sábado, 5 de julho de 2014

Holanda x Esporte Clube Bahia

Não entendo picas de futebol, mas o básico, ainda que por involuntária osmose, acabo por absorver. E com o básico dá pra disfarçar, dá decifrar os rudimentos do esporte bretão. Por exemplo, a figura na página inicial da página do Google, a anunciar o próximo jogo de hoje da Copa do Mundo de Futebol.
O leão a trajar camisa laranja só pode representar, óbvio, a Holanda. Afinal, a cor laranja faz referência a William de Orange, um dos principais líderes da revolta holandesa durante a Guerra dos Oitenta Anos contra a Espanha, no século XVI. Os Geuzen (rebeldes) mudaram a cor vermelha na bandeira nacional não oficial para laranja, a fim de homenagear seu chefe. O leão é um símbolo heráldico do país, usado pela primeira vez por Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, por volta de 1515, durante o seu reinado da região que hoje é conhecida como Holanda, e o animal manteve um destaque no brasão do país.
Já uma a preguiça a tremular uma bandeira com as duas faixas azuis, a superior e a inferior em azul,  e uma vermelha, a central, só pode ser o Esporte Clube Bahia. Vejam se não tenho razão :
O Azarão é ou não é a enciclopédia viva do futebol?

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Valdemiro Santiago Vai Pagar Dízimo Para a Band TV

Entre 2009 e 2013, o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, comprava 22 horas diárias na programação do Canal 21 UHF, do Grupo Bandeirantes. Comprava, mas não pagava. Não pagou.
Valdemiro quis jogar um "deus lhe pague" para cima da emissora, um "quem dá aos pobres...", quis deixar sua dívida - especula-se um montante entre 13 e 21 milhões de reais - ao deus-dará. 
Deus lhe pague é o cacete, reagiu o Grupo Bandeirantes, e botou o apóstolo no pau.
A Justiça, que não foi a divina, ou quem sabe se não, afinal, se eu fosse deus, poria no rabo dessa pastorada toda, da padraiada não, que a maioria iria adorar, decidiu : 10% do faturamento da Igreja Mundial do Poder de Deus será penhorado para quitar a dívida que Valdemiro Santiago tem com o Grupo Bandeirantes.
Esses 10% se referem a todos os bens da denominação, inclusive a quantidade de ofertas e dízimos doados pelos fiéis.
Pããããta que o pariu!!! É o dízimo do dízimo! Valdemiro Santiago vai pagar dízimo para a Band. Haja rebanho para ser tosquiado, haja ovelhinha, vai ter que crescer lã até no cu das ovelhinhas.
Será que os 10% penhorados foram mera coincidência, ou o juiz que deu a decisão é um sacana genial, espirituoso e gaiato pra cacete? Talvez o magistrado queira fazer Valdemiro provar do próprio veneno, fazê-lo sentir o quanto dói ser extirpado em 10% de seus rendimentos.
Está na Bíblia, pastor Valdemiro : “o ímpio é que toma emprestado e não paga!”
Como eu já disse, não sei se foi justiça divina, Valdemiro ter que pagar dízimo, mas que foi uma puta duma justiça poética da parte do juiz, isso foi.
Chora, Valdemiro! Vai ter que encharcar muita toalhinha de suor pra sair dessa!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Jesus Não Vai a Aniversários de Evangélicos

