quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Elixir do Pajé

Você pode nunca ter ouvido falar de Bernardo Guimarães, ou ter ouvido e se esquecido dele, lá de suas aulas de literatura do ensino secundário, mas certamente sabe, ainda que não a conheça, como é meu caso, de sua obra mais famosa, A Escrava Isaura, que virou novela da Globo e coisa e tal, com a chatíssima Lucélia Santos no papel da protagonista. A novela fez um puta sucesso no Brasil e, um tempo depois, sucesso ainda maior na China e em Cuba; sim, em terras de Mao e Fidel. 
O sucesso foi tão estrondoso que Lucélia Santos chegou a visitar China e Cuba, onde foi recebida com honras e pompas dispensadas a um Chefe de Estado, como uma heroína nacional pelos líderes dos dois países, que recomendavam, inclusive, aos seus compatriotas, que assistissem à novela.
Será que os líderes vermelhos se reconheceram na luta dos escravos brasileiros por liberdade? Será que reconheceram suas revoluções na conquista da abolição da escravatura, se identificaram na pele do escravo oprimido? Porra nenhuma! Muito pelo contrário. Os líderes comunistas se identificaram, sim, com o senhor de escravos, interpretado pelo magistral Rubem de Falco, que, mesmo apaixonado, maltratava e açoitava a indefesa Isaura. Sim, reconheceram-se não no oprimido, sim no opressor. Pois não é a total servidão do povo o principal ideal do comunismo?
Mas voltando à vaca fria, Bernardo Guimarães foi muito bom de romance, aquela coisa de donzelas sofridas, de paixões arrrebatadoras, proibidas e nem sempre correspondidas, de esperar meses pela carta do amado, de suspirar de saudades, de morrer de amor. Mas, além de romântico, Bernardo Guimarães também era homem e, pããããta que o pariu, como era : teve oito filhos.
Por mais romântico, cândido e idílico que tenha sido Bernardo Guimarães, ele era homem, tinha um pau pra cuidar e alimentar, um caralho para dar de comer. E não é que, justamente por isso, o romântico Bernardo Guimarães sabia bem escrever uma boa putaria, sabia bem escrever com estilo e galhardia uma boa duma sacanagem?
Recebi a dica de meu amigo virtual Zé, do Blogson Crusoe, que, talvez, tendo lido a postagem "A Lenda da Piroga de Cristal" e solidário à minha solitária cruzada de divulgar o folclore nacional, recomendou-me o poema "O Elixir do Pajé", de Bernardo Guimarães.
O poema narra, de forma épica, a história de um broxa que encontra a solução para sua paumolescência no elixir de um pajé, cuja receita fora passada ao mesmo pelo próprio demônio; e, no fim, o broxa é eleito o rei dos caralhos!
Ao ler o poema (e rir pra caralho), não pude deixar de me lembrar de meu finado avô Pebim; Peb, para os íntimos. O velho safado Peb era o rei das poções, o monarca das garrafadas; tinha-nas em quantidade, guardadas sob a pia da cozinha. Algumas eram paregóricos de propriedades digestivas e purgativas, era notório o pantagruélico apetite do velho Peb, assim como suas quilogrâmicas, megadecibélicas e sulforosas cagadas. Outras, supúnhamo-nas afrodisíacas; igualmente notório (e notável) era o apetite sexual do velho Peb. O velho Peb era um sátiro e um glutão. 
Olhando atentamente para as garrafadas do Peb, tentando lhes adivinhar a composição, alguns tios reconheciam umas folhas de catuaba aqui, umas casquinhas sobrenadantes de amendoim ali, mas elas eram combinados complexos, intrincados e potentes das mais diversas e quase que desconhecidas ervas de nossa farmacopeia. Suas exatas e precisas formulações, assim como o ritual de sua preparação, morreram com o velho Peb.
Peb deve ter recebido suas receitas não do demônio, mas de alguém quase tão bom quanto ele, de seus antepassados da Calábria, machos das antigas, carcamanos e mafiosos, tutti buona gente! E o velho Peb não legou tão valiosa herança a nenhum dos seus, nem filhos nem netos. Tenho cá para mim que o Peb não considerou sua descendência digna de tal hereditariedade de conhecimentos; afinal, o que o velho Peb tinha de fogo e safadeza, os seus filhos e primeiros netos têm de sossego e mansidão. Aliás, se quiserem ter uma ideia da aparência física do Bepim, basta olhar pra foto do ex-presidente Figueiredo na postagem abaixo; cara de um, focinho do outro.
Agora, enfim, o poema "O Elixir do Pajé", a prosseguir em minha meta de difundir o bom folclore nacional e a agradecer ao Zé. Munam-se de um bom dicionário (como eu fiz) e deleitem-se com essa obra-prima da putaria, que literatura não se escreve somente com a pena, mas também com pau.
O Elixir do Pajé
(Bernardo Guimarães)
Que tens, caralho, que pesar te oprime
que assim te vejo murcho e cabisbaixo
sumido entre essa basta pentelheira,
mole, caindo pela perna abaixo?

Nessa postura merencória e triste
para trás tanto vergas o focinho,
que eu cuido vais beijar, lá no traseiro,
teu sórdido vizinho!

Que é feito desses tempos gloriosos
em que erguias as guelras inflamadas,
na barriga me dando de contínuo
tremendas cabeçadas?

Qual hidra furiosa, o colo alçando,
co'a sanguinosa crista açoita os mares,
e sustos derramando
por terras e por mares,
aqui e além atira mortais botes,
dando co'a cauda horríveis piparotes,
assim tu, ó caralho,
erguendo o teu vermelho cabeçalho,
faminto e arquejante,
dando em vão rabanadas pelo espaço,
pedias um cabaço!

Um cabaço! Que era este o único esforço,
única empresa digna de teus brios;
porque surradas conas e punhetas
são ilusões, são petas,
só dignas de caralhos doentios.

Quem extinguiu-te assim o entusiasmo?
Quem sepultou-te nesse vil marasmo?

Acaso pra teu tormento,
indefluxou-te algum esquentamento?
Ou em pívias estéreis te cansaste,
ficando reduzido a inútil traste?
Porventura do tempo a dextra irada
quebrou-te as forças, envergou-te o colo,
e assim deixou-te pálido e pendente,
olhando para o solo,
bem como inútil lâmpada apagada
entre duas colunas pendurada?

Caralho sem tensão é fruta chocha,
sem gosto nem cherume,
lingüiça com bolor, banana podre,
é lampião sem lume
teta que não dá leite,
balão sem gás, candeia sem azeite.

Porém não é tempo ainda
de esmorecer,
pois que teu mal ainda pode
alívio ter.

Sus, ó caralho meu, não desanimes,
que ainda novos combates e vitórias
e mil brilhantes glórias
a ti reserva o fornicante Marte,
que tudo vencer pode co'engenho e arte.

Eis um santo elixir miraculoso
que vem de longes terras,
transpondo montes, serras,
e a mim chegou por modo misterioso.

