sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Pérolas do ENEM? Porra Nenhuma! O Negócio Agora São as Pérolas da Dilma

Do Blog do Beto
Acompanhem a excelência do português de nossa presidente.

Neurônio de jaleco
“Uma das pessoas, inclusive, me disse: ‘o médico não me toca’. Ela queria que o médico lá tocasse… porque aquilo que a gente… pelo menos meu médico sempre me apalpou”.
(Dilma Rousseff, aproveitando a passagem pelo Rio Grande do Norte para avisar que as pacientes do Mais Médicos serão respeitosamente apalpadas pelos jalecos importados.)
Neurônio livre
“É importantíssimo que o ensino médio, no Brasil, não seja um ensino pura e simplesmente livresco. Tem de ser livresco porque todo aprendizado é livre, mas tem de ser técnico também”.
(Dilma Rousseff, em entrevista coletiva dada a rádios mineiras e transcrita pelo Portal do Planalto, internada por Celso Arnaldo ao atribuir à palavra livresco um sentido tão estapafúrdio que é preciso dar-lhe o benefício da dúvida: pode ter havido um erro de transcrição ─ se bem que esse livresco em dilmês faça o maior sentido)
A maldição do neurônio
“Estamos fazendo tudo isso para evitar a maldição do petróleo, e todos aqueles que teorizaram a maldição do petróleo foram os países que criaram a Opep, que é um país rico com nação e povo pobre, essa era maldição”.
(Dilma Rousseff, durante a assinatura de um contrato para construção de duas plataformas de petróleo, mostrando o que acontece quando o neurônio solitário fica sem combustível)
Neurônio irrecuperável
“Os meninos têm tanta importância quanto as meninas, e eu sempre disse que é. É, sabe por quê? Uma vez uma moça me disse o seguinte: tá certo, nós mulheres somos mães, porque não tem homem na Terra, nessa Terra, que não tenha uma mãe. Então, na verdade, está tudo em casa e em família. Então, a importância das mulheres é uma coisa que beneficia todos os homens também”.
(Dilma Rousseff, na cerimônia de formatura de alunos do Pronatec, em Uberlândia, internada por Celso Arnaldo ao demonstrar mais uma vez que, no Brasil governado pelo lulopetismo, educação básica e capacidade mínima de raciocínio deixaram de ser requisitos até para se chegar ao mais alto posto do país.)
Neurônio full time
“Eu sempre lutei pelo CAPS AD 24 horas, sabe por quê, o 24 e todos os dias da semana? Por causa do seguinte, não dá para a gente acreditar que a pessoa não fica passando mal de madrugada. Às seis horas da tarde, se fechar o CAPS AD, o que é que a pessoa faz se passar mal às sete, às oito, às nove e às dez?”
(Dilma Rousseff, em entrevista coletiva dada hoje a rádios mineiras, internada por Celso Arnaldo ao demonstrar que finalmente compreendeu por que os serviços de saúde de emergência devem funcionar dia e noite.)
Neurônio federal, estadual e municipal
‘Eu sou presidenta de todos os brasileiros. O governador é governador de todos os moradores do estado do Rio de Janeiro, e o prefeito é prefeito de cada uma das populações da sua cidade”.
(Dilma Rousseff, durante anúncio de investimentos para implantação da Linha 3 do Sistema Metropolitano do Rio de Janeiro, em São Gonçalo, internada por Celso Arnaldo ao apresentar sua versão em dilmês do princípio fundamental da Teoria Geral do Estado.)
Neurônio sem rumo
“Estou com o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, porque nós vamos lá em Itaboraí… desculpa, eu não vou em Itaboraí, eu vou lá em Inhaumá. Em Itaboraí eu ainda irei. É que eu vi… como eu vi o Comperj, eu vi o prefeito, eu falei assim para mim mesma: eu vou lá no Comperj. Mas hoje, viu prefeito, eu não vou no Comperj, não, eu vou lá em Inhaúma, no estaleiro, por isso que eu estou aqui com o ministro Lobão”.
(Dilma Rousseff, em São Gonçalo, internada por Celso Arnaldo ao comprovar que, na presença perturbadora do ministro Lobão, ela nunca sabe onde está, nem para onde vai.)
Neurônio desértico
“Porque, para se reservar água, é necessário ter onde reservar água”.
“Esse processo é um processo que ele é muito importante porque passa por uma compreensão diferenciada da situação. Isso que foi dito aqui: que não é necessário combater a seca, essa é uma visão errada, que nós todos concordávamos que nós temos que conviver com ela, e conviver com ela significará domá-la. É, na verdade, isso: conseguir gerenciá-la, conseguir fazer com que a população não tenha as consequências danosas que a seca produz”.

(Dilma Rousseff, internada por Celso Arnaldo depois de dois grandes momentos durante o anúncio do “Água para todos” ─ o primeiro programa contra a seca no Nordeste que não é contra a seca do Nordeste.)

