segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Marchinhas do Azarão (II)

Chiquinha Gonzaga, Lamartine Babo, Braguinha, João de Barro, Haroldo Lobo, Noel Rosa... Exímios compositores de marchinhas carnavalescas, todos eles. Pilares, pedras fundamentais do cancioneiro de Momo. Verdadeiros obeliscos da trilha sonora dos antigos salões. 
Contudo, toda a solidez e relevância de suas figuras ruem, esmaecem frente ao nosso marcheiro-mor (ou marchista? Ou marchador?) : Ele, o homem do Baú, o Senor Abravanel, o Sílvio Santos.
Silvio Santos estreou nos carnavais com  Transplante Corinthiano - doutor, eu não me engano, meu coração é corinthiano... -, isso lá em 1968; na esteira do Transplante Corinthiano emendou sucessos nos carnavais seguintes com a hermética A Bruxa (1970) - Ai, a bruxa vem aí/E não vem sozinha/Vem na base do saci... -, até hoje não sei que porra é essa de "vem na base do saci"; Gigi (1977) - Gigi, eu chego lá/Me dá uma colher de chá/Deslumbrada/Boneca, eu sou teu fã/Eu te quero hoje/Não tem nada de amanhã"; mas alcançou seu auge, seu pináculo, em 1987, com a clássica A Pipa doVovô.
A Pipa do Vovô é, até hoje, a campeã de audiência nos Bailes da Saudade, nos carnavais da Velha Guarda, nos blocos da terceira idade. Apesar de fazer muita força, o vovô foi passado pra trás. Isso porque os autores da música, o casal Manoel Ferreira e Ruth Amaral, não conheceram o meu avô, o velho Pebim. O velho Pebim, segundo crônicas familiares, empinou a sua pipa até o dia de sua morte. Eu tenho a quem puxar!!!
A Pipa do Vovô 
(Manoel Ferreira/Ruth Amaral)
A pipa do vovô não sobe mais
A pipa do vovô não sobe mais
Apesar de fazer muita força
O vovô foi passado pra trás!

A pipa do vovô não sobe mais
A pipa do vovô não sobe mais
Apesar de fazer muita força
O vovô foi passado pra trás!

Ele tentou mais uma empinadinha
A pipa não deu nenhuma subidinha
Ele tentou mais uma empinadinha
A pipa não deu nenhuma subidinha

A pipa do vovô não sobe mais
A pipa do vovô não sobe mais
Apesar de fazer muita força
O vovô foi passado pra trás!

A pipa do vovô não sobe mais
A pipa do vovô não sobe mais
Apesar de fazer muita força
O vovô foi passado pra trás!

Para dar ouvir e dar uma força para a Pipa do Vovô, é só dar uma clicadinha aqui, no meu poderoso MARRETÃO. E claro, a Colombina gostosa.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Marchinhas do Azarão

Não gosto de carnaval. Nunca gostei. E nem tenho aquela saudade do que não vivi, dos antigos carnavais, que os mais velhos dizem que eram folguedos familiares, inocentes, repletos de pureza. Não sou ingênuo a ponto de crer que os antigos carnavais eram singelos e cândidos tributos a Momo.
Carnaval sempre foi putaria, sempre foi bebedeira e devassidão - o que, muitas vezes, me suscita uma pergunta de foro íntimo : por que é que nunca gostei deles? Mas o fato é que não. Porém, sempre gostei de dois elementos dos carnavais de outrora : as máscaras e as marchinhas. Máscaras e marchinhas são exatamente a mesma coisa : máscaras. As primeiras escondiam a identidade do folião, dando-lhe o superpoder do anonimato, da  invisibilidade; as segundas cantavam, decantavam e retratavam o ambiente orgiástico do carnaval de forma idílica e bucólica, as marchinhas eram as verdadeiras máscaras do carnaval, são elas que fazem muitos ter saudade de um carnaval ingênuo, que nunca existiu.
Gosto das marchinhas. Gosto pra caralho. Baixei há tempos uma coletânea com mais de 200 marchinhas e, nos carnavais, ao fim da noite, vou pra sacada com meu canecão de cerveja, meu toca-CD e boto lá as marchinhas. Postarei algumas aqui no Marreta durante esses dias.
Como escapei de ir para a casa da sogra nesse carnaval, a primeira marchinha será justamente em homenagem ao essa figura folclórica, a sogra.
Coração de Jacaré
(Carlos Gonzaga)
Trocaram o coração da minha sogra
Puseram o coração do jacaré

Sabe o que aconteceu?
A velha se mandou
E o jacaré morreu!
A velha se mandou
E o jacaré morreu!

