domingo, 9 de novembro de 2014

Copa do Mundo de Peladas Acontece na Holanda

País civilizado, de primeiro mundo, com cultura e tradições milenares, que honra sua origem e história e, ao mesmo tempo, tem os olhos no futuro, é mesmo outra coisa. Enquanto aqui no Brasil somos obrigados a olhar para as caras horrorosas e excomungadas de Neymar, Ronaldinho Gaúcho etc, a fiel torcida holandesa é brindada com a Copa do Mundo de Peladas.
Futebol arte porra nenhuma. O negócio é bater bola no campinho, as duas. É deitar e rolar na grama alta e entrar com bola e tudo, as duas.
O árbitro da Copa do Mundo das Peladas foi o ex-atacante holandês Andy van der Meijde, que fez o sacrifício de mediar as acirradíssimas partidas entre as seleções de mulheres seminuas. Na foto, Andy van der Meijde aparece abraçado à seleção campeã, a holandesa, as laranjudas mecânicas. E é cada laranjão... 
Ao fundo, da esquerda para a direita e de cima para baixo, estão as seleções brasileira (de amarelo), espanhola (de vermelho), russa (de rosa), alemã (de preto), italiana (de azul), portugesa (de branco) e argelina (de roxo).
E, na Copa do Mundo das Peladas, a melhor hora nem é a do jogo, longe disso. É a hora de ir pro chuveiro. Imaginem só a confraternização, todas molhadas, ensaboadas...

Por Enquanto

Enquanto o cansaço
Não muda o rumo de seus passos
Não muda sua rota
Insiste em fazer de mim 
Um de seus pontos turísticos...

Enquanto a preguiça
Não faz as pazes com Macunaíma
E pra se vingar dele
Se oferece a mim como ninfeta traquinas
Instala minas no meu do-in...

Enquanto a velhice
For vírus sem vacina
Em eterna recidiva
Que não se combate 
Com dipirona, ibuprofeno, paracetamol
AZT ou coquetel...

Que desça lá
Então
Um coquetel
De frutas
Bloody Mary
Marguerita
Mojito
Dry Martini...

Enquanto minha dor 
Se recusar em ir para uma clínica de reabilitação...

Enquanto a morfina e Morpheus
Não forem os itens primeiros
Sem impostos
Da cesta básica do poeta.

sábado, 8 de novembro de 2014

64 Neles Outra Vez Brasil !!!

"Uma reportagem da "Telesur" expõe a aproximação entre o governo bolivariano da Venezuela e o MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Representantes revolucionários estariam treinando o MST em território brasileiro." - Folha Política.
 
No distante e saudoso ano de 1986, o Hino Nacional de Joaquim Osório Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva foi substituído por um diferente brado retumbante de um povo nada heróico : "Ô, ô, ô,ô, ô,ô,ô,ô /Um grito novo a torcida uniu /70 neles outra vez Brasil /Ô, ô, ô,ô, ô,ô,ô,ô /Um grito novo a torcida uniu /70 neles, 70 neles /70 neles outra vez Brasil".
Era a música 70 Neles, gravada por Gal Costa. Era a Copa do Mundo de futebol de 1986, no México. 70 Neles foi o Hino da Copa de 86, o grito de guerra nacional. Que Copa do Mundo, ó Brasil, é a única ocasião em que um filho teu não foge à luta e nem teme se lhe desafia o peito a própria morte.
70 Neles virou uma praga, invadiu as ondas das rádios e TVs, navegando em cada frequência o espaço nosso nessa decadência. Tornou-se viral, como se diz nos dias correntes. Também era época dos LPs de vinil e das fitas cassetes. Muitas vezes, eu estava lá, de tocaia a tarde inteira, à espreita de que tal música tocasse na rádio para eu acionar o REC do gravador e registrá-la em ferro ou cromo. No meio da música, o porra do disc-jóquei soltava a vinheta : "Ô, ô, ô,ô, ô,ô,ô,ô /Um grito novo a torcida uniu /70 neles outra vez Brasil. Pããããta que o pariu. Mas minha vingança não tardaria. Volto a ela daqui a pouco.
A voz de comando de 70 Neles era bem clara. Um conclame ao povo e à sua seleção de futebol para que invocassem das profundas e reencarnassem o espírito inquebrantável da seleção de 1970 - Tostão, Gérson, Rivelino, Pelé. Para que enfrentássemos o inimigo - italiano, sueco, frânces, holandês - e o abatêssemos sumariamente, sem lhe dar chance de defesa, apelação ou recurso. Para que enfiássemos goela abaixo e rabo adentro do adversário toda a técnica, habilidade e malícia do futebol brasileiro. Para que fizéssemos do nosso futebol arte, do nosso futebol moleque, o Waterloo das outras seleções.
E exército para isso, parece que tínhamos. Sócrátes, Zico, Falcão, Júnior, Branco, Careca etc; por alguns hereges do esporte, considerado um time mesmo superior ao de 70.
Não obstante a afinada Gal Costa, a seleção sentou na guacamole já nas quartas de final. Perdeu para a França, no inesquecível pênalti chutado por Zico, para fora. Acho que a Gal Costa zicou o Zico. O fatídico chute para fora deu origem à maldição dos pênaltis. Até hoje, uma decisão por pênaltis faz a seleção tremer nas bases, faz amarelar o escrete canarinho.
Jogo perdido, a minha vingança. Liguei para a rádio, o locutor atendeu e eu disse que gostaria de pedir uma música. Pode pedir, respondeu-me. Facilmente notava-se o tom de desânimo em sua voz - o jogo mal acabara há uns 5 minutos. Mandei na lata : toca 70 Neles!!! Só ouvi o telefone sendo batido na minha cara e um "filho da puta" ao fundo. Que cara mais sem esportiva, caralho.
Pois um novo Hino se faz agora necessário, um novo brado retumbante. Um novo conclame de enfrentamento ao inimigo. Que não são as seleções adversárias. Que é o mesmo inimigo de 50 anos atrás. Que já existia na época da Copa de 70, mas que estava muito bem guardado nas prisões e porões.
Deixo aqui já o título, para que alguém mais habilidoso que eu vista-lhe de letra e música : 64 Neles!!!
64 Neles outra vez Brasil!!!
Mas é bom que fique claro : 64 Neles, em quem, cara-pálida? Na canalha vermelha, lógico.
No comunista safado que quer ter seu carro, sua casa, sua propriedade privada, enfim. Ou seja, usufruir do conforto e das vantagens do capitalismo sem, no entanto, trabalhar para isso, sem pegar no batente. Tudo na base da "justiça social".
64 na moleira do vermelho de boutique, que prega a justa divisão de renda. Renda de quem, cara-pálida? Dos outros, óbvio. Trabalhar está fora de questão para ele. Para ele, trabalhar é fazer passeata e participar das reuniões do sindicato.
64 no rabo do vermelhoide de farmácia, do rubro falso, fake, fingido, tingido de ruivo : o comunista Wellaton! E tá cheio de comunista Wellaton no Brasil (o Chico, no caso, é o comunista L'oreal, de Paris). 64 Neles outra vez Brasil. Farpa de bambu embaixo das unhas, choque no saco, sertanejo universitário o dia todo e a máximo volume.
Para o restante do povo, para o trabalhador, para o ordeiro - que é o grosso da população -, a democracia, a liberdade de expressão. O direito garantido e eterno de manifestar sua opinião, seja entre colegas do trabalho, seja na mesa do bar, entre familiares, nas filas dos mercados, dos bancos, de ônibus, nas urnas. Que exprimir sua opinião de forma disciplinada e pacífica é mais que salutar. Liberdade para quem merece a liberdade, para quem não quer tomar o que é dos outros para si.
Para o comunista Wellaton? Não há dúvidas : 64 neles outra vez Brasil!

