terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O Marreta do Azarão nas Terras do Tio Sam

"Se vocês pensa que nóis fumos embora, Nóis enganemos vocês, fingimos que fumos e vortemos, ói nóis aqui traveis".
Depois de quatro dias de ausência - uma boa e merecida viagem de fim de férias -, volta o Marreta para alegrar os seus 8 e meio (em média) leitores. Se bem que hoje, ao abrir o blog (quando viajo, não importam quantos dias eu fique fora, não levo computador, passo longe de tudo quanto é eletrônico), tive uma puta duma surpresa : 6641 visualizações no dia de hoje, até agora. Pããããta que o pariu!!! A média do blog é de 220 visualizações diárias e o recorde anterior foi de 2435, por conta da postagem Miss Bixete
Imediatamente, fui verificar qual postagem teria "estourado" na audiência, qual teria se tornado praticamente um sucesso nacional. Nenhuma. Nenhuma postagem em particular recebera mais que o comum das visualizações. Os principais acessos foram via google mesmo, pelo nome A Marreta do Azarão. Verifiquei a origem do tráfego, que mostra a partir de que palavras pesquisadas e de que outros sites ou referências veem os acesos; também nada de especial, nada de esclarecedor. Verifiquei, então, o público, que mostra a origem geográfica dos acessos : 6504 oriundas dos Estados Unidos da América. Pãããta que o pariu!!! Dos U.S.A.! Pátria de Daniel Boone, Davy Crockett, General Custer, General Lee, Almirante Nelson, Dwight Eisenhower, Neil Armstrong, Ronald Reagan e Village People !!!
Será que o Marreta virará um sucesso internacional? Terá o Marreta sido descoberto por algum gueto de cucarachas brasileiros ou de qualquer outra nacionalidade a viver clandestinamente na terra das oportunidades? O Marreta bombando em Miami Beach? Ou será que estou a ser monitorado pela CIA e/ou o FBI?
"I Want You, Azarão"

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Vou-me Embora Pra Jacarta

Reitero o que disse aqui há uns dias : no Brasil, há uma grande consciência de classe entre os criminosos, um corporativismo entre os canalhas de fazer inveja ao Conselho Regional de Medicina. Não é por menos que as leis do país favorecem o criminoso em detrimento do cidadão honesto : são feitas por bandidos que tiveram maior êxito em suas carreiras, e, uma vez no poder, não deixam desamparados os seus pares. Não é por menos que o PT começou seu quarto mandato consecutivo - e sabe-se lá mais quantos virão - na Presidência da República. E não são apenas os goverantes que, repito, por motivos classistas e sindicais, se solidarizam com o vagabundo : o Brasil, o brasileiro de forma geral, tem grande afeição pelo bandido, apieda-se do canalha como mãe permissiva que cede ao choro do filho, muitas vezes fingido. Talvez nossa origem de degredados, talvez uma simpatia atávica.
Não foi por menos que Dilma Rousseff  tentou tirar da reta o cu de Marco Archer Cardoso Moreira - esforçou-se pra caralho, muito mais do que se esforça para resolver os entraves da nação -, não foi por menos que tentou interceder junto ao governo indonésio e anular a sentença de pena de morte dada ao brasileiro, por tráfico de drogas. Que, na Indonésia, não tem conversa mole com vagabundo, não, é pelotão de fuzilamento e o traste é eliminado da sociedade, nunca mais alguém terá que se preocupar com ele, nem será prejudicado por. Na Indonésia, só a clemência, só o perdão presidencial pode anular uma sentença de pena de morte decretada pela justiça.
Dilma conseguiu falar com o presidente da Indonésia, Joko Widodo, hoje pela manhã e jogou pra cima dele o seu papo-furado, o seu 171 de guerrilheira arrependida, mas não teve jeito : Marco Archer Cardoso Moreira será executado à 0 h de domingo, 18 de janeiro, horário oficial de Jacarta. Há ainda outro brasileiro condenado à morte na Indonésia, Rodrigo Muxfeldt Goulart, também por tráfico de drogas; Dilma igualmente tenta interceder por ele.
Dilma disse a Widodo "ter consciência da gravidade dos crimes cometidos pelos brasileiros", ressaltou que a justiça brasileira não comporta a pena de morte e que seu pedido pessoal "expressava o sentimento da sociedade brasileira". Da sociedade brasileira, qual, cara-pálida? Eu quero mais que os dois sejam eliminados, em proteção e favorecimento às milhares de vidas que as drogas por eles traficadas poderiam ter destruído.
E daí que a justiça brasileira não prevê a pena de morte? E o que é que eu tenho com isso?, deveria ter dito Widodo à guerrilheira do Planalto Central. Aliás, se eu sou o Widodo, nem teria atendido ao telefone. O crime foi cometido em terras indonésias, onde a punição é a pena de morte, e ponto final, PT saudações.
Marco Archer Cardoso Moreira foi pego no aeroporto de Jacarta com 13,4 kg de cocaína na bagagem (ainda hoje uma das maiores apreensões de droga no país), grampeado pelos homens da lei e está enjaulado desde 2004. Marco se "justifica" alegando que o dinheiro obtido com a venda da droga seria destinado a pagar pelo tratamento hospitalar recebido na vizinha Cingapura, onde ficou internado em decorrência de uma queda de parapente. Para quem não conhece, parapente é aquele merda que não decidiu se é uma asa-delta ou um paraquedas. Sem dinheiro para arcar com os custos médicos, Marco viajou para o Peru, adquiriu a pasta da droga e voltou ao Sudeste Asiático para comercializá-la. Quer dizer que dinheiro pra pagar o hospital, não tinha, mas para viajar para o Peru e comprar a droga, sim? Marco só se esqueceu de um detalhe : não estava no Brasil, mas sim na Indonésia! A confusão do carioca, instrutor de asa-delta, garoto esperto, deve ter se dado por causa do fuso horário, jet lag, essas coisas.
Dilma foi mais longe em seu descaramento, disse "respeitar a soberania da Indonésia e do seu sistema judiciário, mas como Chefe de Estado e como mãe, fazia esse apelo por razões eminentemente humanitárias". Pãããããta que o pariu, agora até eu quase fiquei emocionado; mas Widodo, não. Será que Dilma chorou ao telefone durante a conversa com Widodo, feito na solenidade de entrega do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, será que também derramou lágrimas de crocodilma pelos brasileiros condenados à morte? É muito descaramento! É muita safadeza!
Widodo até que foi muito educado e polido em sua resposta. Em nota oficial, disse que compreendia a preocupação da "presidenta", mas que nada podia fazer, pois todos os trâmites jurídicos foram seguidos segundo a lei indonésia e os brasileiros tiveram garantido o devido processo legal. Na verdade, Widodo pode sim fazer alguma coisa - sua clemência é a única maneira de anular a execução -, e a fará : mandará Marco Archer Cardoso Moreira para o pelotão de fuzilamento. E tá certo, ele.
É vergonhoso se valer de todo o aparelho diplomático do país para interceder por um vagabundo, por um traficante. Mas vergonha, principalmente na cara, é algo que Dilma e os do PT desconhecem o que seja. Intervenção na soberania de outra nação é ação muito séria, só admitida em casos de extremas importância e necessidade da nação que faz o pedido; necessidade da nação, não da necessidade pessoal de um traficante. Dilma a usa como quem liga para a comadre a pedir uma receita de bolo, como quem faz seus conchavos e suas falcatruas políticas por aqui.
Pedir que o presidente de uma nação vá contra uma decisão da justiça de seu país é algo muito complicado, praticamente inadmissível, e deixa a nação querelante sujeita a uma série de implicações. Se Dilma pede e é atendida, fica devendo favor, e o credor pedirá favores tão ou mais constrangedores que o concedido; ao interceder em assuntos internos de outro país, ficará sujeita a que outros países se sintam à vontade para também aqui interceder; se Dilma intercede e o indonésio recusa o pedido, como de fato recusou, a imagem dela ficará enfraquecida dentro e fora do país; por fim, um estrangeiro ser perdoado de um crime do qual um cidadão indonésio não seria, garante uma boa queda na popularidade presidencial, um entrave para as próximas eleições.
E, repito, Dilma expõe o Brasil ao ridículo, à vergonha diplomática mundial, por um safado, por um criminoso. Há ou não há um forte e arraigado corporativismo em questão?
Dilma levou adiante seu descaramento, sua cara de pau, e fechou a questão com chave de ouro, disse que "não houve sensibilidade, por parte do governo indonésio, para o pedido de clemência do governo brasileiro. Vamos esperar que um milagre possa reverter essa situação".
Será que a clemência a que se refere Dilma é a mesma demonstrada por ela em seus tempos de guerrilha, quando seus planos e as ações dos grupos subversivos dos quais fazia parte vitimaram dezenas de inocentes? Dilma diz que pediu clemência "como chefe de estado e como mãe". Será que com a mesma pungência das mães que tiveram seus filhos mortos por Dilma e seus asseclas, em suas ações de assaltos a banco, sequestro e roubo de armas?
Não vai ter jeito. Marco Archer Cardoso Moreira irá mesmo para a paredão. Serão 12 atiradores disparando suas armas simultaneamente, mas apenas duas estarão carregadas com munição verdadeira, para que ninguém saiba o autor do tiro fatal.
Que o capeta o tenha!!!

