quinta-feira, 24 de setembro de 2015

MULHERES VENEZUELANAS, NA MENSTRUAÇÃO, USAM TOALHAS DE PANO DE SACO DE AÇÚCAR PARA TAPAR O RACHÃO DO PINGUELO...

Do blog Chumbo Grosso, o guerrilheiro de Garanhuns, aquele que não usa o linguajar dos conventos.

"Rompendo o ciclo do capitalismo selvagem : mulheres venezuelanas aprendem como fazer seus próprios absorventes femininos de panos laváveis, que por lá são denominadas "toalhas femininas socialistas". Se o impeachment da Dilma demorar muito, as mulheres brasileiras devem fazer um providencial estoque de absorventes..."
Decidida a romper o “ciclo do capitalismo selvagem”, a ‘presidenta’ do Instituto Nacional de Mulheres da Venezuela bolivariana, Yekauna Martinez, iniciou a realização de OFICINAS ESPECIAIS PARA ENSINAR AS MULHERES A CONFECCIONAR ABSORVENTES FEMININOS DE PANO, segundo informa o jornal El Nacional.
A própria Ministra se encarregou de lançar o novo produto pelo Twitter, argumentando que esta iniciativa pretende combater os males da denominada “GUERRA ECONÔMICA”, que nada mais é que a ESCASSEZ BRUTAL QUE CASTIGA OS VENEZUELANOS QUE HÁ UNS 15 ANOS EMBARCARAM NA AVENTURA BOLIVARIANA.
Os absorventes femininos sumiram do mercado e as mulheres venezuelanas estão sendo obrigadas a lançar mão dos superados e anti-higiênicos absorventes de pano laváveis utilizados pelas suas bisavós.
Como a inflação é galopante nesse país comunista UMA CAIXA DE ABSORVENTES FEMININOS CUSTA UMA VERDADEIRA FORTUNA. O regime do tiranete Nicolás Maduro aproveita a situação para praguejar contra o capitalismo que reputa como o culpado pela escassez de alimentos, medicamentos, peças de reposição de veículos, enfim, todos os bens de uso contínuo e necessário que são comuns em qualquer país que não esteja sob um regime comunista.
Esta informação não ganharia notoriedade no Brasil. No máximo seria uma nota de curiosidade digna de gargalhadas. Sequer mereceria neste blog um post exclusivo se não fosse o fato de LULA E SEUS SEQUAZES POSTULAREM A IMPLANTAÇÃO DO MESMO REGIME BOLIVARIANO NO BRASIL.
Como tenho enfatizado de forma recorrente, a crise econômica que já se tornou crônica na Venezuela com a escassez de alimentos e a fome, começou com o descontrole da economia, como ocorre agora no Brasil.  Aliás, esse é o esquema comunista. Foi assim também em Cuba e lá já dura 53 anos! Com o dólar chegando a R$ 4,14 reais na quarta-feira, as mulheres brasileiras poderão de repente ver sumirem das prateleiras dos supermercados os tão comuns absorventes higiênicos femininos tendo que adotar as famigeradas “TOALHAS HIGIÊNICAS SOCIALISTAS”. (Esta matéria jornalística foi gentilmente roubado lá no Blog do Aluizio Amorim. – A manchete não faz parte do texto original)

PITACO DO BLOG CHUMBO GROSSO: - AQUI NO BRASIL, QUANDO O TIRIRICA DISSE QUE "PIOR QUE ESTÁ NÃO FICA", DESCONHECIA O IMENSO POTENCIAL DA DILMA!!!

PITACO DO AZARÃO : essa é mesmo a toalha higiênica socialista, essa é vermelha de verdade!!!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(33)

Há toda uma geração de músicos da MPB que, embora tenha feito muito sucesso entre as camadas mais populares na década de 60 e 70 e vendido milhões e milhões de discos, sempre foi relegada a segundo plano pela crítica "especializada" da época, que controlava os jornais, rádios e TVs, uma crítica metida a inteligentinha e com (falsos) pendores comunistas. Mais que relegada a segundo plano, sempre foi malhada e vilipendiada pela intelectualidade de merda da época, para a qual só prestavam os artistas "engajados", aqueles que supostamente usavam seus dotes artísticos como instrumento de combate ao governo militar vigente. Os queridinhos dessa corja jornalística, entre outros, eram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Gonzaguinha, Geraldo Vandré etc. Alguém acha mesmo que o Chico alguma vez lutou de verdade contra os militares?
Aos que não eram engajados do ponto de vista dessa canalha jornalística, aos que não nasceram dentro de uma elite tanto financeira quanto intelectual, aos que não protestavam contra a política da época, mas que cantavam sim as diferenças sociais - as realidades da empregada doméstica, da prostituta, do feirante, do caminhoneiro, do motorista de ônibus, do analfabeto -, foi impetrada a pecha de "cafona", como sinônimo de má qualidade e gosto duvidoso.
Pode ser que realmente os cafonas nada soubessem da conjuntura política da época, afinal, vindos também das classes mais pobres, eles tinham que trabalhar, não tinham tempo para ficar fumando maconha em diretórios acadêmicos e participar de passeatas. Mas conheciam muito mais das desigualdades sociais que qualquer "politizadinho" universitário, muito mais que qualquer comunistazinha de bosta que ficava a pensar em como consertar o mundo com seu copo de whisky na mão.
Pode ser que não tivessem - e realmente não tinham - o refinamento poético e musical dos da Tropicália ou dos da pernóstica, não negando sua grande importância e imensa qualidade, bossa nova. Mas que compensavam isso com muita emoção, com a emoção de quem vivencia o que canta, de quem veste de fato a pele do lobo, e não de quem olha o mundo de sua cobertura de frente para a lagoa Rodrigo de Freitas, isso compensavam. E sim, tinham também seus laivos de poesia. Eram poeta sim, ora porra. Bardos e menestréis das centrais de ônibus e trens, dos bares pés sujos e bordéis. E falavam a muito mais pessoas que os queridinhos da crítica : o cantor Nelson Ned já vendeu, sozinho, mais discos que toda a Tropicália e Bossa Nova, somadas. Aliás, até os dias de hoje, Nelson Ned é o segundo artista brasileiro mais conhecido, tocado e premiado no exterior. O primeiro posto é de Carmen Miranda, que nem brasileira nata era.
Entre os cafonas mais célebres : Odair José, Agnaldo Timóteo, Cauby Peixoto, Dom e Ravel, Paulo Sérgio, Antônio Marcos, Reginaldo Rossi, Altemar Dutra, Wando, Benito de Paula, Luiz Ayrão, Amado Batista, Evaldo Braga, Diana etc.
E claro, o homenageado dessa postagem, Waldick Soriano, o cafona-mor, o macho das antigas, o Eu Não Sou Cachorro Não da MPB. 
Waldick Soriano, falecido em 2008, era o rei da zona - querem título de nobreza melhor que esse? Com sua voz grossa, de homem, cantava velhos e doloridos bolerões. E dá-lhe fossa, meu chapa. A música a seguir conta a história do cara que assiste ao casamento da ingrata que o deixou em favor de outro mais endinheirado. No fim, Waldick lasca : para mim não foi noivado, para mim foi um enterro, que de branco aqui passou...
Pãããta que o pariu!!! E ainda vem jornalistazinho comunista de merda dizer que o cara não é um poeta?
Meu Coração Está de Luto
(Waldick Soriano)
Hoje está fazendo um ano
Que eu assisti seu casamento
Hoje está fazendo um ano
Que deixaste minha vida

