domingo, 16 de junho de 2013

Voltaram os Bons Tempos das Peladas

Alguns podem pensar, pelo que leem aqui, que eu não gosto de futebol, sei que posso passar essa impressão, às vezes. E não gosto, mesmo. Detesto, a bem da verdade. 
Mas não gosto é do futebol grande, do futebol dos estádios, dos coliseus, do futebol empresa, das camisas dos clubes que, hoje, são mais outdoors que brasões e estandartes de seu grêmio. Não gosto é do futebol que transforma idiotas em deuses e heróis.
Gosto, entretanto, acreditem ou não, do futebol pequeno, do futebol de rua, aquele que a gente jogava com latas de óleo a servirem de traves, ou, quando nem latas conseguíamos, usávamos uns chinelos de dedo para marcar os limites do gol, gosto do futebol jogado pela molecada nos terrenos baldios, imediatamente improvisados em campos de terra batida, do futebol dos sem-camisa versus os com-camisa, ou seja, tenho enorme simpatia pelas boas e velhas peladas.
Eu próprio, acreditem ou não (mais ainda), já joguei umas boas peladas em minha infância/adolescência. Se bem que jogar, jogar, é modo de dizer, eu ficava sempre no gol, que era o lugar em que, invariavelmente, a não ser que você fosse o dono da bola, colocavam os pernas de pau, mas cheguei a ser um goleiro razoável, que o diga meu amigo Marcellão, cujas cobranças de penalti, eu sempre frustrei. Fazer gols, em toda a minha vida, acho que só fiz no futebol de botão e no pebolim.
Por isso, muito folguei em saber que não sou o único saudoso de uma boa pelada.
A Alemanha promoveu, nesta semana, o primeiro Campeonato Nu de Futebol. Os jogos foram disputados na grama sintética do Berlin's Palais am Funkturm e tiveram as participações das seleções alemã, sueca, francesa e italiana.
É a volta do verdadeiro futebol arte. Ou, pelo menos, do futebol nu artístico. Vejam com que fluidez a bola rola pelo gramado, com que elegância, leveza e beleza, vejam como corre gostosa.

E na comeração pelo gol, então? Não tem nada daquelas coreografias idiotas, não tem nada daquelas dancinhas de macaco. Na hora do gol, elas partem para o abraço. As meninas dão um verdadeiro show de bola, de "bolas", se é que vocês me entendem, e sei que me entendem.
E só tem seleção, só tem o top de cada país. Na copa da peladas, não tem bola murcha! É tudo bola de capotão, e das nº 5 !
Para juiz, não digo, não tenho mais idade e fôlego para ficar correndo de lá para cá, mas se precisarem de um bandeirinha, eu tô dentro. Hasteio a bandeirinha no pau!!!

sábado, 15 de junho de 2013

Brasil : o País do Futebol, Ontem, Hoje, Sempre, e Desgraçadamente.

Para a realização da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, não são apenas os estádios brasileiros de futebol que necessitam passar por reformas, adaptações e ampliações. É preciso (preciso?) ampliar igualmente as vias de acesso aos locais dos jogos, hotéis, restaurantes, pontos turísticos etc das cidades que sediarão o evento. Todo um projeto urbano vem sendo realizado nas 12 cidades que abrigarão a desgraça da Copa.
E, agora, uma coisa que você nunca vai ver no Jornal Nacional, acompanhada pelo sorriso da Patrícia Poeta : por conta dessa ampliação viária, para facilitar a vida do turista, cerca de 250 mil pessoas correm o risco de ser despejadas de suas residências, muitas até já foram.
Os dados são da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) e foram divulgados em um vídeo apresentando em uma reunião paralela da 23ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
Quero deixar bem claro que não são os vagabundos dos sem-terra, índios e outros pilantras que serão desalojados, nada disso. São famílias de trabalhadores! A esses, ninguém vai lá defender, em defesa desses, não se veem protestos, passeatas, bandeiras vermelhas do MST, PSTU e o caralho a quatro a se agitarem, em defesa desses, não há artista boiola fazendo beijaço, panelaço, apitaço, rosca-queimaço ou coisa que o valha.
Defender trabalhador não dá ibope, não ganha votos para as próximas eleições, não projeta a imagem nem aumenta o cachê de nossos engajados músicos, atores e toda a canalhada metida a intelectual.
Ir em socorro de gente comum, que acorda às 5 da manhã para trabalhar, que paga seus impostos, que conta moedinhas para aguentar a chegada do fim do mês, não é chique, não é moderno, não está nas metas do milênio, proteger gente comum não vai salvar o planeta.
Ter consciência cidadã (e odeio cada vez mais essa palavra), hoje, no Brasil, é ser amigo de vagabundo, é chamar o vagabundo de excluído, de desfavorecido, e dar para ele tudo o que ele acha que a sociedade lhe deve. Ter consciência cidadã é dar uma esmolinha para aplacar a própria consciência pesada. E dar com o dinheiro de quem trabalha, dar com o dinheiro dessas 250 mil pessoas que estão em vias de perder suas casas, por conta da Copa 2014 e Olimpiadas 2016.
Ser cidadão, hoje, no Brasil, é dar terra para índio que compra cocar em loja de artesanato e para "agricultor" sem terra nas unhas e calos nas mãos, é defender o direito do cara fumar maconha e dar o rabo.
Alguns dados do dossiê da Ancop :
500 famílias ameaçadas de despejo na Vila Autódromo, no Rio de Janeiro;
200 casas, em Recife, foram marcadas para ser demolidas sem consulta prévia aos moradores;
900 famílias no oeste da cidade de Manaus estão sob risco, por causa da construção de uma rodovia;
2.600 casas, Em Belo Horizonte, estão ameaçadas pela ampliação do anel viário no entorno da cidade;
2 mil famílias da região metropolitana de Curitiba estão em risco devido às obras de expansão do aeroporto e à reforma do estádio Joaquim Américo Guimarães.
Mas o governo vai realocar essas famílias, vai lhes pagar indenizações, dirão os politicamente corretos defensores do progresso às custas do cu alheio.
Sim, haverá indenizações : entre R$ 4 mil e 10 mil, em média, por família que perder sua casa. Puta dinheiro, hein? Sim, haverá reassentamentos : em  locais distantíssimos das residências originais, muitas vezes sem a menor infraestrutura para acolher essas famílias, e com os quais essas pessoas não possuem nenhum vínculo, elas ficam longe de seu trabalho, da escola dos filhos, dos familiares, amigos.
À perda da residência, outras se juntam. Um endereço fixo é condição básica para ter acesso à educação dos filhos, à saúde, a uma conta bancária, à obtenção de um crédito financeiro, enfim, ter uma casa é condição básica para o sujeito ter uma identidade.
Essas famílias, desapropriadas de suas residências, serão igualmente alijadas de suas identidades.
E para quê? Para ver o idiota do Neymar com corte de cabelo novo? O bigode do Felipão?
Nas imagens do vídeo mostrado em Genebra, são retratadas casos flagrantes de despejos forçados, remoções com aviso prévio de 48 horas, casas demolidas sob protesto, abusos policiais e famílias desesperadas por não saberem onde serão reassentadas ou se receberão indenização por suas perdas.
Cadê os filhos das putas dos Direitos Humanos numa hora dessa? Dando a bunda pra bandido, só pode ser. E fumando um belo dum cachimbão da paz com os índios falsificados. Estarão os dos Direitos Humanos já devidamente comprados pela Fifa, CBF etc, como já foram devidamente comprados pelos comandos criminosos do país?
E, no pior, eu gostaria de nem ter pensado, mas não há mais como não, já pensei, já foi, já era.
O pior, podem ter certeza, é que, quando a Copa estiver em seu transcurso, quando a seleção canarinho estiver no gramado a fazer suas presepadas, todos os onze vendidos a multinacionais do esporte, essas mesmas 250 mil pessoas que perderam(ão) suas casas, suas vidas, já estarão esquecidas de tudo, estarão a berrar, a esgoelar-se, a tocar suas vuvuzelas e caxirolas. Estarão todas - se houver exceção entre elas, serão pouquíssimas - a torcer fervorosamente pelo Brasil.
Não pelo meu Brasil, mas pelo Brasil que, enfim, quem sabe, elas mereçam de fato. E se o Brasil for hexacampeão, talvez até considerem a perda de suas casas como um válido sacrifício pela pátria.
Fonte : BBC Brasil

