sexta-feira, 22 de novembro de 2019

É a Podridão, Meu Velho (20)

- O que procuras, velho?
Me pergunta a Madrugada,
Me tirando do semissono,
Do cochilar na cadeira em minha sacada,
Quase me fazendo derrubar a caneca de cerveja.
- Procuro ver uma estrela cadente, há tempos que não vejo tais vagalumes siderais.
- Mentira, velho!
Diz a Madrugada.
- Procuro por inspiração, ideias para um novo texto, um novo conto, um novo poema... para mudar de profissão.
- Mentira, velho!
- Procuro a tranquilidade e a clareza da falta de luz, o ronronar dos decibéis, o trânsito sem buzinas e semáforos dos gatos vadios.
- Mentira, velho!
- O que procuro, me dizes, pois?
- Não procuras por cometas, por ovnis, por embriões de livros, por novos rumos nem pelo sorriso dos gatos de Alice.
- Procuro pelo quê, então, já que és tão sábia e cheia de si?
- Procuras, velho, por uma nova paixão!
- E se for? E caso seja?
- Vá dormir, velho! Não perca o seu tempo, que é tão pouco; nem o meu, que é infinito.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Dores Fantasmas e os Outros Nomes da Saudade

Eu acredito em fantasmas. Nos meus. Aos dos outros, eu tento dar explicações ou científicas, ou psicológicas, ou digo que é tudo superstição e crendice. E em dor fantasma? Só na dos outros?
A dor fantasma, ou a Síndrome do Membro Fantasma, é a percepção de sensações, principalmente dor, em um membro que foi amputado. Um braço, por exemplo, não está mais lá, já era, mas o amputado segue a senti-lo doer como se íntegro estivesse e parte de seu corpo ainda fosse,
Coisa de louco, não? Sim. Tanto que os mais rotineiros tratamentos que se aplicam ao indivíduo com dor fantasma são à base de antidepressivos e antipsicóticos usados para esquizofrenia.
Mas e se a dor não for em o membro amputado, embora assim possa parecer? E se a dor for pelo membro amputado? E se a dor for pela perda do membro? For pela falta?
Aí, não é dor fantasma; aí, é dor pelo fantasma, pelo defunto, pelo que se foi, ou se perdeu, ou nos abandonou.
Aí, não é dor imaginária. Aí, é saudade. É dor real. Que qualquer fingidor pode deveras sentir.
E como dói a danada. A dor pelo fantasma já foi prevista e descrita pelo Chico : "que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi".
A dor pelo que nos foi alijado não é fantasma nem imaginária. É concreta e áspera. É real, mesmo que o objeto que a invoca não mais o seja, ou não esteja ao nosso alcance, que exista apenas em nossa imaginação.
Dor fantasma? Só se forem as vossas. Cada qual que diga apenas da sua. Deixemos que o amputado diga da dele, que a dor é dele e de mais ninguém.
Meu peito é um casarão vitoriano mal-assombrado por dores fantasmas. Todas as noites. Como dizer alguém pode que os vagidos e os arrastares de correntes, que muitas vezes não me deixam dormir, não são reais?
Saudade, meus caros, saudade. Dor fantasma é um outro nome que se dá para a saudade. Para a saudade dos outros.
E além do Chico, muito bem sabem disso os tribalistas Marisa Monte e Arnaldo Antunes.
De mais ninguém 
(Marisa Monte/Arnaldo Antunes)
Se ela me deixou, a dor
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou a dor é minha
A dor é de quem tem

É meu troféu, é o que restou
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor
A sala, o quarto, a casa está vazia
A cozinha, o corredor
Se nos meus braços ela não se aninha
A dor é minha

Se ela me deixou, a dor
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou
A dor é minha
A dor é de quem tem

É o meu lençol, é o cobertor
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor
A sala, o quarto
A casa está vazia
A cozinha, o corredor
Se nos meus braços
Ela não se aninha
A dor é minha, a dor
Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu poderoso e dolorido MARRETÃO.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(50)

Vou chorar, desculpe, mas eu vou chorar... perdoe o meu coração. E quando vem a lucidez, estou sozinho outra vez, e então eu volto a conversar com minha tristeza...
Pããããta que o pariu!!!! Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...
Desculpe, Mas Eu Vou Chorar
(César Augusto)
As luzes da cidade acesa
Clareando a foto sobre a mesa
E eu comigo aqui trancado
Nesse apartamento

Olhando o brilho dos faróis
Eu me pego a pensar em nós
Voando na velocidade
Do meu pensamento

E saio a te procurar
Nas esquinas, em qualquer lugar
E às vezes chego a te encontrar
Num gole de cerveja

E quando vem a lucidez
Estou sozinho outra vez
E então eu volto a conversar
Com minha tristeza

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Não ligue, se eu não te ligar
Faz parte dessa solidão

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Na hora em que você voltar
Perdoe o meu coração

E saio a te procurar
Nas esquinas, em qualquer lugar
E às vezes chego a te encontrar
Num gole de cerveja

E quando vem a lucidez
Estou sozinho outra vez
E então eu volto a conversar
Com minha tristeza

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Não ligue, se eu não te ligar
Faz parte dessa solidão

Vou chorar
Desculpe, mas eu vou chorar
Na hora em que você voltar
Perdoe o meu coração.

