quinta-feira, 12 de julho de 2018

O Lar dos Velhinhos de Pau Duro

Sempre fui um sujeito precavido, previdente, resvalando, por vezes, as raias da paranoia. Gosto de pensar que tenho sempre um plano, ainda que um esboço, para os imprevistos previsíveis, inevitáveis. Feito a velhice, que campeia, não obstante de bengala, a passos cada vez mais largos. 
Não acredito em futuros já grafados no livro de algum deus sádico, em garranchos escritos nas estrelas, em predeterminações etc. Acredito em possibilidades, em possíveis linhas temporais, em variados caminhos que darão, inevitavelmente, à mesma Roma em cinzas e ruínas. Uns mais esburacados, outros, melhor pavimentados, sinalizados, pedagiados, até; a depender do GPS e da sorte de cada um. Enfim, acredito em vias crúcis alternativas que conduzirão ao mesmo Gólgota.
Em um desses possíveis futuros inglórios, serei um octogenário saudável, dentro do possível; um velhinho pimpão. Serei capaz de comer com minhas próprias mãos, andar com minhas próprias pernas e limpar o meu próprio cu. Nesta possível linha temporal, acredito, as pessoas de minha convivência ainda serão capazes de me tolerar. De terem-me por perto, feito um gato velho do qual se releva os pelos deixados no estofamento do sofá novo, os arranhados nos batentes das portas e os esporádicos e melancólicos miados roucos para a Lua e para os telhados vazios - a nênia de todo gato. Tolerarão-me feito uma presença, um espectro , um tipo de fantasma que não se desapega de sua antiga residência.
Em outro possível tentáculo de minha linha temporal, eu não me torno apenas velho; também senil, gagá. Terão que me dar comida à boca e trocar minhas fraldas. Nesta ramificação temporal, o melhor para todos é que me internem num asilo para velhos. O que, atualmente, é chamado de lar de idosos, casa de repouso da terceira idade etc. A merda do politicamente correto não nos deixa usufruir nem do último prazer da vida, que é o de ser velho, que é o carimbo de soltura no nosso prontuário da condenação à vida, que é o nosso habeas corpus da existência; querem-nos idosos, envelhescentes.
Com o aumento artificial da expectativa de vida do brasileiro, e raramente da qualidade da mesma, tais lares para velhinhos estão a proliferar. Há vários deles no meu bairro; inclusive, um bem em frente ao prédio em que moro, bem em frente à minha sacada. Moro em apartamento há 32 anos. Acham que a vida, pulsante, jovem e de peitos empinados já se exibiu das janelas dos prédios em frente para mim? Nunca flagrei um único peitinho. No entanto, a morte faz seus ensaios todos os dias quando saio para tomar o meu café e/ou minha cerveja.
Tenho andado, portanto, a observar esses lares para idosos sempre que passo defronte algum deles, a tentar entender seus funcionamentos, suas dinâmicas, a armazenar dados para futuras necessidades. Todos parecem seguir os mesmos protocolos e cronogramas. De manhãzinha, os velhos são colocados às varandas e aos alpendres para tomarem um pouco de sol - não deixar criar bolor e mofo nas rugas-, depois as enfermeiras se revezam dando comida e remédios, comem bem os velhinhos, o asilo daqui de frente de casa, em sua placa com um casal de velhos sorridentes, garante que serve seis refeições diárias, há também sessões de exercícios físicos com fisioterapeutas, e assim o dia vai transcorrendo. Ao entardecer, os velhinhos são recolhidos e desaparecem para dentro das casas.
Aparentemente, levam vida boa e confortável, os velhinhos, porém, em nenhum desses asilos, nunca ouvi uma música tocando (e eu vivo com o toca-CD ligado o dia todo), nunca vi um único velhinho com um jornal, um livro, um caderninho com uma caneta, ou mesmo com palavras cruzadas nas mãos (viver em silêncio, sim, mas sem a palavra, não), nunca vi, nem aos sábados, domingos, feriados e aniversários (sim, eles comemoram aniversário, com bolo, parabéns e tudo), um velhinho molhando o bico com uma latinha de cerveja (oh, Morte, abstinência é um de seus nomes). E essa estória, então, de atividades físicas diárias? Eu nunca fiz exercício nem quando era novo, vou me meter a besta depois de velho? Quero é sossego. E minha dúvida, de onde me instalarei na velhice, continuava...
Mas são nestas horas de angústia e de indecisão que os amigos nos valem. Mesmo sem saber. Mesmo sem serem requisitados sobre o assunto, nos vêm com uma luz no fim do túnel. Ontem, meu primo Leitinho me mandou uma notícia sobre um fato insólito ocorrido em um asilo norte-americano em Oklahoma, o Parkview Nurse Center.
Giselle Horney, 49 anos, uma das enfermeiras do asilo, foi detida e acusada de abusar sexualmente de vários idosos. As investigações e os depoimentos indicam que os abusos vêm ocorrendo há cerca de três anos e atingiram mais de 78 residentes da instituição, homens e mulheres com idades compreendidas entre os 72 e os 103 anos. Ela dava viagra para os velhinhos e depois os forçava a fazerem sexo com ela.
As suspeitas foram levadas por alguns funcionários a Elise Wood, a gerente do asilo, que estavam a estranhar o permanente estado de ereção de alguns residentes do sexo masculino. Era bengala em riste pra tudo quanto é lado. Câmeras de vigilância foram instaladas nos quartos dos idosos, e as suspeitas, confirmadas.
Giselle Horney chegava a fazer sexo com mais de 20 velhinhos por dia. É Geni, da música do Chico, "e também vai amiúde com os velhinhos sem saúde e as viúvas sem porvir, ela é um poço de bondade...".
Ouvidos pela polícia, os velhinhos não quiseram prestar queixa contra Giselle, muitos, inclusive, disseram ter gostado dos "abusos" por parte da enfermeira. Um dos idosos entrevistados disse : "Ela foi a melhor coisa que me aconteceu desde que minha mulher faleceu há 35 anos, mas admito que passar horas e horas por dia com ereção era um pouco aborrecido e incômodo".
Outros, apesar de confirmarem que as trepadas com Giselle foram consensuais de parte a parte, disseram não ter gostado dos "brinquedos sexuais" e das "brincadeiras anais". Uns mal-agradecidos, esses velhinhos. O sujeito tá lá, com 90 e tantos anos, no bico do corvo, aí vem uma ninfetinha de 49 anos, deixa o cara de pau duro e dá pra ele. E o cara tá reclamando do quê? Dum fio-terra?
Rapaz, se um dia eu estiver com 90 anos, de pau duro e com uma doida querendo dar pra mim, tudo o mais que vier (ainda que por trás) será lucro, será bônus. Vê lá se eu vou ficar regulando a mixaria dum cu velho, reclamando de uma cutucada no toba seco. Pããããããããããta que o pariu!!!!
Com a divulgação do ocorrido, espero que outros lares para idosos, de outros países, realizem estudos e experimentos acerca do método revolucionário de Giselle Horney, para promoverem ainda mais o conforto e o bem-estar de seus residentes. Ou que Giselle, após sair do xilindró, resolva abrir sua própria franquia de asilos, a Old Man with Hard Cock's Home, ou, vertido para o bom português, o Lar dos Velhinhos de Pau Duro. E que inaugure o primeiro deles, o quanto antes (meu tempo urge), aqui em Ribeirão Preto. E o segundo em Belo Horizonte, certo, JB?
A gerontófila Giselle Horney

Os Canalhas Dormem Cedo

Não gosto de Sol
(fodam-se a fotossíntese e a vitamina D).
Gosto de sóis,
De galáxias deles.
Por isso, a madrugada,
Por isso, as damas-da-noite
Banhando-se em banheiras,
Gestando em úteros
De leite ejaculado pela Via-Láctea.
(e os intolerantes à lactose, que assistam às suas novelas, aos seus reality shows, ao seu futebol, que atualizem seus perfis nas redes sociais e vão dormir mais cedo).

quarta-feira, 11 de julho de 2018

A Bélgica e Bolsonaro Agradecem

Um belo texto de Marcelo Damato, colunista da Folha de São Paulo. Sobre as duas grandes farsas nacionais, Lula e Neymar, e sobre os fanáticos que ainda os defendem. Os grifos em vermelhos são por minha conta.

