quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Papa Francisco Excomunga as Fake News

O Papa Francisco lançou ontem, 24/01, o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, um documento em cujas linhas ataca e condena ferozmente, feito o Deus do Antigo Testamento, as fake news, as notícias falsas.
O Papa Francisco diz que as fake news são extremamente perniciosas, pois distorcem a percepção da realidade em prol de interesses escusos - econômicos, políticos etc -, manipulam e moldam a mente do leitor para que ele sirva a propósitos sub-reptícios.
Diz o Sumo Pontífice em um dos trechos do documento : "Fake news é um termo discutido e objeto de debate. Geralmente, atinge àquelas informações difundidas de maneira online ou na mídia tradicional. Com essa expressão, refere-se às informações infundadas, baseadas sob fatos inexistentes ou distorcidos, e miradas para enganar ou manipular o leitor. A sua difusão pode responder à objetivos desejados, influenciando escolhas políticas e favorecendo lucro econômico".
Ateu que sou, por princípio, discordo de e antagonizo tudo o que for apregoado pelas religiões e proferido por seus líderes. Hay religión? Soy contra! Porém, nesse caso, calço as apertadas e desconfortáveis sandálias da humildade e digo que comungo da opinião do Papa Francisco. 
As fake news, realmente, toldam e nublam a percepção da realidade, distorcem e deformam a noção de mundo de quem as lê e nelas acreditam, fazem com que mentes fracas, desinformadas e preguiçosas sirvam a interesses recônditos de governos e corporações. 
As fake news, no entanto, não são novidade. Talvez, hoje, elas se espalhem mais rapidamente devido à internet, mas são tão antigas quanto a humanidade, ou ainda mais.
Separei, e reproduzo abaixo, algumas fake news clássicas, históricas. Fake news que sempre foram tomadas por verdades e que moldaram todo o pensamento do homem comum ocidental. Todas publicadas no pasquim de imprensa marrom conhecido até hoje como Bíblia. 

- Caderno de finanças : Empreiteira Todo-Poderoso entrega o Universo dentro do cronograma previsto. Finalizou a obra e obteve o "habite-se" em seis dias. O mercado imobiliário se aquece;
- Caderno de ciências : mulher é clonada a partir da costela de um homem doador;
- Caderno policial : escândalo no privativo Condomínio do Éden! Casal é pego a fornicar debaixo de uma macieira. Uma cobra falante é a testemunha ocular desse grave atentado ao pudor!;
- Caderno Turismo : cruzeiros marítimos Noé, porque o mundo é um imenso Titanic. Pacote turístico com desconto especial para animaizinhos de estimação. Traga o seu pet!;
- Caderno Política : Moisés é eleito relator da Constituinte, a Carta Magna já conhecida como Os Dez Mandamentos. Oposição diz que votará contra!;
- Caderno TV : patriarca Abraão cai na pegadinha "Sacrifique seu filho a Deus";
- Caderno policial : bordel Sodoma e Gomorra arde em chamas; suspeita-se de incêndio criminoso!;
- Caderno de esportes : o azarão David vence o favorito Golias na modalidade de arremeso de funda!;
- Caderno de Medicina : mulher casada concebe virgem! Marido broxa não foi encontrado para dar declarações;
- Caderno Sociedade : a ONG Três Reis Magos assiste à crianças carentes levando-lhes ouro, incenso e mirra!;
- Caderno de Cultura : sarau de parábolas no Monte das Oliveiras! Ingresso, um quilo de alimento não perecível!;
- Caderno Cidades : rapa da polícia de Nazaré desmantela máfia de ambulantes e expulsa a pontapés os camelôs da entrada do templo!;
- Caderno Política : Judas estuda entrar no programa de delação premiada!;
- Caderno de Finanças : desvalorização da moeda! São necessários 30 talentos de prata para comprar um Cristo!;
- Caderno Variedades : andarilho barbudo e maltrapilho ressuscita leproso!;
- Caderno Policial : Conselho Regional de Medicina e Sindicato dos Panificadores entram com liminar suspensiva contra Cristo!;
- Caderno Lazer : grande truque de escapismo! O ilusionista Jesus Cristo será crucificado por assistentes de palco romanos, às vistas de todos, e ressurgirá, livre, três dias depois. Multidões acorrem ao local!

Tu, Francisco? Logo tu, Francisco, um contrário às fake news? Remorso? Consciência pesada? Ou medo da concorrência?
O Espírito Santo me elegeu!!!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Justiça 3 x 0 Lula

Lula recorreu e se fudeu! Foi condenado também pelo colegiado de segunda instância, o TRF-4! A sentença de Sérgio Moro é irrepreensível e inexpugnável! Sérgio Moro, o Eliot Ness brasileiro, não dá ponto sem nó, não bate prego sem estopa! Moro foi até compreensivo para com Lula, meteu-lhe apenas nove anos e meio rabo adentro, para facilitar que Lula não perdesse a conta do seu tempo de condenação, para que pudesse contá-lo nos dedos.
O TRF-4 foi menos camarada com o camarada Lula, não só corroborou a sentença de Sérgio Moro por unanimidade como também aumentou o tempo de pena do sapo barbudo, um adicional pela cara de pau, pela encheção de saco e pelos frequentes desacatos e afrontas à Justiça : 12 anos e 1 mês de xilindró para Lula. E eu achei ainda pouco.
Apropriando-me de uma expressão tipicamente gaúcha : deu pra ti, Lula! Lula ainda pode recorrer a uma porrada de outras instâncias superiores - STJ, STF, STE etc. Aliás, como têm instâncias superiores nessa porra de país, é muito cacique pra pouco índio, mas pelo visto, pela sequência e coerência das decisões tomadas até agora, o mais certo é que a borduna continue a cantar no lombo de Lula.
Lula tem que ficar inelegível! E fora com esse papo totalitarista típico dos ditadores comunistas de que Lula tem que ser condenado pelas urnas, pela vontade popular. Tem que ser condenado definitivamente pela Justiça. Desde quando as urnas foram alçadas à condição de órgãos de justiça? As urnas, a vontade popular, levaram, a exemplos, Mussolini e Hitler ao poder. E Donald Trump. E Lula. A mesma e aclamada "voz do povo" condenou à morte, a exemplos, o Cristo e o Socrátes (o filósofo). Lula tem, e será, condenado, pela Justiça de um Estado Democrático de Direito. E ponto.
Já disse isso várias vezes aqui no blog e repito : em seu governo, os militares, é certo, cometeram falhas gravíssimas, excessos inadmissíveis, mas foram certeiros e precisos no quesito para o qual são treinados a vida inteira : reconhecer o inimigo assim que botam os olhos sobre ele. Mais de cinquenta anos depois e mais uma vez, a Justiça diz dos comunistas de merda o mesmo que os militares disseram : bandidos, quadrilheiros.
Justiça 3 x 0 Lula. Só outro placar me deu tanta satisfação quanto este, o 7 a 1 que a selecinha do Neymar levou da Alemanha!
É o fim do sonho comunista de fincar sua bandeira vermelha em terras verde-amarelas.
Lula na cadeia, já!