Para ouvir a canção, em "trieto" com o finado Leandro (que o capeta o tenha) e com dois dos maiores comedores do Brasil, dois dos maiores machos das antigas, Leonardo e o imbatível Fábio Jr, é só clicar aqui, no meu poderoso e lacrimoso MARRETÃO.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A Bíblia é a Nova Enciclopédia Barsa

Para quem, assim como eu, achou, nem direi absurda, uma vez que, dentro da realidade brasileira, ela tem lá sua coerência, mas lamentável e preocupante a aprovação da lei do deputado evangélico Vavá Martins, que permite que igrejas captem subsídios da Lei Rouanet para a realização de seus eventos, lei originalmente pensada para o fomento e o incremento da cultura, especialmente destinada a músicos, atores etc em início de carreira e/ou sem a notoriedade que os permita angariar recursos por conta própria, saiba que a situação ainda pode piorar muito.
Saibam, ó vós, que consideram (e com razão) alarmante o recrudescimento do pensamento místico, religioso e fanático em nossos parlamentos, Câmara e Senado, e sua possível e provável imposição através de leis nada laicas, saibam, ó vós, que temem pela implantação oficial do obscurantismo sobre a lógica e a ciência, que, em relação aos sobrinhos evangélicos do Tio Sam, a nossa hedionda bancada evangélica ainda está a engatinhar. Que ainda há muito a piorarem as coisas por aqui.
Em 13 de novembro do corrente ano de Nosso Senhor, a Câmara dos Deputados de Ohio (EUA) aprovou a chamada "Lei das Liberdades Religiosas dos Estudantes", por 61 votos contra três.
A lei permitirá que os alunos respondam a toda e qualquer questão, de toda e qualquer disciplina, com base em suas religiões, mesmo que estejam errados cientificamente. E o professor terá de acatar as respostas como corretas.
Assim, se o cordeirinho de Deus responder que a Terra tem cerca de 6 mil anos, como quer a Bíblia, ao invés dos 4,5 bilhões de anos como diz a ciência com base em sólidas evidências, o professor terá que lhe dar uma nota 10. Se ele responder que a humanidade surgiu de Adão e Eva, nota 10 com louvor, medalha e foto no mural da escola. Se ele disser que homens e dinossauros foram contemporâneos no planeta e que a extinção dos grandes lagartos se deu porque eles não conseguiram um lugar na Arca de Noé, será aprovado com louvores e encaminhado diretamente para Harvard.
Os trabalhos escolares de pesquisa também poderão ser feitos de acordo com os dogmas religiosos de cada um. Se o aluno usar a Bíblia, ou o livro de Mórmon, ou a revistinha Sentinela, como fonte de pesquisa, ao invés da Barsa (sou velho pra caralho), o seu trabalho também deverá ser considerado correto. Também autoriza que espaços da escola sejam utilizados para encontros religiosos e proselitismos e arrebanhamento de novos idiotas.
A lei ainda precisa passar pelo Senado estadunidense, o que o fará sem maiores percalços, visto ser este composto por maioria republicana.
Lembrou-me de um caso que se deu comigo em 2004, ou 2005. Uma questão dizia que um acidentado chegou a um hospital precisando de uma transfusão sanguínea e eram fornecidos o tipo sanguíneo do acidentado e quantidade de litros de sangue de cada tipo disponíveis no hospital. A questão exigia que o aluno dissesse quais eram as transfusões possíveis, e os porquês, e as que não eram possíveis, e os porquês. Uma aluna respondeu : nenhuma transfusão seria possível, nenhuma é permitida por Deus, e citou até o versículo que vetava tal prática, acho que do livro dos Levíticos. Na época, tasquei-lhe uma sonora nota vermelho-sangue e ficou por isso mesmo. Hoje, será que ficaria? Em Ohio, não.
Dia desses, disse aqui que Idade Média pouca é bobagem, a querer dizer que antevejo uma  nova idade média do pensamento humano, um novo período de breu da razão, em virtude, dentre outros fatores, das novas tecnologias idiotizantes e do advento das religiões mais fundamentalistas.
Vejo, agora, diante dos fatos daqui e de Ohio, que fui por demais otimista e esperançoso; vejo, agora, de forma clara que a Idade das Trevas nunca abandonou o pensamento humano, não o da grande maioria; antes ainda : que o pensamento humano não quer se desapegar das trevas, gosta delas.
Vejo, agora, que, lá pelo século XVI, algumas poucas mentes lançaram suas luzes sobre o obscurantismo, que alguns poucos, pouquíssimos, acenderam tremeluzentes archotes de racionalidade. Alguns poucos.
Vejo, agora, que alguns poucos, lá pelo século XVI, escreveram o obituário da Idade Média e fizeram o registro de nascimento do Iluminismo. E o fizeram à revelia do povão, como se ele fosse um movimento comum à maioria. Não era. Nunca foi.
Vejo, agora, que tal nascimento passou despercebido - até hoje - do populacho. A notícia do nascimento do pensamento livre não viralizou entre o povão.
Vejo, agora, que alguns poucos fizeram o parto forçado à fórceps das Luzes. Que umas poucas e raras mentes deram à luz a Luz da razão.
Vejo, agora, que é possível - oficial, histórica e tecnologicamente - tirar o ser humano da Idade Média, mas impossível tirar a Idade Média do ser humano. O grosso da grosseira e inculta população mundial nunca abandonará as trevas que traz dentro de si, nunca abandonará o escuro. E não lhes falta uma razão para não abandonarem a falta de razão : o escuro é confortável, aconchegante, acolhedor, não requer dispêndio de esforço ou energia. O escuro, a ignorância, nubla nossa visão do mundo, mas também a visão do mundo acerca de nossas misérias, mazelas e fealdades. O escuro da ignorância nos acolhe sem nada exigir. Embota-nos, reduz-nos a amebas (a alguns até eleva), torna-nos protosseres, mas nada nos cobra.
O escuro é o ventre. Em útero, o escuro primordial, nada precisamos fazer ou pensar para sobreviver. Tudo nos é dado; calor, oxigênio, nutrientes. Nem respirar, ou digerir por nós mesmos, precisamos. Para que migrar à luz no fim do túnel vaginal? Pois se ao corpo não é dada a escolha física de ficar ou não em útero, ele, o corpo, por sua vez, depois de parido e crescido concede essa chance ao seu pensamento, a chance de não sair para a luz da razão.
O indivíduo opta, livre e tranquilamente, por manter seu pensamento em eterna incubação, no eterno escuro. Opta, livre e alegremente, por passar sua vida recebendo, de forma pronta e mastigada, instruções de que decisões deve tomar, de que conduta e de que moral deve seguir, de que impressão do mundo deve ter etc através dos mais variados e perpétuos "cordões umbilicais" : família, escola, círculos de amizade, tv, internet e, sim, as religiões.
Todos estes cordões umbilicais se prestam como mídias e plataformas da eterna Idade Média do pensamento humano, e não da nova idade média como julguei anteriormente.
Não precisar treinar o pensamento, não precisar fazê-lo respirar por conta própria nem pô-lo à caça de seu próprio sustento. Receber o pensamento já formatado e apostilado, tê-lo entregue na porta de casa por um sistema de delivery de opiniões pré-fabricadas sobre cada assunto de relevância cotidiana e, em troca, só aceitar o escuro, a ignorância? Querem melhor negócio? Que troca mais vantajosa ao ser humano médio e medíocre?
O escuro do pensamento é e sempre foi a melhor opção para uns 90% da população global. Desesperariam-se com a luz. Veriam fantasmas e assombrações na claridade da razão, da lógica e da coerência. Noventa por cento da população global tem fotofobia à luz do pensamento.
O idiota sempre existiu, sempre existirá, sempre será a maioria e sempre se orgulhará de ser idiota. Hoje, ele só se expõe mais , só é mais facilmente identificado : o cara louvando a deus na igreja de cada esquina, o abobalhado hipnotizado e de boca aberta grudado na tela do smartphone, o apresentador de programas vespertinos de tv (e o seu público), o universitário das faculdades à distância etc.
Daí, e voltando à vaca fria, o fácil e inexorável avanço das novas religiões cada vez mais tacanhas e xiitas, não só no âmbito das próprias crenças religiosas, mas também, uma vez que elegem os seus para cargos parlamentares, no âmbito das políticas nacionais.
Vejo, agora, que não é de surpreender a aprovação da lei "Lei das Liberdades Religiosas dos Estudantes", em Ohio; muito menos que, futuramente, ela seja copiada pela bancada evangélica daqui e, igualmente, aprovada por larga maioria de votos.
E aqui a coisa pode ficar pior ainda. Em Ohio, a resposta baseada na crença religiosa pode ser aceita como correta, como uma das explicações : aqui, com toda a certeza, ela será cobrada e exigida como a única resposta certa.
Pãããããããta que o pariu!!!

