sábado, 8 de junho de 2013

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(18)

Esta é fossa das brabas, chifre dos clássicos, dor de cotovelo que só macho das antigas é capaz de sofrer, e de aguentar. É aquela dor que o cara cura com muito desabafo aos amigos, ao longo da madrugada, na base de muito traçado e rabo de galo. 
É dor que o macho tem que transformar em revolta, em raiva da ex-amada, que dor de macho não pode virar pranto, mas sempre vira, e ninguém chora mais sentido que o macho das antigas, é choro a se respeitar, que não rola por qualquer coisa, é choro a ser escutado em silêncio, quase em reverência.
E se alguém, algum desavisado inconsequente, fizer pouco caso ou tentar minimizar a sua dor, dizendo que logo vai passar, ele dá um murro no balcão e "mostra a boca molhada e ainda marcada pelos beijos dela"
Que macho das antigas mata a cobra e bate com o pau no balcão, chifre de macho das antigas é coisa sagrada, com ele não se mexe nem se duvida. E se precisar, ele mostra até o bigode "cheiroso", também marcado pelos (grandes) lábios da ex. Que macho das antigas, da manga-rosa quer o gosto e o sumo, não está nem aí para os fiapos no meio dos dentes.
Negue é composição de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, gravada primeiramente por Nélson Gonçalves, em 1960. Depois do eterno boêmio, a canção foi regravada por "trocentos" intérpretes da MPB, de diferentes épocas e estilos musicais. 
Até Marcelo Nova, no início do Camisa de Vênus, de tendência punk à época, gravou Negue. Não gostei muito, Marcelo Nova imprimiu um tom de deboche à canção de Adelino, mas vale pela curiosidade e pela homenagem.
Mas, com certeza, a canção encontrou sua melhor e definitiva forma na voz de Maria Bethânia, foi imortalizada por ela. É como eu disse : coisa de macho!
Negue
(Adelino Moreira/Enzo de Almeida Passos)
Negue seu amor, o seu carinho
Diga que você já me esqueceu
Pise, machucando com jeitinho
Este coração que ainda é seu!

Diga que meu pranto é covardia
Mas não se esqueça
Que você já foi minha um dia!

Diga que já não me quer
Negue que me pertenceu
Que eu mostro a boca molhada
Ainda marcada pelo beijo seu.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Femen : O Que Elas Querem é Vara

Muita gritaria em torno do óbvio, o feminismo dos dias de hoje, se não em torno do nada; muita vociferação e bravata em torno do ululante, muita chuva no molhado.
E, lógico, muita passeata por direitos, muito sapato 44 bico largo, muito suvaco cabeludo e muito peito de fora, uma vez queimados os sutiãs.
Se não idiota (e aqui um SE bem grande), anacrônico, o feminismo dos dias de hoje. Não anacrônico em relação aos direitos que já foram conquistados, que esses devem perdurar para sempre, mas anacrônico justamente por isso, porque os direitos já foram conquistados.
Estão lá, garantidos pela Constituição, nossa Carta Magna não faz distinção de gêneros. Se eles são ou não respeitados, é outra história. Aliás, nesse aspecto, não são só os direitos da mulher que, muitas vezes, não são respeitados, são os direitos de todos os cidadãos comuns. Nesse caso, o que se tem a fazer é acionar judicialmente o infrator.
Que outros direitos iguais aos dos homens as feministas ainda acham que precisam conquistar? A igualdade constitucional está lá, preto no branco, se querem algo mais, aí já caímos no campo dos privilégios, da distinção, que, no fundo, é o que todo grupo que se organiza e se segmenta quer, vantagens. Que direitos ainda lhes faltam? Só se for o de ser homem, que é o que muita feminista gostaria de ser.
Feministas gritando em praça pública em pleno século XXI? Anacronismo puro.
E anacrônicas, as feministas são, num segundo momento, umas farsantes, umas embusteiras. Fingem ser revolucionárias de uma revolução que há muito já se deu, fingem fazer uma história que já foi feita, fingem lutar uma guerra que já foi travada, que teve seus mortos e feridos, mas também um território conquistado.
Continuar o berreiro por direitos, manisfestações públicas a atrapalharem o trânsito e o sábado, para quê? Não há sentido, pelo menos não por essas bandas daqui, o mundo ocidental.
A mulher já pode (e há tempos) estudar, trabalhar, votar, chifrar o marido etc. Aliás, mais que o direito, hoje ela tem a obrigação de trabalhar, a necessidade, não lhe é mais facultativo. Se fuderam! Puta tiro pela culatra!
Do ponto de vista de seus papéis dentro do sistema econômico, homens e mulheres são exatamente iguais, são igualmente mastigados, triturados e agrilhoados por ele.
Feminismo, hoje? Peça de museu!
Feminista, hoje, ou é aquela sapata revoltada por não ter nascido com um pinto, que quer cooptar umas bucetinhas tenras e incautas, ou é aquela encalhada, que não consegue uma rola para lhe apazigar os ânimos e os hormônios, que não consegue arrumar alguém que saiba lhe dar uma boa pirocada.
E para me defender e me escusar das acusações de machismo e chauvinismo, que certamente virão, apresento-lhes, como exemplo do que falo, Sara Winter, o símbolo máximo desse feminismo idiota no Brasil, ex-líder da filial tupiniquim do Femen ucraniano, expulsa recentemente pela matriz.
A propósito, a nova Sara Winter, a Sara Winter remodelada, a Sara Winter pós uma boa pistolada. Fora do grupo ucraniano e a namorar firme desde fevereiro com um homem que conheceu no carnaval, Sara desistiu do Femen, mas não desistiu de ser subcelebridade, que é o que resta aos sem talentos.
Sara anuncia agora a fundação de um novo grupo de ativistas, os BastardXs, lê-se bastardos, mesmo, o X é apenas para que não haja especificação dos gêneros masculino e feminino, uma vez que o grupo, pasmem, apesar de se declarar feminista, aceitará a adesão de homens.
"Mesmo que o topless dos meninos não choque tanto quanto os nossos, eles são agora bem-vindos", diz Sara Winter, já bem mais mansinha, mais dócil. O grupo, segundo Sara, já conta com três meninas e três meninos. Tá bom. Já dá para fazer um boa festinha, uma boa suruba.
E como nem só de protesto vive o homem (e nem só de suruba), os BastardXs serão uma firma reconhecida, com CNPJ etc. O primeiro projeto de Sara é comprar uma máquina de fazer camisetas e assim gerar uma renda mínima ao grupo. Camisetas? Logo camisetas? O que ela entende de camisetas, ela que vive de peitolas de fora? Só faltava lançar uma marca de sutiã. Podiam confeccionar chaveiros, adesivos, canecas para cerveja em forma de peitos, sei lá...mas camisetas?
Os BastardXs, pelo visto, será uma versão mais light do Femen; Sara afirma que não mexerão mais com religião, respeitarão o direito à fé. Está ou não está, a moça, muito menos radical, muito menos xiita? São as maravilhas de uma boa pistolada. Abaixo, Sara Winter em dois momentos, antes e depois do "tranco", no primeiro, ainda ativista do Femen, (des)vestida a caráter, tresloucada; no segundo, já decentemente vestida, a parecer muito mais com uma mulher, com microfone às mãos, a fazer uma declaração de amor ao noivo. 
Ela está ou não muito mais felizinha na segunda foto?
É o que sempre disse meu grande amigo, mestre, livre-pensador e extraterrestre, Odair : lagartão quer pitrica, e vice-versa.
E se Sara, em seu novo empreendimento, parar também de mostrar as muxibas, mais felizes ficaremos nós.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Venenos, Despenhadeiros, Panaceias e Asas Quebradas

Os alimentos,
Quando expirados seus prazos de validade,
Tornam-se danosos,
Letais, até,
Se botulínicos ou salmonélicos.
Os venenos,
À inveja dos primeiros,
Tornam-se inofensivos
Quando exalados seus últimos suspiros.
Não deveriam se tornar mais peçonhentos
Depois de estragados?
Remédios são venenos,
Que são elixires da longa vida.
Fungos são Lucrécia Borgia e Alexander Fleming.
O que significa, enfim,
Ser ineficaz
Ou eficiente?
De que vale o abismo
Sem a gravidade?
Sem alguém a lhe desafiar as bordas,
Sem se desafiar às bordas?
De que vale a madrugada
Se não posso mais me lançar a ela
Em meus voos bêbados e cegos?
Se não posso mais bailar pelos céus escuros
No meu tango de asa quebrada?

