domingo, 15 de março de 2015

No Tempo das Cavernas...

Você nunca se perguntou por que os homens das cavernas puxavam as mulheres pelos cabelos?

MST e o Mc Lanche Feliz

Em tempo : só há um pequeno equívoco no excelente texto de Ruy Fabiano, O Recado das Ruas, que reproduzi na postagem anterior e abaixo; na verdade, uma pequena desatualização por parte do articulista.
Ele diz que cada militante pago do MST recebe, para fazer arruaça e atrapalhar o trânsito e o sábado de quem trabalha, 35 reais, transporte gratuito e um sanduíche de mortadela. Sanduíche de mortadela é o caralho! 
Já se foram os tempos em que os safados, em que a vagabundada do MST comia sanduíche de mortadela. Isso foi nos tempos em que o PT ainda não estava no poder. Hoje, os MSTs comem é no McDonald's.
MST-MACDONALD
É o McLanche Feliz bancado pelo PT! Ou seja, pelos nossos impostos, pelo dinheiro dos trabalhadores. 
E McLanche Feliz de graça é mais feliz ainda, os desocupados do MST riem de orelha a orelha, lambuzam-se de Big Mac, um dos ícones do capitalismo selvagem, da burguesia opressora. Tudo sem dente, mas que riem de orelha a orelha, isso riem. 
E o que eles estão fazendo aí, por que não estão plantando mandioca e banana - agricultura de subsistência, que é só o que sabem plantar, pois não requer técnica nem estudo - nas terras roubadas de gente honesta? Cuidado, MSTs, enquanto vocês ficam fazendo baderna em terras civilizadas, "suas" terras ficam lá, improdutivas. Vá que alguém as invada?

O Recado das Ruas, por Ruy Fabiano

Excelente texto!
O RECADO DAS RUAS

ruy fabiano
Lula, entre outras façanhas, recolocou as Forças Armadas na agenda política do país. Ao convocar o “exército do Stédile”, o MST, para ir às ruas e derrotar os que se opõem ao PT – 93% da população, segundo pesquisa em mãos do Planalto -, deu a senha para que se justifique a presença militar na cena pública.
Felizmente, tal não ocorreu. Os militares sabem distinguir bravata de realidade. O “exército do Stédile” paga R$ 35 por soldado, fornece transporte em ônibus alugados com verba do imposto sindical e mais um farnel de sanduíche de mortadela.
Não foi suficiente para reunir mais que sete ou dez mil “soldados” na avenida Paulista. Mas Stédile avisa: “Engraxem as chuteiras, pois o jogo apenas começou”. Que jogo? Com esse time, não se chega nem à quinta divisão.
O PT, na verdade, está apavorado. Se apenas 7% do país apoiam o governo Dilma, estamos diante de uma de duas hipóteses: ou a burguesia aumentou o seu tamanho – e é a maior do planeta – ou o partido perdeu sua massa de manobra.
protestos-i
Manifestantes remunerados chegam em ônibus alugado
O que restou ao PT foi a militância paga, o “povo profissional”, que se manifesta em dias de semana porque não trabalha. A conivência do governo federal é óbvia. Quando os caminhoneiros fecharam as estradas, mandou a Guarda Nacional reprimi-los; quando o MST fez o mesmo, não mandou ninguém.
Enquanto os caminhoneiros protestavam contra o aumento do diesel – que é vendido mais barato no Paraguai, que o importa de nós -, o MST protestava contra a burguesia e o imperialismo. Aos caminhoneiros, foi aplicada a multa de R$ 10 mil por dia de paralisação; ao MST, foi fornecida a remuneração acima.
O roubo não é um componente ideológico. Não é de esquerda, nem de direita: é simplesmente um crime, capitulado nos códigos penais de países “de esquerda” e “de direita”. A população, em sua esmagadora maioria, nem sabe o que são esses conceitos. Mas sabe muito bem o que é embromação, malandragem – e sabe distinguir bem a retórica do mentiroso.
Sabe constatar gestos de cara de pau, quando, por exemplo, os predadores da Petrobras convocam um ato em defesa da empresa que eles mesmos liquidaram. Quando Lula, no ato da ABI, em que convocou o “exército do Stédile”, diz que “a Petrobras é nossa”, está sendo sincero pelo avesso. Comete um ato falho, sem o perceber. A frase embute uma confissão, que explica o que a CPI está apurando na Câmara dos Deputados.
O PT, na oposição, se dizia diferente dos demais partidos. No governo, mostrou que não era: era igual no que eles tinham de pior. É hoje aliado dos que, no passado, classificava de ladrões. Hoje, diante do Petrolão, um escândalo sem precedentes, se esforça para mostrar que é igual a todos, que apenas deu sequência a uma prática já instalada. Com isso, piora o que já é ruim.
Quando alguém se defende de um ilícito com o argumento de que outros também o praticaram, não está propriamente se proclamando inocente. Quando esse alguém é governo, acrescenta ao delito de que é acusado outro: o de prevaricação.
Se seu predecessor, de fato, delinquiu, e ele, 13 anos depois, o revela, sem ter tomado qualquer providência punitiva, é, no mínimo, cúmplice por omissão.
São contradições como essas, que o desespero produz, que, por acúmulo, levaram à insatisfação popular expressa na última pesquisa. A manifestação de amanhã, aguardada com imensa expectativa, não pertence a nenhum dos partidos de oposição, embora seja legítimo que estes a ela se associem.
Mas, entre seus recados explícitos, está a decretação não apenas da falência moral do PT e do governo, mas de todo o sistema político que os viabilizou. A oposição tem que olhar com humildade e autocrítica este momento, se pretende a ele sobreviver. E o PT deve começar a providenciar a operação-retirada, ainda que permaneça figurativamente no governo.
Não se governa com 7%. Nesses termos, é preciso baixar a crista e buscar socorro político enquanto é tempo. E o socorro político hoje não está na Praça dos Três Poderes, mas na sociedade, que exige novos rumos (e novos governantes) para o país. Esse o recado das ruas, que assistiremos neste domingo."