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Boneca de Quatro - Luiz Felipe Pondé

Há tempos a marreta de Pondé não se mostrava tão pesada e contundente. O texto que reproduzirei a seguir foi motivo de várias manifestações de repúdio ao escritor, inclusive uma abortada tentativa de sabotagem a uma palestra dele na Feira do Livro de Ribeirão Preto. Umas suvacudas da chamada "capital da cultura" - só se for da monocultura da cana-de-açúcar - pretendiam invadir o auditório com cartazes de protesto, felizmente foram detidas.
O que pegou no texto foi Pondé dizer que certas feministas nem são mulheres e que, as mais azedas, querem até ensinar as mulheres heterossexuais a transar : nunca deem de quatro, dizem elas, é a posição que representa a sociedade dominada pelo poder do macho, a falocracia - pãããããta que o pariu!!!
Segundo essas feministas - tudo sapatão do grelo grande -, a mulher "pensa" que gosta de transar de quatro, "pensa" que gosta de ser penetrada por trás, porque foi oprimida.
Quer dizer que a mulher está lá, de quatro, se melando toda, sendo segura pelos cabelos e bem cavalgada como a fêmea que é, e gozando feito louca porque "pensa" que ser bem pega por trás é bom? Goza porque tem a "impressão" de que aquilo é bom?
Pondé está certíssimo, como de costume. Tem muita feminista por aí que não é mulher porra nenhuma, tampouco defende os direitos femininos, defende é o direito de se tornarem homens. Essas de suvacos cabeludos queriam, na verdade, é ser homem, morrem de inveja de um cacetão, e aí ficam tentando transformar homens e mulheres normais em inimigos. Querem é bucetinhas sobrando no mercado.
Nunca tive nenhuma namorada, caso, enrosco, rolo etc que não gostasse de dar de quatro, é uma das posições mais prazerosas para elas - e para nós, também. Mas como as feministas vão saber, se nem mulheres são?
Abaixo, o texto de Pondé - os trechos em vermelho são por minha conta.
Bonecas de Quatro
"Hoje vou falar de coisa séria: vou falar de mulher. Aliás, nem tanto, pensando bem. Vou falar de feministas e muitas dessas não são exatamente mulheres. E também de gente que quer fazer meninas brincarem com carros e meninos com bonecas em nome da "tolerância". Até quando vamos ter que tolerar esses maníacos em zoar a vida dos filhos dos outros?
O fascismo nunca perde força. Em nome de uma educação para diversidade, os fascistas de gênero agora querem se meter nos brinquedos das crianças.
Quando será que a maioria silenciosa vai dar um basta nessa palhaçada pseudocientífica chamada teoria de gênero na sua versão "hard" (engenharia psicossocial do sexo)? Quando vamos deixar claro que essa coisa de dar boneca para meninos quererem ser meninas é, isso sim, abuso sexual?
Quem sabe, quando as psicólogas e pedagogas tiverem coragem de parar de brincar com a sexualidade infantil fingindo que acreditam nessa baboseira de trocar os brinquedos de meninas com os dos meninos e vice-versa.
Mas, vamos aos fatos. Há alguns anos, assistia eu um pequeno festival de curtas sobre diversidade sexual quando ouvi uma das maiores pérolas desta pseudociência do sexo.
O curta abria com uma cena de sexo em uma cadeia. Um casal, um homem e um travesti, faziam sexo. O travesti de quatro, o homem por trás. Os dois gozavam ao final. O curta seguiu seu curso, mas não é o filme em si que me chamou atenção.
De certa forma, o curta repetia uma das manias chatas do cinema brasileiro: cadeia, bandido, pobre, drogas... haja saco. Cinema preocupado em construir "consciência social" (essa nova categoria da astrologia) é sempre chato e ruim.
Terminado o filme, "especialistas" em gênero fizeram um debate. Na primeira fala, um dos integrantes da mesa protestou contra o fato que na cena o travesti estava de quatro e que isso revelava que os criadores do curta incorriam no pecado da "falocracia".
Calma, caro leitor e cara leitora, não pretendo usar palavras de baixo calão numa segunda-feira. Explico-me: "Falocracia", termo cunhado para parecer chique, significa sociedade dominada pelo poder do macho (falo = pênis, cracia = poder).
Segundo nosso gênio (seria gênia? Não me lembro bem do sexo...), o curta repetia o erro machista de colocar a "fêmea" no lugar da que gosta de ser penetrada por trás.
Para esses tarados em se meter na vida dos outros, as mulheres até hoje "pensam que gostam" de ser penetradas por trás porque foram oprimidas. Risadas? E quando digo que feminista não entende nada de mulher ainda tem gente que se espanta... Feminismo fora de delegacia de mulheres dá nisso: invasão da cama alheia.
Pois bem, agora algumas feministas mais azedas do que o normal querem ensinar as mulheres heterossexuais (essas que muitas militantes julgam compactuar com o inimigo) a transar e propõem a demonização de uma das posições mais preferidas pelas meninas saudáveis: transar de quatro.
Segundo nossas fascistas de gênero, as heterossexuais devem ficar sempre por cima para olhar nos olhos do opressor e jamais (preste atenção: eu disse jamais!), ao fazer sexo oral (melhor não fazer), "jamais engolir sêmen, que é excremento como xixi e coco".
É meninas queridas, um dia desses vão prender vocês se gostarem de ficar de quatro ou de "engolir". A liberdade sexual acabou e em seu lugar nasce a heterofobia.
Quando vamos perceber o fato óbvio de que o feminismo é a nova forma de repressão social do sexo? Principalmente do sexo heterossexual feminino? Ao se meter embaixo do lençóis, essas azedas atrapalham a já difícil vida sexual cotidiana.
Uma coisa é combater crime sexual, salário discriminatório, outra coisa é se meter no modo como as pessoas gozam.
Isso me lembra o filme espanhol de 1991 "El Rey Pasmado" de Imanol Uribe. Neste filme, um casal de nobres sofria "preconceito" porque a mulher gozava muito. Padres e freiras foram chamados para rezar e ajudar a mulher ser "casta" no sexo.
Antes eram as freiras que odiavam o sexo, hoje são as feministas mais chatas: para elas nada de bonecas de quatro."

