quarta-feira, 16 de novembro de 2016

As Casas Bahia de Cristo

É o crediário de Deus! É o título de capitalização do Senhor! É o fundo de renda fixa do Altíssimo! É o Minha Casa, Minha Vida do Todo-Poderoso!
O fiel paga religiosamente em dia (literalmente) o carnê do dízimo, ou o boleto bancário, ou autoriza o débito automático no cartão - Deus é high tech, é um cara antenado e logado às novas tecnologias, velho testamento é o caralho -, e, no fim da vida (literalmente, de novo), é contemplado com um lotezinho no latifúndio do Céu, ou com setenta e tantas virgens, ou funde sua essência a uma Consciência Cósmica Universal, ou qualquer outra pataquada prometida por seu respectivo líder espiritual, por seu esculápio da alma. É o consórcio de Deus, o IPTU do Céu.
E aos fiéis que não honrarem com os seus débitos ao Pai? E aos caloteiros de Cristo? E aos inadimplentes do Espírito Santo e da Virgem Maria, amém? O Inferno? Também. Mas não somente. Que, aos bons pagadores, o Cristianismo reembolsa só depois da morte; aos maus, o castigo é automático. Que Deus pode até ser infinito em sua paciência, o que é fichinha para quem tem todo o tempo do mundo, mas seus representantes terrenos não o são. Que se foda o castigo eterno da alma, os pastores querem é ver o sangue verter da carne dos que lhes dilapidam os cofres.
Nos últimos tempos, só a ameaça do Inferno, do Chifrudo, do Rabudo, do Coisa-ruim, não tem ser mostrado eficiente cobradora. A crise atinge também o plano espiritual e os cofres santos : segundo os contadores da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), o prejuízo está na casa do um bilhão/ano.
Mas o que fazer, de que expediente lançar mão quando nem a antevisão de uma eternidade imerso em fogo, enxofre, merda e tridente no cu faz com que o fiel salde seu débito?
Fácil : além de jogar a alma aos quintos dos infernos, ponha o nome dele no SERASA/SPC, o Serviço de Proteção ao Crédito, ou melhor, Serviço de Proteção ao Cristo. 
É isso mesmo, o famoso e temido cadastro de devedores do sistema de crédito lojista será acrescido com dados dos devedores do crediário de Deus.
A brilhante ideia de lançar a alma do caloteiro na rola do Capeta e os seus nome e honra no SPC não poderia ter partido de outro : Edir Macedo. O fiel passa a ter o nome sujo na praça, como se devesse numa loja de eletrodomésticos. A IURD virou as Casas Bahia do Senhor.
A sacada do bispo Macedo é genial. O caloteiro, ao se dar conta do montante de sua dívida e de sua incapacidade em solvê-la, pode muito bem querer sair à francesa das hostes da Universal e ingressar sorrateiramente em outra denominação evangélica, na qual ninguém sequer desconfia de seu passado de dívidas, na qual surge como um ficha limpa.
Pois Edir Macedo fechou essa brecha. Sempre que o pastor de uma igreja receber um novo fiel, ele poderá consultar o SPC de Cristo. O cara sai da Universal e vai bater às portas, por exemplo, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Lá chegando, o R.R. Soares puxa o CPF dele no SPC; havendo um nada consta, o fiel é aceito, um novo crediário espiritual é aberto em seu nome; constando débito, o novo crediário lhe será negado.
Da mesma forma que o cara que foi pro SPC por dever nas Casas Bahia não consegue crédito no Ponto Frio enquanto não quitar seu débito, o fiel devedor na Universal terá grandes dificuldades de crédito em outras igrejas evangélicas.
É o SPP, o Serviço de Proteção ao Pastor. Dando mostras de suas magnanimidade e benevolência de homem de Deus, Edir Macedo garante que quem quiser pode fazer um acordo com a igreja e renegociar a dívida, que pode ser parcelada no cartão de crédito com desconto de 50% nos juros. Desconto só nos juros, só no que é do homem, o que é de Deus é irredutível.
Não sei se a ideia do bispo poderá ser concretizada, posta juridicamente em prática, pois, teoricamente, uma igreja não é uma empresa, não tem CNPJ, não paga impostos etc. No entanto, no que depender do apoio de seus fiéis bom pagadores, a ideia do bispo já pode ser considerada vitoriosa, afinal, o maior prêmio para o bom não é ele ser reconhecido como tal, mas sim ver o ruim se fuder.
Para José da Silva Pimenta, que ganha mil reais por mês e paga um dízimo de duzentos, a medida é justa e vai fazer com que os fiéis fiquem pontuais com Deus.
Pagar dízimo atrasado é um pecado, um descumprimento da bíblia e colocar o membro da igreja no SPC vai ajudar o membro a não errar com Deus. Tem gente que ganha muito mais que eu e ainda tem a cara de pau de atrasar o dízimo”, disse José .
Não que Edir Macedo não creia ou não confie na justiça de Deus; aliás, se tem alguém que tem mesmo que acreditar e confiar em Deus, esse alguém é Edir Macedo. Porém, fé, fé, negócios à parte.
Com Edir Macedo, o tal do Deus lhe Pague não cola.
Pãããããta que o pariu!!!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Teu Mero Vigia

