terça-feira, 29 de junho de 2010

Vaticano Não Tem Mais Imunidade Para Comer Efebos

Trecho extraído de "Hoje em dia - Notícias"
WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou ontem uma apelação pela imunidade do Vaticano em um processo contra o Estado soberano católico pelas diversas transferências de um padre acusado de abuso sexual de crianças.

O Vaticano queria que as cortes federais americanas rejeitassem o processo que visa responsabilizar a Igreja Católica pela transferência do reverendo Andrew Ronan da Irlanda para Chicago (EUA) e, depois, para Portland, apesar das várias acusações de pedofilia.
A decisão permite que os sacerdotes acusados de pedofilia nos EUA sejam julgados e anula os efeitos das leis de imunidade soberana que determinam que um Estado soberano, incluindo o Vaticano, fique imune a processos judiciais. As cortes federais de menor instância determinaram neste caso que haveria uma exceção ao Ato de Imunidade Soberana Internacional que afetaria o Vaticano.
 
Deixa ver se eu entendi. Quer dizer, então, que cada igreja católica era uma espécie de embaixada do Vaticano em solo estadunidense? Um território livre para as orgias clericais? Que se um padre enrabasse um efebozinho dentro da igreja, ele só estaria sujeito às leis do Vaticano? Ainda que fosse. Mas por que as leis do Vaticano não punem os pedófilos? Antes de mais nada, registre-se: sacerdote é tudo filho da puta, seja da religião que for. Porém, há um outro lado dessa putaria eclesiástica, um aspecto nada ou muito pouco discutido e trazido à baila. Será que os padres são sempre os culpados dessa putaria toda? Ou, pelo menos, os únicos culpados? Adolescente, hoje, não tem nada de inocente, se é que um dia teve. Será que, em todos os casos, os padres são os grandes desvirtuadores? Sei não. Tem muito viadinho por aí que, por vontade própria, adora sentar numa jeba monástica, numa piroca benta, que fica com o cuzinho piscando frente (ou de costas, depende) à sensação do pecado, que, é fato, sempre aumenta o prazer. Deve ter muito viadinho assediando padre, muita bichinha não-assumida que vê na necessidade de sigilo do padre também a garantia de seu próprio sigilo.
Tudo bem que, sendo o padre um adulto e ocupando uma posição fundada na moral, ele deveria ser possuidor de um maior discernimento, mas a carne é fraca, o cara é falível, também.
Responsabilizar apenas os padres é análogo à questão das drogas ilegais, o traficante é o demônio e o usuário, tadinho, a vítima. No caso da padraiada, quem entra com o pau é o corruptor e quem entra com a bunda, o corrompido? Nem sempre. E tem mais : se o cara nasce com tesão na argola, não tem jeito, um dia alguém vai entubá-lo, seja o padre, o vizinho, o amigo da escola, o primo mais velho; em contrapartida, se o cara nasce com o brioco hermeticamente fechado, com o roscofe lacrado a vácuo, não tem quem adentre o recinto, pode usar do artifício que for, pode ter a lábia que tiver, não entra. 
Não estou aqui defendendo padre, não - já registrei, em meu favor, que sacerdote nenhum presta. Não estou defendendo ninguém, aliás. Padres, efebos... quero que todos se fodam. Até porque eles gostam, e se entendem muito bem lá entre eles. De qualquer forma, a rejeição da imunidade do Vaticano pela Suprema Corte dos EUA é uma significativa derrota da igreja católica. E é sempre bom ver a Igreja ser derrotada, ainda que nada mude.

domingo, 27 de junho de 2010

"Pais" Processam Mc Lanche Feliz

Um grupo de defesa dos direitos do consumidor de Washington (EUA) está ameaçando processar o McDonald's por causa da venda de brinquedos associada ao McLanche Feliz.

"O McDonald's está transformando as crianças americanas em um exército não pago de vendedores, que pedem para seus pais comprarem McDonald's", disse Stepehn Gardner, do Center for Science in the Public Interest, em carta aos diretores da rede em que anunciou o processo."

Será que é mais fácil processar o McDonalds que simplesmente dizer NÃO aos filhos? Que merda de sociedade é essa que vem sendo formada e que pede por uma intervenção estatal em sua própria casa? Por uma decisão oficial que dite o que seus filhos podem comer ou não?
Em outros e não tão longínquos tempos, esse tipo de interferência seria considerada um ato arbitrário, ditatorial, e combatida.
Hoje, as pessoas pedem que os Estados as tutelem, as vigiem.
George Orwell foi brilhante em seu "1984", onde preconizava um Estado controlador, mas errou no agente do controle, não será um sombrio e temível Big Brother a nos vigiar de telas em nossas paredes.
Orwell, na minha opinião, apesar da intenção de pintar um quadro terrivelmente opressor e asfixiante, foi otimista em seu "1984", ele supunha que as pessoas reagissem a tal controle, ainda que fossem impotentes para rompê-lo.
Não será um soturno e imposto Big Brother o nosso eterno vigilante, nosso controlador não será um carrasco. Será uma babá, uma babysitter, alguém a quem pediremos colo por pura preguiça de caminhar com nossos próprios pés. É a Super Nanny quem nos vigiará e nos ditará as regras mais absurdas. E somos nós quem estamos pedindo. É a Super Nanny Federal.
Orwell foi mesmo muito otimista em relação ao espírito combativo do ser humano
Mas será que esses pais estão mesmo preocupados com a nutrição dos filhos ou arrumando um jeito de levar uma grana numa provável indenização?
Tomara que esses pais ganhem o tal processo, e que o McDonalds os pague em espécie, milhares de bonequinhos do Ronald e seus cupinchas.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Ditadura Das Bandeiras

Está tudo embandeirado. As ruas, as portas dos estabelecimentos comerciais, os postos de gasolina, as janelas dos apartamentos, os supermercados, os bares, as escolas; as pessoas estão embandeiradas, as bundas, os cachorros de madame (é sério que vi um poodle com o pelo tingido de verde e amarelo) e os carros.
Sobretudo os carros, a mais evidente extensão do pau do dono do veículo, portanto há paus embandeirados por aí, também. Há bandeiras cobrindo os capôs dos carros feito caixão de herói de guerra, há bandeiras obstruindo a visão da janela traseira e, em muito maior número, bandeiras pequenas, em nylon ou matéria plástica, hasteadas nas antenas ou em varetas adaptáveis ao espaço entre os vidros laterais e a capota.
Antes que alguém coloque a bandeira nacional na enorme lista das coisas de que não gosto, devo dizer que nada tenho contra a bandeira : se sua ostentação fosse de uso costumeiro, se a figura de lema positivista fosse presença rotineira na vida das pessoas. Abrindo um parênteses, a única coisa que me desagrada no nosso "lindo pendão da esperança" é justamente o "ordem e progresso", o tal positivismo me parece coisa de autoajuda.
O estadunidense age assim, a bandeira americana é onipresente em seu dia-a-dia, para onde se olhe, a bandeira lá está. Também não simpatizo com esse patriotismo quase fanático, mercadológico, inclusive, mas ao menos é coerente.
No Brasil, não. Aqui o nosso "símbolo augusto da paz" só é desfraldado na copa do mundo de futebol. A bandeira, aqui, não é símbolo da nação, é símbolo do futebol.
Aí eu fico puto, mesmo. Por que não fazer tremular "o lábaro que ostentas estrelado" em outras situações que não o futebol? Foi promovido no emprego? Tremule a bandeira, merda! O filho tirou notas melhores na escola? Tremule a bandeira, caralho! Um político foi exonerado a bem do serviço público? Tremule a bandeira, porra! A mulher não teve TPM esse mês? Tremule a bandeira, ora essa! O intestino e o pau andam a bem funcionar? Tremule a bandeira, tremule e tremule.
Mas não! É só na bosta do futebol.
Então sou tomado por ganas de me lançar numa ação subversiva contra esse patriotismo da bola. Tem me dado vontade de encher a cara e sair à rua, de madrugada, com meu passo de gato manco, carregando um isqueiro BIC no bolso - eu que piromaníaco fui na infância e desenvolvi várias técnicas de atear fogo em terrenos baldios.
Eu percorreria as ruas e iria ateando fogo em cada bandeira que eu encontrasse acoplada a um carro. Fico me imaginando como uma resistência solitária a essa ditadura das bandeiras. Em meu delírio justiceiro (e justo), vejo ruas e avenidas se estendendo por quarteirões e mais quarteirões de bandeiras a crepitar e derreter, uma trilha flamejante na brenha da noite sem lua, aberta a golpes de isqueiro; eu, o portador da chama.
Claro que - infelizmente - não sairei pela madrugada a brincar com pirotecnias. Na verdade, não vou nem mesmo encher a cara.
Contudo fica registrado meu desejo e, quem sabe?, lançada uma ideia. Para os mais corajosos que eu, para os que ainda são do fogo.

