sábado, 13 de junho de 2015

Transplante do Caralho

Grande feito da medicina : seis meses após ser submetido a uma cirurgia de transplante de pênis, depois que a peça original de fábrica foi amputada em um ritual de circuncisão, um sul-africano de 21 anos será pai.
Quem deu a informação à imprensa foi o médico urologista Andre van der Merwe, responsável por conduzir o milagroso procedimento cirúrgico. Na época do transplante, a equipe médica manteve sigilo sobre a inédita cirurgia, apenas alguns meses depois, constatado o êxito da mesma, é que Merwe divulgou os auspiciosos resultados, sobre os quais foi lacônico e categórico : “o órgão sexual do paciente está funcionando plenamente".
A intenção agora é ampliar as cirurgias de transplante de benga para atender casos de homens que perdem o sentido e a razão de viver em decorrência de um câncer e até, em casos em que nem o viagra dá jeito, para homens com disfunção erétil, a famosa paumolescência crônica.
Segundo Merwe, a parte mais complicada de todo o processo é encontrar doadores, e um que seja totalmente compatível com o transplantado. Mas o jovem sul-africano teve sorte, um órgão acabou chegando de um paciente morto e se encaixou perfeitamente em seu novo corpo.
Que porra é essa de caralho compatível? Tem que ter o mesmo comprimento do finado? Ou será que o que pega é a bitola? Quer dizer que não dá pra escolher o modelo novo? Quer dizer que o despirocado não pode, à guisa de compensação pelo trauma de ter perdido o melhor amigo, como um incentivo para alavancar seu novo início de vida, receber uma atualização em seu sistema operacional, um upgrade de seu hardware?
Ah, a Ciência... Tão transcendente ao se embrenhar por quarks, mésons, bósons, táxions e outras criptas escuras da alma do Universo e da Criação e, ao mesmo tempo, tão apega e dedicada ao mundano, ao carnal, ao morredouro.
Mas avanço é avanço, mesmo que seja um retrocesso. E nenhum progresso na área da saúde humana, sobretudo na área da paudurescência, pode ser desprezado, ou feito em mote de piada, escárnio e maldizer. Mas que seria muito estranho ser um transplantado de benga, isso seria.
A mulherada poderá não entender o que vou dizer agora, mas o homem que honra e gosta de verdade de seu pau (e só do seu) se identifica e se reconhece mais nele do que no próprio rosto. Um transplante de face causaria menos colaterais danos psicológicos que um de pau. O cara olha pro pau novo e não é o dele, não é ele, é o pau de outro homem, é um outro homem ali, a lhe sair pelo meio das pernas.
Se o cara for mesmo um macho das antigas, nem punheta ele tocará mais. Até para mijar, vai ficar difícil. Imagine-se acordando de madrugada para ir ao banheiro, meio grogue de sono, e dar de cara com um pau que não é seu. Vai achar que está num banheiro público de rodoviária.
Aliás, em macho das antigas nem adianta tentar o transplante. É rejeição garantida!
E se o cara, vitimado por um câncer, ou, pior, pelo insensível aço frio da vingança de uma amante traída, recebe o pênis de um doador broxa? A paumolescência será também herdada pelo novo dono? 
E o viadinho, então? Depois de anos de ansioso aguardo na fila de transplantes, analisando detida e meticulosamente cada possível doador, acordar com o novo pau e perguntar pro médico : "Ai, doutor, mas que merda é essa, tem certeza que o senhor não costurou no lugar errado, não?" Ou, então, pedir outro pra levar pra casa, só por precaução, doutor, uma peça de reposição, um refil de benga. Pããããta que o pariu!!!
Quanto à escassez de doadores, não compartilho dessa preocupação com Merwe. Não sei lá na África do Sul, mas aqui no Brasil essa operação seria uma mão na roda pra muita gente. Seria procuradíssima por candidatos a uma nova benga e mais ainda por doadores dispostos a se livrarem das suas ainda em vida. O que tem de travecão pé de mesa por aí doido para cortar o pau fora não tá escrito. No Brasil, basta aliar os horários das duas cirurgias, a de mudança de sexo e da de transplante de benga, é cortar de um e costurar no outro. O governo pode até incentivar as doações. Pode colocar cartazes de conscientização em ambientes habituais da travecada, boates, casas de shows, pontos de prostituição. Ao invés de, por exemplo, Doe sangue, salve vidas, Doe para um japonês, salve uma japonesa.
De qualquer forma, apesar dos pesares, efeitos colaterais considerados - afinal, a vida é sempre um risco, não é? -, coloco-me desde já como o número um da fila, o portador da senha 001 para quando o Kid Bengala morrer.
E já que falei também de outro transplante, o de face, na eventual necessidade de uma, creio que a do George Clooney é a que mais seria compatível com minha estrutura óssea craniana. Cara do George Clooney e benga do Bengala... que força da natureza eu não seria. Imbatível. Pãããããta que o pariu!!!
Parece que esqueceram um pedaço da benga doada pendurada na luminária do centro cirúrgico. Ficou parecendo um daqueles microfones de estúdio. Como diria o Costinha : Ziraaaaallllldo!!!!

Profissões Japonesas

Roubado do blog do Leitinho, segundo o qual "tudo que é dele é meu e o que é meu é dele" e postado especialmente para o amigo Jotabê, que é, fiquei sabendo hoje, um profundo conhecedor da língua japonesa.
Conhece outras, Jotabê? Eis aí um desafio à altura do seu poder mutante trocadilhesco.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Nós, Os Leões Casados

Níquel Náusea, por Fernando Gonsales.

Pequeno Conto Noturno (53)