És linda.
Isso é fato, é exato.
Mas és linda de exceder escalas,
De iluminar salas,
És linda além de qualquer trato.
E eu, no meu silêncio, no meu recato,
Invisível a te ver passar.

És linda.
Isso é dogma, é axioma.
Mas és linda de causar sismos,
De florir abismos,
És linda de reverter estados de coma.
E eu, na minha solitude, na minha redoma,
Estatelado a te ver planar.
Eu: teu mero vigia.

Sobre Donald Trump, Reações Alérgicas e Choques Anafiláticos (Ou : a Necessária Dose de Xenofobia)

Muitas vezes, o desejo desesperado de nos livrarmos de um mal, acaba por nos colocar em prejuízo e perigo ainda maiores.
Não. Não tirei a frase acima de um para-choque de caminhão. Nem de um livro de autoajuda do Augusto Cury, ou do Rubem Alves. Tampouco da folhinha da Seicho-no-ie.
Ela é uma estratégia de guerra; no caso, uma falha tática de guerra. Do exército mais bem equipado, comandado e eficiente de que já se teve notícia ou conhecimento : o nosso sistema imunológico.
Quando um elemento estranho ao nosso patrimônio bioquímico nos adentra sem pedir licença, à traição, pela porta dos fundos (mas sem viadagem), é comum que nossos radares imunológicos o detectem e encetem uma reação no sentido de neutralizá-lo e expulsá-lo : nossos glóbulos brancos começam a produzir e a liberar anticorpos e outras substâncias para aniquilar o invasor - chamado de antígeno.
Nosso organismo não gosta, não aceita, não tolera, e rechaça tudo o que lhe é estranho. Nosso organismo é xenófobo! E nosso sucesso evolutivo como espécie mostra que há grande sabedoria nisso.
Acontece que nossa tropa de elite imunológica, às vezes, está tão beligerante, com tanta sede de sangue, com tanta vontade de ostentar seu arsenal imunoglobulínico, que acaba por exagerar na dose, acaba por nos pegar em fogo amigo, por minar nossos próprios campos de batalha, por dinamitar nossos próprios paióis e pontes : é a reação alérgica.
Os mastócitos - um tipo de glóbulo branco - são responsáveis pela liberação da histamina, substância que, em condições normais e adequadas concentrações, é grande auxiliar dos anticorpos. Porém, volta e meia, um erro de avaliação faz com que nosso sistema imune superlative a ameaça, e, então, quantidades de histamina muito maiores que as normais são liberadas, causando-nos reações inflamatórias, na pele, nos olhos, nas mucosas respiratórias etc. É a alergia.
A cada reação alérgica desencadeada pelo mesmo agente, o sistema imune vai liberando mais e mais histamina, o desejo desesperado de se livrar do mal faz com que, a cada novo contato com o agente, a dose da histamina liberada seja gradualmente maior, podendo atingir um quadro grave e crítico, o choque anafilático, o nosso fogo amigo; fatal, muitas vezes.
Donald Trump é a reação alérgica do organismo chamado Estados Unidos da América, é o desejo desesperado de se livrar do que julga ser um mal, é a providência exacerbada contra a invasão de elementos estranhos. E há tempos os EUA tentam se ver livres deles com medidas mais moderadas, com doses de histamina pautadas pela razoabilidade.
Repetidos e malfadados contatos com os agentes estranhos fizeram o sistema imune dos EUA - dos seus cidadãos comuns, médios, aqueles que se levantam cedo e pegam no batente todos os dias, os seus operários, os que carregam a grande nação nas costas - despirocar, chutar o balde, descarregar sobre o invasor todo o seu estoque de histamina : Donald Trump.
Do que tanto o sistema imunitário dos EUA se defende, contra o que aponta seu poderio nuclear-imunológico? Simples. Contra o estrangeiro - do imigrante ilegal aos produtos importados, sobretudo os chineses, que realmente estão a quebrar empresas caseiras pelo mundo todo.
Os EUA são uma nação xenófoba (aliás, todas as nações o são, em maior ou menor grau, de hipocrisia, inclusive) e, a exemplo do nosso sistema imune, há uma grande sabedoria nisso.
