segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Estudantes Em Greve Da PUC - SP Decidem Tirar Férias

O empossamento da reitora Anna Cintra deflagrou uma greve dos estudantes da PUC-SP, iniciada em 13/11/2012. Os alunos questionam a nomeação de Anna Cintra porque ela ficou em terceiro lugar na votação entre alunos, professores e funcionários da Universidade; não obstante, ela foi nomeada pelo cardeal Dom Odilo Scherer, grão-chanceler da instituição e presidente do Conselho Superior da Fundação São Paulo, órgão que administra a instituição. 
No que o cardeal fez muito certo, democracia à brasileira e à católica é isso : o sujeito tem o direito ao voto, se o resultado vai ser acatado, já é outra história. De mais a mais, a PUC não é uma instituição pública, ela tem dono, e o dono nomeia quem ele quiser, quem ele julgar melhor ao cargo e às suas conveniências.
Acontece que "estudante" é aquela merda, reclama, esperneia e faz birra sem se informar minimamente do estatuto que rege a instituição de ensino a que pertence. Acha que democracia é a vontade dele. Não é.
Pelo que entendi, a escolha do reitor na PUC se dá em 3 etapas. Na primeira etapa, há a votação dos alunos, professores e funcionários, os três nomes mais votados comporão uma lista tríplice; num segundo momento, essa lista tríplice é submetida à apreciação do arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC, atualmente Dom Odilo Scherer; na fase final, a escolha do reitor cabe ao arcebispo, que tem que se decidir por um dos nomes da lista tríplice, normalmente o mais votado pelos alunos, professores e funcionários. 
Normalmente, não obrigatoriamente. Portanto, Dom Odilo Scherer não infringiu nenhuma norma estatutária. Acontece que só o que o "estudante" espera da vida é uma chance para matar aula, e que melhor pretexto para tal que uma greve em defesa de seus "direitos", que melhor escaramuça para dar uma boa de uma coçada no saco que se lançar à luta pela cidadania?
Os grevistas querem que o candidato mais votado por eles assuma a reitoria, para que "a vontade da comunidade universitária seja respeitada". Quando o sujeito começa a dizer em nome de uma "comunidade", passo a desconfiar dele, rápida e profundamente.
Mas agora é fim de ano, e com ele, o recesso dos professores. Nada é mais sagrado que o recesso professoral, nem o natal, nem o cristo, nem Rodolfo, a rena do nariz vermelho. 
No recesso, para-se com tudo, inclusive com a paralisação. Em apoio ao recesso docente, os alunos também resolveram parar com a paralisação. Dar um tempinho com a greve para poderem curtir as merecidas férias. Estão pensando o quê? Ficar parado é foda. Fazer paralisação, ficar o dia todo discutindo Marx, a falência do capitalismo, a sustentabilidade do planeta e fumando maconha cansa pra caralho.
Com vistas a tanta fadiga, professores e alunos decidiram suspender a greve até janeiro de 2013, quando retornarão de seu merecido descanso para continuarem a ... ficar parados, a não fazer nada. Greve nas férias? Ninguém é de ferro, não é? E nem honesto o suficiente.
Estudar que é bom, ninguém quer.
Dou meu apoio a Dom Odilo Scherer, não se pode dar moleza a professores e, sobretudo, a estudantes.

Instantâneos De Um Remoto e Saudoso Passado

Propaganda da cerveja Schlitz, década de 1950.
A devotada esposa chora por ter falhado na sagrada missão de alimentar o marido; ele, sempre compreensivo e cavalheiro, tranquiliza-a e consola : não se preocupe, querida, você não queimou a cerveja.

Branca de Neve Azeda - Luiz Felipe Pondé

Publicado na folha de São Paulo, caderno Ilustrada, 17/12/2012

"Fazer a cabeça das crianças sempre foi um dos pratos prediletos do fascismo. Agora, nem a Branca de Neve escapa, coitada, do ódio dos fascistas. O conjunto de "estudos" que se dedica a fazer a cabeça das crianças é parte do que podemos chamar de "oppression studies". Você não sabe o que é?
"Oppression studies" é uma expressão usada pelo jornalista americano Billy O'Reilly, da Fox News, para se referir às "ciências humanas engajadas no controle das mentes". Explico.
Reprovou um aluno? Opressão. É preguiçoso? Não, a sociedade te oprimiu e fez você ficar assim. Um ladrão te assaltou? Ele é o oprimido, você o opressor. Aliás, sobre isso, vale dizer que, com a violência em São Paulo, devemos reescrever a famosa frase do Che: "Hay que enfiar la faca em la cavera, pero sin perder la ternura jamás".
A frase dele, assinatura de camisetas revolucionárias, é: "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás". Essa camiseta é a verdadeira arma contra gente como ele. Os americanos deveriam afogar o Irã em Coca-Colas, Big Macs e pílulas anticoncepcionais para as iranianas transarem adoidado com seus amantes.
Convidou uma colega de trabalho para jantar? Opressão! Você é um opressor por excelência, deveria ter vergonha disso. Não é um amante espiritual do Obama? Opressor! Come picanha? Opressor! Não acha que a África é pobre por culpa sua? Opressor! Suspeita de que o sistema de cotas vai destruir a universidade pública criando um novo espaço de corrupção via reserva tribal de mercado e compra de diplomas de escolas públicas? Se você suspeita disso, é um opressor! Acha que uma pessoa deve ser julgada pelos seus méritos e não pelo que o tataravô do vizinho fez? Opressor! Anda de carro? Opressor! Ganhou dinheiro porque trabalha mais do que os outros? Opressor!
Os "oppression studies" sonham em fazer leis. Por exemplo, recentemente, um comitê de gênero (isto é, o povo que diz que sexo não existe e que tudo é uma "construção social", claro, opressora) desses países em que o "mundo é perfeito" teve uma nova ideia. Esses caras (ou seriam car@s?) querem proibir qualquer propaganda ou programação infantil que reproduza imagens de mulher sendo mulher e homem sendo homem. Não entendeu? É meio confuso mesmo. Vamos lá.
Imagine uma propaganda na qual existe uma família. Segundo os especialistas em "oppression studies", para a marca não ser opressora, a família não pode ser heterossexual, porque se assim o for, o "espelho social" (a imagem que a mídia reproduz de algo) fará os não heterossexuais se sentirem oprimidos.
O problema aqui não é que as pessoas devem ser isso ou aquilo (melhor esclarecer, se não eu viro objeto de estudo dos "oppression studies"), mas sim por qual razão esses cem car@s (não são muito mais do que isso), que não têm o que fazer na vida a não ser se meter na vida, na família e na escola dos outros, têm o direito de dizer o que meus filhos ou os seus devem ver na TV? Até quando vamos aturar essa invasão da vida alheia em nome dos "oppression studies"?
Contos de fadas como Branca de Neve, Cinderela e Gata Borralheira são grandes objetos de atenção dos "oppression studies". Claro, as três são oprimidas, por isso gostam dos príncipes. Se fossem livres, a Branca de Neve pegaria a Cinderela. Humm... não seria uma má ideia....
Veja o lixo que ficou a releitura da Branca de Neve no filme que tem a atriz da série "Crepúsculo", a bela Kristen Stewart, como a Branca de Neve. Coitada...
A coitada tem que terminar sozinha para sustentar sua posição de rainha "empoderada", apesar de amar o caçador (passo essencial para libertar nossa heroína da opressão de amar alguém da nobreza, o que seria ainda mais opressor).
Os "oppression studies", na sua face feminista, revelam aqui o ridículo de sua intenção: fazer de toda mulher uma mulher sem homem porque ela mesma é o homem. Todo mundo sabe que isto é a prova mais banal da chamada inveja do falo da qual falam os freudianos. Fizeram da pobre Branca de Neve uma futura rainha velha e sem homem. Ficará azeda como todas que envelhecem assim."  