Lula e Neymar consomem mais esforço do que devolvem ao país
"Em química, as reações entre os compostos podem ser divididas em exotérmicas, que liberam mais energia do que consomem, e endotérmicas, que agem ao contrário.
No trabalho e nas relações humanas, é parecido. Ao contratar um profissional, uma empresa ou entidade projeta que a riqueza gerada por seu trabalho supere o seu custo. Numa relação pessoal, seja um companheiro de cerveja, seja a pessoa com quem casamos, esperamos que o esforço gasto na relação seja recompensado com algo melhor.
Mas esse ganho não tem acontecido nem com Lula, nem com Neymar. Ambos consomem mais energia, esforço e emoções do que devolvem ao país. Neymar já encerrou sua campanha na Copa –com fracasso. Lula ainda está em campanha –para entrar na campanha eleitoral.
A premissa que move o apoio a ambos é a mesma: é a única pessoa que pode levar a um ápice, um objetivo essencial para a felicidade.
Para a esquerda que o apoia, Lula é o único capaz de, nas próximas eleições, derrotar “a direita”, esse grupo meio misterioso que iria de Temer a Bolsonaro, e que agiria com o objetivo de retirar direitos e dinheiro dos cidadãos, destruir a natureza e aumentar a exclusão.
Da mesma forma, Neymar era, para os seus fãs, o único craque capaz derrotar a Fifa, o VAR e todas as seleções e conquistar o sonhado hexa.
Para apoiá-los, é preciso quebrar a disciplina do Judiciário ou a disciplina da seleção. É preciso aceitar sem contestar o que fazem ou pedem, de um corte de cabelo lamen na véspera da estreia ou um frigobar na cela uma semana após a prisão.
Se você critica Neymar, independente de quantos elogios faça, então você é um cego, que não entende de futebol ou, pior, um invejoso que não aceita que um garoto pobre tenha sucesso –não importando quantos outros você admire– e até está torcendo contra. Ou seja, é um traidor da pátria.
Se você faz críticas a Lula, não importam os seus elogios, então você é um cego, que não enxerga a situação do país, ou, pior, um reacionário que não aceita que um ex-operário seja presidente do Brasil –ainda que já tenha votado nele. Ou seja, …
Para atender Lula em suas vontades, os seus fiéis se tornaram motivo de chacota nacional. Para atender Neymar em suas vontades, os seus fiéis, inclusive parte da comissão técnica, se tornaram motivo de chacota internacional.
Se as notícias sobre as recentes manobras no Judiciário fossem relativas a um político rival, os fãs de Lula ficariam revoltados. Já ficaram, com Aécio fazendo menos. Se as imagens, simulando, rolando e se contorcendo fosse de um jogador rival, os fãs de Neymar ficariam indignados. Já ficaram, com ingleses fazendo menos.
Pode-se dizer que Neymar é o Lula do futebol. E Lula é o Neymar da política.
A Bélgica e Bolsonaro agradecem."

Investimentos do PT

O PT, não há como negar, foi o partido que mais investiu em obras de infraestrutura. Hidrelétricas, portos, refinarias de gás, linhas de metrô. Pena que não no Brasil, aqui só mesmo campo de futebol de um bilhão de reais para dar de presente para o Corinthians. Pena que em outros países. Bilhões de reais de impostos de trabalhadores honestos, os chamados coxinhas, que são as pessoas que movem esse país, foram roubados pelo PT e dados de bandeja para países comunistas, para ditaduras de merda, para tiranos bolivarianos. Algumas delas:
- Porto de Muriel, Cuba : US$ 957 milhões;
- HIdrelétrica de San Francisco, Equador : US$ 243 milhões;
- Linhas 3 e 4 do metrô de Caracas, Venezuela : US$ 732 milhões;
- Ponte sobre o rio Orinoco, Venezuela : US$ 1,2 bilhões;
- Barragem de Moamba Major, Moçambique : US$ 460 milhões;
- Hidrelétrica de Tumarin, Nicarágua : US$ 1,1 bilhão;
- Projeto Hacia el Norte, Bolívia : US$ 199 milhoes.
Em mais outros tantos, basta pesquisar para achar mais uns vinte. Tudo dinheiro nosso. Dinheiro que deveria nos ser devolvido na forma de serviços públicos de qualidade foi financiar ditaduras e republiquetas comunistas de merda.
E tem muito filho da puta por aí, e por aqui também, que ainda defende essa corja, essa organização criminosa, os maiores ladrões que já pisaram em solo tupiniquim. Cadeia para todos eles.
Aliás, os patifes do PT estão desesperados, estão tentando vencer a Justiça brasileira pelo cansaço. Entre os dias 9 e 10 de julho (segunda e terça-feira), após a guerra de decisões no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) em torno da soltura de Lula cuja questão foi encerrada com a decisão do presidente do tribunal regional, Thompson Flores, de manter o petista na prisão, nada mais que 143 pedidos padronizados de habeas corpus chegaram ao STJ. 
Todos, absolutamente todos foram negadas pela ministra Laurita Vaz, presidente do STJ, que mandou seu recado para os bandidos petistas : “O Poder Judiciário não pode ser utilizado como balcão de reivindicações ou manifestações de natureza política ou ideológico-partidárias. Não é essa sua missão constitucional”. Ou seja, petistas, vão fazer comício nas putas que os pariram.
Não adianta, petezada escrota. O poderoso chefão de vocês está liquidado politicamente. Já era. Quem aproveitou, aproveitou, quem não aproveitou não aproveita mais. Todo mundo vai ter que trabalhar agora.

domingo, 8 de julho de 2018

Soltura de Quem?