Acabou, Ainda Que Continue

Gregory House m.d. FOI talvez o personagem mais cáustico da história dos seriados da TV americana. A série teve uma temporada de estreia surpreendente, as segunda e terceira temporadas fantásticas e inigualáveis e uma quarta e uma quinta temporadas bem acima da média do gênero.A série encerrou hoje sua sexta temporada, fraquíssima.Nela, resolvem tornar House bonzinho, o livram da hidrocodona, um médico que não usa drogas, onde já se viu? Um House preocupado, vejam só, em ser feliz. E o que é pior, agradar os outros para chegar a isso.O cara só se fodeu a temporada inteira em episódios mais que previsíveis e nos quais nada de significativo acontecia, virou um novelão, mas restava-me a esperança de um último episódio redentor.Ele resolveria mandar às favas todo seu inútil esforço de se enquadrar, voltaria a se dopar de Vicodin, a fazer suas piadas racistas e sexistas, a olhar descaradamente para o traseiro da Cuddy, a filar o almoço e sacanear o Wilson. E a resolver genialmente os casos mais obscuros da medicina.E tudo indicava um retorno à boa e velha origem, já que tentando ser "correto", sua infelicidade mais e mais se agravava. No penúltimo episódio, mandou o psicólogo à puta que o pariu.Para resumir a história, e a minha decepção, na cena final do episódio de hoje, o final, House tava lá, todo machucado, fodido, estropiado, rejeitado e o caralho; sentado no chão do banheiro e com duas drágeas da boa e velha hidrocodona na mão, prestes a repetir o gesto de arremessá-las à boca, um clássico do personagem.Aí chega a Cuddy, a que passou as seis temporadas sem cagar nem desocupar a moita. Chegou a Cuddy, a buceta. E buceta é problema, sempre foi. Daí pra frente, foram uns três minutos do mais puro "água-com-açúcar". The End : o episódio final da temporada, o que deveria salvar todos os outros, o fodão, acaba com a câmera fechando num close de duas mãozinhas dadas, entrelaçadas, as de House e Cuddy.Lamentável.Acabou o House. Mas a série ainda deve continuar por aí, mais umas duas ou três temporadas.Um minuto de TV desligada e uma respeitosa dose de bourbon em memória do morto. Com duas drágeas de Vicodin.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sou O Guardião Da Caverna

Verifico várias vezes se as portas do apartamento estão trancadas antes de sair à rua ou ir me deitar. Várias vezes, mesmo. Três, quatro, oito, varia, mas sempre muitas.
E não são só as portas. Também checo se a válvula do gás está fechada, se o ferro de passar roupa está fora da tomada, se a porta da geladeira está de acordo, se as luzes de cada cômodo estão apagadas, se os ventiladores estão de hélices paradas, se as torneiras das pias, tanque e chuveiros não estão a pingar, se as gatinhas estão em seus lugares.
Várias vezes tudo!
Aí vêm as dondocas e os viadinhos da psicologia dizer que eu tenho uma doença e que ela se chama T.O.C. (transtorno obssessivo compulsivo), toque é o que esses pederastas gostam de levar no rabo. Mais uma vez, esses inúteis da psicologia se metem em assuntos que não conhecem nem lhes competem. Se bem que se os psicólogos parassem de se intrometer no que não sabem, a psicologia acabaria.
O caralho que eu tenho uma doença, ainda mais psicológica. Caralhos duplos!
O que eu tenho é uma virtude, uma habilidade ancestral, e ela é genética.
Sou descendente da linhagem dos guardiães das cavernas, sou herdeiro dos genes dos protetores dos clãs pré-históricos.
Os guardiães eram quem alimentavam o fogo, ao longo da madrugada, para manter os predadores afastados, também controlavam o estoque de provisões do clã. Eram eles que se punham às entradas das cavernas, a guardar o sono da tribo com suas lanças em riste.
Querem maior honraria que essa? Ser o depositário de toda a confiança de um clã? Tem que se confiar muito nas habilidades de alguém para nomeá-lo guardador de seu sono e dos sonos de seus familiares. Não era qualquer um a receber tal distinção. Somente aos descendentes de uma alta estirpe com habilidades especiais era dada tal comenda.
Habilidades geneticamente determinadas, é claro, lógico, óbvio e ululante!
Uma vez que, à época, para a sorte da espécie, não havia escolas profissionalizantes para guardiães de cavernas; tampouco havia, para sorte ainda maior da espécie, uma sorte quase inacreditável, faculdades à distância formadoras de guardiães da caverna. Se existissem, a espécie humana não teria chegado até aqui.
Portanto, habilidades genéticas, sim!
Agora vem um bando de afrescalhados, chupadores de charuto, comedores de merda e de mães, dizer que eu tenho transtorno? Transtorno têm as putas que os pariram e os aleitaram.
Graças aos de minha cepa é que todos chegaram até aqui, inclusive os efebos da psicologia; se hoje eles podem dar tranquilamente seus rabinhos bem cuidados é porque alguém conduziu a espécie até aqui : os meus, os de minha ascendência!
Atualmente, não há mais tigres-de-dentes-de-sabre rondando as portas nem mais a necessidade de não deixar morrer a fogueira.
Não há problema : enceno, todos os dias, digna e honradamente, o meu ritual genético, o rito da minha linhagem.
Ah, sim...
E com a lança eternamente em riste !

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Alvoreceres Não Muito Esperançosos

- Você parece velho...
- Estou velho.
- Fraco, cansado...
- Estou fraco e cansado, tanque na reserva.
- Engraçado... nem parece a mesma pessoa.
- Ora, e não era precisamente sobre isso que falávamos?

Sou Falso Como Cobra Coral (a falsa)

Camuflagem e mimetismo são recursos visuais adaptativos dos quais os mais fracos lançam mão para confundir e fugir dos mais fortes, são logros morfocromáticos para enganar os predadores. Embora sejam tomados muitas vezes como sinônimos, e realmente existam casos intermediários de difíceis definições, camuflagem e mimetismo são conceitos bem distintos.
Na camuflagem, o animal se entremeia ao entorno, solo, rochas, folhagem, fundo de um rio ou mar; no mimetismo, ele imita uma outra espécie em particular. A camuflagem evita a detecção da presa; no mimetismo, ela é detectada, porém identificada como outra, não apetecível ao predador.
Dos vários tipos, o meu preferido é o mimetismo batesiano, onde um animal de gosto agrádavel e sem recursos mais ofensivos de defesa, como um veneno ou odor nauseabundo a exemplos, imita a forma e as cores de outra espécie, essa, sim, não-palatável, ou de odores fétidos, ou peçonhenta.
É o que ocorre entre a borboleta Monarca, de gosto amaríssimo, e a borboleta Vice-rei, de gosto agradável, mas que, ao imitar os padrões cromáticos da primeira, se safa lépida e faceira dos predadores, que nem desconfiam do bom prato que deixaram bater asas.
Outro caso, o meu predileto, é o da falsa coral - cobrinha raquítica, franzina, sem peçonha, uma merdinha que não aguenta um peido -, que imita os anéis vermelhos, pretos e amarelos dispostos ao longo do corpo da coral verdadeira, dona de uma das mais mortíferas peçonhas da natureza. Não é uma imitação perfeita, há sutil diferença na sequência de cores entre a falsa e a verdadeira; na dúvida, os animais maiores fogem da falsa coral e predadores não a importunam.
Eu também sou uma espécie de falsa coral, também mimetizo um animal muito mais forte e perigoso que eu. Mimetizo a mim mesmo, sou um cover de mim.
De mim há uns 4, 5, 10 anos, quando verdadeiramente eu era casca-grossa, espinhento, intragável, indigerível, áspero e não havia soro para a minha peçonha, eu era um perigo real e imediato.

Mas aí vieram o tempo, o cansaço, a constatação da falta de talento, a depreciação do material humano que me cai às mãos e com o qual eu trabalho, a testosterona já mais baixa, os dentes e garras já mais quebradiços e a fatal indiferença.
Não quero mais briga, contudo não quero virar presa, e a selva lá fora continua implacável, alheia aos cansaços e desânimos pessoais.
Então imito o que eu era para manter afastados possíveis desafiantes, doidos para usurpar meu cetro. Enceno, a cada momento, meus tempos glórios de força, competência e honestidade, atuo canastrão. Sou um álbum ambulante de velhas fotografias minhas, fotografias em branco-e-preto de lambe-lambe.

