, restritas à circunscrição de meu lar : meu filho, de hoje em diante, só assiste a filmes do Mel Gibson, Charles Bronson, Clint Eastwood e Jece Valadão. Mas a ideia precisa se alastrar e assumir maiores proporções.
Sem mais comentários (valem os da postagem anterior), reproduzo abaixo a matéria publicada na Folha de São Paulo, caderno Ilustrada, 26/08/2010.

"Power Ranger azul assume ser gay e diz que sofreu assédio na série
O ator David Yost, 41, revelou ao site No Pink Spandex que deixou o seriado televisivo "Power Rangers", um dos hits infantis dos anos 90, porque foi discriminado após assumir ser gay.
Na série, Yost interpretou Billy Cranston, o Power Ranger azul, entre 1993 e 1996, além de repetir o papel em um filme de 1995.
Na entrevista, feita durante o Anime Festival Orlando 2010, o ator disse ainda que deixou o seriado porque foi discriminado e assediado moralmente.
"Eu era chamado de 'bicha' muitas vezes pelos criadores, produtores, roteiristas e diretores", afirma.
Segundo Yost, alguns dos colegas de elenco eram chamados para falar sobre a sexualidade dele. "Foi uma experiência humilhante descobrir isso", disse.
Yost contou ainda que, após deixar a série, sofreu um colapso nervoso e lutou para aceitar a própria sexualidade."
Pergunta: alguém está com dozinha dele? Eu, não. Nem um pouco.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Cuidado Com A Varinha Do Harry Potter

Já entediado de ficar apenas manejando uma vara de condão por sei lá quantos filmes da série Harry Potter, Daniel Radcliff resolve testar novos usos do referido instrumento mágico : vai passar também a sentar na vara. Estrelará um drama gay, "My fair Lidy", onde fará par "romântico" com um tal Ryan Kwanten, vampirinho Emo do seriado "True Blood".
Vampiro gay, lobisomem gay, cowboy gay e, agora, bruxo gay. Tudo parte da perigosíssima campanha planetária de glorificar a homossexualidade. A homossexualidade é uma característica inata, congênita, de nascença, deve ser respeitada, disso não resta dúvida, mas não deve ser veiculada como algo glamouroso, desejável de ocorrer, até.
Fria, técnica e evolutivamente falando, e sem fazer aqui nenhum juízo de valor, a homossexualidade é um comportamento anômalo dentro de qualquer espécie dióica, ou seja, que tem indivíduos com sexos separados, machos e fêmeas. E por anomalia quero dizer tão-somente algo que foge do padrão; um desvio que, inclusive, se tornado regra, põe em risco a continuidade da espécie. Está errado discriminar a homossexualidade, porém erradíssimo transformá-la em virtude.
Será que isso tudo é mais uma das estratégias dos donos do poder mundial para tentar coibir a superpopulação, para tentar reduzir o já excessivo contingente humano no planeta, como afirmam os teóricos da conspiração? Não sei, não, mas começo a ficar inclinado a crer nos caras, a coisa tá muito estranha.
Tem até cientista nessa de justificar a boiolagem. Dia desses, vi uma reportagem que listava exemplos de homossexualidade no reino animal, estavam lá uma espécie de macaco, os golfinhos e etc. Esses cientistas afirmam que a homossexualidade também tem uma vantagem evolutiva, dizem que ela fortalece a amizade entre os indivíduos, tornando o bando mais coeso.
Besteira. Pura besteira. Até o Flipper os caras tão querendo levar para a "irmandade". Eu tenho três amigões, daqueles antigos, daqueles para festas e funerais, mas se um deles vier me propor um troca-troca para fortalecer nossa amizade, eu troco de amigo. Na hora. No mesmo instante.
Eu fico triste com tudo isso. As referências estão se perdendo, em todos os âmbitos do comportamento humano.
No meu tempo, os monstros do cinema eram monstros. O vampiro era o Bela Lugosi, era o Christopher Lee, assustadores, a molecada ficava uma semana sem dormir no escuro depois que os assistia na "Semana do Terror", da extinta TV Tupi. Era tudo cara macho, tudo espada, ou, no caso dos vampiros, tudo cara "estaca". Vampiros eram contumazes rasgadores de frágeis e adocicados pescocinhos femininos, chupadores de sangue e de buceta. Já hoje...
Muito triste, mesmo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Isso Não É Novidade Para Mim

