sábado, 9 de janeiro de 2016

Charada Química

Essa é para você, Leitinho, químico graduado e pós-graduado, autor de vários artigos publicados, um dos quais serviu, inclusive, de enunciado a uma questão do Enem.
Por quais vias, reações ou processos químicos é produzida a boa e velha bolacha de água e sal?
O enigma é extensivo para você, Fernandão, igualmente químico graduado e pós-graduado, mas que nunca teve publicado sequer um anúncio em classificados de jornal.
Espero pelas respostas no campo dos comentários. 
Resposta enviada pelo Leitinho (vide comentário) : "Olha Azarão...em que pesem meus títulos e publicações em química, devo admitir: não sabia a resposta da sua pergunta. em uma rápida pesquisa no google, obtive a seguinte informação: "Misture à mão ou na batedeira o sal, o fermento e a farinha.
Acrescente a água aos poucos e misture aos poucos até obter uma massa resistente.
Unte a forma ou forre no caso de estar usando o papel manteiga.
Pegue um pouco da massa e faça o formato dos biscoitos finos e pequenos, pois eles espandem para os lados. Deixe um espaço de mais ou menos 5 centímetros entre um biscoito e outro." Ganhei a caixa de cerveja? Leitinho"
Ganhou porra nenhuma! Vai ter é que pagar! A resposta não passou nem perto. Não é nada disso. E muito mais simples que isso. É a Navalha de Ockham, Leitinho :  a resposta mais simples costuma ser a certa. E essa sua é muito complicada.
A bolacha de água e sal é obtida através de uma única reação química. Umazinha só. E uma das mais simples possíveis. Uma que qualquer estudante de ensino médio conhece, ou melhor, que pelo menos conhecíamos em nossa época de; por essa molecada de hoje, eu não ponho meu pau no fogo de jeito nenhum.
É a boa e velha reação de neutralização, Leitinho!
      
BOLACHA                      BOLACHA                           BOLACHA
       DE                +                  DE                        =                DE
   ÁCIDO                              BASE                                ÁGUA + SAL

Antes que diga que uma seta é o que indica o caminho da reação e não um sinal de igual, eu tô sabendo. É que a porra desse editor do blog não tem seta e nem aceita as do word.
Vai estudar, Leitinho!!!!! 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Antes do KY, o Creme Rinse Colorama