Um pajé sem tesão, um nigromante
das matas de Goiás,
sentindo-se incapaz
de bem cumprir a lei do matrimônio,
foi ter com o demônio,
a lhe pedir conselho
para dar-lhe vigor ao aparelho,
que já de encarquilhado,
de velho e de cansado,
quase se lhe sumia entre o pentelho.
À meia-noite, à luz da lua nova,
co'os manitós falando em uma cova,
compôs esta triaga
de plantas cabalísticas colhidas,
por sua próprias mãos às escondidas.

Esse velho pajé de pica mole,
com uma gota desse feitiço,
sentiu de novo renascer os brios
de seu velho chouriço!

E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea
de noite ou de dia,
fodendo se via
o velho pajé!

Se acaso ecoando
na mata sombria,
medonho se ouvia
o som do boré
dizendo: "Guerreiros,
ó vinde ligeiros,
que à guerra vos chama
feroz aimoré",
- assim respondia
o velho pajé,
brandindo o caralho,
batendo co'o pé:
- Mas neste trabalho,
dizei, minha gente,
quem é mais valente,
mais forte quem é?
Quem vibra o marzapo
com mais valentia?
Quem conas enfia
com tanta destreza?
Quem fura cabaços
com mais gentileza?"

E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea,
fodia o pajé.

Se a inúbia soando
por vales e outeiros,
à deusa sagrada
chamava os guerreiros,
de noite ou de dia,
ninguém jamais via
o velho pajé,
que sempre fodia
na taba na brenha,
no macho ou na fêmea,
deitando ou de pé,
e o duro marzapo,
que sempre fodia,
qual rijo tacape
a nada cedia!

Vassoura terrível
dos cus indianos,
por anos e anos,
fodendo passou,
levando de rojo
donzelas e putas,
no seio das grutas
fodendo acabou!
E com sua morte
milhares de gretas
fazendo punhetas
saudosas deixou...

Feliz caralho meu, exulta, exulta!
Tu que aos conos fizeste guerra viva,
e nas guerras de amor criaste calos,
eleva a fronte altiva;
em triunfo sacode hoje os badalos;
alimpa esse bolor, lava essa cara,
que a Deusa dos amores,
já pródiga em favores
hoje novos triunfos te prepara,
graças ao santo elixir
que herdei do pajé bandalho,
vai hoje ficar em pé
o meu cansado caralho! 

Vinde, ó putas e donzelas,
vinde abrir as vossas pernas
ao meu tremendo marzapo,
que a todas, feias ou belas,
com caralhadas eternas
porei as cricas em trapo...
Graças ao santo elixir
que herdei do pajé bandalho,
vai hoje ficar em pé
o meu cansado caralho!

Sus, caralho! Este elixir
ao combate hoje tem chama
e de novo ardor te inflama
para as campanhas do amor!
Não mais ficará à-toa,
nesta indolência tamanha,
criando teias de aranha,
cobrindo-te de bolor... 

Este elixir milagroso,
o maior mimo na terra,
em uma só gota encerra
quinze dias de tesão...
Do macróbio centenário
ao esquecido mazarpo,
que já mole como um trapo,
nas pernas balança em vão,
dá tal força e valentia
que só com uma estocada
põe a porta escancarada
do mais rebelde cabaço,
e pode em cento de fêmeas
foder de fio a pavio,
sem nunca sentir cansaço...

Eu te adoro, água divina,
santo elixir da tesão,
eu te dou meu coração,
eu te entrego a minha porra!
Faze que ela, sempre tesa,
e em tesão sempre crescendo,
sem cessar viva fodendo,
até que fodendo morra!

Sim, faze que este caralho,
por tua santa influência,
a todos vença em potência,
e, com gloriosos abonos,
seja logo proclamado,
vencedor de cem mil conos...
E seja em todas as rodas,
d'hoje em diante respeitado
como herói de cem mil fodas,
por seus heróicos trabalhos,
eleito rei dos caralhos!
Bernardo Guimarães

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Lenda da Piroga de Cristal

Em todo 31 de outubro, posto aqui um texto sobre o Dia do Saci, data criada por Aldo Rebelo em contraposição ao enlatado Halloween, o dia das bruxas dos ianques.
Homenagem mais que justa e merecida. O Saci, em minha imodesta opinião, é a figura folclórica que, para o bem e para o mal, melhor representa o brasileiro. O Saci é o Macunaíma de uma perna só!
Na homenagem desse ano, nos comentários do blog, fui indevidamente zoado pelo meu velho camarada Marcellão, que duvidou de meu civismo folclórico e da brasilidade de minhas sinceras palavras ao perneta de barrete vermelho, só pelo fato de que eu, em minha adolescência e parte da vida adulta, fui grande aficionado dos quadrinhos de super-heróis, produto genuinamente ianque, estadunidense por excelência.
Suas exatas palavras foram : "Mestre Azarão, quanta brasilidade, eu até coloquei aquarela do Brasil para ler suas Gonçalvesdianas palavras. Palavras essas que deixariam um amigo meu um tanto embaraçado, sabe por quê? Pasme, grande mestre, ele é fã de ..quadrinhos Americanos, sim, e o pior ele é fã de um dos maiores ícones do "american way of life" o Capitão América e o pior de tudo: ele não me empresta o Heróis da TV número 5. É brincadeira ? Viva o saci!" 
Amigo é pra essas coisas : pra nos ferrar, pra botar no nosso rabo! Ou, pelo menos, para tentar. Tiro o meu da reta a dizer que, no fim das contas, interesso-me por lendas e mitos em geral. O que são os super-heróis, se não os deuses e semideuses modernos do panteão da cultura pop? Quem pode negar toda a mitologia por detrás do Super-homem, do Homem Aranha etc? Há mesmo deuses antigos inseridos e adaptados à mitologia dos super-heróis, Thor, Hércules, Odin, Hipólita, a rainha das amazonas e outros.
E para provar que sou grande entusiasta da mitologia tupiniquim, aproveito o ensejo para divulgar uma das lendas mais belas e românticas do folclore amazônico, e uma das mais desconhecidas também : A Lenda da Piroga de Cristal. Piroga, como todo mundo sabe, é aquela canoa indígena feita a se escavar um único tronco de árvore e, por isso, de tamanho variável. Tem índio com piroga grande, tem índio com piroga pequena e tem índio com piroga enooorme, como é o caso do índio da lenda em questão, o Boi Xavante, que confeccionou sua piroga a partir de um imponente jequitibá.
A lenda é cantada em música e verso por um dos maiores estudiosos de nosso folclore, o também comediante Paulo Silvino - ah! como era grande...
E antes que eu me esqueça, Marcellão : vá arrumar uma piroga pra envernizar!!!