Festival do Clitóris

Grelo é o embrião recém-surgido da semente, o germe dos bulbos, rizomas e tubérculos, ao aparecer fora da terra. Ou seja : o famoso broto.
Pratos e iguarias à base de grelo são típicos da culinária da Península Ibérica - Portugal, Espanha e Andorra. Tanto que, na Galícia, região noroeste da Espanha, acontece anualmente o Festival do Grelo. Grelos de couve, de brócolis, de espinafre, de nabo, de feijão etc. Grelos à mancheias. Servidos das mais diferentes formas : sopa de grelo, suflê de grelo, pastel de grelo, empanada de grelo, lasanha de grelo, grelo ao vinagrete, salada de grelo, grelo à milanesa, grelo à parmegiana, grelo ao molho pardo (se é que vocês em entendem) etc etc. É grelo pra tudo quanto é lado.
Só que a Espanha é uma zona no que diz respeito ao idioma. O espanhol, conhecido como castelhano (o espanhol oriundo da região de Castela), é tido como o idioma oficial do país, porém, cada uma das outras comunidades autônomas do país - Galícia, Andaluzia, País Basco, Catalunha e outras - tem a sua variação dele, seu dialeto próprio.
E foi aí que se deu a desgraça. Um jornal da região de Castela, ao divulgar o Festival do Grelo a ocorrer na região vizinha, ao invés de pagar um tradutor para verter a notícia do galego para o castelhano, deu o material para um Zé Ruela qualquer, que, simplesmente, o passou pelo tradutor do Google. O buscador do Google vê sacanagem em tudo. Qualquer coisa que você digitar no campo de busca, vai acabar em algum site ou foto de putaria. Você vai nas imagens e coloca lá, por exemplo, bóson de Higgs. Da metade da página para baixo, já começam a aparecer fotos de cacetes, tetas, boquetes, xavascas etc.
Por que com o tradutor Google seria diferente? Não é. O tradutor confundiu o grelo galego com a versão chula de clitóris em português. Sim, no bom, velho e imbatível português, grelo é clitóris, aquela campainha à porta da buceta, ou como se diz em Portugal, a aldrava da casa do caralho.
A notícia que, em seu original, era, A Feira do Grelo de As Pontes (nome da cidade), ficou, La Feria de Clítoris de Los Puentes. O Festival do Clitóris.
Aliás, um pequeno aparte : Portugal faz questão de traduzir tudo ao pé da letra. Mouse do computador, lá é rato mesmo. Mas, às vezes, esse nacionalismo, esse apego aferrado à última flor do Lácio, inculta e bela, pode ser perigoso. Contam que na década de 70, 80, Portugal traduzia até o nome dos patrocinadores da Fórmula Um. Goodyear virava Ano Bom; Firestone, fogo na pedra; e Pall Mall (uma marca de cigarro), o caralho maldito!
Voltando aos grelos, o erro que poderia desmoralizar e arruinar o evento, teve efeito contrário. Nunca a pequena cidade de As Pontes foi tão procurada. Hotéis, pousadas e albergues estão com as reservas esgotadas para o Festival do Clitóris, que, além da comida típica, conta também com eventos artísticos musicais. Homens de toda a Península Ibérica estão acorrendo para o Festival do Clitóris.
Inclusive, correm rumores de que várias cantoras de nossa MPB se ofereceram para abrilhantar os números musicais do Festival. De graça. Nem vão cobrar nada. O cachê, elas querem em grelo. Tudo em grelo.
E eu também. Ao sugo. Por favor...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Batman e Robin - A Origem do Mito

Esta vai especialmente para você, Marcellão. Duvido que saiba da revelação bombástica que vem a seguir.
A desconfiança de que Batman/Bruce Wayne e Robin/Dick Grayson fossem muito mais que companheiros de combate ao mal e ao crime sempre recaiu sobre a bat-caverna. 
Constantes eram, e ainda são, mesmo tendo Dick Grayson se emancipado e se tornado o Asa Natourna, os rumores de que, ao encerrar do expediente, eles vestiam seus pijamas de morceguinhos e pintarroxos (robin, em inglês), tomavam uma chávena de chá, ou umas taças dos melhores vinhos da adega Wayne, ficavam em idílio ao pé da lareira e, por fim, dividiam a mesma bat-cama.
Desconfiança que sempre creditei à inveja do populacho, à maledicência do povão, que não pode ver ninguém feliz e bem-sucedido. Bruce Wayne é bilionário, tem QI de Einstein, perspicácia de Sherlock Holmes, porte físico de Adônis e a mulherada se joga aos seus pés. É também probo e reto : não entra em fila reservada para idosos no mercado ou no banco, não estaciona em vagas para deficientes físicos, nem "gato" da net, para pegar pay per view e canal pornô, ele tem. O que fazer contra um sujeito assim? Simples : lançar falsos sobre sua masculinidade. Dizer que ele é viado. É a vingança do povo. É bilionário? E daí, mas é viado. É inteligente? Viado. Bonitão e cobiçado? Continua sendo viado.
Sério que sempre dei o maior crédito à dupla dinâmica. Sempre lhes dei o maior apoio, como diria o Seo Peru, da Escolinha do Professor Raimundo. Até hoje. Até exatamente agora.
Revelou-se-me a verdade : a desconfiança da rosca frouxa, piscante e queimada do morcegão e do passarinho não é mera desconfiança, tampouco infundada aleivosia, é fato embasado em sólidas evidências. Irrefutáveis. Deixadas à posteridade por ninguém mais ninguém menos que Bob Kane, o pai dos dois heróis. 
A cena a seguir é forte e tem conteúdo voltado apenas ao público adulto. A foto é 1954, publicada na edição nº 84 da revista Batman.
Bruce Wayne e Dick Grayson aconchegados no mesmo ninho de amor. Um com o pijama dos Bananas de Pijama e o outro com um pijama de bolinhas amarelinhas tão pequeninhas. 
Ainda se o Batman fosse um herói brasileiro, fudido, assalariado, se morasse em um conjugado ou em uma kitnete, teríamos como lhe dar o benefício da dúvida, a falta de espaço e de cômodos obrigaria à tão suspeita proximidade. Mas não. A Mansão Wayne tem mais aposentos que o Palácio de Versalhes. A evidência iconográfica não deixa margem à dúvida nem à defesa : o Cruzado Embuçado e o Menino Prodígio mordem a fronha, beijam pra trás.
E os agravantes só se somam para o lado de Bruce Wayne : qual a idade do menino em sua cama? Segundo arquivos da DC Comics, Dick Grayson contava com 12 anos de idade quando ficou órfão e foi adotado por Wayne. Santa pedofilia, Batman. 
E o comissário Gordon sempre fez vistas grossas e acoitou a tara do amigo.
Mas e a Mulher Gato, e a Hera Venenosa? Com as quais sempre rolou aquela atração contida, aquele tesão recolhido, aquela alta-tensão erótica? Fachada. Pura fachada. Inimigas de conveniência.
Contudo, verdade seja dita : Bruce Wayne sempre cuidou muito bem de seu jovem pupilo, de seu imberbe efebo. Deu-lhe casa, comida, roupa lavada, boa educação e um propósito na vida. 
Dizem que até entoava canções de ninar quando o sono se demorava a vir para Robin. Bruce Wayne cantava-lhe ao pé do travesseiro : Fly, robin fly/Fly, robin fly/Fly, robin fly/Up, up to the sky. E o Robin fazia-lhe dueto, em segunda voz : Sou menino-passarinho/Com vontade de voar...
Pããããããta que o pariu!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Lugar Comum

Nós não éramos nós
Não éramos carne fodendo carne
Éramos turistas
Em cidade nova
Que era cada um de nós.
Esgotados os pontos turísticos
Os monumentos
Os museus
As paisagens
Nossas malas
Dada a prática tanta
Se fizeram por si só.
Um, para o aeroporto
Outro, para a estação de trem.