Três e tanto da madrugada. Rubens aguarda que o operador de caixa da farmácia, que a essas horas vazias faz também as vezes de balconista, volte ao seu posto para lhe cobrar sobre o envelope de Engov, cujos comprimidos, ao chegar Rubens em casa, serão deglutidos com um bom macerado de boldo, de folhas provenientes da extensa horta farmacopeica de Rubens, um único vaso ao canto da sacada. E Rubens se lembra de que o boldo está em flor, espigas de flores roxas, em forma de tamancos holandeses e com estames amarelos; Rubens não se comove com a miséria humana, tampouco se impressiona com seus grandes feitos, mas é capaz de, e lhe apraz, admirar por horas uma inflorescência de boldo.
Engov e boldo, Rubens já ouviu deles serem só placebos, agentes sem nenhuma eficácia cientificamente comprovada. Só placebo?, pensa Rubens. Só? O efeito placebo é a prevalência da mente - perfeita e subsubsubutilizada - sobre o corpo - tosco, falho, podre e superestimado. Placebos, o Engov e o boldo? Rubens torce para que sim. Um remédio de "eficácia cientificamente comprovada" é apenas um remendo para o corpo, é costura nova em fazenda velha e esgarçada; o placebo é  um aditivo, um catalisador para a mente (só placebo?), e se vendido a preço barato, feito o Engov, ou obtido a custo nenhum, feito o boldo, tanto mais agrada a Rubens.
O operador de caixa chega, e também um homem atrás de Rubens, a se fazer sentir sem se anunciar; ao menos pelos sentidos sempre em alerta e paranoicos de animal noturno de Rubens. Cheiro de casa antiga, porém, bem zelada; de biblioteca secular, porém, bem espanada do pó e reforçada diariamente em seus escudos de querosene e naftalina, uns vapores de parafina e um quê de Leite de Colônia, aquele do frasco verde.
A mão do homem se coloca em paralelo à de Rubens na esteira do caixa, em concha, ocultando e deixando entrever, por um vão entre os dedos médio e indicador, um pacote de preservativos e uma nota de 20 reais, bem na inscrição Deus Seja Louvado.
- Pode passar isso para mim, meu filho? - disse o dono da mão, maior que a de Rubens, bem cuidada, unhas bem aparadas e lixadas, cobertas com base, cutículas feitas e nós entrefalanges levemente mais grossos e rústicos que o restante, lembranças indeléveis, talvez, de um passado de labuta pesada.
Rubens olha para o cara. Um senhor de seus 60 anos, semblante respeitável, inspirador de confiança, cabelos de um gris azulado, penteados para trás, fios mantidos no lugar por brilhantina ou Trim, rosto bem escanhoado. Como a justificar e a reforçar o pedido feito a Rubens, ele desce o zíper de seu casaco e revela um colarinho clerical, um padre.
São três e porrada da matina, pensa Rubens. Na farmácia, só ele, o padre e o caixa/balconista, todos homens, qual seria o impedimento do próprio padre pagar pelas camisinhas? Além do mais, o casaco de camurça do padre, fechado até o pescoço, ocultava totalmente o colarinho clerical, e não havia outra forma de identificá-lo ou reconhecê-lo como um sacerdote. Poderia passar tranquilamente pelo caixa com seu disfarce, mas preferiu revelá-lo a Rubens e contar com que ele lhe fizesse um favor. Poderia, inclusive, ter ido à farmácia sem a veste sacerdotal por baixo do casaco. No entanto, saiu caracterizado e disfarçado e revelou a escamoteação por vontade própria.
Algo estava muito errado nesse fim de noite, Rubens pressente. Mas, enfim, quando é que algo dava certo em suas madrugadas?
Rubens passa o seu Engov e o pacote de camisinhas do padre. Já fora da farmácia, entrega-o para o padre juntamente com o troco.
- Muito grato, filho, poucos teriam feito esse favor.
- E deus não está vendo, padre?
- Claro que sim, filho, mas Deus não liga para isso, não, quem proíbe é a religião, que é coisa dos homens, o Papa. E acredito também que a madrugada é a hora que Deus reservou para que as pessoas sejam como de fato são, a maioria prefere dormir, mostrando que vieram ao mundo apenas para engrossar o rebanho, enquanto que outros, como nós, meu filho, ficamos por aí, procurando alguma coisa que faça sentido.
Rubens olha para o padre com certa simpatia pelas suas opiniões.
- Não concorda, meu filho?
- Eu já acho que a madrugada é a hora que deus reserva para ser o que de fato ele é, ou seja, para parar de fingir que é deus.
- É um descrente, filho? Eu poderia retribuir a gentileza que me fez na farmácia lhe pagando um café? Cairia bem a essa hora.
Definitivamente, alguma coisa está mesmo muito errada, conclui Rubens. Mas sempre não está? E quem é Rubens para contrariar as probabilidades?
Uma cafeteria de esquina. Um café expresso para Rubens, um com leite para o padre. Rubens pega um Engov e o engole com o primeiro gole de café.
- Prevendo um amanhecer difícil, meu filho?
- Um dos comuns.
- Deve ter um monte de perguntas sobre mim, não é? Um padre, às três da manhã na rua, pedindo que lhe comprem preservativos...
- Nenhuma das perguntas que temos são sobre os outros, padre, todas são sobre nós mesmos, e se o senhor tem respostas convincentes para as suas, por mim tá tudo certo.
- Ora, ora, um sábio... o bom Deus deu-me a companhia de um sábio nesse fim de noite.
- De um bêbado falastrão. Deus está lhe vendendo bêbado por sábio, gato por lebre, existência por vida, como ele sempre faz.
- Não crê mesmo em Deus, né, meu filho? Ou, pelo menos, tem uma visão muito distorcida Dele, do que Ele é e de como Ele opera.
- Não creio, mesmo.
- Como podemos, então, estar aqui, meu filho, a falar e discutir sobre algo que não existe?
- Porque é o que nós, humanos, fazemos de melhor, falar do que não existe. Ao invés de nos ajustarmos ao que é real e bem usufruirmos dele, inventamos imaginários mundos que nos seriam melhores, mais acolhedores e aprazíveis. Admito que, nesse caso, um bondoso deus que a tudo provê, cuida, protege, conforta e conduz a humanidade pela mão feito a uma criança mimada e incapaz, faria muito sentido, viria bem a calhar. Contudo, padre, basta olhar em volta, o mundo não tem nada de acolhedor nem de aprazível para a grande maioria, logo...
-  ...logo, Deus não existe, é isso?
- Ou o senhor, padre, tem uma visão muito distorcida Dele, do que Ele é e de como Ele opera.
O padre ri.
- Você trabalha com o quê, filho?
- Defina trabalho, padre.
- Trabalho, ora, trabalho. 
-Então, eu defino. Trabalho, fisicamente falando, é o resultado de uma força que, aplicada em determinada direção e sentido, promove o deslocamento do objeto de sua aplicação. Transpondo esse conceito para o que chamamos de profissão, seria um esforço que, aplicado e direcionado a um certo objetivo, causasse uma mudança, preferencialmente para melhor, no objeto de sua aplicação. Assim posto, não. Não trabalho. Meu esforço não opera nenhum deslocamento de uma situação inicial, tampouco alguma mudança.
- Entendo a definição, lembro dela de meus tempos de colégio interno, mas não a sua conclusão e menos ainda isso me dá alguma indicação de sua profissão.
- Imagine-se, padre, a rezar uma longa missa para uma plateia composta unicamente por ateus, isto é, por pessoas totalmente desinteressadas e indiferentes ao que o senhor professa, e que essas mesmas pessoas, todos os dias, fossem obrigadas a ouvir o seu sermão, e o senhor, obrigado igualmente a recitar suas ladainhas sempre para essas mesmas pessoas. Imagine o senhor chegar à missa do dia seguinte e, por exemplo, ao começar a falar de uma das parábolas de Cristo, levantarem a mão e perguntarem quem foi Cristo, sendo que o senhor falou dele, da mesma parábola, no dia anterior, e no anterior, e no anterior. Imagine o senhor acordar todo o santo dia sabendo que, por mais que bem reze sua missa, sempre, no dia seguinte, no seguinte ao seguinte e ad infinitum, todos continuarão sem saber quem foi Cristo, como se o senhor nunca dele houvesse dito.
- Seria o inferno, meu filho!
- Pois isso, padre, é o que, hoje em dia, chamam de lecionar.
O padre ri, de novo.
- Meu filho, a noite se finda, não gostaria de continuar com nossa agradável e quase herética conversa lá na casa paroquial? Poderíamos ficar mais à vontade, tenho um bom vinho na adega...
Eis a coisa errada que o instinto de bicho noturno de Rubens pressentira desde o começo.
- É o seguinte, padre, eu sou um cara sem crenças, logo, sem preconceitos ululantes, mas tenho minhas preferências.
- Novas preferências podem surgir, meu filho, e mesmo se sobreporem às antigas.
Noite perdida, ressaca das brabas já raiando; no inferno, Rubens resolve fazer o jogo do capeta.
- E rolaria, padre, nessa nossa brincadeira, uma freirinha recém-ordenada, ou uma novicinha tenra, só para arejar um pouco o ambiente?
- Hoje, com certeza, não, meu filho. Mas o futuro a Deus pertence. Tenha fé e Ele proverá.
Rubens gargalha. O padre era um grande dum filho da puta. Rubens gostou dele. Mas não o suficiente para lhe comer o toba. A tal altura da vida, pensa Rubens, cu de padre é item de que não preciso em meu currículo.
- Pois quando deus nos prover da novicinha, o senhor me avisa, tá?
Imediatamente, um celular salta às mãos do padre.
- Qual seu celular, meu filho?
- Não tenho celular, padre.
- Facebook?
- Não tenho.
- WhatsApp?
- Também não tenho. Isso é tudo coisa do capeta, padre.
- E como faço para lhe contatar, meu filho? - o padre muito louco, levando à sério a sacanagem de Rubens.
- Pergunte ao seu deus, ele sabe tudo, saberá lhe dizer onde e como me encontrar.
Rubens levanta, vai ao balcão, olha para a geladeira das cervejas, cuida de escolher a mais cara e pede ao balconista.
- Põe na conta do padre ali.
Abre a long neck, dá uma boa talagada. Do balcão, ergue a garrafa em direção ao padre, um brinde e um tchau.
- Deus lhe pague, padre.
E volta para a madrugada.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