Uma pequenina dose de xenofobia - só não digo uma dose homeopática porque não acredito nessas charlatanices -, da mesma forma que um adequado suprimento de histamina garante a sobrevivência do organismo, assegura a integridade de um país, conserva a identidade de uma nação, cultural, étnica, religiosa, social, intelectual, política, folclórica etc.
Se o mundo fosse - ou se tornasse - o que apregoam os viadinhos politicamente corretos defensores das tais diversidade e pluralidade, se todos os povos e culturas aceitassem e assimilassem passiva e pacificamente a interferência e a influência de outros, se tudo se imiscuisse, se todas as barreiras e diferenças fossem extintas, acabaria no planeta justamente o que os viadinhos dizem defender, a diversidade.
Se tudo se mesclasse e coexistisse em harmonia, teríamos uma única cultura planetária, única etnia, religião, história, manifestações artísticas etc. Seria tudo o mesmo pastiche. Uma merda só. Os tais defensores da pluralidade são radicalmente contra ela, querem exterminá-la com seus delírios politicamente corretos. Odeiam a diversidade. Querem, os viadinhos politicamente corretos, reduzir tudo e a todos a um único denominador comum. Que é isso o que almeja o sempre mal-intencionado e afrescalhado politicamente correto, acabar com as diferenças para acabar também, e principalmente, com o mérito. Tratar o bom e o ruim, o certo e o errado, o produtivo e o parasita da mesma maneira. 
Entoar eternamente o mantra da tolerância - seja o sujeito merecedor dela ou não, seja, inclusive, o sujeito também um praticante dessa tolerância para com outro ou não, o que é recorrente ao militante do politicamente correto, cobrar um respeito do outro que ele próprio não demonstra ter. Mantra sob o qual tantos canalhas e sanguessugas se escondem e sobrevivem à alheias custas.
Donald Trump também é uma reação alérgica dos EUA ao opressor politicamente correto.
Xenofobia é uma coisa, preservação da identidade nacional, de um modo de vida, é outra, e bem diferente. A primeira é ato a ser combatido; a segunda, um direito a ser assegurado. 
Aliás, muito do que os viadinhos politicamente corretos chamam hoje em dia de xenofobia, em outros tempos, melhores tempos, era chamado de patriotismo - valor tão em desuso atualmente, que ganhou até, pela perniciosa ação do politicamente correto, uma conotação pejorativa. Declarar-se patriota hoje em dia é algo malvisto em certos círculos, principalmente entre os "inteligentinhos" da esquerda. Canalhas. Patriotismo não é xenofobia.
Donald Trump é uma dose cavalar de histamina frente à ameaça da perda do modo de vida americano, o american way of life - quem pode condená-los por isso, quem pode culpar os eleitores de Trump?
Donald Trump é uma reação alérgica à promiscuidade da globalização. Alergia que, desde quarta-feira, tem deixado os EUA todos empolados, o Tio Sam se coçando todo, e também o resto do mundo.
Se essa dose cavalar de histamina, ao longo da gestão Trump, evoluir para uma dose elefantina, fazendo jus ao animal-símbolo do Partido Republicano, advirá um choque anafilático, um colapso do organismo EUA - o desejo desesperado de se livrar de um mal que se torna pior que o mal que queria sanar.
Torçamos para que não aconteça, nunca. Ou, torçamos para que aconteça, logo. Depende do ponto de vista.
I want you, cucarachas!!!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Que Juventude de Merda, por Régis Tadeu

Régis Tadeu. Não o conhecia. Nunca ouvira falar dele. É crítico musical, logo, é de se supor que pouco ou nada entenda da atual educação brasileira. Nenhuma suposição poderia se mostrar mais equivocada que essa. No texto a seguir, Régis Tadeu pinta, melhor que qualquer um dos chamados "especialistas" em educação jamais conseguiria, ou teria a coragem de, um quadro hiper-realista da educação brasileira e da atual geração de "estudantes".
Régis Tadeu é marretador de primeira, de primeiríssima! Taí um texto que eu adoraria ter escrito. Não mudaria única vírgula. Os destaques em vermelho são por minha conta.

