terça-feira, 15 de março de 2016



M E D O
( e seus fermentos)


O fermento é um fungo microscópico,
E que belo tamanho ganha o pão.
Assim,
Não subestimo o invisível
(ou o que achamos que não pode ser visto
ou o que julgamos estar bem escondido).
Respeito os fermentos
Reverencio os fungos.
Sobretudo
O fungo do meu medo.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O Cidadão Lula

Texto tirado do Blog Chumbo Grosso, para ser cantado ao ritmo da música "Cidadão", de Zé Geraldo, aquela do "tá vendo aquele edifício, moço, ajudei a levantar, foi um tempo de aflição, era quatro condução..."

Tá vendo aquele Triplex, moço?
Na praia do Guarujá
Foi ele que meus amigos
Da construtora OAS
Quiseram me presentear

Tá vendo aquele sítio, moço?
Eu também frequentei lá
Lá eu tinha um laguinho
Com barquinho e pedalinho
Pro meus netos se esbaldar

Meu filho inocente
Ficou milionário de repente
Sem precisar trabalhar
O menino muito esperto
Estava no lugar certo
Na hora de copiar e colar

Tá vendo aquela refinaria, moço?
Ajudei esculhambar
Foi o caso do petróleo
Que prometeu tanto óleo
Que o dinheiro fez jorrar

Lá foi que valeu a pena
Muita gente se arrumou
Tem dinheiro na Suíça
Que mesmo com toda a preguiça
Que sua geração demonstrar
Não vai ter tempo nem disposição
Pra tanto dinheiro gastar
É mesmo o que sempre falo
Todos dias acorda um esperto antes dos otários acordar!

domingo, 13 de março de 2016

É Hoje

Aliás, sempre que vejo uma foto da Dilma, pergunto-me como mais de 50 milhões de brasileiros puderam confiar seu voto a alguém com uma cara dessa. Miopia nacional? O Brasil precisa de óculos ou de vergonha na cara?