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Deus Te Ama

Do excelente blog Godless Comics. O Marreta recomenda!

Pequeno Conto Noturno (34)

Show de rock. Um dos últimos lugares em que alguém pensaria em procurar por Rubens. Um dos últimos em que ele próprio, Rubens, pensaria em estar.
Não por ser de rock, que o velho rock foi o único motivo que o fez andar e vir, que o velho rock ainda entorta a sua coluna cervical. Mas por ser um show, um amontoado de gente.
Acontece que a banda ao palco, em turnê comemorativa pelos 30 anos de carreira, fez parte da trilha sonora da tímida e misantrópica juventude de Rubens. Ele não resistiu aos uivos e ao arrastar de correntes do passado.
Rubens estava em fins da adolescência quando a banda estourou nas rádios FM; Calíope, talvez, a ingressar no pré-primário.
E é Calíope - hoje uma balzaquiana muito da gostosa e apetecível - que Rubens vê à sua frente, a se agitar e cantar junto com a multidão; Rubens, hoje um chamado homem de meia idade, classificação que nunca entendeu, pressupõe que todos atinjam os seus 96, 98, 100 anos de longevidade, Rubens nem espera ser amaldiçoado com tantos agostos assim.
Um reencontro por acaso, esse com Calíope, mas não uma surpresa. Sempre que sai de casa, seja para onde for, banco, farmácia, mercado, livraria, andar a esmo, Rubens imagina Calíope se interpondo em seu trajeto, cruzando com ele. Cinco ou seis anos desde a última vez...
Calíope está de costas para Rubens, acompanhada, Calíope sempre está acompanhada, um novo amigo, um novo namorado, ou, possivelmente, dessa vez, um marido, se não for coincidência os dois ostentarem parecido brilho metálico em suas mãos esquerdas.
Rubens não se aproxima, ainda. Aguarda por uma brecha, um interstício. Calíope e seu acompanhante bebem cerveja; em breve, ou a cerveja acaba e precisará ser reposta, ou a bexiga precisará ser aliviada ao banheiro, ou as duas coisas.
Duas ou três música depois e, pelo menos, uma delas acontece, a Rubens pouca importa qual, e Calíope fica sozinha.
- Ele foi comprar mais cerveja, ou mijar? - Rubens, sem dizer quem era, sem medo de que sua voz não fosse prontamente reconhecida.
- Comprar cerveja e mijar. - Calíope, sabendo a quem respondia, sem medo da voz que prontamente reconhecia.
- Pode ser um abraço, então? Daqueles de antigamente? - Rubens, como se estivesse estado com ela ontem, como se nada precisasse relatar dos anos ausentes, como se nada fosse importante a ponto de ser relatado.
E o abraço vem, de imediato, como se Calíope também tivesse falado com Rubens na véspera, como se nada tivesse se passado com ela nesses anos todos e que Rubens não soubesse.
Na verdade, haviam realmente se visto e falado na véspera, se veem e se falam sempre, quase todos os dias, em suas lembranças.
Calíope tem quase o mesmo porte de Rubens, mulher grande. Os peitos grandes de Calíope se ajustam perfeitamente ao de Rubens, magro e encovado.
"Me dê de presente o teu bis" - declama a banda no palco.
Trocam mais olhares que palavras, Rubens e Calíope. Ela convida Rubens a ver o resto do show com eles, ela e o marido, não haveria problema algum, ela garante, Rubens seria apresentado como um velho e grande amigo, talvez ela já tenha até mesmo falado dele ao marido, algumas vezes.
- Melhor que não - diz Rubens -, prefiro continuar ali atrás, olhando, para você, para suas formas, seus movimentos, seus peitos, imaginando lhe comer de todas as maneiras.
"Por que que a gente é assim?" - pergunta a eterna pergunta a banda ao palco.
Separam-se. O marido de Calíope retorna, dois ou três minutos depois.
Calíope passa o resto do show sabendo de Rubens às suas costas. Sentindo-se olhada, em suas formas, em seus movimentos, em seus peitos, sendo comida de todas as maneiras.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Eu Também Vou Querer Minha Carteirinha de Índio