Em meados da década de 1980, inícios da de 90, não existiam, que eu me lembre, produtos projetados e destinados especificamente à prospecção anal de profundidade, a uma incursão segura e confortável ao quente e semifundido centro da Terra, para tocar o lado B do vinil sem riscar gravemente o disco.
Se os havia, publicidade deles - suas marcas, qualidades e atributos - não era veiculada de forma tão livre quanto hoje. Se os havia, provavelmente ficavam escondidos nos fundos das farmácias, de onde só saíam, e imagino que de uma forma muito discreta, se fossem pedidos diretamente ao balconista, e não expostos nas prateleiras ao lado de desodorantes e pastas de dentes feito hoje em dia. E as embalagens são tão parecidas que é bem capaz do consumidor se confundir e levar gato por lebre. Caso isso aconteça, caso você não diferencie os dois produtos, muito cuidado com onde irá colocar a sua escova de dentes.
De qualquer forma, ainda que existissem de forma clandestina nos fundos das farmácias, e disso soubéssemos, jamais teríamos coragem de solicitá-los ao balconista. Muitas vezes, já era complicado comprar camisinhas. Percorríamos quilômetros de via crucis até encontrarmos uma farmácia em que não houvesse uma mulher ao balcão. Imaginem, então, se iríamos ter coragem de pedir um lubrificante para o toba. Sem contar o risco do balconista pensar que, na verdade, iríamos dar e não comer um jilozinho enrugado, como o ocorrido num caso já relatado aqui no Marreta, o da Vaselina Pacu.
Mas não. Por mais que eu puxe pela memória, não consigo me lembrar da existência do KY ou de outros que tais naquela época. Definitivamente, não existia KY. Mas havia o Creme Rinse Colorama, o cor-de-rosa. E havia o gênio inventivo. A centelha criadora.
O ano era o de 1987. Eu, prestes a completar os meus 20 aninhos, estava de namoricos com uma terceiranista do curso de Enfermagem da USP (eu frequentava o de Química) que morava nos alojamentos do campus. Num fim de semana, as demais amigas que dividiam o alojamento com ela foram para as suas respectivas cidades e eu montei acampamento por lá.
O primeiro tempo do jogo se deu mesmo no conforto e comodidade da cama dela e terminou com um saudável placar de 3 a 1 para ela. No intervalo, fomos tomar uma refrescante chuveirada. No banho, a sacanagem recomeçou. Beijinho aqui, mordidinha ali, lambidinha acolá, uma putaria dita ao pé do ouvido, uma buzinadinha na teta e, sem que eu me desse conta, o pau tava duro de novo - que maravilha era ter 20 anos.
Já com más intenções, abracei-a por trás e, ao mesmo tempo em que mordia sua nuca e orelhas e massageava os peitos, comecei a roçar o cacete por entre o vão das nádegas, o famoso rego, detendo-me mais e fazendo uma pressão maior bem no epicentro da região onde o sol não bate. Vendo que ela correspondia às minhas investidas, ou que ao menos delas não se esquivava, resolvi ser mais atrevido e contundente. Posicionei a chapeleta na entrada do emissário submarino e forcei, já esperando pela negativa dela, já esperando que ela tirasse, literalmente, o cu da reta. Porém, ela não recuou nem reclamou do intruso a tentar arrombar a sua porta dos fundos. Só se queixou do evidente atrito e do desconforto que estava causando. Arde, se tivesse alguma coisa pra deixar ele lisinho..., lembro até hoje dela ter falado.
Nada de pânico, pensei. Eu não podia perder aquele cu por falta de uma vaselina ou coisa que a valesse. Perscrutei o ambiente ao redor em meio à fumaça da água quente do chuveiro até que dei de cara com o Creme Rinse da Colorama. Tive, então, um insight digno de um gênio, de um Arquimedes; aquele corpo duro e latejante iria, sim, ocupar o mesmo lugar no espaço que aquele cu piscante. Por pouco não gritei Eureka.
Para os que não sabem, os mais novos que 30 anos, o antigo creme rinse (rinse, do inglês, enxaguar) são os atuais condicionadores para cabelos. Deixam os cabelos mais macios, sedosos, brilhantes, penteáveis e fazem isso porque criam uma película em volta dos fios que diminui o atrito entre eles. Um redutor de atrito, era do que eu precisava naquela hora. A necessidade e o pau duro são as mães da invenção; assim, algo designado a um fim pode adquirir usos jamais imaginados por seus formuladores.
Eu fui o descobridor do fator KY embutido no Creme Rinse Colorama! Descoberta que trataria de divulgar posteriormente a bem da ciência aplicada ao cotidiano, como logo relatarei.
Abri o Creme Rinse Colorama, enchi a mão daquela pasta rosa, besuntei o rego dela e o meu pau e voltei à carga. Notando que o desconforto e o ardor haviam sido suprimidos, ela empinou um pouco mais a bunda, ficou quase que na ponta dos pés, e jogou o quadril para trás, de encontro ao meu pau. Foi entrando tudo, deslizando, devagar sim, porém sem paradas. E o serviço foi finalizado ali mesmo, no chuveiro, no vapor do box. Ainda nesse mesmo fim de semana, o Creme Rinse Colorama foi usado mais uma vez.
Coisa duns quatro ou cinco dias depois, numa bebedeira em uma festa de república, eu relatei minha descoberta aos mais chegados, ao pessoal da diretoria, à canalhada que é sempre a última a ir embora da festa. As gargalhadas irromperam. De início, houve incredulidade da parte deles, o ceticismo próprio de todo aspirante a homem de ciência. Em seguida, a curiosidade pelos fatos, pelos pormenores, por cada etapa do experimento. Quiseram saber se funcionava de fato, se o resultado não fora uma eventualidade, um ponto fora da reta, qual era a quantidade a ser utilizada, se dependia do diâmetro, profundidade e tônus das pregas do cu em função do tamanho e da bitola do pau.
E a coisa correu pelo campus. Fiquei sabendo que ela própria, a minha dedicada colaboradora no experimento, tinha contado a umas amigas que nunca se sentira tão bem e confortável durante uma colonoscopia.
O que sei é que, em pouquíssimo tempo, quase que imediatamente, o Creme Rinse Colorama estava presente nos banheiros de 90% dos alojamentos do campus e das repúblicas da cidade. As vendas do produto triplicaram nas farmácias circunvizinhas. Relatos começaram a surgir do uso alternativo do Neutrox, da concorrente Revlon, mas os resultados e os desempenhos relatoriados ficavam muito abaixo dos do Creme Rinse Colorama, o rosinha que satisfaz.
Não tinha igual. O Creme Rinse Colorama era o que havia de mais avançado na tecnologia capilar da época. Fosse hoje, as top models mais bem pagas do mundo figurariam em suas peças publicitárias, cartazes e comerciais de TV. As modelos balançariam suas madeixas sedosas, livres, leves e soltas, e, ao fim, sorririam maliciosamente e em close para a câmera, sugerindo o outro uso do produto.
Então, a sorte me abandonou tempos depois - tempos duros e tristes - e cus pararam de chover na minha horta. Quando os ventos da bonança voltaram a soprar em meu favor, procurei pelo Creme Rinse Colorama em todas as farmácias, supermercados e lojas especializadas do ramo. Parara de ser fabricado em suas formulação e embalagem originais. Havia um similar em seu lugar, um simulacro. Comer um cu nunca mais foi a mesma coisa.
Uns se jactam de ser chamados de o rei do gado, outros, de o rei do café, o rei do futebol etc etc. O fato é que, durante um áureo tempo, por todas as ruas escuras do campus da USP e seus alojamentos, o Azarão foi conhecido (e temido) como o Rei do Creme Rinse.
Assim o foi, o é e sempre o será. Quem foi Rei nunca perde a majestade. As manhas. O savoir faire.
Vasculhei a net e só achei essa única imagem do Creme Rinse Colorama, uma imagem muito ruim, injusta e ingrata para com quem tantos bons serviços me prestou no passado. Se alguém que ler a postagem souber onde posso encontrar uma foto melhor, peço que envie o endereço pelo campo dos comentários. Ficarei eternamente agradecido. Posso até comer o seu cuzinho por isso.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Cu de Morcego Não Tem Dono