Nota do Azarão : confesso que nunca tinha pensado na Branca de Neve e na Cinderela se pegando, mas agora...

domingo, 16 de dezembro de 2012

Partido Militar Brasileiro

Um novo partido está em vias de ser criado no Brasil. A boa notícia, porém, é que não será mais um desses P-isso, P-aquilo, P-aquiloutro quaisquer. Não será mais um Partido Humanista da Solidariedade, um Partido Pátria Livre, ou um Partido Ecológico Nacional - sim, essas merdas existem, eu seria incapaz de inventar.
O novo partido, ainda embrionário, mas já com vistas a lançar candidatos nas próximas eleições, será nada mais nada menos que o PMB, Partido Militar Brasileiro. Será, finalmente, uma chance para a volta da Ordem, quiçá do Progresso? Tomara que sim.
José Augusto Rosa, o capitão Augusto, idealizador do partido, defende a construção de um partido que busque "endurecimento da segurança" e construção de um "Estado mais eficiente". "Precisamos mudar esse regime assistencialista. Nós somos um partido de direita. E vamos manter o foco mais em ensinar a pescar do que dar peixe. Hoje os partidos de esquerda têm como suas pilastras dar o peixe e manter o cabresto eleitoral", diz o capitão.
Alguém em sã consciência, honesto e trabalhador, com família e filhos a zelar, consegue discordar do capitão? Eu não.
Mas é claro que a criação do PMB já está enfrentando oposição do Ministério Público Eleitoral, composto que é, em grande parte, por advogados, promotores e juízes de rabos presos com o atual governo, com o PT, que só quer mesmo é promover a desordem, bandalha e a erradicação dos bons valores, que incentiva a vagabundagem como meio de vida.
Algumas das objeções dos canalhas vermelhos, dos petralhas :
1) São necessárias 500 mil assinaturas de eleitores de todo o país para que um partido possa ser fundado. Caso alcancem o número necessário de assinaturas, e o partido seja fundado, uma festa de comemoração será dada aos membros e simpatizantes do PMB, com direito a sorteio de TVs, smartphones, motos e até um carro. Para Luciano Santos, especialista em direito eleitoral, a iniciativa do sorteio não é ética : " "Pode não ser ilegal, mas é imoral"
Moral é o quê, então? O mensalão do PT, as privatizações do PSDB? Moral é o país ter sido comandado por um analfabeto durante oito anos, e, já há quatro anos, por uma ex-guerrilheira? Moral é o Tiririca na Câmara cantando Clementina junto com o Eduardo Suplicy? Moral, puta que o pariu, é o José Sarney, de novo, ainda que interinamente, Presidente da República? Moral é permitir a criação de dezenas partidos (até onde conseguir apurar já são 30 legendas) e depois autorizar a coligação deles para fins eleitoreiros? Exemplificando com o que, desgraçadamente, sei : a atual, e reeleita, prefeita de Ribeirão Preto, centro de uma das regiões mais prósperas do estado de SP, venceu o segundo turno após se aliar a 16 partidos. Sim, dezesseis partidos que, teoricamente, uma vez que se "partiram", nada teriam ideologicamente em comum, ficam amiguinhos com um único objetivo, devorar mais avidamente o bolo do dinheiro público, não deixar migalha restar.
Se criado, o partido não irá fazer coligações, para evitar os candidatos fichas-sujas. Para ser candidato, não se pode ter pendências com a Justiça. "Nossa triagem é rigorosa, também mandamos pessoas [até a cidade do candidato] para ver se não tem nada que desabone a conduta deles. Não podemos correr o risco de lançar um candidato que não represente esses valores", diz o capitão. 
2) A lei eleitoral veda aos partidos que ministrem instrução militar ou paramilitar, e mesmo o uso de uniformes. O PMB não dará instruções militares a ninguém, seus membros já tiveram tal treinamento em suas respectivas academias e quartéis. E uniforme por uniforme, o que são os caríssimos ternos e gravatas usados por nossos parlamentares, pagos, inclusive com dinheiro público, no vergonhoso auxílio-paletó? Sim, a lei do país julga que com seus "parcos" vencimentos, nossos pobres políticos não têm como comprar suas roupas.
3) Até agora, toda a organização para a fundação do PMB foi feita em ambiente virtual, as convenções para a aprovação do estatuto do partido foram realizadas pela internet, via videoconferências. Pela lei, as convenções dos partidos precisam ser presenciais e os participantes devem assinar a ata da reunião. Nesse aspecto, eu até concordo. Mas também não é nada que possa causar grande óbice à fundação do PMB. Uma vez que tudo já está escrito, pronto e acordado, basta reunir idealizadores, membros, afiliados e botar tudo nos conformes. Lavrar atas, aprontar a papelada de que nossa tão burocrática lei tanto gosta, selar, registrar e carimbar tudo.
O Marreta do Azarão aprova incondicionalmente a fundação do PMB, apesar de não acreditar que seus candidatos consigam atingir posições políticas de maior relevância em nossa dita democracia. Infelizmente, caros militares, na minha opinião, essa oposição legalista sofrida por vocês na fundação de vosso partido não será nada frente à rejeição que grande parte da população manifestará contra vocês nas urnas.
Hoje, milhões e milhões de brasileiros comem e bebem sem trabalhar, sem nada produzir, na vida mansa. Milhões de encostados vivem às custas dos impostos de alguns milhares de trabalhadores, e o recado que eles recebem em época de eleição é bem claro : vote em outro e perca tudo, cesta básica, vale-isso, vale-aquilo, vale-aputaqueopariu. Vocês acham que essa turba indolente vai querer a volta de um país decente e regrado, onde todos têm que trabalhar para viver, onde as leis privilegiam o honesto e são inflexíveis, sem brechas para o vagabundo?
Infelizmente, caros militares, não os vejo de novo na presidência do país. Infelizmente.
Para mais informações sobre o PMB, acessem o site : Partido Militar Brasileiro
Compensa dar uma olhada, contém muita informação e artigos interessantes acerca da atual situação do país sob a óptica dos militares, ponto de vista ausente em nossos "democráticos" meios de comunicação.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Creme Hidratante e Condicionador Para Presidiário? Valha-nos, Jair Bolsonaro, Mais Uma Vez