Quando de minha adolescência, uma carteirinha de estudante com data de nascimento adulterada era dos objetos mais cobiçados por nós. Na época, a censura etária aos filmes exibidos nos cinemas era levada a sério, a ferro e fogo. Se o filme fosse classificado, por exemplo, para maiores de 14 anos anos, não adiantava você ter 13 anos e 11 meses, não entrava e pronto.
A carteirinha falsificada era um objeto quase mítico. Nunca tive uma, nem nunca conheci alguém que a possuísse. Era sempre um primo de alguém que tinha, ou um amigo do amigo de outra cidade. A carteirinha falsificada era uma lenda urbana da época. 
Nos recreios das escolas, circulavam maneiras e receitas de fazer a sua própria a partir da original, substâncias químicas milagrosas que apagariam a data a ser modificada sem deixar nenhuma marca ou rasura, o tipo correto de máquina de escrever para preencher a data falsa etc.
O fato é que o afortunado possuidor da carteirinha falsificada, fosse quem fosse, estava num patamar muito acima do nosso, ele tinha livre acesso a um mundo que só podíamos imaginar.
E que tal se você pudesse, mais que simplesmente a idade, alterar outras informações de seu registro civil de modo a obter regalias e privilégios que os comuns não têm? E que tal se você conseguisse uma carteirinha falsificada de índio?
Isso mesmo. Carteirinha de índio. Eu nem sabia que isso existia. Para mim, índio tinha certidão de nascimento, rg, cic etc. Mas não. Índio tem carteirinha de índio, o RANI - Registro Administrativo de Nascimento Índigena. Rani, não confundir com Raoni, o chato líder indígena a quem o outro chatíssimo cantor Sting carregou a tiracolo mundo afora nas décadas de 1980, 1990, feito mesmo um europeu a exibir um papagaio, uma arara, ou outro bicho exótico.
E para que ter um Rani ?, poderão perguntar alguns. 
Logo de cara, só para começar, de posse de tal documento, você seria considerado inimputável, ou seja, a lei não poderia lhe atribuir nenhuma responsabilidade por seus atos e, consequentemente, nenhuma punição,  pois você não tem discernimento do que faz. Às vistas da lei, você seria considerado como uma criança, ou como um retardado mental.
Ofensivo? Eu acho, o índio não. Ser inimputável vai muito além de ser julgado e, em seguida, absolvido por incapacidade, o índio nem chega a ser julgado, nem chega a enfrentar um tribunal. Ele pode cometer o crime que bem entender, desde assassinato (lembram de Paulinho Paiakan, o nosso bom selvagem?) até os costumeiros contrabando e tráfico de madeira, pedras preciosas e animais silvestres, que nada lhe acontece. Se um índio estuprar alguém, é liberado imediatamente pela lei, nem ele nem o pau duro dele sabiam o que estavam fazendo. A ideia de um Rani falsificado já começa a lhe parecer mais interessante, né?
Além disso, ter o Rani lhe dá direito à sua glebazinha de terra, você já nasce um latifundiário : 12,5% do território nacional estão nas mãos de pouco menos de um milhão de índios, 869 mil índios, segundo o último censo do IBGE. Bom, né?
Garante-lhe também os direitos a usufruir de todos os serviços públicos sem nunca ter trabalhado, sem nunca ter nada produzido, sem nunca ter contribuído com seus impostos, inclusive direitos previdenciários, ou seja, o índio tem  acesso real a tudo o que a Constituição diz garantir, mas não dá, ao cidadão comum. E sem trabalhar. Sem levantar o rabo da rede.
E agora? Seria ou não providencial um Rani falsificado? Bem melhor que a antiga e ingênua carteirinha da escola, não?
Segundo a Polícia Federal, foi exatamente isso, um Rani falsificado, o que conseguiu Paulo José Ribeiro da Silva, o Paulo Apurinã, que também atende (quando se lembra que tem um) por seu nome indígena, Caiquara.
Após um ano e meio de investigações, a PF indiciou Paulo José Ribeiro da Silva e sua mãe, Francisca da Silva Filha, por suspeita de falsificação de documento público.
E Paulo Apurinã não é apenas um índio falsificado, ele é O índio falsificado. Ele é porta-voz da indiarada do Mirream, o Movimento Indígena de Renovação e Reflexão do Amazonas, bonito, né? Por conta disso, Paulo Apurinã circula nas mais altas rodas de nossa política, é líder indígena conhecido mundialmente, chegou mesmo a ter com os caciques-mores da nação, Lula e Dilma, a quem presentou com cocares rituais de sua etnia. Picareta atrai picareta.
Falando em cocar, as investigações da PF em torno de Paulo Apurinã começaram justamente por causa de um. Em 2011, ele foi detido por desacato a um fiscal do Ibama e a um agente da PF no aeroporto de Manaus, onde tentava embarcar com um cocar feito das penas de uma ave ameaçada de extinção. Não é lindo ver como nossos bons selvagens vivem em harmonia com a natureza, não é lindo ver como são autossustentáveis e amigos do planeta?
Rani, todo mundo quer. E carteira de trabalho, o índio tem? Quer? Tem é que dar carteira de trabalho pra indiarada. E uma enxada de cabo bem pesado!
De acordo com Sérgio Fontes, superintendente da PF no AM, os Ranis falsificados de Apurinã e de sua mãe teriam sido conseguidos com a colaboração de uma funcionária da Funai, em 2007.
Com o Rani, a mãe de Apurinã conseguiu, entre outras coisas, ingressar como cotista no curso de turismo da Universidade Estadual do Amazonas. Com os contatos políticos do filho, logo, logo, ela será nomeada diretora-executiva da Embratur, não tenham dúvidas.
E é a própria mãe de Apurinã quem revela a origem de seus nomes indígenas, ele, Caiquara (o amado), ela, Ababicareyma (mulher livre). Como não fala, assim como o filho, o idioma indígena, retirou os nomes de um dicionário tupi-guarani de significados. Pãããããta que o pariu!!! E a Polícia Federal ainda tem coragem de levantar suspeitas a respeito da autenticidade étnica dos dois? Sacanagem.
Mas Paulo Apurinã diz que é índio, sim. A bisavó dele era índigena pura, portanto, ele é a terceira geração dos verdadeiros peles-vermelhas. Ora, porra, então eu também vou querer minha carteirinha de índio, também vou querer a minha parte nessa mamata. Minha bisavó paterna também era índia, daquelas que, dizem, foi pega a laço e tudo mais. Também vou querer minha terrinha para extrair madeira, pedras preciosas e vendê-las ilegamente.
Um dos critérios para a obtenção do Rani é o autorreconhecimento, o que quer dizer que a comunidade indígena tem de reconhecer a pessoa como índio; em caso de dúvidas, a  Funai deve pedir laudo antropológico, o que não ocorreu com Paulo Apurinã e mãe.
Agora que a merda estourou, que a canoa de Paulo Apurinã começa a fazer água, os seus amigos, os outros índios apurinãs, até agora por ele representados, começam a tirar o corpo fora, começam a dizer - a exemplo do nosso ex-presidente Lula - que de nada sabiam, que mal conhecem Paulo Apurinã.
"Precisamos saber qual é a linhagem dele para não sermos enganados.", diz o cacique apurinã José Milton Brasil, tirando o dele da flecha.
Mas acho que, nesse caso, a Polícia Federal está equivocada em suspeitar das legitimidades de Paulo e sua mãe, talvez esteja ocorrendo até uma injusta perseguição ao silvícola. 
Eu, depois de vê-lo, não tenho mais nenhuma ressalva em considerá-lo como um autêntico índio. Vejam a foto abaixo. É ou não é um verdadeiro indígena? Vejam se não é o próprio Peri, de José de Alencar, redivivo? Vejam se não é a própria força, coragem e bravura encarnadas, um Apolo tupiniquim?
E se, aos mais descrentes, a exuberante forma física de Paulo Apurinã ainda não convenceu, vejam só com que destreza ele maneja o arco e flecha. Essa mata em que ele se encontra não é algum rincão perdido da Amazônia, é o quintal de sua casa, vejam um muro ao fundo. E essa incrível biodiversidade de plantas ao seu redor? Corto o meu saco se ele souber o nome de alguma delas. De uma única que seja.
Eu também quero minha carteirinha de índio! E um cocar! E, lógico, um apito!!!

domingo, 2 de junho de 2013

Azarão, O Boca do Inferno dos Atuais e Tristes Tempos? (Ou : O Meu Muito Obrigado a Carla K)

Mantenho este blog, o Marreta, há mais de quatro anos, por uma razão básica : gosto de escrever. Gosto de ver uma ideia minha tomar a forma de um texto meu, seja a ideia boa ou ruim, seja o texto bom ou ruim. Gosto de ter ideias, fundamentalmente.
Sempre escrevi. Cartas a amigos, poemas, contos. Sempre gostei de travar contato com a palavra.
Foi quando me peguei sem tempo para uma escrita mais elaborada, como a de um conto, que surgiram-me com a sugestão do blog, seria uma maneira de não perder contato com a palavra.
Comecei, assim, o blog meio que de brincadeira, meio que sem saber nem como postar, formatar, botar figuras etc, comecei para escrever a meia dúzias de amigos, amigos que, eu tinha certeza, leriam-me e concordariam comigo.
Com o tempo, fui pegando gosto. Fui adquirindo prazer ver meu texto "publicado" num veículo, ainda que virtual. Os acessos ao Marreta foram aumentando, outras pessoas além dos meus quatro ou cinco amigos começaram a me ler - hoje, conto com um acesso médio diário de 250 visualizações.
Não é exagero dizer que o Marreta virou um vício para mim. Se passo dois ou três dias sem postar nada por aqui, começo a ficar inquieto, irritadiço, indócil. 
Se da minha profana santíssima trindade - cerveja, café e Marreta -, fosse-me imposta a escolha de única divindade a adorar, não teria dúvidas : abdicaria do sono tranquilo que a cerveja me proporciona, enfrentaria as retumbantes dores de cabeça que a ausência da cafeína me traz.
Ficar sem pensar, sem ter ideias, sem escrever, seria meu delirium tremens supremo.
Não bastasse o prazer pessoal que tenho de ver uma ideia criar forma, corpo e vida, volta e meia, tenho boas e reconfortantes surpresas que chegam através dos comentários feitos no Marreta.
Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, uma vez elogiou um texto meu, Da Inteligência e De Seus Usos, e recomendou o Marreta em seu twitter; um de meus poemas, O Criador de Gatos, foi lido por ninguém mais ninguém menos que Antônio Abujamra, em seu programa Provocações; mais recentemente, o jornalista consagrado e autor publicado José Pedriali publicou um texto meu, Caxirola : Agora a Taça do Mundo é Nossa, em seu blog e me mandou um e-mail dizendo, parabéns, você é craque; teve até um padre a elogiar meus escritos, e não um padre qualquer, o Prof. Pe Paulo, que é Mestre em Direitos Humanos pela UFPB e Doutorando em Direito pela UFPE; isso sem contar que boa parte dos meus 44 seguidores é composta de pessoas ligadas a jornalismo e  literatura.
Ontem, chegou-me outro elogio, dos maiores que pode haver.
Assinando Carla K, ela escreveu o seguinte:
"Olá, Azarão!
Gostaria de parabenizá-lo pelos textos, sou uma grande apreciadora da leitura e os seus me chamaram a atenção principalmente pela argumentação ousada. Para você ter uma ideia, achei-os tão interessantes, que outro dia levei um deles para a sala de aula (sou professora de português) o CAXIROLA: AGORA A TAÇA DO MUNDO É NOSSA. Como estou trabalhando com o período literário do Barroco, no Brasil, achei interessante levar para os alunos uma versão atual do Gregório de Matos Guerra (apelidado na época de "boca do inferno"), então apresentei você como o "boca do inferno da atualidade", não sei se lhe apetece o título, mas foi com boa intenção! Resultado: Os alunos aprovaram seu texto e ficaram surpresos com sua coragem em expor determinadas opiniões que nem todo mundo se atreve a divulgar. Referenciei seu texto devidamente, é claro, e sugeri que os alunos acessem seu site com mais frequência. Espero que você ganhe mais leitores com isso, pois eu já faço parte da lista. Sucesso pra você! Carla K"
Pããããta que o pariu!!! Se me apetece ser chamado de O Boca do Inferno, o expoente máximo de nossa poesia barroca, que desancava o clero e a nobreza?
É claro que me apetece, Carla K. É elogio em exagero, inclusive. Mas assim é que bom, elogio justo não chega a ser elogio, é apenas um reconhecimento. Elogio bom é feito o seu, exagerado, elogio superfaturado.
Aliás, não é a primeira vez que alguém da área de letras me relaciona com o Barroco. Em comentário a um texto meu, Um e Outro, Luiz Filho de Oliveira, do excelente blog Deleituras, poeta de verdade, disse : barroquisticamente moderno.
Gosto de escrever, sempre gostei, e tento fazê-lo da maneira mais correta que consigo, acho importante escrever corretamente, obedecendo ortografia, pontuação, concordâncias, regências etc, das quais nada sei, confesso; minha formação não é na área, mas sempre que escrevo, consulto dicionários, gramáticas e tabelas de conjugações verbais. Muitas vezes, muitas mesmo, fico em dúvida sobre a construção dessa ou daquela frase.
É bom ver que, se não acerto sempre, parece que tenho acertado bastante. 
Obrigado, de novo, Carla K. Só não sei, sinceramente, se o Azarão fará muito bem aos seus alunos... coitadinhos. Abraços.

