sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Era Uma Casa Japonesa, Com Certeza

Um dos atos mais prazerosos ao ser humano, o de comprar, a mim não proporciona excitação de nenhuma espécie, nem ao menos uma semiereção, uma triste meia bomba. Não gosto de comprar. Não tenho paciência para. Comprar pela internet, então, sequer chega a me percorrer as ideias.
Minha esposa, nesse aspecto, é mais normal. Gosta de fazer suas comprinhas e circula fácil e tranquilamente pelos shoppings virtuais, inclusive pelos tais grupos de compras coletivas, os grupons.
Comprou, dia desses, via grupon, um desses combinados de comida japonesa, um kit tanaka, cuja retirada foi agendada pelo restaurante para tal dia e tal hora, ontem, 21h. Os grupons oferecem preços bem mais módicos que os das compras individuais, mas se você esquecer de retirar o produto na data marcada, perde o direito a ele, e à devolução do dinheiro. E foi o que (quase) aconteceu.
O dia de ontem foi dos mais atribulados, desgraçadamente atribulado, eu diria - não gosto de inquietações, de agitos, sou fã da pasmaceira - e já eram quase 23 horas quando veio a lembrança do groupon da comida japonesa. Ela, sem muita esperança, ligou ao restaurante e perguntou da possibilidade de ainda resgatar o produto. Sim, ainda era possível, responderam-lhe, desde que não muito tardasse.
Comida japonesa, sei lá... eu até como, japonesa eu como de qualquer jeito, mas não figura entre minhas preferidas. Ela tem uma bela variedade de cores - é bonita de se ver, um prato bem montado parece a paleta de uma aquarela -, mas não lhe corresponde uma igual gama de paladares - tem lá o arroz, a alguinha, o salmão e, no fim, tudo fica com um gosto só, o do shoyo -, muito menos um largo espectro de odores - tudo fica com o inexpurgável cheiro de peixe, cheiro do qual tornarei a tratar mais tarde, em breve.
Desde que não muito tardasse, dissera o rapaz.
O filho, já a dormir, a esposa, temporariamente impedida de dirigir, e eu, que nem habilitação (e habilidade) possuo. Restara única alternativa : pôr-me à rua em uma de minhas notórias (e abandonadas) caminhadas noturnas. Por sorte, de minha casa, o restaurante pouco distava, uns reles três quilômetros, três quilômetros e pouquinho. Vesti minha roupa surrada, calcei minhas sandálias de Mercúrio e me lancei ao asfalto.
Não sem antes passar no posto de gasolina da esquina para me abastecer, uma lata de cerveja, que é o combustível do reator de lítio fotônico de minha U.S.S. Enterprise. Pus-me em velocidade de dobra espacial e logo me materializava em frente ao restaurante.
Uma fachada de um discreto bom gosto, interior penumbricamente iluminado por aquelas lanternas japonesas de papel de arroz, lâmpadas amarelas dentro, uma cozinha de aparência limpa que se deixava divisar pelo vidro que lhe fazia as vezes de uma quarta parede, duas ou três mesas ocupadas por pessoas conversando em voz baixa e um gerente alinhadamente vestido  e bem educado, que me atendeu e, em poucos minutos, entregou meu pedido.
Mas nada disso - um ambiente de bom gosto e cordial - conseguia, naquela hora, minimizar a porrada que levei à entrada. Um soco nas fuças. Um direto de direita de Mike Tyson, desferido pelo tal cheiro de peixe acima referido.
Já entrei em outros dois ou três restaurantes japoneses, de ambientes bem menos sofisticados, inclusive, mas em nenhum deles, em absolutamente nenhum, o cheiro de peixe era tão intenso, quase nauseante. Não era um cheiro de nada estragado, era de invasor, de posseiro, de cheiro que não deixava espaço para nenhum outro, para nenhuma moleculazinha de oxigênio que fosse.
Não era um restaurante japonês, não podia ser, concluí. Era uma casa de gueixas mal-lavadas. Era uma buceteria.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Verdadeiro Esporte Bretão

Taí, adorei! A selecinha tomou o maior nabo da seleção da Inglaterra, os pais do futebol, os donos da bola. Cadê o melhor futebol do mundo, o tão aclamado futebol canarinho? Levou duas estilingadas inglesas nas fuças. 
Cadê o "gênio" Neymar, que de novo não fez porra nenhuma pela seleção, como sempre não faz? E o outro PhD da pelota, o Ronaldinho Gaúcho, que não conseguiu fazer gol nem de pênalti? Vai lá, toca "deixa a vida me levar", que agora eu quero ver.
Torçam, idiotas, torçam. E agasalhem essa mandioca, vocês merecem, e gostam.
Agora vou ao pub mais próximo, jogar uns dardos, falar mal dos irlandeses e comemorar com uma boa cerveja pale ale.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Torçam, Idiotas