Romário, o Basquiat do Futevôlei

O tetracampeão mundial Romário, em minha mais que leiga opinião sobre o assunto, foi um dos últimos legítimos futebolistas do país. Romário era o autêntico craque brasileiro, daqueles que nasciam e passavam pela forja dos campinhos de pelada das periferias, daqueles que jogavam descalços, que disputavam o campeonato dos com camisa versus os sem camisa, e não feito essa molecada metrossexual de hoje, saída de escolinhas de futebol - só está faltando criarem o futebol universitário -, que nascem e os pais nem vão atrás de padrinhos, já contratam logo um empresário.
Romário era craque (e macho) das antigas : cuspia no campo, coçava o saco, fugia da concentração para cair na esbórnia, era o maior comedor da paróquia - o é até hoje, aos 48 anos está a traçar uma gringa de 19 aninhos -, e o rei absoluto da grande área, da "banheira", do oportunismo.
Fora todos esses talentos listados, Romário também é dotado de outra notável aptidão, insuspeitada até então : a se considerar arte muito do lixo que hoje preenche as galerias e as vernissages (viadíssimo), Romário é um puta dum artista plástico, um Andy Warhol dos trópicos, um Basquiat do futevôlei.
O Baixinho, tempos atrás, deu-nos grande mostra de seu vanguardista talento, apenas não o percebemos, não lhe reconhecemos os méritos artísticos.
Dono de uma casa noturna à época, Romário pintou, na porta de um dos banheiros masculinos do estabelecimento, a figura folclórica do ex-técnico Zagallo : sentado ao vaso sanitário, calças arriadas até os tornozelos, soltando um barrão. A obra de Zagallo a obrar causou o maior quiproquó pro lado do Baixinho, rolou processo e coisa e tal.
E não é que agora, a se inspirar na genialidade de Romário, tenho certeza, a artista plástica italiana Cristina Guggeri criou uma série de fotos em que coloca  ilustres figuras mundiais na mesma vexatória situação que Zagallo, ou seja, no trono?
Aí estão o Dalai Lama, o Obama, o Papa Francisco e a Rainha Elisabeth. As imagens foram manipuladas com ajuda do Photoshop, tendo como base expressões consagradas das personalidades retratadas. Pois é, manipulação digital, hoje, é considerada "arte". E o Michelângelo lá, pendurado por sei lá quantos anos num andaime, de cabeça pra baixo, a ornar com afrescos o teto da Capela Sistina, doido pra desempoleirar e ir tomar uma canjebrina, e o Papa de olho nele, olhos vigilantes, olhos inquisidores (literalmente), a supervisionar a obra.
Nem o Imperador romano Silvio Berlusconi nem o cossaco Vladimir Putin escaparam de Cristina Guggeri.
Mas mestre é mestre! Por mais discípulos, imitadores e seguidores que um mestre das artes possa ter, o seu trabalho, o original, continua insuperável, imortal. Photoshop, computação gráfica, a puta que o pariu, nada disso vale porra nenhuma : o pincel visionário de Romário continua inexcedível, e sua obra, eterna.
Demos, pois, a Romário o que é de Romário : o cara é um expoente à enésima potência das artes! O Baixinho sempre foi um incompreendido, primeiro no futebol, depois, e até hoje, em suas polêmicas e verdadeiras declarações à imprensa, e, agora, em sua arte; como incompreendidos sempre são os grandes gênios, os à frente de seu tempo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Elixir do Pajé