Austrália Proíbe Peitinhos

A Austrália, terra de cangurus, coalas, ornitorrincos, aborígenes e outros bichos estranhos, baixou uma proibição que está a causar celeuma nos bastidores da indústria pornô do país : proibiu que os filmes sejam realizados com atrizes de peitos pequenos - a mesma censura vale para a pornografia impressa.
O Conselho de Classificação Australiano considera por demais imoral e pernicioso o fetiche por peitos pequenos.
Confesso que achei estranho. Não a proibição. O fato de haver um público-alvo para peitos pequenos, de existir um contingente de punheteiros que tenha tesão em pequenas mamas.
Claro que o cara pode gostar, apaixonar-se, amar uma mulher de peitos pequenos, assim como tem muita mulher casada com cara de benga minúscula. Mas aí é outro caso, gosta-se da pessoa, do caráter dela, do humor, da inteligência, do remelexo, da companhia; os peitos pequenos vêm junto com a bem-amada, é só parte dela e, diga-se a propósito, a menos importante.
Agora, o cara imaginar um par de minitetas, isoladamente, desvinculado de qualquer pessoa, rosto ou corpo, e ficar de pau duro, parece-me mesmo perversão em grau que não concebo.
Se é no Brasil, a putada já estaria em pé de guerra, já haveria ONGs a defender as malfornidas, um MSP (Movimento das Sem Peitos) a reivindicar cotas, desapropriação dos latiúberes improdutivos e bolsa-silicone. E conseguiriam, que o que mais tem nesse país é dinheiro para safado e vagabundo, só não tem para quem trabalha.
O Conselho de Classificação Australiano justifica sua ação por considerar que atrizes de peitos pequenos podem aparentar idade inferior às suas reais, inferior, inclusive, aos mínimos 18 anos necessários para se fazer filmes de arte. As atrizes de peitos pequenos, sugerindo que são menores de idades, estariam não só apoiando, mas também incitando a pedofilia.
Faz sentido. De fato, faz sentido. Ter peitos pequenos como objeto direto e único de seu tesão, só pode mesmo revelar um certo desvio sexual.
Aproveitando o ensejo, deixo aqui uma sugestão ao Conselho de Classificação Australiano, uma extensão a esse veto, um adendo à tal lei, que é, na verdade, uma bandeira de luta que carrego há tempos, uma cruzada pessoal : à proibição aos peitos pequenos, outra deveria se juntar, às bucetas depiladas.
Que sobre as mamicas, ainda não estou de todo convencido, mas a respeito das xanas raspadas, não tenho mais dúvidas : quem tem tesão em perereca lisa só pode ser pedófilo! 
Há mulheres adultas de peitos pequenos; e adultas sem pelos na xavasca? Aí, não tem jeito. É pedofilia pura.
Os australianos estão certíssimos. Parabéns ao governo australiano.
Pornografia é para pessoas saudáveis, não para degenerados.

sábado, 1 de junho de 2013

Uma Elegia À Cláudia Ohana (16)

"Ela tem um jeito de andar 
(Só pra o vento, só pra o vento)
O cabelo esconde o seu olhar 
(Só pra o vento, só pra o vento)
Eu me lembro da primeira vez,eu sempre vou lembrar
Vinha contra o vento na beira do mar"

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Amado Batista, Muito a Ensinar a Chico, Gil, Caetano e a Outros Heróis da Resistência (Ou : Os Kids Vinil, Os Verdadeiros Heróis do Brasil)

