terça-feira, 18 de agosto de 2020

A Fênix Jair Bolsonaro

Todos o sabemos um atleta olímpico, um "iron man". Todos sabemos que mesmo entre os seus pares, entre os seu espartanos companheiros de academia militar, o seu vigor se sobressaía, o que lhe valeu a alcunha de "Cavalão" dada por seus iguais; perto dele, os outros formandos das Agulhas Negras eram pôneis de parque de diversões, pangarés de puxar charrete de turista em Poços de Caldas. Todos sabemos de seu poder de recuperação e regeneração físicas. Safou-se triunfante, com a ajuda de Deus e do Hospital Albert Einstein, da facada de Adélio Bispo de Oliveira.
Mesmo sabendo de tudo isso, cheguei a pensar que Bolsonaro não sobreviveria muito tempo como Presidente da República. Não que ele viesse a sofrer um impedimento antes da conclusão de seu primeiro mandato, mas que, realmente, não mais chances houvesse de sua reeleição. Cheguei a pensar que os ataques maciços e conjuntos da Tríade Comunista, que age no Brasil e em boa parte do mundo ocidental, fossem, de solapar em solapar, dar cabo de Bolsonaro.
Tríade Comunista formada pela mídia - tanto os grandes veículos de comunicação quanto as redes sociais e blogosfera suja -, de grande parte da Câmara dos Deputados - melhor seria a chamarmos de Alcova dos Deputados - e pelo comunavírus, que foi chamado a integrar a tríade para servir de munição a ser deflagrada contra Bolsonaro pelos dois primeiros.
Aos ataques da grande mídia, Bolsonaro vem respondendo e a ferindo de morte naquilo que é mais caro a ela. A sua liberdade de expressão? Porra nenhuma. Que liberdade de expressão nunca foi um dogma, um preceito sagrado desse povo, que liberdade de expressão sempre lhes foi mera conveniência, moeda de troca com os governos anteriores, um foro privilegiado para atacarem sem provas. Bolsonaro vem contra-atacando a grande mídia onde mais lhe dói, nos seus bolsos, nos seus cofres. Só a um exemplo, na semana passada, Bolsonaro cortou 60% da verba publicitária destinada à Rede Globo, aumentando o repasse para a Record e o SBT. Tá certo, o Bolsonaro. Por que continuar financiando quem lhe chama de fascista? Faltará dinheiro até para o botox da Ana Maria Braga, para a peitaria de silicone das dançarinas do Faustão e para o alpiste do Louro José. Pããããããta que o pariu!!! Para as redes sociais e blogs sujos, Bolsonaro tá cagando e andando. No quesito tuitada, o Mito é bem superior a todos eles; não à toa, elegeu-se por essa via.
Aos bombardeios da ala vermelha da Alcova dos Deputados, Bolsonaro se defende e revida com a formação de alianças, coalizões e toma-lá-dá-cás com o famigerado Centrão.
Ao contágio pela Covid-19, Bolsonaro desancou o comunavírus com uma surra de pau de guatambu da cloroquina; em dois dias, pôs no toba do comunavírus e o pôs para correr.
Tudo isso e mais a pouquíssima divulgada boa e extensa série de medidas emergenciais adotadas por Bolsonaro e seu ministros durante a pandemia, como, por exemplos, o auxílio de R$ 600,00 mensais, o crédito de R$ 51,6 bilhões para manutenção de empregos (MP 935/2020), mais R$ 16 bilhões aos estados e municípios durante quatro meses (MP 938/2020), a liberação de 500 milhões para a compra de produtos para a agricultura familiar (MP 957/2020) etc etc, têm surtido resultados positivos para o Governo Bolsonaro, vêm fazendo o que eu mesmo havia julgado impossível, ou muito pouco provável de acontecer : o aumento da popularidade de Bolsonaro.
O intrépido Bolsonaro nos mostra agora que tem tanto poder de recuperação e regeneração políticas quanto o já mostrado de reestabelecimento fisio-orgânico. Que é um verdadeiro Wolverine das urnas.
Uma pesquisa do Data Folha, instituto do grupo Folha de São Paulo, um de seus antagonistas mais desavergonhados, publicada em 13/08, mostra que se deu por encerrado o período da broxidão das estatísticas de Bolsonaro, que a sua popularidade (e subsequente intenção de votos para 2022) vem readquirindo a paudurescência de antanho.
A pesquisa mostra que Bolsonaro está com sua melhor avaliação desde que começou o seu mandato. O seu mandato é considerado ótimo/bom por 37% dos entrevistados. Mais importante ainda que nos índices de aprovação, Bolsonaro também melhorou nos de rejeição, dos que o consideram péssimo/ruim, caíram dos 44% da última pesquisa feita pelo mesmo instituto para os atuais 34%. Os que consideram seu governo regular foram de 23% para 27%.
Mais importante que ser considerado bom é quem nos considera bom; mais importante que ser considerado ruim é quem nos considera ruim, o que, muitas vezes, pode ser até um elogio. A maior aprovação do Governo Bolsonaro vem dos empresários, que são quem movimentam o país, que geram renda e empregos (se esses são bem remunerados ou não, é uma outra questão). E sua maior desaprovação vem da parte dos "estudantes" deste Brasil dantes mais varonil, povo que não produz porra nenhuma, que serve cada vez mais para menos coisas, só para gado de doutrinação de professores esquerdistas e bucha de canhão para marchas, passeatas e outra cara-pintadices da vida e que, assim que tiverem que começar a trabalhar e pagar as próprias contas, viram direitistas rapidinho.
Outra pesquisa de popularidade, publicada hoje pelo Instituto Nexo, corrobora os números do Data Folha.
Queiram ou não os esquerdistas que perderam as mamatas dos governos do PT; queiram ou não até os de direita que se arrependeram de seu voto em Bolsonaro; se até 2022, um outro messias não surgir para esta população sempre à espera de um, Bolsonaro vai, de novo, "pras cabeças". Vai dar na dezena, na centena e no milhar.
Jair Bolsonaro é uma Fênix, que ressurge das próprias cinzas.