sábado, 14 de março de 2015

O Ateu Que Vendia Bíblias

Um vegetariano pode trabalhar ou ser proprietário de um açougue ou frigorífico? Um abstêmio, ser vendedor de bebidas ou barman? Um gordo, nutricionista ou professor de educação física? Um eunuco, comerciante de camisinhas ou de viagra? Uma biblioteca, ter livros do Paulo Coelho ou do Rubem Alves? Uma feminista, vendedora de sutiãs ou de cera ou lâminas para depilação?
Pode o Roberto Carlos vender Friboi? A Sandy, cerveja Devassa? A Xuxa, creme hidratante Monange (na faixa de R$ 5,00 a embalagem com 200 ml)? O Zeca Pagodinho, brahmeiro xiita, cerveja Schincariol? Angélica e Luciano Huck, produtos Niely Gold (preços idem aos da Monange)?
Pode. Claro que pode. É feito no mundo das drogas ilegais, a maioria dos grandes traficantes não usam a droga que vendem. Tudo é comércio. É business. Tudo é questão de meter a mão no bolso do crédulo.
E um ateu, pode ser vendedor de Bíblias?
É o que faz o estadunidense Trevor McKendrick. Em 2012, ele ficou sabendo que um parente seu estava faturando cerca de oito a dez mil dólares mensais com a venda de aplicativos para iPhone. Querendo abiscoitar pelo menos uns 600 dólares mensais, fez uma rápida pesquisa na Apple Store (sei lá que porra é essa) sobre aplicativos já existentes do Livro Sagrado e só encontrou um, de uma Bíblia em espanhol. O aplicativo, segundo Trevor, era horrível, muito malfeito, "uma merda". Contratou um programador para acrescentar-lhe melhorias, entre elas uma versão de áudio em espanhol, e pronto : passou a arrecadar de cinco a seis mil dólares por mês.
Só que agora, Trevor, que levou pouco mais de uma hora para desenvolver o aplicativo, revela-se com drama de consciência, constrangido por ganhar tanta grana com a Bíblia, uma vez que é ateu. “É difícil de acreditar que esse dinheiro é real porque não me custou a ganhar”, disse.
Deixe de melindres, rapaz. Cinco ou seis mil dólares por mês? Padres, pastores, rabinos e outros que tais arrecadam muito mais e igualmente a você também não creem naquele pastiche todo da Bíblia. A diferença é que eles são franqueados de deus e você atua, digamos assim, na economia informal, no mercado paralelo. Você pode ser comparado àqueles vendedores antigos de livros, que iam de porta em porta. E daí que, aparentemente, não está satisfeito com seu trabalho, quem é que está?
E, se isso lhe tranquiliza e abranda um pouco mais sua culpa, saiba que, de qualquer maneira, ninguém vai mesmo ler a sua Bíblia eletrônica. Ninguém lê esta porra. Nem em papel, quanto mais na versão eletrônica. Ela vai ficar lá, perdida entre outros e tão inúteis aplicativos como ela, colocada no mesmo balaio dos Whatsapp e Angry Birds
Feito as Bíblias de papel que, antigamente, ficavam expostas, abertas, em cima da mesa ou de qualquer outro móvel com lugar de destaque nas salas de estar. Elas ficavam lá apenas como objeto de decoração, a pegar poeira, a querer passar a impressão para possíveis visitas de que naquele lar habitava uma família temente a deus. Até minha mãe teve uma dessas. Se não me falha a minha falha memória, ela veio de brinde quando meu pai nos comprou a Enciclopédia Barsa, o Google da época. O único que, de vez em quando, dava-lhe uma folheada, era eu.
O seu aplicativo da Bíblia, sagaz Trevor, ficará apenas como um objeto de decoração das telas de celulares e smartphones, a dar uma impressão de espiritualidade e moralidade ao seu portador, junto às futeís e frívolas selfies e mais a um monte de fotos e vídeos de caralhões e xavascas.
Mas não sei, não. Acho que você não é ateu porra nenhuma! Toda essa culpa, esse remorso, esse remordimento... Só um cristão os carrega em tanta carga.
Trevor McKendrick, o criador de "La Bíblia", aplicativo em espanhol da Bíblia.
Madre de Dios!!!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Sexta-Feira 13, o Dia do Azarão