Você pode nunca ter ouvido falar de Bernardo Guimarães, ou ter ouvido e se esquecido dele, lá de suas aulas de literatura do ensino secundário, mas certamente sabe, ainda que não a conheça, como é meu caso, de sua obra mais famosa, A Escrava Isaura, que virou novela da Globo e coisa e tal, com a chatíssima Lucélia Santos no papel da protagonista. A novela fez um puta sucesso no Brasil e, um tempo depois, sucesso ainda maior na China e em Cuba; sim, em terras de Mao e Fidel. 
O sucesso foi tão estrondoso que Lucélia Santos chegou a visitar China e Cuba, onde foi recebida com honras e pompas dispensadas a um Chefe de Estado, como uma heroína nacional pelos líderes dos dois países, que recomendavam, inclusive, aos seus compatriotas, que assistissem à novela.
Será que os líderes vermelhos se reconheceram na luta dos escravos brasileiros por liberdade? Será que reconheceram suas revoluções na conquista da abolição da escravatura, se identificaram na pele do escravo oprimido? Porra nenhuma! Muito pelo contrário. Os líderes comunistas se identificaram, sim, com o senhor de escravos, interpretado pelo magistral Rubem de Falco, que, mesmo apaixonado, maltratava e açoitava a indefesa Isaura. Sim, reconheceram-se não no oprimido, sim no opressor. Pois não é a total servidão do povo o principal ideal do comunismo?
Mas voltando à vaca fria, Bernardo Guimarães foi muito bom de romance, aquela coisa de donzelas sofridas, de paixões arrrebatadoras, proibidas e nem sempre correspondidas, de esperar meses pela carta do amado, de suspirar de saudades, de morrer de amor. Mas, além de romântico, Bernardo Guimarães também era homem e, pããããta que o pariu, como era : teve oito filhos.
Por mais romântico, cândido e idílico que tenha sido Bernardo Guimarães, ele era homem, tinha um pau pra cuidar e alimentar, um caralho para dar de comer. E não é que, justamente por isso, o romântico Bernardo Guimarães sabia bem escrever uma boa putaria, sabia bem escrever com estilo e galhardia uma boa duma sacanagem?
Recebi a dica de meu amigo virtual Zé, do Blogson Crusoe, que, talvez, tendo lido a postagem "A Lenda da Piroga de Cristal" e solidário à minha solitária cruzada de divulgar o folclore nacional, recomendou-me o poema "O Elixir do Pajé", de Bernardo Guimarães.
O poema narra, de forma épica, a história de um broxa que encontra a solução para sua paumolescência no elixir de um pajé, cuja receita fora passada ao mesmo pelo próprio demônio; e, no fim, o broxa é eleito o rei dos caralhos!
Ao ler o poema (e rir pra caralho), não pude deixar de me lembrar de meu finado avô Pebim; Peb, para os íntimos. O velho safado Peb era o rei das poções, o monarca das garrafadas; tinha-nas em quantidade, guardadas sob a pia da cozinha. Algumas eram paregóricos de propriedades digestivas e purgativas, era notório o pantagruélico apetite do velho Peb, assim como suas quilogrâmicas, megadecibélicas e sulforosas cagadas. Outras, supúnhamo-nas afrodisíacas; igualmente notório (e notável) era o apetite sexual do velho Peb. O velho Peb era um sátiro e um glutão. 
Olhando atentamente para as garrafadas do Peb, tentando lhes adivinhar a composição, alguns tios reconheciam umas folhas de catuaba aqui, umas casquinhas sobrenadantes de amendoim ali, mas elas eram combinados complexos, intrincados e potentes das mais diversas e quase que desconhecidas ervas de nossa farmacopeia. Suas exatas e precisas formulações, assim como o ritual de sua preparação, morreram com o velho Peb.
Peb deve ter recebido suas receitas não do demônio, mas de alguém quase tão bom quanto ele, de seus antepassados da Calábria, machos das antigas, carcamanos e mafiosos, tutti buona gente! E o velho Peb não legou tão valiosa herança a nenhum dos seus, nem filhos nem netos. Tenho cá para mim que o Peb não considerou sua descendência digna de tal hereditariedade de conhecimentos; afinal, o que o velho Peb tinha de fogo e safadeza, os seus filhos e primeiros netos têm de sossego e mansidão. Aliás, se quiserem ter uma ideia da aparência física do Bepim, basta olhar pra foto do ex-presidente Figueiredo na postagem abaixo; cara de um, focinho do outro.
Agora, enfim, o poema "O Elixir do Pajé", a prosseguir em minha meta de difundir o bom folclore nacional e a agradecer ao Zé. Munam-se de um bom dicionário (como eu fiz) e deleitem-se com essa obra-prima da putaria, que literatura não se escreve somente com a pena, mas também com pau.
O Elixir do Pajé
(Bernardo Guimarães)
Que tens, caralho, que pesar te oprime
que assim te vejo murcho e cabisbaixo
sumido entre essa basta pentelheira,
mole, caindo pela perna abaixo?

Nessa postura merencória e triste
para trás tanto vergas o focinho,
que eu cuido vais beijar, lá no traseiro,
teu sórdido vizinho!

Que é feito desses tempos gloriosos
em que erguias as guelras inflamadas,
na barriga me dando de contínuo
tremendas cabeçadas?

Qual hidra furiosa, o colo alçando,
co'a sanguinosa crista açoita os mares,
e sustos derramando
por terras e por mares,
aqui e além atira mortais botes,
dando co'a cauda horríveis piparotes,
assim tu, ó caralho,
erguendo o teu vermelho cabeçalho,
faminto e arquejante,
dando em vão rabanadas pelo espaço,
pedias um cabaço!

Um cabaço! Que era este o único esforço,
única empresa digna de teus brios;
porque surradas conas e punhetas
são ilusões, são petas,
só dignas de caralhos doentios.

Quem extinguiu-te assim o entusiasmo?
Quem sepultou-te nesse vil marasmo?

Acaso pra teu tormento,
indefluxou-te algum esquentamento?
Ou em pívias estéreis te cansaste,
ficando reduzido a inútil traste?
Porventura do tempo a dextra irada
quebrou-te as forças, envergou-te o colo,
e assim deixou-te pálido e pendente,
olhando para o solo,
bem como inútil lâmpada apagada
entre duas colunas pendurada?

Caralho sem tensão é fruta chocha,
sem gosto nem cherume,
lingüiça com bolor, banana podre,
é lampião sem lume
teta que não dá leite,
balão sem gás, candeia sem azeite.

Porém não é tempo ainda
de esmorecer,
pois que teu mal ainda pode
alívio ter.

Sus, ó caralho meu, não desanimes,
que ainda novos combates e vitórias
e mil brilhantes glórias
a ti reserva o fornicante Marte,
que tudo vencer pode co'engenho e arte.

Eis um santo elixir miraculoso
que vem de longes terras,
transpondo montes, serras,
e a mim chegou por modo misterioso.

Um pajé sem tesão, um nigromante
das matas de Goiás,
sentindo-se incapaz
de bem cumprir a lei do matrimônio,
foi ter com o demônio,
a lhe pedir conselho
para dar-lhe vigor ao aparelho,
que já de encarquilhado,
de velho e de cansado,
quase se lhe sumia entre o pentelho.
À meia-noite, à luz da lua nova,
co'os manitós falando em uma cova,
compôs esta triaga
de plantas cabalísticas colhidas,
por sua próprias mãos às escondidas.

Esse velho pajé de pica mole,
com uma gota desse feitiço,
sentiu de novo renascer os brios
de seu velho chouriço!

E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea
de noite ou de dia,
fodendo se via
o velho pajé!

Se acaso ecoando
na mata sombria,
medonho se ouvia
o som do boré
dizendo: "Guerreiros,
ó vinde ligeiros,
que à guerra vos chama
feroz aimoré",
- assim respondia
o velho pajé,
brandindo o caralho,
batendo co'o pé:
- Mas neste trabalho,
dizei, minha gente,
quem é mais valente,
mais forte quem é?
Quem vibra o marzapo
com mais valentia?
Quem conas enfia
com tanta destreza?
Quem fura cabaços
com mais gentileza?"

E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea,
fodia o pajé.