domingo, 16 de agosto de 2020

Dia Mundial do Canhoto

Os canhotos, sim, são uma minoria de fato. Somos apenas cerca de 10% da população - e a tendência é que esse valor diminua, pois somos mais inteligentes, o que nos leva a procriar menos e, assim, o gene vai se tornando menos frequente. Só perdemos para os ateus, que compões algo em torno de 2,4% da população planetária. Isso, é claro, os ateus verdadeiros, convictos, de nascença, não devendo ser confundidos com os que se declaram "não religiosos". Que é o sujeito que até gostaria de ser ateu, mas tem medo de que Deus castigue, é o indeciso, o "tucano", aquele que nem caga nem sai de trás do altar. Eu, que sou canhoto e ateu, então, pertenço à menor subminoria do mundo, faço parte de um contigente que não ultrapassa 0,24% da população global. Se bem que acredito que esse valor possa ser um pouco maior, posto que mais inteligentes que a média, o porcentual de canhotos que não crê em Deus é provavelmente maior do que na população em geral.
O preconceito e a perseguição aos canhotos vêm de longe. É secular. Mais ainda : milenar. Data da Idade Média, os mil anos durante os quais as bênçãos da Igreja Católica recaíram sobre a humanidade. Homens e mulheres canhotos eram acusados de ter parte com o Diabo e viravam churrasquinho nas fogueiras santas - canhotos foram incinerados muito antes dos judeus pelo nazismo. O próprio Demônio era dito canhoto pela igreja. Muitas representações artísticas da época retratavam o Capiroto sempre a empunhar o tridente com a mão esquerda. O preconceito contra nós canhotos é, inclusive, etimológico. Nem mesmo o idioma latim, a nossa língua-mãe, se esforça muito para livrar a nossa cara; antes pelo contrário. Nossa denominação deriva de sinister, que além de se referir ao lado esquerdo, pode também denotar obscuro, ameaçador, ominoso e agourento..
De lá para cá, é bem verdade, a situação deu uma aliviada para o nosso lado, ao menos não vamos mais para a fogueira, mas ainda assim sofremos cotidianos preconceito e discriminação. Uma discriminação das mais veladas e sutis, daquelas que só se percebe nos pequenos detalhes, porém, contínua feito a tortura chinesa do pingo d'água na testa. Uma discriminação que se faz sem remissões e nas pequenas coisas aparentemente sem importância, que não se manifesta em grandes atos de violência, mas através de pequenas alfinetadas, de quase que imperceptíveis picuinhas e hostilidades que não chegam a causar desconforto, constrangimento ou humilhação grandes o suficiente para que os canhotos se organizem em ONGs ou em movimentos sociais - não que eu saiba, pelo menos. A não ser o Ned Flanders, de Os Simpons, proprietário da Leftortum, uma loja especializada em produtos para canhotos.
Avançando um pouco no tempo em relação à Idade Média, mas também nem tanto assim, chegamos a 1974, o ano em que comecei a trilhar o Caminho Suave das letras. As professoras dos meus 1º e 2º anos de grupo escolar me "forçavam" a preencher cadernos e mais cadernos de caligrafia escrevendo com a mão direita. Não proibiam que eu usasse a esquerda na maior parte do tempo, para copiar a matéria do quadro, fazer as tarefas e realizar as provas, mas queriam, literalmente, me adestrar ao uso da mão direita. Tal prática, ainda comum naqueles dias, atualmente faria arrepiar até os cabelos dos cus dos peidagogos, segundo os quais o ato de forçar o aluno a qualquer coisa que não lhe seja natural (estudar, inclusive) pode lhe causar sérios traumas e bloqueios cognitivos. O caralho!!! Eu não gostava de escrever com a mão direita, claro, mas tampouco me sentia aviltado ou violentado, nem exposto a constrangimento ou qualquer outra desculpa furada que vagabundo inventa para não estudar; todas elas, hoje em dia, "fundamentadas" e avalizadas por essa peidagogia de viés esquerdista da porra. A "tia" mandava eu escrever com a mão direita, eu escrevia e pronto. Simples e fácil assim. Sem levantes nem marchas de protesto. Sem organizar Simpósios de Peidagogia para debater o "problema".
Não só não me traumatizou como tenho certeza de que conferiu uma plasticidade muito maior ao meu cérebro, tornou-o ainda mais hábil, pois me forçou a construir certas conexões no lado esquerdo do cérebro (os movimentos do lado esquerdo do corpo são coordenados pelo lado direito do cérebro, e vice-versa) que, deixado a escrever só com a mão direita, só com o que me era "natural", eu jamais teria estabelecido. Fez com que eu adentrasse por portas do cérebro as quais, normalmente, eu jamais me aventuraria a abrir, a arrombar. Hoje, e já há muito tempo, eu não escrevo mais com a mão direita, mas os caminhos abertos a facão para que isso acontecesse no passado são usados para o fluxo de outras informações e habilidades.
Atualmente, ninguém obriga mais os canhotos a escreverem com a mão direita; aliás, hoje em dia, ninguém é mais obrigado sequer a aprender a escrever, seja com qual mão for. A peidagogia esquerdista, humanista, paulofreirista, calcada na igualdade, fraternidade e o escambau, e sobre a qual está alicerçada a permissiva LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), diz que cada apedeuta tem "o seu tempo", que ele aprenderá quando o conteúdo transmitido lhe tiver alguma significância; e vão passando, aprovando automaticamente e distribuindo diplomas e certificados de conclusão de ensino fundamental e médio para uma legião de semianalfabetos. Hoje, se o aluno simplesmente conseguir escrever, já é considerado um grande acontecimento, pode ser até com o pé, pode ser até o famoso "Ó" com o cu.