A empresa americana BevShots fotografa moléculas de bebidas alcoólicas vistas através de microscópios e as transforma em arte. foto de vodka tônica
Os especialistas - bebuns de carteirinha - coletam gotas das bebidas, colocam-nas em lâminas, esperam que elas sequem e aí as fotografam.
Somente a secagem pode demorar até quatro semanas, e o processo completo pode durar até três meses. As fotos são tiradas com uma câmera 35 mm comum.
foto de whisky
O presidente da BevShots, Lester Hutt, é graduado em química e as fotos são tiradas no Departamento de Química da Universidade da Flórida.
Primeiro, eu acho isso um desperdício, deixar a bebida secar numa lâmina de microscópio. Depois que essas imagens não têm nada de inéditas para mim.
Quando eu, décadas de 80, 90, batia pesado nos destilados, sobretudo no rum, lá pelas tantas da madrugada, garrafa já no fim, eu olhava para o copo e via exatamente essas imagens caleidoscópicas, via todas as moleculazinhas lá, em suas eternas agitações. Já vi fotos do rum, da vodka, do whisky, do conhaque, do vinho...
E sem precisar de microscópio.
Para mais mais uma dose : BBC Brasil

sábado, 21 de agosto de 2010

O Verdadeiro Comando Vermelho

Ao que tudo indica, a desgraça chamada Dilma Rousseff tem grandes chances de ser o próximo presidente da república, inclusive se sagrando vencedora no primeiro turno.
A Revista Veja, em 15 de janeiro de 2003, publicou a matéria "O cérebro do roubo ao cofre", onde expõe a verdadeira cara de Dilma Roussef, ou companheira Stella, seu nome de guerra na época da saudosa ditadura militar, período em que lugar de bandido era na cadeia ou no cemitério , e não soltos pelas ruas ou nas salas de aula.
Nome de guerra, mesmo. Dilma era chefe de quadrilha, da quadrilha Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, grupo armado da década de 1960, onde foi o cérebro por trás de ações de roubo de armamento do exército e do assalto ao cofre do governador paulista Adhemar de Barros, que rendeu 2,5 milhões de dólares à companheira Stella e sua corja vermelhoide.

Corja que foi o embrião do PT. O PT, hoje, é o verdadeiro Comando Vermelho.
Dilma e sua assessoria negam que ela tenha pego em armas. E daí? Ela planejava roubos de armamentos e os punha nas mãos de seus comparsas. Qual a diferença?
Ah! Esqueci, eles estavam combatendo a ditadura. Mais uma vez, e daí? Quem disse que o regime militar foi tão ruim assim?
A ditadura militar acabou em 1984, eu já contava com 17 anos e, portanto, lembro bem das coisas. Nunca conheci ninguém, familiares, amigos, familiares de amigos, professores meus, vizinhos e etc que tivessem tido "problemas" com a ditadura. Os que tiveram foram esses pseudointelectuaizinhos de esquerda, bebedores de whisky e formados em sociologia no exterior, os que tiveram problemas com a ditadura foram esses arruaceiros, filhotes da contracultura, e eles eram uma parcela ínfima da população, uma porcentagem desconsiderável.
O que sei é que a escola que eu tive foi bem melhor que a escola que eu consigo oferecer ao meu aluno, ainda que eu brigue por isso - e eu brigo muito; o que sei é que eu, adolescente, podia andar tranquilamente pelas ruas, fosse a hora do dia que fosse, e polícia nunca me parou para revista ou me torturou.
Ah, mas não havia liberdade de expressão...
Liberdade para quê? Pro Fernando Gabeira, maconheiro notório, voltar do exílio e desfilar pelas praias usando uma sunga de crochê? Posso perfeitamente passar sem isso. Para que a mídia atual possa, por exemplos, armar um circo em torno do assassinato de uma criança, ou do esquartejamento de uma amante? Posso passar perfeitamente sem isso. Para que o Tiririca, o Vampeta e a Mulher Melão possam concorrer a cargos de deputados federais e estaduais? Também posso passar muito bem sem isso.
O que sei é que pouco importa o tipo de governo ao qual nos contraponhamos - ditadura, democracia, monarquia, parlamentarismo, socialismo -, ações como roubo, sequestro, assaltos e assassinatos são crimes em qualquer um desses regimes.
Por isso, Dilma foi presa à época, em que, repito, lugar de bandido era na cadeia.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

À Sombra Das Flechas

Submergir em fonte termal
Num lago a 80º C
No umbigo de um vulcão
E ficar ali
Mais uma vez sendo forjado
Esperando a gripe e a febre debelarem
Esperando passar o ataque mutante viral .