Torçam, idiotas. Urrem feito bestas-feras diante do gol desperdiçado pelos seus times ou do enfiado em vocês pelo adversário, de dor, urrem como se lhes arrancassem os testículos, como se um diagnóstico de câncer lhes fosse mais favorável e de melhor notícia que uma desclassificação ou rebaixamento. Zurrrem feito asnos frente às paredes transistorizadas, ou de plasma, ou de LED, de suas cavernas de sombras. 
Torçam, idiotas. Lotem os estádios com o dinheiro com o qual deveriam abarrotar a geladeira, a despensa e a estante de livros de suas casas, deixem ricos e felizes os donos dos circos e das padarias.
Torçam, idiotas. Informem-se, saibam, interessem-se mais pela vida de seus ídolos de chuteira que pelas de seus filhos e esposas. Briguem e se matem pelos seus clubes, suas religiões fundamentalistas uniformizadas. 
Torçam, idiotas. Idolatrem seus deuses semianalfabetos, elejam seus heróis ocos e sem nenhum caráter e os mostrem aos seus filhos como exemplos de vida e de conduta a serem seguidos, invejados, ambicionados.
Torçam, idiotas. Porque já está tudo comprado nesse esporte de vendidos. Porque está tudo dominado.
Torçam, idiotas. Enganem-se. Continuem a amar seus times traidores, desempenhem para sempre o papel do corno manso e sempre o último a saber, do corno que nem quer saber.

Reportagem do Estado de São Paulo, 05/12/2013
"Jogos no Brasil estão sob suspeita 
Europol descobre rede internacional que manipulou resultados de quase 700 partidas pelo mundo e cujos tentáculos teriam se expandido ao País 
Jogos de diferentes campeonatos regionais e nacionais do Brasil estão sob suspeita de fazer parte do maior escândalo da história recente do esporte, revelado ontem pela Europol. A organização europeia de polícia descobriu uma rede de corrupção internacional no futebol montada pelo crime organizado e que manipulou resultados de quase 700 jogos pelo mundo, incluindo partidas no Brasil, na Copa dos Campeões e nas Eliminatórias para a Copa do Mundo.
"Nunca vimos uma rede tão grande de criminosos no futebol. Trata-se de uma operação sofisticada e uma evidência clara de como a corrupção invadiu o esporte", declarou Rob Wainwright, diretor da Europol.
Ao Estado, a polícia alemã da cidade de Bochum, que fez parte da operação, confirmou que os tentáculos do crime organizado estariam chegando até o Brasil. A assessoria da polícia, porém, se recusou a dar detalhes. "As investigações ainda estão ocorrendo e, se revelarmos os indícios, podemos prejudicar o processo", argumentou a polícia de Bochum. Os alemães, porém, confirmaram que trabalharam sobre suspeitas no Brasil envolvendo "diferentes campeonatos regionais e nacionais".
Procurada pelo Estado, a Polícia Federal do Brasil informou que "não se pronuncia sobre investigações" e não confirmou se colaborou com as investigações. Como a Europol age na Europa, ela não pode condenar ninguém por crimes no Brasil.
Grande parte do esquema se baseia na compra de jogadores, árbitros e dirigentes para manipular resultados. Apostadores, principalmente na Ásia, colocam seu dinheiro no resultado combinado e levam milhões em lucros. O mecanismo serve para pelo menos duas finalidades: lavar dinheiro do tráfico de drogas e de armas e simplesmente gerar milhões de dólares em lucros, na prática financiando o crime.
O Brasil não seria o único alvo na América do Sul. Um amistoso em 2010 entre as seleções sub-20 de Argentina e Bolívia, apitado por um trio húngaro, também está sob suspeita. O juiz deu acréscimos de 13 minutos sem motivo. Aos dez minutos além do tempo regulamentar, ele ainda apitou um pênalti inexistente a favor dos argentinos para garantir a vitória.
Só na Europa, o crime envolvia lucros de mais de 8 milhões (R$ 21,5 milhões) em apostas, além da distribuição de 2 milhões (R$ 5,4 milhões) em propinas pagas a jogadores, juízes e cartolas. Alguns atletas chegaram a receber 100 mil (R$ 269 mil) para garantir um resultado.
As partidas sob suspeita não se limitam a encontros sem expressão. Pelo menos um jogo válido pela Copa dos Campeões na Inglaterra nos últimos quatro anos está sob suspeita. Dois jogos das Eliminatórias para a Copa da África e um na América Central foram registrados. Dois jogos da Liga Europa e vários clássicos na Europa também foram colocados na mira da polícia. Na Alemanha, a polícia identificou cerca de 70 partidas.
Hoje, apostas nas diferentes modalidades de esporte movimentam US$ 1 trilhão (R$ 1,98 trilhão) por ano e, no caso do futebol, bilhões estariam transitando por casas de apostas de forma ilegal. Agora, as novas revelações apontam que, só na Europa, o esquema envolveria uma rede de 425 pessoas suspeitas; 50 desses suspeitos já foram detidos e podem pegar 39 anos de prisão.
E-mails. A rede de criminosos foi identificada em 15 países europeus e a investigação vem desde 2011. Para chegar à constatação, polícias de diferentes países obtiveram cópias de mais de 13 mil e-mails e documentos que confirmaram o esquema.
Laszlo Angeli, procurador húngaro, explicou como funciona o esquema no seu país. Uma pessoa na Ásia entrava em contato com árbitros que tentavam manipular os resultados.
"Esse é um dia triste para o futebol", afirmou Rob Wainwright, diretor da Europol.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Datena e Rede Bandeirantes Terão Que Se Retratar Frente Aos Ateus