Instado a esclarecer que história era aquela do tempo ser relativo, Albert Einstein, aos ouvidos comuns, às mentes triviais, deu a seguinte explicação, cheio de ironia e com bem-educado desdém : "Quando um homem senta ao lado de uma bela garota durante uma hora, parece que não durou mais que um minuto. Mas quando ele senta sobre uma grelha quente por um minuto, parece que durou mais do que qualquer hora. Isso é relatividade."
O eminente físico alemão só se utilizou da analogia da grelha quente, para ilustrar o quanto o tempo pode ser terrivelmente distendido, por uma única razão : nunca foi convidado para um aniversário de evangélicos!
Qualquer festividade ou celebração, qualquer reunião social, seja de que natureza for, é um vislumbre do purgatório, um ensaio para a danação eterna, isso não é privilégio dos evangélicos, mas festa de crente do cu quente é pior : não tem birita.
Dentro do raio de ação de qualquer aglomeração humana, e tenho certeza de que Einstein concordaria comigo, a gravidade torna mais tenazes, densos e pesados os seus tentáculos e aferra-se nos calcanhares do tempo, imobiliza-o - feito poço de piche, de areia movediça, feito chiclete e bosta de cachorro espalhados pelas calçadas do continnum espaço-tempo. Por isso, a quase totalidade das festas são regadas a álcool, com muita birita, o famoso mé. O sacrossanto álcool põe sebo nos calcanhares do tempo, torna-os escorregadios para os gravíficos tentáculos, que desliza, então, o tempo, célere mercúrio, por sobre a circunspecta e taciturna gravidade. O resultado final, o vetor resultante entre a chateação do convívio humano e a leveza dada pelo álcool, é que o tempo acaba transcorrendo em seu ritmo normal, uma coisa acaba por anular a outra e, assim, aniversários, casamentos, natais e anos-novos acabam por ser toleráveis.
Só que festa de evangélico, repito, não tem álcool. Nem álcool em gel, que daria pra gente passar numas torradinhas, nuns canapés.
Não sei de que evangelho profano, de que versículo satânico, os evangélicos tiraram isso, que festa não pode ter birita. Segundo o próprio livro de sandices que eles dizem seguir, Noé foi o inventor do vinho e Cristo transformou água em vinho, não em refrigerante, ou, castigo pior que as pragas do Egito, em suco de caju. O que sei é que festa de evangélico é pior que sentar o saco na grelha quente do Einstein.
E falo por experiência própria. Por triste empirismo.
Nos últimos tempos, devo ter entrado de gaiato em três ou quatro aniversários de evangélicos; sem contar um casamento católico sem festa, só a cerimônia na igreja, o que só foi comunicado ao fim da missa; soubesse antes, teria filado ao menos uma hóstia e dado uma talagada no vinho do padre.
Não que algum evangélico faça parte de minhas relações mais estreitas, não que algum evangélico me convide para uma reunião dos seus, ou que eu, ainda que convidado fosse, compareceria ao evento. Não por vontade própria. Não por meus próprios pés.
Estas barcas furadas são cortesias de minha esposa, que convive com alguns evangélicos em seu ambiente profissional e é mais observante que eu -muuiiito mais observante - dos preceitos de civilidade cotidianos guardados entre colegas de trabalho, ou seja, ela dá bom-dia quando chega, boa-noite quando vai embora, divide a mesa do almoço, pergunta pela melhora de algum parente enfermo etc, formalidades das quais eu já me desvencilhei desde a mais tenra idade.
Vai daí que, volta e meia, como recompensa pela sua boa educação, ela é convidada para uma dessas festas de camelo, em que ninguém bebe nada. O que prova, cabalmente, que nenhuma boa ação passa impune.
É um perigo, mesmo que em nome das bons modos e maneiras, fingir que gostamos e/ou que nos importamos com as pessoas. Elas acreditam. E aí você está fudido. As pessoas acham linda e maravilhosa a máxima de Saint-Exupéry : "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Emocionam-se às lágrimas. Consideram-na magistral. Magistral é o cacete! É uma maldição, isso sim. Primeiro que cativo é preso, encarcerado, forçado à escravidão; e segundo que quem cativou é que se torna cativo, adquire responsabilidade para com, fica atado à sua presa. Tô fora dessa coisa de cativar as pessoas.
O que sei é que, há uns 15 dias, eu estava prestes a entrar em outra dessa arapuca, todo tranquilo e inocente, achando que iria comer uns quitutes e tomar uns més na faixa : minha esposa, sabe-se lá por quê, não me avisara da natureza eclesiástica do aniversário; esquecimento, perversidade conjungal, vai saber.
Entramos no recinto. Ela a procurar com os olhos pela mãe do aniversariante e por outras colegas do trabalho que também se fariam presentes; meu filho, a procurar pela área dos brinquedos; e eu a procurar por minha única conhecida nessas festas em que vou a reboque, meio que clandestino, a cerveja.
Realizei rápida, porém, não ineficaz, varredura pelas mesas já ocupadas e nada da cerveja. Só água, coca-cola e suco de caju. Mirei meu scanner para as bandejas dos garçons e nada da loura gelada, só água, coca-cola e suco de caju. Nem precisava perguntar : eu estava, de novo, em um culto com bolo e velinhas. E, lógico (se bem que tá mais pra ilógico), Parabéns a Você com "derrama, senhor, derrama, senhor, derrama sobre ele o seu amor" no final.
Como não tenho mesmo assunto com ninguém - e sem cerveja, a coisa só piora -, fiquei a cuidar de meu filho nos brinquedos. E a olhar para aquele povo todo, na maior alegria, inebriados como se em leve torpor alcoólico. Não havia dúvidas : alguém estava a esconder o ouro, devia ter cerveja malocada em algum lugar.
Passei a observar melhor, a seguir discretamente alguns garçons, ver se eles tiravam algo de baixo do balcão, se, subrepticiamente, batizavam o refrigerante deste ou daquele convidado. E nada. Todo mundo ali estava a seco. Na maior sobriedade possível. Um puta porre!
De onde, então, aquele enlevo todo, aquele alegre entorpecimento? Caiu-me a ficha!
Goste eu ou não, queira admitir ou não, todo aquele êxtase com ares de embriaguez tinha uma única origem : Cristo. Jesus Cristo. O barato daquele povo era Jesus. Ter encontrado Jesus, sentir Jesus dentro de si e louvá-lo em irmandade é o que deixava aquele povo todo doidão. Aquele povo trazia Jesus dentro de si. Lidar com um tumor seria muito mais fácil.
Sem mais o quê, resolvi aderir ao velho ditado : "Em Roma, como os romanos".
Crucificar Jesus? Quem me dera, quem me dera... Mas não. Nesse caso, não. Nesse caso, precisamente o oposto : procurar Jesus, encontrar Jesus, deixá-lo entrar na minha vida, recebê-lo de braços abertos, em toda sua bondade e plenitude. Eu também queria ficar bêbado. Na falta da cerveja, Jesus.
Comecei a procurar pelo Nazareno como, momentos antes, procurara pela cerveja. Olhei pelo salão, para o convidado de cada mesa, para o rosto de cada garçon, olhei dentro da cozinha, na área dos brinquedo, até dentro do banheiro fui buscar Jesus. Nada. Pelo visto, e eu não lhe culpo, Jesus não vai a aniversários de evangélicos. Desisti da busca pelo filho do senhor.
Quando me viu de volta à mesa, estranhando minha ausência, mais longa que as habituais, minha esposa perguntou pelo meu paradeiro. Respondi-lhe que estive a procurar por Jesus. Ela riu, sabia que vinha merda, mas resolveu entrar no jogo, perguntou-me, para quê?
- Para ver se ele transformava uma jarra dessa água em vinho para mim, ou a coca-cola em cuba libre, ou o suco de caju em... o suco de caju não tem jeito, nada salva o suco de caju, nem Jesus, nem Jesus Salva. - respondi-lhe.
E nem a minha noite. Nada salvaria a minha noite.
Onde está Jesus, quando mais precisamos dele?

Quadro Vivo

"É tão claro pra mim essa escuridão
É um quadro vivo dentro do coração
Não me incomoda chorar 
quando a chuva começar
Todos os momentos que passamos
Sempre quero me lembrar
Quando tenho que esquecer
Mas o vento insiste em te trazer ..."
(Quadro Vivo, Kiko Zambianchi)

As Argentinas Batem um Bolão. Ou Dois, ou Quatro...