Pois eis que chegou ao fim o julgamento mais longo da história das histórias em quadrinhos : a investigação acerca da perobagem enrustida do Batman, o homem morcego, o cavaleiro das trevas, o cruzado embuçado.
O veredicto foi proferido em última instância, não cabendo mais recursos nem apelações, dada à contundência e à irrefutabilidade de uma prova surgida de última hora e que causou uma reviravolta no moroso processo.
A prova cabal da rosca frouxa e queimada do Morcegão foi uma foto de uma antiga e pouco representativa missão da Liga da Justiça, arrolada aos autos pela Promotoria, representada pela figura dúbia de Harvey Dent. Aliás, quando Harvey Dent disse "arrolada", uma onda de frenesi fez o musculoso corpo de Batman se agitar sob o collant.
Rumores antigos sobre tal foto sempre correram à boca pequena, mas eram tidos apenas como mais uma das inúmeras maledicências lançadas contra o Batman ao longo de sua vida de combate ao crime e ao mal. Se encontrada em algum arquivo morto da Sala de Justiça, se em alguma bat-gaveta íntima de Robin junto às bat-sungas do Menino Prodígio, ou ainda, e  mais provavelmente, se obtida em alguma coleção de gibis da Ebal, ninguém pode assegurar-lhe a origem, mas a foto existe. A foto é fato. Com autorização judicial da Corte Suprema de Gotham, concedida com exclusividade ao Marreta do Azarão, reproduzirei-a aqui, ao fim da postagem.
Do corpo de jurados, composto por doze elementos, dez votaram pela confirmação da boiolagem de Batman - Flash, Aquaman, Super-Homem, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Mulher Gato (e essa trazia sonhos e esperanças destroçados nos fundos dos olhos), Arqueiro Verde, Elektron, Shazam e os supergêmeos Zan e Jayna, que tiveram direito a um único voto -; um jurado votou pelo desmentido da questão - Robin, que teve o voto considerado inválido e improcedente, pois, além de menor de idade, é parte interessada da questão, configurando conflito de interesses -; e um jurado foi desqualificado antes da votação - a Batgirl, que, desmascarada, revelou-se o mordomo Alfred travestido e disposto a dar uma força ao patrão Bruce sentado no banco dos réus. Aliás, quando o juiz indicou o banco dos réus a Batman e falou que ele podia se sentar, uma outra onda de frisson lhe percorreu a bat-medula.
Quem descobriu o embuste do falso jurado foi o Curinga, que assistia a tudo da plateia. Em alta, esquizofrênica e histriônica gargalhada, o Arlequim do Mal perguntou : - o que a Batgirl tá fazendo de bigode?
Por fim, a foto que pôs uma pedra sobre os boatos, solidificando-os como verdadeiros, que jogou uma pá de cal na questão. Nela, um vilão bem boca de porco, bem chinfrim, bem ao estilo da DC Comics das décadas de 1960 e 70, lança uma maldição sobre os heróis da Liga da Justiça.
Vilão boca de porco“Não são apenas vocês que estão condenados! Assim estão também todos aqueles em que vocês tenham tocado!”
Elektron“Jean Loring…eu assinei a sentença de morte dela!”
Flash“Eu dei para Iris West o beijo da morte!”
Lanterna Verde“Carol Ferris , está em perigo mortal!”
Batman“Robin…o que foi que eu fiz com você?”

Para os não iniciados nos quadrinhos, todos os outros heróis falam de suas namoradas ou esposas, e o Batman... também!!!
Pãããããta que o pariu!!!! Robin, o que eu fiz com você?!?!?!
Inconteste! Cu de morcego não tem dono.
Com essa postagem, eu finalizo a trilogia dos mordedores de fronha Batman e Robin, iniciada com as postagens Batman e Robin - A Origem do Mito e Cuecão de Couro, Mano!!

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa (37)

Essa não é aquela fossa lancinante, exagerada. Não é fossa de ir pra boteco beber e chorar escandalosamente no ombro do amigo. Não é fossa de tocar a campainha dela de madrugada implorando pra ela voltar, não é fossa de escalar a sacada dela. Não é fossa de gritar puta que o pariu e querer arrancar o coração do peito, como se a ingrata tivesse deixado ainda algo a ser extirpado.
É fossa mansa, chorosa feito garoa em dia frio. É fossa de gato que fecha a porta e as janelas do quarto, quebra as lâmpadas e se enrodilha no acolchoado. E fica ali, ronronando de saudades, aquela dor que é meio que um cafuné ausente, que nos faz adormecer sem que nos demos conta, molhando e salgando a fronha. "Me dê notícia de você, eu gosto um pouco de chorar..."

Cadê Você
(Chico Buarque/João Donato)
Me dê noticia de você
Eu gosto um pouco de chorar
A gente quase não se vê
Me deu vontade de lembrar

Me leve um pouco com você
Eu gosto de qualquer lugar
A gente pode se entender
E não saber o que falar

Seria um acontecimento
Mas lógico que você some
No dia em que o seu pensamento
Me chamou

Eu chamo o seu apartamento
Não mora ninguém com esse nome
Que linda a cantiga do vento
Já passou

A gente quase não se vê
Eu só queria me lembrar
Me dê noticia de você
Me deu vontade de voltar.

Haicai Desesperançado

Triste, como nós
E lindo, também
E sem esperança, idem.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Bisturi Elétrico

Excerto do excelente livro "O Mundo", de Juan José Millás.

"Meu pai dizia ter sido o primeiro a fabricar um bisturi elétrico na Espanha, embora certamente tenha tirado a ideia de uma publicação estrangeira. Lembro de tê-lo visto inclinado sobre a mesa da oficina, realizando cortes em um filé de carne de vaca, assombrado com a precisão e a limpeza do talho. Não esquecerei nunca o momento em que se virou para mim, que observava um pouco assustado, para pronunciar aquela frase fundacional : - Olhe bem, Juanjo, cauteriza a ferida no mesmo momento que a produz.
Quando escrevo à mão, em um caderno, como agora, acho que me pareço um pouco com meu pai no ato de testar o bisturi elétrico, pois a escrita abre e cauteriza, ao mesmo tempo, as feridas."