ENEM apenas comprova a burrice generalizada
Qualquer pessoa com sensibilidade que lhe permita uma mínima capacidade de raciocínio e interpretação daquilo que lê e ouve se sente como um náufrago em uma pequenina ilha, só que cercado por um vastíssimo oceano de burrice líquida. Não é preciso ser um sociólogo/antropólogo/ para se certificar que as recentes gerações de estudantes foram completamente dominadas pela ignorância cultural e emocional.
Em todo o Brasil, são raras as exceções encontradas. Senão por conta de uma genuína vontade de evoluir e fazer a diferença no futuro, mas principalmente pela ambição em conseguir recompensas financeiras na diferenciação profissional em um mercado de trabalho cada vez mais diminuto e competitivo. Não é à toa que conheço vários pais que estão preparando seus filhos para estudarem em universidades estrangeiras.
Veja o caso do ENEM, por exemplo. A cada ano, a média das notas cai vertiginosamente, o que reflete o fato de que nas mais variadas áreas do conhecimento,  o que mais se vê são verdadeiros retardados que teriam muita dificuldade em ter uma passagem ilesa por um mata-burros.
Testes e provas são aplicados o tempo todo nas escolas, com resultados que quase sempre levam os professores ao desespero. Experimente perguntar a respeito disso a alguém de seu convívio que lecione em qualquer estabelecimento de ensino para sentir a dimensão do drama. A honra de ser um bom aluno foi substituída pelo sucesso de popularidade, seja lá por quais motivos.
Nas redes sociais então, o que mais se encontra são “doutores” em assuntos dos quais os paspalhos não fazem a mínima ideia. A estupidez de nossos alunos em todos os níveis escolares tiraria até mesmo o Dalai Lama do sério.
Infelizmente, o perfil do aluno brasileiro deste século está muito longe do aceitável. Não tenho a menor dúvida de que a grande maioria dos alunos é incapaz de interligar cada disciplina aplicada no ENEM, sem qualquer competência para sacar que Matemática e Física caminham lado a lado, que Química e Biologia são co-irmãs, que Geografia e História apresentam imensas áreas de intersecção. Essas gerações sequer demonstram habilidade para entender que a importância de se tornar um ser humano dotado de senso crítico e de observação.
Evidentemente que toda essa molecada não saca que conhecimento é algo que precisa ser adquirido a partir de uma vontade interna. A informação é adquirida, assimilada, compreendida e devolvida ao mundo externo de acordo com o que você é e deseja ser. Professores não ensinam propriamente. Eles são “iluminadores” de caminho, formadores de uma “personalidade cultural” cujos elementos realmente transformadores já estão dentro de cada pessoa. Sim, querer é poder.
Só que há um problema: para não perder seus “clientes”, escolas se tornaram cúmplices dessa manada de ignorantes, criando currículos que não oferecem nada daquilo proposto por um exame como o do ENEM. As baixas notas demonstram a que ponto o estudante brasileiro é dependente de ‘decorebas’, seja em fórmulas matemáticas ou conceitos de Biologia, por exemplo. Professores se transformaram em meros coadjuvantes de um cenário de horror educacional poucas vezes presenciado no Brasil.
Para piorar, a mídia não colabora ao fazer matérias toscas com ‘dicas’ para os alunos se prepararem para esse exame. Porra, a única dica que realmente funciona é E-S-T-U-D-A-R!!! Sim, para valer. Entendendo realmente aquilo que está sendo estudado e não relembrando professores picaretas que preferem apelar para musiquinhas, coreografias ridículas e outras “micagens” para ajudar o aluno bucéfalo a se lembrar de alguma coisa. Pode apostar que esse tipo de bizarrice não ajuda em nada na hora em que o energúmeno tem que demonstrar algum conhecimento.
Seja sincero: você conhece algum jovem que tenha lido ESPONTANEAMENTE livros de Nietzsche, Freud, Sartre, Foucault e Schopenhauer? Ou textos de Física Quântica, Química, Nanotecnologia ou mesmo de Informática? Tem contato com algum moleque ou garota que pelo menos demonstre algum interesse em saber por que alguns cientistas e pesquisadores foram agraciados com o Prêmio Nobel em áreas como Medicina, Física ou Química? Não, né? Pois aí é que está a questão: os jovens brasileiros, em sua imensa maioria, não estão a fim de “ler” o planeta em que vivem a partir das várias formas de estética e linguagens existentes, muito menos dos pontos de vista econômico, social e político. Somos o país da “balada, uhuuuu!!!”.
Infelizmente, o Brasil está na contramão da História cultural do planeta. Moleques e garotas que chegam atrasados e não conseguem fazer o exame por conta da rigidez do horário são os mesmos que passam dias, às vezes, meses, acampados na porta da bilheteria para comprar ingressos para shows de Justin Bieber, Demi Lovato e outras porcarias musicais.
Que juventude de merda…