A Justiça Federal em São Paulo condenou a Rede Bandeirantes e o apresentador José Luiz Datena a prestarem esclarecimentos à população sobre a diversidade religiosa e a liberdade de consciência de crença no Brasil. Terão que se retratar por ofensa aos ateus.
Durante a exibição de uma reportagem sobre o fuzilamento de um garoto, no dia 27 de julho de 2010, Datena afirmou que tal ato só podia ser coisa de um ateu : "Um sujeito que é ateu não tem limites e é por isso que a gente vê esses crimes aí". Dirigindo-se ao repórter Márcio Campos, Datena relacionou o crime à "ausência de deus" : "Márcio Campos, é inadmissível. Você que também é muito católico, não é possível, isso é ausência de Deus, porque nada justifica um crime como esse, não?".
E fecha com chave de bosta ao creditar todos os males do mundo - fome, guerra, peste etc - aos ateus : "É por isso que o mundo está essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo mais, entendeu? São os caras do mal. Se bem que tem ateu que não é do mal, mas o sujeito que não respeita os limites de Deus não respeita limite nenhum".
Ora, que Datena é um sensacionalista que vive às custas da desgraça alheia, um papa-defunto midiático, todo mundo sabe, mas eu, em minha infinita bondade, muito maior que a de deus, que não existe, considerava que ele fosse um pouco menos burro, um pouco. Ele não é.
Vejam em que tamanha contradição a burrice e a intolerância de Datena o encalacraram, vejam em que sinuca de bico a sua fé ilógica e fundamentalista o colocou.
Datena atribui todas as desgraças humanas à "ausência de deus". Como assim, Datena, ausência de deus? Você não diz que seu deus é onipotente, onisciente e onipresente? Para mim, onipresente significa estar em todos os lugares do universo conhecido, em todos os lugares físicos e em todos os seres vivos, em cada uma de suas células, nos pensamentos, nos atos, na alma, no coração. 
Não é essa a ladainha que os religiosos, que as pessoas que têm o cérebro apenas como contrapeso da cabeça vivem a recitar? Se o seu deus existe, Datena, e é onipresente, ele estaria, em teoria, inclusive em mim, que sou ateu, independente de eu crer ou não. 
Logo, Datena, as guerra, fome e peste por você citadas não são "ausências de deus" (como alguém onipresente pode estar ausente?), elas são, pelo exato oposto, resultados da presença de deus, da presença maciça do conceito de deus, de um deus vingativo, canalha e intolerante.
Deus, caro Datena, supondo-o real e dotado dos poderes que a ele atribuem, está presente, sim, no dedo do cara que puxa o gatilho, na dureza "ateia" do metal da bala que suplanta as resistências da pele e dos ossos da vítima devota. Deus, caro Datena, está presente, sim, no pau duro do estuprador que sangra a carne macia da mulher pega à covardia, mulher que, durante sua violação, não viu sinal de nenhum deus vindo em seu socorro.
Ateus matam? Sim. Mas não por serem ateus. Por serem assassinos, simplesmente. Muito mais já se matou em nome da crença em um deus do que pela descrença nele. Existem muito mais assassinos crentes que descrentes, Datena. 
Acreditar em deus não estabelece limite algum a quem pense em cometer um crime; pelo contrário, só torna esse limite mais flexível, afinal, o criminoso cristão conta com o perdão infinito de seu deus. Matar é muito mais fácil quando se acredita em deus, Datena. Não acreditar em deus, não contar com o perdão do padre para aplacar sua consciência, acredite, coloca limites muito mais rígidos.
(De mais a mais, será que é mesmo necessário um ser superpoderoso para nos dizer, entre outras coisas, que matar é errado? Será que as pessoas não são capazes de perceber isso por conta própria, de não cometerem tal ato por uma simples questão de consciência, e não por medo da vigilância de algum deus? Não, pelo visto não. Os religiosos, se não cometem atos maus, em sua maioria, não é porque são pessoas boas. Se não cometem atos maus, é pelo medo de deus, o Big Brother do universo. O religioso, em sua maioria, não é bom ou honesto por natureza : é medroso, é cagão.)
Caso a decisão judicial não seja cumprida pela emissora, a Band arcará com uma multa diária de R$ 10 mil. A decisão foi das mais acertadas, não o seu alvo, porém. O apresentador José Luiz Datena é quem deveria sentir a facada no bolso, não a emissora. É Datena quem deveria sentir o peso da justiça dos homens.
Uma boa porrada dada pela justiça dos homens é o mais amargo remédio para aqueles que, feito Datena, julgam-se mandatários da justiça divina.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Coisas Que Eu Gostaria De Ter Escrito