19ª Parada do Orgulho Gay : Respeito, Tolerância e Crucifixo no Cu

A bicharada estava toda lá, na 19ª Parada do Orgulho LGBT, toda alegre e efusiva, toda purpurinada e besuntada de óleo, todo mundo vestido de borboleta, com o cuzão à mostra e exigindo respeito e tolerância à diversidade. Aí, uma bichona, quem sabe meio entediada, vai ver pensou, tô aqui sem fazer nada mesmo, de bobeira, à toa na vida... já sei, vou enfiar um crucifixo no cu
Ficou de frango assado e vupt, lá se foi Cristo buraco adentro. E no peito, a inscrição : dar o cu é uma delícia! Pããããaããta que o pariu!!!
Silas Malafaia e Marco Feliciano têm muito o que aprender sobre tolerância com o representante LGBT aí acima.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O Novo Bar do Araújo (Ou : Revelada a Face do Herói)

A brava e épica luta do comerciante Joaquim Araújo, dono do Bar do Araújo, em Palmas (TO), para manter aberto e em funcionamento o seu estabelecimento, desgraçadamente ladeado, flanqueado e acossado por duas igrejas evangélicas da porra, bem como a sua capitulação frente à canalha cristã foram dos assuntos mais buscados e comentados da net na última semana, dez dias.
Só aqui no meu imodesto e desconhecido blog, as postagens sobre o Bar do Araújo tiveram, somadas a da resistência e a da queda, para mais de 1300 acessos.
Tanta foi a comoção causada pelo drama de Araújo frente ao verdadeiro espírito cristão, que é o da intolerância e o do aniquilamento do inimigo, tantas foram as manifestações e moções de apoio ao boteco por parte dos internautas que logo rumores, provavelmente plantados por evangélicos mal-intencionados (a redundância foi inevitável), a dizer que Araújo e seu bar nunca existiram começaram a circular, boatos de que tudo fora mais uma invencionice da internet, que as fotos, tanto a do bar ainda aberto entre as duas igrejas como a do bar já com o letreiro coberto de tinta, a indicar ponto comercial livre, eram montagens.
Invenção porra nenhuma! Não posso afirmar, claro, mas colocar em descrédito a existência de Araújo, torná-la em fake, transformá-la em mais uma lenda virtual, bem pode ter sido uma tentativa dos evangélicos para se eximirem da culpa pelo prejuízo e transtorno que causaram a um cidadão honesto, trabalhador e pagador de impostos, coisas que pastores e padres nunca foram, bem pode ter sido uma tentativa de esconderem suas verdadeiras naturezas intolerantes.
Araújo existe, sim!!! E passa muito bem, obrigado.
Agora, Araújo mostra a sua cara e nos informa de seu paradeiro : o Bar do Araújo foi reaberto em ponto próximo ao antigo, no mesmo bairro, a apenas umas quadras de distância. Escaldado, porém, Araújo se precaveu contra futuros infaustos : instalou o boteco em uma esquina, posição estratégica que torna impossível a desgraça de, novamente, ser pego entre cristãos.
Sem demonstrar o menor rancor pelos seus algozes, Araújo, pondo panos quentes e jogando uma pá de cal no assunto, declara  : "Minha venda caiu quase 80%. Quando dava 22h acabava o movimento, tinha que fechar e ir embora. Hoje, existe igreja de um lado e de outro, mas não foi por isso que me mudei de lá"
Segundo Araújo, quando instalou seu bar no local, em julho de 2014, não havia nenhuma igreja; depois de alguns dias surgiu a primeira, e, em dezembro, a segunda.
Modesto, diz que ficou surpreso com o seu sucesso na internet, do qual, sem conta em redes sociais, tomou conhecimento através dos filhos e de pessoas que passaram a lhe cumprimentar na rua. Diz também que pretende aproveitar a notoriedade conseguida para alavancar o novo bar : "Me deparei com gente que disse, Ah, você é o famoso Araújo? Moço, eu vi uma reportagem na internet sobre você. Beleza, é bom eu saber disso e saber que meu bar está fazendo sucesso na mídia. E eu quero participar desse sucesso juntamente com o movimento do Bar do Araújo".
Abaixo, o novo bar do Araújo, no Jardim Aureny III, em Palmas (TO).
"Além da vantagem de ficar numa esquina, o espaço é bem maior", diz Araújo, que trabalha como agente de saúde durante o dia e atende seus fregueses à noite no bar. É com esse tipo de homem, cada vez mais raro, trabalhador e empreendedor, que os bons cristãos implicam. É esse tipo de homem que os bons cristãos consideram  um pecador, um devasso, um libertino, um vagabundo. Para eles, cidadãos de bem são os encostados do pastor e do padre, que enchem as burras de dinheiro sem fazer porra nenhuma, só no proxenetismo da palavra de Cristo.
Boa Sorte, Araújo!!! E pau no toba da cristãozada!!!
"Minha venda caiu quase 80%. Quando dava 22h acabava o movimento, tinha que fechar e ir embora. Hoje, existe igreja de um lado e do outro, mas não foi por isso que me mudei de lá"