Apesar dos pesares, o preconceito e a perseguição aos canhotos segue firme. O bullying perpetrado pelo latim se propagou para uma de suas mais diletas filhas, a Língua Portuguesa, na qual deixamos de ser funestos seres da sombras para nos tornarmos em ineptos desajeitados. O léxico diz que o destro, além de ser quem usa preferencialmente a mão direita, é também alguém hábil, desembaraçado, rápido e expedito; a palavra destreza vem daí. Ao passo que, ao indíviduo atabalhoado, atrapalhado e desorientado, é dado o adjetivo de canhestro, aquele a quem falta a destreza. Minhas professoras primárias queriam-me ambidestro - olha o preconceito de novo aí -, hábil com as duas mãos. Por que não ambicanhestro, e com o mesmo sentido?
Nós, os canhotos, ou esquerdinos como nos chamam em Portugal, favor não confundir com esquerdistas, não somos desastrados e descoordenados porra nenhuma. Tente bater uma punheta com a sua mão esquerda e veja o nível de habilidade que isso requer. Não somos desastrados. A maioria destra é que organiza o mundo de forma a nos sabotar. Vai me dizer que se você vivesse num mundo onde tudo está posto ao contrário, não iria quebar um copo de vez em quando?
Há muitos prós e alguns contras em se ser canhoto. Primeiro as más notícias : uma pesquisa realizada entre 25.000 pessoas, de 12 países, revelou que temos uma maior propensão que os destros a nos tornarmos alcoólatras, disléxicos e raivosos. Pudera. Vivendo num mundo que é uma imagem especular invertida do que ele deveria ser, quem é que não fica puto da vida e alivia tomando umas.
Porém, uma pesquisa da St. Lawrence University mostrou que o QI dos canhotos tende a ser maior, mostrou que a sabotagem destra que não nos mata, só nos fortalece. Obrigados que somos a sempre chutar com os dois lados do cérebro, tornamo-nos mais inteligentes, mais criativos e adaptáveis. A porcentagem de canhotos na população em geral, como já disse, é de 10%; entre os integrantes do MENSA, ultrapassamos os 20%. No infortúnio de um AVC, temos mais chances de nos recuperar de possíveis sequelas. Como transitamos muito mais fácil entre os dois hemisférios cerebrais, se alguma função de um dos lados for comprometida, muito mais eficientemente a compensaremos com o uso do outro lado.Vamos agora a alguns dos instrumentos de tortura moderna que são usados contra nós naquelas pequenas picuinhas e hostilidades que citei mais ao começo.
A tesoura. O fio da tesoura está colocado para uso destro; tente usar a tesoura com a mão esquerda para cortar uma folha de papel, por exemplo, e você só conseguirá que ela a "mastigue". O mesmo vale para as facas de serra. Também o abridor de latas; impossível abrir uma latinha de ervilhas o manuseando com a mão esquerda. E nós, de novo, aprendemos a manuseá-los com a mão direita. As carteiras escolares de braço, as chamadas carteiras universitárias; passei anos e anos do meu colegial e faculdade sentado e escrevendo com o corpo torto, raramente aparecia alguma com o apoio do lado esquerdo. O caderno espiral; é um trabalho de contorcionismo iniciar uma linha quando a espiral está do lado esquerdo. Em instrumentos musicais como o violão e a guitarra, ou invertemos as cordas ou não conseguimos tocar nem sertanejo universitário. Se o canhoto quiser usar um relógio de pulso, também terá que fazer malabarismos para dar corda ou acertar os ponteiros do relógios, ou, de novo, treinar sua mão direita para fazê-lo. Cintos para segurar as calças os usamos com a fivela de ponta cabeça. Se compartilharmos o uso de um computador no trabalho ou em casa, o mouse também sempre estará colocado para o conforto do destro; de novo, nossa mão direita terá que rebolar para aprender a usá-lo. E os exemplos vão por aí afora.
Por essas e por outras, uns canhotos desocupados e cheios dos mi-mi-mis do Reino Unido instituíram o Dia Mundial do Canhoto, data que tem por objetivo "conscientizar as pessoas sobre os desafios que um canhoto enfrenta em uma sociedade onde 90% da população é destra".
O Dia Mundial do Canhoto é "comemorado" no dia 13 de agosto, mas só fiquei sabendo disso ontem e o texto só ficou pronto hoje. De qualquer, forma fica o registro atrasado. E tinha mesmo que ser em agosto, mês que também sofre grandes preconceitos de ser agourento. No Brasil, agosto é o mês do cachorro louco. Tinha que ser em agosto. Mês em que nasceram grandes gênios e personalidades.
Ficando restrito apenas ao campo da literatura, temos a exemplos : Nelson Rodrigues (23/08), Paulo Leminski (24/08), Jorge Amado (10/08), Millôr Fernandes (16/08), Tomás Antônio Gonzaga (11/08), Hermann Melville (01/08), Cora Coralina (20/08), Júlio Cortazar (26/08), Mary Shelly (30/08) e Charles Bukowski (16/08), cujo centenário de nascimento hoje se dá. Sem falar, é claro, de mim mesmo, essa criatura abominável que vos fala, nascido sob os auspícios do dia 15. Agosto, sem dúvida, é uma cornucópia de gênios.
Para encerrar esta postagem com chave de ouro , abaixo uma celebridade do cinema mundial, também canhota. Ela, a suculentíssima Scarlett Johansson, autografando com a mão esquerda.

