segunda-feira, 12 de novembro de 2012

José Dirceu É Condenado A 10 Anos De Prisão

Há quase 50 anos - sim, em 2014 irá ocorrer o cinquentenário do chamado golpe militar de 64 -, as Forças Armadas tomaram o poder no Brasil para evitar que um mal maior o fizesse : o comunismo.
O comunismo canalha, nos mesmos moldes da URSS, da Cuba de Fidel e da China de Mao, estava a um triz de ser implantado no país por quadrilhas de guerrilheiros, das quais faziam parte ilustres "defensores da democracia" , entre eles : José Genoíno, José Dirceu, e a vossa querida presidenta Dilma. A ação mais famosa desse grupo foi o assalto ao cofre do governador Adhemar de Barros, além de roubos de armas do exército, assaltos a banco e sequestros.
Vale sempre relembrar : eles nunca lutaram por uma democracia, mas sim por uma ditadura comunista, chamada por eles de ditadura do proletariado, nas cartas que trocavam entre si.
Deles, os militares disseram : subversivos, bandidos, canalhas, formadores de quadrilhas.
Daí, prenderam uns tantos (prenderam pouco, na minha opinião), deram uns catiripapos em alguns (bateram pouco), alguns morreram (morreram poucos) e outros foram postos a correr, foram para o exílio, e depois anistiados.
Sobre a anistia, já ouvi os mais velhos que eu contarem essa história algumas vezes, o ex-presidente João Baptista Figueiredo, à ocasião de sua assinatura, de caneta em punho, desculpou-se antecipadamente com a nação, palavras dele, pela merda que estava prestes a fazer. Ele era um soldado, um bom soldado, obedecia a ordens.
O governo militar caiu em 1985 e a canalhada da esquerda, já de volta do exílio e livre da cadeia, tomou o poder, nadou a largas braçadas desde então.
Quase 50 anos depois, a Justiça de um Estado Democrático, referindo-se a José Dirceu, José Genoíno, e outros do PT, diz : bandidos, facínoras, formadores de quadrilhas.
A Justiça mostra, agora, exatamente o que os militares disseram há 50 anos. Exatamente a mesma coisa.
Precisou quase meio século, e um país enxovalhado em sua Constituição e dilapidado em seu erário público, para que a razão fosse dada aos militares, que pegaram pesado com essa turma, deveriam ter pego muito mais pesado, na minha opinião. Tivessem expulsado e matado mais uns tantos, talvez o mensalão não houvesse acontecido, talvez um analfabeto e, agora, uma ex-guerrilheira não tivessem chegado ao mais alto cargo político do país.
Podem ser atribuídos os mais diversos defeitos ao governo militar, como igualmente ao atual governo e também a todos os governos vindouros.
Em uma coisa, contudo, os militares são inegavelmente especialistas, são praticamente infalíveis : em reconhecer o inimigo! Há meio século, identificaram com precisão suíça os verdadeiros inimigos do país : o banditismo vermelho, o atual PT.

Em tempo : Em 13 de abril de 2011, após três décadas de sigilo, o Arquivo Nacional tornou público um documento da Aeronáutica que revela que a organização guerrilheira VAR-Palmares - da qual fez parte a atual presidente Dilma Rousseff - determinou o "justiçamento", ou seja, o assassinato de oficiais do Exército e de agentes de outras forças tidas como reacionárias, nos anos da ditadura militar.

domingo, 11 de novembro de 2012

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(12)

Adoniran Barbosa é sempre lembrado por suas músicas bem-humoradas e sua pronúncia errada - propositadamente errada.
Contudo, grande parte da aparente graça de suas composições advém da maneira pela qual são tocadas pelo grupo Os Demônios da Garoa, o intérprete oficial de Adoniran.
As letras de Adoniran, em sua maioria, não têm nada de engraçadinhas. Pudera. Filho de imigrantes italianos, vivia de subemprego em subemprego, vivia de bicos, e morava em cortiços, as malocas, espécies de favelas da época.
Suas letras cantavam esse submundo, retratavam os trabalhadores braçais, os analfabetos, os desvalidos. Qual a graça nisso? Qual a graça que pode haver na letra de Saudosa Maloca, nas pessoas assistirem à demolição de seu lar sem terem a mínima noção de onde passariam a residir?
Acontece que Adoniran não faz drama, não choraminga, e, talvez, as pessoas confundam a falta do drama e do choro com bom humor. Não é. O drama está lá, denso e onipresente.
Será que alguém consegue mesmo rir da clássica Iracema? Da Triste Margarida, da Viaduto Santa Efigênia, da Aguenta a Mão, João, da Abrigo de Vagabundos etc etc?
Adoniran não é alegre, nem poderia ser, ele tão somente ri da própria desgraça, que é uma das formas mais profundas de tristeza que conheço. 
Ele registra a conformidade do homem simples frente ao que não entende nem pode controlar ("Cada táuba que caía, Doia no coração, Mato Grosso quis gritá, Mas em cima eu falei: Os homis tá cá razão, Nós arranja outro lugar, Só se conformemo quando o Joca falou: "Deus dá o frio conforme o cobertor"); ele retrata a resignação do impotente, do cara que leva a porrada e não tem como revidá-la, só tentar absorvê-la, remendar as feridas, dar aquela choradinha no travesseiro, que ninguém precisa ver nem tomar conhecimento, e torcer para aguentar a próxima; Adoniran canta a submissão daquele que não tem outra opção a não ser submeter-se ("- Iracema, fartavam vinte dias pra o nosso casamento, Que nóis ia se casar, Você atravessou a São João, Veio um carro, te pega e te pincha no chão,Você foi para Assistência, Iracema, O chofer não teve curpa, Iracema,Paciência, Iracema, paciência").
Se alguém ainda acha Saudosa Maloca engraçada, fuce pela net, encontre a gravação feita por Elis Regina e depois venha me contar.
E para quem acha que é só o homem que sai para comprar cigarro e nunca mais volta ao lar, leiam a letra e depois escutem a música a seguir. Nesta história, é a mulher que sai e não volta mais, sai para comprar o pavio do lampião. Inêz, sua biscate.
Apaga o Fogo, Mané
(Adoniran Barbosa)
Inez saiu 
Dizendo que ia comprar um pavio
pro lampião
-Pode me esperar Mané

Que eu já volto já
.


Acendi o fogão, botei a água pra esquentar

E fui pro portão

Só pra ver Inez chegar.

  Anoiteceu e ela não voltou
Fui pra rua feito louco

Pra saber o que aconteceu.

 
Procurei na Central

Procurei no Hospital e no xadrez

Andei a cidade inteira

E não encontrei Inez

Voltei pra casa triste demais

O que Inez me fez não se faz.

 
E no chão bem perto do fogão

Encontrei um papel

Escrito assim:

-Pode apagar o fogo Mané que eu não volto mais.

