sábado, 5 de setembro de 2015

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (19)

Imagine a bisca lhe traindo com o resto das camisinhas que você deixou na casa dela na última vez em que vocês fizeram amor? É muita dor, meu amigo. É muita humilhação. Tem que ser muito puta. E tem que ser Falcão, o grão-vizir dos cornos, para compor algo assim.
Ela Me Traiu Usando o Resto das Camisinhas
(Falcão)
Ela me traiu, usando o resto das camisinhas
Que eu deixei da última vez que a gente fez amor
Com o cheiro do meu corpo ainda no seu corpo
A outro cara ela se entregou

Não quis nem saber, não quis nem dizer
Tão depressa esqueceu
Dando a outro, prazeres do corpo
Que eu pensava meu

E quando na cama, a gente se amando
Ela me falou:
"Te quero, sou tua, me pede que eu dou"
Fingia prazer pra ganhar meu amor

Ela me traiu, usando o resto das camisinhas
Que eu deixei da última vez que a gente fez amor
Com o cheiro do meu corpo ainda no seu corpo
A outro cara ela se entregou.

Corno Peçonhento

Que o chifre envenena a alma do corno inconformado, daquele incapaz de aceitar que o chifre é do homem e o boi usa de enxerido, é fato notório.
Mas seria possível que a dor, a angústia e o tormento infligidos ao corno pela biscate e pelo Ricardão se transformassem, sabe-se lá por quais processos bioquímicos transmutatórios, em potente peçonha? Que, uma vez inoculada via pérfido apêndice frontal em seus algozes, devolvesse-lhes ao menos parte do excruciante flagelo? Um chifre venenoso? Um corno peçonhento?
A classe dos insetos é a campeã do planeta em diversidade de espécies. No total - bicho, planta, fungo etc -, os taxonomistas catalogaram perto de 2 milhões de espécies até hoje, dessas, quase 1 milhão são de insetos; depois dela, o vice-líder, ou o campeão moral, como é de costume se chamar ao perdedor, ou, nesse caso, o campeão desmoralizado, é o vastíssimo gênero dos cornos.
Tem o corno bravo, o manso, o prevenido (liga para esposa e avisa quando vai chegar mais cedo), o socialista (que não se importa em dividir com os outros), o hereditário (aquele em que a tradição passa de pai para filho), o denorex (não parece, mas é), o elétrico (aquele que quando lhe alertam sobre as escapadas da mulher, ele diz, tô ligado, tô ligado), o ateu (aquele que não acredita que é), o 120 (aquele que pega a mulher fazendo um 69 com o Ricardão e vai pro bar tomar uma 51), o churrasco (aquele que põe a mão no fogo pela mulher), o pai de santo (aquele que chega em casa e tira o caboclo de cima da mulher), o Brahma (aquele que pensa que é o número um), o Bavaria (aquele que divide a mulher com os amigos), o Papai Noel (aquele que larga da mulher mas volta por causa das crianças), o geladeira (leva chifre e não esquenta) etc, etc, etc. O gênero dos cornos é dos mais profícuos. Mas corno peçonhento? Até então não se tinham notícias. Até então...
Cientistas brasileiros - só podia ser - descobriram tão temível arma, o chifre venenoso. Descobriram não apenas uma, mas duas espécies de cornos peçonhentos. São dois sapos, o Aparasphenodon brunoi - com 9 centímentros, malhado de preto-e-branco e encontrado no Espírito Santo - e o Corythomantis greeningi - com 7 centímetros, esverdeado e nativo da catinga do Rio Grande do Norte.
Muitos sapos são venenosos, o que é muito diferente de ser peçonhento : venenoso é possuir alguma estrutura, geralmente um glândula, capaz de produzir veneno; peçonhento é produzir veneno e ser capaz de injetá-lo em outrem. Os sapos com glândulas de veneno na pele não são capazes disso, não tem nenhum órgão inoculador, o veneno só é liberado se ele for agredido, mordido, espremido.
O que não são os casos do  Aparasphenodon brunoi e do Corythomantis greeningi. A cabeça deles é guarnecida por vários espinhos ósseos que se distribuem à frente e às laterais, formando uma espécie de coroa de chifres; e, por entre os chifres, estão as glândulas de veneno. Quando o sapo bate com a cabeça contra um animal, seja para se defender ou para predar, a pressão do impacto não só faz com que os chifres penetrem a pele do infeliz como também rompe as glândulas de veneno, fazendo com que ele seja inoculado na vítima.
E o veneno do chifrudo não é fraco, não. É nada mais nada menos 30 vezes mais poderoso do que o de uma jararaca. Três microgramas do veneno do Aparasphenodon brunoi são suficientes para matar um camundongo; a jararaca precisa gastar noventa e cinco microgramas do seu se quiser papar um ratinho gordo. Um dos cientistas, Carlos Jared, levou uma chifrada do  Corythomantis greeningi ao manipulá-lo em seus estudos : a dor foi fortíssima, espalhou-se pelo braço e durou mais de cinco horas. 
Os cientistas ainda não sabem ao certo que pressões ou mecanismos evolutivos teriam dotado os sapos dessa verdadeira bateria de defesa antichifre, mas o Azarão sabe. 
Ao contrário do que pensa o populacho, a patuleia, a choldra ignóbil, o meio ambiente não muda ninguém, o meio não confere novas características a nenhum ser vivo, nenhum ser vivo muda em função dos obstáculos que o meio lhe impõe à sobrevivência e à reprodução, a necessidade não faz ninguém mudar. As mudanças, a aquisição de novas características, ocorrem totalmente ao acaso, através de mutações e recombinações gênicas, independente do meio circundante. 
O que o meio - juiz imparcial que não faz as leis, mas que as segue rigorosa e implacavelmente - faz é determinar se tal nova característica dá ou não alguma vantagem ao seu portador, se aquele presente do acaso, de alguma forma, torna o sujeito mais apto a sobreviver e a se reproduzir, naquele meio específico. Se sim, ele vive mais e deixa mais descendentes. Seus descendentes, herdeiros de sua carga genética, também viverão mais que os descendentes dos outros e também deixarão mais descendentes, e assim por diante. Depois de alguns milhares ou milhões de anos e gerações, o que inicialmente era atributo de um indivíduo passa a ser qualificativo de toda a espécie.
Mas, enfim, qual foi a grande vantagem evolutiva que os chifres dos sapinhos em questão lhes proporcionou, por que uma coroa de chifres ao redor da cabeça os tornou mais aptos a passar seus genes às gerações seguintes? 
Os cientistas especulam. O Azarão sabe! E a resposta é simples : as parceiras desses cornos peçonhentos, as sapinhas que desposam esses chifrudos venenosos, frente a tal poder de retaliação, cuidam de manter as pererecas da vizinha bem presas na gaiola. Sapo de fora não canta na lagoa do Aparasphenodon brunoi e do Corythomantis greeningi; à esquerda e à direita da foto abaixo, respectivamente.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O Homem-Gaveta