Às 12:46 h de hoje, um escroto dum petista, dum canalha vermelho, lazarento, com cancro mole na cabeça do pau e gonorreia no cu, postou um comentário anônimo aqui : "Posta aí sobre a soltura do Lula. Justiça foi feita."
Soltura, vagabundo? Soltura de quem?
Acaba de sair agora a decisão do presidente do TRF-4, Thompson Flores, a martelada final em todo esse imbróglio causado por três deputados da quadrilha petista e mais um desembargador plantonista, Rogério Favreto, também integrante há tempos da corja vermelha. Mais um plano sub-reptício para livrar do xilindró o bandido condenado Luiz Inácio Lula da Silva foi desarmado e malogrado pela Justiça desse país.
O currículo de Rogério Favreto é de dar inveja a qualquer mafioso : ocupou diversos cargos em gestões petistas, inclusive na era Lula e na gestão de Tasso Genro (PT) à frente da Prefeitura de Porto Alegre. Ao longo de 1996, cordenou a assessoria jurídica do Gabinete do Prefeito. Nos governos Lula, esteve em quatro ministérios diferentes. Primeiro, foi para a Casa Civil em 2005, onde trabalhou na Subchefia para Assuntos Jurídicos sob a chefia de José Dirceu e, depois, de Dilma Rousseff. Ou seja, mais um pau mandado a serviço do PT.
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Nos anos seguintes, foi chefe da consultoria jurídica do Ministério do Desenvolvimento Social, cujo titular era o também petista Patrus Ananias. Depois, passou pela Secretária de Relações Institucionais e pelo Ministério da Justiça, nos anos em que Tasso comandava as pastas.
Thompson Flores decidiu manter o condenado Luiz Inácio Lula da Silva preso e considerou a atitude de Rogério Favreto como uma "decisão teratológica", ou seja, deformada, absurda, mal concebida, monstruosa.
Disse o procurador de contas Diogo Ringenberg, sobre Rogério Favreto : "Juiz nomeado por políticos, mancomunado com réu (o Lula) em dia e hora certos para barbarizar na surdina, ganhar no berro, "passando a perna" no seu Tribunal e nos colegas. Padrões de conduta espelhados na banda podre do STF e que emporcalham a toga evidenciando um judiciário inviabilizado".
Repito a pergunta, anônimo vermelho : soltura de quem mesmo, vagabundo?
 Thompson Flores, um brasileiro a serviço da Justiça.

sábado, 7 de julho de 2018

Deus e o Diabo na Rússia

O Diabo é o pai do rock! E também joga bola pra caralho! Vai jogar assim no quinto dos infernos! Nem Jesus salvou a selecinha do Neymar!

A Copa da Minha Vida

Neymar Jr. nunca jogou para nenhum time. Sempre jogou para si. Muito menos pela seleção brasileira. Para Neymar, a frustrada (de novo) conquista do Hexa, longe de ser uma conquista nacional, do povo brasileiro - como já disse demagogicamente Pelé, um dia - serviria apenas de trampolim, de mais uma vitrine para mais uma conquista pessoal do jogador, a Bola de Ouro da Fifa de Melhor Jogador do Mundo. 
A impressão que o Neymar me passa é a de que ele está sempre fazendo um favor, uma caridade,  quando joga na seleção brasileira, e que todos os outros jogadores e os milhões de torcedores deveriam se sentir abençoados por tê-lo com a camisa amarela. Se o menino mimado Neymarzinho, o perninha de moça, tivesse feito o favor de ganhar a Copa para o Brasil, além de ser condecorado como herói nacional deste país de analfabetos - comenda para a qual ele estaria cagando e andando -, a FIFA não teria como lhe negar a Bola de Ouro, o verdadeiro prêmio perseguido por ele. A taça da Copa da Rússia, caso ela viesse a repousar em mãos brasileiras, ficaria em segundo plano na estante de troféus do Neymarzinho, pegando poeira; ocuparia o lugar de honra, o dos holofotes, a Bola de Ouro da Fifa com o seu nome. 
Mas se fuderam, a seleção brasileira, o povão débil mental, a imprensa esportiva babadora de ovo e o Neymarzinho. Esqueceram-se todos de que Neymarzinho não é mais um jogador de futebol. É um outdoor de chuteiras, um outdoor de si mesmo e de seus patrocinadores. Neymarzinho é a Gisele Bündchen da Nike.
Esqueceram-se todos de que Neymarzinho não é um jogador de futebol, é uma celebridade de araque que faz furor entre os adolescentes retardados e alienados das redes sociais. Neymarzinho está mais preocupado com o corte do cabelo do que ensaiar táticas e jogadas. Neymarzinho trabalha com muito mais afinco para abastecer seus perfis das redes sociais com fotos de suas farras, festas e propagandas do que se esforça nos treinos coletivos da seleção.
Somados os tempos de queda dos cinco jogos da seleção, Neymarzinho passou mais de 15 minutos caído nos gramados, tentando cavar faltas, simulando contusões. Tornou-se a figura mais ridícula deste mundial. Acontece que, na Europa, o nosso tão autocultuado "jeitinho brasileiro", a nossa malandragem, a nossa esperteza, tem outros nomes : deslealdade, safadeza, imoralidade.
Por isso, torci contra a seleção canarinho. Mais até do que o Neymarzinho, é o "jeitinho brasileiro" que não podia sagrar-se campeão dessa Copa. Nunca, em toda a minha vida, tinha vibrado nem dado um grito sequer por conta de um gol marcado ou perdido, quem me conhece sabe que não gosto de futebol, que nunca torci pra nenhum time, mas me surpreendi gritando gol e vibrando entusiasmado com o segundo gol da Bélgica. Gritei, mesmo. Um grito solitário no silêncio da ausência dos rojões. Um grito delicioso.
Da copa de 2014, ficou para o povão a ilusão de que a derrota frente a Alemanha se deu pela ausência de Neymarzinho no fatídico 7 a 1, afastado por uma contusão na coluna. Pois essa ilusão se acabou. Neyzmarzinho estava em perfeitas condições físicas desta vez, no auge de sua forma. E não valeu de porra nenhuma.
Neymarzinho fez pose, mudou o corte de cabelo, chorou. Só não jogou bola. Neymarzinho fracassou. Neymarzinho foi desmascarado. Revelou-se uma fraude.
A melhor Copa da minha vida.
Adorei!
E aí, torcida brasileira? Depois desta, será que aprenderam? Porra nenhuma que aprenderam. Daqui a quatro anos, todo mundo de novo lá, incensando este sujeito.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Nem Tão Down Assim

Quase, 
Quase escrevi aqui, hoje :
"Recordar
Não é viver,
É morrer duas vezes.
Três, quatro..."

Mas que porra!
Que também estou de dar depressão em cartela de Lexotan e de Fluoxetina.

Recordar é viver, sim.
É viver a vida que já se foi,
O que,
Na antessala do fim,
É o que nos resta :
O que foi, fomos,
Cantar parabéns no Dia de Finados.

Revistas velhas, álbuns de fotografias e videotapes.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Onde Está a Feminista?

Faça um esforço sherlockiano de observação e de dedução. Qual das mulheres abaixo é uma feminista, que berra contra a objetificação do corpo da mulher, que tem acessos de fúria com gostosas em comerciais de cerveja e de lingerie? Qual das mulheres abaixo quer ser reconhecida por suas qualidades intelectuais (sempre autosuperestimadas, claro), por suas opiniões e atitudes?
Quem adivinhar, pode levar a feminista para casa, raspar as pernas dela, os suvacos e passar-lhe a vara.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Viva a Buceta Rosa! Viva o Humor Brasileiro!

