quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Papai Noel é o Caralho

Pãããããta que o pariu!!!
Quase uma hora da matina. Sem sono, vou dar uma verificada na minha desértica caixa de e-mails e dou de cara com a seguinte mensagem : Presentinho de Natal. De um ex-aluno, um dos melhores que já tive, o Waldir.
Abro e dou de cara com o tal presentinho.
Porra, Waldir!!! Sempre o tive na mais alta conta, sempre lhe julguei um macho de respeito, um macho das antigas. E você me vem com essa? Primeiro foi aquela conserva de minipepinos, agora, esse consolo de Natal. Sei não... Só tá faltando o Rodolfo, a rena do toba vermelho.
Mas se, ao invés de mandar para meu e-mail, você levar um desses e colocar na mesa daquela sala dos professores que você bem conhece, vai fazer o maior sucesso, vai dar briga, vai sair porrada para ver quem fica com o chapéu do Papai Noel. 
O mulherio e o bicharal se digladiarão, cada um querendo levar seu pedaço para casa. No toba, tudo dentro do toba. E sairão cantando : noite feliz, noite feliz... O panetone ficará em segundo plano. O bom velhinho será destroçado, não sobrará fio de barba branca para contar história. 
A você, meus sinceros votos natalinos : vira homem, Waldir!!!!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Os Heróis Na Minha Blusa Não São os Que Você Usa

Até por instinto de sobrevivência, por memória genética gregária da espécie, a grande maioria tende à una forma, ao uniforme, ao cara de um, focinho do outro. A maioria tem a necessidade de pertencer, de se reconhecer no outro, de ser reconhecido pelo outro, de considerar mavioso o mugido do grupo, e ser elogiado por esse por sua bela voz.
Donde, a moda. Que não é roupa, sapato, música mais ouvida ou livro mais vendido; num conjunto de dados matemáticos, moda é o valor mais recorrente. 
Justiça seja feita, a moda, o querer parecer com a turba, o querer mimetizar o rebanho, o achar agradável o cheiro do estrume alheio, acrescenta grande força à espécie : duas cabeças pensam melhor que uma; milhares de cabeças pensam igual a uma única. 
É inegável a força bruta que isso adiciona ao bando, é como se a força de milhares, milhões de cérebros, se associassem, em uma única intenção, comumente a errada, a serviço de um mesmo corpo.
Reconheço a força, o valor, e mesmo a necessidade do coletivo burro e forte, mas, como ser criador, não a respeito, desprezo-a. Cago para a uniformidade, para as regras de convívio social. 
Não dou bom-dia, não digo até amanhã, não pergunto pelos familiares de meu indesejável, porém, muitas vezes, inevitável interlocutor, não digo vai com deus.
Causa-me asco, e só não vomito porque meu estômago é forte, calejado que foi por anos de cerveja, o odor adocicado da colmeia; faz as tripas me subirem à boca a distribuição normal, a curva de Gauss, a boca do sino, os arquétipos da psicologia, jaulas sem grades nem tranca nem cadeado, camisas de forças pseudocientíficas a quererem me bem vestir para o baile de horrores da natureza humana.
Uniformidade, eu respeito quase que nenhuma; poucas e honradíssimas exceções.
Uma delas : Paula Toller, do Kid Abelha, musa do rock dos 80 e, ainda hoje, uma coroa das mais desejáveis e apetecíveis. Se todas fossem iguais à Paula Toller, que maravilha viver.
E é dela, e do seu grupo Kid Abelha, a canção Uniformes, uma das que mais gosto. Não só dos Abóboras Selvagens, como também de toda a gloriosa década de 1980.
Será que um dia a gente vai se encontrar? Quando os soldados tiram a farda pra brincar...

Uniformes
(Kid Abelha)
Eu ouço sempre os mesmos discos
Repenso as mesmas idéias
O mundo é muito simples
Bobagens não me afligem
Você se cansa do meu modelo
Mas juro, eu não tenho culpa
Eu sou mais um no bando
Repito o que eu escuto
E eu não te entendo bem

E quantos uniformes ainda vou usar
E quantas frases feitas vão me explicar
Será que um dia a gente vai se encontrar
Quando os soldados tiram a farda pra brincar

A minha dança, o meu estilo
E pouco mais me importa
Eu limpo as minhas botas
Não sou ninguém sem elas
Você se espanta com o meu cabelo
É que eu saí de outra história
Os heróis na minha blusa
Não são os que você usa
E eu não te entendo bem