Em tempo e a esclarecer : o parágrafo inicial dessa postagem é um excerto de uma notícia dada pela TV venezuelana TeleSUR, segundo a qual a Venezuela firmou acordo com o Movimento dos Sem-Terra do Brasil, para dar-lhes treinamento. Treinamento em quê? Técnicas de cultivo, irrigação, adubação verde? Porra nenhuma. Doutrinação comunista, isso sim. Quem sabe até técnicas de combate e guerrilha urbana. O Itamaraty investigará a questão. Pois é um sério agravo à soberania nacional. Se só isso já não for uma boa razão para uma intervenção militar, eu não sei mais o que é. O PT, lógico e como sempre, disse que não sabe de nada. Para quem queira ler a reportagem na íntegra, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (6)

Essa é um dos grandes clássicos do verdadeiro sertanejo. E da cornagem, claro. Já foi gravada por um monte de duplas de chifrudos, Chico Rey e Paraná, Milionário e José Rico, Christian e Ralf etc
É o corno curioso. Leva a galha e está preocupado em saber que é o seu parceiro, o MST que invadiu seu latifúndio.
Quem Será o Seu Outro Amor?
(Edelson Moura)
Vi os seus olhos brilhando de tanto amor
Então resolvi me entragar completamente
Você se tornou o meu mundo
E a mais pura verdade
Felicidade eu conheci te amando loucamente


Você me ensinou os caminhos do amor verdadeiro
Tudo o que você dizia eu acreditava
Quase morri no momento em que fiquei sabendo
Que te perdendo para outro eu estava


Quem será seu outro amor
Porque me traiu desse jeito
Vem arrancar essa dor

Que você colocou dentro do meu peito

Quem será seu outro amor
Porque me traiu desse jeito
Vem arrancar essa dor
Que você colocou dentro do meu peito

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Calendário Fúnebre-Erótico Revolta a Igreja Católica Polonesa

A empresa Lindner, a gigante polonesa do ramo dos paletós de madeira, tem a tradição de aliar o visual de belas, gostosas e seminuas modelos à imagem de seu produto, os caixões de defunto, como forma de alanvancar as vendas e tirar o pé da cova.
Como ocorre, diga-se a propósito, com 90% do material publicitário do planeta. É peito para vender pasta de dente, é bunda para vender macarrão instantâneo, é xavasca para vender sabão em pó, e por aí a coisa vai. E registro aqui que isso não é uma reclamação de minha parte.
Todos os anos, desde 2010, a Lindner lança calendários em que cada mês do ano é representado por um tipo de caixão de seu vasto e varíadissimo mostruário e uma gostosa em trajes sumários, biquinis, lingeries etc. A bom exemplo:
Acontece que na recém-lançada edição do calendário para 2015, a Lindner resolveu escancarar : arrancou a pouca roupa que havia em suas garotas-propaganda, todas as modelos estão nuas em pelo (modo de dizer, uma vez que, infelizmente, a depilação zero ganhou a simpatia e a adesão de todas as bucetas do mundo).
Foi o que bastou para causar indignação, revolta e protesto. Sabem em quem? Claro. Na Igreja Católica polonesa. O calendário mórbido-erótico fez com que a Lindner incorresse a santa ira da Igreja Católica. Os padres e os bispos ficaram furiosos. Possessos. Só não digo que ficaram excitados. Para isso, teria que ser um daqueles calendários norte-americanos com bombeiros musculosos de torsos nus e respectivas mangueiras a lhes fazer volume nas calças. 
A Igreja considerou a campanha "inapropriada". Um porta-voz da Santa Sé da Polônia disse que a morte humana deve ser tratada solenemente e não misturada a sexo.
Tratada solenemente como, padraiada? Com tortura e morte na fogueira? Ou como os assistidos por Madre Teresa de Calcutá, mantidos à míngua, à beira do limiar de sobrevivência, minimamente vivos para que continuassem a servir de chamariz para doações internacionais? Sim, a boa velhinha não era tão boa assim. O grosso das doações desaguava torrencialmente nos oceânicos cofres do Vaticano. Para os miseráveis, pouca coisa ficava. Para que continuassem miseráveis. Para que continuassem a atrair dinheiro.
E por que morte e sexo não podem ser misturados? Valha-me T.S. Eliot, a resumir a vida : "Nascimento, cópula e morte. Só isso. Só isso."
E por que uma gostosa em cima de um caixão é ofensivo e sacrílego? 
Por acaso, o esquife mortuário é um dos símbolos sacrossantos da Igreja Católica? A melhor dizer, uma de suas patentes, de suas marcas registradas, de seus copyrights, de suas marcas de fantasia (literalmente)? Ainda se fosse a cruz, vá lá! 
Aliás, vá lá, porra nenhuma. Ainda que fosse a cruz, de sua utilização profana, só teriam direito de se queixar, os romanos. Que no cristianismo, até seu símbolo máximo foi criação de outrem. O próprio Cristo nada mais é que uma compilação, um condensado de outros mitos anteriores - Osíris, Mitra, Krishna e sei lá mais quantos -, um amálgama de plágios.
A morte de nove milhões de pessoas pelas mãos da Inquisição Católica não é ofensivo, né? Tampouco a pedofilia institucionalizada. Nem a pregação contra a camisinha na África, o continente mais infectado pelo HIV. Muito menos o exército de freiras aborteiras, as fazedoras de anjos, mantido pela Igreja desde a Idade Média. Muito se fala dos padres, mas as esposas de Cristo também não são de melhor laia. Muitos anjinhos já foram feitos e mandados ao Senhor pelas freiras. Nada disso é ofensivo, né?
Ofensivo é um ensaio de nu artístico fúnebre-paudurescente.
Passou da hora da Igreja se tocar de que não está mais na Idade Média, desgraçada época em que mandava no mundo ocidental. Passou da hora da padraiada parar de meter o bedelho no que não é de sua competência. De parar com essa conversa mole de que a Igreja é a bússola moral da humanidade. Pois a porra dessa bússola já desmagnetizou faz tempo. Se é que um dia funcionou.
Que a padraiada cuide só do que entende e do que lhe cabe : tosquiar seus rebanhos.
Por que as imagens do calendário ofenderiam? Quem é que nunca sonhou com uma gostosa dessas em cima de si? E se não for em vida, por que não na morte? Afinal, a esperança é a última que morre.
O dono da companhia, Zbigniew Lindner, defende-se : "Queremos mostrar que um caixão não deve ser um objecto sagrado. É mobília, e é a última cama em que vamos dormir. Um caixão não é um símbolo religioso. É um produto. E muito trabalho é aplicado nos nossos caixões, que só são vistos durante uns momentos, nos funerais".
Não tinha nem que ficar se explicando e dando satisfações para a padraiada, não. Tinha era que mandar a Santa Sé tomar no meio de seu santo rabo.
E para encerrar a postagem com chave de ouro, a página do mês de abril de 2015
Só não entendi o que o mané tá fazendo aí na foto, com essa xícara na cabeça.
Se quiserem ver todos os meses do calendário de 2015, bem como os das edições de 2010 a 2014, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O Mestre Olavo de Carvalho