Já que eu tenho que aturar a Copa...
Ai, Mamacita!!!
E bota mamacita nisso!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Smartphones e Tablets : Os Professores de Uma Geração de Retardados

Mais uma da série "Eu te disse, eu te disse...", mais uma que o Azarão, por triste experiência própria, sabe de velho e que a ciência, só agora, começa a constatar : que celulares, iphones, smartphones e o caralho a quatro, ou seja lá como, a cada dia, resolvem nomear essas estrovengas eletrônicas, causam graves danos ao aprendizado, danificam os processos cognitivos mais básicos do ser humano, fritam, literalmente, sim a maioria desses aparelhos funciona à base de micro-ondas (a mesma do forno), o pouco cérebro que a maioria da população traz dentro da caixa craniana. E mais : são cancerígenos.
Sou professor. Trabalho - tento trabalhar - com jovens na faixa dos 14 aos 17, 18 anos e, diariamente, a cada minuto, deparo-me com jovens totalmente hipnotizados pelas telas desses aparatos. Olhem para o semblante de alguém a utilizar um celular : totalmente desprovido de expressão, embotado. Cara de pastel. Um verdadeiro paçocão. É obvio que aquela mente nada mais processa, nada mais digere; por ela, só há um tráfego absurdo e violento de informações fúteis, um estupro das sinapses, que de tão violentadas, que submetidas a tamanha dor, simplesmente optam por se abster do ato, desligam-se. O usuário contumaz desses aparelhos deixa de ser um espectador, capaz de perceber, discernir e avaliar o que lhe cai às vistas, passa a ser um mero retransmissor, a máquina o transforma em outra.
Façam um teste simples. Tomem alguém que tenha lido atentamente um livro (de papel) e lhe pergunte sobre sua leitura : em graus maiores ou menores de capacidade narrativa, o básico da história será contado a você, o cerne do assunto, do enredo, será lembrado. Por outro lado, tome um desses idiotas que passam o dia todo ao celular, conectado ao mundo, como eles dizem - a que mundo, cara-pálida? Pergunte a um verme desse por algum fato ou notícia interessante que ele tenha lido. Ele o olhará com uma cara cinza, não conseguirá contar nada, absolutamente nada; no máximo, lembrar-se-á de uma mensagem enviada a um amigo, ou recebida dele, os grunhidos cibernéticos que hoje eles chamam de linguagem.
Um jovem viciado nesses aparelhos vive alheio ao real, vive numa matrix dentro da matrix, é incapaz de perceber o mundo exterior, é incapaz de ler um simples texto e relacioná-lo com uma situação da vida real. Em suma : é incapaz de ler.
Tanto que - e por mais absurdo que lhes pareça o que direi a seguir, podem me acreditar - uma das "metas do milênio" da escola pública do estado de São Paulo é que o aluno saia de sua tutela, ao término do ensino médio, ou seja, com 17 para 18 anos, sabendo ler. Sim, sabendo ler. Conseguindo decifrar as diversas linguagens, textos, gráficos, tabelas etc. A meta da educação pública, hoje, é que o cara saia da escola, com quase 20 anos, sabendo ler. Pãããããta que o pariu!!!!!
Quando eu era aluno, nos tempos em que escola era escola, essa era a meta pretendida ao fim da primeira série do ensino primário. E evidente que fosse. Para prosseguir às séries seguintes, nós tínhamos, pasmem, que saber ler. E, que se arrepiem os pelos dos cus de todos os peidagogos escrotos desse país, saber as tabuadas do 2 ao 9 na ponta da língua, decoradas. DECORADAS!!!! Morram de infarto, peidagogos de bosta. E querem mais? Se não soubéssemos ler, éramos reprovados, justamente REPROVADOS!!! Morram de hemorragia nas hemorroidas, teóricos da educação da porra.
Claro que os aparelhos digitais não são os únicos culpados pelo semianalfabetismo nacional, os vejo como medalha de bronze. Em primeiro lugar, o descaso da maioria das famílias para com a educação de seus filhos, das famílias que terceirizam a criação de seus filhos para o Estado, para a maioria das quais a escola é só um lugar pra deixar os filhos enquanto estão no trabalho, um lugar onde seus filhos estão guardados, bem cuidados e bem alimentados. 
Em segundo lugar, a hedionda progressão continuada, que torna ilegal a reprovação do aluno até a sétima série do ensino fundamental, ou seja,  não existe reprovação legal, até a idade de 13 anos, para o aluno que seja frequente ao ambiente escolar, até a idade de 13 anos, o discente simplesmente não precisa estudar, não cria hábito de estudo, nenhum método ou disciplina, e qualquer órgão que não seja exercitado e desenvolvido na idade certa fica prejudicado para sempre; com o cérebro, não é diferente.