Nós não éramos amantes
Nem amados
Nem amáveis
Não éramos xifópagos
Engatados cloaca com cloaca
Fazendo um pacto
De sangue
De porra
De muco 
De merda
De nossa imortalidade
Que o demônio nunca quis comprar.
Éramos um lugar
Um bar novo
Que lota no início
Que vai perdendo a clientela
E fecha.
E reabre
Como uma sorveteria
Uma loja de sapatos
Um salão de beleza
Um self service
Uma igreja
Uma escola
Ou qualquer outra coisa sem alma.

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (20)

Essa eu não conhecia e é sensacional : Porteiro, Suba e Diga. Um tango bem tradicional indicado pelo Jotabê, e poucos ritmos são mais adequados para o corno chorar sua dor que o tango.
É a velha história do cara que se apaixona pela puta e tenta tirar a dita cuja da vida fácil. O sujeito faz de tudo pela amada, mas não tem jeito, ela não se desapega da antiga vida, não consegue passar muito tempo sem variar de cacete e começa a trair seu benfeitor. Só que o personagem da música é macho pra caralho, vai pra tirar satisfação com a vagabunda e, se preciso for, com os clientes do zonão também, caso algum queira interferir.
Cheio de macheza e orgulho de corno, ele ordena ao porteiro do zonão : Porteiro suba e diga aquela ingrata, Que aqui a espero, não sairei, Porteiro suba e diga aquela ingrata, Que eu espero o cabaré fechar..
Tá certo, mostra que respeita o trabalho da esposa. 
Não consegui ter certeza de quem foi o corno que compôs mais essa ode ao chifre; em alguns lugares dão-na como obra de José Ribeiro, em outros, de João Dias. Vou creditar ao dois.
Porteiro, Suba e Diga
(João Dias/José Ribeiro)
Porteiro suba e diga a aquela ingrata
Que aqui a espero
Não sairei
Até lhe ter lançado em pleno rosto
O meu desgosto
E a vergonha que passei.

Não tema, não estou embriagado
Venho controlado, só pra saber
Se é fato que ela troca os meus abraços
Com os palhaços que vem ao cabaré
E diga a esses trouxas
Que bebem e comem
Que aqui tem um homem
Disposto ao que for.
Mas diga pra ela
Que a espero tremendo
Sofrendo e gemendo, morrendo de amor.

Dois anos são passados desde quando
Ela chorando
Me apareceu
Dois anos eu lutei para salvá-la
Para tirá-la
Da miséria em que viveu
E tudo para que se me enganava?
Me atraiçoava, fingindo amar
Porteiro suba e diga a aquela ingrata
Que aqui espero o cabaré fechar...
E e escutem, é engraçada pra caralho, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Os Caçadores da Boceta Perdida

Em minhas curtas, lacônicas, praticamente misantrópicas conversas virtuais com o Jotabê, todas feitas via comentários de um no blog do outro - sem nenhuma viadagem -, uma besteira vai puxando a outra, que vai puxando a outra e muitas vezes deságua em inimagináveis absurdos e disparates.
Em resposta a um de meus comentários, disse-me que o fiz lembrar de um antigo colega, viciado em rapé, que frequentemente falava : "deixa eu pegar minha bocetinha".
Boceta, para os mais novinhos e, portanto, incultos, nada mais é que uma pequena caixa, redonda, oval ou oblonga, feita de materiais diversos, madeira, metais nobres, porcelana etc, que era usada para guardar pequenos objetos e, sobretudo, rapé. Rapé nada mais é que o fumo moído, o tabaco em pó. 
Cheirar rapé era visto como hábito elegante nos séculos XVIII, XIX e inícios do XX. O sujeito, da realeza ou da burguesia, de fraque e monóculo, tirava a sua boceta de rapé do bolso interno do paletó, abria a boceta, tomava uma pitada de rapé com o dedo mínimo, levava-a ao nariz e aspirava. Aí, era só esperar o espirro, que, segundo se acreditava à época, tinha propriedades terapêuticas de desobstruir as vias áreas, melhorar o desempenho dos pulmões e da respiração.
O poder aquisitivo do cheirador de rapé se refletia no tipo de boceta que ele portava. Os menos abastados as tinham em madeira entalhada, ou mesmo em papel machê; os mais remediados as possuíam em porcelana ou madrepérola; e o mais afortunados, em prata ou mesmo ouro. É assim até os dias de hoje e para sempre o será : quanto mais dinheiro o cara tem, melhor a boceta que ele traz consigo.
Eu, em menino, com uns 6 ou 7 anos talvez, vi a minha primeira boceta. Na verdade, não era minha. Era do avô de um amigo meu da rua, um vizinho. Há quarenta anos, um pouco mais, era costume as pessoas levarem suas cadeiras para as calçadas e conversarem até a hora de se deitar; já havia televisão, mas ainda em preto e branco e, se muito, existiam 3 ou 4 canais.
Então, o avô desse meu amigo se sentava escarrapachado em sua espreguiçadeira e dava umas boas dumas fungadas em seu rapé ao longo da noite, sempre tendo o cuidado de bem fechar a bocetinha depois de usá-la. A dele era em prata, herança de seu bisavô, homem de posses cujo patrimônio as gerações subsequentes de filhos e netos deram conta de liquidar. Ele nunca deixava nem o neto nem eu nem ninguém pôr a mão em sua bocetinha de prata. O velho tinha grande apego e afeição pela sua boceta.
Eu mesmo só fui tocar, apalpar, abrir e cheirar o conteúdo da minha primeira boceta quase duas décadas depois, mas isso já é outra história.
Agora, como a boceta, a de rapé, tomou também o significado de buceta, a do cacete, eu não sei. Dei até uma pesquisada, mas nada encontrei sobre a origem da correlação. Só posso supor que seja porque ambas são feitas para levar fumo.
Seja como for, tanto a boceta como a buceta sempre foram artigos de grande procura, sempre despertaram muita ambição e inveja. É tão grande a afeição do ser humano pela boceta que alguns que deixam extraviar o seu benquerer chegam a anunciar em jornais de grande circulação e prometer gratificação a quem encontrar e devolver a sua boceta perdida.
O anúncio abaixo é 1875, ano em que o jornal "O Estado de São Paulo" foi fundado, inicialmente com o nome de "A Província de S. Paulo". 
Já pensaram se a moda pega? Ou melhor, se a moda volta? É comum vermos cartazes colados em postes com fotos de bichos de estimação, com telefone para contato, dizendo que a criança que era dona do bichinho está triste e inconsolável, uma promessa de gratificação e a informação, "atende pelo nome de..."
Imaginaram? Se começa a aparecer fotos de bocetas coladas em poste, com telefone do dono, dizendo que o mesmo está triste e inconsolável, uma promessa de gratificação e a informação, "atende pelo nome de... xaninha, florzinha, peixinha, crespinha, cheirosinha, greta, periquitinha, fofinha, gininha etc"?
Pãããããããta que o pariu!!!