Um rosário de tormento

O meu coração está de luto
Hoje está fazendo um ano
Que por ti vivo sofrendo
De que me deste o desengano


Tenho medo de morrer
Dói demais a dor do amor
Este amor não morrerá
A saudade ficará neste peito sofredor


Tu casaste por dinheiro
A vaidade te obrigou
Para mim não foi noivado
Para mim foi um enterro que de branco ali passou.

domingo, 20 de setembro de 2015

Bukowski, o Melancólico

A história da melancolia
inclui todos nós.
a mim, eu me contorço em sujos lençóis
enquanto observo as paredes azuis
e o nada.
acostumei-me tanto à melancolia
que
a cumprimento
como uma velha
amiga.
Ficarei de luto por 15 minutos
por ter perdido aquela ruiva,
digo isso aos deuses.
eu faço isso e me sinto completamente mal.
completamente triste,
então me levanto
LIMPO
embora nada tenha sido
resolvido.
é isso que consigo por chutar
a bunda da religião.
eu deveria ter chutado a bunda
da ruiva
onde seus miolos, seu pão
e sua manteiga estão...
Mas, não, eu tenho me sentido triste
por tudo isso:
ter perdido a ruiva foi, somente, outra
porrada que foi dada numa vida inteira
fracassada…
escuto os tambores no radio agora
e forço um sorriso.
além
da melancolia
há algo de errado comigo.

O Despertador é Apenas o Arauto do Monárquico e Despótico Dia (Ou : não mate o mensageiro pela mensagem que ele proclama por obrigação de seu ofício)

Dize-me que sou culpado
De acordar em ti
Inquietações, palpitações,
Desassossegos, comichões e gasturas
Que julgavas hibernantes
E catalépticas.
Pergunto-te :
É culpado o estridente e esganiçado despertador
Pelo novo dia que teima em nascer,
Nascer e nascer?
Se assim o for
É fácil para ti :
Para de me dar corda,
Tira minhas pilhas,
Arranca-me da tomada.
Desafio-te a.

Ansiodoron? Vira Homem, Leitinho!

Meu primo Leitinho - e aqui falo sério e com admiração, sem nenhum traço de ironia - não é qualquer cara, não. É sujeito refinado e de bom gosto; além de inteligente, estudioso, dedicado e trabalhador pra cacete.
Pronto. Fim da babação de ovo.
Acontece que há um risco em tanto refinamento, há uma linha tênue entre sofisticação e viadagem, fronteira à qual devemos estar sempre atentos. Sobretudo depois de mais velhos. À bichinha nova, dá-se um desconto; bichona velha é foda.
Há algum tempo, Leitinho me contou que estava a tomar suco de cranberry, uma frutinha ianque. O suco lhe foi indicado para combater uma leve modalidade de incontinência urinária, uma dificuldade de segurar a urina por muito tempo. Sempre que saíamos em turma para tomar umas, o Leitinho se ausentava por várias vezes da mesa para dar a sua, como ele mesmo diz, "mijadinha com a graça de deus". Não tenho certeza, mas acho que o problema é uma cistite nervosa, ou coisa parecida. O que sei é que o termo "nervosa" faz parte do nome da disfunção. 
Imediatamente, preocupei-me, meu alarme para a viadagem começou a soar alto. Perguntei-lhe, então, apreensivo com a tal "nervosa", se a esse suco de cranberry são atribuídas propriedades calmantes, ansiolíticas, antiestresse etc. Assegurou-me que não. Afiançou que o princípio ativo do cranberry atua diretamente na musculatura da velha bexiga, que nada tinha a ver com psicológico e tal. Tranquilizei-me. Nesse caso, tudo bem. Se a ação é física, muscular, coisa de macho, ele podia estar a consumir até cerejinhas marrasquino, que foi o nome mais viado de fruta que lembrei, e ainda bem, ou eu é que estaria com sérios problemas. E reparei que, nesse dia, as idas de Leitinho ao banheiro foram mesmo mais raras.
Ontem, no entanto, flagrei o Leitinho a receitar um medicamento de nome Ansiodoron, da Weleda, enaltecendo as faculdades tranquilizantes, soporíferas e ansiolíticas do fármaco. Tivesse Leitinho parado por aí, eu teria lhe perdoado. Mas foi adiante : à pessoa que aconselhava, disse que o paregórico é elaborado de acordo com a vertente antroposófica da medicina, e seus princípios ativos, extraídos de plantas cultivadas sem o uso de agrotóxicos.
Antroposófica, Leitinho? Plantinhas cultivadas só à base de bosta de vaca? Pããããta que o pariu!!! Eis que sai de cena o refinamento e estreia, cheia de lantejoulas, paetês e holofotes, a viadagem. Nem índio, hoje em dia, toma remédio de plantinha. E que porra é essa de sem agrotóxico? Homeopatia "orgânica" para ninar a Bela Adormecida?
Para não correr o risco de ser injusto para com o Leitinho, fui pesquisar. Antroposofia : "uma doutrina filosófica e mística fundada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925). Segundo Steiner, a antroposofia é a "ciência espiritual". Ele a apresenta como um caminho em busca da verdade que preenche o abismo historicamente criado desde a escolástica entre fé e ciência." Pããããta que o pariu!!! Dar a bunda é menos viado que isso!
Fui ver também a bula do lenitivo : aveia, maracujá e valeriana, também conhecida como erva-de-gato, que é um mato que os gatos comem quando querer ter um "baratinho", uma maconhazinha felina.
Tá sem soninho, Leitinho? Com ansiedade e inquietações na velha alma que não lhe deixam pregar os olhos? Escute o que o Azarão, esse velho rebelde, vai lhe dizer, caro primo.
Tome uma meia dúzia de latas de cerveja, Leitinho, um fardo se for necessário para aliviar o fardo, mas tem que ser cerveja de macho, Antartica, Bavaria, Schin, que se for para tomar Stella Artois ou, pior, uma das tais artesanais, é menos viado tomar mesmo o Ansiodoron. Vá andar, dê uma boa caminhada pela madrugada. Apeie umas "mina", Leitinho, aproveitando que está no oásis de sua recém-solteirice. Bote na vitrola uns velhos tangos, boleros, fados e mariachis. Assista a um bom pornozão. Soque uma bronha.
Nada disso vai aplacar nem mitigar suas inquietações, angústias e remordimentos, mas que você vai dormir, isso eu garanto.
Ansiodoron? Homeopatia antroposófica? Vira homem, Leitinho!

sábado, 19 de setembro de 2015

Você Sabia?