Creio que seja a melhor metáfora para a escrita que eu já vi. Bisturi elétrico. Considero que a escrita seja isso mesmo. Fuça, cava, esfola, escarifica mágoas antigas. Não chega a ser a causa da ferida. Corta superficialmente, rompe a armadura, o cisto, e revela a úlcera incubada, mal sepultada, enterrada viva, apenas cataléptica. Tira a ferida do coma para, logo em seguida, desligar os aparelhos que a mantém em sobrevida. Cauteriza-a em definitivo. Cicatrizes sempre podem ficar, é inevitável. Mas cauteriza-a em definitivo.
Isso, é claro, a boa escrita. A escrita ruim, feito a minha, não é um bisturi elétrico. É só um bisturi. Só faz desatar a sangria, só faz berrar tecidos que antes estavam dormentes. Nem bisturi ela é, a minha escrita ruim. Antes um facão de cozinha. Cego. Esquizofrênico. Lacera artérias, fende crânios, decepa membros. Sem precisão. Sem alvo definido. Não torna exangue só a mim. Pode ferir também, e fere amiúde, igualmente, às vezes até em maior profundidade, as pessoas que tomam contato com ela.

Eletrodomésticos

Ah! A boa e velha década de 1960.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Costureiro Sem Fita Métrica

- Por que sua poesia não tem rimas? - pergunta a jovenzinha ao poeta
(provavelmente uma estudante de Letras, bonitinha de fazer gosto, burrinha que só ela).

- Madrugada rima com cartão de ponto,
Caminhar pelos telhados com escritório,
Gato com casamento?

- Lua rima com ter que partir,
Borboleta com sábio chinês,
Criatividade com hollerith,
Inspiração com cirrose?

- Verdade rima com o que temos de acreditar,
Vida com o que temos de fazer para viver,
A tua vontade de me dar com a idade legal mínima necessária pra eu te comer?

- A mão rima com o blefe,
O café com os 5 minutos para um cafezinho,
A impressão digital com a vida de gado,
O desejo com o possível?

- Por que,
então,
A minha poesia teria que rimar
E andar nos trilhos de uma fita métrica?

- Deixemos o rei desnudo
Ou ao menos
Deselegante
Mal-ajambrado.

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa (36)

"Se ainda tem saudades e sofre como eu, ou tudo já passou, já tem um novo amor, já me esqueceu." É o Chico. E claro que ela já está em outra, meu chapa. E faz tempo.
Desencontro
(Chico Buarque)
A sua lembrança me dói tanto
Eu canto pra ver
Se espanto esse mal
Mas só sei dizer
Um verso banal
Fala em você
Canta você
É sempre igual

Sobrou desse nosso desencontro
Um conto de amor
Sem ponto final
Retrato sem cor
Jogado aos meus pés
E saudades fúteis
Saudades frágeis
Meros papéis

Não sei se você ainda é a mesma
Ou se cortou os cabelos
Rasgou o que é meu
Se ainda tem saudades
E sofre como eu
Ou tudo já passou
Já tem um novo amor
Já me esqueceu.


Deus : O Assassino Continua à Solta

Capa da publicação satírica francesa Charlie Hebdo, a ser lançada amanhã (06/01) em lembrança de um ano do atentado terrorista contra a redação do jornal, que vitimou 12 pessoas, entre a equipe de redatores e dois policiais.
O assassino continua à solta. E não é de hoje. Deus é o maior serial killer da História. E é muito pior que o Demônio, que o Capeta, que o Satanás. Deus mata muito mais que o Diabo.
A contabilidade foi feita pelo estudioso da Bíblia e blogueiro estadunidense Steve Wells, que leu o livro cristão de cabo a rabo, do Gêneses ao Apocalipse e foi contando as vítimas do Todo-Poderoso.
No placar encontrado por Wells, Deus dá de lavada no Diabo. Exatas 2.270.365 mortes para o bondoso, justo, magnânimo, misericordioso etc etc Deus contra apenas 10 mortes provocadas pelo terrível e sanguinolento Diabo, os 10 filhos de Jó. Dez filhos, Jó? Ora, tenha a paciência.
Wells diz que o número de mortes provocadas por Deus é ainda maior, porém é praticamente impossível um cálculo exato. Wells só contabilizou as mortes cujos números e nomes são citados especificamente. Para as mortes genéricas, os genocídios, é difícil precisar alguma cifra. Só no Dilúvio, quando Deus pediu a Noé que construísse o primeiro transatlântico da História, o primeiro Titanic - Noé é o Leonardo di Caprio do Velho Testamento -, cerca de 30 milhões de pessoas teriam sido varridas da face da Terra. Fora os outros animais. Se houvesse um IBAMA à época, Deus estaria fudido. A outro exemplo, também não há como saber o número de mortos nas explosões atômicas que Deus jogou sobre Sodoma e Gomorra, as Hiroshima e Nagasaki do Velho Testamento.
Vou mais além que Wells. Todos esses números abrangem apenas o período de tempo relatado na Bíblia, o qual, segunda a própria, compreenderia de seis a oito mil anos atrás. E antes disso? E depois do Novo Testamento? E depois da última vítima mais famosa de Deus, o Seu próprio filho? E nas Cruzadas? Só na tomada de Jerusálem, o Exército de Deus fez cerca de 40 mil mortos; no total das Cruzadas, perto de um milhão. E na Santa Inquisição? Nove milhões são estimados. Alguém, por acaso, já ouviu dizer de alguma Guerra Satânica, ou Demoníaca? Uma inquisição do Capeta?
Vou ainda além de mim próprio. Deus continua matando muito mais que o Demônio até hoje. E nem precisa estar associado a grupos religiosos extremistas. Deus até agradece uma ajudinha de seus crentes, mas age bem melhor sozinho, bem melhor e discretamente, sem alarde. 
Explico. Está escrito, para quem crê : "A vida a DEUS pertence, Ele a deu e somente Ele pode tirá-la". E alguma vez Ele não a tirou de algum vivente? Alguém ficou para semente? Você vai ficar? Ele vai tirar a sua também, não vai? Serial killer do caralho, Deus. Imbatível.
Sim, o assassino continua à solta.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Receita de Mulher (VIII)

O nono mandamento do Dodecálogo do Azarão, para a mulher moderna e independente segurar marido, manter seu homem em casa, com açúcar e com afeto.
9 - Escute-o - Pode ser que você tenha uma dezena de coisas importantes para lhe dizer, mas a chegada dele não é a melhor hora para isso. Deixe-o falar antes, lembre-se de que os assuntos dele são mais importantes que os seus.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Palavras Cruzadas. E Desencontradas.