Afundar em piscina sulfurosa
Num spa no Inferno
No cu de um vulcão
E ali ficar
Em recolhimento
Em banho-maria
Esperando a vida se acalmar
Esperando passar o ataque das coisas que eu não sei responder.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Melhor Jogadora Do Mundo

Folha de São Paulo, caderno Esportes, 17/08/2010:
" Espanha Tem Jogadora Chamada Ana Buceta
Se no futebol masculino a Espanha é referência após a conquista da Copa do Mundo na África do Sul, no feminino a seleção se destaca apenas na categoria sub-19. E em razão de um nome em particular: Ana Buceta.
A meio-campista de 17 anos, considerada uma das grandes revelações de seu clube, El Olivo, disputou o último Campeonato Europeu de seleções sub-19, em junho.
A Espanha foi eliminada ainda na primeira fase, após derrotas para França (1 a 0) e Holanda (2 a 0). Na vitória sobre a Macedônia (6 a 0), no entanto, Ana Buceta fez um gol.
Segundo a imprensa local, Ana Buceta tem propostas para se profissionalizar, mas, antes, quer terminar os estudos na Galícia, região onde mora. Ela já havia disputado o Campeonato Europeu sub-17 pela Espanha. "

Obs. da Marreta : já ouvi dizer, embora não creia muito nisso, que o nome influencia na personalidade do dono; nesse caso, influenciou até no semblante.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Estado De São Paulo Paga Melhor A Aluno Que A Professor

Nas escolas estaduais do estado de SP, existe a malfadada HTPC (hora de trabalho pedagógico coletivo), que, em resumo, é uma reunião semanal com caráter pretensamente pedagógico entre coordenadores e professores, mas que não serve nem nunca serviu para nada na prática.
De uns tempos para cá - de um bom tempo para cá, aliás -, além de sua inutilidade, HTPC passou a ser também sinônimo de más notícias. E a da semana passada não foi diferente.
Fomos notificados da mais recente "inovação" educacional dos peidagogos de gabinete : o aluno-tutor.
Basicamente, essa excrescência consiste na escola detectar os alunos com médias boas em matemática - o que hoje não é difícil, pois as notas são dadas de graça pelos professores, que sofrem pressões das direções das escolas no sentido de uma aprovação em massa, para que essa farsa reflita em seus bônus de fim de ano - e os enviar para outras escolas do estado, onde irão dar "aulas" de reforço para alunos com dificuldades.
Primeiro que se o aluno tem dificuldade em certa matéria, ele precisa de um professor de reforço que seja até mais hábil que seu professor regular; depois que isso tira o emprego de muita gente com formação específica; finalmente, essa é a real intenção, derruba ainda mais o já baixíssimo nível da escola pública. É o analfabeto dando aula para outro analfabeto.
O aluno-tutor vai receber por isso. Receberá R$ 120,00 reais por mês, por duas horas semanais de "reforço". Feitas as contas, a hora desse aluno sairá em torno de R$ 15,oo. Eu estou há 15 anos no Estado, tenho dois adicionais por tempo de serviço (5% cada um) e mais 25% obtido numa prova de mérito. E minha hora/aula não atinge 15 reais.
O pior é que não há questionamento desse absurdo. Existem perto de 80 professores na escola onde leciono, apenas eu e mais dois nos pronunciamos contra. A maioria inclusive acha uma atitude boa, que incentiva o bom aluno. Burrice!!!
Até posso entender que diretores de escola, vice-diretores e coordenadores achem tudo isso uma maravilha, são imprestáveis burocráticos que não têm conteúdo nem pulso ou firmeza para encarar uma sala de aula e se refugiam nesses carguinhos, são paus-mandados do governo, pessoas desprezíveis que odeiam professores e fazem de tudo para ferrá-los sempre que possível.
Mas o triste é que o professor não atente e proteste contra isso; inclusive quem vai detectar o aluno-tutor é o próprio professor de matemática e, até onde estou vendo, com uma única exceção, eles estão fazendo isso de bom grado.
Nenhum desses imprestáveis burocratas têm filhos em escola pública. Será que se a escola particular onde seus filhos estudam lhes comunicasse algo semelhante, que seus filhos passariam a ter aulas com alunos, eles bateriam as palmas que batem? Estou ficando preocupado com eles, estão batendo tantas palmas que vão acabar ferindo as mãos, aí como farão para puxar os sacos?
A língua! Há sempre a redentora língua. Poderão lamber os sacos enquanto suas mãos se recuperam.
Em minha vida toda, nunca trabalhei com uma equipe administrativa tão tacanha e tão contra o bom professor, nem com um corpo discente tão frouxo. Chego a ter vergonha de dizer que sou professor de minha escola, medo de ser confundido com essa massa apática.
Acho que quando me perguntarem, daqui em diante, o que faço da vida, responderei simplesmente que sou funcionário público.
Mesmo que haja todo um folclore, um estereótipo do funcionário público preguiçoso, prevaricador e ineficiente, ainda é bem menos vergonhoso do que vem ocorrendo nas escolas estaduais de SP nos últimos anos.
Não estou exagerando. Podem acreditar.