Birita Nas Estrelas

Quem pensa que a vida de um desbravador espacial é feita só de aventuras e glórias está redondamente enganado.
Tomemos o clássico dos clássicos da ficção científica, Star Trek, o Jornada nas Estrelas. Equivoca-se quem acha que a turma do Capitão Kirk passa o tempo todo às voltas com épicas batalhas contra os Klingons, disparando torpedos fotônicos, erguendo escudos defletores, empunhando pistolas phasers, erguendo escudos defletores, deslizando por entre as dobras espaciais, cuidando do reator de matéria/antimatéria, ou teleportando-se para a superfície dos mais diversos planetas.
Nada disso. Na maior parte do tempo, a tripulação da U.S.S. Enterprise curte o eterno tédio do espaço infinito. A vida, mesmo no universo de Star Trek, é evento raro. Kirk e companhia viajam milhares e milhares de anos-luz, milhares e milhares de parsecs até darem de cara com um planeta habitado por vida inteligente.
E o que fazer nesse meio tempo? Jogar xadrez vulcano tridimensional com o Sr. Spock pode até ser um desafio, mas durante anos e anos? Para piorar a situação, só existiam duas mulheres entre toda a tripulação : a ordenança do Capitão Kirk - e essa era só dele e ninguém tascava - e a tenente Uhura, ficando a cargo dessa dar conta de toda a tripulação. Era uma seca só, um jejum dos brabos.
O que fazer quando se está longe de casa, há mais de uma semana, milhas e milhas distantes de seu amor? Sem nenhum Klingon por perto para matar e sem uma bucetinha disponível? Beber, caro amigo. Encher a cara. Mas como? O máximo que a abstêmia tripulação conseguia, vez em quando, era a azulada e aguada cerveja romulana.
Pois foi pensando nesses bravos colonizadores siderais que a empresa canadense DeLancey Direct Incorporated lançou a cerveja que promete ir audaciosamente para onde nenhuma outra cerveja jamais esteve.
É a Vulcan Ale. É uma referência a Vulcan, planeta natal do Spock, e traz a famosa saudação vulcana em seu rótulo : Vida Longa e Próspera. É uma cerveja do tipo Irish Red Ale e tem um teor alcoólico de 5,4%. Ou seja, é cerveja artesanal, coisa de Cardassianos viadinhos. Mas é cerveja. E é uma bela homenagem à série de Gene Roddenberry, além, é claro, de ser forma das mais garantidas de embolsar uma grana em cima dos trekkers, os fanáticos pela série.
Eu, sinceramente, não consigo ver o Sr. Spock sentado num buteco romulano a tomar uma birita, mas o orelhudo que se foda, eu tomo. De preferência, com a ordenança do Capitão Kirk. A tenente Uhura, eu dispenso, que essa é mais para quem é chegado numa Malzbier.

domingo, 8 de dezembro de 2013

O Lado Negro (e Verdadeiro) de Nelson Mandela

Sempre desconfiei da perfeição e da santidade dos grandes líderes da humanidade, sobretudo dos autoproclamados defensores da liberdade. Aliás, sempre tive uma única certeza em relação a eles : todos, sem exceção, são tremendos canalhas, sanguinários e genocidas.
E nem poderiam ser diferentes. Somos uma espécie canalha, sanguinária e genocida, assim sendo, quem elegeríamos para heróis, para modelos, quem representaria melhor nossos ideais? Uma pessoa verdadeiramente boa e honesta? Óbvio que não. 
Sim um filho da puta de alto calibre, alguém que represente o que há de mais refinado e precioso ao seu grupo, alguém que encarne a quintessência dos que lidera.
Os grandes líderes mundiais - os atuais e os já mortos ou depostos - sempre foram, e sempre serão, o caldo engrossado da podridão humana, o seu extrato concentrado, o seu destilado mais representativo; os grandes líderes são o chorume, líquido negro e pestilento, putrefeito e decantado do mais que há de mais sórdido no lixo humano, a encarnação dos anseios mais baixos da espécie.
Com Nelson Mandela, eu tinha certeza, não poderia ser diferente.
Não foi muito fácil achar as verdadeiras verdades sobre Mandela, houve um trabalho muito bem arquitetado na construção de sua imagem de santo. Um ponto que todos os grandes canalhas da humanidade têm em comum : uma colossal engenharia de propaganda a construir suas imagens. Todos souberam se valer imensamente da máquina de propaganda do Estado : Hitler, Stalin, Mussolini, os Papas, Fidel Castro e Che Guevara, Bush, Obama, até o "nosso" Luis Inácio Lula da Silva.
Mandela não foi diferente.
Reproduzirei abaixo um texto escrito em junho de 2013, por Fernando Trujillo, que diz um pouco sobre o verdadeiro Mandela, do site forodobrasil.info; as fotos inseridas ao longo dele são provenientes do blog omacartista.blogspot.com.br.