domingo, 6 de novembro de 2016

Bukowski, o Vulgar

Vulgaridade
ok, aqui eu estou limpando minha bunda e pensando sobre o que há de errado com o 
mundo
mas eu acho que muito do que me incomoda é que eu considero
toda mulher com quem vivi como insana: eu sabia disso para começar
porque elas nunca teriam tentado viver comigo
caso contrário,
por exemplo, linda enviou recentemente um dos meus livros para a mãe dela
e sua mãe ficou ao telefone com ela e disse:
"por que ele não cresce? por que ele continua escrevendo sobre essas
coisas !: vômito e sexo e porcaria e todas aquelas
coisas FEIAS? "
e a pobre linda tentou defender as minhas obras,
ela é uma menina doce e querida,
e elas gritavam uma para outra,
a longa distância.
meu pai costumava gritar a mesma coisa para mim sobre a minha
escrita
mas então me ajude
quando eu escrevo eu não tenho nenhuma ideia que eu estou escrevendo sobre
merda e vômito e foda e assim por diante.
eu não sei,
eu pensei que eu estava escrevendo sobre
circunstância,
uma circunstância que  permitimos destruir a nós
e nós nos tornamos
aparições, e tudo sobre nós
também, até mesmo nossos animais
nossas ruas
nossas casas
nossas transas
então agora eu estou limpando minha bunda
e agora eu estou limpando a
sua.
você não pode detonar o que já foi
detonado, sim.
ainda assim, eu acho que eu vou começar a
levantar  pesos
de novo,
eu tenho 63 anos, mas eu me sinto mais jovem do que a
primavera
sou eu,
mas eu sou sincero quando digo que
quando eu ouço as pessoas dizerem que eu escrevo
sobre  coisas vulgares
eu acho que eles podem estar certos
mas eu não tenho certeza
eu gostaria que a mãe de linda pudesse ter conhecido
meu pai,
eles poderiam ter ficado juntos
nunca cagar, ​​vomitar, amaldiçoar ou
foder,
eles teriam sido totalmente sadios
totalmente
justos.
merda,
sim.

e uma vez que este não é um lugar para
terminar um poema
deixe-me dizer
que pelo meu bem e pelo
seu
vamos ser felizes
de qualquer maneira
pela
merda
mijo
vômito
foda
merda merda merda merda merda
e que os leitores
comprem os livros
não os críticos
que  obtém
de graça
até o
cu cu cu cu cu

cu.

sábado, 5 de novembro de 2016

Escola Invadida no Cu dos Outros é Refresco (Ou : Milicianos Pró-PT Fazem Prova do Enem, Tranquilamente)

