quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Femen, As Excluídas Do BBB 13

Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, em sua música Eu Gosto É De Mulher, diz : "Vocês sabem que eu adoro um peito, peito pra dar de mamar, peito só pra enfeitar".
Não tem como discordar do cara, eu também adoro um peito. Dois, de preferência, um ao lado do outro. Ver uns peitos livres e soltos, não importa o contexto, é sempre bom.
Mas acho, sinceramente,  lamentável o uso que as meninas do Femen fazem dos seus. Penso que prestam um desserviço a tudo o que as mulheres conseguiram na sua longa e constante luta por direitos iguais.
Quem me conhece, ou lê o Marreta de vez em quando, sabe que eu não simpatizo com e nem, muito menos, defendo qualquer desses chamados movimentos sociais; de forma geral, são grupos atrás de privilégios constitucionais, e não, como apregoam, de igualdade.
Não obstante, e filtrando seus excessos, inerentes a qualquer causa que se defenda, tenho uma certa afinidade pelo movimento feminista. Afinal, são mulheres, né? E homem não resiste ao choro de uma mulher - choro que aqui tem conotação muito além do pranto, que representa todas as reivindicações e reclamações das mulheres, principalmente a nosso respeito, os homens, a sociedade patriarcal. No que, quase sempre, elas têm razão.
Os registros mais antigos do movimento feminista datam da Revolução Francesa. Em 1791, a revolucionária Olímpia de Gouges compôs uma célebre declaração, proclamando que a mulher possuía direitos naturais idênticos aos dos homens e que, por essa razão, tinha o direito de participar, direta ou indiretamente, da formulação das leis e da política em geral.
O caso de Olimpia de Gouges, porém, foi um ato isolado em sua época. O feminismo voltou à toda carga a partir de fins do século XIX, início do século XX, e obteve a maioria dos direitos atuais nas décadas de 1960 e 1970.
O que quero dizer é que foram séculos de luta para que a mulher começasse a ser minimamente respeitada e ouvida em suas opinões e necessidades - e muito resta a se conseguir. Centenas de anos para que passassem a ser vistas como mais que simples objetos sexuais, mais que corpos inanimados, mais que bonecas infláveis de carne à disposição do macho.
E agora, que conseguiram pleno espaço para expor seus pensamentos e argumentar de igual para igual com os homens, vêm essas meninas do Femen e fazem o quê, quando algo as contraria, quando se julgam alvo de alguma injustiça ou discriminação?
Mostram os peitos!!!
Tanto tempo e tanta luta para nos convencer de que são possuidoras de cérebro e razão e defendem suas causas de que forma? Mostram os peitos!!! As integrantes do Femen só vêm a reavivar e a reforçar o estereótipo machista que boa parte da sociedade guarda da muher, só fazem recrudescer a ideia (errada) de que mulher é isso mesmo, um corpo usufruível, o qual ela usa como arma e único argumento para sensibilizar o homem.
As integrantes do Femen não expõem sua ideias. Mostram os peitos!!! E olha que nem são "aqueles" peitos. No mais das vezes, são uns peitos meio mixurucos, pequenos, mirradinhos, já caídos e murchos, pela falta do uso de sutiã, esse artefato de dominação e castração masculina - tenho certeza de que elas pensam assim.
Os "argumentos" do Femen não fazem mira no cérebro do homem e na possibilidade de mudá-lo um pouco, eles visam a outra cabeça masculina, a cabeça do pau. O Femen faz o que toda arrivista, o que toda maria chuteira, o que toda periguete faz : usa o corpo para conseguir o que quer.
Aliás, tenho cá para mim, que as Femen são periguetes enrustidas. Adorariam ser cobiçadas para capas de revistas e para madrinhas de bateria das escolas de samba , mas não apresentam os atributos físicos para tal. Daí, utilizam-se do subterfúgio de um pretenso engajamento político e social para... mostrar os peitos!!! Tornarem-se subcelebridades, feito as que criticam. E das quais morrem de inveja.
Não sei se, na Ucrânia, berço do Femen, mostrar os peitos possa ter um significado além de, simplesmente, mostrar os peitos. Sei lá, é frio pra caralho na Ucrânia, peitos à mostra não é coisa que se veja todos os dias em terras gélidas, admito que uma certa coragem é necessária para encarar os rigores do clima - ou uma vontade muito maior de aparecer gratuitamente nos noticiários. Mas aqui no Brasil? Aqui não tem jeito, mostrar os peitos, é só mostrar os peitos. Peitos de fora fazem parte de nosso triste carnaval cotidiano.
Todo esse meu blá-blá-blá porque o Femen Brazil - sim, os politizados peitos ucranianos abriram franquias pelo mundo - foi agente de mais um protesto de altíssima relevância, ontem, no Santana Parque Shopping, Zona Norte da cidade de São Paulo.
Dessa vez, elas desnudaram suas muxibas para espernear contra a presença da Casa de Vidro, uma instalação da Rede Globo que abriga, em pleno shopping, candidatos a participantes do Big Brother Brasil 13. 
O BBB, se é que alguém ainda não conhece, é um reality show que glorifica o vagabundo e, sobretudo, a biscate. Biscate que, em rede nacional e horário nobre, faz sabem o quê, basicamente? Mostra os peitos!!! E uns peitos muito mais caprichados que os das meninas do Femen.
Puta que o pariu!!! É o roto falando do rasgado! Ou, no caso, é a despeitada (do Femen) falando da peituda (do BBB).
Não tenham dúvidas, o que essas moças mais gostariam é de também serem convocadas a participar do BBB, a mostrar seus "argumentos" para todo o país. O sonho secreto das Femen é exibir seus peitos no paredão do BBB. Vão me desculpar (ou não), mas mulher séria, mulher de verdade, não sai por aí a balançar publicamente os peitos.
As manifestantes conseguiram seu objetivo, foram abraçadas e agarradas por homens - os seguranças do Shopping e da Rede Globo.
Para finalizar, quero deixar claro que esse texto não é antimulher nem antifeminista, de forma alguma. Eu adoro as mulheres. Mas é, declaradamente, anti-Femen, que, repito, presta um grande desserviço a toda história e tradição feministas, enxovalha com a imagem de toda mulher que verdadeiramente vai à luta.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Os Tomates Psicodélicos Da Vovó