As ideias
Continuam a vir,
Mariposas e aleluias
A circundar a tremeluzente
Luz da minha cabeça.
Mas a mão,
Ao invés de capturá-las,
Pegá-las no visgo de tinta azul de caneta bic,
Desacordá-las em clorofórmio,
Espetá-las com alfinetes
E exibi-las em minhas paredes desbotadas,
Deu para afugentá-las, 
Para enxotá-las.

As ideias continuam a vir
- poemas, contos, crônicas, enredos pra punheta -,
Continuam a me seguir
Em minhas caminhadas.
Como cachorros de rua,
Sarnentos, pulguentos, fedorentos
Sem donos e vadios.
Mas não lhes faço mais cafunés 
Nem festinha em seus queixos
Nem mais as adoto
Não as levo para casa
Nem lhes dou banho e ração.
Bato o pé, 
Espanto-as.
Ou ando, ando, ando...
Até que desistam de mim
E procurem por outro.

As palavras,
Crianças perdidas e ófãs,
Continuam a me assediar por esmolas.
E o máximo que consigo 
- pena descontente -
É completar livros de palavras cruzadas.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(35)

Essa é um clássico da fossa! Nem sei como não havia me lembrado de colocá-la aqui até agora. Mea culpa, mea maxima culpa. A canção é do mestre Aldir Blanc e foi imortalizada de forma irretocável (nem sei se outro se atreveu a gravá-la) pelo maior conjunto vocal do Brasil, quiçá do mundo (e falo sério), o quarteto MPB-4.
A história narrada nem é só de fossa amorosa, de dor de corno ou de cotovelo, é fossa ampla, geral e irrestrita. O cara tá na maior merda. Com a merda até o pescoço, e subindo.
Ele encontra o amigo, mais bem de vida que ele - bem casado, empregado, conservado etc -, e vai desfiando as suas desditas. A mulher o largou (Rosa acabou comigo...), está desempregado (o l'argent, ele defende algum no jogo), a memória já lhe falha e pensa até em pôr fim na vida (que bom se eu morresse...).
A canção é escrita na forma de um diálogo entre eles e, inegavelmente, tem a inconfundível marca do Aldir Blanc, o poeta das desgraças cotidianas, dos pequenos dramas domésticos.
Amigo é Pra Essas Coisas
(Aldir Blanc/Sílvio da Silva Junior)
- Salve !
- Como é que vai ?

- Amigo, há quanto tempo !
- Um ano ou mais...

- Posso sentar um pouco ?
- Faça o favor

- A vida é um dilema
- Nem sempre vale a pena...

- Pô...
- O que é que há ?

- Rosa acabou comigo
- Meu Deus, por quê ?

- Nem Deus sabe o motivo
- Deus é bom

- Mas não foi bom prá mim
- Todo amor um dia chega ao fim

- Triste
- É sempre assim

- Eu desejava um trago
- Garçom, mais dois

- Não sei quando eu lhe pago
- Se vê depois

- Estou desempregado
- Você está mais velho

- É
- Vida ruim

- Você está bem disposto
- Também sofri

- Mas não se vê no rosto
- Pode ser...

- Você foi mais feliz
- Dei mais sorte com a Beatriz

- Pois é
- Vivo bem...

- Prá frente é que se anda
- Você se lembra dela ?

- Não
- Lhe apresentei

- Minha memória é fogo !
- E o l'argent ?

- Defendo algum no jogo
- E amanhã ?

- Que bom se eu morresse !
- Prá quê, rapaz ?

- Talvez Rosa sofresse
- Vá atrás !

- Na morte a gente esquece
- Mas no amor a gente fica em paz

- Adeus
- Toma mais um

- Já amolei bastante
- De jeito algum !

- Muito obrigado, amigo
- Não tem de quê

- Por você ter me ouvido
- Amigo é prá essas coisas

- Tá...
- Tome um cabral

- Sua amizade basta
- Pode faltar

- O apreço não tem preço. Eu vivo ao Deus-dará
- O apreço não tem preço. Eu vivo ao Deus-dará
E para escutar a música (se alguém não conhece, garanto que compensa) é só clicar aqui, no meu sempre poderoso MARRETÃO.