Por fim, em terceiro lugar, entram os celulares e outros que tais, para sedimentar a ignorância, para preencher o vazio deixado no cérebro por uma educação negligente e permissiva. No Brasil, eles não são, por enquanto, os desencadeadores do baixo aprendizado, são os arrematadores. No Brasil, os celulares têm dado o xeque-mate numa geração inteira de educandos, estão anulando as últimas chances de algum aluno, um dia, se interessar pelo verdadeiro estudo. 
Já ouvi e não foi só de um aluno : pra que ficar estudando, pra que ir na biblioteca, ler livros, resumir e fazer um trabalho? Tá tudo aqui, no Google. O sujeito acha que o Google é uma extensão do cérebro dele, que o que está no Google, ele sabe e domina. O sujeito que bem manipula um celular nada mais é que um mero chimpanzé mediamente adestrado, um rídiculo apertador de botões, mas por ser usuário de uma tecnologia de ponta, julga-se inteligentíssimo. Ao contrário, um retardado, um débil mental, um demente é o que ele é.
As conclusões que reproduzirei logo a seguir são parte do resultado de um estudo conduzido por dois grandes institutos norte-americanos, Sociedade Canadense de Pediatria e Academia Americana de Pediatria.O estudo trata somente dos prejuízos causados em crianças, mas garanto que eles podem ser também estendidos aos adultos. Como eu posso garantir? Podendo. Duvidam? Esperem, a ciência, um dia, lhes confirmará.
Abaixo, alguns resultados do estudo :
"Você deixa que seus filhos pequenos ou outras crianças tenham acesso a smartphones ou tablets? Pois saiba que isso pode acarretar uma série de problemas no desenvolvimento deles. Dois grandes institutos da América do Norte — Sociedade Canadense de Pediatria e Academia Americana de Pediatria — foram responsáveis por uma série de estudos bem profundos sobre isso. 
A conclusão a que chegaram é bem interessante. Segundo os especialistas, há diversos problemas causados pelos eletrônicos em crianças de até 12 anos.
1. Problemas de desenvolvimento cerebral 
Os cérebros dos bebês crescem muito rapidamente nos primeiros anos de vida. Até completar dois anos, uma criança tem seu órgão triplicado em tamanho. Nesse período, os estímulos do ambiente — ou a falta deles — são muito importantes para determinar o quão eficiente será o desenvolvimento cerebral. Alguns estudos mostram que a superexposição a eletrônicos nesse período pode ser prejudicial e causar déficit de atenção, atrasos cognitivos, distúrbios de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções.
2. Obesidade 
Você já deve ter ouvido alguma afirmação similar a: “As crianças do século 21 fazem parte da primeira geração de pessoas que não vai viver mais do que os próprios pais”. Um dos grandes motivos para isso é a obesidade, que pode sim estar ligada ao uso excessivo de eletrônicos. Estima-se que crianças com aparelhos no próprio quarto têm 30% mais chance de serem obesas do que outras.
3. Problemas relacionados ao sono 
A constante utilização dos aparelhos pode acabar gerando dependência em diversos graus diferentes. Um dos problemas relacionados a isso está no fato de que muitas crianças deixam de dormir para jogar, navegar ou conversar nos aparelhos. Além das consequências psicológicas causadas por isso, também é preciso lembrar que a falta de sono noturno pode gerar problemas de crescimento.
4. Problemas emocionais 
Há estudos de diversas partes do mundo ligando diretamente a utilização excessiva de tecnologia a uma série de distúrbios emocionais. Entre os mais citados pelos pesquisadores estão: “Depressão infantil, ansiedade, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento problemático”. Crianças tendem a repetir comportamentos dos adultos e de personagens que consideram referências. Logo, a exposição a jogos e filmes com violência excessiva pode causar problemas de agressividade também às crianças de até 12 anos.
5. Demência digital 
Psicólogos e pediatras dos institutos já mencionados afirmam: “Conteúdos multimídia em alta velocidade podem contribuir para aumento o déficit de atenção.”. Além disso, a exposição a isso também causa problemas de concentração e memória. O motivo para isso seria a redução de faixas neuronais para o córtex frontal, que acontece pelo mesmo motivo recém-mencionado.
6. Emissão de radiação 
A discussão sobre a relação entre o uso de celulares e o surgimento de câncer cerebral ainda é bem polêmica — e pouco conclusiva. Mas há algo em que os cientistas concordam: as crianças são mais sensíveis aos agentes radioativos do que adultos. Por causa disso, pesquisadores canadenses acreditam que a radiação dos celulares deveria ser considerada como “provavelmente cancerígena” para crianças.