Uma denúncia anônima - sempre tem um filho da puta de um vizinho alcaguete - levou os policiais civis da DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) às portas de uma senhorinha de 69 anos de idade, moradora de Diadema (SP). A velhinha peitou os meganhas, não os deixou entrar, chamou a PM e só após a chegada desta permitiu a entrada dos policiais.
A velhinha era metida a horticultora, plantava na laje de sua casa o que, segunda ela, eram uns pezinhos de tomate, para o molho do macarrão dos netinhos, o espaguete dominical da nona. Os tais pezinhos de "tomate" eram nada mais nada menos que 43 pés de maconha, a famosa Canabis.
Pega no flagra, e sem nenhum puto de um tomate a nascer para confirmar sua história, a velhinha tentou se sair a la Bezerra da Silva, e afimou desconhecer a planta.
Um profeta do cotidiano, esse Bezerra da Silva : "Quando alguém lhe perguntava/Que mato é esse que eu nunca vi?/Ele só respondia/Não sei, não conheço isso nasceu ai/Quando os federais grampearam/E levaram o velhinha inocente/Na delegacia ela disse/Doutor não sou agricultora, desconheço a semente."
A velhinha, que mora com o ex-marido, um aposentado de 62 anos, foi autuada em flagrante e indiciada por tráfico de drogas. O ex-marido é deficiente visual e não teria acesso à laje, dessa forma, foi considerado apenas uma testemunha.
Vejam os tomatinhos da singela vovozinha. Fazer tricô e cuidar dos netos que é bom, ninguém quer, né?
Fonte : O Estadão

Pessoas Religiosas Pensam Que Suas Vidas Têm Um Sentido Mais Profundo; Na Verdade, Só São Loucas, Mesmo.

Mais uma que o Azarão sempre soube e que a ciência agora vem a confirmar.
Um estudo conduzido por pesquisadores da University College London reuniu fortes indícios de que pessoas religiosas são muito mais propensas a distúrbios mentais que aquelas que enxergam o mundo por um prisma lógico e racional.
Concordo com os dados do estudo - até porque são empíricos -, mas discordo da conclusão levantada pelos pesquisadores, a qual julgo ser exatamente o contrário : não é o fato do sujeito ser religioso que o torna mais propenso a um distúrbio mental, e sim o fato dele já ser possuidor de um distúrbio mental que o torna mais propenso a ser religioso, ou seja, o religioso não fica louco com mais facilidade, é o louco que tem maior facilidade de se tornar religioso. Óbvio. Claro e cristalino.
Só sendo portador de um razoável nível de demência para acreditar que um ser uno tenha criado todo o universo conhecido - só em nossa galáxia, a Via-Láctea, são 100 bilhões de planetas e uma quantidade equivalente de estrelas, constatou um estudo recente. Mas até aí, tudo bem, eu até dou um desconto, de repente, o lesado acha que o universo é só esse planetinha aqui.
Mas só sendo irreversivelmente um doido de pedra para achar que esse mesmo ser fique o tempo todo a olhar e velar por ele, que esse todo-poderoso o escute, que se preocupe com ele, que seja seu amigo; além de louco, o cara é megalomaníaco. Já cheguei a ver um adesivo no vidro traseiro de um carro (ou talvez na porta de uma casa, sei lá) que dizia o seguinte, não sou o dono do mundo, mas sou filho do dono. Puta que o pariu!!! É bonzinho da cabeça, um cara desse, né?
Como se não bastasse serem loucas, essas pessoas acreditam que conseguem dar um sentido mais profundo às suas vidas que os não religiosos. Qual o sentido (e o querem profundo ainda por cima) que há na reunião de um bando que fica a rezar, a uivar para um ser inexistente, e a se congregar num transe quase orgástico pelo Jesus pelado, sangrento e pendurado na cruz?
Alguns "argumentarão" que cerca de 90% da população mundial crê em algum tipo de poder divino, estarão todos loucos? Sim. A resposta é sim!!! Vivemos num manicômio em forma de planeta, e onde os loucos tomam conta do hospício. Olhem bem ao seu redor e tentem me desmentir, se forem capazes.
O estudo foi realizado com 7403 homens e mulheres britânicos selecionados aleatoriamente entre a população. Deles, 35% autodeclararam-se religiosos praticantes, frequentam uma igreja, mesquita, sinagoga ou coisa que o valha, sendo a maioria cristã; 19% disseram ter uma crença espiritual, mas não seguem uma religião específica; e os 46% restantes não eram religiosos, espiritualistas etc.
Alguns dados obtidos na pesquisa:
- as pessoas religiosas se mostraram 50% mais propensas a um transtorno de ansiedade generalizada, e 72% a desenvolverem algum tipo de fobia. Mais que evidente, para mim. Quem prima pela racionalidade não fica esperando que uma força maior interceda por ele, que arrume sua vida, não fica à espera de um milagre, não aguarda nada dos céus, não anseia, portanto. O racional sabe que ele está nesse mundo por suas próprias pernas, ele não anseia, ele vai e faz. Se consegue bons resultados em sua tentativa, ou não, é outra história, mas tem plena consciência de que tanto o sucesso quanto o fracasso são de sua responsabilidade. Quanto às fobias, é mais óbvio ainda; o cara que acredita num deus a lhe vigiar o tempo todo, está a um pequeno passo de começar a ver monstros a sair de seus armários e de baixo de sua cama.
- os declarados religiosos também se mostraram 77% mais sujeitos a uma dependência de drogas, 37% mais suscetíveis a um transtorno neurótico, e 40% mais concordantes em receber um tratamento médico com drogas psicotrópicas. Óbvio, de novo. O cara não é capaz de pensar, não é maduro o suficiente para planejar sua vida, não é capaz de, por suas próprias forças, tornar seu mundinho melhor. Num primeiro momento, ele recorre a um deus. Quando esse deus, porém, começa a dar mostras de sua inexistência, quando ele percebe que só rezar não muda a sua situação, ele, incapaz que é de encarar a realidade, apela para outra fuga, para outro ardil que torne, ou, pelo menos, faça seu mundo parecer melhor, sem que isso demande nenhum esforço : o psiquiatra e seus remedinhos milagrosos, os seus somas de Huxley. Querem coisa melhor que um bom tarja preta para deixar cor-de-rosa o mundo que os cerca? Os tarjas pretas são um substituto químico para deus.
- foi pesquisado também o nível de felicidade autodeclarado de religiosos e inteligentes; esse quesito foi o único ponto concordante nos diversos grupos, todos são igualmente felizes ou infelizes, independente de terem fé em deus ou em si próprio.
Conclusão dos pesquisadores, da qual, repito, discordo, por sabê-la às avessas : "Nós concluímos que há evidências crescentes de que as pessoas que professam crenças espirituais são mais vulneráveis ​​ao transtorno mental. A natureza desta associação necessita de maior exame qualitativo e quantitativo na pesquisa em perspectiva."
Sempre educados e polidos, esses cientistas, ainda mais que são britânicos. Educados e espertos, sabem que não convém despertar a ira dos irracionais.
Educados, mas pragmáticos, para quem os sabe ler. O que eles disseram em sua conclusão, escrita com neutralidade, como bem cabe à ciência, e até com uma aparente humildade, fazendo-nos supor que o estudo possa precisar de mais dados e ajustes, foi : que os religiosos são doidos, são; só falta qualificar e quantificar os fatores que os tornam doidos.
E isso é o mais fácil : basta perguntar a qualquer ateu.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Festival Do Corno