domingo, 1 de novembro de 2015

Nós Também Já Fomos Uma Brasa, Jotabê

Se tem um cara que sabe escrever muito bem sobre a velhice - e não a fica chamando de terceira idade, melhor idade, feliz idade e outras escrotices - é o Jotabê, autor do excelente e espirituoso blog Blogson Crusoe.
Ele fala da velhice como o que ela é, algo natural, diz das óbvias limitações que ela traz, mas não faz isso em tom choroso ou de autocomiseração, faz de maneira leve, imprime - não sei se é intencional - um tom meio professoral, de quem dá conselhos aos mais jovens - 99,9% dos que o leem, segundo estimativa dele próprio -, eu nem diria conselhos, Jotabê dá umas dicas, uns toques, sem aquele ar solene de bronca e cobrança.
Acredito que Jotabê não goste da velhice (teria que ser louco ou masoquista para), mas vive em paz com ela, e isso é mostra de grande sabedoria, viver em paz com a decadência física, a qual eu, talvez 15 anos mais novo que JB, já começo a experimentar. Jotabê - tenho certeza - não é daqueles velhos "garotões", que se metem a usar bermudões, boné, andar pela ruas com seu iphone no ouvido ou baixar o nível de seu pensamento e vocabulário para falar a linguagem dos jovens. Está cheio de velhos por aí - e mais ainda de velhas - que fazem esse papel ridículo, eu conheço um punhado.
Em uma de suas últimas postagens, Pandores (esqueci : Jotabê é o rei do trocadilhos), ele escreveu :
"Para ajudar, vou abrir a caixa de pandores da velhice para você (gostou dessa, Marreta?): o futuro que te aguarda, meu amigo, não é nada róseo; é cinzento, enfumaçado e quente pra caralho. Por isso, trate bem o seu corpo. É sério isso!
Porque, como disse a Marina Lima, “só vou te contar um segredo”: as descobertas e novidades da infância e da juventude surpreendem, alegram, fascinam, encantam ou excitam. Na velhice, entretanto, as novidades e descobertas que restaram apenas deprimem, irritam, angustiam, entristecem ou causam medo. E não há Pandora que consiga consertar isso."
Concordo com você em quase tudo, Jotabê. Ficamos menos sensíveis às novidades, aos encantos. É que a vida é como qualquer outra droga, fazem-se necessárias doses cada vez maiores para que o mesmo efeito de antes seja atingido. Não é que nós, velhos, sejamos incapazes de nos surpreender, de nos encantar, ou, isso é que não, de nos excitar. Só precisamos de estímulos mais selecionados, mais refinados, temos paladares mais exigentes, nos tornamos mais contemplativos, e ser contemplativo não é ser triste ou amargurado.
Só não concordo com a parte, e não há Pandora que consiga consertar isso. Há sim, Jotabê. Uma boa boceta de Pandora pode ser a cura para todos os males que ela mesma contém aprisionados : é o princípio do homeopatia,  Similia similibus curantur, semelhante cura semelhante. A questão é ter coragem para abrir a boceta de Pandora. Se eu tenho? Não, já estou velho demais para isso.
Toda essa lenga-lenga - a minha e a sua, Jotabê - some frente ao talento e ao poder de síntese da música de Adoniran Barbosa, ou seja, à simplicidade própria de todo gênio, que versou de forma irretocável sobre o assunto em sua canção, Já Fui uma Brasa. Demonstrando que não existe velho broxa, o que existe é brasa mal assoprada. Se assoprarem, podemos muito bem acender de novo.
abraços, JB.
Já Fui Uma Brasa 
(Adoniran Barbosa)
Eu também um dia fui uma brasa
E acendi muita lenha no fogão
E hoje o que é que eu sou?
Quem sabe de mim é meu violão
Mas lembro que o rádio que hoje toca iê-iê-iê o dia inteiro,
Tocava saudosa maloca

Eu gosto dos meninos destes tal de iê-iê-iê, porque com eles,
Canta a voz do povo
E eu que já fui uma brasa,
Se assoprarem posso acender de novo

(declamado):
É negrão... eu ia passando, o broto olhou pra mim e disse: é uma cinza, mora?
Sim, mas se assoprarem debaixo desta cinza tem muita lenha pra queimar...

sábado, 31 de outubro de 2015

Entre Umas e Outras

É o vinho,
Remédio para a vida?
Curativo?
Atadura?
Lenitivo?
Cataplasma?
Anestesia?
Não!
O vinho
É a mais covarde
Das tentativas de suicídio.

