quinta-feira, 8 de março de 2012

Pagando A Dívida Em Verdinhas

A cidade espanhola de Rasquera pretende pagar em verdinhas sua dívida de 1,3 milhões de euros. As verdinhas, no caso, não são notas de dólar. São folhas de Canabis sativa, a maconha, a diamba, o bagulho, a bazuca, o beck, a marijuana, o cigarrinho do capeta.
A lei espanhola permite o cultivo e o consumo da erva em bases pessoais ou compartilhada; o tráfico é punido com penas de até 6 anos de xilindró.
A Associação de Uso Pessoal de Canabis de Barcelona, associada à Prefeitura de Rasquera, quer começar o cultivo em julho, nas montanhas da Catalunha, e já gastou 40 mil euros (120 mil reais) no arrendamento de um terreno de sete hectares, o equivalente a dez campos de futebol
A população de Rasquera, com pouco menos de mil habitantes, vê o cultivo da chibaba com desconfiança. 
Alguns cidadãos aprovam o plantio caso sua venda seja destinada às indústrias de medicamentos, para a confecção de remédios à base do THC, o princípio ativo da maconha; para uso recreativo, a população condena o cultivo.
Além de pagar a dívida do munícipio, o plantio gerará cerca de quarenta empregos diretos - o que corresponde a  5% de sua população. Segundo o prefeito, o cultivo oficial enfraquecerá o mercado negro e promoverá a segurança local.
As autoridades espanholas declararam que esse tipo de atividade é ilegal e que promotores vão investigar o caso e intervir assim que possível.
Se o Brasil resolve entrar nessa, pagamos a dívida de todo o Terceiro Mundo, e ainda sobra pra emprestar uns trocados para a Grécia.
Fala-se muito em investir na pequena propriedade e na agricultura familiar. Eis uma bela sugestão, diretamente de Rasquera. 
Coloquemos todo esse povo encostado e inútil do MST para plantar maconha. E o Fernando Gabeira como ministro da Agricultura. Mas sem sunga de crochê, façam-me o favor.
Fonte : BBC Brasil

quarta-feira, 7 de março de 2012

Fora Com A Porra Do Crucifixo

O Brasil, declara sua Constituição, é um estado laico, que não está atrelado a nenhuma religião nem sofre influência de alguma.
É comum, no entanto, a presença de imagens religiosas nas repartições públicas, escolas, hospitais, câmaras municipais, até em tribunais.
O campeão disparado é o crucifixo, o Cristo lá, só de sunga e com cara de coitado, de vítima, um bon vivant é o que ele foi, supondo, claro, sua existência sem provas;  já vi também rosários, imagens de santos e bíblias abertas nos mais diversos setores públicos, em clara infração à Constituição.
Sem contar os funcionários públicos que são verdadeiros outdoors da ignorância humana, dirigem-se ao seu trabalho vestindo camisetas com imagens de santos, ostentam enormes cruzes a penderem em meio aos seus flácidos peitões gordos, usam escapulários etc.
É um claro absurdo, mas poucos são os que tem a coragem de contestar esse crime, poucos são os que tem a coragem de fazer valer a lei.
Num ótimo exemplo a ser seguido, a ONG Liga Brasileira de Lésbicas - odeio ONGs, mas adoro as lesbiquinhas - pediu judicialmente a retirada de todos os crucifixos e demais símbolos religiosos das salas do Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul.
O pedido já havia sido feito pelas moças do sapato grande no ano passado, e negado pelo TJ.
Sem machos no RS para encarar essa briga, as raladoras de coco insistiram no pedido e foram atendidas pelo desembargador Cláudio Baldino Maciel : "um julgamento feito em uma sala onde há um "expressivo símbolo" de uma doutrina religiosa não é a melhor forma de mostrar que o julgador está "equidistante" dos valores em conflito".
Os religiosos, as beatas sopradoras de apito de chamar anjo, as crentes dos cus quentes, ainda tentam "argumentar" a favor da manutenção do Cristo pelado, dizendo que o Estado é laico - desvinculado de qualquer religião -,  mas não é ateu - descrente de deus.
Que seja. Então, tirem o Cristo - que representa uma única doutrina religiosa - e coloquem uma foto de deus. Não dá, né? O filho da puta não existe.
E se um juiz, um diretor de um hospital, de uma escola pública, ou mesmo um parlamentar, pusessem um orixá africano em suas salas? Ou um deus hindu com cabeça de elefante ou de pica? Ou, até, a imagem do capeta?, o satanismo também é uma religião.
É só a cruz que pode? Pois que a enfiem em vossos cus, com o Cristo e os pregos juntos.
Parabéns à justiça gaúcha, pelo cumprimento da lei, do óbvio.
E parabéns em dobro às coladoras de velcro dos Pampas, as verdadeiras detentoras do saco roxo em seu Estado. Adoro as lesbiquinhas (já falei isso, né?)