Copy and WIN : http://ow.ly/KNI

segunda-feira, 8 de junho de 2015

O Retardado 2 em 1

Viva a Psicologia! "Ciência" sem a qual não conseguiríamos mais bem viver. Vivas à Psicologia! Cujas batiscáficas sondagens das profundezas da alma humana tanto engradeceram a compreensão que temos de nós mesmos bem como de toda a civilização moderna que nos rodeia. Vivas à Psicologia. O próprio calendário da História Ocidental deveria ter seus parâmetros alterados em homenagem e agradecimento a ela. Como civilização, deveríamos passar a ser definidos como a.F. e d.F., antes de Freud e depois de Freud (o que, na verdade, só seria permutar um esquizofrênico por outro).
E é dela, a indispensável Psicologia, que nos chega o resultado de mais um brilhante estudo, mais uma surpreendente revelação acerca do agir e do se comportar do homem moderno, do homem conectado ao seu tempo.
A Brunel University London chocou e estarreceu o mundo : "pessoas que fazem selfies de seus exercícios na academia podem apresentar distúrbio mental, no caso, o narcisismo".
A pesquisa feita com 550 usuários do Facebook envolveu perguntas de cunho pessoal e com viés psicológico. Depois dos testes, ficou comprovado que aqueles que postam constantemente sobre sua aptidão física em academias têm tendência ao narcisismo e, por isso, encaram o fato como uma forma de “ganhar mais curtidas” (seja lá que porra isso for).
Eu fico até arrepiado! Vejam que relevância de temática, vejam que verba de pesquisa bem aplicada, e vejam, principalmente, e aqui sinceramente me emociono, que conclusão insólita e inusitada.
Quem poderia supor, sequer lançar suspeitas sobre? Um cara que pratica o culto e a adoração ao próprio corpo, um cara que comeria a si próprio se pudesse, se tivesse pau suficientemente longo que lhe alcançasse o respectivo cu, um cara que toca punheta olhando pro espelho, ter algum distúrbio mental? Ser narcisista? Só mesmos as sagazes e afiadas mentes dos psicólogos para estabelecerem essa tão sutil e tênue relação. Que sorte os termos, os psicólogos.
Uma pessoa que se fotografa da hora em que o dia amanhece à hora em que anoitece e mais um pouco - ao acordar, ao se arrumar para ir ao trabalho ou à escola, dentro do carro, no ponto de ônibus, no refeitório da firma ou no restaurante self-service (olha a porra da self aí), no banho, cagando, nos seu locais de lazer, em velório etc -, uma paparazzi de si mesma, ter distúrbio mental, ser uma ególatra mais vazia que pastel de feira? Só mesmo as evoluídissimas e agudas mentes dos psicólogos para captarem tal minúcia e finura. Saudemo-os, os psicólogos, por dividirem conosco o bendito e preciso fruto de seus intelectos.
Pessoas que fazem selfies de seus exercícios na academia podem apresentar distúrbio mental, no caso, o narcisismo. Podem apresentar distúrbio mental? Podem? E, ainda por cima, narcisismo?
Ora, vão à merda, carrapatos do saco de Freud, ácaros de divã, mamadores de charutões, comedores de merda e de mãe! Podem ter?
O cara não tem distúrbio mental porque tira excessivas selfies de suas atividades na academia : só dele ser um frequentador de academia, já deixa claro que ele tem um distúrbio mental.
O cara não tem distúrbio mental porque tira excessivas selfies de suas atividades na academia : só dele ficar tirando selfies o tempo todo, seja de qual atividade for, já deixa evidente que ele tem um distúrbio mental.
E aqui não vale o paradigma Tostines - se vende mais porque é fresquinho ou se é fresquinho porque vende mais. Uma coisa não é causa nem efeito da outra. Selfies e puxar ferro são loucuras, são babaquices independentes, mas que se ajustam uma à outra como uma luva. São idiotices complementares.
É o retardado 2 em 1. É o débil mental compre-um-e-leve-dois. É o combo tantã.
Após observar, ainda que rapidamente, uma foto como a acima, alguém acha mesmo que há a necessidade de um "estudo"  profundo para se constatar ou confirmar algum distúrbio?

Quaisquer (Ou : Quase um Pequeno Conto Noturno)

Qualquer dia
Qualquer hora
Qualquer trabalho
Qualquer fracasso
Qualquer cerveja
Qualquer monotonia
Qualquer comida
Qualquer pasto
Qualquer alegria
Qualquer rua
Qualquer roupa
Qualquer rota
Qualquer descaminho
Qualquer fé
Qualquer velório
Qualquer música
Qualquer café
Qualquer vitória
Qualquer viagem
Qualquer filme
Qualquer livro
Qualquer miragem
Qualquer covardia
Qualquer tom de azul desiludido
Qualquer vermelho sem volúpia
Qualquer roxo descoagulado
E esse papo meu
Tá qualquer coisa.
- É o "qualquer" que está nos consumindo, meu amigo - ela disse.
- E a falta/impossibilidade/impedimento do que é só nosso - ele arrematou.
Nós : quaisquer.

domingo, 7 de junho de 2015

As Gazelas Desgarradas de Cristo (Ou : Trocando a Via Crucis pelo Bundalelê)

Duas dissidências evangélicas gays, A Igreja Contemporânea e A Cidade de Refúgio, que bem poderiam se unir sob a única denominação de As Gazelas Desgarradas de Cristo, acharam por bem trocar a Marcha para Jesus pela Parada do Orgulho Gay, a via crucis pelo bundalelê. E estão certíssimas.
As explicações e as motivações para o cisma ficam por conta das declarações dos próprios fiéis das duas festivas e coloridas igrejas :

“A Parada nos recebeu com muito carinho”, afirma a pedagoga Simone Queiroz, fiel da Igreja Contemporânea há seis anos e agora pastora;
“Deixamos de frequentar a Marcha porque nos sentíamos discriminados. Já ouvi dizerem abertamente coisas como ‘gay nunca foi nosso irmão’ e ‘casal gay não é família";
“Quem está com o microfone agride com palavras, mas não sabemos o que as pessoas ao redor podem fazer”, a mesma Simone a dizer do medo de agressões
Lanna Holder, fundadora e pastora da Cidade de Refúgio, ex-missionária da Assembleia de Deus, conta que virou evangélica para se "curar" do homossexualismo, mas quando viu que não havia como e nem porquê mudar, quando viu que não havia cura e muito menos doença, fundou sua própria igreja em companhia de sua esposa : “Me converti para mudar minha sexualidade, porque eu tinha aprendido que quem é gay vai pro inferno. Fiz jejum, subi monte, orei, casei, tive filho. Fiz tudo o que a igreja disse que eu devia fazer para mudar”.
E as duas igrejas não vão à Parada do Orgulho Gay apenas para se divertir, não, vão também para evangelizar a viadada, para levar a palavra de Cristo, vão para tentar acabar com a alegria da bicharada :
“Estamos lá para acolher os que quiserem viver uma fé cristã”, diz o pastor Marcos Gladstone, da Igreja Contemporânea, que distribui seus panfletos de arrebanhamento das gazelas desgarradas de Cristo durante a Parada, “Vamos lá para mostrar outro lado do homossexual, o lado família. Comparecemos com nossos casais, de mãos dadas, com nossos filhos, e assim cantamos e celebramos”. 