Quem gosta de escrever, quem vive a catar ideias para dar-lhes forma - seja de poema, crônica, letra de música ou conto -, geralmente tem um rol de coisas que gostaria de ter escrito. 
Escritos paridos ao papel por outros escritores antes dele, e não só por razões cronológicas, como muitos preferem acreditar ("só não escrevi isso antes porque fulano nasceu primeiro"), mas sobretudo por questão de talento maior de quem primeiro os escreveu.
Se fosse me imposta a tarefa impossível de eleger um único escrito para constar de minhas gavetas empoeiradas, eu seria obrigado a ficar com Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, aquele do "apedreja essa mão vil que te afaga e escarra nessa boca que te beija". Esse soneto do poeta da putrefação sintetiza a natureza humana com insuperável precisão. Simples catorze versos que destilam, resumem e concentram a torpe índole do bicho homem.
Não fosse, porém, imposto limite algum, eu elaboraria uma lista com centenas, talvez com milhares de coisas alheias que eu gostaria de ter escrito, coisas que eu, sem nenhum pudor em confessar, gostaria de roubar para mim. 
Grande parte dessa lista seria formada por letras de canções, quase todas as do Chico, do Cartola, do Oswaldo Montenegro, do Adoniran, do Lupicínio, do Paulinho da Viola, do Vinícius de Moraes... O número de compositores seria quase tão extenso quanto o de canções.
Hoje, acordei com uma música grudada à cabeça, música que há muito não ouvia e com a lembrança da qual meu cérebro generosamente me presenteou nessa primeira manhã de fim de férias;  acompanhou-me e me consolou por boa parte da manhã. 
A canção é a belissima Viajante, da compositora Thereza Tinoco, que, com o auxílio luxuoso da interpretação de Ney Matogrosso, sagrou-se numa das mais inspiradas peças da MPB. E em uma das coisas que eu gostaria muito de ter escrito.
Viajante
(Thereza Tinoco)
Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, 
Pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
Mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez.

Mas o viajante é talvez covarde
Ou talvez seja tarde pra gritar que arde
No maior ardor
A paixão contida, retraída e nua
Correndo na sala ao te ver deitada
Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar.
Talvez esperando desse viajante
Algo que ele espera também receber
E quebrar as cercas que insistimos tanto em nos defender.

Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
Mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez

Para ouvir Viajante é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Implante De Bigode (Ou : Uma Boa Maneira Para Belchior Pagar Suas Dívidas)

Depois dos implantes em silicone de peitos, bundas, bíceps, panturrilhas e até as controvertidas próteses penianas muito usadas pelos atores pornôs para aumentar, digamos assim, os seus talentos dramáticos, uma nova cirurgia estética está a tomar conta do fútil e rentável mercado da aparência. 
Na Turquia, a tendência entre os homens é o implante bigodal, é turbinar el bigodon, le moustache (em Portugal, caso essa moda também por lá aporte, serão as portuguesas as maiores beneficiárias da nova técnica).
Sei que pode parecer mais uma dessas viadagens modernas, essa coisa de metrossexual etc; se bem que o metrossexual segue caminho oposto, ele não implanta nada, menos ainda pelos, ele depila pernas, axilas, tira sobrancelhas, faz limpeza de pele e raspa o saco.
Mas não é nada disso, garantem os turcos desbigodados, porém machos. Acontece que, na Turquia, o bigode é muito mais que uma simples taturana peluda entre o nariz e o lábio superior. Ele pode expressar muitas coisas diferentes, da ideologia política à etnia de seu portador e, sobretudo, virilidade e poder.
Agora, indivíduos com bigodes ralos, que não foram agraciados com uma exuberância capilar lá pelo deus deles do bigode, estão recorrendo às clínicas estéticas para se submeterem ao procedimento chamado de extração de unidades foliculares, nada mais que arrancar uns cabelos do couro cabeludo e reimplantá-los abaixo do nariz. É a Interlace do bigode.
Um bom bigodão custa algo em torno de R$ 5 mil reais e a demanda não cessa de crescer. Integrantes do MSB (Movimento dos Sem-Bigodes) de todas as partes do mundo estão a acorrer à Turquia em busca da parte que lhes cabe desse latifúndio. Agências de viagem já montam pacotes turísticos que incluem uma cirurgia estética bigodal, o cara visita os pontos turísticos da Turquia e volta para a casa com um belo dum bigodão.
E se o cara, além de desbigodado, for também careca? Tira os pelos da bunda? Do saco?
Talvez a solução seja abrir um novo nicho de mercado, paralelo ao do aquecido implante bigodal, o dos doadores de bigode. Os bem-dotados pela natureza venderiam seus bastos e excedentes fios de bigode a peso de ouro. O governo turco bem poderia implementar bancos de doadores de bigode, o que minimizaria o surgimento de um mercado negro de transplante bigodal, bigodudos seriam raptados (ou sucumbiriam vítimas do golpe do boa-noite, cinderela) e acordariam numa banheira cheia de gelo, totalmente raspados, sem os seus bigodes.
E seria, finalmente, uma boa saída para o Belchior, o bigode que canta, saldar suas dívidas e poder regressar ao Brasil, retornar às suas apresentações e voltar a compor suas canções, suas poesias musicadas, que tanta falta fazem ao cenário da música popular. Belchior, lá na Turquia, poderia ganhar como doador e como modelo fotográfico de bigode. Ele, o Rivelino e o Sarney.
Empresário turco, ex sem-bigode, todo felizão com seu novo escovão.
Fonte : BBC Brasil