O Verdadeiro Nelson Mandela
Fernando Trujillo
A notícia desta semana [1] foi a saúde do líder político Nelson Mandela. Em seus 94 anos, Mandela está gravemente enfermo e conectado a um respirador artificial, logo morrerá e o mundo terá a imagem de um homem com sorriso que conquista corações que foi mitificado pelo Sistema.
O mundo nunca conhecerá o verdadeiro Nelson Mandela e a justiça nunca cairá sobre este homem que encontra-se em uma cama de hospital com milhões de pessoas que choram por ele. Mandela é um ídolo com pés de barro. Por trás desse sorriso e dessa imagem de pacifista encontra-se um dos assassinos mais sem piedade da história. Falar do verdadeiro Nelson Mandela é um assunto incômodo. O Sistema o santificou de tal forma que não se admite nenhuma crítica, nenhuma alusão a seu passado nem nada que pudesse manchar essa imagem limpa que ele tem.
Mandela faz parte desses ídolos com pés de barro que o Sistema forma, tais como Martin Luther King, Mahatma Gandhi, John Lennon, Benito Juárez, só para mencionar uns quantos. Figuras inquestionáveis, ídolos no mais alto pedestal e cuja vida é uma obrigação admirar sem questionar.
Aos seus 94 anos, Mandela foi elevado à categoria de herói dos pacifistas, anti-racistas e uma figura quase divina para as massas, fazem-lhe homenagens, músicos e políticos lhe rendem sua admiração.
A mídia é uma criadora de mitos e uma tergiversadora da realidade. Eles pode fazer de um terrorista um herói e vice-versa.
O verdadeiro Nelson Mandela está muito distante dessa figura cálida que os meios de comunicação pintam. Seus crimes do passado foram apagados. Se investigas sua vida só encontrarás uma vida de quase milagres, mas nada sobre seu lado obscuro. Porém, a verdade sai à luz e o mito Mandela se derruba.
Em 1961 Mandela foi o líder do braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA), chamado Unkhonto We Sizwe, grupo responsável por assassinatos, bombas e roubos em lugares públicos. Mandela foi declarado culpado de 156 atos de violência pública e por essa razão foi encarcerado em 1963 e sentenciado a 27 anos de prisão.
É falso como dizem os meios de comunicação e como se impôs que Mandela foi encarcerado por se opor ao apartheid. Outros ativistas como o bispo Desmond Tutu se opuseram a este sistema publicamente sem ser censurados ou encarcerados. Se Mandela foi encarcerado foi por seus crimes, inclusive a organização Anistia Internacional não lhe deu apoio, já que havia considerado a sentença justa.
Mesmo quando saiu da prisão e até nossos dias, Mandela sempre apoiou o terrorismo e guardou um silêncio vergonhoso ante a matança dos Boers no continente africano. Apesar de ser considerado um “herói da liberdade”, Mandela apoiou descaradamente a ditadura comunista em Cuba, a qual chama “um baluarte da liberdade e da justiça”, mas claro que não menciona a pobreza na qual está afundada a população, nem a opressão do “santo” governo comunista. Também apoiou o sangrento regime de Robert Mugabe e o regime chinês.
"Compromisso com a luta pela paz e pelos direitos humanos no mundo. "(Nelson Mandela) - elogiando o ditador Gaddafi
Sua esposa Winnie Mandela tampouco fica atrás em seu apoio à violência. Nos anos oitenta realizou infames atividades contra seus opositores. Todo aquele que se lhe opunha era atado de pés e mãos para depois ser queimados vivos com pneus, inclusive gente de sua própria raça, uma tática de guerrilha própria do CNA. O Congresso Nacional Africano, partido cujo líder mais notável foi Mandela, foi uma organização terrorista culpada de atos terroristas e assassinatos contra a população civil, não só contra a gente branca mas contra os negros que se negaram a apoiá-los.
Enquanto Mandela fazia sua campanha, o CNA assassinou e torturou camponeses brancos sem que os meios de comunicação falassem a respeito. Após o triunfo de Mandela o CNA passou de organização terrorista a um partido legal, e sua política racista continuou.
Muito dirão que Mandela abandonou a violência mas se equivocam. Durante seu tempo na prisão o presidente Botha ofereceu a Mandela sua liberdade em troca de que renunciasse à violência, mas seu oferecimento foi rechaçado e Mandela nunca renunciou à violência publicamente.
Deixando de lado seu apoio ao terrorismo, o governo do “beato” Mandela foi catastrófico para a África do Sul. Sendo um dos países mais estáveis e prósperos do continente africano passou a ser um país afundado na violência e na ruína econômica. 
"Os internacionalistas cubanos fizeram muito pela independência, liberdade e justiça africanas." (Nelson Mandela)
Atualmente a África do Sul é um dos países mais inseguros e violentos do mundo, tem a maior quantidade de infectados pelo vírus da AIDS e a violência é o pão de cada dia. Entre 20.000 e 25.000 pessoas morrem por ano vítimas da violência em um país multi-cultural e “pacífico”. Durante o governo de Mandela e o CNA, a economia próspera da nação foi para baixo trazendo pobreza, desemprego, violência e falta de oportunidades.
Mandela e o CNA trouxeram também a decadência moral do país. Foram eles que legalizaram o aborto, o jogo e a pornografia. Coisas típicas e legais nos regimes democráticos. As políticas racistas do CNA não são só contra as pessoas brancas senão contra os negros como as pessoas da etnia Zulu. No verão de 2008 o CNA cometeu uma multidão de assassinatos contra imigrantes procedentes de Moçambique, Malawi e Zimbabue.
A moeda sul-africana, que em outros tempos foi de alto valor, em que pese o bloqueio da extinta União Soviética, hoje vale quase nada na África do Sul, o fracasso econômico é evidente em que pese que os meios de comunicação pintarem o país como um paraíso tolerante e multi-cultural.
Concluindo, pode-se dizer que a revolução de Mandela deixou o país na ruína e no caos, porém isso trouxe a democracia, o governo tão santificado e perfeito que nos pintam, e que na realidade é uma falácia que custou milhões de vidas e a decadência da espécie humana.
Mandela como político foi um fracassado que colapsou uma potência econômica, que fomentou o ódio e cujo legado é uma onda de mortes, violações e crimes que ainda perduram no país.
No ano de 2009 a ONU declarou o dia 18 de julho como o “Dia Internacional de Nelson Mandela”, uma mostra de até que ponto o Sistema pode fabricar um ídolo para as massas em cumplicidade com os meios de comunicação e uma espécie decadente cheia de “heróis”.
Atualmente e enquanto o país está afundado na pobreza, enquanto milhares de africanos enfrentam diariamente a insegurança e o desemprego, Mandela viveu em sua mansão rodeado de segurança e a comodidade que o povo não tem.
Nelson Mandela foi amigável com o ditador Africano - canibal assumido - Idi Amin Dada de Uganda. Depois de sequestrar um avião de carga com judeus e outras vitimas em 1976, um grupo de terroristas muçulmanos do PLO-Fatah teve autorização de Amin para trazer seus reféns para o aeroporto de Uganda em Entebbe (antiga capital de Uganda).
Sabemos que morrerá dentro de pouco e que nunca pagará por seus crimes, que o mundo continuará admirando-o, mas o verdadeiro Nelson Mandela não desaparecerá, o político inepto, o racista, o terrorista, a mentira fabricada pelo Sistema. Por mais mentiras que os meios de comunicação continuem mantendo sobre este falso herói algum dia a verdade sairá à luz. Mandela morrerá em sua cama, as massas lhe vão chorar e fazer homenagens sem que o mundo saiba de seu lado obscuro. Um verdade que sairá à luz e então o ídolo com pés de barro se derrubará.
Notas da tradutora:
[1] Esse artigo foi escrito em junho de 2013, quando ele esteve internado por um longo período.
[2] Para corroborar o se diz nesse artigo, veja-se também esta carta do capo do bando terrorista do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, por ocasião da internação de Mandela em junho de 2013: https://www.eln-voces.com/index.php/es/nuestra-voz/comando-central/450-carta-abierta-del-eln-a-madiba
[3] E finalmente, no vídeo “De terrorista a Prêmio Nobel”, Olavo de Carvalho reafirma o que foi dito no artigo: http://www.youtube.com/watch?v=kFdTUVlbhgc
Tradução: Graça Salgueiro