A Lenda da Piroga da Cristal
(Paulo Silvino)
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar


Falado: "Essa é a lenda da Piroga de Cristal. Uma história escrita num tempo muito remoto, quando o Brasil nem era Brasil: era Pindorama. As pirogas, como vocês sabem, são as canoas dos índios. E tem índio com piroga pequena, piroga grande, depende do tamanho das árvores que eles derrubam para esculpir no seu tronco a piroga. Essa lenda conta o caso do índio Boi Xavante que derrubou um enorme Jequitibá e fez uma piroga imensa que ele mantinha sempre envernizada com óleo de carnaúba. Ele era muito repeitado na tribo toda por causa disso, porque ele alimentava toda a tribo com aquela piroga. Voltava sempre da pesca com a piroga cheia de peixe, e de vez em quando vinha até um siri preso na piroga. Era uma loucura! Até que um dia…"

Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar


Boi Xavante, índio bravo
Com um enorme pirogão
Raptou a índia filha
Do cacique Gavião

Seu marido, Cão do Norte
Aliou-se ao Pajé
Procurando vingar com a morte
A desonra da mulher


Destruam a piroga dele
Botem fogo na piroga dele
Pulverizem a piroga dele
Acabem com a piroga dele


Mas, Jaci ouviu
As preces do casal
E transformou a embarcação do Boi Xavante
Numa bela piroga de cristal

Mas a índia estabanada
Foi dançar de empolgação
Deu com o pé na bola errada
E quebrou o pirogão


Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar


Destruam a piroga dele
Botem fogo na piroga dele
Pulverizem a piroga dele
Acabem com a piroga dele

Destruam a piroga dele
Botem fogo na piroga dele
Pulverizem a piroga dele
Acabem com a piroga dele


Mas, Jaci ouviu
As preces do casal
E transformou a embarcação do Boi Xavante
Numa bela piroga de cristal

Mas a índia estabanada
Foi dançar de empolgação
Deu com o pé na bola errada
E quebrou o pirogão


Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar.

Para ouvir a música, é só clicar aqui, no meu poderoso PIROGÃO. E para a postagem do Saci, aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Pequeno Conto Noturno (48)

Zelda e Rubens acabam de trepar. Zelda fica estendida na cama, a sentir os músculos retornarem suas fibras às suas posições originais, a aproveitar os últimos instantes de lassidão e languidez. Rubens volta da cozinha, duas latas de cerveja nas mãos, abre-as, passa uma para Zelda.
Zelda se senta na cama, usa a parede de espaldar, bota ombros, omoplatas e coluna no lugar, abre as pernas, flecte os joelhos e puxa o lençol para si, que passa a cobrir seus ombro e peito esquerdos, umbigo e entrepernas.
- Rubens...
- Fala.
- Essa é o quê, a quarta ou quinta vez que venho aqui?
- Quarta.
- Reparei que não há vida por aqui.
- Está se referindo à minha mais recente performance?
Zelda ri. Zelda e Rubens sorvem grande gole de suas cervejas.
- Nada disso, até que você ainda tá vivo nesse aspecto, meia-vida, digamos.
Rubens ri.
- Bom, a meia-vida do urânio 235 é de setecentos e tantos milhões de anos, e ele continua radiativo, virulento, vou tomar como um elogio - Rubens esvazia a lata. Volta com mais duas.
- É sério, Rubens, não tem nenhum outro ser vivo por aqui.
- Claro que tem. Aos milhões, bilhões. Estão por toda parte, pelo ar, chão, em cima da mesa, nessa cama, quiçá até trilhões de bactérias, fungos, vírus.
- Vá tomar no cu, você entendeu, né, Rubens? Não tem uma planta que seja.
- Como não? E meu velho companheiro, o pé de boldo lá da sacada? Parceiro fiel, comigo há coisa de uns oito anos, boa cepa de genes, ele vai crescendo, vira quase que um arbusto, aí eu corto e replanto uns galhos e ele cresce viçoso, de novo.
- Boldo nem é planta, Rubens, é mato.
- Estabeleça a diferença.
- Tá querendo ganhar tempo pro pau subir de novo, né?
- Pode ser...
- Planta é planta, porra... dá flor, tem cheiro.
- O boldo também já deu flor uma vez, uns cachos roxos, cada flor parecendo um tamanco holandês, tenho fotos se quiser ver.
- Uma vez em oito anos.
- Sou um humilde contemplador do universo, contento-me com o que a natureza me oferece.
Zelda e Rubens arrematam a segunda lata. Rubens volta com mais duas.
- Já tive também uns dois cactos, morreram de sede.
- Tô falando sério, Rubens. Uma samambaia, uma azaleia, uma gérbera, uns crisântemos...
- Uma peônia...
- O quê?
- Esquece, história antiga. Iria morrer tudo, Zelda, jogo água e tal, mas não vai. Leu O Menino do Dedo Verde? Pois sou o cara do dedo cinza.
- Você conversava com elas, as acariciava?
- Tá de sacanagem, né?
- Verdade, elas têm que se sentir desejadas no ambiente.
- Quer que eu traga um refrigerante pra você, Zelda, acho que tá bebendo rápido demais.
- É sério.
- Pra falar a verdade, tentei uma vez, com umas begônias, mas não deu muito resultado. Não sei se elas eram surdas, mas eram mudinhas, entendeu?, não foi estabelecido um diálogo.
-Vá tomar no cu.
Rubens volta com mais duas latas.
- Então, um gato, Rubens. Adote um gato. Eles não vão te dar trabalho, são até parecidos com você, quietos, alheios, não escutam quando a gente fala, indiferentes, enigmáticos, ou vazios, sabe-se lá, e adoram lamber um cu.
Rubens ri, ri alto e pra caralho.
- Se gostam de lamber um cu, são dos meus, mas daí a adotar um...
- Eles são totalmente independentes, Rubens. Você deixa a comida na vasilha e eles comem na hora em que querem, vão comendo ao longo do dia, não tem que sair pra passear com eles, não tem que recolher os excrementos, basta ter uma caixa de areia e eles fazem tudo nela, no fim do dia, é só tirar a areia suja e pôr nova.
- Quer dizer que vou virar gari de gato? Garimpeiro de bosta de gato numa caixa de areia?
- Deixa de ser chato, eu arrumo um pra você. Melhor que seja uma fêmea. Está decidido, vou arrumar uma gatinha pra você, e você poderá chamá-la de Zelda, o que acha?
- Olha - começa Rubens, esvazia a lata, para de falar e busca mais duas; volta, senta-se de frente pra Zelda, olha pra sombra negra e densa entre as pernas dela que se faz translúcida pelo puído do lençol.
- Olha, por falar em gatos, bichanos etc, tem uma xaninha, sim, que pode me interessar - sem tirar os olhos da buceta cabeluda de Zelda.
- Ah, é? - Zelda que não é boba nem nada.
- É.
- E você vai cuidar bem da xaninha? Acariciar, fazer cafuné?
- Acaricio, faço cafuné, dou beijinhos e até cuido da higiene dela, dou uns banhos de língua nela...
- Dá uma aparadinha nos pelos dela quando estiver muito calor?
- Jamais. Aliás, ela está bem peluda, um belo tufo, é angorá?
Zelda ri.
- Safado, sabe que eu nunca toso a xaninha quando venho pra cá.
Rubens vai à geladeira e volta com mais duas. Zelda mandou o lençol que a cobria à puta que o pariu; porém, suas costas continuam apoiadas na parede; suas pernas, abertas e seus joelhos, flectidos.
- Quer mesmo a xaninha da Zelda, Rubens?
- Quero. E a caixa de areia, também.