Como eu disse, acho que estão certíssimas essas pessoas que abandonaram suas igrejas, onde eram desprezadas, repudiadas, agredidas, transformadas em exemplos negativos para a comunidade. Estão certíssimas em abandonar suas igrejas, mas fundar outras? Que o sujeito tenha a necessidade de queimar a rosca em paz consigo e com sua consciência, sem remorso, culpa nem remordimentos posteriores, eu posso entender perfeitamente, mas por que a necessidade de que Cristo bata palmas para ele? Por que essa fixação pelo beneplácito de Cristo, de viver em Cristo, para Cristo e por Cristo? Por que mudar de igreja, mas manter-se em uma doutrina, o cristianismo, que lhe é claramente adversa e hostil?
A mim, e quem me conhece pessoalmente sabe disso, indifere o apito que o sujeito toque, se ele é hetero, homo, bi, pansexual, travecão, drag queen ou assexual - sim, há até os que nenhum apito tocam, acho que nem bronha ou siririca. Brinco, às vezes, aqui com essa coisa de viadagem, de boiolagem etc, mas é apenas para manter minha fama de mau. Não tenho, realmente, restrição alguma quanto à qualquer prática ou uso que se perpetre entre quatro paredes. Cada um dá o que tem e o que lhe é de valor e cada qual come o que lhe oferecem e lhe bem apraz. Buraco é buraco; relou, arrepiou, atritou, gozou, tá valendo.
Entendo perfeitamente a luta dos LGBTetcetais pela igualdade de direitos civis e para serem aceitos pela sociedade "normal" - luta por igualdade, sim; por privilégios, para serem considerados cidadãos especiais, blindados pela lei em muitos sentidos, que é o que muitas vezes pleiteam as ONGs do arco-íris, não.
Aliás, a questão nem é serem aceitos, a questão é não serem hostilizados. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, a aceitar ninguém como seu igual ou conviva, mas também não pode, de forma alguma que seja, restringir as oportunidades e os direitos do outro de se integrar e ser parte ativa da sociedade - ou passiva, ou flex, ou voyeur.
O que, sinceramente, não entendo é o desejo e a luta de certos gays em serem aceitos dentro desta ou daquela religião cristã. Aí, o problema do sujeito não está em sua sexualidade - essa, ele já tem bem resolvida -, aí, o problema está em seu Q.I., está em sua burrice. Aí, o problema está em algum componente masoquista de sua personalidade, está em gostar de sofrer, de apanhar mais do que vaca na horta, mais do que Cristo à subida do Gólgota.
Por que querem ser aceitos por religiões ou doutrinas que, independente da variedade de denominações, independente das diferentes maquiagens, fundamentam-se na Biblia Cristã, um livro que só considera gente o homem de pregas intactas e invictas e reduz tudo o mais à merda? Mesmo as mulheres são seres inferiores e sujos perante a Bíblia. Inclusive, não é só o desejo do gay em ser aceito como cristão que eu não entendo, não entendo o porquê a mulherada também não pica a mula das igrejas cristãs, ainda mais em auspiciosos tempos de independência feminina. Como uma mulher pode se dizer independente financeiramente, dona de seu nariz, ocupar posições de comando em suas profissão, ser muitas vezes o chefe da casa e, ao mesmo tempo, mostrar-se tão submissa religiosamente?
Mudar de religião, mas sem mudar o livro canalha e escroto que a embasa? É trocar merda por bosta. A Bíblia Cristã é homofóbica e ginecofóbica - tem horror e aversão à buceta, não espanta as religiões que dela derivam atraírem tantos viadões para exercerem seu sacerdócio.
Não é só o gay, para o cristianismo a mulher é igualmente fonte de pecado e perdição. Não foi à Eva imputada toda a culpa e responsabilidade pelo pecado original, não foi Eva a desvirtuar o inocente, puro e besta Adão? E até hoje eu não ouvi o Adão reclamar da vida. Não foi Dalila, à traição, a cortar os longos pentelhos de Sansão e minar-lhe as másculas forças? Não foi Salomé a fazer João Batista perder, literalmente, a cabeça?
Às vistas da Bíblia cristã, a mulher é o manancial de toda a desgraça que se abate sobre o homem. Que dirá, então, do gay? Esse é passagem garantida pras fossas infernais. E mulher e gays ainda insistem em ser cristãos.
Ah, mas tem a Virgem Maria, Azarão, dirão alguns em inútil proselitismo pro meu lado, Maria foi elevada a uma categoria acima da qual só se encontram o Todo-Poderoso e sua tropa de elite, os arcanjos, serafins, querubins etc, e abaixo da qual estão todos os santos. Porra nenhuma. Maria foi é usada como chocadeira para parir o filho do Homem, mero instrumento, e nem o direito de dar uma santa gozadinha lhe foi permitido. Maria carregou a cria por 9 meses, teve enjoos, queimação, gases em profusão, ficou com os peitos inchados e doloridos, com dor nas costas, problemas na coluna, com o bucetão lasseado e, tudo isso, virgem. Virgem. Tudo isso sem ter levado boa vara e revirado os olhinhos.
Homens não-heterossexuais e mulheres deveriam é dar de costas às porras das religiões de origem cristã, e não tentarem maquiá-la para receber o seu falso abraço.
Abaixo, as Gazelas Desgarradas de Cristo em plena adoração a Jesus, em pleno culto e oração, na mais aferrada evangelização. Trocaram o canto gregoriano pelo Village People, o gospel pelo Gloria Gaynor. It's raining men, Hallelujah it's raining men, Amen.
Parafraseando Raul Seixas e Marcelo Nova em sua canção Muita Estrela, Pouca Constelação : eu sei até que parece sério, mas é pura armação, o problema é pouco Cristo, pra muita congregação. Pããããta que o pariu!!!!
At first I was afraid, I was petrified,
Kept' thinkin' I could never live
Without you by my side,
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong,
And I grew strong, and I learned how to get along,
And I'll survive,
I will survive,
Hey, Hey!

Oh, Bruta Flor do Querer, Oh, Bruta Flor, Bruta Flor...

sábado, 6 de junho de 2015

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (15)

Uma leitora do Marreta, em comentário que pediu para não ser publicado, reclamou a falta da seção "Todo Castigo Pra Corno é Pouco", que, segundo disse, é uma das coisas de que mais gosta no blog, afinal, ela própria é uma corna. Disse que concorda comigo quando digo que o brasileiro tem a alma corna etc etc.
Verdade, chifruda leitora, e faço aqui a minha mea culpa, realmente estou em débito com tão querida seção do blog, é que não tenho tido muito tempo para sentar e ouvir velhas músicas à procura de material para ela. Mas para me redimir, o Todo Castigo Pra Corno é Pouco de hoje será temático, especialmente dedicado à você e à sua história.
Disse-me a cornuda leitora que ela é corna da corna, e explicou-se : é amante há 4 anos de um cara casado. Eu nunca tinha visto por esse lado, a amante é a corna da corna, e é verdade. Contou-me também ela que está de saco cheio dessa situação, que está pensando em colocar o cara contra a parede, para que ele decida de vez com qual quer ficar.
A resposta é simples, cara, ingênua e iludida corna : ele quer ficar com as duas. Ele ama as duas. Cada uma ao jeito dele, cada uma com seus jeitos. Dar um xeque-mate no cara, vai te levar, das duas possíveis, a uma das situações : ou ele larga da esposa, te assume como a oficial e logo arranja outra amante, e dessa forma, você só muda de patente na hierarquia do chifre, só é promovida à corna oficial, à primeira dama do Ducado da Cornualha, ou ele larga você e arruma outra amante que aceite por mais algum tempo a situação, e você fica sem a rola que deve bem lhe comer, e se você for, como penso, já passada dos trinta e poucos, quarenta anos, será difícil arruma outra, convivo em meu trabalho com mulheres nessa situação, descasadas ou solteiras e na mencionada faixa de idade, e elas dizem que o mar não está para peixe, não, minha galhuda amiga, tá mais fácil homem conseguir homem do que mulher conseguir um macho. De mais a mais, você fica apenas com o lado bom do cara, não tem que acordar com o mau-humor dele, com o mau-hálito, não tem que ver as cuecas furadas dele, não tem que entrar no banheiro depois que ele deu aquela homérica cagada, não tem que ouvi-lo reclamar da vida, do trabalho, do dinheiro, ou seja, você fica apenas com a parte das gentilezas e com o pau duro.
Ela reclama ainda que eu só posto músicas para cornos homens, que subestimo e desprezo a dor de corno feminina. Mentira, cara amiga. E se fiz isso até o momento, não foi de propósito, foi puramente involuntário, sou homem e cada um sabe onde lhe dói mais o chifre. Hoje, espero, me redimirei com você (sim, o Marreta cuida de suas leitoras, os leitores que se fodam). Assim que ouvi sua história, uma música, imediatamente, mais rápido que chifre, veio-me à cabeça. Espero que goste, cara leitora, e que me perdoe pela falta.

