sábado, 19 de outubro de 2013

A Piscina da Medusa

Existem muitas coisas estranhas e curiosas espalhadas por essa diminuta vastidão a que convencionamos chamar de planeta Terra.
O fotógrafo inglês Nick Brandt, ao registrar imagens do lago Natron, no norte da Tanzânia, como parte do material de seu livro, Across the Ravaged Land (Por toda a terra devastada), deparou-se com criaturas assustadoras, tétricas, com cadáveres petrificados de várias espécies de aves aquáticas e até de morcegos calcificados, autênticas múmias de giz.
O bizarro e raro fenômeno é causado pela composição química muito peculiar do lago. Suas águas são ricas em sais de cálcio - sobretudo carbonatos e oxalatos - e em hidróxidos, que lhes conferem um pH altamente básico ou alcalino, em torno de 10,5. Para quem não sabe, eu garanto, isso é básico pra cacete, é um pH próximo ao do amoníaco. Como se não bastasse, localizado próximo ao vulcão Gelai, de cujas cinzas herdou sua alcalinidade e concentração salina, suas águas têm temperaturas em torno dos 60ºC.
Ninguém sabe ao certo como esses animais morrem, mas tudo leva a crer que os sais dissolvidos na água fazem com que ela reflita muita luz, transformam-na num espelho líquido, o que desnorteia os pássaros, que acabam por colidir com a superfície do lago, como quem bate em uma vidraça.
O cáustico pH corrói imeditatamente tudo o que é orgânico no bicho, paralela e rapidamente o orgânico corroído é substituído pelo cálcio dos sais ali dissolvidos. Resultado : uma estátua em calcário do que antes foi uma ave.
Ou seja, o lago transforma em pedra qualquer animal que o toca.
Minha memória, entidade com vontade própria, autônoma, independente e desvinculada de mim, porém, presa, ela mesma, à sua própria memória, também à parte dela, feito um fractal de reminiscências, não consegue escapar do clichê : acorre ao mito da Medusa, cujo olhar petrificava a todo e qualquer homem que ousasse fitá-lo; aferra-se, bezerro desmamado, aos seus peitos basálticos e aos seus cabelos neurotóxicos.
A Medusa era a caçula das irmãs Górgonas, a única mortal delas, e a mais tesuda. Ao mesmo tempo, aterradora e tentadora, a Medusa.
Serpentes de bocas sequiosas e línguas enforquilhadas brotavam de sua cabeça, em lugar dos cabelos. Queratina morta - a dos cabelos - trocada por queratina a revestir perigosa vida - as escamas das cobras. Coisa e capricho mesmo dos deuses, filha que era do incesto entre Phorkys e sua irmã Keto, divindades marinhas pré-Posseidon.
Os mitólogos mais corajosos e menos politicamente corretos (que é um dos outros nomes para covarde) afirmam que cobras de olhares petrificantes substituíam, igualmente, outros cabelos da Medusa, além dos da cabeça : pequenos e delgados ofídios também fariam à Medusa as vezes de pelos pubianos. Cobras na buceta, pentelhos peçonhentos.
O negócio, então, era, julgo eu, o cara ir ao encontro da Medusa com uma venda bem justa e amarrada e deixar que apenas o pau "encarasse" as temíveis cobras, as da xavasca da górgona. Na hora, o pau se tornaria duro feito pedra, literalmente. 
Esse era o verdadeiro poder dado pelos deuses à Medusa : nenhum homem jamais brochou com ela. Morram de inveja, mulherada. Roam-se de inveja, mulheres desses tristes tempos de homens sensíveis e metrossexuais, desses tristes tempos de xanas e sacos depilados.
Não me custa nada elocubrar um pouco e supor que o lago Natron fosse o lugar onde Medusa se banhasse e lavasse as suas bastas cabeleiras, as duas. E que, ao longo do tempo, por contato indutório e mágico, as suas águas tivessem sido impregnadas pelos fios mortos da cabelereira da Medusa, pela caspa feita de escamas de seu couro cabeludo, por sua secreção vaginal proteolítica, e resultado no que o Natron é hoje : um lago de águas petrificantes.
Não duvido que, a exemplo das estâncias hidrominerais de águas curativas e das lagoas de solos argilosos com propriedades esculápicas, o lago Natron torne-se, também, um balneário de águas milagrosas.
O que vai ter de velhos do mundo inteiro indo banhar suas partes baixas em suas miraculosas águas, não está escrito em gibi nenhum.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Instantâneos De Um Saudoso e Remoto Passado (4)

 "Mantenha sua casa limpa enquanto mantém seu peso."
(publicidade do cereal TOTAL, que garantia fornecer todas as vitaminas necessárias para que a dona de casa bem desempenhasse suas funções, com muita disposição e alegria. De quebra, o exercício da faina diária ajudava a prendada e dedicada esposa a manter a boa forma para o maridão. Bem melhor que academia, mulherada!)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Não Sabe Brincar, Não Brinca (Ou : Tristes e Canalhas Tempos do Politicamente Correto)