O Dia do Poeta

O poeta acordou com ressaca, 
Poderia ter ficado mais um pouco à cama, o poeta, 
Mas ainda assim levantou; 
O poeta coou seu café amargo, 
Café que já é mais rotina que vício 
E de vícios precisa o poeta 
Da rotina, apenas para morrer; 
O poeta alimentou os gatos 
(sua única poesia do dia), 
O poeta varreu, esfregou, encerou 
Em faxina geral, gastou-se o poeta; 
O poeta foi ao supermercado, 
Enfrentou as filas dos frios, do varejão e do caixa, o poeta, 
O poeta enfrentou a burrice humana, 
À caça pelas prateleiras de cores e coisas inúteis, a burrice humana, 
O poeta achou que conseguiu não se exasperar muito; 
O poeta cozinhou o almoço, 
O poeta esperou o almoço cozinhar a tomar aguada cervejinha. 
O poeta comeu muito, 
O poeta ainda tinha fome, 
Não do tipo que se aplaca com algo mastigável, a fome a persistir no poeta; 
O poeta cochilou vespertino, 
Abatido pela leseira pós-prandial, o poeta. 
O poeta despertou 3/4 de hora depois, 
Ressaca de um dia perdido azedava a boca do poeta, 
O poeta não encontrou quem ele queria ter encontrado, 
O poeta não escreveu o que ele queria ter escrito; 
O poeta esperou a noite adiantar-se, 
O poeta foi dormir; 
O poeta tem emprego chato e estável amanhã pela manhã.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

VEGETANDO

Há uma incorreção em relação ao termo que dá nome a esta postagem, vegetando. Incorreção não no vocábulo em si, mas sim no sentido coloquial e mundano atribuído a ele; sentido esse que, inclusive, os dicionários corroboram em uma de suas acepções.
Vegetar, aos olhos e na voz dos léxicos humanos (que isso fique bem claro), significa : levar uma existência sem atividades, inútil, improdutiva, inerte etc etc.
Nada mais equivocado. E preconceituoso, por parte do bicho homem. Nada pode ser mais diligente que uma planta. Os vegetais obviamente não se deslocam, mas daí a estarem "parados", vai uma distância muito grande.
Nada é mais dinâmico, ativo e produtivo que o ato de vegetar. Cada célula da planta é um laboratório de primeiríssima linha operando a todo vapor, seus fornos, cadinhos e retortas trabalham em ritmo frenético - se comparadas a elas, as nossas células, as dos animais, são laboratoriozinhos de escola secundária; pública, ainda por cima.
Vegetar, portanto, em seu real sentido biológico, se justiça fosse feita aos vegetais, ou se uma samambaia pudesse escrever um dicionário, é o extremo avesso do estabelecido pelo senso comum, é atividade elaborada e ininterrupta.
Vegetar, entre outras coisas, significa recolher e processar substâncias simples do meio, como água e gás carbônico, e vertê-las em matéria orgânica (conhecida popularmente como alimento, rango) e gás oxigênio. Só isso! 
Você é capaz de uma proeza dessas, humano pretensioso, suprassumo da criação?
Antes a menina da ilustração, de John Holford, estivesse mesmo a vegetar. Ela e toda a geração atual de jovens, doentes, dependentes físicos e psicológicos dos telefones celulares. Ela e toda essa geração de jovens conectada (leia-se, agrilhoada) à matrix, alheia à realidade.
Antes a moça estivesse a vegetar. Antes estivesse a recolher informações, elementos e dados do mundo que a cerca e os processando, desconstruindo-os, recombinando-os, produzindo seus próprios pensamentos e pontos de vista, o seu próprio "oxigênio". Mas não. 
O termo correto para a ilustração, uma vez que meu enfoque é na menina, e não na hera que sobe por ela, é morgando. De morgue. Necrotério.
Mudando o foco, concentrando-me na hera, o título está perfeito, fidedigno, vegetando. A hera vegeta soberbamente, alastra-se de forma exuberante, brota a plenos sentidos, escala a menina como quem estivesse indistintamente aderindo a uma encosta íngreme, a um paredão rochoso, à fachada sombreada de uma casa, a um muro com infiltração. Pouca coisa mais que isso, a menina é.

Acabou a Graça Para os Assasinos do Charlie Hebdo

Hoje, apenas dois dias após o atentado canalha que matou 12 jornalistas do jornal francês Charlie Hebdo, a França já deu sua resposta aos assassinos : "Os irmãos suspeitos no ataque ao jornal satírico "Charlie Hebdo" estão mortos", disse a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e a polícia. Os irmãos Said Kouachi 34, e Cherif Kouachi, 32, morreram em uma muito bem planejada operação policial enquanto mantinham um refém em uma pequena gráfica em Dammartin-en-Goële, a 35 km a nordeste da capital francesa.
Lá para aqueles lados, lá onde os ventos sopram a verdadeira liberdade e democracia, não tem conversa com bandido, não. A solução é rápida, rasteira e eficiente. E sumária. O cara ganha uma passagem só de ida pro inferno, vai sentar na rola do capeta, e não tem conversa.
Esta é mais uma das incontáveis diferenças entre uma nação verdadeiramente desenvolvida, feito a França, onde não há distorções do conceito de liberdade, muito menos de sua prática, e uma republiqueta de bananas fadada ao perpétuo subdesenvolvimento, feito o Brasil. Mais uma das inumeráveis diferenças entre um país fundado e governado por pessoas de bem, a França, e um fundado e governado até hoje por bandidos. 
Em terras de Charles de Gaulle, bandido é tratado como bandido, à bala, fuzilado, morto primeiro pra não ter que ser interrogado depois; já em terra de degrados e de guerrilheiros que envergam a faixa presidencial, bandido é tratado a pão de ló, algumas vezes com mais direitos e regalias do que tem um trabalhador honesto. Pudera, há uma grande consciência de classe entre os criminosos. Os que ascendem em suas carreiras, que chegam a edis, prefeitos, parlamentares etc, não esquecem dos seus, fazem as leis para favorecer os colegas menos brilhantes, menos talentosos.
Façam-me um favor os que estiverem acompanhando de perto os fatos do atentado ao Charlie Hebdo, em suas leituras, se encontrarem qualquer coisa, uma notinha de rodapé que seja, sobre grupos de defensores dos direitos humanos chiando e enchendo o saco das autoridades policiais francesas, enviem-me, que eu publico aqui. Duvido que encontrem.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Os Gatos de Bukowski