Salvos os casos verdadeiramente traumáticos de rompimento amoroso - aqueles de causar fratura exposta no chifre e AVC na honra -, acho que, vez em quando, a todo mundo assalta a vontade de rever um antigo caso.
Um reencontro sem nenhuma maldade ou intenção posterior, uma pequena recaída, sem febre, sem a menor chance de adoentar, muito menos pôr em coma, o atual relacionamento. Um ato civilizado, em suma. Só sentar, conversar, tomar um café - cerveja ou qualquer outra poção etílica seria abusar da sorte, ou da falta dela -, saber o que os anos fizeram um ao outro; duas pessoas que, não obstante não mais amantes, em inimigos não se tornaram.
Mas como convencer à atual adversária da inocuidade dessa pequena, digamos assim, recidiva de catapora emocional - e também se deixar convencer por ela, pois o troco é certo? E que tal incrementar um pouco mais a situação? Que tal estabelecer um dia do ano para essa revisita ao passado sentimental de cada um, que tal marcar uma data em vermelho no calendário para retirar da gaveta as velhas fotografias, que ainda que saibam a naftalina e a amarelos, só mostram os bons momentos? Na fotografia, sempre estamos felizes, como já disse o bom e velho Chico Buarque. É um risco. O risco da cornagem consentida.
, porém, um risco muito maior que o da cornagem de comum acordo e, óbvio, que o do cair na maledicência do povo, que essa sempre vem, sendo você corno ou não. É o risco de você perder o jogo de goleada. Vai que a ex dele continue toda bonitona, gostosona e desejável e o seu ex tenha ficado gordo, careca e broxa, ou vice-versa? Essa derrota, sem prorrogação nem direito a pênaltis, é o que mais vai lhe doer pelo resto da vida, o passado do outro permanecer melhor que o seu é de lascar.
Logo, pelo menos em nossa sociedade, esse reencontro com o ex continuará a se dar apenas em nossa imaginação, e o faremos com todo o zelo, com o cuidado de não pensarmos alto.
Acontece que o ser humano é plural, diverso, multicultural etc, toda essa bobajada politicamente correta, mas, principalmente, o bicho humano é engenhoso e profícuo em arrumar maneiras de cornear o outro - e também, em contrapartida, criar jurisprudências para ser corneado, no que, paciência, só resta se apegar ao dito, chifre trocado não dói. Ou se dói, é dor da qual não se pode queixar, é dor que se há de fingir que deveras não se sente.
Pois um pequeno povoado do Vietnã resolveu esse impasse. Encontrou uma solução genial para tal dilema e todos os anos, no terceiro mês do calendário lunar, vários habitantes da fronteira de Taiwan com a China se reúnem na vila Khau Vai, para conversar com ex-namorados. Por mais inacreditável que possa parecer, brigas são eventos raríssimos nessa reunião, não há notícias de tiros, facadas, tampouco chifradas letais.
Esse brilhante povo se refugiou numa antiga lenda local para justificar essa pequena escapadela sazonal, subterfugiou-se na lenda, ou, quem sabe?, a lenda tenha sido criada justamente com esse propósito; do ser  humano, toda sacanagem pode ser esperada.
A lenda conta mais ou menos o seguinte :  uma garota da tribo Giay teria se apaixonado por um rapaz da tribo Nung. Mas a moça seria tão bonita que sua comunidade proibiu que ela se casasse com um forasteiro, o que gerou uma guerra entre as duas etnias.Vendo a tragédia, os dois pombinhos resolveram se separar - mas combinaram que, uma vez por ano, eles se encontrariam na vila de Khau Vai. A tradição se mantém até hoje e os ex-namorados se vestem com cores vibrantes, que simbolizariam o amor proibido. 
Um participante chamado Lau Minh Pao conta que encontra sua ex-namorada lá todos os anos e que conversam sobre o tempo em que namoravam, sem ressentimentos. "Não pudemos nos casar porque morávamos longe um do outro, agora nós derramamos nossos corações sobre o tempo, quando nós estávamos enamorados", explica o vietnamita que hoje é casado com outra mulher. Ele garante que sua atual esposa não tem problemas com o festival - ela também encontra seu ex-namorado por lá, também está, ao mesmo tempo que Lau Minh Pao, derramando seu coração sobre o tempo. Sem nenhuma culpa ou constrangimento.
É a feira livre da cornagem. É o mercado de peixe do boi zebu. É o festival do corno. E lá se reúnem as cornagens antigas, as atuais e as vindouras; as curadas, as em carne viva e as ainda em embrião. Sim, porque num lugar desse, velhos ressentimentos podem ser perdoados, afinidades esquecidas, restauradas. O corneador pode virar corno de quem corneou, o corneado pode tornar em corno quem o corneu com quem fora corneado, e vice-versa, e pelo avesso, e assim por diante, ad infinitum, a mancheias.
Abaixo, um instantâneo do festival do corno, todo mundo de turbante, que é para disfarçar o chifre, aquele chifrinho incipiente, feito um dente do siso a romper a fronte do sujeito, chifre de viadinho novo.
Bem já dizia o Seo Israel - o velho bedel do colégio onde concluí meu colegial - tentando ajudar, quando reparava num aluno meio cabisbaixo e macambúzio por conta de um pé na bunda, vergado sob o peso do calendabro judaico instalado em sua fronte : "fica assim, não, menino, que chifre é mesmo coisa do homem, o boi usa é de enxerido".
É claro que não ajudava em nada, o Seo Israel. Aí é que o cara desmoronava de vez. E o Seo Israel sabia disso. Por experiência própria, o velho safado.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