terça-feira, 6 de março de 2012

O Cine São Paulo

Faço a pé o meu caminho para o trabalho.
Só com isso, "contribuo" muito mais para com o planeta e o meio ambiente do que um exército de ecologistas militantes em seus carrões, esse bando de nazistas verdes filhos das putas.
O ecologista é o gordo em eterno regime. O cara come, sozinho, uma pizza grande com bordas recheadas de catupiry. Com coca diet, porém. Para aplacar a culpa.
O ecologista, como todos nós, usufrui de todas as benesses e comodidades de uma sociedade virulentamente industrializada, capitalista e predadora; contribui também para que ela seja assim através de seu consumismo. Mas usa sacola retornável ao fazer suas compras, separa a porra de seu lixo para a coleta seletiva, usa detergente biodegrádavel, papel reciclado etc.
A sacola retornável e a coleta seletiva são a coca diet do ecologista. Não valem de porra nenhuma. Apenas aplacam a consciência culpada do sujeito, auxiliadas pela burrice inata a ele.
Claro que não ando a pé pelo bem do planeta, merda nenhuma. Assumo tranquilamente a natureza destrutiva e perniciosa de minha espécie.
Ando a pé porque me faz bem. Se contribui para o oxigenação do planeta, eu não sei, mas que oxigena pra caralho o meu cérebro, isso oxigena. E meu cérebro é o meu mundo, o meu planeta.
Tenho quatro rotas para o trabalho, entre as quais me alterno ao longo da semana; às vezes, mesclo essas rotas e elas se tornam doze, dezesseis, vinte. 
Li, em algum lugar, que não é saudável, para o cérebro, mantermos a rotina de um mesmo trajeto. Mudar constantemente de caminho, obriga o cérebro a prestar mais atenção ao derredor, a trabalhar mais, manter-se mais atento e, em suma, mais ativo.
Na minha rota de número dois, passo em frente a um prédio morto, no velho centro da cidade, que foi, outrora, o imponente Cine São Paulo, localizado no térreo do edifício mais antigo da cidade; se não, o segundo.
O seu letreiro de neon ainda está lá, quebrado, sem nenhum neon a lhe correr nas veias; o guichê da bilheteria está no mesmo lugar, sem a placa com o horário das sessões e o preço do ingresso ao alto, e sem a bilheteira a nos cobrar a carteirinha de estudante a propósito da meia entrada e da verificação de nossa idade; o carpete da entrada, do qual bem me lembro, felpudo e azul, apresenta-se uma lixa de cor indecifrável; o balcão de doces, cujo corpo de polido vidro nos permitia divisar jujubas e Mentex em suas entranhas, está rachado de rugas, macilento, amargurado.
Guardo boas recordações do Cine São Paulo, e da época em que ele e mais outros onze cinemas se espalhavam pelo centro da cidade, antes do advento dos hediondos e impessoais shopping centers.
Foi na sala escura do cine São Paulo que assisti ao clássico Star Wars, em 1977 - sala com cheiro de cinema (as salas, hoje, não cheiram mais a cinema, tem o mesmo cheiro que o banheiro dos shoppings em que se localizam).
Um tremendo choque, um tremendo de um bom choque, o primeiro filme da primeira trilogia de George Lucas. Nada havia como, ou parecido, ao que víamos na grande tela do cine São Paulo, era algo totalmente inédito. Exceção concedida aos nossos sonhos, nunca havíamos visto carros voadores e espadas laser a se acenderem.
Durante muito tempo, no recreio da escola, discutimos de que maneiras eram feitos cada um dos truques do filme, aventávamos as mais absurdas hipóteses. A imaginação de George Lucas foi um incentivo e exercício às nossas.
Até hoje, quando, por acaso, vejo trechos do primeiro episódio de Star Wars, a lembrança do cine São Paulo é inevitável. E, ainda que pudesse ser, evitá-la por quê?
Com o declínio do velho centro e a migração insana para os shopping centers, o cine São Paulo e seus onze companheiros adoeceram; vítimas de um vírus epidêmico, definharam, agonizaram e morreram. Uns mais rápido que outros.
O cine São Paulo e o cine Comodoro resistiram bravamente, tornaram-se cinemas pornôs, como último recurso, como tentativa de um último fôlego, uma sobrevida quase digna de seus áureos tempos.
Já era a decadência, sem muita elegância. Ainda assim, reservo boas lembranças também dessa fase do cine São Paulo.
Em tempos em que a internet sequer era sonhada, tampouco o acesso irrestrito à pornografia que ela nos proporcionou, o cine São Paulo tornou-se um oásis de bundas, bucetas e peitos; eram tempos em que o próprio - e já extinto - videocassete era muito pouco acessível e difundido.
Vi grandes clássicos do pornô no cine São Paulo, Garganta Profunda, O Diabo na Carne de Miss Jones, toda a série Taboo Americano.
Eram dias mais inocentes dos cinemas pornôs, bem antes deles se transformarem nos pontos de prostituição masculina que são hoje.
Geralmente, íamos em grupo de três ou quatro amigos, na sessão das 20 horas. Antes, comíamos um lanche no Xis (à época, o hambúrguer mais barato da cidade) e passávamos em uma banca para comprar uns gibis de super-heróis, que colecionávamos assiduamente. Já em casa, cada um na sua, lembrávamos das cenas do filme e socávamos uma bela bronha.
Hamburgão, gibizão, pornozão e punhetão... Éramos felizes. E bem sabíamos disso.
Hoje, sempre que passo pelo túmulo do cine São Paulo, ergo um brinde de rum imaginário à sua memória, às nossas memórias.
Se eu rezasse, faria-o para que a alma do cine São Paulo repousasse em paz por toda a eternidade. Rezasse, faria-o fervorosamente pela sua demolição, seu honroso funeral. Rezasse, cairia de joelhos na intenção de que seu prédio jamais se torne mais uma dessas igrejas evangélicas, que é o pior que pode acontecer com a alma de qualquer um.

sábado, 3 de março de 2012

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, que Fossa...(4)

Um clássico. Simplesmente.

Trocando Em Miúdos
(Chico Buarque/Francis Hime)
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu.


Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças.


Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter.


Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado.


Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu.

Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde.