Grillo Verguero, A Volta

Raul Seixas morreu. O Grillo, quase. Foi ao inferno e voltou.
Foi ter com o Raul, que jogava xadrez com Nicuri, e recebeu uma ordem expressa do maluco beleza : sua vestimenta de cetim ainda não está pronta, se apruma, meu nêgo, volta lá pra fora e...Toca Raul!!!!
E o Grillo, finalmente, voltou. Depois de alguns anos fora de cena, pagando ao diabo o que devia e conseguindo novos empréstimos, o Grillo voltou. Sempre a cantar e a defender os clássicos de Raul Seixas, desde a década de 1990.
Ele começa com DDI, emenda com Meu Amigo Pedro e, daí para frente, tudo pode acontecer. É o dia do Grillo.
Dar-se-á nesta sexta-feira, 14/06, o seu retorno. No Paulistânia, lógico. A capital federal da Sociedade Alternativa. Taí o Grillo, abaixo. Mais gordo, mais corado, mais sorridente e, de alguma forma, pode ser só impressão minha, mais triste. Veja o poeta inspirado em Coca-Cola, que poesia mais sem graça ele iria expressar, já dizia Raul em sua canção Movido a Álcool. Será isso?
Bom retorno e faça um belo show, Grillo, meu velho. Com toda habilidade e talento que sempre lhe foram peculiares e, agora, ciente, alerta e zeloso de suas novas limitações.
Toca Raul, toca, Grillo. Um dia a gente se vê.
Grillo Verguero, Sexta-Feira, 14/06, no Paulistânia Rock Bar. À partir das 23:00 h.
Rua Daniel Kujawski, 193 - Jd Paulista - Ribeirão Preto
O Azarão recomenda!!!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Robocop ou Capitão América?

Pããããta que o pariu!!! Parece o Robocop, mas olhem só o escudão...é só botar  uma estrela branca no centro que é o próprio escudo do Capitão América, o fiel e infalível escudo do líder dos Vingadores, que sempre atinge o alvo, ricocheteia em paredes, postes, caixas de correio e retorna infalivelmente às mãos de seu mestre, feito o martelo do próprio Thor, feito a prancha do Surfista Prateado, só não sei se é feito da exclusivíssima liga de adamantium e vibranium, metal fornecido por Tchalla, o Pantera Negra, soberano do reino tecnológico de Wakanda e forjada acidentalmente (por isso, irreproduzível) por Tony Stark, que tira onda que é cientista espacial, mas também é Homem de Ferro, e sendo de vibranium-adamantium (40-60) nem as garras do Wolverine são capazes de cortá-lo.
Mas o que vai combater o soldado da foto, o detentor do legendário escudo? O Quarto Reich? Uma invasão alienígena Skrull? Nada disso. O valoroso combatente é um policial do RJ, a enfrentar a população pobre, ignorante e desdentada da Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil (ele próprio, muitas vezes, parte dela), em uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus.
Capitão América x Vale-transporte! Definitivamente, o Brasil não tem vocação para os épicos.
Bem que o governo de SP podia também importar esses uniformes para os seus combatentes do crime, e depois que equipasse todos os professores adequadamente, o excedente seria destinado aos policiais.
Eu quero o meu escudão, troco um quinquênio, uma licença-prêmio, o ticket refeição e o tablet que o governo diz que nos dará pelo escudão. Não quero tablet porra nenhuma. Que enfiem o tablet no cu. Quero o meu escudo do Capitão América.

Volver

Vou revolver a terra amnésica
Das antigas desilusões,
Motores que sempre me impulsionaram,
Que sempre botaram tinta e bússola à minha pena,
Objeto tão leve em si
Mas dado a uso tão pesado e insustentável.

Vou sacar
Da minha gaveta de ossos,
Da minha urna de cinzas,
O meu revólver desmuniciado
Das velhas alegrias e alucinações
Com o qual eu me lançava à noite perigosa
- que nunca me ofereceu perigo -
Feito um xerife a fazer ronda por cidade-fantasma,
A atirar ao alto
Minhas balas de festa, de festim,
Que não matavam nem pardal
Nem ratazana nem solidão.

Vou volver aos mapas de ontem,
Caminhar de tênis furados
Por suas ruas de pergaminho amarelado-quebradiço
E rosas dos ventos desatinadas,
Pelas naftalinas das lágrimas 
Que ali secaram, cristalizaram.

E vou,
Na falta de absinto,
Me lembrar de você.
Que a mais púrpura papoula
E os girassóis da noite
Nascem dos canteiros fertilizados pela tristeza.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Dirceu - A Biografia