MEC Aprova Cursos Reprovados No Enade

Já não é de hoje que a nota final do aluno, aquela que será responsável por sua aprovação ou retenção, não é mais obtida pela média aritmética dos quatro bimestres letivos. Não nas escolas públicas do estado de SP, pelo menos.
Teoricamente, a média mínima para a aprovação é cinco, numa escala de zero a dez. Teoricamente. Pro forma. Para inglês ver.
Tomemos o seguinte exemplo, hipotético nesse momento, mas bem recorrente no cotidiano das escolas públicas de SP : o aluno obtém nota 2 no primeiro bimestre, 2 no segundo, 3 no terceiro e uma nota 5 no último bimestre. 
Seguindo o que manda a boa matemática, tal educando conseguiu uma somatória de 12 pontos ao longo do ano, que divididos por quatro, o número de bimestres, dá-lhe uma média de 3. Logo, não há discussão, o aluno em questão é reprovado e refará a mesma série no ano seguinte, certo?
Errado. Totalmente errado. Eu, você, e todos os grandes mestres da matemática, todos errados.
Esse aluno, pasmem, será promovido tranquilamente para a série seguinte; aliás, já foi, já está em casa há muito tempo, curtindo suas imerecidas férias.
Há uma boa década que as orientações da Secretaria de Ensino de SP e de suas mandatárias, as Diretorias de Ensino, são no sentido de ignorar a mais reles matemática, subvertê-la, pior ainda. Esse aluno não poderá, segundo eles e seus peidagogos de gabinete, ser reprovado, de forma  alguma. 
Esqueçam a matemática nesses casos, ordenam. Deve ser considerada a "evolução" do aluno. Ele tirou 2, 2, 3, e 5, apresentou um comportamento ascendente, uma tendência positiva. Reprová-lo, nesse momento, ainda que ele esteja longe da média mínima necessária, seria barrar todo o crescente interesse que ele vem demonstrando pelo estudo, seria desestimulá-lo, derrubar sua autoestima, traumas irrecuperáveis poderiam ser impressos no educando.
Balela. Patifaria. Canalhice. Acontece que a escola pública virou uma fábrica de diplomas, uma linha de produção gigantesca de analfabetos com certificado de escolaridade, uma enorme indústria governamental de geração de dados estatísticos, usados para melhorar os índices do Brasil frente ao cenário internacional.
Alguns poucos professsores ainda tentam resistir, reclamam, esbravejam, vociferam, mas não tem como, são vencidos. O sistema é implácavel. Inexpugnável.
Lógico que o aluno sabe disso, e bem se adapta ao ambiente que o cerca. Muitos ficam coçando o saco até agosto, setembro, todos os anos, quando, então, começam a mostrar "interesse" pela escola, declaram-se arrependidos aos professores, puxam um pouco o saco, fingem-se de subservientes. O professor, ingênuo e sempre com o ego carente de ser inflado, entra na do sujeito. A reboque, vêm o cinco no último bimestre e a redentora aprovação.
E não é que, agora, o MEC, órgão máximo de nossa educação e de nossa vergonha, terá o mesmo procedimento para com os cursos superiores que não atingiram a nota mínima no ENADE, conceito que lhes garantiria a continuidade de seu funcionamento?
A nota mínima para um curso superior continuar em atividade é - seria - 3,0, numa escala de zero a cinco. O que eu já acho pouco, mas vá lá que seja.
Aplicado trienalmente, os ENADEs de 2008 e 2011 foram desastrosos.
Em dezembro desse ano, a pasta divulgou que 200 cursos que tiveram notas baixas em 2008 e 2011 não poderiam abrir vagas para este ano, 2013. Porém...
Sempre há um porém nessa merda de país, sobretudo se for um porém para o vagabundo, para o errado. Vamos ao porém : pelas novas regras divulgadas ontem pelo MEC, destes 200 cursos reprovados, 112 poderão pedir revisão, por estarem com "tendência positiva". 
Olha o golpe aí!
Do grupo dos 112, apenas seis mudaram de patamar, de nota 1 para 2, na escala até 5 - grande merda! E a coisa ainda fica melhor, pior, quero dizer : os demais 106 cursos melhoraram apenas nas casas decimais. Engenharia ambiental da faculdade Oswaldo Cruz (São Paulo), por exemplo, subiu de 1,90 para 1,91. 
Isso é tendência positiva? Puta que o pariu!!! Só o uso de duas casas decimais já mostra a má-fé do MEC. E tenham certeza, se não houvesse nenhuma "melhora" detectada até a segunda casa decimal, o MEC usaria três, quatro, cinco, ou quantos dígitos depois da vírgula fossem precisos, até encontrar a tal tendência positiva.
A média é 3,0, mas com 1,91 já dá pra passar. Dá pra passar...igualzinho a uma reunião de final de ano de escola pública.
Tem mais :  segundo essas novas regras divulgadas, se o curso estiver em instituição com boa avaliação, o processo será mais rápido. Não haverá, por exemplo, visita de comissões in loco.
Para que, então, gastar milhões na realização do ENADE, mais uns tantos milhões na divulgação dos cursos picaretas, se nada vai mudar no fim das contas? A resposta está nos milhões. 
Todo esse processo retira dos cofres públicos uma dinherama cujo montante sequer somos capazes de imaginar. Dinherama que vai se perdendo, que vai se pulverizando pelo caminho, feito uma garoa fina a molhar muitas e muitas mãos. E depois do resultado divulgado, mais dinheiro vem.
Óbvio que, com a divulgação dos resultados, o MEC sofreu uma "pressão financeira", digamos assim, dos donos dos cursos reprovados. Daí, essas novas regras, permissivas até a última instância.
No fim, todos ficam felizes, e a grande indústria da educação e da enganação segue de vento em popa. Da autoenganação, o que é pior. Afinal, se o brasileiro primasse por uma educação de qualidade, se, ao pagar por uma faculdade, estivesse mesmo em busca de um curso de alto nível, e não de apenas mais um diploma a dizer que ele é capacitado para algo em que ele efetivamente não chega nem perto de ser, de nada adiantaria o MEC mudar as regras durante o jogo.
Se o interesse do brasileiro fosse pela qualidade, a partir do momento da publicação dos resultados negativos dos tais 200 cursos, os mesmos ficariam sem interessados em frequentá-los, a demanda por eles seria tão baixa que seu fechamento se daria naturalmente, pouco importando o que o MEC dissesse depois, pouco importando o quanto eles "melhorassem" decimalmente, centesimalmente etc.
Acontece que são cursos mais baratos e de menor duração. Diploma por diploma, pensa o brasileiro, vai o mais fácil, o mais baratinho. Vai essa merda mesmo. A máxima culpa da baixa qualidade de ensino atual é do próprio aluno, ele quer o mais imediato - acha que curso universitário é mais um aplicativo para seus malditos celulares -, e imediatismo sempre se traduz em porcaria. 
Nenhum governo pode ser julgado culpado pela sacanagem que faz com seus cidadãos, ele meramente visualiza a brecha, o ponto fraco do povo, e a alarga. Não querem estudar a sério?, pergunta o governo. Então tomem aí essa merda disfarçada de escola, que para vocês está de bom tamanho. E está mesmo.
O MEC, porém, garante que não é a casa da Mãe Joana, a coisa também não vai ser fácil assim, não. Nenhum dos 112 cursos está automaticamente liberado, pois todos passarão por avaliação.
Imagino.