Havia uma brincadeira muito comum em meus tempos de escola, brincadeira que, espero, ainda resista e subsista pelas escolas primárias espalhadas por esse Brasilzão afora.
A molecada - e moleque é o bicho mais filho da puta que existe - pegava uma folha de papel e a grudava com fita adesiva nas costas dos colegas menos atentos. Na folha, dizeres do tipo : "passe a mão na minha bunda", "chute o meu rabo", "eu sou viado" (viado, mesmo; que não tinha isso de gay ou homossexual naquela época), "eu uso as calcinhas da minha irmã", e por aí a coisa ia.
Quem era pego na brincadeira ficava meio envergonhado, mas muito mais puto da vida, e não havia maiores traumas, a preocupação da "vítima" era, logo em seguida, sair à caça de um novo otário, passar a brincadeira adiante.
A gente chegava no colega e, como quem não queria nada, punha a mão nas costas dele, dava uns tapinhas amistosos e pronto : o papel estava grudado. Muitas vezes, já colei dessas folhas nas costas de colegas meus; da mesma maneira, muitas vezes, minhas inocentes costas já foram outdoors para essas injuriosas tabuletas.
Hoje em dia não pode! É proibido! É bullying! Pais, diretores, professores, coordenadores, todos são convocados para tratar de tão grave crime; extensos e cansativos processos burocráticos chegam a ser abertos em alguns casos.
Traumatiza, diz a canalhada que atende pelos nomes de psicólogos, sociólogos, peidagogos etc. Prejudica o desenvolvimento cognitivo do aluno, suas habilidades psicomotoras, interrompe o seu processo de socialização, causa danos irreversíveis à sua capacidade de interagir com o meio, e outras tantas idiotices que só poderiam de fato sair da cabeça de desocupados e fazedores de falsa ciência.
Não duvido nada que  um dia - se é que isso ainda não aconteceu - advogados venham a se valer de mais esse ardil canalha para atenuarem as penas de seus defendidos : "meu cliente matou, estuprou, é um psicopata, porque na escola colocaram um papel nas costas dele dizendo que ele era bicha, ou que ele queria um chute no rabo etc." Advogados, psicólogos e peidagogos são dos grandes cancros do planeta.
Pois eu digo que é justamente o contrário! Esse tipo de brincadeira só aprimorava as nossas destrezas. Tínhamos que ficar espertos, aguçar nosso instinto de sobrevivência, para prever a proximidade do predador e evitar a sua ação, para não mais passarmos por manés; ao mesmo tempo, se quiséssemos descontar a brincadeira em outro - e lógico que queríamos - também precisávamos lapidar nossos dons de aproximação furtiva, nossos talentos de caçadores.
E o principal aprendizado que essas brincadeiras nos proporcionava : aprendíamos desde cedo, de forma lúdica (como gostam de dizer os peidagogos, eles até gozam quando dizem lúdico), que não devemos dar as costas ao tal do ser humano, que sempre devemos manter uma boa dose de desconfiança para com nossos semelhantes, que por mais amigo que alguém possa parecer, um dia, por necessidade, ou pela simples oportunidade de, ele acabará por puxar nosso tapete.
Sobreviver às brincadeiras escolares por conta própria, sem correr à barra da saia da mãe, do diretor e do coordenador peidagógico (triste e inútil figura que nem existia à época), era como receber uma condecoração de guerra, uma Grã-Cruz de Ferro.
Vai daí que um funcionário, ainda não identificado, da empresa aérea australiana Jetstar resolveu matar saudades de seus tempos de escola, de suas picardias estudantis. Usando etiquetas adesivas, daquelas em que se escrevem os nomes dos passageiros nas bagagens, o número do voo, o número da poltrona etc, ele compôs a seguinte mensagem na mala de um passageiro: "I am Gay", ou seja, "Eu sou uma bichona".
O passageiro estava lá, pacientemente a esperar por sua mala naquela esteira giratória e ela aparece com essa surpresa. Muito bom! Genial!
O passageiro não é gay, é casado, tem dois filhos e diz se sentir "enojado" com o ocorrido. Enojado? Só por isso? E ainda diz que não é gay? A empresa instaurou uma séria investigação na busca pelo gaiato e promete que cabeças vão rolar.
Pãããããta que o pariu!!! Em tempos do canalha politicamente correto, brincar virou crime federal, quiçá inafiançável.
Se fosse comigo, eu também exigiria a abertura de uma investigação por parte da Jetstar, eu também quereria conhecer o responsável pela molecagem. Mas não para, em nome de minha honra (que palhaçada), impor a ele um pedido de desculpas, tampouco determinar sua demissão sumária. 
Quereria conhecê-lo para sentar com ele num bar e tomarmos umas geladas. O cara deve ser uma figura, daríamos boas risadas, tenho certeza.
E à despedida, já tornados em amigos (bêbado faz amizade com uma facilidade...), eu o abraçaria e daria amistosos tapinhas em suas costas. Amistosos, sim; porém, nada inocentes. Ele iria para casa com uma folha de caderno grudada nas costas : "Eu quero um pinto pra chupar!"

Ao Mestre, (Um Pau No Cu) Com Carinho

Hoje (ontem) foi o Dia do Professor. Eu havia me prometido que nada colocaria aqui a esse respeito, mas tantas foram as reportagens (falsamente) elogiosas aos mestres, tantos foram os artigos de jornais e programas de televisão laudatórios, que eu vou trair a mim mesmo, aliás, como sempre faço - sou meu maior cafajeste e corno de mim mesmo.
Elogio e tapinha nas costas, eu quero que enfiem no cu! Eu quero é salário digno e respeito. Muito mais salário digno, que respeito de outrem é para quem tem baixa autoestima. Quero salário digno e leis que imponham medo ao aluno e aos seus pais - o medo, o cagaço, é a forma mais eficiente de respeito.
Dia do Professor, grande bosta. Não sei se alguém já percebeu, mas, pelo menos no Brasil, sempre que um dia é dedicado àlguém ou àlguma classe, é porque o objeto da homenagem já foi devidamente massacrado : dia do índio, dia da árvore, dia do saci etc etc.
Aqui é assim, primeiro arrebentam as suas pregas, depois lhe dedicam um dia.
Sem saco para escrever longos textos, fiz um apanhado de notícias que ilustram bem a consideração que os governos ( e também a população) guardam pela figura do professor.
Comecemos pelos salários, pelos pisos pagos por alguns dos principais estados da nação que é a sexta economia do mundo. Os valores a seguir correspondem à jornadas de 40 horas/semana:
R$ 1075,28 (AL), R$ 1445,34 (RO), R$ 1451,23 (BA), R$ 906,87 (AC), R$ 1567,00 (SC), R$ 900,04 (RN), R$ 946,46 (PR), R$ 1140,00 (MG).
Esses são valores brutos, que caem bastante depois dos descontos de imposto de renda, previdência etc. E são os valores oficiais, os divulgados pelos órgãos oficiais, que podem ser bem menores na realidade.
A exemplo, falarei do que sei na prática : o governo de SP garante que a paga mínima por 40 h/semana para um de seus professores é de R$ 2600,00. Pois vos digo que estou no estado de SP há 18 anos, com alguns quinquênios e outros acréscimos, e não recebo essa quantia.
Como se não bastasse, os governos ainda acham que pagam muito aos professores. Na iminência de um reajuste dos salários dos mestres, vejam as manchetes sobre as reações dos governos:
Governadores se unem por reajuste menor do piso de docentes - Folha de SP, 23/09/2013;
Governadores são contra aumento de 19% no salário dos professores - Portal G1 de Notícias, 24/09/2013;
Piso nacional dos professores: Estados defendem reajuste menor em 2014 - notícias Terra, 23/09/2013.
Fosse "só" a desvalorização do professor por parte de seu patrão, daríamos conta; fossemos valorizados, ainda que "apenas" moralmente por aqueles a quem verdadeiramente servimos - o aluno e sua família -, estaríamos mais contentes. Mas nem por esses somos considerados de alguma valia. Vamos a uns poucos fatos noticiados, apenas alguns, muitos mais existem, fucem pela net e se horrorizem.
Quase metade dos professores de SP já sofreu agressão na rede pública - Jornal O Estado de São Paulo, 12/08/2013;
Agressões fazem parte da triste rotina do professor brasileiro - A Gazeta do Povo, 02/07/2013;
Professor, profissão perigo - Aumentam os casos de agressão física e psicológica a docentes brasileiros nas escolas particulares e nas universidades - Revista Isto é, 13/04/2012;
SP registra 217 agressões a professores em um ano - Notícias Terra, 02/08/2011.
E aí vêm com um Dia do Professor? Enfiem esse feriado no cu!
E depois querem que o professor ensine Português, Matemática, Biologia, Física etc? Querem também que ele dê, ao aluno vagabundo, ao marginalzinho, a educação que os pais não deram. Querem que o professor seja babá de filhos de pais ausentes. Pior : querem que ele ensine moral e ética, e, disparates dos disparates, querem que o professor forme um cidadão.
O que um professor sabe de ser um cidadão? O que alguém recebendo salário de fome e o desprezo geral da população sabe de ter sua dignidade assegurada?
O problema é que o professor é o mais burro dos seres. Algum dia, alguém lhe disse que sua profissão não é profissão, é missão, é sacerdócio. E ele acreditou, e ele achou isso bonito, missão, sacerdócio, sofrimento. Sacerdócio é o cacete; abnegação e provação são as putas que lhes pariram.
A tal educação só conhecerá chances de melhora quando o professor começar a tratar o Estado, as famílias e os alunos, da mesma maneira com que é tratado : com frieza e indiferença; em suma, com profissionalismo frio e cirúrgico, feito o dos médicos, para quem os pacientes são apenas mais um processo burocrático, e não, cada um deles, um amigo, um familiar. O professor acha que tem que ser amigo, aí é que ele se ferra; amigo de seus inimigos, aí é que ele se desgraça de vez.
No dia em que o professor começar a chegar em sua escola, como quem chega em um cartório de despachos, e simplesmente assinar seu ponto de presença e cumprir suas oito horas diárias, sem envolvimentos de ordem pessoal nem laços afetivos, talvez ele comece a ser notado. 
Ou seja, no dia em que o professor começar a tratar o Estado e a população da maneira com que é tratado, talvez as coisas melhorem. No dia em que o professor começar também a tratar o aluno com indiferença e cinismo, ele ensinará que o desrespeito dói, e o ensino da dor é a maior herança que se pode legar. Falta de educação se combate com porrada, não com educação, pois quem dela não é portador, não é capaz de reconhecê-la, ou de valorizá-la.
No dia em que o professor começar a retribuir toda a injustiça que recebe, talvez as coisas comecem a melhorar. Talvez. 
Antes disso, mulher de malandro é adjetivo por demais elogioso ao professor.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O Céu Existe