Diretora Poderá Ser Punida Por Querer Moralizar Escola

Quem tem mais de 30, 35 anos (ou mais de 40, no meu caso), sempre foi à escola devidamente trajado com o uniforme exigido pela instituição. Fato que nunca nos traumatizou ou nos fez sentir tolhidos em nossa liberdade e individualidade.
Cheguei a frequentar a escola em épocas de uniforme total, ou seja, camisa branca, de botões, com emblema da escola, bermuda azul-marinho para os meninos, saia de mesma cor e de comprimento decente para as meninas, que no inverno eram substítuidos por calça de abrigo, sapato preto da vulcabrás com meias brancas, tênis conga para a educação física. Quem não estivesse trajado na íntegra não assistia às aulas. E fim de papo. Sem discussões ou debates sobre.
Com o tempo, foi aceita a calça jeans e o tênis preto ou azul-marinho, foi mantida apenas a camiseta (já sem botões) com o brasão da escola, mas ainda numa única cor. Acho que já era a má influência das teorias peidagógicas modernas começando a agir. 
O passo seguinte foi oferecer a camiseta da escola em diversas cores e modelos, permaneceu apenas o nome da escola impresso, pequeno, no canto, apagado, só um detalhe.
A escola, para agradar sua clientela, parecer moderna e democrática, instituiu o paradoxal uniforme variado. O multiforme, como eu o chamo há tempos.
Isso sem contar as camisetas de formatura, nas quais cada turma de terceiro ano do ensino médio e de oitava série do fundamental põem os nomes da sala toda nas costas, escolhem-nas  na cor que desejam e as estampam com os mais estapafúrdios desenhos e frases.
O brasão da escola praticamente desaparece, fica feito os emblemas dos times de futebol de hoje, perdidos em meio às logomarcas de seus patrocinadores.
Todo esse desregramento e licenciosidade, porém, ainda são poucos para os jovens da atual geração, em sua maioria, sem normas, limites nem a mínima noção de respeito, maus hábitos que praticam dentro de suas próprias casas; em sua maioria, filhos de pais mais indisciplinados, ignorantes, idiotas e babacas que os próprios filhos.
Hoje, grande parte dos alunos das escolas públicas se recusa a usar o uniforme da instituição, mesmo que ele já seja o multiforme, lhes oferecido nas mais diferentes versões. Chegam para as aulas vestidos da maneira que bem lhes apraz.
O pior : a escola nada pode fazer de muito incisivo contra. Pasmem os que não sabem do que vou dizer, mas há uma lei que proíbe a escola de barrar o aluno pela falta do uniforme; hoje, a escola é que é proibida de tudo, não o aluno.
Sim, há uma lei que não mais dá o direito à escola pública de cobrar o uso do uniforme. O aluno vai uniformizado se quiser, se ainda tiver a sorte de possuir pais conscientes.
A escola, segundo dizem as leis de diretrizes e bases, tem a função de educar o aluno, mas não há leis que garantam às escolas o efetivo exercício desse encargo. Para que bem se eduque, há a necessidade de normas e leis inflexíveis a ampararem o processo. Essas normas não mais existem.
Os embates, portanto, são mais que previsíveis. E inevitáveis.
Foi o que aconteceu na E.E. "Dr. Alarico Silveira", na Barra Funda, zona oeste de São Paulo.
Cansada do desrespeito ao uniforme e do abuso praticado pelos alunos, a diretora decidiu moralizar o ambiente escolar, decidiu fazer o que as leis de diretrizes e bases do ensino apregoam, educar aqueles adolescentes a se portarem da devida maneira em ambientes que não sejam os de suas casas.
Auxiliada por professores, a diretora ficou no portão de entrada da escola e impediu o acesso de um grupo de "estudantes" de 15 e 16 anos, em sua maioria mulheres, trajado de forma não concernente ao convívio escolar.
Impediu a entrada de estudantes vestidas de forma "sexy e provocativa". Blusas justas, sutiãs coloridos e saias apenas "conceituais" foram os critérios da triagem. Ou seja, a diretora impediu a entrada da biscataiada na escola.
No que fez muito certo. A escola não é lugar de quem se veste feito puta. Não deveria ser, pelo menos.
A reclamação foi generalizada, alunos e seus pais se queixaram formalmente da diretora à Secretaria Estadual da Educação, acusam-na de abuso de poder e de submeter seus filhos a constrangimento.
Constrangimento? A menina vai para a escola com os peitos de fora, o rego do cu aparecendo, a buceta a tomar vento, e se sente constrangida pela ação disciplinar da diretora? É brincadeira? Não, não é.
A Secretaria Estadual da Educação, recebedora da denúncia dos pais, afirmou, por meio de nota, que determinou que o episódio seja apurado em caráter de urgência. Depois disso, analisará as "medidas cabíveis" contra a atitude da diretora.
Por querer punir o que era justo que fosse, ela, a diretora, é quem o será. É o cu da cobra. É o poste mijando no cachorro e a merda enterrando o gato.
Acredito que a punição a ser decidida para a diretora, pelo pouco que conheço do serviço público, nada terá de sumária ou definitiva; não obstante, qualquer que seja, será por demais severa, uma vez que imerecida. 
Ela não será afastada de suas funções, tampouco exonerada de seu cargo. Provavelmente, ela receberá uma dura advertência de seu superior imediato e terá de se retratar, pedir desculpas a libertinos e imorais pais e filhos.
Nada de muito sério e irreparável será lavrado em sua ficha funcional.
Apenas a humilhação ante desclassificados, a constatação da inutilidade de décadas de esforço a serviço da Educação e a sensação do dever nunca cumprido, nunca deixado que ela o cumprisse.
Só isso.
Na reportagem que li, não foi citado o nome da diretora, apenas o de sua escola. De qualquer forma, o Marreta a parabeniza pela atitude moralizadora. Faz votos de que ela tenha sempre, e muito firme, a certeza de ter agido corretamente, e de que não se abale frente a esse lamentável e injusto revés.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Um Pouco De Tietagem

O meu modesto bloguezinho tem uma média de 60, 70 acessos diários, o que eu considero um bom número, visto que ninguém me conhece, que não ponho propaganda etc etc.
Qual não foi minha surpresa ao ver que, das 21 horas de ontem até as 23 e pouquinho, mais de 300 pessoas haviam acessado o Marreta.
Havia três comentários elogiando o texto Da Inteligência e De Seus Usos (Ou o Paradigma de Roger Moreira), um dos quais feito por alguém que se identificava como o próprio Roger, vocalista do Ultraje a Rigor.
Duvidei, claro. Achei que fosse uma pegadinha, e respondi isso no comentário. Fui dormir.
Intrigado, acordei, fiz um cafezão para rebater a ressaca e liguei a net (o número de acessos já ultrapassou os quatrocentos agora). 
O cara havia respondido ao meu comentário. Confirmava sua identidade, era mesmo Roger, e fornecia seu endereço no twitter caso eu quisesse confirmar.
Fui ao twitter e estava lá, o cara é realmente o Roger, e ele postou em seu twitter o endereço do Marreta. Daí, esse acesso recorde. Meu poderoso Marretão está felicíssimo, mais em riste do que nunca.
Roger foi um dos ídolos de minha geração, quando éramos adolescentes nos anos 80. Receber um elogio do cara de quem a gente comprava discos é muito legal, quase surreal. Ainda mais que o cara tem um QI de 172.
Puta que o pariu. Um gênio elogiou um texto meu.
Valeu, Roger, pela indicação em seu twitter.
Obrigado por ter invadido a praia do Marreta.
Abraços.

Em tempo : o twitter de Roger, a quem interessar possa, é o @roxmo

quinta-feira, 1 de março de 2012

Uma Elegia À Cláudia Ohana (3)

"...E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés, ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta..."

Da Inteligência E De Seus Usos (Ou O Paradigma de Roger Moreira)