O MSM, o Movimento dos Sem-Mortadela

A organização criminosa (ORCRIM, para os íntimos) do PT, como forma de pressionar a Justiça democrática desse país e fazer terrorismo para que o TRF-4 livre a cara do seu poderoso chefão, o sapo barbudo, o Nove-Dedos, planejava colocar 50 mil de seus soldados vermelhos nas ruas de Porto Alegre a fazer arruaça, quebradeiras e vandalismos de todas as espécies.
O plano da Orcrim PT, no entanto, falhou. Falhou na logística do abastecimento e das provisões para os estômagos famélicos e as bocas banguelas do exército petista, cujo soldo, pago a cada manifestação, era busão grátis, R$ 50,00, uma camiseta do MST, ou do MTST, ou da CUT, ou da UNE e, o que dava energia para a corja, um sanduichão de pão com mortadela. Como bem podemos ver na foto abaixo, ainda quando o PT estava por cima da carne seca, ou melhor, por cima da mortadela defumada, quando a presidanta Dilma estava em vias de seu impeachment, mas ainda no poder. E vejam com que gana e deleite a gordinha da foto debaixo degusta o seu lanche.
Áureos tempos da petralhada. Bons e velhos tempos que não voltam mais, vagabundada de merda! Acabou o dinheiro pro busão, pras camisetas e, o pior, acabou a grana pública desviada para a mortadela. Acabou, rapidinho e por conseguinte, todo o fervor petista de tomar de assalto as ruas e defender seus chefões, evaporou-se todo o espírito combativo e revolucionário dos militantes vermelhos, acabou-lhes a energia revolucionária, que vinha toda da mortadela e do trocado pra cerveja do fim de semana.
Segundo a coluna do jornalista Cláudio Humberto, a manifestação petista no centro de Porto Alegre, ontem, 23/01, não chegou a contar com 10 mil vagabundos; a PM estimou 3 mil petralhas apenas. Em Porto Alegre, o número de  filiados ao PT chega quase a 150 mil,  logo, bastaria que um terço tivesse acorrido às ruas em defesa do seboso de Caetés para que a estimativa da Orcrim PT fosse cumprida, nem precisaria importar petistas de outras localidades.
Abaixo, os "50 mil" que o PT pôs nas ruas do centro de Porto Alegre. E que animação eles demonstram!
E não foi apenas o centro de Porto Alegre que ficou abarrotado de vagabundos vermelhos. O local destinado à concentração e ao acampamento dos comunas também tinha gente saindo pelo ladrão, como ilustra a foto abaixo, publlicada no site O Antagonista.
É... a verdade é que só foi apoiar o Lula quem pôde pagar pelos próprios transporte e sanduíchão de mortadela.
Desses 3 mil contabilizados pela PM, ou que sejam os 10 mil contabilizados pelo PT, a grande maioria, tenham certeza, é composta por dois tipos de comunistas : 1) "estudantes" universitários, que estão em período de férias e cujos ideais comunistas são bancados pelo papai (geralmente, um capitalista, um empresário bem-sucedido), e 2) funcionários públicos, porque é muito fácil ser rebelde quando se tem estabilidade no emprego e a certeza do salário - muitas vezes polpudo - no fim do mês, e, dentre esse segundo grupo, garanto-lhes, a maioria é de professores, também em gozo de suas férias. Ôôô, gente à toa.
Mas, hoje, a farra petista acaba de vez; hoje, a última esperança vermelha de continuar a sanguessugar o país vai acabar. O TRF-4 não se deixará intimidar. Lula será condenado em segunda instância. Pãããããããta que o pariu se vai!!
Precisa ser!!!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Quem Foi Que Disse? Lula ou Bolsonaro?

Em vésperas de pleito presidencial, o Azarão ajuda você, caro leitor, a medir seus conhecimentos acerca dos dois maiores potenciais candidatos ao Palácio do Planalto, traz um teste, um quiz, como preferem os aviadados, para que você saiba se está apto e seguro a depositar seu voto na fraudulenta urna eletrônica, se realmente conhece como pensa conhecer o seu candidato.
Seguem abaixo algumas declarações, e você só tem que dizer se elas foram proferidas por Lula ou por Bolsonaro.

1) “A polícia só bate em quem tem que bater.”
2) “Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida. Tem que ser submissa porque gosta dele.”
3) “Veja, eu não tenho preconceito não, o cara a que chamam de homossexual no nosso meio a gente chama de veado, mesmo. Eu sou contra isso (homossexualidade), e não sei se é uma questão psicológica ou o tipo de berço que a pessoa teve. E quem sabe nós sejamos os culpados dessas pessoas serem assim, tem que entender como elas são, e embora eu não concorde com isso acho que têm o direito de existir, o direito de agirem da forma que julguem melhor, mesmo por que na minha opinião a culpa é da sociedade e não delas.”
4) “Feminismo? Eu acho que é coisa de quem não tem o que fazer.”
5) “O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer.”
6) “Ela estava dizendo pra mim e para o Guilherme Cassel: “Nossa, como os pobres daqui [do Rio Grande do Sul] são bonitos!”. É verdade, é verdade. Qualquer nordestino que venha para cá, ele vê uma diferença enorme, mesmo em se tratando de pessoas pobres, entre as pessoas do Sul, do Sudeste, com as pessoas do Norte e do Nordeste.”

