quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

A Eficácia de Merda da CoronaVac

Será que a resistência (derrotada) de Bolsonaro em adotar a vacina chinesa foi de fato uma atitude tão tacanha, tão burra? Teria mesmo se portado Bolsonaro de forma tão assim "negacionista" frente à eficácia da vacina amarela? Teria sido a falta de apoio público de Bolsonaro à CoronaVac, embora a aprovação dela em nada tenha dependido do Presidente da República, motivada apenas por picuinhas políticas, umas contra o regime comunista ditatorial chinês e outras contra o governo mauricinho de Dória, em total detrimento e descaso pela Saúde Pública?
Será que não houve outros motivos por detrás da "burrice" do Mito? Como, por exemplo, a vacina chinesa ser uma merda se comparada às outras já disponíveis? Como, por exemplo, a vacina chinesa ser um produto vagabundo, de qualidade pra lá de questionável, de lojinha de R$ 1,99? Pois, de novo, estamos comprando refugos da China. De novo, pagando caro por produtos xing ling.
50,38% de eficácia? Parece um valor aproximado e acochambrado só para a chinesinha "passar" de ano. Sou professor, e aluno que fica com média 5,0 é aquele meio lerdinho, fraquinho que só ele, porém, bonzinho, bem comportado e educado; e a gente dá aquele empurrãozinho nele. Para mim, 50,38% é isso, o empurrãozinho camarada para o sujeito ser aprovado, aquela maquiada na coisa.
No caso do aluno, ainda existem argumentos atenuantes e paliativos de seu pouco aproveitamento acadêmico : ele pode não ser bom em matemática, português, história, biologia etc, mas ele pode ter outras habilidades, ser um bom esportista, um bom trabalhador manual, ter talento para o desenho, para a música, para a informática etc. Claro que, no mais das vezes, é só peidagogia barata a justificar a vagabundagem do sujeito, mas algumas vezes isso é bem verdade, o cara tem outros talentos, que não são trabalhados ou incentivados na escola.
E no caso da vacina chinesa? Será que ela também tem outros "talentos", que atenuem ou até compensem a patente falta deles para ser uma... vacina? E que outras qualidades podem caber ou nos interessar em uma vacina que não seja a de... nos imunizar?
Repito, estamos a receber e a pagar pelo que há de pior no mundo nesse quesito. Um dos argumentos de merda a favor da chinesinha é que a coronavac é mais acessível financeiramente que as outras, assim, por exemplo, "se vacinar 1 milhão com uma vacina que reduz 95% (a chance de covid-19), o máximo que você protegeu foram 950 mil pessoas. Se vacinar 200 milhões com uma vacina que reduz 50% você protege até 100 milhões de pessoas"
Faltou acrescentar : e joga fora 100 milhões de doses, um desperdício de dinheiro e da mão de obra empregada na vacinação. E, na minha opinião, o mais canalha : dá uma falsa esperança a 100 milhões de pessoas, que, na confiança de que estarão imunizadas, poderão relaxar ainda mais com os cuidados preventivos. E, claro, se foderem de verde e amarelo. Aliás, de verde e amarelo, não; de vermelho e amarelo. Com as bençãos de Dória e da ditadura chinesa!
Abaixo, um infográfico comparativo da eficácia das principais vacinas contra a peste chinesa. Para quem quiser mais detalhes, leia a reportagem da BBC de onde eu o copiei. 
Volto à questão original : terá sido Bolsonaro mesmo tão burro e tão turrão à respeito da CoronaVac?
Enfim, a CoronaVac é feito o meu salário : uma merda, mas melhor que nada.

Sobre (e sob) Uma Leve Embriaguez

É um estado
Da percepção
Que me agrada muito;
 
Mesmo e ainda
Que sob ele
Eu não perceba nada;
 
E,
principalmente, 
Por isso.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Vox Populi, Vox Dei

A voz do povo é a voz de Deus. Então, Deus é um idiota. Não é à toa que Deus os fez, aos idiotas, em tal e insuportável quantidade, à Sua imagem e semelhança.
A voz do povo é a voz de Deus. É a voz das redes sociais, ambiente tecnológico e simulado da onipresença divina.
A voz do povo é a voz de Deus. É a voz da democracia.
Valha-me São Nelson Rodrigues! E mande lá a ira de sua marreta exterminadora de idiotas. Mas eles são infindáveis. E com que rapidez se reproduzem. São feito as moscas na sopa do Raul : "e não adianta vir me dedetizar, pois nem o DDT pode assim me exterminar, porque 'cê mata uma e vem outra em meu lugar". 

“Os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.”;
"O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota.";
“A maior desgraça da democracia é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade."
Nelson Falcão Rodrigues foi escritor, jornalista, romancista, teatrólogo, contista e cronista de costumes e de futebol brasileiro.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