O indivíduo que possua um QI de 140, 160, ou 180 pontos, tem que, obrigatoriamente, realizar grandes feitos com ele? Tem que, necessariamente, colocar suas habilidades a serviço do resto da humanidade (leia-se, a serviço dos burros) ou dedicá-las às causas consideradas nobres?
Não. Óbvio que não. Porra nenhuma que tem.
As habilidades são dele, bem como a decisão do uso que dará a elas. E quem não as tem que se foda.
O inteligente não tem obrigação alguma de pôr suas pestanas a queimar em prol do bem comum, em prol da melhoria da vida humana.
Ele até pode, se quiser. E alguns superdotados até o fazem, e o fizeram. O inteligente, porém, pode muito bem "trabalhar" só para si, pode muito bem usar suas potencialidades para obter, sem muito esforço, uma vida cômoda e aprazível.
Ele não tem que curar o câncer, colocar o homem em marte, decifrar buracos negros ou a origem do universo. Ele pode usar a sua inteligência para fazer a merda que quiser. 
Ele não recebeu a sua inteligência de um deus, junto com a incumbência de usá-la em favor dos menos favorecidos. Ele pode usá-la, inclusive, para não fazer nada.
Aliás, é necessária muita inteligência para decidir nada fazer, para perceber que nada do que for realizado mudará o mundo ou resultará em melhoria da espécie humana. 
É necessária muita inteligência para se dar conta da inutilidade de qualquer grande feito.
Um bom exemplo disso é Roger Moreira, o vocalista do grupo Ultraje a Rigor. Sim, o autor de Inútil e Marylou tem um QI de 172. Um dos mais altos do país, quiçá do mundo. Roger pertence à MENSA, uma organização internacional, com subsedes em vários países, que tem como membros os maiores cérebros do planeta.
Jô Soares, por exemplo, morde-se de ciúme (e de inveja) de Roger. Em uma de suas entrevistas com Roger, o gordo disse não ser membro da MENSA, que chegou a fazer o teste, mas, admitiu acanhadamente ao líder do Ultraje, que seu QI não ultrapassou os "modestos" 152 pontos.
Multitalentos, Jô Soares é humorista, escreve para a TV, teatro, cinema e literatura, atua, dirige e é artista plástico. Não faz parte da MENSA.
Roger, lá com seu rockinho básico e suas letras simples, safadas e bem-humoradas, é membro honorário.
Roger poderia ter uma produção artística tão grande quanto a de Jô Soares, ou até maior? Sim, claro que sim. E por que não a realiza? Porque não quer. Porque não precisa. Pura e simplesmente. E ponto.
Roger é aquele tipo de gênio cuja inteligência lhe permitiu claramente perceber a grande piada que é a existência humana, e a grande piada que ela sempre será. Roger optou por participar da piada ao invés de combatê-la; optou em escarnecer da farsa de dentro da própria.
Em termos de grandes feitos, Jô Soares supera Roger Moreira em muito. Em termos de inteligência, está aquém dele.
O inteligente, o verdadeiro, tem plena consciência de seu potencial, não precisa prová-lo a todo instante. Para ninguém. Nem para ele mesmo.
É o burro que fica cobrando a realização de grandes feitos por parte do inteligente. É o burro que acha que o inteligente deve grandes realizações à humanidade. É o burro que exige que o inteligente faça por ele o que ele (burro) não é capaz, não nasceu dotado para.
E de todos os burros, a sua pior subespécie : os citadores.
Os citadores são aquelas pessoas que, justiça lhes seja feita, sempre estudaram muito, sempre leram muito, devoraram livros e mais livros, feito traças ninfomaníacas.
Apesar disso, os citadores são incapazes de terem ideias próprias, uma única que seja. Até entendo o martírio deles, viver em um mundo de ideias e não as ter por conta própria.
Os citadores precisam desesperadamente do inteligente. O citador mal entabularia uma conversa de boteco se não se apossasse da fala do inteligente; comunicaria-se por mímica, o desgraçado citador, se não houvesse o inteligente.
O citador precisa de que o inteligente o abasteça de ideias continuamente, dai a cobrança por grandes feitos. Longe do inteligente, o citador entra em síndrome de abstinência.
E o citador sai falando, alto e sem parar, para que todos, querendo ou não, interessados ou não, saibam de sua falsa erudição, sai vomitando tudo o que engoliu, sem digerir nem entender picas.
O citador é o intelectual photoshopado. A gente olha a gostosa na capa da revista e ela não é tão gostosa assim, é tudo fake computadorizado.
A gente escuta o citador e acha que ele é inteligente. Não é porra nenhuma. Basta uma olhada um pouco mais atenta e veremos que o citador é puro photoshop, façamos um escrutínio um tanto mais minucioso e as estrias e celulites de sua burrice surgirão, flácidas e assustadoras.
Só para finalizar, cito aos citadores um trecho da música Nada a Declarar, letra de Roger Moreira, o rei do QI e da vida mansa :
"Eu não tenho nada pra dizer
Também não tenho mais o que fazer
Só pra garantir esse refrão
Eu vou enfiar um palavrão : cu."

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Evangélicos Querem Legalizar A Cura Da Viadagem

O sujeito, de livre e espontânea vontade, procura um psicólogo e lhe diz que não quer mais ser gay. O psicólogo deve oferecer seus préstimos e ajudá-lo em sua intenção?
Para o Conselho Federal de Psicologia, a resposta é categórica : não. Desde 1999, os psicólogos são proibidos de se manifestarem publicamente sobre ou de abordarem o homossexualismo com seus clientes como se ele fosse um transtorno, um problema.
Para a bancada evangélica da política nacional, é resposta é igualmente categórica : sim. O homossexualismo é um transtorno a ser tratado se for da vontade de seu portador, deus criou o homem e a mulher, garantem eles. 
O deputado evangélico João Campos (PSDB-GO) quer reverter a decisão do Conselho Federal de Psicologia e legalizar a "cura gay", por considerar que o conselho "extrapolou seu poder regulamentar" ao "restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional".
De um lado, os evangélicos e sua certeza cega, fundamentada em sua ilógica bíblia, de que a viadagem é uma doença; de outro, os psicólogos e sua certeza cega, fundamentada em sua falsa ciência, de que a viadagem é um comportamento normativo e não deve, em hipótese alguma, ser encarada diferentemente disso, ou sofrer qualquer intervenção de ordem terapêutica.
Os dois estão equivocados. Erradíssimos em se meterem na vida alheia e quererem decidir sobre aspectos íntimos e intransferíveis de outrem, padronizando-os.
Do alto de seus posicionamentos opostos, evangélicos e psicólogos mostram que têm muito em comum. Arraigados a seus dogmas, ambos são igualmente intolerantes e preconceituosos.
Acredito que a questão nem seja regularizar o "tratamento" para a rosca frouxa. A questão é, por que proibí-lo? Por que é proibido? Quem define que comportamentos são transtornos a serem tratados ou não? Com base em quê? A quem cabe o julgamento moral em estabelecer quem é passível de uma assistência terapêutica ou não?
O direito de decidir se algo é um transtorno, deveria ser dado, única e exclusivamente, à pessoa que vivencia uma situação que a incomoda, bem como o direito de procurar o auxílio que ela julgar conveniente.
A ninguém mais deveria caber tal decisão. Nem ao Conselho de Psicologia, nem ao Estado, e muito menos a um bando de evangélicos escrotos.
Para o ser humano, tudo pode se transformar num transtorno, num foco de conflitos pessoais. Tem aquele que é complexado porque é gordo demais, ou porque é magro demais, ou muito baixo, ou muito alto, ou porque tem o cabelo "ruim", ou porque usa óculos fundo de garrafa, ou porque tem orelhas de abano, ou porque tem o pinto pequeno etc etc.
Qualquer dificuldade em aceitar a própria natureza, por mais boba que possa parecer, pode gerar sérios transtornos. 
Por que ser gay - descobrir-se gay - tem que ser motivo de alegria e júbilo para todos que o são? Por que ser gay não pode gerar dúvidas e inseguranças iguais às que possuem o magro demais, o gordo demais, o que tem acnes demais?
E por que esse sujeito não pode receber uma orientação profissional, se é de sua livre vontade?
Claro que não há uma cura para a homossexualidade, uma vez que em doença ela não se configura. Se o cara for gay dos legítimos, psicólogo nenhum do mundo mudará isso.
Mas permitindo que ele procure um profissional com a intenção de se curar, o bom psicólogo poderá, ao longo do processo, conscientizar o viadinho de sua condição natural, ensiná-lo a melhor aceitar, conviver e, por que não?, usufruir do que não pode ser mudado.
O bom psicólogo não vai - e nem poderia - mudar a orientação sexual inata ao sujeito. Pode curá-lo, porém, da rejeição que ele nutre por sua própria condição natural. Lentamente, o psicólogo vai mudando o enfoque das consultas e promove a autoaceitação do indivíduo. Findo o processo, ele nem se lembrará de que foi lá atrás de uma "cura". É bem capaz que, em agradecimento, o viadinho até acabe dando a bunda pro psicólogo.
No entanto, se o tema homossexualismo como foco de conflitos for tornado em tabu, o sujeito não terá a oportunidade nem de aprender a se aceitar.
E notemos como a coisa é incoerente, mesmo hipócrita. A medicina aceita tranquilamente a cirurgia de mudança do sexo físico como um procedimento ético e moral, mas taxa de preconceituosa a tentativa de mudança da orientação sexual. Permite que o cara corte o pau fora, mas impede que ele queira restaurar e preservar as pregas do cu.
De qualquer forma, o que deveria ser proibida, é essa tamanha ingerência dos Conselhos de Psicologia, do Estado e, agora, dos fanáticos religiosos no âmbito pessoal da vida do cidadão.
Não tem que proibir nem legalizar, o assunto tem que ser deixado à livre decisão de cada um. O que deveria ser proibida, é essa fiscalização do cu alheio. 
Aproveitando essa onda toda de proibições - e também para não perder a chance de marretar dois de meus alvo prediletos -, duas outras coisas podiam ser proibidas a bem da nação : o cara se tornar evangélico e se formar em psicologia.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Hóstia Do Capeta