São esses os defensores da democracia que reclamam de ter sido torturados pelos militares, de ter levado uns choques e uns catiripapos? São esses que gritam por justiça na palhaçada a que se deu o nome de Comissão da Verdade? São esses que, inclusive, recebem indenizações milionárias do Estado por terem sofrido maus-tratos durante o governo militar?
São esses os seus heróis de capa e estrela vermelhas?
Do que mesmo o Supremo Tribunal Federal os chamou? De chefes de quadrilha, não foi? Não só chamou, provou, condenou-os.
Já disse aqui algumas vezes e repito : o erro dos militares não foi ter lhes torturado, o erro dos militares foi SOMENTE ter lhes torturado. A nenhum deles se deveria ter deixado sair vivo dos porões da ditadura, que porões servem mesmo para isso, sepultar fantasmas e assombrações, para todo sempre. 
Para quem ainda não sabia, ou que se recusava a acreditar, ou que se recusa em admitir que votou na facção mais perigosa que já dominou a política brasileira, o PT. 
Leiam o artigo abaixo.
Do Blog de Reinaldo Azevedo.
“Dirceu — A Biografia” e relatos de tortura e morte. Ou: Quem conta a verdade possível é a sociedade, não comissões fajutas de estado
Quem conta a verdade possível, em matéria de história, é a sociedade: seus pesquisadores, historiadores, jornalistas, comentadores. Por mais honestos que sejam os narradores sobre os fatos, as narrativas serão necessariamente distintas. E não apenas em razão do estilo de cada um. Haverá aquele a enxergar relação de causa e efeito onde outro vê ou mera correlação ou não mais do que um acidente. Ao ordenar os eventos, reconstruímos a realidade segundo o nosso entendimento. Onde, então, está a verdade — sempre partido do princípio de que todos são fiéis aos fatos, de que não existe mentira deliberada? Está nesse conjunto diverso de vozes e de entendimentos da realidade.
Assim se fazem as coisas nas sociedades livres. Instituir, pois, uma comissão estatal da verdade para definir a “versão oficial” dos fatos é mero exercício de truculência política, de vigarice intelectual e de pilantragem filosófica. A razão é simples: os elementos meramente fáticos, destituídos do contexto que lhes dá sentido, em vez de esclarecer o mundo, servem para obscurecê-lo ainda mais. Quando essa dita “comissão da verdade” pretende instituir uma “moral da história”, aí já estamos no terreno do mais asqueroso oportunismo. Por que essas considerações? O editor de VEJA Otávio Cabral acaba de lançar pela Editora Record o livro “Dirceu — A Biografia” (364 págs; R$ 39,90). Ali se narram verdades que, para escândalo do bom senso, não são do interesse daquela comissão instituída por Dilma Rousseff, embora essa também seja uma história de tortura de morte.
O fio condutor do livro é a vida de José Dirceu, personagem central do maior escândalo político da história brasileira, articulador do que foi muito bem definido por ministros do Supremo como uma tentativa de golpe nas instituições democráticas e republicanas. Ora, uma personagem com esse vulto, com todas as características evidentes do anti-herói, que força a própria estereotipia para entrar na galeria dos vilões, merece ter a vida esmiuçada. E Cabral se dedicou, então, a uma pesquisa detalhada para reconstruir a trajetória do chefão do PT. Como informa Thaís Oyama em reportagem na VEJA desta semana sobre o livro, o autor analisou 15 mil páginas de documentos, distribuídas em nove arquivos, e entrevistou 63 pessoas. É… O Dirceu do mensalão, chamado pela Procuradoria-Geral da República de “chefe de quadrilha”, não se fez por acaso. Cabral decidiu investigar o pântano em que nasceu tal flor e escreveu um livro que, acreditem, traz revelações surpreendentes. Eu diria que Dirceu é ainda mais Dirceu do que se supunha…
Se já conhecíamos, por exemplo, aspectos de sua biografia pessoal que pareciam pouco recomendáveis para consumo humano, o livro se encarrega de evidenciar que Dirceu não enganava pessoas apenas por necessidade; ele também o fazia por gosto. Volto a esse ponto mais tarde. Dentre as muitas revelações do livro, dou destaque a duas porque dizem muito sobre a personagem e também nos remetem à tal “Comissão da Verdade”. 
José Dirceu, o homem condenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha, segundo o depoimento de uma das testemunhas da história, participou do assassinato de um sargento da Polícia Militar de São Paulo, em 1972. A morte ocorreu em uma das ocasiões em que ele voltou do exílio em Cuba — era um protegido de Fidel Castro —, em companhia de outros membros do grupo Molipo (Movimento de Libertação Popular), uma tentativa de movimento armado criado por exilados brasileiros em Cuba, financiado por Fidel. Lembro que o destino do Molipo ainda hoje gera especulações à boca miúda. Todos os dirigentes foram mortos pelas forças de segurança. Só Dirceu escapou. 
Há uma outra revelação chocante: Dirceu comandou, segundo relato da época, o sequestro e sessões de maus-tratos de um jovem chamado João Parisi. Leiam trecho do livro: 

O soldado da Força Pública Paulo Ribeiro Nunes e o estudante do Mackenzie João Parisi Filho, membro do CCC [Comando de Caça aos Comunistas], descobertos enquanto se passavam por militantes do movimento estudantil, foram levados vendados ao Conjunto Residencial da USP, o Crusp, onde os apartamentos 109, 110 e 111 do bloco G eram utilizados como uma “delegacia informal” da turma de Dirceu. Lá, foram interrogados e mantidos em cárcere privado (…) A Parisi, porém, foi dado tratamento de inimigo de guerra, segundo relato do delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho, em documento de 18 de agosto de 1970:  
“Por determinação do ex-líder estudantil Jose Dirceu de Oliveira e Silva, concretizou-se o sequestro do então universitário João Parisi Filho, da Universidade Mackenzie. João Parisi Filho foi levado para o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, onde permaneceu em cárcere privado por vários dias, submetido a sevicias. Nesse conjunto residencial, Parisi foi conduzido vendado e algemado, onde foi submetido a interrogatório, sob ameaça de morte. A vítima permaneceu presa durante dias, em condições desumanas. Após ter passado por esses atos de atrocidade, o estudante Parisi foi conduzido de olhos vendados para a copa do quinto andar do pavilhão G, onde foi trancafiado por uma noite e dois dias, permanecendo nesse local todo esse tempo deitado, com as mãos algemadas e presas ao cano da pia daquela dependência. Nessa situação, foi encontrado por duas empregadas que fazem a limpeza”. 
 
Voltei
Pois é… São apenas duas de muitas histórias um tanto estarrecedoras sobre o Zé. Mais uma vez, temos uma medida do Paraíso na Terra que teria sido o Brasil se “eles” tivessem vencido a batalha. Não por acaso, Dirceu foi tomar lições sobre o que fazer em Cuba — e continua a defender até hoje com unhas e dentes a ditadura que o abrigou. Eis aí algumas contribuições importantes para a verdade sem crachá, para a verdade que não depende de comissão oficial. 
Aqui e ali já se contou a história do Dirceu que viveu clandestinamente no Paraná, com o nome de Carlos Henrique Gouveia de Mello, casado com Clara Becker — que é a mãe do hoje político Zeca Dirceu. Muito bem! Veio a Anistia, e o homem não teve dúvida: revelou à mulher que, bem…, ele não era ele e se mandou. Ela ainda tentou salvar o casamento, mas foi inútil. Muitos já tentaram livrar a cara de Dirceu nessa história: “Ele só estava se protegendo e protegendo a sua família…”. É mesmo? Pediu, por acaso, licença à mulher, à mãe do seu filho, para usá-la como disfarce? Não, é claro! A biografia revela agora que Dirceu não enganava apenas por necessidade, mas também por gosto. Tinha uma outra mulher em São Paulo, chamada Miriam Botassi. Clara, assim, era enganada duas vezes: pelo militante político José Dirceu e pelo marido que julgava ter, Carlos Gouveia. Dirceu, como se vê, mudava de nome, mas não de caráter. 
Que vida venturosa, não? 
No livro, Cabral demonstra que, a partir de um determinado ponto, as trajetórias de Lula e Dirceu se imbricam. As relações nem sempre foram as mais pacíficas, e houve um momento em que o Zé encostou a faca do pescoço de Lula. Em troca do silêncio sobre a forma como o partido captava recursos para campanha, exigiu a presidência do PT e plenos poderes. Levou o que quis. 
Eis aí: “Dirceu — A Biografia” ilumina a trajetória de uma figura central na construção e realização do projeto de poder petista. É a verdade sem crachá. É a verdade escrachada."

sábado, 8 de junho de 2013

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(18)