Pode apagar fogo, Mané. E paciência, Mané, paciência.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Cadialina

Realmente, em tempos de politicamente correto e de pessoas que querem tudo pela lei do menor esforço, a vida de quem tem senso de humor está cada vez mais complicada. Perigosa, até.
Um médico de Salvador (BA), contratado da Fundação José Silveira, que percorre as comunidades carentes da capital baiana, receitou um inusitado regime a uma paciente muito da gorda e esfomeada.
Receitou-lhe o remédio Cadialina. Genial.
A moça, com o peso inversamente proporcional ao QI, não entendeu o chiste, perguntou onde ela poderia encontrar tal remédio. O médico disse, então, que ela passasse em uma loja de ferragens e comprasse 6 cadeados : um para a sua boca, outro para a geladeira, outro para o armário, outro para o freezer, outro para o congelador e outro para o cofre de casa. Há!Há!Há!Há!
E para que ela não tivesse dúvidas, até prescreveu a receita. Abaixo, a gabiru de 1,53m e 100 kg, e a receita do médico gaiato, que, apesar do humor, não deve também dos mais letrados, vejam como ele escreveu freezer, frize.
O médico ainda ofereceu uma terapia alternativa à Cadialina. Caso ela não quisesse os cadeados, o único jeito seria fazer jejum em 4 dias da semana, e só beber água nos outros três.
Pode até parecer sacanagem, a brincadeira do médico, mas queriam que ele dissesse o quê? Que explicasse para ela os processos de anabolismo e catabolismo? Que falasse dos gastos energéticos basais e necessidades energéticas totais? Que desfiasse cálculos de IMC e calorias contidas em cada alimento?
Ele, a seu modo galhofeiro, falou o linguajar que o povão consegue entender, ou seja, se quiser emagrecer, tem que fechar a boca. Receitar uma dieta balanceada também seria besteira. Povão gosta de coisa gordurosa, boiando no óleo. Uma saladinha com um bifezinho grelhado não têm graça para eles, não tem gosto. 
O que a moça queria era receber um desses remédios milagrosos, esses queimadores de gordura e inibidores de apetite, que ela deve ter lido que essa ou aquela atriz usa, queria uma pílula mágica para continuar a encher a pança de vatapá, abará e acarajé, tudo regado a muita caipirinha, cerveja, axé e olodum.
A paciente fez queixa ao Conselho de Medicina da Bahia e o médico foi afastado para averiguações.
Ouvido, o médico disse que usou linguagem figurada e pediu desculpas caso tenha sido mal interpretado pela paciente.
"É uma paciente que tem compulsão por alimento. Infelizmente, ela vive numa comunidade que não tem capacidade de abstrair as coisas", afirmou o médico à TV. 
Há!Há!Há! Genial, esse cara. Primeiro, receita Cadialina, depois pede desculpas dizendo que a gordinha vive numa favela e que não tem a capacidade de abstrair as coisas, ou seja, que também é burra!
Além disso, o médico não assinou nem carimbou a receita. Ele pode muito bem só ter escrito como brincadeira e ela ter levado o papel consigo já pensando em uma indenização, que, para esse tipo de coisa, não tem ninguém burro; que, para tirar dinheiro de quem trabalha, não tem ninguém analfabeto nesse país.
A moça disse não aceitar as desculpas e que seguirá com o processo contra o médico.
Brasileiro é isso aí. Ouviu o que não queria, que teria que fechar a boca, que não existem milagres para emagrecer, ficou ofendida e agora que arrancar uns trocados do médico. Com a grana que provavelmente receberá, ela poderá encher a geladeira, o freezer e o armário. 
Será que o médico não tinha nenhuma amostra grátis do Cadialina genérico para dar à paciente? Nem que fosse um só, só para a boca, só para começar o tratamento?

A Milésima Marretada Do Azarão

Esta é a milésima postagem da Marreta!
O blog começou por sugestão de uma grande amiga; aliás, sugestão, não. Exigência. Imposição. E aqui está o Marreta, já há quase quatro anos. Transformou-se num bom hábito, quando fico dois ou três sem nada postar, inquieto-me, boto a cabeça à cata de argumento ou notícia para comentar.
Não gosto de futebol e tô cagando e andando se o Pelé fez 1000 gols. Acontece que, nesse país, infelizmente, nada representa melhor um milésimo feito que o milésimo gol do negão. O Marreta, nesse caso, rende-se ao simbolismo da imagem.
E acabei descobrindo algo curioso em minha busca por uma imagem da comemoração do milésimo gol do Pelé. Como tudo no Brasil, o selo comemorativo acima, lançado pela ECT, e que ilustra o Pelé em seu clássico pulo seguido de um soco no ar, é falso. É armação!
O selo retrata o negão a trajar a camisa da seleção brasileira de futebol, quando, na verdade, ele marcou seu milésimo gol pelo Santos Futebol Clube. Puta que o pariu! Nada é verdade na história do Brasil.
O quadro A Primeira Missa no Brasil, de Vitor Meireles, é pura cenografia, mostra a indiara toda lá, assistindo contrita à missa, só faltou aquele caderninho com o roteiro da missa nas mãos; o quadro O Grito do Ipiranga, de Pedro Américo, também foi pródigo em imaginação do artista, não teve corcéis imponentes nem brados retumbantes, D.Pedro I estava montado num burro à caminho de Santos, onde iria ter (e meter) com sua amante, e tinha acabado de aliviar os intestinos atrás de uma moita.
E agora o Pelé. Nem o milésimo gol do negão, o fato histórico mais importante do Brasil no século XX, escapou da adulteração em seu registro.
De qualquer forma, deixando a profundidade de lado, como diria o bom Belchior, esta é a milésima marretada do Azarão. Que venham outras mil, pelo menos. Enquanto a Marreta aguentar.
Valha-me, Thor.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Todos Somos Corruptos