Ops! Esse Mês Tava Faltando Bukowski

Nascido dentro disso - Charles Bukowski
nascido como isso
dentro disso
enquanto faces de giz sorriem
enquanto a Sra. Morte gargalha
enquanto as paisagens políticas se dissolvem
enquanto o garoto das sacolas no supermercado segura um diploma universitário
enquanto o peixe oleoso cospe fora suas presas oleosas
enquanto o sol se esconde

nós
nascemos como isso
dentro disso
dentro de guerras cuidadosamente insanas
dentro da visão das janelas quebradas da fábrica do vazio
dentro de bares onde as pessoas não mais conversam umas com as outras
dentro de brigas de punhos que terminam em tiros e facadas

nascido dentro disso
dentro de hospitais que são tão caros que é mais barato morrer
com advogados tão caros que é que é mais barato alegar culpa
dentro de um país onde as cadeias estão cheias e os hospícios estão fechados
dentro de um lugar em que as massas elevam idiotas à condição de heróis ricos

nascido dentro disso
andando e vivendo através disso
morrendo por causa disso
emudecido por causa disso
castrado
escarnecido
deserdado
por causa disso
enganado por isso
usado por isso
mijado por isso
feito louco e doente por isso
feito violento
feito desumano
por isso

o coração está enegrecido
os dedos buscam a garganta
a arma
a faca
a bomba
os dedos se estendem a um deus que não responde

os dedos buscam a garrafa
a pílula
o pó

nascemos dentro dessa pesarosa mortandade
nascemos dentro de um governo há 60 anos em débito
em breve será impossível pagar até os juros da dívida
e os bancos queimarão
o dinheiro será inútil
haverá assassinato gratuito e impune nas ruas
pistolas e máfias nômades
a terra será inútil
a comida se tornará um retorno escasso
o poder nuclear será dominado por muitos
explosões constantes estremecerão a terra
homens robôs radioativos caçarão uns aos outros
os ricos e os escolhidos assistirão a tudo de plataformas espaciais
o inferno de Dante vai se parecer com um jardim de infância

o sol não será visto e será sempre noite
as árvores morrerão
toda a vegetação morrerá
homens radioativos comerão a carne de homens radioativos
o mar será envenenado
rios e lagos desvanecerão
a chuva será o novo ouro

a carne apodrecida de homens e animais vai feder no vento sombrio
os raros sobreviventes serão dizimados por novas e hediondas enfermidades
e as plataformas espaciais serão destruídas pelo desgaste
a exaustão de suprimentos
efeito natural da decadência geral
e existirá o mais belo silêncio já ouvido
nascido de tudo isso

o sol ainda oculto
apenas esperando o próximo capítulo.

sábado, 14 de agosto de 2010

É Ela, A Tristeza Que Vem e Que Passa

"Tomei um calmante, um excitante
E um bocado de gim."

Chico Buarque, Bastidores
(mas fica bem melhor com o Cauby cantando)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Os Baderneiros de Cristo

Liberdade de expressão, liberdade de culto religioso, liberdade disso, liberdade daquilo, pode até ser muito bonito, pode até funcionar muito bem em países que educaram seu povo antes de lhe dar tais liberdades, em países que têm uma identidade nacional e cultural. Na Dinamarca deve funcionar maravilhosamente bem, Noruega, idem, Holanda, ibidem.
Mas em um país mestiço, desaculturado e safado como o nosso, muita liberdade descamba ligeira e fatalmente para o abuso de certos grupos.
Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, o vereador evangélico Cícero Gomes da Silva (PMDB), presidente da Câmara (vejam só vocês), quer fazer passar um projeto de sua autoria que amplia a tolerância da Lei do Sossego Público para cultos religiosos.
Ribeirão Preto é uma cidade de 600 mil habitantes, dita progressista, que faz a autopropaganda (enganosa) de "capital da cultura", com suas 5 ou 6 livrarias, na cidade inteira e seus 5 ou 6 salões de cabelereiro, em cada quarteirão.
A Lei do Sossego Público já permite absurdamente que estabelecimentos comerciais, principalmente bares, perturbem a vida de seus vizinhos até às 22h, quem já morou ,ou mora , perto de um lugar desse sabe bem o transtorno diário que é. E ainda que o barulho exceda o permissivo limite legal, não adianta reclamar ou chamar a polícia, não acontece nada, a polícia muitas vezes nem comparece ao local, está de rabo preso pela propina que recebe dos donos dos bares.
O projeto de lei do evangélico edil propõe dilatar em mais uma hora a barulheira para os cultos religiosos. Aquela igreja ao lado de sua casa, cheia de crente do cu quente, insanos e dementes, poderá ficar cantando, gritando, entrando em transe e se desencapetando por mais uma hora diária.
Não sei porque esses filhos das putas precisam gritar tanto. Dizem que querem demonstrar seu amor a deus. Não precisa nem adianta gritar. Deus não é surdo, ele simplesmente não existe.
Frente a esse despautério, os donos de bares da cidade já estão de prontidão. Se o projeto passar para os cultos religiosos, um precedente será aberto para que outros estabelecimentos também pleiteiem o direito.
E o cidadão honesto, correto, trabalhador, que precisa descansar para bem trabalhar no dia seguinte é, mais uma vez, quem toma no cu. Onde está uma lei que garanta o direito à tranquilidade dentro de nossas próprias casas?
No Brasil, a lei já favorece o bandido há muito tempo. Se esse projetado for votado favoravelmente, passará a proteger, em Ribeirão Preto, os fanáticos religiosos e os bêbados, também.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pernas, Para Que Te Quero

