quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Codinome Barba

Entre 1983 e 1985, eu residi em São José dos Campos, época em que se deu o fim do governo militar, a transição para o que se chamou de A Nova República, ou a república de Ribamar. Foi também o auge da expansão do Partido dos Trabalhadores, o PT. Expansão não só numérica das fileiras dos barbudos vermelhos como também da confiança depositada no novo partido pelo povo brasileiro; acredito que fosse mais a necessidade de uma esperança do que propriamente confiança, mas, de qualquer forma, em confiança, em votos, ela começou a se materializar.
Era um partido recém-nascido, tinha o frescor e a carinha risonha e inocente própria dos bebês, nada depunha contra ele, parecia-nos que o PT fosse, ao menos, uma alternativa moral ao cenário político vigente. Considerávamos que os militares fossem os responsáveis por todos os males do Brasil, quiçá do universo. Demorou muito pouco tempo para que víssemos o quanto estávamos errados.
A esperança de uma nova política, de um novo país, tomava conta de todos os grandes meios de comunicação.
Mas por São José dos Campos ser uma cidade industrial, inclusive com algumas montadoras de automóveis, nos chegavam certos rumores, certos boatos - que muitas vezes são relatos mais confiáveis que as notícias oficiais das grandes mídias -, de que Lula não era um grevista legítimo porra nenhuma. Que o barbudo estava mancomunado com as próprias montadoras de automóveis, as greves eram organizadas de comum acordo entre o líder sindicalista Lula e os patrões. Os operários? Bucha de canhão, como sempre.
O esquema, diziam, era o seguinte : quando diminuíam as vendas de automóveis - era época de inflação galopante, 30%, 40% ou mais ao mês - e as montadoras não conseguiam escoar a produção, o patrão chamava o barbudo e decretava : que se faça a greve. Lula recebia uma grana e fazia a massa burra parar. Durante a greve, as montadoras economizavam nos salários dos funcionários e ganhavam tempo para esvaziar seus pátios. Quando os pátios esvaziavam, quando a produção já havia sido devidamente escoada, o patrão chamava Lula de novo e decretava : que se faça o fim da greve. E o barbudo ia lá e fazia a massa burra voltar ao batente. E se davam lá uns porcentinhos quaisquer de aumento para os operários, só para disfarçar.
De lá para cá, volta e meia, quando o assunto sai em uma roda de conversa, eu falo dessa história, e sempre tem um ou outro que também a conhece.
Consideremos, pois, que sejam verdade as greves combinadas entre patrões e o então sindicalista Lula : quem usa os "companheiros" operários como bucha de canhão, quem os entrega de bandeja aos patrões em troca de benefícios pessoais, pode muito bem entregar os companheiros de subversão a coisas piores, dependendo da necessidade, e proporcional ao benefício adquirido.
E parece que Lula fez mesmo isso. Para conseguir privilégios durante o seu tempo de xilindró no Dops, o barbudo entregou vários companheiros políticos ao regime militar. Lula não foi uma vítima do regime militar, foi um informante.
É o que afirma Romeu Tuma Jr. em seu livro O Assassino de Reputações, obra em parceria com Cláudio Tognoli, um dos maiores, se não o maior, repórteres investigativos do país.
Segundo Tuma Júnior, ao dar informações ao governo militar, Lula garantiu "privilégios" na prisão. O livro do delegado lista como privilégios noites de sono em um sofá do Dops e uma visita à mãe, dona Lindu, que estava gravemente doente. Ou seja, entregava todo mundo pro Dops. Era amigão de Tuma Pai.
Tuma Jr. em resposta a repórter da Revista Veja :
Veja - O senhor afirma no livro que o ex-presidente Lula foi informante da ditadura. É uma acusação muito grave.
Tuma Jr. - Não considero uma acusação. Quero deixar isso bem claro. O que conto no livro é o que vivi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos nesse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo. Conto esses fatos agora até para demonstrar que a confiança que o presidente tinha em mim no governo, quando me nomeu secretário nacional de Justiça, não veio do nada. Era de muito tempo. O Lula era informante do meu pai no Dops.
E o melhor ainda está por vir. Lula tinha um codinome, uma identificação de agente duplo, que era. Lula, ao passar informações de seus companheiros operários para o Dops, ocultava sua identidade sob o indecifrável codinome de Barba. Codinome Barba... Pããããta que o pariu!!!
Se até então a história de Tuma Jr. ainda tinha um quê de fantasiosa, agora ela se estabelece como a mais provável das verdades. Disfarçar Lula sob o codinome de Barba : é bem coisa dos autodenominados serviços brasileiros de inteligência, o SNI (Serviço Nacional de Informações), à época.
Fico a imaginar uma reunião sendo convocada pelos militares em caráter de urgência, para decidir sob qual disfarce o alcaguete Lula iria agir. Depois de muitas considerações, ponderações, depois de muitos codinomes sugeridos, depois de muitas brainstorms, um milico tem lá seu insight : Barba, o chamemos de Barba, escondamos o sindicalista Lula sob uma barba. Imagino-o sendo aplaudido e ovacionado, condecorado, até, ganhando mais uma estrela em suas dragonas, caso tenha sido um general.
O Dops e o SNI esconderam o Lula atrás de uma barba!!!! Lula, o Barba. Não tenho dúvidas : o relato de Tuma Jr. é a mais pura verdade!!!
Abaixo, autor e obra.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Conselho Final de Classe e Série