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais e pelo Instituto Vox Populi revelou, mais uma vez, o que todo mundo já sabe : o brasileiro é corrupto! De berço, de nascença!
Aliás, via de regra, o ser humano é corrupto, independente da nacionalidade ou etnia. O que muda são os conjuntos de leis aos quais as nações submetem seus cidadãos. Leis mais rígidas, cidadãos aparentemente mais educados e respeitadores; leis menos rígidas... De resto, é tudo o mesmo barro.
Conheço o caso de um sueco, professor universitário, que, em intercâmbio pelo Brasil e a lecionar em uma de nossas mais diletas universidades públicas, saía todas as tardes à calçada de sua casa e jogava ali o lixo, espalhava o lixo, sem latão nem saco plástico.
Aí, o orgulho nacional foi ferido, alguns alunos que o flagraram em tal imundície, colocaram-no contra a parede, perguntaram ao nobre docente nórdico se ele tinha o mesmo comportamento em seu país, a Suécia. O professor disse que não, mas que havia concluído, pelo que observara nas ruas da cidade, que no Brasil era permitido jogar lixo nas ruas. Primeiro, o cara não está errado em sua conclusão, está? Segundo, se o cara fosse mesmo educado e consciente, o mundo a sua volta poderia estar atulhado de lixo, ele jamais jogaria o seu nas ruas, fosse na Suécia, fosse no Brasil.
O fato é que o ser humano educado só existe sob um código severo de leis. O que, no Brasil, não existe.
A situação por aqui anda tão ruim que o brasileiro é corrupto cotidianamente, em várias de suas práticas tidas como normais, e nem se dá conta disso, exerce plenamente a corrupção como ela fosse um direito legítimo, como se ela nem fosse corrupção.
A partir dos dados da pesquisa, a UFMG e o Vox Populi elaboraram uma lista com as 10 corrupções preferidas do brasileiro, um top ten do nosso famoso jeitinho : 
- Não dar nota fiscal
- Não declarar Imposto de Renda
- Tentar subornar o guarda para evitar multas
- Falsificar carteirinha de estudante
- Dar/aceitar troco errado
- Roubar TV a cabo
- Furar fila
- Comprar produtos falsificados
- No trabalho, bater ponto pelo colega
- Falsificar assinaturas
E tem muito mais. No supermercado, por exemplo, pessoas consomem produtos durante suas compras e descartam as embalagens vazias nas prateleiras, muitas vezes não pagando pelo artigo; o caixa nunca tem moedas de 1 centavo para o troco exato, pessoas com carrinhos abarrotados entram na fila do caixa rápido, jovens na fila reservada aos idosos.Vagas e lugares destinados a deficientes físicos raramente são ocupados por quem lhes é de direito. E a coisa segue por aí.
A pesquisa revelou também que ainda há uma certa esperança, e ela vem dos jovens, que estão mais conscientes e engajados.
Lamento informar aos pesquisadores que o jovem é tão corrupto quanto o velho, sei porque trabalho no meio deles, não se iludam com os discursos dos jovens. A única diferença entre o velho e o jovem, no quesito corrupção, é o discurso, o do jovem é mais hipócrita, a prática é a mesma. Lamento informar aos pesquisadores que os jovens mentiram na pesquisa, eles mentem mais que os velhos.
O adolescente é o primeiro a colar na prova, a tentar falsificar identidade para entrar em festas e comprar bebidas alcoólicas, a tentar fraudar provas de vestibulares com o uso de celulares, instagrans etc. O jovem é tão corrupto quanto o velho, ou até mais, pois suas desonestidades são vistas como normais à idade, como atos de rebeldia. Não são. São safadezas, mesmo.
No serviço público, então, é que o caldo engrossa e entorna de vez. Uma vez protocolado um pedido qualquer, uma gorjetinha,  um agrado ao carimbador maluco da seção sempre agiliza o processo. É o famoso "apressamento". Um diploma de conclusão de graduação universitária, por exemplo, chega a levar um ano, ou mais, para ser devidamente registrado em um órgão federal. Mas se o graduado precisar dele com urgência, um apressamento põe o canudo em suas mãos no prazo de dois ou três dias.
Por isso, quando um país feito o nosso, quase que em uníssono, num heróico brado retumbante, conclama a prisão dos mensaleiros, não é por consciência cidadã que ele o faz, não é por anseios morais que tal grito se lança ao céu, que nosso lábaro ostenta estrelado : é por inveja, pura inveja.
O cidadão comum, o corrupto mequetrefe, morre de inveja do corrupto bem-sucedido.
Fonte : BBC Brasil

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Autorretrato

Pequeno Conto Noturno (31)

- Não entendo o porquê de você ser tão infeliz - Morgana, a se aninhar, nua, nos lençóis amarfanhados da cama de Rubens, cama que ele nunca arruma.
- Tão? Para mim, feliz ou infeliz eram estados absolutos, existe mais feliz/infeliz, ou menos?
- Você me entendeu... - e Morgana esvazia o resto da garrafa de vinho em sua taça, mal preenchendo a metade.
- Eu não sou infeliz - Rubens tomando a taça das mãos dela e dando um bom trago.
- Também não é exatamente pessoa das mais alegres.
- E desde quando infeliz é antônimo de alegre?
- E não é? - Morgana deita de bruços ao lado de Rubens, pedindo por cafuné feito um pássaro preto, desses de gaiola.
Morgana tem asas de libélula tatuadas nas costas. Quatro. Duas a brotar de cada espádua.
- Não, não é - prossegue Rubens -, o contrário de alegre é triste, não infeliz. Triste, um tanto, admito que eu seja.
- E dá pra ser triste e não ser infeliz? - Morgana se enrodilhando toda e ronronando sob o cafuné de Rubens, tem mulher que quase goza com cafuné.
- Óbvio.
- Não parece óbvio para mim.
- É que você não é uma coisa nem outra.
- Você me entendeu...
- Digamos que eu seja triste, entre outras coisas, por você não poder estar sempre aqui; e que não chego a ser infeliz justamente porque recebo suas visitas clandestinas, vez em quando.
- Está dizendo que sou parte de sua tristeza e também de sua não-infelicidade?
- Estou.
- Gostei, achei bonito.
- Eu também.
- E é verdade? - Morgana, a olhar para o copo seco e para os olhos, idem, de Rubens
- Vai lá buscar outra garrafa na geladeira, vai - diz Rubens.
E fica a contemplar a bunda de Morgana, saltitante, lépida em direção à geladeira. 
As mulheres sempre tentam estragar tudo com suas perguntas, pensa ele. O segredo não é saber o que responder às mulheres, o segredo, conclui Rubens, é aprender a não lhes responder.
E fica a admirar os peitos de Morgana, saltitantes, céleres, de volta em sua direção.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Capitão América No ENEM (Ou : Ressuscitem Hitler, Por Favor)