sábado, 15 de agosto de 2020

O Brasão do Jotabê

Na seção Cerveja-Feira de ontem, ao comentar sobre a embalagem da Salzburg, disse de meu interesse e simpatia pela Heráldica, a arte de descrever os brasões de armas ou escudos. Não tenho interesse propriamente dito - aliás, nenhum - pelas genealogias que eles representam, tampouco nas relações e na ostentação de poder das dinastias retratadas. Gosto da parte gráfica dos brasões, da composição dos desenhos, das cores, dos pictogramas; gosto dos brasões no seu sentido estrito de uma obra de arte.
E os brasões estampados na latinha da cerveja acabaram por render mais comentários que o seu sacrossanto conteúdo. Jotabê, o agora de fato ermitão do Blogson Crusoe, comentou : "Quanto à heráldica eu acho bacana também, mas fico muito constrangido quando vejo alguém com o “brasão de família” comprado em alguma feira agropecuária. Complexo de inferioridade enrustido é foda. Eu já falo logo que vim de uma família de gente pobre, sem nenhuma nobreza. Pensa bem, “Botelho” era o nome de uma planta aquática mencionada pelo Pero Vaz de Caminha. Algum nobre teria o nome de Botelho? Só se fosse Botelho pinto".
Pois engana-se, caro Jotabê. Descendes de nobre família lusitana. Tem profundas raízes, a tua árvore genealógica, na freguesia portuguesa de Escalos de Cima. Tens fidalgos de cotas de armas por contraparentes. Confira nas informações abaixo, do site Heraldrys Institute of Rome :

"Procedem os Botelhos de D. Vasco Martins Mogudo e de sua primeira mulher, D. Elvira Vasques de Soverosa, por seu filho Martim Vasques Barba, nascido quando ainda vivia o primeiro marido desta senhora, D. Paio Soares de Valadares. Martim Vasques casou-se com D. Urraca ou Elvira Rodrigues, filha de Rui Peres de Ferreira e de D. Teresa Peres de Cambra, e dela teve Pedro Martins B., João Martins B. e Alda Martins B., que, primeiro, se recebeu com Fernão Reimão de Canhedo e, em segundas núpcias, com João Alcoforaldo, o Tenro. Tanto Pedro Martins B. como seu irmão João Martins B. casaram e tiveram filhos que continuaram o apelido. De Escalos de Cima: família descendente, por legítima varonia, de Manuel Fernandes Carrilho e e sua mulher D. Catarina Gonçalves Loura, que foram pais de Manuel Fernandes Carrilho de Aragão, Capitão de ordenanças, que casou com D. Isabel-Maria B., filha de Pedro Fernandes B. e de sua mulher D. Isabel da Visitação. Destes foi filho Joaquim-Manuel B., Sargento-mór de milícias, fidalgo de cota de armas (24.7.1797 e 26.9.1814). O actual representante desta família é 3º neto do acima referido fidalgo de cota de armas. João-do-Carmo Correia B., actual representante desta família, licenciado em Direito (U.L.), administrador da Empresa de Pesca de Viana, agente consular de França em Viana do Castelo, condecorado pelo governo francês com o grau de cavaleiro da Ordem das Palmas Académicas e como grau de oficial da Ordem do Mérito etc etc etc".

E ostentas, sim, aristocrata Jotabê, um brasão de família. Já podes encomendar um quadro para encimar a lareira da tua sala de estar.
Por isso que eu sempre digo : Jotabê é um brasão, mora?
Ah, e a família Pinto também possui um brasão de armas, mas pinto eu não mostro aqui. De jeito nenhum.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Cerveja-Feira (26)

A seção Cerveja-Feira está fadada à extinção. Meu repertório para homenageados ou esgotou-se, ou nomes que muito me agradariam ter por aqui, como Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Belchior, Bóris Yeltsin (o Jânio Quadros russo) etc, não os consigo achar em fotos com um copo ou com um belo dum canecão de cerveja nas mãos.
Por aqui, passaram escritores, músicos, gostosas, personagem de desenho animado, um país, uma antiga civilização, presidentes da República e até um Papa. Sem muito o quê, e para não falhar como falhei na cerveja-feira da semana passada, resolvi dar destaque a uma linha de cervejas relativamente recente no mercado brasileiro : as boas e quase baratas. As chamadas "puro malte", um meio-termo entre as cervejas "comerciais" e as artesanais.
As boas e quase baratas caem bem ao paladar e não chegam a provocar princípio de infarto e AVC no Margá, o escorpião que habita o meu bolso. Das boas e quase baratas que experimentei, estão no meu pódio a Proibida rótulo preto (medalha de bronze), a Brahma Extra Lager (prata) e a Serramalte (ouro). E hoje, no exato momento em que rascunho esta postagem, uma boa e quase barata nunca dantes entornada ameaça roubar o terceiro lugar, quiçá o segundo, das Olimpíadas cervejeiras do Azarão : a Salzburg.
Às sextas-feiras - tornou-se praxe nesta pandemia e neste saudável e bem-vindo isolamento social -, vou pela manhã à feira livre do bairro para comprar pastéis (carne e queijo para o filhotão, palmito para a esposa e o insuperável bacalhau da japonesa para mim) e, na volta, passo por uma loja de conveniência de um posto de combustíveis para pegar umas três latinhas de Lokal ou de Serrana. Hoje, dei de cara com a tal Salzburg em promoção, R$ 2,89 a latinha de 350 ml. Pensei : por que comprá-la, por que não comprá-la, por que comprá-la, por que não comprá-la? Comprei-a-a.
Quando verti o conteúdo da primeira lata no meu poderoso Canecão, um arrependimento precoce começou a se armar. Por alguma razão que minha razão desconhece, associo uma cerveja de mais qualidade a uma cor mais escura, mais brônzea. A Salzburg é de um amarelo claríssimo. No entanto, o primeiro gole já fez valer o investimento : ela tem um amargor bem mais pronunciado que uma Bohemia, uma Império, uma Petra ou uma Cacildis. Um amargor muito bom, que persiste na língua.
Gosto - espelho de Obsidiana, talvez - de gostos mais amargos. Adoro um jilozinho, por exemplo. Pãããããããããta que o pariu se adoro!!! É bem verdade que poderia ter uma melhor carbonatação, que sua espuma durasse mais um pouco mais, mas nada que deprecie a sua refrescância. E a embalagem também é bem caprichada, um ouro velho a servir de tela para um elmo e uns brasões medievais. Aprecio a simbologia dos brasões ou escudos de armas. Um dia, a me sobrar tempo e disposição, ou a ter direito a uma reencarnação, tenho a intenção de me aprofundar na arte da Heráldica. A latinha vai para a minha pequena coleção.
Arrependi-me de ter pego só três.
Prosit!