Stephen Hawking, renomado físico e autor de "O Universo numa casca de noz", em abril desse ano, aconselhou ao Homem evitar qualquer tentativa de contato com seres extraterrestres. As consequências para os humanos, segundo ele, poderiam ser desastrosas, algo parecido com o que se deu aos nativos das Américas em seu contato com os europeus.
Hawking volta agora ao assunto. Afirma que se a espécie humana não conseguir maneiras de colonizar outros planetas nos próximos 100 anos, passará a correr sérios riscos de extinção. Ele aponta uma série de ameaças à espécie nos dias atuais : guerras, exploração excessiva dos recursos naturais, mudanças no clima e superpopulação planetária.
Até aí, qualquer ecologista idiota de plantão diria o mesmo, mas Hawking retorna aos ETs e os coloca também nessa lista de riscos aos humanos.
Diz que se fôssemos visitados agora por alienígenas, as consequências poderiam ser catastróficas, pois esses ETs bem poderiam ser nômades procurando conquistar e colonizar planetas. Se o ser humano conseguisse se espalhar por outros planetas, poderia garantir a sobrevivência da espécie, ainda que não fosse na Terra.
Hawking é um físico fudidão, um dos maiores de todos os tempos, comparado a Einstein em sua genialidade, o cara não iria falar de alienígenas de modo gratuito e leviano. Hawking não é um Zé Mané qualquer querendo notoriedade a qualquer custo. Oposto a isso, ele tem um nome a zelar, não iria dar a cara a tapa por nada.
Notem que ele não se refere à possibilidade da existência de vida ET, ele se refere à possibilidade de uma invasão deles, a existência de civilizações extraterrenas parece ponto pacífico para Hawking.
Para agravar a situação, o cara é cientista e, como tal, nada cogita sem dados. Será que já são conhecidos pela NASA, por exemplo, indícios de uma possível invasão extraterrestre? Sabe-se lá. Porém é óbvio que Hawking tem acesso a informações privilegiadas sobre o tema, informações sobre as quais não podemos supor nem a mais pálida ideia.
Repito: um cientista do naipe de Hawking nada cogita ou supõe sem dados que ele julgue confiáveis e obtidos de maneira científica.
E olha que, até há algum tempo, Hawking não acreditava em ETs. O que terá acontecido para que ele tenha essa certeza atual? Será que suas pesquisas o conduziram a territórios ainda "proibidos" aos humanos e ele recebeu uma visitinha dos "caras"?
O fato é que ele coloca uma invasão alienígena como um dos riscos de extinção da espécie humana, junto com o aquecimento global e o esgotamento dos recursos naturais.
O que sei é que na hora do aperto, na hora do pega pra capar, na hora da onça beber água, será cada um por si, salve-se quem puder.
Como diria o próprio Hawking : sebo nas canelas e pernas, para que te quero.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pequeno Conto Noturno (15)