Ê-e-e-e
Coitado do Jacaré!
Ê-e-e-e
Coitado do Jacaré! 
Para ouvir a marchinha, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO 
Se alguém quiser baixar o pacote de marchinhas, é só clicar aqui, no meu viril MARRETÃO 
E uma Colombina gostosa, claro. Porque ninguém é de ferro e, enfim, é carnaval.

Arena Romana

Contorce-se em mim
Cada cardíaca fibra
Sou campo de batalha entre vontade e razão
O peito implora que eu lhe olhe de frente
O cérebro, prudente, diz:
"-Não faça, não."

Dilata-se em mim
Cada esclerosada veia
Sou briga de navalha entre orgulho e emoção
Os olhos imploram que eu lhe faça festa
O cérebro, que sabe que você não presta, diz:
"-Não faça, não."

Eletrifica-se em mim
Cada desligado nervo
Sou arena romana de certeza e confusão
A boca implora que eu lhe acolha sorridente
O cérebro, intrasigente, diz:
"Não faça, não."

Erupciona-se em mim
Cada célula extinta de minha epiderme
Sou zona de guerra entre lealdade e traição
Tudo em mim implora que eu me deite ao seu lado
O cérebro, que sabe dos seus pecados,
Num inflexível recado, diz:
"-Não faça, não."

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Haicai do Vinho (II)

Vinho na tulha
Põe bala na minha agulha
Baco, és do balacobaco.

Haicai do Vinho

Que tanto rancor?
O vinho 
É a uva de bom humor.

00-Machete, O James Bond Cucaracha

Rússia e a Cortina de Ferro é o escambau! O negócio agora é a Lucha Caliente, com direito a muito chili e tacos, entre os EUA e o México, e em lugar de uma porra de uma cortininha, um muro de concreto do caralho a cercar toda a fronteira entre os dois países.
Ian Fleming é o caralho! O negócio agora é Roberto Rodriguez!
007, o agente a serviço de sua majestade, com licença para matar é o cacete! O negócio agora é o 00-Machete, o James Bond cucaracha, o agente com a obrigação de matar, de trucidar, de degolar.
Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e, o pior deles, Daniel Craig que vão se fuder, são bichinhas britânicas! O negócio agora é o macho man, o latin lover Danny Trejo!
Roberto Rodriguez faz seu melhor filme depois de Desperado - A Balada do Pistoleiro, Machete Kills Agains. Machete Mata de Novo não avacalha simplesmente com todos os chavões hollywoodianos de espionagem e agentes secretos, detona com eles, os tritura a pó de traque. Machete Mata de Novo não debocha de James Bond e do MI-6, não os transforma em paródias engraçadinhas e nonsenses, merda pra nerd ver, como já feito por Rowan Atkinson (o Mr. Bean) em Johnny English e por Mike Meyers em Austin Powers, o Agente Bond Cama", Machete Mata de Novo corta-lhes a garganta, joga merda no smoking engomado do 007, reduz o agente da Rainha a um almofadinha empoado que não duraria dois minutos no mundo de Machete; enfrentar a KGB é coisa de principiante, quero ver é encarar os cartéis de drogas mexicanos.
O trama central do filme é descaradamente copiada de 007 contra a Chantagem Atômica. Um ex-líder do Cartel se apossa de um míssil nuclear e o tem apontado para a capital americana Washington. As condições são que os EUA invadam o México e combatam os cartéis de droga que ajudaram a criar, ainda que indiretamente. Como se trata de um caso de violação de soberania nacional, os EUA não podem agir abertamente. A solução : convocar o invencível Machete (Danny Trejo).
Daí em diante, o absurdo é o monarca supremo (como também sempre o foi nos filmes do 007). Machete tem direito a tudo a que James Bond sempre usufruiu. Um vilão megalomaníaco e bilionário afim de destruir o planeta, esconderijos em ilhas paradisíacas, fugas em helicópteros, corrida de lanchas em alta velocidade, saltos de paraquedas, carros equipados e, claro, mulheres gostosas pra cacete. Muito mais gostosas que as magrelas, desbotadas e frígidas inglesas de James Bond. Jessica Alba, Alexa Vega, Michelle Rodriguez e a gostosíssima colombiana Sofia Vergara, no papel da dona de zona Madame Desdemona, a mulher dos peitos bélicos, munidos de lâminas afiadas e de metralhadoras giratórias.
Machete não perde para James Bond nem no quesito armas tecnológicas. Numa cena hilária, ele recebe das mãos de uma agente um machete (um facão), arma que é sua marca registrada, porém, é um machete high tech, ao simples apertar de um botão, o machete se abre em três ou quatro lâminas diferentes; é o canivete suíço dos machetes, lhe diz a agente.
Para fechar o pacote, Machete Mata de Novo, fiel ao seu modelo inglês, também desfila uma imensa galeria de atores canastrões. Charlie Sheen (como o presidente dos EUA), Mel Gibson (como o vilão Luthor Voz), Antonio Banderas (como El Camaleon), Lady Gaga (como El Camaleon), além do próprio Trejo.
O filme não é para estômago fracos, é ketchup pra tudo quanto é lado o tempo todo; também não é para mandíbulas e maxilares fracos, você vai rir do começo ao fim. O filme é uma piada surreal e grotesca, uma piada ruim contada por um comediante exímio. Só os viadinhos politicamente corretos não rirão.
Roberto Rodriguez, ao fim do filme, já dá dicas da sequência de Machete Mata de Novo, Machete Mata de Novo no Espaço. Sim, o vilão Mel Gibson foge para uma colônia espacial, de onde pretende aniquilar o planeta, e Machete é mandado atrás dele em um foguete. Qualquer semelhança com 007 contra o Foguete da Morte não é coincidência porra nenhuma. E Machete terá direito a uma luta de sabres de luz contra Mel Gibson em plena estação orbital, ou melhor, Mel Gibson portará um sabre de luz, Machete, um machete de luz. 
O Marreta recomenda. Pããããta que o pariu se eu recomendo!!!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Pletismógrafo, o Polígrafo do Caralho!