A Vacininha do Capeta

Quando eu era criança, as visitas ao médico eram sempre eventos temerários. Não havia todas essas guloseimas farmacológicas à época, não existia um segmento farmacêutico voltado para o público infantil a oferecer xaropes sabor abacaxi, pastilhas sabor morango para a garganta, balinhas mastigáveis de vitaminas, antissépticos para raladas no joelho que não ardessem etc.
Os xaropes eram mais amargos que jiló em conserva de boldo. "Você vai ver o que é bom pra tosse" é ditado surgido nessa época. "Remédio não é para ser bom, é para ser remédio" e "se tá ardendo é porque tá sarando" também eram frases "motivacionais"  muito ditas à petizada de antanho. E quando não amargos, nojentos, asquerosos. Os intragáveis óleos de fígado de bacalhau e de rícino. De provocar engulhos em urubu. Sem falar dos constrangedores e vexatórios supositórios de glicerina, com os quais muito moleque despertou para a sua sexualidade.
Porém, o que tanto nos apavorava numa visita ao pediatra nem eram os amargos remédios. O pior era a quase infalível injeção. "Dói, mas faz efeito mais rápido", nos diziam das injeções.
Na época, creio eu, não devia existir todo esse sortimento atual de antibióticos de segunda, terceira etc gerações, nem os seus acondicionamentos na forma de comprimidos ou de soluções. Era só a penicilina e na forma de uma dolorida injeção. A penicilina curava tudo. De tuberculose a unha encravada. De gonorreia a terçol. E era fatal : garganta inflamada? Injeção no moleque. A temida Benzetacil. Escreveu, não leu, a Benzetacil comeu. E depois dá-lhe compressa de água quente na bunda para desinchar o calombo. Uma semana sentando de lado e dormindo de bruços.
E se escapássemos da agulhada da benzetacil, havia ainda a atualização das vacinas. O médico do posto de saúde avaliava nossa carteirinha de vacinação e decretava uma nova dose dessa, daquela ou daqueloutra vacina, muitas vezes nos aplicada à sequência da consulta.
Como em nós tudo é condicionamento, se nos comportássemos durante a consulta e não abríssemos o berreiro na hora da injeção, recebíamos um reforço positivo pela nossa boa conduta, o médico, geralmente, nos presenteava com um pirulito. Que a meninada mais chegada ao supositório de glicerina deixava para "chupar" em casa.
Talvez a se lembrarem das suas infâncias e das suas idas ao médico, os integrantes de uma ONG estadunidense, de Washington, DC, resolveram aplicar as mesmas técnicas de condicionamento e reforço positivo para premiar os adultos que se vacinarem contra a peste chinesa e também tentar quebrar a resistência daqueles que não querem tomá-la, ou estão hesitantes em.
Às saídas dos locais de vacinação, cada bem comportado cidadão que se deixar inocular receberá da ONG não um pirulito como prêmio (o que só funcionaria para o segmento LGBT), mas sim um saquinho cheio de maconha. Orgânica, autossustentável, biodinâmica, cultivada com responsabilidade social e embalada à vácuo. Com o selo de aprovação do Ministério da Agricultura lá deles e vinda direto do Cannabis Belt.
O nome da Ong?
DC Marijuana Justice (DCMJ). Parece nome de grupo de super-heróis chapadões!
Pãããããta que o pariu!!! É a vacininha do capeta!!!
Vou apertar, mas não vou vacinar agora - berrarão os negacionistas e os adeptos das teorias da conspiração. Um amigo encontra com outro na rua e pergunta para onde ele está indo. O outro responde : estou indo ali, dar um tapa na vacina!
A ideia da Ong de maconheiros, é claro, é promover e alavancar a legalização do uso recreativo e medicinal da marijuana em todo território americano pegando carona no lançamento da vacina contra a praga chinesa, dizendo que a ciência que criou a vacina é a mesma ciência que há tempos comprova e exalta os benefícios do THC à saúde. Que se a população e os seus governantes confiam no que a ciência afirma a respeito da eficiência da vacina, também devem se fiar no que ela diz dos ganhos em se dar um tapa na pantera.
"Se você acredita na ciência que apoia a eficácia da vacina, , deve acreditar na ciência que apoia a cannabis medicinal", disse Adam Eidinger, um dos fundadores do ONG e o criador desta campanha, que, segundo ele, tem o objetivo de apoiar a ciência.
Nikolas Schiller, outro fundador do grupo, declarou à revista Forbes : "Estamos procurando maneiras de celebrar com segurança o fim da pandemia e desconhecemos algo que una mais as pessoas do que a cannabis".
Só sei que aqui, no Brasil, como diz o outro, isso não iria prestar. Se a moda pega por aqui, o que iria ter de malandro entrando duas, três, quatros vezes na fila da vacina, querendo a décima dose de reforço, dizendo que a vacina não "pegou, ou, no caso, que a vacina não "bateu", não estaria escrito no gibi. E ainda que estivesse, ninguém leria, usariam as páginas dos quadrinhos para enrolar e apertar um "fino"
Pãããããããta que o pariu!!!!

sábado, 16 de janeiro de 2021

Dieta Flexitariana. Que Viadagem é (mais) Essa?

Quando volto das minhas cada vez mais esporádicas e desanimadas caminhadas matutinas, passo pelos fundos de uma igreja evangélica, um grande pátio que serve de estacionamento para os veículos dos fiéis. Aliás, igreja, não. Uma puta duma igreja! Que ocupa um quarteirão quadrado inteiro. 100 m x 100m. 10.000 metros quadrados. Um hectare de louvor e devoção ao Senhor!
Pelo que é possível ver de fora - e que acredito ser apenas a ponta do Monte Sinai -, na sua parte da frente, a igreja é composta pela igreja em si - um grande salão em que são promovidos os cultos, com potentes e modernas aparelhagens de som no púlpito (que é pra Deus não ter a desculpa de dizer que não ouviu; Deus não é surdo, ele só está é cagando pra vocês) e um datashow ao teto -, e por um salão de festas contíguo, provavelmente destinado às festas de casamentos, aniversários, batizados etc, além de um grande e bem cuidado jardim; na sua parte de trás, aos fundos, o imenso e já citado pátio quadrangular a servir de estacionamento e cujo perímetro é todo guarnecido por uma variedade de lojinhas e biroscas. Lojas de "lembrancinhas", de artesanato, de artigos religiosos, uma sorveteria, uma lanchonete, uma boutique, um salão de cabelereiro e até um restaurante de comida caseira.
Um bem-sucedido complexo empresarial da fé, a tal igreja. Nada, é claro, se comparado ao que vi em Aparecida do Norte, por exemplo (ninguém sabe melhor capitalizar a fé que a Igreja Católica), mas, de qualquer forma, uma próspera franquia de Cristo.
Bem à entrada do estacionamento, pendurado em um de seus portões, um cartaz de propaganda (o que a viadada, hoje em dia, chama de banner) do restaurante, cartaz que é o motivo desta postagem e que anunciava orgulhosamente : temos culinária flexitariana.
Pãããããããta que o pariu!!!! Antes mesmo de me pôr a conjeturar sobre o significado daquilo, ato reflexo, pensei : vem aí mais uma picaretagem politicamente correta, ou seja, vem aí mais uma viadagem.
Então, durante o resto do caminho até minha casa, uma meia dúzia de quarteirões, fui dando tratos à bola sobre o que poderia ser a tal culinária flexitariana. O termo "flexi" só poderia vir da palavra flexível, cuja gama de usos é bem vasta, que se aplica a várias áreas e segmentos das atividades humanas, que é, digamos assim... bem flexível. No ramo automobilístico, o veículo flex é aquele que roda com gasolina, álcool, gás etc; no métier (e chupiér) LGBT, flex é o cara que dá e come, aquele que, antigamente, era conhecido como giletão. O "tariana" me pareceu vir de dieta vegetariana.
A seguir o mesmo raciocínio semântico-etimológico, um flexitariano seria o quê? Um vegetariano que, de vez em quando, surta e solta a franga e come um franguinho, ataca uma coxa e uma asinha? Um vegetariano pero no mucho? Não lá muito católico? Um vegetariano não praticante? Seria, o flexitariano, o cara que diz gostar só de cenoura, que garante escorregar só no quiabo, mas que, vez ou outra, às escondidas, também dá a ré num quibe?
Uma vez em casa, fui reverenciar e orar ao oráculo Google, que não me deixou sem respostas, que me revelou o acertado de minhas ponderações.
A dieta flexitariana, criada pela nutricionista e loira gostosa Dawn J. Blatner, não prega ou muito menos impõe a brusca, súbita e radical privação de carnes nas refeições. Propõe a redução gradativa, e ao gosto e ao ritmo do freguês, do consumo de proteína de origem animal em detrimento da de origem vegetal, e também a maior inclusão de fibras,vitaminas e minerais, também conhecidos por frutas, verduras, legumes e grãos.
A redução da proteína animal, inclusive, nem precisa chegar a zero; o seu consumo ocasional, em pequenas quantidades, no máximo em duas refeições semanais, é permitido. A dieta flexitariana até pode ser um caminho inicial para se chegar ao vegetarianismo, mas não tem nisso o seu objetivo. Carne, coma com moderação, talvez pudesse ser um bom lema de campanha para o flexitarianismo
Pelo que entendi, é um vegetarianismo mais relax. Mais à brasileira,  inclusive. Um vegetarianismo sem neuras, culpas ou encanações. Um zen-vegetarianismo. Tanto que a dieta flexitariana também é conhecida por semivegetarianismo. 
Ah, o prefixo semi-... sempre distorcido e corrompido de seu sentido original e usado para encobrir patifarias e trambicagens. Sempre desvirtuado de seu significado original e exato, o de metade, como em semicírculo, e tomado com o sentido vago, indefinido e mal-intencionado de "quase", "um tanto". Se prestando a adulterar, a maquiar e a nublar a real condição do termo que precede. Prestando-se ao papel de um rábula de defesa que desvia a atenção e o foco dos jurados apenas para as supostas boas qualidades de seu cliente como forma de eximi-lo da más.
Semijoia, por exemplo. Se é semijoia, também não é uma semibijuteria de latão? Carros seminovos não são também carros semivelhos? O semi- é posto a prefixar apenas a virtude. E pudera. Quem compraria uma semibijuteira? Ou quem se disporia a dispensar uns tantos mil reais por um carro semivelho?
Quem se assumiria um semicarnívoro? Já dizer-se um semivegetariano é até chique e benquisto em meios mais refinados, posudos e inteligentinhos, parece ser uma pessoa que está num processo de aprendizagem, de elevação espiritual, até. Para mim, o semivegetariano é o carnívoro enrustido. É o carnívoro que ainda não saiu do armário.
Se alguém vier tentar lhe vender um semiproduto qualquer, fuja. Ou até compre, mas fazendo a seguinte contraproposta : eu compro o seu semitreco se eu puder lhe semipagar.
Em defesa de sua indefinida dieta, Dawn Blatner diz que uma de suas grandes vantagens é que o seu adepto, em confraternizações, festas e churrascos com amigos, não precisa se tolher de comer o que todos comem, nem se sentir constrangido por isso, ele pode beliscar uma carninha. Ou seja, o flexitariano é o carnívoro de fim de semana. É o vegetariano que só come carne "socialmente". Feito o bêbado não assumido. O senhor bebe? Só socialmente, responde o pé de cana. Mas você não é vegetariano? Só como carne socialmente, responde o sujeito.
No fim das contas, a "inovadora" dieta flexitariana nada mais é que  o bom e velho onivorismo. O comer de tudo um pouco e nas devidas porções e proporções. Condição biológica, diga-se de passagem, à qual a Natureza nos programou. Temos aparatos mecânicos e bioquímicos para processar tanto matéria animal quanto vegetal; logo, nosso organismo necessita de componentes presentes nas duas.
Nova dieta é o caralho, nova proposta alimentar é o cacete! É como me ocorreu logo de cara : mais uma patifaria, mais uma enganação, mais uma conversa para boi (e saladinha de alface e quinoa) dormir, mais um pretexto para se vender livros e dvds; e como vendem essas desgraças!
Enfim, sobre dietas, dois sábios ditados (criados por mim mesmo) resumem a questão : "Dieta é coisa de quem pode se dar ao luxo de passar fome" e "Fazer dieta é reclamar de barriga cheia".
Dawn J. Blatner. Dando uma chupadinha num suquinho detox.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Algum Veneno Que me Dê Alegria