Por alguma razão que desconheço, a tirinha não coube inteira na posição horizontal, como originalmente publicada na Folha de São Paulo de hoje, 15/10.
Tentei utilizando vários tamanhos, mas não houve como. Acontece que ela é muito boa, eu não poderia deixar de postá-la, e o único jeito que consegui de reproduzi-la por inteiro foi assim, na vertical. Eu cortei a tirinha e remontei.
Níquel Náusea é personagem de Fernando Gonsalez, publicado diariamente no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo.
Sim, idiotas de todas as religiões, o céu existe.

Alternativas

Porque a mentira está aí,
Feita em salão de espelhos,
Feita em mundo.
E ao leal
Só resta
Ou também mentir
Ou, caso contrário,
Ser tomado por mentiroso.

Porque a piada está aí,
Feita em drama diário.
Só rirá
Quem dela não entender patavina
E ao sério
Só resta
Ou também rir da tristeza
Ou, senão,
Tornar-se em triste motivo de riso.

Porque as pessoas estão aí,
Aos enxames.
Porque ao sóbrio
Só resta
Ou se embebedar
Ou aderir à demência coletiva.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Imagine There´s No Lennon

Em relação à música, sou xenófobo assumido. Nunca gostei de música estrangeira, rock, pop, disco, country, nada, nada.
Apenas duas honrosas exceções : The Doors e Frank Sinatra.
Nutro ainda certa simpatia pelos Rolling Stones, mas não os ponho para tocar na minha vitrola ou toca CD, a simpatia é mais pelas personagens Jagger e Richards que propriamente por suas composições.
Os tais Beatles, então, nunca entendi a idolatria em torno deles. Parece-me que equivaleriam, hoje, às tais boys band, um grupo de rapazes vestidos de acordo com a moda, comportados, tocando seus instrumentos e sorrindo para as câmaras.
Sobre os Beatles, Caetano Veloso disse recentemente : "Ouvir Beatles era como ouvir hoje Justin Bieber". Caetano, é notório, diz muitas besteiras, mas com essa besteira dele, eu concordo. Para mim, os Beatles sempre tiveram cara de uma embalagem colorida de sabão em pó, e com conteúdo tão pulverizado quanto.
E de todos os Beatles, o que sempre me foi mais insuportável, o que sempre me soou como o mais embusteiro : John Lennon. John Lennon era o famoso babaca, o que hoje chamamos de politicamente correto. John Lennon foi politicamente correto antes do termo existir. Era o famoso cagador de regras, o guru dos idiotas.
Era metido a entender de política, quando, na verdade, não entendia porra nenhuma. Suas declarações políticas pareciam ter sido tiradas de biscoitos chineses da sorte. Sua canção mais cultuada, Imagine, é apenas isso, uma canção, longe de ter os grandes significados que os ainda mais estúpidos que Lennon insistem em lhe atribuir.
Era metido a intelectual, a homem das artes, quando, na verdade, só o que sabia fazer era disparar meia dúzias de citações de livros que leu pela metade, talvez só as orelhas. O mais próximo que chegou das artes foi quando comeu a Yoko Ono. John Lennon, admitamos, tinha estômago forte; e Yoko, em dobro. Os dois, convenhamos, formaram um dos casais mais escrotos do mundo artístico.
Livre-pensador é o cacete. Era um inseguro e vazio de personalidade, fazia o que a moda mandava, usou roupa de couro e topete - quando era moda usar roupa de couro e topete -, foi pop - quando a moda era ser pop -, foi hippie - quando a moda era ser hippie- e assim por diante.
Resumindo : The Beatles sempre me pareceu uma banda para ser tocada em festinhas dançantes de adolescentes idiotas, e John Lennon, um grande merda.
E não é que agora, através do excelente site HypeScience, eu fico sabendo que minhas desconfianças a respeito do mito Lennon não só são verdadeiras como também estão muito além do que eu imaginava? Lennon foi um farsante muito maior do que eu jamais supus, e olha que eu já o considerava um dos maiores enganadores da história. Lennon foi um canalha dos grandes.
Reproduzo abaixo a reportagem com 8 fatos que os fãs de Lennon preferem não saber.

8 Fatos desagradáveis sobre John Lennon que os fãs preferem não saber
"John Lennon é visto por muitos como um rebelde, um filósofo, quase um santo, alguém que inspira muita gente.