Gosto do Pato Fu

"Pode ser numa canção
Pode ser no coração
Eu só quero ter você por perto"

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

31 de Outubro - O Dia do Saci

Hoje é o Dia do Saci!!!
Vassoura é o caralho! Que, por aqui, essa merda só serve para a dura faxina e para pôr atrás da porta e espantar visita de sogra e cunhado! O Saci viaja é de redemoinho, que é muito mais elegante.
Chapéu cônico e pontiagudo é a puta que o pariu! Que, por aqui, cone ou é casquinha de sorvete ou sinalizador de estrada! O Saci usa é um estiloso barrete vermelho, quase que uma boina francesa. Très chic!
Travessuras ou gostosuras é o cu da mãe! Que travessura é coisa de nerd estadunidense! O Saci faz é molecagem, é sacanagem, é filha da putice! Não tem marshmallow nem varetas de alcaçuz, que isso são guloseimas dos sobrinhos obesos do Tio Sam! Com o Saci, tem é pipoca que vira piruá, tem é pé do moleque pra quebrar os dentes da banguelada brasileira, tem é assobio agudo na orelha, e as varetas de alcaçuz, vocês podem muito bem imaginar onde o Saci lhes enfiaria!
Esqueletos tremilicantes não metem medo por aqui; ou vão dar mais sustância à sopa, ou vão para o bucho dos vira-latas.
O Jack Cabeça de Abóbora aqui vira purê. Primeiro, o Saci come-lhe o rabo, que é só para mostrar quem manda no matagal. Depois, arranca-lhe a cabeça e a leva para a prima Cuca, que a joga em seu caldeirão, faz com ela um cozido condimentado com asa de morcego, rabo de lagartixa, guizo de cascavel, ovos de caranguejeira, carapaça de escorpião e de lacraia e bastante pimenta cumari e a serve em convescote para o Curupira, o Caipora, o Boitatá, a Mula-sem-cabeça, o Lobisomem, a Iara, o Mapinguari etc. Uma grande festança de antropofagia!
Raloim é a puta que o pariu! Que hoje é o Dia do Saci, baby!
O Saci é o elemental brasileiro por excelência. É o Tiririca de gorro e cachimbinho. É o Macunaíma de uma perna só.
Pau no cu do Raloim e dos seus simpatizantes. Raloim aqui em casa não entra nem bate à porta ou toca campainha. Tem duas coisas que eu não atendo de jeito nenhum. Uma é Testemunha de Jeová querendo vender revistinha e outra é molecada retardada fantasiada de Raloim.
Viva o Dia do Saci e os que lutam e prezam por sua preservação, com solene referência feita e destaque dado a duas assossiações : a SOSACI (Sociedade dos Observadores de Saci) e a ANCS (Associação Nacional dos Criadores de Saci), essa última localizada na cidade paulista de Botucatu, que visa a reprodução da espécie em cativeiro para depois devolvê-la à natureza - sim, amigos, o Saci é um mito em vias de extinção, sobretudo depois da introdução de espécies exóticas invasoras, as do Raloim.
O presidente da ANCS deu, inclusive, uma esclarecedora e elucidativa entrevista sobre a associação no Programa do Jô - podem ir ver no youtube, está lá -, na qual fiquei sabendo do óbvio e sempre insuspeitado : sim, tem Saci mulher. Saci-fêmea ou Sacia, sei lá, só mesmo a Dilma Rousseff para nos dizer a correta semântica de gênero, ela que grafou para sempre nos dicionários o vocábulo "presidenta" e introduziu nos compêndios de taxonomia a espécie Mulheres Sapiens.
Seja como for, Saci-fêmea ou Sacia, sempre falo do Dia do Saci aqui no blog, mas nunca me referi à dona onça do coisa ruinzinha, como diria Tia Nastácia. E se a ela nunca me referi, confesso, foi por pura ignorância de sua existência. Como são tempos da ridícula, aporrinhante e politicamente correta discussão de gêneros e como não quero ser chamado de machista pelos patrulheiros de plantão, apresento-lhes hoje, nessa seleta data, a mulher do Saci. A Sacia.
Grande Saci!!!! Escondendo o ouro!!! Com uma Sacia dessa, só mesmo dizendo o que o Saci sempre lhe diz : fica de três!!!
E dá-lhe fumo, Saci!

Pequeno Conto Noturno (58)