Fonte : Tecmundo

sábado, 28 de junho de 2014

Mimetismos (9)

Bela foto! Quem emula quem? A borboleta camaleoneia o camaleão, ou o camaleão, em posição de casulo, pretende emergir lepidóptero, dragão?
Lembrou-me o célebre O Conto do Sábio Chinês, magistralmente adaptado - mimetizado - em canção por Raul Seixas, um dos grandes camaleões da música brasileira.
O Conto do Sábio Chinês
(Raul Seixas)
Era uma vez
Um sábio chinês
Que um dia sonhou
Que era uma borboleta
Voando nos campos
Pousando nas flores
Vivendo assim
Um lindo sonho...


Até que um dia acordou
E pro resto da vida
Uma dúvida
Lhe acompanhou...


Se ele era
Um sábio chinês
Que sonhou
Que era uma borboleta
Ou se era uma borboleta
Sonhando que era
Um sábio chinês...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Pequeno Conto Noturno (42)

É vodka o que rola hoje. Vodka e gelo siberianos com coca-cola ianque. A esta mistura, a este drink, como diriam os mais viadinhos, Rubens batizou de "Guerra Fria", o melhor tratado de paz que dois mundos, depois de décadas de litígio e delicado equilíbrio de poder, puderam estabelecer, a maior herança que puderam legar : álcool de cereais e propaganda de falsa felicidade engarrafada ou enlatada, embotamento e um iluso modo de vida como meta da existência. Pouco mais que isso é necessário para manter o domínio do planeta.
Rubens vem com dois Guerras Frias da cozinha : bem fraco o destinado a Isadora, praticamente fogos de artifício, não a quer ainda fora de combate; quase nuclear o seu, um megaton, que Rubens sempre achou mais bonito o brega Kremlin que a clean e impessoal Casa Branca.
- Esta deve ser o quê, a nossa terceira ou quarta ... - começa Isadora
- A quarta. Nossa quarta vez - Rubens ajudando-a em sua contabilidade.
- E isso num tempo de o quê, dois ou...
- Três. Praticamente três meses.
- E acha isso normal?
- Para mim, sim. Vejo pouco meus amigos.
- Amigos ?!?! Então, é isso que eu sou, uma amiga com quem você trepa, às vezes?
- Não sei porque você coloca a situação de forma tão depreciativa.
- Não? Nem desconfia, mesmo?
- Dá aqui seu copo, esse já era, vou reabastecer.
E Rubens caminha para a cozinha. Não para ganhar tempo e pensar no que responderá à Isadora, mas para respirar fundo, ganhar paciência para lhe explicar, o que nenhuma delas entende. Pelo canto do olho, percebe que Isadora, antes totalmente nua, exposta e largada na cama, sentou-se e puxou o lençol à cintura. Decide "carregar" um pouco mais na Guerra Fria de Isadora desta vez, ela estava se tornando indócil.
- Olha - começa Rubens, tomando um bom gole - quando eu quero, por exemplo, relembrar velhas músicas, filmes, livros e gibis, percorrer uns sebos da cidade, ligo pro Marcão, que lembra tudo do entretenimento das décadas de 80 e 90, mas que, por outro lado, não põe uma gota de álcool na boca, o Marcão; se eu quero sentar na mesa de um boteco, encher a cara, falar um monte de besteiras, ligo pro Hamilton, que não sabe a diferença entre o Arqueiro Verde e o Gavião Arqueiro, que acha que o Namor e o Aquaman moram na mesma cidade, mas que é um bom e firme copo, um fiel companheiro de ressacas, de festas e funerais. Quando eu vou a um sebo de livros antigos com um, o outro não se ofende, não fica com ciúmes; quando vou ao buteco com o outro, o um também não está nem aí, não fica com cobranças.
- E eu sou a amiga que você chama quando quer trepar, quando só uma punheta não resolve - e Isadora dá uma emborcada maior que a de Rubens, praticamente liquida o copo numa única talagada. De raiva.
- Continua colocando a coisa de uma forma torpe e distorcida.
- Torpe é a puta que te pariu! E pega outra dessa merda pra mim. Sem gelo.
Outra dose, muito mais cossaco que confederados, chega às mãos de Isadora, que entorna.
- Então, tá combinado, é quase nada, é tudo somente sexo e amizade? De quem é mesmo esta merda?
- Do Ritchie. Dele, gosto mais de "A vida tem dessas coisas", perdi a hora, mas encontrei você aqui. E como assim, somente sexo e amizade? Há algo que melhor se completem e justifiquem? Esferas que melhor se interseccionem?
- Me parece que você não pretende mudar essa situação, né? - Isadora, notando a potência da nova bebida e indo mais devagar; pretende abrir as pernas pra Rubens mais uma vez, ainda hoje,  mas não ainda, não vencida.
- Olha - prossegue Rubens em sua peroração -, eu sou capaz de manter uma amizade por décadas, já um namoro... e eu quero que você fique por um bom tempo.
- Sei, é melhor pra mim, né? Tá me cheirando ao típico canalha bonzinho.
- Posso ser o bonzinho canalha. Prefere?
- E é só o que você tem a oferecer no seu menu?
- Sou homem de precários dotes culinários.
Isadora ri, a bomba A foi desarmada; não obstante, seu poderio permanece incubado. Rubens ri também, vai na onda de Isadora, aproveita para aproximar-se
- Rubens... por acaso você vai me comer de novo agora?
- Acho que ainda preciso de uns minutos.
- Então para de brincar com meus mamilos.
- Me empolguei, me distrai...
- Sei... pega outra dose pra mim...
- A vodka já era - grita Rubens da cozinha -, vai de rum?
- Até querosene, se for só o que tiver. - E Isadora volta a se descobrir, a embriaguez lhe afogueia as faces, o peito, a bacurinha.
- E você não acredita mesmo em amizade sem sexo entre um homem e uma mulher?
- Só se um for gay. E se a amiga é que for sapata, o cara vai continuar pensando que um dia ainda come.
- Eu tô falando sério...
- Acredito, acredito sim. Com aquelas amigas que não me atraem sexualmente, ou com aquelas a quem eu não atraio da mesma forma, ou quando os dois têm interesses em trepar, mas imperativos ainda maiores se interpõem entre os dois nada pequenos querer e poder.
- E o que pode ser mais imperativo que o querer e o poder?
- O dever.
- E já aconteceu de? Uma amiga se sentir atraída por você e você não?
- Sim, poucas vezes, mas sim.
- E?
- Ela sofria.
- E de você querer transar com uma amiga e ela não?
- Sim, várias vezes.
- E?
- Eu sofria.
- E algum caso do dever empatando a foda do querer e poder?
- Sim.
- Aí os dois sofriam?
- Resignavam-se. Que é uma forma covarde de sofrimento.
- E quando tudo era recíproco? Os dois tinham tesão um no outro e o querer desembocava no poder? Se eu estou aqui...
- Íamos pra cama, durante um tempo. Depois, sofríamos.
- Do jeito como fala, parece que as relações entre as pessoas, seja a amizade, os amores, o sexo, são só protelações para o sofrimento, que, inevitável, virá.
Os dois calam instantes. Fazem escorrer pelo esôfago mais um licencioso e quente trago de rum e Isadora é que traz as palavras de volta.
- Acha mesmo que tudo deságua e acaba em sofrimento?
- E não é precisamente disso que estamos aqui a falar, o tempo todo?

Se Correr, o Bicho Pega... (Ou : Oroboros; Ou : a Síndrome de Kekulé)

- Como vai a vida, meu caro?

- Como vai a morte?, seria a pergunta mais oportuna e adequada.
Se não a morte clínica, oficial
A que enche de burocracia o legista,
Ao menos
A morte que é a do olhar que só olha
A da inércia dos gases nobres
A da indiferença dos cistos
Dos hibernantes.
Se não a morte da foice
-Vestida de cetim -,
A subexistência dos bonecos de cera.

- Deixa de viadagem, que você tá precisando é de tomar umas, vamos lá.

Brindam.

- E então, meu caro, como vai a morte?

- Um arremedo mal cerzido da vida.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Bíblia, o Livro da Família

Aí estão, mãe e filha, provavelmente, em sua prosaica leitura dominical, louvando o nome de Deus, nutrindo e restaurando seus espíritos conturbados com a palavra Dele, embevecidas e extasiadas diante de tanto conhecimento e bons valores.
"Lá ela cobiçou seus amantes, cujos órgãos genitais eram como os de jumentos e cuja ejaculação era como a de cavalos."