Tramita na Câmara o projeto que, caso aprovado, irá transformar, definitivamente, as penitenciárias em autênticas colônias de férias, ou flats com completo serviço de hotelaria.
É o PL-2230/2011, de autoria do deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), que pretende redefinir o Estatuto Penitenciário Nacional.
Fora todas as regalias que os vagabundos já possuem, o projeto prevê, entre outras coisas, alimentação preparada por nutricionistas (igualzinho ao trabalhador, que já se dá por muito satisfeito quando tem pro arroz e feijão no fim do mês), alojamento individual (igualzinho ao trabalhador, que tem que se apertar com a filharada nos cubículos que são as casas populares), produtos de higiene que incluem até creme hidratante para a pele e condicionador para os cabelos, salão de beleza para as presas, e uma equipe de médicos, dentistas, psicólogos e professores de fazer inveja a muito convênio privado e escola particular.
E, para finalizar com chave de ouro, o projeto cria o Dia Nacional do Encarcerado, a ser comemorado a cada 25 de junho. Criar o dia do bandido, é só mesmo aqui.
Só para se ter uma ideia, há uma razão de 2,44 médicos para cada mil habitantes do estado de São Paulo; caso o projeto seja aprovado haverá uma proporção de 12,5 médicos para cada vagabundo encarcerado.
Usarei algo que conheço como exemplo para a comparação, O IAMSPE (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual), o convênio médico dos funcionários de SP, não oferece atendimento de emergência em várias cidades, a pessoa tem que, muitas vezes, dirigir-se a cidades vizinhas, mas é uma situação de emergência, né? Raras são as cidades em que o IAMSPE oferece psicólogos aos servidores, especialidade das mais necessárias, hoje em dia, aos desvalorizados servidores públicos, sobretudo os das áreas de educação, da segurança e da saúde. Não há fonaudiólogos para os mais de 200 mil professores, não há dentistas inclusos no convênio do IAMSPE, e coisa segue por aí afora.
O projeto só poderia vir de quem veio, do PT, partido do qual podemos dizer tudo de negativo, menos que não corre sempre em defesa dos seus, bandido defende bandido, e quem está a dizer isso nem sou eu, é o STF nos julgamentos do mensalão.
E desafortunado do carcereiro que não fornecer o sabonetinho, o xampuzinho e o condicionador ao preso; ele poderá ser denunciado por maus-tratos, pegar pena de 3 a 6 anos de reclusão, multa e exoneração do cargo a bem do serviço público.
Tudo em nome da tal ressocialização do vagabundo. Ressocialização é o cacete! Tratar traste a pão de ló não funciona, ele só irá ficar mais indolente, e achando que possui mesmo direito a tudo sem o menor esforço. 
Para bandidos que cometem crimes como assalto à mão armada, latrocínio, sequestro, estupro, homicidio, corrupção e desvio de dinheiro público, entre outros, a cadeia tem que ser pior que o inferno, tem que ser um local para o qual ele trema só de pensar em voltar, um local que povoe para sempre todas as fobias e pesadelos do sujeito.
E por que esse PL-2230/2011 nem toca no tema "trabalho", em serviços executados pelos presidiários para que, no mínimo, paguem os custos de sua carceragem? Simples. Porque trabalho é palavra proibida em se tratando do PT.
O Brasil é um país pródigo em terras devolutas, aqui nem deveriam existir penitenciárias em áreas urbanas. Todas deveriam ser colônias penais agrícolas. O negócio seria pegar a bandidagem e jogar, por exemplo, lá em algum cafundó da amazônia, dar umas enxadas e uns sacos de sementes pro cara e mandar ele plantar, se quiser comer, se não quiser, que se foda. E nem precisa de grades, muros altos ou guardas a vigiar. Deixa o cara tentar fugir. A onça pega, a malária mata, o índio come o seu apito, o boto lhe enraba, o candiru lhe entra pela rima, a selva dá conta dele.
Mas há uma esperança. O projeto será votado por uma comissão de deputados estaduais e federais, da qual, felizmente, faz parte o intrépido, e sempre atento, Jair Bolsonaro. O valoroso deputado já pôs a boca no trombone, alertando a população contra mais esse absurdo. Bolsonaro, Espiridião Amin e aliados tentarão barrar essa excrescência.
Vejam um quadro comparativo entre os dados fornecidos pelo Conselho Federal de Medicina das razões nº de médicos/1000 mil habitantes de alguns estados brasileiros e das proporções que passarão a existir nos presídios caso o projeto seja aprovado. E abaixo do quadro alguns artigos do PL-2230/2001 selecionados por Jair Bolsonaro em sua brava denúncia.
 PL 2230/2011 – ESTATUTO PENITENCIÁRIO NACIONAL 

