sábado, 6 de agosto de 2011

Não É Carnaval, Mas É Madrugada (6)

Noite dos Mascarados
(Chico Buarque)  


- Quem é você?
- Adivinha, se gosta de mim!

Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:

- Quem é você, diga logo...
- Que eu quero saber o seu jogo...
- Que eu quero morrer no seu bloco...
- Que eu quero me arder no seu fogo.

- Eu sou seresteiro,
Poeta e cantor.
- O meu tempo inteiro
Só zombo do amor.
- Eu tenho um pandeiro.
- Só quero um violão.
- Eu nado em dinheiro.
- Não tenho um tostão.
Fui porta-estandarte,
Não sei mais dançar.
- Eu, modéstia à parte,
Nasci pra sambar.
- Eu sou tão menina...
- Meu tempo passou...
- Eu sou Colombina!
- Eu sou Pierrô!

Mas é Carnaval!
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.

Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Os Ateus São Mais Inteligentes - Richard Lynn

O cientista afirma que as pessoas de Q.I. mais alto tendem a questionar a existência de Deus
O pesquisador britânico Richard Lynn dedicou mais de meio século à análise da inteligência humana. Nesse tempo, publicou quatro best-sellers e se tornou um dos maiores especialistas no assunto. Nos últimos 20 anos, passou a investigar as relações entre raça, religião e inteligência. Ao publicar um trabalho na revista científica Nature, que sugeria que os homens são mais inteligentes, um grupo feminista o recepcionou em casa com o que ele chamou de salva de ovos. O mesmo aconteceu quando disse que os orientais são os mais inteligentes do planeta. “Faz parte do ofício de um cientista revelar o que as pessoas não estão prontas para receber”, diz. Ao analisar mais de 500 estudos, Lynn disse estar convencido da relação entre Q.I. alto e ateísmo. “Em cerca de 60% dos 137 países avaliados, os mais crentes são os de Q.I. menor”, disse. Seu trabalho será publicado em outubro na revista científica Intelligence.
ÉPOCA — Por que o senhor diz que pessoas inteligentes não acreditam em Deus?
Richard Lynn — Os mais inteligentes são mais propensos a questionar dogmas religiosos. Em geral, o nível de educação também é maior entre as pessoas de Q.I. maior (um Q.I. médio varia de 91 a 110). Se a pessoa é mais educada, ela tem acesso a teorias alternativas de criação do mundo. Por isso, entendo que um Q.I. alto levará à falta de religiosidade. O estudo que será publicado reuniu dados de diversas pesquisas científicas. E posso afirmar que é o mais completo sobre o assunto.
ÉPOCA — Segundo seu estudo, há países em que a média de Q.I. é alta, assim como o número de pessoas religiosas.
Lynn — Sim, mas são exceções. A média da população dos Estados Unidos, por exemplo, tem Q.I. 98, alto para o padrão mundial, e ao mesmo tempo cerca de 90% das pessoas acreditam em Deus. A explicação é que houve um grande fluxo de imigrantes de países católicos, como México, o que ajuda a manter índices altos de religiosidade nas pesquisas. Mas, se tirarmos as imigrações ao longo dos últimos anos, a população americana teria um índice bem maior de ateus, parecido com o de países como Inglaterra (41,5%) e Alemanha (42%).
ÉPOCA — Cuba é um país mais ateu que os Estados Unidos, mas o nível de Q.I. não é tão alto.
Lynn — Você tem razão. É outra exceção. Pela porcentagem de ateus (40%), o Q.I. (85) dos cubanos deveria ser mais alto que o dos americanos. Mas há também aí um fenômeno não natural que interferiu no resultado. Lá, o comunismo forçou a população a se converter. Houve uma propaganda forte contra a crença religiosa. Não se chegou ao ateísmo pela inteligência. A população cubana não se tornou ateia porque passou a questionar a religião. Foi uma imposição do sistema de governo.
ÉPOCA — E o Brasil, como está?
Lynn — O Brasil segue a lógica, um porcentual baixíssimo de ateus (1%) e Q.I. mediano (87). É um país muito miscigenado e sofreu forte influência do catolicismo de Portugal e dos negros da África. Fica difícil mensurar a participação de cada raça no Q.I. atual. O que posso dizer é que a história do país se reflete em sua inteligência.
ÉPOCA — O senhor quer dizer que a miscigenação influenciou nosso Q.I.?
Lynn — Sim, é uma hipótese em análise ainda. Os japoneses são os indivíduos que na média têm o maior Q.I. (105) entre as raças estudadas. É mais alto que o dos europeus e dos americanos. Em negros da África Subsaariana, o resultado foi 70. Em negros americanos, esse valor é maior (85). Isso pode ser explicado pelos 25% dos genes da raça branca que os negros americanos possuem.
ÉPOCA — O senhor está sugerindo que índios, brancos e negros têm Q.I. diferente entre si?
Lynn — Exatamente. Isso se explica pela história da humanidade. Quando os primeiros humanos migraram da África para a Eurásia, eles encontraram dificuldade para sobreviver em temperaturas tão frias. Esse problema se tornou especialmente ruim na era do gelo. As plantas usadas como alimento não estavam mais disponíveis o ano inteiro, o que os obrigou a caçar, confeccionar armas e roupas e fazer fogo. Ao exercitar o cérebro na solução desses problemas, tornaram-se mais inteligentes. Há também uma mutação genética que teria acontecido entre asiáticos e dado uma vantagem competitiva a essa raça.
ÉPOCA — O senhor chegou a alguma conclusão sobre a inteligência das raças?
Lynn — Sim. Os asiáticos são os mais inteligentes. Chineses, japoneses e coreanos têm o Q.I. mais alto (105) da humanidade. E isso acontece onde quer que esses indivíduos estejam, seja no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa ou em seu país de origem. Em seguida, vêm europeus (100) e nas últimas posições estão os aborígenes australianos (62) e os pigmeus do Congo (54).
“Os negros americanos são mais inteligentes que os africanos porque têm 25% de genes da raça branca”
ÉPOCA — Se fosse assim, seria mais fácil encontrar um gênio entre os japoneses ateus, não?
Lynn — Não. Os asiáticos têm Q.I. alto, mas são um grupo mais homogêneo. Há menos extremos positivos e negativos. Eu não diria que é mais fácil nem mais difícil. Na verdade, não sei. Os gênios aparecem em todos os povos, em todos os países, mas é difícil medi-los. E não é porque se é religioso que se é menos inteligente. Mas há uma tendência de encontrar Q.I. mais alto em pessoas não-religiosas. Em minha opinião, isso acontece porque a inteligência aprimorada leva ao questionamento da religião.
ÉPOCA — Há outras habilidades relacionadas ao sucesso profissional e à felicidade, além do Q.I.?
Lynn — Os testes de Q.I. não devem ser tomados como a coisa mais importante da vida. Há muito de cultural nesses testes. E isso se reflete no mau desempenho de tribos rurais. Há também a tão alardeada inteligência emocional e uma série de características sociais que geram vantagem nos tempos modernos. Mas insisto que o Q.I. é um item fundamental para medir a inteligência de uma pessoa.
ÉPOCA — Que outras conclusões podemos tirar a partir do teste de Q.I.?
Lynn — Inúmeras. É uma área de estudos muito produtiva hoje em dia. Acredita-se que pessoas com Q.I. elevado tenham menores índices de mortalidade e menos doenças genéticas. Aparentemente, há uma relação forte entre saúde e Q.I. alto. Os indivíduos mais inteligentes também apresentam menos risco de sofrer de depressão, estresse pós-traumático e esquizofrenia.
ÉPOCA — Qual é seu Q.I.?
Lynn — Meu Q.I. é 145 (Lynn seria superdotado de acordo com a escala mais popular de Q.I. ). É um número alto, eu sei, mas não destoa entre os colegas da academia. Há Q.I.s mais altos que o meu na Academia de Ciências dos EUA. Mas lá também vale a regra. O número de ateus chega a 70%.
ÉPOCA — Como o senhor vê o papel da religião na sociedade?
Lynn — A religião é um instinto, o homem primitivo tem crença religiosa e isso, por algumas razões, se manteve até hoje. Mas, acredito, somos capazes de superar isso com a razão.
 