Foi um amigo que me deu a notícia, ontem à noite, por telefone : "Azarão, o Capitão América caiu no Enem".
E saiu a dizer que era o reconhecimento, antes tardio do que nunca, dos quadrinhos como uma forma de arte, como uma metalinguagem, como um veículo dinâmico de informação e conhecimento etc etc.
Fiquei a ouví-lo, sem contestar, primeiro porque nem fazia ideia do que ele falava, Capitão América no Enem, e depois porque tenho poucos amigos, não dá pra ficar brigando com eles por qualquer motivo. Falei que ia ver a tal questão e retornaria a ligação.
Quando dizem que algo finalmente foi reconhecido, querem dizer que o tal objeto, supostamente injustiçado e diminuído em sua importância durante anos, foi alçado a uma dimensão pretensamente maior. 
No caso dos quadrinhos, que eles deixaram de ser vistos simplesmente como quadrinhos e passaram a ser considerados como uma das legítimas expressões do pensamento humano de uma época, elevados a verdadeiras enciclopédias ilustradas, de ciências, história, filosofia, matemática etc, dignos até de serem objetos de uma prova de âmbito nacional, o ENEM.
Grande bosta. Os quadrinhos e o ENEM.
Fui um leitor mais que assíduo de quadrinhos de super-heróis entre 1977 e 2001, era meio fanático, mesmo. Adorava-os na época, e ainda gosto muito dos que ainda mantenho guardados e organizados em velhas caixas com naftalinas, cerca de 3 mil exemplares.
Mas não sou nem nunca fui idiota. Os quadrinhos nunca foram diminuídos em sua importância, eles sempre foram considerados o que são : quadrinhos. Gibi! E gibi é gibi! É pura diversão, puro entretenimento. Dar-lhes qualquer relevância outra é cometer uma injustiça às avessas. Até porque divertir e entreter é função das mais nobres, nada há de depreciativo em dizer que algo é "simples" diversão.
Quando era adolescente, minha afeição aos quadrinhos não era bem vista pelos meus pais, diziam que nada se aprendia com aquilo. E eles estavam certos. Eu também sabia disso, tanto que lia meus quadrinhos e também os clássicos da literatura indicados pelos professores, sempre soube reconhecer perfeitamente a diferença, sempre soube identificar onde eu estava aprendendo e onde estava me divertindo.
Claro que os quadrinhos, sobretudo os de super-heróis, fazem diversas referências à ciência, e isso até pode despertar o interesse do leitor em cursar uma faculdade de química, de física ou de robótica, a exemplos, mas que fique bem claro que o leitor nunca vai aprender química, física ou robótica num gibi. Essa diferença sempre foi bem clara para mim.
Aprender, aprendemos nos livros, sentando o bundão na cadeira e deitando os olhos horas a fio sobre as linhas de um livro amarelado de biblioteca.
E agora vem a merda do ENEM usar a capa da primeira edição americana do Capitão América como se fosse um registro histórico. Não é.
Fui ver a tal questão e ela é "dificílima", acho que nem o próprio Capitão a acertaria, nem o próprio Adolf Hitler. A capa mostra o Capitão América, de escudo em punho, acertando uma muqueta na cara do Adolfinho, e aí vem a pergunta que deveria figurar, inclusive, nos vestibulares do ITA, quiçá nas provas seletivas da NASA: 
Quem o Capitão América combatia? a) Tríplice Aliança, na Primeira Guerra Mundial;  b)Os regimes totalitários, na Segunda Guerra Mundial; c) O poder soviético, durante a Guerra Fria; d) O movimento comunista, na Guerra do Vietnã; e) O terrorismo internacional, após 11 de setembro de 2001. 
Será que é muito difícil o aluno reconhecer a figura do Hitler e associá-la à Segunda Grande Guerra? Notem que havia uma única alternativa com a Segunda Guerra.
A Segunda Guerra foi um evento dos mais complexos da história humana, todo o mundo atual é ainda moldado pela Segunda Guerra, todo o sistema econômico, a produção industrial, o próprio desenho do mapa-mundi (exceção feita à antiga URSS), os governos que dominam o planeta, tudo. Tudo ainda é herança da Segunda Guerra Mundial.
Vem o ENEM e reduz tudo a : a quem o Capitão América combatia? Combatia a puta que te pariu!!!
Como se não bastasse, li várias declarações de professores de conceituados cursinhos a elogiarem a questão. Uma disse que a maioria dos alunos jamais viu a tal capa do gibi, mas assistiu ao Capitão em recente filme nos cinemas, e só do aluno conseguir reconhecer e relacionar o personagem da tela como sendo a mesma figura do papel já mostra que ele possui sei lá que habilidades cognitivas, que ele é capaz de acessar as diversas mídias, seja que porra isso for.
À puta que o pariu, de novo!!! Merda, merda e mais merda.
Quadrinhos de super-heróis não são fonte de conhecimento, não são arte, não são registro histórico. São quadrinhos, e ponto.
O bom e velho Capitão ser usado como objeto de vestibular  não mostra a integração das diversas linguagens, das diversas mídias, das habilidades cognitivas...porra nenhuma! Só vem a mostrar o deplorável nível em que se encontram a educação e o estudante brasileiros.
Pior : uma questão idiota desta, numa prova idiota feito o ENEM, irá credenciar o aluno a ingressar em muitas das Universidades Federais do país. Serão os futuros cérebros do país.
Lamentável.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Uma Elegia À Cláudia Ohana (9)

"Eu quero me esconder debaixo
Dessa sua saia prá fugir do mundo.
Pretendo também me embrenhar
No emaranhado desses seus cabelos."

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Punheta? Nem No Potinho, Diz o Padre Azevedo Jr.

O Padre Paulo Ricardo de Azevedo Jr, da Arquidiocese de Cuiabá (MT), é um dos grandes asnos atuais da ala ultraconservadora da Igreja Católica. Volta e meia, ele aparece na mídia a divulgar suas esdrúxulas regras morais dos tempos da Inquisição.
Desta vez, ele invoca um parecer dado pelo Papa Pio XI em 1929 para condenar a masturbação em todas as suas formas e possibilidades. O homem não pode tocar uma nem para realizar exames clínicos, nem para fazer um espermograma.
E o que o Papa Pio XI disse em 1929, o Papa Pio XII confirmou por duas vezes, em 1948 e 1956 : "a moral católica não permite o ato masturbatório para obter o esperma para a sua utilização em um exame. Esse método é inaceitável, é ilícito, é imoral”.
E como fazer na necessidade de um exame?
Para o padre Azevedo Jr. há duas alternativas "católicas" :
1) Intervenção cirúrgica, cortar o saco do sujeito e colher o esperma in loco, direto dos testículos;
2) Após um relação matrimonial, colher o esperma do fundo da vagina da mulher do cara, ou o residual da uretra do pênis.
Quer dizer que tocar uma santa punhetinha, não pode, mas o médico ficar lá, no quarto do casal, esperando acabar a trepadinha para depois escarafunchar na buceta da mulher, pode? Aí, tá tudo certo, tudo de acordo com a moral católica. 
O padre prossegue com sua demência e mostra que não é tão radical assim. Diz haver a possibilidade de um terceiro método, ainda que controverso às vistas da igreja, o cara pode se relacionar com a mulher utilizando uma camisinha previamente furada, o que possibilitaria recolher uma parte da porra.
Nunca entendi essa perseguição da igreja católica aos punheteiros. Será que esse padre nunca esgoelou o sabiá, nunca descascou o inhame?
Acho, na verdade, que o problema da igreja é em relação à punheta solitária, o cara tocar para si próprio, o que configura um ato do mais puro egoísmo, realmente incompatível para com o espírito fraternal católico.
Parece-me, no entanto, que se for uma bronha trocada entre dois camaradas seminaristas, por exemplo, o ato está de acordo com o compartilhar cristão, com o congregar em Cristo e, portanto, está perdoado.
Se for, então, uma punheta tocada para um coroinha adolescente, é bem capaz da Igreja até canonizar o sujeito.
Fonte : Paulopes