Autor: Dep. Domingos Dutra – PT-MA 

DOS DIREITOS DOS PRESOS 

Art. 8 – Alimentação preparada por nutricionistas. 
Art. 13 – Alojamento individual. Vedado celas metálicas. 
Art. 24 – A liberdade de contratar médico de sua confiança pessoal. 
Art. 26 – Exame preventivo anual de câncer ginecológico para as mulheres com mais de 35 anos. 
Art. 57 – Visita íntima do cônjuge, companheiro ou pessoa designada pelo preso. 
Art. 68 – A não divulgação de sua fotografia ou imagem. 
Art. 72 – Para cada grupo de 400 presos será obrigatório: 
- 5 médicos, sendo 1 psiquiatra e um oftalmologista: 
- 3 enfermeiros: 
- 6 auxiliares de enfermagem: 
- 3 odontológicos: 
- 6 técnicos em higiene dental: 
- 3 psicólogos: 
- 3 assistentes sociais: 
- 3 nutricionistas: 
- 12 professores: 
- 24 instrutores técnicos profissionalizantes. 

Art. 88 – Salão de beleza para presas. 
Art. 99 – Indenização por acidente de trabalho e doenças profissionais. 
Art. 104 – Assegurado todos os direitos políticos aos que não tenham sentença transitada e julgado. 

DOS CRIMES CONTRA OS PRESOS 
Art.105 – Deixar o agente penitenciário de fornecer ao preso, entre outros, xampu, creme hidratante, condicionador, sabonete. 
- Pena: 3 a 6 anos de reclusão, multa e perda do cargo. 
Art. 108 - Manter o preso em delegacia de policia civil, federal ou superintendência da PF, após lavratura do flagrante. 
- Pena: 3 a 6 anos de reclusão, multa e perda de cargo. 
Art. 113 – Alojar o preso além da capacidade máxima do estabelecimento. 
- Pena: 3 a 6 anos de reclusão, multa e perda do cargo. 
Art. 117 - É instituído o dia 25 de junho como o DIA NACIONAL DO ENCARCERADO.

Deixo aqui, mais uma vez, meus parabéns ao deputado Bolsonaro, poucos são os políticos brasileiros que fazem valer tanto o voto de seus eleitores.
Fonte : blog Família Bolsonaro

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Hora Da Ferrugem

Ponho-me a andar
E meus tendões rangem
- Banjos em cacos, 
Lamentos tangem -,
Minhas articulações e parafusos
(outrora de ciborgue, do homem de seis milhões de dólares)
Ganem faíscas,
Sou isca do que fui.

Ponho-me a pensar
E o torpor impera
Reinicio, reinicio, reinicio a máquina
(cafeína, pornografia e álcool)
Mas o sistema emperra.

Meto-me a meter,
A trepar
E é aí que tudo se enterra.
É a decripitude, é a podridão, meu velho.

Não bastasse, vem o gaiato e canta :
"É a vida, é bonita, é bonita e é bonita".
Que idiota, esse Gonzaguinha. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(14)

Esta canção, Depois, gravada por Marisa Monte em seu mais recente CD, engana à primeira vista, ou, no caso, à primeira audição, e mesmo em distraídas e descuidadas audições posteriores. Nem parece música de fossa, de dor de cotovelo, e se sim, aparenta uma fossa mais leve, uma dor de amor mais comportada, menos profunda, quase que simplesmente um relato musicado de um rompimento em comum acordo, um fim de caso consensual, mais à guisa de um registro que de um lamento, aquela dor civilizada e racional dos que, desgraçadamente, nunca enlouquecem. Aparentemente.
Aparentemente porque : primeiro, não existe rompimento amoroso de comum acordo, no famoso pé-na-bunda, sempre existe um pé e uma bunda; segundo, em toda canção de fim de caso - em toda boa canção de fim de caso -, independente de qualquer aceitação racional ou conformidade aparente, há um punhal escondido, encravado no peito, no peito resignado ou não.
Exemplifico com o que conheço de melhor : Trocando em Miúdos, do velho e inigualável Chico Buarque.
O cara vai se despedindo à medida do bom fim, fazendo a divisão pacífica dos espólios do casal (o disco do Pixinguinha é meu), garante à ex que não cobrará pelo peito dilacerado, e até rima uma ajuda do futuro amor no aluguel com o Neruda que ela lhe tomou e nunca leu, façanha que só pode ser do Chico. Mas aí, quando menos se espera, vem o punhal de amor ferido : eu bato o portão sem fazer alarde, eu levo a carteira de identidade, uma saideira, muita saudade, e a leve impressão de que já vou tarde.
Puta que o pariu!!! É "a leve impressão de que já vou tarde" que põe a casa abaixo, que arrebenta com a máscara civilizada do autocontrole, que arrepia até os pelos do cu. É a raiva/vergonha/constatação da inutilidade/da perda de tempo/identidade do sujeito, que ainda muito queria, mas que, há tempos, não era mais querido. Nem é um punhal, é uma cimitarra a trespassar o pobre e proletário miocárdio.
No caso de Depois, composição da própria Marisa mais Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, o punhal sorrateiro já se anuncia no título da canção. Ela vai cantando como o fim será bom pros dois, de como voltarão a ser livres etc, e encerra com o punhal : Quero que você seja feliz, Hei de ser feliz também, Depois.
De novo o punhal na forma de um advérbio, depois. Depois quando, porra? Qual o prazo previsto para um depois? Por quanto tempo se aguenta esperar por um depois? Por quantos canalhas a pessoa passará na ânsia de ultrapassar a barreira desse depois, ou quantas vezes agirá, ela própria, com o mesmo intuito, também como um canalha?
O depois - vago, indefinido e, sobretudo, incerto - é o que mata, o que perfura, rasga e eviscera. Ainda mais se o (a) ex já se encontrar feliz em outro advérbio, no agora. Aí é que fodeu. Aí é que a fossa nada tem leve ou rasa, tem é de abissal, e nos imprime todo o peso do mundo.

