quarta-feira, 20 de abril de 2016

É a Podridão, Meu Velho (9)

O bafio equatorial da noite,
Pegajoso e com notícias de coisas decompostas,
Feito veias esclerosadas
Ou manilhas de esgoto a céu aberto,
Traz à minha sacada,
Onde tento me livrar do lixo do dia
E ver se consigo umas duas ou três horas de sono ininterrupto,
O cheiro de mausoléus demolidos,
De trocas de pele que deixei pelo caminho,
Da exumação de lembranças
Para as quais
Há muito não acendo velas
Nem deposito vaso de crisântemos roxos.
Traz o odor de carne queimada,
De churrasco
- provavelmente do bar algumas quadras abaixo
que serve espetinhos na calçada -
E junto
As assombrações do tempo
Em que eu também me reunia com o bando em torno da fogueira.
Dou-lhes as costas.
Jogo fora minha agenda antiga
E meu álbum de formatura.
Traz acordes de rock
(Aerosmith, acredito, sempre fui péssimo com estrangeirismos musicais)
Como que saídos de distantes confins
E a mim chegado por um buraco negro de vinil
(na verdade, vem do quarto do vizinho da casa da frente),
Enchem o ambiente 
De fumaça
De bruma
E de torpor
Das noites passadas no Paulistânia.
Dou-lhes as costas.
Tiro o Raul da vitrola
E o devolvo ao seu sarcófago
Com capa e encarte originais.
Traz as risadas dos meus passos
Pelas madrugadas,
Pelas ruas vazias,
O farfalhar das asas de Mercúrio em meus velhos tênis.
Dou-lhes as costas.
Há muito depenei as asas em meus calcanhares
E lhes fiz em macio travesseiro
Para depositar e repousar meus pés,
Suas varizes, seus calos ósseos, suas tendinites.
Traz o cheiro da caça no cio.
Dou-lhe as costas.
Não me interessam mais
As cortes,
Os rituais,
As danças de acasalamento;
Nem o próprio acasalamento.
Tranquilizem-se e descansem
Pois
Do peso de suas armas,
Do controle dos holofotes,
Da coleiras de seus cães,
Os carcereiros.
Podem ir cochilar numa cela vazia
Ou jogar baralho no pátio da prisão.
Relaxem
Pois 
De suas poses e perfilamento de guardas do Palácio de Buckingham,
Oh, grades de minha cela.
Entreguem-se ao vício do oxigênio,
Oxidem,
Enferrujem sem remorsos.
Que a prisão mais Alcatraz,
Que os grilhões mais anti-Houdini
É a falta de vontade de querer fugir,
É recusar o indulto de Natal.
Sou um assum preto que fura os próprios olhos
Pra ver se assim canto melhor.
Ou choro menos.
Em tempo : o assum preto que fura os próprios olhos é referência a  uma das mais belas e tristes músicas de nosso cancioneiro, Assum Preto, de Luiz Gonzaga, que conta da antiga, comum e cruel prática de furar os olhos do pássaro preto para ele cantar melhor. Quem não conhece, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Mimetismos (21)

O que vocês veem na foto abaixo? Dois portentosos leões, certo?
Porra nenhuma! Duas gazelas! Gazelíssimas! Saltitantes veadinhos-campeiros em pele de leão! Um dos casos mais impressionantes de mimetismo jamais antes presenciado no reino animal.
Os dois "gosto muito de te ver leãozinho, de molhar minha juba" foram flagrados tentando o acasalamento na região de Kwando, em Botsuana. O registro foi feito pela fotógrafa Nicole Cambré, tarimbada especialista em vida animal.
De acordo com informações recebidas por Nicole de um guia local de safári, as duas princesas leões ficaram nessa putaria durante uma semana. Uma semana de bafo quente na nuca, de beijar pra trás, de te ver entrar no mar, tua pele, tua luz, tua juba, de estar perto de você e entrar numa.
Nicole relatou, estupefacta : "Esses machos expulsaram outros machos. As fêmeas seguiram para a região de Mopani. A única leoa que ficou não despertou interesse dos leões, o que nos leva a crer que ela esteja esperando filhotes. Foi a primeira vez que vi comportamento homossexual em leões".
Pãããããta que o pariu!!! Até tu, Natureza?
Será o aquecimento global? O efeito estufa? O buraco na camada de ozônio? A mudança na frequência do campo magnético do planeta?
Até tu, Seleção Natural, tomando mais o partido de Jean Wyllys que o do Jair Bolsonaro?
Frente a esse inédito e estarrecedor caso, visualizo uma única saída para o planeta : uma nova extinção em massa, passar a régua e recomeçar tudo do zero. A última grande extinção, a dos dinossauros, deu-se há 65 milhões de anos. Passou da hora de outra.
Uma catástrofe em escala global, por favor!!!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Habemus Impeachment (Ou : Deus Também Votou Pelo Sim)