Bukowski - Meus Companheiros

Quem disse que o velho sujo Bukowski é um cara antissocial, insensível, grosseirão, que não nutre a menor solidariedade ou afeição por seus pares? Pois o velho safado Buk também tem seus momentos de vulnerabilidade, de sentimentalismos.
Prova é esse poema abaixo, em cujos singelos versos ele expressa toda sua afabilidade e simpatia por seus colegas escritores.

meus camaradas 
aquele ali ensina
aquele outro vive com a mãe.
e aquele outro é sustentado por um pai alcoólatra e rubicundo
dono de um cérebro de mutuca.
aquele ali toma boletas e vem sendo sustentado pela
mesma mulher há 14 anos.
aquele outro escreve um romance a cada dez dias
mas ao menos paga o próprio aluguel.
aquele ali vai de lugar em lugar
dormindo em sofás, bebendo e proferindo seus
discursos.
aquele ali imprime seus próprios livros numa máquina
copiadora.
aquele outro vive num vestiário abandonado
num hotel em Hollywood.
aquele parece saber como arranjar tostão depois de tostão,
sua vida é um preencher de formulários.
aquele ali simplesmente é rico e vive nos melhores
lugares enquanto bate às melhores portas.
aquele lá tomou café com William Carlos
Williams.
e aquele ali ensina.
e aquele lá ensina.
e aquele ali piblica livros de auto-ajuda sobre como fazer
as coisas e usa uma voz dominadora e cruel.

eles estão em todo lugar.
todos são escritores.
e quase todo escritor é poeta.
poetas poetas poetas poetas poetas poetas
poetas poetas poetas poetas poetas poetas

a próxima vez que o telefone tocar
será um poeta.
a próxima pessoa a bater à porta
será um poeta.
aquele ali ensina
e aquele outro vive com a mãe
e aquele lá está escrevendo a história de
Ezra Pound.
oh, irmãos, somos as mais doentes e
as piores criaturas da raça.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mimetismos (11)

De vampiros viados, tá cheio por aí. Com o advento e o funesto alastramento da série Crepúsculo, virou moda o vampiro emo, o vampiro sensível - com sentimentos, remorso, dramas de consciência -, o vampiro metrossexual, ou seja, o vampiro com comichão na rabiola, que só uma boa, grande, taluda e roliça estaca de carne e veias pode apaziguar. 
O que mais tem, hoje em dia, é vampirinho alegre e saltitante. A Transilvânia se tornou em uma das maiores mecas gays do planeta. Só perde para São Francisco, Pelotas e Campinas.
Vampiro viado, tá cheio. E veado vampiro? Pois existe.
É o cervo almiscarado com dentes de vampiro, natural do Afeganistão. Os caninos só ocorrem em machos da espécie e são usados como arma na disputa pelas fêmeas. Sim, ainda existem vampiros que gostam de fêmeas. Mas são raros, cada vez mais. A foto acima foi feita na sexta-feira passada (31/10) e o animal foi o primeiro cervo vampiro visto desde 1948.
Vampiros machos ainda existem, mas beiram a extinção.
Peter Zahler, diretor da entidade Wildlife Conservation Society (WCS), a responsável pelo avistamento do raro espécime, disse que o animal "é um dos tesouros vivos do Afeganistão".
Do Afeganistão, não, caro Peter. Do mundo, do mundo...

domingo, 2 de novembro de 2014

Relâmpago e Viril

Algumas letras da MPB são de um esmero lírico incomparável. Afirmo que único em todo o mundo. Irreproduzível no cancioneiro popular de qualquer outro país, seja lá o idioma que fale. De um apuro poético quase que parnasiano. Hermético, muitas vezes.
Uma dessas letras é a da canção Chuvas de Verão, considerada brega, cafona, música de rádio AM, assim como seu intérprete, José Augusto. Besteira. Lirismo puro.
Quem tem, digamos, trinta anos ou mais, conhece-a com certeza. Pode até nem ter comprado o vinil, nem a gravado em fita cassete, nem ligado para a rádio e pedido sua execução, nem comprado o CD, nem tê-la em sua playlist, mas que a conhece, isso conhece.
Depois de muito tempo, ouvi-a no Boteco do Ratinho desta quarta-feira. Para quem não sabe, o Boteco do Ratinho é um quadro do Programa do Ratinho em que é montado o cenário de um bar no palco. Tem lá algumas mesas, umas cadeiras, um balcão, garçonetes a circular. Cada mesa é ocupada por um cantor, cantora, grupo musical, dupla etc, que se revezam em apresentações no palco e em conversas informais com o Ratinho. No mais das vezes, o Boteco do Ratinho nos oferece o mais do mesmo dos outros canais da TV aberta, só cantores, duplas e grupelhos da moda, ou seja, um cardápio nada variado com o lixo que sustenta o mercado fonográfico do país. Às vezes, porém, o Boteco faz edições especiais e leva o pessoal das antigas, da velha guarda de todos os estilos da MPB. Nesta quarta-feira, estavam lá José Augusto e Trio do Brasil, este último a comemorar 40 anos de carreira.
E desde quarta-feira que Chuvas de Verão ficou grudada na minha cabeça, estou ocupado em meus afazares, sem nem pensar nela e ela vem. Escrevo agora sobre ela, quem sabe, com a intenção de exorcizá-la, de deschicletá-la da mente. Abaixo, a primorosa letra, com alguns versos em negrito para posteriores comentários.
Chuvas de Verão
(José Augusto)
Veio feito nuvem numa ventania
Cheia de paixão, tarde de verão, chovia
Entrou pelos meus olhos
Sutil e tão fugaz
Fera fugitiva numa tentativa de paz