Nasci metódico,
Um arquivista congênito,
Um homem-gaveta.

Gaveta de LPs e fitas cassetes,
Gavetas de material escolar,
Gavetas de gibis,
Gavetas de coleções de selos e de chaveiros,
Gavetas de cartas e escritos outros,
Gavetas de pregos e parafusos, fita adesiva,
Rolhas, barbantes, trena,
Cortador de unhas, elástico de dinheiro,
Clips, lápis e canetas e outras miudezas.

Mantive até
Durante muito tempo
Uma gaveta dos meus sucessos
- antigos boletins escolares, nove medalhas de minha remota e nada saudosa época de judoca mirim, uns diplomas de graduação, coisa pouca -
E uma gaveta dos meus fracassos
- todos os "nãos" recebidos e as muitas inabilidades descobertas ao longo da vida.

Desocupei as duas.
À dos sucessos, bastou uma pequena caixa de calçado infantil;
À dos fracassos, tive que contratar três caçambas, dessas que recolhem entulhos de construções.
Desocupei as minhas gavetas, 
A dos sucessos e a dos fracassos :
Precisei delas para guardar minhas meias e cuecas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A Verdadeira Receita do Quibe Árabe

Não há atualmente uma culinária verdadeiramente brasileira, nativa. Se houve algum dia, foi a do índio, provavelmente um cardápio variadíssimo à base de mandioca - Eu saúdo a mandioca, já disse Dilma Rousseff -, peixe, uma fruta aqui e outra ali e uma ou outra caça que era eventualmente abatida.
De resto, toda nossa culinária foi trazida de fora, Europa, África, Ásia, Oriente Médio.
De natureza antropofágica que somos, apossamo-nos, devoramos e incorporamos cada uma delas, absorvemos cada um de seus atributos e qualidades e as modificamos, adaptamo-as aos nossos paladares e também à disponibilidade ou não de alguns de seus ingredientes originais, ou seja, na ausência de uma cultura alimentar própria, especializamo-nos em descaracterizar a cultura alheia e passar a chamá-la de nossa.
A exemplo : falar em lasanha de berinjela para um italiano, para um carcamano das antigas, é lhe dar motivo para que peça sua excomunhão ao Papa Chico. E pizza de banana, então? E de chocolate? O italiano reencarna Mussolini na hora e ordena a sua imediata execução.
A outro exemplo : e dizer a um russo, a um lobo das estepes, do tal estrogonofe brasileiro, com frango e palmito? Uma tropa de cossacos invadirá sua casa e o jogará para apodrecer em algum subterrâneo da Sibéria, para você passar a pão e água - ainda se fosse a pão e vodka...
Uma outra iguaria, essa de origem árabe, que passou e passa por maus bocados nas mãos dos cozinheiros tupiniquins é o quibe. Já vi receitas das mais variadas e estrambólicas, umas substituindo ingredientes, outras adicionando outros e até mesmo quibes vegetarianos, trocando a carne por berinjela ou por "carne" de soja.
Dia desses, no entanto, recebi por e-mail a autêntica e original receita do quibe árabe, a legítima, e aqui a disponibilizo para os leitores do Marreta, embora ela vá especialmente para o meu primo Leitinho, um verdadeiro chef de cuisine (eu prefiro ser um chefe de cuzinho), grande conhecedor e entendido de temperos e especiarias dos quatro cantos do planeta, um homem gourmet.
A receita é de simples execução e o resultado é saborosíssimo. Basta seguir a receita à risca, sem alterar proporções nem ingredientes, é só seguir o passo a passo que não há como errar.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Jesus Se Achegou ao Ouvido de Maria Madalena e Cantou : Eu Vou Tirar Você Desse Lugar...