O pletismógrafo é um aparelho de uso médico que se presta a medir a variação do tamanho/volume de órgãos ou estruturas do corpo humano em função do afluxo de sangue ou de ar através dos mesmos. É composto basicamente de uma cinta, parecida com aquelas braçadeiras dos aferidores de pressão arterial, variável em tamanho, de acordo com o órgão a ser envolvido e avaliado, preenchida por um fluido sensível à variações de pressão, que pode ser o ar ou o mercúrio, e ligada a um cabo através do qual os estímulos captados por sensores são levados a um processador eletrônico, um tipo de osciloscópio que converte os dados em um gráfico de picos e vales.
Inicialmente, o pletismógrafo foi projetado para medir a tonicidade e a capacidade muscular, tendo suas maiores aplicações na área da pneumologia. A exemplos, o plestimógrafo é capaz de determinar volumes pulmonares (mede o volume de ar total retido nos pulmões), a resistência das vias aéreas (avalia a maior ou menor facilidade da passagem do ar nas vias aéreas), as pressões respiratórias máximas (avalia a força da musculatura responsável pela respiração) etc. O que o tornou em um valoroso aliado na detecção e no diagnóstico de doenças pulmonares bem como nas avaliações pré e pós-operatórias.
Só que o ser humano é incapaz de aplicar seu conhecimento apenas a serviço do bem, de limitar o uso de sua tecnologia às grandes causas - o ser humano é, ele próprio, a pequena causa mais mal resolvida da Natureza. O ser humano bem que tenta se dar sérios e circunspectos ares, mas a verdade é que ele, como diria a saudosa Dona Bela, da Escolinha do Professor Raimundo, só pensa "naquilo". Por "naquilo", entenda-se sacanagem, putaria, a famosa furunfa.
Vai daí que o médico e sexólogo tcheco Kurt Freund (não confundir com o Sigmund Freud, embora Freund, provavelmente, fosse tão doente e pervertido quanto o seu quase xará mais famoso) resolveu adaptar o pletismógrafo para medir a paudurescência. Resolveu colocar as bengas de seus pacientes no pletismógrafo - devia ser uma bichona, esse Freund - para avaliar as suas variações de volume e de intumescência, para monitorar-lhes as ereções. 
Freund constatou que o pletismógrafo era extremamente sensível a qualquer aumento de afluxo sanguíneo no cacete. Mesmo o mais ínfimo sinal de paudurescência, mesmo aquele que nem o próprio dono do tarugo percebe, o plestimógrafo era capaz de acusar e registrar. Se algo, fosse o que fosse, até mesmo um desejo desconhecido pelo cara, causasse uma variação de paudurescência detectável pelo plestimógrafo, não havia como ele negar o tesão, não havia como ele mentir sobre suas preferências sexuais.
Tal capacidade tornou o pletismógrafo muito útil na identificação e no tratamento de pacientes com desvios ou compulsões sexuais enrustidas. Usando como exemplo o maior chavão da psicanálise, a sua falácia-mor, o tarado está lá, deitado no divã, com o pau amarrado a um  pletismógrafo, e jura de pés juntos que não nutre o menor tesão pela mãe : "- Que é isso, doutor, desejo pela minha santa mãezinha? Tesão por aquela vagina carnuda que me deu passagem ao mundo, à luz? Tesão por aqueles peitos túrgidos, volumosos, firmes e pulsantes que proveram meu primeiro sustento? De jeito nenhum!" Só que o pau, lá no pletismógrafo, está até arrebentando a braçadeira, está fazendo os gráficos ultrapassarem todas as escalas do osciloscópio. Édipo puro! Maior comedor de mãe! Queira ele admitir ou não!
O pletismógrafo é o polígrafo do pau! É o detector de mentiras do caralho! E é muito mais confiável que o polígrafo. O polígrafos, desses que conhecemos dos filmes e das séries policias, e que se baseiam nas alterações de pulsação, de batimentos cardíacos e de modulações da voz para detectar o mentiroso, podem ser facilmente enganados por pessoas bem treinadas, ou por psicopatas que creem piamente nas suas declarações de inocência. Já o plestimógrafo, não há quem o engane. O pau não mente. Se algo agradou ao pau, em menor ou em maior grau, ele se manifesta. A paudurescência é a única reação fisiológica que o homem não consegue fingir. O pau é centro nevrálgico da honestidade do homem. É a única reserva de sinceridade masculina.