sábado, 12 de março de 2016

A República dos Sonhos

Dia desses, por falta de assunto, ou, pior, por falta de vontade, por pura preguiça e prostração de escrever sobre algum assunto, publiquei uma postagem à qual intitulei Amigo de Leite é Bezerro, motivado pela imagem que re-reproduzo abaixo.
Achei-a de uma verdade incontestável. Tirante a gangue de psicopatas do Laranja Mecânica e o bom Jotabê, ninguém se reúne em torno de um copo de leite morno com Toddy e umas rosquinhas Mabel por tira-gosto. 
E não é que, depois de uns 15 dias da postagem, eu recebo um raro e inusitado comentário do meu amigo Fernandão? Um comentário dotado de uma inesperada e insuspeitada sensibilidade, sensibilidade de macho. Comovente, mas sem nenhuma viadagem. Eis o comentário do Fernandão :
"Bem caro amigo AZARÃO, foi em uma dessas cachaçadas que nossa amizade sincera e persistente começou.....a que saudades daquela republica, aquilo sim é que era a verdadeira republica, não essa, desse PAIS maltrapilho que vivemos.....lembra.....saudades das putas, pobres, pretos, viados, sapatões...aquilo sim era inclusão social, e a gente incluía mesmo....tudinho se deixasse. Que o diga o Paquera e o Cascatinha......kkkkkkk".
E é a pura verdade. Cristalina feito vodka russa tridestilada. Fundada em 1989, a República do Fernandão, e não a do Sarney, foi a verdadeira Nova República, foi a verdadeira democracia reinstalada depois da derrocada do governo militar, em 1985 
O Azarão foi concebido e parido na República do Fernandão. A República do Fernandão foi o útero, a manjedoura e a UTI neonatal do Azarão. O Fernandão foi o meu Stan Lee, e eu o seu Homem Aranha, a sua criação mais bem-sucedida. O Fernandão foi o soro do supersoldado, foi os raios gama, a picada de aranha radiativa que deu origem ao Azarão.
Tendo como quartel-general um sobradão antigo e decandente, da época dos barões do café, bem no centro da cidade, ali se via, se encontrava e se reunia de tudo. Toda a fauna e flora. Conhecida e ainda por ser classificada. Desse e de outros planetas.
Teve festa de ultrapassar 70, 80 pessoas, que nunca tínhamos visto e que nunca mais veríamos. E isso, só no boca a boca, só no disse-me-disse. Eram épocas - felizes épocas - livres de internet, de fotos digitais e do narcisismo estúpido das redes sociais. O inconsciente coletivo era que divulgava os eventos e os lugares a se frequentar. Época em que ninguém ia à festas já pensando nas fotos que iria tirar e postar. Época em se ia à festas unicamente para festejar. Garanto que não existe uma única foto das inúmeras festas da República do Fernandão. Só os polaroids da memória. Ainda bem!
O meu bom e velho amigo está certíssimo. Nunca houve, nem antes e nem depois, um espaço mais democrático e inclusivo que a República do Fernandão. Ali se congraçavam o veterano e o calouro, o Don Juan e o cabação, o preto e o branco (que à noite, como bem diz o ditado, eram todos pardos), a pudica e a biscate, o maluco beleza e o CDF, as Cinderelas e as moças do sapato grande, os trogloditas e os rapazes alegres, os desiludidos e os cornos de toda espécie.
Ali, todo mundo era igual. Todo mundo estava na mesma barca furada. Cada um nadava e se virava como podia. As oportunidades eram equânimes para todos que ousassem ali se adentrar. E os infortúnios, também. Já vi muito cara metido a galã, todo bonitão, bem vestido, perfumado etc sair de lá sem pegar nada, ficar, literalmente, na mão. E também muita mocreia, que ninguém, em nenhum outro lugar do planeta, desse e de outros, comeria, se dar bem. Salve, salve, Leni Vidal, essa incompreendida, que levava Moët & Chandon, a original francesa, para as festas, e tacinha flute porra nenhuma, o povo virava no gargalo mesmo, já vi cara botar Moët & Chandon pelo nariz. Não a havia, mas uma placa a encimar  a porta de entrada com os dizeres de Dante - perdei, ó vós que aqui entrai, toda a esperança -, seria muito adequada e ilustrativa. Ali, não havia rico nem pobre; ali, bebia quem pagava e quem não pagava. Bem sabe disso Wilson Takita. 
Aquilo era um portal dimensional, uma bolha no espaço-tempo, um Triângulo das Bermudas. 
E, invariavelmente, por volta das três, quatro da matina, chamados pela vizinhança, os homens da lei, a polícia, baixavam em nossa porta. Aí, era a vez e a hora do Marcão. Ele saía e ia conversar com os agentes da lei. Nunca soubemos o que ele falava para os policiais, qual o 171 que ele mandava para cima dos meganhas. Suborno e propina é que não eram. Ninguém ali tinha um puto para molhar a mão de quem quer que fosse. Mas sempre funcionou. Os policiais partiam em paz.
Porém, como acontece com todo áureo período, com todo império, com toda era geológica, a República do Fernandão teve o seu declínio, a sua derrocada; seu fechamento se deu em 1995. Lembro-me de ter ajudado com a mudança, de ter colocado, junto com o Fernandão, os velhos móveis na carroceria de um caminhão. Lembro-me do Fernandão trancando, pela última vez, a velha porta de madeira da entrada. Lembro-me do caminhão partindo e eu voltando para minha casa. No caminho mesmo, escrevi mentalmente o poema A República dos Sonhos - já escrevi muito mais poemas para os amigos do que para as putas que comi. Poema que permaneceu inédito até hoje, que até o Fernandão só tomará conhecimento dele agora, mais de 20 anos depois.
A República dos Sonhos
República das quimeras,
Das alegrias noturnas,
República das bebedeiras,
Não quero lhe ver de novo
Sabendo que será a vez derradeira.
Prefiro lembrar da sua voz
No tempo em que ela perturbava a vizinhança
E ainda não denunciava a sua ruína.
Não quero essa última visita
Agora que sei de sua trágica sina.
Eu só poderia lhe mostrar meus olhos vazios e tristonhos
E você só os merece como eram antes
Febris, vidrados e cheios de sonhos.
Cada festa era uma promessa de felicidade;
Promessa, que é verdade, nunca se cumpria
Mas até que, às vezes, lá pela madrugada
Antes do raiar do dia
Nos passava bem perto, nos roçava de leve.
E aqueles que a virem daqui em diante
Só verão o seu deserto
Não chegarão nem perto de saber dos seus dias,
Só saberão de você quem com você esteve.
E agora 
Que mais um ciclo se encerra
E agora
Que vai mesmo cair por terra
Onde foram desperdiçadas as forças
Que nos permitiriam achar uma saída?
República dos devaneios
Dos amores não correspondidos
República dos sem-iguais
Não quero lhe ver de novo
Sabendo que não lhe verei nunca mais.
Mas infelizmente serei eu
Juntamente com seu dono
Que irei recolher seus restos mortais. 
Mas preferia não lhe ver assim,
Vendo em sua derrocada
Também o prenúncio do meu fim.
Não sabe com que remorso
Lhe ofereço essa minha tristeza
(único presente a mim possível)
Em troca de tudo o que já me deu.
Não sabe a dor que sinto
Em ver vazios os seus recintos
Onde tanto já se viveu.
Não sabe o flagelo,
Essa agonia sem paralelo,
Que o meu coração agora corta
Em ser eu o único em seu enterro
Em ser eu a lhe fechar as portas.
Cada festa era uma chance de felicidade
Chance que, 
É verdade,
Sempre deixávamos escapar,
Pois se a agarrássemos
Que motivos teríamos para aqui voltar?
E como gostávamos de aqui sempre voltar!
E agora
Que está mesmo perdida
E agora
Que está no fim da vida
Onde foram desperdiçadas as nossas forças
Que nos permitiriam lhe ressuscitar?
Mas também estamos velhos
E nossos olhos são covas rasas,
Só nos sobraram forças
Para realizar a sua eutanásia.
República dos sonhos
Das horas escuras
República das sensatas loucuras,
Vai e ocupa o seu lugar no esquecimento,
Se torne em mais de nossos moinhos de vento,
Estará sempre presente em nossos mais tristes lamentos.
E agora,
Que deveríamos tomar um último porre juntos,
Só conseguimos
(nos perdoe essa última ofensa)
Lhe brindar com nossas taças quebradas,
E esse estranho pranto seco.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Mimetismos (20)