Se a inúbia soando
por vales e outeiros,
à deusa sagrada
chamava os guerreiros,
de noite ou de dia,
ninguém jamais via
o velho pajé,
que sempre fodia
na taba na brenha,
no macho ou na fêmea,
deitando ou de pé,
e o duro marzapo,
que sempre fodia,
qual rijo tacape
a nada cedia!

Vassoura terrível
dos cus indianos,
por anos e anos,
fodendo passou,
levando de rojo
donzelas e putas,
no seio das grutas
fodendo acabou!
E com sua morte
milhares de gretas
fazendo punhetas
saudosas deixou...

Feliz caralho meu, exulta, exulta!
Tu que aos conos fizeste guerra viva,
e nas guerras de amor criaste calos,
eleva a fronte altiva;
em triunfo sacode hoje os badalos;
alimpa esse bolor, lava essa cara,
que a Deusa dos amores,
já pródiga em favores
hoje novos triunfos te prepara,
graças ao santo elixir
que herdei do pajé bandalho,
vai hoje ficar em pé
o meu cansado caralho! 

Vinde, ó putas e donzelas,
vinde abrir as vossas pernas
ao meu tremendo marzapo,
que a todas, feias ou belas,
com caralhadas eternas
porei as cricas em trapo...
Graças ao santo elixir
que herdei do pajé bandalho,
vai hoje ficar em pé
o meu cansado caralho!

Sus, caralho! Este elixir
ao combate hoje tem chama
e de novo ardor te inflama
para as campanhas do amor!
Não mais ficará à-toa,
nesta indolência tamanha,
criando teias de aranha,
cobrindo-te de bolor... 

Este elixir milagroso,
o maior mimo na terra,
em uma só gota encerra
quinze dias de tesão...
Do macróbio centenário
ao esquecido mazarpo,
que já mole como um trapo,
nas pernas balança em vão,
dá tal força e valentia
que só com uma estocada
põe a porta escancarada
do mais rebelde cabaço,
e pode em cento de fêmeas
foder de fio a pavio,
sem nunca sentir cansaço...

Eu te adoro, água divina,
santo elixir da tesão,
eu te dou meu coração,
eu te entrego a minha porra!
Faze que ela, sempre tesa,
e em tesão sempre crescendo,
sem cessar viva fodendo,
até que fodendo morra!

Sim, faze que este caralho,
por tua santa influência,
a todos vença em potência,
e, com gloriosos abonos,
seja logo proclamado,
vencedor de cem mil conos...
E seja em todas as rodas,
d'hoje em diante respeitado
como herói de cem mil fodas,
por seus heróicos trabalhos,
eleito rei dos caralhos!
Bernardo Guimarães

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Lenda da Piroga de Cristal

Em todo 31 de outubro, posto aqui um texto sobre o Dia do Saci, data criada por Aldo Rebelo em contraposição ao enlatado Halloween, o dia das bruxas dos ianques.
Homenagem mais que justa e merecida. O Saci, em minha imodesta opinião, é a figura folclórica que, para o bem e para o mal, melhor representa o brasileiro. O Saci é o Macunaíma de uma perna só!
Na homenagem desse ano, nos comentários do blog, fui indevidamente zoado pelo meu velho camarada Marcellão, que duvidou de meu civismo folclórico e da brasilidade de minhas sinceras palavras ao perneta de barrete vermelho, só pelo fato de que eu, em minha adolescência e parte da vida adulta, fui grande aficionado dos quadrinhos de super-heróis, produto genuinamente ianque, estadunidense por excelência.
Suas exatas palavras foram : "Mestre Azarão, quanta brasilidade, eu até coloquei aquarela do Brasil para ler suas Gonçalvesdianas palavras. Palavras essas que deixariam um amigo meu um tanto embaraçado, sabe por quê? Pasme, grande mestre, ele é fã de ..quadrinhos Americanos, sim, e o pior ele é fã de um dos maiores ícones do "american way of life" o Capitão América e o pior de tudo: ele não me empresta o Heróis da TV número 5. É brincadeira ? Viva o saci!" 
Amigo é pra essas coisas : pra nos ferrar, pra botar no nosso rabo! Ou, pelo menos, para tentar. Tiro o meu da reta a dizer que, no fim das contas, interesso-me por lendas e mitos em geral. O que são os super-heróis, se não os deuses e semideuses modernos do panteão da cultura pop? Quem pode negar toda a mitologia por detrás do Super-homem, do Homem Aranha etc? Há mesmo deuses antigos inseridos e adaptados à mitologia dos super-heróis, Thor, Hércules, Odin, Hipólita, a rainha das amazonas e outros.
E para provar que sou grande entusiasta da mitologia tupiniquim, aproveito o ensejo para divulgar uma das lendas mais belas e românticas do folclore amazônico, e uma das mais desconhecidas também : A Lenda da Piroga de Cristal. Piroga, como todo mundo sabe, é aquela canoa indígena feita a se escavar um único tronco de árvore e, por isso, de tamanho variável. Tem índio com piroga grande, tem índio com piroga pequena e tem índio com piroga enooorme, como é o caso do índio da lenda em questão, o Boi Xavante, que confeccionou sua piroga a partir de um imponente jequitibá.
A lenda é cantada em música e verso por um dos maiores estudiosos de nosso folclore, o também comediante Paulo Silvino - ah! como era grande...
E antes que eu me esqueça, Marcellão : vá arrumar uma piroga pra envernizar!!!

A Lenda da Piroga da Cristal
(Paulo Silvino)
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar


Falado: "Essa é a lenda da Piroga de Cristal. Uma história escrita num tempo muito remoto, quando o Brasil nem era Brasil: era Pindorama. As pirogas, como vocês sabem, são as canoas dos índios. E tem índio com piroga pequena, piroga grande, depende do tamanho das árvores que eles derrubam para esculpir no seu tronco a piroga. Essa lenda conta o caso do índio Boi Xavante que derrubou um enorme Jequitibá e fez uma piroga imensa que ele mantinha sempre envernizada com óleo de carnaúba. Ele era muito repeitado na tribo toda por causa disso, porque ele alimentava toda a tribo com aquela piroga. Voltava sempre da pesca com a piroga cheia de peixe, e de vez em quando vinha até um siri preso na piroga. Era uma loucura! Até que um dia…"

Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar


Boi Xavante, índio bravo
Com um enorme pirogão
Raptou a índia filha
Do cacique Gavião

Seu marido, Cão do Norte
Aliou-se ao Pajé
Procurando vingar com a morte
A desonra da mulher


Destruam a piroga dele
Botem fogo na piroga dele
Pulverizem a piroga dele
Acabem com a piroga dele


Mas, Jaci ouviu
As preces do casal
E transformou a embarcação do Boi Xavante
Numa bela piroga de cristal

Mas a índia estabanada
Foi dançar de empolgação
Deu com o pé na bola errada
E quebrou o pirogão


Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar


Destruam a piroga dele
Botem fogo na piroga dele
Pulverizem a piroga dele
Acabem com a piroga dele

Destruam a piroga dele
Botem fogo na piroga dele
Pulverizem a piroga dele
Acabem com a piroga dele


Mas, Jaci ouviu
As preces do casal
E transformou a embarcação do Boi Xavante
Numa bela piroga de cristal

Mas a índia estabanada
Foi dançar de empolgação
Deu com o pé na bola errada
E quebrou o pirogão


Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar
Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo pro mar.