Responderam? Bom, se você é um vermelhoide, um esquerdopata, ainda mais se for um ferrenho militante das "causas sociais", um engajado combatente na luta pela igualdade dos direitos das autoproclamadas "minorias", um visceral e politizado defensor dos que fazem da vitimização o seu meio de vida, talvez até mesmo um integrante dessas hostes de injustiçados, deve ter respondido de imediato e sem pensar (o que não é mesmo o seu ponto forte) : "Bolsonaro! Quem disse todos esses impropérios foi Bolsonaro". E já deve estar dando chilique, vociferando e cuspindo, já deve ter encarnado o Jean Wyllys e estar a exigir a cabeça do Bolsonaro numa bandeja de prata : "Fascista. Nazista. Tem que ser processado por falta de decoro parlamentar! Cassado por machismo, misoginia, homofobia e preconceito racial contra os nordestinos"!
Pois saiba de duas coisas, camarada bolchevique : 
Primeira, todos nós, independente do sexo, orientação sexual, credo e etnia, já temos - e há muito tempo - os mesmos direitos. A Constituição brasileira garante que todos somos iguais perante a lei. A igualdade de direitos já foi conquistada e lavrada em Carta Magna há tempos. Portanto, a tal luta por igualdade não só é anacrônica, é também burra; já a luta por regalias e privilégios, por parte de alguns segmentos da sociedade, me parece bem atual, a luta para serem tratados como cidadãos especiais, como fidalgos e aristocratas, me parece atemporal e mal-intencionada;
Segunda coisa, camarada trotskista : não, não foi Jair Bolsonaro o autor de nenhuma das declarações acima. Todas elas, sem exceção, foram proferidas por Luís Inácio da Silva, o Lula, o sapo barbudo, o seboso de Caetés, o Pixuleco, o futuro síndico da Papuda. Todas as declarações saíram da boca de vosso amado líder, de vosso idolatrado herói. São declarações de um político de esquerda e não de um de direita, não de um "fascistão", de um "reacionário", como vocês costumam dizer.

Aliás, até hoje, eu não sei de onde surgiu mais essa pérola do senso comum de que os regimes de esquerda estão ao lado e a favor das minorias. Ouvi, por vezes, e continuo ouvindo, em meu local de trabalho - gente diplomada e tudo -, comentários do tipo : como fulano pode ser gay e de direita? Ou como uma mulher pode apoiar a direita de Bolsonaro? De onde veio essa noção equivocada de que a esquerda é amiga das minorias? Provavelmente, de dentro das universidades públicas, lotadas de professores marxistas com polpudos sálarios que seguem com sua lavagem cerebral, a qual, depois, é reproduzida em salas de aula dos ensinos fundamental e médio, uma doutrinação canalha e desavergonhada. E mentirosa.
Fidel Castro, o deus maior do panteão dos comunas, era extremamente homofóbico. Declarou a um jornal cubano, em 1965 : "Um desvio dessa natureza choca-se com o conceito que temos do que deveria ser um militante comunista”. Exonerou gays e lésbicas de cargos públicos, jogou-os em campos de trabalho forçado, expulsou LGBTs de Cuba em grande número e mandou muitos para o paredão.
Na União Soviética de Stalin, outro grande ídolo da vermelhada, era comuns e frequentes as chamadas transferências populacionais, que nada mais eram do que deportações de nacionalidades inteiras, consideradas antissoviéticas, para territórios remotos, não povoados e adversos, ou seja, limpezas étnicas em larga escala. Até hoje, na Rússia de Putin, a viadada não pode sair em bando pelas ruas mostrando a bunda, pois Putin não autoriza a parada gay nem "morta".
Na China, até hoje, as mulheres são tratadas como cidadãs de segunda classe, postas em condições de submissão e desigualdade, bebês do sexo feminino são indesejáveis e, muitas vezes, rejeitados e abandonados ao nascimento.
A esquerda, favorável às minorias?
Mas esse continua sendo o maior e único trunfo da esquerda : a ignorância dos que nela acreditam, a ignorância crassa de seus eleitores, o total desconhecimento dos fatos de quem nela ainda vota.
Os créditos das declarações de Lula, as datas e a quem foram dadas, seguem abaixo e respectivamente, com informações do site Spotniks .


1) A frase foi dita por Lula no dia 7 de outubro de 2010, durante a cerimônia de evento de batismo da plataforma P-57, em um estaleiro em Angra dos Reis.
2) A frase foi dita por Lula em janeiro de 2010.
3) A frase foi dita por Lula à edição brasileira da Playboy
4) A frase foi dita por Lula ao jornal Lampião da Esquina, em 1979. 
5) A declaração foi feita por Lula à edição brasileira da Playboy em 1979 e resgatada pela Folha de São Paulo em 1994.
6) A declaração foi feita por Lula no Rio Grande do Sul em julho de 2010

Rapaz, eu devo estar ficando louco e esclerosado, mas não é que, agora, bateu aqui uma leve simpatia pelo sapo barbudo? Sobretudo por sua declaração sobre o feminismo. Mas passou! Já passou. É Lula na cadeia, já!
Rá! Pensaram que tinha sido eu, né, comunistada de merda? Rá! Pegadinha do Azarão!

A verdade, a triste verdade, é que só existirão dois candidatos viáveis nas urnas da próxima eleição para o brasileiro sério e honesto : o Branco e o Nulo.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A Lacto-Cola. Ou a Coca-Purga?

