Aberta, de novo, a temporada de caça ao eleitor! As eleições municipais estão aí! Recomeça a corrida pelo ouro das urnas! Todo mundo querendo uma boquinha, uma sinecura, uma teta pra mamar sem ter que se preocupar com a chifrada do boi. Me ajeita que eu te ajeito, é a ideologia vigente entre os candidatos, independente de partido
Carros de som já estão nas ruas esburacadas da malcuidada Ribeirão Preto a vomitar os toscos jingles dos candidatos a vereador; "santinhos" começam a entulhar as ruas, as praças, os para-brisas dos carros e as caixas de correios das residências; semianalfabetos desdentados e desempregados estão nas esquinas das principais avenidas a envergar as bandeiras dos partidos e dos candidatos, porta-bandeiras desse nosso eterno e triste carnaval de horrores.
E dá de tudo nas Olimpíadas pelo pódium da Câmara Municipal : velhas raposas de sempre, vendedores de bilhete da loteria federal, aposentados do INSS, ex-jogadores de futebol, socialites decadentes, lipoaspiradas, botocadas e falidas, donos de padaria, carteiros, garis, motoristas de ônibus, motoboys, travestis, pedagogas, assistentes sociais, o chinês da loja de R$ 1,99, o garçon da chopperia famosa, cantor de sertanejo universitário, pastores evangélicos, radialistas e apresentadores de programas vespertinos de TV etc etc etc. Só a elite da sociedade. Só a nata da ricota.
Mas essa eleição promete ser diferente, acena-nos com uma novidade. Um luminoso, ainda que cambaleante, raio de esperança desponta no seco e enfumaçado pelas queimadas de cana-de-açúcar horizonte de Ribeirão Preto.
É o Professor Sandrão. Conhecido também como o Sandrão da Luta, o Sandrão da Força, o Sandrão da Causa, entre outros vários epítetos, alcunhas e codinomes, sendo o mais notório, o Sandrão da Breja. Conheço Professor Sandrão desde as priscas eras, desde o tempo do Sarney, e muitas já entornei em sua companhia sempre animada e ilustrativa.
Professor Sandrão é professor de História e esquerdista juramentado; não obstante, é gente boa pra caralho, é boa-praça que só. Professor Sandrão fala sobre política, mas não faz catequese, não faz partidarismo. Professor Sandrão é de boa, é da paz; não quer brigar nem doutrinar ninguém, só quer passar o seu recado e tomar sua cervejinha no sossego.
Professor Sandrão é multitarefa, acumula atividades à de professor. É boêmio das antigas, estilo Nélson Gonçalves. É músico da melhor qualidade, conhece tudo do bom samba, de Adoniran a Nei Lopes, de Germano Matias a Hermínio Bello de Carvalho, personalidades que, à exceção de Adoniran, Sandrão já acompanhou com seu grupo Os Etanóis.
Professor Sandrão esmerilha na percursão, é um virtuose da timba, seja lá o que isso for; reza a lenda - uma das muitas que o cercam - que Professor Sandrão já tocou até com a lendária Vitória-Régia, banda do não menos mitológico Tim Maia.
Professor Sandrão é folião de antigos carnavais, defende o estandarte do bloco Os Alegrões, no carnaval de rua meio triste de Ribeirão - as águas vão rolar, garrafa cheia eu não quero ver sobrar, é o carro-chefe do bloco.
Professor Sandrão é bebe-quieto, é aquele cara que fica despercebido em seu cantinho, bebericando devagar e sempre a sua cervejinha num copo americano Nadir Figueiredo e, quando você se dá conta, acabou com o estoque do boteco.
Reza outra lenda que, em certa feita, Sandrão foi pescar com dois amigos em uma represa de Miguelópolis, cidade da região, mas não os acompanhou a bordo do barco alugado para que alcançassem águas mais profundas e piscosas. Professor Sandrão, modesto, preferiu ficar no barranco do rio, com sua varinha de bambu e a zelar pelo container de isopor com a provisão de cerveja estimada para os três dias de pescaria.
Os amigos passaram o dia no barco e, ao retornarem ao pôr-do-sol, contam que lá estava o Sandrão, no mesmo lugar, na mesma posição, sem ter fisgado um mero lambari - não devia ter saído dali nem pra mijar, não tinha trocado uma única minhoca do anzol. E o isopor, a cápsula de sobrevivência, é claro, vazio!
E, agora, Professor Sandrão promete fazer história na política da provinciana Ribeirão Preto, terra, até hoje, de disfarçados cabrestos e coronelismos, uma capitania hereditária legada pelos barões do café aos usineiros da cana-de-açúcar.
E, agora, Professor Sandrão é candidato a vereador. É o nº 50.000 do PSOL - 51.000 melhor se lhe adequaria.
A cereja do bolo de sua plataforma política é, claro, a Educação Pública, o seu pão de cada dia, o seu porto seguro. Professor Sandrão não é ingrato à sua ingrata profissão, não cospe no copo em que bebeu.
De chofre, Professor Sandrão propõe : "Salário de vereador igual ao de professor".
Cagou logo na entrada, Sandrão. Cagou. Que porra é essa, meu velho? Inverte isso, Sandrão, inverte isso! Salário do professor igual ao de vereador, isso sim! Para que tirar o doce da boca dos nobres edis e arrumar briga assim logo de cara?
Estenda, simplesmente, as regalias dos vereadores também à classe professoral. Faça aprovar um projeto que estabeleça a isonomia salarial entre as classes políticas e a do magistério, afinal, produtividade por produtividade, produzimos, ambos, merda nenhuma. Zero. Também quero assessores! Assessoras, professoras assessoras gostosas e novinhas, cheias de vontade de aprender e servir ao velho, porém, não morto, mestre.
O Marreta apoia o Professor Sandrão! Em Ribeirão, vote no Professor Sandrão.
Ribeirão é 50.000!
Professor Sandrão, por uma vereança sóbria!!!
Professor Sandrão, por uma vereança sóbria!!!
Ajude o Sandrão a garantir o seu (o dele) litrão!!!