Richard Lynn é professor emérito e chefe do Departamento de Psicologia da Universidade do Ulster, na Irlanda do Norte. É Ph.D. pela Universidade de Cambridge, é um dos maiores especialistas em estudos de inteligência em raças e gêneros. Publicou quatro livros sobre inteligência ligada à raça e ao sexo, entre eles Race Differences in Inteligence: an Evolutionary Analysis, e dezenas de artigos em revistas científicas, como a britânica Nature.

MEU MENINO

Eu gostava muito daquele menino... 
Pra onde quer que fosse 
Ou fosse o que fosse fazer, 
Ele nunca dizia: 
“vou almoçar, 
vou comprar gibi, 
vou chupar limão com sal, 
vou pra escola, 
vou fazer briga de saúvas, 
vou brincar de cientista louco, 
vou me trancar no quarto pra me esconder da visita, 
vou ao cinema, 
vou ler Monteiro Lobato, 
vou pôr fogo naquele terreno baldio...”

Eu gostava muito daquele menino... 
Pra onde quer que fosse 
Ou fosse o que fosse fazer, 
Ele sempre dizia: 
“Vou vagalumear”.

Eu gostava tanto daquele menino... 
E sofro de incomensurável saudade dele.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Carlos Apolinário E O Orguho Do Macho

A Câmara de São Paulo aprovou nesta terça-feira o projeto de lei do vereador Carlos Apolinario (DEM) que cria o Dia do Orgulho Heterossexual, a ser comemorado no terceiro domingo de dezembro. 
Na minha opinião, acho uma data desnecessária no sentido de resgatar o orgulho em ser macho, macho é macho e fim de papo, bebe cerveja e peida alto, sempre teve orgulho de sua rudeza, macho sempre se declarou macho, não há macho enrustido, nunca ninguém ouviu falar que fulano saiu do armário e assumiu sua macheza. Portanto, em relação ao orgulho de coçar o saco, não vejo necessidade da solene data, ele sempre existiu.
Por outro lado, considero uma data extremamente válida na composição de uma frente de protesto contra os privilégios e regalias que a viadada vem ganhando dia a dia. Uma data de grande importância como alerta ao domínio gradativo de um grupo de comportamento antinatural, a ser respeitado, mas não imposto aos normais como o novo padrão sexual da espécie. Daqui a pouco sai uma lei que obriga o sujeito a queimar a rosca.
Em resumo, eu apoio a iniciativa corajosa do vereador; não marcho, mas apoio.
A votação do projeto foi simbólica, ou seja, quem fosse contrário teria que se manifestar. Dos 50 vereadores que registraram presença, 19 ficaram contra. Até o cantor Agnaldo Timóteo foi a favor do Dia do Orgulho Hetero.
Até aí, tudo muito bom, tudo muito bem. Mas bicha é foda. Não pode ficar quieta de jeito nenhum. Só o viado é que pode sair às ruas exaltando sua sexualidade torta, ninguém mais pode. A ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), uma espécie de gestapo gay, divulgou ontem (03/08/2011) uma carta aberta ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), pedindo que ele vete o projeto de lei.
Os entubadores de brachola, revoltadíssimos, justificam o pedido dizendo haver motivos históricos para o ocorrência do dia do orgulho gay, mas não para o do orgulho hetero. Quer dizer que, agora, dar o cu virou fato histórico? Seguem dizendo que "não há razão para criar o Dia do Orgulho Hétero pela simples preservação da moral e dos bons costumes."  Pela "simples" preservação da moral e dos bons costumes?
Nada disso me assusta. Para essa raça, moral e bons costumes são conceitos mais que abstratos, são inexistentes. Afinal, o que é preservar a moral e os bons costumes para quem não preserva nem as próprias pregas do butão? 
A coisa é dita descaradamente, os gays representados pela ABGLT querem acabar com a moral e os bons costumes, que nada mais são que as diretrizes que mantém uma sociedade minimamente funcional. Querem fuder a sociedade, dizem isso abertamente e poucos percebem. Carlos Apolinário é um deles; Jair Bolsonaro, outro. A maioria bate palma sem nem saber para o quê, até o dia em que for tarde demais, até o dia em que já estiverem com metade da pistola do Kid Bengala atolada em seus distraídos rabos, aí não adianta lamentar e dizer que ninguém avisou.
Kassab tem 15 dias para decidir se sanciona ou veta o projeto, e diz estar em conversa com seu departamento jurídico para saber se há embasamento legal em impor um veto ao projeto, uma vez que está entre as atribuições do Legislativo criar datas comemorativas. De qualquer forma, se Kassab vetar, os vereadores podem derrubar o veto e transformar o projeto em lei mesmo contra a vontade do prefeito.
Tem é que vetar o cu dessa viadada.

domingo, 31 de julho de 2011

O Melhor Legado É A Falta Dele

Joguei, hoje, uma obra-prima a um bueiro, aos esgotos; antes havia jogado outra ao rio poluído.
Obras-primas são perigosas, nocivas. Deixam rastros, trilhas facílimas de se seguir, aliás, impossíveis de não se seguir. Obras-primas obliteram outras veredas, outras possibilidades.
Joguei, hoje, uma obra-prima a um bueiro, aos esgotos; antes havia jogado outra ao rio poluído.
No começo, doeu-me um pouco, mas uma vez jogadas e sem chances de recuperação, vi que a dor passa logo, além de não se mostrar tão intensa como eu supunha; nem marejou-me os olhos ver a obra-prima encharcar e afundar em águas barrentas.
Joguei, hoje, uma obra-prima a um bueiro, aos esgotos; antes havia jogado outra ao rio poluído.
Obras-primas induzem à preguiça. O caráter de insuperáveis e inigualáveis dado a elas, leva à prostração, como se a existência de uma delas já justificasse a existência da humanidade e nada precisasse mais ser feito, ou melhor feito. Joguemos todas ao lodo.
Joguei, hoje, uma obra-prima a um bueiro, aos esgotos; antes havia jogado outra ao rio poluído.
Não quero meu filho com a cabeça entupida e interditada por obras-primas e mapas de viagem.
Joguei, hoje, uma obra-prima a um bueiro, aos esgotos; antes havia jogado outra ao rio poluído.
Se pudesse, legaria ao meu filho um mundo sem estradas e sem obras-primas.
Um mundo sem Dantes ou Quixotes.