Aumentar o índice de aprovação, e o fluxo, e o Idesp, e impedir o fechamento de salas de aula, garantindo o emprego do professor, e a autoestima dos alunos e de suas famílias, que, descompromissados que são muitas vezes, precisam crer na ilusão de estão a aprender algo sem o menor esforço, e as intenções de voto no governo da situação, e, principalmente, aumentar o BÔNUS do professores e gestores, a sua cesta de natal, o único raio de esperança de suas vidas, depois da aposentadoria, óbvio.
É uma cadeia alimentar de pequenos subornos : o governo suborna diretores, coordenadores e professores com o bônus - e mesmo aqueles que se dizem contra essa esmola esperam ansiosamente por ela, nunca vi um desses "idôneos" professores abrir mão de seu bônus, ou doá-lo -, os professores subornam os alunos com falsas notas e sensação de aprendizado para que eles continuem a frequentar a escola, não se evadam, e aumentem os índices do governo, índices que, uma vez divulgados em nas propagandas eleitorais, mantêm inalterado o jogo do poder.
Ou seja : é um esquema canalha no qual todos perdem e todos ganham. Por isso, o Sistema é inexorável, invencível, impossível de demolir.
E ai do quixote idiota que achar que pode derrotar o monstro morando no estômago da própria besta. Será moído a pancadas, triturado, pulverizado, dissolvido por suas engrenagens, para, logo em seguida, ser esquecido.
E ai do quixote idiota que achar que pode se opor verdadeira e efetivamente ao Sistema; para esse, o stress, a fadiga, a depressão, o infarto, o câncer e o pior : o psiquiatra.
Quixote ainda tinha lá sua lança torta, enferrujada e quebrada, os quixotes têm apenas seu giz branco, seus tristes sanchos panças. Mas a caneta é mais poderosa que a espada, diz o provérbio holandês. Por indução, o giz, mais poderoso que a lança.
Muito bonito. Bela frase de efeito. Mas, na prática, jamais ouvi uma besteira maior; na realidade, jamais uma irrealidade maior.

domingo, 15 de dezembro de 2013

O Mais Belo Suicídio

Quem disse que um suicídio não pode ser algo belo? Ou, pelo menos, narrado de forma bela? Chico Buarque, óbvio, insuperável como ele só, fez isso, magistralmente, em definitivo, em Construção. Ou você, fã de Chico como eu, que já cantarolou Construção um sem número de vezes, nunca percebeu se tratar de um suicídio? Pois é sobre o que a canção versa. O texto é todo de desprendimento e despedida.
O suicídio de um operário cansado do cotidiano tijolo com tijolo num desenho lógico, do sábado sem descanso, do feijão com arroz, de beijar sua mulher como se fosse a única.
O suicídio de um operário que, engenhosamente, disfarçou seu ato em um tropeço involuntário, fê-lo parecer um acidente de trabalho, para que ele próprio não fosse julgado covarde, para livrar sua família de qualquer sentimento de culpa por sua cabal decisão.
E, ao menos, por infinitesimais divisões de tempo, flutuar no céu, ser um náufrago, ser um bêbado princípe, não ser uma máquina, ser um pássaro. Dizem que nada explica o suicídio, menos ainda o suicida. Explica, sim : o desejo de ser pássaro.

Construção
(Chico Buarque)
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público.

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado.

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Cerveja é a Base da Civilização

O desenvolvimento da agricultura pelo ser humano o livrou do jugo da sazonalidade com que a natureza lhe provinha com alimentos e víveres vegetais, permitiu-lhe, aos poucos, abandonar sua natureza nômade e coletora.
O advento da agricultura, há aproximadamente 11 mil anos, um pouquissimo só antes do Raul Seixas nascer, veio, portanto, da necessidade, a suposta mãe de toda invenção, do ser humano melhor fixar suas moradias e melhor abastecer de alimentos as seus bandos, as suas tribos, os seu clãs, certo?
Parece que sim. Pelo menos, é o mais lógico a se pensar e concluir. Mas há controvérsias no mundo científico quanto a isso. As técnicas de plantio e cultivo podem ter sido desenvolvidas com objetivo muito mais nobre do que simplesmente encher o pandu do povão : para fazer cerveja!!! É isso mesmo!!!
O ser humano sempre foi fisicamente muito mais fraco, mais lerdo, com sentidos menos apurados e com muito menos instintos do que a grande maioria das outras espécies com quem conviveu desde o seu surgimento. A sua permanência no planeta, o seu sucesso evolutivo, deveu-se sobretudo à sua capacidade de se organizar em sociedade, a sua habilidade de viver em grandes bandos, a força do ser humano vem do bando; a inteligência é individual e está ligada ao afastamento do bando, mas a força que garante o feijão com arroz vem do bando, viver em grandes sociedades foi um mal necessário à nossa fraca espécie.