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Os Intestinos do A Marreta do Azarão

O blog A Marreta do Azarão que todos os seus bravos leitores conhecem é este aqui que se lhes apresenta em suas telas de computadores, notebooks, tablets e, sim e desgraçadamente, celulares. Mas não é o A Marreta do Azarão real. É tão-somente um avatar eletrônico do meu poderoso, bruto, rústico e paudurescente Marretão. É uma versão revisada, editada, pronta e acabada, de cabelos penteados, barba feita, remelas tiradas e de dentes escovados.
O conteúdo aqui visto não nasce diretamente de seus editores de texto, de HTML e de imagens; para mim, conteúdo escrito diretamente pelo teclado é como bebê de proveta, como inseminação in vitro. Ele é fecundado, gestado e parido sem cesárea - muitas vezes a fórceps - em e de meus cadernos, agendas, blocos de anotações, brochuras e brochadas, folhas de sulfite e de caderno soltas e depois ensacadas. Eles são o A Marreta do Azarão de fato. O A Marreta do Azarão despenteado, só de cuecas frouxas, com barba por fazer (há meses e meses), mau hálito, ressaca e pentelhos nunca sequer aparados. Eles são os intestinos e a manjedoura do blog; que isso de alma, coração e cérebro é coisa de blog de fresco. Nada que valha a pena pode ser escrito senão com os intestinos.
Apresento-vos, pois, as entranhas do A Marreta do Azarão.
Tudo o que figura no blog - e outro tanto que não,  e outro tanto de ideias infecundas ou natimortas - está nestes 25 volumes; desde o seu início, em 2009. Acima deles, minha cabeça em argila; abaixo, a caixa plástica que os abriga e que, em breve ou nunca, será substituída por uma arca de madeira, o verdadeiro baú do Azarão. E um caderno de número 26, uma brochura capa dura de 96 páginas, já vai pela sua metade. 
Porém, é possível que ela não se locuplete. A julgar pela minha letargia de pegar na caneta e mais ainda de me sentar ao teclado aliada ao resultado pouco satisfatório de minhas últimas produções, é provável que ela não se locuplete. Os resultados autodecepcionantes de meus últimos textos são frutos dessa minha letargia, ou essa minha letargia é fruto dos parcos resultados?
Foda-se. Que agora eu vou lá, tomar meu café feito em cafeteira italiana e comer uns biscoitos Tostines.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Pode Ser Numa Canção, Pode Ser no Coração, Eu Só Quero Ter Você Por Perto (11)

"Tu não sabes que palavras vais usar quando o sono não vier, quando a noite te disser : vem comigo. Que loucuras vais dizer quando a mão que te apertar te pedires pra ficar só mais um dia. Tu não sabes." 

Nos últimos tempos, Zeca Baleiro tem se mostrado muito melhor como escavador e intérprete de canções ou esquecidas, ou subestimadas por suas épocas, e no resgate/homenagem de nomes banidos ao ostracismo pela mídia da nova Idade Média, pela mídia da novidade média, do que como compositor de novas e boas canções.
Zeca Baleiro já prestou tocante e reverente reconhecimento a Sérgio Sampaio, no tributo O Balaio do Sampaio, a Odair José, de quem foi parceiro e produtor do disco A Praça Tiradentes, e ao último kavernista vivo, o fresquíssimo Edy Star, também como produtor e compositor de uma das faixas, a 17 Vezes, do álbum Cabaré Star, de 2017, o segundo registro fonográfico do cantor, compositor, ator, dançarino e artista plástico hoje com 82 anos de idade e mais de 60 anos de carreira; o único disco de Edy tinha sido até então o LP Sweet Edy, gravado em 1974.
Zeca Baleiro, entretanto, há tempos está a dever um álbum seu de inéditas do mesmo naipe de sua primeira trinca de CDs, destacadamente o Líricas. Então, sexta-feira agora - talvez já fosse sábado -, estava a ouvir a Rádio Só MPB, de Sorocaba (SP), e a voz de Baleiro entrou a cantar uma música que eu não conhecia, e com uma letra que de cara achei do caralho. Os versos que abrem esta postagem são trechos dela, e a gostosa da imagem, a protagonista do clipe oficial da canção, um clipe caprichadíssimo, do qual deixarei o link ao fim da postagem.
Gostei demais da música. Teria Baleiro recuperado a velha forma? Seria a canção Tu Não Sabes uma faixa de um novo álbum com outras tantas de mesmo tope? Torci para que sim. Torci por Zeca Baleiro. E, sobretudo, por mim.
Corri ao Google, digitei alguns versos de que me lembrava da canção que acabara de ouvir e o Grande Oráculo me pôs a par de meu otimista equívoco - sempre que sou otimista, acabo por me equivocar. A canção não era de autoria de Baleiro. Ela faz parte de um disco de intérprete recém-lançado pelo maranhense, um disco com canções de autores portugueses contemporâneos, o álbum Canções d'Álem-Mar.
Não consegui baixar o disco todo de uma só vez, fazer o download de certos artistas vem se tornando mais difícil, mas fucei daqui, fucei dali e consegui capturar todas as 11 faixas do CD de forma isolada, uma a uma. Um bom disco. Disco para ouvir tomando um vinho verde e lambiscando uma sardinha na brasa, e depois zarpar do Tejo em uma nau rumo ao Cabo das Tormentas, encarar o gigante Adamastor e alimentar com fados e lágrimas o mar salgado de Portugal.
Há mais quatro ou cinco canções muito boas no disco, mas Tu Não Sabes, de Pedro Abrunhosa, é disparado a melhor.
E tu, sabes? Que palavras vais usar quando o sono não vier? Quando a noite te disser : vem comigo?
Responderás o quê? Que estás velho? Que teu tempo de sonhares já passou? Que és casado? Nenhuma evasiva tua convencerá. Nem à noite. Nem a ti.