Receita Para Afastar Um Amante - Xico Sá

Publicado na Folha de São Paulo, 03/01/13
"Finalmente encontro Amaro. Queria agradecer por um conselho amoroso. Havia se manifestado apenas por email.
O desejo de Amaro, aproveitando minha passagem nas praias de Pernambuco, era oferecer um banquete, o que o fez de forma pantagruélica, babélica, dionisíaca etc, na sua residência em Piedade.
Amaro está feliz, em lua de mel restaurada, com a cria da sua costela. Ao drama, felizmente resolvido, para quem não lembra mais:
O leitor aflito me escreve. Quer ajuda, conselhos, alguma consolação, ombro, ouvidos… Invoco a Miss Corações Solitários que costuma fazer morada nesta pobre caveira envelhecida em barris de bálsamo.
Não posso deixá-lo a mascar o jiló do abandono. Está desconsolado, como o Sizenando de Rubem Braga, que viu a amada cair nos braços de um playboy. Um idiota que não sabia sequer uma palavra de esperanto.
A vida é triste, Sizenando, como soprou-lhe o cronista.
Com Amaro, chamemos assim o nosso personagem, não foi diferente.
Quis o destino parafusar objetos pontiagudos à testa da pobre criatura.
Sim, ela tem um amante. Daqueles amantes que se encontram à tarde, num intervalo qualquer, no recreio da vida chata.
Nem foi preciso contratar o detive particular, conta-me o nosso Amaro. Ele mesmo fez as vezes de cão farejador da própria desgraça.
Que fazer?, indaga, num email no qual até a arroba bóia em poças de lágrimas.
Mato o desgraçado?
Tiro a vida da desalmada?
Vou-me embora pra Tegucigalpa?
Salto mortal da ponte Buarque de Macedo?
Um trágico, esse rapaz. Como os de antigamente. Amaro é do tempo em que os homens coravam. Ainda tenho vergonha na cara, diz, urrando vaidades e orgulhos.
Sossega, Amaro.
O melhor que fazes, respondi ao marido em fúria, é sumir por uns dias, inventar uma viagem, e dar todo tempo do mundo ao infeliz desse amante.
Banalizar o amante, meu caro e bom Amaro.
Entendeste?
Deixar que eles durmam e acordem juntos por vários dias seguidos. Que tenham seus problemas, que percam o luxo dos encontros fortuitos e vespertinos, que se esbaldem.
É necessário deixar a Bovary sentir o bafo matinal da rotina.
A vida dos amantes dura porque eles só vivem as surpresas e valorizam cada minuto do relógio que põem sobre a cabeceira daquele motel barato.
Nada mais cruel para o amante da tua mulher que presenteá-lo com o pão-com-manteiga do dia-a-dia. A rotina é o cavalo de tróia do amor.
Amaro, nada de violência ou besteiras desse naipe.
Ao amante, todas as chances do mundo. Ao amante aquela D.R., a famosa discussão de relação, em plena TPM.
Um amante nunca sabe o que venha ser uma mulher sob o domínio da TPM. Ela faz questão de reservar todos os direitos desse ciclo ao pobre marido.
Ao amante, Amaro, a tapioca fria e sem recheio da rotina do calendário.
Ao amante, Amaro, a falta de assunto.
Ao amante, os cabelos revoltos da mulher, naqueles dias em que nem mesmo ela se agüenta ou encara o espelho. Naqueles dias em que os cabelos brigam com as leis do cosmo e não há pente ou diabo que dê jeito.
Some, Amaro, depois me conta."

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Raul Gil Não Tira o Chapéu Para Marquito (Ou : Tiririca, O Analfabeto Que Fez Escola)

Depois da estrondosa votação recebida pelo palhaço Tiririca nas eleições estaduais e federais de 2010, outros palhaços resolveram arriscar a sorte. E deram sorte.
É o caso de Marquito, o homem que não tem mosquito, alcunha lhe dada pelo apresentador Barros de Alencar, um de seus inúmeros "patrões". Marquito também já foi assistente de palco de Raul Gil, seu tio, e atualmente auxilia o bigodudo Ratinho, do SBT.
Lembro de Marquito fazendo as mais escabrosas imitações e dublagens, trajado conforme cada artista imitado e com o disco (nos bons tempos do LP) em rotação mais alta, 78 rpm provavelmente, produzindo uma voz distorcida e acelerada, ao som da qual Marquito dançava, gesticulava e dublava, tudo na mesma velocidade. Sua dublagem clássica, sua obra imortal, é Malagueña, imperdível e impagável.
"Esquisito por esquisito, vote no Marquito", sugeriu o candidato aos eleitores durante sua campanha. E os eleitores acataram a sugestão. Não obteve a mesma votação assombrosa de Tiririca, angariou parcos 22.198 votos, que lhes garantiram, no entanto, o posto de primeiro suplente de Celso Jatene, agora licenciado para ser secretário de esportes da gestão Haddad.
Sai Jatene e entra Marquito.
Em sua posse, ontem, 02/01/13, Marquito disse que não sabe se fará oposição a Fernando Haddad. "Vou conversar com minha assessoria ainda", após cochichar com um de seus assessores. Puta que o pariu! Marquito foi assistente de palco a vida inteira, agora terá assessores. No plural, e bota plural nisso, meia dúzia deles. Todos ajudando o palhaço a rir. E não faltarão motivos para Marquito rir seu riso banguelo, o salário, só o salário - fora todas as regalias e auxílios isso e aquilo -, só o famoso "faz me rir" de um vereador da capital paulista é de R$ 15 mil.
Nada mal para quem diz ter gasto R$ 8 mil em sua campanha.
Como não poderia deixar de ser, não faltaram presenças ilustres na posse de Marquito. Seu tio, o apresentador Raul Gil, esteve lá para prestigiar o sobrinho, que já deve ter lhe dado muito trabalho. Raul Gil declarou aos repórteres : "O Marquito é filho da minha irmã e eu cuido dele praticamente desde criança. Ele que quis seguir essa carreira [de artista]. Eu o levei para conhecer os artistas nas boates. Ele tem talento. Se ele botar esse talento artístico na política, vai se sair bem. Ele é inteligente. Não teve muito estudo porque não gostava de estudar, não porque faltou dinheiro, não (risos). Mas está aí, seja o que Deus quiser."
Bom, basta a gente dar uma olhada mais atenta ao mundo para ver bem o que "deus quer".
Raul Gil, como de costume, estava todo sorridente, e assistiu à cerimônia de posse a usar um chapéu preto, sem tirá-lo por um momento sequer. Ou seja, Raul Gil não tirou o chapéu para o sobrinho Marquito.
Marquito garante que não é outro Tiririca, mas que se espelha nele, sim. Indagado sobre seus projetos, ele segue os passos do professor : "Ainda não tenho, mas vou lutar por mais saúde e educação. Vou fazer o que vereador tem que fazer."
Marquito não sabe o que faz um vereador, assim como Tiririca declarava não saber das funções de um deputado.
E nós, o que fazemos? Faremos o quê?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Cachaça Atômica