Mas o homem por trás da lenda é bem diferente. Conheça Lennon e saiba por que ele não deveria servir de modelo para ninguém:
8 – Espancador de mulher
Não há o que discutir, o homem que simboliza paz e amor batia na esposa. John Lennon confessou e está documentado até os tempos de Liverpool, ele batia na esposa Cynthia e Yoko Ono. Como todo homem que bate na mulher, ele provavelmente deve ter brutalizado outras mulheres.
7 – Abusava emocionalmente de seu filho
Sua maior vítima foi sem dúvida Julian, resultado de uma gravidez indesejada que arrastou John para uma vida e responsabilidade para as quais ele não estava preparado. Tanto Julian quanto sua mãe Cynthia afirmaram em várias ocasiões que John era alternadamente ausente, indiferente, abusava de drogas, e em geral uma pessoa desagradável de ter por perto durante a primeira infância de Julian. Depois do divórcio de Cynthia, John desapareceu da vida de Julian por um tempo. Depois que voltaram a ter contato, John abusou emocionalmente do menino, repreendendo-o e gritando com ele até levá-lo às lágrimas. Uma vez Julian riu e John gritou “Eu odeio a maneira que você ri!”. Julian ainda não era adolescente na época. Na declaração que talvez seja a mais triste sobre John, Julian disse mais tarde que Paul McCartney era muito mais um pai para ele que seu pai verdadeiro.
6 – Mentiroso patológico
Ele simplesmente inventou muita coisa sobre a própria vida, e simplesmente por egomania, tentando parecer melhor do que era. Todo mundo faz um pouco disso, mas John Lennon chegou a extremos. Disse que era da classe trabalhadora de Liverpool, quando na verdade foi criado em um lar de classe média, e durante os primeiros anos de seu sucesso ele negava ser casado. Ele alegava ter se apaixonado à primeira vista por Yoko Ono em um show de arte, quando na verdade ela o seguiu por muito tempo até que ele cedeu aos avanços dela. Ele alegou ter perdido o interesse nos Beatles devido às inclinações de Paul à música pop, seu papel dominante no grupo e o desejo de fazer música de vanguarda fora do grupo, quando na verdade ele praticamente abandonou a banda nos dois últimos anos por causa de seu vício em heroína. Todos comportamentos embaraçosos, mas que a maioria dos artistas tinham nos 60 e 70.
5 – Separou os Beatles
Diferente da lenda que diz que a banda se separou espontaneamente, ou que foi Paul quem a dividiu, mas aparentemente foi John a gota d’água. A banda não ia bem, e John anunciou que estava deixando a banda em uma reunião que era para ser um encontro de rotina. A saída de John jogou um balde de água fria sobre o grupo, e em um ano o obituário foi escrito.

4 – Ignorante em política
John nunca fez nada de nota nesta área, exceto posar para fotos e dar declarações, sendo considerado pelos radicais que cultivava um poser ignorante, e as poucas coisas que fez, que era publicidade e dinheiro para o Black Panthers, um grupo radical e violento, não é algo para se orgulhar.
3 – Não tinha talento
Talvez este seja o ponto mais subjetivo da lista, afinal os fãs não vão concordar que ele não tinha talento. Mas dá para considerar que ele tinha pouco talento. Como guitarrista era apenas mediano, preso apenas aos ritmos mais simples, e sua habilidade com o piano não era muito melhor. Sobre as letras das músicas, ele de fato escreveu algumas, mas muita gente acha que conforme o tempo passa, suas palavras vão ficando mais vazias e ultrapassadas. O sucesso delas deve-se mais ao excelente trabalho de George Martin e dos outros Beatles que ao talento de John Lennon.
Olhando para a herança dos Beatles, pode-se argumentar que Paul MacCartney e George Harrison tinham mais talento que John para escrever músicas. John estava se afastando e praticamente não tem nada dele no álbum Sgt. Pepper, e no filme Let it be, vê-se muito mais um Paul tentando motivar um John que claramente não queria estar ali. Quanto à carreira solo de John, você consegue lembrar o nome de alguma música de “Sometime in New York City”?
2 – Sem personalidade
Há quem considere John Lennon um conformista, e não um livre pensador seguindo seu próprio caminho. Ele estava tentando se enquadrar em grupos o tempo todo. Quando o visual popular era o teddy-boy, lá estava ele de jaqueta de couro e topete. Depois era o corte pop bonitinho. Depois o visual hippie. Depois o hipster furioso vanguardista. Nunca terminava. Tudo que ele fazia, das declarações políticas à roupa que usava, era uma tentativa de se enquadrar em alguma contra-cultura ou sub-cultura que já existia.

1 – Hipocrisia
Este ponto talvez seja o mais difícil de falar sobre Lennon, principalmente por que seu assassino havia dito que este era o principal motivo por tê-lo matado: John Lennon era o exemplo vivo do ditado “faça como eu digo, não faça o que eu faço”. Tudo que é preciso é ver as letras de suas canções. O cara que cantava “imagine no possessions” (“imagine não existir posses”) vivia uma vida de milionário em um hotel elegante em Nova Iorque. O cara que cantava “imagine no religion” (“imagine não existir religiões”) era obcecado por todas as modas New Age que apareciam, incluindo meditação Hindu, I-Ching e todo tipo de astrologia. O homem que cantou “all you need is love” (“tudo que você precisa é amor”) era amargo, violento e abusou da família e amigos. O homem que se vangloriava de não ter “nada pelo qual matar ou morrer” ajudava a financiar e dava publicidade a grupos radicais que advogavam o uso da violência. Praticamente tudo que os fãs personificam no ícone John Lennon são ideais que ele parece não ter abraçado."

sábado, 12 de outubro de 2013

Cláudia Ohana Declara : Eu Raspo a Buceta!