O Brasil é, para dizer o mínimo e não desanimar logo de cara, um país curioso. Não um país de curiosos, que fique bem claro, não um país que se interessa por informações, muito menos por formação, não curioso no sentido meritório da palavra, curioso no sentido de esdrúxulo, esquisito.
Ao nosso último governo declaradamente autoritário, a chamada ditadura militar, a exemplo do que vou falar, não houve resistência, não houve uma verdadeira luta contra.
Não houve resistência à ditadura militar : a ditadura é que foi a resistência. A resistência, no período de 1964 a 1984, não foi exercida pela oposição, sim pela situação. Resistência aos grupos armados, de safados, guerrilheiros, terroristas, assaltantes de banco, sequestradores, que desejavam tomar o poder à força das armas, transformar o país numa grande Cuba, numa grande merda. Em resumo : a resistência foi feita aos canalhas que se diziam da resistência, à corja que, hoje, atende genericamente pelo nome de PT.
Logo, não houve heróis da resistência. O máximo que conseguimos imitar, copiar, macaquear dos verdadeiros movimentos de resistência de outros lugares do mundo, chegou-nos nas figuras dos cantores da resistência. Que, no Brasil, luta se faz via mãos guarnecidas de, uma, um violão, outra, de um copo de whisky. E, lógico, muita passeata para aparecer no jornal das 20 horas. No Brasil, a sangrenta luta é feita de caminhadas e canções, ou seja, não é feita, nunca existiu.
Atribui-se a Caetano, Gil, Chico, e que tais, boa parte da ferrenha oposição que teria minado e feito ruir o regime militar. Uma oposição exercida pela arte, música, poesia, pela intelectualidade. Balela! Flores não vencem canhões; canhões maiores o fazem.
Esses heróis-cantores nunca se opuseram efetivamente a nada. Aliás, quando a coisa apertou para o lado deles, autoexilaram-se. E em lugares extremamente hostis e inóspitos à vida humana, Roma, Londres, Genebra : autoexilaram-se em cartões postais. Deve ter sido mesmo muito penoso passar temporada em Londres ou Roma, enquanto o cu do país pegava fogo.
E já que falamos de canções, por que não a de Sérgio Sampaio para esses nossos heróis? "Há quem diga que eu dormi de touca/Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga/Que eu caí do galho e que não vi saída/Que eu morri de medo quando o pau quebrou."
E se nunca foram opositores de porra nenhuma, por que são lembrados como tais? Marketing! Comercial, pessoal e histórico. Ótimo para as gravadoras, que detinham os direitos sobre a fala, a música e os pensamentos dos salvadores da pátria; ótimo para os próprios heróis, que tiveram as suas figuras investidas de uma mística guerreira, e que, para muitos, acabou por se transformar em um bom fundo de aposentadoria; ótimo para a história do país, tão deficitária de grandes vultos e que, na urgência deles, faz o óbvio, fabrica-os.
Em outros países, os heróis nacionais são representados em estátuas de bronze, espalhadas por todas as praças públicas. Nossos heróis foram esculpidos em círculos de vinil, amontoados nas prateleiras das hoje extintas e saudosas lojas de discos.
É isso mesmo! São os Kids Vinil, os verdadeiros heróis do Brasil.
Fabricou-se à época, e em vinil, uma inteligência nacional que nunca existiu, fabricou-se uma intelectualidade consciente, combativa e engajada em resolver os problemas do povo que nunca existiu, nem aqui e em nenhum outro lugar do mundo. Quem já viu algum intelectual preocupado com os problemas da população?
Os antigos festivais da TV Record, mostrados hoje como locais de reunião de uma juventude politizada e com esforços rumo a uma nação mais justa, nada mais foram do que o que realmente eram, festivais de música. Ninguém estava ali para protestar de fato, ou, se o fazia, mal sabia contra o que estava a gritar. A juventude da época ia aos festivais para se divertir, cantar as músicas que tocavam nas rádios, e ponto. O bando ia aos festivais porque era lá que o bando estava, o bando vai para onde o bando está.
Guardadas as devidas (e tristes) proporções, os antigos festivais da canção em pouco diferiam das atuais "baladas universitárias". Claro que uma coisa é ter o pessoal da Tropicália e da Bossa Nova a se apresentar nos palcos, outra, totalmente diferente, é ter o atual e abominável sertanejo universitário, nem há termos de comparação, musicalmente falando. Mas dizer de uma maior consciência política, sobretudo do público, e por que não dizer também dos ídolos?, é besteira. É querer fazer História sem que a História tenha havido. Por isso, digo sempre que o Brasil não tem História, tem folclore.
A juventude da época, como a de agora e as de qualquer outras épocas vindouras, cantava e repetia o que lhe era empurrado goela abaixo pelos meios de comunicação; a juventude das décadas de 1960 e 1970 só teve mais sorte em relação à qualidade do que lhe descia garganta abaixo, só isso.
Mas vá lá que seja : consideremos que o regime militar tenha sofrido severa oposição por parte da intelectualidade da época, representada nas figuras dos heróis-cantores e da juventude que acorria em torno deles.
Quem suporia, então, que o cantor Amado Batista tivesse tido suas desavenças com regime militar? Sim, Amado Batista, um dos reis do chamado brega, estilo musical considerado inculto e alienado. Pois ele, sim, as teve, suas desavenças com os militares. Amado Batista também foi preso e torturado.
Nem eu sabia disso. Nem eu, que sei da farsa de nossa intelectualidade, jamais supus.
A revelação veio da boca do próprio Amado, no programa De Frente com Gabi, capitaneado pela chatíssima, prepotente e dona de uma autoestima imensamente superior ao seu real talento, Marília Gabriela.
No último domingo, 27/05, Amado Batista contou que, antes de se tornar músico profissional, quando tinha entre 18 e 19 anos, trabalhava em uma livraria e usava o emprego para facilitar aos intelectuais o acesso a livros considerados subversivos na época.
Disse também ter aceito a incumbência de enviar somas em dinheiro a um professor universitário do Maranhão, professor que, mais tarde, Amado Batista descobriu estar envolvido em ações clandestinas de grupos esquerdistas.
Foi preso por dois meses e torturado. "Me bateram muito. Me deram choques elétricos", disse. "Um dia me soltaram, todo machucado. Fiquei tão atordoado. Queria largar tudo e virar andarilho."
Era do que Marília Gabriela precisava para acionar todo o seu fundamentalismo intelectual. Perguntou a Amado Batista se ele teria vontade de confrontar seus torturadores. Com certeza, Marília Gabriela estava esperando ouvir - queria muito ter ouvido - uma resposta positiva do cantor. Uma resposta positiva imbuída de revolta, ira e sede por revanchismo, a resposta típica que dariam a própria Marília e os considerados de seu meio. Ela esperava que Amado Batista se inflamasse, indignasse-se, clamasse por justiça e defendesse maior rigor nas investigações da chamada Comissão da Verdade.
Marília se decepcionou. O que ouviu foi bem diferente, deixou-a com cara de cu, mais ainda. O que Marília ouviu foi uma resposta muito mais consciente, honesta e repleta de hombridade. Uma resposta calcada na mais absoluta realidade, isenta dos véus e distorções que a memória causa em eventos que há muito se passaram. Uma resposta real, sem lendas nem heróis.
Amado Batista respondeu : "Não. Eu acho que mereci. Fiz coisas erradas, eles me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho. Acho que eu estava errado por estar contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força. Fui torturado, mas mereci." 
Claro que dizer que mereceu e, mais ainda, comparar uma sessão de tortura a um ralho ou a umas palmadas maternas foi uma puta duma simplificação. É óbvio que Amado Batista, digamos assim, exagerou em seu eufemismo para sintetizar os suplícios a que foi submetido - existe eufemismo exagerado, eufemismo hiperbólico? Se não, crio-o agora, melhor, Amado Batista o criou, apenas o registro, batizo-o.
Acredito que a comparação de Amado Batista tenha tido por objetivo imediato encerrar rapidamente o assunto, como quem diz educadamente a um entrevistador insistente e levemente sádico, passemos logo à outra pergunta.
Mais amplamente, entretanto, o que Amado Batista disse foi que o passado são águas passadas. Sabia o que estava fazendo, que estava envolvido com grupos opositores ao regime, da clandestinidade e subversão de suas ações, que havia tomado um dos lados de uma guerra. Fez cagada, foi pego pelo inimigo e arcou com as consequências de suas escolhas, todas conscientes.
Quando diz que mereceu ser torturado, e aí é que reside a sua grande mostra de caráter e hombridade, quer dizer que não foi vítima de nada nem de ninguém, de nenhum regime, a não ser de suas próprias escolhas. Amado Batista não fica - nunca ficou, tanto que só agora isso veio a público - posando de coitadinho, de injustamente perseguido. Estava em uma guerra e o lado em que estava perdeu. Apanhou e seguiu em frente com a vida, sem fazer do passado o seu currículo. Só isso. Simples assim.
Amado Batista, o brega, o inculto, o alienado, mostrou uma lucidez e, repito, uma hombridade muito maiores que as de todos os nossos heróis-cantores da resistência, Chico, Caetano e Gil. 
E por que será que nosso cantores cultos nunca disseram o que disse Amado Batista, que erraram, que fizeram cagada, que ajudaram a colocar no poder a quadrilha que aí está? Por que nunca deram a cara a tapa, por que nunca se retrataram publicamente, uma vez que publicamente sempre apoiaram esses sanguessugas que se instalaram no Planalto Central do país? Será que não reconhecem seus atos como erros, será que acreditam mesmo que a tal esquerda ande a fazer bem à nação? Ou será que eles realmente não erraram, que sabiam muito bem quem apoiavam, que era isso, inclusive, o que pretendiam? Ou será que os seus silêncios - eles que dizem tanto ter gritado contra os militares -, estão sendo muito bem recompensados através de benesses governamentais?
Gil, Caetano e a maninha Bethânia nadam de braçadas nos incentivos da Lei Rouanet. Caetano, em 2009, tentou captar R$ 2 milhões governamentais para ajudá-lo na turnê de seu disco Zii e Ziê, a maninha Bethânia, em 2011, mais modesta, tentou captar R$ 1,3 milhões da mesma Lei Rouanet para a criação de um blog de poesias, qualquer um pode fazer um blog de graça, Bethânia precisaria de um milhão e trezentos mil reais para fazer o seu, e Gilberto Gil, além dos recursos Rouanet, "ganhou" o cargo de Ministro da Justiça do governo Lula.
Antes apadrinhados por Antônio Carlos Magalhães, a baianada continua muito bem assistida pelo governo do PT. É a eterna máfia do dendê, que se mantém desde os tempos dos festivais da Record, como muito bem disse o excelente jornalista investigativo Cláudio Tognolli.
Chico Buarque também já deu lá suas mordidinhas. Aproveitando a irmã Ana de Holanda a ocupar o cargo de Ministra da Cultura, conseguiu verba pública para bancar a tradução de seu romance Leite Derramado para o francês, em 2011. O livro de Chico é bom, pode, inclusive, ter até havido real merecimento, pode até não ter havido nada de ilegal na concessão do dinheiro, mas teria sido um ato moral, com a irmã encabeçando o Ministério da Cultura? 
A "ajuda" foi cancelada na época. Com a repercussão do caso, a Comissão de Ética Pública decidiu que Ana de Hollanda estava a cometer a amoralidade e a imoralidade de ajudar o irmão. Mas Chico não se deu por vencido, esperou a poeira baixar e voltou à carga um ano depois, conseguiu de novo a tal verba para a tradução de seu romance, dessa vez para o idioma coreano, o que o ajudará a vender sua obra para o continente asiático.
Por quais motivos os nossos heróis-cantores da resistência diriam mal do atual governo, não é? Por que fariam canções de protesto contra os nossos mensalões de cada dia?
Talentos à parte, ficou bem claro que, quando o assunto é honestidade e caráter, o considerado brega e inculto Amado Batista tem muito a ensinar aos nossos gênios da MPB, aos intelectuais da (cada vez mais) festiva esquerda brasileira.
Fonte : FolhaWeb