Reza a mitologia católica que é o Espírito Santo quem escolhe o Papa. Os cardeais parte do conclave nada mais são que meros receptores-transmissores da voz do terceiro em comando da Santíssima Trindade, radinhos de pilha da rádio CBN do Senhor.
Sendo assim, alguns aspectos da eleição papal sempre me deixaram meio com a pulga atrás da orelha. Se é o Espírito Santo quem escolhe, não bastaria um cardeal para lhe dar voz? Na última eleição papal, cento e quinze cardeais votaram. Mais : se é o Espírito Santo quem sopra o nome do novo Papa no ouvido dos cardeais, por que nem sempre a decisão é unânime? Muitas vezes, inclusive, a eleição precisa ser repetida até que seja alcançado o número de votos necessários e, finalmente, a fumaça branca saia pela chaminé a anunciar o novo chefão católico.
Tenho uma teoria - herege, é claro - para essa tão profunda questão eclesiástica. O Espírito Santo tá lá, curtindo a sua merecida eternidade e, de repente, chega um querubim com uma convocação do Senhor, é a hora de eleger um novo Papa.
- De novo, Senhor? O último já morreu? O Senhor deveria fazê-los mais duráveis, mais longevos.
- Olha a blasfêmia, Santinho (que é como Deus chama carinhosamente o Espírito Santo).
- Desculpe, Senhor, é que foi ainda um dia desses...
- Esse não morreu, Santinho, renunciou, não aguentou o tranco de umas denúncias de umas putarias lá no Vaticano, rede de prostituição de coroinhas saradões, pedofilia, o de sempre, Santinho, mas agora tem a porra dessa internet que o Demônio inventou e todo mundo fica sabendo das intimidades do clero.
- Renunciou só por causa dessas coisinhas? O Senhor bem que já os fez com mais fibra e têmpera, mais guerreiros.
- Tá insolente, hoje, hein, Santinho? Com essa crise que tá aí fora, eu meto o pé na sua bunda e tá cheio de espírito desempregado por aí disposto a trabalhar por metade do que você ganha, e aqui no Céu não tem seguro desemprego, bolsa família, essas porras, não. Além disso, a culpa é sua, não é você quem os elege? Quem mandou escolher um frouxo?
- Xeque-mate, Senhor.
A contragosto, puto da vida - um funcionário público do Céu -, o Espírito Santo se dirige à Terra para fazer seu papel de cabo eleitoral. No caminho, o Espírito Santo vem pensando, eu podia tá sossegado agora, coçando meu santo saco, contemplando o cosmos, lendo uns salmos do Rei Davi, tomando um bom vinho da vinícola de Noé, bem melhores do que os que Cristo produz, ouvindo uma orquestra de harpas de querubins e trombetas de arcanjos, podia estar atrás de uma virgem pra descabaçar, e tenho que deixar o bem bom para ir eleger a merda de um outro Papa.
Chega no Vaticano com uma puta duma má vontade e age como qualquer funcionário público, procrastina o seu serviço. Ele podia simplesmente chegar e já falar logo o nome do novo Papa. Mas não. Resolve enrolar e dar um cansaço naqueles que prescindem de seu serviço. Não por incompetência, mas para se divertir um pouco. Você acha mesmo que todo funcionário de repartição pública é incompetente? Porra nenhuma. A maioria conhece muito bem de seu riscado, eles passaram num concurso de provas e títulos. Mas ficam com aquelas exigências todas - protocolos disso, daquilo e daquiloutro, cópias autenticadas da certidão de nascimento da bisavó etc etc - só de sacanagem. O cara tá preso o dia inteiro ali, tem que se divertir de alguma forma, então, fica dando uma zoada na cara do contribuinte.
O Espírito Santo é igual. Antes de revelar o nome do novo Papa, ele dá uma sacaneada no Conclave, sopra um nome no ouvido de cada cardeal : Pio XII, para um; Leão V, para outro; Bento XVI, Clemente X, Francisco I, Maluf IV, e assim por diante. Só para ver a fumaça preta sair e a cara de decepção, ansiedade e angústia dos fiéis à espera. Aí, quando se cansa, ele entrega o jogo e pica a mula, vai entregar o relatório ao Senhor.
Toda essa lenga-lenga porque a votação pelo prosseguimento do impeachment da Dilma, ontem, me lembrou muito uma eleição papal. Porém, como o impeachment da esquizofrênica da Granja do Torto é questão de muito maior relevância e urgência cósmica que a eleição do Papa, Deus não deixou a missão à cargo de seu subalterno, não a colocou nas mãos do medalha de bronze da Santíssima Trindade : veio Ele mesmo ao plenário da Câmara dos Deputados.
Noventa por cento, pelo menos, dos votantes que eu ouvi, declararam que seus votos eram em nome de Deus. Era Deus a usar os deputados, feito o Espírito Santo aos cardeais, para verbalizar sua divina voz e decidir pelo andamento ou não do impeachment da Dilma. Do lado de fora da Câmara dos Deputados, os eleitores esperavam para ver subir aos céus do Planalto a fumaça verde e amarela, ou a vermelha.
A decisão, assim como a eleição para Papa, não foi unânime. Deus também gosta de dar uma sacaneada, de criar um clima de tensão, de gerar beligerâncias, é o passatempo preferido Dele.
E a fumaça que subiu foi a verde e amarela.
Habemus impeachment.
Deus falou por todos os deputados e decidiu pelo prosseguimento do processo do impeachment. Deus quer o impeachment da Dilma.
Resta agora o Senado, onde, espero, não seja o Capeta a falar pelos senadores, pois esse, o Cramunhão, o Belzebu, o Coisa-ruim, é vermelho de nascença.

domingo, 17 de abril de 2016

Tchau, Querida! (Ou : Fora Vermelhoides Filhos das Putas)

Não gosto de repostagens, acredito que essa deva ser a segunda ou terceira entre as mais de 2000 postagens do Marreta. Mas ainda assim, não gosto. Fica parecendo coisa de rockeiro sessentão ou setentão que fica a cantar para sempre os seus primeiros sucessos sentado no banquinho (no meu caso, a republicar meus primeiros fracassos), pois não tem mais forças para pular no palco nem para novas composições de mesma força.
Reposto-a, contudo, primeiro porque a parte do envelhecimento, fraqueza e falta de inspiração é verdadeira e, segundo, porque acredito mesmo que esse texto representa muitíssimo bem o momento que vivemos : há cerca de 15 minutos, foi decidido o afastamento da presidente Dilma Rousseff, quiçá a última vermelha escrota que estará à frente da nação verde-amarela. 
Para amanhã, ou depois, prometo um texto novo a esse respeito, que mostrará que o impeachment de Dilma é vontade de Deus.