Dia do azar é o caralho! Sexta-feira 13 é o Dia do Azarão!!!
E pra cima do Azarão não cola mandinga, despacho, olho-grande nem olho gordo, nome na boca do sapo nem na beiça da perereca, café coado em calcinha, ziquizira nem praga de puta. 
Vacino-me todos os dias. Moro em um prédio de 3 andares, sem elevador. Todos os dias, várias vezes por dia, ao iniciar minha subida pelos lances inferiores da escada, passo embaixo, óbvio, dos degraus superiores; passar embaixo de escadas é comigo mesmo. Tenho duas gatas, uma delas, preta como a noite sem lua e café turco; ela cruza meu caminho todos os dias, várias vezes por dia. Tenho anticorpos concentrados contra o azar. Meu sangue é o próprio soro antiofídico contra a peçonha da má sorte.
Sou composto do próprio mau agouro, sou monolito, matéria escura, buraco negro de má probabilidade.
Só uma coisa pode dar azar ao Azarão em uma sexta-feira 13 : trabalhar! Assim sendo, valendo-me de minha condição de funcionário público, doei sangue logo pela manhã e ganhei o dia todo de ociosidade. Doei sangue : pesar (72 kg), medir a pressão (11 x 7), verificar hemoglobina (49%); entrevista com enfermeira/assistente social - dormiu bem, viajou para outras regiões, fez tatuagem, tomou vacina, está em tratamento dentário, só transa com sua mulher, já transou com homem, recebeu sangue? -, agulha pra cavalo na veia, drenagem de meio litro de sangue, lanchinho - suco de manga, bolacha de água e sal e sanduíche de quase presunto e muçarela - e as recomendações de evitar esforços físicos e, principalmente, ingerir muito líquido, repor a seiva perdida.
Obediente que sou, ao chegar em casa, pus-me a seguir as prescrições médicas. Coloquei o toca-cd na mesa da sacada - só musicão antigo - pu-lo a tocar e me sentei a ouvir velhas canções e a me hidratar. Água de coco? Gatorade? À puta que pariu, que, assim como mau-olhado, viadagem também não cola : três bons latões gelados da boa Itaipava, concebida das cristalinas águas das serras de Petrópolis; em oferta nessa semana, R$ 1,59 o latão, boa e barata. E o dia esteve de fato proprício a essas pequenas e inofensivas licenciosidades, a fazer jus à sua fama : nublado, chuvoso, cinzento.
Emborcando um suco de cevada, ouvindo Adoniran, cabeça vazia, ateliê do diabo (e o diabo que molda suas argilas e seus mármores em mim é um Michelângelo, um Rodin), resolvi pesquisar a origem do azar injustamente atribuído à sexta-feira 13.
Sempre supus, dados os seus símbolos clássicos - bruxa, gato preto -, que remontasse à Idade Média, à caça às bruxas, à satância Santa Inquisição Católica. Errei. E gostei de errar. Surpreendi-me favoravelmente.
Não é que, aparentemente, a origem da má fama da sexta-feira 13 remete à mitologia nórdica, à patota do meu camarada Thor? Faz todo o sentido a sexta-feira 13 ser o dia do Azarão e ter descendência nórdica. Sempre fui muito mais afim da turma de Odin que da de Zeus. Não é à toa que há o martelo de Thor no frontispício do Marreta, ameaçando marretar a cabeça de deus e espalhar os miolos desse velho safado pelos confins do universo. Similia similibus curantur. Tenho alma escandinava! Só reencarnei, por artimanhas de Loki, o maldito, em errôneas latitudes. Um asgardiano encarcerado em corpo cucaracha.
O azar atribuído à sexta-feira 13 nasceu de duas lendas nórdicas. De acordo com a primeira, Odin resolveu organizar uma reuniãozinha entre amigos, um comes e bebes, um rega-bofe no Valhalla, a morada celestial dos guerreiros nórdicos, e convidou outros doze deuses para a festa. Esqueceu-se de Loki. Loki, o filho anão dos gigantes de gelo. Loki, o trapaceiro, o príncipe da mentira. Loki, filho adotivo de Odin, meio-irmão de Thor. Sentindo-se preterido, talvez por não ser filho legítimo de Odin, Loki reagiu ao bullying do Pai Celestial : apareceu na festa sem ser convidado e armou um baita de um quebra-pau cujo trágico desfecho levou à morte de Balder, o mais belo dos deuses. Instituiu-se, então, a superstição de que convidar 13 pessoas para jantar era desgraça na certa e esse número ficou marcado como símbolo do azar.
Faz sentido, isso de 13 comensais atraírem desgraça. Não eram igualmente treze, os convivas da santa ceia, Cristo e mais doze apóstolos? E vejam só o azar desgraçado que o cristianismo trouxe para o mundo.
A outra lenda diz respeito à gostosíssima esposa de Odin, Frigga. Se bem que nem precisava dizer que Frigga, deusa da fertilidade, amor e união, era gostosíssima. Ou alguém acha que Odin, sendo o Todo-Poderoso do panteão, iria desposar uma baranga? Uma troll de pernas e suvacos cabeludos, uma integrante do Femen de Asgard? Segundo essa lenda, quando as pagãs tribos nórdicas se converteram ao cristianismo, Frigga foi decretada bruxa e exilada no alto de uma montanha. Em retaliação, Frigga passou a se reunir, em todas as sextas-feiras, com mais 11 feiticeiras e o próprio Satanás - num total de 13 participantes, portanto - para rogar pragas sobre a humanidade. Que sortudo, o Satanás, uma orgia pagã com 12 gostosas em todas as sextas-feiras. O nome Frigga deu origem aos vocábulos friadagr e friday, sexta-feira em escandinavo e inglês, respectivamente.
Aliás, eu não entendo a conversão dos povos pagãos ao cristianismo; na verdade, não entendo a necessidade que a maioria tem de seguir uma religião, qualquer que seja ela. Mas deixar uma religião que celebra a natureza e suas forças, que tem a Vida, enfim, como deusa e doutrina, para seguir outra que celebra a morte e o suplício? Deixar uma religião que lida naturalmente com o corpo e seus desejos para seguir outra que o demoniza e trancafia, carrega-o de culpa e pecado? Aí, é que eu não entendo mesmo. No paganismo, tem festa do equinócio, do solstício, da colheita etc etc, parece uma Bahia com neve, e tudo com muita comida, muita bebida e todo mundo dançando pelado em volta da fogueira. Trocar uma religião na qual a fogueira serve de lúmen e calor para amantes copularem ao gélido ar livre por outra em que a fogueira serve para queimar gente, é instrumento de pena de morte?
Dia do azar é o caralho! Sexta-feira 13 é o Dia do Azarão. Matei o trabalho, tomei uns bons latões de boa e barata cerveja, ouvi uns musicões antigos, li um pouco de mitologia nórdica.
O seguro, contudo, morreu de velho. Não creio em bruxas, mas que elas existem, existem. Só para garantir, só por precaução, afinal, o Marreta é objeto de muito quebranto, posto aqui dois dos amuletos mais infalíveis contra o azar ; o trevo-de-quatro-folhas e o pé de coelho.