O Báculo de Adão

Qual é a maior angústia existencial do homem? O vazio do Ser, a transitoriedade da vida, o medo do desconhecido, a impotência frente à inevitabilidade da Morte?
Porra nenhuma! Que tudo isso é frescura, é melindre e falta de serviço de bichonas e filósofos. O macho humano de respeito não se deixa abater nem perde o sono ou o apetite por conta de transcendências ou de metafísicas. O macho de respeito não se sente impotente frente à inevitável das gentes. Se sente impotente frente à impotência, isso sim.
O maior cagaço e aflição do macho humano é o fantasma da paumolescência. É a incerteza e a imprevisibilidade da ereção do próprio pau. O pau humano é órgão dos mais canalhas, dos menos confiáveis. É um rebelde. A ovelha negra da família. Está ligado anatomicamente ao corpo, mas não obedece às ordens diretas do cérebro. Tem personalidade e vontade próprias. Pensa e se pauta por sua própria cabeça. É um ser independente. Um simbionte, que se manifesta ou não quando bem lhe apraz.
Ele tanto pode se tornar um rochedo de Gibraltar, um tarugo do mais puro aço, nas situações mais inesperadas e desestimulantes, como, por exemplo, durante uma reunião pedagógica ou assistindo ao programa da Ana Maria Braga (meu amigo Margá diz que sempre fica de pau duro quando vai ao urologista, mas isso é lá coisa dele), como pode também, às vezes, se fazer de morto, quedar-se em massa amorfa nas situações mais excitantes e afrodisíacas, e, nesses casos, não ressuscita nem com uma respiração boca a boca de uma peituda, não recarrega a bateria nem com uma vigorosa chupeta.
Então, o macho adulto passa a vida toda fazendo de tudo para garantir suas honra e dignidade, para não ser vítima de quem deveria ser seu maior aliado, para não tombar frente a (falta de) fogo amigo. O cara toma catuaba, ginseng, pó de guaraná, ovo de codorna, viagra, para de beber, para de fumar, pensa na vizinha gostosa etc. Toda estratégia é válida. E cansativa também.
O macho gasta uma energia valiosa em pensar em como não broxar, uma energia que poderia ser muito mais bem aplicada na trepada em si. E, mesmo depois de duro, nada garante que o pau vai levar a missão a cabo e ao fim. O pau tem Transtorno de Déficit de Atenção, qualquer coisa desconcentra o desgraçado. Um telefone que toca, uma campainha, uma buzina na rua, uma porta que bate com o vento, e ele já fica de cabeça baixa.
E se a Natureza nos tivesse sido mais generosa, mais Mãe Natureza mesmo, e não Madrasta? E se saíssemos já de fábrica com algum dispositivo antibroxada, alguma trava de segurança contra a paumolescência?
Pois saiba, para seu maior desconsolo, amigo broxa, que a maioria dos animais vêm equipados com um infalível mecanismo antipaumolescência, quase todos os mamíferos o possuem, inclusive os primatas, nossos primos mais próximos. Todos saem da linha de montagem da Natureza à prova de broxada. Exijamos, pois, um recall da Mãe Natureza.
Um gorila, meu amigo broxa, um chimpanzé, um orangotango, um babuíno, mesmo um reles sagui, nunca broxaram na vida, e nunca nem vão broxar. Eles tem um osso dentro do pau. Isso mesmo, meu caído amigo. Um osso no caralho. Já imaginou que maravilha? Um osso dando sustentação eterna e sempiterna ao cacete? E se a idade o fragilizasse com tirana osteosporose, também seria fácil, bastaria trocar o osso por uma prótese de titânio. Ficaria melhor ainda. Um pau biônico. Um osso no pau seria mais que uma mão na roda. Seria um superpoder. Dava até para ser aceito nos X-Men. O Príapo Men.
É o báculo, do latim bacullum, que significa bastão ou bengala, e que é também chamado de osso-do-pênis, ou ainda de pêmur. Cães, lobos e companhia têm báculo. Gatos e demais felinos têm báculo (agora entendo como o leão, no período de cio das fêmeas, chega a copular mais de 50 vezes num único dia, uma a cada 15 minutos; com um osso no pau, até eu, rei das selvas). Ratos têm báculo. Morsas, focas, leões-marinhos têm báculo. Golfinhos têm báculo. Até a porra do guaxinim têm báculo.
E por que não nós, machos humanos? Por que dentro de nossa ordem zoológica, a dos primatas, somos os únicos macacos de pau mole? Alguma adaptação? Trilhamos por um caminho evolutivo diferente também no quesito sexo?
Evolução é a puta que o pariu! Não culpemos a sábia Evolução por nosso infausto. Mesmo porque a Evolução sempre acontece no sentido de melhoria da espécie, de aprimoramento. Para que uma nova característica se incorpore e permaneça na espécie, ela tem que conferir uma vantagem ao grupo. Que merda de vantagem um pau mole, um peru desossado pode trazer? Nenhuma.