Sério que essa eu jamais poderia ter imaginado : margarina sabor manteiga.
O ser humano está a se tornar cada vez mais fraco e covardão, cada vez mais artificial, mais fake. O cara adora o gosto da manteiga, do torresmo, da gordura a bordear o bife etc, morre de vontade de se lambuzar todo, sonha que está a comer tudo isso, mas está mais preocupadinho com o colesterol, com os triglicérides, com a barriguinha saliente do que em promover uma orgia em suas papilas gustativas, do que se lançar sem paraquedas nem rede proteção a uma gozosa ceia, do que enfiar o pé na cornucópia.
E aí, começa a viadagem em nome do politicamente correto, da estética do limpinho, da comida saudável. E aí, o bundão passa a comer só franguinho grelhado e esturricado, substitui o torresmo da pança do porco pelo torresmo de soja (sim, existe essa merda) e, agora, troca manteiga pela margarina sabor manteiga. 
O ser humano moderno e politicamente correto não se arrisca, é um cuzão. Quer o prazer sem o risco inerente a ele. E nem se toca de que grande parte do prazer está justamente no risco que ele traz a reboque.
Valha-me Rei Roberto Carlos, tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.
O ser  humano está se transformando em gente com sabor de androide, de manequim de vitrine de loja. O que anda em falta ultimamente é de gente com sabor de gente. Não tem mais. Já vem tudo light ou diet de fábrica. Já nascem todos sem sal nem açúcar.
Não me surpreenderei se, em breve, for lançada no mercado a buceta com sabor de cu!!!
Pãããããta que o pariu!!!!