Sei de muitas pessoas que não gostam de gatos. Sentem desconforto frente a eles, têm-lhes mesmo repulsa, aversão, ganas de exterminá-los.
À parte serem uns canalhas dignos de forca, pudera. O ser humano tende a repelir e a odiar com todas as suas forças tudo o que não compreende, o que não consegue controlar e subjugar, do que morre de inveja.
O ser humano não compreende o gato, sequer tem a certeza de como tenha se dado a aparente domesticação do elegante animalzinho. Enquanto o cão doméstico surgiu concomitantemente em várias regiões do planeta, a origem do gato caseiro teve um único epicentro, de onde, depois, foi levado a outras plagas : o antigo Egito, em plena aurora dos faraós, e deles era dileto mascote, compunha até o panteão de seus deuses, havia uma deusa-gata.
Quem garante que os gatos não nos chegaram a bordo das mesmas naves intergalácticas que por aqui desembarcaram faraós e deuses egípcios, ou, pelo menos, que não tenham por eles sido engendrados a partir da modificação genética de uma espécie nativa? Os gatos são enigmas, são pirâmides que deslizam fidalgas sobre quatro almofadadas patas.
Não há sequer indícios seguros de que o homem tenha domesticado o gato. Todos os animais que o homem domesticou, fê-lo para imputar algum fardo laborial ao bichinho, fê-lo com intenção puramente utilitarista. O cão, para a guarda e defesa da tribo e como auxiliar nas caçadas; o cavalo, transporte e força motriz; o gado bovino, carne, leite e couro para vestuário.
E o gato? De que uso prático e mundano é o gato para o homem? Com que intenção o homem o teria domesticado? A resposta é : o homem não domesticou o gato, não o convidou à sua casa. Se alguém é de utilidade para alguém, é o homem para o gato.
O provável é que o gato - ardiloso, manhoso e velhaco que só ele - tenha se oferecido em domesticação, de olho em abrigo e comida; o provável é que o gato tenha se convidado a entrar em casa humana e, com seu jeito discreto, furtivo, come-quieto, foi ficando, ficando...
Ao contrário do que ocorreu ao cão, ao cavalo etc, o homem não selecionou no gato as características de seu interesse - não havia nenhuma que fosse - : foi o gato que selecionou os humanos que se lhe prestavam à convivência. O homem foi escolhido pelo gato. O gato domesticou o homem para seus fins. Daí, a incompreensão do doutrinador doutrinado, o incômodo, o desejo, muitas vezes, de matar seu adestrador.
O homem, igualmente, não consegue controlar e subjugar o gato. O cão é um perfeito idiota babão, puxa-saco do homem; o homem diz, senta, e o bicho senta, diz, rola, e o bicho rola, joga um pedaço de pau e o bicho corre, pega e trás de volta, todo bobo alegre e festivo; por isso, o homem diz do cão o seu melhor amigo, o au-au faz tudo o que o bicho homem lhe ordena.
Alguém, por outro lado, já viu um gato adestrado? Ao comando humano, um gato se sentar, rolar, dar a pata e abanar o rabinho? O gato tá cagando pro homem. Experimente arremessar um graveto e ordenar que um gato o pegue. O bichano o olhará com um ar de indiferença, de enfado, virar-lhe-á as costas, sairá andando lânguida e sinuosamente, de rabo levantado, mostrando-lhe o cu, e aninhar-se-á em algum canto da casa, para uma boa soneca.
O gato não se prostitui pela ração barata que o homem lhe dá. O gato tem dignidade, tem amor-próprio. Eis outra grande evidência de que o homem não selecionou o gato, pois dignidade e amor-próprio são características que não lhe interessam selecionar em nenhuma espécie; nem nele mesmo.
E o homem morre de inveja dos gatos. Da liberdade noturna deles - gatos tem pirilampos por olhos, são pequenas luas argênteas, ágeis e com molas nas articulações -, de suas felinas distinção e elegância - por isso, por despeito, diz que todos são pardos -, de seus arrojo e leveza - gatos são tufos de paina com garras retráteis -, até da vida sexual dos gatos, o homem tem inveja - gatos são semideuses bacantes a fecundar os telhados.
Já eu, eu sou um entusiasta declarado dos gatos. Sou deles um confesso domesticado. Admiro-lhes a altivez, a galhardia, a graça fluida e esguia do andar. Encanta-me a independência deles. O cão, o dono tem que dar banho, ficar catando as bostas e lavando a urina espalhadas pelo chão, tem que levar pra passear etc, não faz porra nenhuma sozinho, o cão, um completo retardado. Com o gato, não tem nada dessas frescuras. O gato se banha com a própria língua e tem a refinada educação de enterrar seus dejetos - o gato é autolimpante. Já viram alguém a passear com um gato numa coleira? Claro que não. O gato traça suas próprias rotas, e não gosta muito de companhia ao caminhá-las. 
Independência, o seu nome é gato. Já viram alguém domesticado ser independente?
Arrebata-me, em definitivo, usufruir da luxuosa e discreta companhia dos gatos. O gato fica ali com você, mas na dele, não superlota o espaço com arfares, babares e ganidos. O gato é a melhor companhia que um solitário pode querer. 
Não à toa, o gato é o parceiro preferido dos grandes pensadores - afinal, quem é que consegue pensar em algo com um cachorro babando em sua perna e querendo brincar de ir pegar graveto? -, dos grandes escritores - os gatos são contemplativos, mesclas de solidão e melancolia.
Entre os aficionados por gatos, estão : Charles Bukowski, Truman Capote, Jorge Luis Borges, Ernest Hemingway, Neil Gaiman, Stephen King, Edgar Allan Poe, Patricia Highsmith, William S. Burroughs e Julio Cortázar.
Dos gatos, disse, certa vez, o velho sujo Bukowski, que chegou a ter nove de uma só vez : "Gosto de olhar os meus gatos, eles me acalmam. Eles me fazem sentir bem. Você sabia que os gatos dormem 20 das 24 horas do dia? Não se admira que tenham melhor aparência do que eu. Na minha próxima vida, quero ser um gato. Dormir 20 horas por dia e esperar ser alimentado. Sentar por aí lambendo meu cu. Os humanos são desgraçados demais, irados demais, obcecados demais".
Eu sempre tive gatos por animais de estimação. Corrijo : eles sempre me tiveram, sempre tive o privilégio de me elegerem para o seu dono de estimação. Houve a Quica, uma esbelta e delgada siamesa; nas madrugadas que eu varava a estudar para as provas da faculdade, ela se postava à minha frente, em cima da mesa, geralmente sobre um livro ou caderno, e ficava lá, em pé e imponente a me olhar, sem produzir único ruído, uma verdadeira estátua egípcia, uma pequena Bubastis.
Hoje, tenho duas gatas em casa, a Pretinha, exímia caçadora de beija-flores, e a Cleonice, minha parceira sempre presente e, no mais das vezes, imperceptível, como os gatos são mestres em ser. Estou na cozinha a preparar alguma comida e ela está a me observar, a me vigiar e guardar; estou a fazer faxina e ela segue o suado caminho da vassoura, a brincar e pular com os ciscos recolhidos do chão; se tiro um cochilo à tarde, ela vem se encostar em mim. 
Ao fim da noite, ou ao começo da madrugada, quando esposa e filho já estão a dormir, quando a própria casa ressona em profundo, geralmente me sento à sacada para contemplar a cidade, ouvir uma musiquinha, escrever minhas coisas, matar a última lata de cerveja, e a Cleonice vem. Pula em meu colo, roda, afofa meu colo com suas unhas e se enrodilha, sem peso algum. E fica. A ouvir minhas músicas, a escutar meus pensamentos... seu eu pudesse, sairia em desabalada carreira com ela pelos telhados.
Então, pego e leio um poema do Bukowski para ela. Não sei se ela entende, o que sei é que seu peito vibra e ronrona. E o meu também.
Bukowski e suas companhias prediletas : seus escritos, a birita e os gatos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Capô de Fusca

Eis o verdadeiro e autêntico capô de fusquinha! 
Pããããããta que o pariu!!!