Lembro-me, de quando eu era moleque, do gosto da Coca-Cola ser muito diferente do atual. A bebida era mais ácida, muito mais gasosa, descia queimando a garganta, chegávamos a lacrimejar caso a tomássemos muito rápido, e ficava vermelha quando olhada contra a luz. Um dogma da sabedoria popular da época, rezava que, houvesse algum ralo ou privada entupidos em casa, era só verter ali uma garrafa de Coca-Cola - casco de vidro grosso, meio esverdeado na contraluz, logotipo em relevo no próprio vidro, de 290 ml. O desentupimento era garantido. Mudaram-lhe, com o tempo, a fórmula, talvez para ajustar o produto a paladares mais globais, mais sensíveis, mais politicamente corretos dessas novas gerações de frouxos. E a Coca-Cola virou o que virou : um xaropão adocicado, enjoativo e com uma quantidade de gás que não dá pra meio peido.
Quando não eram o ralo ou a privada, mas sim o nosso próprio encanamento que estava entupido, constipado e empedrado era só lançar mão de um outro clássico de então : o Lacto-purga. Sua fórmula original continha lactose e fenolftaleína, e era tiro e queda. O efeito era devastador e imediato. Era tomar o Lacto-purga e não se arriscar a nem sair ao portão para atender o carteiro. Não havia merda que lhe resistisse, era um verdadeiro desagregador molecular de bosta. Era tomar o Lacto-purga e tudo nos saía feito um Etna em seus dias de maior fúria. Purgava não só corpo, parte da alma - sentíamos - também se esvaía. Era tomar o Lacto-purga e nem se fazia necessário muito esfregar o papel higiênico. Era só enxugar. Tal era o alcance de seu terrível poder que podia ser usado também como antitussígeno. Duvido que o sujeito, após tomar o Lacto-purga, tivesse coragem de tossir. Mudaram-lhe, também, com o tempo, a fórmula; talvez atendendo a novas exigências e especificações da Anvisa, talvez algum de seus antigos componentes causasse efeitos adversos a longo prazo, sei lá. Hoje, é feito da substância bisacodil e traz os seguintes dizeres estampado em seu rótulo : laxante com tempo de ação previsível. Hoje, você toma essa merda do lacto-purga e só vai cagar daqui a dois dias - se o cu estiver de bom humor -, quando, muito provavelmente, a merda seria expulsa de qualquer forma, com ou sem o novo lacto-purga.
Já imaginaram, então, se fossem combinadas, em um único produto, as eficazes e infalíveis ações desobstruidoras das fórmulas originais da Coca-Cola e do Lacto-purga? Pãããããããta que o pariu! Seria um artefato a não se deixar cair nas mãos de Kim Jong-un. Não haveria monólito de bosta que não capitulasse frente a ele, que não fosse nocauteado a pedrisco. Tal prodígio seria capaz de, facilmente, destampar até cu entupido por caroço de jabuticaba.
Já imaginaram? Pois alguém imaginou. O japonês. O japonês é um povo foda, um povo a ser respeitado. Os japoneses são pacienciosos, perspicazes, insistentes, tenazes, disciplinados e obstinados. Quando metem alguma ideia na cabeça, vão até o fim, vão até concretizá-la. Tem até um grupo de japoneses, agora, que se meteu a criar o elemento químico 119 e, pela primeira vez desde a sua concepção por Mendeleiev, adicionar uma nova linha à tabela periódica. Japonês só não consegue aumentar o tamanho do pau.
A Coca-Cola japonesa acaba de lançar a Coca-Cola Plus, uma versão "saudável" da bebida que contém um adicional em sua formulação : um ingrediente laxativo, a dextrina indigerível, rica em fibras, que facilita a movimentação intestinal e favorece a formação de uma argamassa boa de arriar.
Pããããããta que o pariu!!! É a Lacto-Cola! Ou a Coca-Purga!
Segundo a empresa, a bebida foi criada para ajudar na redução da absorção de gordura e regular o nível de triglicérides no sangue. A bebida não contém calorias e é recomendada para ser ingerida junto com as refeições, sendo destinada a consumidores com 40 anos ou mais. No entanto, alerta a empresa, é necessário consumi-la com moderação : mais que uma garrafinha por dia pode causar efeitos adversos.
A Lacto-Cola foi uma supresa para os japoneses. A japonesada está abrindo os olhos de espanto com a Lacto-Cola. Nem que seja o do cu.
em tempo : e eu vou aproveitando para fazer piadas de japonês, enquanto alguém não inventa a japafobia.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Até Quando, Menina-Lua?

Até quando,
Menina-satélite,
Esse novo exoplaneta
(anão-risível-ridículo),
Esse destroço espacial,
A se meter em nossa platônica órbita?

Até quando,
Menina-Selene,
Esse afeminado fauno-asteroide
(esse arremedo de macho e de semideus),
Esse degredado espacial,
Querendo te colonizar,
Te catequizar,
Roubar a tua prata
E a tua mitologia?

Até quando,
Menina-Lua,
Essa nova e enxerida e inconveniente
Estação espacial,
Forçada,
Artificial,
Lixo espacial
(furúnculo no Éter),
A embaçar teus brilhares,
A sabotar teus borboletares,
A desregular tuas regras mensais :
Desanimando teus plenilúnios,
Agourando teus crescentes,
Fartando-se de teus minguares,
Colocando velas a mais no teu bolo de aniversário?

Até quando, 
Menina-Lua,
Esse novo e obsoleto
(e inócuo e insuficiente, como verás com o tempo)
Substituto?

(Con) Juntos Vazios

Ela
(não esconde de ninguém)
Ainda gosta do ato
Mas não gosta
Mais com ele.

Ele
(torce para que ninguém perceba)
Não gosta muito mais do ato
Mas gosta
Se for com ela.

Desintersecções.
Juntos
Conjuntos vazios.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Mimetismos (27)