Esse canalha é um dos ícones aos cujos pés os comunistas se ajoelham e fazem prece. Fidel é o deus dos canalhas vermelhos, Guevara é o Cristo, o que foi mandado à morte. 
Inspirados por um filho da puta destes é que os comunistas dizem que lutaram contra os militares brasileiros em prol  da democracia. Foram às perfeitas imagem e semelhança dessa laia de facínora que se fizeram todos os PCs, PCBs, PCs do B e, claro, até mesmo aproveitando-lhe até a estrela da boina como símbolo, o PT. 
É em defesa e louvor a esse tipo de verme que se pronunciam e se pronunciaram a pseudointelectualidade brasileira, entre eles, Chico Buarque e o jogador Sócrates - um dos instituidores da chamada "democracia corintiana", que a grosso modo significava, simplesmente, os jogadores terem o direito de encher a cara e cair na putaria antes dos jogos -, e que, inclusive, batizou um de seus filhos com o nome de Fidel.
E como, no Brasil, tudo é fake, tudo é perfumaria, tudo é de boutique, Guevara foi transformado no maior vendedor de camisetas da paróquia, superando até as do Flamengo e as da Hello Kitty, somadas.
Ir morar em Cuba, nenhum comunista brasileiro quer. Querem é morar em Miami e Orlando, que são os Piscinões de Ramos dos USA. Cuba e comunismo no cu dos outros é refresco.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Anjos no 26º Andar

Anjos são capetas em forma de guris.
Anjos são da guarda, mas têm que ser guardados, cuidados, muito bem cuidados.
Anjos voam, mas são por demais desastrados, distraídos, aéreos. Perdem, por vezes, suas pequenas asas de pensamento, feitas de pétalas de ipês-brancos, e se tornam caídos.
E como caem os pequenos anjos. Caem do chão ao chão. Um tropeção na beirada do tapete e lá se põe o nariz a sangrar, e lá se vai aquele vacilante e pênsil, porém renitente, dente de leite que resistia ao seu permanente sucessor. Caem do sofá ao chão. E lá desponta, cordilheira recém-erguida, aquele galo na testa, um ovo roxo, de avestruz. Caem de suas brincadeiras ao chão. Um joelho ralado, um tornozelo torcido, um braço quebrado.
E anjos caem, às vezes, de janelas de banheiros de apartamentos localizados nos 26º andares de edifícios. Tornam-se, então, verdadeiramente anjos. Ganham os céus.
E a quem fica, e a quem teve o anjo sob a sua falha guarda, o Inferno. Não o de Dante, que esse é colônia de férias, é spa, é resort. O da vida que segue, o da lembrança. O pior e o mais dantesco deles : o da ausência do anjo.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Quando a Loucura

Quando a Loucura
Se sentar contigo à mesa de um bar,
Quem é que vai pagar a conta?
Traçado, rabo de galo,
Conhaque, cerveja
Ou água com gás
A abstêmia Loucura tomará?
E tu,
Com tremoço, amendoim
Ou ovos de codorna
Erguerás tuas fortificações?
A quem
O mercador de botões de rosa,
O bucaneiro dos CDs piratas,
O hare krishna do incenso,
O pedinte de esmola
Se dirigirão?
A quem o garçon exibirá a dolorosa
E, pastor neopentecostal da boemia,
Cobrará seu dízimo?

Quando a Loucura,
Exímia gladiadora grego-grace-romana,
Subir ao ringue contigo
E te botares abaixo,
Fuças e beiços à lona,
Imobilizar-te
E agarrar os teus culhões feito vagina dentata,
Quem te valerá,
Quem jogará a toalha branca em tua intenção,
Que árbitro interromperá a luta
Em prol da tua integridade física,
Que juiz terá a coragem de privar a plateia
Dos teus ossos, cartilagens e dentes moídos?
Que imperador te agraciará com o polegar voltado para cima
Ou deixará teu resto para os leões,
Os garis do Coliseu?
Quantos os bookmakers lucrarão?
Oito para dois?
Dez para um?
Qual a tua cotação na bolsa de apostas?
És da luta
O campeão favorito
Ou o desafiante Azarão?

Quando a Loucura
Enjoar do teu sangue,
Cansar de pedir que abaixes a tampa da privada,
Que não largues toalha molhada sobre a cama,
Declarar-te doador incompatível
E também deixar de ser o molho pardo
E o mênstruo 
Da tua pena,
Quando a Loucura te esquecer,
Não mais te ligar,
Não mais te mandar e-mails
Nem fotos de seus belos peitos,
Em que manicômio te internarás?

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Seborreias e Pontualidade (Ou : Às Vezes, o Azarão Também Tece Elogios)