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Deve Ter Uma Boa Explicação

"O que é que essas aranhas tão fazendo aí no chão?
Uma em cima, outra embaixo
E a cobra perguntando..."
(Rock das Aranhas - Raul Seixas)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Tristeza Não Tem Fim

Quero espalhar minha tristeza 
Pelas ruas, casas e fígados 
Fazer dela um novo gás na atmosfera. 
Quero difundir minha tristeza. 
Aspergí-la em espirros: 
Gotículas de muco melancólico 
A salpicar as faces alegres 
(ou burras demais para perceberem que tristes deveriam ser), 
A tornar densas as salas de cinemas, 
A umidificar os bolos de aniversário. 
Exibí-la em gêiseres de urina: 
Chovendo da janela do apartamento sobre os passantes, 
Regando jardins e praças públicas, 
Pichando, na madrugada, dizeres obscenos nos muros. 
Torná-la em campos minados de matéria fecal: 
Pacotes mal-educados a ofender olfatos e fingidas sensibilidades, 
A competir territórios com os vira-latas do bairro, 
A dificultar caminhos e emplastrar as solas dos sapatos.

Quem dera minha tristeza pudesse ser expressa por essas vias. 
Quem dera, por essas vias, minha tristeza ser compreendida. 
Para dizer da tristeza só se permitem as palavras 
E umas poucas e inócuas lágrimas. 
Obstáculo: as lágrimas podem ser tomadas como falsas, e infalivelmente o são. 
Obstante: inodoras, assépticas e anêmicas são as palavras do vernáculo que eu conheço]

sábado, 26 de janeiro de 2013

Expulsos Do Paraíso (Ainda Bem)

Se praias com dunas brancas a perder de vista, com coqueiros etc e tal são mesmo paisagens do paraíso, começo a entender porque Adão resolveu morder a maçã : para ser expulso de lá.
O cartunista Angeli, pelo visto, compartilha de minha opinião.
 quadrinho 1 - Certa vez, minha mulher me levou a um lugar paradisíaco.
quadrinho 4 - O que achou? Horrível.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(15)

Clássica!!!

Volta
(Lupicínio Rodrigues)
Quantas noites não durmo
A rolar-me na cama,
A sentir tantas coisas
Que a gente não pode explicar
Quando ama?

O calor das cobertas
Não me aquece direito...
Não há nada no mundo
Que possa afastar
Esse frio do meu peito.

Volta!
Vem viver outra vez ao meu lado!
Não consigo dormir sem teu braço,
Pois meu corpo está acostumado...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Tetas Alemãs

Um estranho fenômeno está a acometer e vexar uma tropa de elite do Exército da Alemanha, o Wachbataillon - Batalhão de Guarda.
Os valorosos soldados alemães, tudo cabra macho, descendentes dos cascas grossas dos godos, estão desenvolvendo seios. 
O bravo exército teutão está ficando com tetinhas. Ou melhor, com tetinha, só do lado esquerdo. O crescimento anormal dos seios dos pétreos germânicos pode ser explicado, segundo Bjorn Krapohl, diretor de cirurgia plástica do Hospital Militar de Berlim, pelas manobras militares de apresentação exaustivamente realizadas pelo batalhão.
"Os movimentos repetidos de levar com força o fuzil ao lado esquerdo do peito durante as apresentações e os exercícios militares estão fazendo com que as glândulas sejam estimuladas a produzir hormônios. Isso leva ao crescimento do seio (ginecomastia) em apenas um lado do peito", diz o doutor, que já removeu cirurgicamente os peitinhos de trinta e cinco soldados alemães.
Na verdade, eu não estou nem aí para os soldados alemães e suas maminhas, quero mais é que eles se fodam. É que isso, de movimentos repetitivos realizados de um só lado do corpo levar ao aumento dos peitos, me lembrou de uma antiga história.
Na minha transição para a puberdade, 12, 13 anos - que é quando a molecada começa a praticar o solitário esporte do banheiro -, muitas lendas rondavam o ato da punheta, e é bem possível que até hoje elas assombrem os iniciantes no cinco-contra-um. Lendas terríveis. Histórias para amedrontar e coibir ao extremo a relaxante bronha. Diziam-nos que fazia crescer pelos nas mãos, que dava espinhas, que podíamos ficar retardados, que viciava etc. 
A oposição à punheta se fazia tão grande que cheguei a ouvir de um padre do colégio, quando morei uns anos na região norte, em Rondônia, que a punheta prejudicava a saúde, deixava-nos fracos, e por isso os punheteiros pegavam malária mais facilmente. A gente tocava punheta de olhos abertos, atentos a qualquer pernilongo a voar pelo banheiro, mas tocava.
A desgraça que se abateu sobre os soldados alemães me trouxe à lembança outro mito acerca de descabelar o palhaço, o de que a punheta faria crescer os peitinhos, que o peito situado do lado do braço "trabalhador" cresceria pelo esforço repetitivo, que ficaríamos com um peito maior que o outro e todos saberiam que erámos punheteiros. Lembro que, de uma hora pra outra, depois que a história correu, ninguém andava mais sem camisa, nem para jogar bola, acabaram os times com camisa e sem camisa.
Por via das dúvidas, depois de ler a notícia sobre os alemães, fui ao espelho do banheiro dar uma conferida. Tudo certo. Era mesmo mito. Os peitos estão iguais, simétricos, franzinamente simétricos.
Por questão de bom gosto e porque o blog é espada, evitarei colocar aqui as fotos dos alemães com peitinhos, mas caso interesse a alguém, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Romantismo, por Francisco Daudt