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Dia Do Saci

Pau no cu do cabeça de abóbora! Que se foda o cavaleiro sem cabeça!
Aqui não tem Raloim porra nenhuma. Hoje é o Dia do Saci. E da mula-sem-cabeça, da Cuca, da Iara, do Boi-tatá, do Curupira, do Caipora, do Anhangá, do Mapinguaru, e até do Boto, o grande metelão da Amazônia.
Aqui não tem gostosuras ou travessuras, só tem travessuras, que assombração que se preze, assombração macho, de respeito, não se vende por pirulitinhos de alcaçuz e bolotas de marshmallow. Aqui é festa na floresta, não um desfile de fantasias costuradas por pais idiotas para seus filhinhos tão vitimados pela genética quanto eles.
O Dia do Saci foi instituído em 2003 através de um projeto de lei federal do deputado Aldo Rebelo (PC do B - SP), e se contrapõe ao dia das bruxas, conhecido no Brasil como Raloim. Mas Rabelo não foi o primeiro a defender o negrinho de uma perna só, tampouco seu entusiasta mais importante.
Em 1917, puto da vida com as estátuas de anões encasacados e outros entes do imaginário europeu que proliferavam pelos jardins de São Paulo e outras cidades - sim, já foi chique ter anões no jardim -, Monteiro Lobato, eterno defensor dos valores nacionais, abriu uma cruzada pró-folclore brasileiro, escudado pela figura gaiata do Saci.
Lobato publicou no Estadinho, suplemento infantil do jornal O Estado de São Paulo, um artigo chamado Mitologia Brasílica, no qual conclamava os leitores a lhe enviarem cartas com relatos sobre as estripulias do Saci, a quem Lobato chamava de o "insigne perneta".
A redação do jornal foi invadida por uma avalanche de cartas sem precedentes, vindas de cidades interioranas de SP, MG e RJ, cada qual contando seu "causo" de saci. Os frutos da campanha foram reunidos por Lobato em seu primeiro livro, O Sacy-Perêrê – Resultado de um Inquérito, em 1918; mais tarde transformado no livro O Saci, da série O Sítio do Pica-pau Amarelo.
Foi Lobato quem popularizou a figura do Saci nos centros urbanos, antes conhecida apenas nos rincões do país. Hoje, todos os que sabem do Saci e têm idade inferior a 90 anos, souberam do diabrete através de Monteiro Lobato. Acho que só o Oscar Niemeyer conheceu o Saci através das histórias da avó, e olhe lá! Que em 1917, o Oscarzinho já tinha 10 anos.
E ainda tem filho da puta que diz que Monteiro Lobato era racista!!! Nunca, no mundo inteiro, ninguém jamais defendeu tanto um personagem negro como fez Lobato para com o Saci. Nem a princesa Isabel, nem a bichona do Zumbi, nem Martin Luther King!!!
O Saci pode ser o Pererê, o mais comum, negro e com altura de 77 cm, que é o do Lobato e o do Ziraldo, pode ser o Saci-açu, já maiorzinho; pode ser o Saci Trique, o menorzinho deles, que costuma andar pela floresta pilotando morcegos ou montando caracóis, quando anda a pé, vai quebrando gravetos, produzindo o característico ruído que lhe dá o nome, trique, trique, trique; pode ser ainda o Saçurá, que tem olhos vermelhos, traços mais demoníacos e pouco dado a brincadeiras, é o malvado da família.
Bruxinha encantada, fantasminha quarado, ogrinho peludo, VÃO SE FUDER! Porque aqui na face da Terra só o dia do Saci é que vai ter. Hoje é dia de ovo choco na cara, de cavalos com as crinas trançadas, de pipoca queimando sem estourar na panela, de leite azedo, de açúcar no saleiro e vice-versa, de roupas arrancadas do varal e de muito redemoinho e assobios estridentes.
Aí, o caboclo, que sabe das mandingas para prender Saci, joga a peneira de taquara cruzada no olho do redemoinho, captura o diabinho, arranca-lhe o gorro vermelho e o guarda numa garrafa fechada por uma rolha com uma cruz entalhada em cima.
Então, o caboclo pode sentar e pitar sossegado, pode prosear com o cumpade, pode ir pescar lambari, pode armar sua arapuca para pegar coleira, pode tocar sua violinha sem preocupação nenhuma. 
Acontece que Saci preso é igual a criança levada quando dorme, os pais ficam aliviados num primeiro momento, daí a pouco começam a sentir falta do movimento, da bagunça do petiz, e logo não veem a hora do moleque acordar e pôr a casa de pernas pro ar de novo. O caboclo começa a sentir falta de alguma coisa; o mato parece-lhe triste, a noite muito vazia, os animais nostálgicos da correria noturna. Então ele vai, desarrolha a garrafa, devolve o barrete ao Saci e lhe diz: "Vá s’imbora, peste. Azula, coisa-ruinzinha." 
E o Saci azula bonito, pega carona na cauda de um pé-de-vento.
Feliz Dia do Saci, Saci.

domingo, 28 de outubro de 2012

O Peso

Meu filho pedala pela praça em sua motoca azul,
Um raio alegre e sem cansaço
Em torno de uma extinta e árida fonte luminosa,
De um circuito desnivelado de fórmula 1.

Na descida, ele tira os pés dos pedais,
Nem se pergunta sobre a força invisível 
Que continua a pedalá-los para ele,
Só a usufrui.

Na subida,
Quando a gravidade, credora implácavel,
Cobra-lhe seu tributo,
Ele também não pensa sobre que força é essa
A emperrar suas pernas.
Apenas olha para mim, seu pai,
Que lhe ponho a mão às costas 
E o impulsiono declive acima,
Transformo-me, às vistas dele,
Num super-herói com poderes anti-g.

E essa é a beleza da infância,
Não se preocupar com a gravidade,
Não precisar lutar contra o peso das coisas,
De tudo. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Einstein Mostra A Língua Para Deus