O brasileiro é cordial para com o turista estrangeiro - pudera, todo o mundo é cordial para com o dólar. O brasileiro é hospitaleiro, é acolhedor, mi casa sua casa. O brasileiro abraça o gringo, ensina-o a sambar, leva-o para visitar favela, dá-lhe caipirinha, amarra-lhe fitinha do Senhor do Bonfim no pulso, calça-o com um par de havaianas e, porque ninguém é de ferro, sacaneia o gringo, apronta poucas e boas com ele.
Brasileiro adora tirar um sarro de gringo, adora fazer com que o gringo faça papel de bobo. Nesse quesito, a brincadeira mais tradicional é ensinar certos termos e expressões de nossa língua, de preferência palavrões e frases de duplo sentido, para que o desavisado visitante as aplique de forma inadequada, as utilize fora de contexto, provocando, então, a piada.
Por exemplo, o gringo pergunta ao brasileiro, "como ser good morning em português?". E o brasileiro responde, "é vai tomar no cu". E o gringo sai felizinho da vida, esbanjando simpatia para com os nativos, sai distribuindo "vai tomar no cu" pra todo mundo, pro recepcionista do hotel, pro taxista, pro jornaleiro etc. Todo mundo ri. Ninguém se ofende. Até o gringo, depois de lhe esclarecido o embuste, ri. "Como ser thank you em português?", pergunta o gringo. "É obrigado, meu viado", ajuda o sempre solícito brasileiro. E a coisa por aí segue.
Havia, inclusive, na década de 80, ou de 70, um quadro do Jô Soares no qual esta modalidade do típico humor brasileiro, do nosso humor raiz, digamos assim, era explorada. Não lembro o nome do personagem e não consegui encontrá-lo na internet, mas o Jô interpretava um gringo, um ianque, que perguntava aos "amigos" sobre termos em português dos quais tinha dúvidas. Ele, querendo elogiar uma moça, dizer que ela tinha um belo sorriso, perguntava aos amigos e eles lhe instruíam, "ela tem um boa bunda". E todo mundo ria. Em rede nacional. E ninguém se ofendia. Não tinha mimimi de feminista nem de quaisquer outros tipos de vagabundos e desocupados.
O cantor inglês Ritchie, o comedor da Menina Veneno, conta que também foi "vítima" muitas vezes desta saudável sacanagem tupiniquim por parte do cantor Lobão. E são amicíssimos até hoje.
É um tipo de humor que é parte de nosso Patrimônio Cultural Imaterial. É uma espécie de batismo de fogo para o gringo, um ritual de passagem, um abraço de boas-vindas, uma demonstração de acolhimento e bem-querer, uma maneira macha de dizer, "agora, você é um dos nossos".
Porém, a Santíssima Trindade da Repressão Global - o Politicamente Correto, os Patrulheiros Ideológicos/Justiceiros Sociais e a Globalização -  está de olho nesta vertente gaiata do humor brasileiro. O Politicamente Correto - a cartilha do pensamento dos que não conseguem pensar, o fast food de opiniões para quem não é capaz de formar as próprias, os azedos, rançosos, invejosos e desprovidos de todo e qualquer talento -; os Patrulheiros Ideológicos e Justiceiros Sociais - a matilha de guarda do primeiro, raivosa, sifilítica e acéfala; a Globalização - a maior ditadura já instalada no planeta -, Orwell, se vivo, coraria de vergonha pela ingenuidade de seu 1984.
Desde semana passada (sim, a notícia é velha, mas meu ritmo de escrita, também), turistas brasileiros na Rússia, autênticos adidos culturais do Brasil a representar no estrangeiro este viés travesso de nosso humor, vêm sendo trucidados através das redes sociais; um deles, me parece, até perdeu o emprego. Diplomatas de nossa cultura mais popular - a piada -, embaixadores de nosso humor de raiz, ganharam a pecha de "criminosos". Sim, a eles assim se referiu um âncora de um jornal do canal Globonews - ações criminosas são praticadas por brasileiros na Rússia.
E tudo porque fizeram, na Rússia, a brincadeira de ensinar aos nativos do local uns palavrõezinhos, tudo porque quiseram compartilhar de nossa genuína cultura com os austeros russos.
Em um dos vídeos, os brasileiros abordam um jovem russo e dizem que querem gravar uma mensagem dele para o povo brasileiro. Como o russo não fala picas de português, os brasileiros lhe passam o script. Fala "eu sou um filho da puta", orienta o brasileiro, e o rapaz, muito feliz da vida, muito alegre, repete, "eu sou um filho da puta". Fala "eu sou viado", e o rapaz, "eu sou viado". Fala "eu dou pro Neymar", e o rapaz, "eu dou para o Neymar". E os dois, o brasileiro e o rapaz russo, saem satisfeitos da vida. Algum prejuízo foi causado à vida do rapaz? Algum trauma? Alguma violação de direitos? Alguma coação?
Em um outro vídeo, o que ficou mais famoso, o da buceta rosa, brasileiros pulam e cantam em volta de uma torcedora russa, uma maria chuteira lá deles, "essa é bem rosinha, essa é bem rosinha... buceta rosa, buceta rosa". E a moça entra no coro com eles. Assédio? Conduta criminosa? Não vi ninguém agarrando a moça, ninguém passando a mão nela.
Em um outro ainda, brasileiros abordam duas estrangeiras, alegrinhas e festivas, muito simpáticas com os rapazes, e também lhe passam o roteiro . Fala "buceta loura, loura!", "I love Brasil", "Eu vou dar para Thiago, vou dar a buceta loura". Ao fim do vídeo, eles se despedem e cada qual segue o seu caminho. Assédio? Em nenhum momento, os rapazes sequer tocam nas moças, nem mesmo os de praxe "três beijinhos". Conduta criminosa? A moça, de fato, ia dar pro Thiago? O Thiago, em algum momento, tentou convencê-la a tal ato? Acho que nem o Thiago tava afim, naquele momento, de comer a russa, tava mais querendo tomar sua cerveja e se divertir com os amigos.
Brincadeira e piada de mau gosto? Pode até ser. Mas ainda uma piada. Quem disse que uma piada tem que ser engraçada para todos que a escutam, que o humor ou é unanimidade, ou não é humor?
Por outro lado, basta sintonizar numa rádio para ouvirmos, a exemplo, o funk "novinha senta na pica". Ou o mais recente Open The Tcheka, de autoria de Mc Lan, cuja letra guarda raros momentos de poesia : "Vamos ensinar inglês/Pras buceta analfabeta/Vamos ensinar inglês/Pras pepeca analfabeta/Open the tcheka, vai!/Open the tcheka, vai!/Open the tcheka/Ain, ain, ain/I love you too cu/Então senta no piru/I love you too cu/Então senta no piru.
Buceta rosa é conduta criminosa, é assédio. E novinha senta na pica, ou vamos ensinar inglês pras buceta analfabeta, são o quê? Liberdade de expressão musical, diversidade cultural, cultura dos oprimidos, berrarão em uníssono os politicamente corretos. E arrisque-se, você, a dizer que não, a dizer que acha esse tipo de "música" um lixo. Taxar-lhe-ão, no mesmo instante, de preconceituoso, de elitista, de racista, de filho do Bolsonaro.
Eu só queria saber quem é que decide isso. Quem é o juiz dessa merda toda? Quem é que toma duas situações de incríveis e inegáveis verossimilhanças e diz : esta não pode, é assédio, é crime; esta está liberada, é liberdade de expressão? Por que "buceta rosa" causa constrangimento e "novinha senta na pica" não? Por que há liberdade de expressão para "novinha senta na pica" e não para a "buceta rosa"? Ou por que não há a condenação para os dois casos?
Quem é que está por trás de toda essa ditadura do pensamento?
Vivas para os brasileiros na Rússia! Viva o humor brasileiro! Viva o Zé Trindade! Viva o Costinha! Viva o Ari Toledo! Viva o Paulo Silvino! Viva o Agildo Ribeiro! Viva Manuel e Carlos Alberto de Nóbrega! Viva o Zé Bonitinho! Viva Paulinho Gogó e Mateus Ceará!
E, claro, viva a buceta rosa!