Eu cantei essa bola ainda ontem! Em uma sala na qual, ao fim da aula, naqueles minutos finais em que se fica à espera do libertador sinal, um aluno me perguntou sobre as tais invasões que estão a impedir a realização da prova do Enem por mais de 250 mil alunos, ele queria saber, sabe-se lá por quê, a minha opinião sobre as provas que serão realizadas depois, se esses alunos, por disporem de mais tempo para estudar, não levarão vantagens sobre os demais, se o correto não seria cancelar o Enem em todo o país etc etc.
Eu cantei essa bola ainda ontem! Sabendo que antes da minha, eles tinham tido aula com uma professorinha metida a comunista, que faz partidarismo em sala de aula e que, descaradamente, tenta enfiar o tal bolivarianismo goela abaixo dos alunos, respondi que o correto seria a Polícia entrar e desocupar todas as escolas. Na porrada, na base do cassetete, da bala de borracha e do gás lacrimogênio, se necessário se mostrasse.
Pois invasão, continuei eu, ocorra ela em propriedade pública ou privada, é crime, logo, quem a comete é um criminoso e como tal deve ser tratado, e não agraciado com uma espécie de foro privilegiado simplesmente por possuir o status de "estudante", que estudante, aliás, a rigor do significado do dicionário, "aquele que estuda", eu duvidava - e duvido - que algum houvesse em tais ocupações, só baderneiros, só desocupados, só aqueles alunos que perturbam durante o ano todo o bom andamento das aulas e que passam de uma série para a outra empurrados pela lei da progressão continuada, só delinquentes seguros da impunidade que o nefando ECA (Estatuto da Criançae do Adolescente) lhes confere.
Cantei essa bola ainda ontem! Disse-lhe ainda que se esses canalhas, se esses embriões de futuros petistas, MSTs e outros que tais da vida, estivessem mesmo defendendo os interesses da classe estudantil, eles, no mínimo, nem que fosse para reinvadi-las depois, deveriam desocupar as escolas para que o Enem fosse realizado, afinal, a não realização da prova não está a prejudicar em nada o governo que dizem combater, está é ferrando a vida de milhares de estudantes que, ao contrário deles, se preparam o ano todo para o evento.
E o que eles estão a combater, contra o que protestam? Nem eles sabem. Dizem que são contra a reforma do ensino médio e a PEC 241. Deem uma folha em branco a cada um desses baderneiros e peçam a eles que redijam um texto no qual relacionem e discorram sobre os pontos da PEC ou da Reforma a que se opõem. Folhas em branco é o que receberão de volta. A grossa maioria deles nunca leu porra nenhuma sobre nenhum dos dois projetos. A grossa maioria, ainda que tivesse lido, nada teria entendido. A grossa maioria, ainda que tivesse lido, é incapaz de escrever duas ou três linhas sobre; semianalfabeta, a grossa maioria deles. Estão lá pela baderna, pelo oba-oba, para namorarem, para fumarem sua maconhazinha, para brincarem de modernos Ches Guevaras.
Cantei essa bola ainda ontem! Ao estupefacto aluno, disse mais, disse que, inclusive, eu tinha a certeza de que muitos desses canalhas invasores, também inscritos que estão no Exame Nacional, e que tiveram a injusta sorte de o realizarem em escolas não invadidas, sairiam de fininho de suas invasões para fazer as suas provas em outras escolas e, ao fim do dia, voltariam para as suas ocupações e retomariam seus papéis de comunistas revolucionários, na maior cara de pau, na maior desfaçatez, comum a todo esquerdista que se preze.
Cantei essa bola ainda ontem! E não deu outra. Já há vários informes de alunos invasores que abandonaram as escolas nas quais estão malocados, muitos há mais de mês, para realizar o Enem em outras, não invadidas.
Cantei essa bola ainda ontem! Os invasores impediram deliberadamente as pessoas de fazerem exames do ENEM, mas estão fazendo exames em outras escolas.
Cantei essa bola ainda ontem! E não me atribuam poderes divinatórios, tampouco nostradâmicos, nada tenho de visionário. Bastou-me pensar como o esquerdista pensa, bastou-me realizar o simples exercício de emular o raciocínio primário do vermelhoide, ou seja, para o esquerdista, escola invadida no cu dos outros é refresco.
É o caso, segundo informações que colhi no excelente site JORNAL LIVRE, "do jovem Weverton Ramon, 20, que vai deixar a invasão ilegal em que está há 19 dias, na Escola Estadual Manoel Lúcio, em Arapiraca (130 km de Maceió), para fazer prova do Enem em outro local, não invadido. Ele é aluno do terceiro ano do ensino médio da primeira escola invadida na cidade. Ele alega que fará faculdade de filosofia ou design, em Maceió. Dando uma de especialista em políticas públicas, o invasor diz que foi um erro suspender as provas".
O tal fará seu Enem no colégio particular Êxito, tranquilamente, em salas com ar-condicionado e tudo, enquanto que os alunos que chegam para fazer a prova na escola tomada pela sua gangue são informados por dois fiscais de que a escola está tomada. Canalhice pura! Típica de comunista! Típica dessa geração cria da doutrinação de esquerda feita por professores em sala de aula!
Ainda segundo o JORNAL LIVRE : "em Arapiraca, Rikelly Maria Silva, 18, também irá fazer Enem neste fim de semana. No segundo ano do ensino médio, ela fará a prova apenas por experiência. Também adotando o tom fingido de especialista em políticas públicas, ela diz: “O MEC poderia ter conversado conosco e feito provas aqui e nas demais escolas ocupadas. Não teve eleição em tantos locais? E em Minas Gerais houve acordo com estudantes, poderiam todos fazer prova hoje, seria mais justo”.
Quer dizer, então, que os bonitinhos queriam ser ouvidos pelo MEC? Que lhes fossem prestadas reverências? Que o governo federal lhes pedisse autorização para a realização das provas? Que uma nação inteira implorasse pelo seus beneplácitos? Que lhes dessem tratamento de fidalgos?
Eis os dois "estudantes" citados pelo Jornal Livre, posando orgulhosos para a foto com uma bandeira de merda qualquer, alguma porra relacionada com "juventude socialista". O rapaz já conta com 20 anos e ainda no ensino médio, o que bem mostra sua dedicação aos estudos. Estudar que é bom (ou, ao menos, necessário), ninguém quer. Querem é, depois, ficar se fazendo de coitadinhos, dizendo que não tiveram oportunidades na vida por serem alunos de escola pública, que são excluídos, exigindo cotas etc etc, toda a ladainha da cartilha esquerdista. Tudo filho da puta, oportunistas.
Repito : à Polícia deveria ser dada ordem de desocupação de todas as escolas, por bem ou por mal.
Suponho - e bem pode ser ingenuidade minha - que um regime verdadeiramente democrático seja aquele que trabalhe pelo e garanta o bem comum, o bem da maioria. Meia dúzia de milicianos pró-PT prejudicando centenas de milhares de estudantes não é democracia, é baderna, é perturbação da ordem pública, é terrorismo. Contra o quê, únicos remédios : pau na moleira e ferro na boneca. Medicamentos que nunca serão administrados pelo poder público : vivemos em um país que foi descoberto por bandidos, feito por e para eles, para os seus totais desfrute e deleite. 
As recentes ocupações, e por que não dizer sequestros?, das escolas públicas e a impotência da lei para agir contra o fato é um retrato feio e escroto da chamada educação brasileira, porém, fidedigno do que acontece dentro das escolas públicas do país, atuais celeiros de delinquentezinhos de esquerda, criados por delinquentes maiores, os professores das áreas das ditas "humanas", história, geografia, sociologia etc. 
É a "Escola Com Partido".
Queria ver essa vagabundada se criar no Japão, na China, nos EUA, ou na Alemanha. Estariam todos na cadeia, isso sim. Que país civilizado é aquele que bem sabe destinar cada um de seus cidadãos.  