Como disse aqui em outras ocasiões, o blog nasceu de uma provocação de uma velha amiga, que me desafiou a criar e a manter um espaço no qual eu expressasse minhas impressões, visões de mundo, desabafos, bravatas e até mesmo, e por que não?, meus chororôs e lamúrias de mesa de bar, de fim de noite.
Vai daí que, uma vez nascido, o Marreta, mais do que um muro das lamentações, virou um paredão de fuzilamento para temas, assuntos, atividades e, sobretudo, comportamentos humanos que desprezo e que me incomodam profundamente. E como não são poucas as coisas e os comportamentos do bicho-homem que me incomodam, o Marreta está por aqui há quase 7 anos.
Um dos traços do caráter - ou da falta dele - do brasileiro que mais me deixam puto é a impontualidade feita em patrimônio nacional. Brasileiro acha feio chegar na hora marcada, acha coisa de otário cumprir com o horário combinado.
Esse injurioso costume atinge o extremo mais alto da escala entre os da classe médica. Parece-me que a impontualidade é item supervalorizado do currículo de um médico, uma pós, uma especialização comum e obrigatória a todas as áreas. Tenho, inclusive, a impressão de que o atraso contumaz dos médicos nem seja apenas por desleixo e descaso, creio que ele seja proposital. Assim, a clientela estropiada e fudida, que os aguarda em sofrimento, tem a sensação de um alívio imediato quando os negligentes de branco adentram os corredores do hospital, a angustiante espera contribui para alimentar e reforçar a aura de salvadores, de semideuses, que muitos se autoatribuem.
Nos últimos tempos, contudo, tenho dado sorte com médicos. Nos últimos tempos, contudo, dei de cara com duas honrosas exceções dentro desse panteão de relapsos. Uma delas, há quase dez anos; outra, hoje. E é a eles que se destina o elogio do Azarão de hoje. Elogio que, é verdade, não deveria ser necessário, uma vez que é laudatório ao que deveria ser básico, ao que é da obrigação de todo profissional, mas como deveres e responsabilidades são valores em desuso no país, ele não só se faz necessário como também urgente. Dois médicos, pasmem, pontuais.
1) O urologista com quem me consulto há quase 10 anos. 
Tudo bem que pese contra ele o fato de enfiar o dedo no meu cu sem dó nem piedade, sem nem ao menos levar um papinho, me servir um whiskinho, deixar o consultório à meia luz, botar um bolero na vitrola etc. Mas ele o faz de modo profissional, rápido e indolor. E o principal : sempre pontual. Nessa quase década de alguns dedos de prosa, ele nunca se atrasou um único minuto que fosse. 
O que demonstra uma baita duma consideração para com os machos de respeito na sala de espera : o cara já vai lá para levar uma atolada de dedo no toba, só faltava ter que esperar duas ou três horas para isso.  O sujeito chegar em casa, ou em seu local de trabalho, e reclamar que esperou duas ou três horas para se consultar com o cardiologista, com otorrinolaringologista etc, ainda que vai. Mas imagine o cara chegar na hora do cafezinho e dizer : rapaziada, ontem esperei duas  horas para levar um dedo no cu! É muita humilhação.
Ele é pontual em duas das conotações cabíveis ao termo : no sentido de sempre cumprir com o horário marcado e no sentido de que visitá-lo não é ato frequente, é pontual, esporádico, esparso.
2) A dermatologista, que conheci hoje.
Peraí, velho Azarão, dirão, mal-intencionados, alguns de meus leitores mais filhos das putas, isso dum macho velho e das antigas ir numa dermatologista não é muita viadagem, não? 
Sim. É pura viadagem. Mas fazer o quê? Convenhamos, perto dos 50 anos e algumas dedadas já machamente encaradas (embora não possa dizer que as tenha enfrentado exatamente de frente), ir a uma dermatologista para que ela examine minha macilenta tez, é coisa pouca, é frescura menor, é pormenor de somenos. É o velho ditado, meus amigos : passa boi, passa boiada.
Em minha (fraca) defesa, devo dizer que não fui à dermatologista exatamente por iniciativa própria. Há alguns meses, uma pequena descamação se tornou recorrente em minha testa, ao rés do couro cabeludo. Meu autodiagnóstico foi : ou o resquício de velhos chifres, que, volta e meia, teimam em ressurgir - sentimento ilhado, morto e amordaçado, volta a incomodar -, ou uma mundana seborreia. Como a descamação fica indo e voltando, minha esposa começou a externar sua preocupação, a fazer uma espécie de terrorismo amoroso, começou a dizer que poderia ser coisa "pior", que é a maneira eufemística que as pessoas usam quando querem se referir a câncer, como se a simples menção da palavra pudesse ocasionar a doença, atrair a maldição.
Como sou sugestionável pra caramba, ou seja, como sou cagão pra essas coisas, comecei a pôr caraminholas na cabeça e a ficar realmente preocupado. Daí, a minha ida à dermatologista, dermato, para os íntimos e afrescalhados.
A consulta foi marcada para as 15  horas. Como não a conhecia, não sabia qual era o nível de sua pontualidade, ou, o mais provável, da falta dela, e como tinha afazeres outros a cumprir que dependiam do bom andamento cronológico da consulta, preocupei-me. Detesto quebras de rotina, ainda que seja por necessidade médica. Só de pensar em esperar por horas, ter que ir embora sem ser consultado, quando meus compromissos ulteriores assim exigissem, ter que remarcar a consulta, esperar pela nova data e correr o risco de dar errado de novo, já me deixa doente - deu pra ver que tenho sérios transtornos obsessivos, né?
Felizmente, minhas pré-ocupações mostraram-se infundadas. Cheguei ao consultório por volta das 14 e 50h, a secretária fez minha ficha e prontamente me conduziu à presença da médica, uma japonesa, o que explica, em grande parte, a sua britânica pontualidade. Sentamo-nos. Vi no relógio de pulso dela que eram exatamente - exatemente mesmo - 15 horas. Relatei o problema, ela deu uma olhada na minha testa e couro cabeludo e deu o veredicto : dermatite seborreica. Ou seja, a boa e velha seborreia que eu havia imaginado.
Receitou-me lá  um creme para passar no local e me deu até uma amostra grátis, que, pelo que pude calcular, será suficiente para o tempo prescrito de tratamento. 
Também costumo dar esse tipo de sorte, geralmente recebo amostras grátis, sobretudo se for médica - do meu urologista, eu nunca ganhei, e nem quero, nenhuma amostra grátis para levar para casa, no que eu muito lhe agradeço, se é que vocês me entendem. A pediatra que consulta meu filho, a outro exemplo, é sempre muito simpática para comigo e, invariavelmente, saio de seu consultório com um bom fornimento de amostras grátis; quando é minha esposa quem leva o moleque, nem bom-dia ela ganha.
Acho que tem a ver com o o meu estilo casual despojado de me trajar, ou seja, eu corto o cabelo, quando muito, a cada 4 ou 5 meses, vivo com a barba desgrenhada, ando com calças desbotadas e encardidas, que em nada combinam com as cinzas camisetas, que um dia, em seus bons tempos, já foram pretas ou azul-marinho. Acho que desperto nelas uma vontade de cuidar e proteger; seus instintos maternais, ou, o mais provável, de geriatras dedicadas.
Entrei no consultório exatamente às 15 horas; 15 horas mais cinco minutos, eu já me dirigia ao elevador de saída. Exato, perfeito e preciso. Apesar da seborreia, saí de lá estranhamente feliz e satisfeito. Somos, no dia a dia, tão aviltados e negligenciados em nossos direitos mínimos e básicos que, quando eles são respeitados, nos causa surpresa, enfim...
Agora, vou tomar um banhão e, depois, sobre a região afetada, aplicar o meu creminho. Pãããããããta que o pariu!!!!