Verde Que Te Quero Verde



O vermelho nunca foi inclinação natural da terra brasilis,
O verde sempre foi nossa nativa vocação,
Ainda que desmatado, sempre o verde.
Carnavalizaram demais com o verde,
Vestiram o papagaio com pele de lobo,
Lobo das estepes, o lobo do homem.
Fantasiaram o portuga-afro-índio de cossaco,
Puseram a foice e o martelo em suas mãos
(logo nas de quem...).
Deu no que deu!
Uma transfusão se faz urgente,
Do sangue pela seiva,
Do vermelho pelo verde.
Pelo verde-oliva, se necessário for ou se mostrar.
Sim, pelo verde-oliva
E por que não?
Já deu certo uma vez, não deu?
Não é mais hora
Nem há mais espaço para conciliações e conchavos.
É hora de redefinições e novos maniqueísmos,
Que as elocubrações, intermédios e meios tons
Sejam deixados nos lugares que bem lhes cabem,
Nas conversas de boteco e nos livros de filosofia.
A realidade é dicotômica:
Verde é verde, vermelho é vermelho.
Tente misturá-los e terá um marrom-merda em suas mãos,
O marrom-merda que tomou conta do país nas últimas décadas,
Marcadamente na última.
Não é mais hora de moderações,
Do equilibrista em cima do muro,
Não é mais hora de confusões e conluios cromáticos,
Não é mais hora para daltonismos:
Verde que te quero verde.

Vale a Pena Ver de Novo

sábado, 16 de abril de 2016

Manifestações Pró-Dilma Revelam a Natureza do PT e de seus Simpatizantes : Desordeiros, Terroristas, Escória

Encurralados pela Justiça de um Estado democrático, o PT e seus eleitores, militantes, simpatizantes e cupinchas de todos os tipos começam a se desfazer da pele cordeiro com que têm se vestido nas últimas décadas - pele de cordeiro que nunca me enganou, pois sempre os soube cachorros selvagens e vira-latas.
Pegos de calças curtas por juízes federais honestos e cumpridores de seu dever e expostos pela imprensa livre do país como a quadrilha, como a máfia travestida de partido político que são, a máscara do PT e de seus comparsas começa a ruir, a sua verdadeira e podre e mefítica natureza começa a escapar por entre as rachaduras da maquiagem e a mostrar que são o que os militares já disseram há 50 anos : desordeiros, agitadores, terroristas, subversivos, bandidos de alta periculosidade, um câncer em qualquer tecido saudável da sociedade, uma lepra, um cancro mole.
As manifestações a favor do governo não apresentam nenhum caráter pacífico ou democrático. Pudera. São realizadas por um exército de mercenários comunistas encabeçado por organizações sindicais (outra maneira, além de fundar um partido político, de legalizar um grupo criminoso) e líderes de movimentos sociais (idem) a soldo do PT. Um exército de desdentados famintos movidos a pão com mortadela - que é parte da paga que os manifestantes recebem para saírem às ruas e balançar as bandeiras vermelhas. E o que é pior, pagos por nossos impostos. Sim, é o coxinha quem paga o pão com mortadela do comunista safado e vagabundo. É o que o PT chama de distribuição de renda, de justiça social.
Abaixo algumas cenas que bem ilustram como o PT e seus camaradas exercem o seu direito democrático de expressão. Atos de puro intimimidamento, de terror, de guerrilha suja. Todos ocorridas ontem, sexta-feira, 15/04/2016.
Tomada e bloqueio de vias públicas. Barricadas de fogo impedindo o trânsito, atrapalhando a vida de quem tem que trabalhar para viver, do verdadeiro trabalhador. Escória, canalhada, vagabundos, pois se trabalhassem não estariam em plena luz do dia a praticar atos terroristas. Cadê o Exército que não toma as devidas providências? Por que demoram tanto a agir?
Partido dos Trabalhadores é o cacete! Parasitas sociais, isso sim!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Alexandre Frota Quer Pôr no Toba da Dilma