O chamado Evangelho da Esposa de Jesus, encontrado em 2012, é um papiro cujas linhas, escritas no antigo idioma copta, vêm supostamente a provar que Cristo não era celibatário porra nenhuma, não era casto e cabação nem aqui nem lá em Nazaré. Que era macho das antigas (e bota das antigas nisso) e se fartava dos prazeres e das delícias da carne, fraca e impura.
Na verdade, o Evangelho da Esposa de Jesus nem chega a ser um papiro completo, é um pequeno fragmento de 4cm x 8cm, que, se por um lado, diminuto em dimensões físicas, por outro, grandioso e revolucionário em revelações e implicações doutrinárias. Neste fragmento, menor que uma carta de baralho, pode se ler bem ao centro, em negrito : “Jesus disse-lhes: ‘Minha esposa'"; "ela vai ser minha discípula"; e "eu moro com ela".
Na época, o Jornal do Vaticano emitiu uma nota, claro, negando a autenticidade do documento : " é falso, pois tem gramática pobre e origem incerta", disseram os Homens do Papa. Ah, o elitismo do alto clero católico! Ah, sua empáfia e soberba para com o resto da humanidade!
Vai que o papiro tenha sido escrito por um escriba de origem humilde, que tenha aprendido seus primeiros hieróglifos em escola pública de Mênfis sob o regime da progressão continuada, que tenha ingressado na UFVG (Universidade Federal do Vale de Gizé) via cota, Enem, Sisu etc, ou pior, que tenha se graduado à distância no ofício da Belas Letras na UniFaraó? A origem humilde e a má-formação acadêmica do escriba teriam, nesse caso, peso e relevância maiores do que a informação por ele grafada à posteridade?
Três anos após a sua descoberta, o Evangelho da Esposa de Jesus volta a ser objeto de polêmica. Exaustivas, criteriosas e minuciosas análises do papiro, realizadas por três equipes de cientistas - Harvard, Columbia e MIT (Massachussetts Institute of Technology) -, concluíram que o documento é autêntico!
“A composição química do papiro e os padrões de oxidação são consistentes com outros papiros antigos, ao comparar o fragmento do Evangelho da Esposa de Jesus com o Evangelho de João”, escreveram os pesquisadores no artigo publicado na revista Harvard Theological Review.
Sim, autêntico no sentido de ter sido escrito na mesma época em que o Evangelho de João, mas e em relação à confiabilidade de seu conteúdo? Por que, ainda que contemporâneo a João, confeccionado com os mesmos materiais, com o mesmo tipo de tinta etc, ele tem que ser obrigatoriamente verdadeiro no que diz respeito à informação que traz?
Algum fofoqueiro da época não poderia muito bem tê-lo escrito? Jesus foi uma celebridade de seu tempo, Jesus Cristo Superstar. E se tal fragmento for uma página remanescente de um antigo papiro semanal de fofocas, uma espécie de Contigo ou de Ana Maria da Editora Nilo Cultural? Um papiro sensacionalista que vivia de escarafunchar a intimidade dos famosos? E se o autor do Evangelho da Esposa de Jesus foi um Nelson Rubens da antiguidade?
Mesmo nos meios científicos há certas desconfianças em relação ao trabalho dos três grandes centros universitários. O egiptologista Leo Depudydt, da Brown University, um dos mais renomados do mundo, afirma que os erros gramaticais do copta e o uso de negrito nas palavras “minha esposa” - como se houvera o propósito de chamar a atenção para esse trecho em específico - mostram que se trata de um documento falso. Além disso, a fonte do papiro é desconhecida, ele chegou às mãos dos pesquisadores por um anônimo que o encontrou numa coleção de papiros escritos em grego e copta. Mais : por que, do papiro inteiro, sobreviveu apenas e justamente esse fragmento, o que diz da esposa de Jesus? Quando a esmola é muita, até o Cristo desconfia.
Ah, sim! Ia me esquecendo. A dita esposa de Jesus é, obviamente, Maria Madalena, prostituta regenerada, uma madalena arrependida de então.
O que faz todo o sentido. Pelo que se sabe, Jesus trabalhou por um tempo com seu pai, José, que estava a lhe ensinar o ofício de carpinteiro. Quando Jesus viu que o trabalho era pesado, sumiu no mundo e só voltou quando tinha 33 anos, e voltou meio como um hippie, um riponga cheio dos guéri-gueris e das filosofias, dessas coisas do Oriente, romances astrais. Jesus era um tremendo dum bon vivant, um baita dum 171, vivia com sua galera na maior pândega, a comer e beber pelas tavernas da Galileia. Como não trabalhava e, portanto, nunca tinha um puto no bolso, Jesus saldava suas despesas só na lábia, só no gogó, pagava a "dolorosa" com suas parábolas, com suas historinhas pra boi dormir. E depois que o sujeito enche a cara e conta umas vantagens pros amigos, ele vai atrás do quê? De buceta, claro. Não seria de se espantar que Jesus, além de frequentador dos botecos da época, fosse também presença assídua nos bordéis e nos zonões. Jesus bem pode ter sido uma espécie de Odair José dos puteiros da Judeia e da Galileia. E em uma dessas visitas, num dia em que se encontrava mais frágil e emotivo, achegou-se ao ouvido de Maria Madalena e lascou : eu vou tirar você desse lugar, eu vou levar você pra ficar comigo, e não me interessa o que os outros vão pensar...
O que faz todo o sentido. Salva por Jesus de um apedrejamento e desprovida de um único talento (moeda da época) que fosse nas dobras da túnica, Maria Madalena pagou a seu benfeitor com o único talento que deus lhe dera, com a única moeda que tinha e conhecia, com a moeda mais forte da história da humanidade, com a moeda que, entra século, sai século, nunca desvaloriza, nunca perde seu valor inerente e venal e tampouco está sujeita à lei da oferta e da procura : a buceta!
Harvard, Columbia e MIT para lá, Vaticano para cá, egiptologistas para acolá, e eu, o Azarão, em verdade vos digo : Jesus Cristo nunca foi casado. E nem poderia. Ele não existiu, porra!!!! É só um mito, um apanhado, um amálgama de outros mitos mais antigos que ele, Krishna entre vários. O cara não foi um homem real.
O dabate sobre a possibilidade de Jesus ter sido ou não casado me lembra muito de outra controvérsia envolvendo dois outros personagens fictícios; discussão que, embora bem mais recente que a de Cristo, dá ares de se tornar também secular, eterna : Batman e Robin, seriam eles gays, bichonas enrustidas?
Eis o papiro, leia e tire suas próprias conclusões.

domingo, 30 de agosto de 2015

A Praça

É que hoje acordei bucólico. Campestre, pastoril. Um Dirceu de Marília. Um velho deus Pã barrigudo a correr pelos bosques da Arcádia e a farejar olorosas e peludinhas bucetinhas de ninfas.
A Praça
(Ronnie Von)
Hoje eu acordei
Com saudades de você
Beijei aquela foto
Que você me ofertou
Sentei naquele banco
Da pracinha só porque
Foi lá que começou
O nosso amor...