Esta é fossa das brabas, chifre dos clássicos, dor de cotovelo que só macho das antigas é capaz de sofrer, e de aguentar. É aquela dor que o cara cura com muito desabafo aos amigos, ao longo da madrugada, na base de muito traçado e rabo de galo. 
É dor que o macho tem que transformar em revolta, em raiva da ex-amada, que dor de macho não pode virar pranto, mas sempre vira, e ninguém chora mais sentido que o macho das antigas, é choro a se respeitar, que não rola por qualquer coisa, é choro a ser escutado em silêncio, quase em reverência.
E se alguém, algum desavisado inconsequente, fizer pouco caso ou tentar minimizar a sua dor, dizendo que logo vai passar, ele dá um murro no balcão e "mostra a boca molhada e ainda marcada pelos beijos dela"
Que macho das antigas mata a cobra e bate com o pau no balcão, chifre de macho das antigas é coisa sagrada, com ele não se mexe nem se duvida. E se precisar, ele mostra até o bigode "cheiroso", também marcado pelos (grandes) lábios da ex. Que macho das antigas, da manga-rosa quer o gosto e o sumo, não está nem aí para os fiapos no meio dos dentes.
Negue é composição de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, gravada primeiramente por Nélson Gonçalves, em 1960. Depois do eterno boêmio, a canção foi regravada por "trocentos" intérpretes da MPB, de diferentes épocas e estilos musicais. 
Até Marcelo Nova, no início do Camisa de Vênus, de tendência punk à época, gravou Negue. Não gostei muito, Marcelo Nova imprimiu um tom de deboche à canção de Adelino, mas vale pela curiosidade e pela homenagem.
Mas, com certeza, a canção encontrou sua melhor e definitiva forma na voz de Maria Bethânia, foi imortalizada por ela. É como eu disse : coisa de macho!
Negue
(Adelino Moreira/Enzo de Almeida Passos)
Negue seu amor, o seu carinho
Diga que você já me esqueceu
Pise, machucando com jeitinho
Este coração que ainda é seu!

Diga que meu pranto é covardia
Mas não se esqueça
Que você já foi minha um dia!

Diga que já não me quer
Negue que me pertenceu
Que eu mostro a boca molhada
Ainda marcada pelo beijo seu.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Femen : O Que Elas Querem é Vara

Muita gritaria em torno do óbvio, o feminismo dos dias de hoje, se não em torno do nada; muita vociferação e bravata em torno do ululante, muita chuva no molhado.
E, lógico, muita passeata por direitos, muito sapato 44 bico largo, muito suvaco cabeludo e muito peito de fora, uma vez queimados os sutiãs.
Se não idiota (e aqui um SE bem grande), anacrônico, o feminismo dos dias de hoje. Não anacrônico em relação aos direitos que já foram conquistados, que esses devem perdurar para sempre, mas anacrônico justamente por isso, porque os direitos já foram conquistados.
Estão lá, garantidos pela Constituição, nossa Carta Magna não faz distinção de gêneros. Se eles são ou não respeitados, é outra história. Aliás, nesse aspecto, não são só os direitos da mulher que, muitas vezes, não são respeitados, são os direitos de todos os cidadãos comuns. Nesse caso, o que se tem a fazer é acionar judicialmente o infrator.
Que outros direitos iguais aos dos homens as feministas ainda acham que precisam conquistar? A igualdade constitucional está lá, preto no branco, se querem algo mais, aí já caímos no campo dos privilégios, da distinção, que, no fundo, é o que todo grupo que se organiza e se segmenta quer, vantagens. Que direitos ainda lhes faltam? Só se for o de ser homem, que é o que muita feminista gostaria de ser.
Feministas gritando em praça pública em pleno século XXI? Anacronismo puro.
E anacrônicas, as feministas são, num segundo momento, umas farsantes, umas embusteiras. Fingem ser revolucionárias de uma revolução que há muito já se deu, fingem fazer uma história que já foi feita, fingem lutar uma guerra que já foi travada, que teve seus mortos e feridos, mas também um território conquistado.
Continuar o berreiro por direitos, manisfestações públicas a atrapalharem o trânsito e o sábado, para quê? Não há sentido, pelo menos não por essas bandas daqui, o mundo ocidental.
A mulher já pode (e há tempos) estudar, trabalhar, votar, chifrar o marido etc. Aliás, mais que o direito, hoje ela tem a obrigação de trabalhar, a necessidade, não lhe é mais facultativo. Se fuderam! Puta tiro pela culatra!
Do ponto de vista de seus papéis dentro do sistema econômico, homens e mulheres são exatamente iguais, são igualmente mastigados, triturados e agrilhoados por ele.
Feminismo, hoje? Peça de museu!
Feminista, hoje, ou é aquela sapata revoltada por não ter nascido com um pinto, que quer cooptar umas bucetinhas tenras e incautas, ou é aquela encalhada, que não consegue uma rola para lhe apazigar os ânimos e os hormônios, que não consegue arrumar alguém que saiba lhe dar uma boa pirocada.
E para me defender e me escusar das acusações de machismo e chauvinismo, que certamente virão, apresento-lhes, como exemplo do que falo, Sara Winter, o símbolo máximo desse feminismo idiota no Brasil, ex-líder da filial tupiniquim do Femen ucraniano, expulsa recentemente pela matriz.
A propósito, a nova Sara Winter, a Sara Winter remodelada, a Sara Winter pós uma boa pistolada. Fora do grupo ucraniano e a namorar firme desde fevereiro com um homem que conheceu no carnaval, Sara desistiu do Femen, mas não desistiu de ser subcelebridade, que é o que resta aos sem talentos.
Sara anuncia agora a fundação de um novo grupo de ativistas, os BastardXs, lê-se bastardos, mesmo, o X é apenas para que não haja especificação dos gêneros masculino e feminino, uma vez que o grupo, pasmem, apesar de se declarar feminista, aceitará a adesão de homens.
"Mesmo que o topless dos meninos não choque tanto quanto os nossos, eles são agora bem-vindos", diz Sara Winter, já bem mais mansinha, mais dócil. O grupo, segundo Sara, já conta com três meninas e três meninos. Tá bom. Já dá para fazer um boa festinha, uma boa suruba.
E como nem só de protesto vive o homem (e nem só de suruba), os BastardXs serão uma firma reconhecida, com CNPJ etc. O primeiro projeto de Sara é comprar uma máquina de fazer camisetas e assim gerar uma renda mínima ao grupo. Camisetas? Logo camisetas? O que ela entende de camisetas, ela que vive de peitolas de fora? Só faltava lançar uma marca de sutiã. Podiam confeccionar chaveiros, adesivos, canecas para cerveja em forma de peitos, sei lá...mas camisetas?
Os BastardXs, pelo visto, será uma versão mais light do Femen; Sara afirma que não mexerão mais com religião, respeitarão o direito à fé. Está ou não está, a moça, muito menos radical, muito menos xiita? São as maravilhas de uma boa pistolada. Abaixo, Sara Winter em dois momentos, antes e depois do "tranco", no primeiro, ainda ativista do Femen, (des)vestida a caráter, tresloucada; no segundo, já decentemente vestida, a parecer muito mais com uma mulher, com microfone às mãos, a fazer uma declaração de amor ao noivo. 
Ela está ou não muito mais felizinha na segunda foto?
É o que sempre disse meu grande amigo, mestre, livre-pensador e extraterrestre, Odair : lagartão quer pitrica, e vice-versa.
E se Sara, em seu novo empreendimento, parar também de mostrar as muxibas, mais felizes ficaremos nós.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Venenos, Despenhadeiros, Panaceias e Asas Quebradas

Os alimentos,
Quando expirados seus prazos de validade,
Tornam-se danosos,
Letais, até,
Se botulínicos ou salmonélicos.
Os venenos,
À inveja dos primeiros,
Tornam-se inofensivos
Quando exalados seus últimos suspiros.
Não deveriam se tornar mais peçonhentos
Depois de estragados?
Remédios são venenos,
Que são elixires da longa vida.
Fungos são Lucrécia Borgia e Alexander Fleming.
O que significa, enfim,
Ser ineficaz
Ou eficiente?
De que vale o abismo
Sem a gravidade?
Sem alguém a lhe desafiar as bordas,
Sem se desafiar às bordas?
De que vale a madrugada
Se não posso mais me lançar a ela
Em meus voos bêbados e cegos?
Se não posso mais bailar pelos céus escuros
No meu tango de asa quebrada?