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

É a Podridão, Meu Velho Amigo Fernandão

Pois é, velho e corno amigo, com certeza, você se lembra da beldade abaixo; com certeza, ela ocupa lugar de honra na memória afetiva de nossa adolescência. 
Aliás, memória afetiva é a puta que o pariu! Memória punhetiva, isso sim! Que macho que é macho, macho das antigas, macho de respeito, não se lembra das coisas com o cérebro, muito menos com o coração : macho que é macho se lembra é com a cabeça do pau.
É ela, velho amigo, Kelly LeBrock, a Dama de Vermelho, a Mulher Nota 1000, em plena forma e gostosura em meados da década de 80.

Quantas e quantas punhetas, velho amigo, Kelly LeBroke já não nos inspirou? Quantas tocadas em homenagem a ela? 
Inspirado pelo enredo do filme A Mulher Nota 1000, eu a imaginava surgindo peladinha e com a buceta babadinha por mim de dentro do meu computador - um então TK-85, que, com seus inacreditáveis 16 Kb de memória RAM, no máximo, com  muito esforço, boa vontade e sorte, só poderia gerar, quem sabe, uma Zezé Macedo, a dona Bela da Escolinha do Professor Raimundo. Mas a imaginação do jovem é prodigiosa, a cena vinha e o pau subia - e várias vezes ao dia, oh, saudade!
Hoje, nem a mais fértil das imaginações poderia reverter o que o Tempo, esse velho sacana e filho da puta, fez à nossa bela LeBroke. Veja, velho amigo, umas fotos que, por acaso, vi dela hoje na net.
Se o Tempo causou tamanhos estrago e ruína à sílfide LeBrok, imagine, então, a desgraceira que ele provocou em nós. É a podridão, meu velho.
Se bem que nunca fomos grande coisa, e essa talvez seja a única vantagem - até com um saborzinho de vingança - dos pouco agraciados pela Natureza, dos feios, tortos e mal-acabados : sempre fomos tão excomungados que o Tempo não tem muito o que piorar em nós. Alguns de nós, com a idade, acabam até por se tornar - o que, evidentemente, não é o meu caso - mais simpáticos.
E a outra Kelly, amigo Fernandão? A da época da faculdade? Terá o tempo, esse velho viado (sim, pra fazer o que fez com LeBrok, só pode ser um viadão invejoso), perpetrado sua vingança também contra ela?