domingo, 17 de novembro de 2019

O Museu da Perseguida

O British Museum, o National Gallery, o Museu de Cera da Madame Tussauds e demais museus londrinos foram desbancados. Jogados à obsolescência. Ofuscados pela inauguração do mais novo espaço artístico de Londres : o Vagina Museum, o Museu da Perseguida.
O Museu da Vagina abriu as suas portas - e os seus pequenos lábios e os seus grandes lábios, enfim, as suas entrefolhas - ontem, sábado, 16/11/2019, a fazer necessário e urgente contraponto ao (bem) dotado de fama e notoriedade Museu do Pênis, em Reykjavík, capital finlandesa, já mostrado aqui na postagem O Museu do Caralho.
O Museu da Vagina é o primeiro do mundo dedicado a vaginas, vulvas e à anatomia ginecológica. 
Todas as obras explicitamente expostas versam sobre um único tema : a buceta. A buceta está representada nas mais variadas formas de manifestações artísticas : tem tela de buceta, escultura de buceta, fotografia de buceta, instalações de buceta, performances de buceta, buceta em ambiente virtual 3D, peças de teatro de buceta, buceta em papel machê, marchetaria de buceta, bordado de buceta, buceta em tricô e crochê. Tem buceta acadêmica, impressionista, expressionista, cubista, hiper-realista, abstrata, psicodélica, desconstruída etc etc. É buceta a dar com o pau! 
É o Museu da Bacurinha! E a curadora é a Maria Alcina. Papai, ai que calor, calor na bacurinha... 
Ao lado de cada obra, os indefectíveis avisos de "não toque na obra" tiveram de ser complementados : "não toque, não cheire, não lamba e não meta a piroca na obra".
A corroborar a minha tese de que o ser humano só criou a arte e a ciência, e delas se vale, para justificar e santificar todos os seus vícios e putarias, o Museu da Vagina não é só "arte pela arte". Segundo sua idealizadora, a "divulgadora científica" Florence Schecter, o Museu da Vagina, a vernissage da xavasca, a bienal da fedegosa, tem forte cunho sócio-educativo, propõe-se a romper tabus e ampliar o conhecimento sobre o sexo feminino pelo próprio sexo feminino, a fazer com que a portadora da xavasca tenha maior consciência de seu poder, promover a religação buceta-mulher.
Florence Schechter, ao lado de uma das obras do Museu da Perseguida

O intento do Museu da Vagina, ainda segundo Florence Schecter, não se restringe apenas a educar e a melhorar a autoestima da mulher, mas também debater uma questão de saúde pública. Uma em cada quatro britânicas evitam se submeter a exames médicos ginecológicos por vergonha de seu centro de poder. Entre essas, mais da metade "desconhecia", inclusive, a necessidade de lavar a vagina.
Pãããããããta que o pariu!!!!
Vergonha é uma coisa, porquice é outra!!!! Até minhas duas gatas, depois de mijarem na caixa de areia, vão para um canto e, às lambidas, fazem a higienização de suas xaninhas. Uma mulher não saber disso? Vai ser porca assim na puta que o pariu!!! Se eu me esquecer, alguém me lembre : jamais chupar uma buceta britânica!!!
Museu do Pênis na Finlândia, Museu da Vagina na Inglaterra. Só está faltando, agora, o Museu do Ânus, o famoso cu, esse injustiçado. E este, a considerar a preferência nacional pelos fundilhos, bem que poderia ser inaugurado aqui, no Brasil, com o Clodovil por patrono. Mas é melhor que não. Pois se o Museu do Ânus pegar fogo, feito o Museu Nacional do Rio de Janeiro, ele passaria para a posteridade, entraria para os anais da História, como o Museu Queima Rosca.
Finalizando, não consegui averiguar o valor cobrado pelo ingresso ao Museu da Vagina, mas, seja ele qual for, tenho de antemão a certeza de que vale a entrada. E a saída. E a entrada. E a saída. E a entrada. E a saída. E a entrada...
Florence Schechter e mais uma das obras-primas do Museu da Buceta. E até que a tal Florence é bem bonitinha. Eu traçaria.

sábado, 16 de novembro de 2019

A Lei Rouanet de Deus (Ou : o MEC Também Começará a Pagar Dízimo)