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Pontos de Vista e Outras Miopias e Misantropias

Por que a impressão
De que peixes multicores,
Em seus aquários climatizados,
De pHs e salinidades ótimos,
Miniaturas do Mar de Sargaços,
São mais felizes
Que pássaros canoros
Em sua gaiolas de poleiros
E de chãos cagados?
Ou que também o sejam
Humanos em seus carrões
Em seus cargos de chefia
Em seus casamentos
Em seus apartamentos com sacada gourmet?
(e os selvagens e os mortos brindam e riem; 
brindam por si próprios; 
riem de nós)

sábado, 23 de junho de 2018

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (30)

Gata vira-lata que passa todo o cio na rua, a vadia torna à porta da casa do corno - exaurida da farra, extenuada da boemia, fatigada da esbórnia. Arrebentada, arregaçada, aos cacos, em petição de miséria, roga, mais uma vez, guarida ao chifrudo.
E o corno faz o quê? Bota a vagabunda pra correr? Manda-a cantar em outra freguesia? Porra nenhuma, meus amigos, que corno é corno. O corno lhe dá asilo e refúgio. Cuida das feridas da puta, dá-lhe banho, fumiga a buceta dela  com Neocid para acabar os chatos, faz-lhe nutritiva canja, traz-lhe travesseiro e cobertor, leva-a ao dentista, arruma-lhe os dentes, manda botar pivô e ponte móvel,  dá-lhe penicilina para a sífilis e a gonorreia, casa-se com ela, dá-lhe o próprio nome, a única herança que seu pai lhe deixou.
E a puta? Reconhece a benemerência do corno? Tem-lhe gratidão eterna? Sossega a xavasca e passa a ser dedicada esposa e dona de casa? Porra nenhuma, meus amigos, que puta é puta. Uma vez recuperada, refeita e pronta de novo pra pôr pra jambrar, a biscate cai na orgia mais uma vez. Dá as costas para o corno e sai dando a bunda para outros.
O que resta ao corno? Beber e cantar. Cantar músicas de corno. Ou compô-las. Como é o caso da belíssima canção Coração em Desalinho; na minha opinião, uma das mais tocantes e pungentes músicas do cornuário de nossa MPB. De autoria do nascido português Alcino Correia Ferreira - o que só vem a confirmar que o chifre é multiétnico e multicultural -, mas criado desde os quatro anos de idade no meio da malandragem carioca e batizado por ela de Ratinho, foi celebrizada na voz de Zeca Pagodinho.

Coração em Desalinho
(Ratinho)
Numa estrada dessa vida
Eu te conheci
Oh Flor!
Vinhas tão desiludida
Mal sucedida
Por um falso amor...

Dei afeto e carinho
Como retribuição
Procuraste um outro ninho
Em desalinho
Ficou o meu coração
Meu peito agora é só paixão
Meu peito agora é só paixão...

Tamanha desilusão
Me deste
Oh Flor!
Me enganei redondamente
Pensando em te fazer o bem
Eu me apaixonei
Foi meu mal...

Agora!
Uma enorme paixão me devora
Alegria partiu, foi embora
Não sei viver sem teu amor
Sozinho curto a minha dor...

Numa estrada!
Numa estrada dessa vida
Eu te conheci
Oh Flor!
Vinhas tão desiludida
Mal sucedida
Por um falso amor...

Dei afeto!
Dei afeto e carinho
Como retribuição
Procuraste um outro ninho
Em desalinho
Ficou o meu coração
Meu peito agora é só paixão
Meu peito agora é só paixão...

Tamanha desilusão
Me deste
Oh Flor!
Me enganei redondamente
Pensando em te fazer o bem
Eu me apaixonei
Foi meu mal...

Agora!
Uma enorme paixão me devora
Alegria partiu, foi embora
Não sei viver sem teu amor
Sozinho curto a minha dor
Sozinho curto a minha dor
Sozinho curto a minha dor...

Para ouvir, relembrar da puta e chorar, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO .

O Que é Que a Rússia (e a Russa) Tem (V)

Os ícones religiosos são um dos expoentes da arte pictórica russa. Na visão da ortodoxia russa, porém, o ícone é muito mais que a simples pintura de uma divindade, ou de um santo, vai muito além de uma mera representação figurativa.
Para os russos, o ícone não só representa as formas, mas também incorpora a energia e os poderes da divindade feita em pintura; mais que uma tela é uma revelação do divino, uma teofania, uma janela que se abre para o reino dos céus, pela qual se pode contemplar relances do mundo espiritual. 
Trago-vos, pois, um dos ícones sagrados da peitaria russa, Jana Delfi. Vislumbrar - de joelhos, em oração, em ato de contrição - os peitos de Jana Delfi é uma verdadeira epifania, uma janela para o paraíso. Dá quase para acreditar em Deus. Quase.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Um Tango Argentino Me Vai Bem Melhor Que um Blues

Nunca escondi a minha simpatia pelo antipático povo argentino, pelos considerados arrogantes hermanos. Argentinos não são arrogantes. São mesmo melhores intelectualmente que nós, brasileiros; o que, convenhamos, nem chega a ser uma façanha tão épica assim, mas o são.
Não obstante a doença e o fanatismo comuns pelo futebol e por presidentes populistas e corruptos, a Argentina, por exemplos, já foi laureada com 5 prêmios Nobel - dois da Paz, dois de Medicina (simplesmente a técnica do marca-passo) e um de Química. O ônibus, a caneta esferográfica, o sistema de impressão digital são inventos argentinos. A Argentina já ganhou dois Oscars. Segundo o site Portal Aprendiz, há mais livrarias na cidade de Buenos Aires que no Brasil inteiro (note-se que a capital portenha conta com 4 milhões de habitantes; o Brasil, com mais de 200 milhões), há uma enorme indústria de pirataria de livros na Argentina, lá eles pirateiam livros, meus caros, Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez etc; no Brasil, pirateia-se sertanejo universitário.
Por isso, nas Copas do Mundo, sempre que posso, torço pela Argentina. Logo, confesso que fiquei chateado com a derrota de hoje dos hermanos frente aos croatas. E por um placar beirando a humilhação, 3 x 0. Só assisti ao primeiro tempo, cujo tempo regulamentar encerrou-se num morno zero a zero. Depois fui cuidar da vida e só liguei ao final. O melhor do mundo Messi, semideus direto da genealogia do deus Maradona, mais uma vez, não fez porra nenhuma pela Argentina numa Copa do Mundo. Assim como, até agora, e torço muito para que assim permaneça, o aspirante a santo milagreiro Neymar nunca fez porra nenhuma pela seleção brasileira.
Os hermanos já não vinham bem do jogo anterior, no qual conseguiram um empate suado contra a gélida Islândia. Campeã mundial de IDH e qualidade de vida, a Islândia é inexpressiva no futebol; para o islandês o futebol é mero passatempo, a educação, a saúde, a segurança, enfim, a civilidade, são mais importantes. Tanto que muitos jogadores islandeses nem são futebolistas em tempo integral : o técnico é dentista, o goleiro, cineasta, o lateral direito trabalha numa fábrica de sal, outro ainda, marceneiro.
O que me lembrou muito uma passagem da história dos 300 de Esparta. Conta-se que, ao saberem da invasão persa ao território grego pelas praias espartanas, gregos de diversas outras regiões e cidades-estado da Grécia se congregaram e afluíram em direção à batalha. Porém, fora Esparta, a grande maioria das cidades gregas não tinham tradição bélica, eram regiões agrárias, como a Arcádia, a Messênia, a Beócia etc. Mas a grega pátria amada viu que um filho seu não foge à luta. Os homens dessas regiões se armaram com que o tinham, foice, facões, machados, marretas. Quando se encontraram com o exército dos 300 espartanos,  um deles estranhou o pequeno contingente de guerreiros, bem inferior à soma dos homens das outras cidades gregas, e tentou dar uma zoada com Leônidas. Parece que nós trouxemos mais homens que o poderoso estado de Esparta... começou o sujeito. Leônidas se dirigiu aos "exércitos" das outras regiões gregas e começou a perguntar : você, o que faz? Ferreiro, dizia um. Moleiro, dizia um outro. Agricultor, um outro. Leônidas voltou-se para os seus e perguntou : e vocês, espartanos, o que sois? Os 300 ergueram os braços com suas lanças e bradaram em uníssono o grito de guerra espartano. Leônidas olhou pro cara e disse : parece que, no final, eu trouxe mais guerreiros que vocês todos juntos.
A Argentina levou muito mais jogadores de futebol a campo do que a Islândia. Ainda assim, quase sucumbiu. Se bem que há um atenuante para o sufoco argentino, deem só uma olhada no nome do goleiro : Hannes Thór Halldórsson. Pããããta que o pariu!!! O cara é descendente direto de Odin. Pode nem ser jogador, mas é o deus do trovão. Deus do Trovão fazendo bico de cineasta e de jogador de futebol pra poder viver. A vida não tá mole pra ninguém.
De qualquer forma, ainda que patente a inequívoca baixa qualidade dos conterrâneos de Maradona, chateei-me com a derrota dos argentinos frente aos croatas. Para embalar a tristeza dos hermanos e, principalmente, das hermanas, deixo aqui um clássico do tango, que é a música de corno lá deles, Lagrimas de Sangre, um dos meu preferidos.