- Essa foi das boas, não foi? - Mirelle, ainda com o pau de Rubens dentro dela, a murchar.
- Foi, foi das boas - Rubens, saindo de Mirelle e se estendendo ao lado dela, o pau dando suas últimas cabeçadas no vazio.
- Acho melhor você dar uma lavada nisso aí - diz Mirelle -, tá uma melequeira só, ainda mais que você não dá nem uma aparadinha nos pelos.
- Não aparo pelos, mesmo. Nem suvaco nem perna nem peito, que dirá o saco. E não precisa lavar, não. É só deixar secar, virar uma crosta e aí é só bater e virar pó, vai pro chão e os ácaros que façam sua festa.
- Não gosto de homem sujo, não - e Mirelle desce pro pau de Rubens e chupa e lambe tudo, até ficar limpo.
- Bem melhor, não acha? - e beija a boca de Rubens.
- Vou pegar uma cerveja.
Rubens veste a cueca e vai pra cozinha. Abre uma para si e outra para Mirelle.
- Foi das boas mesmo, né, Rubens?
- Já falei que foi, qual o problema?
- Mas já teve melhores, né?
- Umas melhores, outras piores... essa foi acima da média, o pau subiu fácil, você gozou, acho, duas ou três vezes...
- Quatro.
- Pois então.
- Sei lá, Rubens, acho que a gente meio que dominou a "técnica" um do outro, sabemos os botões certos que temos que acionar um no outro, a sequência correta, as cordinhas que temos que puxar...
- E qual o problema nisso?
- Sei lá, acho que não dá pra saber se o outro tá mesmo entregue...
- Te garanto que não fingi que meu pau tava duro.
- Idiota... tô falando sério, não dá pra saber se o ato é mecânico ou se o sentimento ainda existe. Sabe de uma coisa, Rubens?
- Diz.
- Acho que nosso caso chegou naquele estágio Gato de Schrödinger.
- Vixe!  Gato de Schrödinger... já vi que você tá eclética hoje.
- Eclética é a puta que o pariu, que essa palavra saída da tua boca não é elogio, sei muito bem o que pensa dos ecléticos, que são puro verniz, que são pessoas que sabem de quase tudo um pouco e quase tudo mal, que do livro só leem a orelha, que têm cultura de palavras cruzadas, de show do Milhão.
- Ora, ora, então, eu sou um eclético e não sabia.
- Vai pra puta que o pariu de novo. Você sabe que tem conhecimento muito além de palavras cruzadas.
- Mas, na prática, só tem me servido pra isso, fazer palavras cruzadas. E vou pegar mais duas latas, que já vi que a conversa vai longe.
- Vai tomar no cu.
- Aliás, falando em cu...
- Só se a sua mãe der o dela pra você.
Rubens ri da cozinha, e volta com mais duas latas.
- Então, estamos no estágio Gato de Schrödinger do nosso relacionamento...
- 'Cê tá de sacanagem, né? Mas eu não tô brincando, não, você sabe da coisa do gato, né?
- Claro que sei, sou eclético.
Rubens se desvia de um chute de Mirelle, que mirava seu saco.
- Sei que foi um experimento imaginado por algum desses dementes e envolvia uma caixa, uma amostra radiativa, um contador geiger, um martelo, um frasco de veneno volátil e, claro, um gato, tudo fechado na caixa. A amostra radiativa, que pode ou não decair, pode ou não disparar o contador geiger, que acionaria ou não o martelo, que quebraria ou não o frasco de veneno, que evaporaria ou não, e que, finalmente, mataria ou não o gato. O que significa que, sem abrir a caixa, não temos como saber se o gato está vivo ou morto. Sem abrir a caixa, o gato estará vivo e morto ao mesmo tempo.
- E não acha que nosso caso está assim? Meio vivo, meio morto?
- Quer mesmo abrir a caixa? Pode ser que descubra que o gato, inclusive, nunca esteve lá.
- Esteve, claro que esteve, ele é parte fundamental do experimento.
- Que é hipotético, nunca foi realizado. E se Schrödinger pensa que pôs o gato lá, mas não? E se colocou e não colocou o gato ao mesmo tempo?
- Vai pegar mais cerveja lá, vai.
Rubens vai, começara a gostar da conversa, é sempre bom provocar Mirelle, rende uma boa trepada.
- Toma. Vamos admitir, como você quer, apesar de não ter prova ou indício nenhum disso, que Schrödinger tenha colocado o gato na caixa. E se o gato for um excelente alpinista da quarta dimensão?
- Puta que o pariu, Rubens, agora fodeu.
- Tá vendo? Acho que sou mais eclético que você.
Um novo chute de Mirelle. Igualmente evitado. Rubens ainda tem planos para o seu pau hoje.
- A quarta dimensão é o tempo, Mirelle. Por que não conseguimos escapar de uma sala sem portas ou janelas? Porque somos seres que só percebemos três dimensões e, portanto, só por elas conseguimos nos mover e deslocar, a altura, a profundidade e a largura. Uma sala fechada, sem portas ou janelas, fecha as três. E se conseguíssemos nos mover pela quarta dimensão, pelo tempo? Bastaria que nos  deslocássemos para uma posição no tempo anterior àquela em que fomos trancafiados e estaríamos livres. E se o gato de Schrödinger souber subir e andar elegantemente pelos muros da quarta dimensão?
- Vamos deixar essa história da caixa pra lá, tá bom, Rubens?
- Não quer discutir a relação?
Outro chute. Triscou.
- E esse pau, Rubens? - e Mirelle aponta com um movimento da cabeça para o meio das pernas de Rubens - Como é que ele tá aí dentro da cueca?
- Digamos que ele está no estágio que eu chamo de o pau de Schrödinger.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O Amado de Calíope

Toma minha mão, amado.
Ainda tens coragem?
Teve algum dia?
Terá?

Estás a ver o alto daquele prédio, amado?
Que deu vertigem no King Kong
(ou aquele buraco na árvore que tonteou Alice)?
Ainda és capaz de trepar nele
Feito em goiabeira
Ou jabuticabeira de tua infância
(ou de mergulhar nele feito na piscina do clube na qual, após assistires a Tubarão, nunca mais ousaste abrir os olhos)?
De não saberes do chão
Ávido por tua queda
Por teus ossos
Por tua alma
(ou da Rainha voraz pela tua cabeça)?
És ainda capaz de sobrepujá-lo
De um único salto
Mais rápido que uma bala
Confundindo-te com um pássaro ou um avião
(ou de planar leve em suave aterrissagem, papel avulso na ventania, esquilo voador)?
És ainda gato montanhês
Capaz de escalar meu escarpado 
E caprichoso colo
E nele fincar tua bandeira
E montar acampamento
(ou és Gato de Cheshire, somes e fica apenas o teu sorriso em mim)?

Estás a ver aquele escuro, amado?
Ainda vens comigo?
Ainda és capaz de rir
Quando as bússolas estão perdidas
Quando as placas estão trocadas
Quando o pombo-correio não encontra o endereço?
Quando as velas e os lampiões
Por medo
Calam suas chamas?
Ainda és capaz de comandar telepaticamente teus pirilampos
Tuas águas-vivas
Tuas medusas de neon?
És capaz ainda de sentir e de se guiar
Pelo meu cheiro
Pelo meu cio
Pelo meu grito por ti?

Estás a ver, amado?
As mesas pingando de sono nos bares a fechar
E as mesas mal-humoradas e ainda com mau hálito e com olheiras
Das padarias recém-despertadas?
És ainda capaz de me convidar
Para a última cerveja da noite
E para o primeiro café do dia?
Ainda és capaz de me oferecer um rock'n'roll e uma Lua cheia,
Uma canção de ninar e uma Aurora Boreal,
Um motivo para choro e um cafuné?

Toma minha mão, amado.
Ainda tens coragem?
Teve algum dia?
Terás?

Bezerro de Ouro no Rolete

Oba! Os bons e animados tempos dos sacrifícios ritualísticos voltaram!
A Igreja Católica, que sempre foi chegada a uma fogueira, traz de volta a era da incineração de animais para aplacar a ira de Deus!
E dá um toque atual e capitalista ao ritual : une o útil ao agradável e ao lucrativo. O útil, apaziguar a ira do Todo-Poderoso, pois não convém deixá-lo contrariado, vide Velho Testamento; o agradável, encher e saciar o bucho do fiéis, que rebanho de pança cheia é sempre mais cordeiro; e o lucrativo, encher as burras do padre e da paróquia.
Estava eu voltando do mercado, onde fora pegar a cervejinha da noite - hoje já é quinta-feira e não sou de ferro - e, ao passar em frente a uma igreja do bairro, dei de cara com o anúncio de mais uma festa de congraçamento cristão. Uma quermesse? Um bingo? Porra nenhuma! Um ritual de sacrifício animal! Tava lá num cartaz, ou num banner, como se costuma dizer hoje em dia : A Paróquia Fulano de Tal tem o prazer de convidar seus paroquianos para O 2º Boi no Rolete, a ser realizado no dia tal, hora tal etc. O 2º Boi no Rolete!
Urgente! Chamem Moisés! Que esse bezerro não é de ouro, mas vendido assado, destrinchado e acompanhado de farofa e vinagrete vai render para o padre tanto quanto se fosse.
E vejam a desfaçatez do padre para com o bicho, o escárnio para com o animal. O pobre boi vai ser eviscerado e arrancado de seu couro, um rolete grosso e pontiagudo será enfiado no seu cu e sairá pela sua boca e ele ficará a girar sobre brasas e labaredas. E ainda colocam o boi todo alegre no cartaz? Fazendo sinal de joinha?
O Deus judaico-cristão deve estar a morrer de orgulho de seus filhos. De verdade.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Darth Vader e a Bancada Galáctica