E conviver em bando não é fácil, abrir mão muitas vezes de sua individualidade, tolerar as intoleráveis diferenças do outro  etc. Para garantir a coesão do bando, alguns elementos agregadores se fizeram necessários. A eles.
O desenvolvimento de uma linguagem mais elaborada, própria de cada bando (assim nasceram os diferentes idiomas), ao que tudo indica, foi o primeiro desses elementos. Não que os outros animais também não tenham suas linguagens, mas elas se restringem a sinais básicos, grunhidos e rosnados para sinalizar que estão com fome, com raiva, feridos, com vontade de acasalar. Em grandes bandos, uma melhor e mais detalhada comunicação se faz necessária, são precisos muita conversa e convencimento para se continuar num bando, é essencial, principalmente, mentir muito na convivência com o bando. E nenhum outro ato humano demanda uma linguagem mais elaborada que o de mentir. Mentir é complicadíssimo, boa parte da expansão de nossos códigos de comunicação veio da fundamental mentira. Além disso, falar a língua de um bando tornava difícil a migração de pessoas para outros bandos, nos quais não seriam compreendidas.
Outro fator agregador foi a criação de leis, a submissão do bando a um mesmo conjunto de normas de conduta; largar o bando por conta própria é decretar a extinção dele, sem rígidas diretrizes a norteá-lo, ele se autocomeria, afundaria-se na própria barbárie.
A religião. Desgraçadamente, a religião também foi forte elemento agregador da espécie. Todo bando possuía, obviamente, um líder, mas esse líder ainda era humano, podia ser constestado, ter suas decisões postas em xeque, ser combatido e deposto. E um "líder" imaterial, todo-poderoso, infalível e cuja base de existência fosse justamente a fé cega em sua bondade e sabedoria? Seria incontestável, certo? Daí, o surgimento dos deuses. Seres de ações e determinações incontestáveis. E que também fariam um papel complementar às leis : para ser punido pela lei, um criminoso tem que ser visto por alguém a praticar seu crime, se você comete um crime e ninguém é capaz de identificá-lo, você está livre. Deus vê tudo, quem escapa da justiça dos homens não escapa da justiça de deus, dizem. Além disso, cada bando considera seu deus melhor que o do outro, se necessário, briga, guerreia para provar isso, e a guerra fortalece a união do bando.
E a cerveja, onde entra nisso?
Nas festas, porra! O homem das cavernas também dava suas festas. As festas provavelmente eram mais do que simples encontros. Festas criam alianças, facções, vínculos entre as pessoas, poder político, redes de apoio, e tudo isto sempre foi fundamental para o desenvolvimento de tipos mais complexos de sociedade. E o que há de melhor para facilitar as relações e o entendimento dos convivas que não o bom e velho álcool, a sacrossanta cervejinha?
Algumas evidências apoiam as suspeitas dos arqueólogos de que os grãos eram mais transformados em cerveja que em alimento propriamente dito.
Cereais, como cevada e arroz, representavam um elemento menor na dieta do homem pré-histórico, provavelmente pela dificuldade em conseguir algo comestível a partir deles - é necessário reunir, peneirar, descascar, moer, tarefas muito demoradas em troca de pouco ganho energético e nutritivo. Estima-se que todo o processo para tornar os grãos palatáveis, àquela época, custava de 6 a 8 oito horas de trabalho da mulherada.
Apesar disso - muito trabalho para pouca energia -, as pessoas andavam grandes distâncias para obter os grãos. Evidências na Síria sugerem que, às vezes, as pessoas faziam um esforço incomum apenas para adquirir os grãos de cereais – andavam de 60 até 100 km. Andar 100 km para fazer uma papinha de arroz ou um pãozinho mixuruca? Vai nessa.
Não tenham dúvidas - eu, pelo menos, não as tenho em relação a esse respeito -, só por uma coisa o ser humano anda tanto : pela birita! E é assim até hoje. O sujeito fica na maior preguiça de atravessar a rua e comprar pão na padaria ou no supermercado, mas se aparece uma oferta de cerveja em tal lugar, ele atravessa a cidade.
Pelo tempo e esforço, o álcool era produzido quase que exclusivamente para ocasiões especiais, para impressionar os convidados, deixá-los felizes, e alterar sua atitude, favorável aos anfitriões. Ou seja, unir mais o bando. A cerveja, digamos assim, sempre lubrificou as ásperas relações humanas, e bem sabemos que sem lubrificação não há relações.
Muito mais que para matar a fome, o cultivo de grãos - e, portanto, o início da agricultura - se deu para fabricar cerveja. A velha loura gelada é um dos pilares da nossa civilização.
Um brinde à ela, à cerveja nossa de cada dia.
Eu acabei de abrir a minha aqui, para iniciar a noite.
Se nem com a cerveja, eu sou tão "civilizado" assim, imaginem sem ela. Vocês não me aguentariam.
Fonte : Live Science