Os prognósticos maias para o fim do mundo em 2012 não se cumpriram. Antes tivessem se.
Pois muito mais triste que a implosão abrupta de uma era, que o estabacar, sem chances de fuga, de uma civilização, é a lenta corrosão e o ruir de seus valores fundamentais, dos sustentáculos que a definiram como tal, dos alicerces que a fizeram figurar, e fulgurar, na fugaz história humana.
Antes uma morte súbita que um definhar anunciado.
Hoje, através do blog do excelente Xico Sá, tomei ciência de mais um desses sinais de um fim do mundo lento, sofrido, sem a menor misericórdia nem morfina para aliviar : Cláudia Ohana raspa a buceta !!!!!
Pããããta que o pariu!!!
Cláudia Ohana, a belíssima Cláudia Ohana, é a musa das matas equatoriais : quentes, úmidas, suarentas, cerradas, quase que impenetráveis - ainda bem que quase. É a diva das matas virgens - e que só a mata seja virgem, por favor. 
Quem é da minha geração - os punheteiros que hoje estão entre os seus quarenta e tantos e cinquenta e poucos anos - jamais conseguiu - nem tentamos, aliás - tirar da mente a imagem da exuberância capilar da buceta da Cláudia Ohana, mostrada pela revista Playboy na já clássica edição de 1985.
Era pelo para tudo quanto é lado, tomando-lhe o baixo ventre até quase o umbigo, alastrando-se pela parte interna das coxas, uma delícia - perto de Ohana, a modelo de Courbet no quadro A origem do mundo era uma jovenzinha imberbe.
Pois agora, em entrevista à Fernanda Lima, no programa Amor & Sexo, Ohana disse que depila direitinho a sua icônica xavasca!!! 
E senti até certo requinte de crueldade na declaração da bela ex-cabeluda : “Acho que muita gente vai ficar frustrada em saber, mas eu me depilo!”   
Frustrado? Frustrado é coisa de viadinho. Fiquei foi broxado, que broxar é coisa de macho!
Disse que depila sem excessos, mas depila. Terá Ohana aderido definitivamente ao hediondo politicamente correto genital, à estética do "limpinho"? Estética que só pode agradar a dois tipos de gente : às senhoras com falsas ilusões de juventude e aos homens com fortes pendores para a pedofilia.
Porque macho das antigas, macho de respeito, gosta mesmo é de um novelo de lã ali posto, de um pulôver a agasalhar o sempre friorento, e à procura de um toca, cacete. Macho de verdade gosta de pelo para se enroscar aos seus pelos (cara que gosta de buceta lisinha, tenho certeza, também depila o saco e o cu), gosta de todas as secreções e viscosidades a se misturarem e grudarem e secarem nos pelos. E tomar banho logo depois, nem pensar, tem que deixar tudo secando ali, marinando, incensando a alcova.
Cláudia Ohana disse que raspa a buceta!!! Meu mundo caiu!!!
Muito desse desastre é responsabilidade dos poderes públicos (ou púbicos?). Há tempos que a buceta de Ohana deveria ter sido declarada Reserva Ambiental da Humanidade. Deveria, inclusive, por decreto federal, por decreto imperial se preciso fosse, ter sido revogada a condição de buceta da genitália de Ohana, deveria ter-lhe sido outorgado, com publicação em Diário Oficial e tudo, o status de Parque Nacional. De vegetação intocável, indepilável.
Tocar em e cortar um único de seus pelos deveria figurar na Constituição como crime hediondo e inafiançável, lesa-pátria, lesa-humanidade. Julgado pela Corte de Haia, pelo tribunal de Genebra. E condenado sumariamente.
Onde estão as chatíssimas eco-ONGs numa hora crucial como essa? Cadê a WWF, o Greenpeace, cadê o SOS Mata Atlântica? Salvando as baleias, os ursinhos pandas, os micos-leões-dourados? As oncinhas-pintadas, os coelhinhos peludos, as zebrinhas listradas? Ora, vão se fuder!!! Que, pelo visto, na face da Terra só buceta depilada é que vai ter.
Digo mais : um régio decreto, com direito a arauto a anunciá-lo em praça pública, deveria ter sido emitido, revogando a condição de Ohana como mulher. Ela deveria ter sido elevada à categoria de uma força da natureza, de uma ninfa dos bosques escuros, de uma elemental das matas : uma espécie de Curupira, uma zeladora da densa vegetação.
Cláudia Ohana deveria constar, igualmente, das páginas da Playboy e das do Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo.
Mas agora é tarde. Ainda que a bela Ohana resolva reconsiderar sua fatídica decisão e deixar de novo a mata crescer livre, nunca será a mesma coisa. A cobertura vegetal original nunca se reconstituirá, crescerá ali uma mata secundária, que, ainda que vicejante, jamais será tão portentosa.
Cláudia Ohana não faz mais jus à Cláudia Ohana. O objeto não faz mais jus ao mito. Normal, é o que sempre acontece, a carne cansada enverga ao peso do mito, arrefece, joga a toalha. Normal, mas não deixa de ser triste.
Eu, de minha parte, ainda farei à Cláudia Ohana uma última e justa homenagem, como venho fazendo, em todo o primeiro dia de cada mês, na minha série de postagens Uma Elegia à Cláudia Ohana. Far-lhe-ei uma derradeira loa. Para, depois, nunca mais falar dela.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Em Ribeirão Preto (SP), Beata Rouba Celular de Padre. Deus "Vê" e Não Faz Nada.

O caso aconteceu com o padre Tibério (bem nome de padre, mesmo), vigário paroquial da Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto (SP).
O padre estava prestes a iniciar a confissão de uma fiel, em um confessionário que é uma sala com uma porta de vidro a servir de divisória entre padre e confessante, quando foi chamado por um outro sacerdote e saiu para atendê-lo. Em uma mesinha ao seu lado, deixou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma do Cristo e um aparelho iPhone 5, no valor de 2 mil reais.
Peraí! Será essa a Santíssima Trindade da "renovada" Igreja Católica? A Mãe, o Filho e o Smartphone? E um aparelho de 2 mil reais?!?!? 
Pãããããta que o pariu, padre Tibério, essa é a humildade e o desapego ao material que vocês apregoam? Desapego para o fiel, né? Para que eles muito ofertem à santa igreja e possibilitem uma vida de nababos aos homens de deus, não é isso?
Voltando : o padre diz que o furto deve ter acontecido nesse momento, quando ele saiu para atender ao outro padre. Ele voltou, ouviu a confissão da beata, absolveu-a perante deus (que palhaçada!), aplicou-lhe uma penitência e mandou-a embora.
Somente quando o próximo fiel entrou e se sentou foi que o padre deu pela falta do aparelho : "Absolvi, dei a penitência e ela foi embora. Chamei o próximo, e quando ele entrou e sentou percebi que o celular não estava mais lá", diz.
Peraí, de novo! Tava todo mundo lá, Nossa Senhora, Cristo e, teoricamente, deus, já que onipresente. Tava toda a alta cúpula a acompanhar o padre Tibério, viram o roubo e não fizeram nada? Não intercederam em prol de seu escolhido? Sei lá, Cristo e Nossa Senhora, mais afeitos a panos quentes, poderiam ter deitado as mãos à consciência da fiel e impedido o furto, ou deus, bem ao seu estilo, poderia ter causado um infarto na beata hightech, um AVC, poderia ter explodido a cabeça dela.
Mais : essa porra de celular já virou um câncer tão grande que até padre leva pra igreja? E o coloca feito outro ícone ao lado dos santos? O padre, segundo o que sempre me diziam quando eu era criança, conversa diretamente com deus, tem uma linha direta com o Todo-Poderoso, feito o telefone vermelho do comissário Gordon com a bat-caverna.
O cara tem linha direta com deus! Para que precisa da Telefônica, Tim, Claro e a puta que o pariu?
O furto do celular do padre não foi o primeiro crime ocorrido nas dependências da igreja. Tibério diz que a igreja é alvo constante de pequenos furtos e atos de vandalismo : "Nossos pequenos cofres já foram furtados. Pessoas já defecaram sobre o altar. De um lado da praça, temos tráfico de drogas. Do outro, temos prostituição. Somos desprovidos de segurança", afirma.
Pequenos cofres?!?!?! Pequenos, da igreja católica? É muita cara de pau, muito cinismo e desfaçatez. E que cofre seria grande, então? O meu? Ora, padre, vá contar essa pras suas negas. Aliás, genial o cara que cagou no altar, tem que ter as manhas, registro aqui minha admiração e minha inveja ao cagão anônimo.
Se o furto do celular  eclesiástico não foi o primeiro crime, parece que será a gota d´água. Agora, a igreja planeja instalar câmeras de segurança para vigiar a casa de deus. E o padre Tibério já começou com a "migué" do coitadinho pra cima da prefeitura, com o 171, já está dando uma de joão sem braço. 
Diz que a prefeitura bem poderia ajudar na segurança da igreja, disponibilizar guardas municipais para fazerem ronda em torno do terreno santo. E argumenta como argumentam os canalhas : "A Prefeitura aloca guardas civis para a proteção do Theatro Dom Pedro II, por que não também para a catedral metropolitana?"
Simples, padre Tibério! Porque o Theatro Dom Pedro II é um prédio público, um patrimônio histórico, e a sua igreja é um prédio privado, padre, propriedade particular de uma das instituições mais ricas do planeta. Tire uns caraminguazinhos de seu "pequeno" cofre e instale o sistema de segurança que julgar necessário e adequado. Por que o poder público teria que bancá-lo? Por que eu teria que ajudar sua igreja? 
E peraí, mais uma vez! E o deus de cujo Reino vocês alegam ser representantes? Não protege os seus agentes, os seus diletos na Terra, os seus prepostos? Os seus aspones? Representantes, uma ova. Vocês, padres, são aspones de deus, assessores de porra nenhuma, que é isso o que deus é, porra nenhuma, é isso o que deus é : não é, não há.
Mas o bondoso padre diz que não dará queixa à polícia da beata larápia. Ele teria que descrevê-la aos policiais e como o furto aconteceu em ato de confissão, ele feriria algum artigo do direito canônico, que assegura o sigilo da confissão.
O padre tem mais é que ficar bem quietinho, pois infração por infração, ele também anda a cometer das suas. Esse padre, em todas as quartas-feiras, tem celebrado uma missa em pleno centro de Ribeirão Preto, em pleno calçadão, na praça XV de Novembro, ou seja, em espaço público, o que fere profundamente o caráter laico do Estado. Ele se apropria de espaço público para vender o seu peixe. Será que ele tem alvará da prefeitura, como é obrigatório a todo vendedor ambulante? Porra nenhuma que tem.
É criminoso reclamando de criminoso, achei bom e pouco o padreco ter ficado sem seu brinquedinho. E a beata é quem saiu no lucro : além da absolvição do padre, ela já recebeu também, como assegura um dito popular, os seus cem anos de perdão.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Para o PSDB Se Reeleger ao Governo de São Paulo

O PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira, vulgo tucanos, está há 20 anos no governo do estado de SP e é representado atualmente pela figura desgastada de Geraldo Alckmin.
Não que qualquer outro partido, que ocupasse o poder há tanto tempo, tivesse feito diferente (são todos merda da mesma fossa), mas foram duas décadas de sucateamento da saúde, da segurança e, principalmente, da educação. 
Vinte anos sem reajustes reais dos salários dos funcionários públicos. Nunca houve uma desvalorização tão grande.
E não são somente os baixos salários. As condições de trabalho também são as piores possíveis : sobrecarga causada pela escassez de pessoal (cada vez mais, menos pessoas capacitadas se interessam pelo serviço público, pudera), falta generalizada de material básico ao bom exercício da função, perda da autoridade tão necessária à lida com o público, com o povo, cada vez mais mal-educado e sem limites etc etc.
Não é à toa que mais de 60% das internações no Hospital do Servidor Público, na cidade de São Paulo, correspondam a funcionários públicos com distúrbios psíquicos. Salário de fome, ambiente de trabalho muitas vezes insalubre e humilhação total geram um estado de constante tensão, um cotidiano insustentável, sem nenhuma promessa de alívio.
Num cenário deste, há sempre grande chance de acontecer uma troca de poder político. Mesmo que as pessoas votem em candidatos de outros partidos apenas como forma de protesto, mesmo que seja só para trocarem de mão o chicote que as açoitam, há boa chance do rei ser deposto.
Como não há o menor indício de que o governo do PSDB ( e muito menos, a exemplo, o do PT, caso depenem os tucanos no próximo pleito e os derrubem do galho) esteja realmente disposto a melhorar a vida de seus funcionários e, consequentemente, a qualidade do serviço que oferece à população, deixarei aqui uma sugestão, baratíssima por sinal, de um incentivo que poderia ser dado aos servidores estaduais.
Não chega a ser exatamente um incentivo, é mais um agrado, um presentinho de boas intenções, um regalo para aliviar o stress dos funcionários, uma espécie de suborno para manter a fidelidade dos eleitores e conseguir, quem sabe, mais uns vinte anos no poder.
Não é ideia minha, foi uma empresa dos EUA que a teve, e parece que por lá está dando resultado. E já que copiamos tudo deles, por que não mais essa? Vamos a ela.
Nos EUA, a crise entre democratas e republicanos está empacando a aprovação do orçamento para o ano que vem. Sem saber o quanto poderá gastar, o governo federal paralisou suas atividades e interrompeu o pagamento de salários e pensões de funcionários públicos. Sem receberem seus vencimentos e sem nem saberem quando a situação irá se normalizar, os funcionários do Tio Sam estão tensos e preocupados.
Pois a empresa Vibrators.com, do grupo PriveCo, viu na atual situação uma oportunidade de ganhar publicidade. A empresa está oferecendo, sem nenhum custo, uma espécie de "alívio" para os funcionários americanos, um paliativo para que melhor atravessem a crise : um vibrador de 12,5 centímetros.
Isso mesmo! Um pinto de borracha, o famoso consolo. Basta a pessoa se dirigir à loja mais próxima da Vibrators.com, de posse de um documento que a identifique como funcionário federal, e já sair de lá com seu vibrador de 12,5 cm, gratuitamente.
Não sei se 12,5 cm dão para grandes alívios, mas é uma amostra grátis, uma guloseima. A empresa oferece produtos similares em outros tamanhos, para aquelas que necessitarem, digamos assim, de um tratamento mais invasivo, menos homeopático; para umas aí, 12,5 cm é acupuntura, é medicina alternativa. Diz a mensagem publicitária : "Ganhe um vibrador grátis durante a paralisação do governo"
Senhores políticos do PSDB, entrem urgentemente em contato com a Vibrators.com!  Armem uma maracutaia, uma licitação fraudulenta, como tantas que já praticaram, e adquiram o produto aos milheiros! Distribuam os vibradores junto com o próximo pagamento! Liberem-no numa folha suplementar, se preciso for! Incluam-no no bônus!
Não sei nos setores da saúde, segurança e outros, mas no da Educação, eu garanto : vossa popularidade irá disparar, crescerá vertiginosamente, aumentará muito mais que os 12,5 cm da benga de borracha.
A professorada vai vibrar - literalmente - de alegria e contentamento. O vibrador fará muito mais sucesso e causará muito mais furor (uterino, principalmente) que os tablets emprestados aos professores. Vai ter professora  (e uns professores, também) trocando tablet por pau de borracha, sem pestanejar.
Distribua vibradores entre os seus maltratados funcionários, Geraldo Alckmin, e verá que as urnas continuarão a ser ninho aconchegante e hospitaleiro aos tucanos, per saecula saeculorum, ad infinitum.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Mulher Fazendo Xixi - Que Maravilha !