A eleição para prefeito de Odessa, Ucrânia, virou caso de polícia. O pivô da ocorrência foi a candidatura de Darth Vader ao mais alto cargo executivo do município. Isso mesmo, o Todo-Poderoso do Império Galáctico está a demonstrar interesse pela política da Terra, quer organizar uma bancada galáctica, se infiltrar sub-repticiamente para expandir seu Império.
O problema nem foi com a candidatura em si, pois ela foi considerada legal em Odessa e ele concorreu como qualquer outro candidato. No ano passado, Darth Vader já tinha concorrido ao cargo de primeiro-ministro; ele é filiado ao UIP, Partido Ucraniano da Internet - isso é tudo verdade, não estou inventando nada, ainda. 
Até aí, nada de mais, nenhuma novidade para nós brasileiros, pois bizarro por bizarro, temos o Tiririca, as Mulheres-frutas - melão, maçã, morango etc -, o Kid Bengala, os ex-BBB, o Marquito etc etc. Aliás, a cidade de Odessa tem uma certa afeição pelo vilão de Star Wars : na semana passada, uma estátua de Lênin foi substituída por uma do Darth Vader, com direito a inauguração e tudo.
Inauguração da estátua de Darth Vader, em 23/10/2015, com a presença do próprio, acompanhado de sua Guarda Real.

Mas não seria temeroso eleger um notório tirano intergaláctico para ocupar cargo na política terrestre? Um Hitler, um Átila, um Che Guevara interplanetário? Uma vez empossado, não correríamos o risco de Darth Vader ir aumentando sua bancada galáctica e aprovando leis de interesse único e exclusivo do Império? Sim, claro que sim. E é outra coisa a que estamos muito acostumados : grupos políticos aprovarem leis que favorecem apenas aos seus interesses e aos de seus colaboradores.
Nesse aspecto, tenho muito menos medo da bancada galáctica de Darth Vader do que, a exemplos, da bancada evangélica de Silas Malafaia, Marco Feliciano e Eduardo Cunha e da bancada gay de Jean Wyllys; ambas, cada uma a seu modo, uma vestida de conservadora e reacionária, a outra, de moderninha e liberal, tentam a todo momento fazer passar leis que imponham seus particulares modos de vida e crenças a toda a população do país; seja tentando tornar obrigatório, nas escolas públicas, o ensino religioso, a leitura da bíblia ou a substituição da Teoria da Evolução pelo Criacionismo, seja querendo distribuir o tal kit gay para crianças dos 7 aos 10 anos de idade. Fascistoides, ambas. Darth Vader, pelo menos, não posa de bem-intencionado.
Mas, como eu disse, antes de quase me perder em divagações, correlações e delírios, nem foi a candidatura em si a causadora da confusão que culminou com a ação imediata da polícia. Foi a boca de urna. Em Odessa, boca de  urna é crime eleitoral, assim como cá. Darth Vader ser candidato, tudo normal. Boca de urna, de jeito nenhum. E eu concordo. Afinal, alguma decência e moralidade tem que ser mantida no processo.
O autor da boca de urna em prol do candidato Darth Vader foi ninguém mais ninguém menos que Chewbacca, o Tony Ramos espacial. Foi o que mais me causou surpresa. Chewbacca, até a última informação que eu tinha, era do Partido dos Jedis, correligionário de Luke Skywalker, Han Solo e Princesa Leia. Foi cooptado pelo lado negro da Força? Recebeu mensalão de Darth Vader?
Pela infração de boca de urna, Chewbacca foi levado à barra dos tribunais eleitorais ucranianos - ainda vestido de Chewbacca - e condenado a pagar o equivalente a R$ 30,00 de multa. Safo que só ele, acostumado a fugir de disparos laser, Chewbacca não se deixou pegar facilmente em prejuízo, tentou sair pela tangente na velocidade da luz, em modo de dobra espacial : argumentou que o dinheiro dele está depositado em um banco intergaláctico e que não tem validade na Terra.
Pãããããta que o pariu!!!! Aí, quando o policial dá umas bordoadas num sujeito desse, ele é acusado de truculência, de abuso de poder, de violência desnecessária. Ponha-se no lugar do oficial da lei : o cara tem um trabalho perigoso, ganha uma miséria, é malvisto pelo grosso da população, prende o Chewbacca, taca-lhe uma multa e escuta : meu dinheiro está em um banco intergaláctico! Tem que ter muito autocontrole. Tem que ser muito zen.
Só sei que Chewbacca, tentando não morrer com uns caraminguazinhos, pode ter exposto seu candidato a um problema maior. Que estória é essa de dinheiro em conta em banco intergaláctico? Um paraíso fiscal cósmico? Um caixa 2 da campanha de Darth Vader? Chewbacca, sem querer, pode ter revelado evidências de um propinoduto, ou, nesse caso, de um propino-buraco-de-minhoca.
Chewbacca sendo preso pelos policiais ucranianos e no tribunal à espera de sua sentença.

domingo, 25 de outubro de 2015

Travessuras de Menina Má (2)