E se um dia 
Eu morrer de umas doses,
De cirrose,
Se da vida
Essa for a minha alforria,
Se eu morrer de folia,
Irei sereno
Feliz e sorridente na despedida.
Terei morrido
Não de doença
Ou de falência :
Do tiro de clemência
Do veneno
Que tanto me ajudou a suportar a vida.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Nas Nuvens

Há a vodka,
A querer me lançar
Para fora da órbita.
 
Há o suco de maracujá
Misturado a ela
A tentar me ancorar ao travesseiro.
 
Falta você,
O seu cafuné, o seu voto de minerva :
Para me deixar nas nuvens.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

O Cabelo Novo do Rei (Será que Ele Cortou no Jassa?)

O intrépido Bolsonaro, como todo e qualquer macho das antigas, volta e meia, tem que ir ao cabelereiro, ou, melhor, ao barbeiro : cadeiras Ferrante de ferro fundido, navalha na nuca e aqua velva na cara. E barbeiro barato, dez contos o corte, no máximo. Sem lavar o cabelo antes de cortar e sem secador! Mais que dez contos e massagem no couro cabeludo já é coisa de metrossexual!!!
Mas Bolsonaro, talvez preocupado com a contenção de despesas, com a lei de responsabilidade fiscal e com o cuidado em não dar dilmescas pedaladas, parece ter colocado o corte dos gastos públicos acima do corte do próprio cabelo. 
Ontem, surgiu assim, madeixas aparadas e repaginadas. 
É o novo cabelo do Rei! Mas diferentemente do conto dinamarquês em que todos fingem não perceber que o rei está nu, para não expor o monarca à vergonha e ao constrangimento, o sempre lúdico e gaiato brasileiro quer mais é que o rei se foda!
Comparações e memes zombeteiros já tomam de assalto a web. O novo corte de Bolsonaro é comparado ao de Lloyd, personagem de Jim Carrey no filme Débi e Loide, passando pelo corte de Justin Bieber em início de carreira, bonequinho do Playmobil, e culminando com o estilo de Joselino Barbacena, da Escolinha do Professor Raimundo.
De minha parte, acho que o Bolsonaro, repito, para não prevaricar da lei de responsabilidade fiscal, cortou o cabelo no Pombo, aquele que caga na sua cabeça; ou no barbeiro Bezerra, aquele que a vaca lambeu, ou ainda na Barbearia Quatro Irmãos : dois seguram, um corta e o outro fica dando risada !!!!!!
Pãããããããta que o pariu!!!!!
O que sei é que ele não cortou no Jassa! Nem no meu chapa Antenor Barbeiro!

Mate o Véio

"Mate o véio, mate o véio, mate o véio, maaaate o véio..."
O comunavírus ouviu e pensou que fosse com ele. 
O corpo e a barriga serão velados na boutique de Severina Xique-Xique.

Genival Lacerda
1931 - 2021

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Dias de Chuva São Para se Ficar em Casa (parte final)