Ou Ela, Ou Eu
(Alcione)
Esse amor proibido
Por nós dois escondido
Me castiga demais
Essa angústia, essa dor,
De assistir vocês dois
Para mim não dá mais

Quando a gente se encontra
E você faz de conta
Que eu não sou de você
No aperto de mão,
Meu olhar vai pro chão
Pra ninguém perceber

Ou ela ou eu
Muitas vezes pensei
Ensaiei pra dizer,
Mas na hora H, não me atrevo a falar
Pra não te aborrecer
Ou ela ou eu
É a resposta que eu mais gostaria de ter
Só não faço a pergunta
Pelo medo da falta
Que você vai fazer

E assim vou levando
Sem saber até quando
Vou poder suportar
A certeza de que
Pra você sou um caso
Sem ter hora e lugar
Mal disfarço o embaraço
De saber que em seus braços
Ela encontra abrigo
Morro só de pensar
Que você faz com ela
Tudo o que faz comigo

Ou ela ou eu
Muitas vezes pensei
Ensaiei pra dizer,
Mas na hora H, não me atrevo a falar
Pra não te aborrecer
Ou ela ou eu
É a resposta que eu mais gostaria de ter
Só não faço a pergunta
Pelo medo da falta
Que você vai fazer

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Roubando "J"

Mais um belo poema da "J", roubado diretamente do blog dela. Entrei, roubei e sai correndo, feito gato que furta peixe de cima da pia. Gostei especialmente dos versos : Eu quero chegar só de manhã/Eu quero pisar nos cacos no fim da festa.
Eu quero pisar nos cacos no fim da festa... pããããta que o pariu!!!! Muito bom! Era pra eu ter escrito isso. Roubei seu poema, cara "J", mas me roubaste o verso antes. Quantas vezes já não fiz isso, invariavelmente bêbado e solitário? Há quanto não faço? Deu saudade.

Eu
Eu olho os garotos do outro lado da rua
Quando foi a última vez que jogou bola na chuva?
A última vez que você fez uma pipa?
Quando foi a última vez que você me beijou no meio da rua?
Quando foi mesmo que você saiu sem camisa?
Eu fui me perdendo, perdendo (a cor, o rumo, a energia)
Eu fui afundando, afundando (n' água limpa, n' água pura engarrafada nos Alpes)
Eu gostava tanto da lama,
Do cheiro da terra molhada
Por que agora eu só tenho ternos e saltos agulha?
Afinal, por onde anda aquele meu moletom?

Eu não quero voltar pra casa no fim da tarde
Eu quero chegar só de manhã
Eu quero pisar nos cacos no fim da festa
Esfarrapar e cerzir
Porque eu não sou boneca de louça
Eu sou boneca de trapo
Remendos, farrapos e costuras
Em mim

Quando foi a última vez que você subiu numa árvore?
Colheu uma fruta no pé?
Quando foi mesmo que você roubou aquele beijo?
Caiu de bicicleta?
Rolou na grama?
Destruiu um castelo de cartas?
Quando foi que você passou a escrever de preto e cinza,
Onde foram parar aquelas canetas hidrocor?
Eu sinto saudade de quando você colocava botões de flor no meu cabelo.

Agora todo dia é inverno
Eu só te vejo de terno
Você tá sempre atrasada
com pastas à mão.
Me diz por favor onde foi parar aquela menina
que se vestia de brisa
e carregava consigo o verão?