Voracidade da Luz ao Quadrado

Hoje
Confundo-me com,
Fundo-me ao piche do pavimento,
Me atolo em passos de breu
Da impositiva claridade,
Da voracidade da luz
Da manhã,
Do trabalho,
Dos quatro cômodos
- arejados, iluminados, galeria vazia de paredes brancas, sem segredos nem mofos -
Do meu coração;
Totalmente sem graça.

Saudade 
Do irreversível tempo
Em que calçava minhas sandálias de Hermes
Me elevava em passos de estratosfera
E me movia à velocidade da luz
Pelos escuros da madrugada 
E das masmorras
- outrora cheias de prisioneiros, cheirando a matadouro e a jaula -
Do meu coração;
Felino.

sábado, 12 de setembro de 2015

O Chupa-Cobras

O infausto se deu com um humilde agricultor da Índia, na cordilheira do Himalaia. O cara foi dar uma mijadinha no mato e acabou sendo mordido por uma cobra. No pé? No tornozelo? Na batata da perna? Porra nenhuma. No pau. É o rock das cobras. O que é que essas cobras tão fazendo aí no chão? Invejo-te, Raul. Viveste em tempos muito mais simples.
O agricultor, de 46 anos, só procurou por ajuda médica quando a dor ficou insuportável, três horas depois da mordida. Os médicos que o atenderam relatam que havia várias bolhas necrosadas em volta da região mordida, ou seja, no pescoço da girafa.
O lavrador correu sérios riscos de perder o cacete, mas conseguiu descrever a cobra para os médicos, que a identificaram como sendo uma víbora levantina, possibilitando a imediata aplicação do antídoto específico. Levantina? Duvido que o pau do cara vá levantar de novo.
Após três dias de internação, o camponês teve alta médica; agora, se o pau do sujeito vai voltar a ter altas, ou se só baixas, só o tempo dirá.
Quanto à cobra, ela passa bem, aliás, ele, era um macho da espécie. Passa bem, mas depois de ter pago um boquete para o agricultor, todo o ninho de cobras o está chamando de o chupa-cobras.
Mordida de cobra no pau pode ser novidade lá no Himalaia, mas não tem nada de novo ou surpreendente em terras tupiniquins. Eu mesmo já vivenciei uma situação parecida.
Há alguns anos, estávamos, eu e meu amigo Fernandão, a pescar. Quero dizer, eu estava a pescar, porque eu nunca vi ninguém pior de anzol que o Fernandão; eu ainda fisgo lá uns lambaris, umas tilápias, o Fernandão, nem galho de árvore. Estávamos, então, a pescar e a tomar umas cervejas, quando o Fernandão precisou ir tirar a água do joelho. Se afastou de onde estávamos, procurou uma moita mais reservada, subiu numa pedra para ficar mais alto do chão e evitar que o cabeço do pau ralasse na terra e começou a mijar. Uma urutu-cruzeiro, de quase uns dois metros de comprimento, que por ali passava, sentiu-se ameaçada pela monstruosidade que viu e atacou, deu uma peçonhenta abocanhada no cabeçote de meu amigo. O Fernandão chegou até mim apavorado : "Azar, Azar, pega a porra do meu celular e liga pro pronto-socorro". Peguei o telefone, liguei para o 192, relatei a situação e perguntei sobre como agir. O médico, do outro lado da linha, disse que o ideal seria a imediata administração do soro antiofídico específico (como se eu não soubesse), mas que na impossibilidade de tal, eu poderia realizar um procedimento de emergência, prestar um primeiro-socorro e, então, levar a vítima ao hospital mais próximo, o mais rápido possível. "E que procedimento seria esse?", perguntei eu ao esculápio? "Você vai, põe a boca na região mordida e suga tudo o que puder, pra tirar o máximo de veneno que conseguir e assim retardar a ação proteolítica e neurológica da peçonha."  Agradeci, desliguei o telefone e voltei até onde estava o meu amigo, rolando de dor no chão. "E aí Azar, o que o médico falou?" Respondi : "que você vai morrer!"
Eis a víbora levantina. Agora, a cobra do Fernandão, que me desculpem as leitoras do Marreta e o ex-boiola, eu não vou mostrar.

Suruba de Letrinhas

Em quantas frias
Tens que entrar
Para botares pantufas no frio que sentes?

Em quantas roubadas
Para reaveres
A tranquilidade que te roubaram?

Em quantas barcas furadas
Para recalibrares tua
Des-orientada e des-norteada
Bússola
Para te pores novamente de vento em popa?

Quantas letras
Para usares de escudo, de máscara
E te fartares de neologismos
E de novas (e sempre a mesma) tu?

Quantos alfabetos
Para ingredientes
Da tua suruba de letrinhas?

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa... (32)

O cara está lá, tentando apaziguar a alma e os ânimos, tentando aplacar a dor de cotovelo, fazendo compressa de água quente na marca latejante do sapato plataforma nº 36 que a ex lhe cravou na bunda.
O cara põe, então, uma música ambiente - música de elevador -, prepara um chá de cidreira ou camomila e, desgraça das desgraças, concentra-se nas páginas de um livro de autoajuda, do tipo Amar Pode dar Certo etc e tal.
Aí, aproveitando-se do estado meditativo e absorto do cara, valendo-se de sua guarda baixa, o fantasma da ingrata se materializa. Materializa-se na forma de pequenas, corriqueiras, cotidianas e mundanas coisas : um bilhetinho todo azul com os garranchos dela, um fio de cabelo no paletó, um beijo escondido sob as dobras do blusão, o cheiro dela dentro de um livro, ou o anel que ela esqueceu, aquele em que está gravado "só você e eu".
Aí, é foda, meu chapa! Aí, o cara manda o chá de camomila pra puta que o pariu e pega da garrafa. Aí, o cara manda a serenidade e a meditação pras picas. Aí, o chão se abre sob os pés do sujeito e ele se afunda nas Fossas das Marianas da Solidão.
Eu e Você, Sempre
(Jorge Aragão)
Logo, logo assim que puder vou telefonar,
Por enquanto tá doendo,
E quando a saudade quiser me deixar cantar,
Vão saber que andei sofrendo.


E agora longe de mim,
Você possa enfim, ter felicidade,
Nem que faça um tempo ruim,
Não se sinta assim, só pela metade.


Ontem demorei pra dormir tava assim sei lá,
Meio passional por dentro,
Se eu tivesse o dom de fugir pra qualquer lugar,
Ia feito um pé de vento.