“E seu meio-irmão Loki, deixou de querer destruir-lhe?”
“O Loki... Ele nunca quis me fazer mal, realmente. Ele é só o irmão mais novo querendo atenção. Ademais sendo adotado. Sabe aquele engraçadinho da família? Aquele que põe sal no açucareiro, aquele que amarra bombinhas no rabo do gato, que dá pra você uma bala com tinta dentro?” 
“Sei, sim.”, dei um gole e lembrei de que eu fui um desses na minha infância. 
“Pois é, Loki era dessas crianças travessas, uma criança travessa com as habilidades de um deus, mas ainda uma criança. Ele nunca teve chance alguma de causar mal real, a mim ou a Asgard. O danado é quem animava os almoços da família aos domingos. Pai Odin se fazia de sério, cerrava seu único olho em reprovação, ralhava com Loki, castigava-o, às vezes. Porém sempre gostou de suas momices.”
“E o que é feito de Loki, hoje?”
“Cresceu, mortal. De criança traquinas, verteu-se em adulto triste. Não apronta mais das suas, anda abusando do mulso, deve fortunas em todas as tabernas de Asgard. No começo, ele mandava o taberneiro pôr a despesa na conta do Pai Odin, mas depois descobriram seu embuste e ele é persona non grata em todo o circuito boêmio de Asgard. Aliás, beber e mandar a conta para Pai Odin deve ter sido sua última traquinagem, depois disso, nunca mais um sorriso demente foi visto em seu rosto.” 
“Sempre pensei que vocês fossem parecidos com as famílias Reais daqui, que ainda existem em certos países, cada membro tem lá uma espécie de salário, uma mesada. Vocês não têm?” 
“Já tivemos, mortal. E como já tivemos!!! Na ocasião, Asgard era próspera, luminar, os impostos nos chegavam aos borbotões. Hoje, além das atividades de subsistência, nada é produzido, a população empobreceu, Pai Odin desonerou os cidadãos da maioria dos impostos, mal temos para a manutenção do palácio - só conseguimos manter uma velha Troll que faz limpeza uma vez por semana -, quanto mais para mesadas e salários. Eu, felizmente, ainda tenho umas reservas, vou ter uma confortável aposentadoria”. 
“E como Loki faz pra beber até cair, pra encher o cu de mulso?” 
Pergunta oportuna, inclusive. Lembrei naquele momento que eu também não tinha dinheiro para pagar todas aquelas ampolas que Thor tava tomando, menos de vinte tivessem sido, até aquele instante, e eu cortava meu saco. 
“Não sei ao certo, perdemos contato há muito tempo e não se pode dar muito crédito ao que o povo comenta, povo adora uma maledicência. O corrente é que Loki anda de amizades com os deformados Trolls, que desce aos seus infectos subterrâneos e com eles bebe e dança a noite toda. Intoxica-se de uma imitação de mulso, um mulso clandestino produzido por tais anões. Espanto não seria, corre das más-linguas , que, logo, Loki passeie por Asgard pisando em cascos ao invés de pés. Pai Odin certa vez baixou um decreto proibindo a fabricação clandestina dessa bebida, asgardianos de menos posses a obtinham por contrabando, certos Trolls amealharam fortunas, mas o decreto não pegou e, hoje, como todos os asgardianos são de poucas posses, Pai Odin faz vista grossa – a única que Ele tem – ao contrabando. Ao menos, a bebida é uma maneira barata do povo aliviar as mágoas, a bebida entranhada na cultura de um povo é um excelente auxiliar para um Rei a governar miseráveis”. 
“E não tem jeito, Thor? Essa ruína de Asgard é irreversível, definitiva? “ 
“Sabe do que Asgard precisa há eras, mortal? Uma guerra. Uma guerra que deixaria as suas duas Mundiais, reunidas, a parecer briga de vizinhas. Uma guerra poria desenferrujadas todas as engrenagens, todos se mobilizariam, as forjas, novamente aquecidas, paririam armas reluzentes, os campos abandonariam sua menopausa, abasteceriam cornucopiosamente as despensas, resguardo para um possível cerco, as mulheres se reuniriam em torno de seus tachos e caldeirões e, em meio ao seu intrínseco falatório confuso e estridente, cozinhariam para seus guerreiros, preparariam emplastros e poções para curá-los, os guerreiros colocariam os dentes a tomar sol, beijariam suas mulheres ao sair e, à noite, ao seu retorno, teriam seus paus duros a oferecer, as crianças teriam o principal, amigo mortal, as crianças teriam esperança!!!"
 “Esperança, Thor? Que tipo de esperança uma guerra pode trazer?” 
“A melhor de todas, mortal! A esperança de ficar vivo!!! Numa guerra, todos se ocupam de permanecer vivos. Uma sociedade não dura muito tempo sem guerras. Tanto os homens como os deuses só caminham com uma espada em seus rins.” 
“E os inimigos clássicos de Asgard, Thor? Ymir, o gigante do gelo, Surtur, o do fogo?” 
“Há! Há! Há! Há! Sim, eles invadem ainda a sala do trono do Pai Odin. Surtur às terças-feiras e Ymir às quintas. Revezam-se em intermináveis jogos de xadrez com Pai Odin. A maior ameaça que representam é darem um xeque-mate no Todo-Poderoso.”, e o conteúdo de outra ampola desapareceu goela abaixo. 
“Você disse que não existem mais batalhas, certo?” 
“Certo. Ninguém mais quer invadir e tentar a posse de um reino em ruínas”, e botou uma tristeza enorme na face, tristeza de quem já sabia o que eu iria perguntar em seguida. E eu perguntei, fui cruel. 
“E como fica o maior momento da vida de um guerreiro como você? Não terá mais direito à glória do Valhalla? Nada de Valquírias peitudas a buscar seu corpo tombado na justa? Nada de batalhas ao dia e banquetes e orgias à noite sob o teto do castelo de Valhalla?”, achei que tinha pegado pesado, mas Thor pouco se importou. Que merda vale o comentário descuidado de um mortal? 
“Verdade todo o seu dito. Nada de Valhalla para mim e os que ainda vivem. Morreremos, sim. Pela falta de fé, morte lenta, agonizante, inglória. Morreremos como seus anciãos, prostrados em um leito, cagando-se e se mijando, sufocados em nossos excrementos. Sem batalhas, sem sangue, sem Valquírias em cavalos alados. As Valquírias, hoje, cuidam dos netos, fazem tricô e ganham peso, tornam-se velhas obesas, de peitos caídos, e felizes.” 
Se deuses fossem capazes de pranto, Thor teria chorado naquele instante. Arrependi-me da minha pergunta. Busquei desviar o assunto, consertar a situação. 
“Olha, Thor, vamos mudar de assunto, certo? Nós viemos aqui para nos divertir. Eu tô indo de novo ao banheiro e na volta trago mais duas ampolas pra você. E sabe aquelas duas maravilhas com quem conversei há pouco? Pois então, estão querendo te conhecer, perguntaram se não poderiam sentar aqui com a gente. O que acha de, depois de ir ao banheiro e pegar as ampolas, eu chamá-las?” 
“Faça como quiser, mortal. Aqui é seu reino.” 
Não foi resposta das mais animadas, mas tomei-a como uma afirmativa. A guerra traz esperança... Só na idéia de deuses. A possibilidade de uma boa buceta ao fim da madrugada é que traz. Mijei cantarolando e cantarolando cheguei ao balcão do Laércio para mais duas ampolas e uma long neck. 
“O teu amigo acabou de ir embora, falou que não era possível esperar por você, a coisa me pareceu uma emergência”, me informou tristemente o Laércio, mais umas duas horas e Thor teria limpado o estoque do bar. 
“Como assim foi embora? Por quê?”, e um início de remorso começou a se avizinhar. Será que ele se ofendeu com minha rude pergunta? Burro!!! Sempre fui burro!!! 
“Só o que ele me disse é recebeu uma convocação de um tal Pai Odin. Achei estranho esse negócio de Pai Odin, ele me pareceu um rapaz distinto, nunca pensei que pudesse mexer com essas coisas de macumba. E como esse Pai Odin falou com ele? Aqui ninguém entrou já faz quase uma hora e o rapaz nem celular tinha.” 
Tá certo. Para o Laércio, distinto é quem lhe dá lucro; nesse sentido, ele nunca terá freguês mais distinto que Thor; eu nem queria pensar na conta. E aquilo da macumba só podia ter vindo mesmo do Laércio, pensar que Pai Odin é uma espécie de pai de santo, orixá ou que tais, pai Ogum, mãe Oxum, oh misifio... Só na cabeça do Laércio. 
“Tá, tá, Laércio!!”, apavorei-me, como iria conseguir uma buceta? Thor era meu chamariz, “E o que esse Pai Odin falou pra ele?” 
“Não entendi direito, ele falou muito rápido, e que sotaque mais excomungado esse seu amigo tem, hein?” 
“Fala logo, porra. Desembucha, caralho”. 
“Parece que a casa deles tá sofrendo uma invasão, um assalto, sei lá, e o velho tá chamando todos os filhos em socorro. Mas sabe o mais engraçado? Uma invasão, um assalto, seqüestro ou sei lá o quê, é uma coisa triste, certo? E o rapaz disse isso com um enorme sorriso, como se tivesse ganho a mega-sena acumulada. Deve ser louco esse seu amigo.” 
“Tem certeza do que ouviu, Laércio? Asgard está sendo invadida?” 
“Ei!!! É isso mesmo, é esse o nome que ele falou, que nome estranho para uma casa, não acha? Onde fica essa porra?” 
Deuses têm deuses? Se sim, os deuses de Thor haviam atendido às suas preces. E torci, naquele momento, para que ele perecesse naquela batalha, provavelmente a derradeira de Asgard, torci para que ele se acomodasse no aposento que lhe é de direito no castelo de Valhalla e torci para que, todas as manhãs, uma Valquíria-camareira chegasse até ele com o café, trocasse as suas roupas de cama e fizesse-lhe uma boa duma chupetinha. Sorte para você, amigo. 
“O rapaz deve mesmo ser louco”, prosseguiu o Laércio, “ficou tão eufórico que, tá vendo aquelas duas boazudas ali?, enlaçou uma em cada braço, as levantou do chão, tascou um puta dum beijo em cada uma e saiu quase derrubando a porta.” 
Olhei para as duas e elas estavam mesmo com caras de quem foram beijadas por um deus. Pensei em ir até lá fora, mas sabia ser inútil. Naquele momento, Thor já estava em Asgard, ou a caminho de lá, todo feliz Fiquei feliz por ele. Eu não terei minha chance de batalha derradeira, não terei Valhalla e nem Valquírias peitudas e de tranças. E era hora de acertar a conta com o Laércio, hora mais temida que a do Ragnarok, ao menos por mim.” 
“Foram quatro long necks e 26 ampolas, das de 600 ml.”, proferiu Laércio seu veredicto final, sua condenação sumária. 
“Mas teu amigo deixou algo aqui pra te ajudar nas despesas”, disse Laércio e jogou , sobre o balcão, uma moeda amarelada, que fez um som pesado, maciço, ao chocar-se contra o granito. 
“Digo a você que é ouro puro.”, garantiu Laércio com a segurança de um numismata. 
“E como pode saber, Laércio?” 
Laércio pegou a moeda no balcão e cravou-lhe os dentes. 
“Tá vendo? É puro ouro.” 
Tudo bem. Se existe alguém que, no século XXI, é capaz de saber o ouro apenas mordendo-o, esse alguém tinha que ser o Laércio. 
“E deve ter quase uns cem gramas aqui.”, avaliou Laércio, movimentando sua mão para cima e para baixo, sopesando a moeda, “dá para pagar todo o meu estoque e ainda sobra para uma fodelança da boa com aquelas duas boazudas.” 
Peguei a moeda da mão do Laércio e a observei. A efígie de Odin, o caolho, em uma das faces e Asgard e sua Bifrost na outra. Fiquei contente em saber que a Bifrost era real, o teleporte devia ser apenas uma opção, uma opção mais rápida, menos poética. Um deus que paga suas contas, pensei, um deus honesto... Que decadência. 
“Tudo bem que eu possa comprar essa sua espelunca com essa moeda aqui, mas hoje vou ficar lhe devendo, vou guardar a moeda comigo. Faz as contas.” 
E o Laércio as fez. Com vontade. Com gana. Acho que acrescentou até os 10% do garçon. Não existem garçons no bar do Laércio. Ele tava muito afim de ficar com aquela moeda. O que eu tinha no bolso cobriu a quarta parte da despesa, o resto eu paguei na semana seguinte. E o Laércio nem exigiu que eu assinasse promissória ou algo do gênero. E não foi por amizade nem pela solidez de um cliente de 12 anos, nada disso. Ele sabia que eu não fugiria do seu bar, sabia que eu voltaria na semana seguinte. Esperto, o Laércio, sabia que eu não tinha outro lugar pra ir. 
Tentei, à saída, conversar com as duas gostosas. Disse-lhes que meu amigo tinha dado uma saidinha rápida e que logo voltaria. Propus que, enquanto isso, elas se sentassem comigo. Não as convenci. Perceberam minha mentira logo de cara. Ele disse que não voltaria tão cedo, elas me disseram. Valeu pela ajuda, Thor, amigão. Não seria ainda daquela vez que eu pegaria alguma coisa no bar do Laércio. Que se fodessem as duas, estavam pensando o quê?, que enfiassem aquelas bucetas no cu. 
Sem buceta, sem Valhalla, sem dinheiro... 
E a noite terminou muito mais triste do que começou. 
Não obstante, o céu, a caminho de casa, não exibia única nesga de nuvem; era quase possível divisar uma figura, com uma marreta à cintura, a caminhar de alma leve por sobre o imperceptível arco-íris noturno. 
O céu, a caminho de casa, estava estrelado. 
Soberbamente estrelado. 