Para ouvir a música, é só clicar aqui, no meu poderoso PIROGÃO. E para a postagem do Saci, aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Pequeno Conto Noturno (48)

Zelda e Rubens acabam de trepar. Zelda fica estendida na cama, a sentir os músculos retornarem suas fibras às suas posições originais, a aproveitar os últimos instantes de lassidão e languidez. Rubens volta da cozinha, duas latas de cerveja nas mãos, abre-as, passa uma para Zelda.
Zelda se senta na cama, usa a parede de espaldar, bota ombros, omoplatas e coluna no lugar, abre as pernas, flecte os joelhos e puxa o lençol para si, que passa a cobrir seus ombro e peito esquerdos, umbigo e entrepernas.
- Rubens...
- Fala.
- Essa é o quê, a quarta ou quinta vez que venho aqui?
- Quarta.
- Reparei que não há vida por aqui.
- Está se referindo à minha mais recente performance?
Zelda ri. Zelda e Rubens sorvem grande gole de suas cervejas.
- Nada disso, até que você ainda tá vivo nesse aspecto, meia-vida, digamos.
Rubens ri.
- Bom, a meia-vida do urânio 235 é de setecentos e tantos milhões de anos, e ele continua radiativo, virulento, vou tomar como um elogio - Rubens esvazia a lata. Volta com mais duas.
- É sério, Rubens, não tem nenhum outro ser vivo por aqui.
- Claro que tem. Aos milhões, bilhões. Estão por toda parte, pelo ar, chão, em cima da mesa, nessa cama, quiçá até trilhões de bactérias, fungos, vírus.
- Vá tomar no cu, você entendeu, né, Rubens? Não tem uma planta que seja.
- Como não? E meu velho companheiro, o pé de boldo lá da sacada? Parceiro fiel, comigo há coisa de uns oito anos, boa cepa de genes, ele vai crescendo, vira quase que um arbusto, aí eu corto e replanto uns galhos e ele cresce viçoso, de novo.
- Boldo nem é planta, Rubens, é mato.
- Estabeleça a diferença.
- Tá querendo ganhar tempo pro pau subir de novo, né?
- Pode ser...
- Planta é planta, porra... dá flor, tem cheiro.
- O boldo também já deu flor uma vez, uns cachos roxos, cada flor parecendo um tamanco holandês, tenho fotos se quiser ver.
- Uma vez em oito anos.
- Sou um humilde contemplador do universo, contento-me com o que a natureza me oferece.
Zelda e Rubens arrematam a segunda lata. Rubens volta com mais duas.
- Já tive também uns dois cactos, morreram de sede.
- Tô falando sério, Rubens. Uma samambaia, uma azaleia, uma gérbera, uns crisântemos...
- Uma peônia...
- O quê?
- Esquece, história antiga. Iria morrer tudo, Zelda, jogo água e tal, mas não vai. Leu O Menino do Dedo Verde? Pois sou o cara do dedo cinza.
- Você conversava com elas, as acariciava?
- Tá de sacanagem, né?
- Verdade, elas têm que se sentir desejadas no ambiente.
- Quer que eu traga um refrigerante pra você, Zelda, acho que tá bebendo rápido demais.
- É sério.
- Pra falar a verdade, tentei uma vez, com umas begônias, mas não deu muito resultado. Não sei se elas eram surdas, mas eram mudinhas, entendeu?, não foi estabelecido um diálogo.
-Vá tomar no cu.
Rubens volta com mais duas latas.
- Então, um gato, Rubens. Adote um gato. Eles não vão te dar trabalho, são até parecidos com você, quietos, alheios, não escutam quando a gente fala, indiferentes, enigmáticos, ou vazios, sabe-se lá, e adoram lamber um cu.
Rubens ri, ri alto e pra caralho.
- Se gostam de lamber um cu, são dos meus, mas daí a adotar um...
- Eles são totalmente independentes, Rubens. Você deixa a comida na vasilha e eles comem na hora em que querem, vão comendo ao longo do dia, não tem que sair pra passear com eles, não tem que recolher os excrementos, basta ter uma caixa de areia e eles fazem tudo nela, no fim do dia, é só tirar a areia suja e pôr nova.
- Quer dizer que vou virar gari de gato? Garimpeiro de bosta de gato numa caixa de areia?
- Deixa de ser chato, eu arrumo um pra você. Melhor que seja uma fêmea. Está decidido, vou arrumar uma gatinha pra você, e você poderá chamá-la de Zelda, o que acha?
- Olha - começa Rubens, esvazia a lata, para de falar e busca mais duas; volta, senta-se de frente pra Zelda, olha pra sombra negra e densa entre as pernas dela que se faz translúcida pelo puído do lençol.
- Olha, por falar em gatos, bichanos etc, tem uma xaninha, sim, que pode me interessar - sem tirar os olhos da buceta cabeluda de Zelda.
- Ah, é? - Zelda que não é boba nem nada.
- É.
- E você vai cuidar bem da xaninha? Acariciar, fazer cafuné?
- Acaricio, faço cafuné, dou beijinhos e até cuido da higiene dela, dou uns banhos de língua nela...
- Dá uma aparadinha nos pelos dela quando estiver muito calor?
- Jamais. Aliás, ela está bem peluda, um belo tufo, é angorá?
Zelda ri.
- Safado, sabe que eu nunca toso a xaninha quando venho pra cá.
Rubens vai à geladeira e volta com mais duas. Zelda mandou o lençol que a cobria à puta que o pariu; porém, suas costas continuam apoiadas na parede; suas pernas, abertas e seus joelhos, flectidos.
- Quer mesmo a xaninha da Zelda, Rubens?
- Quero. E a caixa de areia, também.

O Dia do Poeta

O poeta acordou com ressaca, 
Poderia ter ficado mais um pouco à cama, o poeta, 
Mas ainda assim levantou; 
O poeta coou seu café amargo, 
Café que já é mais rotina que vício 
E de vícios precisa o poeta 
Da rotina, apenas para morrer; 
O poeta alimentou os gatos 
(sua única poesia do dia), 
O poeta varreu, esfregou, encerou 
Em faxina geral, gastou-se o poeta; 
O poeta foi ao supermercado, 
Enfrentou as filas dos frios, do varejão e do caixa, o poeta, 
O poeta enfrentou a burrice humana, 
À caça pelas prateleiras de cores e coisas inúteis, a burrice humana, 
O poeta achou que conseguiu não se exasperar muito; 
O poeta cozinhou o almoço, 
O poeta esperou o almoço cozinhar a tomar aguada cervejinha. 
O poeta comeu muito, 
O poeta ainda tinha fome, 
Não do tipo que se aplaca com algo mastigável, a fome a persistir no poeta; 
O poeta cochilou vespertino, 
Abatido pela leseira pós-prandial, o poeta. 
O poeta despertou 3/4 de hora depois, 
Ressaca de um dia perdido azedava a boca do poeta, 
O poeta não encontrou quem ele queria ter encontrado, 
O poeta não escreveu o que ele queria ter escrito; 
O poeta esperou a noite adiantar-se, 
O poeta foi dormir; 
O poeta tem emprego chato e estável amanhã pela manhã.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