Valhei-me São Judas da Maracutaia! Valhei-nos Nossa Senhora da Mamata!
De agora em diante, não serão mais apenas os grandes nomes, os medalhões da MPB e os atorezinhos de merda Globais que poderão mamar nas tetas do dinheiro público - do meu dinheiro, do seu dinheiro, caro leitor - sob o pretexto de que fazem cultura, não serão mais os únicos que terão o privilégio de usar o dinheiro dos impostos do trabalhador para montarem seus shows e peças sem que tal subsídio faça baixar sequer um centavo os preços dos ingressos, o mínimo para reverter para o povão o dinheiro tomado dele.
Doravante, também as igrejas, os pastores evangélicos, os cantores gospel e os padres cantores poderão captar recursos da Lei Rouanet para as suas pregações. É o MEC pagando dízimo!
Rogai por nós, São Humberto Gessinger : não é só mais o Papa que é pop!
Picaretagem religiosa foi declarada e homologada uma forma de cultura. O pior? É que, no Brasil, desgraçadamente, ela o é.
A lei que permitirá aos pastores, aos padres, aos cantores de louvores e a outros gigolôs de Cristo também darem suas mamadas nos úberes do erário público foi aprovada na semana passada, em 07/11/2019, pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados e é de autoria do deputado Vavá Martins (Republicanos - PA), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo.
A proposta de Vavá Martins substituiu e ampliou o projeto original do deputado Jefferson Campos (PSB-SP), de 2015, que previa o fomento da Rouanet apenas para músicas gospel e para eventos realizados de forma independente pelos cantores. O novo texto muda "música gospel" para "música religiosa", expandindo a roubalheira de forma ecumênica, e permite que eventos realizados por igrejas também sejam contemplados com recursos da Rouanet. Agora, Edir Macedo, R.R. Soares e Padre Marcelo Rossi, se quiserem, poderão captar dinheiro de nossos impostos para financiarem seus shows da fé.
Justifica-se, Vavá Martins : " Acreditamos que as igrejas também devem ser beneficiadas pelos mecanismos de fomento previstos na Lei de Incentivo à Cultura ou Lei Rouanet, reconhecendo o notável papel evangelizador que essas instituições religiosas cumprem".
A ideia, porém, não é nova, é mesmo anterior a 2015. É de 2007, de proposição do então senador da República Marcelo Crivella, também evangélico. Disse Crivela, com o mesmo propósito de Vavá Martins, em 2007 : “nada expressa melhor a formação da cultura brasileira que o caldeamento das diversas religiões, seitas, cultos e seus sincretismos, que, durante séculos, moldaram o processo civilizatório nacional”.
Revoltas da classe "artística", que terá de dividir o bolo com os religiosos, à parte, Crivella e Vavá Martins estão certíssimos; desgraçadamente certíssimos. Revoltas (inclusive a minha) intelectuais e ideológicas à parte, Crivella e Vavá estão cobertos de razão. Melhor : ungidos de razão.
Em um país de analfabetos, de um povo orgulhoso de sua burrice, que festeja a soltura de criminosos condenados, religiões tacanhas (e existe alguma que não seja?) e obscurantismo são, sim, fortes componentes da cultura popular.
Analisando friamente, e depois de umas geladas, não vejo diferença nenhuma, por exemplo, entre uma Cláudia Leite, baiana do axé que recebeu R$ 1,2 milhões da Lei Rouanet e uma Aline Moraes, diva do gospel. Não vejo diferença nenhuma, a outro exemplo, entre um Luan Santana, o reitor do sertanejo universitário, contemplado com R$ 4 milhões, e a banda Diante do Trono.
Para mim, é tudo a mesma merda em diferentes embalagens.
A bem da verdade, Luan Santana captou, mas não usou. Apresentou documentos que provam que pediu o cancelamento do dinheiro. Mas o fato é que captou. O fato é que alguém julgou que a "música" dele é relevante para a cultura e liberou a grana. Muito digno, até, da parte dele, ter recusado o dinheiro. Mas o que estou discutindo aqui não é a lisura de quem é contemplado pela Rouanet, mas sim os critérios utilizados por quem libera o dinheiro e a qualidade do que está sendo financiado.
E se o axé e o sertanejo universitário são considerados manifestações culturais, por que não o gospel e outros que tais? Repito : certíssimos, em nosso triste contexto nacional, Crivella e Vavá.
Mais : uma vez que o uso do dinheiro público deve ser feito de modo a atender às necessidades e às prioridades do maior número possível de cidadãos, de modo a ir, democraticamente, de encontro aos anseios da maioria, até que demorou para que eventos religiosos - promovidos por igrejas, ou não - fossem considerados atividades culturais e que passassem a receber o mecenato da lei Rouanet. Demorou muito.
Afinal, quem atrai e distrai maior público, maior manada? Um espetáculo do Chico Buarque, ou uma sessão de desencapetamento encabeçada por Edir Macedo? Um show do inigualável e inclassificável Ney Matogrosso, ou os padres Marcelo Rossi e Fábio (Jr.) de Melo cantando em Aparecida do Norte no dia da padroeira?
Pois então. No Brasil, muito melhor uso do dinheiro público dá-lo às religiões e aos religiosos que aos verdadeiros e cada vez mais raros artistas. Aliás, sem nenhum tipo de ironia, sou muito mais o Pe. Antônio Maria que o Wagner Moura, esquerdista e comunista que mora em Los Angeles.
Numa dessa, até o rei Roberto monta uma turnê só com seu repertório religioso e entra na farra. Rouanet, Rouanet, Rouanet, eu estou aqui...
E vamos que vamos. Que Idade Média pouca é bobagem!

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Pode Ser Numa Canção, Pode Ser no Coração, Eu Só Quero Ter Você Por Perto (5)

Quase um Segundo
(Herbert Vianna)
Eu queria ver no escuro do mundo
Onde está tudo o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores e as coisas
Pra te prender?

Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei.
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?

Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Que não me deixa em paz
Quais são as cores e as coisas
Pra te prender?

Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu poderoso e bipolar MARRETÃO

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Ah, Bruta Flor do Querer

Querer,
Preferir,
Escolher...
Verbos possíveis
A quem ainda é capaz de se fazer em Verbo,
De se autoconjugar.
 

Cartas fora do baralho
(de um baralho antigo),
No entanto,
Para quem é mera função auxiliar, conectiva,
Para quem vive sob a sintaxe e o jugo
Do cabresto das inexoráveis fases da Lua
E da cangalha
- soldada a ferro em brasa nos ombros -
Das socializações primárias.
 

em tempo : o título é um verso da letra da canção O Quereres, Caetano Veloso

domingo, 10 de novembro de 2019

A Lua Brinca Comigo de Pique-Esconde

A mesma máscara negra de nuvens cinza-chumbo :
A Lua dá um ESC e some,
A Lua dá um ESC e para onde?
A Lua de mim se ESConde.

(e eu não sou capaz de achá-la no éter do Céu
nem no buraco negro da minha oitava vodka-tônica :
bato, então, uma punheta para uma foto dela tirada pelo Hubble)

sábado, 9 de novembro de 2019

A Justiça Brasileira é uma Puta Sifilítica e Vesga

Repito : o que houve ontem não foi a libertação de um inocente, de um infeliz e de um coitadinho preso por engano.
O que houve foi a soltura de um criminoso atestado e reatestado pela Justiça como tal, a soltura do maior rapinante - mostrado e demonstrado por a+b por duas instâncias jurídicas - do erário público do planeta, e de todos os tempos, a soltura de um criminoso CONDENADO. Libertado sem que tenha surgido nenhuma nova evidência de sua inocência, ou que colocasse em dúvida sua condenação, sem que sua pena tenha sido cumprida, extinta ou anulada.
Lula é um criminoso - nos diz a Justiça -, porém, todavia e data venia, não pode ser ainda considerado culpado - nos diz, em seguida, a mesma Justiça.
O mesmo sistema jurídico que declara o sujeito um criminoso, diz que ele não é culpado. Criminoso, sim; culpado, não, também a coisa não é assim, não é por aí.
Diga isso a qualquer jurista medíocre de algum país de gente, e não de merda e de merdas. Diga isso a qualquer juiz meia boca da Inglaterra, da Alemanha, do Japão, do Canadá. Na melhor das hipóteses, ele tomará a sua fala como uma piada sem graça, de mau gosto; na pior, e mais provável, ele mandará lhe prender por deboche e grave desacato à autoridade, com o agravo de insanidade mental.
Acontece que, se em outros países, minimamente civilizados, a Justiça é uma solene e pudica senhora cega, no Brasil ela é uma putona de zona estrábica. No Brasil, a Justiça é uma puta sifilítica e vesga. O olho direito vê claramente o criminoso e o condena; o esquerdo faz vistas grossas e pressupõe a inocência dele.
No Brasil atual, o Brasil da Constituição Cidadã, ao bandido é dispensado tratamento de fidalgo. Tratamento vip assegurado por leis escritas por outros bandidos, bandidos de terno e gravata, que antevendo a possibilidade de eles próprios, um dia, se tornarem também réus condenados, já preparam, lá em 1988, suas futuras camas macias.
No Brasil, fica-se cheio de dedos para com o bandido, pisa-se em ovos. O bandido é tratado com toda reverência e com todo melindre, para não ofendê-lo, ou constrangê-lo.
No Brasil, para que um criminoso notório e juramentado seja, enfim, considerado culpado, quatro instâncias jurídicas, quatro graus de jurisdição, devem assim declará-lo.
O Seboso de Caetés, oh, coitadinho, oh, injustiçado, foi condenado em "apenas" duas e já o enjaularam. "Só" por dois corpos de juízes e de tribunais. Perseguição politica, meus caros, clara perseguição política. Perseguição política é o caralho!!!
No Brasil, embora oficialmente só sejam previstas duas instâncias jurídicas, há, na prática, quatro instâncias recursais.
"O Brasil é o único país do mundo que tem na verdade quatro instâncias recursais", disse Cézar Peluzo em 2010, quando então do STF no primeiro (des)governo Dilma Rousseff.
A primeira instância são as comarcas, os juízes monocráticos; a segunda instância (e tecnicamente a última) são os tribunais (TRE, TRF, TJ etc). Mas, como ainda se pode recorrer aos tribunais superiores (STE, STJ...) e, depois ainda, ao STF, o Supremo Tribunal Federal, estes passam a funcionar, respectivamente, como terceira e quarta instâncias. E com ritos jurídicos infinitos entre um recurso e outro, que podem atravessar gerações.
O que vimos ontem foi a soltura de um condenado em segunda instância, o último grau de jurisdição legalmente previsto. Por isso, Lula estava preso. Por isso, ele deveria ter continuado enjaulado.
É como se cada juiz ou colegiado de uma instância anterior fossem considerados ineptos pelos das instâncias subsequentes. Como se o que estivesse a ser julgado não fosse a culpa do condenado, mas sim a competência dos juízes. Só em país de bandidos, mesmo.
É como o sujeito que vai ao médico, é submetido a todos os possíveis e imagináveis exames investigativos e os resultados de todos eles - raios-X, hemograma, ressonância magnética, tomografia e dedada no cu - apontam de forma clara, evidente e inequívoca para o mesmo diagnóstico : o cara tem um baita de um tumor na próstata, a leão de chácara do cu.
Pergunta, então, o paciente : "doutor, e que tratamento eu começarei a receber?". "Por ora, nenhum", diz o médico. "Que o senhor tem um tumor, é fato, mas para que seja declarado canceroso e passe a receber o tratamento, terei de encaminhá-lo a um médico de segunda instância, que confirmará meu diagnóstico". Meses na fila do SUS, o segundo médico lhe diz : "vamos com calma, amigo, o tumor existe e é mesmo maligno, mas não podemos condená-lo a uma quimioterapia ainda, nem, ao senhor, taxar de canceroso.  Vou encaminhá-lo a um oncologista de terceira instância." 
Até que um PhD de quarta instância bate o martelo (aquele de dar porrada no joelho) e declara que o paciente é um canceroso. Até que seja tarde demais. Até que o câncer já tenha se alastrado, minado e solapado toda a integridade orgânica do paciente.
Tal e qual ao mito do Lula se espalhou pelo organismo raquítico e cheio de verminoses do Brasil. Tivesse sido aplicada pesada quimioterapia logo no começo, lá na década de 1980, nos tempos de metalúrgico de Lula, o tumor teria sido erradicado em seu início. Mas, por alguma razão, ou por mero descaso, talvez já cansados do poder e querendo logo passar o abacaxi adiante, os militares não se deram ao necessário trabalho.
E o que dizer, então, do paciente - no caso de metade do povo brasileiro - que, com o câncer em remissão, comemora a sua recidiva?
O médico chega para o cara e diz : "sabe aquele seu tumor na porta do cu, aquele seu câncer que estava diminuindo? Voltou com força total." E o paciente sai eufórico do consultório, corre às ruas soltando foguetes e rojões em comemoração.
Não tenho dúvidas : a soltura de Lula, Zé Dirceu e assemelhados é o reaparecimento e a recorrência de um tumor maligno que estava em tímida remissão.
Como comemorar a liberdade destes dois criminosos condenados? Resposta : somos, nós brasileiros, uma nação ainda composta por muito bandidos, vagabundos e encostados. Só um povo com tal formação e índole comemoraria a libertação de Lula.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