Mal acabara de acionar a contagem regressiva automática do novo protótipo da Bomba Gama e Dr. Robert Bruce Banner, emérito físico nuclear a serviço do exército dos EUA, vê um desatento jovem adentrar a área de testes. Interromper a contagem era impossível, emitir qualquer alerta ao jovem dali de seu laboratório, idem. Bruce Banner, então, abandona as grossas paredes e vidros à prova de radiação de seu observatório e acorre em direção ao rapaz. Sem tempo para explicar, arrasta Rick Jones - esse era o nome do rapaz - e o arremessa para o fundo de uma espécie de trincheira de proteção. Porém, quando estava, ele próprio, prestes a saltar também para a trincheira, a Bomba Gama explode às suas costas. Milhões e milhões de letais partículas gama atravessam o seu franzino corpo de cientista.
Para a sorte do doutor, ele não vive em nosso planeta Terra, pelo menos não em nossa linha de tempo ou plano dimensional. Bruce Banner habita o universo Marvel, terra das maravilhas. Assim, ao invés de ser vaporizado, desintegrado, ou, na melhor das hipóteses, derretido a uma massa cinza e disforme, ele sobreviveu. E ganhou poderes inimagináveis. Sempre que fica nervoso ou é exposto a uma situação de risco, seu DNA gamicamente alterado opera transformações : Bruce cresce, seus músculos centuplicam de tamanho, sua camisa se rasga, seus sapatos estouram, suas calças se esfarrapam, sua pele ganha tons verdes, sai Bill Paxton e entra Lou Ferrigno, e Hulk sai a esmagar e a dar seus saltos de sete léguas.
Na nossa Terra, os raios gamas são bem mais monótonos. São utilizados na esterilização de alimentos e equipamentos médicos, em radioterapia e na tomografia computadorizada.
Essa história, entretanto, está para mudar. Cientistas manguaceiros do Laboratório de Radiobiologia e Meio Ambiente do Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura) da USP descobriram uma aplicação mais nobre para os raios gamas : acelerar o envelhecimento da cachaça, a famosa pinga.
Uma pinga considerada boa pode passar até 3 anos a envelhecer em barris de madeira; o mesmo resultado é alcançado em apenas alguns minutos de irradiação gama sobre a água que passarinho não bebe, garante Valter Arthur, um dos coordenadores do projeto, já com a fala meio engrolada.
O processo de fabricação não sofre nenhuma mudança, a diferença é que, depois de destilada, em vez de ir para os barris envelhecer, a cachaça já é engarrafada, e, na garrafa mesmo, é submetida a um irradiador gama. A radiação desencadeia instantaneamente reações químicas que levariam anos para ocorrer dentro dos barris de madeira, alterando pH, teor alcoólico e outras propriedades  físico-químicas da aguardente.
O maior obstáculo, segundo Valter Arthur, seria convencer as pessoas de que o consumo da cachaça irradiada é seguro. Irradiada  não é a mesma coisa que contaminada, diz. Uma vez cessada a irradiação, a cachaça pode ser prontamente consumida.
O sommelier de cachaça Jairo Martins provou da branquinha e não aprovou. A acidez ainda estava muito forte, não substitui a madeira, foi seu veredito. Sommelier de cachaça? Puta que o pariu! De vinho, ainda vá lá, é mesmo aquela coisa mais fresca, mais francesa, digamos assim. Mas de cachaça? Cachaça não se degusta, entorna-se. 
Contrariando o sommelier, a equipe toda do projeto provou exaustivamente a cachaça atômica e disse que o gosto não tem diferença. Temendo, contudo, uma possível parcialidade, e resolvida a tirar a prova dos nove, a equipe do projeto levou a cachaça para fora do laboratório e fez um teste com 40 estudantes da USP, que não detectaram a menor diferença entre a pinga tradicional e a "marvada" irradiada.
Ora, com quem  ficamos? Quem entende mais de pinga? Um sommelier de cachaça (é muita viadagem) ou estudantes universitários? A resposta é óbvia, ninguém entende mais de cachaça que estudante universitário.
Mas quem melhor para carimbar o selo ISO 9000 na cachaça gama que ele, ele que mais entende do assunto, o Incrível Hulk? O gigante esmeralda também provou da novidade e agora irá se pronunciar a respeito:
Fonte : Folha de São Paulo/Caderno Ciência

Uma Elegia À Cláudia Ohana (11)

"Teu cabelo preto
Explícito objeto
Castanhos lábios
Ou pra ser exato
Lábios cor de açaí"

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Tatuando O Toba (Ou : As Malditas Retrospectivas De Fim De Ano)

Existe um blog, Page Not Found, o qual leio costumeiramente. Seu autor, Fernando Moreira, posta notícias verdadeiras, de todos os lugares do mundo, dos mais inusitados e bizarros comportamentos do ser humano, a expor o quão ridícula é nossa espécie e o quão pouco viável ela é, deixando-me sempre com uma questão : como chegamos aos 7 bilhões?
Fim de ano é tempo de retrospectivas. Todo mundo cai nessa de listar os mais mais do ano que finda. É bem o que diz Humberto Gessinger : Todo mundo tá revendo/O que nunca foi visto/Todomundo tá comprando/Os mais vendidos/Todo mundo tá relendo/O que nunca foi lido.
E o Page Not Found fez também seu TOP TEN das escabrosidades mais acessadas de 2012. Em primeiríssimo lugar, muito à frente dos outros concorrentes, ficou Maria Louise del Rosario, uma latina mucho loca da Flórida, EUA. 
Marie Louise desbancou candidatos fortíssimos como Hazel Jones, a britânica com duas vaginas, Nadya Suleman, a mãe de óctuplos que virou atriz pornô, e Jonah Falcon, americano barrado em um aeroporto por suspeita de porte de arma, arma que nada mais era que sua própria benga, considerada hoje a maior do mundo.
Marie Louise, de 22 anos, deixou boquiabertos os visitantes de uma exposição de tatuagens ao tatuar o ânus, o brioco, o roscofe. E garantiu aos que a assistiam : tatuar o ânus é "muito, muito bom".
Tem mais : a tatuagem que a tornou famosa em toda a web nem foi a primeira a ser gravada em seu toba, duas outras já ocupavam o espaço nada virgem da moça, dois nomes já estavam escritos lá onde o sol não bate. 
Os nomes de dois ex-namorados : Vince, que a deixou por não se ver constituindo uma família com Maria Louise, e Rockwood, o namorado seguinte, que se sentia incomodado em ver o nome do outro quando comia o jilózinho da moça, mas que também não foi leal a ela, "envolveu-a" num furto que resultou na prisão dos dois.
Gente finíssima, a moça.
Isso de tatuar o cu, me fez lembrar uma piada.
Duas bichinhas - como diria o eterno Costinha -, duas bichinhas, estavam a comemorar 10 anos de união estável. Bruno, a bichinha passiva, resolve fazer uma surpresa para Bernardo, seu macho. Vai a um tatuador e pede que duas letras "B"s bem grandes sejam tatuadas em sua bunda, um "B" em cada nádega, Bruno e Bernado. Sai do tatuador com a bunda doendo, mas felicíssima com o resultado e já antevendo a surpresa que fará a seu consorte.
Bernardo chega do trabalho e o ambiente já está todo preparado, mesa posta para dois, velas aromáticas em lugares estratégicos da casa, o vinho branco a gelar, o salmão no forno. Bruno diz a Bernardo que vá tomar um banho no banheiro do quarto do casal, e que terá uma grande surpresa ao sair. Bernardo inicia seu banho e Bruno fica peladão no quarto, ouvido colado à porta do banheiro, atento ao fim do barulho da água do chuveiro.
Bernardo fecha o chuveiro e Bruno corre pra cama. Põe-se de quatro, bem arreganhado, com a bunda voltada para a porta do banheiro, para que Bernardo veja a tatuagem em sua homenagem assim que sair. Bernardo sai e dá de cara com Bruno. O sangue lhe sobe à cabeça, enfurece-se, e, num misto de ira e indignação, pergunta : "Quem é o desgraçado desse BOB?".
Animada com o sucesso repentino, a moça pretende alçar voos mais altos. Cheia de histórias como essas para contar, ela pretende escrever um livro.
Aí, eu pergunto : no cu?