domingo, 22 de junho de 2014

Maradona, El Dedo de Dios

Estádio Azteca, Copa do Mundo FIFA de 1986 : após o zagueiro inglês Steve Hodge chutar a bola para o alto, Maradona correu na direção do goleiro Peter Shilton, pulou e jogou a bola por cima do adversário, vinte centímetros mais alto que ele. Com a mão, com o punho cerrado. O árbitro tunisiano Ali bin Nasser validou o gol , revoltando todo o time inglês.
Ao final do jogo, questionado sobre se tinha feito o gol com a mão, Maradona assim respondeu: “Lo marqué un poco con la cabeza y un poco con la mano de Dios”.
Foi o que bastou : o gol histórico de Maradona - e por que não dizer a façanha do argentino - recebeu um nome próprio e assim consta até hoje nos anais das Copas do Mundo : La Mano de Dios.
E a justa e implacável La Mano de Dios interveio em outras ocasiões em prol de Dieguito : no campeonato italiano de 1984-85, contra o Udinese de Zico, Maradona também já validara um gol dessa forma; na Copa do Mundo de 1990, na Itália, Maradona não marcou um gol, mas impediu, com La Mano de Dios, um gol da extinta União Soviética, e o árbitro sueco Erik Fredriksson também não viu nada.
Agora, mais de duas décadas depois, Don Diego Maradona volta a se valer de La Mano de Dios, ou, ao menos, de uma parte dela, de um certo dedo específico, o do meio.
Provocado por Humberto Grondona, filho do presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), que trouxe à baila a fama de pé-frio atribuída a Maradona, o craque ficou fulo da vida e, filho da puta como só ele, um filho da puta no melhor dos sentidos, um filho da puta genial, mostrou o dedo médio para as câmeras da tv.
É El Dedo de Dios!!!
Humberto Grondona, em seu twitter, disse que o gol de Messi só aconteceu porque, alguns minutos antes, Maradona havia se retirado do estádio. Grondona disse ainda que Maradona torce contra a Argentina. 
"Pobres estúpidos. O gol foi mérito de Messi, não tem nada a ver comigo", reclamou o ex-jogador, em seu programa deste sábado, 21/0.
E antes do gesto que só fará aumentar ainda mais a sua lenda, Maradona mandou um recado ao seu detrator : "o que eu estou usando, paguei com meu dinheiro. A Fifa não me deu nada". E na sequência, tão rápido quanto um pistoleiro do velho oeste, sacou de seu dedo médio e o disparou, rápido e certeiro.
Romário, craque brasileiro das antigas, daqueles que coçavam o saco em campo e cuspiam no chão, tão modesto quanto Maradona, proferiu certa vez : ''É o que eu sempre digo, Deus apontou um dedo para mim e disse: Esse é o cara'' 
Barack Obama, durante um aperto de mãos com o ex-presidente Lula, olhou para o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e disse, apontando para Lula: "Esse é o cara! Eu adoro esse cara!".
Tanto Romário quanto Obama estão equivocadíssimos!!!
Maradona é o cara!!!
A Romário, Deus pode até ter apontado um dedo - e decepado um de Lula -, mas foi para Maradona que Deus cedeu a própria mão.

Cepas Mutantes

A poesia
Em mim
Ataca em períodos curtos
Em surtos.
De malária
De dengue
Em pandemia de peste.

A poesia
Em mim
Musa a saquear-me
A deixar-me anêmico
De sangue e sêmen
Nômade a levantar acampamento
Quando minhas palavras descarnadas
Não conseguem pantografar
Sua vaidosa autoimagem.
Quando eu
Mero espelho
Me confundo
Me embaralho em meus pixels
E não produzo a imagem que lhe apraz.

A poesia
Em mim
Aconchega-se em minha cama
Em minhas cobertas
Em meu pau
Quando gordo antepasto lhe pareço.
Vai-se embora de madrugada
Sem recado nem bilhete
Quando lhe apresento
Minhas famélicas mandíbulas
Meu príapo sequioso de suas entranhas
De seus esgotos.

A poesia
Em mim
Chega em recidivas
Diva cheia de quereres
Infecta
Rói, corrói
Debelo-a
E ela se vai.

A poesia
Em mim
Volta
Madalena arrependida
Puta desvalida
Smpre disfarçada
Diferente de dantes
Chega-me em recaídas
Em cepas de vírus mutantes
Infecta
Rói, corrói
Debelo-a
E ela se vai

E volta
E se vai
E volta
E se vai.

A mim
Só resta manter a paciência
Só resta manter minha porta destrancada.
A mim
Só resta conservar-me vivo
(À espera dela)
Enquanto estiver saudável.

Células Obedientes

Tive que matar meu desejo
Pelo proibido
Pelo inalcançável.
O pelo convencionado, pelo acessível
Perdeu-se também.
Como célula saudável
Que támbém é desintegrada
Pelo bombardeio de cobalto radioativo
Despejado sobre as cancerosas.

Mortas as duas
Compreendemos
Tardia e irreversivelmente
Que o verdadeiro cancro
Eram as células que bem se dividiam
Que obedeciam cordeiras
Às fascistas leis da mitose.

Qual a Palavra Que Se Escreve Com a Pena Emprestada?

Ela era estrume úmido e quente
Para o besouro que ele sempre fora:
Encouraçado, criptografado.

Ela era manteiga de cacau
Para as rachaduras dolentes
Para as fissuras uivantes
Que ele,
Com eterna alma invernal,
Cuidara sempre de cultivar.

Ela era.
Desistiu-se.

Ele continuou-se.
Lábios fendidos
E perene nevasca íntima.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A Argentina é Campeã !!!

E vocês ainda vão torcer pra quem mesmo? Pro Neymar?
"Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom..."