As Palavras

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Bolsonaro, o Amigo dos Peixes

E ainda dizem, os seus desocupados detratores, que Bolsonaro não é um cara ecológico, orgânico e autossustentável, que o Mito não tem preocupações com os ecossistemas brasileiros. Que, antes pelo contrário, ele um meioambientófobo, um meioambientocida.
Aleivosias. Calúnias das ONGs ambientalistas verdes por fora e vermelhas por dentro, dos ecoafrescalhados que adoram ver o passarinho verde.
Não é só através de palavras que Bolsonaro expressa sua preocupação e o seu zelo pela preservação dos nossos ecossistemas, sobretudo o marinho, berço de toda a vida, mas também por seus atos.
Em 1º de janeiro desse ano, o Capitão fez um passeio de lancha em Praia Grande, litoral paulista, que incluiu um mergulho de profundidade para a apreciação da paisagem subaquática. 
A despeito do que dizem os seu difamadores em relação às supostas atitudes antiecológicas e covid-negacionistas do Messias, durante todo o mergulho, o Mito usou, sim, uma máscara. De mergulho. Máscara usada também para pular do barco e, a provar seus dotes de atleta, nadar até a praia em direção a apoiadores que passaram a se aglomerar na areia para vê-lo.
Ao contar do passeio, do mergulho e do nado até a praia, Bolsonaro disse:
 
Sabia que o tio estava na praia nadando de máscara? Mergulhei de máscara também, para não pegar covid nos peixinhos”.
 
O intrépido Bolsonaro matou dois comunistas com uma cajadada só : mostrou que está atento à pandemia da peste chinesa e também à questão ambiental.