Os 300 Sortudos da SEE

Sou funcionário público da área que hoje, por desplante, por sarcasmo, por canalhice mesmo, convencionou-se chamar de "educação", e por muito tempo evitei fornecer ao Estado um endereço eletrônico meu, resisti em dar ao onipresente, onisciente e onipotente Sistema uma maneira de me achar fora do espaço físico de meu trabalho.
Meu trabalho não é virtual, é presencial, com horários rígidos de chegada e saída, com direito à falta-aula por mais de 5 minutos de um eventual atraso, bem diferente das outras funções da escola - secretários, coordenadores, diretores -, que podem chegar e sair (ou, pelo menos, chegam e saem) na hora em que bem entenderem ou julgarem necessário (mas, afinal, quem vigia os vigilantes? Quem põe falta para os guardiões do livro-ponto?). Logo, todo e qualquer aviso ou comunicado deveria me ser passado em local e horário de trabalho. Sem essa do profissional invadir minha vida pessoal. Quero entrar em minha caixa de e-mails e dar de cara com mensagens de amigos, com power points de mulher pelada, não com avisos do trabalho.
Evitei ao máximo, acreditem, fornecer um e-mail meu ao Estado. Aconteceu que, há coisa de 2 ou 3 anos, no recadastramento funcional anual obrigatório, realizado no mês do aniversário, e do qual dependem os recebimentos dos pagamentos subsequentes, um novo item passou a ser campo de preenchimento obrigatório : um e-mail pessoal. Sem o qual o recadastramento não é concluído, fica em aberto, e o salário não cai na conta já no mês seguinte.
Coação aceita, resto de alma vendida, passei a receber regularmente comunicados do patrão : data-limite para isso, data-limite para aquilo, e informações sobre os mais variados cursos de capacitação profissional oferecidos ao docente pela Secretaria Estadual de Educação (SEE). Todos eles, os cursos, inúteis. Para inglês ver. Para o Banco Mundial ver. Tudo blá-blá-blá (eu não te amo). Tudo encheção de linguiça peidagógica. Tudo masturbação de defunto. Inócuos, para dizer o mínimo. Não se prestam nem a placebos acadêmicos. Apenas para gerar certificados e dizer que o governo investe na formação continuada do professor.
A farsa é a mesma em todos os patamares. São emitidos diplomas de Ensino Médio para jovens semianalfabetos e certificados de cursos sem teor nem substância para os docentes.
Ontem, foi um pouco diferente. Ontem, não houve informe de urgentes pendências nem de dispensáveis cursos. Entrei em minha caixa de e-mails e dei de cara com a seguinte mensagem : Sorteio de livro. Abri e estava lá : Olá Servidor da Educação! Conheça os 300 mais sortudos da SEE. Já foram sorteados os 300 livros da escritora Leandra Zanqueta, que doou aos servidores da Educação o livro ‘Diálogo sobre Etiqueta no Facebook’, que foi lançado agora no Brasil. Todos os servidores da Educação puderam participar. O sorteio foi feito hoje, às 15 horas, por meio do site Sorteador. Para conhecer os ganhadores acesse a Intranet Espaço do Servidor.
Pããããta que o pariu!!! Que sortudos, hein? Que puta livrão, hein, Diálogo Sobre Etiqueta no Facebook!
E eu que cheguei a pensar, antes de abrir o e-mail, que o Estado pudesse estar a sortear, sei lá, a prosa completa de Machado de Assis, ou a poética do Bandeira, ou a Origem das Espécies do Darwin, ou ainda coleções de livros didáticos... Porra nenhuma. Etiqueta no Facebook. E me senti até comovido com a benevolência da autora, Leandra Zanqueta, doou aos servidores da educação... Que bom coração! Que incremento sem precedentes para o cabedal de conhecimentos do professor paulista!
Estará o Estado a fazer troça de seu professorado ao presenteá-lo com tal compêndio de futilidade e falta do que fazer? Estará a menoscabar da capacidade intelectual daqueles que empossou como mentores das novas gerações?
Nada disso! O Estado sabe bem o gado que ele toca. Sabe muito bem do nível dos professores que, de uns 10 anos para cá, ele atrai, propositalmente, para as salas de aula com o salário miserável que paga. 
O Estado não está a zombar das novas levas docentes ao sortear o citado "livro"; pelo contrário, está é a fazer um agrado para seu quadro docente, um mimo para os seus comandados, um agradecimento à sua estrondosa reeleição.
Repito, o Estado conhece muito bem o rebanho que tange. Sortear Machado de Assis para professores de português iletrados, "formados" em cursos a distância? Sortear Darwin para professores de biologia que creem em Adão e Eva?  Conheço um professor de biologia que é adventista do sétimo dia, outro que é testemunha de Jeová, um de Geografia que é evangélico.
Diálogo Sobre Etiqueta no Facebook é mesmo o máximo que seus entendimentos podem alcançar. E também o que lhes pode ser de mais "útil". Há tempos - e bota "tempos" nisso - que não vejo um professor com um livro em mãos, muito mal o didático de sua disciplina (eu, confesso tristemente, já fui leitor mais assíduo, hoje falta-me tempo, mas ainda assim me imponho, nem que seja de madrugada, a leitura obrigatória de dois livros mensais).
Só o que se vê nas mãos dos novos docentes (e nas de muitos dos velhos, também) é a porra do celular, smartphone ou como quer que chamem a essas estrovengas. 
E o que eles tanto consultam em seus oráculos eletrônicos? Leem as notícias do dia, pesquisam novos textos de suas disciplinas? Porra nenhuma. Ficam o tempo todo no facebook e, agora, no tal whatsapp.
Invariavelmente, chego às 7 da manhã na escola e já tem professor a ocupar os computadores da sala dos professores. No facebook. Computadores públicos, que são (seriam) disponibilizados apenas para atividades ligadas à prática docente. Pois o sujeito chega na escola, ainda limpando as remelas, e vai usar um computador público para assuntos particulares. E mesmo os que se utilizam de seus próprios computadores e celulares para acessar o "face", fazem-no pelo wi-fi da escola. Não há mais a menor distinção entre o particular e o profissional por parte da maioria dos novos docentes (e por muitos velhos, também, repito), seja em sala de aula, seja nos corredores da escola, seja na sala dos professores. Talvez porque não haja mais a parte profissional. 
E o que tanto fazem no facebook? Fica um cheirando o peido do outro! Um idiota coloca lá uma besteira e mil idiotas curtem e cutucam. Vai um cutucando o cu do outro e cheirando o dedo. Talvez venha disso a necessidade de uma certa etiqueta para o facebook, regras e maneiras corteses de bem cutucar o cu alheio, sem ofender. E o whatsapp, então? Noventa por cento do que já vi ser enviado são fotos de pinto, de caralhão!
Diálogo Sobre Etiqueta no Facebook é, sem sombra de dúvida, o melhor presente que o Estado pode ofertar aos seus professores. E ainda tem gente que reclama do Alckmin...
E tem mais : o sorteio não foi realizado aleatoriamente entre todos os professores do Estado, não foi extensivo a todo o universo docente paulista; os livros foram sorteados apenas entre os professores que se inscreveram para ele. Sim, o cara se inscreveu para concorrer ao Diálogo Sobre Etiqueta no Facebook.
E foi mais disputado que vestibular pra Medicina. Pããããããta que o pariu!!!
Abaixo, a preciosidade que não pode faltar em nenhuma biblioteca que se preze. Parece que até as bibliotecas Britânica, a British Library, e a de Coimbra encomendaram uns exemplares; para colocá-los lado a lado, respectivamtente, com os originais de Shakespeare e James Joyce e os manuscritos dos Lusíadas.
E o professor paulista ganhou-o, de graça! Que sorte!!!