Carta de Bukowski Aos Seus Detratores

Em 1985, após a reclamação de um leitor, a Biblioteca Pública de Nijimegen retirou de suas prateleiras o livro de contos de Bukowski intitulado Fabulário Geral do Delírio Cotidiano (em inglês, Tales of Ordinary Madness), sob a declaração de a obra ser “sádica, frequentemente fascista e discriminatória contra certos grupos (incluindo homossexuais).”.
Perguntado pelo jornalista Hans van der Broek sobre a censura de sua obra, o velho Buk lhe remeteu uma carta a respeito. A carta, ao contrário do esperado, não é um soco de um boxeador peso-pesado, não é aquele direto de direita que arranca do adversário sangue, dentes e a consciência; a carta é um tapa com luva de pelica, um primor de sobriedade, sobriedade que só os verdadeiros bêbados possuem, uma aula de esgrima verbal, com um sublime e indefensável touché no coração dos idiotas hipócritas, dos politicamente corretos.
Faço minhas palavra por palavra, vírgula por vírgula de Bukowski e as lanço feito lança a todos idiotas politicamente corretos metidos a censores. O polticamente correto é aquele sujeito totalmente desprovido de criatividade ou de qualquer outro talento, incapaz de escrever uma linha sequer de pensamento próprio, é aquele cara que, na época da escola, fazia parágrafo de três dedos e aumentava o tamanho da letra para conseguir preencher as 20 linhas mínimas da redação, é aquele cara que nunca conseguia acompanhar o ditado da professora, é o cara que carregava o material da "tia", que levava maçã para ela, que se oferecia para apagar o quadro-negro, é o cara que dedurava o coleguinha que estava a conversar ou a colar na prova.
O politicamente correto não só não sabe escrever - e por isso odeia os que, bem ou mal, o fazem -, ele também não sabe ler. E nem digo dele saber ler um jornal ou uma revista que não sejam sobre futebol ou fofocas da tv, digo dele não saber ler o mundo ao seu redor. Um analfabeto olha para um texto e nada entende, precisa de alguém que leia para ele, e vai acreditar no que lhe disserem; mais que isso, vai comprar e passar a defender, daí em diante, igualmente às palavras que lhes foram lidas, a interpretação dada ao texto por quem o leu. 
O politicamente correto olha para o mundo, para a realidade a lhe feder nas fuças e nada entende dele e, portanto, não o percebe, precisa de alguém que leia o mundo para ele, que lhe diga como as coisas funcionam e devem ser, e vai acreditar no que lhe disserem, vai comprar e passar a defender, daí em diante, igualmente às palavras que lhes foram ditas, a interpretação de mundo de quem o leu para ele.
E muitos são os que "leem" o mundo para o politicamente correto : a Bíblia e todas as religiões, os livros de História, Sociologia, Educação Moral e Cívica etc do ensino fundamental, a grande mídia de massa, os conglomerados televisivos e seus telejornais tendenciosos, suas telenovelas, seus sabadões e domingões.
Tudo o que o politicamente correto "sabe" já lhe chegou pronto, adquirido em embalagem colorida e brilhante na prateleira de um supermercado : "saber" solúvel, desidratado e de fácil digestão, ao qual basta acrescer água e aquecer.
Por isso, quando algo diferente do que "sabe" cai à sua frente, o politicamente correto fica puto, possesso. Não porque concorde ou não com o diferente, na verdade, ele nem chegou a pensar sobre, e nem chegará a, faltam-lhe algumas dezenas de pontos em seu Q.I. para tal, ele só sabe que é diferente e, então, esse reprovado na cartilha Caminho Suave do mundo reage à estranheza com a única arma que tem : a censura, o mandar calar a boca.
O politicamente correto não quer um debate de ideias, ele não está nem aí para as ideias dos outros, só não quer que elas apareçam à sua frente, ele só não quer se sentir incomodado em suas certezas, só não quer ter que processar novas informações, ele só quer continuar a ver o mundo de uma única maneira, quando múltiplas existem. Chamem o politicamente correto ao pensamento e ele os processará, os mandará para a fogueira.
Os politicamente corretos, como diz Buk em sua carta, "são pessoas pequenas, amargas, os caçadores de bruxas e os que pregam contra a realidade”
São caçadores de bruxas motivados pela inveja de não serem bruxas, por não serem possuidores de seus encantos, sortilégios e poções, por não saberem o que é voar em uma vassoura, madrugada afora, com a Lua cheia ao fundo.
Abaixo, a carta do velho Buk :

“22-07-85

Caro Hans van der Broek: 
Obrigado pela sua carta me contando que um de meus livros foi tirado da livraria de Nijimegen. E que ele é acusado de discriminação contra negros, homossexuais e mulheres. E que ele é sádico por causa do sadismo. 

As coisas cuja discriminação eu temo são humor e verdade. 

Se eu escrevo coisas ruins sobre negros, homossexuais e mulheres é porque aqueles que conheci eram assim. Há muitos ‘maus’ – maus cachorros, má censura; há até ‘maus’ homens brancos. Apenas quando você escreve sobre “maus” homens brancos eles não reclamam a respeito. E eu preciso dizer que há ‘bons’ negros, ‘bons’ homossexuais e ‘boas’ mulheres? 

Em meu trabalho, como escritor, eu apenas fotografo, em palavras, o que vejo. Se eu escrevo sobre ‘sadismo’ é porque ele existe, eu não o inventei, e se algo hediondo ocorre em meu trabalho é porque tais coisas acontecem em nossas vidas. Não estou do lado do mal, uma vez que algo como o mal existe em abundância. Em minha escrita eu nem sempre concordo com o que acontece, muito menos me arrasto na lama puramente por sua causa. Também, é curioso que as pessoas que fazem críticas a meu trabalho parecem ignorar seus trechos que falam de alegria e amor e esperança, e tais trechos existem. Meus dias, meus anos, minha vida tem visto altos e baixos, luz e escuridão. Se eu escrevesse só e continuamente sobre a ‘luz’ e nunca mencionasse os outros, então como artista eu seria um mentiroso.

A censura é a ferramenta daqueles que precisam esconder realidades de si próprios e dos outros. Seu medo é apenas sua incapacidade de encarar o que é real, e eu não posso descarregar ódio nenhum sobre eles. Eu apenas sinto essa tristeza aterradora. Em algum lugar, em sua criação, eles foram protegidos contra os fatos totais de nossa existência. Eles foram ensinados a olhar de apenas uma maneira, quando muitas maneiras existem.

Eu não fico alarmado que um de meus livros tenha sido caçado e desalojado das prateleiras de uma biblioteca local. De certa forma, estou honrado por ter escrito algo que tenha acordado essas pessoas de suas profundezas inertes. Mas me machuca, sim, quando o livro de alguma outra pessoa é censurado, pois aquele livro geralmente é um grande livro e há poucos como aquele, e através dos tempos aquele tipo de livro frequentemente se tornou um clássico, e o que uma vez foi chamado de chocante e imoral é agora uma leitura obrigatória em muitas de nossas universidades. 

Não estou dizendo que meu livro seja um desses, mas estou dizendo que, em nosso tempo, nesta época, quando qualquer momento pode ser o último para muitos de nós, é irritante e absurdamente triste que ainda tenhamos entre nós as pessoas pequenas, amargas, os caçadores de bruxas e os que pregam contra a realidade. Ainda assim, eles também estão conosco, eles são parte do todo, e se eu não escrevi sobre eles, eu deveria, talvez o tenha feito aqui, e isso basta. 