Pequenos Trampolins Para Saltar Por Sobre os Dias

Dar uma caminhada,
Ajuda
O dia a passar;
 
Ir ao mercado,
À padaria,
Ajuda;
 
Varrer a casa,
Preparar o almoço,
Ajuda;
 
Ir ao banco,
Pagar as contas,
Ajuda;
 
Regar e adubar as plantas,
Transplantar novas mudas,
Ajuda;
 
Ir com o filho ao Zoo Municipal,
Ao Jardim Japonês,
Ajuda; 
 
Alimentar as gatas,
Limpar-lhes as imundícies,
Ajuda;
 
Tentar assistir a um filme,
Tentar ler um livro,
Ajuda;
 
Um novo sonho acordado,
Um novo engano, 
Ajuda;
 
Tomar um chávena de chá,
Um bule de café, 
Ajuda;
 
Mas 
Meia garrafa de rum
Ajuda muito mais.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Dias de Chuva São Para se Ficar em Casa (parte 4)

Acabei de falar e fechei os olhos. Esperando pela marretada em minha cabeça. A marreta de Thor versus minha cabeça. Seria uma briga das boas. A marretada não veio. Veio apenas uma pergunta, a mais prosaica de todas.
“Mortal, onde posso, nessa estalagem, aliviar minha bexiga?”
Inacreditável, tão inacreditável quanto a existência de deuses. Eu achincalhei o cara e ele só pensou em mijar. Ou ele não entendeu picas do que falei ou considerou que eu não valia uma marretada de seu Mjolnir. Indiquei o caminho. 
Quanto cabe de urina na bexiga de um deus? A humana, em média, comporta uns 600 ml, medida exata, coincidência ou não, de uma ampola. Minutos depois, ele reapareceu e o Laércio lhe acenou do balcão com uma ampola em cada mão e um sorriso inédito. Nunca tinha visto o porra do Laércio sorrir antes. Mas se alguém foi capaz disso, esse alguém só podia mesmo ser um deus, inda mais um deus que tomou umas nove ampolas em pouco mais de uma hora. O Laércio vai erguer um altar pra esse cara, pensei. E eu nem tinha terminado minha segunda long neck, já quente e choca. 
“Tudo bem”, retomei a conversa, aquilo estava atravessado em minha garganta, feito espinha de peixe, “então, quer dizer que se nós, humanos, deixássemos de dar tanta importância ao sexo, se conseguíssemos, sei lá, sublimar tal necessidade, poderíamos nos tornar deuses?”, e tentei dar um tom mais cordial ao circunlóquio, medo da marreta. 
“Sim, e isso não é evidente? Não apercebe-se de que é por essas e por outras que eu estou, palavras suas, de aviso prévio?” 
“Ainda não captei, Thor.” 
“Nós, deuses pagãos, sempre escondemos isso de vocês, esse potencial de vocês nublado pelo sexo. E aí, do nada, chegou o tal do cristianismo e revelou esse segredo. Revelou pela metade, é verdade, mas já o suficiente para encherem suas recém-erguidas igrejas. E sangrarem as nossas.”, e acabou com a décima primeira ampola, sem conseguir esconder um lampejo de intensa saudade em seus velhos olhos. Saudades de suas igrejas cheias, supus eu, da fé de seus seguidores entrando feito anabolizantes por suas veias. 
“Peraí, de novo. Não sou grande conhecedor do cristianismo, mas não sei nada dele dizer que podemos ser deuses, pelo contrário, é uma religião fascista, só aceita um deus.” 
“Por isso lhe disse que só revelaram o segredo pela metade. Deuses é claro que não, religião nenhuma seria louca de dizer que cada fiel pode converter-se em um deus, seria, expressão de vocês, dar um tiro no pé. Mas o cristianismo permite os mártires, os beatos, os santos. Começa a compreender? O que eles dizem? Rejeitem, abstenham-se da fraca carne e serão santos, serão erguidos acima do humano, do primata, estarão ao lado de deus. Entendeu, agora? Revelaram apenas uma parcela da verdade, a que lhes convinha, mas foi o suficiente para arrebanharem seus milhões, de fiéis e de moedas.” 
“E vocês, deuses pagãos, ficaram vendo tudo isso acontecer sem fazer nada para impedir? Devo dizer que não simpatizo com pagãos nem cristãos, mas porque não lutaram pelo poder?” 
“E, por acaso, dá, um velho, importância ao que um recém-nascido faz? Claro que não. Os recém-nascidos nos parecem inofensivos, não vemos neles os futuros canalhas do mundo. E foi isso. Ríamos daquele novo bando intitulado cristãos, fazíamos pouco caso deles, não achávamos que eles fossem capazes de revelar tal segredo ao povaréu, nem desconfiávamos de que eles soubessem desse segredo. Quando vimos, já era tarde. Nada mais havia para reverter. Quando um segredo é revelado, não adianta correr depois a desmentí-lo. No momento em que percebemos, já era tarde. Lá estavam aquelas hordas de cristãos açoitando as próprias costas com chicotes de pontas metálicas, amarrando a cabeça do pau até estrangular, confeccionando cintos de castidade para suas mulheres, que acabavam por traí-los pelo cu. Lá estava a primeira leva de santos assexuados a fazer milagres. Estávamos perdidos, mortal, irremediavelmente.” 
Era a minha vez de esvaziar a bexiga. Deixei Thor lá na mesa, iniciando sua décima quarta ampola. Enquanto mijava e mirava as esferas de naftalina no fundo do mijadouro, fiquei pensando no que aquele deus maluco tinha me dito, e tudo era muito coerente. Esvaziada a bexiga, sacudido o pau, peguei mais uma long neck com o Laércio. E mais duas ampolas pro Thor. Notei que o bar estava “lotado”, umas 30 pessoas, senão um recorde, perto disso. Assim que sentei-me à mesa, notei duas gostosinhas vindo e olhando em nossa direção. Nossa é o cacete. As duas passaram e tiveram olhos fixos só no Thor. E ele nem aí. Como nem fosse com ele. Quantas bucetinhas ruivas, macias e cheirando a bacalhau norueguês aquele cara já não tinha comido? Se ele acha que me convenceu com aquela lorota de que deuses não são afeitos aos prazeres sensuais, se enganou. 
Pois não são projeções otimizadas de seus fiéis, os deuses? Evidente que aquele cara curtia uma bucetinha, inda mais com um martelo daqueles. 
“Cristo, então, é o responsável pela derrocada de vocês todos, os pagãos. Vocês devem odiar esse cara.”, fiz-me de solidário ao deus em vias de extinção. 
“Cristo? Quem é capaz de odiar esse menino?” 
“Mas ele não tirou seus fiéis, não minou seus poderes?” 
“Quem disse isso a você, mortal? O cristianismo é que cortou nossos pescoços. O Cristo, não. Ele e o cristianismo não tem nada a ver um com outro. Usando outra de suas expressões, em nada se assemelham o cu e as calças.” 
Thor, sem aviso, levantou-se e se pôs-se a dançar ao compasso da música executada pela banda ao palco, um choroso blues, blues do Mississipi. E aquele ogro executou inusitados movimentos lentos, delicados e marciais ao mesmo tempo, chorosos como o blues que entupia o ambiente. Sabe-se lá em que ele pensava. Umas cinco mulheres, no mínimo, teriam se despido e trepado com ele, lá, no palco, se ele houvesse pedido. Terminada a música, passou pelo balcão do Laércio e rebocou mais duas ampolas até a mesa. 
“Conheci esse menino Cristo, mortal. Não tinha como não gostar dele. Um garoto de boa índole, gente finíssima, apesar do pai. Amigo dos amigos, chegado também numa taberna, sabia fazer um vinho excelente. Só um defeito: falava demais, adorava falar, não podia ver um montinho de terra, uma pequena elevação que fosse, e já se abancava em seus discursos, em suas histórias.”, e sugou mais meia ampola com uma expressão doce em seu rústico rosto, de quem fala das travessuras de um irmão mais novo, bem mais novo. Que idade teriam os deuses nórdicos? 