Corpo de Cristo é o caralho! Em Campobasso, região central da Itália, a hóstia consagrada virou foi o corpo do capeta, do demo, do Mefistófeles.
Tudo transcorria bem durante a missa do último domingo próximo passado, dia 19/02. Até que chegou a hora da hóstia, e as beatas fizeram fila para receber o corpo de cristo em suas bocas, sempre rezando para serem sorteadas com a parte da benga.
Passados alguns minutos, as beatas ficaram muito loucas, algumas abraçavam e esfregavam os crucifixos nas tetas e nas pombas do espírito santo, outras começaram a ter visões de santos, outras, ainda, começaram a bater no padre e gritar que ele era o demônio.
O incidente nada teve de possessão demoníaca. Nem tampouco foi ocasionado pelo excesso de calor na bacurinha das beatas; afinal, não eram os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo a cantarem suas musiquinhas safadas e a provocarem descargas de progesterona na velharada.
Foi um simples caso de ergotismo. A farinha de cereais usada no preparo da hóstia estava contaminada por esclerócios, massas compactas de fungos ricas em alcaloides psicoativos, que podem causar alucinações em menos de um minuto depois de sua ingestão. O mais famoso desses esclerócios é o do fungo Claviceps purpurea, produtor do ácido lisérgico, o LSD.
Assustado com o capeta em ação dentro de sua igreja, Don Achille, o padre da igreja do Santo Espírito de Campobasso, homem de muita fé e devoção, fez o que qualquer homem de deus faria em seu lugar : escondeu-se na sacristia e esperou a chegada da polícia.
A retirada dos fiéis não foi tranquila, muitos estavam extremamente alterados. Um dos oficiais comparou a cena com aquelas ocorridas durante o G8, quando os militantes agarravam-se aos postes para não serem retirados do local. 
As beatas queriam mais, queriam se esfregar loucamente nos santos, derramar o vinho do padre entre as tetas, fornicar no altar-mor. A hóstia do tinhoso é o ecstasy católico.
Horas depois, a assessoria de imprensa da diocese desmentiu o ocorrido, atribuiu o "boato" a um ataque contra a Igreja Católica. Do mesmo jeito que desmentem os casos de pedofilia.
Para não perder o estoque das hóstias do capeta - e ainda lucrar uns trocados -, a paróquia de Campobasso pensa em negociá-las com o pessoal do Santo Daime.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Governador Alckmin Convoca Professores Semianalfabetos Para Darem Aulas

Seja qual for o cargo público, ou o grau de instrução que cada um requeira, ninguém é admitido pelos munícipios e estados sem ter sido aprovado num concurso de provas e títulos. Policiais, lixeiros, médicos, secretários, serviços gerais, engenheiros, advogados etc etc.
Todos, ou são aprovados em um concurso ou, simplesmente, não exercem sua profissão no serviço público.
Quase todos, na verdade. Todos menos um, desgraçadamente. Há uma categoria que é absorvida pelo Público sem estar capacitada a tal. Há um tipo de profissional que não precisa ser aprovado em um concurso para trabalhar. Pior que nem ser aprovado : nem precisa mais prestar o concurso para trabalhar.
Atualmente, do total dos 210 mil professores que compõem o quadro de magistério do estado de São Paulo, 100 mil são docentes não concursados. 
Quase metade dos professores paulistas nunca foi aprovada em um concurso, muitos já nem prestam a prova, certos de sua utilização pelo governo. E olha que o concurso nem é aquela coisa toda, é uma provinha básica, que cobra o mais raso que é possível de cada disciplina.
Não obstante, esses incapazes são postos dentro das salas de aula devido ao número insuficiente de mão de obra minimamente qualificada. Recebem o nome de admitidos em caráter temporário, mas muitos são os que se aposentam sendo temporários sua vida inteira. Sim, muitos se aposentam pelo Estado sem nunca terem sido aprovados em concurso.
E a coisa não para por aí. Há o tal do eventual, que é um tipo de "tapa-buraco" da escola. O cara, por exemplo, é licenciado em matemática (formado pelo ensino à distância, mal sabe a tabuada), mas é usado pela escola na substituição de professores de qualquer disciplina. 
Falta o professor de História, o cara que não sabe a tabuada está lá, falta o de Biologia, o cara que não sabe a tabuada entra em ação, falta o de inglês, o cara que não sabe a tabuada surge com giz e apagador nas mãos.
Para tentar "moralizar" um pouco essa putaria, o governo do estado de São Paulo criou, há uns 3 ou 4 anos, uma prova classificatória para esses eventuais e admitidos em caráter temporário. Ou seja, foi criado um subconcurso, um concurso destinado àqueles que não conseguem passar num concurso.
O tiro saiu pela culatra. O governo acertou o próprio pé, e revelou um quadro ainda pior do que se supunha. Uma parcela considerável zerou na prova. E zeram até hoje.  Num primeiro momento, esses semianalfabetos diplomados foram impedidos de pegar aulas, classes não mais lhes seriam atribuídas. Nada mais coerente.
A falta crassa de professores, porém, obrigou o governo a reconsiderar, a voltar atrás e readmitir os, literalmente, zeros à esquerda.
Não teve como. Ou era isso ou os início e transcorrer do ano letivo seriam prejudicados. Teve-se que deixar cair a máscara de uma vez por todas. A máscara que tentava ocultar o que todos sabemos ser a marca do brasileiro : a incompetência.
Incompetência do governo estadual (proposital, nesse caso) em não proporcionar condições de trabalho e pagar salário decente ao professor; incompetência do MEC (mais desfaçatez, até) em regularizar o funcionamento de faculdades cada vez piores, faculdades de fim de semana, de beira de estrada; incompetência de muitos que se metem a ser professores sem possuirem o menor talento para tal, que acham que qualquer um pode entrar numa sala e lecionar, um bando de chucros que melhor serviriam à sociedade (e a si mesmos) se portassem uma enxada, não um giz; e incompetência das famílias em não cobrar do Estado uma escola de melhor qualidade, em não darem a devida importância à formação de seus filhos.
Pelo terceiro ano consecutivo, o governador Geraldo Alckmin está a convocar os professores reprovados no subconcurso para docentes. Reprovado significa não ter acertado nem 50% das questões propostas, todas na forma de testes de múltipla escolha. Esgotados os reprovados, Alckmin chamará os que, inclusive, nem chegaram a prestar a prova.
Concursos têm sido realizados com maior frequência, mas parcela significativa dos aprovados nem assume o cargo. E os que assumem, logo pedem exoneração. Pudera, um professor recém concursado irá ganhar pouco mais de mil reais (salário bruto) por uma jornada básica de 25 aulas semanais. O valor divulgado por Alckmin na imprensa, R$ 1989,00, é mentiroso, e ainda que fosse verdadeiro, não deixaria de ser miserável.
Há bons professores na rede pública. Ainda os há. São aqueles que estão na faixa dos quarenta anos para cima, são aqueles que começaram a carreira em época que se pagava um pouco melhor, são aqueles que, já com vistas à aposentadoria, não vão abandonar tudo de uma hora para outra, embora essa seja a vontade muitas vezes. 
Mas não haverá a renovação dos bons docentes. Em quinze ou vinte anos, talvez menos, apenas os zeros estarão à frente de uma sala de aula, apenas os "graduados" em faculdades à distância.
Hoje, o bom aluno e seus pais são submetidos todos os anos a uma roleta russa - um professor ruim pode fazer mais estragos que uma bala na têmpora- , não contam com a certeza de serem servidos por bons profissionais, contam apenas com o acaso, com a sorte de "caírem" com bons professores. Daqui a alguns anos, contarão com a certeza da bala a lhes estourar a cabeça.
Os professores semianalfabetos estão de volta às salas de aula, desarmados até os dentes.
Não há mais como esconder a podridão, a deformidade, a cicatriz. A máscara caiu.
Todavia, para a sorte do governo, muito pouca gente está olhando.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O DNA Da Poesia