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Contos de Natal

Dos dois contos de fadas do Natal - o do Papai Noel e o do Cristo -, por que só o primeiro, às crianças, quando essas crescem, tem a sua natureza de lenda, de mito, de delírio, revelada?
E como conseguem se desvencilhar tão facilmente da ilusão que é um, o conto do Papai Noel, e continuarem a acreditar piamente na mentira deslavada que é o outro, o conto do Cristo?
Ainda mais que o primeiro, o do Papai Noel, é muito mais verossímel que o segundo, o do Cristo. É bem mais plausível um caucasiano nórdico, corado e bem nutrido, burguês, abastado, recluso, que mantém uma tropa de anões deformados a seu serviço, em condições de subemprego, quase de escravidão, do que um salvador nascido de uma virgem fecundada por um tal Espírito Santo, que me parece uma espécie de um boto do Senhor, um boto cósmico.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Pequeno Conto Noturno (35)

- Mas você sempre foi tão racional...
- Exato.
- Exato não é a mesma coisa que racional?
- Falei exato no sentido de que você está correto, de que está certo em dizer que eu sempre fui racional, mas, de qualquer forma, não, exato não é a mesma coisa que racional.
- ???
- Razão é proporção, é dosagem, é buscar o justo equilíbrio, que não é definitivo, que é periclitante; a grosso modo, razão é uma conta de dividir, que nem sempre é exata, aliás, na maioria das vezes, é uma sequencia infinita, periódica ou não, que estende a indefinição por toda uma vida, que estende o cuidado em manter uma constante ponderação. Razão não é a medida, é a justa medida, é o fio da navalha. Razão é o equilibrista em cima do muro, não o chão.
O balconista, interlocutor de Rubens nas madrugadas sem bucetas, traz outra dose dupla para Rubens, sem gelo, e também uma para si próprio; a tal hora, beber no serviço não dá demissão por justa causa para ninguém, justiça houvesse, ninguém teria que trabalhar a tal hora, nem beber, nem ficar insone.
- E onde foi que a coisa zangou dessa vez? -, pergunta o balconista.
- Num engano de razão. Quando conheci Malena, ela me pareceu a melhor proporção possível entre beleza e loucura, a cuba libre mais bem dosada que eu já havia tomado.
- Ainda não entendi, onde foi que você se fudeu?
- Num erro de cálculo, meu caro, na mais simples das operações matemáticas.
- ???
- Superestimei a beleza de Malena - e Rubens emborca tudo, uma escaldante dose dupla de rum enfiada goela abaixo -, e subestimei a sua loucura.
- Deixa ver se entendi, você pensou que tava comendo uma doidinha gostosa e tava era traçando uma mocreia surtada, foi isso?
- És um verdadeiro matemático, meu caro - e Rubens faz deslizar o copo vazio em direção ao balconista, que o enche, mas por precaução, quem sabe consideração, adiciona umas atenuantes pedras de gelo.
- E comeu ela muitas vezes? - quer saber o balconista.
- Muitas. E tava tudo dentro da normalidade, até o dia em que... comi o cu dela.
O balconista gargalha, alto e com gosto.
- Você e seus cus... puta que o pariu.
- Quando comi o cu dela, no dia seguinte, ela queria me acusar de estupro, saiu gritando sua intenção pelo corredor do prédio, pela portaria, berrava que iria à delegacia da mulher, que na cadeia é que eu ia saber a dor de um cu comido, essas coisas.
- Mas você não deu uma forçadinha, não?
- De jeito nenhum, ganhei aquele cu como ganhei todos os outros até hoje, na pura lábia, e depois de muitos bons tratos à buceta. Trate bem uma buceta e ganhará um cu, dificilmente falha.
O balconista ri de novo.
- E aí, como você livrou seu cu dessa?
- E aí que a demente levou a grana que eu tinha na carteira, uma cafeteira elétrica e a televisão.
- Tudo em troca do cu?
- Me saiu caro, esse cu.
- Prum cu, sim; para um acordo de um processo de estupro, até que saiu bem barato.
- Está certo outra vez, meu caro - e Rubens entorna metade do copo.
O dono do bar, sem dó nem piedade, decreta o fim da noite, acende as luzes, convoca os bebuns remanescentes a pagarem suas contas no caixa e dá ordens aos garçons para escancararem as portas, deixar entrar a realidade.
Rubens vira o último gole e sai sem se despedir do balconista, sair sem se despedir - ou chegar sem cumprimentar - é a despedida clássica de Rubens.
- Queria, de vez em quando, me fuder desse jeito - pensa em voz alta o balconista, casado há 18 anos com a mesma mulher.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Lodaçal

Só pode estar aqui dentro,
Essa coisa pastosa, rançosa. 
Não estão as pessoas todas por aí, 
Festivas, sorridentes, 
Atingindo-se com bons-dias, 
Boas-tardes e boas-noites? 