Cinquenta e quatro milhões de idiotas votaram em Dilma Rousseff dando ao PT o seu quarto mandato presidencial; a partir daí, os outros oitenta e oito milhões de brasileiros que ou votaram em Aécio, ou em Marina, ou que faltaram às urnas, ou que votaram branco ou nulo (abstenções, brancos e nulos somaram 37 milhões de votos), passaram a nutrir um único desejo político, um único sonho de consumo : botar no toba de Dilma Rousseff, ver o cu dela pegar fogo, uma vez que no nosso ele já está ateado desde 2002, o primeiro mandato do sapo barbudo.
Desde que assumiu o segundo mandato no Planalto, Dilma Rousseff está com o fiofó a prêmio. Porém, nunca antes o seu orifício bufante esteve exposto a um perigo tão real e imediato quanto agora.
Anteontem, Alexandre Frota também entrou com um pedido de impeachment contra Dilma, a esquizofrênica da Granja do Torto. Alexandre Frota também quer pôr no cu da Dilma.
O ator Alexandre Frota é um notório bad boy carioca (já está mais para bad sênior), comedor conceituadíssimo, jogador de futebol americano, macho das antigas e fez invejável carreira no cinema pornô nacional, foram 12 filmes nos quais ele comeu nada mais nada menos que 78 mulheres. E um travesti.
Ou seja, se tem alguém que bem entende da arte de pôr no cu alheio, esse alguém é Alexandre Frota. Não há cu que escape de Frota. Dilma está pega e finalizada. 
Com Frota, o buraco é mais embaixo. É mais em cima, é no meio, é de lado, é de esgueio, é no nariz, é na orelha, é onde buraco houver. Frota bate forte e duro. O que vem de Frota não é mole, não. Frota é agente bem treinado em operações especiais de espionagem e contraespionagem que envolvem monitoramento, escrutínio e invasões secretas e não autorizadas de cu. 
Frota é o agente secreto de Sua Majestade com permissão para traçar um cu. Frota é versátil, eclético e espartanamente profissional : não dispensa serviço. Já comeu desde as sexagenárias pregas de Rita Cadilac até o jilozinho, com acompanhamento de linguiça, da bela Bianca Soares, mulher de  tromba famosa no pornô brasileiro, a rainha com cetro do  métier, e do chupier, também.
Agora, é o cu da Dilma que está na mira da bazuca antiaérea de Frota. Se bem que, nesse caso, única e exclusivamente nesse caso, considerando que essas fossem as duas últimas opções de cu no planeta, o da Dilma e o da Bianca Soares, eu preferiria muito mais o cu do traveco.
Mas veremos que Frota não foge à luta. É um resignado a bem do brasileiro. É o nosso escolhido, o nosso redentor, o depositário de nossas esperanças. Lula, Dilma e o PT colocaram durante tanto tempo no cu da classe média brasileira - o segmento que carrega a porra desse país nas costas - que é chegada a hora do troco, a hora da onça beber água. Frota será o coordenador e o executor de nossa vingança anal, Frota irá organizar essa suruba, pois até agora só nós é que levamos no cu. Frota, mestre budista nas técnicas do jiu-jitsu e do vale-tudo, pegará Dilma num mata-leão e dirá com voz grossa e rouca ao seu ouvido : agora é a minha vez!
O pedido de impeachment de Frota foi o 36º protocolado contra Dilma, a maioria foi engavetado e nove ainda estão em aberto. Ao entregar seu pedido no Salão Verde da Câmara dos Deputados, Frota declarou : "Saibam que nós brasileiros não vamos desistir em acabar com esse governo safado e vagabundo de Dilma. Vou entregar essa peça ao meu malvado favorito, Eduardo Cunha"
Perguntado por um repórter se o seu pedido não estaria um tanto quanto "atrasado", Frota respondeu duro à ironia : "Nunca é tarde!" .
E Frota não só não estava sozinho como sim muito bem acompanhado, o ladeavam e escudavam o intrépido Jair Bolsonaro e o filho Eduardo Bolsonaro, ambos deputados pelo  PSC-RJ.
Num brado heroico e retumbante, Frota finalizou : "Lula na cadeia!".
Concordo com Frota, o lugar do sapo barbudo é na cadeia. Com direito a visitas íntimas, é claro. De Alexandre Frota.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Mexendo No Que Está Quedo

Chegaste ventando, 
Bafejo de dor incubada, de infarto, de tensão.
Chegaste fora de ensejo 
Farfalhando uma vida (a minha) desconjugada da ilusão. 
Assim, nem te recebo em graças 
E com meus braços,
Em movimento contrário ao meu querer,
Fecho minhas janelas para ti. 

Chegaste soprando, 
Aragem de vício, de inflamação, de abscesso. 
Chegaste em hora defasada 
Remoinhando uma vida (a minha) de prazeres em recesso. 
Assim nem te aceito em dádiva 
E com a musculatura facial 
Mentindo descaradamente 
Pungentemente 
Fecho meus lábios para ti. 

Chegaste em brisa, 
Morna monção de vitalidade, de descalabro, de remissão. 
Chegaste, porém, tarde, fora do meu prazo de validade 
Turbilhionando uma vida (a minha) demissionária da paixão. 
Assim, nem te acolho em remanso 
E com os pés,
Despudoradamente gritando em tua direção,
Resignadamente,
Tomo trilha oposta a tua. 