sábado, 30 de julho de 2011

O Mugido Do Rebanho

Algumas espécies - marcadamente a humana - têm poderosos componentes gregários em seu genoma. Genes que possibilitam aos seus portadores fazerem concessões absurdas ao coletivo, e mesmo aceitarem como naturais as sandices das relações em bandos. Genes que conduzem seu portador a matar sua identidade individual em troca de uma carteirinha de sócio do grei; e, pior, achar isso bom e desejável.
Os genes gregários produzem em seus portadores o desejo irrefreável de sentirem-se parte de uma estrutura maior, incutem-lhes uma urgência visceral de se dizerem uma engrenagem de um mecanismo, ainda que o resultado do processo beire a idiotia. Que é o que sempre ocorre : todo bando é idiota e ridiculo.Os genes gregários minimizam o sujeito, tolhem o aprimoramento de sua individualidade plena. Porém, se presentes em pelo menos 95% da humanidade, se tão arraigados no genoma humano, devem, por outro lado, proporcionar alguma vantagem evolutiva, devem ter alguma utilidade, certo? Já tiveram.
A utilidade e precisão dos genes gregários eram óbvias e evidentes em nossos ancestrais das cavernas; igualmente claras e cristalinas eram as vantagens que conferiam aos seus portadores : ridiculamente fracos que somos e expostos que éramos a um ambiente profícuo em predadores muito mais fortes, ágeis e equipados em nos trucidar, a loucura do coletivismo era a melhor opção de sobrevivência, meno male.
À época das cavernas, os indivíduos geneticamente mais hábeis em se manterem integrados a um grupo, mais predispostos à tolerância do insano, tinham chances enormemente maiores de sobreviver que os afeitos à plácida e prazerosa solidão. As vaquinhas de presépio viviam mais, deixavam mais descendentes, que herdavam seus genes gregários, que também viviam mais que os descendentes dos solitários, e que também geravam mais crias gregárias mais longevas, ad infinitum.
Por conseguinte, a espécie humana, ainda hoje, digamos 30 mil anos após, é composta preponderantemente pelos descendentes dos gregários, poucos são crias e depositários dos genes dos solitários - o que é meu caso. Acontece que 30 mil anos pouco representam para o processo evolutivo, esses genes perderam sua utilidade inicial, mas não houve tempo hábil da evolução removê-los. Hoje, considero seus efeitos como verdadeiras doenças.
Para piorar, o ser humano - e isso quem diz é o próprio - desenvolveu a tal racionalidade, a qual, de repente, colocou-o num impasse : como ser racional e, concomitantemente, continuar a atender um instinto primal, que é o que a coletividade é ? A partir daí, ele começou a criar uma infinidade de justificativas para continuar a ser um idiota de bando, um sem-número de racionalizações para disfarçar sua incapacidade de resistir em sentar-se em torno de uma fogueira e, acompanhado de outros macacos barulhentos, mascar uma bela coxa de mamute assada; criou dezenas de explicações para sua incompetência em se estabelecer como indivíduo, para sua inabilidade em verdadeiramente SER.
Hoje, longe de resguardar o rabo de seus portadores das presas de um tigre-de-dentes-de-sabre, esses genes gregários os protegem da exasperação de SER. A solidão abre espaço para o autêntico pensamento (ninguém pensa nada que preste em grupo) e para a inquietação, o incômodo e mesmo a angústia que ele desencadeia. O coletivismo dá, ao seu agregado, o conforto da resposta fácil (e daí que ela seja falsa e inócua?), dá-lhe a felicidade do idiota. Por isso, esses genes permanecerão ainda por muito tempo no pool gênico do Homo sapiens, talvez para sempre.
Atualmente, no meu entendimento, há uma tétrade a manter e mais aglutinar o gregarismo : a religião, o esporte, o lazer e as datas comemorativas. Durante um tempo, por exemplo, tentei ver um sentido na comoção doentia causada pelo tal futebol, e a resposta foi que não há sentido algum. E nem precisa haver. O sentido não está nas regras do esporte, tampouco em suas técnicas e táticas, está no futebol ser um excelente pretexto para o bando se reunir em tumulto, o sentido é que ele atende a uma diretriz genética inabalável.
Idem para a religião : rezar, subjugar-se, humilhar-se perante a um deus inexistente, qual o sentido? Nenhum. Exceto, de novo, o da protetora e emburrecedora aglutinação. Natal, Ano Novo, aniversários, Dia dos Pais, das Mães... tudo desculpa para o bando se reunir. Shows, boates, bares, cinemas, shoppings centers : idem e ibidem.
Eu não tenho os genes do gregarismo, definitivamente. Sou imune a aglomerações de toda e qualquer modalidade. Nunca, desde minha infãncia, vi coerência alguma em torcer numa final de copa do mundo, rezar para algum deus ou ser festejado e aplaudido por familiares apenas por conseguir, de um só fôlego, extinguir as débeis chamas de meia dúzia de velas fincadas num bolo. Em épocas de escola, detestava os trabalhos em grupo. Considero-me privilegiado nesse aspecto, em ser supresso desses genes, dei-me bem na loteria genética. Há os ônus, contudo.
Recentemente, perdi um amigo por conta dessa sua necessidade gregária; como alguns outros, antes dele, no decorrer de meu pequeno meio século de vida. Ele bem que tentou, mas acabou por capitular ao chamado do bando. Perdi-o. Sem dramas. O imperativo evolucional da espécie é inexorável. O mugido do rebanho é irresistível canto de sereia à maioria dos ouvidos. Foi para os dele, também. Perdi-o. Paciência. Não há nada a se fazer.
Simples assim.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

PETULANTE

Você me disse que eu sou petulante, né?
acho que sou sim, viu?
como a água que desce a cachoeira
e não pergunta se pode passar
você me disse que meu olho é duro como faca
acho que é sim, viu?
como é duro o tronco da mangueira
onde você precisa encostar
você me disse que eu destruo sempre
a sua mais romântica ilusão
e que destruo sempre com minha palavra
o que me incomodou

acho que é sim
como fere e faz barulho o bicho que se machucou
como fere e faz barulho o bicho que se machucou 
(Oswaldo Montenegro)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ateus Espalham Outdoors Polêmicos Em Ruas De Porto Alegre (RS)

A ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) começou uma campanha para combater o preconceito contra os ateus. Outdoors com as mensagens "Religião não define caráter" e  "Somos todos ateus com os deuses dos outros" foram espalhados pela grande Porto Alegre.
O objetivo, segundo a entidade, é combater o preconceito contra quem não acredita em nenhum deus. A campanha já vinha sendo realizada em diversos países, com anúncios em ônibus, há dois anos. Pergunto : para que um verdadeiro ateu quer a aceitação por parte de um religioso, de um idiota, um demente? 
Essa associação deve ser composta de ateus meio afrescalhados, ateus água-com-açúcar, ateus politicamente corretos. E ateu que se preze não é politicamente correto, nem quer a aceitação, ou agradar, ou conviver em harmonia com crentes fanáticos. Ateu de respeito quer que esse povo vá tomar no cu, junto com seus respectivos deuses. Esse é o primeiro ponto falho da campanha.
A campanha sofreu um atraso em sua realização, prevista que estava para o final do ano passado. A ideia primeira era colocar esses cartazes nos vidros traseiros de ônibus que circulam pelas capitais de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e São Paulo. Uma empresa de publicidade chegou a ser contratada, mas na hora do vamos ver, mijou para trás. A solução encontrada foi o uso de outdoors convencionais. 
A ATEA garante que não tem a intenção de ofender ninguém, ou tampouco estimular a discriminação de qualquer credo. Seu intuito é buscar a "igualdade plena" entre ateus e religiosos. Segundo ponto falho da campanha. E o mais grave e imperdoável.
Igualar ateus e religiosos? Impossível. Seus mecanismos cerebrais funcionam diferentemente. E estou sendo bonzinho em dizer que o do religioso funciona de alguma maneira. Igualar ateus e religiosos seria rebaixar em muito a inteligência do verdadeiro ateu.
Concordo com as empresas de publicidade que rejeitaram a campanha no ano passado : a campanha da ATEA é ofensiva, sim. Aos verdadeiros ateus. Igualar-me a um papa-hóstia... ora, vá tomar no cu.
Mas os cartazes são bons; abaixo, o melhor na minha opinião.

sábado, 23 de julho de 2011

Nossa Senhora Do Crack

A cidade de São Paulo ganhou nova santa, a Nossa Senhora do Crack, instalada na região central, a Cracolândia, pelo fotógrafo e artista plástico Zarella Neto. O local de instalação da santa, na Rua Apa, Bairro Santa Cecília, já virou point dos craquentos, assim que a imagem foi acomodada, vários viciados se aglomeraram em torno com seus cachimbos e deram início à primeira missa da santa.
O artista foi felicissimo em sua realização, desconheço fusão mais coerente que a da droga química com a religião, uma vez que drogas as duas são, uma vez que a instrumentos de controle do idiota ambas se prestam.Mas como nada é perfeito, o artista resolveu explicar sua obra, e aí fodeu tudo, artista tem que criar a obra e deixá-la lá, à mercê da interpretação de quem passa, mas ele explicou : "Resolvi democratizar a santa. Ninguém enxerga essas pessoas. Elas merecem proteção. Sou cristão e a santa é do povo", disse Neto, que nasceu e cresceu no bairro. A realização foi meritória, porém a intenção foi errada, a ironia e o sarcasmo deviam ter sido a mola propulsora da estátua, não a falsa preocupação cristã para com um bando de desajustados.
Para piorar, a santa teve a aquiescência do arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, que afirmou não enxergar profanação na obra. Muito sagaz esse arcebispo, devo admitir. Ao aparentemente aprovar a instalação e eximí-la de qualquer caráter profano, ele a desqualifica como obra de arte. Toda arte que se preze, que se possa chamar de tal, tem que ser profana, desrespeitosa, infratora. O bispo, dando seu beneplácito e tornando-a politicamente correta,  a anulou. Inteligentíssimo, odeio admitir.
"Vi e fiquei comovido. O drama dos dependentes químicos não pode nos deixar indiferentes. São humanos, são irmãos, são filhos de Deus. Nossa Senhora do Crack, rogai por eles e por nós também!", disse Dom Scherer.
Canalha esperto !

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Angelina Jolie E As Aranhas Peludas

Nesse mundo de imagens, superficialidades e celebridades, qualquer merda que um famoso disser, por mais sem importânica ou dispensável que seja, acaba virando notícia. E se o famoso for a Angelina Jolie, ganha espaço até aqui, que todo mundo tem seu ponto fraco, mesmo o Azarão.
Durante uma entrevista no Cambodja, Jolie disse que seus filhos adoram comer grilos, que é a comida favorita deles, comem-nos como fossem doritos. Ela lhes deu grilo pela primeira vez para que eles não sentissem repulsa de algo que faz parte de suas culturas, Maddox é cambojando e Pax, vietnamita. Jolie, por cada país miserável que passa, adota uma criança. Não perco as esperanças dela passar por aqui e querer me levar.
Até aí, tudo certo. Nunca tive oportunidade de comer grilos (grelos já comi muito), mas tenho a impressão de que um grilo bem frito deva ter paladar semelhante ao do camarão, artrópodes que são e com exoesqueletos (a casca) formados da mesma proteína, a quitina. Jolie disse que não tem problema algum com esse tipo de comida exótica.
A partir daí, começa a renegar (ou, pelo menos, tentar ocultar) seu passado, seu passado de porra louca, de pura biscatice, de verdadeira Jolie : revela que também já comeu grilos e experimentou, inclusive, besouros, mas que ainda não teve coragem de provar tarântulas ou sopa de aranhas. "Eu não sei se eu consigo lidar com o pelo, mas temos que tentar de tudo." 
Há! Há! Há! Quer dizer que ela nunca pôs a boca num aranhão peludo? Nunca tomou um caldinho saído de uma baita caranguejeira cabeluda? Me engana que eu gosto, Jolie. Aliás, faça qualquer coisa, que eu continuo gostando.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Novo Disco do Chico

O novo CD do Chico, "Chico", já vazou na rede. Aí vai um bom link para baixá-lo, a quem interessar possa :
http://www.mp3mp4mp5players.net/cd-chico-buarque-chico-download-novo-cd-2011-chico-buarque.html

Uma Bela Imagem

Natalia Asveenko, russa, campeã de mergulho livre e apneia, nada completamente nua ao lado de baleias beluga no Mar Branco, próximo ao Círculo Polar, no noroeste da Rússia, temperatura da água próxima aos -2ºC. Corajosa, a moça. E bem gostosinha.
Para mais fotos, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

Padre Se Recusa A Casar Noiva Sem Calcinha E Com A Xana Depilada

Essa foi muito boa. Aconteceu em Maceió, Alagoas, na paróquia da Sagrada Família sob a batuta do Padre Jonas Mourinho.
A implicância do padre começou já de início, ao ver o enorme decote nas costas do vestido da noiva, Enislene Alcântara, 25 anos, professora (só podia ser), o decote ia até a entrada do rego. Ao ficar de frente para o noivo no altar, ela exibiu toda aquela "lomba" para o padre, diante do que, suspeitou que a moça estivesse sem calcinha : ordenou que a moça acompanhasse uma ministra da eucaristia (uma daquelas beatas que vivem assoprando o famoso apito de chamar anjo) até a sala da sacristia para uma averiguação.
A ministra confirmou a suspeita do padre, cujo veredicto foi imediato, a suspensão da cerimônia, pois a noiva não estava respeitando a santidade do altar. Após comunicar aos pais da noiva, o padre subiu ao altar e dispensou os mais de 200 convidados presentes. Além disso, a ministra do padre verificou outro pormenor em seu escrutínio, a noiva estava com a buceta toda depilada, o que o padre interpretou com "um flerte à pedofilia", afinal os pelos da buça marcam a passagem da infância para a vida adulta. Nisso, eu concordo com o padre, não sei que história é essa de raspar a xana, bucetão tem que ser cabeludo.
A retaliação da noiva foi imediata. Disse que realmente estava sem calcinha e que se o padre notou é porque ele estava de "taradice" para com ela, se notou é porque não a estava olhando com os olhos puros de um sacerdote. Biscate é biscate, não tem jeito. Ela é que vai para a cerimônia a arreganhar aquilo que só o noivo deveria ver e o padre é quem é o culpado. Não sou de defender padre, mas realmente é muito difícil olhar para um olho do cu com olhos de pureza.
O casal resolveu o problema, o casamento será celebrado na umbanda, religião do noivo.  O padre ampliou e atualizou o conteúdo da apostila de seu curso preparatório de noivas, acresceu duas novas observações, "noiva sem calcinha é satanás na cabecinha" e "vagina careca é o diabo na boneca". Perfeito. Primoroso.
O padre tá certo, cada coisa no seu lugar, alguém tem que botar ordem nessa zona. Não pega nada bem uma nubente contrair as sagradas núpcias com o jilózinho de fora. Muito menos a um padre, celebrar o matrimônio de pau duro.
Fonte : A Província

Brasil X Paraguai : Quem É O Produto Falsificado ?