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (9)

Juca Chaves é conhecido pela grande maioria apenas pelo talentosíssimo humorista que é. No entanto, Juquinha é mais que isso. É músico de formação erudita, poeta dos melhores e, lógico, corno, como todos nós.
Aliás, ninguém se torna um grande poeta sem levar uma galha. Não que o chifre dê talento ao sujeito, mas que ele catalisa o talento latente, isso catalisa.
A música abaixo, Sou sim, e daí?, foi sugestão de um grande amigo virtual, o Zé, do Blogson Crusoe.
E contam que o corno era tão distraído que só começou a desconfiar da mulher quando se mudou de São Paulo para Belo Horizonte e o padeiro continuou o mesmo.

Sou Sim, e Daí?
(Juca Chaves)
Eu sou baixinho, feio e narigudo
dizem que eu sirvo só pra dar recado
mas na verdade eu sirvo para tudo
até chifrudo eu sou sem ser casado!


Eu tenho chifre mas não tenho queixa, 

se bem que a testa fique bem maior
até que é bom quando a mulher nos deixa, 

a gente sempre arruma outra melhor.
Essa é a vida que eu sempre quis, 
eu sou cornudo mas eu sou feliz, 
essa é a vida que eu sempre quis, 
eu sou cornudo mas eu sou feliz,

"Pode rir mas mulher quando quer trair trai mesmo, 
vocês podem trancar ela dentro do armario que ela te trai com o cabide!"
"Sábio ditado aquele de pernambuco que diz: 
Água de morro abaixo, fogo de morro acima 
e mulher quado quer dar ninguém segura!"

Mas infeliz é aquele que acredita que nunca foi traído por mulher
seja ela, seja ela bonita, 

mulher nos trai quando ela bem quiser
mas quem é macho e nunca foi enganado
não trocará de esposa ou de patroa
e com uma só terá sempre passado, 

acreditando que ela ainda é boa.

Essa é a vida que eu sempre quis, 

eu sou cornudo mas eu sou feliz, 
essa é a vida que eu sempre quis, 
eu sou cornudo mas eu sou feliz.

Infelizmente existem as amélias
que sendo sérias pela vida a fora
ficam com a gente até ficarem velhas,
quando já é tarde pra mandar-se embora
porém não tarda o dia da verdade,
que escapará de um grito em nossa boca
a frase amarga dessa realidade: tira os teus seios do prato de sopa.

Essa é a vida que eu sempre quis, 
eu sou cornudo mas eu sou feliz!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Desjejum - Uma Farsa em 5 Atos