Sob o comportado título de "No Dos Outros é Refresco", o meu amigo virtual JB, o monarca do Blogson Crusoe, o Donald Trump do Blog da Solidão Ampliada, que é homem fino e educado demais para ficar escrevendo no cu dos outros, postou e compartilhou com seus 2, 3 (segundo ele) leitores, uma inusitada e curiosa traquinagem da Mãe Natureza : a Peter Pepper, ou, como é conhecida mais popular e chulamente, a pimenta-pênis. Eis a pimenta que JB nos apresentou em seu blog:
E parece que foi até circuncidada. Terá origem judaica, o fálico fruto?
Comentei com JB que tal assunto bem poderia figurar na seção Mimetismos aqui do Marreta, há muito negligenciada. Respondeu-me, JB, que por ser mais do meu "estilo" (e não entendi direito o que ele quis dizer ou insinuar com isso, pois JB veste a pele de um senhor bem-comportado, todo sisudo e austero, mas tenho certeza de que, no íntimo, é um puta dum sacana), ele chegara a pensar em passar o assunto para mim, mas dado o Saara de ideias (como ele gosta de dizer) em que ele se encontra, resolveu postar no Blogson.
Pelo mesmo motivo de JB, por eu andar num Atacama de inspiração, repisarei o assunto aqui no Marreta, sem pedir-lhe prévia autorização.
Pouco terei a acrescentar sobre o que já o disse JB, não ousarei, de forma alguma, entrar no terreno dos trocadilhos com o formato do picante fruto, JB já os usou a todos, mestre imbatível que é nessa senda. Acrescentarei, no entanto, informações que são resultado de algumas dúvidas que tive após ler o texto de JB.
JB nos diz que a pimenta-pênis tem uma classificação de ardência muito alta, 40.000 Scoville. E ponto. E já se sai em novas elocubrações. Que merda é essa de Scoville? Porra, JB, não somos todos nós que temos as suas erudição e ilustração.
Pesquisei. Scoville é uma escala que classifica as pimentas quanto à ardência, quanto à picância, através da medida da concentração da substância capsaicina na pimenta, a responsável pelo ardor. O teste é realizado diluindo um extrato puro da pimenta em água com açúcar até que o ardor não seja mais detectável por paladares humanos e, com base na quantidade de diluições, um valor na escala Scoville é atribuído àquela pimenta.
O padrão usado é : uma xícara de extrato de pimenta que necessite de mil xícaras de água com açúcar para apagar o seu fogo (ou 1ml de extrato para 1 litro de água com açúcar), recebe o valor 1.000 na escala Scoville ; a escala vai de 0 (pimentas que não possuem capsaicina) até 15 milhões (capsaicina pura).
Um mililitro do extrato da pimenta do JB, portanto, necessitaria de 40 litros de água com açúcar para perder a picância, para derrubar a sua paudurescência. Forte pra caralho!
Por isso, o uso da pimenta-pênis é contraindicado para paladares e pregas mais sensíveis, sendo recomendado apenas o seu uso ornamental. A visita entra na sua casa e, ao invés de ver um vaso de begônias, margaridas, orquídeas etc, vê uma plantinha com um monte de rolas dependuradas. 
Acho que eu, em beco sem saída profissional que me vejo, desesperado e desorientado que me encontro na procura de algum escape, vou pensar, talvez, em investir no cultivo da pimenta-pênis para uso decorativo e direcionar toda a publicidade do produto para um cada vez mais crescente público-alvo, a viadada. A pimenta-pênis do horto Azarão terá tudo para se transformar no novo "must" entre a viadada. Não vai ter viado que não quererá um vasinho de pimenta-pênis em casa, para enfeite e também para tira-gosto, para abrir o apetite, se é que vocês me entendem. A pimenta-pênis poderá também atingir um público secundário, um nicho colateral do mercado, as solteironas e as viúvas sem porvir.
Mas, para que um negócio se estabeleça e prospere, é necessário, por parte de quem o gerencia, um conhecimento profundo do produto e, mais ainda, ofertá-lo com variedade, em várias versões. Pesquisando, encontrei outra variedade da pimenta-pênis do JB, ideal, acredito, para os mais afeitos a uma afrobenga.
Pãããããta que o pariu!!! É a pimenta-pênis-kid-bengala! Estoura qualquer Escala Scoville de picância!!!
Aos mais tarimbados, de paladares e de pregas mais calejados, a pimenta-pênis pode, sim, ser destinada a fins alimentícios, consumida na forma de conservas. Nesse caso, contudo, um acompanhamento se faz imprescídivel à apreciação do exótico acepipe, uma guarnição se faz obrigatória à degustação da gourmet iguaria :

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Travessia

A travessia mal calculada
A alternância rápida
E, em seguida, quase aflita dos pés contra o asfalto
A visão periférica registrando cada imagem
A luz que se aproxima rápido demais
A crua constatação do erro
A falta de força
(sabe-se lá se muscular ou de vontade)
Para tentar escapar
O alerta sonoro estridente, atrasado e inútil.
 
O baque
O voo
O escuro se aproximando lentamente
O tudo, numa fração não-mensurável de tempo 
O nada, para sempre.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Enfiem o Rivotril em Vossos Cus

Quando perdem o sono
As pessoas 
Perdem o prumo
O rumo
Perdem o insumo
O substrato
O esteio
Para o novo dia.

Quando eu perco o sono
É que eu me aprumo
Me arrumo
Que eu me assumo
Me trato
Me releio
Que cirzo e remendo a fantasia.
Quando eu perco o sono
É que eu me acho.
Acho...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

BUKOWSKI, o Ricardão

A esposa fiel
ela era uma mulher casada
e ela escrevia poemas
tristes e fúteis
sobre sua vida de casada.
as suas cartas para mim
eram todas iguais : tristes
e repetitivas
e fúteis.

nos correspondemos
por alguns anos.
eu era um depressivo e suicida
e não tinha nada além 
de azar
com as mulheres
então continuava escrevendo
pra ela
pensando, ora, talvez
assim
nada de mal aconteça
com nenhum de nós.

YABA DABA DOO

Enquanto Fred e Barney jogam boliche...

domingo, 7 de janeiro de 2018

Planetários da Sarjeta

Os buracos no asfalto,
No pavimento público,
São algozes de suspensões,
De amortecedores dos automóveis
E de todos os motorizados.

Ciborgues,
Centauros,
Meio máquinas,
Meio humanos,
Meio cavalos de força
Os amaldiçoam
Praguejam e pedem o impeachment do prefeito que não os tapou,
Que não lhes pôs amálgama de pedriscos e breu na cárie.

Pois eu digo :
Que se fodam as suspensões,
Que se fodam os amortecedores,
Que se fodam os meio ciborgues-humanos
Os meio máquinas-centauros,
Que se fodam os motoristas em geral.

Os buracos no asfalto,
Para mim,
Quando a chuva sacia a sede deles,
Quando abastece seus vazios e suas erosões,
Tornam-se em espelhos do firmamento,
Em chãos de estrelas,
Em planetários para os bêbados que dormem nas sarjetas.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Entre o Cantar do Galo e o Dormir do Gato