quinta-feira, 10 de março de 2016

Mulher das Antigas

Peitão, coxão, bucetão cabeludo... 
E sem TPM, por favor

É Blog!, por Jotabê

Um excelente texto do José Botelho, do Blogson Crusoe. Valeu pela parte "cerveja barata (mas boa)", Jotabê.
"Se seu avô, pai (ou mãe), irmão, primo, sobrinho, filho, neto, inimigo, agente funerário ou até mesmo seu ursinho de pelúcia apresentar mudanças de comportamento, fique atento. O mesmo aviso vale para seu marido, esposa, pegante, ficante, ricardão ou ricardinha. Be careful. 
Passe a observar se essa pessoa começou a ficar irritada sem motivo aparente, se está mais impaciente, inquieta, agressiva ou pela-saco. Pode ser que esteja usando drogas.
Depressão, angústia, insônia, isolamento ou surgimento de comportamentos inadequados (tipo cheirar peido debaixo do cobertor), tudo isso é motivo de preocupação. Especialmente se acontecer com seu inimigo. Sei lá, pode ser que ele, surtado, queira assassiná-lo com a faca Ginso de sua (dele) avó ou com o sabre de luz de seu (dele) sobrinho.
Observe os olhos: se a pupila estiver frequentemente dilatada e o som do Tim Maia seja ouvido com frequência, pode ser cocaína. Se os olhos estiverem vermelhos, cantarolar às vezes "gosto muito de você, leãozinho...", o reggae for o estilo musical preferido e um enorme apetite se manifestar na forma como o sujeito ataca o isopor da sua (sua) caixa de cerveja, deve ser maconha.
É motivo maior de preocupação se os olhos estão vermelhos e uma expressão vazia e apalermada tomar conta de seu (dele) rosto, pois podem ser fruto de noites mal dormidas passadas em frente ao computador. Aí a coisa pode estar feia mesmo, pois seu chegado pode ter criado um blog. E se o olhar, de repente, ficar vidrado e o sujeito não notar nada do que estiver rolando à sua volta, meio catatônico, sinto muito, meu senhor e minha senhora, aí realmente fodeu de vez, pois ele deve estar pensando em algum novo post para divulgar no blog. 
Se fosse um tipo de droga normal, bastaria encaminhar o viciado a uma clínica de reabilitação e comer o cu do traficante (pensando bem, essa última atitude pode não ser uma boa ideia, pois é a sua - sua mesmo - integridade que poderá ir pro saco. E sem malícia, por favor!).
Para que não reste nenhuma dúvida sobre o diagnóstico correto, algumas perguntas precisam ser respondidas.- Acordou às 5h10min e, em vez de virar para o canto e dormir de novo, voou para o computador? É blog;
- Parou de assistir os programas do Ratinho, Sônia Abraão ou João Cléber? É blog;
- Deixou de tocar "você é luz, é raio, estrela..." no violão que ganhou no bingo? É blog;
- Não quis renovar a assinatura de Caras? É blog, claro; 
- Aumentou o consumo de tequila, cerveja barata (mas boa) ou leite com toddy? Bloguíssimo!
Um blog é uma droga de abordagem quase espiritual, deve ser entendido como se o coitado que o criou tivesse sido abduzido, sugado para dentro do monitor do micro. E nem sempre há remédio para esse mal. 
A única esperança real de cura é se um dia o viciado, olhos fixos na tela, depois de se decepcionar pela milésima vez com a quantidade ínfima de visualizações do último post,  exclamar - "Ainda vou acabar com essa merda!"
Carinhosamente, com o auxílio de dois seguranças de boate parrudões (de terno preto, por favor) e de um taco de basebol bem manejado, diga para ele: - "Não olhe para a luz!"

terça-feira, 8 de março de 2016

O Cansaço do Torturador

Antes,
Bastava eu fornecer a cerveja
E uns tira-gostos
(uns amendoins
umas azeitonas,
uns cubos de provolone
e meu cérebro vivo à vinagrete)
Que a madrugada trazia o resto.
Trazia a Lua
As fadas
As rimas
Os voos
As musas circulavam feito putas
Em volta da minha mesa
Com suas bucetas ruivas de sangue
Em busca de um trago.

Perseverante,
Ou sem mais o quê,
Sem outro caminho
(que perseverança só é um nome pomposo que se dá à tacanhez aliada à falta de opções),
Continuo com minha mesa posta,
A cerveja quase gelada,
Umas oferendas salgadas e gordurosas,
E meu cérebro à escabeche.

Porém,
Meus satélites desgarraram-se,
Atraídos por melhores ofertas de emprego,
Por Júpiteres maiores;
Minhas fadas madrinhas
Enfadaram-se de mim,
Me excomungaram;
Meus voos,
Todos cancelados,
Por mau tempo,
Por overbooking;
As musas
Cansaram-se da caridade,
Largaram a batina,
Abandonaram o mecenato,
São todas,
Hoje,
Top models internacionais
A soldo de Midas.