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Paraninfo Azarado (Ou : Superbonder, Não Saia De Casa Sem Ela)

O apelido Azarão - que hoje considero uma honraria de batalha, uma condecoração de guerra - me foi dado pelo meu grande amigo Fernandão, que, sempre confuso das palavras, usou erroneamente o significado do termo com o qual me alcunhou.
Parecera-lhe, por ocasião do início de nossa longa amizade, nunca ter conhecido alguém tão azarado quanto eu, um azarado tão grande, um azarão; a seu ver, aumentativo de azarado. Na verdade, azarão tem significado praticamente oposto : no turfe, é aquele cavalo pelo qual ninguém dá nada, um pangaré, e que, de vez em quando, muito de vez em quando, surpreende e fatura o páreo. Azarão seria um azarado que, às vezes, dá sorte.
Mas gostei do apelido, afeiçoei-me a ele. Tanto que hoje, das quatro ou cinco que possuo, o Azarão é minha personalidade favorita. O Azarão, verdade seja dita, nunca foi para-raios de grandes azares, de grandes desgraças; sempre foi magneto daqueles pequenos azares cotidianos. O Azarão é aquele cara em cujo prato cai a pedra do feijão, em quem o carro joga a água empoçada da chuva, em cuja cabeça o passarinho acerta a bosta, essas pequenas adversidades.
O Azarão é um elemental zombeteiro que habita em mim, um Saci íntimo e pessoal.
Contudo, devo admitir que, dessa época de maior convivência com o Fernandão para cá, o Azarão tem me dado trégua, não tenho tido mais tantos azares, achei mesmo que ele houvesse se aposentado. Até ontem...
De tempos em tempos, sou escolhido como paraninfo por alguma turma de 3º ano do ensino médio; de tempos em tempos, mesmo, coisa equivalente ao intervalo entre uma passagem e outra do cometa Haley. Pois o cometa passou esse ano e lá fui eu, a pegar carona em sua cauda, ver a via-láctea, estrada tão bonita, brincar de esconde-esconde numa nebulosa.
A cerimônia foi ontem, e tudo corria bem. O coordenador passou para me pegar no horário previsto, o trânsito estava aceitável apesar da chuva que despencava; chuva que, diziam as más línguas já presentes no local do evento, era decorrente do fato de eu ter aceito o convite, me disposto a participar de um evento social.
É que sou, muitas vezes, classificado de antissocial. Não é verdade. Isso é coisa de umas e outras invejosas, despeitadas, recalcadas, de tesão recolhido e encruado etc. Não sou antissocial, nada tenho contra, só não tenho, também, nada a favor. Não é que eu não goste de pessoas, só me sinto melhor quando elas não estão por perto.
Voltando. Chegamos ao local do evento, um espaço localizado em um shopping da cidade, o West Shopping (morra de inveja, Leitinho), com sua imponente West Tower, o World Trade Center do interior paulista, isso segundo um primo meu, o Leitinho, para quem esse shopping é o maior emprendimento econômico e arquitetônico da cidade, uma figura impagável, o Leitinho.
Carro estacionado, saí. Meu primeiro passo já foi em falso, o pé virou. Torci o tornozelo? Pior, muito pior. A sola do sapato, a do pé direito, se soltou, despregou-se quase que por inteiro. Eu levantava o pé e a sola se abria feito uma boca desdentada a escarnecer de mim.
Não havia dúvidas : era o Azarão de volta à ativa. 
E não tinha como, era uma coisa patética de se ver, aquela sola balançando. Não havia como eu adentrar o recinto com aquela coisa mole. Estava mesmo prestes a desistir do evento, estava quase dizendo ao coordenador que outro professor me substituísse.
Foi nessa hora de agrura que me lembrei de outra máxima de meu amigo Fernandão, o maior filósofo moderno de todas as eras : "Só pode ser praga de biscate!", dizia ele quando algum infortúnio se abatia  sobre sua cabeça. E bem que poderia ser isso mesmo.
Quando da minha escolha para paraninfo, uma fulaninha, a evidenciar ainda mais a sua já pública e notória falta de ética, não só profissional como de qualquer outro tipo, questionou, junto à sala, o democrático pleito, tentou, mostrando que é puro discurso, puro vômito de papagaio de pirata, demover a sala de sua sábia decisão sobre a minha pessoa. Fulaninha quereria, talvez, uma vez que mendiga emocional das mais miseráveis que já conheci, o posto de paraninfo para si, ou para algum outro dos coleguinhas de sua turma, todos, igualmente a ela, falsos, dissimulados e insidiosos. Contaram-me que chegou até a dizer, escrota e mau-caráter até a medula, que eu daria uma de tratante, que aceitaria o convite e os deixaria na mão, na hora da cerimônia.
Acontece que sala que escolhe o Azarão para paraninfo não é qualquer coisa, não. É de especial estirpe, é de superior cepa, não cai em lábias canalhas de fulaninha. Mantiveram a escolha.
A lembrança do ensinamento de meu amigo Fernandão me deu novos ânimos. Era por essa e por outras que eu não poderia sucumbir. Ainda mais em tal cenário, ainda mais à sombra da West Tower, palco da definitiva e frankmillírica peleja entre um Bruce Wayne sexagenário e um Duas-Caras redivivo; bem a calhar, o Duas-Caras.
Decidi : capitular frente ao carma de Murphy, eu aceito, resigno-me em minha pequenez perante ao Universo, mas cair por praga de bisca, jamais. Alguma solução eu acharia, ou me seria apontada. Alguma luz me viria. E ela veio : na forma de uma voz grossa, muito mais que a minha, quase que de um barítono, tonitruante. E antes que digam que foi a voz de deus, já vos mando tomar no cu. Minha salvação se pronunciou na forma de uma mulher macho, paraíba sim senhor, uma sapatão de respeito - adoro as sapatas, depois disso, mais ainda.
Como disse, era um shopping, e a minha salvadora estava a fumar em frente a uma das lojas, só ouvi o vozeirão : - Ô, meu, vai ali no mercado e compra superbonder, ela cola tudo.
Sim, havia um grande mercado às minhas costas. Acredito que tenha titubeado um pouco em relação ao conselho da sapata. Foi a vez do meu coordenador me socorrer, vai lá, disse, sapata entende disso. E era verdade. Quem entende mais de 44 bico largo que uma sapata?
Comprei a superbonder, passei na sola do sapato, calcei para pressionar, esperei dois ou três minutos e presto : a sola estava de volta ao seu lugar, coladíssima. 
Observando a tudo que ficou, quando levantei e ensaiei os primeiros e tímidos passos, ainda temeroso de que a sola pudesse novamente se soltar, a sapata me chegou por trás, deu-me um tapinha nas costas (que quase me desloca o ombro, mas tudo bem) e perguntou : Colou? Pããããta que o pariu se colou. Salvou o meu rabo. Agradeci-lhe e fui para o recinto, pisando de leve, como quem pisa em ovos, como quem pisa nos próprios ovos, e tudo deu certo, transcorreu tudo nos conformes.
A sala teve o paraninfo que escolheu e eu, a satisfação de ter sido escolhido e honrado meu compromisso. Tive até uma grata surpresa ao final, que pretendo contar aqui numa continuação dessa postagem, talvez sob o título Paraninfo Sortudo (Ou : o Azarão Nessa Frescura).
Dar-se-á, amanhã, o baile de formatura, ao qual comparecerei na certa. E com o mesmo par de sapatos. O único que tenho. Diferente dos tênis, os quais possuo em profusão, em exagero : dois pares. Dessa vez, no entanto, macaco cada vez mais velho que sou, irei prevenido, carregarei ao bolso um milagroso e providencial tubo de superbonder; doravante, será mais um item indispensável em meu cinto de utilidades, um verdadeiro amuleto contra pragas de bisca e que tais. 
Obrigado, meninos, obrigado!

Papai Noel é o Caralho

Pãããããta que o pariu!!!
Quase uma hora da matina. Sem sono, vou dar uma verificada na minha desértica caixa de e-mails e dou de cara com a seguinte mensagem : Presentinho de Natal. De um ex-aluno, um dos melhores que já tive, o Waldir.
Abro e dou de cara com o tal presentinho.
Porra, Waldir!!! Sempre o tive na mais alta conta, sempre lhe julguei um macho de respeito, um macho das antigas. E você me vem com essa? Primeiro foi aquela conserva de minipepinos, agora, esse consolo de Natal. Sei não... Só tá faltando o Rodolfo, a rena do toba vermelho.
Mas se, ao invés de mandar para meu e-mail, você levar um desses e colocar na mesa daquela sala dos professores que você bem conhece, vai fazer o maior sucesso, vai dar briga, vai sair porrada para ver quem fica com o chapéu do Papai Noel. 
O mulherio e o bicharal se digladiarão, cada um querendo levar seu pedaço para casa. No toba, tudo dentro do toba. E sairão cantando : noite feliz, noite feliz... O panetone ficará em segundo plano. O bom velhinho será destroçado, não sobrará fio de barba branca para contar história. 
A você, meus sinceros votos natalinos : vira homem, Waldir!!!!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Os Heróis Na Minha Blusa Não São os Que Você Usa