Depois
(Marisa Monte/Carlinhos Brown/Arnaldo Antunes)
Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também


Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também


Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também


Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois

domingo, 9 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer In The Sky With Diamonds

Oscar Niemeyer, ateu das antigas, morreu e foi pro Céu (o absurdo já começa aí, mas vai melhorar muito ainda). Chegou ao paraíso empunhando a bandeira comunista da foice e do martelo e nem quis saber de deus, foi logo perguntando de seu colega Luís Carlos Prestes, outro comunista e ateu.
Porém, Niemeyer nem imaginava o que lhe aguardava. Foi recepcionado por um coral de anjos que, convocados de emergência pela santíssima trindade e muito bem ensaiados e afinados, executaram a Internacional (célebre hino comunista) à sua chegada. Sopranos, tenores e baixos, com seus mil instrumentos, entoaram louvores ao arquiteto. Pintores, poetas, abraçando os escritores numa festa sem igual.
E deus, mui feliz, disse : entre aqui, Niemeyer, no céu você tem lugar.
O pequeno relato acima, digno de uma viagem de LSD, é a versão do pastor luterano Mozart Noronha sobre a chegada de Niemeyer ao céu.
Mozart Noronha foi um dos quatro sacerdotes que celebraram o culto ecumênico em homenagem ao arquiteto, no último 7 de dezembro, no cemitério São João Batista, Rio de Janeiro. Além dele, dois padres e um rabino compuham o desrespeitoso e canalha quarteto. Desrespeitoso, sim. O sujeito era ateu declarado. Morre e logo vem a urubuzada de plantão, os mercadores de alma, cada um querendo atribuir a seu deus um quinhão da genialidade genuinamente humana e racional de Niemeyer. Porque é disso que esses pulhas gostam, atribuir a genialidade alheia aos seus deuses; melhor,  que o próprio sujeito diga que sua inspiração vem do todo-poderoso, que seu talento é um dom divino, e que, principalmente, agradeça de joelhos e encha os cofres das igrejas. 
Ainda mais num país feito o Brasil, onde impera a cultura do coitadinho, onde a maioria só "progride" às custas de assistencialismo barato, onde receber esmolas e rezar tomou, há tempos, o lugar do trabalho, do esforço, do estudo, enfim, do aperfeiçoamento pessoal. Num país em que a palavra meritocracia é palavrão, incomoda muito a existência de um gênio ateu.
Ninguém aqui nesses tristes trópicos associa uma capacidade acima da média ao estudo, à perseverança, e ao DNA. Talento no Brasil? Só pode ser sorte, ou por deus. Já dizia Tom Jobim, no Brasil, sucesso é ofensa pessoal.
Oscar Niemeyer é o contraexemplo perfeito disso. Ele é uma das evidências mais concretas do nível de excelência que um ser humano pode atingir quando, justamente, se livra de deus e misticismos congêneres. Ele é uma das evidências mais gritantes do quanto o cérebro humano, livre de lendas e mitos castradores, pode se desenvolver.
O padre Jorge Luis Neve da Silva, o Jorjão, outro integrante do quarteto canalha, seguindo bem essa linha da preguiça nacional, declarou : "Niemeyer devia ter “alguma fé” por ser um “homem iluminado”. É uma filhadaputice só. E continua :  "Niemeyer não podia ser um homem sem fé, por ter construído tantas casas de deus", referindo-se talvez às igrejas e catedrais projetadas pelo arquiteto. Neimeyer não projetava igrejas, ele projetava prédios, a utilização dada a esses prédios não era problema dele, nem de seu interesse, ele projetava,  pouco lhe importava a merda que se ia fazer com aquilo.
Fosse deus a dar tantas luzes a Niemeyer, o senhor, padre Jorjão, puxa-saco e lambe-bolas do todo-poderoso, deveria ser um gênio ainda muito maior, o que, pelas declarações dadas, já vimos que não confere. E o que dizer, então, dos seus paroquianos, todos recitadores de ladainhas e tementes a deus? Fosse deus a dar tantas luzes a Neimeyer, o senhor não seria um padre a comandar uma igreja, o senhor seria o reitor de Harvard, Oxford etc.
Neimeyer era ateu, seus padres, pastores e rabinos canalhas! Ateu! É difícil entender isso? Queriam prestar uma homenagem a ele? Ficassem em suas igrejas, ficassem quietos, calassem as putas de suas bocas. 
E para encerrar com chave de ouro a sua participação no funeral, o pastor luterano (e muito louco) Mozart Noronha recitou um poema de sua autoria, o poema que narra a chegada de Neimeyer ao céu. Ei-lo, seguido da foto do pastor:
 Numa tarde de verão,
Dia cinco de dezembro
Do ano dois mil e doze,
Vi a Santíssima Trindade
Reunida de emergência,
Ordenando aos seus apóstolos
Receberem Niemeyer
O incansável guerreiro
Que do Rio de Janeiro
Partiu para a eternidade
Deus estava mui feliz
O espírito nem se fala!
E na comunhão do além
Recomendaram que os anjos
Organizassem um coral
Em homenagem ao arquiteto
Cantando a Internacional.

Logo os músicos reunidos,
Sopranos, baixos e tenores,
Com todos os seus instrumentos
Entoaram uns mil louvores
Externando os sentimentos.

Mil pintores e poetas,
Abraçando os escritores
Numa festa sem igual.
Niemeyer vestia azul,
Com a bandeira vermelha
Segurada à mão esquerda,
Bem como a foice-martelo.
Indagou por Carlos Prestes
E todos os seus companheiros.