E minha madrugada
Tornou-se em madrugada qualquer,
Igual a de qualquer outro.
Deixou de ser vicinal estrada,
Uma fuga do pedágio,
Outra estada.
Deixou de ser outra estação
De trem
De rádio
Climática.
Passou a ser meramente
Um outro hiato
Um vácuo entre vácuos.
O minuto de descanso
Entre um round e outro.
Os dez minutos para o cafezinho,
Para voltar ao arado,
Ao escritório,
Minimamente são ao sanatório.
Melhor :
Os dez minutos para o cafezinho do torturador,
Que meu descanso é isso,
É a pausa,
É o cansaço do torturador.

Camisa de Vênus e o Dia Internacional da Mulher (Repostagem ampliada)

O ano era 1986 e o Camisa de Vênus, liderado por Marcelo Nova, lançava o primeiro LP do rock nacional gravado ao vivo, o Viva. Entre as músicas clássicas do grupo, uma inédita : Sílvia, o relato de um corno, cheio de palavrões e revolta contra sua mulher infiel.
A gravação do disco foi realizada no Dia Internacional da Mulher, Marcelo Nova não deixou passar o ensejo e discursou sobre. Com vocês, Mr. Nova e a homenagem ao Dia Internacional da Mulher :

“Hoje tem um monte de… Hoje tem um monte de mulher na platéia.  Legal.
Hoje é o dia… Hoje é o dia internacional da mulher.
E nós queremos aproveitar a oportunidade porque o Camisa de Vênus tem sido acusado de ser uma banda machista, mas não é nada disso. Na verdade, o Camisa de Vênus é a única banda heterossexual do planeta. Né?
E então a gente não podia  deixar de dizer que nós adoramos as mulheres. Sem você, nós não viveríamos em hipótese alguma. Inclusive eu acho que mundo só vai consertar o dia que a mulher tomar o poder, bicho. Tem mais tato, tem mais sensibilidade, tem mais carinho.
Agora que eu já enchi o ego de vocês, podem arriar as calçolinhas e vamos lá.”
 
Silvia
(Camisa de Vênus)
Você me diz que não tá mais saindo
Mas eu desconfio que cê tá me traindo

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Vive dizendo que me tem carinho
Mas eu vi você com a mão no pau do vizinho

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Todo homem que sabe o que quer
Pega o pau pra bater na mulher

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Vive dizendo que tá numa boa
Mas veio pra São Paulo dar massagem em coroa

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Você jura e repete que me tem amor
Mas eu lhe flagrei com um vibrador

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Todo homem que sabe o que quer
Pega o pau pra bater na mulher

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Quando eu chego em casa com essa cara de otário
Vejo o zelador, tá dentro do armário

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Eu acho mesmo que você não tem jeito
Pois até o leiteiro anda mamando em seu peito

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Todo homem que sabe o que quer
Pega o pau pra bater na mulher

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!
Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Ô sua puta!

sábado, 5 de março de 2016

Vida em Brim Cáqui

Toda segunda-feira,
Bolsa de brim cáqui
(de carteiro)
A tiracolo,
Andando de passos leves
Para não acordar os galos,
Olhando 
No céu
Os últimos hematomas da madrugada
Se dissiparem da tez do novo dia,
Ele entra na loja de conveniência do posto de combustíveis
(a atendente - cara fresca, maquiada e alegre - até já sabe)
E paga por uma lata de cerveja
A que estiver mais barata
Das de 473 ml.
Abre o lacre já na rua
A caminho do trabalho
Dá uma talagada
Ergue-a
E brinda aos cinco dias
Ditos úteis
(para quem?)
Que se põem como obstáculos
De uma corrida de percurso indefinido
Sem revezamento
E sem pódium
Nem medalha 
Nem bandeira
Nem hino no final :
" -Vamos lá, semana de merda!"

Passa os outros dias
Em sobriedade
Em dormência, em latência
Em total inutilidade :
Só cumprindo seu dever
Em total abstinência e esquecimento de si próprio.