Só pode estar aqui dentro 
Essa fria cinza, poeira ranzinza. 
Não estão todos seguindo contentes, 
Doces e perfumados, 
Aconchegados em suas alegrias de hiena? 

Então, só pode mesmo estar aqui dentro, 
Esse visgo, esse piche gosmento, 
Esse amargor e esse azedume. 
Não pode vir de fora tal nauseabundo odor de estrume. 
Não estão todos felizes, 
Sem enxergar as grades, 
E procriando? 

Por isso quero drenar todo meu sangue, 
Ficar exangue. 
Desidratar, 
Afogar em minha transpiração lodosa de mangue. 
Bombear, pelo esôfago, 
Muco, ácido e fel. 
Vomitar essa podre melancolia, 
Esse tétano que me achaca os rins 
E me arqueia as costas.

Só pode vir de dentro. 

Por isso, quero inflar, 
Inchar e explodir 
Em milhões de pedaços de bosta.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Bukowski, Nunca Olhar

nunca olhar
esse é o segredo: nunca olhar.
"você nunca olha para as pessoas," uma namorada costumava
me dizer.
eu tinha um motivo, eu não queria ver o que estava
lá, eu me sentia melhor sem aquela
realidade.


existem milhares de exemplos do que quero dizer com
isso, mas uma vez que ambos têm muitas outras coisas para
fazer, eu apenas ilustrarei com
alguns:
dizer, se eu embarcava em um jato e eu via o primeiro piloto,
então seria um vôo muito
desconfortável
ou dizer, nas corridas de cavalo se eu olhava para quem
iria conduzir o cavalo que eu
escolhi
então eu sabia que nunca poderia
apostar naquele cavalo.
ou dizer, (e eu percebo que você pode não
compreender este) se eu visse os rostos das
vencedoras de um concurso de beleza
eu quase sempre ficava
horrorizado.
e eu sei que é uma coisa terrível de dizer, mas
quando eu via centenas de rostos em um evento
esportivo
eu me tornava tonto com
descrença.


eu pareço estar deslocado nas multidões, eu não
pertenço.


eu estou melhor sozinho assistindo meus três gatos, eles são
atos verdadeiros de
vida.


eu posso 
olhar.
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sobre dor 
minha primeira e única esposa
fez uma pintura
e falou para mim
sobre ela:
"É tudo tão doloroso
para mim, cada pincelada é
dor...
um erro e
todo o quadro é
arruinado...
você nunca vai entender a
dor ... "


"olha, querida," eu
disse, "por que você não faz algo fácil
algo que você gostaria de
fazer?


"ela apenas olhou para mim
e eu acho que foi a sua
primeira compreensão da
tragédia de ficarmos
juntos.


tais coisas normalmente
começam
em algum lugar.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Presbiopia

Começava a ler um livro
Jornal, revista, bula de remédio
E logo me cansava.
Começava assistir a um filme
Documentário, curta-metragem, comercial de TV
E logo me cansava.
Punha-me à sacada
A contemplar o horizonte na madrugada
E logo me cansava.

Recomendaram-me um oftalmologista,
A idade, me disseram.

- Vista cansada.
E aviou-me o médico
Uns óculos lá de um grau e meio.

Fato raro, animei-me :
Voltaria a ler meus dois livros por semana,
Assistir aos meus corujões, sessões da tarde e cines privês,
A ver a noite jorrar e se diluir no horizonte.

Aos óculos,
Justiça lhes seja feita :
Tornaram maiores e menos bruxeleantes
As letras de meus amarelados livros,
Mais definidas as legendas de meus filmes B,
Mais nítidas as crateras da túrgida Lua Cheia
E até trouxe de volta
Algumas estrelas que haviam se perdido de meu céu.

Mas o cansaço continuou
E continuou.

Finalmente, vi.
O que me estava aos olhos,
O que nenhum oftalmologista poderia ter visto :
Nem me eram tanto as vistas cansadas,
Sim o cansaço de tudo o que vejo.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Cola na Escola, Psicólogos, Cartomantes e Outras Trapaças