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Peitões vs. Cérebro

A Ciência é o cego que toma a escuridão em que vive, na qual tateia, tropeça, claudica e se atola como se ela fosse uma vereda de rota certa, sinalizada pela luz e policiada e mantida segura pelas cores do arco-íris. A Ciência mais erra do que acerta, a Ciência é inepta, iniciante em fazer Ciência. A Ciência é besouro que, anatomica e aerodinamicamente incapaz de voar, voa por não ter ciência de seu impedimento.
A Ciência forja mais deuses do que os forjam as religiões, todas juntas. A Ciência destrói mais deuses - os seus próprios e os dos outros - do que hordas invasoras bárbaras de outros credos que seus dominados. A Ciência é crente e iconoclasta. A Ciência renega sua própria fé, duvida de suas próprias preces. Dá a sua cara a tapa, e é sua própria mão a lhe esbofetear. É ela própria a denunciar e acusar seus próprios erros. Por isso, gosto da Ciência, a Ciência se faz a sério, mas não se leva muito a sério. A Ciência sabe que é só mais um passatempo do Homem, que, tendo estendido a própria vida para décadas além do projeto inicial, não tem muito o que fazer da vida enquanto tentar enganar e fugir da morte.
Várias foram as cagadas da Ciência denunciadas pela própria. Vários foram os erros da Ciência acobertados por novos erros, e que estão por aí até hoje, com o status de teorias definitivas; até que sejam desmascarados e substituídos por outros erros, mais hábeis em se disfarçarem como verdade provisória. A Ciência é sua própria ama de leite e algoz.
No século IV a.C., Ariostóteles deu o seu palpite sobre a origem da vida, lascou na moleira da humanidade a hipótese da Abiogênese, que, traduzida do bom grego, significa a vida surgindo da não-vida, ou seja, para Aristóteles, a vida surgia da matéria bruta, inaminada, por conta de um tal princípio ativo ou vital, que era uma força invisível, impalpável, indetectável, uma aura capaz de entrar na matéria sem vida, reorganizar-lhe os átomos e, com isso, produzir vida. O princípio vital de Aristóteles foi o protótipo do "sopro divino" da Bíblia cristã, um sopro no barro e pronto : eis a vida. Louis Pasteur o desmentiu e desmoralizou em 1861, com seu famoso, simples, e por isso mesmo genial, experimento do frasco com pescoço de cisne, e estabeleceu a Biogênese de uma vez por todas, ou seja, a vida só pode surgir de uma vida preexistente através de algum mecanismo de reprodução.
O mesmo Aristóteles arriscou um lance nos rudimentos da genética e "explicou" como as características dos indivíduos eram transmitidas aos seus descendentes, enfiou, goela abaixo da humanidade, a sua Pangênese, a hipótese das partículas a formar o todo. De acordo com o grego, os organismos produziriam micropartículas, microcópias de todas as suas estrutruras, essas ficariam a circular pelo sangue e, na hora da fecundação, se juntariam a criar um microscópico novo ser que cresceria, depois, dentro da fêmea. Ou seja, teríamos microrrins, microfígados, micro-olhos, micronarizes, micropênis (que, no caso dos japoneses, continuavam micros pela vida toda), micropés, micromãos etc, que se juntariam, parte do pai, parte da mãe, para compor o novo ser; explicando, assim, o porquê do filho guardar semelhanças com seus ambos genitores.  Gregor Mendel o desmentiu e desmascarou em 1865, com seu famoso, simples, e por isso mesmo genial, experimento com as ervilhas e o estabelecimento de suas Primeira e Segunda Leis da Genética.
Aliás, que grande picareta, esse Aristóteles. E alguns ainda o consideram grande, mas isso lá os da filosofia, que é a "ciência" do senso comum e da conversa de boteco.
Ptolomeu garantia que a Terra estava imota no centro do universo e todos os outros corpos celestes giravam em vassalagem a ela. Copérnico, em 1543, jogou o nome de mais um grego à lama, mostrou a existência de um Sistema Heliocêntrico, ou seja, uma Terra a girar feito pião em torno do Sol. Dizem que o povo grego antigo construiu as bases de nossa atual civilização. Não me espanta estar como estamos.
E vários outros exemplos de Ciência desacreditando a própria Ciência podemos encontrar se nos dispormos a uma pesquisa mais demorada.
Pasteur, Mendel, Copérnico : advogados do diabo de seu próprio ofício. 
Agora, eu, imbuído de poderes jurisprudentes concedidos a mim por meu registro na OAI, Ordem dos Advogados do Inferno,  vou denunciar uma farsa da ciência moderna, vou levar às barras dos Tribunais da Ciência, na qualidade de ré, uma pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge, na pessoa do evolucionista David Bainbridge. 
Afirma ele que os homens, quando em busca de uma companheira, valorizam mais a inteligência do que o tamanho dos seios. Pausa para gargalhadas.
Segundo ele, os seus entrevistados veem na inteligência, em um bom cérebro, forte indícios de que a moça será uma boa mãe e, por isso, se sentem atraídos por ela, em detrimento de qual seja o número do manequim de seu sutiã. De acordo com Bainbridge, apenas as característica simétricas (mas não disse quais) são valorizadas pelos rapazes, pois elas indicam que a parceira é jovem, saudável e possui genes estáveis. Logo, o tamanho dos seios não lhes é um elemento atrativo, uma vez que raramente os peitos são simétricos; além disso, seios, continua Bainbridge, tendem a parecer velhos rapidamente, e os homens amam a juventude. 
Sério mesmo que alguém que olha para uns peitões, ou está prestes a lhes dar uma boa mamada, fica olhando se eles têm o mesmo tamanho, a mesma exata circunferência, curvatura e angulação? Ou será que, quando cara a cara com uns peitos a la Ellen Roche, alguém fica imaginando as muxibas da Dercy Gonçalves. Sei não, começo a desconfiar da real masculinidade do público pesquisado, e da do próprio Bainbridge.
apenas as características simétricas são valorizadas pelos rapazes, pois elas indicam que a parceira é jovem, saúdavel e possui genes estáveis. Logo, nem mesmo o tamanho dos seios são tão interessantes assim – pois raramente eles são perfeitamente simétrico

Copy and WIN : http://ow.ly/KNICZ
apenas as características simétricas são valorizadas pelos rapazes, pois elas indicam que a parceira é jovem, saúdavel e possui genes estáveis. Logo, nem mesmo o tamanho dos seios são tão interessantes assim – pois raramente eles são perfeitamente simétrico

Copy and WIN : http://ow.ly/KNICZ
A pesquisa revelou não só o desinteresse dos entrevistados em bons e fartos peitões. Pernas longas e bem torneadas também foram consideradas itens supérfluos e desinteressantes pelo público masculino pesquisado. Pãããta que o pariu!!!! De onde eram os homens pesquisados? De San Francisco, de Campinas, de Pelotas? Bainbridge, para efeito de grupo de controle, deveria ter perguntado aos seus entrevistados : "e por uma rola, bem grossa, veiuda e cabeçuda, vocês se sentem atraídos?".
"A principal coisa que os membros do sexo masculino estão procurando é a inteligência. Os questionários semprem mostram esse resultado", diz o pesquisador. 
Falácia! Fraude científica!
Sem contar com o fato de que os homens mentem em pesquisas, o erro de Bainbridge já começa no começo e, obviamente, vai se propagando ao longo do desenrolar da pesquisa, da coleta de dados, do tratamento dado a eles, induzindo a mais e mais erros, até chegar a essa absurda conclusão : homens não ligam para peitões. O erro já começa na premissa embutida na pesquisa, a de que os homens olham para uma mulher e a imaginam como uma potencial mãe para seus descendentes. Quem disse semelhante disparate?
O homem que é homem, o macho das antigas, olha para uma gostosa e a vê como uma boa foda que, se tudo der certo, se a camisinha não furar e se o bom deus da inconcepção ajudar, bem ao contrário, nunca, mas nunca mesmo irá engravidar dele!!! Jamais!!!
Se a pesquisa afirmasse que a mulher prefere homens inteligentes aos caralhudos, aos bem-dotados, ela teria logrado o mais absoluto e retumbante êxito. A mulher sim - e aqui não há nada de machismo ou de porco-chauvinismo, tem é de biológico, e se tem, reclamem à Mamãe Natureza, que assim fez as espécies - olha para o homem e já o imagina pai de seus filhos, o leão de seu bando. 
E nada mais lógico e coerente para a mulher : ela produz apenas uma única célula germinativa por mês, um solitário óvulo a cada 30 dias, portanto, cabe a ela não desperdiçá-lo com qualquer zé-mané. Inteligência num homem garante boas probabilidades de que ele seja um bom provedor, um bom leão para os seus; uma pistola grande só é garantia de ardência no cu. E aqui, é claro, devo admitir, advogo em causa própria.
Já o homem, produz milhões e milhões de espermatozoides por dia. Que homem, em sã consciência, pensa em seus bichinhos, cada um deles, a fecundar outros tantos óvulos? Nenhum! O homem quer é desperdiçar, quer é jogar aquela porra toda fora, literalmente. 
Mas façamos o jogo de Bainbridge, não para levá-lo em consideração, mas, antes pelo contrário, para desmoralizá-lo em seu próprio campo. Suponhamos que um homem esteja, de fato, à procura de uma mãe para seus filhos. Nem assim um bom cérebro venceria a luta contra os peitões. Somos mamíferos, se lembram disso? Uma boa mãe é uma mãe que, entre as tantas tarefas que a fazem padecer no paraíso, seja capaz de bem alimentar e nutrir sua cria. Vai me dizer que peitões não sugerem uma fartura láctea, que não parecem ao homem cornucópias de força e saúde para seus filhos? Vai me dizer que um homem olha para os peitões e não pensa com seus botões : "que belas mamadeiras devem ser...".
Se ainda não estão convencidos, senhores jurados leitores do Marreta, da culpa do réu Bainbridge, apresentarei-lhes a prova cabal. Quero que julguem com seus próprios olhos, todos vocês, machos das antigas e fêmeas desfrutáveis que passam por aqui, e até mesmo você meu caro ex-boiola. 
De um lado do ringue, o esquerdo, Eugênia Diordiychuk, do outro, o direito, a desafiante Madame Curie, umas das cientistas mais brilhantes de todos os tempos.
E, então, caros jurados do Marreta? Qual o seu veredicto sobre David Bainbridge e sua pesquisa? Inocentes ou culpados?