“Não pense”, continuou Thor, “que ele concorda com toda esse esquema, essa religião que estruturaram em volta de seu nome. Não concorda, não.” 
“Como assim não concorda?” 
“O menino foi um inocente útil, um bem-intencionado que teve seu carisma usado pelo próprio pai, carisma que o próprio pai já não tinha, o pai andava meio queimado desde o velho testamento. O velho Avohai não inspirava confiança há tempos, precisava de um novo marketing, e Cristo foi sua nova embalagem, seu cabo eleitoral. Quando o menino se deu conta, já era tarde, pregos o embutiam à grotesca cruz. Estive presente à sua crucificação, quis impedir, mas naquele lugar ninguém acreditava em mim, ninguém me conhecia, logo, eu era mais fraco que o mais fraco dos mortais presentes. Vi o menino ser pregado. Está registrado que um dos soldados deu de beber a Cristo, vinagre. Era vinagre quando foi colocado na cuia, era vinho ao tocar a boca dele. E adivinha quem fez a transubstanciação? Eu e Mjolnir também temos nossos truques. Era o mínimo que eu podia fazer pelo moleque. E o máximo, também. Mas meu vinho nunca foi tão bom quanto o dele. O meu dá uma ressaca desgraçada no dia seguinte.” 
“Tá, tudo bem, sei que Cristo não fundou religião nenhuma , foi Pedro, mas como sabe que ele não concorda?” 
“Já encontrei com o moleque várias vezes depois de seu calvário. E ele, acredite, arrepende-se do que fez. Se soubesse em que transformariam suas palavras, ele teria ido morar em algum confim do deserto com sua Madalena e quantos filhos Seu Pai lhes desse. Seu Pai, porém, vaidades de um velho canalha e decrépito, não estava disposto a ser avô.” 
“Encontrou com ele? Mas não é dito que ele ascendeu e tomou a direita de seu pai? Tá me dizendo que ele anda por aí?” 
“Sim, durante um tempo, ele ficou mesmo lá, ao lado do pai dele, mas nem Cristo tem paciência pro velho e, de vez em quando, sai para dar umas voltas, beber um pouco. E tentar entender o que fizeram com seu nome e palavras. Cada vez que ele passa defronte a uma igreja, ele chora compungido, de desgosto.” 
“Mas ele não pode simplesmente chegar até, sei lá, o Papa e desfazer tal equívoco, pronunciar-se mundialmente e dizer do real sentido de sua jornada?” 
“Há! Há! Há! Há! Cristo procurar o Papa? Acha que o moleque é louco? O Papa nem o receberia, chamaria sua Guarda Suíça e ordenaria que o botassem em camisa-de-força e o esquecessem nas catacumbas do Vaticano. Se o moleque contasse tudo o que sabe, acabariam as igrejas, e os sanguessugas do sangue de Cristo ficariam sem seus empregos, seus luxos, seus efebos, seus bordéis em Castelgandolfo.” 
Levantou como só um deus pode levantar, caminhou até ao balcão como só um deus pode caminhar e recebeu novo sorriso do Laércio como só um deus recebeu até hoje, eu nem sabia que o Laércio tinha dentes. Minto, sabia sim. Às vezes, ele rosna para alguns clientes. Voltou com mais duas ampolas e outra long neck. 
“Toma, amigo, lembrei de você.” 
“Diga, Thor, você encontrou Cristo muitas vezes?” 
“Sim, várias e várias. A última tem uns 300 anos, numa bodega na França. Eu cheguei e ele estava numa acalorada discussão com um janota de nome Descartes, estava ensinando ao cara sobre uma tal de dúvida racional ou coisa que o valha. Quando me viu, abandonou o almofadinha e me abraçou. Mortal, poucas vezes lembro de ter bebido tanto quanto àquela ocasião. O moleque é bom de copo. Mas percebi que ele bebia por tristeza, por desgosto. Ele estava lá, forte como um viking, forte como eu era quando tinha meus 1700 anos, mas extremamente frágil, derrotado pela culpa que sentia, a palavra dele se propunha ao esclarecimento e não ao controle, à tacanhez. Sabia, amigo mortal, que o moleque já se suicidou várias vezes, de remorso?” 
“Pára com isso, vai. Cristo, um suicida? Tá certo.”, dei um bom gole e varri o ambiente com os olhos, em busca de alguma incauta. Nada. A situação estava feia, normal no Laércio. As duas únicas comíveis só tinham olhos para o Thor, apesar de toda a feiúra dele, apesar daquele cheiro de pele podre de suas roupas. 
“Por que a descrença em minhas palavras, mortal? Vocês tem um caso parecido aqui na sua terra. Um inventor, eu acho. Criou essas máquinas voadoras e quando viu que elas estavam sendo utilizadas para matar pessoas, suicidou-se, não foi?” 
“É, é o que contam por aí”. 
“Pois então, o mesmo remordimento levou o moleque a se matar várias vezes, mas, no caso dele, isso não adiantava. Uns dias depois, ele sempre ressuscitava. Acabou desistindo de se matar, a última foi há uns mil anos.” 
“É bom ver que você não guarda rancor, Thor.” 
“E para quê? O moleque é gente boa, e a vez dele também vai chegar, como a minha chegou.” 
Uma das gostosas acenou pra mim, encostada em uma coluna, para que eu me aproximasse. Falei pro Thor que já voltava e a gostosa me perguntou se ela e a amiga não podiam se sentar à nossa mesa. Resolvi dar uma de difícil, até porque não era por mim que elas estavam meladas. Disse que meu “amigo” estava com graves problemas familiares e estava desabafando comigo, que não era o melhor momento para elas irem até nós. Voltei para a mesa; Thor já entornava, sei lá, a décima oitava ampola. 
“E como ficam vocês nessa situação de deuses esquecidos?” 
“Nós vamos tocando a vida, amigo mortal. Asgard ainda persiste. Não é mais a cidade dourada, mas conserva ainda seus atrativos. Nós somos deuses no banco de reservas, olhando os novos jogarem suas peladas. Não participamos mais de batalhas, quem iria querer combater sombras? Mas ainda encontro amiúde com Balder, Frandal e Hogun para uma noitada de mulso. O volumoso Volstag, quando a mulher e os doze filhos deixam, também se junta a nós e passa a noite a desfiar suas divertidas mentiras. Mas já não é a mesma coisa. E esses nossos colóquios se tornam cada ver mais raros, mais espaçados. Balder prefere se enfurnar em suas matas, com seus animais e plantas; Frandal não perdeu a habilidade, mas sua galhardia de espadachim o abandonou, tornou-se instrutor de esgrima para as crianças asgardianas, crianças que nunca chegarão a ser adultos, que nunca usarão suas instruções de espada para nada; Hogun, cada vez mais severo e circunspecto. O mais afortunado, nunca pensei dizê-lo, acabou por ser o imenso Volstag, com sua hedionda esposa e suas insuportáveis doze crias, sua família toma todo o seu tempo, ele não tem tempo para ficar remoendo glórias passadas.” 
Fiquei pensando no que Thor tinha dito, que seus encontros com os amigos estavam adquirindo uma folga cada vez maior. Tenho amigos que encontro, quando muito, uma vez por ano, bienalmente, alguns mais ainda. O que seriam encontros raros para deuses? A cada cem, mil anos... Preferi mudar de assunto, a melancolia se instala quando dizemos de amigos ausentes. Até mesmo num deus. 
(continua...)