terça-feira, 28 de maio de 2013

Padre Venezuelano Entrará Para os Alcoólicos Anônimos

A Venezuela pós-morte de Hugo Chaves, atualmente sob o comando de Nicolás Maduro, passa por um de seus mais difíceis períodos de recessão econômica. Maduro reconheceu que o país enfrenta uma crise de abastecimento, em que os víveres básicos ao consumo começam a rarear, arroz, feijão, batata, carne, leite, açúcar, óleo de cozinha, e até o redentor de todas as horas, o papel higiênico, item para o qual já se providenciou uma grande importação.
Diante deste quadro de um quase apocalipse bíblico, o Monsenhor Roberto Lucker, diretor de comunicação da Conferência Episcopal Venezuelana, veio a público externar toda a sua consternação, revelar sua profunda apreensão em relação ao momento, manifestar uma preocupação legitimamente cristã e humanitária : caso a crise não seja urgentemente solucionada, faltará vinho para a celebração das missas.
O país sem arroz e feijão para comer, de cu sujo e a Igreja se preocupando com o estoque da birita. Bem católico, mesmo.
A coisa é séria, garante o monsenhor. O estoque de vinho está se esgotando, e o único fabricante do país está enfrentando problemas em seu sistema de produção. 
"As reservas estão acabando. Teríamos que importar o vinho, mas não temos dólares para isso. O vinho armazenado dá apenas para mais dois meses", disse o monsenhor.
Um estoque de birita para mais dois meses e o cara já está preocupado? Esse entende realmente do santo ofício. Esse, como diria o saudoso Mussum, é do sindicatis.
Mas o que é isso, monsenhor? Onde está a sua crença no Senhor e em Sua divina providência? Cadê a sua fé no milagre do transubstanciação?
Transubstanciação é o fenômeno através do qual qualquer substância ingerida por um católico, desde que com muita fé no Senhor, transforma-se no corpo, carne e sangue de Cristo. 
Sem abordar agora o canibalismo explícito do ato, é o que acontece, dizem, com a hóstia consagrada ao ser ingerida em comunhão; feita com água e farinha, torna-se na carne de Cristo. Teoricamente - isso lá pela "teoria" deles -, ela poderia ser feita de qualquer outro material. Ingerida com fé, em corpo de Cristo se torna. O mesmo vale para o vinho, que se transmuta no sangue do Nazareno.
Pois estenda a sua fé, monsenhor, intensifique suas orações nesse momento de provação. Uma vez que, em presença da verdadeira fé, tudo vira corpo e sangue de Cristo, substitua o vinho da missa por uma cristalina água mineral e a beba em comunhão com o Cristo. Quem sabe ela não se verte no mais licoroso dos vinhos? Mantenha a sua fé, monsenhor, não é hora de fraquejar frente ao mundano.
Caso sua fé não seja o bastante, ou o objeto dela não seja eficiente, ou existente, ou esteja cagando e andando para a sua episcopalidade e para a sua crise de abstinência, paciência, tenha muita paciência. Onde a fé falha, só nos resta a paciência.
Um dia de cada vez, monsenhor. Só por hoje.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

E deus Criou os Idiotas, À Sua Imagem e Semelhança

Como você se sentiria caso sua pequena filha, de 10 anos de idade, cursando a quarta série do primário, chegasse em casa com uma avaliação em que ela obteve nota 100, A+ ?
Orgulhoso, o superpai, todo cheio de si, convicto de ter posto seu petiz nos corretos trilhos do conhecimento e do saber, certo? Será? Depende. Nem sempre.
Lá vem o Azarão zicar a alegria alheia, dirão alguns; lá vem o Azarão tentar azedar tudo com seu mau-humor. Vejamos se é o caso.
E se sua filha, em sua prova nota 100, tivesse "acertado" ao assinalar como falsa a afirmação de que a Terra tem bilhões de anos de idade? E se ela tivesse também "acertado" ao dizer que é falso os dinossauros terem vivido há milhões de anos? "Acertado" ao dizer que pessoas e dinossauros já chegaram a conviver no planeta? "Acertado" o dia em que deus criou os dinossauros, o sexto?
Continuaria a se sentir o pai do ano? Só se você for o escroto de um crente, um fanático religioso, um ser com um QI ainda menor que o dos dinossauros, extintos há 65 milhões de anos e com os quais o homem nunca deu de cara.
Se você for um pai racional e mininamente preocupado com a formação de seu filho, vai se sentir um verdadeiro merda. Um incompetente por ter demorado tanto em perceber o tipo de arapuca educacional em que jogou seu filho. Vai é ficar com um puta dum remorso pelo estrago, talvez irreversível, feito na cabeça de seu filho, e com seu consentimento.
É o que se deu com um pai de uma criança matriculada em uma escola privada do estado norte-americano da Carolina do Sul. O pai sabia se tratar de uma escola religiosa, mas acreditava que apenas os valores morais do cristianismo fossem transmitidos às crianças, que a visão religiosa não influenciasse no restante do currículo.
Ele conta que percebeu a cagada quando a filha "corrigiu" o locutor de um documentário a que assistiam juntos. Assim que o narrador disse dos 65 milhões de anos da extinção dos lagartões, a menina protestou, dizendo que eram apenas 4 mil anos. O pai confirmou o dito no documentário e ouviu : "Você estava lá?"
No dia seguinte, como prova do que falava, a menina chegou com a avaliação em que fora premiada com nota máxima. A avaliação foi realizada em 28 de março deste ano, mas o pai preferiu manter o silêncio até o fim do semestre letivo, para que sua filha não sofresse qualquer tipo de perseguição na escola. Transferirá a filha de escola, óbvio. Abaixo, a tal prova.
Infelizmente, não precisamos ir às terras de Tio Sam para nos deparar com esses absurdos. Em 2004, Rosinha Garotinho, a então prefeita da cidade do Rio de Janeiro, impôs o ensino do criacionismo como a "teoria" válida sobre a origem dos seres vivos, Darwin era apenas uma lenda, uma curiosidade.
Muitas das chamadas escolas religiosas trocam o material convencional por apostilas de conteúdo criacionista até a 4ª série, algumas só introduzem a teoria da evolução no ensino médio.
A exemplo, Débora Muniz, diretora do Colégio Presbiteriano Mackenzie, de São Paulo, diz : "O evolucionismo é apresentado no momento certo".
O que é o momento certo? Quando as capacidades cognitivas do sujeito já estão destruídas e incapazes de qualquer curiosidade ou vislumbre racional do mundo que o rodeia? Quando o sujeito já for um lavado cerebral, repetidor de ladainhas e um feliz pagador de dízimo?
Para essas escolas, Darwin e sua teoria da evolução é que são mitos, é que são histórias de ninar.
Segundo esses idiotas, homens e dinossauros coabitaram o planeta há até 4 mil anos, quando, esquecidos de embarcar na arca de Noé, foram extintos. Aliás, para essas religiões, o planeta não teria idade superior a 6 mil anos. 
Dos dinossauros, só teria sobrado um, o monstro de Loch Ness. Pensam que estou brincando? Não estou. Escolas cristãs da Lousiana (EUA) usam o monstro de Loch Ness como "prova" de que dinossauros e humanos coexistiram. O simpático Nessie seria um pleiossauro, que, uma vez aquático, teria sobrevivido ao dilúvio.
Se deus criou os dinossauros no sexto dia, e os idiotas feitos à sua imagem e semelhança, em que dia foram criados? Em todos os dias. Até hoje. Aos montes. Às fornadas.
Fonte : Snopes