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Deus Te Ama

Do excelente blog Godless Comics. O Marreta recomenda!

Pequeno Conto Noturno (34)

Show de rock. Um dos últimos lugares em que alguém pensaria em procurar por Rubens. Um dos últimos em que ele próprio, Rubens, pensaria em estar.
Não por ser de rock, que o velho rock foi o único motivo que o fez andar e vir, que o velho rock ainda entorta a sua coluna cervical. Mas por ser um show, um amontoado de gente.
Acontece que a banda ao palco, em turnê comemorativa pelos 30 anos de carreira, fez parte da trilha sonora da tímida e misantrópica juventude de Rubens. Ele não resistiu aos uivos e ao arrastar de correntes do passado.
Rubens estava em fins da adolescência quando a banda estourou nas rádios FM; Calíope, talvez, a ingressar no pré-primário.
E é Calíope - hoje uma balzaquiana muito da gostosa e apetecível - que Rubens vê à sua frente, a se agitar e cantar junto com a multidão; Rubens, hoje um chamado homem de meia idade, classificação que nunca entendeu, pressupõe que todos atinjam os seus 96, 98, 100 anos de longevidade, Rubens nem espera ser amaldiçoado com tantos agostos assim.
Um reencontro por acaso, esse com Calíope, mas não uma surpresa. Sempre que sai de casa, seja para onde for, banco, farmácia, mercado, livraria, andar a esmo, Rubens imagina Calíope se interpondo em seu trajeto, cruzando com ele. Cinco ou seis anos desde a última vez...
Calíope está de costas para Rubens, acompanhada, Calíope sempre está acompanhada, um novo amigo, um novo namorado, ou, possivelmente, dessa vez, um marido, se não for coincidência os dois ostentarem parecido brilho metálico em suas mãos esquerdas.
Rubens não se aproxima, ainda. Aguarda por uma brecha, um interstício. Calíope e seu acompanhante bebem cerveja; em breve, ou a cerveja acaba e precisará ser reposta, ou a bexiga precisará ser aliviada ao banheiro, ou as duas coisas.
Duas ou três música depois e, pelo menos, uma delas acontece, a Rubens pouca importa qual, e Calíope fica sozinha.
- Ele foi comprar mais cerveja, ou mijar? - Rubens, sem dizer quem era, sem medo de que sua voz não fosse prontamente reconhecida.
- Comprar cerveja e mijar. - Calíope, sabendo a quem respondia, sem medo da voz que prontamente reconhecia.
- Pode ser um abraço, então? Daqueles de antigamente? - Rubens, como se estivesse estado com ela ontem, como se nada precisasse relatar dos anos ausentes, como se nada fosse importante a ponto de ser relatado.
E o abraço vem, de imediato, como se Calíope também tivesse falado com Rubens na véspera, como se nada tivesse se passado com ela nesses anos todos e que Rubens não soubesse.
Na verdade, haviam realmente se visto e falado na véspera, se veem e se falam sempre, quase todos os dias, em suas lembranças.
Calíope tem quase o mesmo porte de Rubens, mulher grande. Os peitos grandes de Calíope se ajustam perfeitamente ao de Rubens, magro e encovado.
"Me dê de presente o teu bis" - declama a banda no palco.
Trocam mais olhares que palavras, Rubens e Calíope. Ela convida Rubens a ver o resto do show com eles, ela e o marido, não haveria problema algum, ela garante, Rubens seria apresentado como um velho e grande amigo, talvez ela já tenha até mesmo falado dele ao marido, algumas vezes.
- Melhor que não - diz Rubens -, prefiro continuar ali atrás, olhando, para você, para suas formas, seus movimentos, seus peitos, imaginando lhe comer de todas as maneiras.
"Por que que a gente é assim?" - pergunta a eterna pergunta a banda ao palco.
Separam-se. O marido de Calíope retorna, dois ou três minutos depois.
Calíope passa o resto do show sabendo de Rubens às suas costas. Sentindo-se olhada, em suas formas, em seus movimentos, em seus peitos, sendo comida de todas as maneiras.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Eu Também Vou Querer Minha Carteirinha de Índio