quinta-feira, 12 de março de 2015

(Re) (Com) Pensa

Gosto de pensar
Que o que não se pensa de dia
À noite se pensa,
Se compensa.

Gosto de pensar
Que a insônia
É uma recompensa.

Mil e Uma Madrugadas

Me acode
Me sacode
Me acorda não do pesadelo
Mas do meu sono sem sonho
Do meu revirar de estômago medonho
De todas as manhãs
(as manhãs são a parte mais assustadora dos dias
  fetos malformados das estrelas
  prematuros extirpados a fórceps pelo aborteiro sol
  natimortas das mil e uma madrugadas).

Me alegra
Me esfrega com desejo
Com três desejos
Punhete a lâmpada de Aladim
Liberte, de novo,
O meu gênio.
A palavra
A criação
Que querem se ver expulsas,
Jorradas
Ejaculadas
Furúnculos que vêm a furo
Desengaioladas de mim
(Muito mais valem dois pássaros voando
Que um no cadafalso).

quarta-feira, 11 de março de 2015

Por Isso

Não me negaste teus olhos, 
Teus braços, 
Teus músculos me enlaçando com o vigor do aço : 
Me negaste a felicidade fácil. 
Por isso minha vingança, 
Meu desprezo, 
Minha fome em te ver caída. 

Não me negaste apenas bálsamo para a ferida, 
Tua língua, 
Tua saliva: 
Me negaste a felicidade esquiva. 
Por isso minha necessidade de te pôr em tristeza, 
Por isso meu escárnio 
A cortar, vento gélido e seco, a tua pele indefesa, 
Por isso essas rugas em teu espelho. 

Não me negaste teus cabelos, 
Teu colo, 
Tua voz a afugentar meus pesadelos: 
Me negaste a felicidade nua em pelo. 
Por isso a minha vontade de em ácido te emergir, 
Por isso a minha zombaria, 
Muco pegajoso, 
Querendo ao oxigênio te impedir. 
Por isso essa tua agonia sem aviso. 

Não me negaste teu sorriso, 
Teu ventre, teus dentes, 
Teu umbigo : 
Me negaste a felicidade que eu tanto persigo. 
Por isso meu desdém, 
Minha urgência em te vestir em pranto, 
Por isso meus incisivos 
A espalhar teus segredos pelos quatros cantos. 
Por isso essa minha ânsia em te embutir dor 
A suprema dor dos que sabem que nada saberão, 
A grande dor dos sábios.

Por isso te deixo sangrando 
E nem espanto as varejeiras 
Que ovos em seus lábios vão depositando.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (13)

Essa é clássica! É Tom Jobim e Billy Blanco no ataque e Lúcio Alves e Dick Farney a fazer zaga e meio de campo.
É a Tereza da Praia. A Tereza é da praia, não é de ninguém, não pode ser tua nem minha também. Passa o verão com um, esquenta-se com o outro no inverno. Se ela é tua, é minha também. É o corno guarda compartilhada!!!

Tereza da Praia
(compositores :Tom Jobim/Billy Blanco
  intérpretes : Lúcio Alves e Dick Farney)
Oh, Dick?
- Fala, Lúcio
Arranjei novo amor no Leblon
- Não diga!
Que corpo bonito, que pele morena
-Eu conheço
- Que amor de pequena, amar é tão bom

- Tão bom...

- Oh, Lúcio?
- Fala meu irmão
- Ela tem o nariz levantado?
- Tem
- Os olhos verdinhos
- É mesmo?
- Bastante puxados

- No duro?
- Uhum
- Cabelo castanho, né?
- É, e uma pinta do lado...

- Ah, a pinta...

- Ela é minha Tereza da praia
- Não pode ser... Se ela é tua é minha também
- Não pode ser... O verão passou todo comigo
- É, mas o inverno pergunta com quem


Então vamos
A Tereza na praia deixar
Aos beijos do sol
E abraços do mar


- Tereza é da praia
- Não é de ninguém
- Não pode ser tua

- Ha, ha ... nem tua também
-Tá legal
 

Tereza é da praia
Não é de ninguém...

domingo, 8 de março de 2015

Pau de Cervis

Grande e saudoso Mussunzis!!!!