Relaxou meus nervos, sentimento alado
Senti minar na pele o transpirar de leve, pecado
Revirei teus poros, relâmpago e viril
Rajada de vento em beijos turbulentos, seduziu

Navegar teus sonhos, regar teu sentimento
Orvalho de amor, flor de pensamento
Nuvem passageira, inverno de paixão
Amor de primavera em chuvas de verão

Fera fugitiva numa tentativa de paz... pããããta que o pariu! É do caralho ou não é? É do mesmo naipe que a clássica Fera Ferida, de Roberto Carlos - tive as roupas e os sonhos rasgados na minha saída...mas saí ferido, sufocando meu gemido -, se não lhe for superior.
Senti minar na pele o transpirar de leve, pecado... Querem maneira mais educada, mais eufemista, mais delicada de dizer que tá ficando de pau duro?
E o grand finale, a pièce de résistance, a chave de ouro, a cereja do bolo : Revirei teus poros, relâmpago e viril. Pãããta que o pariu, de novo. Esse verso é de um hermetismo e de uma pluralidade de interpretações sem igual nem precedentes.
Será que o cara é o fodão, que exala testosterona e macheza por todos os poros e que, a um simples e rápido toque, deixa a mulher eletrificada, derretida, encharcada? Ou será que é o cara que, apesar de roludo, pistoludo, em riste, tem ejaculação precoce? Rápido como um raio, um The Flash de alcova?
E cabe aqui um parênteses para a pergunta : pode um pinto tamanho P ou M atingir o ponto G da mulher? Fim do parênteses.
Repito : Chuvas de Verão só é considerada brega porque foi composta e gravada por José Augusto.
Se fosse Caetano Veloso a tê-la escrito e gravado, só o verso "relâmpago e viril" renderia uma enormidade de pretensiosas e afetadas teses de mestrado e doutorado; frutificaria em um sem-número de pernósticos e pedantes cafés filosóficos, que são aquelas reuniões de viadinhos janotas, com óculos de aros grossos, perninhas cruzadas, bebendo um espresso - bebendo, não, degustando, que viadinho metido a intelectual degusta -, cofiando o cavanhaque, os que os têm, apenas segurando o queixo, quem não, semblante com ar blasé, cool, distante e absorto, nariz empinado, como quem está a cheirar um peido.
Ainda bem que foi José Augusto a compô-la e gravá-la!
Para ouvi-la, é só clicar aqui, no meu relâmpago e viril MARRETÃO.

sábado, 1 de novembro de 2014

Eu Vejo o Futuro Repetir o Passado

Em 20 de março de 1964, quinhentas mil pessoas foram às ruas de São Paulo na passeata que passou para a História com o nome de a "Marcha da Família com Deus, pela Liberdade". Deixando Deus de fora, com o resto eu concordo.
Foi um movimento popular contra o comunismo, contra os grupos subversivos, guerrilheiros, terroristas que já agiam à solta pelo país, os grupos que se aglutinaram hoje sob única bandeira, o PT.
Abaixo, reproduzo trechos da reportagem publicada pela Folha de São Paulo, em 20 de março de 1964.

São Paulo Parou Ontem Para Defender o Regime
                                      

Publicado na Folha de S.Paulo, sexta-feira, 20 de março de 1964

A disposição de São Paulo e dos brasileiros de todos os recantos da patria para defender a Constituição e os principios democraticos, dentro do mesmo espirito que ditou a Revolução de 32, originou ontem o maior movimento civico já observado em nosso Estado: a "Marcha da Familia com Deus, pela Liberdade".
Com bandas de musica, bandeiras de todos os Estados, centenas de faixas e cartazes, numa cidade com ar festivo de feriado, a "Marcha" começou na praça da Republica e terminou na praça da Sé, que viveu um dos seus maiores dias. Meio milhão de homens, mulheres e jovens - sem preconceitos de cor, credo religioso ou posição social - foram mobilizados pelo acontecimento. Com "vivas" à democracia e à Constituição, mas vaiando os que consideram "traidores da patria", concentraram-se defronte da catedral e nas ruas proximas.
Ali, oraram pelos destinos do país. E, através de diversas mensagens, dirigiram palavras de fé no Deus de todas as religiões e de confiança nos homens de boa-vontade. Mas, tambem de disposição para lutar, em todas as frentes, pelos principios que já exigiram o sangue dos paulistas para se firmarem. 

São Paulo pára em defesa do regime e da Constituição
Ontem, São Paulo parou. E foi à praça publica - porque "a praça é do povo" - numa mobilização que envolveu meio milhão de homens, mulheres e jovens, tambem de outros Estados: a "Marcha da Familia com Deus, pela Liberdade".
Durante hora e meia, com a cidade adquirindo aspectos de feriado, um caudal humano correu, ininterruptamente, da praça da Republica para a praça da Sé, passando pela rua Barão de Itapetininga, praça Ramos de Azevedo, Viaduto do Chá, praça do Patriarca e rua Direita, até se represar ante as escadarias da catedral metropolitana. Foi a maior manifestação popular já vista em nosso Estado.
O repudio a qualquer tentativa de ultraje à Constituição Brasileira e a defesa dos principios, garantias e prerrogativas democraticas constituiram a tonica de todos os discursos e mensagens dirigidos das escadarias da catedral aos brasileiros, no final da passeata.  

"Fidel, Padroeiro de Brizola"
Nas escadarias da catedral, sucederam-se os oradores. Às 18h50, a massa humana chegara à praça da Sé. E encontrou-a ocupada por multidão que acenava com lenços e bandeirolas. O senador padre Calazans ocupara o microfone antes da chegada dos manifestantes e voltou a discursar, após o primeiro orador - sr. Amaro Cesar - ter discorrido sobre os objetivos da "Marcha". Disse o reverendo: "Hoje é o dia de São José, padroeiro da familia, o nosso padroeiro. Fidel Castro é o padroeiro de Brizola. É o padroeiro de Jango. É o padroeiro dos comunistas. Nós somos o povo. Não somos do comicio da Guanabara, estipendiado pela corrupção. Aqui estão mais de 500 mil pessoas para dizer ao presidente da Republica que o Brasil quer a democracia, e não o tiranismo vermelho. Vivemos a hora altamente ecumenica da Constituição. E aqui está a resposta ao plebiscito da Guanabara: Não! Não! Não!".
As palavras finais do senador foram acompanhadas em unissono pelos presentes. Depois, o pe. Calazans lembrou que "aqui estamos sem tanques de guerra, sem metralhadoras. Estamos com nossa alma e com nossa arma, a Constituição". 