Madrugada. Há tempos que não me sentava à mesa para um gole com ela. Quase três da manhã. O demônio anda, gargalha, come tira-gostos e enche a cara pelos corredores e pelos cômodos de mim. Como faz em todas as noites. Mas, hoje, meu sono não consegue fechar os ouvidos para as suas risadas, suas provocações, suas promessas de danação eterna.
Na caneca : vodka Natasha, Coca-Cola e gelo, minha Guerra Fria, minha Palestina.
No velho corpo : só a cueca mais frouxa que tenho, lassa nas pernas, no saco e na barriga, que a esposa sonha em capturar, cortar à tesoura e jogar fora; por isso, a mantenho oculta ao fundo falso de uma gaveta, como mantinha ocultas, há décadas, das vistas censoras de minha mãe, várias revistas de mulher pelada : mães e esposas, sempre atentas e vigilantes, prontas a jogar fora tudo que proporcione algum tipo de conforto ao filho/marido/homem. Mantenho-a, a cueca em farrapos, que não faria diferença substancial caso vestisse o Rei que Está Nu, para essas noites de urgências aflitivas, de recidiva e de recaída por asas. O que resta ao homem com corpo, mente e alma presos? Qual sua última possibilidade de grito? Uma cueca frouxa. Se não livres o corpo, a mente e a alma, no mínimo, o saco; depositário de meias vidas natantes.
De fundo musical : um velho toca-CD (incrível eu já chamar de velho um toca-CD) esforçando-se em ler músicas fisgadas, uma a uma, pelo e-mule, da época da internet discada; CDs que e-mulam as velhas fitas cassetes guardadas em minhas gavetas e gravadas às FMs. 
Guerra Fria na caneca, cueca frouxa no corpo, simulacros de fitas cassetes e de FMs no toca-CD e vou com eles me sentar à sacada. Chuva mansa de verão lá fora (daquelas que só se percebe contra a luz do poste de iluminação pública), um mundo que não é mais meu, um mundo pelo qual não mais trafego, um mundo que vejo, hoje, como quem admira um cartão-postal, uma foto da National Geografic.
Vinte vírgula e um espaço que meus olhos presbiópicos já não se importam mais em diferenciar graus no termômetro comprado como souvenir em uma viagem.
Sento-me a um banquinho, tipo tamborete, de revestimento amarelo, que me acompanha há 30 anos ou mais, a substituir temporariamente as cadeiras de vime trançado que arrebentaram em poucos anos de uso, como todo o moderno.
Sou, agora, às três da manhã, soldado equipado - Guerra Fria na caneca por cantil de combate, cueca frouxa a acariciar o saco melhor do que qualquer amante já o fez por farda camuflada, músicas capturadas da FM Outrora (1967 MHz) por ordem unida -, sou o Falcon.
Sento-me, ajeito-me e ponho-me à trincheira, à tocaia. À espera. À espera de uma chuva de meteoros (ou de uma nova ideia, ainda que fátua e meteórica), de um sorriso de uma estrela cadente (ou de uma nova ideia, ainda que decadente), da aparição de um LP voador, de um disco não-identificado, sem capa, encarte nem créditos, passível, no entanto, de ser tocado na minha velha vitrola Philips, da buzina do fusca da Morte a me chamar para coadjuvante num road movie.
Vêm, na sequência - um verdadeiro serial etilic -, doses e mais doses de Guerra Fria; choramingam faixa após faixa do CD. Estiam, no entanto, as chuvas de meteoros; emburram, estrelas cadentes; escolhem os pratos de outras  vitrolas como base e plataforma de pouso, porém, os LP voadores.
A chuva cessa, o termômetro se cansa dos vinte vírgula alguma coisa graus e sai de seu coma, de sua animação suspensa, de seu túmulo criogênico e revela sua verdadeira face.
As ideias, feito ratos de Hamelin, são conduzidas pelos feromônios de Calíope a amantes que lhe são mais atenciosos e viris.
Quatro da manhã. Ouço o tossir, o pigarrear, o gargarejo dos primeiros galos da manhã. Ouço a chegada, de volta à casa, cambaleando bêbadas de muros, telhados e luares, das minhas gatas, a Cleonice e a Dona Preta - sirvo-lhes o café da manhã, uma ração nova sabendo a salmão e espinafre; elas comem, se esfregam um pouco em minhas pernas, feito crianças agradando aos pais para não terem que lavar os pratos, ou arrumar as camas, e vão dormir.
Quatro da manhã. Só eu existo nesse hiato, nessa troca de turnos; só eu insisto em existir nesse limbo, nesse abismo irrespirável entre o cantar do galo e o dormir do gato.

Meus Gatos, Charles Bukowski

Eu sei. Eu sei.
Eles são limitados, têm distintas
necessidades e preocupações.

Mas eu os observo e aprendo com eles.
Eu aprecio o pouco que sabem,
que é
tanto.

Eles rosnam mas jamais
se inquietam,
perambulam com uma surpreendente dignidade.
Eles dormem com uma direta simplicidade que
os humanos não são capazes de
entender.

Seus olhos são mais
belos que os nossos olhos.
E eles podem dormir 20 horas
por dia
sem
hesitação ou
remorso.

Quando me sinto
desalentado
tudo o que tenho a fazer
é contemplar os meus gatos
e assim
ressurge-me a coragem.

Eu estudo essas
criaturas.

Os gatos são os meus
mestres.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

De Repente, é Aquela Corrente Pra Frente, Parece Que Todo o Brasil Deu a Mão.

Você vem? Ou será que é tarde demais?

Um Girassol da Cor de Seus Cabelos
(Lô Borges) 
Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor do seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo?
 
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
 
Sol, girassol, vejo o vento solar
Você ainda quer morar comigo?
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo
 
Se eu morrer não chore não
É só a Lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Donald Trump, o Botão Nuclear Mais Rápido do Oeste

Donald Trump é o novo cowboy sentado ao trono da Casa Branca! É o sucessor direto da linhagem de Ronald Reagan! O Marlboro Man do Salão Oval!
Donald Trump é o xerife de Washington D.C., com a estrela das 50 estrelas ao peito e dois Colts com balas de ponta de urânio enriquecido nos coldres do cinturão.
Donald Trump não leva desaforo para casa : desafia para duelo, ao pôr-do-sol, à saída da cidade, ou, no caso, à saída do planeta. Este planeta é pequeno demais para nós dois, sentenciou o cowboy Trump ao bandido da vez, Kim Jong-un, o Facínora que veio do Oriente, ou o Homem do Foguete, como prefere a ele se referir o próprio xerife Trump.
O vilão Kim Jong-un mandou um recado ao cowboy Trump em sua mensagem de Ano-Novo ao povo norte-coreano: "Todo o território dos EUA está ao alcance de nossas armas nucleares, sempre tenho um botão nuclear na mesa do meu escritório. E isso é a realidade, não é uma ameaça".
Pronunciamento ao qual, sempre rápido no gatilho verbal, o cowboy Trump respondeu à altura através do porta-voz oficial da Casa Branca, o twitter. O cowboy Trump tuitou: "Alguém que pertença a esse regime decrépito e causador de fome por favor avise a ele que eu também tenho um botão nuclear, mas é muito maior e mais poderoso que o dele, e o meu funciona!".
Pããããta que o pariu!!! O meu é maior que o seu, o cowboy Trump mandou alguém avisar!
A questão sempre foi essa. A isso se resume a história dos conquistadores e seus impérios. Nunca foi questão de expandir territórios, de controlar rotas comerciais, de estabelecer hegemonias, de impor jugo financeiro, bélico e cultural aos outros povos. A questão foi sempre provar quem tem o pau maior. E mais potente. Deixar patente ao mundo quem tem a maior ogiva nuclear a balançar no meio das pernas.
Donald Trump e Kim Jong-un são duas bichonas enrustidas a exibir suas rolas um para o outro. Dois viadões encruados, um manjando a rola do outro no vestiário do clube, no banheiro público.
Discursos panfletários de um lado, tuítes retaliadores de outro. Ameças e chantagens atômicas? Punheta atômica, isso sim. Donald Trump e Kim Jong-un são punheteiros morrendo de vontade de pegar um no míssil balístico do outro. O problema é que pode sobrar e voar porra pro mundo inteiro.
Donald Trump e Kim Jong-un bem que poderiam parar com as vaidades e com a viadagem e se encontrarem, em um território neutro, para resolver suas diferenças. Bem que poderiam conversar e entrar num acordo sobre o uso de suas armas, estabelecerem um tratado, digamos assim, bilateral de cooperação, de ajuda mútua, um país dando uma mãozinha para o outro, feito na charge abaixo, de autor que não consegui identificar. Donald Trump e Kim Jong-un ficariam muito mais felizes. E o resto do mundo, também.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Pequeno Conto Noturno (69)