Sem pensar no que aconteceu,
Nada nada é meu (nem meu), nem o pensamento,
Por falar em nada que é meu,
Encontrei o anel, que você esqueceu.


Ai foi que o barraco desabou,
Nessa que meu barco se perdeu,
Nele tá gravado só você e eu.


Ontem demorei pra dormir tava assim sei lá,
Meio passional por dentro,
Se eu tivesse o dom de fugir pra qualquer lugar,
Ia feito um pé de vento.


Sem pensar no que aconteceu,
Nada nada é meu (nem meu), nem o pensamento,
Por falar em nada que é meu,
Encontrei o anel, que você esqueceu.


Ai foi que o barraco desabou,
Nessa que meu barco se perdeu,
Nele tá gravado só você e eu. 
Em tempo : lembrei dessa música porque a escutei ontem numa versão gravada pelo grupo de rock gaúcho Nenhum de Nós : ficou uma bosta! No quesito samba clássico, Aragão é imbatível; já o Nenhum de Nós só vale por Camila e mais umas três ou quatro músicas. Nem percam tempo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Da Educação dos Gatos

No fim, 
Umas mais perenes,
Outras mais perecíveis,
Tudo é carne!
Por que, então,
Tramar estratégias de caça,
Minar novos terrenos
Com alçapões de sorrisos mal-intencionados
E buquês de rosas vermelhas?

No fim,
Uns mais calmos e abundantes,
Outros a seco ou a sangue,
Tudo é gozo fátuo!
Por que, então,
Adentrar labirinto indissolúveis
Tentando marcar o caminho de volta
Com um rastro de migalhas de maus poemas?

No fim,
Tudo é fim!
Por que, então,
Não tornar tudo
Num plácido cuidar de avencas e orquídeas,
Num educar de gatos e pimenteiras?

sábado, 5 de setembro de 2015

Apolo 13

Nunca mais excursões
Nem incursões ao teu Luar.
Minha Challenger explodiu num grito mudo
Quando
Mais uma vez
Se arriscava
Se esquivava
Furtiva em direção a Ti.
Não mais passear de mão dadas contigo,
Com nossos campos gravitacionais entrelaçados,
Por sob a sombra de mil sóis
De nosso lácteo quintal.
Não mais a tua falta de ar
Que me punha ébrio e a plenos pulmões
Nem a tua falta de siso
Que tornava leve, ágil e célere
O meu cada vez mais pesado corpo.
Não mais aninhar minhas naus
Em tuas aconchegantes e uterinas crateras.
Não mais rever minha selenita,
Esperando parada,
Pregada na pedra do porto do Mar da Tranquilidade
Com seu único velho vestido,
Cada dia mais curto.

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (19)

Imagine a bisca lhe traindo com o resto das camisinhas que você deixou na casa dela na última vez em que vocês fizeram amor? É muita dor, meu amigo. É muita humilhação. Tem que ser muito puta. E tem que ser Falcão, o grão-vizir dos cornos, para compor algo assim.
Ela Me Traiu Usando o Resto das Camisinhas
(Falcão)
Ela me traiu, usando o resto das camisinhas
Que eu deixei da última vez que a gente fez amor
Com o cheiro do meu corpo ainda no seu corpo
A outro cara ela se entregou

Não quis nem saber, não quis nem dizer
Tão depressa esqueceu
Dando a outro, prazeres do corpo
Que eu pensava meu

E quando na cama, a gente se amando
Ela me falou:
"Te quero, sou tua, me pede que eu dou"
Fingia prazer pra ganhar meu amor

Ela me traiu, usando o resto das camisinhas
Que eu deixei da última vez que a gente fez amor
Com o cheiro do meu corpo ainda no seu corpo
A outro cara ela se entregou.