domingo, 3 de janeiro de 2021

Cusqueña, a Boa e Barata Peruana

Eu a vinha observando há algum tempo, de soslaio, com olhadelas furtivas sempre que eu entrava numa quitanda aqui perto de casa, que também mantém, lá num canto mais ao fundo, um pequeno empório improvisado no qual são vendidos queijos, bacalhau, frutas secas e cristalizadas a granel, temperos e especiarias desidratados, grãos variados, esfihas pré-assadas, coalhada seca, tahine etc. 
Em meio a esse pequeno bazar de Istambul, ela, a cerveja Cusqueña, em sua lata dourada e rutilante com os imponentes Andes estilizados em seu rótulo. Cusqueña, que - demorou-me a cair a ficha - é o gentílico feminino para os nativos de Cuzco, Peru, nada mais nada menos que a antiga capital do Império Inca. Cusqueña, certamente confeccionada com a mais pura água de degelo dos Andes; provavelmente criada pelos mestres cervejeiros do imperador Pachacútec.
Apesar do fetiche e das fantasias que a exoticidade de uma estrangeira costuma suscitar em nossas libido e sem-vergonhice, não a comprei logo de cara, não capitulei de primeira à sua sedução. 
Não sou xenófobo. Tampouco e menos ainda xenófilo; não sou nem nunca fui paga pau e baba ovo de gringo. Sempre tive e trouxe cá comigo que produto importado não é, necessariamente, sinônimo de artigo de boa qualidade. Assim como o Brasil, o Peru, e qualquer outro país, deve produzir cervejas muito boas e cervejas muito ruins.
Além do mais, se por um lado, ainda que o preço pedido pela lata de 355 ml da Cusqueña na quitanda, é bem verdade, não se configure no desaforo, exorbitância e abuso cobrado por muitas importadas, por outro lado, também não a qualifica exatamente para figurar no panteão das minhas boas e baratas. R$ 2,95 a latinha.
Ontem, porém, ao passar minhas compras pelo caixa, notei uma latinha da Cusqueña colocada bem ao lado da máquina registradora, a propósito mesmo de promovê-la a cada um que por ali transitasse. Resolvi levar uma, apenas uma para experimentar e talvez guardar a latinha na minha pequena e confusa coleção. Perguntei pro cara do caixa, que também é o dono da quitanda, se a cerveja era boa. Disse-me que ele próprio não bebia, mas que a cerveja tinha uma boa saída, que vários fregueses que a experimentaram voltaram para buscar mais. Claro que ele não falaria que ela era ruim, nem sei por que perguntei.
Então, em seguida, ele baixou o volume da voz, modulou-a ao tom de quem conta um segredo, correu os olhos à volta e confidenciou que o preço de uma latinha era R$ 2,95, mas a data de validade do lote da Cusqueña expirara no dia 17/12, tanto que se eu a procurasse por ali, só encontraria mesmo aquela amostra no caixa, ele havia retirado o produto ali da área de vendas justamente por conta do seu vencimento, guardara tudo na câmara fria no fundo do estabelecimento e que, se eu quisesse, ele estava liquidando o produto por 10 reais cada fardinho com 6 latas.
Garantiu-me que, segundo o fornecedor, há uma margem de segurança de aproximadamente dois meses entre a data de vencimento impressa no produto e a sua real deterioração.
Porra!!! Na minha família, eu sou conhecido como o rei da mercadoria vencida. Tomo iogurte vencido, e é bom porque ele vira até uma coalhada de vez em quando. Como muçarela vencida, com aquela camada branca de fungo na superfície, e é bom porque paguei preço de muçarela e acabo comendo queijo brie. Macarrão, bolacha, chocolate, embutidos, gelatina, café... venceu a validade, eu traço!
Não iria, eu, tomar a Cusqueña? Vencida há nem duas semanas? Claro que eu iria! Fiz as contas na hora, ato reflexo. Dez reais divididos por seis : R$ 1,66666666.... a latinha de 355 ml!
Pããããããta que o pariu!!!!! Aí, fica fácil. Aí, é dar sopa pro azar. Pro Azarão! Comprei um fardo com seis latas.
Ao chegar em casa, antes de pô-las pra gelar, fui conferir as informações do rótulo e constatei que, de fato, tirara a sorte grande. A Cusqueña é puro malte do tipo Golden Lager, cerveja de um amarelo bem escuro, intenso, mais encorpada, frutada sem ser cerveja de frutinhas, 5,5% de teor alcoólico. Do mesmo tipo que era a Proibida Puro Malte da latinha preta, também boa e barata, substituída, desgraçadamente, por uma nova versão em uma lata dourada e branca : corram dessa, ainda que esteja em tentadora promoção, ela virou uma Pilsen das mais aguadas que já provei, pura água de batatas.
Uma vez gelada, deitei-a ao meu poderoso canecão e entornei. Que macho das antigas não degusta, entorna. Boa. Muito boa. Boa pra caralho. Boa igual à Juliana Paes na propaganda da Boa. E barata. R$ 1,66 a latinha. O gosto e odor lembraram-me também, além da já citada Proibida Puro Malte rótulo preto, um pouco a cerveja Cacildis.
Minha esposa, ressabiada e receosa de que a cerveja vencida pudesse lhe causar algum revertério colateral, preferiu não se arriscar. Melhor. Sobrou mais para mim.
Como ontem foi sábado e a quitanda só funciona até o meio-dia e hoje é domingo e ela não abre, não houve, infelizmente, como eu comprar mais uns dois fardinhos, pelo menos, um para o sábado à noite e outro para hoje. Mas amanhã, no mais tardar na terça-feira, eu volto lá, pãããããta que o pariu se eu volto. Para arrematar o estoque!!!

sábado, 2 de janeiro de 2021

Death to 2020

Uma retrospectiva cômica (se não fosse trágica) de 2020 concebida pelos mesmos criadores de série Black Mirror.
A ironia e o sarcasmo inglês na ponta dos cascos. O mais fino e perfurante humor britânico. Bom pra caralho! 
Uma produção Netflix.