Sem querer, por acaso, que é como encontramos novidades na internet em 90% dos casos, caí no excelente site Noo Magazine, onde tive contato com a arte do desenhista Greg Guillemin.
Para dizer a verdade, não achei nada de mais. Na postagem em questão, ele retrata os mais famosos personagens dos quadrinhos e dos contos de fadas em situações do cotidiano : o Super-homem futucando o nariz, o Homem Aranha escovando os dentes e coçando o saco, a Branca de Neve fumando, o Super Mario Bros se barbeando, o Capitão América tirando cera do ouvido com o dedinho, o Demolidor pingando um colírio, a Elektra espremendo uma espinha do queixo, Batman e Robin se beijando, o Surfista Prateado passando um polidor de metal no corpo como quem passa um bronzeador ou protetor solar, o Peter Pan olhando uma revista Playboy, tem até o Hulk dichavando e enrolando um cigarrinho de maconha.
Algumas dessas situações são até criativas, mas o lado "humano" dos personagens de ficção também não é tema dos mais inéditos. O desenho de Greg Guilllemin é clean, com poucas sombras, cores vivas e primárias, odeio o tal do clean.
Nos rostos dos personagens, Guillemin utiliza a técnica do pontilhismo, sem, porém, nem em sonhos se aproximar do grande Roy Lichtenstein, o mestre supremo dessa técnica aplicada a cenas de histórias em quadrinhos.
Então, por que estou aqui falando e postando sobre o trabalho dele?
Simples, um de seus desenhos me cativou, a um de seus heróis mundanos não pude ficar insensível.
A Mulher Maravilha sentada no privadão, fazendo um xixi, sem tirar as botas, com a calcinha arriada até os tornozelos. São mostradas apenas - e sutilmente - as partes inferiores das coxas da heroína, deixando para o observador imaginar e tentar entrever o restante.
Repito, não gostei do desenho de Guillemin, mas acho um tesão mulher fazendo xixi com as calcinhas arriadas até o tornozelo. E sendo a Mulher Maravilha, então...
Dá até pra ouvir o barulho da urina a passar pelos pentelhos fartos e revoltos da amazona (sim, ela deve ser peludona, ou, por acaso, alguém já ouviu dizer que as valorosas amazonas gregas se depilassem? É cabeludona, sim) , a urina levantando ondas gigantes ao atravessar a negra cabeleira, vagalhões raivosos e espumantes se chocando fragorosamente contra a porcelana da privada, como a açoitar os impávidos penedos do mar Egeu.

sábado, 5 de outubro de 2013

Uma Hóstia Para o Cão (Ou : Francisco I é Tão Sacana Quanto Todos os Outros Papas)

Uma Hóstia Para o Cão - uma vez que "cão" é um dos sinônimos para diabo - poderia ser um bom título para um filme de terror de baixo orçamento, os famosos filmes classe B.
Na película, o capetão tomaria o corpo de uma menininha loira, de olhos azuis, cabelos cacheados, um anjinho de candura, e postaria-se, lobo em pele de cordeiro, na fila da hóstia. O padre se encantaria com aquele querubim, aquele serzinho elevaria mais a sua crença em um criador perfeito, e só perceberia o embuste do tinhoso quando a menininha, ao tomar-lhe da mão a hóstia com sua boca imaculada, chupasse-lhe os dedos com volúpia, com uma malícia própria dos infernos, um felattio nos dedos do padre.
O padre horrorizado e enojado (e talvez de pau duro) persignaria-se vezes e mais vezes, acorreria à pia de água benta e lavaria da mão a saliva mefistotélica, a baba cheia de enxofre. Mas seria tarde e inútil. O padre já dera a hóstia consagrada ao demônio : a excomunhão e o tridente do capeta no cu seria o seu destino por toda a eternidade.
Ou, então, o capetão possuiria o corpo de um padre e consagraria as hóstias com seus poderes das profundas, tornando-as o corpo de Lúcifer. As beatas receberiam as hóstias e estas se transubstanciariam em suas entranhas, tornariam-se no corpo de demo. 
A beatada ficaria louca, seria tomada de um tesão irrefreável, um fogo na bacurinha dos infernos. Imediatamente, a igreja viraria palco de uma orgia desenfreada. Beata lambendo buça de beata e levando dedada no toba. Imagens dos santos seriam usadas como bonecos infláveis de sex shop, crucifixos seriam espremidos entre os peitos gordos e rançosos, o cristo nu e pregado seria esfregado nos grelos encruados. Tomar-se-iam os garrafões de vinho eclesiástico direto nos gargalos, o vinho vazaria pelos cantos da boca, sairia pelas narinas, escorreria pelos corpos e alagaria umbigos e vulvas, de onde seria tomado pelas bocas e línguas sedentas dos sacristãos, que, por suas vezes, estariam sendo devidamente enrabados pelos coroinhas.
E de pé no altar, o padre possuído por Mefisto levantaria a batina e exibiria seu imenso falo duro, em brasas, pingando fogo e enxofre.
Nenhum desses filmes, obviamente, foi produzido, mas uma história de terror, bem mais prosaica e banal, acaba de acontecer na vida do padre Greg Reynolds, da Arquidiocese de Melbourne, Austrália.
Ele foi excomungado pelo Papa Franciso I por, supostamente, ter dado uma hóstia consagrada a um cão, um cão de verdade, um cachorro, o melhor amigo do homem. Tal ato incorreu em flagrantes infrações dos canons 751 e 1367 da igreja católica, a saber, heresia e sacrilégio.
Greg Reynolds nega a história, publicada pelo jornal The Age de acordo com o relato do dono do cachorro. O padre afirma, como veio a saber depois, que um visitante que estava participando da missa foi quem deu metade de uma hóstia ao animal. 
“Eu não daria uma hóstia consagrada para um cão ou qualquer outro animal, nunca o faria."
E por que não, padre? Não são todas criaturas de seu criador? Ainda mais que, veja a ironia, o animal em questão era da raça cão pastor. Isso está me cheirando a corporativismo, padre Greg. Já imaginou a manchete? Padre nega hóstia a pastor.
Tá certo, tinha que ter dado, mesmo.
O tal visitante, o dono do cachorro, confirma a história e diz não ter estranhado o fato, já que tudo teria ocorrido com muita naturalidade, ele teria se dirigido ao altar junto com seu cão e, ambos, recebido a hóstia : "Achei que fosse uma benção especial aos animais.”
Mas quem acha mesmo que a excomunhão de Greg Reynolds ocorreu por ele ter dado uma hóstia ao cão, da missa não sabe um terço.
O cão foi apenas, digamos assim, um cão expiatório, uma desculpa para a igreja botar no rabo do padre Reynolds, que há tempos vinha colocando as asinhas de fora.
O verdadeiro motivo da excomunhão teria sido a pregação de Reynolds a favor da ordenação de mulheres e pelo reconhecimento de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Ele já abençoou um casamento em massa de casais homossexuais.
Pãããta que o pariu!!! Aí também já é demais. Esse padre estava mesmo querendo incorrer na ira do Vaticano. Abençoar casamento coletivo da viadada? O padre Reynolds abençoou uma parada gay!!!
Em agosto de 2011, Reynolds renunciou ao seu cargo de padre de duas paróquias rurais e fundou uma ONG de católicos favoráveis ao casamento gay e à ordenação de mulheres, conforme “Deus quer”, segundo ele.
Deus pode até querer, padre Reynolds, mas o Papa não deixa. E dá-lhe excomunhão.
Bem que eu desconfiei quando esse Papa Francisco começou com aquele discurso liberal, com aquela conversa para boi dormir de que a Igreja deve acolher os homossexuais, os divorciados, as mulheres que praticaram aborto etc. Tudo balela, eu tinha certeza, puro discurso vazio e hipócrita.
Basta que um de seus comandados venha a pôr em efetiva prática uma maior abertura em sua igreja para que o Papa mostre bem a sua cara, a cara imutável da instituição cujo trono ocupa, e dá-lhe excomunhão. 