Deus que sempre sentiu dores
De um povo pobre e oprimido
Disse: entre aqui, Niemeyer.
No céu você tem lugar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Eu Não Dou Bom-Dia

As pessoas acordam
Desejando ainda a caverna do urso,
O casulo do bicho da seda,
A hibernação
(poucos são os corpos que se satisfazem com o que lhes é concedido pelo despertador).
Levantam-se
Ansiando ainda pelo reumatismo dos grandes rochedos,
Pela poliomielite dos fósseis,
Pelas prostração
(poucas são as almas que se dispõem a caminhadas, cansaços e suores já pela manhã).
Então, vão:
Às filas das padarias,
Aos cafés fracos e amargos
(repelente ineficaz do sono, da ressaca, do efeito residual do Rivotril),
À vida, por falta do que mais fazer.
Então, vãos :
Ganham as ruas
Em direção a mais um dia perdido 
E ainda sorriem, e ainda dão bom-dia.
De onde vem a força para darem bom-dia?
Eu não dou bom-dia!,
Não só por falta de educação,
Cortesia ou civilidade.
Faltam-me essa estranha força
E um mínimo de nexo e porquê para fazê-lo. 

Não Me Fale Do Seu Medo, Eu Conheço Inteira A Sua Fantasia

Estrelas
(Oswaldo Montenegro)
Pela marca que nos deixa
A ausência de som que emana das estrelas
Pela falta que nos faz
A nossa própria luz a nos orientar
Doido corpo que se move
É a solidão nos bares que a gente frequenta
Pela mágica do dia
Que independeria da gente pensar
Não me fale do seu medo
Eu conheço inteira sua fantasia
E é como se fosse pouca
E a tua alegria não fosse bastar
Quando eu não estiver por perto
Canta aquela música que a gente ria
É tudo que eu cantaria
E quando eu for embora, você cantará

Bacalhau Defumado

Como bem diz um amigo meu, o que seriam dos espertos se não fossem os crentes? É verdade. Para cada espertalhão nascido há multidões de idiotas prontinhas a serem enganadas, aguardando ansiosamente para serem engrupidas. E a vantagem probabilística para o pilantra, de uns tempos para cá, tem aumentado a olhos vistos e arregalados; devem existir, no mínimo, um milhão de manés à disposição de cada malandro.
A religiosidade, a espiritualidade, a preocupação com o transcendente, sempre foram um nicho de mercado dos mais lucrativos para o safardana, para o171. Tal segmento se manifesta sob as mais variadas vertentes, e a picaretagem travestida de filosofia indiana talvez seja um de seus ramos mais rentáveis, essas porras de ioga, mantra, gnose, tantrismo e o caralho a quatro.
É um filão tão vantajoso que seus líderes andam a se especializar, a investir em inovações, o mercado está superaquecido, e os consumidores, ávidos e exigentes. Fazem-se necessários requintes progressivamente maiores de impostura e caradurismo.
Um exemplo disso é o que acontece na pequena e pacata Joanópolis, município paulista localizado nos contrafortes da Serra da Mantiqueira.
Em um aprazível e bucólico sítio, Dúnia La Luna, 36 anos, dançarina e terapeuta corporal, promove um evento que ela chama de um workshop "Íntimo e Pessoal", cuja proposta é "aprofundar o prazer e a sexualidade cultivando a feminilidade sagrada".
A ideia é ensinar a mulherada a conhecer e ter controle pleno da vagina, o que, segundo a terapeuta, transformaria qualquer mulher em uma deusa sensual e poderosa : "toda mulher pode se tornar uma sacerdotisa do amor se valorizar o seu corpo e a si mesma e redescobrir o poder de sua vagina", garante La Luna.
É o workshop da vagina! Que, vertido para o bom português, bem poderia ser chamado de A Oficina da Buceta.
O curso inclui vários tópicos; as preliminares, digamos assim, consistem de um teste para aferir a força do assoalho pélvico (?), um questionário sobre conhecimento que cada uma tem de seu corpo e uma aula teórica-expositiva das anatomias externa e interna da vagina.
Em seguida, uma bandeja é colocada frente às aspirantes a deusas da perseguida, uma bandeja onde estão as "pérolas do prazer", acondicionadas em conchas fechadas. As alunas vão abrindo as conchas e as surpresas vão se sucedendo. Da primeira concha, sai um cone para fortalecimento do períneo; das segunda e terceira, respectivamente, bolinhas de pompoar e um vibrador, destinados aos exercícios de pompoarismo. La Luna orienta : contrair, sustentar, pulsar, sugar, expulsar, contrair, sustentar, pulsar, sugar, expulsar, contrair, sustentar, pulsar, sugar, expulsar, contrair, sustentar, pulsar, sugar, expulsar. E a mulherada toda lá, com o vibrador na buça e as bolinhas no toba.
Não vou negar que a vagina, assim como todo e qualquer outro órgão, precisa ser exercitada para que dela se extraia um bom desempenho. Só que exercício para a xavasca se faz é com um bom pinto, uma rola, um vergalhão daqueles. Exercício para a xavasca é dar, dar muito, pôr pra jambrar, botar a beiçuda para bater palmas.
Mas o melhor ainda está por vir. Para o grand finale, folhas de alecrim, guaçatonga, pétalas de rosa e lavanda são postas em uma bacia de cerâmica e, em seguida, queimadas. Aí, as mulheres, sem calcinhas, posicionam-se sobre a bandeja, cobrem-na com suas saias longas e largas e se agacham para receber a sagrada fumaça  das ervas em suas vaginas.
É o incensamento da vagina. Além de purificar e perfumar, afirma La Luna, o incenso teria propriedades fungicidas. Ou seja, limpa, aromatiza e ainda dá um tapa na candidíase. É a defumação do bacalhau.
O proveitoso dia é encerrado com banho na cachoeira e introdução aos movimentos e massagens inspirados na dançaterapia(?). E tudo isso pela bagatela de R$ 330,00. Puta que o pariu!!!  Sacerdotisas do amor é o cacete! Essa mulherada está precisando é de uma boa pirocada, de uma bela de uma surra de pinto, isso sim.
Acham que estou inventando? Segue, abaixo, foto do ritual da defumação do bacalhau.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Brainstorm, A Tempestade De Merda