Sou, a bem da verdade, um canalha, mas fazer o quê? Faltam-me forças. Como à borboleta Vice-rei. Como à falsa coral.
Algumas pessoas chegam a desconfiar do meu embuste, notam sutis diferenças no padrão - como igualmente as há entre as duas corais ou entre as duas borboletas -, entretanto, por via das dúvidas, vítimas da minha peçonha que já foram no passado, preferem não se arriscar. E mantêm de mim a distância que eu tanto prezo.
Sou um caso de automimetismo batesiano, se é que isso existe.
E essa minha empulhação vem funcionando, satisfatoriamente.
Por enquanto.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ateus Em Luto

O pequeno, não obstante estóico, exército ateu sofreu hoje uma baixa mais que considerável.
Morreu José Saramago, o ateu prêmio Nobel, aos 87 anos.
De acordo com nota oficial, deixada pela família no site do escritor, Saramago morreu em consequência de falência múltipla dos órgãos. O autor sofria de problemas respiratórios. "O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", disse o comunicado oficial.
A informação foi dada em primeira mão à agência de notícias EFE pela família do escritor, que era um dos maiores nomes da literatura contemporânea e vencedor de um prêmio Nobel de Literatura e um prêmio Camões.
Entre as obras publicadas por Saramago estão: "Manual de Pintura e Caligrafia" (1977), "Levantado do Chão" (1980), "Memorial do Convento" (1982), "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (1986), "A Jangada de Pedra" (1986), "História do Cerco de Lisboa" (1989), "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (1991),"Todos os Nomes" (1997), "O Homem Duplicado" (2003), "As Intermitências da Morte" (2005) e "Caim" (2009).

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Os Heróis Também Querem Se Aposentar

Não vou debater nem tentar desvendar os porquês : as pessoas precisam de heróis, e ponto.
Pobres dos heróis, que não tem trégua ou sossego. Há sempre algum incapaz precisando do herói; deve se assemelhar a ser santo, mas de ser santo nada entendo, logo não me aventurarei por tais domínios.
O herói é refém daqueles que defende, protege, empresta uma grana, quebra um galho no serviço, põe o nome num trabalho de escola. E uma vez herói, tchau! Herói para sempre. Ajude um filho da puta uma vez e ele nunca mais o deixará desvestir seu uniforme, sua máscara.
Os heróis não têm superpoderes porque querem ou porque se esmeraram em conseguí-los; antes pelo contrário, se livrariam deles de muito bom grado. O herói tem poderes porque é um azarado.
O herói a nada tem direito.
O herói, porque as pessoas precisam dos heróis, tem que estar sempre com vontade de viver, não pode ficar triste ou cabisbaixo, o herói.
O herói, porque as pessoas precisam de heróis, deve manter-se jovial ou, na pior das hipóteses, envelhecer dignamente.
Quer maior maldição que essa? Não poder envelhecer indignamente como todo mundo?
Via de regra, o cara vai ficando careca, barrigudo e broxa quando ultrapassa os 40, 50 anos. Torna-se aquela figura ridícula, porém calma, tranquila, sem o menor pudor de exibir seu barrigão na rua. É o cara que já se desapegou de tudo, que já teve da vida o que dela esperou, ninguém é tão livre quanto ele. Não há figura mais representativa da serenidade, do zen, que o cara que não quer mais nada, não há símbolo melhor da placidez que o cara careca, barrigudo e broxa.
O herói, não, coitado. Tem que sempre ostentar um baita topetão (no máximo são admitidos uns fios grisalhos ao herói), manter uma forma física ágil e esguia (é obrigado a controlar a cerveja) e estar perenamente de pau em riste.
O herói, porque as pessoas precisam dos heróis, também não se aposenta. Houve apenas um relato de aposentadoria de herói, mas já faz tempo e não criou jurisprudência, que foi o caso daquele rapaz grego, meio bronco, o tal do Héracles, que recebeu a encomenda de 12 trabahos e se aposentou.
Que sorte a desse grego, 12 míseros trabalhinhos e já encostou o burro na sombra, já virou pensionista da previdência do Olimpo. É que o cara era meio que lá aparentado de Zeus, então gozava de certo prestígio e influência nos altos escalões.
Mais um caso de nepotismo no Olimpo, que era uma grande duma repartição pública, mantida pelas oferendas e sacrifícios do povo grego, para servir de cabide de emprego aos bastardos de Zeus. Grandes festas, regadas a néctar, ambrosia e bucetinhas de deusas, eram realizadas às expensas do povão. É a democracia grega em ação, não à toa ela é adotada pelos governantes atuais.
Exceto Héracles, herói não aposenta. Nem tem bucetinha de deusa à disposição.
Por isso, francamente, eu torço por uma futura humanidade mais capaz, mais ativa, mais independente. Uma humanidade que não precise de heróis.
Só assim eu terei descanso.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Injusta Medida

O corpo já não se ajusta à roupa,
Seca, áspera,
Pele morta de réptil a ranger e importunar.

O corpo já não se ajusta ao conforto,
Ao sofá, à cama, à cadeira,
À espuma, ao veludo, à madeira,
Tudo é falta de lugar.

O corpo já não se ajusta à evolução,
Ao bipedismo, ao polegar oponível, ao sedentarismo,
À inteligência sem razão :
O corpo só quer um galho para se balançar.

O corpo já não se ajusta ao corpo;
Ao esquecimento, se ajustará?

domingo, 13 de junho de 2010

Mande Um Abraço À Bukowski

Hoje será mais uma madrugada daquelas,
Quilométrica e de ponteiros parados.
E você nem está mais bêbado,
Está doente de bebida.
Que entornou desde o seu café da manhã
Sem pão quente e margarina feliz.
Precisa de mais um trago para começar a funilaria,
Desamassar cabeça, estômago, desentortar as juntas,
Curar veneno com veneno,
Chegar em casa.
Mas não há bar, puteiro,
Posto de gasolina ou padaria abertos em seu caminho.
E você maldiz essa cidade
Que parece ter sido projetada pelos A.A.s
Também não há solitário níquel em seu bolso.

O dia será mais um daqueles,
Locomotiva feita em concreto e plasma
A moer suas córneas e a cegar seus ossos,
Uma rasa poça de ácido sulfúrico a lhe comer pelas solas.
Será dia de cartelas de aspirina ingeridas
E vomitadas sem terem tempo de surtir efeito,
De cãibras no estômago, na consciência e na alma,
De exorcistas suores frios.
E sem a mais vaga esperança de ser essa a última vez.
Nada de esperanças: você sabe que vai sobreviver.
Oh, sim!
Com todos os demônios, você vai sobreviver!

sábado, 12 de junho de 2010

Essa Copa Não Passa Na Globo

Mais uma prova de que eu não sou tão mal-humorado quanto dizem. E que até posso vir a ser um simpatizante do velho esporte bretão, desde que ele sofra alguns ajustes, algumas adaptações para agradar ao público verdadeiramente macho. Porque sinto muito dizer (sinto porra nenhuma), mas ficar berrando histericamente durante duas horas por causa de um bando de homens suados correndo atrás de uma bola, não me parece muito coisa de macho legitímo, não.Hoje, véspera do jogo Austrália x Alemanha, foi realizada uma partida prévia erótica da contenda. As seleções formadas por atrizes pornô dos dois países disputaram uma partida de futebol de praia.A vencedora foi a Austrália. Também pudera. Basta ver as fotos para ficar claro que as australianas - elas "vestem" as camisas amarelas - são realmente bem melhores de "bola".
Tadinha das japonesas... não têm a menor chance nessa Copa Erótica (aliás, o Japão está nessa copa?)
A propósito : tenho certeza de que foi o Galvão Bueno quem barrou a transmissão desses jogos na Globo, ele ficaria enojado e com ânsias de vômito caso tivesse que narrar as partidas.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Da Merda, Vieste. À Merda, Tornarás.

Detesto aquele papo doutrinário, chegando às raias do fundamentalismo, dos ecochatos: ecologistas, ambientalistas, biólogos sem serviço, artistas engajados e biscataiada em geral.
Totalmente despropositado isso de ficar condenando ao inferno o cara que não tá afim de separar o lixo, o cara que não compra detergente biodegrádavel, que deixa lá a sua torneirinha aberta enquanto escova os dentes, que está no quarto e deixa a luz da cozinha acesa, que continua usando sacolas plásticas de supermercado, e que se recusa a aderir a inúmeras outras "soluções" para salvar o planeta, quando o buraco, na verdade, é bem mais embaixo. Será que nenhum desses ecopentelhos têm carro? Será que todos andam a pé ou de bicicleta? Então vão todos tomar em vossos cus verdes.
Mas o fato é que, independente dos ecomalas, os recursos naturais são finitos. Um dia vão mesmo acabar. Portanto, enquanto o ser humano não for capaz de colonizar outros planetas (como os europeus fizeram com as Américas na época dos descobrimentos), o negócio é reaproveitar tudo o que for possível.
Inclusive a merda humana.
Sim, a merda humana já é insumo de muitas atividades econômicas.
Duzentos milhões de camponeses, especialmente da Ásia, são responsáveis pela produção de 10% de todo o alimento mundial, e irrigam e fertilizam suas culturas com esgoto cru. Cada tonelada de merda humana tem 6 quilos de nitrogênio, 2,5 de fósforo, 4,2 de potássio, entre outros macronutrientes.
Quinze milhões de lares na China rural conectam suas privadas a um biodigestor e poucas horas depois de terem dado a descarga, podem cozinhar seu almoço.
A Alemanha já transforma 60% de suas fezes à base de chucrute em energia.
Na Suécia já há carros movidos a merda; a cidade de Linköping transforma todo o esgoto de seus habitantes no biogás que movimenta os 64 ônibus do lugar e também o primeiro trem impulsionado a bosta do planeta, que tem autonomia de 600 quilômetros.
No Reino Unido, 70% do lodo de esgoto tratado vai para a agricultura, e só não dá para substituir todo o fertilizante artificial por merda porque não produzimos o suficiente, garantem os técnicos da empresa responsável pelo tratamento do lodo.
Aliás, é do Reino Unido a possível utilização mais sui generis da merda reciclada. A empresa britânica Thames Water, responsável pela limpeza do rio Tâmisa, afirma que da merda - que tem cerca de 4% de gordura - é possível produzir batons e outros cosméticos de alta qualidade.
Puta que o pariu!!!
Cada privada de uma casa é um verdadeiro pré-sal de cocô.
Mas vejam só que mundo é esse...
Um mundo cheio de injustiças, desigualdades, iniquidades...
E, logo, logo, um mundo onde não haverá diferença entre beijar uma boca ou lamber um cu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Luiz Felipe Pondé, Curto e Grosso. E brilhante.

Sou professor de Biologia e as pessoas muitas vezes estranham - até se indignam - quando desço a lenha, por exemplo, nessas ONGs ambientais, quando descobrem que eu não "abraço" essas causas ecológicas, quando digo que não amo os animais (salvo minhas duas gatinhas), se horrorizam ao saber que considero enorme desperdício de dinheiro bancar projetos para salvar espécies esdrúxulas como o panda, ou o coala, ou o mico-leão. Também não faço pregação panfletária antidrogas, não falo de métodos anticoncepcionais e nem fico enchendo o saco dos alunos ensinando-os a reciclar lixo ou a economizar água, os pais que façam isso. Se quiserem.
Não tenho ideais de salvar o planeta. Tampouco a humanidade.
E por que eu teria de aderir a essas e a outras inúmeras causas "humanitárias"?
Por que fiz uma faculdade de Biologia e alguém resolveu que esse seria meu castigo?
Por que eu tenho que assumir o estereótipo de meu diploma?
À puta que o pariu que tenho.

No texto abaixo, publicado na Folha de São Paulo, em 07/06/2010, Luiz Felipe Pondé trata brilhantemente dessa questão:

"Respondo assim, de bate-pronto, a um aluno: "Não, não tenho nenhum ideal". Silêncio. Talvez um pouco de mal-estar. Todos ali esperavam uma resposta diferente porque todo mundo legal tem um ideal.


Eu não tenho. É assim? Confesso, não sou legal, nem quero ser. Duvido de quem é legal e que tem um ideal. Esperança? Tampouco. E suspeito de quem queira me dar uma.

De novo respondo assim, de bate-pronto, a outro aluno: "Não, não quero mudar o mundo, nem mudar o homem, muito menos a mulher, a mulher, então, está perfeita como é, se mudar, atrapalha, gosto dela assim, carente, instável, infernal, de batom vermelho e de saia justa".

Mentira, esta última parte eu acrescentei agora, mas devia ter dito isso também. Outro silêncio. Talvez, de novo, um pouco de mal-estar. Espero que falhem todas as tentativas de mudar o homem.

Não saio para jantar com gente que quer mudar o mundo e que tem ideais. Prefiro as que perdem a hora no dia que decidiram salvar o mundo ou as que trocam seus ideais por um carro novo. Ou as que choram todo dia à noite na cama.

Tenho amigos que padecem desse vício de ter ideais e quererem salvar o mundo, mas você sabe como são essas coisas, amigo é amigo, e a gente deve aceitar como ele (ou ela) é, ou não é amizade.

Perguntam-me, estupefatos: "Mas você é professor, filósofo, escritor, intelectual, colunista da Folha, como pode não ter ideal algum ou não querer mudar o mundo?".

Penso um minuto e respondo: "Acordo de manhã e fico feliz porque sou isso tudo, gosto do que faço, espero poder fazer o que faço até o dia da minha morte".

Perguntam-me, de novo, mais estupefatos: "Mas você está envolvido no debate público! Pra quê, se você não quer mudar o mundo?".

Sou obrigado a pensar de novo, outro minuto (afinal, são perguntas difíceis), e respondo: "Participo do debate público pra atrapalhar a vida de quem quer mudar o mundo ou de quem tem ideais".

Os intelectuais e os professores pegaram uma mania de ser pregadores, e isso é uma lástima. Inclusive porque são pessoas que leem pouco e que são muito vaidosas, e da vaidade nunca sai coisa que preste (com exceção da mulher, para quem a vaidade é como uma segunda pele, que lhe cai bem).

O que você faria se algum professor pregasse o evangelho ao seu filho na faculdade? Provavelmente você lançaria mão de argumentos do tipo que os intelectuais lançam contra o ensino religioso: "O Estado é laico e blá-blá-blá... porque a liberdade de pensamento blá-blá-blá...". Se for para proibir Jesus, por que não proibir qualquer pregação?

Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo em sala de aula e toda aquela bobagem de luta de classes e sociedade sem lógica do capital? Isso não passa de uma crendice, assim como velhas senhoras creem em olho gordo.

Nas faculdades (e me refiro a grandes faculdades, não a bibocas que existem aos montes por aí), torturam-se alunos todos os dias com pregações vazias como essas, que apenas atrapalham a formação deles, fazendo-os crer que, de fato, "haverá outro mundo quando o McDonald"s fechar e o mundo inteiro ficar igual a Cuba".

Esses "pastores da fé socialista" aproveitam a invenção dessa bobagem de que jovem tem que mudar o mundo para pregarem suas taras.

Normalmente, a vontade de mudar o mundo no jovem é causada apenas pela raiva que ele tem de ter que arrumar o quarto.

E suspeito que, assim como fanáticos religiosos leem só um livro, esses pregadores também só leem um livro e o deles começa assim: "No princípio era Marx, e Marx se fez carne e habitou entre nós...".

Reconhece-se uma pregação evangélica quando se ouve frases como: "Aleluia, irmão!". Reconhece-se uma pregação marxista quando se ouve frases como: "É necessário destruir o mundo do capital e criar uma sociedade mais justa onde o verdadeiro homem surgirá"."

Pergunto, confesso, com sono: "E quem vai criar essa sociedade mais justa?". Provavelmente o pregador em questão pensa que ele próprio e os seus amigos devem criar essa nova sociedade. Mentirosos, deveriam ser tratados como pastores que vendem Jesus e aceitam cartão Visa."

domingo, 6 de junho de 2010

A Insustentável (e Nociva) Delicadeza do Ser

Passo para as pessoas a impressão de que não gosto de esportes; de que não gosto de nada, aliás.
Não é verdade. O que não gosto, não tolero e combato - inutilmente, eu sei - é a demasiada importância dada ao esporte, principalmente a financeira.
Os esportes, admito, têm sua importância social. Evolutiva, até. Os esportes são os substitutos civilizados das caçadas e das guerras intertribais pré-históricas. Nas primeiras, os mais fortes do clã se reuniam para matar animais muitas vezes maiores que eles e seus receptores de prazer urravam frente a um mamute abatido. Nas segundas, os mais brutais de cada clã se reuniam para trucidar os mais brutais de outros clãs, e seus receptores de prazer explodiam frente à garganta cortada ou ao crânio esmigalhado do inimigo. No fim das contas, a história de toda a vida no planeta, não só a humana, se resume ao prazer obtido por um DNA em eliminar outros DNAs mais imperfeitos que ele. Os seres vivos, nas suas milhões de diferentes manifestações, são maneiras que o DNA tem de se propagar pelo planeta.
A civilização e, especialmente, as religiões vieram a condenar a eliminação a sangue-frio do mais fraco (até porque são eles que a ela recorrem), vieram a embotar essa competição sanguissedenta, artificialmente e sob vigília constante.
Porque a inevitabilidade de eliminar os mais fracos é imperativa na Natureza e ela condecora àqueles que servem aos seus propósitos com pleno regojizo sensorial. Nesse aspecto, nós, ditos homens modernos, ainda somos pré-históricos, nosso DNA ainda é o mesmo e clama pelas mesmas premências.
Os esportes vieram palidamente substituir essa urgência de esmagar o mais fraco, sobretudo os esportes coletivos e de contato, o futebol a exemplo. Cada time é uma tribo a caminho de dizimar a outra. Por conta disso, os esportes eliminam de seus quadros os de genes mais cerebrais e selecionam e privilegiam os truculentos e os brutos, os xucros. Adjetivos usados pejorativamente nos dias de hoje, mas que são a verdadeira índole e força-motriz da espécie.
Não foram a civilidade, a polidez e os bons modos que impulsionaram a espécie humana em sua expansão por todos os continentes e na dominação do planeta. A força bruta e primal é a responsável por todas as conquistas humanas, no passado, ainda hoje e sempre.
Nesse sentido, os esportes são reservas naturais dessa têmpera humana, verdadeiros bancos onde ficam armazenados os genes da pujança da raça, mananciais da macheza humana.
Ou, pelo menos, os esportes eram.
A coisa vem degenerando de uns tempos para cá. Jogadores de futebol recém-endinheirados têm aderido abertamente à viadagem, usam brinquinhos e colarzinhos de brilhantes, põem aparelhinhos coloridos nos dentes, tiram as sobrancelhas, fazem limpeza de pele, pintam cabelo e etc etc.
Alguém consegue imaginar o Garrincha com um mimoso brinquinho de brilhante? Pelé, Gérson e Rivelino tirando as sobrancelhas? O Socrátes de gargantilha de diamantes? O Edmundo "Animal" e o Serginho Chulapa tirando cravinhos do nariz e passando hidratantezinho? Os goleirões Valdir Peres e Marcos fazendo apliques de longas madeixas?
O problema é o efeito a médio prazo dessas práticas antimacheza. Esse tipo de "modernidade" enfraquece e faz desmoronar o espírito, mina-lhe o vigor e a robustez.
E chego na razão de todo esse palavrório.
Li, sexta-feira, que um tal Neimar, jogadorzinho dessas novas gerações de moloides, está com baixa autoestima, tadinho, precisando dos préstimos de um psicólogo. O motivo teria sido a sua não-convocação para a Copa do Mundo. Psicólogo é a puta que o pariu. Dá uma enxada pro filho da puta e vê se ele tem tempo pra ficar tristinho.
E se fosse um sujeito que tivesse se esforçado verdadeiramente para conquistar uma carreira? Um cara que tivesse estudado, feito curso superior, se especializado e, com 40 anos de idade, mandado embora do emprego por estar "velho" e, pela mesma "razão", nunca mais conseguisse sua recolocação no mercado?
Frescura!!! Viadagem pura o caso desse tal Neimar!!!
Se perguntados, há uns míseros 15 anos, sobre a atuação de psicólogos no futebol, os jogadores das antigas que supracitei se poriam a gargalhar debochada e desbragadamente, brandindo suas clavas e suas canecas de cerveja, até quase engasgarem com seus nacos de carne crua na boca.
Reitero : vou torcer para o time do Maradona, que liberou vinho, churrasco e sexo para os seus jogadores. Nada melhor para nutrir os brios do macho que vinho, carne malpassada e uma boa fêmea a aguardá-lo em seu retorno à caverna.
Virão o declínio e a extinção da espécie humana, sim. Como já ocorreu com várias outras espécies antes de nós e que um dia dominaram o planeta. É inevitável. E até salutar.
A derrocada da espécie humana, porém, não virá da truculência ou da barbárie, como querem nos fazer acreditar a hedionda raça dos humanistas, esse outro bando de frouxos - sociólogos, antropólogos, psicólogos, filósofos e que tais -, a barbárie é que nos trouxe até aqui, por isso estamos aqui e não os Neanderthais ou os tigres-de-dentes-de-sabre.
A ruína não virá pela barbárie inata.
Antes pelo contrário, virá pela civilidade, pela sofisticação, pela delicadeza adquirida.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Pequeno Conto Noturno (13)

Rubens acorda com a buceta de Lívia esfregando em sua cara, e a dona da buceta o maldizendo:
- Que é isso, agora? Tá brochando com a língua?
Rubens recobra a consciência e vai se localizando.
Devo ter apagado, vodka quente sempre faz isso comigo, conclui Rubens.
Mas há noites em que um homem não é dono de suas escolhas, e tem que se arranjar com o que lhe cai nas mãos; vodka quente, a buceta excessivamente mucilaginosa de Lívia... fazer o quê?
Lívia não gosta muito de pau, mas se derrete em cima de uma língua. Rubens lembra disso e retesa a língua. Os movimentos de Lívia tornam a acelerar, a acelerar, então ela respira mais fundo e sua musculatura enrijece, como uma cãibra que travasse todo seu corpo por uns segundos. Um urro, uns arfares em ritmo decrescente e Lívia amolece, abate-se por cima de Rubens.
Menos de um minuto e Rubens percebe que Lívia adormeceu, a vodka quente não havia feito estragos somente nele. Levanta lentamente a perna de Lívia, sai debaixo dela e a deixa a dormir ali, de bunda para cima.
Vai até à pia da cozinha, lava a cara e faz um bochecho com a vodka quente, para se limpar de Lívia. Pega as palavras cruzadas e vai para o banheiro, pensando que não há como arrumar um táxi, a essa hora da madrugada, para levar Lívia embora.
Até que o dia amanheça, suas únicas ambições serão conseguir completar as cruzadas sem olhar as respostas no fim do livro e dar uma bela cagada, daquelas que chegam a ultrapassar o nível da água da privada.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Vou Torcer Para A Argentina

A seleção brasileira de futebol venceu por 3 a 0 a valorosa seleção do Zimbábue, a 110ª do ranking da FIFA.

Nem posso imaginar o significado dessa vitória. Para mim, o mesmo que se tivesse perdido, nenhum, mas dizem que serve para dar confiança aos atletas brazucas. Confiança? Os coitadinhos se sentem inseguros? Pois que vão às putas que os pariram. Os caras são considerados os melhores do mundo, ganham milhões de euros e são adorados por milhões de pessoas, milhões de estúpidos é verdade, mas milhões. E ainda estão com baixa autoestima?
Eu, então, tô fudido. Sou professor, mal ganho mil e poucos reais, ninguém vibra ou faz a "ola" quando dou uma puta aula e ainda sou considerado o grande responsável pela ruína da educação no Brasil. Quero um buraco de avestruz, já. Para passar o resto de meus dias.
E aí para se sentirem confiantes vão espancar o Zimbábue?
Não entendo picas de futebol. E nem quero começar a.
Gosto de boxe e de música. Brasil x Zimbábue parece a mim algo semelhante a Mike Tyson (no auge) x Cazuza (no bico do urubu).
Vai ver algum psicólogo - sabiam que jogador de futebol agora tem acompanhamento psicológico? - receitou a seleção do Zimbábue como terapia aos pobrezinhos do Brasil. Jogador de futebol em terapia... é a viadagem se alastrando.
Por isso, vou torcer para o time do Maradona, macho das antigas, que já liberou sexo, vinho e churrasco na concentração dos hermanos.
Só torço para a seleção brasileira no dia em que o Romário for o técnico e, ele próprio, comandar as fugas da concentração rumo às boates e passar o jogos andando pela beira do campo, orientando os jogadores, cuspindo no chão e coçando o saco.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Mulas Sem-Cabeça Enviam Carta Ao Papa

Um grupo de mulheres que afirma ter relações amorosas com sacerdotes católicos - e que segundo o folclore virariam mulas-sem-cabeça - enviou uma carta ao Vaticano clamando pelo fim do celibato.
Para quê? Para que os padres possam comê-las? Já as comem. Essas beatas estão querendo o direito de se casar com os padres para depois reivindicar pensão. Alguns trechos da carta:

"Estamos acostumadas a viver de forma anônima os poucos momentos que os padres nos concedem e vivemos diariamente o medo e as inseguranças dos nossos homens, suprindo suas carências afetivas e sofrendo as consequências da obrigação do celibato"
(Tadinhas e tadinhos...)

"Quando ouvimos mais uma vez o papa declarar que o celibato é sagrado, decidimos escrever pedindo que ele seja eliminado ou que se torne opcional", disse Stefania, 42 anos, de Roma.
A carta foi assinada apenas por três mulheres: Antonella Carisio, Maria Grazia Filipucci e Stefania Salomone. As outras preferiram permanecer no anonimato.

"Todos têm medo porque estamos perto do Vaticano. As mulheres, os padres e as pessoas que sabem dos casos preferem não falar. Por causa disso é difícil que na Itália exista uma verdadeira associação, como existe na França, na Suíça ou na Espanha";

"A coisa fundamental é que não se saiba. O superior do religioso não tem interesse de impedir que o padre se encontre com uma mulher ou mesmo com um homem. O problema surge quando isto se torna público, ou quando desta relação nasce um filho. No grupo temos mulheres com filhos de padres."

E a carta inteira segue na mesma linha, as beatas se fazendo de vítimas e colocando também os padres, seus concubinos, como tais. Utilizando sua própria hipocrisia - a hipocrisia de quem sabia que estava se envolvendo com um celibatário e também das consequências - para tentar combater a hipocrisia da Igreja.
Da Igreja, não. Até que nesse caso, não.
A Igreja estabelece suas regras e elas - absurdas ou não - são bem claras para quem se dispõe a serví-la. A hipocrisia aqui é apenas dos padres e suas putas.
Conclusão crítica, criteriosa e imparcial do Azarão : vão atrás de um cacete ateu, bando de mulas-sem-cabeça, vão arrumar uma ocupação na vida, suas sopradoras de "apito de chamar anjo".
OBS - "Apito de chamar anjo", segundo o anedotário nacional, seria o nome dado pelos padres ao famoso caralho, para convencer as beatas a fazerem sexo oral neles. Como se fosse preciso esse tipo de subterfúgio para convencer uma beata a cair de boca numa rola...

(quem quiser ler a carta na íntegra, basta dar uma clicadinha aqui, no meu MARRETÃO de chamar anjo)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

EXAURIDO


Hoje, ao corrigir uma questão para uma classe do 3º ano do ensino médio, ditei uma resposta que continha o seguinte trecho final :
" ...os trilobitas foram os ancestrais dos artrópodes atuais, que compreendem 3 classes principais, os crustáceos, os aracnídeos e o insetos".

Ao pegar a apostila da mão de uma aluna para ler a questão seguinte e dar prosseguimento à correção, vi escrito : ... crustácios, araquinideos e incetos.
Normalmente, eu apontaria os erros, até usando de uma certa ironia, como quem quer dizer: "puta que o pariu, terceiro colegial e escreve inseto com "c"?
Mas não hoje. Acontece que a aluna que me emprestou a apostila é considerada uma boa aluna, uma das melhores da escola, certamente a melhor de sua sala.
Aquilo caiu-me nos olhos como um caso perdido. Se a melhor está nesse nível...
Não apontei os erros de grafia.
Não tive forças.
Segui em frente, completando a apostila, cumprindo a tabela.

sábado, 29 de maio de 2010

Na Loja De Brinquedos

As coisas seguem por si. A ilusão de que se têm controle dos atos, das decisões, da vida, enfim, é só mais um mecanismo criado pelo homem para tornar suportável sua existência nesse planetinha. Saber-se sob o total domínio do acaso (uma das mais perversas caras da Destino) - saber que nenhuma decisão tomada pelo seu superestimado intelcto humano fará diferença -, seria excruciante para a maioria das pessoas. Saber que não há livre-arbítrio e que todo e qualquer planejamento de vida é vão, jogaria a imensa maioria às fossas da loucura.
Para poucos, acredito ser o meu caso, descobrir o baldado de suas decisões, os lançam numa dicotomia de sentimentos. Por um lado, tira-lhes um fardo, o fardo de ficar pensando em como poderiam ser as coisas se tivessem agido diferente, tomado outras decisões : as coisas não poderiam ser diferentes, ou até sim, mas não por suas vontades. Suas decisões não são certas ou erradas, só são inúteis em conter a avalanche de merda quando ela vem. E ela sempre vem.
Por outro lado, já sinto um pouco disso, provoca-lhes um desconforto, o desconforto da indecisão, da dificuldade das pequenas escolhas.
Tenho um filho de sete meses e desde ontem, só retornando amanhã, foi com a mãe para a casa da avó, residente em outra cidade. E como tem sido foda ficar sem ele por aqui.
De saída do banco, agora à tarde, resolvi passar numa loja de brinquedos perto de casa e comprar para ele um negocinho qualquer, ele brinca mais com o papel da embalagem que com o conteúdo dela. Um desses bonequinhos dos desenhos animados da TV, algum super-herói, sei lá.
Rodei um bom tempo pela loja. Uns eram muito pequenos, outros tinham partes removíveis passíveis dele engolir, outros tinham arestas duras e pontudas, um outro tanto era de extremo mau-gosto, com conotações de terror e violência.
O que sei é que não consegui me decidir por nenhum brinquedinho para meu filho. Esse tipo de coisa sempre acontece comigo quando entro em uma loja para comprar roupas e calçados para mim, e não ligo, não me afeta.
Mas não conseguir decidir pelo brinquedinho do meu filho, arriou-me um pouco. Uma tristeza chata misturada à saudade dele se aninhou em meu colo, e nem a presença da Cleonice, minha gatinha bigoduda, afofando minhas pernas para dormir, consegue afastar.
Não conseguir comprar um simples brinquedinho para meu filho... estou cada vez mais prestando para nada, mesmo.

Basta Que Decidas Regressar

LA BARCA
(Roberto CAntoral)
Dicen que la distancia es el olvido
Pero yo no concibo esta razón
Porque yo seguiré siendo el cautivo
De los caprichos de tu corazón
Supiste esclarecer mis pensamientos
Me diste la verdad que yo soñé
Ahuyentaste de mí los sufrimientos
En la primera noche que te amé
Hoy mi playa se viste de amargura
Porque tu barca tiene que partir
A cruzar otros mares de locura
Cuida que no naufrague en tu vivir
Cuando la luz del sol se esté apagando
Y te sientas cansada de vagar
Piensa que yo por ti estaré esperando
Hasta que tú decidas regresar

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Nossos Impostos Enfiados No Cu

Moro numa cidade de porte médio em que a Saúde Municipal está em greve, médicos pleiteando salários os mais próximos do justo que for possível. A cidade passa por um epidemia de dengue, a maior de todos os tempos, cerca de 18 mil casos confirmados em 2010, mais que a somatória das ocorrências de 2000 a 2009, e as pessoas esperam por até duas semanas o resultado dos exames. Ou seja, quando sai o resultado, ou a pessoa já sarou ou já morreu. Faltam também antibióticos básicos, insulina e outros medicamentos de uso contínuo.
E agora o governo sai com essa : a viadada participante da parada gay de SP terá exame de AIDS gratuito e quase instantâneo. Matéria abaixo:



SÃO PAULO - A Secretaria Estadual de Saúde promoverá na semana que vem, testes gratuitos de H.I.V. aos participantes da parada gay, que acontecerá no sábado, 6 de junho, na capital paulista.



Neste ano, a campanha “Fique Sabendo” ocorrerá no Shopping Center 3 , da Avenida Paulista. Os resultados dos testes sairão em até quinze minutos.



No ano passado, a atividade foi realizada no Conjunto Nacional e contabilizou 800 exames.


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Pois é, não há dinheiro para remédio e atendimento médico decente para pessoas decentes.


Para esse bando de queimadores de rosca, o caríssimo exame de HIV.


Tudo pra bicharada dar o cu sossegada

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Perigoso Tédio Do Destino

"Por isso haveria de dizer mais tarde, depois de tudo consumado, que a mão do Destino tivera um papel na história. A mão do Destino já interferira na vida de Dave Boyle antes - ou então a sorte, quase sempre má -, mas ele nunca a sentira como uma mão que guiava, antes como uma mão porca e irada.
Como se alguém, passando pelo Destino sentado entre nuvens, lhe perguntasse : "Está entediado, Destino?". E o Destino lhe respondesse : "Sim, um pouco. Eu estava pensando que poderia sacanear Dave Boyle, para me distrair".
E o que é que se pode fazer? "

(extraído de "Sobre Meninos e Lobos", Dennis Lehane, Companhia das Letras, 2001)

sábado, 22 de maio de 2010

A Gripe Cervídea

Em meio à enorme controvérsia dos prós e contras da vacina da gripe suína, mais um revés : pessoas que foram vacinadas podem apresentar resultados falso-positivos para o vírus do HIV, a AIDS.
O motivo dos resultados equivocados seria uma certa semelhança estrutural entre o vírus da gripe suína (H1N1) e o HIV, e consequentemente entre seus respectivos anticorpos, substâncias proteicas detectadas no exame e que vêm gerando esses resultados falsos.
Agora, espera um pouco...
Na natureza, ainda que geralmente não produzam descendentes aptos a levar a linhagem adiante, espécies próximas conseguem entrecruzar-se e gerar híbridos; o exemplo mais notório disso é a mula, mestiça do jumento e da égua.
Dadas as parecenças entre H1N1 e HIV, bem que é possível uma certa proximidade evolutiva entre eles, um parentesco próximo (mesmo laboratório de microbiologia, talvez?).
E se ocorrer uma miscigenação entre eles, e se ocorrer uma hibridação entre H1N1 e HIV? E se surgir uma forma de AIDS transmitida pelo ar, contraída de um espirro?
Impossível? Não! Nesse mundo de inseminações artificiais, clones, transgênicos, nanorrôbos e, agora, seres sintéticos, nada mais o é.
Seria, é verdade, um baita dum azar que isso acontecesse, uma puta cagada. Mas o Destino é um cara gozador, adora brincadeira.
Caso meu vaticínio venha a se concretizar, haverá uma nova cepa de influenza em nossos ares, uma nova gripe.
Já temos o vírus influenza H5N1, causador da gripe aviária - o vírus transmitido do frango para o homem -, e o influenza H1N1, causador da gripe suína - o vírus transmitido do porco para o homem.
Um vírus da AIDS que se propagasse pelo ar (influenza H24N1 ?) inauguraria o surto de uma nova gripe : a Gripe Cervídea.

(para MAIS informações sobre os falso-positivos, é só dar uma clicadinha aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

Somos Deus. Que Merda!

Nenhuma religião, padre filho da puta ou humanista arrotador de ética podem mais acusar o ser humano de "brincar" de deus.
Não brincamos mais de deus : tornamo-nos Deus, efetivamente.
Essa semana foi anunciada a criação das primeiras células com genoma sintético, uma bactéria. Tá certo que nem tudo é sintético nessa bactéria, os cientistas pegaram uma bactéria já existente (mycoplasma micoides), retiraram seu genoma e usaram o invólucro como recipiente para um outro genoma, esse, sim, sequenciado artificialmente.
Os cientistas construíram quimicamente os blocos de DNA , os ligaram em um cromossomo completo e o inseriram na célula esvaziada. A partir daí, o genoma sintético começou a controlar toda a atividade celular, inclusive a reproduzir novas células, portadoras do genoma sintético. Essa bactéria é o primeiro ser vivo sem um ancestral comum a todos os outros seres que habitam o planetinha azul.
Claro que a Santa Igreja não podia ficar de boca calada, ela continua enfatizando que deus (o deus dela) é a única origem da vida e que "macaquear" o poder de criação divino é um risco enorme, que poderá levar o homem à barbárie. Declarações, no mínimo, estranhas, vindas de uma instituição que já churrasqueou muita gente, promoveu genocídios em suas Cruzadas e, hoje em dia, ao condenar o uso de preservativos, sentencia um continente inteiro, a África, à contaminação e morte por HIV, mais genocídio.
Repito: não "macaqueamos" mais deus, somos Deus agora.
O negócio é que a padraiada vai perder o monopólio de deus e, consequente, seus empreguinhos sossegados.
A cada passo que a ciência dá para fora da ignorância, as igrejas vem falar de ética.
Estou detestando cada vez mais essa palavra, ética.
Primeiro porque é um conceito tão imaterial, intangível, moldável e manipulável como o próprio conceito de deus, ética também não existe;
Segundo porque as pessoas que se utilizam da ética como base de seus argumentos, que professam a ética e até dão aulas sobre ética, são as primeiras a não utilizarem seus ensinamentos nos âmbitos de suas vidas pessoais.
Com que cara-de-pau o Vaticano fala de ética? Uma entidade conhecida pela aversão à homossexualidade e que, não obstante, é conivente com atos de pedofilia de seus integrantes. É contra as células-tronco, mas duvido que o Papa, quando fica doente, recorra tão-somente à sua fé e ao poder da reza para se curar; João Paulo II só se arrastou pateticamente por mais de 20 anos graças ao auxílio das mais modernas tecnologias médicas.
Sou obrigado, contudo, a uma ressalva : não é dos padres a culpa maior dessas declarações da igreja chegarem até nós, é da porra da imprensa que insiste em botar suas câmeras e microfones à disposição dessa corja.
E para quê?
Qual a utilidade de ouvir opiniões "científicas" de velhotes de saia cuja principal missão é conversar com seres imaginários e comer criancinhas?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pequenos Abismos

Álcool,
Cafeína,
Dipirona e pó de guaraná,
Atravessar fora da faixa de segurança,
Consumir alimentos com validade expirada,
Confrontar meu chefe: tão funcionário público
E tão imune à demissão quanto eu,
Sair sem agasalho numa manhã quase fria,
Não tomar a vacina da gripe.
Gosto de me exibir correndo inofensivos riscos.
Sou especialista em me jogar de pequenos abismos.

Dilma Rousseff = APEOESP

Artigo escrito por Diogo Mainardi e publicado em "Veja", 2 de abril de 2010

Boletim de Ocorrência

O número do B.O. é 1591/2010.
Quando alguém quiser analisar o momento em que a candidatura presidencial de Dilma Rousseff ruiu, terá de mencionar o BO 1591/2010, do 34º Distrito Policial, no Morumbi.
O que há no B.O. 1591/2010?
Na semana passada, os professores da Apeoesp fizeram uma baderna na porta do Palácio dos Bandeirantes. O plano dos baderneiros era simples: sabotar José Serra e, com isso, ajudar Dilma Rousseff. A Apeoesp é um sindicato controlado pela CUT e pelo PT. Um dia antes que seus pelegos atacassem José Serra, Dilma Rousseff participou de um ato de campanha com a presidente da Apeoesp. Dilma Rousseff homenageou-a publicamente. A presidente da Apeoesp respondeu entoando:
– Dil-ma! Dil-ma!
Os pelegos da Apeoesp pretendiam ocupar o Palácio dos Bandeirantes. Quando a PM tentou impedi-los, eles reagiram arremessando paus e pedras contra os policiais. Segundo o relato da soldada Erika Cristina Moraes de Souza Canavezi, um desses paus atingiu-a. Ela desmaiou. Conduzida ao Hospital Albert Einstein, foi medicada por ferimentos no rosto, na boca e no ombro. A denúncia contra seus agressores está no B.O. 1591/2010.
A soldada Erika Canavezi tem dois filhos. Cuida deles sozinha. Seu soldo: 2 000 reais. Em catorze anos de trabalho na PM, ela nunca havia sido agredida.
Isso só ocorreu agora, porque os pelegos da Apeoesp decidiram sabotar as medidas propostas por José Serra para punir os professores gazeteiros e para premiar com aumentos salariais aqueles que ensinam melhor. Os correligionários de Dilma Rousseff defendem com paus e pedras o direito a um ensino público de má qualidade.
Além de contar com seus milicianos nos sindicatos, Dilma Rousseff pode contar também com seus milicianos nos blogs. Depois de ser brutalizada pelo pelego da Apeoesp, a soldada Erika Canavezi foi fotografada sendo socorrida por um rapaz de barba. Os blogueiros de Dilma Rousseff trataram de espalhar que o rapaz de barba era um professor.
O mais pobrezinho desses blogueiros, um repórter de Carta Capital, comentou a fotografia da seguinte maneira: “Este professor que carrega o PM ferido é um mural multifacetado de significados, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff”. O menos pobrezinho desses blogueiros, Luiz Carlos Azenha, repercutiu o assunto. Luiz Carlos Azenha comanda um programa na TV Brasil. Soldo do programa: 2 594 734 reais.
No dia seguinte, a PM informou que o rapaz de barba que socorreu a soldada Erika Canavezi era um policial à paisana. Os professores da Apeoesp estavam do lado de lá da barricada, compondo uma elegia à solidariedade humana com o arremesso de paus e pedras e entoando:
– Dil-ma! Dil-ma!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Bispo de Blumenau : Em Criança É Pecado, Em Adolescente, Não.