Em tempo : antes que alguém pergunte pelas mais mais do Marreta em 2012, adianto que aqui não tem Top 10, Top 5, nem Top One. Aqui só tem TOP, TOP, que é a onomatopeia que representa o som produzido por uma mão, espalmada, a bater repetidamente sobre a outra, fechada em forma de copinho.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Vibro-Pendrive (Ou : Se Meu Consolo Falasse)

Mais uma nobilíssima aplicação da ciência e tecnologia no bem-estar e no conforto do ser humano.
É bem sabido que o trabalho de um grande executivo empresarial é tarefa das mais estressantes, a pessoa não tem hora certa de almoço, tem hora para entrar mas não tem para sair e, com o advento dos computadores, celulares e outras parafernálias, ela acaba trabalhando quase que 24 horas por dia, o trabalho a segue por onde ela vai.
E se é fatigante para o homem, muito mais para a mulher. Que, apesar de intelectualmente equivalente, é realmente mais frágil no aspecto físico, é mais sensível, mais suscetível a se ofender e se emocionar com a pressão, no mais das vezes cruel, posta sobre ela. Mulher se esgota mais fácil, desmorona e chora mais fácil, é mais dada a melindres, e ainda bem que seja assim. Ou não seria mulher, ou não seríamos homens e mulheres.
Para o homem é fácil desestressar; ele grita, xinga, manda à puta que o pariu, e toma um bom dum porre. A mulher é mais sutil, e assim também se mostram as suas formas de relaxar e jogar fora o lixo de um dia de merda. A mulher prefere relaxar dando uma gozadinha, tendo o bom e velho orgasmo. E nem precisa do homem, não.
No Brasil, segundo dados da Abeme (Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual), a venda dos brinquedinhos eróticos teve aumento de 18%; e de 52% nos EUA, de acordo com pesquisa do Instituto Kinskey. As duas pesquisas revelam o mesmo público preferencial : mulheres que trabalham em funções administrativas e burocráticas.
Muitas dessas mulheres confessaram que, muitas vezes, no intervalo entre uma reunião e outra, naqueles 15 minutos para o café e o cigarro, elas se recolhem às suas salas, acionam seus brinquedinhos, dão uma gozadinha e depois, obviamente, fumam um cigarrinho.
Em tempos de politicamente correto, tempos em que desgraçadamente nos encontramos, tudo o que é natural é considerado errado, feio e de mau gosto. Com o famoso caralho, não poderia ser diferente. O formato do pau não é considerado muito estético, é um produto mal acabado do ponto de vista artístico, um esboço grosseiro, garantem os politicamente corretos, que, no entanto, não ficam sem um bom tarugo entalado em seu rabo.
Além disso, não fica bem a moça abrir a bolsa para retocar a maquilagem e dela cair ao chão um pau de 20 cm de comprimento, todo cheio de nervuras e veias, é constrangedor. Assim, com vistas a esse pudico público consumidor, vários designers viadinhos vêm promovendo nos EUA e Europa o que chamam de "descaretização" do pênis. Para eles, pênis com forma de pênis é careta, é cafona, é démodé.
Que outra forma pode ter um substituto do pau, que não a de um pau? Mas os designers garantem que é possível dar aspecto mais comportado à benga, eles se esmeram em dar "caras" mais apresentáveis ao famoso consolo.
Existem vibradores em forma de ovo, de coelhinho, de batom... Tem até uma série de vibradores disfarçados de bonequinhos, dentre eles, um daqueles soldados ingleses que fazem a guarda do Palácio de Buckingham, aqueles que ficam parados e eretos o tempo todo, corpo trajado de vermelho e aquele chapéu bem grosso e cabeçudo. É verdade.
A série traz também marinheiros e policiais. Segundo seus idealizadores, a discrição é o fator diferencial de seus produtos, os bonequinhos, quando não em seu uso primeiro, podem até ser integrados ao ambiente, servindo de enfeites, de bibelôs, e ficarem sobre uma prateleira, sobre a mesa de trabalho, em cima do computador, emprestando um ar descontraído e informal ao sisudo recinto de trabalho - e também um leve cheirinho de peixe.
Porém, em todos os exemplos citados - e nos inúmeros que deixei de - havia um sério problema : o fim da bateria. Como recarregar seu vibrador, tenha ele o formato que tenha, fora do seguro e íntimo recôndito do seu lar sem despertar suspeitas? O que fazem um batom ou um soldadinho inglês ligados à tomada?, poderiam perguntar alguns?
A matutar sobre essa questão - das mais urgentes, diga-se de passagem -, o engenheiro-designer Michael Topolovac, da Universidade de Stanford, saiu-se com a genial ideia. Nesse nosso tempo de aparelhos multifunções, ele resolveu acoplar um vibrador aos rotineiros pen drives, que todo mundo carrega para lá e para cá, sem despertar a  menor suspeita. A vantagem é que ele pode ser recarregado em qualquer entrada USB.
Enquanto a diretora executiva de uma multinacional está lá, em plena reunião, com o pen drive em seu computador a mostrar as estatísticas da empresa para os sócios, o vibrador embutido no mesmo pen drive está a recarregar tranquila e discretamente suas baterias. E a  diretora está serena, sabe que, ao fim da reunião, o seu amiguinho estará pronto para outra.
Batizado de "Duet", o brinquedinho é feito de silicone adequado ao corpo e metal, sendo desenvolvido especialmente para o corpo feminino (mas tenho certeza de muito viadinho vai querer experimentar).
Ele tem dois motores, que são capazes de produzir uma potente e precisa vibração exatamente no ponto desejado.
O Duet tem quatro modos de vibração e cinco níveis de potência, ajustando-se perfeitamente às necessidades de cada mulher. Além disso, o vibrador ainda é à prova de água - tinha que ser, né? Vejam esquema detalhado do artefato, com descrições precisas de como otimizar seu uso.
O produto está disponível nas versões 8 GB e 16 GB de armazenamento, com preços de, respectivamente, US$ 149,00 e US$ 349,00. Caro? Barato? Sei lá.
Nem faço ideia de quanto custa um pen drive "normal". E muito menos de quanto custa um consolo, ora porra!!! 
Ficaram curiosas para ver o soldadinho inglês e outros inusitados consolos? É só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO, que, amanhã ou depois, quem sabe?, bem pode ser transformado em mais um modelo moderno de consolo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Existe Ex-Idiota?