Ponteiros cambaleando no limbo entre as quatro e cinco horas da manhã, horas de crepúsculo às avessas, de escuridão vacilante e luz indecisa.
Rubens caminha a passos largos, pela única razão de que seus passos são largos, nada a ver com firmeza ou decisão, com uma lata de cerveja de conteúdo meio morno e já pela metade. Precisa descobrir/decidir se o dia que se arvora é uma sexta-feira ou um sábado. Se sexta, direto para o trabalho, sem café; senão, voltar para seu pequeno apartamento e, com sorte, morrer até as três ou quatro horas da tarde.
Rubens passou as últimas duas semanas na casa de Bionda, acabando com o estoque de bebidas dela e dando uma trepadinha aqui e outra acolá. Mas mulher é foda, e nisso não há exceção, pensa Rubens, com o tempo, todas começam a exigir mais do cara do que ele pode oferecer. Bionda é uma quarentona descasada, meio neurótica, gostosa toda a vida, é verdade, mas problemática até a medula, e Rubens deu-lhe uma boa manutenção no decorrer desses dias.
Pois Bionda lhe jogou à cara que ele não estava fazendo valer o que bebia. Que o que ele trepava não pagava a cerveja que ela gastava com ele.
Rubens teve ganas de bem espalmar a mão direita, passá-la por entre os cabelos da nuca de Bionda, puxar bem forte, como às rédeas de uma cavalgadura e varar-lhe o pau rabo adentro. Sem dó, sem vaselina nem beijinho na orelha.
Rubens, contudo, estava encharcado de cerveja e de sono. Conseguir uma ereção naquele momento, uma meia-bomba que fosse, seria um feito de proporções históricas. Rubens tomou a única atitude digna a um homem em tal situação : vestiu as calças, mandou Bionda tomar no cu, passou pela geladeira, pegou a última lata de cerveja e picou a mula de lá.
Bionda que se enfiasse uma cenoura, um pepino, um nabo, uma berinjela... e foi listando mentalmente um longo elenco de substitutos vegetais para a piroca, e pensando que até nisso a mulher leva vantagem. Em adolescente, até mesmo em certo estágio de sua vida adulta, quando as bucetas não lhe vinham fáceis, Rubens nunca conseguiu encontrar um substituto adequado para elas.
Rubens estaca seus passos numa esquina. Ainda não se decidiu entre a sexta e o sábado, entre ir para o trabalho ou para a sua hibernação. Sabe - aprendeu isso a duras penas - que qualquer decisão tomada em seu atual estado de embriguez, por mais lógica que pareça, acaba em merda das grandes. Decisão tomada às portas da aurora, então, é desgraça garantida.
Rubens se senta à soleira de granito de uma autoescola e resolve acabar com a meia lata de cerveja. Esperar. Deixar o dia nascer. Seja ele sexta ou sábado. Não cabe a ele essa escolha.
Resolve que cabe a ele somente o que ele é capaz de dar conta, do resto da cerveja.
O dia, o dia decidirá.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Toca Raul !!!

Amanhã, 07/08/10, tem cover do Raul Seixas no Paulistânia Rock Bar, com Grillo Verguero e banda, a partir das 23 h.
O Paulistânia fica em Ribeirão Preto, rua Daniel Kujawski, 193, Jd. Paulista.

A Inveja dos Idiotas

Nasci sem vocação para nada. E digo isso sem o menor constrangimento. Nunca uma atividade me envolveu ou me interessou a ponto de eu poder encher a boca e dizer, nasci para tal. Até porque acho que ninguém nasceu para coisa alguma. A vocação não existe, é mais uma invenção do ser humano para complicar a própria vida.
Nenhum ser vivo tem que ser nada além do que ele é : o macaco só é macaco, o cachorro só é cachorro, o pardalzinho, pardalzinho, a bactéria, bactéria. E, acreditem, todos vivem muito bem suas vidinhas.
A vida não precisa ser muita coisa, só precisa ser.
O bicho humano é o único que não se contenta em ser apenas humano, o cara tem que ser algo a mais, tem que ter "vocação" para algo além de sua natureza, cozinheiro, bombeiro, astronauta, médico, pedreiro etc etc. Que outro bicho tem que ter vocação para algo a mais que bicho?
E essa, eu acredito, é a origem de todos os seus problemas e transtornos. Fosse tão-somente o que é, humano, tudo seria muito mais simples e menos conflituoso. Mas não!
Depois de muito enrolar, depois de muitas voltas e rodeios, já com uns 30 anos, talvez mesmo para protelar um rótulo que anularia ou, no mínimo, se sobreporia à minha programada e básica aptidão, acabei professor.
Não tenho vocação para professor. Nos dias atuais, na maior parte do tempo, posso dizer até que nem gosto de ser professor. Mas tenho, cruel e irremediavelmente incutido, um gigantesco senso de responsabilidade. Outra invenção humana, a responsabilidade. Que outro ser a tem? Que outro precisa dela?
Não tenho vocação, porém, se me meti a tal, que eu seja, então, um bom professor. E eu sou. Bem acima da triste média atual. Nadando contra minha natureza, contra minha correnteza genética.
Não tenho igualmente a menor vocação para o convívio social, gosto de pouquíssimas pessoas. Mas acabo sendo enredado de tal forma que termino por me obrigar a conviver com pessoas com as quais não tenho nenhuma afinidade, muitas vezes para agradar e garantir próximos a mim os poucos de quem gosto.
Também acabo refém dessa rede social insana, vejo-me fazendo ou aceitando coisas como a dar satisfações para pessoas alheias à minha vida, às quais nada devo, que não pagam minhas contas e tampouco compartilham meus problemas, e que se julgam no direito de, ainda que veladamente, cobrar-me o comportamento padrão do bando.
Se não saimos de casa com nossas maquiagens sociais, corremos o risco de ser malvistos.
Que se foda, berra meu DNA! Tô cagando e nem me dando ao trabalho de andar de ser malvisto.
Contudo pessoas de quem gosto muito não estão cagando para isso, geralmente. Elas se importam; e, por suas associações comigo, podem tornar-se também pessoas não bem-vindas. Mais uma vez, por elas, eu nado contra minha maré genômica.
Apesar das eventuais derrapadas e recaídas, quero crer que tenho conseguido um resultado razoável nesse aspecto, também.
Fazer o que não sou hábil para tal, esforçar-me, inclusive, para fazê-lo bem-feito e, em algumas ocasiões, ainda ser incompreendido pela falta dessa habilidade natural, não me torna infeliz ou insatisfeito, nem me deprime. Não mesmo. Se faço, é porque há alguma compensação, algum ganho nisso. Não me torna infeliz.
Mas bem que me rouba um bom tanto de paz.
E não digo da paz que é a ausência de um conflito bélico. Digo da paz do repouso, da ausência de agitação ou ruído, da paz de se mostrar apenas para si, da paz do necessário ócio.
No desastroso pacto do homem com a Natureza (desastroso para os dois, aliás), ele ganhou aptidões para ser mais que simplesmente bicho. E deu em troca sua paz. E nem se apercebe disso, julga vantajosa a péssima troca feita.
As pessoas, inclusive, não conseguem viver em paz, têm que estar dentro do olho de algum furacão, têm de estar mergulhadas em algum barulho, algum caos.
Na quarta-feira, teve um jogo de futebol de decisão, ou classificação, ou sei lá o quê, e durante umas três horas não se conseguia fugir, a coisa estava no ar feito um vírus, do barulho de fogos de artifício e horrendas vozes humanas a gritar. Uma boa parte daquelas pessoas trabalhou o dia inteiro, provavelmente. Como não sentem a necessidade da paz de que falei? Como conseguem se divertir assim?
Na quinta-feira, outro jogo, outro campeonato idiota qualquer. E a situação se repetiu, ainda mais intensa. É inacreditável a facilidade com que o idiota consegue se divertir.
Estou ficando com medo.
Há um sentimento inédito a me rodear, a procurar um local de abordagem, um que eu nunca nutri por nada ou ninguém.
A inveja. E isso nem é o pior. O pior é o alvo dessa incipiente inveja.
Estou com medo.
Acho que estou ficando com inveja dos idiotas.