Corno Peçonhento

Que o chifre envenena a alma do corno inconformado, daquele incapaz de aceitar que o chifre é do homem e o boi usa de enxerido, é fato notório.
Mas seria possível que a dor, a angústia e o tormento infligidos ao corno pela biscate e pelo Ricardão se transformassem, sabe-se lá por quais processos bioquímicos transmutatórios, em potente peçonha? Que, uma vez inoculada via pérfido apêndice frontal em seus algozes, devolvesse-lhes ao menos parte do excruciante flagelo? Um chifre venenoso? Um corno peçonhento?
A classe dos insetos é a campeã do planeta em diversidade de espécies. No total - bicho, planta, fungo etc -, os taxonomistas catalogaram perto de 2 milhões de espécies até hoje, dessas, quase 1 milhão são de insetos; depois dela, o vice-líder, ou o campeão moral, como é de costume se chamar ao perdedor, ou, nesse caso, o campeão desmoralizado, é o vastíssimo gênero dos cornos.
Tem o corno bravo, o manso, o prevenido (liga para esposa e avisa quando vai chegar mais cedo), o socialista (que não se importa em dividir com os outros), o hereditário (aquele em que a tradição passa de pai para filho), o denorex (não parece, mas é), o elétrico (aquele que quando lhe alertam sobre as escapadas da mulher, ele diz, tô ligado, tô ligado), o ateu (aquele que não acredita que é), o 120 (aquele que pega a mulher fazendo um 69 com o Ricardão e vai pro bar tomar uma 51), o churrasco (aquele que põe a mão no fogo pela mulher), o pai de santo (aquele que chega em casa e tira o caboclo de cima da mulher), o Brahma (aquele que pensa que é o número um), o Bavaria (aquele que divide a mulher com os amigos), o Papai Noel (aquele que larga da mulher mas volta por causa das crianças), o geladeira (leva chifre e não esquenta) etc, etc, etc. O gênero dos cornos é dos mais profícuos. Mas corno peçonhento? Até então não se tinham notícias. Até então...
Cientistas brasileiros - só podia ser - descobriram tão temível arma, o chifre venenoso. Descobriram não apenas uma, mas duas espécies de cornos peçonhentos. São dois sapos, o Aparasphenodon brunoi - com 9 centímentros, malhado de preto-e-branco e encontrado no Espírito Santo - e o Corythomantis greeningi - com 7 centímetros, esverdeado e nativo da catinga do Rio Grande do Norte.
Muitos sapos são venenosos, o que é muito diferente de ser peçonhento : venenoso é possuir alguma estrutura, geralmente um glândula, capaz de produzir veneno; peçonhento é produzir veneno e ser capaz de injetá-lo em outrem. Os sapos com glândulas de veneno na pele não são capazes disso, não tem nenhum órgão inoculador, o veneno só é liberado se ele for agredido, mordido, espremido.
O que não são os casos do  Aparasphenodon brunoi e do Corythomantis greeningi. A cabeça deles é guarnecida por vários espinhos ósseos que se distribuem à frente e às laterais, formando uma espécie de coroa de chifres; e, por entre os chifres, estão as glândulas de veneno. Quando o sapo bate com a cabeça contra um animal, seja para se defender ou para predar, a pressão do impacto não só faz com que os chifres penetrem a pele do infeliz como também rompe as glândulas de veneno, fazendo com que ele seja inoculado na vítima.
E o veneno do chifrudo não é fraco, não. É nada mais nada menos 30 vezes mais poderoso do que o de uma jararaca. Três microgramas do veneno do Aparasphenodon brunoi são suficientes para matar um camundongo; a jararaca precisa gastar noventa e cinco microgramas do seu se quiser papar um ratinho gordo. Um dos cientistas, Carlos Jared, levou uma chifrada do  Corythomantis greeningi ao manipulá-lo em seus estudos : a dor foi fortíssima, espalhou-se pelo braço e durou mais de cinco horas. 
Os cientistas ainda não sabem ao certo que pressões ou mecanismos evolutivos teriam dotado os sapos dessa verdadeira bateria de defesa antichifre, mas o Azarão sabe. 
Ao contrário do que pensa o populacho, a patuleia, a choldra ignóbil, o meio ambiente não muda ninguém, o meio não confere novas características a nenhum ser vivo, nenhum ser vivo muda em função dos obstáculos que o meio lhe impõe à sobrevivência e à reprodução, a necessidade não faz ninguém mudar. As mudanças, a aquisição de novas características, ocorrem totalmente ao acaso, através de mutações e recombinações gênicas, independente do meio circundante. 
O que o meio - juiz imparcial que não faz as leis, mas que as segue rigorosa e implacavelmente - faz é determinar se tal nova característica dá ou não alguma vantagem ao seu portador, se aquele presente do acaso, de alguma forma, torna o sujeito mais apto a sobreviver e a se reproduzir, naquele meio específico. Se sim, ele vive mais e deixa mais descendentes. Seus descendentes, herdeiros de sua carga genética, também viverão mais que os descendentes dos outros e também deixarão mais descendentes, e assim por diante. Depois de alguns milhares ou milhões de anos e gerações, o que inicialmente era atributo de um indivíduo passa a ser qualificativo de toda a espécie.
Mas, enfim, qual foi a grande vantagem evolutiva que os chifres dos sapinhos em questão lhes proporcionou, por que uma coroa de chifres ao redor da cabeça os tornou mais aptos a passar seus genes às gerações seguintes? 
Os cientistas especulam. O Azarão sabe! E a resposta é simples : as parceiras desses cornos peçonhentos, as sapinhas que desposam esses chifrudos venenosos, frente a tal poder de retaliação, cuidam de manter as pererecas da vizinha bem presas na gaiola. Sapo de fora não canta na lagoa do Aparasphenodon brunoi e do Corythomantis greeningi; à esquerda e à direita da foto abaixo, respectivamente.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O Homem-Gaveta

Nasci metódico,
Um arquivista congênito,
Um homem-gaveta.

Gaveta de LPs e fitas cassetes,
Gavetas de material escolar,
Gavetas de gibis,
Gavetas de coleções de selos e de chaveiros,
Gavetas de cartas e escritos outros,
Gavetas de pregos e parafusos, fita adesiva,
Rolhas, barbantes, trena,
Cortador de unhas, elástico de dinheiro,
Clips, lápis e canetas e outras miudezas.

Mantive até
Durante muito tempo
Uma gaveta dos meus sucessos
- antigos boletins escolares, nove medalhas de minha remota e nada saudosa época de judoca mirim, uns diplomas de graduação, coisa pouca -
E uma gaveta dos meus fracassos
- todos os "nãos" recebidos e as muitas inabilidades descobertas ao longo da vida.

Desocupei as duas.
À dos sucessos, bastou uma pequena caixa de calçado infantil;
À dos fracassos, tive que contratar três caçambas, dessas que recolhem entulhos de construções.
Desocupei as minhas gavetas, 
A dos sucessos e a dos fracassos :
Precisei delas para guardar minhas meias e cuecas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A Verdadeira Receita do Quibe Árabe

Não há atualmente uma culinária verdadeiramente brasileira, nativa. Se houve algum dia, foi a do índio, provavelmente um cardápio variadíssimo à base de mandioca - Eu saúdo a mandioca, já disse Dilma Rousseff -, peixe, uma fruta aqui e outra ali e uma ou outra caça que era eventualmente abatida.
De resto, toda nossa culinária foi trazida de fora, Europa, África, Ásia, Oriente Médio.
De natureza antropofágica que somos, apossamo-nos, devoramos e incorporamos cada uma delas, absorvemos cada um de seus atributos e qualidades e as modificamos, adaptamo-as aos nossos paladares e também à disponibilidade ou não de alguns de seus ingredientes originais, ou seja, na ausência de uma cultura alimentar própria, especializamo-nos em descaracterizar a cultura alheia e passar a chamá-la de nossa.
A exemplo : falar em lasanha de berinjela para um italiano, para um carcamano das antigas, é lhe dar motivo para que peça sua excomunhão ao Papa Chico. E pizza de banana, então? E de chocolate? O italiano reencarna Mussolini na hora e ordena a sua imediata execução.
A outro exemplo : e dizer a um russo, a um lobo das estepes, do tal estrogonofe brasileiro, com frango e palmito? Uma tropa de cossacos invadirá sua casa e o jogará para apodrecer em algum subterrâneo da Sibéria, para você passar a pão e água - ainda se fosse a pão e vodka...
Uma outra iguaria, essa de origem árabe, que passou e passa por maus bocados nas mãos dos cozinheiros tupiniquins é o quibe. Já vi receitas das mais variadas e estrambólicas, umas substituindo ingredientes, outras adicionando outros e até mesmo quibes vegetarianos, trocando a carne por berinjela ou por "carne" de soja.
Dia desses, no entanto, recebi por e-mail a autêntica e original receita do quibe árabe, a legítima, e aqui a disponibilizo para os leitores do Marreta, embora ela vá especialmente para o meu primo Leitinho, um verdadeiro chef de cuisine (eu prefiro ser um chefe de cuzinho), grande conhecedor e entendido de temperos e especiarias dos quatro cantos do planeta, um homem gourmet.
A receita é de simples execução e o resultado é saborosíssimo. Basta seguir a receita à risca, sem alterar proporções nem ingredientes, é só seguir o passo a passo que não há como errar.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Jesus Se Achegou ao Ouvido de Maria Madalena e Cantou : Eu Vou Tirar Você Desse Lugar...