Mais uma da série "Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz", ou, "o que a ciência constata hoje, o Azarão sempre soube".
Eu, por várias vezes e em repetidas postagens, sempre desci a marreta no tal do coletivo. Eu desprezo, tenho verdadeira aversão a qualquer atividade coletiva, à manada, ao rebanho, ao bando.
Nada de bom emerge do bando, o bando nada produz, só prolifera sua ignorância, só reproduz sua miséria, e como se reproduzem, os do bando.
Ninguém que faça algo que preste, o faz em bando. A criação é ocupação solitária, a genialidade é atividade ímpar e de isolamento. Alguém pode imaginar Camões a escrever os Lusíadas a quatro ou mais mãos? Ou o Saramago, ou Augusto dos Anjos, ou Ariano Suassuna? Van Gogh preparando um quadro e deixando o acabamento e arte-final a cargo de outro pintor? Ou Rubens, ou Caravaggio? Beethoven compondo em parceria suas sinfonias? Newton pondo a cabeça de outro para levar a maçãzada em lugar da sua?
A excelência é um bem pessoal e intransferível, incompartilhável com a turba. O bando só sabe se refestelar na própria merda, e só assim se sente feliz.
E não é que um artigo, publicado na revista Superinteressante desse mês, revela exatamente o que eu acabei de dizer, e que sempre soube? A matéria "Reuniões, Como Elas Matam as Boas Ideias" mostra os resultados de pesquisas realizadas em vários locais do mundo, por fundações e universidades, sobre a eficiência das reuniões empresariais na busca de soluções e de novas ideias - ou, no caso, da ineficiência dessas reuniões, desses encontros do bando. 
Os estudos desmascaram o estilo considerado como o mais moderno de se fazer uma reunião : o famoso e cultuado brainstorm, em que todos os presentes podem opiniar sobre todos os assuntos, com ou sem conhecimento de causa. O brainstorm, segundo seu idealizador, é a maneira mais democrática de se realizar uma reunião. E é aí que o cara já começa cagando, quem disse que um ambiente democrático é forja de boas ideias? Não é. Muito pelo contrário. Basta ver a qualidade da produção musical durante o governo militar (1964-1985) e a de agora. 
O objetivo de seu criador, Alex Osborn, era criar um ambiente descontraído que gerasse muitas ideias, que em meio a uma tempestade de ideias idiotas surgissem, vez em quando, ideias geniais. O problema é que uma idiotice dita com propriedade pode se acatada como genial, e o que mais há por aí são idiotas eloquentes.
Reproduzo, a seguir, alguns trechos da matéria:
"A mesma pesquisa, realizada pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, constatou que 70% das reuniões não chegam a lugar nenhum, e uma empresa média, de 100 funcionários, desperdiça R$ 500 mil anuais com o tempo perdido nelas"
"É que um estudo publicado neste ano aponta que as pessoas são mais inteligentes, e tomam melhores decisões, quando estão sozinhas. Psicólogos da Universidade de Haifa, Israel, apresentaram uma bateria de perguntas e problemas para que voluntários resolvessem. Metade dos voluntários trabalhava sozinha. A outra metade se reunia em grupo. Resultado? Os solitários sempre foram melhor que os grupos. Acertaram mais respostas e propuseram soluções mais pertinentes."
"Não há dúvida de que o pensamento solitário é mais produtivo", afirma Ashier Koriat, autor da pesquisa"
Outro problema, segundo a pesquisa, é que, nos brainstorms, os tímidos são colocados para escanteio pelos mais extrovertidos, que, via de regra, pensam menos para falar, isso quando pensam. A pesquisa constatou ainda outra obviedade, que os tímidos são mais inteligentes e criativos.
Há um consenso equivocado sobre o que é ser tímido, comumente visto como aquele cara que gostaria muito de se relacionar com as pessoas, mas não consegue, tem algum bloqueio, alguma dificuldade de. Nada mais falso que esse senso comum. O tímido não é incapaz de se relacionar com o bando : ele não quer, ele não suporta a nociva interação. Só tal aversão ao rebanho já denota uma inteligência superior, que é mais ainda desenvolvida pelo isolamento de que ele tanto gosta, preza e necessita.
O artigo nada fala sobre, mas o que dizer, então, das abjetas dinâmicas de grupo? É um circo sem sentido, um palco para a humilhação pública do indivíduo, o cara é aplaudido pelo bando por fazer papel de idiota. Orgulho-me em dizer que nunca participei de uma dessas dinâmicas, sem nenhum pudor, sempre saí do recinto à simples menção de suas realizações.
O que me entristece é que foram gastos anos e anos de pesquisa, e uns tantos milhões de dólares, para verificar o evidente. 
Tamanho trabalho poderia ter sido grandemente abreviado caso os pesquisadores tivessem : a) perguntado ao Azarão, ou, melhor, b) assistido a uma única, a uma uniquinha reunião pedagógica, dessas tão comuns nas escolas de ensinos fundamental e médio.

Às Moscas

O cara,
Com cara blasé
Com semblante spleen,
Fisionomia de desdém bem ensaiada
- com cara de cu, enfim -,
Ocupa o palco presente.
Sobem ao púlpito do sarau,
Suas roupas de dândi bem talhadas,
Seu cabelo sem fio fora de lugar
Seu tablet de última geração
- o novo poeta é um sujeito antenado ao seu tempo -,
E verbaliza sua poesia em pixels
Para o público ouvinte.
As palmas irrompem!,
Que é da natureza das moscas
Esfregarem as mãos de satisfação
Frente a um belo monte de merda.

Mas aí
Outro cara, o velho poeta,
Com cara de jornal de ontem amassado,
Com semblante azedo de balcão sujo de bar,
Fisionomia calejada pela sarjeta,
Toma sua vez ao palco.
Sobem à tribuna do sarau,
Sua camisa de gola e punhos puídos,
Sua juba em grisalha desordem,
Sua barba sem geometria,
Sua folha de caderno amarelada,
Ou de papel pardo de pão,
E vocifera sua poesia em garranchos azuis de caneta Bic
Para o público ouvinte.
De novo, as palmas irrompem!,
Em igual intensidade
E pelo mesmo motivo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ateus De Boutique