Escrever um poema decente
Ou compor uma bela poesia,
Nada tem de pureza ou de serenidade,
Nada tem de transcendência ou de inspiração,
Nada tem de musas a dizerem obscenidades aos nossos ouvidos,
Nada tem de alegria.

Tem é de alívio :
Tem é de limonada em dias de sede,
Tem é de furúnculo vir a furo,
Tem é de dar uma deslizante e quilogrâmica cagada.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Marreta Apoia O Secularismo E O Laicismo

Artigo 19 da Constituição Federal do Brasil
É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

Ou seja, o Brasil é laico, o que significa dizer que somos um Estado independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa. 
O Brasil é secular (em oposição a eclesiástico), nega o controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos.
Mas isso, como quase todas as leis brasileiras, é só no papel. O que vemos na prática é bem diverso, o que vemos no dia a dia é o total desrespeito ao artigo 19. O brasileiro é um criminoso religioso, um fora da lei em nome de deus.
Nossas notas de dinheiro têm a inscrição deus seja louvado, há cristos pendurados em cruzes nas repartições públicas, escolas públicas ministram aulas de ensino religioso, igrejas são livres de impostos, o Censo do IBGE tem a religião como um de seus itens,  aparece a lacuna religião nos dados pessoais das fichas para empregos, a ser preenchida pelo candidato.
Contrariando o parágrafo III do artigo, os religiosos são diferenciados pela lei : suas igrejas podem fazer barulho à hora que bem entenderem, são imunes à lei do silêncio, jovens do sexo masculino de certas religiões são dispensados do serviço militar obrigatório por força de sua fé, estudantes de outras religiões conseguem dispensa de aulas e de provas se essas ocorrerem numa sexta-feira, outros não podem ser convocados para trabalhar nas eleições etc etc
Onde está o laicismo do Estado Brasileiro? Por que os filhos das putas do padre e do pastor não pagam impostos? Eles não têm renda? O dinheiro deles vêm direto de deus? Qual o interesse do IBGE na religiosidade do brasileiro, se ele é um órgão público e somos um Estado laico? Por que tenho que aguentar a cantoria demente de uma igreja evangélica sem poder reclamar? Pior : se eu reclamar, sou taxado de intolerante, processado e até preso, pois os débeis mentais têm o direito de culto.
É por essas e por outras que o Secularismo tem ganho enorme força nos últimos tempos, sobretudo em países europeus, onde se dava o mesmo desrespeito contra o laicismo do Estado. Alemanha, França, Espanha, Reino Unido e Portugal são os expoentes desse retorno secular.
O Secularismo é um sistema de pensamento racional que rejeita toda forma de fé e devoção religiosa, as quais devem ser sumariamente excluídas da educação pública e  de outros assuntos estatais.
O Papa, pudera, anda pela Europa a manifestar sua preocupação com o ressurgimento secularista. O nazistão alerta para o nascimento de uma sociedade sem religião e extremamente materialista, dedicada apenas às posses terrenas.
O Papa preocupado com o materialismo? Então, passou da hora da igreja católica começar a se desapegar de suas terras, de seus tesouros roubados dos judeus durante a Segunda Guerra, de suas obras de arte etc.
No Brasil, o movimento secularista ainda é incipiente, mas já tem articuladores.
Jovens de cinco estados brasileiros realizarão a 2ª Marcha Pelo Estado Laico, no dia 10 de abril; a primeira foi em agosto do ano passado.
João Alfredo, organizador da marcha no Rio, disse que a manifestação reflete uma preocupação com a crescente influência das igrejas nas decisões de Estado, vide as bancadas evangélicas na Câmara e no Senado. A articulação do manifesto está sendo feita por intermédio do Facebook, onde há uma página para cada local. 
O Marreta do Azarão dá seu apoio e divulga os endereços eletrônicos para os  que quiserem aderir ao movimento.
O Marreta é pelo Secularismo, pelo civil e mundano. Enxotemos da vida pública, a igreja. Enxotemo-na do planeta.
Fonte: Paulopes

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Bem-Vindas As Cinzas E A Calmaria

Passados os temporais,
Consertam-se as telhas quebradas,
Lavam-se as calçadas enlameadas,
Recolhem-se os destroços da enchente,
Põem-se de pé os ossos
(o que se há de fazer?)
E se segue em frente.

Passados os carnavais,
Desentopem-se as calhas das serpentinas,
Colocam-se ao sol os colchões :
Tirar-lhes os ácaros e as colombinas,
Arrancam-se da alma as Venezas,
Despelam-se do rosto as máscaras negras,
Escovam-se os confetes dos dentes, 
Põem-se ao chão as fantasias, os sonhos
(o que se há de fazer?)
E se segue em frente.