Mortificado, te recuso 
(Não irei mesmo nem mais tocar em ti), 
Ternamente, te agradeço. 
Em silêncio, sem que nunca saibas, te agradeço. 
Sempre de modo afetuoso, lembrarei de ti 
(Ainda que não sem as leves fisgadas daquela dor: 
Mansa, aguda e difusa, que me acompanha desde que te conheci). 
Serás secretamente minha última paixão. 
Paixão. 
Irrealizada: para que se perpetue como paixão.

domingo, 10 de abril de 2016

Conto de Fadas Adulto

Madrugada:
Falsificação do dia,
Cópia pirata da vida,
Existência made in China,
Fabricada na Zona Franca de Manaus.
Olhares falsos,
Sorrisos falsos,
Whiskys falsos,
Entrelaçar de dedos falso,
Feromônios falsos
(Do Boticário ou da Natura),
Nomes e telefones falsos
Escritos em guardanapos de papel.
Beijos verdadeiros e urgentes
Em bocas substitutas.
Mas
Enfim
O que pode ser mais verdadeiro
Do que o fingimento sincero?
Do que a mentira
Que mente e convence a si mesma?
O que pode ser mais honesto
(e elogioso)
Do que gritar o nome da outra,
Do que chamar a androide,
A boneca inflável
Em que mete e cavalga
Pelo nome do seu conto de fadas?
(já que eu não posso ter você, fecho os olhos, e qualquer corpo passa a ser o seu, qualquer corpo passa a ser o seu).

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Os Oito Mandamentos Mórmons Contra a Punheta (Ou : o Octálogo da Bronha)

Uma vez que fundamentado no sofrimento - no daquele rapaz lá, aquele que pegaram para cristo -, o Cristianismo só considera virtuosos os caminhos da dor, do martírio e da privação. Em oposição, qualquer comportamento ou modo de vida que proporcionem algum grau de prazer e satisfação recebem automaticamente a pecha de pecado, de vício, de defeito moral.
O deus cristão é um cara azedo, mal-humorado e recalcado, não pode ver ninguém feliz nem gozando que já vem com destruição de cidades, com dilúvios, com o apocalipse.
Não é de se espantar, portanto, que a boa e velha punheta seja, até hoje, um dos alvos preferenciais no vasto stand de tiro ao alvo do cristianismo. Não é à toa que a bronha amiga de todas as horas ocupe, desde sempre, um lugar de honra na galeria das confissões e das penitências cristãs, que seja aflição teológica, filosófica e eclesiástica das mais antigas e peremptórias. Poucas coisas dão mais prazer a um filho de deus que a prática do prazer solitário, logo, poucas coisas sofrem maior condenação por parte da igreja.
Aliás, tamanhas são a implicância e a perseguição dos padres para com o culto a Onam que não sei como a punheta não é considerada um oitavo pecado capital, ou, mais ainda, como não está registrada na Bíblia como um décimo primeiro mandamento do Senhor : Não Punhetais.
Teria deus vacilado, marcado bobeira e se olvidado de ditá-lo a Moisés? Acho difícil. Lembrem-se de suas infâncias e adolescências, leitores de meia-idade do Marreta, deus é inclemente para com os punheteiros : faz crescer cabelos nas mãos, faz crescer peitinhos, cega e deixa retardado quem fica na mariquinha, maricota, com a direita e com a canhota.
Deus ditou o "Não Punhetais" a Moisés. Tenho certeza. Mas Moisés editou o texto divino. Removeu o que seria o 11º Mandamento. O desejo à mulher do próximo tinha acabado de ser vetado no 10º Mandamento e, como se não bastasse, logo em seguida, vem o Senhor com mais essa sacanagem, proibir também a punheta? O cara já não podia cobiçar a buceta alheia, se, além disso, o cristão não pudesse sequer socar uma punhetinha, a vida se tornaria insuportável. Moisés foi sábio e piedoso para com seu povo, fez vistas grossas à punheta.
Aliás, recorri ao Google para saber o número do mandamento que proíbe que se espiche o olho e o cacete para mulher do próximo e descobri que ele vai além disso. Tendo como fonte de informação os sites http://www.osdezmandamentos.com.br/ e http://biblia.com.br/, eis o 10º Mandamento em sua íntegra : “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”
Deus é foda. Não deixou brechas legais aqui. Não pode comer a mulher do próximo nem a empregada nem o empregado - aqui Ele já proíbe também a viadagem - e muito menos o boi e o jumento - zoofilia, então, nem um lugar no Inferno o sujeito arruma depois de morto.
Agora, mais de três mil anos depois (Moisés teria vivido há cerca de 1.300 a. C), os Mórmons vêm desmascarar e reparar a falseta de Moisés. Lançaram uma espécie de errata da Bíblia e fizeram justiça (provavelmente com as próprias mãos, se é que vocês me entendem) à punheta, reconduzindo-a ao lugar de honra que sempre lhe coube no panteão dos grandes pecados cristãos. Os Mórmons fizeram muito mais do que simplesmente transformar a punheta num mero 11º Mandamento. Eles lançaram uma tábua de oito mandamentos dedicadas somente à punheta. É o Octálogo da Bronha.
Oito mandamentos que, se observados e seguidos à risca, afastam e livram o cristão do ato impuro de descascar o inhame, de descabelar o palhaço, de esgoelar o bem-te-vi, de envernizar o pescoço da girafa.
São os 8 passos do P.A., os Punheteiros Anônimos. Os punheteiros anônimos se reúnem, dão-se as mãos (o que já ajuda a evitar a punheta) e recitam : um dia de cada vez. Eis o Octálogo Mórmon da Bronha, de autoria de Mark E. Petersen, diretor da universidade e integrante do conselho administrador da Igreja Mórmon :