Quando de minha adolescência, uma carteirinha de estudante com data de nascimento adulterada era dos objetos mais cobiçados por nós. Na época, a censura etária aos filmes exibidos nos cinemas era levada a sério, a ferro e fogo. Se o filme fosse classificado, por exemplo, para maiores de 14 anos anos, não adiantava você ter 13 anos e 11 meses, não entrava e pronto.
A carteirinha falsificada era um objeto quase mítico. Nunca tive uma, nem nunca conheci alguém que a possuísse. Era sempre um primo de alguém que tinha, ou um amigo do amigo de outra cidade. A carteirinha falsificada era uma lenda urbana da época. 
Nos recreios das escolas, circulavam maneiras e receitas de fazer a sua própria a partir da original, substâncias químicas milagrosas que apagariam a data a ser modificada sem deixar nenhuma marca ou rasura, o tipo correto de máquina de escrever para preencher a data falsa etc.
O fato é que o afortunado possuidor da carteirinha falsificada, fosse quem fosse, estava num patamar muito acima do nosso, ele tinha livre acesso a um mundo que só podíamos imaginar.
E que tal se você pudesse, mais que simplesmente a idade, alterar outras informações de seu registro civil de modo a obter regalias e privilégios que os comuns não têm? E que tal se você conseguisse uma carteirinha falsificada de índio?
Isso mesmo. Carteirinha de índio. Eu nem sabia que isso existia. Para mim, índio tinha certidão de nascimento, rg, cic etc. Mas não. Índio tem carteirinha de índio, o RANI - Registro Administrativo de Nascimento Índigena. Rani, não confundir com Raoni, o chato líder indígena a quem o outro chatíssimo cantor Sting carregou a tiracolo mundo afora nas décadas de 1980, 1990, feito mesmo um europeu a exibir um papagaio, uma arara, ou outro bicho exótico.
E para que ter um Rani ?, poderão perguntar alguns. 
Logo de cara, só para começar, de posse de tal documento, você seria considerado inimputável, ou seja, a lei não poderia lhe atribuir nenhuma responsabilidade por seus atos e, consequentemente, nenhuma punição,  pois você não tem discernimento do que faz. Às vistas da lei, você seria considerado como uma criança, ou como um retardado mental.
Ofensivo? Eu acho, o índio não. Ser inimputável vai muito além de ser julgado e, em seguida, absolvido por incapacidade, o índio nem chega a ser julgado, nem chega a enfrentar um tribunal. Ele pode cometer o crime que bem entender, desde assassinato (lembram de Paulinho Paiakan, o nosso bom selvagem?) até os costumeiros contrabando e tráfico de madeira, pedras preciosas e animais silvestres, que nada lhe acontece. Se um índio estuprar alguém, é liberado imediatamente pela lei, nem ele nem o pau duro dele sabiam o que estavam fazendo. A ideia de um Rani falsificado já começa a lhe parecer mais interessante, né?
Além disso, ter o Rani lhe dá direito à sua glebazinha de terra, você já nasce um latifundiário : 12,5% do território nacional estão nas mãos de pouco menos de um milhão de índios, 869 mil índios, segundo o último censo do IBGE. Bom, né?
Garante-lhe também os direitos a usufruir de todos os serviços públicos sem nunca ter trabalhado, sem nunca ter nada produzido, sem nunca ter contribuído com seus impostos, inclusive direitos previdenciários, ou seja, o índio tem  acesso real a tudo o que a Constituição diz garantir, mas não dá, ao cidadão comum. E sem trabalhar. Sem levantar o rabo da rede.
E agora? Seria ou não providencial um Rani falsificado? Bem melhor que a antiga e ingênua carteirinha da escola, não?
Segundo a Polícia Federal, foi exatamente isso, um Rani falsificado, o que conseguiu Paulo José Ribeiro da Silva, o Paulo Apurinã, que também atende (quando se lembra que tem um) por seu nome indígena, Caiquara.
Após um ano e meio de investigações, a PF indiciou Paulo José Ribeiro da Silva e sua mãe, Francisca da Silva Filha, por suspeita de falsificação de documento público.
E Paulo Apurinã não é apenas um índio falsificado, ele é O índio falsificado. Ele é porta-voz da indiarada do Mirream, o Movimento Indígena de Renovação e Reflexão do Amazonas, bonito, né? Por conta disso, Paulo Apurinã circula nas mais altas rodas de nossa política, é líder indígena conhecido mundialmente, chegou mesmo a ter com os caciques-mores da nação, Lula e Dilma, a quem presentou com cocares rituais de sua etnia. Picareta atrai picareta.
Falando em cocar, as investigações da PF em torno de Paulo Apurinã começaram justamente por causa de um. Em 2011, ele foi detido por desacato a um fiscal do Ibama e a um agente da PF no aeroporto de Manaus, onde tentava embarcar com um cocar feito das penas de uma ave ameaçada de extinção. Não é lindo ver como nossos bons selvagens vivem em harmonia com a natureza, não é lindo ver como são autossustentáveis e amigos do planeta?
Rani, todo mundo quer. E carteira de trabalho, o índio tem? Quer? Tem é que dar carteira de trabalho pra indiarada. E uma enxada de cabo bem pesado!
De acordo com Sérgio Fontes, superintendente da PF no AM, os Ranis falsificados de Apurinã e de sua mãe teriam sido conseguidos com a colaboração de uma funcionária da Funai, em 2007.
Com o Rani, a mãe de Apurinã conseguiu, entre outras coisas, ingressar como cotista no curso de turismo da Universidade Estadual do Amazonas. Com os contatos políticos do filho, logo, logo, ela será nomeada diretora-executiva da Embratur, não tenham dúvidas.
E é a própria mãe de Apurinã quem revela a origem de seus nomes indígenas, ele, Caiquara (o amado), ela, Ababicareyma (mulher livre). Como não fala, assim como o filho, o idioma indígena, retirou os nomes de um dicionário tupi-guarani de significados. Pãããããta que o pariu!!! E a Polícia Federal ainda tem coragem de levantar suspeitas a respeito da autenticidade étnica dos dois? Sacanagem.
Mas Paulo Apurinã diz que é índio, sim. A bisavó dele era índigena pura, portanto, ele é a terceira geração dos verdadeiros peles-vermelhas. Ora, porra, então eu também vou querer minha carteirinha de índio, também vou querer a minha parte nessa mamata. Minha bisavó paterna também era índia, daquelas que, dizem, foi pega a laço e tudo mais. Também vou querer minha terrinha para extrair madeira, pedras preciosas e vendê-las ilegamente.
Um dos critérios para a obtenção do Rani é o autorreconhecimento, o que quer dizer que a comunidade indígena tem de reconhecer a pessoa como índio; em caso de dúvidas, a  Funai deve pedir laudo antropológico, o que não ocorreu com Paulo Apurinã e mãe.
Agora que a merda estourou, que a canoa de Paulo Apurinã começa a fazer água, os seus amigos, os outros índios apurinãs, até agora por ele representados, começam a tirar o corpo fora, começam a dizer - a exemplo do nosso ex-presidente Lula - que de nada sabiam, que mal conhecem Paulo Apurinã.
"Precisamos saber qual é a linhagem dele para não sermos enganados.", diz o cacique apurinã José Milton Brasil, tirando o dele da flecha.
Mas acho que, nesse caso, a Polícia Federal está equivocada em suspeitar das legitimidades de Paulo e sua mãe, talvez esteja ocorrendo até uma injusta perseguição ao silvícola. 
Eu, depois de vê-lo, não tenho mais nenhuma ressalva em considerá-lo como um autêntico índio. Vejam a foto abaixo. É ou não é um verdadeiro indígena? Vejam se não é o próprio Peri, de José de Alencar, redivivo? Vejam se não é a própria força, coragem e bravura encarnadas, um Apolo tupiniquim?
E se, aos mais descrentes, a exuberante forma física de Paulo Apurinã ainda não convenceu, vejam só com que destreza ele maneja o arco e flecha. Essa mata em que ele se encontra não é algum rincão perdido da Amazônia, é o quintal de sua casa, vejam um muro ao fundo. E essa incrível biodiversidade de plantas ao seu redor? Corto o meu saco se ele souber o nome de alguma delas. De uma única que seja.
Eu também quero minha carteirinha de índio! E um cocar! E, lógico, um apito!!!

domingo, 2 de junho de 2013

Azarão, O Boca do Inferno dos Atuais e Tristes Tempos? (Ou : O Meu Muito Obrigado a Carla K)