Coloquei aqui, há uns dias, a classificação do Brasil na "Copa América do IDH", e o resultado desastroso se repete agora na Copa América do Futebol, o último orgulho nacional, uma merda de um esporte de analfabetos. 
Eu acho é bom, adoro ver jogador de futebol chorando, se fazendo de coitadinho. Os filhos das putas ganham milhões para chutar uma bosta de um pedaço de couro (plástico ou sei lá do que é feita a porra da bola hoje) e nem isso fazem direito. E olha que a bola tem um diâmetro que não ultrapassa os 25 cm contra os mais de sete metros de largura do gol. Perderam do Paraguai. Que pena que eu não assisto a futebol. Se eu soubesse com antecedência os jogos em que a selecinha iria se fuder, assistia a todos. Só pra ver as caras de cu dos jogadores, do técnico e dos torcedores banguelos.
Aí começa aquela história do injustiçado, do coitadinho, brasileiro adora se fazer de coitadinho, aí começam a dizer que a seleção "caralhinho" teve muito mais tempo de posse de bola, que dominou o jogo o tempo inteiro, que criou mais oportunidades de gol etc etc. Criar oportunidades de gol...puta que o pariu!!! É muita cara-de-pau. Grande merda criar oportunidades, se isso valesse de alguma coisa, minha adolescência teria sido um parque de diversões, vocês nem imaginam o tanto de oportunidades de comer buceta que eu já criei, porém... E estão dizendo que a culpa foi do Paraguai, que só jogou na retranca, que não deixou os brasileiros marcarem gol, que não deram liberdade de jogo. Mas não é essa a ideia, não deixar o outro marcar? Puta que o pariu, de novo.
Só que pênalti, eu nunca perdi. Isso nunca. Se a incauta caísse na marca do pênalti, já era. Era bola dentro, com certeza. Quer dizer, as bolas não, né? Li agora que os craques de "nosso" escrete perderam todos os quatro pênaltis que cobrarm. Foi isso, mesmo? Há!Há!Há! O idiota fica a 11m de um portal de 7,30 m para colocar ali um objeto de pouco mais de 20 cm de diâmetro. E ainda consegue errar. E ainda conseguem dizer que não tiveram sorte, que não era o dia. Sem nenhum exagero e nenhum orgulho em dizer : até eu consigo.
Quando queremos depreciar a qualidade de um produto ou dizê-lo de procedência duvidosa, dizemos que ele foi feito no Paraguai. Parece-me que, ao menos em relação ao futebol, os falsificados são os brasileiros. Pior : falsificados e muito mais caros.
E eles ainda têm a Larissa Riquelme, tudo bem que a repetitiva mise-en-scène da moça já cansou um pouco, mas que ela continua sendo um belo par de peitos, isso continua.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Dia do Homem

Hoje, 15 de julho, é comemorado (por quem?) o Dia do Homem, no Brasil.
Sobre isso, só tenho a dizer : É muita viadagem pro meu gosto !!!

Cerveja Colônia, Boa e Barata

A minha suposta sovinice já é lendária tanto entre meus familiares quanto entre meus poucos e seletos amigos, mas é pura maledicência que eu seja pão-duro, canguinha, mão de vaca ou que tenha um escorpião no bolso. 
A questão é que gasto (bem) menos que a média das pessoas com quem convivo, e não que me prive de algo que realmente eu precise, nada disso. É que eu não me deixo levar por rótulos coloridos e cheios de design, não me deixo influenciar por propagandas pirotécnicas e fartas de bundas e peitos (gosto de ver as bundas e peitos, mas eles não me convencem a comprar nada), não me impressiono com o que está na moda e nem quero nada em grandes quantidades. Não pago caro por um produto se há outro mais barato que me tenha a mesma função e serventia. Não é questão de avareza, é de bom senso, de inteligência. Sempre que possível, só compro mesmo do mais barato. E ponto. E, muitas vezes, o mais barato tem qualidade até superior.
É o caso da cerveja. Nunca tive frescura pra essa coisa de marca de cerveja. Primeiro que não tenho paladar refinado a ponto de diferenciar o tipo de lúpulo, malte e etc (e desconfio grandemente de quem diz que o tem); segundo que você toma a cerveja agora e, meia hora depois, já a está mijando; terceiro que o ramo cervejeiro é dominado por grandes multinacionais que, obviamente, têm interesse em manter a qualidade do seu produto seja em que país atue e que marca ela represente (está tudo padronizado); por último que hoje não tem mais isso de fórmula secreta, qualquer químico meia-boca com um espectofotômetro ou cromatógrafo a gás desvenda a composição de qualquer produto.
O grande diferencial de uma cerveja para outra é o que eu já disse : é o rótulo, é a propaganda direcionada para esse ou aquele público-alvo, são as "celebridades" que aparecem dizendo que as tomam, são os eventos que cada marca patrocina etc. O líquido é praticamente o mesmo. Por isso, em matéria de cerveja não há exceção, eu só compro da mais barata que eu achar. Tanto que mantenho a seção Boa e Barata aqui no blog desde o seu ínicio, onde dou dicas de cervejas boas e baratas, todas devidamente degustadas por mim.
Essa semana, olhando um desses folhetos de supermercado que chutamos pelo chão, vi uma oferta de cerveja na rede de mercados Assaí, cerveja Colônia por R$ 0,72 a latinha. Imediatamente, comuniquei minha intenção de adquirir tal pechincha à minha esposa, que torceu o nariz para a minha descoberta, deixando evidente que ela não tomaria Colônia. A preferida dela é a Kaiser, sempre foi, e depois que a Kaiser recebeu o selo de qualidade do ITQI (International Taste & Quality Institute) de Bruxelas, Bélgica, ela vive me tirando sarro e se vangloriando de seu paladar.
Comprei a cerveja barata, é claro. E não é que no alto da latinha da Colônia, bem pequenininho, quase nem vi, está também lá o tal do selo do ITQI?  Há!Há!Há!Há! A Colônia - fabricada no RS e de propriedade, se não me engano, do apresentador Ratinho - tem qualidade reconhecida internacionalmente pelo ITQI, que é uma organização independente composta por chefes e sommeliers cujo objetivo é promover testes e a degustação de alimentos e bebidas superiores. A Colônia, depois pesquisei no site do ITQI, foi premiada por dois anos consecutivos, 2007 e 2008. E o que é melhor, bem melhor : por setenta e dois centavos a latinha.
Que se fodam as Bohêmias, as Originais, as Skóis, as Brahmas e que tais. Que se fodam os manés que pagam mais caro pela mesma merda que eu. Daqui pra frente, eu só tomo Colônia. Quer dizer, até que se mantenha a oferta no Assaí ou apareça marca mais barata.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mares De Rum

Eu escrevi essa em 1992 - época em que eu cavalgava tsunamis de rum - e agora a ponho aqui em reverência ao Tio Ozzy, leitor (quase) assíduo do Marreta e também muito afeito à verdadeira bebida do macho, também membro da confraria do Pirata. 
Hoje, navego águas mais calmas, aquários de cerveja, digamos assim, mas navego. Porque é preciso. E necessário.