Quando o Flamboyant Floresce...

Nem era ainda época da florada deles, acontece que há cerca de um mês, a caminho do banco (ver em quanto fui roubado por ele no mês anterior), dei de cara com um flamboyant em pleno cio, em total desbunde vermelho-alaranjado. Lá estava ele, no canteiro central da avenida, perfilado com vários outros flamboyants-primos-dele, e apenas ele florido. Temporão ou retardatário? Não importa, já embelezou um pouco o meu dia. Gosto de flores, são das poucas coisas admiráveis nessa natureza louca, são as bucetas das plantas.
No caso dos flamboyants, é inevitável há mais de 30 anos : sempre me lembro do prof. Paiva quando vejo um florido. O prof. Paiva lecionava matemática, geometria analítica, matrizes, essas coisas. Era um escroto, um escroto divertidíssimo sob o verniz de homem sério e carrancudo; um gozador, para quem soubesse entender seu humor.
A florada dos flamboyants ocorre entre fins de novembro e meados de dezembro, época em que os alunos se descabelavam com as provas finais de antigamente. Era nessas horas, e nesse ambiente tenso, que o prof. Paiva passeava pela sala durante a aplicação de suas avaliações, circulava por entre as fileiras de carteiras, mãos cruzadas às costas e, de tempos em tempos, proferia solene e gravemente : "quando o flamboyant floresce, o aluno padece. E porque merece."
Padecíamos, sim, àquela época. Ainda bem. Nunca vi forja funcionar a frio. Eu gostaria muito de poder repetir as palavras do prof. Paiva aos meus alunos. Por isso, sou taxado de retrógrado e recalcado pelos tais "educadores" modernos, analfabetos diplomados à distância. Essas "sumidades" dizem que a minha mágoa é não poder fazer com meus alunos o que fizeram comigo. Surpreendentemente, esses idiotas estão certos, dessa vez.
Ressinto-me em não poder fazer aos jovens de hoje o que o prof. Paiva e tantos outros fizeram por mim. Eles me ensinaram a ter disciplina, método, organização, a ser cumpridor de minhas obrigações. Em suma, a ser responsável. De quebra, ainda aprendi muito de química, física, matemática, geografia etc. Devo a eles, inclusive, muito de meu afiado senso crítico. E olha que toda minha formação básica se deu de 1972 a 1984, época da injustiçada e difamada ditadura, as escolas formavam gente, então. Claro que me ressinto em não poder fazer o mesmo pelo meu aluno.
Hoje, o aluno não mais padece, é contra a lei. A passagem dele pela escola, manda a lei, deve ser uma visita a um parque de diversões, de onde ele sai semianalfabeto, é ilegal formar um ser pensante na escola pública. Ele padecerá - verdadeiramente - depois, o resto de sua vida, de subemprego em subemprego. A ditadura terminou mesmo em 1984? Ou foi aí que ela se iniciou?
Não posso repetir as palavras do prof. Paiva hoje. Não há mais provas finais. Ainda que, por puro saudosismo, eu parafraseasse o prof. Paiva, de nada resolveria. Tenho uma média de 400 alunos/ano, garanto que nem 10% saberiam o significado da palavra "padece", muito menos o que é um flamboyant.
Não posso ensinar o currículo básico ao aluno, nem torná-lo alguém responsável. A lei não me permite. Paciência, Iracema, paciência.
Só me resta apreciar os flamboyants.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Dia dos Mortos

O sapo barbudo tá morto! Agora, só falta enterrá-lo em algum jazigo profundo da penitenciária da Papuda! Valha-nos, coveiro Sérgio Moro! Se precisarem de alguém pra ajudar a cavar a cova, podem me chamar.
Só não podem colocá-lo em tumba próxima às do Zé Dirceu, do Pallocci etc, que aí as desgraças ressuscitam e acabam fundando um novo partido.
Pãããããta que o pariu se acabam!!!!
Que a terra lhe seja pesada, Lula!