- Miserável! Filho da puta!
Transtornada - 80% ira (e subindo) e 20% resto de surpresa (e caindo) -, Gisele anda e vasculha o pequeno apartamento de Rubens, xingando-o e arrastando consigo um saco plástico de lixo, daqueles de 100 litros, preto, feito os de ensacar cadávares, que vemos nos filmes, recolhendo e atirando para dentro dele tudo o que ela trouxera durante o curto (curto para quem?) relacionamento, hoje, finado, sem aviso prévio, sem sinais de quê(para ela), como aniquilado por mal súbito e fulminante, com Rubens; dois meses, pouco mais, pouco menos?
- Ermitão da porra! É disso de que gosta, né, seu escroto? Viver enclausurado, isolado... mas vou levar todos os melhoramentos que pus aqui, tudo que trouxe para dar uma aparência de casa a essa caverna... é assim que gosta de viver, né, dentro de um covil de bicho... que seja feita a puta da sua vontade, vai voltar pra sua vida de homem das cavernas, mas vou levar tudo.
Gisele anda pela sala e arranca um tipo de tapeçaria (Rubens não sabe o nome correto daquilo) que pusera sobre o sofá à guisa de ornamento, forro e proteção para o surrado, encardido e puído móvel. Tapeçaria colorida, com motivos meio mexicanos, astecas, ou coisa vagamente parecida, urdida em fibra vegetal rústica e deixada a propósito sem acabamento, para dar-lhe ares de trabalho manual, artesanal, aspecto de confecção ecologicamente correta, autossustentável e essas merdas e, lógico,  para poder ser vendida a um preço três ou quatro vezes maior do que vale.
(Rubens não gostara da tapeçaria em seu sofá logo de começo. As pontas das cerdas dos fios da tecedura espetavam um pouco a sua bunda quando se sentava pelado para que Gisele, ajoelhada à sua frente e com a cabeça entre suas pernas, lhe fizesse uma chupeta. E que chupeta faz Gisele... que técnica... que poder de sucção... e não perdia nem desperdiçava uma única gota ao fim do processo, coisa rara hoje em dia. Decidiu que o boquete de Gisele suplantava o desconforto das cerdas a lhe picarem a bunda. E a tapeçaria ficou.)
- Misógino de merda! Disfarça arrumando e comendo um monte de mulher, uma vagabunda atrás da outra, mas nos odeia, a todas nós, mulheres. Só tem adoração pelo próprio falo, vai ver que até pelo falo de outros, todo misógino é uma bichona enrustida!
Gisele segue para a cozinha. Abre o armário e vai jogando para o estômago pantagruélico do saco preto todos os copos que comprara - copos para água, para cerveja, para whisky -, a mania e/ou a insistência de Rubens tomar tudo em canecas, na mesma caneca, a incomodava; na verdade, dava-lhe certa vergonha alheia quando tinham visitas. Pelo mesmo motivo, recolhe ao saco, agora, os jogos de talheres que adicionara às gavetas do apartamento; Rubens, desde há sabe-se lá quando, sempre teve quatro garfos, quatro facas e quatro colheres, de cabos bojudos em plástico azul, e já os considerava um luxo, só os comprara aos quartetos porque vinham em cartelas não fracionáveis de plástico bolha. Pratos, xícaras, escumadeira, espátula, fatiador de queijo, saca-rolha em inox. Tudo para o saco. Porta-detergente. Porta-esponja. Porta-sabão. Escorredor de pratos. Tudo para o saco. 
(As visitas das quais Gisele se envergonhava eram sempre de conhecidos dela. Rubens nunca recebera, em toda sua vida, mais gente, ao mesmo tempo, do que seus quatros talheres não tenham dado conta, ou suas canecas. Aliás, há anos, fora as eventuais invasões de Calil, Rubens não recebia ninguém. Rubens não gostara daqueles apetrechos todos em sua cozinha logo de começo. Mas Gisele, depois de uma noite com seus intragáveis amigos e amigas, estava num tal grau de satisfação para com Rubens que sempre liberava o cuzinho pra ele antes de dormirem. E que cuzinho tem Gisele... um verdadeiro triturador de rola... uma quente, aconchegante e barrenta toca de minhoca. Decidiu que o cuzinho de Gisele suplantava todo o desconforto daquela tralha e do falatório inútil dos amigos dela.  E os copos, os pratos, os talheres etc ficaram.)
- Você odeia as mulheres, Rubens! Deve ter tido uma mãe controladora, castradora, e como não pode, como não quer depô-la do altar de santa em que todo filho homem põe a mãe, como não quer resolver seus problemas com ela, como quer mantê-la em perene estado de perfeição, deve nutrir até um tesão recolhido e inconfessável pela figura dela, desforra nas mulheres com quem se relaciona. Se vinga de sua mãe em todas nós!
Gisele não fora a primeira psicóloga a rebolar e gemer em sua rola e, para elas, tudo se resume à adoração ao falo, ao tesão pela mãe, a comer merdas... essas merdas, pensa Rubens, em déjà vu.
Gisele caminha para o quarto. Lençóis e fronhas de não sei quantos fios, travesseiros de pena de ganso, pantufas, um porta-retratos com ela e Rubens, a cortininha da janela, sachês aromáticos em pingentes de crochê pendurados nos puxadores das portas do guarda-roupa, tapetinhos, também em crochê, dos dois lados da cama, para os pés não pegarem friagem pela manhã, três quadros colocados na parede. Tudo para o saco. E arrasta, embaixo do braço, para a sala, para junto da porta de saída, um grande espelho, daqueles de chão, com suporte, que pusera de frente para a cama, para se ver quando trocava de roupa e de sapato.