Francisco I é tão sacana quanto qualquer outro bispo de Roma, igual a João Paulo II, igual a Bento XVI (talvez o mais honesto deles, pois não ficava de fingimentos, não vivia de pôr panos quentes, tinha aquela cara ruim, era ruim, e não tentava dissimular isto), igual a todos os outros, ou não se sentaria à mesma cadeira que eles, não envergaria as mesmas vestes, o mesmo cetro, a mesma mitra.
Também, sinceramente, não sei porque as pessoas renegadas pela Igreja Católica - homossexuais, divorciados e outros - querem tanto a aprovação dela. A Igreja Católica que se foda, viadada. Vocês acham mesmo que alguma igreja representa o suposto deus que supostamente seria o vosso Pai e Criador? Que alguma igreja seja mandatária da vontade Dele?
Mandem a Igreja à merda, e, se precisam tanto da aprovação dela, vão à merda, também.
O padre disse que irá recorrer do veredicto, mas o texto (em latim) da excomunhão afirma que a decisão é irrevogável.
Você errou de pecado, padre Reynolds. Para o seu chefe, alguns pecados são perdoáveis, outros não. Se você só tivesse comido o rabo de uns menininhos, estaria tudo certo, mas você foi logo dar hóstia a um cachorro? Que cagada, padre, que cagada!

Padre Greg Reynolds exibe sua excomunhão, recebida no dia em que completou 60 anos. Um presente dos céus. Para mim, seria.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Excalibur

Gravada,
Entranhada,
Lavrada,
Escalavrada,
Cravada,
Cravo-de-defunto em minha derradeira lapela.

Porque todos precisam de uma ilusão para viver,
Ou de uma desilusão.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Barca Furada

"O negócio é saber que o mar não tá pra peixe e sair pra pescar."
(Raul Seixas, O Negócio é)
É isso aí, Raul! O negócio é saber que o mar não tá pra peixe e sair pra pescar! É saber que aquela noite era noite para se ficar em casa, para ir dormir mais cedo, é saber que pôr o pé à rua só poderia dar merda e, ainda assim, sair, sair para insistir, para contrariar o universo, para fazer dar certo.
E não dá. Não tem jeito. Nunca dá. É aquela noite perdida, fudida.
É entrar na famosa barca furada, sabendo-a já a fazer água.
E depois, ao fim da madrugada, baleado, bolsos vazios, ressaca etílica e moral, arrepender-se, chamar-se de idiota, rogar praga em si mesmo, berrar aos céus e à aurora que nunca mais. E, na semana seguinte, corpo já recuperado e mente sem a menor vergonha na cara esquecida, fazer tudo de novo, entrar em outra barca furada.
Furada e sem nem Caronte a conduzi-la. Já entrei em verdadeiros Titanics furados, ah, se entrei!!!
Mas a barca furada não deve ser motivo de vergonha, consternação ou constrangimento para ninguém que já tenha sido seu tripulante, para nenhum de seus marinheiros mareados.
A barca furada faz parte do processo, da vida. A barca furada faz parte. E faz falta. Pããããta que o pariu, como faz falta...

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Marina Silva é (ainda) Mais Feia Do Que Parece (2)

Marina Silva é mais uma fraude, mais uma picareta, feito todos os outros. Marina Silva congrega "qualidades" de duas das piores raças do planeta, os políticos e os evangélicos.
Reproduzirei algumas informações que venho lendo na internet sobre Marina Silva, a apóstola do meio ambiente, a pastora da sustentabilidade, a bispa do salvem o planeta. 
No caso de Marina Silva, o diabo é ainda mais feio do que se pinta. 
Abaixo, mais alguns dados sobre dois dos maiores patrocinadores de Marina Silva, o Banco Itaú e a empresa de cosméticos Natura, acusada, entre outras coisas, de biopirataria.
 
"A FADA MADRINHA DE MARINA SILVA
Herdeira do Itaú, Maria Alice Setubal capta recursos para o novo partido da ambientalista.
Itaú: acusado de fraude de R$ 37 milhões
A Saúde Assistência Médica Internacional, operadora de planos de saúde, acusa o Itaú de fraude e atos ilegais em operações bancárias de débitos feitos por pessoas não autorizadas. A operadora ajuizou ação indenizatória com pedido de antecipação de tutela no valor de R$ 37,4 milhões, alegando extrema necessidade para garantir a sobrevivência da empresa no mercado. O banco apresentou contestação apontando ilegitimidade passiva, prescrição do direito e que nunca praticou nenhum ato ilícito. Na última segunda-feira (19/3), a operadora protocolou réplica para demonstrar a responsabilidade do banco pela fraude, citando a Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça, que diz que as instituições financeiras “respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias”.

"PESQUISA DA UNICAMP INVESTIGA A PRECARIEDADE DAS RELAÇÕES DE TRABALHO ENTRE QUASE 1 MILHÃO DE “CONSULTORAS” E A MAIOR EMPRESA BRASILEIRA DE COSMÉTICOS
Vendedoras Natura ficam sem direitos e com riscos financeiros.
Elas fazem o sucesso comercial da maior empresa brasileira de cosméticos, mas não têm qualquer vínculo empregatício ou direito trabalhista e ainda assumem diversos riscos financeiros. Estas são as principais constatações da pesquisa “Make up do trabalho: uma empresa e um milhão de revendedoras de cosméticos”, para o doutoramento da socióloga Ludmila Costhek Abílio pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Segundo o estudo, a empresa é um exemplo da exploração do trabalho e das injustiças que deixaram de ser discutidas diante da ameaça do desemprego. Ao mesmo tempo em que transmite a imagem de companhia moderna e comprometida com a preservação ambiental, explora o trabalho informal de aproximadamente 1 milhão de revendedoras, contingente equivalente à população de Campinas (SP), que se expõe a riscos inclusive financeiros numa atividade que raramente é reconhecida pela sociedade como um trabalho."

terça-feira, 1 de outubro de 2013