Quando o jovem em idade escolar, o educando, o aluno, ou seja lá como se prefira chamar essa hoje tão indefinida (mal definida, na verdade) massa de (não) aprendizes, recebe uma tarefa de seu professor, ele procura a todo custo, por todas as vias, burlar a feitura da incumbência que lhe foi atribuída.
Estudar a matéria dada no dia ao chegar em casa, revisar os pontos principais, esforçar-se no entendimento e, aí sim, depois disso, lançar-se à execução da tarefa para efeito de sedimentar as informações recebidas, pouquíssimos fazem, aliás, poucos sempre fizeram.
Antes, na era pré-internet, os três ou quatro CDFs de cada sala faziam a tarefa e o restante copiava; no mundo ASJ - antes de Steve Jobs -, o santo graal buscado por todo aluno era um exemplar do livro do professor, só ele a conter as respostas ao seu final. Poucos pensavam em ler o livro antes de procurar pelas respostas no final, poucos deviam supor, inclusive, que se o lessem atentamente, não necessitariam das respostas prontas. Sempre a "cola" antes da tentativa real e valorosa.
Hoje, com a internet, o oráculo de silício, a pitonisa binária, nem o CDF faz mais a tarefa - nem existe mais o CDF -; hoje, o bom aluno copia tudo da internet e o mau aluno, do bom.
Aprender é mudar uma situação estabelecida, é romper com uma inércia, logo, é um processo áspero e suarento. Sem as agruras e o desconforto do esforço, não há a recompensa do aprendizado, ele sairá da escola (como estão cada vez mais a sair) sem saber quase nada (e há uma grande dose de condescendência nesse "quase") de Português, Matemática, Biologia, Física, História etc.
Quando o professor recebe a tarefa pronta do aluno, ele percebe claramente que ela foi copiada, "colada" de alguma fonte, que nenhum tempo foi gasto ali de forma honesta; igualmente, ele, o professor, para não gastar seu escasso tempo com quem tempo não gastou com a sua tarefa, aceita a falsificação como verdadeira mostra de aprendizado, faz vistas grossas, vistas cegas, vista a tarefa e dá ao aluno o ponto que irá promovê-lo de série a série.
Mas do íntimo do professor, do alto de sua cabeça, se a situação fosse retratada em uma história em quadrinhos, veríamos brotar um balão de pensamento em forma de nuvem : "Vai, seu idiota, vai achando que me enganou, vai achando que aprendeu alguma coisa, vai achando que está a sair da escola melhor do que quando entrou, que está formado".
E o idiota vai, achando mesmo que é/foi um estudante.
Quando um adulto recebe da vida as suas tarefas - e elas nos vêm num crescente de quantidade e complexidade -, quando recebe da vida dificuldades a serem solucionadas e transpostas, nós górdios a serem desatados, ele procura a todo custo, por todas as vias, burlar a feitura da incumbência que lhe foi atribuída.
Parar, refletir, ponderar sobre a situação, aprimorar-se, aperfeiçoar-se, fazer mesmo um esforço de autoconhecimento, para melhor desfecho dar a um entrave, pouquíssimos fazem, aliás, poucos sempre fizeram.
O adulto também, e numa progressão assustadora, procura por respostas prontas das tarefas que a vida lhe impinge. Ao invés de estudar a si próprio - o que é trabalho árduo e muitas vezes revelador de aspectos que ele preferiria não conhecer de si - para determinar os melhores, ou, pelo menos, os mais viáveis caminhos e soluções para seu problema, específico, pessoal e (deveria ser) intransferível, o adulto também vai à procura dos livros com as respostas já prontas no final : psicólogos, cartomantes, terapeutas freudianos ou coisa que os valha, tarólogos, jogadores de búzios e outros picaretas.
Sim, os supracitados "profissionais" são os livros com respostas no final que o adulto busca para a solução de suas limitações, ao invés de superá-las por esforço e aprendizado próprios. Nem lhe passa pela cabeça ler o livro antes de ir às respostas, impessoais, genéricas e, muito provavelmente, inócuas para o seu problema, meros placebos, quando não prejudiciais.
E sim, psicólogos e astrólogos, terapeutas e ledores de sorte em folhas de chá, padres e pitonisas etc etc são detentores de conhecimentos igualmente "científicos".
Aprender a viver é mudar uma situação estabelecida, é romper com uma inércia, logo, é um processo áspero e suarento. Sem as agruras e o desconforto do esforço, não há a recompensa do aprendizado, ele deixará a vida sem quase nada (e há uma dose maior ainda de condescendência nesse "quase") saber de viver, dele próprio.
Quando a vida recebe a tarefa pronta do sujeito adulto, ela percebe claramente que ela foi copiada, "colada" de alguma fonte, que nenhum tempo foi gasto ali de forma honesta; igualmente, ela, a vida, para não gastar seu infinito, porém, precioso tempo com quem tempo não gastou com ela, aceita a falsificação como verdadeira mostra de amadurecimento.
Mas saída do íntimo da vida, se ela pudesse ser retratada na forma de uma película de cinema, e se apurássemos um pouco a audição, uma narração em off poderia ser ouvida : "Vai, seu idiota, vai achando que me enganou, vai achando que saiu de mim como uma pessoa melhor do que quando veio à minha luz, vai, seu idiota, vai achando que realmente viveu".
E o idiota vai, pensando mesmo que viveu por suas próprias pernas.
Alguns até se orgulham de ter "colado" a vida toda, já ouvi coisas do tipo : "Sou uma pessoa esclarecida, eu faço análise." Faz análise, porra nenhuma! É analisado, isso sim! O que é muito diferente. É analisado! Feito uma bactéria em placas de Petri, feito rato em gaiolas de laboratório, feito merda que se caga em latinha para exame de fezes.
E que se registre : a esses, é tratamento dos mais adequados.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Papai Noel é Vermelho. E, Pelo Visto, Traz Uma Estrela do PT Oculta Por Sob Suas Brancas e Marxistas Barbas.