Senti que os passarinhos
Todos me reconheceram
E eles entenderam
Toda minha solidão
Ficaram tão tristonhos
E até emudeceram
Aí então eu fiz esta canção...

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim...

Beijei aquela árvore
Tão linda onde eu
Com o meu canivete
Um coração eu desenhei
Escrevi no coração
Meu nome junto ao seu
Ser seu grande amor
Então jurei...

O guarda ainda é o mesmo
Que um dia me pegou
Roubando uma rosa amarela
Prá você
Ainda tem balanço
Tem gangorra meu amor
Crianças que não param
De correr...

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim...

Aquele bom velhinho
Pipoqueiro foi quem viu
Quando envergonhado
De namoro eu lhe falei
Ainda é o mesmo sorveteiro
Que assistiu
Ao primeiro beijo
Que eu lhe dei...

A gente vai crescendo
Vai crescendo
E o tempo passa
E nunca esquece a felicidade
Que encontrou
Sempre eu vou lembrar
Do nosso banco lá da praça
Foi lá que começou
O nosso amor...

A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você
Perto de mim...(2x)

sábado, 29 de agosto de 2015

Pezinho de Caralho

O gênero Nephentes abriga inúmeras espécies de plantas carnívoras, sendo que as mais comuns são aquelas cujas folhas das extremidades dos ramos se diferenciam e se enrolam em forma de jarro e se tornam uma arapuca e um "estômago" em que insetos e mesmo pequenos anfíbios e aves são capturados e digeridos. As Nephentes são, portanto, as grandes comedoras do reino vegetal.
Recém-descoberta nas selvas do Cambodja, uma singular espécie de Nephentes levou ao extremo a fama de comedor do seu gênero, tornou-se literalmente seu membro mais insigne.
É a Nepehentes holdenii, a planta-pênis do Cambodja, como vem sendo chamada. Segundo as pesquisadoras responsáveis pela descoberta, a planta-pênis pode atingir a envergadura de 30 cm e nasce e cresce fácil em qualquer terreno quente e úmido. Era o minímo esperado, ora. De que valeria ser o correlato fotossintetizante do Kid Bengala se tivesse dificuldade de crescer, de vicejar e pulsar em terreno encharcado?
Os minimamente iniciados e versados nos meandros de Darwin devem estar a se perguntar que conjuntos de fatores ambientais e mutações e recombinações gênicas se aliaram para desembocar em tão pujante espécie. Alguns, sobretudo mulheres da ciência e bichanas acadêmicas, à vista de tal espécime, têm dificuldades de se manter fiéis ao seu pragmatismo, começam a considerar a hipótese da planta-pênis ser produto do Design Inteligente.
Pois digo que nem Darwin e muito menos design inteligente, esse criacionismo disfarçado. A Evolução trabalha duro há pelo menos 3,5 bilhões de anos, incessantemente, noite e dia, sem sábado, domingo nem feriados. Ora, de vez em quando ela também precisa se divertir! A Nephentes holdanii é uma troça, uma zombaria, uma patuscada da Evolução.
Olha a cara da japinha!!! Não sabe se vai sentar agora ou se vai mandar embrulhar pra levar pra casa. Tá é pegando uma muda. Para plantar um verdadeiro jardim do Éden!
Isso me lembrou de uma piada que ouvi num velho LP de vinil do Costinha, O Peru da Festa, um dos maiores humoristas que o Brasil já teve, bem como um grande dum filho da puta. Conta-nos Costinha :
"Todos os dias, ao anoitecer, quando não havia mais literalmente viv'alma no pequeno cemitério da cidadezinha do interior, a viúva visitava o túmulo do falecido. Conversava com ele, contava os afazeres e as novidades do dia, reiterava seu amor eterno, dizia que estava com muitas saudades e se aninhava de cócoras ao lado do túmulo e dava uma mijadinha, afinal, cada um chora por onde sente mais saudades. Todo o dia o mesmo ritual. O zelador do cemitério, tarado e filho da puta que só ele, resolveu, então, que iria comer a viúva, que ainda dava uma bela meia sola. Na noite seguinte, enterrou-se ao lado do túmulo, deixou apenas o pau em riste para fora e ficou a esperar a viúva, que não tardou em chegar para ter sua conversa diária com o falecido e logo se acocorar para sua mijadinha. Ao sentir a protuberência contra suas partes baixas, a viúva levou a mão ao cacete do coveiro, apalpou, apalpou e disse : um caralho... se não me falha a memória, isso é um caralho... Sentou-se e mijou como há tempos não fazia. E foi assim, sem tirar nem pôr, ou melhor, tirando e pondo, tirando e pondo, durante um mês. Até que um dia, adoentado, o zelador da cidade dos pés juntos não foi trabalhar. A viúva chegou e nem conversou com o marido, já foi direto se mijar toda. Sentou e sentiu falta da reconfortante presença de todas as noites, tomou-a de assalto um enorme "vazio interior". No escuro, a viúva tateou o terreno com a mão, com a xavasca e até, quebrando o juramento que fizera ao falecido, de que se nunca dele tinha sido, de outro é que não seria, com o cu. E nada achou. Indignada, bradou aos ouvidos daqueles que não podiam mais ouvir : Moleques filhos das putas, arrancaram meu pezinho de caralho que estava crescendo aqui!"
Pããããããta que o pariu!!!

Que Diferença do Cristão o Ateu Tem?