(Rubens não gostara daqueles badulaques todos logo de começo, atulhavam o quarto, mal davam espaço para Rubens andar, obrigando-o a se locomover como que em um campo minado, sobretudo o grande espelho no chão, em cuja base sólida e pesada já dera por vezes com o dedinho do pé. Mas Gisele excitava-se com todas aquelas texturas, aqueles perfumes, aquelas maciezas... excitava-se, principalmente, ao se ver no espelho com o pau de Rubens por entre suas tetas. E que tetões tem Gisele... naturais... e que espanhola faz Gisele... Decidiu que os tetões e a espanhola de Gisele suplantavam toda a perda de espaço. E os badulaques ficaram.)
Gisele vai para o banheiro. Recipiente para sabonete líquido, frasco com umas varetas de madeira mergulhadas numa essência, toalhas de rosto bordadas e combinando com as de banho e com o tapete, velas aromáticas, cestinho de lixo em ferro esmaltado e com motivos florais, esponjas de banho de bucha orgânica, toda sorte de cremes, xampus, maquiagens, protetores solares, um secador de cabelos e uma maquininha para depilar as pernas, suvacos e buça. Tudo para o saco. Gisele já estava para sair do banheiro, quando se lembrou, e esses ela fazia questão absoluta de levar embora, do creme que comprara para os calcanhares rachados Rubens e do condicionador tonalizante - uma gosma azul-escura - para seus cabelos grisalhos, que anulava o efeito amarelado imposto pelo sol e o substituía pela prata do luar, segundo o rótulo. Rubens que morresse com seus calcanhares de solo de sertão e seus cabelos amarelos-nicotina.
(Rubens não gostara de toda aquela perfumaria em seu banheiro logo de começo. Sobretudo das últimas aquisições de Gisele, o creme para calcanhares e o condicionador tonalizante, sentiu-se ultrajado de início, pareceu-lhe coisa de metrossexual. Mas Gisele tem uma amiga, uma tal Liane, que se ela, Gisele, pedisse, conversasse com jeito, quem sabe, poderia até topar uma brincadeirinha a três, Liane era da pá virada, ela e Liane tiveram seus momentos na adolescência, confessou a Rubens, enquanto ele chupava sua buceta. Mas como trazer a amiga e apresentá-la a um namorado de calcanhares rachados e cabelos malcuidados? Para Rubens, vergonhoso seria apresentar um namorado de pau mole, mas vá entender as mulheres... Rubens decidiu, depois de ver uma foto da tal amiga no celular de Gisele, que chupar e meter em Liane às vistas e com o consentimento e participação de Gisele suplantava a viadagem de um creminho nos calcanhares e uma meleca roxa nos cabelos. E o creme e o condicionador ficaram.)
Até hoje. Até hoje, há pouco mais de uma hora, uma hora e pouco, a tudo Rubens relevara, condescendera, racionalizara, se ajeitara com compensações. Até hoje. Há uma hora.
Rubens e Gisele na cama. Sentados com as costas na cabeceira e as pernas esticadas, depois da foda, retomando os ritmos normais da respiração e da pulsação. Gisele conversava trivialidades e brincava com os pelos do saco de Rubens, enroscava e entremeava os dedos pela basta cabelereira pubiana dele.
- Rubens, meu bem... - ela começou a dizer - vamos tentar uma coisa nova, uma melhoradinha no visual?
- Fala - falou Rubens, enquanto entornava um latão de 550 ml.
- Vamos dar uma aparadinha nesse matagal todo? Uma cortadinha, uma aparadinha nesses pelos? Comprei até uma tesourinha própria para isso.
E Gisele abriu a gaveta do criado-mudo do seu lado da cama e exibiu, já com os dedos a postos, a tesourinha de cortar pentelhos a Rubens.
Dessa vez, não houve tempo para ponderações, para racionalizações, para o cerébro de Rubens trabalhar em compensações. A medula de Rubens assumiu o comando, como sempre faz em situações de graves urgências, em que a lentidão do cerébro poria tudo a perder. A perna boa de Rubens, a esquerda, em arco reflexo, feito aquele movimento involuntário e inevitável de quando o médico nos bate com um martelo à patela, deu um coice, chutou Gisele à distância, para fora da cama.
A sequência do fato - Gisele xingando e recolhendo tudo o que é de seu no saco de lixo preto - é história já bem contada e sabida.
Gisele, enfim, sai pela porta. Desce a escadaria com o saco de seus espólios, de suas tentativas frustradas de mudar Rubens, e com o espelho. Rubens, pela janela, vê o motorista do táxi ajudando-a a ajeitar tudo no porta-malas e, em seguida, sumir na madrugada.
Fiz o certo - pensa Rubens -, se não, o necessário - e abre mais um latão de 550 ml. Desta vez, não havia como... - continua a pensar em meio a uma golada de cerveja e espuma - cortar os meus pentelhos... o que viria depois? Enfiar o dedo no meu cu? E Rubens ri. Fizera o certo. Um homem deve ter firme seus limites e fazê-los conhecidos para os outros. O chute que jogou Gisele contra a parede, admite Rubens, não foi o mais polido dos argumentos. Mas foi o mais eficaz. Isso, ora porra, foi.
Rubens sente um revertério nas tripas e corre pro banheiro. Uma das boas. Das quentes. Das que ultrapassam o nível da superfície da água da privada. Rubens toma um pedaço de papel higiênico e passa no cu. Surpreso, sente a maciez e a suavidade de um folha dupla - outra inovação de Gisele no banheiro de Rubens, que Rubens não gostara logo de começo, mas o papel higiênico que era de seu hábito - folha simples, tipo lixa - esfolava a buceta de Gisele. E que bucetão tem Gisele... Rubens decidiu que se fosse para algo esfolar os grandes e os pequenos lábios de Gisele, esse algo seria seu pau. E o papel higiênico folha dupla ficou.
Rubens, acabando de se limpar, decide que manterá o folha dupla, doravante. Que o folha dupla será a herança de seu caso com Gisele. E que ninguém ouse dizer que Rubens é um homem que não aprende com seus relacionamentos.