O padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr. (o figura da foto ao lado), da arquidiocese de Cuiabá (MT), está a advertir seus fiéis para que tomem cuidado ao debaterem a teoria da evolução com um ateu. E desde quando algum fiel religioso debate alguma coisa com alguém? O crente não debate nada, ele crê cegamente em tudo; no máximo, o que ele chama de debater ou argumentar é ficar vomitando versículos e mais versículos da bíblia para cima de seu interlocutor, como se estes fossem verdades científicas estabelecidas. Não são.
O padre Azevedo recomenda aos seus fiéis que não sejam ingênuos, pois seu interlocutor pode ser um "ateu beligerante", que defende agressiva e ofensivamente a evolução das espécies de Darwin. Segundo o padre, os católicos não têm dificuldades em analisar as duas hipóteses científicas sobre a criação do mundo - a evolução e o design inteligente. Os católicos, diz ele, são capazes de bem conviver e considerar as duas hipóteses, dando ao seu rebanho um caráter tolerante e conciliador.
Primeiro, o padre demonstra total ausência do mais rudimentar conhecimento científico : a evolução das espécies não é uma hipótese, é uma teoria, já testada e comprovada. O design inteligente, por sua vez, nem pode ser considerado uma hipótese, é apenas o criacionismo disfarçado de ciência. Hipótese é uma suposição passível - e possível - de ser verificada empiricamente. Como verificar se um deus, ou um arquiteto inteligente como quer o design inteligente, foi o criador de tudo o que se vê? Nem hipótese esta merda é.
Segundo, ainda que fosse, crentes analisando hipóteses científicas? Passemos para a próxima piada, por favor, e que seja mais engraçada.
Terceiro, uma vez tendo cagado, o padre senta em cima e espalha : confunde criação do mundo com evolução das espécies. Origem do mundo (e da vida) é assunto muito distinto da evolução das espécies.
Não obstante, a tal declaração - que ateus são beligerantes ao defenderem o bom e velho Darwin -, dita por quem a disse, por um padre, tem lá sua lógica, seu fundamento. Dita por qualquer outro, nem mereceria atenção, mas proferida por um representante da igreja católica, é um caso a ser considerado.
Se um padre falou que nós, ateus, somos beligerantes, talvez, um pouco, até o sejamos. Afinal, se há um assunto do qual a igreja católica tem pleno conhecimento, é da beligerância. Se há um especialista supremo do uso da beligerância na defesa de suas crenças, este é a igreja católica.
Claro que vou enfiar o dedo, mais uma vez, no feridão da Inquisição e sua Santa Fogueira, que nem era a pior parte da história. A fogueira era a cadeira elétrica da época, ou seja, tão-somente o instrumento usado no cumprimento da sentença de morte do herege. Antes de chegar às labaredas, o herege passava por um longo processo "jurídico", tão ou mais doloroso que a própria fogueira.
O Tribunal do Santo Ofício recebia uma denúncia - feita por um vizinho filho da puta e cagueta, por uma mal-amada qualquer, ou mesmo pelos padres das paróquias em cujos cofres o sujeito não tivesse depositado o devido dízimo - e convocava o herege à sua santa presença.
Uma vez lá, ele ficava à mercê dos inquisidores da igreja, que o submetiam a uma extensa e cansativa arguição para tentar comprovar os pecados de que ele era acusado, geralmente envolvimento com Satã e/ou práticas obscenas. Caso não houvesse sucesso, caso o herege não admitisse os atos pelos quais era acusado, ou que os admitisse, mas não os considerasse como pecados, a estratégia dos inquisidores mudava radicalmente.
O herege era levado às catacumbas das igrejas e submetido a sessões de tortura. O objetivo era expulsar o demônio do corpo do sujeito e permitir que ele revelasse a verdade. Os instrumentos usados nessas torturas são capazes de fazer corar de vergonha o mais cruel dos ditadores.
Dei uma rápida pesquisada e achei mais de 30 tipos de instrumentos de tortura utilizados pela igreja católica para conseguir a confissão e admissão de culpa do herege. Abaixo, cito e descrevo rapidamente os cinco mais recorrentes.
1) O Arranca-seios : para ser usado em hereges do sexo feminino, era uma espécie de fórceps metálico cujo desenho permitia que fosse ajustado aos seios da herege. Seu uso era simples, e consistia em esquentar o aparelho numa fogueira, prendê-lo no seio exposto da vítima, e depois arrancá-lo, ou de forma rápida ou muito lentamente, dependendo do intuito do inquisidor. Em seguida, a mulher era deixada a sangrar para que morresse de hemorragia, ou que fosse levada a loucura pela dor;
2) A Serra : o herege era pendurado nu e de ponta-cabeça numa trave, de pernas abertas. Uma grande serra, manuseada por dois inquisidores, um de cada lado, começava a fender o herege pelo cu, seguia serrando pelo abdômen e continuava até onde o cara aguentasse sem confessar. Ser posto de ponta-cabeça fazia com que o sangue descesse todo para o cérebro, o que impedia o herege de desmaiar durante a tortura;
3) O Berço de Judas: peça metálica em forma de pirâmide sustentada por hastes. A vítima, sustentada por correntes, é colocada nua com o cu sobre a ponta da pirâmide. O afrouxamento gradual ou brusco da corrente manejada pelo executor fazia com que o peso do corpo pressionasse e ferisse o ânus, a vagina, cóccix ou o saco escrotal. Pelo visto, a padraiada tem mesmo uma fixação por cu, tudo queima-roscas enrustidos;
4) O Quebrador de Joelhos : aparelho simples composto por placas paralelas de madeira unidas por duas roscas. À medida que as roscas eram apertadas pelo executor, as placas, que podiam conter pequenos cones metálicos pontiagudos, pressionavam os joelhos progressivamente, até esmagar a carne, músculos e ossos. Esse tipo de tortura era usualmente feito por sessões. Após algumas horas, a vítima, já com os joelhos bastante debilitados, era submetida a novas sessões.
5) A Mesa de Evisceração : o herege era preso sobre a mesa de modo que mãos e pés ficassem imobilizados. O carrasco, manualmente, produzia um corte sobre o abdômen da vítima. Através desta incisão, era inserido um pequeno gancho, preso a uma corrente no eixo. O gancho (como um anzol) extraía, aos poucos, os órgãos internos da vítima à medida que o carrasco girava o eixo.
Havia, já à época, a delação premiada. Se o herege denunciasse mais umas tantas pessoas durante a tortura, era-lhe concedida uma execução menos cruel.
Depois de tudo isso, vem o cara de pau desse padre Azevedo dizer que os ateus é que são beligerantes.
Eu, beligerante? Ora, padre, vá tomar no cu!!!