MARES DE RUM
Embriago,
Me largo,
Transcendo cedo demais.
Furo os ventos, encaro penedos,
Enlouqueço os pontos cardeais :
Sou um pirata singrando em mares de rum.

Me lanço em batalhas,
No mais das vezes, mortais
E não há bucaneiro
Nesse mundo inteiro e sem fim
Que afunde meu navio-fantasma,
Que possa dar cabo de mim :
Sou um pirata singrando em mares de rum.

Estranho, mal-humorado,
Mandando pra prancha os amotinados,
Semblante soturno,
Sou filho do tombadilho,
A cria mais feia de Netuno :
Sou um pirata singrando em mares de rum.

E me deixo à deriva
Por dias e dias
Provoco enjoos no próprio mar,
Irrito as calmarias :
Sou um pirata singrando em mares de rum.

Mas não conheço descanso, refúgio,
Não encontro sossego em canto algum,
Com a cabeça (que já mal pensa) a prêmio,
Sempre perseguido por algum salafrário,
Banido das mais baixas ralés,
Renegado entre os corsários.
Sem calor, paz ou afeto,
Não podendo atracar em porto algum,
Sou um pirata definhando :
Sou um pirata sangrando em mares de rum.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Copa América do IDH

Quero que o futebol se foda, sempre quis. Desde quando tinha meus 8, 10 anos de idade e era levado por meu pai aos estádios de futebol para assistir aos times locais. Eu preferia ficar em casa a ver os filmes de Jerry Lewis que passavam na Sessão de Sábado, às 15 horas, isso lá pelos idos de 1975, 1976. Não entendia o sentido de tudo aquilo - hoje, sei que não existe nenhum -, aquela gritaria por nada, só lembro do calor que fazia naquelas arquibancadas de concreto. Por isso, quero que o futebol se foda. Sempre quis.
E parece que é o que vem acontecendo com a seleção brasileira de futebol na copa América, parece que os débeis mentais feitos em deuses por um povo de débeis mentais vêm tomando na tarraqueta, até goleada já levaram no rabo. Eu acho é bom. Até porque o Brasil não perde porra nenhuma num embate desse, só quem perde são os onze analfabetos em campo.
Derrota maior - e essa, sim, lamentável - que na Copa América de Futebol, o Brasil sofreu na Copa América do IDH, ficou em sétimo lugar, atrás de países bem mais pobres que nós. O ranking das Américas ficou assim definido :
1.    Chile – 0,783 (45º)
2.    Argentina – 0,775 (46º)
3.    Uruguai – 0,765 (52º)
4.    México – 0,750 (56º)
5.    Costa Rica – 0,725 (62º)
6.    Peru – 0,723 (63º)
7.    Brasil – 0,699 (73º)
8.    Venezuela – 0,696 (75º)
9.    Equador – 0,695 (77º)
10.  Colômbia – 0,689 (79º)
11.  Bolívia – 0,643 (95º)
12.  Paraguai – 0,640 (96º)
Fosse realizada uma Copa do Mundo do IDH e o resultado seria ainda mais vergonhoso, relatórios da ONU mostram o Brasil na 73ª posição do planeta. Atrás de países como : Trinidad e Tobago, Panamá, Antígua e Barbuda,São Cristóvão e Névis,Venezuela, Romênia, Malásia, Montenegro, Sérvia, Santa Lúcia, Belarus, Macedônia e Albânia. 
Alguém já tinha ouvido falar de um país chamado São Cristóvão e Névis? E Belarus? Santa Lúcia? Pois é, parece que eles existem e dão de goleada no Brasil. A Romênia, achei que tivesse sido enterrada junto com o conde Drácula. E a Macedônia, com Alexandre, o Grande. Tem até uma tal de Barbuda.
Mas não nos entristeçamos, somos muito bem rankeados em várias outras modalidades, o que muito nos enche de orgulho. Somos campeões mundias de homicídio, terceiro do mundo em consumo drogas ilícitas, vice-campeão de abortos clandestinos (perdemos apenas para a China, mas estamos treinando). Campeões de impostos malversados, corrupção e impunidade. Não fazemos feio ainda nas olimpíadas das cáries dentárias, das doenças infecto-contagiosas e verminoses, somos campeões mundiais de impressão de Bíblia (puta que o pariu), campeões mundiais de católicos (somos o país do mundo com maior número dessa raça,e essa é a origem de toda a desgraça) e, agora, li ontem ou anteontem, um novo título mundial nos avizinha : parece que o Rio de Janeiro está prestes a ser considerada a Capital Mundial do Orgulho Gay, ou coisa que o (não) valha.
Frente a tantas conquistas, o que tem um IDHzinho mixuruca? Ora, deixemos de ser um pouco ranzinzas.
A saber : o IDH (indíce de desenvolvimento humano) combina três parâmetros em seu cálculo, expectativa de vida ao nascer, o acesso ao conhecimento como anos médios de estudo e anos esperados de escolaridade (alfabetização e taxa de matrícula) e PIB (renda per capita); seus resultados variam de 0 a 1, e o ranking é liderado pela Noruega e Islândia, ambas com 0,968. Ou seja, só falta o norueguês e o islandês serem imortais, todo o resto, eles já têm.

Uma Elegia À Cláudia Ohana

"...Se outra cabeluda aparecer na sua rua
E isso lhe trouxer saudades minhas,
A culpa é sua..."

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Nunca Mais

Nunca mais baterás fora da tua normal frequência,
Nunca mais te fartarás da dor
Como um bicho na excrescência.
Nunca mais impulsionarás mais sangue
Do que te é permitido pelos tratados científicos,
Nunca mais serás tu a decidir se vou ou se fico.
Nunca mais serás dissecado
Oh, cobaia involuntária da anatomia,
Nunca mais imporás ao meu rosto sorrisos de falsa alegria.
Nunca mais inundarás teus compartimentos
Desse líquido onde tão fácil se dissolvem tantas mentiras,
Nunca mais me tornarás alvo
Para a desilusão fazer a sua mira.
Nunca mais abrirás tuas válvulas,
Vias de acesso de incontáveis sofrimentos,
Nunca mais me importunarás
Com teus enfadonhos lamentos.
Nunca mais saltarás em meu peito
Tal qual aleijado sem uma perna,
Nunca mais me darás ordens,
Daqui em diante sou eu quem governa.
Nunca mais entupirás as tuas veias
Com promessas que nunca se cumprirão :
Nunca mais amarás, incauto coração.