É Uma Mulher Quem Está Dizendo

O artigo abaixo foi escrito por Ruth de Aquino e publicado na Revista Época, 29/07/2010. 
"Mulheres traem pelo mesmo motivo que homens: por desejo, por vontade. A diferença é que elas costumam culpar o marido ou o namorado. “Ele não me dava mais atenção”, dizem. “Não era mais romântico, não me elogiava, nem sexo queria.”
O livro mais recente da antropóloga Mirian Goldenberg desfaz o mito de que o homem trai por sexo e a mulher trai por amor ou desamor. Se assim fosse, o homem seria sempre culpado: quando trai e quando é traído. Não é justo com eles.
Homens e mulheres gostam de acreditar que o marido é safado por natureza, e a mulher casada é santa por dedicação. Esses rótulos podem parecer convenientes, mas contaminam as relações amorosas. Trabalhando há 22 anos com dilemas de casais, Mirian diz, em seu livro Por que homens e mulheres traem?, que a maior diferença entre eles e elas não é o comportamento, mas o discurso.
“Em vez de assumirem o desejo, as mulheres preferem se fazer de vítimas. Sentimentalizam o caso extraconjugal e botam a culpa no marido. Os homens assumem ter sido infiéis porque quiseram. Raramente culpam a própria mulher.”
Cada vez mais, porém, a infidelidade feminina segue os mesmos padrões da infidelidade masculina. No livro da antropóloga, “Mônica” é uma mulher dos novos tempos. “Ela está muito bem em seu casamento e ama o marido. Mas surge um desejo sexual louco e novo em sua vida e ela se joga nele. Rompe a calmaria porque decide viver seu próprio prazer.”
O desejo de se sentir desejada conduz a pequenas e grandes infidelidades femininas. As mulheres escutaram, quando crianças, que seu maior objetivo na vida seria casar e ter filhos. No futuro, elas teriam um único homem para chamar de seu. E seriam únicas para um homem só. A idealização da monogamia romântica não mudou muito, mas a realidade a longo prazo é bem outra.
Mulheres são um pouco Leila Diniz no exercício da sedução, mas não necessariamente na transgressão. As obrigações sociais jogam sua libido num lugar invisível e inatingível. Várias sublimam o prazer ao assumir o papel de mãe. Isso não significa que abram mão de suas fantasias. Conheci mulheres absolutamente certinhas, monogâmicas, que casaram virgens e têm sonhos delirantemente libertários.
Algumas não se contentam em fantasiar. Catherine Deneuve, em A bela da tarde, de Buñuel, é uma das personagens mais enigmáticas do cinema. Bem casada, rica, belíssima, ela se entrega a desconhecidos após o almoço como prostituta de luxo. É um exemplo extremo de desvio. Mas, se a infidelidade feminina fosse apenas um fetiche, Nélson Rodrigues não teria tocado com tanta propriedade a alma da classe média brasileira. Novelas como a atual Passione soariam falsas. Ali, as protagonistas traem compulsivamente, das cinquentonas às ninfetas. Traem por desejo, por sexo, por diversão.
O psicanalista Contardo Calligaris acha que as mulheres são tão infiéis quanto os homens. Não vê nisso um problema. “As mulheres só são campeãs na fidelidade companheira e solidária. Em hospitais ou presídios, os visitantes são mulheres. Mas, sexualmente, não vejo diferença. Caso contrário, existiria um problema lógico. Se os homens heterossexuais são infiéis, quem são suas amantes – todas solteiras e livres ou também casadas e namorando outros?”
Contardo acha a palavra infidelidade muito pesada para a traição puramente sexual: “Jamais deixaria minha mulher se ela me contasse algo parecido. Mas sou fiel. Acho um saco trair. Ter outra relação dá um trabalho horroroso”.
Nos tribunais do Rio de Janeiro, recentemente, o juiz Paulo Mello Feijó ignorou o pedido de indenização por danos morais de um marido traído. Para o juiz, marido traído é marido relapso. “Homens de meia-idade, já não tão viris, descarregam suas frustrações nas mulheres, chamando-as de gordas e deixando-lhes toda a culpa por seu pobre desempenho. E elas buscam o prazer em outros olhos, outros braços, outros beijos (...) e traem de coração.”
A ideia de que a mulher só trai por razões sublimes, “de coração”, não corresponde à realidade. Se ela for infiel, será por desejo e por vontade própria. "