Luis Gonzaga, o Gonzagão, há tempos perguntava : que diferença da mulher o homem tem? E ele mesmo respondia : espera aí que eu vou dizer, meu bem, é que o homem tem cabelo no peito, tem o queixo cabeludo e a mulher não tem.
E que diferença do cristão o ateu tem? Ei-la:

Adiando

Você merece
Ouvir poucas e boas,
Muitas e más.
Mas deixo para amanhã
(tudo pode ser deixado para amanhã,
inclusive o amanhã).
Adio o meu ódio
E trepamos novamente.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Paróquias de Deus, Consulados do Capiroto

Tenho cá pra mim que a Igreja Católica foi fundada por uma elite de degenerados inteligentíssimos. Justamente para sacralizarem suas perversões, cometerem suas devassidões e atrocidades - guerras santas, genocídios, sevícias, torturas, sodomia, pedofilia, orgias e putarias em geral - em nome de Deus e não incorrerem na justiça dos homens.
A exemplo, só para me valer de um assunto sempre em pauta, nunca tive notícia (posso estar enganado) de um padre pedófilo que tenha sido julgado pela justiça comum, a dos homens. O safado, quando muito, é julgado por seus pares do clero e, no máximo, afastado temporariamente de suas funções, ou transferido para uma paróquia distante da sua, onde ele é um desconhecido e, portanto, está com a ficha limpa para voltar à ativa (ou à passiva), pois o lobo perde o pelo mas não perde o viço.
Blindados pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, a libertinagem campeia gazela saltitante nos meios sacerdotais, brinca tresloucada pelos campos do Senhor. Comportamentos inadmissíveis e condenáveis pela ética e pela moral da maioria das sociedades civilizadas - uma ética e uma moral hipócritas, é verdade, mas enfim... - encontram aceitação, refúgio e guarida no ambiente clerical, que se torna, então, uma espécie de embaixada do capeta, onde o pervertido vai pedir asilo e imunidade.
Paróquias de Deus, consulados do Capiroto.
Às vezes, parece-me que a igreja surgiu como um reduto de bibas, um local seguro e aprazível para a queimação de rosca. Sim, pois se até hoje o homossexulismo é visto por muitos idiotas como um desvio de conduta, mesmo de caráter, como se coubesse à sociedade o papel de fiscal do cu alheio, imaginemos, então, isso lá pelo século III, IV. Agrupar a bicharada em mosteiros fortificados sob a égide e o beneplácito de Deus talvez tenha sido a opção mais viável para botar o fiofó para jambrar. E das mais inteligentes, devo admitir.
Não me deixa mentir, ou ao menos não me refuta, a diocese italiana de Albenga-Imperia, nome que, vertido do idioma de Berlusconi para o azaronês, bem pode significar o Império de Todas as Bengas.
Localizada na região de Ligúria, ao norte da Itália, e dirigida há 25 anos pelo bispo Mario Oliveri (70), a diocese de Albenga-Imperia está sob investigação do Vaticano desde o ano passado, encargo dado ao núncio apostólico Adriano Bernardini pelo próprio Papa Chico I.
O bispo Mario Oliveri é acusado de abrigar "padres playboys" em sua diocese, contra os quais pesam denúncias que, ao meu ver, não têm nada de mais, nem sei por que andam a merecer atenção papal : os padres de Oliveri, à noite, findas suas obrigações para com Deus, atuam como barmen na cidade mais próxima, furtam donativos da caixinha de esmolas da igreja para gastarem com garotos de programa, operam em redes de prostituição masculina, muitos têm passado criminoso, tatuam-se e postam fotos nuas em sites gays. Coisinha pouca! Traquinagens, Papa Chico, travessuras de meninos levados da breca.
Deixe de melindres, Papa Chico! A vida sacerdotal é dura e sacrificada. Deixe os meninos se divertirem um pouco. A Igreja Católica já vem perdendo fiéis a olhos vistos pelo mundo inteiro, com essa pegação no pé, com essa ranzinzice do Vaticano, vai começar a perder também sacerdotes.
Bispo Mário Oliveri - que Mário?

Medo da Seca

De lá para cá
De cá para lá
De lá para cá.
Para que tantas oxítonas
Tantas barítonas?
Tanta ânsia
Tanto trânsito?
Para acordar
Entristecer
Trabalhar
Dormir 
Ser feliz
Cagar 
E morrer
Tudo no mesmo lugar?
Como se nunca houvéssemos tentado
Sonhado
Suado?
Como se sempre fôramos
Pedras sozinhas
Chorando no mesmo lugar?