Mantenho este blog, o Marreta, há mais de quatro anos, por uma razão básica : gosto de escrever. Gosto de ver uma ideia minha tomar a forma de um texto meu, seja a ideia boa ou ruim, seja o texto bom ou ruim. Gosto de ter ideias, fundamentalmente.
Sempre escrevi. Cartas a amigos, poemas, contos. Sempre gostei de travar contato com a palavra.
Foi quando me peguei sem tempo para uma escrita mais elaborada, como a de um conto, que surgiram-me com a sugestão do blog, seria uma maneira de não perder contato com a palavra.
Comecei, assim, o blog meio que de brincadeira, meio que sem saber nem como postar, formatar, botar figuras etc, comecei para escrever a meia dúzias de amigos, amigos que, eu tinha certeza, leriam-me e concordariam comigo.
Com o tempo, fui pegando gosto. Fui adquirindo prazer ver meu texto "publicado" num veículo, ainda que virtual. Os acessos ao Marreta foram aumentando, outras pessoas além dos meus quatro ou cinco amigos começaram a me ler - hoje, conto com um acesso médio diário de 250 visualizações.
Não é exagero dizer que o Marreta virou um vício para mim. Se passo dois ou três dias sem postar nada por aqui, começo a ficar inquieto, irritadiço, indócil. 
Se da minha profana santíssima trindade - cerveja, café e Marreta -, fosse-me imposta a escolha de única divindade a adorar, não teria dúvidas : abdicaria do sono tranquilo que a cerveja me proporciona, enfrentaria as retumbantes dores de cabeça que a ausência da cafeína me traz.
Ficar sem pensar, sem ter ideias, sem escrever, seria meu delirium tremens supremo.
Não bastasse o prazer pessoal que tenho de ver uma ideia criar forma, corpo e vida, volta e meia, tenho boas e reconfortantes surpresas que chegam através dos comentários feitos no Marreta.
Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, uma vez elogiou um texto meu, Da Inteligência e De Seus Usos, e recomendou o Marreta em seu twitter; um de meus poemas, O Criador de Gatos, foi lido por ninguém mais ninguém menos que Antônio Abujamra, em seu programa Provocações; mais recentemente, o jornalista consagrado e autor publicado José Pedriali publicou um texto meu, Caxirola : Agora a Taça do Mundo é Nossa, em seu blog e me mandou um e-mail dizendo, parabéns, você é craque; teve até um padre a elogiar meus escritos, e não um padre qualquer, o Prof. Pe Paulo, que é Mestre em Direitos Humanos pela UFPB e Doutorando em Direito pela UFPE; isso sem contar que boa parte dos meus 44 seguidores é composta de pessoas ligadas a jornalismo e  literatura.
Ontem, chegou-me outro elogio, dos maiores que pode haver.
Assinando Carla K, ela escreveu o seguinte:
"Olá, Azarão!
Gostaria de parabenizá-lo pelos textos, sou uma grande apreciadora da leitura e os seus me chamaram a atenção principalmente pela argumentação ousada. Para você ter uma ideia, achei-os tão interessantes, que outro dia levei um deles para a sala de aula (sou professora de português) o CAXIROLA: AGORA A TAÇA DO MUNDO É NOSSA. Como estou trabalhando com o período literário do Barroco, no Brasil, achei interessante levar para os alunos uma versão atual do Gregório de Matos Guerra (apelidado na época de "boca do inferno"), então apresentei você como o "boca do inferno da atualidade", não sei se lhe apetece o título, mas foi com boa intenção! Resultado: Os alunos aprovaram seu texto e ficaram surpresos com sua coragem em expor determinadas opiniões que nem todo mundo se atreve a divulgar. Referenciei seu texto devidamente, é claro, e sugeri que os alunos acessem seu site com mais frequência. Espero que você ganhe mais leitores com isso, pois eu já faço parte da lista. Sucesso pra você! Carla K"
Pããããta que o pariu!!! Se me apetece ser chamado de O Boca do Inferno, o expoente máximo de nossa poesia barroca, que desancava o clero e a nobreza?
É claro que me apetece, Carla K. É elogio em exagero, inclusive. Mas assim é que bom, elogio justo não chega a ser elogio, é apenas um reconhecimento. Elogio bom é feito o seu, exagerado, elogio superfaturado.
Aliás, não é a primeira vez que alguém da área de letras me relaciona com o Barroco. Em comentário a um texto meu, Um e Outro, Luiz Filho de Oliveira, do excelente blog Deleituras, poeta de verdade, disse : barroquisticamente moderno.
Gosto de escrever, sempre gostei, e tento fazê-lo da maneira mais correta que consigo, acho importante escrever corretamente, obedecendo ortografia, pontuação, concordâncias, regências etc, das quais nada sei, confesso; minha formação não é na área, mas sempre que escrevo, consulto dicionários, gramáticas e tabelas de conjugações verbais. Muitas vezes, muitas mesmo, fico em dúvida sobre a construção dessa ou daquela frase.
É bom ver que, se não acerto sempre, parece que tenho acertado bastante. 
Obrigado, de novo, Carla K. Só não sei, sinceramente, se o Azarão fará muito bem aos seus alunos... coitadinhos. Abraços.

Austrália Proíbe Peitinhos

A Austrália, terra de cangurus, coalas, ornitorrincos, aborígenes e outros bichos estranhos, baixou uma proibição que está a causar celeuma nos bastidores da indústria pornô do país : proibiu que os filmes sejam realizados com atrizes de peitos pequenos - a mesma censura vale para a pornografia impressa.
O Conselho de Classificação Australiano considera por demais imoral e pernicioso o fetiche por peitos pequenos.
Confesso que achei estranho. Não a proibição. O fato de haver um público-alvo para peitos pequenos, de existir um contingente de punheteiros que tenha tesão em pequenas mamas.
Claro que o cara pode gostar, apaixonar-se, amar uma mulher de peitos pequenos, assim como tem muita mulher casada com cara de benga minúscula. Mas aí é outro caso, gosta-se da pessoa, do caráter dela, do humor, da inteligência, do remelexo, da companhia; os peitos pequenos vêm junto com a bem-amada, é só parte dela e, diga-se a propósito, a menos importante.
Agora, o cara imaginar um par de minitetas, isoladamente, desvinculado de qualquer pessoa, rosto ou corpo, e ficar de pau duro, parece-me mesmo perversão em grau que não concebo.
Se é no Brasil, a putada já estaria em pé de guerra, já haveria ONGs a defender as malfornidas, um MSP (Movimento das Sem Peitos) a reivindicar cotas, desapropriação dos latiúberes improdutivos e bolsa-silicone. E conseguiriam, que o que mais tem nesse país é dinheiro para safado e vagabundo, só não tem para quem trabalha.
O Conselho de Classificação Australiano justifica sua ação por considerar que atrizes de peitos pequenos podem aparentar idade inferior às suas reais, inferior, inclusive, aos mínimos 18 anos necessários para se fazer filmes de arte. As atrizes de peitos pequenos, sugerindo que são menores de idades, estariam não só apoiando, mas também incitando a pedofilia.
Faz sentido. De fato, faz sentido. Ter peitos pequenos como objeto direto e único de seu tesão, só pode mesmo revelar um certo desvio sexual.
Aproveitando o ensejo, deixo aqui uma sugestão ao Conselho de Classificação Australiano, uma extensão a esse veto, um adendo à tal lei, que é, na verdade, uma bandeira de luta que carrego há tempos, uma cruzada pessoal : à proibição aos peitos pequenos, outra deveria se juntar, às bucetas depiladas.
Que sobre as mamicas, ainda não estou de todo convencido, mas a respeito das xanas raspadas, não tenho mais dúvidas : quem tem tesão em perereca lisa só pode ser pedófilo! 
Há mulheres adultas de peitos pequenos; e adultas sem pelos na xavasca? Aí, não tem jeito. É pedofilia pura.
Os australianos estão certíssimos. Parabéns ao governo australiano.
Pornografia é para pessoas saudáveis, não para degenerados.

sábado, 1 de junho de 2013

Uma Elegia À Cláudia Ohana (16)

"Ela tem um jeito de andar 
(Só pra o vento, só pra o vento)
O cabelo esconde o seu olhar 
(Só pra o vento, só pra o vento)
Eu me lembro da primeira vez,eu sempre vou lembrar
Vinha contra o vento na beira do mar"