A resposta existe, mas não está nos compêndios de Darwin. A resposta para essa desgraça que se abateu sobre nossa espécie está Bíblia, livro que, aliás, é uma verdadeira coleção, uma enciclopédia de desgraças. A resposta está na Bíblia, meu amigo broxa, e ela é, nesse caso, devo dar meu braço ateu a torcer, esclarecedora e precisa. Irrefutável.
Nós também já tivemos báculo. Ao menos, Adão, o primeiro de nós, teve báculo. Ao  menos, durante parte de sua vida. A perda do sagrado osso foi culpa da Eva. A culpa por nosso pau mole e borrachudo é da Eva. Sim, ela, a mesma Eva da serpente, a da maçã, a biscate que nos levou à expulsão do paraíso, onde, se não fosse o fogo que ela tinha no cu, ainda poderíamos estar até hoje, no bem bom, com a natureza a tudo nos prover, sem precisarmos trabalhar, sem preocupações. Culpa da vaca da Eva, o nosso pau mole. E explico. Aliás, apenas repito a explicação do teólogo Ziony Zevit, estudioso da Bíblia e professor da Universidade Judaico-Americana de Maryland, nos Estados Unidos. É ele quem nos explica o porquê de sermos os únicos primatas sem um osso no pau.
Pensemos. A resposta esteve na nossa cara o tempo todo. Homens e mulheres têm o mesmo número de costelas, 12 pares. Ora porra, não era para que nós, homens, tivéssemos uma a menos, tivéssemos um de nossos pares capengas? Não foi, pois, da subtração de uma das costelas de Adão que Deus engendrou Eva? Quem teria nos devolvido a nossa costela feita em mulher? As respostas são : não, não foi da costela de Adão que Deus fez Eva. E não, ninguém nos restaurou a costela perdida, pois ela nunca nos foi extirpada.
O osso usado na confecção de Eva foi outro, garante Ziony Zevit. A história da costela surgiu por mais um dos inúmeros erros de tradução da Bíblia, vertida milhares e milhares de vezes de seu idioma original. Mais um erro de tradução sedimentado em verdade absoluta, que é o que a Bíblia é, uma sucessão de logros, enganos e embustes.
Segundo Ziony Zevit, a palavra "tsela", do grego antigo, não significa costela, palavra pela qual foi traduzida. "Tsela” é um “termo não específico geral” que, no caso, se refere a um “eixo vertical de um humano ereto: mão ou pé ou ainda pênis”. Sim, meu amigo broxa, você acaba de decifrar a charada. Eva foi feita a partir do osso do pau do Adão. Eva é o báculo de Adão feito em buceta. E o motivo de nosso pau mole.
E até imagino o motivo da escolha de Deus pelo báculo. Sacanagem pura. Filha da putice. Vingança. Adão vivia lá, tranquilão no Paraíso, em harmonia e idílio com a natureza, com tudo à sua disposição, mas não tinha uma companhia, via os outros animais na maior furunfa e ele, nada. Deus talvez tivesse outros planos para Adão, que não a vida puramente carnal. Mas Adão não quis nem saber dos desígnios de Deus, começou a encher o saco do Todo-Poderoso, queria uma mulherzinha de qualquer jeito, e tanto perturbou a infinita paciência do Velho Safado que conseguiu o que queria. Sabemos, porém, que Deus é um sujeito intransigente, mau-humorado, casca grossa até a medula. Não tolera questionamentos de seus atos, muito menos insubordinações. E é vingativo pra cacete. Deus deu, então, uma mulher a Adão, mas às custas de seu báculo, do osso do seu pau. Adão ganhou uma mulher, mas perdeu o pau duro. Ironia da mais fina. Bem coisa de Deus, mesmo.
Por isso, mulherada, não reclamem quando seu companheiro der aquela eventual broxada; antes pelo contrário, o agradeçam pelo pau mole, pois é graças a ele, àquela coisa inútil e sem vida, que vocês existem. Esclarecido também o mito da cara metade, da alma gêmea. O homem, desde os primórdios, sente que algo lhe falta, mas não é pela sua cara metade que ele busca, não é pela sua alma gêmea que tanto anseia, que isso de alma etc, como dito no início do texto, é coisa de boiolas e de filósofos. O que o homem tanto busca, em cada uma das mulheres com quem já esteve, é nada mais nada menos que o seu báculo perdido, o seu pau duro. Que isso é o que há de mais caro ao homem.
Imagino, você agora, meu amigo broxa, recém-empossado dessa inestimável informação, pensando com os seus botões : tanto osso, Deus, tanto osso inútil, a clavícula, a omoplata, o rádio e a ulna, o fêmur, a coluna vertebral, Deus, para que serve a porra da coluna vertebral, Senhor, e foste usar logo o osso do pau?
Pãããããta que o pariu!!!
Taí o Adão, com seu pintinho rídiculo, a comer uma maçã com a Eva. Pudera. Sem o báculo, o que mais ele poderia comer? Mais fácil a serpente, à espreita no galho, se enfiar no cu do Adão.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A Punhetosfera Foi a Mãe da Internet