Da Lei, diz a própria Lei, não se pode alegar, em defesa, ignorância. Pois se não a alego - a minha ignorância -, afinal, de nada estou a me defender, assumidamente a declaro, nada sei da Lei, a não ser que seu desconhecimento em nada servirá de atenuante caso eu resolva infringi-la. Desconhecimento não é argumento de defesa nem de inocência - exceção feita ao ex-presidente Lula.
A exemplo, sempre pensei que indulto de Natal fosse uma permissão para que prisioneiros em certas condições, que atendessem a determinados requisitos, deixassem a cadeia e passassem com suas famílias as comemorações do Natal, o aniversário do não nascido mais festejado do planeta; sempre pensei que o indulto de Natal consistisse de um visto temporário de liberdade, ao fim do qual os detentos retornassem para o xilindró, e os que assim não agissem, fossem declarados foragidos e caçados pela polícia.
Não é nada disso. Isso, copiei do site do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios), é uma "Saída Temporária Especial, fundamentada na Lei de Execução Penal (Lei n° 7.210/84) e nos princípios nela estabelecidos. Geralmente ocorrem em datas comemorativas específicas, tais como Natal, Páscoa e Dia das Mães, para confraternização e visita aos familiares".
Indulto de Natal, ou qualquer outro indulto, fiel ao significado da palavra, é perdão. Perdão à pena do indultado, o recebedor do indulto deixa para sempre a cadeia, tem sua pena cancelada.
Em melhores palavras, do site Dizer o Direito : Com o indulto, apaga-se o efeito executório da condenação. Em outras palavras, extingue-se a pena, caso ainda não tenha sido cumprida. Logo, a pessoa beneficiada pelo indulto não precisará mais cumprir a pena que lhe havia sido imposta. O Estado renunciou ao seu direito de punir aquele indivíduo. Ele está livre do cumprimento da sanção. Foi perdoado".
Vejo que a confusão de entendimento que eu tinha até agora nem foi devida à palavra indulto, que sei, não é de hoje, significar perdão, mas sim a preposição "de". Confundi-a com outra, a para. Não é um indulto para o Natal, é de Natal, ou seja, concedido por ocasião do Natal.
Um baita dum presentão, diga-se de passagem. Presentão que nem Papai Noel tem em seu estoque, nem adianta mandar cartinha ao Bom Velhinho pedindo por tal artigo. Ao Bom Velhinho, não. Mas pode-se tentar um intermediário, alguém, a essa época do ano, tocado e sensibilizado pelo espírito natalino. Se uma cartinha for enviada para o Presidente da República, dizendo que foi um bom menino ao longo de todo o ano, o pedido poderá ser atendido. 
O indulto de Natal só pode ser dado pelo Presidente do país, ou, na sua ausência, pelos, em escala de hierarquia, Procurador Geral da República, Advogado Geral da União ou Ministros de Estado. Uma vez concedido, não há órgão ou instância que possam contestá-lo, ou anulá-lo. O Presidente perdoou, tá perdoado.
Pois bem, e não é que o Papai Noel, através de um intermediário, a não sei se duende ou rena Presidente Dilma Roussef, parece que será muito gentil para com dois dos bons meninos mensaleiros, José Genoino e Roberto Jefferson?
Os advogados de José Genoino e Roberto Jefferson estudam pedir o indulto natalino para seus distintos clientes. Em todo final de ano, a Presidência da República faz a publicação estabelecendo os parâmetros de quem pode e quem não pode solicitá-los. Os condenados, então, entram na Justiça a fim de que tenham seus casos avaliados. Dilma Rousseff ainda não editou o decreto de 2013, o que deve ocorrer nas próximas semanas. 
José Genoino e Roberto Jefferson, segundo seus advogados, encaixam-se na “alínea c” do Inciso X do Artigo 1º da referida lei, a saber:

“Art. 1º É concedido o indulto coletivo às pessoas, nacionais e estrangeiras:
(…)
X – Condenadas
(…)
c) acometidas de doença grave e permanente que apresentem grave limitação de atividade e restrição de participação ou exijam cuidados contínuos que não possam ser prestados no estabelecimento penal, desde que comprovada a hipótese por laudo médico oficial ou, na falta deste, por médico designado pelo juízo da execução, constando o histórico da doença, caso não haja oposição da pessoa condenada;

Notem que nem é necessário o cumprimento de parte da pena, ainda que o ínfimo e vergonhoso 1/6 (um sexto). Vai ser sopinha no mel pros dois.
Para Roberto Jefferson, eu não sei, se o fizer será tão somente para não ser acusada de revanchismo, mas para Genoino, não tenho dúvidas : Dilma Rousseff assinará o indulto com todo o prazer, com um gozo de sadismo nos lábios.
Genoino sairá, então, da prisão com o braço ainda mais em riste do que à entrada, temo até que se lhe destaque do corpo, tal o ímpeto. Sairá da prisão, em caso do indulto requerido e deferido, com ainda maior arrogância, certeza de impunidade e desdém pela Justiça. Uma cusparada na cara do cidadão trabalhador e cumpridor de seus deveres, em suma, do cidadão honesto.
Indultos requeridos e concedidos, enterrem de vez, ó vocês da cristandade, as suas clássicas canções natalinas, sepultem-nas em definitivo. Esqueçam dos sininhos pequeninos, sinos de Belém, dos jingle bells e mesmo de sua paródia gaiata, acabou o papel, não faz mal, não faz mal, limpa com jornal.
Se querem uma canção realmente representativa para o Natal de 2013, toquem em vossas ceias um dos maiores sucessos da emblemática banda punk Garotos Podres, a colérica Papai Noel Filho da Puta. A todo volume!
Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Pobres, pobres...
Mas nos vamos seqüestrá-lo
E vamos matá-lo!

Por que?

Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!

Por que?

Papai noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Manchete e o Fato

Uma foto profética! Nostradâmica! E o melhor é que o vaticínio se cumpriu. 
Repito : não se deixem enganar mais uma vez, os do PT não são vítimas, não são perseguidos, não são presos políticos, são políticos presos, simplesmente. Reles e perniciosos como quaisquer outros corruptos.
 A foto é de Reynaldo Stavale, cujas lentes mágicas fenderam as dimensões do tempo e justapuseram passado e presente

sábado, 23 de novembro de 2013

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(22)

E de todas as dores, a maior : a do corno manso, a do cara que se deixa enredar por uma biscate e dela não consegue se desapegar.
Um clássico da cornagem nacional!!!

A Dama de Vermelho
(Ado Benatti/Jeca Mineiro)
Garçom, olhe pelo espelho
A dama de vermelho
Que vai se levantar
Note, que até a orquestra
Fica toda em festa
Quando ela sai para dançar.