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Templo de Salomão

O "bispo" (P)Edir Macedo, da Igreja Universal, conseguiu o alvará da prefeitura de São Paulo para a construção de uma réplica do Templo de Salomão.
A obra será erguida no bairro paulistano do Brás, terá 80 mil metros quadrados de área construída, 18 andares (aproximadamente 55 metros), altar e fachada construídos com pedras importadas de Israel e com capacidade para abrigar 13 mil idiotas. Tudo pela bagatela de R$ 200 milhões.
Parece absurdo? E é. Mas o "bispo" (P)Edir pede e o povo dá. Será que o cara tá errado? Não, de jeito nenhum. O povo adora ser explorado.
De qualquer forma, o novo templo da Universal não é maior que a Basílica de São Pedro no Vaticano, com seus mais de 40 altares, 500 colunas internas, mais de 400 estátuas, altura de 35 andares e com capacidade de abrigar 60 mil idiotas.
Não é maior nem mesmo que a brasileira basílica de Aparecida do Norte, com sua cúpula central atingindo 70 metros de altura e lotação para 45 mil idiotas. E a catedral da Sé, em São Paulo, com suas 800 toneladas de mármore no acabamento?
Será que o dinheiro dessas igrejas católicas veio de onde? Diretamente de deus?
Só o (P)Edir Macedo é que não pode explorar a ignorância?
As igrejas não precisam brigar entre si, ficarem se atacando, há idiotas o suficiente para todas.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Juizes Acusados de Corrupção São Premiados

No Brasil, o trabalhador comum tem que trabalhar 30, 35 anos para conseguir uma merda de aposentadoria que nem integral é, o cara aposenta e tem seus proventos reduzidos substancialmente.
Em compensação, os juízes Paulo Medina e Carreira Alvim, acusados de recebimento de propina, venda de sentenças e envolvimento com a máfia dos caça-níqueis, foram premiados, hoje, pelo Conselho Nacional de Justiça com suas aposentadorias compulsórias.
Será que ninguém pensou na hipótese de uma boa cela para os dois? Dizem que a culpa não foi provada. Parece-me que a inocência também não, ou os dois já estariam por aí jactando-se de suas idoneidades.
Ainda por cima, o corregedor nacional de justiça, Gilson Dipp, julgou procedente o processo administrativo disciplinar aplicado. Processo disciplinar? Onde? Os caras receberam um prêmio, se meteram em maracutaia e foram aposentados, sem nenhum prejuízo. Mas é óbvio que juiz não pune juiz. O hoje punidor pode ser amanhã pego em similar situação e tem que garantir para si sentença semelhante, tem que garantir sua aposentadoria, sua tranquilidade na velhice. Cada um senta em cima do próprio rabo e a nave segue em frente.
E ainda dizem que eu, professor, tenho de ensinar cidadania aos meus alunos...
Por sorte, os adolescentes de hoje assistem muito pouco a noticiários e, quando assistem, só se interessam por futebol e fofoca da vida alheia.
Por sorte, sim.
Se eles se inteirassem desse tipo de notícia, seria mais um péssimo exemplo praticamente impossível de se combater em sala de aula, dentre os tantos já existentes.