Publicado na Folha de São Paulo, 22/01/2013.
"O amigo ficou horrorizado quando lhe contei alguns fatos da vida: que os partos se dão como rejeição imunológica ao corpo estranho transplantado para o organismo da mãe, que até se segura equilibrado na corda bamba por 40 semanas, mas ao fim delas o organismo expulsa aquele invasor.
Que a quantidade de abortos espontâneos é enorme e invisível, pelo mesmo processo. Que ninguém deve chorar pela perda de um feto antes dos seis meses (afora problemas uterinos corrigíveis), pois a natureza está apenas se livrando de um produto defeituoso.
Que o homem deposita na fêmea de sua espécie três grupos diferentes de espermatozoides, apenas um deles é fecundador. Os outros dois só existem para atrapalhar os gametas de outros homens (que, como a mãe natureza presume, copularam com a fêmea no mesmo período). São os matadores (capazes de detectar espermatozoides alheios, e de destruí-los com suas enzimas) e os obstrutores (que entopem a passagem de outros nos canalículos do colo do útero).
Que, diferentemente do pensamento do senador republicano Todd Akin ("os casos de gravidez depois de um estupro são muito raros" e "se for um estupro de verdade, o corpo da mulher tenta, por todos os meios, bloquear a gravidez"), a mesma mãe natura considera o estupro apenas como uma das formas de reprodução, bem eficaz, a propósito, já que os índices de gravidez pós-estupro são bem mais elevados do que os do sexo amoroso (na Bósnia-Herzegovina, mulheres de 9 a 50 anos engravidaram dos soldados estupradores).
Para piorar a situação, o sexo violento é, em geral, mais fértil do que o delicado, por isso as mulheres engravidam mais dos amantes "bicho-pega" do que dos maridos acomodados.
Que os animais comoventemente monógamos (cisnes, pombos) geram crias bastardas em torno de 20%. Quando começaram os testes de DNA em humanos, surpresa: nos casais mais pobres, o nível de frutos extraconjugais igualava o das aves, caindo à medida que a posição econômica do marido aumentava (mas nunca sumindo).
Que uma pesquisa americana perguntou às mulheres o que elas prefeririam: ter como marido um fiel e pacato classe média, ou ser a quinta concubina no harém de John Kennedy? Preciso dizer que resposta ganhou com ampla maioria?
"Mas, e o romantismo?", perguntou ele.
Vamos por partes. Primeiro, ele não foi uma criação cultural dos trovadores do tempo das cruzadas, maridos lutando, mulheres em torres. Nem começou na idealização dos amores impossíveis.
Com traços mais toscos, ele é produto da seleção natural. Uma forma de reprodução que aposta mais na qualidade, pelo investimento do homem na mulher e suas crias (maior taxa de sobrevivência, melhor alimentação e proteção), do que na quantidade, a estratégia do estuprador.
Logo, não podemos construir nossa ética com base na natureza.
O que faz um leão, antes de se acasalar com uma fêmea sem macho, mas com filhotes? Mata-os a todos, o que produz instantânea ovulação na fêmea.
Não é incomum que um homem tenha o mesmo impulso, mas a civilização tem outros tantos fatores a considerar."