Armas: contra ou a favor? 
O orador seguinte foi o dep. Plinio Salgado, que dirigiu pergunta às Forças Armadas: "Bravos soldados, marinheiros e aviadores de nossa patria, sereis capazes de erguer vossas armas contra aqueles que querem se levantar, aqueles que se levantam contra a desordem, a subversão, a anarquia, o comunismo? Contra aqueles que querem destruir os lares e a soberania da patria? Esta manifestação não vos comove? Será possivel que permitireis, ainda, que o Brasil continue atado aos titeres de Moscou?"  
Espirito de 32 
Por sua vez, o dep. Herbert Levy acentuou: "Vossa presença neste momento historico significa que o povo brasileiro não quer ditadura, não quer comunismo. Quer paz, ordem e progresso. O povo está na rua revivendo o espirito de 32 em defesa da Constituição que fizemos com o nosso sangue. E, se preciso, iremos todos, velhos, moços e até crianças, para as trincheiras de 32. Esta é a advertencia para o presidente da Republica e seu cunhado, para que não brinquem de comunismo no Brasil". Foi interrompido varias vezes pelos populares, que gritavam: "1, 2, 3, Brizola no xadrez" e "Verde-amarelo, sem foice e martelo". E a banda da Guarda Civil atacou a marcha "Paris Belfort", o hino da Revolução de 32.  
"Escravatura vermelha" 
A deputada Conceição da Costa Neves tambem dirigiu saudação aos brasileiros, dizendo: "Aqui, mercê de Deus, se encontra o Brasil unido contra a escravatura vermelha. De São Paulo partirá a bandeira que percorrerá todo o país, para dizer a todos os partidos que a hora é de união, para dizer basta ao sr. presidente da Republica".
Depois, houve outros oradores - estudantes e representantes de outros Estados -, todos ressaltando a necessidade de união pela preservação do regime, e o deputado Camilo Aschar afirmou que "a Assembléia Legislativa de São Paulo estará alerta para o que der e vier". Discursou tambem o prefeito de Campinas, sr. Rui Novais, e um representante da delegação paranaense lembrou que "32 e 32 somam 64".  

"Senão, não!" 
O ultimo orador a ocupar a tribuna foi o sr. Auro Soares de Moura Andrade, presidente do Congresso Nacional. E disse: "Sentimos que hoje é um dia de importancia historica para o Brasil. O povo veio à praça publica para demonstrar sua confiança na democracia. Veio para afirmar perante a Nação que os democratas não permitirão que os comunistas sejam os donos da Patria. Democratas do Brasil, confiem, não desconfiem das gloriosas Forças Armadas de nossa patria. Dentro de cada farda, não está somente um corpo, mas tambem uma consciencia e um juramento feito. Que sejam feitas reformas, mas pela liberdade. Senão, não. Pela Constituição. Senão, não. Pela consciencia cristã do nosso povo. Senão, não". E todos os presentes o acompanharam no "senão, não". Logo em seguida, a banda tocou a Canção do Soldado, cantada pelos manifestantes, que, depois, repetiram os "slogans" contra o sr. Leonel Brizola e o comunismo e se foram da praça. Eram 18h45 e, muitos, entraram na catedral para assistir à missa vespertina.

E contra quem essas quinhentas mil pessoas estavam a marchar e a pedir proteção, inclusive das armas, se necessário fosse? Por exemplo, contra esses dois aí embaixo.
E contra quem a passeata ocorrida hoje na cidade de São Paulo, 50 anos depois, pediu proteção e defesa, inclusive com auxílio luxuoso dos militares? Por exemplo, contra esses dois aí embaixo.
O poder fez bem para eles, né?
Há exatos cinquenta anos, os militares disseram que os comunistas eram bandidos, subversivos da pior espécie. E desceram o cacete neles.
Em 2012, o Superior Tribunal de Justiça (STF) de um Estado agora democrático, seguindo todos os trâmites e prolegômenos, e na ilustre e impoluta figura de Joaquim Barbosa, deu o mesmo veredicto que os militares à alta cúpula do PT : quadrilheiros. Bandidos.
Muitas críticas podem ser ditas dos militares, mas numa coisa eles são especialistas, infalíveis : em reconhecer o inimigo. 
Hoje, cinquenta anos depois, a população começa de novo a pedir socorro às Forças Armadas. E contra o mesmo inimigo.

Impechmeant, Já! Intervenção Militar, Já!