VEGETANDO

Há uma incorreção em relação ao termo que dá nome a esta postagem, vegetando. Incorreção não no vocábulo em si, mas sim no sentido coloquial e mundano atribuído a ele; sentido esse que, inclusive, os dicionários corroboram em uma de suas acepções.
Vegetar, aos olhos e na voz dos léxicos humanos (que isso fique bem claro), significa : levar uma existência sem atividades, inútil, improdutiva, inerte etc etc.
Nada mais equivocado. E preconceituoso, por parte do bicho homem. Nada pode ser mais diligente que uma planta. Os vegetais obviamente não se deslocam, mas daí a estarem "parados", vai uma distância muito grande.
Nada é mais dinâmico, ativo e produtivo que o ato de vegetar. Cada célula da planta é um laboratório de primeiríssima linha operando a todo vapor, seus fornos, cadinhos e retortas trabalham em ritmo frenético - se comparadas a elas, as nossas células, as dos animais, são laboratoriozinhos de escola secundária; pública, ainda por cima.
Vegetar, portanto, em seu real sentido biológico, se justiça fosse feita aos vegetais, ou se uma samambaia pudesse escrever um dicionário, é o extremo avesso do estabelecido pelo senso comum, é atividade elaborada e ininterrupta.
Vegetar, entre outras coisas, significa recolher e processar substâncias simples do meio, como água e gás carbônico, e vertê-las em matéria orgânica (conhecida popularmente como alimento, rango) e gás oxigênio. Só isso! 
Você é capaz de uma proeza dessas, humano pretensioso, suprassumo da criação?
Antes a menina da ilustração, de John Holford, estivesse mesmo a vegetar. Ela e toda a geração atual de jovens, doentes, dependentes físicos e psicológicos dos telefones celulares. Ela e toda essa geração de jovens conectada (leia-se, agrilhoada) à matrix, alheia à realidade.
Antes a moça estivesse a vegetar. Antes estivesse a recolher informações, elementos e dados do mundo que a cerca e os processando, desconstruindo-os, recombinando-os, produzindo seus próprios pensamentos e pontos de vista, o seu próprio "oxigênio". Mas não. 
O termo correto para a ilustração, uma vez que meu enfoque é na menina, e não na hera que sobe por ela, é morgando. De morgue. Necrotério.
Mudando o foco, concentrando-me na hera, o título está perfeito, fidedigno, vegetando. A hera vegeta soberbamente, alastra-se de forma exuberante, brota a plenos sentidos, escala a menina como quem estivesse indistintamente aderindo a uma encosta íngreme, a um paredão rochoso, à fachada sombreada de uma casa, a um muro com infiltração. Pouca coisa mais que isso, a menina é.

Acabou a Graça Para os Assasinos do Charlie Hebdo

Hoje, apenas dois dias após o atentado canalha que matou 12 jornalistas do jornal francês Charlie Hebdo, a França já deu sua resposta aos assassinos : "Os irmãos suspeitos no ataque ao jornal satírico "Charlie Hebdo" estão mortos", disse a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e a polícia. Os irmãos Said Kouachi 34, e Cherif Kouachi, 32, morreram em uma muito bem planejada operação policial enquanto mantinham um refém em uma pequena gráfica em Dammartin-en-Goële, a 35 km a nordeste da capital francesa.
Lá para aqueles lados, lá onde os ventos sopram a verdadeira liberdade e democracia, não tem conversa com bandido, não. A solução é rápida, rasteira e eficiente. E sumária. O cara ganha uma passagem só de ida pro inferno, vai sentar na rola do capeta, e não tem conversa.
Esta é mais uma das incontáveis diferenças entre uma nação verdadeiramente desenvolvida, feito a França, onde não há distorções do conceito de liberdade, muito menos de sua prática, e uma republiqueta de bananas fadada ao perpétuo subdesenvolvimento, feito o Brasil. Mais uma das inumeráveis diferenças entre um país fundado e governado por pessoas de bem, a França, e um fundado e governado até hoje por bandidos. 
Em terras de Charles de Gaulle, bandido é tratado como bandido, à bala, fuzilado, morto primeiro pra não ter que ser interrogado depois; já em terra de degrados e de guerrilheiros que envergam a faixa presidencial, bandido é tratado a pão de ló, algumas vezes com mais direitos e regalias do que tem um trabalhador honesto. Pudera, há uma grande consciência de classe entre os criminosos. Os que ascendem em suas carreiras, que chegam a edis, prefeitos, parlamentares etc, não esquecem dos seus, fazem as leis para favorecer os colegas menos brilhantes, menos talentosos.
Façam-me um favor os que estiverem acompanhando de perto os fatos do atentado ao Charlie Hebdo, em suas leituras, se encontrarem qualquer coisa, uma notinha de rodapé que seja, sobre grupos de defensores dos direitos humanos chiando e enchendo o saco das autoridades policiais francesas, enviem-me, que eu publico aqui. Duvido que encontrem.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Os Gatos de Bukowski