A Polícia Prende, a Justiça Solta (Ou : Vermelho é a Cor do Luto Nacional)

Esta sempre foi a lei máxima e inflexível a vigorar no país desde a promulgação da Constituição de 1988, a chamada Constituição Cidadã - a bola esquerda do meu saco é muito mais cidadã do que qualquer vagabundo que encontra guarida em nossa Carta Magna. A única cláusula verdadeiramente pétrea do resultado da Constituinte capitaneada pelo safado Ulisses Guimarães : a polícia prende, a justiça solta.
Verdade seja dita, ainda que lamentável, é lei democrática e extensiva a todos os níveis de bandidagem. Desde o ladrãozinho de fundo de quintal, passando pelo traficantezinho rastaquera de porta de escola, até ex-presidentes quadrilheiros.
Hoje, mais um safado, mais um mafioso, mais um bandido, ganha a liberdade para andar entre os cidadãos de bem. Mais que um bandido : um condenado.
Hoje, o maior saqueador dos cofres públicos de toda a História, não só do Brasil como do mundo todo, foi libertado.
Bandido por bandido, Fernandinho Beira-Mar, se liberto, me causaria muito menos medo e apreensão que Lula; na falta de outra opção, antes o Comando Vermelho do Fernandinho do que o Comando Vermelho do Lula.
Tenho certeza de que é apenas neste país de merda e de merdas que tal descalabro ocorre : um condenado pela Justiça ser solto por ela sem ter sido absolvido, sem que tenha aparecido nenhuma nova evidência que provasse sua inocência, ou que colocasse em dúvida sua condenação, sem que sua pena tenha sido cumprida, extinta ou anulada.
Só neste país de merda e de merdas é que a "justiça" declara um sujeito como criminoso e depois dá a ele o direito de circular em liberdade.
Hoje, todo o árduo, investigativo e valoroso trabalho das equipes da Lava Jato e do juiz Sérgio (e antes deles, é bom que não nos esqueçamos, do juiz Joaquim Barbosa) foram deitados esgoto abaixo, como acontece em todos os níveis e em todas as esferas dos podres poderes públicos.
Hoje, o Brasil sério, honesto e trabalhador está de luto. Hoje, o Brasil sério, honesto e trabalhador veste vermelho : daqui em diante, a cor do luto nacional.
Eis o condenado, o corrupto, o quadrilheiro, solto em meio à aclamação de seu séquito de vagabundos e encostados. Todos ávidos e afoitos por uma Bolsa Família, um sanduíche de mortadela e um bonezinho do MST.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A Volta do Espírito Santo

Suspeito que o Espírito Santo, que fora ocasionais e esparsas atuações como cabo eleitoral em eleições papais, andava meio sumido há dois mil e tantos anos, quando daquela sua estripulia lá na Galileia, esteja de volta, esteja de novo a nos dar os ares de sua graça. Mostrando que de santo não tem nada; antes de porco.
Fortes evidências de sua volta nos chegam, agora, não do Oriente Médio, da manjedoura do cristianismo, mas sim da manjedoura da humanidade, da mama África. Ou é o Espírito Santo, ou é alguma outra entidade imaginária se fazendo passar por ele, com o seu mesmo modus operandi, ou seja, um serial e contumaz descabaçador de incautas bucetinhas cristãs e tementes a Deus.
Vamos, pois, ao motivo de minhas hereges suspeitas.
De acordo com a agência de notícias italiana Ansa, o Vaticano anda a investigar as imaculadas concepções de duas freiras em uma missão de caridade na África. As duas irmãs, que são de origem africana, estudaram e fizeram seus votos na Itália e voltaram à sua terra de origem para prestar ajuda às necessitadas ovelhinhas do Senhor.
Uma das prenhes esposas de Cristo tem 34 anos e contou à Ansa que descobriu a gravidez ao ir a um hospital com queixas de dores abdominais. Transferida pela Igreja de sua paróquia em Militello (Sicília) para a de Palermo, ela diz que abandonará a vida (quase) religiosa para cuidar da criança. 
Não sem antes causar espanto e indignação no pequeno vilarejo carcamano. Salvatore Riotta, prefeito de Militello, disse : "a notícia sobre a madre grávida deixou os moradores . O caso deveria ter sido mantido em segredo".
A outra irmã é uma madre superiora, que, depois de saber da gestação, picou a mula da Itália de volta para seu país natal.
O Vaticano ainda não se pronunciou a respeito das circunstâncias que poderiam ter levado às gravidezes das freiras, mas parece que as investigações seguem a linha de um possível abuso sexual, amparadas por um discurso feito pelo Papa Chicão Milongueiro, no início deste ano, de que muitas madres têm sido abusadas durante suas missões.
Uma fonte, um fofoqueiro lá do Vaticano, disse ao tabloide inglês The Sun que as madres teriam quebrado o voto de castidade por vontade própria e engravidado em relações consensuais. Afinal, não era uma missão de caridade? E qual a máxima da caridade cristã? É dando que se recebe.
Mas eu não acredito nem na carne fraca das freiras nem na violência sexual por parte dos africanos assistidos por elas. Eu insisto que o pai é o Espírito Santo! Aliás, um teste de paternidade por DNA incriminaria a quem? Ao Pai, ao Filho, ou ao Espírito Santo, uma vez que são a mesma pessoa? E uma vez que o Espírito Santo embuchou a Maria, quem é o Pai do Filho, o Pai, ou o Espírito Santo?
Repito : parem as investigações. A culpa é do Espírito Santo.
Inclusive, há rumores de que, da mesma forma como procedeu com Maria, o Espírito Santo também se fez antes anunciar às duas irmãs de caridade. Desta vez, não por um anjo a brandir uma ereta espada flamejante. Sim por um imponente e robusto guerreiro Zulu a portar uma longa e envernizada lança cor de ébano, grossa feito um tronco de baobá.
- Ai, como era grande!!! - teria dito uma das religiosas, em off, ao The Sun.