O ex-presidente militar Ernesto Geisel, ao iniciar o processo de abertura política no Brasil, fez lá uma profecia (ou rogou-nos uma praga, vai saber...) : “Se é vontade do povo brasileiro, eu promoverei a Abertura Política no Brasil. Mas chegará um tempo que o povo sentirá saudade da Ditadura Militar. Pois muitos desses que lideram o fim da ditadura não estão visando o bem do povo mas sim seus próprios interesses”.
E não é que o nobre general se mostrou de uma precisão nostradâmica?
E nem digo somente por mim, que há muito tempo sinto falta da disciplina e ordem que havia no país, e pouco importa se forçada, se imposta. A ordem e a disciplina têm de ser mantidas, têm de prevalecer. Se o povo é educado e consciente, muito bom e preferível; senão, têm que ser empurradas goela abaixo. O que não pode é o cidadão trabalhador e honesto se ver refém de um Estado canalha. Pagar impostos de primeiro mundo e receber serviços - saúde, educação, segurança, lazer etc - de quinto mundo. O cidadão honesto e trabalhador, que acorda às cinco e meia da manhã e vai dormir às 23 horas ou mais, está saturado. Com o saco cheio de trabalhar e ter seu salário usado para enriquecer políticos e sustentar o Norte e o Nordeste do país, o maior curral eleitoral do planeta. Curral, não. Chocadeira eleitoral. Biotério eleitoral, desse que criam ratos para experimentos científicos.
E agora nem sou só eu a dizer, como já disse várias vezes aqui no Marreta. Agora, uma parcela da população do estado mais produtivo da nação, o estado que impulsiona o país, responsável por 1/3 do PIB nacional, está a dizer e a conclamar nas ruas a mesma coisa que eu já digo há tempos : é necessária uma intervenção militar !!!
As costas do Atlas do Sul e Sudeste estão fatigadas, vergadas pelo peso de uma massa de improdutivos, que acabam por ter mais direitos - direitos, não, regalias - que o trabalhador.
Hoje, 2500 pessoas percorreram as ruas da cidade de São Paulo a pedir pelo impeachment de Dilma Rousseff e por uma intervenção militar. É uma parcela, admito, ainda pequena da população, muito pequena, estatisticamente insignificante, mas espero que seja o início de um movimento crescente, que vá engrossando, tomando corpo e se torne tão caudaloso a ponto de ser impossível não ouvi-lo, não atendê-lo : Intevenção Militar, Já!
É a hora de botar a casa em ordem. Aliás, passou da hora. É hora de dedetizar, pôr para fora os cupins, as baratas e sobretudo os ratos. É hora da hierarquia e das Instituições voltarem a ser respeitadas. Temidas, se for caso, já que respeito não faz parte do código genético do brasileiro.
É hora do bandido voltar a ter medo da Polícia. Do mau aluno voltar a ter medo do diretor e do professor. E não hostilizá-los impunemente, protegidos por leis que põem abaixo todos os valores meritórios do cidadão, por leis que tornam o correto em criminoso.
Intervenção militar, sim.
E antes que algum vermelhoide comece a discursar contra a ditadura - contra a ditadura dos outros, porque o sonho dos vermelhinhos do tio Fidel é botar uma ditadura comunista aqui, e isso desde 1960 -, quero deixar bem claro que o que essas pessoas estão a pedir - e eu endosso o pedido - é uma intervenção militar, não uma ditadura militar. É muito diferente.
Até o bom e velho Lobão, que, em seus tempos mais raivosos, teve lá seus problemas com o governo militar, estava na manifestação a pedir a recontagem de votos. Lobão já foi simpático à esquerda e o PT, mas teve o discernimento e a inteligência de perceber a cagada e, principalmente, a hombridade de dizer que errou e tomar as vias da direita. Errou, errou, errou, errou/ Eu sei que o Lobão errou! Mas teve vergonha na cara de consertar publicamente seu equívoco. Muito diferente e muito mais honesto que Chico Buarque, por exemplo.
Abaixo, reportagem da Folha de São Paulo sobre a manifestação.
Ato em São Paulo Pede Impeachment de Dilma e Intervenção Militar 
"Boa tarde, reaças", cumprimentou ao microfone cerca de mil pessoas –segundo estimativa da PM– o empresário Paulo Martins, que foi candidato a deputado federal pelo PSC neste ano no Paraná. "É inegável que o PT constrói uma ditadura no país", acrescentou, sob fortes aplausos.
O discurso, realizado em cima de um carro de som, foi feito em manifestação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), convocado pelas redes sociais para este sábado (1º) e promovido na avenida Paulista.
Os manifestantes fecharam uma das faixas da avenida Paulista, no sentido Paraíso.
No evento, além de pedirem a saída da petista, os manifestantes defenderam um novo golpe militar no país.
"É necessário a volta do militarismo. O que vocês chamam de democracia é esse governo que está aí?", criticou o investigador de polícia Sérgio Salgi, 46, que carregava cartaz com o pedido "SOS Forças Armadas".
O número de manifestantes no evento foi bem menor do que o total de confirmações nas redes sociais, que chegaram a 100 mil. A caminhada teve início em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo), e a expectativa é de que se desloque até a Catedral da Sé, no centro de São Paulo.
Com cartazes e faixas, os indignados acusaram o resultado das eleições deste ano de ser a "maior fraude da história" e o PT de ser "o câncer do Brasil". "Pé na bunda dela [presidente], o Brasil não é a Venezuela", gritaram.
"O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, José Dias Toffoli, é um estagiário do PT", acusou Paulo Martins.
Sob aplausos, o deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), filho do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), foi apresentado ao microfone como "alguém de uma família que vem lutando muito pelo Brasil".
Em discurso, o parlamentar disse que se seu pai fosse candidato a presidente, ele teria "fuzilado" a presidente. Segundo ele, Jair Bolsonaro será candidato em 2018 "mesmo que tenha de mudar de partido".
"Eu voto no Marcola, mas não voto na Dilma, porque pelo menos o Marcola tem palavra", disse, em referência a Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos líderes da facção criminosa PCC.
A manifestação é acompanhada pela Polícia Militar e pela chamada "Tropa do Braço", escalada para eventos de rua. "

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Dia do Saci

Hoje, 31 de outubro, é o Dia do Saci!
E Dia do Saci é feriado lá no bambuzal.
No Dia do Saci, Saci não trabalha, fica de pernas pro ar, quer dizer, de perna pro ar.
Pau no cu do cabeça de abóbora! Que se foda o cavaleiro sem cabeça!
Aqui não tem Ráloim porra nenhuma. Hoje é o Dia do Saci. E da mula-sem-cabeça, da Cuca, da Iara, do Boi-tatá, do Curupira, do Caipora, do Anhangá, do Mapinguaru, e até do Boto, o grande metelão da Amazônia. 
O Saci é traquinas, levado, safado, moleque, elemental dos bambuzais, inconveniente, arruaceiro, pregador de peças, irresponsável, um leprechaun preto, um curinga mulatinho, um Macunaíma de uma perna só.
O Saci é o capeta em forma de guri, incomoda pessoas e animais, faz queimar o feijão, esconde objetos, a pipoca vira piruá se ele dá uma benzida, trança a crina dos cavalos, faz ovo gorar no ninho. Os sacis nascem nos bambuzais, dentro dos gomos mais velhos de bambu onde ficam incubados por sete anos.
Se você achar um berçário de Sacis e quiser ver um ainda no choco, pode abrir uma pequena janelinha no gomo do bambu e espiar. Mas com um olho só. Se espiar com os dois, o filho da puta joga a brasa do cachimbinho nos seus olhos.  
O Saci viaja de redemoinho, quer coisa mais elegante? Para capturar um Saci basta jogar uma peneira feita de taquara trançada sobre o redemoinho, agarrar o Saci, subtrair seu barrete vermelho e aprisioná-lo (o Saci) em uma garrafa.
Mas para quê, né? Deixa o Saci solto. Pegando carona em cauda de pé-de-vento. De mais a mais, o Saci é quem comanda toda a bicharada, Cuca, Iara, Curupira, Caipora, Boitatá, Mapinguaru, Mula-sem-cabeça, Jurupari, Anhangá... O Saci é o Zeus brasileiro. Cada povo tem o Zeus que merece.
Abóbora, aqui, devia servir só pra fazer doce e dar pros porcos.
Aqui não tem gostosuras nem travessuras. Tem é festa na floresta, no capoeirão, lua cheia a pino.
E nada de deixar seus filhos assistirem a filmes de Raloim hoje. Desligue a porra da televisão. Leia para eles O Saci, de Monteiro Lobato. 
Em tempo : Aldo Rebelo (PC do B - SP), em 2003, através de um projeto de lei federal, instituiu a comemoração de "O Dia do Saci" em 31 de outubro, em oposição ao "enlatado" Ráloim.