Tu Não Sabes
(Pedro Abrunhosa)
Tu não sabes
Quanto tempo vais poder
Dizer: Este sou eu
Gritar que o chão é teu

Tu não sabes
Que o céu chama por ti
Quando à noite te sorri
Quando as pétalas se abrem
Só por si
Tu não sabes

Tu não sabes
Quanto tempo irás pedir
Quando o sangue te fugir
Quando o punho se fechar
Sobre ti

Tu não sabes
Que o sonho não morreu
Quando o beijo se perdeu
Que a manhã não acabou
Só por nós
Tu não sabes

Que palavras vais usar
Quando o sono não vier
Quando a noite te disser
Vem comigo

Que loucura irás dizer
Quando a mão que te apertar
Te pedir para ficares
Só mais um dia
Tu não sabes

Tu não sabes
Quantos rios vão se deter
Quantos olhos vão beber
Nas palavras que colaste
Junto ao peito

Tu não sabes
Que os teus dedos são já meus
Que se vão fechar nos teus
Quando os barcos se despedem
Na maré
Tu não sabes

Que palavras vais usar
Quando o sono não vier
Quando a noite te disser
Vem comigo

Que loucura irás dizer
Quando a mão que te apertar
Te pedir para ficares
Só mais um dia

Tu não sabes
Tu não sabes
Tu não sabes
Tu não sabes
Para assistir ao excelente clipe da canção, é só clicar aqui, no meu lusitano MARRETÃO.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