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Só Não Sei Porque Eu e Você Não Pode Não

O Poder
(Arnaldo Antunes/Tadeu Jungle)

pode ser loucura, pode ser razão
pode ser sim, pode ser não
pode ser maria, pode ser joão
pode ser carro, pode ser avião
pode ser saúde, pode ser educação
pode ser porta, pode ser portão
pode ser amor, pode ser prisão
pode ser drama, pode ser pastelão
pode ser laranja, pode ser limão
pode ser bíblia, pode ser alcorão
pode ser inverno, pode ser verão
pode ser pé, pode ser mão
pode ser nevoeiro, pode ser poluição
pode ser samba, pode ser baião
pode ser são jorge, pode ser dragão
pode ser circo, pode ser pão


só não sei porque
eu e você
não pode não


pode ser purê, pode ser pirão
pode ser rei, pode ser peão
pode ser chapeuzinho, pode ser lobão
pode ser raio, pode ser trovão
pode ser sujeira, pode ser sabão
pode ser seda, pode ser algodão
pode ser bermuda, pode ser calção
pode ser beijo, pode ser chupão
pode ser reforma, pode ser revolução
pode ser creme, pode ser loção
pode ser conselho, pode ser lição
pode ser gato, pode ser cão
pode ser eva, pode ser adão
pode ser fila, pode ser procissão
pode ser madeira, pode ser carvão
pode ser antes, pode ser então


só não sei porque
eu e você
não pode não


pode ser guitarra, pode ser violão
pode ser brocha, pode ser garanhão
pode ser trepada, pode ser masturbação
pode ser cama, pode ser chão
pode ser visita, pode ser invasão
pode ser regra, pode ser excessão
pode ser tristeza, pode ser preocupação
pode ser marte, pode ser plutão
pode ser xadrez, pode ser gamão
pode ser sério, pode ser gozação
pode ser solteiro, pode ser sultão
pode ser papo, pode ser discussão
pode ser progresso, pode ser recessão
pode ser bolsa, pode ser pregão
pode ser favela, pode ser mansão
pode ser fim, pode ser introdução


só não sei porque
eu e você
não pode não


pode ser cinema, pode ser televisão
pode ser cara, pode ser coração
pode ser mentira, pode ser plantão
pode ser hobby, pode ser profissão
pode ser país, pode ser nação
pode ser santos, pode ser cubatão
pode ser palpite, pode ser dedução
pode ser cópia, pode ser invenção
pode ser cagaço, pode ser precaução
pode ser frango, pode ser faisão
pode ser arroz, pode ser feijão
pode ser juros, pode ser inflação
pode ser incompetência, pode ser distração
pode ser águia, pode ser gavião
pode ser mocinho, pode ser vilão
pode ser um, pode ser milhão


só não sei porque
eu e você
não pode não


pode ser problema, pode ser solução
pode ser pobre, pode ser barão
pode ser biriba, pode ser balão
pode ser bela, pode ser canhão
pode ser anágua, pode ser combinação
pode ser bagre, pode ser salmão
pode ser geladeira, pode ser fogão
pode ser pai, pode ser patrão
pode ser acaso, pode ser intenção
pode ser pico, pode ser injeção
pode ser hotel, pode ser pensão
pode ser arte, pode ser borrão
pode ser doente, pode ser são
pode ser áries, pode ser escorpião
pode ser inteiro, pode ser fração
pode ser tudo, pode ser tão


só não sei porque
eu e você
não pode não.

terça-feira, 2 de junho de 2015

1ª Vara da Infância e da Juventude

Essa funcionava!!! Bons tempos, os tempos pré-ECA, esse manual de criar bandidos e vagabundos. A mãe era testemunha ocular de nossas cagadas, denunciante, promotora, juíza e executora. E nosso pai que se metesse a ser advogado de defesa...
Claro que depois do corretivo, a mãe cuidava com muito carinho de nossos lanhados e vergões : jogava Merthiolate, dos antigos, dos que ardiam pra caralho e não essa água com açúcar em que o tornaram hoje em dia para atender uma geração de frouxos.
Extinguiram a 1ª Vara da Infância e da Juventude, embicharam a fórmula do Merthiolate (e só porque parece que tinha um pouco de mercúrio, vejam só) e agora reclamam da indisciplina e do desrespeito do jovem para com os pais e professores. Ora, queriam o quê?
Vara de marmelo e Merthiolate à base de mercúrio : é assim que se educa  uma nação!
O resto é permissividade, é putaria, é boiolagem : é pedagogia!

Revelado o Terceiro Segredo de Fátima

Revelado o segredo que ficou enclausurado nos subterrâneos e catacumbas do Vaticano desde o começo do século XX. O segredo cujo apocalíptico conteúdo abalaria os alicerces do mundo e da humanidade, que, quando a vir da parte da parte de deus, é praga das brabas, é hecatombe garantida.
A terceira profecia de Fátima, confiada por Nossa (nossa, de quem, cara-pálida?) Senhora aos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, é finalmente trazida à luz do conhecimento mundial : Cauby Peixoto é gay!
E não há dúvidas nem boatos desmentidos e reconfirmados nem disse-me-disses. A revelação sobre a homossexualidade do cantor partiu do próprio Cauby em cena do documentário "Cauby - Começaria Tudo Outra Vez", de Nelson Hoineff, lançado no último 28 de maio : "Eu era um garoto quando ia para os morros transar com os veados. Eu também andava com eles. Transar era uma coisa natural”, Cauby escancarando as portas de seu ármario, ou, melhor, de seu closet.
Em seguida, deu um passinho para trás e botou um pezinho de volta ao armário, disse que, com o tempo, passou a andar direito e a ter namoradas.
Quem diria? Quem suspeitaria? Cauby Peixoto, umas das mais belas e poderosas vozes que surgiu e ainda permanece na MPB - eu mesmo tenho uma meia dúzia de CDs do cara -, ídolo e símbolo sexual da juventude de sua época, aquele rapaz educado, sempre bem-alinhado e elegante, que as moças agarravam, beijavam e esfarrapavam em frenesi e pelo qual se descabelavam e se molhavam, gay?
Cauby, gay? Quem desconfiaria? Cauby nunca deu pinta, nunca deu bandeira.
Por essa, ninguém esperava. Nem mesmo as patrulhas gays de plantão, as gestapos do arco-íris, os gayzistas sempre prontos a levar personalidades de renome nacional e internacional para a irmandade.
Cauby, gay? Quem poderia levantar falso testemunho? Quem desconfiaria? Quem sequer conjecturaria? Ninguém!!! 
Nem o Aguinaldo Timóteo! 
Nem o Chiquinho Scarpa!
"Me pintei, me pintei, me pintei... 
Cantei, cantei... 
Jamais cantei tão lindo assim
 E os homens lá, pedindo bis, 
Bêbados e febris a se rasgar por mim.... 
Chorei, chorei... 
Até ficar com dó de mim..."