O Dia Internacional da Mulher : Mirem-se no Exemplo Daquelas Mulheres do Chico

O Chico é gênio! Não bastasse, é também o xodó da mulherada!
A mulherada se derrete pelo Chico. O Chico é o psicanalista dos sonhos femininos. É o divã em que toda mulher adoraria se deitar. O Chico é o Freud da alma feminina.
A mulherada encharca a calcinha pelo Chico. O Chico psicografa a essência etérea da mulher para as letras de suas canções. É o médium do conturbado espírito da mulher. O Chico é o Chico Xavier da alma feminina.
A mulherada descabela a perseguida pelo Chico. O Chico decodifica e traduz os hieróglifos da alma da mulher. É o arqueólogo de seus anseios imemoriais. É o Champollion da alma feminina.
É por essas e por outras que nada pode ser melhor que uma canção do Chico para homenagear a mulherada em seu dia internacional. 
E nenhuma canção do Chico pode ser melhor que Com Acúçar, Com Afeto para celebrar tão marcante data.
Com Açúcar, Com Afeto é muito mais que uma ode à boa mulher, à boa esposa. Com Açúcar, Com Afeto traz conselhos e orientações de suma valia para a mulher preservar a convenção social que lhe é mais cara, o casamento, o sagrado matrimônio. 
É uma receita infalível para a manutenção da preciosa paz no lar. O bê-a-bá da mulher que pretende conservar o seu benquerer, uma verdadeira cartilha de educação sentimental, a Caminho Suave da nem sempre tão suave relação homem-mulher.
Com açúcar, Com Afeto fala da mulher que fica em casa à espera do marido, que, a pretexto de batalhar pelo ganha-pão, vai aos bares tocar sambas antigos com os amigos e ficar olhando as saias de quem passa pelas praias. 
É a própria Mulheres de Atenas dos tempos modernos. É Ulisses e Penelópe dos subúrbios cariocas. E à chegada do marido, ela não se aborrece nem ralha com ele, vai sim é providenciar o conforto e o repouso de seu guerreiro : "logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato e abro os meus braços pra você".
Mulherada, mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Chico!!!

Com Açúcar, Com Afeto
(Chico Buarque) 
Com açúcar, com afeto
Fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa
Qual o quê!

Com seu terno mais bonito
Você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa


Você diz que é um operário
Sai em busca do salário
Pra poder me sustentar
Qual o quê!


No caminho da oficina
Há um bar em cada esquina
Pra você comemorar
Sei lá o quê!


Sei que alguém vai sentar junto
Você vai puxar assunto
Discutindo futebol


E ficar olhando as saias
De quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol


Vem a noite e mais um copo
Sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar


Na caixinha um novo amigo
Vai bater um samba antigo
Pra você rememorar


Quando a noite enfim lhe cansa
Você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão
Qual o quê!


Diz pra eu não ficar sentida
Diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração


E ao lhe ver assim cansado
Maltrapilho e maltratado

Como vou me aborrecer?
Qual o quê!


Logo vou esquentar seu prato
Dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você.