Fonte : Page Not Found

domingo, 3 de novembro de 2019

Vestibular Pra Petista

Parece-me que, com o desmascaramento, a total desmoralização do partido da estrelinha vermelha, a pouca procura por novas afiliações, a perda de antigos membros e a consequente queda da arrecadação, o PT, o comando vermelho do capo Luis Inácio Lula da Silva, começa a se mobilizar no arrebanhamento de novos integrantes para as suas desfalcadas fileiras.
E que melhor lugar para recrutá-los - a esses girinos de sapo barbudo - que nas salas de aula das universidades públicas, notórios guetos marxistas, prolíficos criadouros e manjedouras de comunistazinhos de merda?
Tanto melhor se for em uma das instituições de ensino mais conceituadas (ainda) do país, a USP. A USP vive hoje muito mais da fama de seu nome e de seu sério, decente e distante passado do que de efetivas realizações e inovações acadêmicas. Tornou-se, de décadas para cá, em um fértil celeiro de aspirantes a Che Guevara, em uma academia preparatória de militantes de esquerda.
Há tempos que a USP - e isso pode também ser estendido às universidades federais - forma melhores ativistas de esquerda do que bons médicos, engenheiros, farmacêuticos, químicos, linguistas, professores etc. Profissionais que, depois de formados, sairão a reproduzir, disseminar e a inocular a ideologia vermelha em seus ambientes de trabalho.
Sei do que falo. Na escola em que leciono, tenho contato com alunos da USP, principalmente dos cursos de biologia e de química, que para lá acorrem em busca de cumprirem seus estágios obrigatórios das disciplinas de licenciatura, alunos do quarto ano, do último ano. Parvos, néscios, totalmente ineptos e ignorantes em relação ao conteúdo de seus cursos. Nunca os vejo com um único livro na mão. Não boto a menor fé em "estudante" que não carrega livro. Nunca os vejo comentar ou discutir entre si sobre esse, ou aquele, ou aqueloutro tema relacionado aos seus currículos. Nunca os vi dizer que estão a estudar e a se preocupar com essa, ou com aquela prova. Carregam consigo apenas os seus indefectíveis sorrisos paspalhos e telefones celulares.
Estudantes não só desprovidos de conteúdo específico, como também de respeito e boa conduta. Eu mesmo, há três ou quatro anos, expulsei de uma sala minha de terceiro colegial duas estagiárias da USP, muito bonitinhas e gostosinhas, até. As tais conversavam mais entre si e masturbavam mais seus celulares que os próprios alunos. Foram reclamar de mim à diretora, pelo constrangimento. Interpelado pela diretora, respondi simplesmente : - E?
Por outro lado, pergunte a um desses estudantes sobre as cotas e a inclusão nas universidades públicas, pergunte a um deles sobre o empoderamento feminino, sobre a ideologia de gênero. Revelar-se-ão verdadeiros PhDs.
Que melhor gado para reabastecer os combalidos currais eleitorais do PT que alunos da USP e outras que tais?
Porém, em tempos de crise, todo cuidado é pouco. Vai que nesses antros trotkistas, que nesses úteros bolcheviques, haja agentes infiltrados da direita, haja alunos que estejam lá para verdadeiramente estudar e trabalhar? Vai que haja maçãs boas dentro do balaio das podres? Como separar o trigo (e eliminá-lo) do joio?
Fácil! Fazer um vestibular para petista. Um processo seletivo para piolhos da barba do Lula. Tudo questões de múltipla escolha, é claro.
E não é que o tal vestibular pra petista foi de fato realizado? De forma disfarçada, é claro. Sub-reptícia. Como é do feitio e do modus operandi da canalha esquerdista. Disfarçado sob a forma de uma prova de seleção para um curso de especialização em Saúde Pública.
Com certeza, pensará você, incauto e ingênuo leitor do Marreta, as questões da prova abordaram temas como a dengue, a zika, a falta de saneamento básico, o atual surto de sarampo, o aumento das zoonoses nos grandes centros, o sucateamento de hospitais públicos e postos de saúde etc, certo?
Porra nenhuma! Nenhuma, absolutamente nenhuma das questões enfocava assuntos relativos à saude. Nenhuma! Todas tratavam de recentes acontecimentos políticos do país. E todas as respostas consideradas corretas pelos elaboradores da prova seguiam uma única linha ideológica, a da esquerda.
Em uma das questões, era perguntado o motivo do impeachment da presidanta Dilma. Se o candidato se metesse a besta de  assinalar a alternativa correta, no caso a letra "d" - denúncias de corrupção -, já perderia de cara uns tantos pontos, pois a resposta tida como certa pelos examinadores era a letra "c" - golpe institucional.