Até por instinto de sobrevivência, por memória genética gregária da espécie, a grande maioria tende à una forma, ao uniforme, ao cara de um, focinho do outro. A maioria tem a necessidade de pertencer, de se reconhecer no outro, de ser reconhecido pelo outro, de considerar mavioso o mugido do grupo, e ser elogiado por esse por sua bela voz.
Donde, a moda. Que não é roupa, sapato, música mais ouvida ou livro mais vendido; num conjunto de dados matemáticos, moda é o valor mais recorrente. 
Justiça seja feita, a moda, o querer parecer com a turba, o querer mimetizar o rebanho, o achar agradável o cheiro do estrume alheio, acrescenta grande força à espécie : duas cabeças pensam melhor que uma; milhares de cabeças pensam igual a uma única. 
É inegável a força bruta que isso adiciona ao bando, é como se a força de milhares, milhões de cérebros, se associassem, em uma única intenção, comumente a errada, a serviço de um mesmo corpo.
Reconheço a força, o valor, e mesmo a necessidade do coletivo burro e forte, mas, como ser criador, não a respeito, desprezo-a. Cago para a uniformidade, para as regras de convívio social. 
Não dou bom-dia, não digo até amanhã, não pergunto pelos familiares de meu indesejável, porém, muitas vezes, inevitável interlocutor, não digo vai com deus.
Causa-me asco, e só não vomito porque meu estômago é forte, calejado que foi por anos de cerveja, o odor adocicado da colmeia; faz as tripas me subirem à boca a distribuição normal, a curva de Gauss, a boca do sino, os arquétipos da psicologia, jaulas sem grades nem tranca nem cadeado, camisas de forças pseudocientíficas a quererem me bem vestir para o baile de horrores da natureza humana.
Uniformidade, eu respeito quase que nenhuma; poucas e honradíssimas exceções.
Uma delas : Paula Toller, do Kid Abelha, musa do rock dos 80 e, ainda hoje, uma coroa das mais desejáveis e apetecíveis. Se todas fossem iguais à Paula Toller, que maravilha viver.
E é dela, e do seu grupo Kid Abelha, a canção Uniformes, uma das que mais gosto. Não só dos Abóboras Selvagens, como também de toda a gloriosa década de 1980.
Será que um dia a gente vai se encontrar? Quando os soldados tiram a farda pra brincar...

Uniformes
(Kid Abelha)
Eu ouço sempre os mesmos discos
Repenso as mesmas idéias
O mundo é muito simples
Bobagens não me afligem
Você se cansa do meu modelo
Mas juro, eu não tenho culpa
Eu sou mais um no bando
Repito o que eu escuto
E eu não te entendo bem

E quantos uniformes ainda vou usar
E quantas frases feitas vão me explicar
Será que um dia a gente vai se encontrar
Quando os soldados tiram a farda pra brincar

A minha dança, o meu estilo
E pouco mais me importa
Eu limpo as minhas botas
Não sou ninguém sem elas
Você se espanta com o meu cabelo
É que eu saí de outra história
Os heróis na minha blusa
Não são os que você usa
E eu não te entendo bem

Birita Nas Estrelas

Quem pensa que a vida de um desbravador espacial é feita só de aventuras e glórias está redondamente enganado.
Tomemos o clássico dos clássicos da ficção científica, Star Trek, o Jornada nas Estrelas. Equivoca-se quem acha que a turma do Capitão Kirk passa o tempo todo às voltas com épicas batalhas contra os Klingons, disparando torpedos fotônicos, erguendo escudos defletores, empunhando pistolas phasers, erguendo escudos defletores, deslizando por entre as dobras espaciais, cuidando do reator de matéria/antimatéria, ou teleportando-se para a superfície dos mais diversos planetas.
Nada disso. Na maior parte do tempo, a tripulação da U.S.S. Enterprise curte o eterno tédio do espaço infinito. A vida, mesmo no universo de Star Trek, é evento raro. Kirk e companhia viajam milhares e milhares de anos-luz, milhares e milhares de parsecs até darem de cara com um planeta habitado por vida inteligente.
E o que fazer nesse meio tempo? Jogar xadrez vulcano tridimensional com o Sr. Spock pode até ser um desafio, mas durante anos e anos? Para piorar a situação, só existiam duas mulheres entre toda a tripulação : a ordenança do Capitão Kirk - e essa era só dele e ninguém tascava - e a tenente Uhura, ficando a cargo dessa dar conta de toda a tripulação. Era uma seca só, um jejum dos brabos.
O que fazer quando se está longe de casa, há mais de uma semana, milhas e milhas distantes de seu amor? Sem nenhum Klingon por perto para matar e sem uma bucetinha disponível? Beber, caro amigo. Encher a cara. Mas como? O máximo que a abstêmia tripulação conseguia, vez em quando, era a azulada e aguada cerveja romulana.
Pois foi pensando nesses bravos colonizadores siderais que a empresa canadense DeLancey Direct Incorporated lançou a cerveja que promete ir audaciosamente para onde nenhuma outra cerveja jamais esteve.
É a Vulcan Ale. É uma referência a Vulcan, planeta natal do Spock, e traz a famosa saudação vulcana em seu rótulo : Vida Longa e Próspera. É uma cerveja do tipo Irish Red Ale e tem um teor alcoólico de 5,4%. Ou seja, é cerveja artesanal, coisa de Cardassianos viadinhos. Mas é cerveja. E é uma bela homenagem à série de Gene Roddenberry, além, é claro, de ser forma das mais garantidas de embolsar uma grana em cima dos trekkers, os fanáticos pela série.
Eu, sinceramente, não consigo ver o Sr. Spock sentado num buteco romulano a tomar uma birita, mas o orelhudo que se foda, eu tomo. De preferência, com a ordenança do Capitão Kirk. A tenente Uhura, eu dispenso, que essa é mais para quem é chegado numa Malzbier.