sábado, 7 de março de 2015

Vamos Cortar a Sua Pica

Falei várias vezes aqui que as feministas não brigam porra nenhuma pela igualdade legal dos direitos das mulheres - até porque essa igualdade constitucional existe há tempos; nos casos em que ela não for observada, acione-se a justiça e fim de papo. Feministas não querem o bem da mulher. Feministas querem é o mal, a desgraça, a ruína do homem. Feministas não querem o convívio equânime e pacífico entre homem e mulher. Querem transformar o homem em inimigo público nº 1 da xavasca. Feministas querem é mais bucetinhas sobrando na praça. Feministas têm complexo de castração. Feministas queriam é ter uma enorme benga a lhes pender do meio das pernas. Feministas morrem de inveja do pênis. Feministas castrariam todos os homens se pudessem.
Exagero? Pelo contrário. Acho até que pego levo no tom.
Em Campinas, dentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das melhores do Brasil e também ocupante de louvável posição no ranking mundial das melhores universidades, transexuais femininas estão a sofrer ameaças de feministas radicais.
As ameaças, por enquanto, são apenas verbais e os banheiros femininos da universidade têm sido o palco para as feministas expressarem seus azedumes, seus recalques e seus ódios ao pau. As mensagens às transexuais são pichadas nas paredes internas dos sanitários : Vamos cortar a sua pica, Não deixe (sic) os machos ocuparem nossos espaços, Ser mulher não é calçar nossos sapatos etc. Todas assinadas com um desenho do símbolo biológico que representa a mulher.
A estudante Amara Moira, doutoranda em Teoria Literária pela Unicamp, publicou em seu Facebook as ameaças e constrangimentos que vem sofrendo por mensagens no banheiro. Disse ainda que, ao lado de Bia Pagliarini e de Jéssica Milaré, outras duas transexuais, fez uma denúncia para a Diretoria Acadêmica e que irá solicitar que a Unicamp faça capacitações e sensibilizações sobre as pessoas trans para funcionários e alunos. 
Feministas são anacrônicas, patéticas e desprezíveis. Feministas se dizem injustiçadas, autodeclaram-se vitimas, não porque de fato sejam (ou ainda sejam) vítimas, mas sim para poderem agredir livre e impunemente outros segmentos da sociedade.
Além disso, feministas são autênticos tribufus, pavorosas mocreias, verdadeiros espanta-caralhos. O pau de um macho não representa nenhum risco para uma feminista. Ela não precisa querer cortá-lo. Basta ficar pelada em frente ao macho, mostrar-lhe o suvaco cabeludo e os peitos escorridos até o umbigo, que o pau dele amolece na hora. Fica inofensivo, inofensivo.
Ser mulher não é calçar nossos sapatos, diz uma das mensagens. E muito menos nossos sapatões, digo eu. Ser feminina não é ser feminista. Feminista é o cafajeste que nasceu sem pau.
Sei que meus amigos - poucos, porém, todos mal-intencionados, todos uns filhos da putas - vão até me zoar pelo que vou dizer, mas cruzo, volta e meia, de manhãzinha, a caminho de meu trabalho, com alguns travestis que estão a largar do serviço e muitos deles são muito mais femininos do que muitas feministas com as quais tive o desprazer de ter que conviver em meu local de trabalho. Mas transexual tem pau, né? Tem. E vocês acham que alguma dessas feministas tem um grelo com menos de 15 centímetros de comprimento?
Coincidência ou não, o grito de guerra das feministas da Unicamp, Vamos cortar a sua pica, é quase homônimo ao título do megahit musical do grupo Pagu Funk, Vou Cortar Sua Pica, cuja letra traz momentos líricos e poéticos : "se chegar lá na favela com esse papo de machista, vou cortar sua pica, vou cortar sua pica; se ficar se aproveitando de buceta de novinha, vou cortar sua pica, vou cortar sua pica" . 
Não conheciam? Pois vejam e tenham pesadelos.
Nem precisa nem cortar, minha filha. Ela já tá molinha, molinha. Imprestável. 
Terão elas inspirado as feministas da Unicamp?

Carona Solidária é o Cacete!

Nessa semana, uma foto causou comoção na web, a de um pica-pau de topete vermelho a carregar às suas costas um pequeno mamífero, um filhote de furão.
A foto enterneceu, adoçou e derreteu o coração do mais sensíveis, dos amantes da natureza, dos, com perdão da má palavra, ecológicos.
Assim colocada, unicamente como foto, fora de seu real contexto, a imagem levou os idiotas acima mencionados a reavivarem todos os clichês à respeito da vida natural : como é bela e bondosa a Mãe Natureza, com que harmonia vivem e se relacionam os animaizinhos, com que paz, com que presteza e solicitude cooperam entre si, depois eles é que são chamados de irracionais etc etc etc. Muitos disseram que o pica-pau aderira ao programa Carona Solidária.
Bela, eu concordo. Mas bondosa, de paz e solícita, a Mamãe Natureza? Porra nenhuma. Carona solidária é o cacete!
O pequeno furão pulou às costas do pica-pau para torná-lo em sua refeição matinal, em seu Sucrilhos Kellogs, e não para pegar carona numa cauda de cometa, ver a Via-Láctea, estrada tão bonita. E o pica-pau alçou voo para tentar derrubar o furão ao chão, e não para fazer um passeio com vista panorâmica da região com o pequeno carnívoro.
Para quem não sabe, o simpático furão (que, em algumas reportagens, foi confundido com um esquilo) faz parte da família dos Mustelídeos, os baixinhos mais invocados e sanguinolentos do mundo animal. São parentes do "caroneiro" acima, as doninhas, as ariranhas (conhecidas também como os lobos dos rios) e o carcaju, que, em terras do Hemisfério Norte, atende pelo nome de Wolverine.
Bondosa e pacífica, a Mamãe Natureza? De jeito nenhum. Ela é justa, isso sim; o que, na maioria das vezes, muito a distancia de ser bondosa, ao menos da concepção de bondosa que nós, humanos, fazemos.
A Mamãe Natureza não mima seus rebentos, não passa talquinho no bumbum de suas crias, não tem melzinho na chupeta, nem chupeta. A lei da Mamãe Natureza é o salve-se quem puder, é o ferro na boneca, é o pega pra capar e o correr pra não ser capado. A Mamãe Natureza tira seus filhos cedo da cama e não lhes põe à mesa o café da manhã, é cada um por si e Ela contra todos, o bicho acorda pensando em quem ele vai comer (no mau sentido) e em como não ser comido.
Não há estatutos especiais para favorecer a essa ou àquela espécie, ordem, classe ou família na Constituição da Mamãe Natureza; não há leis que protejam e preservem o preguiçoso ou o incapaz. Na Carta Magna da Mamãe Natureza, não tem Estatuto da Criança e do Adolescente, nem a Lei da Palmada. A Mamãe Natureza privilegia os que já nasceram mais fortes, mais rápidos, os que se escondem melhor. O fraco, o "delicadinho", não Lhe interessa, não desperta seu instinto maternal.
Porém, não obstante o caso do pica-pau e do furão não ser um exemplo de carona solidária, eles, os caroneiros, existem, sim, na Natureza. Folgados existem em todos os lugares, em todas as espécies e táxons. Abaixo, exemplos de verdadeiros caronistas da natureza.
Esse, que não é bobo nem nada, arrumou um blindado, um tanque de guerra para se locomover.