Já disse Caetano Veloso, em sua excelente "Língua", se você tem uma ideia incrível, é melhor fazer uma canção, está provado que só é possível filosofar em alemão.
E foi justamente em alemão que Albert Einstein, em uma carta enviada ao filósofo Erik Gutkind, autor do Choose Life: The Biblical Call to Revolt, mostrou sua Língua para deus e, entre outras coisas, escreveu : "A palavra de Deus para mim é nada, além de ser expressão e produto da fraqueza humana".
A carta, datada de 3 de janeiro de 1954, estava em posse de um colecionador anônimo, que a comprara em 2008 por US$ 400 mil, e foi vendida hoje para outro anônimo pelo valor de US$ 3 milhões.
Na carta, Einstein também diz: “A Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que, não obstante, são bastante infantis. Nenhuma interpretação, não importa quão sutil, pode (para mim) mudar isso".
Tudo bem que é o Einstein, mas US$ 3 milhões para ter a posse de um documento que revela o que qualquer um com um pouco de bom senso já nasce sabendo, que deus não existe, parece a mim um preço muito salgado.
Nem dá para dizer que a carta de Einstein ao amigo filósofo seja uma prova da inexistência de deus. Podemos fornecer provas e evidências do que existe, mas do que não existe, não tem jeito, como fornecer evidências concretas da inexistência? Não obstante, a ausência de provas do inexistente não o torna, em hipótese alguma, real.
Einstein foi real, e ainda o é. Suas teorias têm aplicações em nossa tecnologia cotidiana. Sem Einstein, por exemplo, a tecnologia dos computadores teria levado muito mais tempo para se desenvolver, se é que teria se desenvolvido, um estudo publicado por Einstein em 1925, sobre matemática quântica, levou à descoberta dos semicondutores em 1940, princípio básico dos computadores; as células solares, as atuais câmeras de vídeo, de fotografia digital, celulares, o GPS, e o laser, com ínumeras aplicações, inclusive na medicina, são derivados da teoria fotoelétrica; todo o conhecimento humano sobre a energia nuclear é advindo das quatro teorias lançadas por Einstein em 1905 - conhecido como o Ano do Milagre. Não bastasse, sua Teoria das Flutuações está no cerne dos mais sofisticados softwares financeiros do planeta, que modelam os riscos de papéis do mercado financeiro.
Portanto, religiosos e fanáticos de merda, deem graças aos ateus por todo o conforto e comodidade de que desfrutam hoje em suas vidas. Deem graças aos ateus, não a deus.
Ou rejeitem a ciência em sua plenitude, abram mão de tudo o que o conhecimento construído pelos ateus lhes deu. Passem a viver apenas com o que deus lhes deu : uma caverna úmida e fedendo a jaula, e um corpo coberto por pelos cheios de piolhos.
Abaixo a carta em que Einstein mostra a língua para deus.
E o que o Caetano Veloso tem a ver com isso? Provavelmente nada, só lembrei da letra e resolvi encher linguiça. Afinal, vocês acham que é fácil escrever com 39,3ºC de febre, totalmente sóbrio, e movido só a dipirona e chazinho de camomila?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Lewandowski Julga Hitler

Logo após a Segunda Guerra Mundial, um tribunal se reuniu em Nuremberg, na Alemanha, com o objetivo de julgar os crimes cometidos pelos nazistas durante a guerra. De 1945 a 1949, o Tribunal de Nuremberg julgou 199 homens, sendo 21 deles líderes nazistas. 
A criação desse tribunal se deu através de um acordo firmado entre os representantes da ex-URSS, dos EUA, da Grã-Bretanha e da França, em Londres, em 1945. O tribunal de Nuremberg decretou 12 condenações à morte, 3 prisões perpétuas, 2 condenações a 20 anos de prisão, uma a 15 e outra a 10 anos. Todas sentenças foram executadas.
Agora, imaginem que o Partido Nazista, através de tráfico de influências e mensalões, tivesse infiltrado alguns membros da Gestapo entre os juízes de Nuremberg. Teria se dado algo muito parecido ao que vemos hoje, Ricardo Lewandowski, um advogadozinho de currículo sofrível, pouco mais que um rábula, alçado pelo PT à posição que hoje ocupa tão-somente por interesses políticos, julgando réus pertencentes ao PT. É Josef Mengele julgando a Hitler.
Recebi por e-mail o texto que reproduzirei a seguir. De autoria desconhecida, ele descreve uma situação hipotética em que Ricardo Lewandowki atua como advogado de defesa de Adolf Hitler. Hipotética, sim, mas somente por razões temporais, somente pelo fato da não contemporaneidade dos citados advogado e cliente :
 Como Lewandowski Julgaria Hitler
"Senhores, não existem filmes, fotos, nem testemunhas de Hitler abrindo registro de gás em campos de concentração, nem apertando o botão de uma Bomba V2 apontada para Londres, pilotando um caça Stuka, dirigindo um tanque Panzer, disparando um torpedo de um submarino classe U-Boat sobre seu comando a navegar no Atlântico ou mesmo demonstrando habilidades no manuseio de um canhão antiaéreo Krupp, manipulando uma metralhadora MP40, uma pistola Walther P-38 ou simplesmente dirigindo um jipe Mercedez Benz acompanhado do general Von Rommel pelos desertos do norte da África.
Por isso, parece claro que não existe nada a incriminá-lo. Com certeza, ele não sabia de nada. Não via nada. A oposição diz que foram queimados documentos incriminatórios importantes, mas nada, absolutamente nada foi comprovado, apenas evidenciou-se a existência de cinzas e destroços por todos lados que somente foram trazidos com a chegada dos americanos e russos que não fazem parte da peça de acusação do proceso entregue pelo "Parquet"; o Sr. Procurador.
Afinal, ele seria apenas um Chanceler e presidente do Partido Nazista; ou seja, ele não passava de um mequetreque. Jamais foi pego, ou mesmo visto transportando armamentos debaixo dos braços (tipo pão francês) ou carregando pacotes de dinheiro nas cuecas.
Alguns relatos que citavam seu nome eram meros registros de co-réus, como alguns membros da Gestapo, os quais, por conseguinte, carentes de confiabilidade. Outros relatos são de inimigos figadais - os denominados "Países Aliados" e assim longe de merecerem qualquer relevância para serem tomadas como fundamentos de acusação.
Alguns o acusam de ter invadido Paris e desfilado sob o Arco do Triunfo. Esta é mais uma acusação inventiva dos opositores. Ele apenas foi visitar seu cordial amigo o General De Gaule que infelizmente havia viajado para o sul da França. Ele então, teria apenas aproveitado a sua viagem para passear e fazer compras na Avenue de Champs Elisé com seus amigos. Qualquer outra conclusão é mera ilação ou meras conjecturas que atentam a qualquer inteligência mediana. Por aí vemos que nada contribui para a veracidade das acusações.
Não afasto a possibilidade dele ser o suposto mentor intelectual, mas nada, repito, nada consubstancia essa hipótese nos autos. E olha que procurei em mais de 1 milhão e 700 mil páginas em 10.879 pastas do processo.
E não podemos esquecer que ele foi vítima de diversos atentados que desejavam sua morte, articulados pela mídia e pelas potentes e inconformadas forças conservadoras. Seus ministros como Goebels, Himmiler, Rudolf Hess e outros também nada sabiam. Eram coadjuvantes do NADA; sem nenhuma responsabilidade de "facto".
O holocausto, em que pesoas de diversas racas e etinias, talvez tenham tido um suicídio coletivo ao estilo do provocado há anos nos EUA pelo pastor Jim Jones. É,  ainda hoje, um tema controverso. Assim trago aos pares, como contraponto, a tese defendida pelo filósofo muçulmano Almanidejah que garante a inexistência de tal desgraça da humanidade.
Assim -já estou me dirigindo para encerrar meu voto Sr. Presidente- afirmando acreditar que todos eles foram usados, trapaceados por algum aloprado tesoureiro de um banco alemão que controlava financeiramente a tudo e a todos; especialmente os projetos políticos e as doação corruptivas. E tudo em nome da realização de um plano maquiavélico individual de domínio total que concebeu e monitorava do porão da sua pequenina casa nos Alpes.
"Enfim, depois de exaustivas e minuciosas vistas nos autos, especialmente nos finais de semana, trago aos pares novos dados que peço ao meu colaborador Adolfo para distribuir a todos. Depois desta minha "assentada" declaro a improcedência da ação, inocentando por completo o réu por falta de provas. É como voto, Sr. Presidente."
Qualquer semelhança, é semelhança mesmo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Respondendo A Uma Infâmia