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Corujex, as Corujas-Pavão

Sou visto muitas vezes como um sujeito ranzinza, conservador, mesmo reacionário. E tendo em vista a atual conjuntura do país, na qual ser moderno é ser idiota, indisciplinado, semianalfabeto, viciado em celulares, zumbi sem personalidade conectado dos pés à cabeça e ao cu a traquitanas eletrônicas, digo que tenho orgulho de que por um fóssil me tomem.
Sem que isso seja um impeditivo, aprecio certas manifestações artísticas de cunho marginal, underground, ou pelo menos certas manifestações artísticas que em suas origens, que lá em seus primórdios, tiveram um caráter marginal e underground, pois o mercado e o establishment rapidamente a tudo cooptam, mercantilizam e domesticam.
Gosto muito do grafite. Meu primeiro contato com ele se deu através das figuras de um dos pioneiros da arte no Brasil, o italiano Alex Vallauri, pintadas nas paredes do SESC - Ribeirão Preto; isso lá na saudosa década de 1980. Tanto que, ainda adolescente - prepotente, inocente, puro e besta - e animado pelas imagens de Vallauri, quis também produzir as minhas. Muni-me de cartolinas, papéis-cartão, papéis-carbono e estiletes para confeccionar meus moldes vazados : mais uma pretensão facilmente posta abaixo pela falta de talento.
Não há uma cena grafiteira significativa e consistente aqui em Ribeirão Preto. Não ao menos pelas ruas por onde ando, e eu, como não dirijo automotores, não tenho nem CNH, ando pra caralho. Conheço bem as ruas do centro, de uns quatro bairros adjacentes e de um mais periférico, e nada de grandes expoentes do grafite por seus muros. Aliás, não é só o grafite que carece de representantes : não há nenhuma cena cultural sólida, seja em que área for, na grande e burra Ribeirão. Culturas de destaque aqui são somente duas : a da cana-de-açúcar e a do rodeio e do sertanejo universitário. No mais, alguns grupelhos que organizam uns saraus aqui, umas mostras ali, uma exposição acolá; muito mais para fazer pose e encher a cara de birita que para qualquer outra coisa. Convivi um tempo nesse meio, sei do que falo, meninos.
Assim, sendo eu também um provinciano - se não em mentalidade, mas com certeza geográfico, pois morei praticamente toda a minha vida aqui, e ninguém consegue se elevar muito acima do meio em que vive -, jamais pude imaginar a magnitude que a arte do grafite atingiu nos grandes centros; magnitude não só em qualidade como também em dimensões físicas.
Estive na cidade de São Paulo há quatro meses. Na volta, pela tal avenida 23 de maio, surpreendi-me com o que vi, fiquei atônito e embasbacado. Sou um cínico, na acepção grega da palavra, da corrente filosófica fundada por Antístenes, que pregava a renúncia aos desejos criados pela civilização e denunciava as frivolidades da sociedade através do deboche e do escárnio por suas convenções. Por isso, quando digo que algo me surpreendeu é porque me surpreendeu mesmo!
De uma hora para a outra, a paisagem dura e claustrofóbica do concreto dos paredões e dos viadutos se transfigurou. O cinza e o fuliginoso foram soterrados por uma avalanche de arte urbana, o grafite. Não esse grafite que, acredito, a maioria de nós esteja acostumada a ver : muito mais inscrições tribais que arte, muito mais toscos desenhos rupestres que produto verdadeiramente pensado e elaborado, e a ocupar poucos metros quadrados aqui e ali.
Nada disso. Paredões de dezenas de metros de comprimento por cinco, seis, dez metros de altura feitos em tela, e com qualidade técnica e criativa diretamente proporcional às dimensões físicas, se não, muitas vezes, superando-as. Não tenho como descrever. As tais mil palavras que, diz o populacho, equivalem a uma imagem, nesse caso, se revelam ainda mais anêmicas e ineficientes. Só mesmo vendo. A quem interessar um vislumbre do que digo, pesquise por um grafiteiro chamado Kobra.
O grafite aqui na cidade é pobre em quantidade e paupérrimo em qualidade. Resume-se ao que eu já disse, rabiscos e pichações, letras umas mais esticadas e pontiagudas, outras mais atarracadas e gorduchas, outras disformes e inintelígiveis, inscrições muito parecidas com a época em que o ser humano não havia desenvolvido efetivamente a linguagem escrita - nossa maior tecnologia.
Há, não obstante e ainda bem, uma doce exceção a esse primitivismo e rusticidade. De uns tempos para cá, alguns muros da cidade - e tenho a sorte de passar por três deles a caminho do trabalho - começaram a servir de ninhos para coloridas e graciosas corujinhas, assinadas por Lola.
À cata de imagens das simpáticas corujinhas para colocar nessa postagem, descobri que Lola é tatuadora de profissão e, ao que me pareceu, nas horas vagas enfeita a cidade com suas Corujex, nome dado por ela aos seus rebentos.
Mas a impressão que tenho, que as Corujex me passam, é que são muito mais que simplesmente corujas que caíram numa lata de tinta, ou em várias. As Corujex (aqui assumo, por conta e risco, que Corujex tenha plural invariável, pesquisei pra caralho sobre plural de palavras terminadas em "x" e nada de conclusivo encontrei) são o resultado do cruzamento entre uma coruja e um pavão.
As Corujex, as corujas-pavão, são uma mistura de mau-agouro com festa de aniversário. São confluências do luto com o carnaval. Híbridos do breu com a aurora. Transgênicos da Lua com o arco-íris.
Têm umas que até se arriscam de ponta-cabeça. Um quê de morcego, talvez?

sábado, 22 de agosto de 2015

Atlântida

Bom seria estivesse aqui, amigo 
Ou pelo menos à distância míope de um aceno: 
Nem beberíamos 
Nem conversaríamos 
Nem lamentaríamos nossas desditas. 
Bastaria-nos a proximidade. 
Mas você está em suas nuvens, 
Penteando suas asas vestigiais e implumes, 
E eu imerso em minha Atlântida paralítica, 
Deixando meu escafandro asmático enferrujar.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Loch Ness

O meu pensamento assim se comporta: 
Neblina, colóide branco cegante, 
Névoa infiltrável. 
Do tipo de onde saem os monstros, 
De onde suporam os estripadores. 
Abandono meu pensamento 
Pra receber um beijo seu: 
Gosto. Sinceramente gosto. 
Mas não entendo mais o que ele pode querer me dizer. 

O meu humor, a mim, assim se reporta: 
Nitrogênio e breu rarefeitos em meu ar, 
Útero cistoso, esponjoso. 
Do tipo onde nadam deformidades, 
De onde vêm a furo os suicidas. 
Disfarço meu humor 
Pra retribuir o beijo seu: 
Você gosta. Sinceramente gosta. 
E ainda acha que entende o que ele quer lhe dizer.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Soneto do Desprevenido

Eu lhe amo porque de me defender não houve jeito,
Amo porque de evitar não houve intenção, não houve intento
Porque quebrou o velocímetro em meu peito,
Fui multado porque, às suas placas, aos seus radares, eu não estava atento.

Eu lhe amo porque nunca pensei em lhe amar,
Houvesse pensado, teria me precavido.
Amo porque não consigo deixar de lhe amar
Porque não fui pai desse amor recém-nascido.

Eu lhe amo porque nunca imaginei que você viesse,
Amo-lhe como fosse a última da espécie,
Porque há muito queria amar sem porquê.

Eu lhe amo sem tempo, sem hora, sem ponteiro
Amo-lhe sem maquiagem, amo sua cara saída do travesseiro
Amo porque você é você.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Soneto do Olfato

Esboço de barba a agulhar o rosto
Sou um velho decrépito de 30 e poucos anos
Não mais afeito aos prazeres mundanos
E não há outro tipo de prazer que o já acima exposto.