Lagrimas de Sangre
(Roberto Giménez)
Te di todo lo mas que pude darte,
mi nombre, un hogar y un corazón,
tus ojos los veia en cualquier parte,
vivia solamente para vos.

Con lagrimas de sangre me pagaste,
no quiero recordar lo que pasó,
Dios quiera que no tenga que encontrarte
y darte la limosna de un perdón.

Si con lagrimas de sangre
devolviste todo el bien que te ofrecí,
poca cosa fué el hogar donde viviste,
poca cosa el corazón que yo te di.

A quien puede importarle mi verguenza
si es que a vos no te importo,
pero un día llorarás tu pena inmensa
con lagrimas de sangre
como he llorado yo.

Ya dirás por ahí que no fui un santo,
quien sabe en que barriales me hundrirás,
tendrás para adorarte! ... no se cuantos!
irás barranca abajo una vez más.

Ya se que no te llegan mis reproches,
total, no te interesa el que dirán,
dejame en el silencio de mi noche
más noble y más honrada que tu pan. 

Llora, Dieguito, llora...

Eu Quero Ver o Lula nas Urnas

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O Que é Que a Rússia (e a Russa) Tem (IV)

Tudo na Rússia é farto e generoso. O território da Rússia tem uma extensão de longitude 171°21', ou seja, é cortado por 11 fusos horários. Quando no oeste está amanhecendo, no leste está a anoitecer.
Abaixo a russa Karin Spolnikova, com uma peitaria farta e de longitude sem fim. Peitões que dão pra gente ir chupando de Moscou a Vladivostok!!!

terça-feira, 19 de junho de 2018

O Segredo dos Meus Olhos

Sou um velho. Ou, no mínimo, um envelhescente. Não tenho nem nunca tive nenhuma ilusão contrária a este fato. Nem quando era jovem. Assumo-me, tranquila e orgulhosamente, um velho. Aliás, dá-me um certo alívio em saber que a maior parte da jornada já se cumpriu - sempre detestei viajar. Voltar a ter 20 anos? Só para loucos e dementes. Só para masoquistas. Estou melhor hoje que aos vinte? Claro que não. Outra ilusão que nunca nutri. Voltar aos vinte e caminhar de novo para os 50, 60, 70? Ver a decrepitude se instalar duas vezes?
No entanto, distraído e disperso que sou, não me acostumei direito, quando saio à rua, em carregar comigo meus apetrechos de velho, meu kit terceira idade, composto, entre outras muletas, de meus óculos para "ver de perto".
Há 5 anos, como comentado aqui na época na postagem Considerações Sobre as Diversas Visões, diagnosticaram-me uma presbiopia, uma dificuldade de enxergar a curtas distâncias causada pelo enfraquecimento da musculatura ocular, ou seja, pela velhice, pela podridão, meu velho; o que o povão chama de "vista cansada".
Receitaram-me óculos para "leitura", um grau e meio em cada lente. E talvez seja este um dos motivos que faça com que eu os esqueça quando saio : óculos de leitura. Para mim, leitura é pegar de um livro, de uma reportagem, de uma revista, e não ver as ofertas da semana no panfleto do supermercado, ou a placa dos itinerários dos ônibus.
Acredito, porém, que o motivo maior do esquecimento de meu viagra ocular seja outro : o cansaço das vistas nos poupa, às vezes, de um outro cansaço, o cansaço de ver, confundido muitas vezes com o primeiro, mas muito pior. O cansaço das vistas, às vezes, nos alivia o cabresto e a carga de ver.
Qual é o maior obstáculo à boa visão do velho? O cansaço das vistas, ou o cansaço de ver?
Pois estava eu, hoje, agorinha há pouco, no supermercado, a comprar uns víveres para o corpo e umas latinhas para a alma e precisei verificar o prazo de validade de um produto. Confesso que, no mais das vezes, não faço tal conferência. Há produtos que, simplesmente, não estragam. Arroz, feijão, sal, vinagre, azeite, macarrão, cerveja, vinho, salames, linguiças e outros embutidos defumados, farináceos etc. São, ou alimentos secos, inóspitos aos decompositores fungos e bactérias, ou que passaram por tal processo de industrialização - pré-cozimento, liofilização e outros -, ou que carregam tal concentração de conservantes que, simplesmente, não perecem, não nos dão motivo algum para preocupação. Outros, contudo, a exemplo os de origem láctea, requerem certa atenção. Ainda mais se para consumo infantil. Se for pra véio não tem problema, o véio toma o leite azedo, tem uma diarreia, caga até as tripas e fica tudo bem, é até bom para ajudar o véio na prisão de ventre. Mas para crianças...
Eis, então, que uma bandeja de iogurte da Batavo, sabor morango, se pôs a minha frente como adversário intransponível, com pancas e arrogâncias de uma pedra de Champollion. Não bastasse o reduzido porte das letras e algarismos a informar a vida útil do produto, a tinta de impressão estava apagada, só havia sobrado as marcas em baixo relevo na tampa de alumínio.
Não me dei por vencido nem pedi arrego ou penico, de início. Forcei as vistas, nada. Inclinei o iogurte de modo que a luz do balcão frigorífico refletisse nas ranhuras da data de validade e me revelasse o seu segredo, nada. Tentei passar os dedos por cima da data impressa, tentei Braile, nada. Vali-me de meu último recurso. Posso nunca levar meus óculos quando vou ao mercado, mas levo sempre o meu filho de 8 anos, meu filho, o segredo dos meus olhos. Chamei-o, ele nem tirou o iogurte de minhas mãos : - 18 de julho de 2018, pai. Sorri de sua facilidade. Dei uma beijoca na testa dele.
Uma senhora ao lado - aliás, senhora porra nenhuma, uma véia mesmo, destas que a Natureza já catalogou, tombou e pôs placa de patrimônio -, que estava com o mesmo problema que o meu, assistiu à cena e falou : - eu preciso arrumar um desse pra mim. E FALOU OLHANDO PRA MIM!!!!!
Só adotando, véia, só adotando, pensei. Sorri educadamente pra ela, desconversei e vazei.
Hoje, aos 50 anos, indo para os 51, meu filho já faz as vezes dos meus olhos. Logo, aos 60, 70, ou mais, fará, quiçá, as vezes de meus braços e pernas; depois as da memória; e, finalmente, espero, seja a voz corajosa a autorizar que se me desliguem os aparelhos, a mão firme a segurar a minha e os olhos a me lerem pela última vez : - Expirou a data de validade, pai.