A Associação Polaca de Racionalistas encabeça a primeira campanha publicitária ateísta da Polônia, país natal de João Paulo II e com população de 90% de católicos autodeclarados. Um dos outdoors da campanha, espalhados por diversos logradouros públicos da cidade, diz : "Não matar", "Não roubar", Não Acreditar".
 Achou bem bolado, caro ateu? Uma sacada de mestre? Uma merda, pois sim.
Que forças ou motivações levam alguém, ou, no caso, uma associação, a alugar um espaço publicitário e tentar impor a sua descrença à paisagem e ao passeio público, a tentar talhar na pedra um antimandamento, "Não Acreditar"?
A resposta é simples, e patética, e triste. São as mesmas forças e motivações que impulsionaram os inquisidores da Idade Média a queimarem os supostos hereges, os jesuítas a ajudarem no extermínio de nativos na América do Sul, os padres e pastores a adquirirem concessões de canais televisivos, as testemunhas de Jeová a baterem à sua porta, sempre aos domingos e na hora do almoço, para tentar vender seu deus em forma de revistinha, ou seja, as mesmas forças e motivações de sempre : intransigência, intolerância e a presunção de considerar a si e a seus pares como os detentores da verdade, como se a verdade, ainda que existisse e fosse única, pudesse ter um guardião, um depositário.
Eu, ateu das antigas, estou pegando cada vez mais nojo dessa corja de neoateus, crias involuídas de Richard Dawkins. Mais que ateus, intitulam-se racionalistas, mas se utilizam das mesmas táticas e agem com a mesma pequenez de pensamento daqueles a quem acusam de tacanhos, os crentes em algum deus.
Se alguma igreja alugasse os outdoors e colocasse, sei lá, passagens da bíblia, versículos, salmos etc, seria acusada pelos neoateus de violar a laicidade do Estado, encaminhariam, com certeza, um pedido judicial para a retirada da propaganda. Partindo da mesma lógica, que os racionalistas dizem ter, eles também estão violando a isenção do Estado em relação a temas religiosos, visto que Estado laico não é Estado ateu.
Porém, não se deixem enganar por esses meninos. São falsos ateus, ateus de boutique, ateus midiáticos, ateus que querem aparecer a todo custo (nada é mais antiateu que a notoriedade), ateus que adoram se banhar na luz dos holofotes. E evitem, corram com todas pernas, fujam das pessoas, sejam ateias ou não, que se enamoram dos holofotes, elas perdem toda a racionalidade e senso do ridículo, são insetos cretinos a bater suas ocas cabeças contra um ilusório sol, ícaros sem nenhuma poesia.
São falsos ateus, repito. São religiosos sem deus, e essas associações ditas ateias são igrejas sem ícones. Os neoateus são até piores que os fanáticos religiosos. Estes últimos, por mais chatos que sejam (e eles o são), lá na cabeça torta deles, acreditam mesmo que, ao tentar converter alguém, estariam levando um conforto a essa pessoa. Acreditar em deus, em uma entidade a lhe velar e valer, é basicamente isso, presentear-se com um autoconforto.
Já esses militantes neoateus querem levar a descrença, o desconforto às pessoas. E isso é inadimissível. Ser descrente de uma força externa que lhe acuda não é nada confortável, saber que está por sua conta nesse universo praticamente infinito não é sensação das melhores, é uma sensação de liberdade, é verdade, mas quem disse que a liberdade plena não assusta, não causa pânico? Tentar impor um conforto, ainda que ilusório, é passável; tentar impor uma descrença, ainda que provavelmente real, é inaceitável.
Jacek Tabisz, presidente da Associação Polaca de Racionalistas, justifica a campanha dizendo que é muito difícil ser ateu em um país católico. Por quê? Que tipo de perseguição um ateu pode sofrer, hoje em dia, em um país europeu, por mais católico que ele seja?
O Brasil é um país de maioria católica até hoje; e era ainda mais católico quando de meu nascimento e de minha infância. Já estudei em colégio de padres, que me sabiam ateu, e nunca sofri nenhum tipo de coerção por isso, não que eu tenha percebido, pelo menos; porque o verdadeiro ateu é assim, se não liga nem pra deus, vai dar pelota para o que pensa um suposto representante dele? É bem verdade que o padre diretor, volta e meia, dava-me umas alfinetadas, mas e daí?
Em minha condição de ateu, senti-me muito menos reprimido pelos padres que, em minha condição de canhoto, pelas minhas professoras primárias. Fui obrigado, até a terceira série do antigo grupo, a preencher cadernos e mais cadernos de caligrafia usando a mão direita. Tivesse eu essa mania de perseguição dos neoateus, teria feito o quê? Pleiteado um estatuto especial para os canhotos? Promovido passeatas para protestar contra a ausência de produtos direcionados aos canhotos, desde abridores de lata, passando pelas tesouras e chegando às carteiras escolares?
Se você é uma exceção, se você tem um comportamento que não é o padrão, você tem que se virar, você tem que dar seus pulos, o mundo não tem culpa de você ser uma exceção, e nem é obrigado a gostar de você. É isso que esses ateuzinhos de merda parecem não entender : assuma que você foge à regra e arque com as consequências, ou se esconda. Só não me venha com choramingos.
Fosse em uma nação islâmica, eu calaria a boca, que nesses países a coisa pro lado dos ateus é pesada de fato. Fosse em uma nação islâmica, esses neoateus teriam coragem de se agregar em associações e espalhar outdoors pelas ruas? Duvido. Fazem isso em lugares onde essa liberdade lhes é assegurada por lei, e justamente para dizerem que não essa liberdade, que são perseguidos. É ou não é vontade de aparecer?
Jacek Tabisz segue em sua chorosa ladainha e diz que as mensagens dos outdoors têm o objetivo de diminuir a sensação de isolamento dos ateus e - pasmem - informar à sociedade que uma parcela dela é descrente. Sensação de isolamento? O neoateu quer se sentir parte do quê? Dos planos do cosmos? Dos planos de deus? E por que a sociedade tem que saber que há descrentes em seu cerne? Não tem. Não há importância alguma nisso.
Vá trabalhar, Jacek Tabisk, vá fundar uma nova religião,vá dar a bunda, mas não fique se dizendo um ateu.
São bebês mimados e chorões, são muito viadinhos, esses neoateus.
Para quem quiser ler artigos sérios de verdadeiros ateus, fica aqui a dica do Marreta, acessem o site Ateus.net

sábado, 1 de dezembro de 2012

Uma Elegia À Cláudia Ohana (10)

"Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus"