Ateu, pagão, católico, evangélico, muçulmano, judeu, budista... não importa. Todo mundo tem pau, buceta, peito, dedo, língua e cu. E, no fim das contas, todo mundo quer mais é dar uma boa gozadinha.
Os ateus e os pagãos, indiscutivelmente, fazem isso melhor. Por não acreditarem em deus (e, logo, não temerem sua recriminação e castigo), os primeiros, e porque, no caso dos segundos, suas religiões buscam comungá-los com os elementos da natureza (e nada é mais natural que uma bela trepada).
É com os rançosos monoteístas que a coisa empaca. Os filhos de Abraão morrem de vontade de fazer uma estripulia, mas temem a ira divina. Então, precisam de uma desculpa, de um subterfúgio para fazer a mesma coisa que os "hereges", mas de uma maneira que pareça diferente, menos pecadora. Os fanáticos precisam de uma espécie de autorização de seu deus, ou de seus líderes, para soltarem a franga.
E é com vistas a esse nicho do mercado - o dos pintos murchos e bucetas ressequidas pela culpa - que alguns espertalhões estão abrindo, com grande êxito, estabelecimentos especializados em putaria cristã.
Existem sex shops online, criados por empreendedores cristãos, que se propõem a incentivar a "intimidade entre os casais – dentro dos laços do casamento, que fique bem claro".
Um deles é o Intimacy of Eden, que promete uma intimidade conjugal ao casal cristão como a que tiveram Adão e Eva no paraíso. Para isso, fornecem a "cobra".
Basicamente, os produtos são os mesmos que os de qualquer sex shop ateu, o grande diferencial fica por conta das embalagens mais discretas, das quais são retiradas quaisquer imagens que possam ser ofensivas à fé cristã, como cenas de nudez por exemplo. E o produto é acompanhado de instruções para um "uso saudável".
Basicamente, os produtos são os mesmos que os de qualquer sex shop ateu, o grande diferencial fica por conta das embalagens mais discretas, das quais são retiradas quaisquer imagens que possam ser ofensivas à fé cristã, como cenas de nudez por exemplo. E o produto é acompanhado de instruções para um "uso saudável".
Deixa ver se entendi direito. O cristão compra um pinto de borracha de 20 cm pra enfiar no cu e acha que "ofensiva" é a foto do Kid Bengala na caixinha? E que outro uso saudável um cacetão de borracha pode ter, que não seja ser atolado até o talo?
Na linha dos "consolos" católicos, tomo aqui a liberdade de fazer algumas sugestões. Para deixar o produto ainda mais discreto e insuspeito, poderia ser confeccionada uma espécie de capa em matéria plástica ou resina, um invólucro para o vibrador, um tipo de preservativo na forma e figura de um santo. Se algum desavisado abrisse a encomenda, veria apenas e tão-somente uma imagem de devoção, evitando constrangimento para o dono; retirada a imagem, o conteúdo se revela : um pau cabeçudo, cheio de nervos e veias. É o verdadeiro e legítimo santo do pau oco.
Poderiam, inclusive, fazer esses invólucros nas figuras de vários santos. Assim, cada fiel poderia optar pelo santo de sua predileção. São Jorge, para encarar aquele dragão; Santo Expedito (o das causas impossíveis), para rasgar o cabaço daquela beata encruada de 60 anos; São Benedito, para os mais afeitos a um afropinto. Finda a atividade recreativa, a figura do santo é recolocada sobre o artefato e pode voltar tranquilamente para o altarzinho da sala. Mais discreto, impossível.
Há outro sex shop cristão, o Hookin' up Holy, cujo comercial ensina, passo a passo, a forma como o ingênuo fiel deve proceder para a aquisição de seu brinquedinho, desde a compra do produto, passando pelo recebimento via correio e dando dicas de uso do mesmo. Uma mulher cristã, cliente desse sex shop, garante que "um vibrador reacendeu seu casamento – e deu a ela seu primeiro orgasmo". Eu não posso afirmar com toda certeza, mas acho que ao marido, também.
E a coisa não fica restrita aos filhos de Jesus, os de Moisés e Maomé também estão timidamente entrando em tal empreendimento.
Um jovem judeu, cliente feliz da Kosher Sex Toys, disse que os brinquedos o ajudaram a acabar com sua ejaculação precoce, que tanto atrapalhava sua relação com a esposa. A reportagem que li não traz informações de como seriam os produtos eróticos para judeus, os brinquedinhos kosher.
O que não me impede de imaginar algumas coisas. Devem vender paus de borracha circuncidados e quipás para a cabeça do cacete, aquele chapeuzinho judeu. Os mais ousados podem comprar algumas daquelas trancinhas usadas pelos ortodoxos, as payots, para fazer uns apliques nas bucetas judias.
Existe, por fim, a El Asira, que segue as leis muçulmanas. Eu até tenho umas ideias aqui para umas burkas eróticas, mas não vou me meter a besta de dizer. De repente, um Mustafá lê isso aqui, toma meu texto por injúria e eu fico jurado de morte pelo povo do Islã. Feito aquele outro dos Versos Satânicos.
Não adianta. A verdade é uma só. O ser humano tem vocação para a sacanagem! A putaria está codificada nos cromossomos da espécie! O duro é a falsidade da maioria em não admitir, é o cu doce. Ô, hipocrisia do caralho!
Literalmente, nesse caso.
Fonte: Revista Época