Golpe constitucional é o caralho! O impeachment é previsto em Constituição!
Outra questão, sobre o presidiário Lula, considerava correta a alternativa que dizia "aquele que está sendo considerado mundialmente um prisioneiro político". Outra perguntava ainda sobre a emenda constitucional 95 (que instituiu o teto de gastos públicos), como uma das “medidas recentes dos governos após o Golpe de 2016. Outras contemplavam como resposta correta os ex-presidenciáveis de esquerda, (Guilherme Boulos, Ciro Gomes e Fernando Haddad), citavam Marielle Franco, Luiz Carlos Prestes, o ex-ditador venezuelano (tratado como presidente na prova) Hugo Chávez, Leon Trotsky, Vladimir Lenin e outros “heróis” da esquerda.
Ou seja, para o candidato acertar todas as 60 questões do processo seletivo era necessário pensar segundo a ideologia de partidos políticos de esquerda. Uma estratégia canalha para eliminar candidatos com outros vieses ideológicos, para impedir que entrem na USP alunos de outras orientações político-partidárias. Um ardil para perpetuar as faculdades públicas nas mãos sujas dos esquerdistas. Literalmente, um vestibular para petista.
Mas, felizmente, o vestibular para petista não passou despercebido aos olhos sempre atentos e vigilantes da paladina Janaína Paschoal, a musa do impeachment. A deputada (PSL-SP) denunciou a patifaria na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), alegando o uso de critérios ideológicos para aprovar candidatos em prova de seleção online da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e pedindo o seu cancelamento.
Disse Janaína Paschoal : "Estamos falando de um processo seletivo para saúde pública em que nenhuma das perguntas diz respeito à saúde pública. Todas as perguntas trazem como alternativa, aguardada como correta, uma linha ideológica. Eu não estou sequer criticando essa linha ideológica, eu só estou dizendo que numa universidade pública não se pode impor, e pior, cobrar como critério de aprovação nenhuma linha ideológica".
Diante da canalhice exposta, o diretor da Faculdade de Saúde Pública, Oswaldo Tanaka, confirmou o teor das questões, disse que realmente não havia questões sobre saúde pública, pois o curso era aberto a pessoas com outras formações de nível superior. Que porra de desculpa é essa? Quer dizer que o cara é, por exemplo, engenheiro, nunca aplicou uma injeção na vida, nunca fez uma sutura, nunca aferiu uma febre ou pressão arterial, e, de uma hora pra outra, ele pensa : ah, acho que vou lá na USP, me especializar em saúde pública. Pãããããta que o pariu!!!
Oswaldo Tanaka deu pra trás e cancelou o processo seletivo, mesmo depois dos nomes dos aprovados já terem sido divulgados. De acordo com o diretor, a medida foi tomada após avaliação de que o resultado "não saiu bom" : "A interpretação que foi colocada inclusive pela deputada gerou uma inquietude sobre a lisura, e achamos que não vale a pena manter a prova", afirmou.
E quem será responsabilizado e penalizado pela canalhice? Alguém será? Um processo seletivo, ainda que on line, gera altos custos. Quem devolverá o dinheiro aos cofres públicos?
Depois, quando o intrépido Bolsonaro diz que as universidades públicas (e também as escolas públicas de ensinos fundamental e médio, acrescento eu) estão aparelhadas ideologicamente, que é necessária e urgente uma "limpeza ideológica", mané vem dizer que ele é fascistão. Fascistão é o caralho!
Certíssimo, nesse aspecto, o capitão. Tem mais é que varrer essa vermelhada toda pra fora das escolas e universidades. Substitui-la por professores de fato.
Não sei exatamente qual o foi o enunciado da questão sobre o Lula, mas caso fosse pedida a mim a elaboração de uma, ela poderia ser mais ou menos assim :

Assinale a alternativa correta. Luis Inácio da Silva, o Lula, o Sapo Barbudo, o Seboso de Caetés, passará para a História do Brasil como o sujeito que:
a) perdeu o dedo mínimo da mão esquerda para se aposentar precocemente
b) enriqueceu negociando greves com as multinacionais em seus tempos de metalúrgico
c) foi protegido e dedo-duro de Romeu Tuma, para quem entregou colegas de sindicato
d) tornou-se o maior ladrão e quadrilheiro do país
e) todas as anteriores

Alguém precisa colar para responder essa? 

Fonte : A Gazeta do Povo; O Antagonista

sábado, 2 de novembro de 2019

Em Um Universo Alternativo...

Divórcio Ortográfico

Será mesmo
A necessidade
A mãe (solteira) da invenção?

Há não muito tempo,
Não tinha a menor necessidade de ti :
Sequer te supunhas.

Até que
Te inventaste para mim,
Entraste roda
E roliça
Em meu mundo quadrado,
Entraste alfarrábio e biblioteca
Em minha pinacoteca rupestre.

Chegada a data da tua obsolescência programada
(por ti e a mim não comunicada)
Negaste-me a tua atualização,
O teu upgrade.

Eu, 
Outrora bactéria sóbria e anaeróbia,
Como sobreviverei à falta e à abstinência
Do oxigênio a que me apresentaste?
Que me fizeste tomar aos litros
Inalar carreiras dele pelas ventas
E injetá-lo nas veias?
Como voltar a fermentar feliz pelo lodo primordial?

Eu,
Outrora gutural e ágrafo,
Como poderei 
Continuar a escrever para te mentir e agradar?
Como poderei clamar pelo teu nome em meus gozos,
Gritar por ti em meus pesadelos?
Como enviar-te correios elegantes por pombos-correio poliglotas?
Se te foragiste,
Se desertaste,
Oh, letra jocosa,
Em arbitrária reforma ortográfica,
De meu alfabeto?
Se,
Com teu abandono,
Tornaste mancos, disléxicos e brochas
Meus dicionários e minha gramática?

Como voltar a viver
Num mundo puramente de sons,
Agora que os sei
Meros reflexos distorcidos e embaçados da tua palavra?

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Missão Impossível

"Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida"
(Pequeno Perfil de um Cidadão Comum; Belchior)

Tenho cá pra mim
- e é das poucas certezas que ainda mantenho -
Que no dia em que eu for dormir
Com a sensação da missão cumprida,
Não acordarei,
Estarei morto.

Mais além e ainda antes e ainda mais :
Estarei morto no dia 
Em que tiver a sensação
De que tenho uma missão.


(quem não conhece a supracitada canção, não perca tempo, é só clicar aqui, no meu poderoso e insatisfeito MARRETÃO)