Por conta da postagem Pintura Íntima, na qual eu colei uma foto da obra "O Grande Mural da Vagina", do artista plástico inglês Jamie McCartney, recebi o seguinte comentário anônimo, que reproduzo na íntegra, com todos os barbarismos linguísticos do autor : 
azarão seu mané te peguei em contradissão. Vc vive falando mau arte moderna, da bienal e agora coloca um quadro desse no blog. se fudeu seu corno kkkkkkkk
Realmente, caro anônimo. Você QUASE me pegou em contradição - é assim que se escreve, seu analfa. Você QUASE me pegou no pulo, de calças curtas. E teria mesmo me pego caso a obra em questão tratasse de qualquer outro tema que não o abordado, a famosa buceta. Tudo muda de figura quando o assunto é a buceta. Todas as opiniões, idealismos, intelectualismos, lógica e coerência, caem por terra.
Sendo a buceta, tudo vale. Arte barroca, clássica, renascentista, figurativa, abstrata, cubista, impressionista, rupestre, pop, moderna, primitivista, carloszefirista, tudo!
Para melhor ilustrar o que digo, valerei-me, caro anônimo, da sabedoria popular em sua forma mais precisa, contarei-lhe uma anedota, que as piadas, sem dúvida, são a manifestação mais fidedigna da sabedoria popular, a sua quintessência.
"O sujeito senta-se à mesa de um restaurante, pede um churrasco de picanha ao garçon e já se anuncia um grande conhecedor de cortes bovinos, que o garçon e o cozinheiro nem perdessem seus tempos tentando enganá-lo, fazendo-o comer gato por lebre, picanha por qualquer outra carne.
Ofendido, o garçon vai à cozinha transmitir o pedido ao cozinheiro e lhe conta a história. O cozinheiro resolve se vingar, vai à geladeira e pega um corte de maminha, maturada, selada e fatiada tal e qual se faz à picanha, prepara-a e manda o garçon serví-la ao expert em carnes, tem a certeza de que vai enganar o freguês.
À primeira mordida, o sujeito já identifica a fraude, chama o garçon, torna a fazer o aviso sobre seu conhecimento do assunto, e pede que, agora, seja-lhe trazido um  verdadeiro churrasco de picanha. O cozinheiro, machucado em seus brios, não se dá por vencido, vai travestindo de picanha e mandando ao freguês todas as carnes de seu repertório, e sempre com o mesmo resultado, fracasso, o freguês não errava uma.
Aí, o garçon pede ao cozinheiro que, finalmente, mande a picanha, o freguês era mesmo um especialista, não havia como lográ-lo. O cozinheiro diz ao fatigado garçon que fará uma última tentativa. Vai à sua câmara fria, pega de um quarto traseiro de uma vaca, faz um corte preciso em torno da buceta bovina, prepara cuidadosamente a mais nobre das carnes e a envia ao freguês.
O cara dá a primeira dentada, para um pouco, sente o paladar, pensa, e continua a mastigar, engole o primeiro naco; dá a segunda garfada, a terceira, e termina por comer, avidamente, todo o prato. O garçon e o cozinheiro sorriem satisfeitos e vingados, observando tudo de um canto do restaurante.
Terminada a refeição, o cliente chama o garçon e lhe diz : Garçon, buceta eu como de qualquer jeito! Agora vai lá na cozinha e me traz logo o meu churrasco de picanha!!!"
E é isso, caro anônimo. Buceta, o Azarão come de qualquer jeito, até buceta de Bienal.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Horário De Verão, Esse Injustiçado

Desde 1985 que é a mesma merda, entra horário de verão (ainda na primavera), adianta-se uma hora, sai horário de verão (depois do carnaval, que é quando o ano começa no Brasil), atrasa-se uma hora.
No começo, talvez nos 5 ou 6 primeiros anos do horário de verão, época em que eu ainda tinha relógio, um Casio digital da Zona Franca de Manaus, já sem a pulseira, que eu carregava no bolso, talvez eu tenha sido a única pessoa no planeta a ter um relógio digital de bolso, nunca o alterei. 
Era um relógio muito bom, adiantava 4 segundos por ano, de acordo com o 130, número de telefone que fornecia a hora oficial de Brasília. Seria uma heresia adiantar em uma hora um relógio tão preciso, e eu acabava sendo alvo de chacota por parte de meus amigos, todos os dois.
Hoje, e desde há muito, não carrego mais relógio nem frescura. Mexo e remexo em todos os relógios de casa, o da parede, o do micro-ondas, o do despertador, o do conversor da TV, o do blog. E digo que gosto e não gosto do horário de verão.
Gosto pela manhã, quando saio de casa às 6 horas e, na verdade, ainda são cinco; tudo está mais escuro, gosto de andar no escuro, as poucas pessoas que encontro pelo caminho se tornam apenas vultos, não preciso lhes ver as fuças.
Não gosto por dois motivos. O primeiro, e menos importante, é que entardece quase às 20 horas, oito da noite e o sol na cara; o segundo, e o principal, o que realmente enche o saco, são as pessoas se queixando e atribuindo o cansaço, o desânimo e a indisposição, que lhes são naturais e rotineiras, ao horário de verão. 
Como se uma única e mísera hora "perdida" de um sábado para o domingo fosse responsável por seu sono atrasado, fosse a causa, inclusive, de recorrentes atrasos na chegada ao trabalho.
Porra, é uma única horinha perdida a cada 6 meses. E as horas não dormidas quando o cara tá na "balada"?
O mesmo idiota que reclama da horinha do horário de verão perde três, quatro, ou mais horas, a cada fim de semana na esbórnia. Biscatear, beber e dar a bunda não cansam, o que cansa é a tal uma horinha do horário de verão.
Ora, deixem de viadagem.