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sacaneemus Papam

O brasileiro odeia o argentino. Talvez por o argentino jogar bola melhor que ele, talvez por fazer churrasco melhor que ele, com certeza por fazer vinhos melhor que ele e ser mais instruído que ele. E o argentino também odeia o brasileiro, pela implacabilidade da Terceira Lei de Newton.
Na verdade, acho que se amam. Feito velhos amigos que morrem de vontade de se atracar num forte abraço quando se encontram, mas, machos latinos que são, demonstram seu afeto através de brincadeiras, palavrões e sacanagens mútuas. 
Mas deixemos estabelecido o que já está : brasileiro odeia argentino, e vice-versa. Um adora sacanear o outro.
Até se for o Papa. Até o Santo Padre. Até o representante terreno do Todo-Poderoso.
O Papa é o Papa. Respeito e reverência absolutos e subservientes lhe são devidos por todos os católicos. Mas para o brasileiro, por mais católico e temente a deus que ele possa ser, o Papa é, antes de tudo, um argentino. Deus é deus, argentinos à parte!
E o Papa é argentino dos legítimos, dos insuportáveis, torce para um time de futebol, come churrasco, toma mate, e é um sujeito dos mais cultos que possa haver. Com todos esses predicativos, não teria mesmo como o Papa Francisco I escapar de uma sacanagenzinha por parte dos brasileiros.
O Papa virá ao Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude, a acontecer em julho na cidade do Rio de Janeiro. É esperada a participação de 3 milhões de jovens católicos, ou seja, três milhões de jovens que passarão os cinco dias da Jornada a cantar, a louvar e a adorar um deus inexistente. E a se ajoelharem, claro. Que é disso que o deus cristão gosta, de joelhos dobrados e esfolados e de cabeças baixas. O que mostra que, se o jovem for mesmo o futuro do país, nós estamos fudidos.
Durante a Jornada, o Papa será tratado com toda a pompa e circunstância que sua posição lhe garante, vai ter sua mão beijada até não poder mais, vai ficar com hérnia no saco, voltará a Roma com o saco rendido.
Mas, salamaleques à parte, o Papa não sairá do Brasil sem levar chumbo grosso. O Papa será alvo de uma verdadeira "pegadinha", muito pior que as do Faustão, que as do Silvio Santos, pior ainda que as do João Cléber.
No encerramento da Jornada, quando o Papa, já cansado, doido para se recolher ao conforto do Vaticano, pensar que a presepada, finalmente, está prestes a acabar, será submetido a uma tortura digna da Inquisição Espanhola, a um suplício à altura dos infligidos por aqueles aparelhos medievais de tortura, aos quais a Igreja Católica tanto era afeita.
O Papa será exposto a um show oferecido pelos padres cantores!!! Pãããããta que o pariu!!! Nem o Papa merece. Nem um argentino merece. E seis deles, de uma vez só!!! Seis padres cantores.
Pe. Marcelo Rossi, o milionário do terço bizantino; Pe.Fábio de Melo, o padre-galã-bombadão-amigo-do-chalita; e mais outros quatro de que nunca ouvi falar, Reginaldo Manzotti, Omar, Juarez e Gleuson. E terá até uma freira cantora, Kelly Patrícia. Pois é, Kelly Patrícia, isso lá é nome de freira? Nome de freira é Anunciação, Sebastiana, Maria, Tereza, Emengarda, Justina. Kelly Patrícia está mais para alguma periguete do funk.
E já está tudo armado. O canto dos padres não se perderá ao léu, não se esvaiará ao fim da Jornada. O arcebispo do Rio, Dom Orani, pedirá ao Papa a autorização para que a missa final, quando deverão estar reunidos 1,5 milhão de pessoas em Guaratiba, se torne um DVD. O sinal da transmissão será aberto, mas a organização da Jornada contratou uma empresa para fazer toda a parte de captação. Depois, sendo aceita a proposta de dom Orani, o lançamento do DVD será negociado com as gravadoras. E mais ouro nos cofres do Vaticano, mais faz-me-rir nas caixinhas das igrejas.
Sei, desde tenra idade, quando fui ensinado por meu tio Sérgio, que todo Papa é um filho da puta, mas seis padres cantores e mais uma periguete de Cristo? Chego quase a ter pena do Papa.
Nunca pensei que diria isso um dia : que seu deus lhe proteja, Papa, os seus tímpanos e a sua sanidade.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Joaquim Barbosa e os Partidos-Lego