Sei de muitas pessoas que não gostam de gatos. Sentem desconforto frente a eles, têm-lhes mesmo repulsa, aversão, ganas de exterminá-los.
À parte serem uns canalhas dignos de forca, pudera. O ser humano tende a repelir e a odiar com todas as suas forças tudo o que não compreende, o que não consegue controlar e subjugar, do que morre de inveja.
O ser humano não compreende o gato, sequer tem a certeza de como tenha se dado a aparente domesticação do elegante animalzinho. Enquanto o cão doméstico surgiu concomitantemente em várias regiões do planeta, a origem do gato caseiro teve um único epicentro, de onde, depois, foi levado a outras plagas : o antigo Egito, em plena aurora dos faraós, e deles era dileto mascote, compunha até o panteão de seus deuses, havia uma deusa-gata.
Quem garante que os gatos não nos chegaram a bordo das mesmas naves intergalácticas que por aqui desembarcaram faraós e deuses egípcios, ou, pelo menos, que não tenham por eles sido engendrados a partir da modificação genética de uma espécie nativa? Os gatos são enigmas, são pirâmides que deslizam fidalgas sobre quatro almofadadas patas.
Não há sequer indícios seguros de que o homem tenha domesticado o gato. Todos os animais que o homem domesticou, fê-lo para imputar algum fardo laborial ao bichinho, fê-lo com intenção puramente utilitarista. O cão, para a guarda e defesa da tribo e como auxiliar nas caçadas; o cavalo, transporte e força motriz; o gado bovino, carne, leite e couro para vestuário.
E o gato? De que uso prático e mundano é o gato para o homem? Com que intenção o homem o teria domesticado? A resposta é : o homem não domesticou o gato, não o convidou à sua casa. Se alguém é de utilidade para alguém, é o homem para o gato.
O provável é que o gato - ardiloso, manhoso e velhaco que só ele - tenha se oferecido em domesticação, de olho em abrigo e comida; o provável é que o gato tenha se convidado a entrar em casa humana e, com seu jeito discreto, furtivo, come-quieto, foi ficando, ficando...
Ao contrário do que ocorreu ao cão, ao cavalo etc, o homem não selecionou no gato as características de seu interesse - não havia nenhuma que fosse - : foi o gato que selecionou os humanos que se lhe prestavam à convivência. O homem foi escolhido pelo gato. O gato domesticou o homem para seus fins. Daí, a incompreensão do doutrinador doutrinado, o incômodo, o desejo, muitas vezes, de matar seu adestrador.
O homem, igualmente, não consegue controlar e subjugar o gato. O cão é um perfeito idiota babão, puxa-saco do homem; o homem diz, senta, e o bicho senta, diz, rola, e o bicho rola, joga um pedaço de pau e o bicho corre, pega e trás de volta, todo bobo alegre e festivo; por isso, o homem diz do cão o seu melhor amigo, o au-au faz tudo o que o bicho homem lhe ordena.
Alguém, por outro lado, já viu um gato adestrado? Ao comando humano, um gato se sentar, rolar, dar a pata e abanar o rabinho? O gato tá cagando pro homem. Experimente arremessar um graveto e ordenar que um gato o pegue. O bichano o olhará com um ar de indiferença, de enfado, virar-lhe-á as costas, sairá andando lânguida e sinuosamente, de rabo levantado, mostrando-lhe o cu, e aninhar-se-á em algum canto da casa, para uma boa soneca.
O gato não se prostitui pela ração barata que o homem lhe dá. O gato tem dignidade, tem amor-próprio. Eis outra grande evidência de que o homem não selecionou o gato, pois dignidade e amor-próprio são características que não lhe interessam selecionar em nenhuma espécie; nem nele mesmo.
E o homem morre de inveja dos gatos. Da liberdade noturna deles - gatos tem pirilampos por olhos, são pequenas luas argênteas, ágeis e com molas nas articulações -, de suas felinas distinção e elegância - por isso, por despeito, diz que todos são pardos -, de seus arrojo e leveza - gatos são tufos de paina com garras retráteis -, até da vida sexual dos gatos, o homem tem inveja - gatos são semideuses bacantes a fecundar os telhados.
Já eu, eu sou um entusiasta declarado dos gatos. Sou deles um confesso domesticado. Admiro-lhes a altivez, a galhardia, a graça fluida e esguia do andar. Encanta-me a independência deles. O cão, o dono tem que dar banho, ficar catando as bostas e lavando a urina espalhadas pelo chão, tem que levar pra passear etc, não faz porra nenhuma sozinho, o cão, um completo retardado. Com o gato, não tem nada dessas frescuras. O gato se banha com a própria língua e tem a refinada educação de enterrar seus dejetos - o gato é autolimpante. Já viram alguém a passear com um gato numa coleira? Claro que não. O gato traça suas próprias rotas, e não gosta muito de companhia ao caminhá-las. 
Independência, o seu nome é gato. Já viram alguém domesticado ser independente?
Arrebata-me, em definitivo, usufruir da luxuosa e discreta companhia dos gatos. O gato fica ali com você, mas na dele, não superlota o espaço com arfares, babares e ganidos. O gato é a melhor companhia que um solitário pode querer. 
Não à toa, o gato é o parceiro preferido dos grandes pensadores - afinal, quem é que consegue pensar em algo com um cachorro babando em sua perna e querendo brincar de ir pegar graveto? -, dos grandes escritores - os gatos são contemplativos, mesclas de solidão e melancolia.
Entre os aficionados por gatos, estão : Charles Bukowski, Truman Capote, Jorge Luis Borges, Ernest Hemingway, Neil Gaiman, Stephen King, Edgar Allan Poe, Patricia Highsmith, William S. Burroughs e Julio Cortázar.
Dos gatos, disse, certa vez, o velho sujo Bukowski, que chegou a ter nove de uma só vez : "Gosto de olhar os meus gatos, eles me acalmam. Eles me fazem sentir bem. Você sabia que os gatos dormem 20 das 24 horas do dia? Não se admira que tenham melhor aparência do que eu. Na minha próxima vida, quero ser um gato. Dormir 20 horas por dia e esperar ser alimentado. Sentar por aí lambendo meu cu. Os humanos são desgraçados demais, irados demais, obcecados demais".
Eu sempre tive gatos por animais de estimação. Corrijo : eles sempre me tiveram, sempre tive o privilégio de me elegerem para o seu dono de estimação. Houve a Quica, uma esbelta e delgada siamesa; nas madrugadas que eu varava a estudar para as provas da faculdade, ela se postava à minha frente, em cima da mesa, geralmente sobre um livro ou caderno, e ficava lá, em pé e imponente a me olhar, sem produzir único ruído, uma verdadeira estátua egípcia, uma pequena Bubastis.
Hoje, tenho duas gatas em casa, a Pretinha, exímia caçadora de beija-flores, e a Cleonice, minha parceira sempre presente e, no mais das vezes, imperceptível, como os gatos são mestres em ser. Estou na cozinha a preparar alguma comida e ela está a me observar, a me vigiar e guardar; estou a fazer faxina e ela segue o suado caminho da vassoura, a brincar e pular com os ciscos recolhidos do chão; se tiro um cochilo à tarde, ela vem se encostar em mim. 
Ao fim da noite, ou ao começo da madrugada, quando esposa e filho já estão a dormir, quando a própria casa ressona em profundo, geralmente me sento à sacada para contemplar a cidade, ouvir uma musiquinha, escrever minhas coisas, matar a última lata de cerveja, e a Cleonice vem. Pula em meu colo, roda, afofa meu colo com suas unhas e se enrodilha, sem peso algum. E fica. A ouvir minhas músicas, a escutar meus pensamentos... seu eu pudesse, sairia em desabalada carreira com ela pelos telhados.
Então, pego e leio um poema do Bukowski para ela. Não sei se ela entende, o que sei é que seu peito vibra e ronrona. E o meu também.
Bukowski e suas companhias prediletas : seus escritos, a birita e os gatos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Capô de Fusca

Eis o verdadeiro e autêntico capô de fusquinha! 
Pããããããta que o pariu!!!