Passados os temporais, os carnavais,
Somos retalhos de cetim
E passados atemporais.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É A Podridão, Meu Velho

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
 É a podridão, meu velho!
 E essa futura
 Ultrafatalidade de ossatura,
 A que nos acharemos reduzidos!
 (Augusto dos Anjos) 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ateus São Melhores de Cama (2)

Já comentei aqui sobre a pesquisa que constatou que os descrentes são melhores metelões. Realizado na Universidade do Kansas (EUA), o estudo concluiu que a ausência do sentimento de culpa, entre outros fatores, torna os ateus mais livres e ousados na hora do rala-e-rola.
Baseados nessa pesquisa, os Ateus dos Estados Unidos, representados pelas organizações a American Atheists e a Backyard Skeptics, anunciaram em outdoors que são melhores amantes. Os outdoors ganharam as ruas no dia 14 de fevereiro, o dia dos namorados lá deles.
Tradução livre do Azarão : Os ateus trepam melhor (afinal, ninguém (deus) está  assistindo).

Estão a duvidar? Pensam ser propaganda enganosa? Experimentem, ora essa. Deem para um ateu!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Robô Cagão

Vem do Reino Unido o mais recente avanço em tecnologia robótica. Cientistas britânicos desenvolveram o protótipo de um robô que dispensa o uso de baterias, o que reduzirá a intervenção humana nas atividades da máquina, pois não háverá mais a necessidade de troca ou recarga.
O robô, batizado de EcoBot 3, conseguirá a energia para o seu funcionamento, simplesmente, comendo e processando a comida. 
Ele é capaz de gerar sua própria energia através de um dispositivo que converte resíduos orgânicos em eletricidade com a ajuda de micro-organismos; algo análogo ao que acontece com o ser humano. Ele pode processar qualquer tipo de matéria orgânica, mesmo lixo ou matéria em decomposição.
Teve dois predecessores : o EcoBot 1, que era alimentado com açúcar, e bactérias E. coli faziam o resto; o EcoBot 2, que já podia comer frutas e legumes podres, além de restos de insetos. Mas nenhum deles conseguia fazer o que faz todo mundo que come , ou seja, cagar.
O EcoBot 3 consegue. O EcoBot 3 é o primeiro robô cagão do mundo!
Ele é capaz de eliminar os resíduos de seu metabolismo, o que confere a ele o título de o primeiro "sistema artificial autossustentável", segundo os seus criadores. Inicialmente, os cientistas colocaram a comida do robô em locais fixos e específicos; depois de algum tempo, o robô era capaz de ir buscar seu alimento em outros locais.
O projeto foi desenvolvido conjuntamente pelas Universidades de Bristol e West England; os cientistas, animadíssimos, já preveem vários possíveis usos para o robo cagão.
Um deles seria enviar esses robôs a ambientes com alto grau de poluição orgânica, eles comeriam o lixo e limpariam o ambiente das substâncias tóxicas. 
Se bem que, nesse caso, acho que seria trocar seis por meia dúzia. Ou, mais grosseiramente falando, trocar merda por bosta, literalmente. O robozinho vai lá, comendo tudo o que vê pela frente, limpando tudo, daí a pouco, porém, começa a cagar tudo de novo. Limpa na frente e suja atrás.
Outra aplicação para o robô cagão, dizem os cientistas, seria usá-lo em explorações marinhas de águas profundas. O EcoBot 3 poderia passar mais tempo em grandes profundidades do que os equipamentos atuais, pois não teria que ser içado para troca das baterias (a falta de luz em ambientes profundos impede o uso de baterias solares nos equipamentos tradicionais), ele se alimentaria da biomassa dos ambientes abissais.
Até posso imaginar os relatórios dos pesquisadores : "A expedição abissal do EcoBot 3 foi um sucesso, ele realizou uma varredura em solos profundos como nunca antes realizada, e encontrou várias novas espécies, cinco espécies de peixes, oito de moluscos, quatro de crustáceos etc. Infelizmente, essas espécies já foram extintas, o EcoBot 3 precisou comer todas elas para se manter operante em sua missão".
E tem mais. Olhei para a foto do robô, olhei, olhei de novo, e não vi nenhuma estrutura que se pareça com um braço ou com uma mão. O que suscita uma última pergunta, urgente e inevitável : como é que o EcoBot 3 vai limpar o cu?
Fonte : BBC Brasil

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Picada De Abelha Provoca Embichamento

Peter Parker - rapaz franzino, introvertido, cdf, óculos fundo de garrafa - teve sua vida tansformada ao visitar uma Feira de Ciências e ser picado por uma aranha radiativa que havia fugido de um dos experimentos lá expostos.
De alguma forma, Peter Parker teve parte do DNA aracnídeo fundido ao seu, o que lhe conferiu habilidades extraordinárias : poder de aderir às paredes, agilidade e forças sobre-humanas (proporcionais às de uma aranha) e um sentido de aranha que o alerta sobre perigos que sua visão não capta, um ataque pelas costas por exemplo. Peter Parker só não adquiriu a habilidade de fabricar teias e lançá-las pelo cu. Ainda bem.
As teias, bem como seus lançadores, ficaram por conta de sua genialidade em bioquímica e mecânica.
Peter Parker transformou-se num dos mais famosos super-heróis de todos os tempos, o Homem-Aranha.
Mas isso foi lá nas histórias em quadrinhos, no mundo dos finais felizes, onde o bem vence o mal.
A vida real é bem menos heróica, digamos assim, é bem mais inglória.
Ted Prince, 40 anos, era um estadunidense muito bem resolvido, casado há oito anos, pai de dois filhos, feliz e satisfeito de sua vida. Até que foi picado por uma abelha.
Fosse em terras de Peter Parker, um novo super-herói estaria a cortar os céus da metrópole sem lei, o Homem-Zangão, ou coisa que o valha. Dotado de habilidades apídeas, ele poria os criminosos a nocaute com seus ferrões paralisantes, ou confundiria os sentidos dos meliantes  com emissões subsônicas geradas por suas super asas.
No mundo real, o que se deu com Ted Prince ficou muito longe disso. Léguas e léguas distantes.
Segundo relatos do mesmo, a picada da abelha desencadeou reações estranhas em seu corpo, fez seu organismo perder uma grande quantidade de testosterona (o hormônio do macho), o que lhe conferiu algumas modificações físicas peculiares : sua voz ficou mais aguda, sua pele tornou-se mais fina e delicada, e suas formas, mais femininas.
As transformações, porém, não instalaram o pânico em Ted. Antes pelo contrário, Ted se sentiu mais "confortável" em seu novo corpo. Palavras de Ted : "Meus seios começaram a se desenvolver, e minha pele foi ficando mais macia. Minha massa estava mudando, e eu estava gostando do que via".
Resultado : em 2008, Ted passou por uma cirurgia de mudança de sexo na Tailândia e tornou-se Chloe Prince.
Hoje, Chloe mora com a ex-esposa e as "duas" prosseguem na criação dos filhos. Afinal, abelha que é abelha não abandona a colmeia.
Os médicos supõem que Ted seja portador da Síndrome de Klinefelter, que estava latente em seu organismo até a picada da abelha, explicação que, a mim, parece das mais esfarrapadas. Parece-me que Ted, que admitiu gostar de usar roupas femininas quando criança, sempre gostou de ser "ferroado", e usou a picada da abelha para assumir a boiolice, para soltar a argola amparado pela "ciência".
De qualquer forma, vivemos em tempos perigosos, o tempo do não-tempo, segundo os Maias; conveniente, portanto, manter distância segura de colmeias e produtos derivados de mel e propólis, só para não dar sopa ao azar.
Ted não se transformou no Zangão Man, virou a Abelha Rainha (...Ó abelha rainha faz de mim um instrumento de teu prazer...É meio-dia, é meia-noite, é toda hora, lambe olhos, torce cabelos, feiticeira vamo-nos embora...)
Puta que o pariu !!!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Uma Elegia À Cláudia Ohana (2)