O Ateísmo É A Base Da Viadagem, Declara Papa Bento XVI

O que o Papa João Paulo II tinha de diplomático, de conciliador, de inteligência política, enfim, da hipocrisia polida de que todos gostam, o seu sucessor, o Papa Bento XVI, tem de estouvamento, de rispidez, de falta de tato. E de burrice.
Na tentativa desesperada de conter o sangramento copioso das fileiras católicas frente às novas religiões, sobretudo as neopentecostais, e, quero crer, frente aos crescentes esclarecimento e grau de instrução da população, que levam parte dela a rejeitar as idiotices da fé, o Papa Bento XVI anda a bombardear seus fiéis (e ao mundo, o que é pior) com os mais despropositados pronunciamentos, as mais descabidas declarações travestidas de dogmas.
Desde o início de seu papado, o revigoramento do secularismo e a união homoafetiva legal são dois de seus alvos preferidos, nos quais ele acredita que descer a borduna possa conter o esvaziamento de suas igrejas e que, na prática, dadas as suas desastradas falas, só está fazendo por fortalecê-los.
Agora, num ato próprio de quem está na mais profunda desesperança e na cólera de não poder moldar o mundo à sua vontade, como nos bons tempos da Inquisição, o Papa Bento XVI tenta criar um vínculo de causa e efeito entre seus dois maiores inimigos, declara que ateísmo e viadagem são intrinsecamente ligados, tenta matar dois coelhos com uma só porrada. Resultado : os dois coelhos lhe escapam.
Numa de suas declarações mais estapafúrdias, Bento XVI diz que toda a doutrina que subsidia o casamento gay tem origem no ateísmo.
O Papa mistura alhos com bugalhos e, nesse caso, refere-se à teoria de gêneros, que ele classifica como "uma antropologia de fundo ateu". 
A teoria dos gêneros defende que a identidade sexual é determinada pela educação e o meio ambiente, e não por diferenças genéticas, e é largamente preconizada pelos defensores do casamento gay, que acreditam que a identidade feminina ou masculina não é predeterminada.
Balela. Também discordo da teoria de gêneros. Claro que a pessoa já nasce homem ou mulher, claro que ela já nasce, inclusive, homo ou heterossexual, o que, a meu ver, só legitima ainda mais sua condição e seu direito de exercê-la livremente. Claro que a teoria de gêneros é outra de uma grande sandice pseudocientífica, mas não pelos motivos alegados pelo Papa.
Bento XVI tenta desqualificar a fraca e ridícula teoria de gêneros não pelas suas inconsistências acadêmicas crassas e mais que visíveis, mas através de outra falsa hipótese, a de que ela tenha sido proposta por ateus, a de que os ateus, em uma conspiração global, busquem endossar cientificamente a viadagem para com isso minarem os alicerces da família e, consequentemente, os da igreja.
Antes de mais nada, estabeleçamos o absurdo da fala papal. Ser ateu significa, simples e unicamente, não acreditar em deus. E ponto. A isso, não se segue nenhuma outra regra ou dogma, não vêm anexos nenhum manual ou cartilha normativa de conduta ateia. O ateu pode ser heterossexual ou homossexual, pode ser negro ou branco, pode ser honesto ou canalha, pode ser trabalhador ou vagabundo, pode ser qualquer coisa, independente de ser ateu. Ser ateu não implica em mais nada além de ser ateu, nada diz das qualificações outras nem mesmo do caráter do sujeito. O ateu não nutre amor a nenhum deus, mas bem pode ter amor às suas pregas. Uma coisa nada tem a ver com a outra.
Demos, no entanto, tratos à bola, façamos um exercício de  imaginação e suponhamos que a correlação ateísmo-viadagem feita pelo Papa possa ter um fundo de verdade, consideremos tal suposição, não para apoiarmos o sumo pontíficie, mas, antes pelo contrário, para colocá-lo em maus lençóis, em ainda piores lençóis.
Ao afirmar que o ateísmo é o substrato filosófico da viadagem, Bento XVI também está a afirmar que o ateísmo se faz presente nos fundamentos teóricos da igreja católica. É isso mesmo. É óbvio que sim.
É público e notório que a grossa maioria dos sacerdotes católicos, de alto a baixo na hierarquia eclesiástica, é composta de homossexuais, de bichonas enrustidas sob a batina. Ora, é o mais puro e simples silogismo : 1) O ateísmo é a base da viadagem; 2) A viadagem é a base da igreja católica; 3) Logo, o ateísmo é a base da igreja católica.
Ao tentar vincular o ateísmo às roscas queimadas, o Papa está a declarar que lidera uma igreja predominantemente constituída de sacerdotes portadores das mesmas falhas morais e de caráter que ele, Bento XVI, jurou combater e expurgar do planeta. É a cobra mordendo o próprio rabo. É o ovo do cuco.
O medo que o Papa tem do secularismo é de motivo evidente. Quanto menos idiotas pelo mundo, quanto mais pessoas optando pelo exercício da racionalidade e pela crença em si próprio, menos moedinhas a tilintarem nos cofres santos.
No pavor da união gay, o Papa consegue colocar melhores disfarces, sai-se com a clássica lenga-lenga dos valores éticos, morais, familiares etc, mas a máscara da falsa moral cai facilmente frente a um olhar mais escrutinador. Sacerdotes católicos não podem se casar com mulheres e constituir família, tal proibição consta há séculos dos estatutos, cânones, ou sei lá o quê, da igreja católica; volta e meia, o assunto é até discutido, mas sua proibição já é fato consumado, é líquida e certa.
Pois bem, o grande medo do Papa Bento XVI é que, com a legalização mundial do casamento gay, a padraiada comece a querer se casar entre si. Casar com mulher não pode, e com outro homem, com outro sacerdote? Não há nada previsto nas leis canônicas a esse respeito, nem que sim nem que não.  
Padre com bispo, monsenhor com diácono, sacristão com coroinha, cardeal com cônego... Vai ser uma loucura. O que o Papa mais teme é que a Basílica de São Pedro se torne a catedral mundial da união homoafetiva.
Fonte : G1 Globo

domingo, 20 de janeiro de 2013

Hitler Nosso Que Estais No Céu

Escultura do artista plástico holandês Jeff Van Weereld, inspirada no Papa Bento XVI, nos notórios engajamento e militância do Santo Homem na Juventude Hitlerista.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Bin Laden Está Vivo, Já Seus Assassinos...