Há cerca de duas ou três semanas, prometi ao meu primo Leitinho que encontraria uma velha foto tirada em sua formatura, em 1989, escanearia-a e a enviaria para ele.
Acontece que as minhas velhas fotos, minhas velhas cartas, minhas velhas e encalabouçadas recordações, ficam guardadas em caixas de papelão, protegidas por uma aura de naftalina, no fundo do maleiro de um ármário embutido - meu passado é feito de papelão e naftalina. E sempre dá uma preguiça muito grande (talvez mais que a preguiça seja o medo da melancolia) de subir num banquinho ou numa escada e revirar tudo até achar a caixa correta.
De forma que fui protelando, protelando, descumprindo a promessa feita ao Leitinho. Porém, promessa feita em mesa de bar, em meio a papo de macho, é coisa sagrada. Rompi a inércia, revirei as caixas de papelão e encontrei a foto. Mas, antes dela, várias outras reminiscências; divertidas, a maioria, e se mantêm divertidas até hoje, o que é bom de constatar; dolorosas, outras, mas que só trazem hoje a memória da dor que causaram, a dor em si dissipou-se há tempos, o que também é bom de constatar. Tempo, tempo, tempo, mano velho...
Entre elas, um escrito de 2001, um dos mais canalhas e chauvinistas que já escrevi. Acho que foi o primeiro texto ao qual tentei dar um formato de conto ou coisa que o valha; antes eu só escrevia cartas (centenas delas, é verdade) e pretensos poemas e poesias (também umas duas ou três centenas à época).
O texto, na verdade, foi também uma carta, uma carta endereçada ao amigo Fernandão. Na época, eu era solteiro, tinha 30 e poucos anos, morava sozinho e estava passando por uma "seca" desgraçada, um jejum sexual filho da puta, caía menos buceta em mim que do que chuva no sistema Cantareira, uma coisa pavorosa, triste, mesmo. Em parte pela  minha notória falta de habilidade com a mulherada e em parte por estar num período meio brabo de encasulamento existencial.
Chega, contudo, uma hora em que a frescura tem que ser mandada à puta que o pariu!!! E esse texto, essa carta ao Fernandão, relata justamente o meu desjejum.
Fernandão, velho e corno amigo, acho que ainda deve tê-la, a carta, em seus guardados, lembro-me de que você gostou pra caralho dela, mostrou prum monte de gente. Acredito, salvo engano da memória, que a digitei, imprimi-a - para poupá-lo do esforço champollioniano de decifrar meus garranchos -, pu-la em um envelope (ainda não eram os tristes tempos de e-mail e zapzap), selei-a e a enviei pelas asas do nosso valoroso Correio Aéreo Nacional.
O que tenho aqui em mãos é o original manuscrito, que agora transcreverei. Assim, podem haver pequenas diferenças no texto, nada significativo, no entanto. Manterei também a pontuação original e resistirei em acrescentar detalhes que ficaram de fora. Espero que se divirta com ela, de novo.
DESJEJUM (Uma farsa em 5 atos)
I) O Impulso
Foi de súbito! Como que desvinculada de qualquer pensamento consciente, fermentou-se no meu imo, tomou-me de assalto as cordas vocais e explodiu trinitrotoluenicamente de minha boca a seguinte frase : "Quero comer uma buceta!"
Aturdido, olhei ao redor e não havia mais viva alma; de mim mesmo havia saído tal afirmação. Meio que numa espécie de desejo de mulher grávida (bate três vezes na madeira : toc! toc! toc!), beirando o esdrúxulo de querer, por exemplo, rapadura com escargot. Um desejo quase que tangenciando o insano, como que, de repente, ter a vontade incontrolável de ouvir um disco do Chitãozinho e Xororó (toc! toc! toc! toc! toc! toc! toc! toc! toc! toc! toc!).
Tentei dispersar o pensamento, mas a frase, embora não mais verbalizada, ficou ecoando pelas paredes do apartamento, tornou-se reverberante trem de metrô em minhas circunvoluções, uivando qual anjo caído aos nove círculos infernais : " quero comer uma buceta... quero comer uma buceta... quero comer uma buceta... quero comer...".
II) As Indagações
Pois bem. Admitamos que efetivamente eu vá acabar comendo uma buceta. E aí? Pelo pouco que eu sempre soube, e pelo menos ainda de que me lembro, comer uma buceta, assim como qualquer outra iguaria, demanda uma série de procedimentos, carece-se de toda uma pompa e circunstância para se degustar uma melosa.
Há de se saber o talher adequado (se para carne, se para peixe, ainda que algo me diga que, à moda nipônica, seja de bom grado comê-la com pauzinho), as entradas (a meu ver, não podem ser nem muito suaves, para não decepcionar, nem muito acondimentadas, para não assustar), os molhos (parece-me de vital importância que esteja encharcada em molhos, porém, não o vermelho), os pratos que acompanham (creio que um jiló bem enrugado e roxinho seja o ideal) e o vinho (que vinho que é bom?).
Há toda uma etiqueta. Não haverá tempo para me inteirar de nada disso : vai ter que ser no instinto.
Outra coisa : é sabido que várias pessoas são alérgicas aos mais variados tipos de alimento - leite, ovos, mariscos, alho, tomate, abacaxi... Quem garante que eu não seja alérgico, ou tenha, depois de tanto tempo sem comer, desenvolvido uma alergia à fedegosa? Quem garante que eu esteja livre de erupções cutâneas e até mesmo de um choque anafilático? Talvez, a exemplo das injeções de penicilina, fosse melhor eu testar em pequenas porções para ver se não ocorre reação. Mas buceta ou se come a peça inteira ou não se come nada. Vou ter que arriscar.
E ainda : será que a menor, no entanto, a mais interessada das partes, irá reconhecer como alimento a encrespada? Será que o olfato, o tato, o paladar do "menino" irão se aguçar novamente frente a um prato há tanto negligenciado? É sabido também que as coisas, ao longo do tempo, se modificam, evoluem... Terá a buceta ainda o mesmo aspecto de dantes? Ainda mais agora com essa coisa dos transgênicos, sabe-se lá...
III) A Decisão
Tá certo! Tá certo! Vou comer uma buceta!
IV) Os Preparativos
Primeira providência : arrumar uma buceta! Tarefa que me pareceu fácil na teoria e facilidade essa que veio a se confirmar na prática. Já há algum tempo, uma vizinha do prédio (21 aninhos) vem me cercando e há quase um mês, através do porteiro do edifício, enviou-me seu telefone pedindo para que eu ligasse. Semana passada, eu liguei. Ela veio aqui no Covil do Azarão duas vezes durante a semana e pronto : tudo certo para o sabadão à noite.
Buceta conseguida, meia viagem percorrida. Vamos, então, cuidar do resto.
Camisinhas. Corro a verificar o estoque de camisinhas. Quatro. Tá bom, tá bom. Mais que o suficiente, inclusive. Opa! Tão com a validade vencida. Vou ter que sair para comprar. E como eu estava desatualizado em relação às novidades desse setor!!! Há de todos os tipos e para todos os gostos e perversões.
Camisinhas com sabores : chocolate, menta, uva, laranja, kiwi, galinha caipira, doce de leite, banana (óbvio)... Tem até em versão dietética (é verdade!); vai ver que é para xavascas hiperglicêmicas. Passei batido por essas. Tem também as multicoloridas. Mas eu só quero comer uma buceta e não dar uma festa de aniversário. E as com mensagens impressas? "Te adoro, te venero do mais profundo recôndito do meu coração", ou, para os menos favorecidos anatomicamente, simplesmente "te amo". Mas eu só quero comer uma buceta e não alfabetizar, ensinar a fazer separação silábica ou análise sintática. Ignorei essas, também. Camisinhas com enchimento. Confesso que titubiei frente a esse inovador recurso tecnológico, mas acabei resistindo. Camisinhas fosforescentes para se usar no escuro : o pinto deve ficar igual a uma espada de Jedi. Camisinha com AM/FM, com ducha quente e gelada, com a cara do Brad Pitt, camisinha autolimpante etc etc etc. Acabei optando pela convencional mesmo.
Agora, distribui-las em pontos estratégicos. Uma dentro do livro do Luis Fernando Veríssimo, em cima daquela mesa ao lado do sofá, caso a coisa já pegue na sala; outra dentro da talha, caso role na pia da cozinha; uma terceira embaixo do colchonete, caso ela seja mais afeita a uma luta greco-romana; e duas (não custa ser otimista) dentro de um livro do Manuel Bandeira, no criado-mudo ao lado da cama, caso o negócio se dê mais na base do papai-e-mamãe.
Não custa ainda dar uma reforçada na parte física, mas aí não tem novidade. Paçoca de rolha, ovo de codorna, taffman-E...
Etapa final : testar o equipamento. Socar um punhetão pra testar a parte hidráulica, ver se o encanamento não tá entupido ou vazando, se tá mantendo a pressão. É, não tá assim nenhuma Brastemp, mas tudo bem. Afinal, o que é a vida a não ser uma série de desilusões e gametas desperdiçados em bronhas, poluções noturnas e gozadas fora?
Agora é esperar. E torcer para que ela não tenha pelo na teta.
V) O Ato
No início, devo admitir, o "estômago", pela longa abstinência, estranhou um pouco o tempero. Mas depois repeti o prato, pedi a sobremesa e ainda fiz um lanchinho antes de dormir. Só sobrou a camisinha dentro do livro do Veríssimo.
As possíveis consequências (?)
Passará, o Azarão, depois desse banquete de buceta, a ver a vida com outros olhos? A angústia lhe pesará menos às costas? O céu lhe parecerá mais azul? O papel higiênico lhe será menos áspero? Com certeza, não!!! Continuarão como companheiras as inquietações, as exasperações e as já clássicas depressões. Mesmo porque, hoje em dia, felicidade é um sério indicador de um baixo QI.
Deprimido, sempre! Mas de pau em riste! O que, convenhamos, já é alguma coisa.

Abre-te, Sésamo do Planalto Central

É como diz o José Simão, o Brasil é o país da piada pronta. Da piada de mau gosto, muitas vezes, eu acrescento.
Aí estão Dilma e seus 39 ministros, o bando completo, os quarenta que guardam os tesouros saqueados da nação em alguma obscura e secreta caverna do Planalto Central do país.
Os quarenta estão aí!!! Só tá faltando o Ali Babá barbudo! Cadê o Ali Babá barbudo? Tá mais escondido que o Wally, mas que tá na foto, tá. Bem por trás da foto, por trás da Dilma, por trás de tudo.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Instantâneos de um Saudoso e Remoto Passado (9)

Propaganda do achocolatado Toddy, que hoje seria execrada nos meios publicitários e banida das mídias de massa, por ser considerada politicamente incorreta; iriam dizer, os afrescalhados do meio e as bichonas das patrulhas politicamente corretas, que ela incentiva a violência, incita ao bullying, mais um estrangeirismo perobo. 
O que ela incentiva é a competição, a reação às adversidades, o acerto de contas no mano a mano, desperta o brio do sujeito, encoraja-o a resolver seus problemas sem sair correndo para a barra da saia da mamãezinha feito uma menininha mijona.
Ou seja, a propaganda de Toddy estimula o sujeito a ser macho! E não um moloide, um frouxo que, ao primeiro contratempo ou revés, cai em prantos e, pior, no consultório de um psicólogo.
Por isso, seria hoje criticada por psicólogos, sociólogos, pedagogos e outros que tais : porque, hoje, nada é considerado mais incorreto do que ser HOMEM, do que ser MACHO.