Toda sexta-feira,
A mesma bolsa brim cáqui,
Feita em espinho em seus ombros caídos,
Os passos pesados
De atoleiro,
De piche derretido
(os galos indo se deitar que se fodam),
Olhando 
No céu
As primeiras varizes roxas da noite,
Os primeiros vermelhos,
Os anúncios do mênstruo da madrugada,
Ele entra na loja de conveniência do posto de combustíveis
(a atendente - esgotada, maçãs do rosto desidratadas, com prazo de validade expirado - até já sabe)
E paga por uma lata de cerveja
A que estiver mais barata
Das de 550 ml.
Abre o lacre já na rua
Dá uma emborcada
Ergue-a
E brinda
(Porque o Inferno, sabendo de nossa fragilidade, e necessitando de nossa força, nos dá férias, nunca alforria):
" - Bem-vindo, fim de semana de merda!"

sexta-feira, 4 de março de 2016

Poemas Mancos e Nudes da Minha Benga

Estados Unidos da América é o cacete! A internet é a atual Terra das Oportuinidades! A web é o novo Velho Oeste a ser explorado e escalpelado!
Basta que se tenha o faro para detectar o seu público-alvo de idiotas. Que se tenha o feeling para cercar sua manada de bisões e, Buffalo Bill cibernético, ir abatendo um a um, ganhando uns cobres por cada couro.
Rayssa Potel, modelo paulista, encontrou seus bisões : os poeteiros. Os poeteiros são os punheteiros de alma lírica e sensível. Os masturbadores amantes das belas-letras. Os socadores de bronha de saraus. Aliás, tenho cá pra mim que todos os frequentadores de saraus são contumazes punheteiros. Se o cara tivesse uma boa duma buceta à sua disposição, duvido que ficasse lá no sarau, ouvindo chorumelas alheias, tomando cappuccino, de perninhas cruzadas e fazendo fuças de intelectual.
Rayssa é, segundo autodefinição, poeta e gostosa, e resolveu ganhar uma grana se valendo de seus talentos literários, mastológicos e ginecológicos : a um grupo de 250 seguidores, via whatsapp, pois a bela e culta conta que já teve seu trabalho censurado em várias redes sociais, pelo módico valor de R$ 10,00/mês, ela envia, diariamente, dois ou três poemas de sua lavra acompanhados de fotos peladas dela, o que hoje é chamado de nudes. Poemas e peitos. Sonetos e xavascas. Redondilhas e o redondinho. 
Não sei quanto à qualidade dos poemas da moça, mas a "capa do livro" é até bem apresentável. Nenhuma oitava maravilha, mas tudo certinho, bem proporcionado, dentro dos conformes. A capa vale os dez reais. E nem um centavo a mais.  
Só com a atividade de poemas e nudes, a modelo abiscoita R$ 2.500,00 por mês. E eu, aqui, tendo que aturar aluno ignorante e mal-educado para garantir meus caraminguazinhos.
Pois resolvi : também vou entrar no comércio barato dos poemas de amor e das nudes.
A quem se interessar, e manifestar a vontade aqui no blog, pelos mesmos R$ 10,00/mês, passarei também a enviar todos dias um ou dois de meus poemas mancos junto a nudes minhas. E prometo que vou sensualizar pra valer. Nudes de meu torso raquítico. De meus bíceps pelancudos. De minhas pernas de seriema. De minha incipiente pança. De meus glúteos de ameixa seca. E, lógico, nudes da minha benga. Mole, é claro. Dura, só de R$ 100,00/mês para cima.
Pããããããããta que o pariu!!!!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Lois Lane

Lois Lane
Ganhou o coração
E os testículos do Super-Homem.
Por ela,
O Super-Homem,
Que, como todo homem,
Pensa com a cabeça do seu superpau,
Despojou-se de sua capa,
Da insígnia do "S" - o seu brasão de família -,
De seu peito de aço;
Renegou sua herança paterna,
O seu DNA de Marlon Brando.
E agora
Lois Lane
Dorme feliz e profundamente,
Abraçada,
De conchinha a ele.
Realizada por tê-lo
A andar de cuecas frouxas pela casa,
À mesa do cotidiano e amargo café da manhã,
No sofá todas as noites
A ver futebol 
E a entornar cerveja,
A se ocupar das contas de água, luz, telefone e tv a cabo,
A procurar por ofertas
E a enfrentar filas nos supermercados,
A fodê-la rapidamente
Uma ou duas vezes por semana.
Lois Lane
Prefere ter o fraco e patético Clark Kent só para si
Do que compartilhar um semideus
Com a humanidade.
Lois Lane
Não é diferente
De toda e qualquer mulher.