O chamado Evangelho da Esposa de Jesus, encontrado em 2012, é um papiro cujas linhas, escritas no antigo idioma copta, vêm supostamente a provar que Cristo não era celibatário porra nenhuma, não era casto e cabação nem aqui nem lá em Nazaré. Que era macho das antigas (e bota das antigas nisso) e se fartava dos prazeres e das delícias da carne, fraca e impura.
Na verdade, o Evangelho da Esposa de Jesus nem chega a ser um papiro completo, é um pequeno fragmento de 4cm x 8cm, que, se por um lado, diminuto em dimensões físicas, por outro, grandioso e revolucionário em revelações e implicações doutrinárias. Neste fragmento, menor que uma carta de baralho, pode se ler bem ao centro, em negrito : “Jesus disse-lhes: ‘Minha esposa'"; "ela vai ser minha discípula"; e "eu moro com ela".
Na época, o Jornal do Vaticano emitiu uma nota, claro, negando a autenticidade do documento : " é falso, pois tem gramática pobre e origem incerta", disseram os Homens do Papa. Ah, o elitismo do alto clero católico! Ah, sua empáfia e soberba para com o resto da humanidade!
Vai que o papiro tenha sido escrito por um escriba de origem humilde, que tenha aprendido seus primeiros hieróglifos em escola pública de Mênfis sob o regime da progressão continuada, que tenha ingressado na UFVG (Universidade Federal do Vale de Gizé) via cota, Enem, Sisu etc, ou pior, que tenha se graduado à distância no ofício da Belas Letras na UniFaraó? A origem humilde e a má-formação acadêmica do escriba teriam, nesse caso, peso e relevância maiores do que a informação por ele grafada à posteridade?
Três anos após a sua descoberta, o Evangelho da Esposa de Jesus volta a ser objeto de polêmica. Exaustivas, criteriosas e minuciosas análises do papiro, realizadas por três equipes de cientistas - Harvard, Columbia e MIT (Massachussetts Institute of Technology) -, concluíram que o documento é autêntico!
“A composição química do papiro e os padrões de oxidação são consistentes com outros papiros antigos, ao comparar o fragmento do Evangelho da Esposa de Jesus com o Evangelho de João”, escreveram os pesquisadores no artigo publicado na revista Harvard Theological Review.
Sim, autêntico no sentido de ter sido escrito na mesma época em que o Evangelho de João, mas e em relação à confiabilidade de seu conteúdo? Por que, ainda que contemporâneo a João, confeccionado com os mesmos materiais, com o mesmo tipo de tinta etc, ele tem que ser obrigatoriamente verdadeiro no que diz respeito à informação que traz?
Algum fofoqueiro da época não poderia muito bem tê-lo escrito? Jesus foi uma celebridade de seu tempo, Jesus Cristo Superstar. E se tal fragmento for uma página remanescente de um antigo papiro semanal de fofocas, uma espécie de Contigo ou de Ana Maria da Editora Nilo Cultural? Um papiro sensacionalista que vivia de escarafunchar a intimidade dos famosos? E se o autor do Evangelho da Esposa de Jesus foi um Nelson Rubens da antiguidade?
Mesmo nos meios científicos há certas desconfianças em relação ao trabalho dos três grandes centros universitários. O egiptologista Leo Depudydt, da Brown University, um dos mais renomados do mundo, afirma que os erros gramaticais do copta e o uso de negrito nas palavras “minha esposa” - como se houvera o propósito de chamar a atenção para esse trecho em específico - mostram que se trata de um documento falso. Além disso, a fonte do papiro é desconhecida, ele chegou às mãos dos pesquisadores por um anônimo que o encontrou numa coleção de papiros escritos em grego e copta. Mais : por que, do papiro inteiro, sobreviveu apenas e justamente esse fragmento, o que diz da esposa de Jesus? Quando a esmola é muita, até o Cristo desconfia.
Ah, sim! Ia me esquecendo. A dita esposa de Jesus é, obviamente, Maria Madalena, prostituta regenerada, uma madalena arrependida de então.
O que faz todo o sentido. Pelo que se sabe, Jesus trabalhou por um tempo com seu pai, José, que estava a lhe ensinar o ofício de carpinteiro. Quando Jesus viu que o trabalho era pesado, sumiu no mundo e só voltou quando tinha 33 anos, e voltou meio como um hippie, um riponga cheio dos guéri-gueris e das filosofias, dessas coisas do Oriente, romances astrais. Jesus era um tremendo dum bon vivant, um baita dum 171, vivia com sua galera na maior pândega, a comer e beber pelas tavernas da Galileia. Como não trabalhava e, portanto, nunca tinha um puto no bolso, Jesus saldava suas despesas só na lábia, só no gogó, pagava a "dolorosa" com suas parábolas, com suas historinhas pra boi dormir. E depois que o sujeito enche a cara e conta umas vantagens pros amigos, ele vai atrás do quê? De buceta, claro. Não seria de se espantar que Jesus, além de frequentador dos botecos da época, fosse também presença assídua nos bordéis e nos zonões. Jesus bem pode ter sido uma espécie de Odair José dos puteiros da Judeia e da Galileia. E em uma dessas visitas, num dia em que se encontrava mais frágil e emotivo, achegou-se ao ouvido de Maria Madalena e lascou : eu vou tirar você desse lugar, eu vou levar você pra ficar comigo, e não me interessa o que os outros vão pensar...
O que faz todo o sentido. Salva por Jesus de um apedrejamento e desprovida de um único talento (moeda da época) que fosse nas dobras da túnica, Maria Madalena pagou a seu benfeitor com o único talento que deus lhe dera, com a única moeda que tinha e conhecia, com a moeda mais forte da história da humanidade, com a moeda que, entra século, sai século, nunca desvaloriza, nunca perde seu valor inerente e venal e tampouco está sujeita à lei da oferta e da procura : a buceta!
Harvard, Columbia e MIT para lá, Vaticano para cá, egiptologistas para acolá, e eu, o Azarão, em verdade vos digo : Jesus Cristo nunca foi casado. E nem poderia. Ele não existiu, porra!!!! É só um mito, um apanhado, um amálgama de outros mitos mais antigos que ele, Krishna entre vários. O cara não foi um homem real.
O dabate sobre a possibilidade de Jesus ter sido ou não casado me lembra muito de outra controvérsia envolvendo dois outros personagens fictícios; discussão que, embora bem mais recente que a de Cristo, dá ares de se tornar também secular, eterna : Batman e Robin, seriam eles gays, bichonas enrustidas?
Eis o papiro, leia e tire suas próprias conclusões.