O vocábulo "partido" deriva, obviamente, do verbo partir, e pode significar, entre outras coisas, algo que partiu - que se foi -, ou algo que se partiu - que se separou, quebrou, rompeu-se.
Os chamados partidos políticos se encaixam (deveriam se encaixar) na segunda situação.
Quando uma representação política dá origem a outras duas ou mais representações, quando um partido se subparte em outros dois ou mais, é porque coabitavam, sob a mesma égide, grupos moral, ética e ideologicamente discordantes.
Teoricamente, são as suas diferentes posições ideológicas que os partem, são os seus divergentes modos de pensar e atuar em prol da cidadania e do bem público (essa doeu até em mim).
Teoricamente. Não sei em outros lugares do mundo, mas, no Brasil, novos partidos são fundados não por dissidências de opiniões, e sim como forma de melhor repartir o bolo dos tributos dos contribuintes entre um maior número de canalhas, como forma de aprimorar e tornar mais plena a gatunagem. No Brasil, não há partidos, há repartidos, há um butim coletivo em cima do público.
O mecanismo de formação partidária no Brasil é claro e evidente. Um partido tem lá o direito de lançar x candidatos a vereador, y candidatos a deputado estadual, w a deputado federal, z a senador etc. Ora, se o mesmo bando se quebrar em 10 bandos, camuflados sob diferentes 10 legendas, terá o direito de lançar a candidatura de 10x candidatos a vereador, 10y a deputado estadual, e assim por diante.
No Brasil, há uma única ideologia, a do poder. No Brasil, há uma única dissidência política : você está no poder, eu quero estar. É o poder sem face da direita, é o poder sem face da esquerda, o do centro. Ou melhor, o poder com a mesma face, da esquerda, da direita, do centro.
No Brasil, os partidos são montados como aqueles jogos infantis de blocos que se encaixam - são os partidos-lego. No brinquedo, todos os blocos, independentemente do tamanho, formato e cor, encaixam-se perfeitamente, são todos intercambiáveis, e a criança os vai unindo de acordo com sua vontade, em montar um carro, uma casa, um animal...
No Brasil, os políticos são os blocos de Lego. Independentemente de suas origens sociais, formações e "ideologias" politicas e partidárias, todos eles se encaixam perfeitamente uns nos outros, são todos igualmente intercambiáveis, vão se unindo (e desunindo) de acordo com suas conveniências.
Não são partidos reais. A prova cabal do que falo aparece claramente em épocas de eleição, são as coligações estabelecidas entre os aparentemente mais improváveis aliados. Ora, primeiro eu me parto do outro grupo, nossas diferenças são inconciliáveis, logo em seguida, eu me coligo a ele, ao mesmo grupo de que me declarei inimigo anteriormente. Primeiro, penso diferente, depois, volto a pensar igual?
Porra nenhuma. Nunca houve divergências. Só uma maneira de melhor pilhar o dinheiro público.
E se não são partidos de verdade, são o quê? Partidos de mentirinha! São partidos de mentirinha!
E não é esse humilde e confuso escriba que lhes diz isso, foi ELE quem afirmou tal fato a todo o país. Ele, o Vingador Negro da cega, surda e muda Justiça Brasileira. Ele, Joaquim Barbosa.
O presidente do STF desancou nossos parlamentares. De modo educado, ainda que nada sutil, Barbosa disse o que todo mundo sabe, que são partidos de mentirinha, que são todos farinha do mesmo saco.
Abaixo, trechos do pronunciamento de Joaquim Barbosa em uma palestra proferida no IESB (Instituto de Educação Superior de Brasília), instituição da qual é professor. 
"Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. E tampouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder. Esta é uma das grandes deficiências, a razão pela qual o Congresso brasileiro se notabiliza pela sua ineficiência, pela sua incapacidade de deliberar";
"O Poder Legislativo, especialmente a Câmara dos Deputados, é composto em grande parte por representantes pelos quais não nos sentimos representados por causa do sistema eleitoral que não contribui para que tenhamos uma representação clara, legítima. Passados dois anos da eleição ninguém sabe mais em quem votou. Isso vem do sistema proporcional";
"Hoje temos um Congresso dividido em interesses setorizados Há uma bancada evangélica, uma do setor agrário, outra dos bancos. Mas as pessoas não sabem isso, porque essa representatividade não é clara".
As verdades ditas por Barbosa inflamaram os ânimos do Legislativo, ofenderam e melindraram Henrique Alves, o presidente da Câmara dos Deputados, que classificou a declaração como "desrespeitosa". Claro que ofenderam, caso contrário, não seriam verdades.
Dá-lhes, Barbosa! Não vai resolver porra nenhuma, mas dá-lhes!!! É sempre bom ver alguém cagar na cabeça de quem embosteia a nossa. É a vingança do anão que pisa na sombra do gigante. Mas dá-lhes!!!

domingo, 19 de maio de 2013

Tá Todo Mundo Louco! Oba! Tá Todo Mundo Louco!

Quem lê o Marreta de vez em quando sabe do meu desprezo por todos os psicocharlatães, os ólogos, os eutas e os atras. Todos esses empoados que dizem entender da mente humana, que dizem conhecê-la e - que filhos das putas - até curá-la.
Nem do corpo sabem, nem do que é palpável e mecânico. O que dizer, então, dos meandros e labirintos da mente, cada qual com seu Minotauro feito em zelador? Farsantes.
Desses, sem dúvida, os psiquiatras são os mais perigosos, pois, com suas insígnias de James Bond, têm licença para matar, digo, para medicar.
Em conluio com os grandes laboratórios, gerem uma das máfias mais organizadas e rentáveis desse planeta de máfias, a da indústria farmacêutica. O psiquiatra inventa a doença, os laboratórios, o remédio. Creio até ser o contrário : os laboratórios criam uma droga que supostamente combateria um quadro de sintomas, o psiquiatra dá um nome pomposo qualquer a tal quadro - síndrome disso, distúrbio daquilo - e convence as pessoas de que elas são portadoras dele, o psiquiatra vende a doença ao paciente, juntamente com o remédio.
Nada de mais, aliás. É uma indústria como qualquer outra, a vender coisas supérfluas. Modelos novos de carros, roupas, computadores, celulares, televisões etc são criados a cada ano - até várias vezes ao ano - e enfiados goela abaixo de um consumidor cada vez mais retardado e glutão por novidades.
Por que não o mesmo com as doenças? O distúrbio do ano, o transtorno da estação outono-inverno. E que melhor doença para ser inventada que a impossível de ser detectada em exames laboratoriais, de ressonância, ultrassom, laser e que tais? Que melhor embromação que as doenças psicológicas, psiquiátricas e outros psicoembustes?
E as pessoas anseiam por novas doenças como anseiam pelo lançamento de um novo smartphone, acham chique ter a doença da moda, a do personagem da novela. Em certos meios, quando a pessoa fala que foi diagnosticada com transtorno bipolar, ou síndrome do pânico, ou déficit de atenção, ela é olhada com certa inveja, com reverência, até; dá-lhe status.
Assim, a Associação Americana de Psiquiatria lança, de tempos em tempos, edições atualizadas do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, em sigla inglesa), que define que comportamentos são normais e quais são doentes, é a chamada Bíblia da psiquiatria; quão oportuno o nome, já que tão fantasiosa e enganadora quanto.
 Lançada ontem, a nova edição do DSM passa a classificar diversas atitudes e sentimentos até agora considerados normais como doenças mentais. Dentre um desfile de absurdos, uma nova doença mental me chamou a atenção.
É o transtorno chamado, em inglês, de "skin-picking", que consiste em cutucar a pele constantemente, o que resulta em ferimentos leves, pequenas escoriações, arranhadelas. A nova "doença" foi incluída no capítulo sobre transtornos obsessivos-compulsivos. Nada mais é que o cara que cutuca os cantos dos dedos, tira uns fiapos de pele, arranca umas cutículas, distraídamente.
Eu faço isso! Sobretudo quando estou concentrado em alguma atividade mental, distraio-me e cutuco os cantos dos dedos; às vezes, sentado ao sofá, também cutuco o calcanhar e retiro alguns excessos de queratina do casco grosso, que só duas coisas engrossam no velho, o nariz e o calcanhar. Sou louco, então?
O curioso é que o DSM, até a década de 1970, classificava o homossexualismo como um distúrbio mental, hoje não o classifica mais. Hoje, o furor na argola é considerado um comportamento absolutamente normal.
Vejamos se entendi.
Quer dizer que gostar de um tarugo de carne de 20 cm de comprimento por mais uns tantos de diâmetro lhe rasgando as paredes intestinais, fazendo-o cagar pra dentro e lhe dando uma surra, um cacete (literalmente) na próstata, glândula das mais sensíveis e mais propensas a um tumor, dá ao sujeito um certificado de plena sanidade mental? Ter prazer em ser seviciado confere um diploma de mens sana ao entubador de brachola?
E aquele que arranca uma pelezinha aqui, outra ali, recebe o atestado de transtornado mental, a carteirinha de louco de pedra?
Pããããããta que o pariu!!!
E qual seria o genial "tratamento" a nós destinado? Calçar-nos luvas de boxe, devidamente presas com cadeados? Ou, quem sabe, pôr-nos uma daquelas focinheiras a la Hannibal Lecter, já que alguns de nós também se valem dos dentes para o "autoflagelo"? E, óbvio, tarja preta, muito tarja preta, que é o objetivo primeiro disso tudo.
E para o cara que curte ser empalado, o médico prescreve o quê? Só um pouquinho de KY. Nem uma rolha de cortiça no cu? Sacanagem. Isso é sacanagem!!!
Essa história me lembrou uma piada.
O viadinho tava lá, de quatro, levando uma surra de vara nervosa, e o cara que estava fazendo o favor, enquanto comia o viadinho, roía as unhas e as cuspia para longe, roía as unhas e cuspia, roía e cuspia. Aí, o viadinho olhou para trás e disse : que mania feia, essa sua! No que o cara respondeu : tá, bonita é a sua, né?
Pãããããta que o pariu, de novo!!!
A esses psiquiatras idiotas, o conto O Alienista, de Machado de Assis, deveria ser leitura obrigatória. Simões Bacamarte com PhD, é o que são esses crápulas.
Fonte : BBC Brasil