Cerveja Ponce de Leon

Tenho cá para mim que todos os poetas, escritores, compositores, enfim, todos os artistas que fazem da palavra a sua pena e seu gozo têm um quê de profetas, de visionários.
Através de suas líricas faculdades, predizem fatos, situações, mudanças de comportamento e mesmo descobertas científicas que os das artes do método, empirismo e pragmatismo só desvendarão décadas ou séculos após.
Fisgam pequenos fragmentos do futuro, captam pixels do amanhã com seus kidbengálicos paus de selfie, pinçam retalhos de cetim e confetes de carnavais do porvir com suas refinadas sensibilidade e parabólicas, do espaço, do mundo da lua, do éter, de algum banco cósmico de conhecimento.
Se não vislumbres já prontos e acabados do futuro, ao menos detectam seus indícios, suas tênues tendências que, mirrados fios d'água, afluem em caudaloso Amazonas tempos depois.
É o caso da nostradâmica canção Eu Bebo Sim, composta por Luis Antônio há mais de quatro décadas, em 1973, tempo em que a ciência só sabia dos efeitos nocivos e perniciosos do álcool, em que a birita era vista apenas como destruidora de vidas, de fígados e de lares; uma, é verdade, de suas facetas.
Há quatro décadas, eram insuspeitadas as hoje conhecidas propriedades benéficas, terapêuticas, homeopáticas, hidratantes, revigorantes, rejuvenescedoras e paudurescentes do álcool, desde que administrado com moderação, na correta posologia e, principalmente, com disciplina e perseverância, não desistir do tratamento, insistir com ele, religiosamente. O duro é definir a tal da moderação. Mas aí a culpa não é do remédio, é do paciente e da imperícia médica em bem ajustar a dose; afinal, tudo é mortal veneno a depender da dose, até a água, que o digam os afogados. O álcool também deixa o homem mais caridoso, benevolente e filantrópico : uma vez de porre, encara mocreias que jamais seriam traçadas em condições normais de pressão e temperatura.
Pois antes da morosa Ciência dos homens, o compositor Luís Antônio, autor de "Sassaricando", "Lata d'água"...na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria, sobe o morro e não se cansa, "Mulher de Trinta"... voce, mulher, que já sofreu ..., "Poema do Adeus" e "Poema das Mãos" , Barracão" ... de zinco, tradição do meu país ... entre outras, já cantava : Eu bebo sim, Eu tô vivendo, Tem gente que não bebe, E tá morrendo.
Há, no entanto, apesar de todas as evidências, os que não acreditam na fala da ciência a respeito do álcool. Desconfiança saudável e das mais justas, devo admitir. Afinal, cientistas são humanos e podem se mostrar tão falhos de caráter e tendenciosos quanto quaisquer outros profissionais, de quaisquer outras áreas. Um cientista  bebum pode muito bem usar de sua credibilidade acadêmica para falsear resultados ou conclusões e, assim, justificar cientificamente o seu vício.
Grandes cervejarias ou vinícolas, para somarem mais um selo de qualidade aos seus produtos, podem financiar os custos de uma pesquisa acerca dos efeitos do álcool e, assim, "induzir" o cientista. Que, por gratidão (o ser humano é o mais grato e reconhecido dos seres) e, lógico, para continuar a receber o faz-me-rir, bem pode dar uma maquiada nos resultados, pode "selecionar" amostras ou grupos de dados favoráveis aos seus mecenas para publicá-los como base da conclusão de sua pesquisa.
E não são indignos da confiança popular apenas os cientistas : mais ainda os compositores populares; afinal, é tido como fato notório e sacrossanto que todo músico é pé de cana, é pudim de cachaça.
Dessa forma, melhor e mais convincente do que arrolar aqui dados científicos, ou me fiar nas visões de um profeta manguaceiro, nas predições de um vate que parece ter saído de um vat de whisky, talvez o 69, é apresentar exemplos cabais dos benefícios do néctar do malte, é mostrar provas vivas do que falo.
A primeira é a britânica Grace Jones, que comemorou seus 109 anos de vida em setembro último, com direito a cartão de parabéns da própria Rainha Elisabeth II etc.
Aos 109 anos, disse se sentir com 60, uma ninfetinha da terceira idade. "Não tenho dores, tenho bom apetite e durmo bem", declarou aos jornalistas.
O segredo : uma talagada diária de um bom whisky. "Não bebo, mas tomo um pouquinho de whisky todas as noites", declarou. Ninguém perguntou o quão seria esse pouquinho.
Não se convenceram?
A segunda prova viva é a estadunidense Agnes Fenton, que completou 110 anos em agosto último.
Receita secreta de sua centenária idade : cerveja. A sábia idosa garante que passou a maior parte da sua vida bebendo três cervejas ao dia. Segundo ela, essa é a fórmula para garantir a chegada à idade tão avançada. Mas há opositores ao seu elixir da longevidade : os médicos, os representantes da tacanha medicina ocidental, que têm tentado fazer com que Agnes desista de sua cervejinha diária. "Ela não está se alimentando bem, e, até que sua nutrição não se normalize, as cervejas podem lhe fazer mal", garantem os equivocados esculápios. Nada, caros doutores, absolutamente nada, pode fazer mal a uma pessoa que chegou aos 110 anos. Querem que Agnes se "cuide" para quê? Para ter mais um ou dois filhos? Quem sabe fazer mais uma faculdade? Candidatar-se ao Senado Americano? Querem é, sádicos por natureza de seu ofício, tirar de Agnes um de seus últimos prazeres. Querem é deixá-la doente, isso sim. Agnes confessa que, vez em quando, também toma uma dosezinha de whisky, mas só nos dias mais frios, para aquecer o peito.
Isso de tirar do idoso seus últimos prazeres, lembrou-me de uma estória : o velhinho foi ao consultório do médico e levou os resultados de seus exames. O médico começou : glicemia normal, triglicérides, colesterol, creatinina, hemácias, leucócitos etc etc etc tudo normal. O senhor está muito bem de saúde, seo Antenor - disse-lhe o médico -, só notei que o senhor tem um pequeno probleminha de flatulência. Problema, doutor? É um de meus últimos prazeres.
A cerveja é o elixir da longa vida procurado por sábios e alquimistas desde a aurora dos tempos! É a água que passarinho não bebe, e que por isso vive tão pouco. É a água da fonte da juventude tanto buscada por Ponce de Leon. É o verdadeiro suco detox!
Baseando-me nas evidências científicas, nas profecias de Luis Antônio, nos casos de Grace e Agnes e a confiar na matemática e nas suas infalíveis razões e proporções, vos digo : viverei uns 300 anos, por baixo.