Câncer de Próstata : O Melhor Preventivo é a Buceta.

As melhores maneiras de prevenir o câncer de próstata são manter uma dieta rica em vegetais antioxidantes e, depois dos 40 anos, realizar anualmente o exame de toque retal, para detectar, se for o caso, possíveis alterações, pequenas neoplasias ainda em fase inicial, certo?
Consumir frutos e raízes ricos no pigmento licopeno - tomate, melancia, goiaba vermelha, cenoura, mamão, beterraba, quase tudo que tenha cor no espectro do laranja ao vermelho -, hortaliças abundantes em sulforafano - brócolis, repolho, couve-flor, couve -, grãos e leguminosas controladores da produção de testosterona - soja, linhaça, grão-de-bico, lentilha -, e, depois dos fatídicos 40 anos, uma vez por ano, ter o famoso um dedo de prosa com seu urologista, certo?
Porra nenhuma. Certo é o caralho. Bobajada pura.
Tais hábitos, na melhor das hipóteses, são meros paliativos, anódinos. Arrisco-me mesmo em dizer que são placebos, homeopatia, floraizinhos de Bach. Propaganda enganosa para que os produtores de tomate etc tirem o pé da lama e para que médicos sádicos e tarados enfiem o dedo em nosso inviolável e improfanável orifício.
O melhor remédio para a próstata não se compra em farmácias, tampouco em varejões hortifrutigranjeiros. O melhor remédio para a próstata se persegue, corteja-se, conquista-se, abate-se e se come das vísceras aos ossos, não se deixa nem cheiro para os urubus, lambuza-se da testa ao queixo.
O Santa Graal da próstata é a buceta. Óbvio. Ululante. E não há risco de overdose. Pelo contrário. Quanto mais bucetas, melhor. No mínimo, vinte bucetas diferentes para garantir uma vida saudável a um macho praticante.
Essa é a (evidente) conclusão de uma pesquisa realizada por Marie-Elise Parent e Marie-Claude Rousseau, professoras da Escola de Saúde Pública da Universidade de Montreal, Canadá. 
De acordo com a pesquisa, quando um homem trepa com mais de 20 mulheres durante o seu tempo de vida, existe uma redução de 28% no risco de ter câncer da próstata de todos os tipos e uma redução de 19% para os tipos mais agressivos.
O motivo de tal redução também é evidente. É bem sabido e provado que uma boa frequência de ejaculações mantém a próstata sempre em funcionamento, sempre sendo lavada, sempre trocando o óleo, o que reduz o risco de câncer. E homens que trocam de parceiras regularmente tendem a ter mais relações sexuais que homens fiéis e monogâmicos.
Basta pensar : vinte anos com a mesma mulher e vinte anos se esbaldando e se revezando entre vinte mulheres, uma média de uma xavasca nova ao ano. Qual dos dois vai meter mais? 
“É possível que ter muitos parceiros sexuais do sexo feminino resulte em uma maior frequência de ejaculações, cujo efeito de proteção contra o câncer de próstata foi observado anteriormente em outros estudos”, explica Parent. 
É possível? É patente e inconteste. Já dizia Luiz Gonzaga, o Gonzagão : para burro velho, o remédio é capim novo.
E que não se animem os viados, os mordedores de fronha, que dão o rabo para mais de vinte numa única festa rave. Eles não se tornarão imortais. Nem vão virar purpurina. A pesquisa também foi estendida ao público da argola frouxa e os resultados foram desanimadores para os roscas tostadas :  aqueles com mais de 20 parceiros masculinos enfrentam um risco 100% maior de contrair câncer de próstata do que aqueles que nunca furunfaram com um homem. E o risco de ter um câncer de próstata menos agressivo aumenta em 500% em comparação com aqueles que tiveram apenas um parceiro homem, em relação ao viadinho fiel.
Cheia de dedos (no bom sentido), toda polida e politicamente correta, talvez com receio de ser processada por homofobia, Marie-Elise Parent tira o seu da reta e diz que a explicação para os funestos resultados, por enquanto, são meramente especulativas : “Poderia vir de uma maior exposição a doenças sexualmente transmissíveis, ou pode ser que o sexo anal produza trauma físico para a próstata”, sugere ela.
A pesquisa foi mais além e entrevistou também aqueles que têm pelos na palma das mãos, os virgens, os cabações. Foi constatado que eles têm quase duas vezes mais probabilidade de serem diagnosticados com câncer de próstata do que aqueles que já tiveram experiências sexuais. 
Juntem-se os resultados dos viados e dos punheteiros e claramente se vê que o segredo de uma próstata sadia nem é o número de ejaculações, nem é a gozada em si - viado goza até pelo cu e virgens tocam 5 punhetas por dia, no mínimo. O segredo da longevidade, o elixir da longa vida do macho é a buceta!!!
Ou melhor, as bucetas. Quanto mais, melhor. É a ciência dizendo. E a ciência produzida por duas mulheres.
Agora, de posse dos resultados dessa pesquisa, o negócio é chegar para a sua digníssima esposa e dizer da necessidade terapêutica da puladinha de cerca masculina. Não é galinhagem, tampouco mau-caratismo. É zelo para com a saúde da próstata. É um check-up preventivo, dar uma lambida e uma fincada em terrenos vulvares e uterinos nunca dantes prospectados. Diga a ela que é como ir a uma consulta médica. Fazer um hemograma, dar uma corridinha na esteira. É zelo, inclusive, para com a vida conjugal do casal. É garantia de uma vida mais longa e saudável. É viver mais ao lado dela. É honrar e prolongar o juramento, "até que a morte os separe". Comer bucetas novas é enganar a Morte para viver mais tempo ao lado da mulher eleita e amada, e até ser, se possível, valha-me São Vinícius, um só defunto.
Agora, se a história não colar de primeira, não insista, diga que foi uma brincadeira, desconverse. Afinal, é melhor uma próstata combalida do que um pau cortado fora.
Fonte : HypeScience

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Todo Castigo Para Corno é Pouco (5)