Esta dama já me pertenceu
E o culpado fui eu da separação
Hoje, choro de ciúme
Ciúme até do perfume
Que ela deixa no salão

Garçom, amigo!
Apague a luz da minha mesa
Eu não quero que ela note
Em mim tanta tristeza
Traga mais uma garrafa
Hoje vou embriagar-me
Quero dormir para não ver
Outro homem lhe abraçar.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Um Médico Cubano Para Genoino

Não sou médico cardiologista, também desconheço a razão das coisas feitas pelo coração, mas quem poderia dizer que José Genoíno possuísse tão frágil e melindroso miocárdio?
Quem poderia detectar sintomas de débil musculatura no homem que foi em cana com postura altiva, hirta, com uma saudação fascista no braço esquerdo, firme, sem o menor sinal de tremor, e um semblante que era pura arrogância, prepotência, desdém pelo órgão máximo da Justiça do país e certeza de impunidade? Quem poderia supor que o "grande" Genoino quebrasse quando submetido a uma leve pressão (leve em relação àquilo que os mensaleiros do PT realmente merecem)? Que seu peito varonil pedisse arrego ao primeiro revés verdadeiro sofrido em sua vida política? 
Creio que ninguém. Eu, pelo menos, não. Pois parece que foi o que aconteceu. Fiquei sabendo hoje que, ontem, Genoino teve um piripaque, ou encenou ter tido um.
Li algumas manchetes sobre o assunto, a mais recorrente : "Genoino passa mal e é levado a hospital com princípio de infarto, diz advogado".
Como assim, princípio de infarto? Não sou médico, repito. Mas infarto é a morte de uma região de um tecido (no caso, o miocárdio) causada pela falta de irrigação sanguínea, as células da região afetada deixam de receber nutrientes e oxigênio e morrem. Então, como assim, princípio de infarto? As células começaram a morrer e resolveram voltar atrás? Finalizar suas mortes em um outro momento, em um outro dia?
Sei não... Isso está me cheirando é a princípio de mais uma pizza, de uma enorme e incomensurável pizza, o cheiro de orégano já invade o ar.
Está me cheirando a princípio de mais uma safadeza do PT, uma estratégia duplamente mal-intencionada : livrar um criminoso condenado da prisão e, de quebra, transformá-lo em mártir, Genoino, o mártir da democracia. De novo, a mesma piada, a de que esses ex-guerrilheiros, atuais quadrilheiros, defendem e lutam por uma real democracia. A mesma piada que eles contam há 50 anos. E o povo brasileiro continua a rir dela. Ou sem entendê-la, o que é muito mais provável.
Mas vá lá que seja, vá lá que o infarto de Genoino tenha sido mesmo...genuíno (desculpem, não resisti ao infame trocadilho, nunca resisto). Ele foi internado no InCor, o Instituto do Coração, hospital que é referência mundial em sua especialidade. 
Por que no InCor? 
Genoino deveria ser jogado a uma fila do SUS, aguardar sua vez depositado numa maca de um corredor sujo de um precário posto de saúde sem leitos nem equipamentos, para sentir na pele a falta que faz à população o dinheiro que ele e seus companheiros desviam. E para fechar com chave de ouro : Genoino deveria ser atendido por um médico cubano.
Isso não é Justiça, diriam os defensores dos criminosos, é revanchismo. Pode até ser um pouco, pode até ser muito, mas e daí? Impor a um governante o mesmo castigo com que ele esmaga e humilha a população, ainda que por revanchismo, ou por qualquer outro motivo, deixaria de ser Justiça? Ainda que por vendeta, ver um sujeito desses morrer à míngua, largado à própria sorte, desrespeitado em todos os seus direitos de cidadão, poderia ser considerado injusto, imerecido?
De jeito nenhum!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

São Cagão Rousseff (Ou : Dilma Caganer)

Eu não sabia - e por que deveria? -, mas existe um santo padroeiro dos escatológicos no panteão da igreja católica. É o São Cagão, ou Caganer, possuidor de muitos fiéis na Espanha, sobretudo na região da Catalunha. 
Representado sempre agachado, de calças arriadas (ou será de batina levantada?) e em pleno ato defecatório, ele simboliza a fertilidade e a necessidade de adubar a terra para as colheitas do ano seguinte. Habitualmente, os bonecos são colocados no presépio de Natal, juntamente com as tradicionais figuras religiosas. 
E você que sempre achou que aqueles troços ao lado da manjedoura fossem obra do jumento em cujo lombo José e Maria picaram a mula para o Egito, a fugir de Herodes. Não eram, não na Catalunha, pelo menos. São do São Cagão.
Aproveitando a devoção da população, uma empresa espanhola, a caganer.com, coloca, ao fim de todo ano, personalidades mundiais do esporte, do cinema, da televisão, da música, da política etc na pele do santo, lança bonequinhos de famosos na mesma posição do São Cagão, ou seja, de cócoras, com as calças arriadas e soltando um barro, passando um fax, libertando o Mandela, riscando a porcelana.
Para esse ano, cinquenta e uma novas figuras foram adicionadas aos catálogos da caganer.com. Entre elas, o jogador Neymar, a mascote da Copa 2014, o tatu-bola Fuleco (que, em alguns estados do nordeste, é sinônimo de cu) e a nossa nada querida presidente Dilma Rousseff.
Pããããta que o pariu!!! Pôr a Dilma cagando no presépio, ao lado do menino Jesus, é um puta dum sacrilégio, até para mim, que sou ateu. Ao invés dos Reis Magos, com seus incenso, ouro e mirra, Dilma Rousseff a dar uma cagada. Depois disso, a crucificação chega a ser um alívio, um bônus, um anseio.
Taí, a Dilma Caganer. E nem preciso dizer na cabeça de quem ela caga há quase quatro anos, né?