Algesia

Há dias em que você precisa dormir mais do que tudo. 
Mais que comer, mais que pensar,
Mais que existir, mais que sonhar : dormir. 
Em algumas dessas ocasiões 
- em raras delas -
 Você, inclusive, tem tempo disponível para; 
Ainda assim não o faz.
Toma outra, e mais outra, e mais uma, 
Anda pela casa como se houvesse algo a fazer, 
Procurando por algo a fazer, 
Prevaricando ao sono, 
Verifica portas, trancas, janelas, torneiras, e o gás, 
Dez vezes,
E mais outra, 
Corre os cento e tantos canais da TV, 
Sempre mais do mesmo, 
E mais outra, 
Senta-se ao banheiro, procura antecipar o serviço do dia seguinte, 
E mais outra, 
E caderno e caneta roxa na mão, 
Alguns pensam cantar melhor no banheiro, 
Você julga escrever melhor, 
Sabemos muito bem qual é a única coisa que melhor se faz num banheiro.
Você sabe que precisa dormir mais que tudo : e faz tudo, menos dormir. 
E não pelo medo do tempo perdido 
(somos tão jovens, desgraçadamente sempre seremos, mesmo que velhos )
Mas para estender a dor. 
Sua dor é a única evidência de que algo em você ainda funciona. 
Se com alguma serventia, já é outra história, mas que ainda funciona.
Você precisa dormir mais do que (quase) tudo. 
Menos do que sentir sua dor.

sábado, 20 de outubro de 2012

Pintura Íntima

"Vem amor que a hora é essa
Vê se entende a minha pressa
Não me diz que eu tô errada
Eu tô seca, eu tô molhada"

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O Kit Gay Do Azarão

A campanha para a prefeitura da cidade de São Paulo, a maior cidade da América Latina, em seu primeiro turno, nada debateu sobre propostas políticas e administrativas, nada mostrou das plataformas de governo e das ideologias defendidas por cada candidato e seus respectivos partidos.
O primeiro turno para a prefeitura da cidade mais progressista do país foi palco de um arremedo de uma guerra santa, um arremedo muito do mal-acabado.
Não se deu entre mouros e cruzados, nem entre judeus e palestinos, tampouco entre muçulmanos e... o resto do mundo. Foi cristão contra cristão, uma guerra civil de Cristo. O que bem ilustra os espíritos caridosos e tolerantes dessas raças, os católicos e os evangélicos.
Desgraçadamente derrotado o dito evangélico, como também desgraçadamente teria sido se a derrota caísse sobre a cabeça do dito católico, o foco da campanha para o segundo turno mudou radicalmente. Mas não sem continuar a abordar um tema tão relevante quanto o do primeiro.
Agora, o alvo da campanha é o cu alheio.
José Serra (PSDB) acusa Fernando Haddad (PT) da autoria do nefando kit gay, material didático elaborado pelo MEC durante a gestão de Haddad, que seria distribuído nas escolas públicas para crianças com idades entre 7 e 10 anos, e que, entre outras coisas, sugere à criança que ela adote a bissexualidade como conduta sexual, pois assim aumentaria em 50% (sic) suas chances de engatar um relacionamento - ou, nesse caso, de ser engatado num relacionamento.
Além da putaria, a turma do Haddad mostra bem o seu analfabetismo generalizado : caso siga as recomendações pedagógicas do PT, o educando dobraria a sua chance de pegar alguém; portanto, 100% de aumento de suas chances amorosas.
Colocando o cu dos outros - dos filhos dos outros -, mas tirando o próprio da reta, Haddad retruca e diz que Serra, em 2009, portanto, antes dele, Haddad, também lançou um kit gay, o original. 
Haddad faz referência a uma, até então, desconhecida e obscura cartilha lançada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo durante o último governo Serra.
Fui verificar a acusação de Haddad. E não é que o Serra, a seu modo, lançou mesmo um kit gay? Sim, o kit gay original, o precursor do kit gay petista, é de autoria da gestão Serra. Mais uma vez, a canalhada do PT copiou o PSDB, e, mais uma vez, mal e porcamente.
A cartilha do Serra orienta, por exemplo, que os professores ponham seus alunos em contato com figuras e desenhos que mostrem meninos de mãos dadas com meninos, meninas de mãos dadas com meninas. A cartilha do Serra é uma abordagem mais homeopática, digamos assim, da problemática da rosca ardente.
Haddad e o PT vão na veia, vão de Benzetacil na veia, ops, na bunda, literalmente. O kit gay do PT  não tem nada de desenhinho, tem é um vídeo em alta deifinição mostrando um confuso transexual, um traveco mirim, mijando no banheiro dos meninos, em pé e chacoalhando a benga, porém, confessando-se infeliz ao amiguinho que mija ao lado, queria mijar no banheiro das meninas, sentado/a, secando a última gota no papel, não na cueca. Mais sutil e singelo, impossível. É bem o jeito PT de governar.
Afinal, quem é o verdadeiro pai do kit gay? Nem Serra nem Haddad; ambos são farsantes. Nem a cartilha do Serra nem os vídeos do Haddad; nenhum é um kit gay.
Kit é uma palavra inglesa que significa um conjunto de objetos ou materiais agregados para uma finalidade específica, a exemplos, um kit de costura, um kit de pescador, o cinto de utilidades do Batman etc, um kit traz apetrechos úteis ao público a que se destina,
Em que um gay vai usar uma cartilha ou um DVD? Em nada. Logo, tais materiais não são kits.
Lançarei aqui e agora o verdadeiro kit gay, até para mostrar que não sou preconceituoso, homofóbico, muito menos. 
Este kit seria entregue no início do ano letivo ao aluno que, já no ato da matrícula, se autodeclarasse homossexual. Junto com os livros e cadernos, ele receberia o kit gay do Azarão.
O material listado a seguir é apenas uma sugestão para o produto, um protótipo. Outros itens poderão ser acrescidos a ele, como também substituídos ou mesmo suprimidos, de acordo com a receptividade do público-alvo. Eis o kit :

1 -Uma mensagem de boas-vindas e de autoajuda do ex-secretário da Educação do Estado de SP, Gabriel Chalita;
2 - Uma camiseta do uniforme da escola na cor fúcsia e com gola "V";
3 -Um caderno com a foto do Justin Biber na capa, ou do Restart;
4 -Uma bandeirinha do arco-íris, ou um broche,
5 - Um CD do Village People, ou do Rick Martin,ou do Renato Russo cantando em italiano,
6 - Um DVD com as coreografias da Britney Spears e/ou da Lady Gaga,
7 - Um consolo de borracha de comprimento e grossura médios,
8 - Uma biografia da Rogéria, ou do Clodovil, ou do Chiquinho Scarpa,
9 - Piercings para língua e sobrancelha, e um alargador de orelha, que posteriormente pode ser facilmente convertido num alargador de rosca,
10 - Cera para depilar o brioco,
11 - Camisinhas daquelas distribuídas pelo SUS,
12 - Um tubo tamanho família de KY.

Em tempo : como não sou grande conhecedor do assunto, é bem possível que eu tenha deixado itens importantíssimos de fora do kit, itens imprescíndiveis, de sobrevivência, mesmo. Por isso, sugestões outras serão aceitas e incluídas (no bom sentido,claro).
E fim de papo.