domingo, 8 de dezembro de 2013

O Lado Negro (e Verdadeiro) de Nelson Mandela

Sempre desconfiei da perfeição e da santidade dos grandes líderes da humanidade, sobretudo dos autoproclamados defensores da liberdade. Aliás, sempre tive uma única certeza em relação a eles : todos, sem exceção, são tremendos canalhas, sanguinários e genocidas.
E nem poderiam ser diferentes. Somos uma espécie canalha, sanguinária e genocida, assim sendo, quem elegeríamos para heróis, para modelos, quem representaria melhor nossos ideais? Uma pessoa verdadeiramente boa e honesta? Óbvio que não. 
Sim um filho da puta de alto calibre, alguém que represente o que há de mais refinado e precioso ao seu grupo, alguém que encarne a quintessência dos que lidera.
Os grandes líderes mundiais - os atuais e os já mortos ou depostos - sempre foram, e sempre serão, o caldo engrossado da podridão humana, o seu extrato concentrado, o seu destilado mais representativo; os grandes líderes são o chorume, líquido negro e pestilento, putrefeito e decantado do mais que há de mais sórdido no lixo humano, a encarnação dos anseios mais baixos da espécie.
Com Nelson Mandela, eu tinha certeza, não poderia ser diferente.
Não foi muito fácil achar as verdadeiras verdades sobre Mandela, houve um trabalho muito bem arquitetado na construção de sua imagem de santo. Um ponto que todos os grandes canalhas da humanidade têm em comum : uma colossal engenharia de propaganda a construir suas imagens. Todos souberam se valer imensamente da máquina de propaganda do Estado : Hitler, Stalin, Mussolini, os Papas, Fidel Castro e Che Guevara, Bush, Obama, até o "nosso" Luis Inácio Lula da Silva.
Mandela não foi diferente.
Reproduzirei abaixo um texto escrito em junho de 2013, por Fernando Trujillo, que diz um pouco sobre o verdadeiro Mandela, do site forodobrasil.info; as fotos inseridas ao longo dele são provenientes do blog omacartista.blogspot.com.br.