1 – Nunca toque nas partes íntimas do seu corpo. Evite ficar sozinho o quanto possível. Procure ficar em boa companhia.
2 – Quando tomar banho, não se admire no espelho. Nunca fique sob o chuveiro mais de cinco ou seis minutos e se vista rapidamente. Saia logo do banheiro e vá para uma sala onde esteja um membro da família.
3 – Interrompa a amizade com pessoas que têm o mesmo problema. Jamais fique junto com pessoas que possuam a mesma fraqueza. Você deve ficar longe dessas pessoas, para que sua mente se livre do problema.
4 – Se a fraqueza lhe acometer principalmente quando estiver na cama, à noite, se vista de modo a ficar difícil o toque em suas partes intimas. Coloque uma roupa que seja difícil de ser tirada, exigindo o tempo para que a tentação passe.
5 – Se na cama a tentação parecer avassaladora, vá para a cozinha para comer um lanche, mesmo que seja no meio da noite e que não esteja com fome e que tenha medo de engordar. O objetivo dessa iniciativa é desviar sua mente da fraqueza do seu corpo.
6 – Nunca leia material pornográfico e nem sobre o seu problema. Mantenha-o fora da mente. O seu padrão de pensamento deve ser mudado, para que o problema não se mantenha em sua mente.
7 – Coloque pensamentos benéficos em sua mente em todos os momentos. Tenha boas leituras. Leia livro da Igreja, como as escrituras e os sermões.
8 – Ore, mas quando orar, não ore para suplantar esse problema, para não tê-lo na mente. Reze para ter compreensão das Escrituras, pelos missionários, pelas autoridades, pelos seus amigos, pela sua família.

Do alto de minha vasta experiência empírica no assunto, garanto que nada disso funciona. Mas gostei muito do Mandamento 2. Com a primeira observação, eu concordo, isso de ficar se admirando muito no espelho é pura viadagem, o cara começa a se amar tanto que daí a pouco já começa a enfiar o dedo no cu. 
Limitar, porém, o tempo do banho não adianta porra nenhuma contra a punheta. Nem mesmo que os pais do punheteiro instalem alguma válvula ou dispositivo que corte a água do chuveiro após os cinco minutos limite, a punheta será evitada ou coibida. Punheteiro que é punheteiro, punheteiro das antigas, punheteiro de fé, sempre arruma um jeito. Se ele dispuser de cinco minutos no chuveiro, em trinta segundos, ele acaba o banho; em trinta segundos, ele lava os cabelos, atrás das orelhas, os suvacos, esfrega joelhos e cotovelos, as costas, lava até o cu. E os 270 segundos restantes, ele dedica a uma boa e relaxante bronha. Com a prática, ele até reserva os 10 ou 15 segundos finais para empurrar a porra pro ralo com o chuveirinho. Punheteiro que é punheteiro não pode ver um ralinho que já fica de pau duro. Pavlov explica. 
E a melhor parte : ficar perto de um membro da família. Ficar perto do membro de que membro da família? Do tio, do primo, do cunhado? Aí é que a coisa pode descambar ainda mais.
Punheta não é pecado, meninos! Tampouco a sua versão de saias, a siririca, meninas! Punheta não é pecado! Punheta é, ela própria, uma religião per si. Uma religião na acepção mais pura e castiça do termo latino, religare. Religar o homem à unidade perdida com o Universo. 
O sujeito vai para o banheiro - que, além sê-la de todos os bêbados, como bem disse Cazuza, é também a Igreja de todos os punheteiros -, tira a roupa, se acomoda, eleva seu pensamento às deusas, aos deuses, às deusas e aos deuses ao mesmo tempo - cada um com sua fé - e se desliga do mundo terreno; sua alma transcende livre os limites da matéria, voa albatroz pelo Cosmo. Nada religa mais o cara ao Universo que a punheta.
Por isso, a proibição. Punheta não é pecado, é religião. E, como bem sabemos, o cristianismo odeia a livre concorrência.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

É a Podridão, Meu Velho (8)

Água
(de conversa mole)
Em pedra erodida
E escaldada;
Café 
(para acordar),
Uma bomba de sódio em cada garfada
(para manter a fornalha em combustão)
E cerveja
(para dormir)
Em estômago ulcerado
E cérebro mutilado de guerra :
A Rotina fez a Poesia jogar a tolha;
O poeta, ao menos.
(não há nocautes na vida. é sempre a arrastada, exaustiva e degradante derrota por pontos, pelo cansaço, não pela falta de técnica ou de talento, pelo cansaço - o cansaço é o resumo de tudo. e sem aquelas gostosas passando com placas pelo ringue entre um round e outro).

domingo, 3 de abril de 2016

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (23)

Biscate é artigo de luxo. Não sai barato bancar as vontades e os caprichos da puta, mas tem cara que gosta de ser mantenedor de vagabunda, se sente mais macho. Mas e quando o cara não dá mais conta de sustentar dos sonhos dela?
Fácil, pois corno sempre arruma um jeito para tudo : assume a cornagem e bota as ações do chifre para negociar na bolsa de valores, abre para o mercado de investimento, procura uma sociedade anônima, uma CIA LTDA, abre licitação, autoriza franquias da mulher.
É o corno-franquia! É o corno de Matriz ou Filial, o clássico de Lúcio Cardim, cuja autoria, muitas vezes, é erroneamente atribuída a Lupicínio Rodrigues, um de seus mais conhecidos intérpretes, o que, possivelmente, cause a confusão.
Matriz ou Filial já foi gravada por inúmeros intérpretes da MPB, de Jamelão a Chitãozinho e Xororó. A versão que eu mais gosto é a do eterno boêmio Nélson Gonçalves, se bem que ela adquire uma pegada mais de macho, mais de corno machucado mesmo, na voz da cantora Simone.
Matriz ou Filial
(Lúcio Cardim)
Quem sou eu pra ter direitos exclusivos sobre ela
Se eu não posso sustentar os sonhos dela
Se nada tenho e cada um vale o que tem?