O Ano em Que Conheci Bukowski

Neste mês, será comemorado (pelo menos, eu comemorarei) o centenário de nascimento de Charles Henry Bukowski. Em 16 de agosto de 1920, era expelido para o mundo a criança que viria a se tornar o Velho Safado.
Conheci Bukowski há exatos 20 anos, no ano de 2000. O ano mais atípico de minha vida e do qual guardo boas e saudosas recordações.
Aprovado em 1998 em um concurso de provas e títulos para professor da Rede Pública do Estado de São Paulo, tomei posse do meu cargo em inícios de 2000. Com apenas uma vaga da minha disciplina na cidade, preenchida por uma menina que ficou em 6º lugar na classificação geral do Estado (eu fiquei em 47º), escolhi minha vaga e fui de mala e cuia para a cidade de Mococa, a uns 100 km de Ribeirão.
Concomitante à minha conquista do cargo, e há três semanas já em novo endereço, levei um fragoroso pé na bunda da namorada. Pé na bunda não de todo inesperado; alguns ameaços, algumas simulações haviam ocorrido nos últimos meses. O que não impediu, no entanto, que tenha sido o fora mais doído que já levei.
Devo ter chorado e bebido um pouco além da conta por uns quatro ou cinco dias, mas não cheguei ao ponto de comprar um CD sertanejo. Depois disso, estranhamente, meio que do nada, ao invés de me sentir abandonado, peguei-me liberto. Eu era um forasteiro, agora. Em uma nova cidade, com uma nova vida sem nenhum vínculo com nada ou ninguém. Um perfeito anônimo. Talvez daí a sensação de libertação.
Fora o tempo que eu gastava empolgado com a nova carreira, labutando na crença imberbe de fazer alguma diferença ao mundo e outras pataquadas em que acreditamos quando temos a juventude ao nosso lado, pouco havia o que se fazer. Eu não tinha ninguém com quem me preocupar, nem mesmo um gato magro ou um vaso de cactos para regar uma vez por semana.
Comprei lá uma televisão de 20 polegadas, porém, tendo em vista os quatro ou cinco canais que ela sintonizava, eu pouco a ligava; exceto para, ao chegar em casa de minhas aulas noturnas, dar o meu boa-noite de todas as noites à bela Ana Paula Padrão, então apresentadora insubstituível do Jornal da Globo. Possuía também um rádio com tocador de CD e uma meia dúzia de títulos; rádio que, quando eu dava sorte, conseguia sintonizar uma boa rádio FM de Vargem Grande do Sul, especializada em MPB das antigas, mas, no mais das vezes, interferências impediam a sua boa audição. Telefone, nunca tive por lá. E não falo de celular, não; que deste eu não tenho nem nunca tive. Digo de telefone fixo, mesmo. Passei os três anos em que residi em Mococa sem telefone em casa. Trazia sempre comigo um daqueles cartões de telefones públicos, cujos créditos gastava para ligar uma ou duas vezes por semana para os meus pais, dizer que eu estava vivo. Muitos na escola, no começo, estranhando eu não ter algo "imprescindível", perguntavam como as pessoas iriam me achar. Eu respondia que essa era mesmo a ideia, que elas não me achassem.
Com todo esse tempo disponível e uma vida praticamente monástica, de monge trapista, eu lia. Lia muito. Pra caralho. Como nunca em nenhum outro período da minha vida. Uma média de dois livros por semana; três se eu não fosse para a casa de meus pais no fim de semana. Morava a poucos quarteirões da Biblioteca Municipal, instalada em um antigo casarão dos tempos auriverdes do ciclo do café, um tanto quanto já desgastado e mal conservado, mas com um charme dos mais peculiares. Feito eu.
E foi na Biblioteca Municipal de Mococa, em 2000, que dei de cara com o primeiro romance escrito por Bukowski, Cartas na Rua.
Confesso que quase não o retirei para ler. Normalmente, nem o título - que sugeria, talvez, um algum romance açucarado em torno de cartas de amor - nem a composição da capa teriam atraído mais do que alguns segundos de minha atenção, e logo o enfiaria de novo em seu nicho na estante. Normalmente. Porém, uma sensação de familiaridade com aquela capa, um déjà vu, fez com que eu o mantivesse por um tempo nas mãos - tentava lembrar de onde eu o vira antes. Boa que era então, minha memória me socorreu de pronto. 
Eu vira aquele livro há uns 15 ou mais anos, uma foto dele num catálogo do Círculo do Livro, do qual minha mãe foi sócia por muito tempo - li muitos Sidney Sheldon e Danielle Steel de minha mãe. Por uma taxa fixa, os sócios recebiam o Livro do Mês e um catálogo de lançamentos, caso quisessem encomendar outros títulos.  Era de um desses catálogos que eu me lembrava do livro. Tocado, talvez, pela lembrança, resolvi arriscar, emprestei-o e o levei para casa. Dentro daquele envelope que fica colado na terceira capa dos livros de biblioteca, a ficha de empréstimo me informava que ele nunca fora retirado.
Ainda bem que eu o fiz. Sem exagero nenhum, a minha relação com a escrita pode ser dividida em a.B e d.B. Antes e depois de Bukowski. Muito provavelmente, entre outras coisas, este blog não existiria como tal se eu, naquele dia há 20 anos, não tivesse levado o velho Buk para casa. Eu já escrevia poemas à época, mas nunca me ocorrera a possibilidade de escrever narrativas um pouco mais longas, crônicas e contos. Até a ocasião, havia para mim uma certa aura de impenetrabilidade nesses gêneros. Crônicas, escreviam-nas o Fernando Sabino, o Luís Fernando Veríssimo. Contos, o Machado de Assis, o Murilo Rubião, o Otto Lara Rezende. Eu? Meter-me a tal? Pois Bukowski me mostrou que era possível - ainda que se faça sem nenhum estilo, como eu.
Cheguei com o livro em casa na hora do almoço, e, como não lecionava à tarde, comecei a lê-lo por volta das treze horas. Tudo naquelas páginas era novo; ao mesmo tempo, tudo se revelava como se fosse um velho conhecido meu. Nem parecia uma leitura, parecia uma conversa mental entre mim e aquele livro de cujo autor eu nem fazia ideia de como fosse a cara. Capítulos curtos e concisos, feito jabs de um habilidoso boxeador; diálogos que nem eram diálogos, sim conversas de mesa de buteco, de intervalo no batente para o cafezinho e o cigarro. E Henry Chinaski, então, que personagem era aquele? Um bêbado fodido e sempre na merda, mas muito bem resolvido com sua condição de bebum. Nenhuma culpa, nenhum arrependimento, nenhuma lamentação ou autocomiseração naquele sujeito. Nenhuma vontade ou intenção de sair daquela vida, de se "curar" da birita. "Qualquer um pode ser sóbrio, mas é preciso talento para ser bêbado", dizia Chinaski/Bukowski, "para ir trabalho de ressaca trezentas vezes no ano". Os percalços e atropelos de Chinaski não eram narrados na tentativa de granjear alguma simpatia piedosa por aquele funcionário dos Correios que vivia de ressaca; pelo contrário, expunha toda a sua podridão e as suas falhas de caráter, o tornava odiável, repugnante. Nunca vira antes tamanha crueza e honestidade na composição de um personagem, ainda mais que, fundamentalmente, de cunho autobiográfico. Tampouco as suas histórias recheadas com elementos considerados pornográficos e escatológicos eram feitas para chocar, mas sim porque assim eram as coisas no mundo de Bukowski.
Eu já estava abduzido pela leitura. Foi quando, então, durante uma conversa com uma companheira de copo, que reclamava da misantropia dele,  Chinaski disparou : "não é que eu odeie as pessoas, mas me sinto melhor quando elas não estão por perto". Neste momento, ele acabara de me ganhar. Definitivamente.
Quando dei por mim, o livro já ia pela sua terça parte e eram cinco e meia da tarde. Precisava tomar banho, engolir alguma coisa e sair dentro de uma hora para minhas aulas da noite, que começavam às 19 horas. No banho, deu-me um puta vontade de beber. Cerveja, não havia nenhuma na geladeira. Mesmo que tivesse, eu não a tomaria tão perto que estava do meu horário de trabalho - eu ainda tinha certos pudores e pruridos.
Resolvi - e até hoje não sei por quê - provar de uma droga para mim inédita : o café. Com 32 para 33 anos de idade, nunca havia provado café na minha vida. Gostava do cheiro e tudo, mas nunca me apetecera tomá-lo. Havia um pacote de café no meu armário da cozinha, do qual poucas colheres tinham sido subtraídas, comprado por ocasião da única visita da minha ex em meu apartamento, ao fim da qual, recebi minha demissão sem justa causa. Também uma caixa de papel de filtro e suporte. Não sabia nem a medida a ser usada. Arrisquei lá uma colher de sopa bem cheia para uma caneca de água, adocei e entornei. Gostei do gosto, mas não era nada do outro mundo, nada de mais. O que as pessoas tanto viam no café, a ponto de se viciarem nele? A resposta me veio poucos minutos depois. Quando eu estava a terminar de me vestir e pegar meu material para sair, o efeito bateu! Virgens de cafeína que eram, os meus neurônios, sempre tão pouco afeitos a qualquer tipo de confraternização, deram uma festa na minha cabeça, um baile de debutantes, de formatura, sapatearam pra valer no meu crânio. Que sensação boa era aquela. Melhor que o meu primeiro beijo. Que minha primeira trepada.  
Pela rua, a caminho da escola, segui naquele leve estado de leveza e euforia, com o café e o Bukowski nas veias. Coquetel que me deu coragem de chegar junto numa professora. Que, eu julgava, parecia se insinuar para o meu lado há algum tempo, há uns 15 dias. Doida de pedra, esquizofrênica diagnosticada, tarja preta 4º dan, garantiram-me dois professores antigos da casa, quando lhes disse de minhas intenções - informações que pude comprovar na prática.
Era uma sexta-feira. No intervalo, dei uma calibrada com um copo do café servido na sala dos professores, sentei-me ao lado dela, jogamos meia dúzia de palavras e gracejos fora e fiz o convite. A noite acabou numa bebedeira de vinho Canção - bom e barato, comprado à uma loja de conveniência 24 h - no meu apartamento. De dentro do livro, deixado ao pé do sofá da sala, o velho Buk me dava a sua bênção. E me imprimia a sua maldição.
Eu estava de volta ao jogo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Mergulho (ou a viagem ao centro das minhas vinte mil léguas submarinas)

Nenhuma de minhas mulheres 

Jamais compreendeu 

Nem mesmo se deu conta 

Ou se apercebeu 

De minha profundidade 

De minha zona abissal.