Tim Berners-Lee é o cacete! Ele que enfie o www no cu! Os punheteiros é quem foram os verdadeiros idealizadores da internet. ARPANET é o caralho! O Pentágono americano que se foda! A Punhetosfera foi o primeiro ambiente virtual do mundo.
Blogosfera é pinto pequeno! A Punhetosfera é a maior realidade virtual criada pelo ser humano! Cyberespaço porra nenhuma. A Punhetosfera é um cyberuniverso. Um cybermultiverso. A Punhetosfera foi a primeira Matrix. Muito antes até do viadão do Platão vir com aquele papinho de sombras na parede da caverna; a mesma caverna onde ele levava os machos dele, e, como estava quase que sempre de costas, ficava olhando as sombras de quem passava fora da caverna, até para não ser pego agasalhando o croquete, dando ré no quibe, empanando a salsicha.
A Punhetosfera surgiu assim que o ser humano se viu dotado pela evolução do polegar oponível ou opositor (imagine tocar uma sem usar o polegar e terá a clareza do que falo). O polegar opositor, garantem os evolucionistas, foi a chave de nosso sucesso como espécie no planeta. Foi ele que nos permitiu manipular objetos e, de posse dessa capacidade, pensar no que fazer com eles, daí o desenvolvimento de nossa inteligência. Todavia, o polegar opositor não nos possibilitou apenas o desenvolvimento de nosso intelecto, ele deu a nós, os machos da espécie, a nossa independência sexual, amorosa e afetiva.
A Punhetosfera foi a primeira realidade virtual do planeta. E ainda é a maior. Até hoje. E sempre será. Milhões e milhões de pessoas pelo mundo não têm acesso à rede mundial de computadores, mas todos os nascidos varões (ou mesmo varinhas) têm acesso ilimitado à Punhetosfera. A não ser que o desgraçado seja maneta.
Não tem que pagar provedor para a Punhetosfera. O sinal não oscila. Não trava. Não cai a conexão. E a velocidade - se discada, banda larga, 10M, 3G, 4G etc - é o usuário quem controla e determina, de acordo com sua necessidade e tempo disponível. Embora alguns gostem de um fio terra durante suas incursões à Punhetosfera, ela  independe de cabos ou de quaisquer outras conexões físicas : a Punhetosfera sempre foi wireless. Desde os primórdios. E não tem limite de downloads. O cara começa a se conectar na Punhetosfera aos 12, 13, 14 anos e aos 80, se ainda estiver vivo, ainda arrisca uma mariquinha, maricota, com a direita e com a canhota.
Repito : assim como a necessidade é a mãe de toda invenção, a Punhetosfera foi a mãe da moderna internet. E explico.
No mundo real, é inegável a supremacia feminina na batalha dos sexos, e digo da boa batalha, daquela em que os dois saem vencedores, do jogo amistoso, da famosa furunfa. É a mulher quem manda, quem escolhe quem vai trepar com ela, e quando, e onde, e de que jeito. No mundo real, é a mulher quem decreta se o intercurso carnal dar-se-á ou não.
E sendo ela, a mulher, a portadora e guardiã da Arca da Aliança, conhecida popularmente como buceta, ela pode ter os seus caprichos, fazer as suas exigências. E como é caprichoso o bicho mulher. Se, por alguma razão, ou só de birra mesmo, ela não for com as fuças do sujeito, fizer buceta doce, e dizer que para o tal não dá de jeito nenhum, o cara pode esquecer, jamais ele irá chafurdar naquela lama.
O duro é que tudo pode ser pretexto para a mulher rejeitar um pretendente : muito feio, muito magro, muito gordo, muito baixo, muito alto, tem espinhas, usa óculos, não tem carro, é CDF, as amigas não gostam dele, tem os dentes tortos, não sabe dançar, é tímido, é ruim de cantada, o signo não combina, o santo não bate, a cartomante garantiu que não é o homem da vida dela, rói as unhas, não deu liga, não tem química, e a pior das desculpas, a que mais fere : porque gosta do cara apenas como amigo. Essa do amigo é foda. 
Já fui posto pra escanteio por todos os pretextos acima. Por um, por outro, por dois ou mais, por todas as combinações, arranjos e permutações possíveis entre eles. Mas a do amigo continua sendo a pior, não tem como argumentar. Na cabeça dela, você é um ser assexuado, ela lhe reduz à condição de um eunuco. E sabe o que é pior? A gente continua sendo amigo dela. 
Teve época em que eu tentava contra-argumentar : sim, sou seu amigo, e você vai dar pra quem, pro seu inimigo? Nunca funcionou. Elas riam, mas não davam a perseguida, nem emprestavam um pouquinho que fosse. Mas até o Super-Homem, o fodão dos fodões, já passou por essa. Numa confraternização de fim de ano na Sala de Justiça, o Homem de Aço passou da conta, exagerou na caipirinha de kryptonita, tomou coragem e chegou junto na Mulher Maravilha, gostosa e peitudíssima. Só para ouvir da Rainha das Amazonas :  - deixa disso, Kal-El, nós somos só superamigos.
Dessa maneira, isso posto, só restou ao homem criar a Punhetosfera, um ambiente em que ele fosse o soberano, o monarca de sua Fortaleza da Solidão. Por isso, se vocês, mulheres cruéis e insensíveis, pensam que o sujeito é um total indefeso ante a vossa rejeição, estão redondamente enganadas. O cara tem as armas dele, as suas defesas, os seus escudos. Por isso, se felizes e jubilosas com a maldade que praticam, pensam que, depois de levar um fora, o cara vai pra casa ficar chorando pelos cantos, chorando por vocês, equivocam-se novamente. Estão pensando pequeno, com vistas apenas ao mundo real, no qual reinam absolutas.
Mas no mundo virtual, a coisa muda de figura, no virtual, mandamos e desmandamos nós, os homens. O cara chega em casa e vai chorar, sim. Mas pela rola. Vai chorar densas lágrimas pela cabeça do caralho. Entra no banheiro, que é sempre o local da casa onde o sinal é mais forte, e conecta-se à Punhetosfera - vinde a mim as bucetinhas é a senha de login. E a de recuperação da conta, em caso de invasão : um cuzinho também, se for possível.
No mundo virtual, na Punhetosfera, a situação se inverte, lá a supremacia é do cabação, do virgem de 40 anos. E não pensem que serão tratadas na Punhetosfera como são no mundo real, com cortesias, com mimos, com gentilezas e galanteios. O cara já chega batendo com o pau na cara de vocês, enfiando tudo na goela, se ainda as tiverem, extrai suas amígdalas com o pau. O cara já chega metendo o cacete em vossos cus doces, a seco. Já chega trazendo a sua melhor amiga para ele comer junto. Pega você pelos cabelos e enfia sua cara na bucetinha de sua amiga enquanto lhe enraba sem dó.
Vocês não imaginam as atrocidades e as barbaridades que um cara rejeitado comete com vocês na Punhetosfera. Soubessem, não negariam uma trepadinha a ninguém. Só para não passarem por essa vergonha. Não tem jeito, mulherada : vocês dando ou não, a gente acaba comendo vocês. Vocês podem se furtar aos nossos abraços e carinhos, mas não podem escapar de nosso polegar opositor.
Foi o que expressou o cabação da foto abaixo, de forma clara, sucinta, precisa e galante.
"Você pode fugir dos meus beijos, ma não das minhas punhetas."
Genial! Perfeito! E diante de tanta sensibilidade, de tanta delicadeza e de tanto lirismo, a mulher vai acabar dando pra ele. Se é que já não deu. Esse cara é o administrador da Punhetosfera!