Existe ex-viado? Por mais que a sabedoria popular diga que não, eu acho possível. Com muita força de vontade e uma boa reconstituição plástica das pregas, acho que o cara até que consegue.
Ex-puta? Também não é empreita das mais fáceis, mas não descarto a possibilidade. De repente aparece um cara rico, tira a menina do puteiro (eu vou tirar você desse lugar..., grande Odair José), ela fica grata e apaixonada pelo cara e pode mesmo virar uma boa esposa, uma boa mãe, até uma boa profissional de outra área.
Ex-ateu? Ateu, ateu de verdade, não. O verdadeiro ateu nasce com a incapacidade de acreditar em coisas invisíveis e improváveis, mas aquele ateuzinho de boutique, o agnóstico, o neoateu, esse eu acredito que possa se tornar um ex. E facilmente.
Ex-masturbador? Ex-punheteiro? Aí, não. Aí, não tem jeito, Uma vez punheteiro, sempre punheteiro. Não há conversão possível para esse.
Essa introdução, aparentemente sem pé nem cabeça, que mais parece resto da ressaca de natal, diz respeito a um lançamento empresarial do grupo evangélico norte-americano Passion for Christ Movement, de Los Angeles, Califórnia. O grupo comercializa, via internet, uma série de camisetas com dizeres de conversão estampados, autodeclarações de "cura". E tem para todos os pecados e "vícios". camiseta para ex-homossexual, ex-fornicador, ex-prostituta, ex-ateu, ex-masturbador etc. 
Ver minha descrença incluída nesse rol de "perversões" humanas em muito me alegrou. O que me fez lembrar uma fala do cineasta Claude Chabrol : "A estupidez é infinitamente mais fascinante que a inteligência; a inteligência tem seus limites, a estupidez não!"
É isso aí, pastorada do caralho. A verdade é que só não é possível de existir o ex-idiota. Pior ainda é quem compra e usa uma merda dessa. 
As camisetas saem pela bagatela de 12 dólares, acho que uns 25 reais. Não sei se alguma igreja evangélica do Brasil já copiou a ideia, mas o negócio por aqui seria até mais lucrativo do que por lá, em terras do Tio Sam. Primeiro, porque a evangelicaiada está proliferando mais que rato, e segundo porque o brasileiro, sacana e filho da puta que só ele, iria comprar as camisetas para presentear os amigos.
Eu mesmo compraria umas duas ou três para esse fim. Depois torceria para que meus dois ou três amigos remanescentes ainda me considerassem como tal.
"Ex-corno", frase que não consta do catálogo norte-americano, seria um título que faria muito sucesso no Brasil, ia vender como água, tornaria-se o carro-chefe da confecção. 
Também poderiam ser estampados : ex-corrupto e, por que não?, ex-pastor evangélico. Sim, porque depois que o sujeito toma o vício de ganhar grana com a burrice alheia, não larga mais, fica possuído.

sábado, 22 de dezembro de 2012

De Duas Coisas, Uma Vez Por Ano, Ninguém Escapa : Natal e Exame De Próstata

Não dou importância nem ao meu próprio aniversário, por que cargas d'água, então, eu iria festejar o do Cristo?

Eu sou muito mais de desaniversários do que de parabéns a você, feito o Chapeleiro Louco, de Lewis Carrol, sou muito mais do corriqueiro que do pontual e do momentâneo, sou muito mais os dias que acordam sonolentos, presos às horas e às obrigações do que os festivos, os histericamente festivos, porque nas datas ditas especiais o sujeito tem que demonstrar toda a sua alegria e felicidade aos outros, a todo o custo, inclusive e principalmente o do ridículo.
As datas comemorativas são mais uma enganação do ser humano para consigo mesmo, um autologro, mais um ardil contra si próprio para tentar se convencer de que, nem que seja por poucas vezes, sua vida e sua existência fazem algum sentido. 
Mais que isso, que são especiais, que não só se justificam plenamente como também são de suma importância para o mundo. Não são. As datas especiais levam o cara a pensar que ele faz algum relevo no planeta, que, nesses dias, a órbita da velha Terra um pouco se inclina e pende em sua direção. Não pende.
Eu não tenho data pra comemorar, como bem já disseram Arnaldo Brandão e Cazuza na canção O Tempo Não Pára (à época com acento); da parte de Brandão, não sei, mas da de Cazuza era puro fingimento, a bicha adorava um acontecimento, um holofote.
Inevitavelmente, porém, passo por essas datas; melhor, sou trespassado por elas, mas não as celebro. Sou um fumante passivo de suas cacofonias e de seus fogos de artifício.
Eu não dou, nunca dei, nem quando criança, a mínima importância para o meu aniversário. Lembrar dos aniversários dos outros - pais, irmãos, primos, amigos -, só mesmo por acidente, por alguma dessas armadilnhas da memória.
Não comemoro nem o meu próprio aniversário, por que eu iria, então, comemorar o do Cristo? A porra do Natal? Mas não tem jeito. Todos vão ao aniversário do Cristo, até eu. Mesmo que eu não fosse, mesmo que ficasse trancado em casa, ainda assim eu iria. O tal do Natal é intransigente, onipresente, o filho da puta.
Vou! Mas não visto chapeuzinho, não bato palmas, não canto com quem será que o Cristo vai casar, não como bolo nem brigadeiro e, nem pensar, não saio nas fotos.
Natal é igual àquele parente mala do qual você foge o tempo todo, mas que tem de cumprimentar de vez em quando, para quem você tem de abrir a porta quando, sem avisar, aperta sua campainha ou seu interfone e lhe faz uma surpresa, todo idiota gosta de fazer surpresas.
Melhor (ou pior), Natal é feito exame de próstata. Evitamos, evitamos...mas um dia o dedão velho nos entra. De duas coisas, uma vez por ano, ninguém consegue escapar : Natal e exame de próstata.
Eu prefiro o exame de próstata. É bem mais rápido, e não temos que fingir alegria, nem fazer cara de que estamos a gostar.

Em tempo (e para não perder o trocadilho, porque eu nunca consigo resistir ao trocadilho) : Neste Natal, o Marreta do Azarão vos deseja um peru bem grande. Grosso e cabeçudo.