Todas 

Enquanto eu vestia meu escafandro 

Me viam de bermudas de sarja 

E chinelos de dedo.


Todas 

Enquanto eu estava a tomar chocolate quente com rum 

Em meu batiscafo 

A contemplar um pôr-do-sol de águas-vivas 

Me viam com elas a tomar soda limonada 

Em ensolaradas macarronadas dominicais.


Por isso, as amei perdidamente 

Por isso, fui a fundo na superfície delas : 

Nunca desconfiaram dos meus mergulhos.


O mergulho é um ato secreto e solitário.


A dois 

Só o escolher da cor das paredes da sala e do quarto de hóspedes 

Do aroma do desodorizador do banheiro 

E o lugar da nova samambaia.


A dois 

Só o pedalar de mãos dadas aos sábados 

Pelas ciclovias da zona Sul da cidade

O levar o PET ao veterinário 

E o pagar das contas 

No fim do mês.

sábado, 1 de agosto de 2020

É o Braçaralho!!!

Em 2014, o maior pesadelo de um macho das antigas se fez realidade para o britânico Malcolm MacDonald, 45 anos. O pau do mêcanico caiu! Não ficou broxa, não. Caiu mesmo. Literalmente.
Uma antiga infecção sanguínea, que já havia acometido os dedos dos pés e das mãos de Malcolm, alastrou-se para a piroca, provocando o escurecimento do membro.
"Ela se espalhou pelos meus dedos das mãos e dos pés e os tornou pretos. Quando vi meu pênis escurecer, fiquei descontrolado. Um dia ele caiu no chão", contou o britânico ao tabloide "The Sun".
Num primeiro momento, pensei : um dia ele caiu no chão? Como assim? Por que o britânico deixou o apodrecimento da benga progredir a tal estágio? Como alguém pode ser tão descuidado a ponto de ver o cacete ficando preto e não sair desabalado a bater na porta do primeiro médico que encontrar? Analisando melhor, desconfio que a negligência do mecânico guardasse em si um quê de esperança. Esperança de que estaria a ganhar uma afrobenga, de que fosse virar o Kid Bengala. Virou foi a Roberta Close.
Instalado o infausto, Malcolm tornou-se triste, amuado e macambúzio. Deu a beber e a evitar qualquer tipo de contato social. Virou uma versão eunuca de mim. Até o dia em que, não aguentando mais tanto suplício e ter que mijar sentado, chegou para o médico e disse : "doutor, faça alguma coisa, estou desesperado! Sou capaz de dar um braço para ter minha rola de volta!"
"Trato feito" - disse o dr. David Ralph, especialista em construção de falos do Hospital Universitário de Londres e conceituado designer de piroca -, "mas não precisamos radicalizar, só o antebraço será o suficiente". E Malcolm está em vias de se tornar o primeiro homem do planeta a receber um pênis feito com a pele de seu antebraço, a técnica conhecida como Faloplastia com Retalho do Radial do Antebraço (RFF).
Na técnica, basicamente, um tubo é inserido e suturado debaixo da pele do antebraço e deixado lá, com o tecido se amoldando ele, produzindo e o envolvendo com novas células; dentro do tubo há uma uretra previamente construída com um pedaço de uma veia da perna. Depois de um tempo, que pode variar de 10 a 12 meses, quando o tubo estiver todo revestido de pele, ele é retirado do antebraço e implantado na virilha do descacetado. No ato da implantação, a nova estrovenga recebe um sistema pneumático interno de tubos, que, quando inflados por uma bombinha colocada no saco, promove uma portentosa paudurescência.
É o braçaralho!!! Pããããããta que o pariu!!!!
O duro é que o duro (mas ainda mole) não cresce no antebraço no sentido horizontal, como se fosse, sei lá, uma tatuagem 3D. Conforme vai se desenvolvendo, vai ficando dependurado, como mostra o esquema ilustrativo publicado pelo The Sun, e Malcolm já está há quatro anos carregando o penduricalho em seu antebraço, esperando pela cirurgia de implantação, que deveria ter sido realizada em 2018 (e depois a gente reclama aqui do SUS), mas uma série de imprevistos a foi protelando : o estado de saúde do mecânico em uma ocasião, a falta de uma equipe médica em outra, e, na última data, em abril deste ano, o advento da pandemia fez a cirurgia ser novamente adiada, desta vez, para o fim de 2020. Mas Malcolm não perde as esperanças : "Não posso mentir, ter um pênis no braço por quatro anos é uma coisa realmente estranha de se viver. Mas estou convencido de que esse pênis será usado para o que foi construído".
E Malcolm, que não é bobo nem nada, aproveitou e pediu um upgrade de rola para o médico, pediu que sua nova piroca, a qual já apelidou de Jimmy, tivesse cinco centímetros a mais que a original de fábrica. Vai me dizer que você também não pediria?
Com esse incremento peniano, dizem as más-línguas, os amigos bocas de porco do mecânico, os seus companheiros de pub, que Malcolm passará a ostentar uma benga de 9 centímetros!!! Vai ser o rei do vestiário do time de rúgbi!!! 
Eis Malcolm MacDonald, todo felizão com a benga em seu antebraço.