Que todos nós fiquemos melhores juntos,

seu,

(Assinatura)

Charles Bukowski”

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A Insônia é Uma Camponesa de Tetas Grandes

A insônia não é má
Não é vilã
Não é malsã.
A insônia é um alerta
Contra a pouca vida desperta
Contra a aridez
Contra a miragem deserta.
A insônia é uma camponesa suíça
De faces coradas
De tetas grandes
A oferecer sua buceta de quatro num monte de feno.

Mas preferimos o sono irrefreável
O calmante, a tarja preta, o álcool
O fim de noite em frente à TV
A broxidão.

O sono irrefreável é a sentença de prisão perpétua
É a pena de morte
A injeção letal
A bala na nuca
A guilhotina no pau.

O sono irrefreável é o cansaço e a capitulação da insônia
(tantas você fez que ela cansou, porque você, rapaz, abusou da regra três)
É a bengala do cego
É o desenganar do médico.
O sono irrefreável
É a eutanásia do ego.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Verde-Amarelo Bissexto

Bandeiras nos carros
Nos postes
No asfalto 
Nas vitrines das lojas
Nas crianças :
Estrelas sob o maleitoso e lombriguento sol tropical.
A baderna, a falsa cordialidade
O caos analfabeto
Pardo e desdentado
A escarrar na Ordem e no Progresso.
Bandeiras nas bundas
- alguns cus até que bem traçáveis -,
Nos peitos
- alguns até que suculentos, balouçantes, até que bem mamáveis -,
Mas o verde-amarelo quadrienal é que fode tudo,
É o patriotismo de quatro em quatro anos,
O patriotismo dos que andam de quatro é que me derruba :
O verde-amarelo bissexto é que me broxa.

O Verdadeiro Efeito Dominó

domingo, 15 de junho de 2014

Pequeno Conto Noturno (41)

Algumas dezenas de bucetas,
Um ou outro mais descuidado cu.

Seis ou sete paixões atrozes,
Duas paixões algozes,
Apenas uma albatroz : Ela.

Com Ela
A Lua
(ainda que tímida)
Nunca se esvaziaria
A noite
(ainda que acordada)
Nunca seria em claro
A folha
(ainda que sem pauta)
Nunca ficaria em branco.

A tristeza nunca mais teria alegria
O repetido seria raro
A ressaca jogaria no time reserva, só esquentaria o banco.

Com Ela
- Rubens tem certeza -
Tudo poderia ter dado certo...

Por isso, não deu.

sábado, 14 de junho de 2014

Homens São de Ma(o)rte

E não é que faz sentido?

A Pitty Sempre me Deixa de Boca Aberta

Pitty faz um rock básico, direto, honesto. E isso é tudo o que o rock tem que ser, é tudo ao que ele sempre se pretendeu : básico, direto, honesto.
Rock progressivo, sinfônico... Merda, tudo merda. Ou, se não merda, também não rock, pura enganação.
Pitty goza de prestígio entre os rockeiros da velha guarda, já ouvi Marcelo Nova e Roberto Frejat - que não são bobos nem nada, que além de rockeiros também são machos das antigas - tecerem grandes elogios à arretada Pitty.
Não bastasse, Pitty é gostosa, gostosíssima!!!! Pitty é para ver e ouvir!
Ela lança agora seu novo CD, Sete Vidas, o quarto de sua carreira solo, em cujas faixas mantém a mesma linha, a mesma qualidade de sempre. A canção carro-chefe é a que dá o título ao CD e que, como sempre acontece, não é a melhor do disco, é legalzinha, mas longe de ser a melhor. Muito superiores à Sete Vidas são as Pequena Morte, A Massa e Boca Aberta, sobretudo esta última, cuja letra reproduzo a seguir. Essa é a Pitty, sempre  me deixando de boca aberta. Você também não fica? Rock é isso : guitarras sujas, voz rouca de travesseiro, pernas e roupas de couro.
Boca Aberta
(Pitty)
Êta alma, buraco sem fundo
Que se vive tentando preencher
Com deuses, com terapia
Cartão de crédito, academia
Um trago, carros velozes
Carinhos fugazes, manhãs atrozes
Em incríveis e intermináveis noites
Da mais besta e vã alegria

E é sempre essa boca aberta
Tragando tudo pelo caminho

De tudo que se aproveita
De tudo só quero o agora
Amanhã acordo e resmungo
Eu quero minha vida de volta

Êta alma, buraco sem fundo
Que se vive tentando preencher
Com corpos, com copos, com credos
Amigos ternos, amores cegos
Com beleza ou poesia
Aquela penumbra que anuncia o dia
E faz o ontem deixar de ser

E é sempre essa boca aberta
Tragando tudo pelo caminho

De tudo que se aproveita
De tudo só quero o agora
Amanhã acordo e resmungo
Eu quero minha vida de volta

De tudo que se aproveita
De tudo só quero o agora
Amanhã acordo e resmungo
Eu quero minha vida de volta

Minha vida de volta
Minha vida de volta
Minha vida de volta

E é sempre essa boca aberta
Tragando tudo pelo caminho

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Onde o Brasileiro Gosta de Sentar o Seu Cu?

Trecho da famosa carta deixada pelo imperador Vespasiano (41 dC) a seu filho Tito (79 dC), na qual, mais que um império, lega a Tito dicas valiosíssimas de como governar as massas.
22 de junho de 79 d.C.
"Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória.
Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro." 
(clunis significa nádegas, o famoso bundão)
 À esquerda, um homem cagando na lixeira da recepção de um posto de saúde público, em Garanhuns (PE); o homem, com múltiplos ferimentos, foi obrigado a se aliviar ali, às vistas de todos, porque o banheiro do posto estava interditado, sem condições de uso; ao fundo, uma mulher observa, jogada à uma maca no corredor. À direita, os 12 estádios-sede da Copa 2014.
Mas não tenham dúvidas nem nutram muita pena, se ainda vivos hoje - a foto é de junho de 2013 -, tanto o cagão quanto a convalescente mulher estão a torcer fervorosamente pela seleção brasileira de futebol.
Não dê ouvidos a esses poucos [que prefeririam leitos decentes em hospitais e mais bancos escolares], o povo quer mesmo sentar seu bundão numa arquibancada de futebol. Para cagar ou estudar, qualquer lixeira lhe serve.

Para ler a carta a Tito na íntegra, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.