O Verdadeiro Nelson Mandela
Fernando Trujillo
A notícia desta semana [1] foi a saúde do líder político Nelson Mandela. Em seus 94 anos, Mandela está gravemente enfermo e conectado a um respirador artificial, logo morrerá e o mundo terá a imagem de um homem com sorriso que conquista corações que foi mitificado pelo Sistema.
O mundo nunca conhecerá o verdadeiro Nelson Mandela e a justiça nunca cairá sobre este homem que encontra-se em uma cama de hospital com milhões de pessoas que choram por ele. Mandela é um ídolo com pés de barro. Por trás desse sorriso e dessa imagem de pacifista encontra-se um dos assassinos mais sem piedade da história. Falar do verdadeiro Nelson Mandela é um assunto incômodo. O Sistema o santificou de tal forma que não se admite nenhuma crítica, nenhuma alusão a seu passado nem nada que pudesse manchar essa imagem limpa que ele tem.
Mandela faz parte desses ídolos com pés de barro que o Sistema forma, tais como Martin Luther King, Mahatma Gandhi, John Lennon, Benito Juárez, só para mencionar uns quantos. Figuras inquestionáveis, ídolos no mais alto pedestal e cuja vida é uma obrigação admirar sem questionar.
Aos seus 94 anos, Mandela foi elevado à categoria de herói dos pacifistas, anti-racistas e uma figura quase divina para as massas, fazem-lhe homenagens, músicos e políticos lhe rendem sua admiração.
A mídia é uma criadora de mitos e uma tergiversadora da realidade. Eles pode fazer de um terrorista um herói e vice-versa.
O verdadeiro Nelson Mandela está muito distante dessa figura cálida que os meios de comunicação pintam. Seus crimes do passado foram apagados. Se investigas sua vida só encontrarás uma vida de quase milagres, mas nada sobre seu lado obscuro. Porém, a verdade sai à luz e o mito Mandela se derruba.
Em 1961 Mandela foi o líder do braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA), chamado Unkhonto We Sizwe, grupo responsável por assassinatos, bombas e roubos em lugares públicos. Mandela foi declarado culpado de 156 atos de violência pública e por essa razão foi encarcerado em 1963 e sentenciado a 27 anos de prisão.
É falso como dizem os meios de comunicação e como se impôs que Mandela foi encarcerado por se opor ao apartheid. Outros ativistas como o bispo Desmond Tutu se opuseram a este sistema publicamente sem ser censurados ou encarcerados. Se Mandela foi encarcerado foi por seus crimes, inclusive a organização Anistia Internacional não lhe deu apoio, já que havia considerado a sentença justa.
Mesmo quando saiu da prisão e até nossos dias, Mandela sempre apoiou o terrorismo e guardou um silêncio vergonhoso ante a matança dos Boers no continente africano. Apesar de ser considerado um “herói da liberdade”, Mandela apoiou descaradamente a ditadura comunista em Cuba, a qual chama “um baluarte da liberdade e da justiça”, mas claro que não menciona a pobreza na qual está afundada a população, nem a opressão do “santo” governo comunista. Também apoiou o sangrento regime de Robert Mugabe e o regime chinês.
"Compromisso com a luta pela paz e pelos direitos humanos no mundo. "(Nelson Mandela) - elogiando o ditador Gaddafi
Sua esposa Winnie Mandela tampouco fica atrás em seu apoio à violência. Nos anos oitenta realizou infames atividades contra seus opositores. Todo aquele que se lhe opunha era atado de pés e mãos para depois ser queimados vivos com pneus, inclusive gente de sua própria raça, uma tática de guerrilha própria do CNA. O Congresso Nacional Africano, partido cujo líder mais notável foi Mandela, foi uma organização terrorista culpada de atos terroristas e assassinatos contra a população civil, não só contra a gente branca mas contra os negros que se negaram a apoiá-los.
Enquanto Mandela fazia sua campanha, o CNA assassinou e torturou camponeses brancos sem que os meios de comunicação falassem a respeito. Após o triunfo de Mandela o CNA passou de organização terrorista a um partido legal, e sua política racista continuou.
Muito dirão que Mandela abandonou a violência mas se equivocam. Durante seu tempo na prisão o presidente Botha ofereceu a Mandela sua liberdade em troca de que renunciasse à violência, mas seu oferecimento foi rechaçado e Mandela nunca renunciou à violência publicamente.
Deixando de lado seu apoio ao terrorismo, o governo do “beato” Mandela foi catastrófico para a África do Sul. Sendo um dos países mais estáveis e prósperos do continente africano passou a ser um país afundado na violência e na ruína econômica. 
"Os internacionalistas cubanos fizeram muito pela independência, liberdade e justiça africanas." (Nelson Mandela)
Atualmente a África do Sul é um dos países mais inseguros e violentos do mundo, tem a maior quantidade de infectados pelo vírus da AIDS e a violência é o pão de cada dia. Entre 20.000 e 25.000 pessoas morrem por ano vítimas da violência em um país multi-cultural e “pacífico”. Durante o governo de Mandela e o CNA, a economia próspera da nação foi para baixo trazendo pobreza, desemprego, violência e falta de oportunidades.
Mandela e o CNA trouxeram também a decadência moral do país. Foram eles que legalizaram o aborto, o jogo e a pornografia. Coisas típicas e legais nos regimes democráticos. As políticas racistas do CNA não são só contra as pessoas brancas senão contra os negros como as pessoas da etnia Zulu. No verão de 2008 o CNA cometeu uma multidão de assassinatos contra imigrantes procedentes de Moçambique, Malawi e Zimbabue.
A moeda sul-africana, que em outros tempos foi de alto valor, em que pese o bloqueio da extinta União Soviética, hoje vale quase nada na África do Sul, o fracasso econômico é evidente em que pese que os meios de comunicação pintarem o país como um paraíso tolerante e multi-cultural.
Concluindo, pode-se dizer que a revolução de Mandela deixou o país na ruína e no caos, porém isso trouxe a democracia, o governo tão santificado e perfeito que nos pintam, e que na realidade é uma falácia que custou milhões de vidas e a decadência da espécie humana.
Mandela como político foi um fracassado que colapsou uma potência econômica, que fomentou o ódio e cujo legado é uma onda de mortes, violações e crimes que ainda perduram no país.
No ano de 2009 a ONU declarou o dia 18 de julho como o “Dia Internacional de Nelson Mandela”, uma mostra de até que ponto o Sistema pode fabricar um ídolo para as massas em cumplicidade com os meios de comunicação e uma espécie decadente cheia de “heróis”.
Atualmente e enquanto o país está afundado na pobreza, enquanto milhares de africanos enfrentam diariamente a insegurança e o desemprego, Mandela viveu em sua mansão rodeado de segurança e a comodidade que o povo não tem.
Nelson Mandela foi amigável com o ditador Africano - canibal assumido - Idi Amin Dada de Uganda. Depois de sequestrar um avião de carga com judeus e outras vitimas em 1976, um grupo de terroristas muçulmanos do PLO-Fatah teve autorização de Amin para trazer seus reféns para o aeroporto de Uganda em Entebbe (antiga capital de Uganda).
Sabemos que morrerá dentro de pouco e que nunca pagará por seus crimes, que o mundo continuará admirando-o, mas o verdadeiro Nelson Mandela não desaparecerá, o político inepto, o racista, o terrorista, a mentira fabricada pelo Sistema. Por mais mentiras que os meios de comunicação continuem mantendo sobre este falso herói algum dia a verdade sairá à luz. Mandela morrerá em sua cama, as massas lhe vão chorar e fazer homenagens sem que o mundo saiba de seu lado obscuro. Um verdade que sairá à luz e então o ídolo com pés de barro se derrubará.
Notas da tradutora:
[1] Esse artigo foi escrito em junho de 2013, quando ele esteve internado por um longo período.
[2] Para corroborar o se diz nesse artigo, veja-se também esta carta do capo do bando terrorista do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, por ocasião da internação de Mandela em junho de 2013: https://www.eln-voces.com/index.php/es/nuestra-voz/comando-central/450-carta-abierta-del-eln-a-madiba
[3] E finalmente, no vídeo “De terrorista a Prêmio Nobel”, Olavo de Carvalho reafirma o que foi dito no artigo: http://www.youtube.com/watch?v=kFdTUVlbhgc
Tradução: Graça Salgueiro

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Contos de Natal

Dos dois contos de fadas do Natal - o do Papai Noel e o do Cristo -, por que só o primeiro, às crianças, quando essas crescem, tem a sua natureza de lenda, de mito, de delírio, revelada?
E como conseguem se desvencilhar tão facilmente da ilusão que é um, o conto do Papai Noel, e continuarem a acreditar piamente na mentira deslavada que é o outro, o conto do Cristo?
Ainda mais que o primeiro, o do Papai Noel, é muito mais verossímel que o segundo, o do Cristo. É bem mais plausível um caucasiano nórdico, corado e bem nutrido, burguês, abastado, recluso, que mantém uma tropa de anões deformados a seu serviço, em condições de subemprego, quase de escravidão, do que um salvador nascido de uma virgem fecundada por um tal Espírito Santo, que me parece uma espécie de um boto do Senhor, um boto cósmico.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Pequeno Conto Noturno (35)