Já estava até sendo injustiça, a ausência dele aqui no Todo Castigo Para Corno é Pouco. Afinal, quando o assunto é pé na bunda, encher a cara pela mulher amada e cornagem, ele é o Rei. O finado e imortal Reginaldo Rossi.
Reginaldo Rossi tem formação superior em engenharia, mas sempre afirmou não gostar de academicismos, de falar difícil, de usar metáforas elaboradas em suas músicas, sempre preferiu falar na lata, ir direto no feridão. Pois, segundo Rossi, dor de corno é igual para todos, para o velho e para o jovem, para o pobre e para o rico, para o analfabeto e para o doutor.
E dispara, preciso : "quando o chifre dói, o diploma cai da parede".
Genial. Universal. E ainda vêm me dizer de Proust, de Nietzsche? Ora, vão à merda. Reginaldo é o Rei.
Na canção abaixo selecionada, Rossi não põe panos quentes, não disfarça, não tenta tapar o sol com a peneira :  "dor de corno faz bem para qualquer coração". É o corno apaixonado. É o corno que perdoa.
Aceito Tudo de Você (Dor de Corno)
(Reginaldo Rossi)
Hoje, você veio me dizer que não quer mais
Continuar com esse romance entre nós dois
Te encher o saco e que eu tenho que aceitar
Eu aceito todos os caprichos de você
Eu faço tudo, tudo que você quiser
Eu só não posso é deixar de te amar


Eu vou tomar todos os porres que o corpo aguentar
Pra lembrar que um dia o meu grande amor
Me deu um pé na bunda sem qualquer razão
Mais não vou mover uma palha pra te esquecer
Por que eu te adoro eu amo você
Dor de corno faz bem para qualquer coração


Ah, eu sei você não gosta tanto mas de mim
E se tiver alguém que você tá afim
Não perca tempo vá correndo se entregar
E se por acaso esse alguém te maltratar
Eu tô rezando pra você voltar pra mim
Pois na distância meu amor aumentar mais


Eu vou tomar todos os porres que o corpo aguentar
Pra lembrar que um dia o meu grande amor
Me deu um pé na bunda sem qualquer razão
Mais não vou mover uma palha pra te esquecer
Por que eu te adoro eu amo você
Dor de corno faz bem para qualquer coração

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Deus Pode Ser Uma Invenção Humana, Dizem 2% dos Padres Anglicanos.

E não é que existe uma nesga de pensamento racional nas religiões? Não nas religiões propriamente ditas, mas em algumas pessoas a serviço delas, em alguns de seus professos.
E não é que existem - poucos, é verdade, mas existem - padres racionais? Não católicos, claro. Que aí também já seria pedir um milagre de deus e, como todos sabemos, deus não existe.
Na Grã-Bretanha e na Irlanda, uma pesquisa entre padres anglicanos revelou os seguintes dados:
- 2% admitiram que Deus pode não existir, sendo o Todo-Poderoso, nesse caso, um construto humano, um produto da imaginação, um delírio coletivo. Pode não existir? Sempre muito moderados e polidos, esses padres. Sempre muito politicamente corretos. É claro que Deus - todos os que já existiram e todos os que porventura (ou desventura) vierem a existir - é criação humana. Onde estão os deuses gregos, egípcios, assírios, maias etc? Mortos. Finaram-se concomitantemente com as civilizações que os criaram. Ruíram as civilizações que os adoravam, ruíram juntos os deuses eternos. É óbvio que Deus não criou ninguém à sua imagem e semelhança, sim o oposto, deus é criado à imagem e semelhança de cada povo e época.
- 9% responderam que ninguém (logo, nem eles próprios) sabe como é Deus. Essa é melhor ainda. Deus é o objeto de trabalho do sujeito, é o ganha-pão dos padres, os padres gerenciam franquias de deus, são gigolôs do Pai Eterno, e aí o fiel chega para ele, pergunta como é deus e ele responde, ninguém sabe, meu filho, ninguém sabe. Maior 171. Maior picaretagem. Pergunte a um médico como é o quadro de uma pessoa com reumatismo, com artrite, com dengue, com faringite... ninguém sabe, meu filho, ninguém sabe. A um pedreiro, como fazer o alicerce de uma casa, como bem subir as paredes sempre no prumo... ninguém sabe, meu filho, ninguém sabe. A uma costureira, como tirar as medidas, como cortar, cerzir, coser, chulear... ninguém sabe, meu filho, ninguém sabe. A um engenheiro, como fazer o cálculo estrutural de um prédio, de uma estrada, de uma ponte... ninguém sabe, meu filho, ninguém sabe.
- 3% endossaram que deus "é algum tipo de espírito ou forma de vida". Típica resposta de quem está mais perdido que cachorro que cai do caminhão de mudança, que cego em tiroteio. Só está faltando a padraiada voltar no tempo e invocar Aristóteles e sua equivocadíssima Abiogênese ou Geração Espontânea, segundo a qual a vida surgiria da matéria inanimada por ordem e decreto de uma força, de uma energia, de algo etéreo no ar, ou seja, algo que ninguém também sabia o que era ou como era, chamada princípio ativo ou força vital. Essa "força" adentraria a matéria bruta, reorganizaria os seus átomos e, dessa reestruturação, a vida surgiria feito mágica. Pensando bem, os padres nem precisariam voltar no tempo, uma vez que suas religiões pouco se deslocaram pela quarta variável einsteiniana, a mitologia cristã já é adepta e defensora da Abiogênese de Aristóteles. O que lhes parece um monte de barro tornado em homem por um sopro divino?
- 83% consideram que não existe um Deus Universal, mas um Deus pessoal, de acordo com as crenças e convicções mais íntimas de cada cristão. Ou seja, é homem criando deus, mais uma vez, é o homem-criador, não o homem-criatura. Fica parecendo aquele cumprimento entre os praticantes do hinduísmo, o deus em mim saúda o deus em você.
Um dos padres que duvida da existência de Deus, disse que não se sente constrangido diante dos fiéis : “Eu prego usando a terminologia de Deus, mas nunca sugiro que Deus realmente existe”, afirmou ao jornal University Times, do Trinity College de Dublin. E afirmou que, na sua paróquia, há “dezenas” de sacerdotes que agem como ele. Honesto ou hipócrita, esse padre?
Acredito que está mais para honesto, ou melhor, para profissional. As pessoas querem e procuram desesperadamente por deus. As religiões, nas figuras de seus sacerdotes, vendem o produto deus que elas tanto querem e pelo qual tanto suplicam. Agora, ser vendedor de um produto não significa, necessariamente, acreditar nas qualidades e virtudes que estão em seu rótulo ou no manual de instruções. Não significa nem, e inclusive, que o vendedor use o produto em sua vida pessoal.
Acho que eu iria gostar muito de prosear com esse padre, de jogar uma conversa fora com ele, num pub, tomando uma boa ale ou uma stout inglesas. Pensando melhor, tomando as duas.