O Filho Que Eu Quero Ter
(Toquinho e Vinícius)
É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer

Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter

Dorme, meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem

De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim

Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim

Dorme, menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu

E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus

Dorme, meu pai, sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.

Para ouvir, é só clicar aqui, no velho MARRETÃO. E deixem uma caixinha de lenços ao lado.

O Macaco Insone

Molde de silicone na arcada dentária superior
(contra o bruxismo e outras assombrações e terrores noturnos);
Venda de espesso e aveludado preto nos olhos
(contra a fotofobia, e na falta de hermético esquife de ébano de breu impenetrável das florestas da Transilvânia);
Protetores auriculares de espuma expansível,
Cérberos a guardar a entrada dos meus tímpanos
(contra o barulho dos alto-falantes dos carros dos idiotas, do choro do filho do vizinho, da cantoria dos bêbados, da orgia dos gatos).

Nada falo. Nada vejo. Nada escuto.

Ainda assim, não durmo.
Ainda assim,
O mundo insiste em passar sob a minha janela.
Em serenata,
Em procissão,
Em trio elétrico.

domingo, 17 de junho de 2018

O Que é Que a Rússia (e a Russa) Tem (III)

Tudo na Rússia é grande. Até as baixas temperaturas. A Rússia detém o recorde mundial da maior temperatura negativa registrada em um local permanentemente habitado : - 71,2ºC, marcados na cidade de Oymyakon, em 1924. Hoje em dia, com o efeito estufa, aquecimento global etc, a região está bem mais quente, registra temperaturas próximas a - 55ºC no inverno. Quando a temperatura cai abaixo de trinta graus negativos, as atividades escolares são suspensas. Até - 30ºC, tranquilo, a molecada vai de camiseta e bermuda pra escola.
Como se proteger de um frio tão extremo? O principal aquecedor russo é, obviamente, a vodka, que, em russo, significa "a água da vida". Outro aliado contra o frio é o samovar, utensílio da época dos czares utilizado para aquecer água e servir chá, parecido em forma nosso filtro de barro, com torneirinha e tudo, um bule mais afrescalhado.
Agora, se um sortudo puder, à vodka e ao samovar, somar as poderosas forças telúrica e geotermal de uns belos peitões russos, não terá frio que o aflija.
Com vocês, a russa Svanhild. Que belos samovares. Sem falar, é claro, da perestroika da moça.

sábado, 16 de junho de 2018

O Que é Que a Rússia (e a Russa) Tem (II)

A Rússia é o maior produtor de gás natural do mundo. E de peitões naturais, também!
Com vocês, Yulia Nova, uma lolita que compensa todo e qualquer Crime e Castigo.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O Que é Que a Rússia (e a Russa) Tem

Embora tenha sido subtraída em quase 25% de seu território, de quando era a União Soviética, a Rússia ainda é o país que detém a maior extensão de terras do planeta. São mais de 17 milhões de quilômetros quadrados. A maior extensão de terras e de tetas.  
Sim, caro amigo, os maiores e mais suculentos úberes do mundo não estão, como muitos pensam, nos Estados Unidos, as sobrinhas do Tio Sam não são as grandes peitudas do planeta. São as russas, como já mostrei com mais detalhes na postagem Azarãotur, de maio de 2014.
Então, homenageando os anfitriões da Copa do Mundo, exibirei aqui no Marreta algumas das belezas naturais da terra das matrioskas. A começar pela magrinha Ester, a dona dos peitos naturais mais empinados que você já viu, porém, nunca mamou.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Jardins Suspensos do Azarão

Minhas plantas não são fidalgas tulipas. Nem brejeiras margaridas. Tampouco mimosas azaleias. Menos ainda pudicas violetas, ou luxuriosas gardênias, ou fesceninas damas-da-noite.
Minhas plantas não dão flor. Não dão bom-dia. Não prostituem seus sorrisos. Minhas plantas são ásperas e desesperançadas.
São nômades sobreviventes. Para as minhas plantas, o Saara é um resort, o Atacama, um spa. Minhas plantas passam a água e água. Que nem o pão nem o circo lhes apetecem.
Minhas plantas não foram paridas no berço esplêndido de uma estufa climatizada. Não foram compradas com pedigree à uma floricultura, a um horto, ou na seção de jardinagem do Carrefour, do Wal Mart ou do Leroy Merlin. Minhas plantas são vira-latas e baldias. Todas pegas por mim, ainda filhotes, ainda mudinhas não desmamadas, nas gretas das sarjetas, nas rachaduras do asfalto, nas manjedouras das paredes com infiltração, jogadas em aborto nas caçambas de entulhos.
Minhas plantas não aparecem - modelos, atrizes e putas - em fotos artísticas na capa da revista Casa & Jardim. Fotos 3x4, mal-encaradas e em preto-e-branco, minhas plantas estampam os prontuários policiais do Departamento de Combate e Repressão às Ervas Daninhas.
Minhas plantas não tomam adubos tarjas pretas, encaram a insônia feito gente grande.
Minhas plantas não têm preocupação social nem ambiental, estão cagando para o desmatamento e a destruição da Amazônia. Não querem tornar o mundo em um local mais verde e sustentável, mais respirável.
Minhas plantas apenas verdejam, apenas se autossustentam, apenas respiram. Desinteressadas e desintrometidas de tudo que as rodeiam.
Admiro-as profundamente, por isso.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Miss Mocreia América