domingo, 10 de julho de 2011

O Albatroz Júlio Barroso

Júlio Barroso surgiu e principiou a fazer parte da geração anos 80 do rock nacional, contemporâneo e confrade de Lobão, Cazuza, Lulu Santos, Renato Russo, Ritchie e outros. Diziam-no melhor poeta que Cazuza e de mesmo tope que Renato Russo. Não houve tempo de demonstrá-lo. Morreu de morte precoce, em 1984, aos 30 anos de idade. Precoce é modo de dizer.
O poeta - o verdadeiro - nunca morre precocemente, sim em seu mais exato tempo; se aos 20 ou aos 80 anos, só o poeta o sabe. E caso o fim não lhe chegue naturalmente nesse preciso tempo, se os deuses se fizerem de distraídos para com ele, o poeta providencia sua causa mortis : tuberculose, punhal de amor traído, ópio, álcool, AIDS, e o que mais lhe agradar e convier.
E lá um belo dia - uma bela noite -, Júlio tomou seu LSD e asas, que antes só existiam em sua imaginação, materializaram-se em seus braços e dorso. Apto ao voo, Júlio fez-se Fernão Capelo Gaivota da janela de seu edifício. E voou, pronto para o voo que estava. Voou bela e lindamente, como sempre supôs que voaria, como sempre havia planejado voar.
Júlio só não havia se preparado para o pouso, só nunca fez planos para a aterrissagem.
O poeta só planeja o voo, nunca o pouso. O poeta nunca ouve a recomendação da mãe para sair de casa com agasalho e guarda-chuva. O poeta - o verdadeiro - sai de casa sempre vestindo asas, nunca paraquedas. Quer que, dele, lembrem-se do voo, nunca da queda.
O poeta é o mais canalha e frágil dos seres.
Júlio Barroso, ao lado de sua Gang 90 e suas Absurdetes, deixou um único e belo disco, que estava meio que esquecido no meu guarda-roupas há tempos e que, de umas semanas para cá, tenho muito escutado. Júlio Barroso segue voando por aí, em bando, Álvares de Azevedo, Cazuza, Byron, Renato Russo, Augusto dos Anjos, Caio Fernando Abreu, Raul Seixas, Vinícius de Moraes, Poe,  Bocage, Paulo Leminski, Gregório de Mattos, Waly Salomão, Florbela Espanca...
Bandos barulhentos de pombos, para sortudos que têm ouvidos para ainda os ouvir. E se tal sortudo for ainda mais dileto das musas, esses pombos, volta e meia, acertam-lhe uma cagada na cabeça, plantam-lhe uma ideiazinha : para preencher seus dias, seus cadernos nas gavetas, suas madrugadas sem cor.

De Augusto Para Klimt

" O beijo, amigo Klimt,
É a véspera do escarro "

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Ofurô da UFSCar

Nesses tristes tempos de politicamente correto e de jovens de cerébros pasteurizados por videoeletrônicos em geral, é cada vez mais rara a figura do gaiato, do gozador, do saudável brincalhão. E quando um aparece, é tratado como criminoso.
É o que vai acontecer com um aluno da UFSCar, de identidade e curso não revelados, que transformou um dos panelões do refeitório dos alunos em um oriental ofurô.
Os funcionários da UFSCar iniciaram uma greve em 6 de junho e, como não podia deixar de ser, um grupo de alunos baderneiros, disposto tão-somente a matar aula, disfarçou-se de seres politizados e aderiu ao movimento dos funcionários. Fui aluno e convivo com alunos até hoje, tão querendo me enganar, é? Politizados é o cacete, vocês querem mesmo é matar aula, promover uma baguncinha e posar de Che Guevara dos pobres. Como forma de apoio aos funcionários, os "revolucionários" discentes ocuparam as instalações do refeitório e comandam a cozinha desde então, mesmo nas férias.
Até aí tudo muito certo, tudo muito bonito, também já tive meus laivos de comunista, quando era mais jovem e mais idiota do que sou hoje. Até aí tudo muito "cara-pintada", tudo muito "anos rebeldes, tudo muito "amor e revolução", tudo muito "caminhando e cantando e seguindo a canção". É onde, então, entre os idiotas, aparece o gênio, surge o verdadeiro espírito da revolução e subversão. Esse aluno encheu de água um dos panelões da cozinha e tomou um belo banho de imersão, improvisou um belo e reconfortante ofurô. Perfeito. Parabéns para esse cara. Esse é o verdadeiro espírito libertário.
Com tanto ministro roubando por aí, com o sistema de saúde gastando 15 milhões em procedimentos médicos com defuntos, com tanto padre sendo absolvido de pedofilia, vão querer condenar o cara do ofurô? 
E é bem provável que ele seja punido. A reitoria da UFSCar está tomando providências para que seja aberta uma comissão para apurar o caso. O aluno do ofurô será punido pela Universidade com o apoio de seus amigos rebeldes, universitariozinhos paus-de-bosta, que já estão tirando o corpo fora : "Tal atitude foi impulsionada por motivos pessoais, que não levaram em consideração o quadro de funções e responsabilidades coletivas assumidas pelo grupo", diz um dos documentos dos alunos enviado à reitoria; e segue dizendo que : "o aluno não faz mais parte das ações de protesto. Ele participou do movimento por poucos dias". Como se o banhista fosse um renegado.
E ele é. Ele é um gênio em meio a um rebanho de repetidores de comportamento. E ao gênio, a Inquisição, a fogueira santa.
Parabéns, amigo do ofurô! Pela gaiata transgressão, pela travessura inspirada. Obrigado por nos lembrar que ainda existem as travessuras. Vivemos numa era escassa de travessuras, triste e desgraçada era que pune o travesso e deixa ileso o corrupto, o homicida e o pedófilo. Você tem a admiração do Marreta.
Fonte : Folha de São Paulo
PERFEITO !!!

Papa e Hitler, Dois Piromaníacos Filhos Das Putas

Recebi essa foto por um e-mail de um primo. Não que eu não soubesse das vistas grossas feitas pelo Vaticano ao nazismo e ao fascismo na Segunda Guerra Mundial, não que eu não soubesse da conivência da Igreja Católica com os regimes totalitários europeus, mas uma foto diz mesmo mais do que muita palavra.
Na foto, o Papa Pio XII (se não me engano) recebe e conferencia com Hitler como se fosse a coisa mais normal do mundo. E é. São dois chefes de Estado a confabular sobre os destinos das massas que orquestram e mandam para os matadouros.
O que a Igreja ganhou em sua aliança com Hitler? Simples : ouro! Muito ouro roubado dos judeus expurgados está nos cofres cristãos do Vaticano, talvez até no cetro e nas roupas do filho da puta do Papa. Os legítmos donos do ouro viraram cinzas nos fornos crematórios de Hitler, assim como milhões viraram cinzas nas fogueiras da Inquisição. Sabiam que a Inquisição matou um montante aproximado de 9 milhões de "hereges", contra os 6 milhões de judeus mortos pelo nazismo? Aí vai a foto do filho da puta cristão:

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vibradores Podem Fazer Mal à Saúde