Quem sou eu pra sufocar a solidão da sua boca
Que hoje diz que é matriz e quase louca
Quando brigamos diz que é a filial

Afinal, se amar demais passou a ser o meu defeito
É bem possível que eu não tenha mais direito
De ser matriz por ter somente amor pra dar

Afinal, o que ela pensa em conseguir me desprezando
Se sua sina sempre é voltar chorando
Arrependida, me pedindo pra ficar

sábado, 2 de abril de 2016

Cada Macaco no Seu Galho

E você, em qual livro acredita, no de Darwin ou no de deus? De quem prefere ser parente, de um gorila ou de um tijolo baiano? Qual a sua árvore filogenética? Qual é o galho em que se dependura?

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Pequeno Conto Noturno (60)

Rubens não tem TV a cabo. Nunca teve. Nem a intenção ou a vontade de. Instalou, no entanto, aliás, Calil instalou a troco de umas cervejas, uma antena parabólica, presente de Dona Jandira.
D. Jandira fora vizinha de Rubens por quatro anos, a pacata e silenciosa vizinha do apartamento à esquerda do de Rubens. Rubens nunca teve grandes vocações paleontológicas, tampouco instintos precisos de datação por carbono-14, mas estima que D. Jandira tenha já ultrapassado os sessenta, porém, que não tenha dado entrada ainda nos setenta.
Por volta das 20 horas da sexta-feira passada, a campainha de Rubens soou. D. Jandira, que estava de mudança, o que Rubens já sabia dada a movimentação dos últimos dias. D. Jandira passaria a morar com um dos filhos, que estivera fora, em país estrangeiro, durante a última década.
Disse a Rubens que estava encaixotando seus últimos pertences, as miudezas, e que o sobrinho, que a ajudaria na mudança, havia contraído dengue e ficado inutilizado. Sobretudo, precisava de ajuda com os objetos colocados em lugares mais altos, em prateleiras, em cima dos armários etc, pois subir em um banquinho ou em uma escada seria arriscado e temeroso em sua idade. D. Jandira trazia um lenço velho segurando os cabelos desalinhados e vestia um vestido surrado e empoeirado, adequados à tarefa que realizava. Rubens, que acabara de abrir o primeiro latão da noite, perguntou se podia levar a cerveja junto, e D. Jandira, meio encabulada, confessou também ser chegada a um traguinho, de vez em quando.
Dentro do apartamento de D. Jandira, Rubens viu o que imaginara que veria. Quinquilharias e badulaques de velha, um museu de pequenos cacarecos de valor sentimental, cacos de outras, e talvez mais felizes, épocas. Bibêlos, estatuetas de gesso, porta-retratos, caixinhas decoradas, camafeus, toalhinhas de crochê sobre os móveis, vaso solitários com flores artificiais, xícaras e pratos de porcelana comemorativos pelos tantos anos de idade, pelos tantos de casamento etc, souvenires de viagens de parentes e amigos - do tipo, estive em tal lugar e lembrei de você -, um quadro da Santa Ceia e toda a sorte de objetos inúteis- o saldo de toda uma vida.
Tarefa leve e fácil, recolhê-los e encaixotá-los, porém, enfadonha, o que fez com que as cervejas de Rubens descessem mais rápidas e mais urgentes goela abaixo - D. Jandira o ajudou em dois dos seis latões que levara. 
- Gosta de Altemar Dutra?, perguntou D. Jandira. Rubens gostava. 
Faltando apenas os objetos do quarto de D. Jandira para serem encaixotados, a cerveja acabou. Rubens disse que estava saindo para comprar mais, em uma loja de conveniência de um posto de combustíveis a alguns quarteirões dali, e que logo voltaria para encerrar o trabalho.
Assim que retornou ao apartamento de D. Jandira, ouviu a voz dela lhe chamar do quarto. D. Jandira havia iniciado a tarefa e o esperava dentro do quarto.
D. Jandira recendia a banho recém-tomado e a um antigo perfume de lavanda - Alma de Flores, Seiva de Alfazema, Rubens não se lembrava ao certo -, tinha se maquiado levemente - empoara-se com pó compacto, um pouco de rouge e, com sombra azul, camuflara as bolsas sob os olhos -, tinha arrumado o cabelo em coque e brincos de pedras vermelhas balançavam nos lóbulos flácidos e espichados de suas orelhas, e tinha também reforçado o Corega de sua dentadura, que exibia a Rubens num sorriso largo e murcho.
D. Jandira vestia um peignoir (penhoar) rosa translúcido, do qual, logo à entrada de Rubens, deixou escorregar pelos ombros as alças, mostrando peitos acondicionados em um sutiã de bojo, daqueles com armação de arame por dentro, vermelho.
Rubens se aproximou, pousou as mãos em concha sobre os peitos de D. Jandira e os apalpou, testando-lhes a consistência e a textura. D. Jandira inspirou fundo, arfou de olhos fechados, suspirou como quem suspira por uma antiga recordação, por um ente querido que há muito se foi. O sutiã, julgou Rubens, dava aos peitos de D. Jandira a firmeza que a vida roubara.