O feminismo, o tentáculo mais pegajoso, sebento e rançoso do politicamente correto, sempre disposto e empenhado em dinamitar e demolir os alicerces morais e as tradições da sociedade ordeira e decente, fez mais uma das suas : auxiliado por Gretchen Carlson, uma agente suvacuda infiltrada na organização do concurso Miss América, conseguiu acabar com o momento mais esperado do tradicionalíssimo concurso de beleza,  a Prova do Biquíni, também conhecida como a Hora dos Peitões.
Pressões das feministas barangas de peitos caídos, suvacos cabeludos e bucetas encarquilhadas, que consideram que o atual modelo do concurso objetifica a mulher e a expõe como um mero pedaço de carne, fizeram com que os organizadores do evento, a partir da edição do Miss América 2019, mudassem o foco da disputa, que passará a colocar a beleza física em segundo plano, que valorizará mais o conteúdo e as opiniões das candidatas, ou seja, porá em destaque as ideias das misses.
Palavras de Gretchen Carlson, a infiltrada responsável pela extinção da prova do biquíni : "Nós não vamos te julgar por sua aparência exterior. Nós queremos que mais mulheres saibam que elas são bem-vindas nesta organização. Nós estamos indo adiante e nos envolvendo nessa revolução cultural, o concurso deve focar nas ideias, inteligência e talentos das candidatas".
O atual Miss América expõe a mulher? Claro que sim. Todo concurso, seja de que natureza for, é uma exposição, uma exibição, um exercício conjunto de narcisismo - da parte de quem possui os atributos em questão acima da média - e de voyeurismo - da parte de quem assiste, morre de inveja e se lamenta pela pouca sorte na loteria genética.
Como assim "um mero pedaço de carne"? Mero porra nenhuma! Um pedaço de carne de primeira, isso sim! Um corte especial! Um filé mignon de vitela que se derrete na boca, se é que vocês me entendem. E é aí que entra o grande recalque das feminazis, as quais a Natureza dotou apenas de acém, paleta e fraldinha.
Valorizará as ideias das candidatas? Ora porra! A bibliografia oficial e obrigatória para toda candidata a miss é O Pequeno Príncipe. As mais cultas, as mais ilustradas, as mais CDFs, leram adicionalmente, e se muito, o livro Pollyanna, e as ratas de biblioteca, raríssimas, têm em seus currículos algum Paulo Coelho. As ideias em lugar de peitões e biquinis? Vai ser a etapa mais rápida do concurso. Praticamente, passará em branco.
A mudança no perfil do concurso Miss América levará, por conseguinte e obrigatoriamente, a uma mudança também no perfil das candidatas. Ideias ao invés de fornidos e balouçantes peitões anglo-saxões? Quem substituirá, então, as atuais beldades nas passarelas do Miss América? Uma neurocientista? Uma física nuclear? Uma imortal da Academia de Letras? Uma - deus nos livre - filósofa?
É Miss Mocreia! É o Baranga's America!
Fico a imaginar a decepção das concorrentes, talvez desavisadas desta súbita e abrupta mudança de regras do certame, entrando lépidas e fagueiras com seus peitões pululantes sob o fino tecido do biquini, os mamilos acesíssimos, e tendo de versar, por exemplo, sobre o impacto do acelerador de partículas e da descoberta do bóson de Higgs - a partícula de deus - sobre as crenças das religiões neopentecostais.
Pãããããta que o pariu!!! As pobres e gostosas moças passaram a vida toda torneando e modelando suas suculentas carnes. Dietas draconianas, exercícios físicos espartanos, um sem-número de cirurgias plásticas nos seios e nos glúteos, lipoaspirações etc. Há até as que aplicam botox nas pregas do cu - para disfarçar as ruguinhas - e fazem reconstituição do cabaço.
Tanto esforço, tanta dedicação, e, então, no dia D e na hora H de mostrar tudo isso, vestem uma burca na miss e ela tem de falar sobre a política de imigração de Donald Trump, tema muito mais incompreensível que o próprio bóson de Higgs.
Sem contar, é claro, o ainda maior desapontamento de toda uma nação de punheteiros. O peitão é uma instituição nacional estadunidense. Um símbolo norte-americano! Juntamente à bandeira, ao Tio Sam, à águia-careca e à Coca-Cola.
Primeiro, a Playboy sem bucetinhas, e, agora, Miss América sem peitões. Será a extinção do concurso : peitões não pensam e cérebros nunca deram tesão em ninguém! Que o digam as feministas, que não possuem nem uma coisa nem outra.
Abaixo, Gretchen Carlson, a algoz da Prova do Biquíni, sendo coroada Miss América 1989, título que conquistou, óbvio, exibindo seus peitões.

domingo, 3 de junho de 2018

Desisto, a Civilização Não é Para o Brasil, por Clóvis Rossi

Que Michel Temer é despreparado para presidir a República não chega a ser propriamente uma novidade. Se não fosse um político medíocre, teria sido lembrado (pelo menos lembrado) para ser o candidato de algum partido ao governo do seu Estado (não foi lembrado nem para ser candidato a prefeito de sua cidade).
Ainda assim, choca o colossal fracasso dele e do conjunto do governo para lidar com o locaute das transportadoras, travestido de greve de caminhoneiros. Se você tem dúvida, leia a Folha deste domingo (27) que, já na primeira página, informa que transportadoras (e não autônomos) controlam 60% dos fretes do país (70% no caso de transporte de longa distância).
Nesse item específico, o despreparo não é do presidente. Guilherme Boulos, o pré-candidato presidencial do PSOL, achou que a greve/locaute era iniciativa de um suposto MCSC (Movimento dos Caminhoneiros sem Caminhão), filial do feudozinho que ele controla, o MTST.
Tampouco é surpreendente, se se levar em conta a idiotia que domina parte significativa da esquerda desde que caiu o Muro de Berlim.
Mas, sejamos justos, o fracasso é de toda a superestrutura institucional do país. Do governo federal, já falei, mas ainda vale lembrar a patética entrevista do ministro Moreira Franco à Folha. Como se sabe, entidades de caminhoneiros, desde o ano passado, estavam advertindo o governo dos problemas que enfrentavam e anunciando mobilização.
Moreira Franco, no entanto, alegou que não dá tempo para ler toda a correspondência que chega ao palácio. OK. Pena que dê tempo, sim, para receber, no escurinho do cinema, um empresário como Joesley Batista para uma conversa nada republicana.
Enfim, cada um dá o que tem no governo, certo?
Se o governo tivesse muito a dar, já na semana passada as autoridades teriam jogado todo o peso das instituições policiais e militares para desobstruir as estradas e, assim, para garantir o abastecimento. Em qualquer país um pouquinho organizado, há um limite para dialogar com movimentos grevistas. Encerrada a negociação —como o governo disse, uma e outra vez, que ocorrera—, parte-se para defender as necessidades do conjunto da população e para restabelecer o direito constitucional de ir e vir, que vale para todos e não pode ser condicionado por quem quer que seja.
Essa iniciativa tornou-se ainda mais gritante depois que se soube que caminhoneiros estavam sendo ameaçados (até com armas, em alguns casos) para que não voltassem ao trabalho (vide o blog do MAG). É crime. Criminosos não podem ser tratados como coitadinhos.
Já basta que haja pontos das cidades em que a polícia não entra porque estão sob domínio de bandos criminosos armados. Já basta que os presídios sejam território livre para facções criminosas. Permitir que também as estradas (e os postos de gasolina) sejam dominados por gangues é passar de todos os limites.
Claro que a culpa principal é do governo central, mas não dá para inocentar o resto do mundo político, que se escondeu da crise. Cadê o Congresso Nacional, como instituição? Cadê cada congressista, deputado federal, senador, deputado estadual, vereador, prefeitos, governadores?
Quem tomou alguma iniciativa para tentar ao menos interferir no processo? Ressalvo apenas o governador Márcio França, de São Paulo, que se mexeu —independentemente de ter sido ou não bem sucedido.
É possível que outros governadores tenham tomado alguma iniciativa, mas não devem ter sido tão relevantes porque não chegaram à mídia, ao contrário do que ocorreu com França.
O que fizeram sindicatos, patronais ou de trabalhadores? Ou as outras instituições da sociedade civil? Faltou combustível para todos e todas?
Vamos ser honestos, o fracasso é de um coletivo chamado Brasil. Fracasso tão formidável que há quem defenda intervenção militar. Já houve (mais de uma aliás), a mais recente durou 21 anos. Não resolveu nenhuma das falências do país, além de ter cometido crimes em série (quem não pode sair de casa por falta de combustível, aproveite para ler os livros de Elio Gaspari, o mais completo e brilhante raio-X da anarquia militar, essa que os anarquistas de araque de agora querem reintroduzir).
Desisto. Jamais chegaremos à civilização, pelo menos no que me resta de vida.