"Eu quero me enrolar nos teus cabelos,
Abraçar teu corpo inteiro,
Morrer de amor, de amor me perder"

Jair Bolsonaro Diz : "Haddad É O Candidato Do Kit Gay"

O intrépido e incansável deputado Jair Bolsonaro está sempre atento às investidas do povo da rosca frouxa e de seus simpatizantes e colaboradores.
Está sempre de olho nas tentativas GLS de embichar o país e torná-lo um paraíso para a viadada através da aprovação do PLC 122, projeto de lei que conta com nada mais nada menos que 180 ítens de "apoio" aos coloridos, ou seja, 180 privilégios legais aos gays.
Um desses ítens é o famigerado kit gay, um material "didático" encomendado pelo governo do PT para ser distribuído a crianças de 6 a 10 anos de idade das escolas públicas do país. Teoricamente, o material visa ensinar a tolerância e a aceitação das diferenças; na prática, a verdade é bem outra. Com vídeos que mostram crianças de mesmo sexo se beijando e um confuso travesti mijando no banheiro masculino da escola, o material é uma apologia e um incentivo à homossexualidade.
A distribuição do material, programada para o início do ano passado, foi barrada pela ação de Bolsonaro e seus correligionários. O kit gay, porém, só foi engavetado, não morreu.
Agora, Bolsonaro volta à carga e denuncia : "Haddad - o candidato do kit gay".
Fernando Haddad é o ex-ministro da Educação responsável por toda as cagadas ocorridas no ENEM dos últimos anos, e agora é pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Se eleito, pode exercer forte influência na aprovação do PLC 122 e, consequentemente, na liberação do kit gay.
Em uma das paredes de seu gabinete, Bolsonaro mantém um espaço que ele chama de o "mural da vergonha", no qual afixa material sobre assuntos que considera ultrajantes. É nesse mural que ele pregou um cartaz de alerta contra Haddad, no qual se pode ler uma pergunta subscrita : "As crianças de seis anos terão aula de homoafetividade nas escolas?".
Mais uma vez, parabéns pela eterna vigilância, Bolsonaro.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bienal : Vá, Mas Não Me Chame

Tenho um primo que gosta de arte contemporânea, que diz gostar, que acha mesmo que gosta, que acha mesmo que aquilo é arte.
Sinceramente, eu não sei que tipo de arte alguém pode reconhecer, por exemplo, numa obra que nada mais é do que uma lata de Sopa Campbell's pintada sobre uma tela (Andy Warhol). Ou em colocar a própria merda dentro de latas de conserva e vendê-las como uma "ideia" (Piero Manzoni); no rótulo das latas podia-se ler (já traduzido do italiano) : Merda do Artista, conteúdo líquido 30 g, conservar ao natural, produzido e enlatado em tal data. Ou , ainda, em vacas coloridas de fibra de vidro espalhadas pelas ruas da cidade (sei lá quem é o autor disso). Mas enfim..
Tive contato voluntário com a tal arte contemporânea por uma única vez. Há algum tempo, muito tempo, ainda que não o suficiente para esquecer o que vi, o que é bom por um lado, evita que eu caia em novas arapucas do mesmo tipo, fui visitar uma mostra de arte contemporânea num museu daqui da cidade, o MARP, que exibia, então, obras de jovens artistas locais.
Entrei, assinei o livro de visitas - com o meu nome mesmo, não com aqueles nomes de duplo sentido que as pessoas costumam pôr nesses livros, Jacinto Pinto Aquino Rego, Thomaz Turbando etc -, e subi a escadaria que dava acesso ao recinto da exposição.
Mal galgava ainda o último degrau e dei de cara com uma sala cujo piso estava forrado por um pó branco, farinha de trigo, pude constatar depois. As pessoas entravam e passeavam à vontade pela sala, deixando suas pegadas na farinha, e a "arte" consistia naquilo. Acho até que havia um pequeno cartaz na parede com o nome do autor e sua explicação sobre a obra. Não o li.
Aquilo já minou boa parte do bom humor e da boa vontade com os quais me muni ao resolver pela visita à exposição, mas eu não iria jogar a toalha assim, logo no primeiro round.
Ao sair da sala da farinha, um grupo de pessoas me chamou a atenção, elas estavam aglomeradas ao redor do que me pareceu uma grande caixa branca de madeira. Respirei fundo, enchi-me de espartanas coragem e pertinácia, e aproximei-me do grupo.
Era mesmo uma grande caixa fechada de madeira, um cubo branco com um pequeno orifício em sua face superior, e um fio saía desse orifício, um barbante desses comuns. Aquele barbante era mantido "em pé" por um vento vindo do interior da caixa, produzido por um ventilador oculto ou coisa que o valha. O barbante ficava lá ao sabor do vento, feito aqueles bonecos infláveis de postos de gasolina, e as pessoas a olharem compenetradas para aquilo, buscando entender o profundo significado da obra.
Bastou-me. Aquilo também já era demais. Fui a nocaute. Puta que o pariu !!!
Nem olhei o resto da exposição. Desci as escadas, passei novamente pelo livro de visitas, assinei Thomaz Turbando e fui embora, para nunca mais.
Em uma de suas músicas, o cantor e compositor Zeca Baleiro faz uma divertida e inspirada brincadeira com essa arte "modernosa" e seus admiradores "cabeças". A canção Bienal, gravada em dueto com Zé Ramalho, é uma sátira bem-humorada à arte contemporânea; aliás, uma sátira com muito mais arte que a própria arte que ela satiriza. Abaixo, a letra

Bienal
(Zeca Baleiro/Zé Ramalho)
Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
calcado da revalorização da natureza morta

Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopótamo insone"

Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno

Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana

Com a graça de Deus e Basquiat
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana

Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina

Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria

Com o clarão do raio da silibrina 
Desintegro o poder da bactéria