A morte pede carona, ou melhor, a morte dá carona.

O sujeito pega carona num caracol! Que falta de pressa (ou tá com a sogra em casa)! Que vida ociosa deve ter! Que zen! Que inveja!

Bom, acho que o caso aqui não é de carona, não. Sendo o macaco o bicho safado e sem-vergonha que é, animalzinho dos menos confiáveis, é quase certo que o pequeno primata não esteja querendo só um passeio na "faixa", não. Ele deve estar a fim de dar um cutuco no cu da arara. E pela cara da arara, acho que a cabecinha já entrou. Pããããta que o pariu!!!

Morre Uma Canção

Pessoas morrem e, óbvio, entre elas, compositores e cantores. E a velha Ceifadeira, se tem alguma, não demonstra preferência por gênero musical; colhe os do rock (Raul Seixas, Cazuza, Renato Russo), os do brega (Wando, Reginaldo Rossi), os da MPB (Tim Maia, Jair Rodrigues, Elis Regina), os do sertanejo (Tonico, Tinoco, Duduca, José Rico).
Mas e canções, morrem? E não digo da morte metafórica de uma canção, de seu homicídio culposo pela fraca e ingrata memória humana, não falo de sua morte dada quando ninguém mais lembra dela, ninguém mais a escuta, cantarola, assobia. Que essa causa mortis várias têm escrita em seus atestados de óbito.
Digo da morte literal da canção, ou ao menos da morte de seu objeto.
Pois nessa semana, morreu Vital e Sua Moto, do Paralamas do Sucesso. 
Vital Dias, que contava com 55 anos, foi o primeiro baterista dos Paralamas, e sua vida, tema do primeiro sucesso do trio brasiliense. Corria e viajava, era sensacional, a vida em duas rodas era tudo o que ele sempre quis, Vital passou a se sentir total com seu sonho de metal. Quem é que não se lembra? Até eu, que pouco simpatizo com os Paralamas.
Vital Dias foi substituído na bateria por João Barone logo no início da carreira do grupo. Li, não sei até que ponto é verdade ou se apenas uma parte dela, que Vital Dias faltou a um dos shows do Paralamas e foi imediatamente substituído. Uma faltazinha só e outro já foi posto em seu lugar? Não sei, repito, se é verdade, mas, se for, é uma atitude bem condizente com o líder do grupo, o mala, o bom moço, o perfeitinho, o cagador de regras Herbert Vianna. Abaixo, Vital e seu sonho de metal, mas que união feliz!
Conselho de seu pai, motocicleta é perigoso, Vital
Vital e Sua Moto
(Os Paralamas do Sucesso)
Vital andava a pé e achava que assim estava mal
De um ônibus pro outro aquilo para ele era o fim
Conselho de seu pai: "Motocicleta é perigoso, Vital.
É duro de negar, filho, mas isto dói bem mais em mim."


Mas Vital comprou a moto e passou a se sentir total, sentir total
Vital e sua moto, mas que união feliz
Corria e viajava, era sensacional
A vida em duas rodas era tudo que ele sempre quis

Vital passou a se sentir total
Com seu sonho de metal

Vital passou a se sentir total
No seu sonho de metal

Vital passou a se sentir total
Com seu sonho de metal

Vital passou a se sentir total
No seu sonho de metal


Os Paralamas do Sucesso iam tentar tocar na capital, (na capital)
E a caravana do amor então pra lá também se encaminhou
Ele foi com sua moto, ir de carro era baixo astral
Minha prima já está lá e é por isso que eu também vou.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Papai Noel Traz Perdão Para Genoino no Processo do Mensalão

Os ministros do STF aprovaram hoje (04/03), por unanimidade, a extinção da pena imposta ao ex-presidente do PT, José Genoino, no processo do mensalão. Ele foi beneficiado pelo indulto natalino, previsto em decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff em dezembro do ano passado; é o primeiro dos réus do mensalão a ter sua pena suspensa.
Condenado a 4 anos de 8 meses de prisão por corrupção ativa, Genoino havia cumprido até 25 de dezembro, em prisão domiciliar, no conforto do seu lar, um terço de sua pena, o que lhe permitiu requerer o indulto.
Genoino não é mais um condenado. É um ficha limpa. Genoino foi um bom menino e o Papai Noel trouxe-lhe o tão desejado presente.
Surpresa? Nenhuma! O Azarão prevera, há mais de um ano, mais esse ardil do PT. Se não leram, confiram :

Imagino

Tenho sementes de uma pimenta preta
A secar num prato sobre o micro-ondas.
Surrupiei a negra pimenta
Nunca antes vista por mim
Parece uma pequena e mal-humorada berinjela
Com sérias intenções de plantá-la
De um jardim desvigiado
Em minha última viagem.
Sempre que esquento minha ração no micro-ondas
Olho para elas.
E as imagino já plantadas e nascidas
Em vasos suspensos na minha sacada.
Suas folhas roxas a ofuscar o crepúsculo
Seu suor pungente a flagelar narizes.
Mas só imagino.

Tenho uns 18 livros
Abandonados no armário embutido do corredor
- a biblioteca mais dessistematizada do mundo -
À espera de serem cheirados
Acarinhados, postos no colo.
Imagino-me lendo-os
À sombra do tamarindo de Augusto dos Anjos
Dos carnavais do Bandeira
Dos escarros sanguíneos de Álvares de Azevedo
Das ressacas de Bukowski.
Mas só imagino.