Ato reflexo, Rubens fez menção de desabotoar o sutiã de D. Jandira, no que foi detido por ela. D. Jandira preferia manter a ilusão, e Rubens, pensando melhor, também. Rubens aproximou a cara dos peitos dela, pôs o nariz entre eles e aspirou fundo - cheiravam a guardado, de tanto esperar. D. Jandira arrepiou-se, molhou-se e afastou um pouco Rubens de si, sentou-se na cama, de frente para ele, e levantou a barra do penhoar.
- Depiladinha, só para você - disse D. Jandira, e fez sinal para que Rubens se sentasse ao seu lado, na cama.
Não havia único pelo na buceta de D. Jandira, mas não por obra de uma gilete ou de cera quente, percebeu Rubens. A buceta estava careca naturalmente, pela idade, já não nasciam mais pelos na nela, caíram todos, gastaram.
Rubens sentou-se e D. Jandira alcançou imediatamente a boca dele com a sua. Uma língua voluntariosa, ávida, surpreendentemente forte e prênsil - o Corega tinha gosto de morango, de anestesia de dentista. Grudada feito uma ventosa à boca de Rubens, D. Jandira procurou, ainda por sobre a roupa, o pau dele, atochou a mão artrítica no meio das pernas de Rubens, esperava encher a mão, porém, o percebeu nada animado. Nada mesmo.
Mas a experiência e, provavelmente, o convívio com homens de idades próximas a dela, tornou D. Jandira em uma especialista em mastigar borracha, uma bomba de sucção humana. Fez com que Rubens se levantasse, ficasse de pé em frente a ela, abaixou-lhe a bermuda, libertou-lhe o cacete e o abocanhou. Uma autêntica Roto-rooter, uma bomba de vácuo, a boca de D. Jandira. A língua dela erguia o pau de Rubens até o palato e a boca fazia o resto, mordia, mascava, aspirava, erguia, mordia, mascava, aspirava.
Rubens se entesou e encacetou D. Jandira; inicialmente de frango assado (queria lhe testar a flexibilidade), depois deixou D. Jandira rebolar e cavalgar o quanto quis em sua rola, e a finalizou de quatro - e D. Jandira fez tanta sujeira, lambuzou-se a noite inteira.
Tomados o fôlego, o banho e as cervejas trazidas da loja de conveniência, D. Jandira quis mais, abocanhou de novo o pau mole de Rubens. Dessa vez, contudo, nem toda a técnica e a perícia de desentupidor de pia de D. Jandira estavam conseguindo dar nova vida ao pau de Rubens. D. Jandira, então, tirou sua última carta da manga, jogou na mesa o trunfo que toda mulher tem, mas que poucas costumam usar, proferiu a frase mágica levantadora de cacete, a frase que reanima qualquer pau, não importa quantas fodas ele já tenha dado:
- Rubens, come o meu cuzinho! - disse D. Jandira, sem tirar o pau da boca, apenas o empurrando pro lado com a língua. Em seguida, pôs-se de quatro na cama e empinou a rabeta pra Rubens.
Na mesma hora, Rubens sentiu o sangue afluir para a sua cabeça pensante, mas ficou apreensivo, com certo receio de que as pregas de D. Jandira não fossem aguentar a sua rola. O mesmo receio que se tem ao manipular coisas antigas, fotos, livros, roupas, o receio de que elas quebrem e virem pó ao menor toque. 
Rubens constatou, de novo com surpresa, enquanto enrabava D. Jandira, enquanto tirava e enfiava o pau até o talo no cu dela, ajudado por um creme hidratante para mãos,Vasenol, sugestão da própria D. Jandira, que se ela tinha, sim, alguma coisa de antiga, não era, definitivamente, a fragilidade de velhas fotografias; era a robustez e a durabilidade das velhas geladeiras, dos fuscas de parachoques de aço cromado.
Na manhã seguinte, na hora do almoço, na verdade, a campainha de Rubens tocou novamente. D. Jandira, que viera se despedir, agradecer a ajuda e deixar-lhe um presente, a tal antena parabólica. Não iria mais precisar dela, a casa do filho tinha TV a cabo, home theater e o escambau.
Agora, é em frente à TV, turbinada por um pacote de 31 canais da parabólica, que Rubens tenta encerrar a noite, procura por algum programa que o satisfaça ou o distraia minimamente. Trinta e um canais. E, possivelmente, Rubens pode ter passado trinta e uma vezes por cada um deles. Seis ou sete são canais abertos - Globo, Bandeirantes, SBT etc -, cinco são canais rurais, de leilão de gado, de boi, de cavalo e de porra do boi e do cavalo - Rubens surpreendeu-se com o preço de uma âmpola de porra de boi -, outros seis são canais de televendas, nove são canais religiosos, outro é um canal de esportes - canal de esportes para Rubens é o mesmo que um canal pornô para um eunuco. Restam ainda uns dois ou três que retransmitem o mesmo canal estatal educativo, mas quem é que está interessado em cultura às três da manhã, embriagado? 
Rubens pula de canal em canal, enquanto seca as latas de cerveja. Não consegue parar em nenhum. Nem nos canais de gado nem nos canais para o rebanho. Não tem interesse no resultado do jogo entre o Mirassol e o Miramar. Não precisa de um novo aspirador de pó nem de um fritadeira turbo de batatas fritas. Tampouco de algum deus pago no cartão de crédito.
A boca de D. Jandira viria bem a calhar agora, pensa Rubens, enquanto desliga a TV, entorna a última lata e se prepara para ir dormir.