Deviam era jogar um traste desse na cadeia, na cela do Ditão Pé-de-Mesa e mandar o cara arregaçar, até sair sangue.
Não costumo pôr imagens aqui no blog, mas a foto desse filho da puta merece ser divulgada.
O cara tem o cinismo de dizer que há uma confusão entre pedofilia e efebofilia, como se a última fosse a coisa mais normal do mundo.
Vai ver ele pratica efebofilia lá com os sacristãos e os coroinhas dele.
Igual àqueles gregos degenerados, Platão, Sócrates, Aristóteles e etc. Tudo um bando de bicha velha que fica teorizando para justificar seus desvios morais; toda a cultura, toda a filosofia grega foi construída com um único objetivo: poder comer menininhos sem sentir culpa.
E os padrecos, versados em filosofia que são, embarcam nessa também.
Segue a matéria:


"Tocar em Adolescente é Diferente de Tocar em Criança, diz Dom Angélico"

O bispo emérito de Blumenau, Dom Angélico Sândalo Bernardino, disse dia 05 de maio de 2010 que é preciso distinguir casos de abusos contra crianças de casos de abusos contra adolescentes. O bispo opinou a respeito após ser questionado sobre a declaração do Dom Dadeus, que criou polêmica ao dizer mo dia 04 que “a sociedade atual é pedófila”.
“A sociedade não é pedófila. Acredito que o meu ilustre colega quis dizer que estamos vivendo num ambiente saturado de uma certa permissividade.”
Dom Angélico, da ala progressista da Igreja Católica, quis frisar durante entrevista a jornalistas que há uma “confusão generalizada” entre pedofilia e efebofilia.
“Tocar numa criança é diferente de tocar num adolescente, o que eu não quero dizer que se deva tocar num adolescente. Absolutamente, mas é diferente. E essa distinção comumente não é feita.”
Questionado se o abuso à criança é mais grave, Dom Angélico respondeu: “Avaliem vocês no meu lugar, eu acho diferente. Deve também ser punido, e a lei pune. O próprio Estatuto [da Criança e do Adolescente] faz diferença: uma coisa é pedofilia, outra coisa é efebofilia”.
Bom, nisso ele tem razão. Quanto mais jovem a vítima, maior é o crime. E os adolescentes entram em uma fase onde os hormônios gritam bem alto, fazendo-os muitas vezes procurar o sexo. Mas que fique bem claro que um adulto não pode se aproveitar desse fato para manipular tais jovens, como no caso do pastor de Candeias, que estava saindo com uma amante de 13 anos. Ele conseguiu convencer a menina de que a amava, mesmo sendo ele um homem casado e muito mais velho e ela sabendo disso.
Mas não ficou um pouco estranha essa declaração? Se ambos são crime, não faz muita diferença. Se abusar de uma criança é hediondo, abusar de adolescentes até 14 anos não fica muito atrás.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Para Encerrar Esse Assunto (assim espero...)

Já considerando de um total e insuperável absurdo, coloquei aqui, ontem, uma matéria sobre as faculdades de cabelereiros.
Hoje, no entanto, comentando o assunto com colegas da escola, descobri coisa pior. Muito pior.
Um dos professores com quem falei, em visita a uma filha residente na cidade de São Paulo, deu de cara, no bairro do Barueri, com a seguinte placa: Universidade do Hambúrguer.
Sim, é sério.
Quer dizer, não é sério! Mas é verdade.
Essa instituição é mantida pelo McDonalds e tem os pretendentes a uma franquia como público-alvo, bem como os funcionários que galgaram um cargo de gerência. O "curso" diz ter disciplinas relacionadas à administração e marketing. São sete universidades do hambúrguer no mundo; uma tinha que ser no Brasil.
Alguém já imaginou o surreal de um diploma dessa universidade? O cara sai bacharel em hambúrguer, com especialização em McLanche Feliz. O diploma é assinado pelo reitor...Ronald McDonalds.
O diploma do hambúrguer tem validade de curso superior, reconhecido pelo MEC e tudo mais.
Depois dessa, a faculdade para cabelereiros já não me parece tão despropositada
E essa porra não é nova, não. Existe desde 1997.
Só me resta uma tênue esperança. A de que o baiano Gilberto Gil não tenha se inteirado dessa vanguarda educacional. Caso contrário, logo seremos brindados - se é que já não existe, e se existir, por favor, não me contem - com a Universidade Federal do Acarajé.

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Isso Só Pode Ser Brincadeira

Cabelereiro agora virou curso superior. Faculdade pra cortar cabelo...puta que o pariu. Só nesse país de merda.
Mas até que faz algum sentido nesses tristes trópicos.
Moro numa cidade de 600 mil habitantes e com cerca de 10 faculdades, entre uma pública e particulares, e onde só existem 3 ou 4 livrarias.
Em contrapartida, apenas na rua em que moro, em seus poucos 6 quarteirões, existem 8 salões de cabelereiros.
Melhor, espaços de beleza, centros de estética, e outras papagaiadas. Corta-se, alisa-se e tinge-se cabelo desde a cabeça até a buceta e o cu.
E a cabelereira, maquiagem pesadíssima de rameira e cigarrão na boca, diz vaidosa: sou consultora estética; e a bichinha tem chilique se alguém o chama de barbeiro, é projetista capilar.
Acho que o MEC deveria aprovar também outros cursos superiores imprescíndiveis ao brasileiro e dou algumas sugestões : cantor de dupa sertaneja, peão de rodeio e participante do BBB.
Sem dúvida, e infelizmente, as mais promissoras carreiras no Brasil.
Ah! E o hairstily bacharel pode também, a exemplos das carreiras tradicionais, fazer mestrado.
Segue a matéria abaixo :
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Faculdades lançam curso superior de cabelereiros

Em constante expansão, o mercado da estética pede cada vez mais profissionais gabaritados. E quando falamos de cabelo, é claro que não poderia ser diferente. Quanto mais especializado o hairstylist, melhor. Para atender esta demanda, hoje em dia já existe até mesmo faculdade de cabeleireiro. E não é apenas uma expressão. Esses novos cursos são muito mais aprofundados e concedem diplomas de ensino superior, com a mesma validade de outros mais usuais como direito ou psicologia. Isso quer dizer que o dono deste diploma também pode fazer mestrado e pós.
A criação dos cursos superiores específicos em cabelo foi uma exigência dos alunos, como explica a coordenadora da Anhembi Morumbi (São Paulo), Adriana T. Reis Bertolletti. “Nós temos curso de estética desde 2001, mas nada específico para cabelos. Resolvemos criar o curso de Visagismo e Terapia Capilar pela própria procura de alunos. Recebemos muitas cartas, e-mails e telefonemas perguntando e pedindo este curso de graduação, que foi lançado em 2008”, conta.
O curso tem duração de dois anos e em sua grade tem matérias distintas como anatomia, fisiologia, penteados, cortes, químicas e coloração. “A procura por ele é bem diversificada. Há desde profissionais que querem se especializar até jovens que acabaram de sair do segundo grau”, comenta Adriana. Para se formar, o aluno tem que praticar 260 horas de serviços comuns a um cabeleireiro durante o último semestre.
No campus Liberdade (São Paulo) da Universidade Cruzeiro do Sul, o curso superior para cabeleireiros surgiu em 2007 e os alunos têm aulas de habilidades técnicas (corte e coloração, por exemplo), biologia, psicologia, marketing, gestão e finanças. Ou seja, além de parte de criação, depois de formado o hairstylist também terá a base para cuidar de seu próprio negócio.
Segundo a Universidade Cruzeiro do Sul, “o corpo docente é composto por doutores, mestres e pelos principais profissionais do mercado nacional e existe um centro técnico com instalações e tecnologia de ponta”. Boa parte da carga horária é destinada a atividades práticas para inserção dos alunos no mercado. Há ainda oportunidades de estágio supervisionado nos principais salões de beleza e clínicas de estética de São Paulo.
Fora de São Paulo, a Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba, oferece o curso de Tecnologia em Estética e Imagem Pessoal que ensina procedimentos de saúde capilar como hidratação, coloração, descoloração, restauração e revitalização, visando a preservação e beleza dos cabelos.