É que o desejo pelo prazer vem do cheiro.
São fundamentais a estampa, o paladar, a voz, o tato
Porém, todo o conjunto queda não houver beneplácito do olfato
O odor da pele é juiz e veredicto derradeiro.

As mulheres de minha idade ou pouco mais, cheiram a gavetas fechadas
A neuroses e irritantes notas de naftalina desafinadas
Aterrorizam o desejo, só atraem compaixão.

E o cheiro das mais novas
Ah! A fragrância e os olores das mais novas...
As mais novas fedem à traição.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Barrichello na Manifestação Pelo Impeachment

O Clã de Um Homem Só

Engana-te
- o que não é incomum -,
Não tiro das pedras
Inspiração.
Nem leite.
Como também não a extraio
A inspiração
Do peito
Uma vez que igualmente pedra
Monolito de sílex paleolítico.
O que arranco do peito
A duras marretadas
São fagulhas,
Centelhas, faíscas
Para acender minha fogueira.
Que não é para o  bando
Que é flama particular e intransferível
Que levemente fosforece e amorna
Apenas a mim e à minha toca.
E mantém à distância segura
Pernilongos e tigres-de-dentes-de-sabre.
Sou meu próprio clã
E totem.

domingo, 16 de agosto de 2015

Pequeno Conto Noturno (55)

Três e dezoito da manhã, Rubens vê no visor do caixa do supermercado 24h, e passa por ele com 4 latões de cerveja, para bem acabar a madrugada e se garantir umas precárias horas de sono conturbado.
Avista Valéria a uns 5 ou 6 caixas de distância do que está. Ela ainda não o viu. E Rubens pretende chegar até ela sem que isso aconteça, de surpresa, invisível. O que é fácil para ele.
Rubens tem um poder quase que mutante de se tornar invisível, de passar despercebido. Em parte - em uma pequena parte - porque não possui nenhum atributo físico que atraia olhares cobiçosos, Rubens é mesmo feio; em parte - em uma pequena parte - porque se traja sempre com cores neutras de padronagem lisa, preto, cinza, azul-marinho, marrom, meio que se camufla à triste paisagem, Rubens não veste outdoors vermelhos com inscrições douradas; mas, principalmente, Rubens deve seu dom de invisibilidade ao fato de que não é aquele cara que faz com que alguém, ao sair de casa para seus afazeres e atribulações diárias, pense : que puta saudade do Rubens, como seria bom encontrá-lo por acaso no supermercado, no banco, na padaria. Ninguém nunca está pensando em encontrar Rubens : fica fácil se tornar invisível. E ele prefere assim.
Cá entre nós, e que Rubens não nos ouça, ele acredita que prefere assim, mas não tem parâmetros para tal certeza. Nunca foi de outro modo.
Para Rubens, só existem dois tipos de amor, paixão ou como quer que as pessoas chamem a tais brutais reações químicas dos corpos. O amor que acontece, que se realiza, que constrói fortificações, ergue cidadelas com fossos e pontes levadiças em torno dos amantes; que depois são tomadas, invadidas e saqueadas pelos pequenos e insuportáveis defeitos de cada um, pela rotina e pelo tédio ("se esse amor, ficar entre nós dois, vai ser tão pobre, amor, vai se gastar...") e, finalmente, capitulam feito impérios decadentes. E o amor que não acontece, que fica só na intenção, no terreno das ideias, incubado, juntando pó e mofo, fermentando, e que acaba por explodir em pútrida pústula, um furúnculo que vem a furo, um tubérculo no pulmão, uma flor negra de Pasteurella pestis, um sarcoma de Kaposi.
Do segundo tipo, o amor entre ele e Valéria.
O mercado oferece três tipos de bebida quente como cortesia aos seus fregueses, disponíveis em garrafas térmicas à saída do último caixa : uma com chá, outra com café sem açúcar e outra com café com açúcar. Rubens se serve de dois pequenos copos, um com açúcar e o outro sem, e com eles se aproxima de Valéria, que só dá por Rubens quando ele está bem às suas costas, à distância em que ele planejou mesmo que ela o percebesse, à distância que ele quis se fazer visível.
Nem Rubens nem Valéria dizem nada. Rubens estende, então, os dois braços em direção à Valéria, o café sem açúcar na mão esquerda, o com açúcar na direita, mostrando a ela suas opções.
- Qual você prefere? - pergunta Rubens, levantando ligeiramente a mão esquerda em relação à direita - Sem açúcar e com afeto, ou - baixando a mão esquerda e erguendo mais a direita - com açúcar e sem afeto?
Valéria, calada (Rubens não ouvirá a voz dela hoje), pega o café da mão direita de Rubens e volta a ensacar as suas compras.
Eles ainda não estão prontos para ter qualquer tipo de conversa. Rubens segue e entra de novo no mercado. Vai pegar mais dois latões. A madrugada será mais longa do que ele havia imaginado. Mesmo que o sol raie - e ele sempre raia, indiferente - em seu horário habitual.

sábado, 15 de agosto de 2015

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (18)

O corno é um missionário, um abnegado, um reformador de almas. O corno tira a vaca das ruas, das sarjetas, da vida fácil. O corno dá um lar para a puta, conserta-lhe os dentes, cura-lhe as doenças venéreas, matricula-a num supletivo para a puta aprender a ler, dá-lhe a oportunidade de se tornar uma dona de casa, uma mulher de família, até o seu sobrenome o corno dá para a puta.
Mas não tem jeito. Quem nasceu com o gene da biscatice não se emenda, não consegue passar a vida sentando em única piroca. O corno não deve se considerar um perdedor, mas deve desistir da luta. Afinal, mesmo paciência e testa de corno têm limites. 
É fazer como fez Zeca Pagodinho, é chegar para a moça tão dada e dizer : vai vadiar!
Vai Vadiar
(Zeca Pagodinho)
Eu quis te dar um grande amor
Mas você não...se acostumou
A vida de um lar
O que você quer é vadiar

Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar (vai vadiar)
Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar

Agora não precisa se preocupar
Se passares da hora
Eu não vou mais lhe buscar
Não vou mais pedir
Nem tampouco implorar
Você tem a mania de ir pra orgia
só quer vadiar
Você vai pra folia se entrar numa fria
Não vem me culpar, vai vadiar!

Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar (vai vadiar)
Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar

Quem gosta da orgia
Da noite pro dia não pode mudar
Vive outra fantasia
Não vai se acostumar
Eu errei quando tentei lhe dar um lar
Você gosta do sereno e meu mundo é pequeno
Pra lhe segurar
Vai procurar alegria
Fazer moradia na luz do luar, vai vadiar!

Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

General Mourão - A Frase da Semana

"As mesmas pessoas que chamam os presidentes militares de ditadores, chamam Fidel Castro de presidente."

Punheta no Mundo Animal

Grande parte do desenvolvimento de nossa inteligência, garantem os evolucionistas, deu-se graças à aquisição de uma ferramenta até hoje única na natureza, a mão com polegar oponível ou opositor, ou seja, um dedo que se dobra em oposição aos demais, permitindo que nós, humanos, sejamos capazes de segurar e manipular objetos como nenhuma outra espécie. Nenhuma outra estrutura criada pela evolução é tão complexa e eficiente quanto a mão humana, quando o assunto é manipular objetos e, posteriormente, modificá-los.
De posse dessa inédita e exclusiva ferramenta, o Homo Sapiens se pôs a matutar sobre maneiras de como utilizá-la, começou a quebrar a cabeça para encontrar serventias para ela. E foi de tanto pensar em usos para o seu polegar oponível que o seu cérebro começou a desenvolver novos processos e caminhos cognitivos, que, assim como o polegar oponível, também são exclusivos da espécie humana.
Foi o polegar oponível que tirou o homem das cavernas e o tornou capaz de construir pirâmides, erguer e destruir impérios e chegar à Lua. Muito mais importante que todos os feitos anteriores, foi também o polegar oponível que tornou o ser humano apto a tocar a boa e velha punheta, a bronha, capacitado a descascar o inhame, descabelar o palhaço, esgoelar o bem-te-vi, depenar o sabiá, espancar o macaco, envernizar o pescoço da girafa.
Em função do ser humano ser o único animal que possui o polegar oponível, até hoje eu pensava que ele também fosse o único animal capaz do famoso cinco-contra-um, da mariquinha-maricota-com-a-direita-com-a-canhota. Afinal, imagine-se, meu amigo, tentando tocar um punhetão sem o uso de seu polegar. Pensava...
Acontece que a natureza não tem predileção por esse ou por aquele filho. A natureza não deixa seus rebentos na  mão, mesmo aqueles que nem têm mão, ou pelo menos não as têm com o salvador polegar oponível.
Várias outras espécies também desfrutam dos prazeres do onanismo, entre elas :
1) Os macacos, é claro, nossos parentes mais próximos. A punheta foi observada em mais de 80 espécies de primatas, entre macacos e lêmures. Apesar de não terem o polegar oponível, eles compensam tal ausência usando as duas mãos no ato;
2) Os golfinhos. Sim, o simpático Flipper também é chegado numa boa bronha. Na hora do aperto, eles esfregam a pistola em qualquer coisa que estiver disponível, paredes de tanques (se estão em cativeiro), outros animais, quaisquer objetos firmes que encontrem no fundo do mar etc. O golfinho, como visto, além de punheteiro também é um encoxador;
3) Os elefantes. O gracioso Dumbo não é portador apenas de uma grande tromba, ele possui também um baita dum caralhão cujos movimentos consegue controlar graças a um forte conjunto de músculos na base do saco. Assim, ele se masturba golpeando repetidamente seu pênis ereto contra a barriga;
4) As morsas, aquelas "focas" com dentões e bigodões, o Leôncio do desenho do Pica-pau. Os machos conseguem esfregar as patas dianteiras ao longo do eixo de seu pau surpreendemente grande e são capazes também de autofelação, ou seja, de pagar um boquete para eles mesmos; vai dizer que você nunca pensou nisso?;
5) Os esquilos. Os frenéticos Tico e Teco são dos maiores maníacos sexuais da natureza. Os machos se masturbam em todas as épocas do ano, mesmo na época de reprodução, quando as fêmeas estão no cio e a punheta poderia ser dispensada. Mas aí é que eles se masturbam pra valer. A bióloga Jane Waterman, da Universidade de Manitoba, no Canadá, a primeira a quantificar este comportamento, sugere que os machos que têm muitas companheiras masturbam-se imediatamente após o sexo para evitar de pegar e espalhar infecções sexualmente transmissíveis;
6) Os morcegos. Os morcegos machos, feito as morsas, também são capazes de se satisfazer com o uso da própria língua, um autoboquete, a qual também podem usar para satisfazer a fêmea. Aliás, o morcego é o único macho do reino animal que prefere quando a fêmea está menstruada. Machos de morcegos vampiros já foram flagrados dando prazer oral a machos de morcegos frugívoros e recebendo de volta, também. Não é à toa aquela velha desconfiança que recai sobre o Batman.
7) Os pinguins. O Happy Feet também não tem nada de puro e inocente. Eles se agarram a pedras, como se elas fossem uma fêmea, e realizam os mesmos movimentos de cópula, chegando a ejetar seu sêmen sobre a terra ou o gelo.
Comportamentos autoeróticos também foram observados em menor grau em alguns répteis como iguanas e tartarugas. A natureza, sem dúvida, é uma grande duma putaria.
Taí o macaquinho tocando uma, provavelmente em "homenagem" à Chita.