Tenho uma caixa de sapatos
Cheia de CDs
Pra mais de duzentos
- Todos baixados da net, sequestrados dessa dimensão paralela -
Dispostos feito bilhetes da sorte em gaveta de realejo.
Imagino-me periquito desse realejo
A pinçar um CD aqui, outro acolá
A beber seus acordes e suas letras
Ouvindo um grande caneco de cerveja
A descobrir novidades em antigos intérpretes
E tumbas e museus preservados nos novos compositores.
Mas só imagino.

E mesmo imaginar
Já tem me sido tão cansativo.

The Sex Selfie Stick Camera Vibrator, o Pau de Selfie do Sexo

Pois é, caro Leitinho, se você pensou - assim como eu - que a engenhosidade humana para a invenção de bugigangas, traquitanas e quinquilharias houvesse atingido seu limiar mais baixo com a criação do escabroso pau de selfie, enganou-se. 
O tal pau de selfie que todos conhecem (tenho certeza de que você comprou um) não é o verdadeiro pau de selfie. É apenas um protótipo, a versão beta do autêntico pau de selfie, lançado agora pela empresa Lovehoney.
É o Svakom Gaga Camera Vibrator - sim, parece aqueles produtos das Organizações Tabajara -, já apelidado de the sex selfie stick camera vibrator, ou pau de selfie do sexo, no bom (quase) português.
É um consolo dotado (não muito) de um dispositivo de câmera HD que transmite em tempo real, via cabo USB, imagens do interior da vagina para celulares e computadores, e daí para o mundo, para as redes sociais, para o estrelato.
A distinta donzela enfia o sex selfie stick camera vibrator na buça (ele tem 6 velocidades de masturbação, é resistente a tração e à prova d'água - tem que ser, né?) e vai filmando a desenvoltura, o crescente das contrações da musculatura vaginal, desde o início da siririca até a crispação final do orgasmo.
"Ele permite à usuária conhecer seu corpo em sua totalidade, graças à filmagem em alta definição da câmera", diz um porta-voz da empresa.
A novidade deixou também a boiolada em polvorosa, consumida pela dúvida. O sex selfie stick camera vibrator pode igualmente ser usado no cu? É adaptado para o terreno mais acidentado, enlameado e adverso do esfíncter anal? É capaz de filmar com igual qualidade as piscadelas da argola? E o tamanho? Será que só vem no padrão nipônico? 
Não sei, moçoilas, não sei. E  nem quero saber. Pãããããta que o pariu!!!!
Por muito menos, Sodoma e Gomorra foram vaporizadas do mapa em duas explosões atômicas de proporções bíblicas(literalmente). O Todo-Poderoso já não é mais o mesmo. Anda muito condescendente para com a humanidade.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Pescadores de Lembranças

Reencontramo-nos,
Velhos amigos.
Hiato de meses para alguns,
Cânion de décadas para outros.
Reencontramo-nos,
Mais velhos,
Mas ainda reconhecíveis
Pouco erodidos pelo tempo
Ou tão erodidos
A ponto de nossas memórias 
Não lembrarem de quando éramos jovens.
Reencontramo-nos,
Brindamos ao presente
Que nossas vidas, sim, são boas,
Mas celebramos, de fato, o passado.
Munimo-nos da garrafa de um bom rum
E de varas e de linhas e de anzóis
E montamos acampamento e vigília
Às bocas de nossos lagos de reminiscências;
O lago de um, um pouco mais fundo que o do outro,
O do outro, pouca coisa mais largo que o do um,
Mas todos escuros e brenhosos,
Superfícies de águas estagnadas,
De algas, limo e lodo. 
Emborcamos a primeira dose
Sem gelo.
Pusemo-nos à pescaria de nossas lembranças.
Puxadas para fora de suas hibernações,
De suas locas,
A engodo, a anzol.
Algumas lembranças
- bem poucas, é verdade -
Romperam grandes, pesadas e furiosas
A flor d´água,
Aduana entre o ontem e o hoje.
Viçosas, substanciosas e de escamas iridescentes.
Estas, transformamos em assados,
Ensopados,
Moquecas,
Na brasa,
Sashimi.
Lambemos os beiços,
Canibais de nós mesmos.
Outras lembranças
- a maioria das fisgadas - 
Vieram peixes pequenos.
Devolvemo-as aos nossos lagos
Para, quiçá, engordarem com a ceva de saudades futuras.
Outras, ainda,
Apenas levaram nossas iscas,
Preferiram permanecer em suas profundezas,
Histórias mal lembradas, não fisgadas,
As mais sábias, estas.
E em nossa próxima pescaria,
Meus amigos?
Que lembranças fisgaremos,
Uma vez que a nossa mais recente
Será a desta pescaria de lembranças?
Fisgaremos a lembrança de nós
À beira do lago fisgando lembranças?
E na outra?
A lembrança da lembrança de nós
À beira do lago fisgando lembranças?
Até ele ficar despovoado,
Viveiro profícuo
Apenas de alevinos de inércia.
(Fotografias tiradas de outras fotografias tiradas de fotografias de fotografias de outras fotografias. Salão de espelhos que refletem um ao outro. Fractais derretendo pelos ralos, pelos escoadouros).