- Mas você sempre foi tão racional...
- Exato.
- Exato não é a mesma coisa que racional?
- Falei exato no sentido de que você está correto, de que está certo em dizer que eu sempre fui racional, mas, de qualquer forma, não, exato não é a mesma coisa que racional.
- ???
- Razão é proporção, é dosagem, é buscar o justo equilíbrio, que não é definitivo, que é periclitante; a grosso modo, razão é uma conta de dividir, que nem sempre é exata, aliás, na maioria das vezes, é uma sequencia infinita, periódica ou não, que estende a indefinição por toda uma vida, que estende o cuidado em manter uma constante ponderação. Razão não é a medida, é a justa medida, é o fio da navalha. Razão é o equilibrista em cima do muro, não o chão.
O balconista, interlocutor de Rubens nas madrugadas sem bucetas, traz outra dose dupla para Rubens, sem gelo, e também uma para si próprio; a tal hora, beber no serviço não dá demissão por justa causa para ninguém, justiça houvesse, ninguém teria que trabalhar a tal hora, nem beber, nem ficar insone.
- E onde foi que a coisa zangou dessa vez? -, pergunta o balconista.
- Num engano de razão. Quando conheci Malena, ela me pareceu a melhor proporção possível entre beleza e loucura, a cuba libre mais bem dosada que eu já havia tomado.
- Ainda não entendi, onde foi que você se fudeu?
- Num erro de cálculo, meu caro, na mais simples das operações matemáticas.
- ???
- Superestimei a beleza de Malena - e Rubens emborca tudo, uma escaldante dose dupla de rum enfiada goela abaixo -, e subestimei a sua loucura.
- Deixa ver se entendi, você pensou que tava comendo uma doidinha gostosa e tava era traçando uma mocreia surtada, foi isso?
- És um verdadeiro matemático, meu caro - e Rubens faz deslizar o copo vazio em direção ao balconista, que o enche, mas por precaução, quem sabe consideração, adiciona umas atenuantes pedras de gelo.
- E comeu ela muitas vezes? - quer saber o balconista.
- Muitas. E tava tudo dentro da normalidade, até o dia em que... comi o cu dela.
O balconista gargalha, alto e com gosto.
- Você e seus cus... puta que o pariu.
- Quando comi o cu dela, no dia seguinte, ela queria me acusar de estupro, saiu gritando sua intenção pelo corredor do prédio, pela portaria, berrava que iria à delegacia da mulher, que na cadeia é que eu ia saber a dor de um cu comido, essas coisas.
- Mas você não deu uma forçadinha, não?
- De jeito nenhum, ganhei aquele cu como ganhei todos os outros até hoje, na pura lábia, e depois de muitos bons tratos à buceta. Trate bem uma buceta e ganhará um cu, dificilmente falha.
O balconista ri de novo.
- E aí, como você livrou seu cu dessa?
- E aí que a demente levou a grana que eu tinha na carteira, uma cafeteira elétrica e a televisão.
- Tudo em troca do cu?
- Me saiu caro, esse cu.
- Prum cu, sim; para um acordo de um processo de estupro, até que saiu bem barato.
- Está certo outra vez, meu caro - e Rubens entorna metade do copo.
O dono do bar, sem dó nem piedade, decreta o fim da noite, acende as luzes, convoca os bebuns remanescentes a pagarem suas contas no caixa e dá ordens aos garçons para escancararem as portas, deixar entrar a realidade.
Rubens vira o último gole e sai sem se despedir do balconista, sair sem se despedir - ou chegar sem cumprimentar - é a despedida clássica de Rubens.
- Queria, de vez em quando, me fuder desse jeito - pensa em voz alta o balconista, casado há 18 anos com a mesma mulher.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Lodaçal

Só pode estar aqui dentro,
Essa coisa pastosa, rançosa. 
Não estão as pessoas todas por aí, 
Festivas, sorridentes, 
Atingindo-se com bons-dias, 
Boas-tardes e boas-noites? 

Só pode estar aqui dentro 
Essa fria cinza, poeira ranzinza. 
Não estão todos seguindo contentes, 
Doces e perfumados, 
Aconchegados em suas alegrias de hiena? 

Então, só pode mesmo estar aqui dentro, 
Esse visgo, esse piche gosmento, 
Esse amargor e esse azedume. 
Não pode vir de fora tal nauseabundo odor de estrume. 
Não estão todos felizes, 
Sem enxergar as grades, 
E procriando? 

Por isso quero drenar todo meu sangue, 
Ficar exangue. 
Desidratar, 
Afogar em minha transpiração lodosa de mangue. 
Bombear, pelo esôfago, 
Muco, ácido e fel. 
Vomitar essa podre melancolia, 
Esse tétano que me achaca os rins 
E me arqueia as costas.

Só pode vir de dentro. 

Por isso, quero inflar, 
Inchar e explodir 
Em milhões de pedaços de bosta.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Bukowski, Nunca Olhar

nunca olhar
esse é o segredo: nunca olhar.
"você nunca olha para as pessoas," uma namorada costumava
me dizer.
eu tinha um motivo, eu não queria ver o que estava
lá, eu me sentia melhor sem aquela
realidade.


existem milhares de exemplos do que quero dizer com
isso, mas uma vez que ambos têm muitas outras coisas para
fazer, eu apenas ilustrarei com
alguns:
dizer, se eu embarcava em um jato e eu via o primeiro piloto,
então seria um vôo muito
desconfortável
ou dizer, nas corridas de cavalo se eu olhava para quem
iria conduzir o cavalo que eu
escolhi
então eu sabia que nunca poderia
apostar naquele cavalo.
ou dizer, (e eu percebo que você pode não
compreender este) se eu visse os rostos das
vencedoras de um concurso de beleza
eu quase sempre ficava
horrorizado.
e eu sei que é uma coisa terrível de dizer, mas
quando eu via centenas de rostos em um evento
esportivo
eu me tornava tonto com
descrença.


eu pareço estar deslocado nas multidões, eu não
pertenço.


eu estou melhor sozinho assistindo meus três gatos, eles são
atos verdadeiros de
vida.


eu posso 
olhar.
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sobre dor 
minha primeira e única esposa
fez uma pintura
e falou para mim
sobre ela:
"É tudo tão doloroso
para mim, cada pincelada é
dor...
um erro e
todo o quadro é
arruinado...
você nunca vai entender a
dor ... "


"olha, querida," eu
disse, "por que você não faz algo fácil
algo que você gostaria de
fazer?


"ela apenas olhou para mim
e eu acho que foi a sua
primeira compreensão da
tragédia de ficarmos
juntos.


tais coisas normalmente
começam
em algum lugar.