Os 300 Sortudos da SEE

Sou funcionário público da área que hoje, por desplante, por sarcasmo, por canalhice mesmo, convencionou-se chamar de "educação", e por muito tempo evitei fornecer ao Estado um endereço eletrônico meu, resisti em dar ao onipresente, onisciente e onipotente Sistema uma maneira de me achar fora do espaço físico de meu trabalho.
Meu trabalho não é virtual, é presencial, com horários rígidos de chegada e saída, com direito à falta-aula por mais de 5 minutos de um eventual atraso, bem diferente das outras funções da escola - secretários, coordenadores, diretores -, que podem chegar e sair (ou, pelo menos, chegam e saem) na hora em que bem entenderem ou julgarem necessário (mas, afinal, quem vigia os vigilantes? Quem põe falta para os guardiões do livro-ponto?). Logo, todo e qualquer aviso ou comunicado deveria me ser passado em local e horário de trabalho. Sem essa do profissional invadir minha vida pessoal. Quero entrar em minha caixa de e-mails e dar de cara com mensagens de amigos, com power points de mulher pelada, não com avisos do trabalho.
Evitei ao máximo, acreditem, fornecer um e-mail meu ao Estado. Aconteceu que, há coisa de 2 ou 3 anos, no recadastramento funcional anual obrigatório, realizado no mês do aniversário, e do qual dependem os recebimentos dos pagamentos subsequentes, um novo item passou a ser campo de preenchimento obrigatório : um e-mail pessoal. Sem o qual o recadastramento não é concluído, fica em aberto, e o salário não cai na conta já no mês seguinte.
Coação aceita, resto de alma vendida, passei a receber regularmente comunicados do patrão : data-limite para isso, data-limite para aquilo, e informações sobre os mais variados cursos de capacitação profissional oferecidos ao docente pela Secretaria Estadual de Educação (SEE). Todos eles, os cursos, inúteis. Para inglês ver. Para o Banco Mundial ver. Tudo blá-blá-blá (eu não te amo). Tudo encheção de linguiça peidagógica. Tudo masturbação de defunto. Inócuos, para dizer o mínimo. Não se prestam nem a placebos acadêmicos. Apenas para gerar certificados e dizer que o governo investe na formação continuada do professor.
A farsa é a mesma em todos os patamares. São emitidos diplomas de Ensino Médio para jovens semianalfabetos e certificados de cursos sem teor nem substância para os docentes.
Ontem, foi um pouco diferente. Ontem, não houve informe de urgentes pendências nem de dispensáveis cursos. Entrei em minha caixa de e-mails e dei de cara com a seguinte mensagem : Sorteio de livro. Abri e estava lá : Olá Servidor da Educação! Conheça os 300 mais sortudos da SEE. Já foram sorteados os 300 livros da escritora Leandra Zanqueta, que doou aos servidores da Educação o livro ‘Diálogo sobre Etiqueta no Facebook’, que foi lançado agora no Brasil. Todos os servidores da Educação puderam participar. O sorteio foi feito hoje, às 15 horas, por meio do site Sorteador. Para conhecer os ganhadores acesse a Intranet Espaço do Servidor.
Pããããta que o pariu!!! Que sortudos, hein? Que puta livrão, hein, Diálogo Sobre Etiqueta no Facebook!
E eu que cheguei a pensar, antes de abrir o e-mail, que o Estado pudesse estar a sortear, sei lá, a prosa completa de Machado de Assis, ou a poética do Bandeira, ou a Origem das Espécies do Darwin, ou ainda coleções de livros didáticos... Porra nenhuma. Etiqueta no Facebook. E me senti até comovido com a benevolência da autora, Leandra Zanqueta, doou aos servidores da educação... Que bom coração! Que incremento sem precedentes para o cabedal de conhecimentos do professor paulista!
Estará o Estado a fazer troça de seu professorado ao presenteá-lo com tal compêndio de futilidade e falta do que fazer? Estará a menoscabar da capacidade intelectual daqueles que empossou como mentores das novas gerações?
Nada disso! O Estado sabe bem o gado que ele toca. Sabe muito bem do nível dos professores que, de uns 10 anos para cá, ele atrai, propositalmente, para as salas de aula com o salário miserável que paga. 
O Estado não está a zombar das novas levas docentes ao sortear o citado "livro"; pelo contrário, está é a fazer um agrado para seu quadro docente, um mimo para os seus comandados, um agradecimento à sua estrondosa reeleição.
Repito, o Estado conhece muito bem o rebanho que tange. Sortear Machado de Assis para professores de português iletrados, "formados" em cursos a distância? Sortear Darwin para professores de biologia que creem em Adão e Eva?  Conheço um professor de biologia que é adventista do sétimo dia, outro que é testemunha de Jeová, um de Geografia que é evangélico.
Diálogo Sobre Etiqueta no Facebook é mesmo o máximo que seus entendimentos podem alcançar. E também o que lhes pode ser de mais "útil". Há tempos - e bota "tempos" nisso - que não vejo um professor com um livro em mãos, muito mal o didático de sua disciplina (eu, confesso tristemente, já fui leitor mais assíduo, hoje falta-me tempo, mas ainda assim me imponho, nem que seja de madrugada, a leitura obrigatória de dois livros mensais).
Só o que se vê nas mãos dos novos docentes (e nas de muitos dos velhos, também) é a porra do celular, smartphone ou como quer que chamem a essas estrovengas. 
E o que eles tanto consultam em seus oráculos eletrônicos? Leem as notícias do dia, pesquisam novos textos de suas disciplinas? Porra nenhuma. Ficam o tempo todo no facebook e, agora, no tal whatsapp.
Invariavelmente, chego às 7 da manhã na escola e já tem professor a ocupar os computadores da sala dos professores. No facebook. Computadores públicos, que são (seriam) disponibilizados apenas para atividades ligadas à prática docente. Pois o sujeito chega na escola, ainda limpando as remelas, e vai usar um computador público para assuntos particulares. E mesmo os que se utilizam de seus próprios computadores e celulares para acessar o "face", fazem-no pelo wi-fi da escola. Não há mais a menor distinção entre o particular e o profissional por parte da maioria dos novos docentes (e por muitos velhos, também, repito), seja em sala de aula, seja nos corredores da escola, seja na sala dos professores. Talvez porque não haja mais a parte profissional. 
E o que tanto fazem no facebook? Fica um cheirando o peido do outro! Um idiota coloca lá uma besteira e mil idiotas curtem e cutucam. Vai um cutucando o cu do outro e cheirando o dedo. Talvez venha disso a necessidade de uma certa etiqueta para o facebook, regras e maneiras corteses de bem cutucar o cu alheio, sem ofender. E o whatsapp, então? Noventa por cento do que já vi ser enviado são fotos de pinto, de caralhão!
Diálogo Sobre Etiqueta no Facebook é, sem sombra de dúvida, o melhor presente que o Estado pode ofertar aos seus professores. E ainda tem gente que reclama do Alckmin...
E tem mais : o sorteio não foi realizado aleatoriamente entre todos os professores do Estado, não foi extensivo a todo o universo docente paulista; os livros foram sorteados apenas entre os professores que se inscreveram para ele. Sim, o cara se inscreveu para concorrer ao Diálogo Sobre Etiqueta no Facebook.
E foi mais disputado que vestibular pra Medicina. Pããããããta que o pariu!!!
Abaixo, a preciosidade que não pode faltar em nenhuma biblioteca que se preze. Parece que até as bibliotecas Britânica, a British Library, e a de Coimbra encomendaram uns exemplares; para colocá-los lado a lado, respectivamtente, com os originais de Shakespeare e James Joyce e os manuscritos dos Lusíadas.
E o professor paulista ganhou-o, de graça! Que sorte!!!