Cigarros, bebidas alcoólicas e muitos medicamentos são taxadamente proibidos para mulheres grávidas ou que estão amamentando. Agora, outro artigo vem se somar a essa longa lista de restrições : os vibradores, os pintos de borracha, os famosos consolos.
O problema estaria nos ftalatos, substâncias adicionadas ao produto para conferir-lhe uma maior maleabilidade. Os ftalatos já são velhos conhecidos aqui do blog, falei deles em várias ocasiões. Os ftalatos têm largo emprego na indústria de plásticos e borrachas, inclusive são componentes de produtos destinados ao público infantil, como brinquedos e mamadeiras. E é justamente aí que se concentra seu maior risco e dano.
Com o uso, aos poucos e ao longo do tempo, o ftalato vai se desprendendo do plástico, sendo absorvido pelo organismo e pode causar distúrbios na sexualidade do sujeito, sobretudo nos do sexo masculino, e mais ainda no estágio fetal. Os ftalatos bloqueiam os receptores de testosterona das células do feto masculino, logicamente reduzindo o efeito do hormônio do macho e podendo provocar até a desmasculinização do feto. 
Os ftalatos são mais um dos inúmeros agentes do complô para o embichamento planetário colocados propositalmente em produtos do cotidiano. E tanto maior será a liberação do ftalato quanto mais o produto for exposto ao calor. Será por acaso que eles estão nas mamadeiras e nos famosos tupperwares ? Países mais civilizados que o nosso - Inglaterra, Canadá, França, Dinamarca - já proibiram seu uso.
Voltando ao vibrador, a mulher grávida, ou lactante, usuária do artefato acaba absorvendo os ftalatos do cacetão de borracha pela mucosa vaginal, visto que o submete a intenso atrito e ao tórrido calor da bacurinha. O ftalato cai em sua circulação sanguínea e passa para o feto via placenta ou para o recém-nascido através do leite. Vai daí que, logo, logo, o menino tá desmunhecando e beijando pra trás.
Ou seja : doravante, as grávidas e as lactantes terão que se contentar tão-somente com o pau do maridão. E torcer para que a sogrona não tenha também sentado num belo consolo de borracha durante a gestação de seu amado cônjuge.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Enquanto Eu Tiver Língua E Dedo...

Meça seus dedos anular e indicador, divida o comprimento do indicador pelo do anular, quanto menor o resultado, maior deve ser seu cacete ereto. Ou seja : se você tem o dedo anular maior que o indicador, tende também a ter um tarugo mais longo.
Quem garante isso são pesquisadores da Universidade Gachon (Coreia do Sul) liderados por In Ho Choi, , o resultado tem a ver com o nível de exposição que os homens tiveram à testosterona quando ainda estavam no útero. Os pesquisadores fazem a ressalva de que o cálculo não determina o tamanho absoluto do bráulio, apenas revela uma propensão para o famoso pé-de-mesa.
Além de fornecer "referências" dos atributos do sujeito, conhecer o nível de exposição à testosterona pode ajudar no diagnóstico precoce de doenças ligadas ao hormônio, como câncer de próstata. 
Foi pesquisado um universo de 144 homens com mais de 20 anos, que foram anestesiados antes de terem seus bilaus medidos (isso eu não entendi) e imediatamente após serem despidos, para evitar a interferência da temperatura. Os cientistas admitem que o universo pesquisado é restrito e que serão necessárias mais pesquisas para um resultado conclusivo.
O verdadeiro poeta é um visionário, sempre à frente do conhecimento e ciência de seu tempo, Vinícius de Moraes sempre soube disso, disse ele : "Enquanto eu tiver língua e dedo, mulher nenhuma me mete medo". Grande poetinha.
A propósito : acabei de medir meus dedos, 9,2 cm para o indicador e 10,1cm para o anular. Opa, eu tô no páreo. Quanto à medição do "dito cujo" em si, deixarei para outro dia, esperarei a chegada do verão, tá um friozinho que poderia introduzir dados equivocados à pesquisa.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Stephen Hawking: 'Eles Não São Nossos Amigos'

Cientista volta a apontar perigo de contato com alienígenas que poderiam nos exterminar (Fonte : www.ufo.com.br)
Ninguém dúvida de que num universo de magnitudes desproporcionais exista vida além da Terra. Mas há uma pergunta que ainda não se pôde responder de modo uniforme: Como será essa forma de vida? O prestigioso e ao mesmo tempo polêmico físico inglês Stephen Hawking pôs o dedo na ferida há um ano ao levantar a voz de alarme sobre os constantes sinais de nossa existência que estamos mandando ao espaço em busca do contato extraterrestre.
A teoria de Hawking baseia-se na lógica matemática que sempre regeu seu cérebro. "Os extraterrestres que recebam nosso sinal, ou não dispõem da tecnologia suficiente para nos responder, ou têm uma muito superior que lhes permitirá vir até aqui". E se essa civilização alienígena que tanto chamamos for hostil? O físico afirma que melhor do que enviar sinais, o que deveríamos fazer é nos esconder. Hawking alerta de que pode ser produzido o mesmo efeito de quando os espanhóis chegaram a América em 1492. Uma civilização mais desenvolvida inutiliza e acaba com os recursos de outra em menor grau de desenvolvimento que, inclusive, pode ser levada a seu desaparecimento.
No mês passado, Hawking voltou ao ônus em uma entrevista publicada pelo The Guardian na qual fez questão de salientar que "a noção de vida extraterrestre é real, mas perigosa". Esta teoria espaço-apocalíptica ganhou críticas entra a comunidade científica ao longo dos últimos meses. "Se os alienígenas quisessem conquistar nosso planeta já poderiam tê-lo feito nos últimos 4.500 milhões de anos", afirmou Paul Davies, cientista do projeto Search for Extraterrestrial Intelligence.
"Qualquer coisa que nós tenhamos aqui, eles poderiam encontrar no lugar onde vivem. E no caso de que na Terra tenha algum recurso que não exista em seu planeta natal, seguramente há uma forma mais fácil do conseguir que a de vir aqui para nos invadir", disse Seth Shostak, também pesquisador do SETI. Por sua vez, David Morrison, diretor do centro de investigação espacial Ames da Agência Espacial Norte-American (NASA) é da mesma opinião, ainda que com reservas. "Se uma civilização consegue perdurar ao longo de centenas ou milhares de anos, é quase seguro que terá conseguido resolver os problemas que temos nós. Ou pelo menos assim espero".
De momento, sendo bom ou não, a humanidade tem enviado uma boa série de indícios sobre sua presença por aqui. As duas sondas Voyager, uma das quais já navega fora de nosso Sistema Solar, levam consigo um disco de ouro com sons e imagens de nosso planeta. Além disso, o SETI encaminhou numerosos sinais à espera de que algum seja respondido, e isso sem contar os satélites e mecanismos artificiais que vagam pelo espaço depois de cumprir sua vida útil.
Os temores de Stephen Hawking diante da vida extraterreste viram-se refletidos no recente livro First Contact [Primeiro Contato, Simon & Schuster, 2011], obra de Marc Kaufman, diretor nacional do The Washington Post. Segundo escreve Kaufman, "no SETI supõe-se que qualquer civilização que tivéssemos a sorte de contatar seria inofensiva. Não há evidência de que isto seja verdadeiro ou falso, é somente o que eles crêem".
Enquanto isso, o físico britânico aproveita as páginas de First Contact para lançar uma nova justificativa de sua teoria: "Só temos que olhar para nós mesmos para ver como a vida inteligente pode ser convertida em algo que você não gostaria de encontrar".