Uma nova maldição está a entrar para a  História, muito pior que a de Tutankamon. A maldição de Bin Laden.
Mais da metade da equipe que localizou e matou Bin Laden em Abbottabad, no Paquistão, em 2 de maio de 2011, está morta. Morreu em "acidentes", em fatalidades "inexplicáveis".
Diferente da maldição do falecido Tutankamon, essa é a maldição do Bin Laden vivo, do Bin Laden que não foi morto.
Porque é óbvio que o barbudão ainda está vivo. Muito bem escondido e protegido pelo governo estadunidense, provavelmente em algum local paradisíaco e a gozar de todas as regalias que conquistou pela ajuda sempre prestada ao governo dos EUA. 
A primeira delas foi assumir o atentado às Torres Gêmeas, o que garantiu a reeleição de George W. Bush; a segunda foi se deixar "matar" por uma operação militar, das mais confusas que já vi, realizada no primeiro mandato de Obama, o que também garantiu a esse o seu segundo mandato.
Será que alguém engoliu mesmo aquela história do Bin Laden ter sido sepultado no mar? De que o governo estadunidense lhe concedeu esse favor em respeito à sua religião? O corpo não foi mostrado porque não houve defunto. Bem diferente do que ocorreu com Saddam Hussein, que teve seu enforcamento assistido mundialmente e o seu cádaver exibido, exaustivamente, durante sei lá quantos dias em todos os meios de comunicação.
Bin Laden está vivo. O que está a matar os integrantes dos comandos militares que o "eliminaram" é a maldição para que o Bin Laden continue a ser dado como morto.  Vai que amanhã ou depois, um dos soldados envolvidos tenha uns 5 minutos de bobeira e revele que tudo foi uma farsa? A maldição de Bin Laden é uma queima de arquivo, das brabas. Todos os envolvidos gradualmente eliminados.
As baixas provocadas pela maldição de Bin Laden não foram poucas e não se restringiram aos escalões menores das forças armadas. O comandante de um dos grupos da missão, Job Price, de 42 anos, segundo informações não oficiais, teria se "suicidado" no dia 22 de dezembro do ano passado.
Além disso, 20 soldados dos SEALs (unidades de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos) que participaram da missão estão mortos. Esses nem voltaram para casa, morreram em missão ainda no Afeganistão, ou também, feito Job Price, "suicidaram-se".
A maldição do morto mais vivo do mundo não para por aí. Três meses depois da ação militar, um acidente de helicóptero matou, de uma só vez, 20 homens, em 6 de agosto. As Forças Armadas americanas abriram uma investigação para apurar a circunstância das mortes.
Resultado das investigações? Ora, a maldição de Bin Laden. Querem explicação mais lógica?
Fico a imaginar o Bin Laden, de bermudão, chinelão de dedo, deitadão numa rede em alguma praia particular do caribe, com seu harém a lhe abanar com folhas de coqueiro, a tomar pinãs coladas o dia todo e, vez ou outra, a receber visitas de seus amigos George Bush, Barack Obama e outros, em eterna dívida para com ele.
Uma bela vida para um morto. Até eu queria. Obviamente que dispenso o bermudão florido, o chinelão havaianas, a praia e as visitas dos ianques.

Ódio À Democracia, por Reinaldo Azevedo

"Os passaportes diplomáticos viraram a casa da mãe joana. Depois que Lula os distribuiu até ao papagaio da família, ninguém mais aceita ser cidadão comum. Todos querem privilégios de fidalgo. A última a entrar nessa é a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). O grupo enviou um ofício ao ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores, cobrando o que considera ser um “direito”. Direito??? ABGLT… Em breve, a turma terá de incorporar o XYLZ, né? Afinal, se cada gosto sexual merecer uma militância organizada, faltarão letras ao alfabeto em língua portuguesa. Será preciso importar vogais dos franceses e consoantes dos eslavos. Sigo adiante.
São crescentes a intolerância e o ódio à democracia, exercidos, por incrível que pareça, em nome da… democracia. Quando os líderes evangélicos se incomodaram com o passaporte especial dos cardeais, poderiam, sim, ter reivindicado o fim da distinção. Mas preferiram outro caminho: “Nós também queremos; nós também não somos como os brasileiros reles”. Toni Reis, da dita associação gay, poderia, então, ter feito o que os evangélicos não fizeram: “Chega de privilégios inexplicáveis!”. Mas quê… Também ele não quer ser importunado em aeroportos com exigências feitas a homens comuns. Reis, afinal, não é ordinário como todos nós; não é uma pessoa comum: é um ABGLTXYZ! Como pede isonomia com religiosos, entendo que tal condição lhe dá também alcance pastoral…
Nem nas minhas antevisões mais pessimistas, aquelas dos 20 anos, imaginei que chegaria aos 51 tendo de escrever textos como este.
Uma nota para encerrar: quando de esquerda, eu já me incomodava com os nascentes movimentos que eu chamava, então, “particularistas”: de gays, de mulheres, de maconheiros, de negros, de periferia… Considerava, no calor dos meus 17, 18 anos, que aquela gente não entendia como funcionava o mecanismo fundamental de reprodução da desigualdade: a luta de classes. Aprendi alguma coisa ao longo da vida. Hoje vejo que também eles, além dos esquerdistas tradicionais, não entendiam e não entendem o valor da democracia. Arremato observando que Toni Reis não disse em nenhum momento que a concessão de passaportes diplomáticos a líderes religiosos é inexplicável e arbitrária. Se a sua turma também tiver o seu, na sua cabeça, estará assegurada a igualdade.
É verdade! Estará assegurada a igualdade dos desiguais!"

Para texto na íntegra : Reinaldo Azevedo