Imeditamente, ao saber do prodígio tecnológico criado por Freund, o exército da então Tchecoslováquia requisitou o aparelho para fins militares. Dava-se, à época, que o exército tcheco estava a enfrentar uma série de fraudes no alistamento e recrutamento de novos soldados. Muitos dos jovens tchecos que se alistavam, declaravam-se homossexuais como forma de não servir ao exército, como uma maneira de fugirem às suas obrigações para com a pátria. E como saber se realmente o sujeito tinha tesão na argola, tique nervoso na rosca, comichão no brioco? Fica de quatro aí e dá essa bunda pro sargento? Não era possível. Na dúvida, o viadão era dispensado.
Com o advento do plestimógrafo, a farsa veio abaixo. A autodeclarada bichona tinha o pau ligado a um plestimógrafo e era submetida a uma série de imagens de mulheres gostosas, fotos e vídeos de peitudas e bucetudas nas mais excitantes e pornográficas situações. Se o pau do sujeito fizesse o pletismógrafo registrar um único pico que fosse, a casa caía pro lado dele. Estava automaticamente incorporado ao exército, a farda e os coturnos esperavam por ele. Se, por outro lado, o pau não desse o menor sinal de vida, ou, ainda, se desse até uma encolhida, desenhasse curva negativa no pletismógrafo, o cara era viadão dos legítimos. Tava dispensado.
Fiquei aqui pensando se os viadões, tanto os reprovados como os atestados pelo aparelho, eram submetidos a uma contraprova, ou seja, se eram depois expostos a imagens eróticas de conteúdo homossexual. O que ficou de pau duro ante a visão de uma gostosa, poderia também hastear a bandeira para um musculosão de sunga, vai que o cara fosse bissexual; o que não reagiu à uma bela tcheca, poderia igualmente se fazer de morto frente a um cacetão ereto, ele poderia simplesmente estar nervoso e constrangido com a situação, ou ser broxa. Taí, o broxa é o calcanhar de Aquiles do pletismógrafo! Só o broxa consegue mentir para o pletismógrafo! Portanto, o psicopata broxa é o mentiroso supremo!
De qualquer forma, essa lenga-lenga toda me fez lembrar de uma piada. Uma anedota das antigas contada pelo inigualável Costinha, se não me falha a memória, no LP O Peru da Festa Vol.2. Conta-nos o Costinha :
"Todos os dias, às cinco da matina, o sargento passava o pelotão em revista. Um dia, ele notou que o recruta 49 estava de barraca armada, batendo continência. Condescendente, chamou o 49 prum canto, deu-lhe um dinheiro e mandou que fosse resolver seu problema numa zona próxima ao quartel. No dia seguinte, o sargento passou pelo pelotão e lá estava de novo o 49, de pau duro. Deu-lhe mais uns trocados e lá se foi o 49 pra zona. Isso se repetiu durante a semana inteira, até que no sábado, o sargento, já de saco cheia da situação, deu uma grana preta pro 49 e ordenou que ele passasse o fim de semana todo na zona afim de resolver aquela questão, pois pegava mal a um soldado, a um representante e defensor da pátria ser visto de pau duro. O recruta 49 agradeceu ao sargento, mas recusou o dinheiro : "- Não adianta, não, sargento : o meu negócio é o senhor."
Pããããããããta que o pariu!!! Que falta fez, ao sargento, um pletismógrafo por ocasião do alistamento dessa moçoila!!!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A Casa dos Jacintos

"Eu preciso de um novo amigo que não me incomode, eu preciso de um novo amigo que não me atrapalhe, eu preciso de alguém que não precise de mim." É The Doors! É Jim Morrison! 
Essa eu ainda não conhecia : A Casa dos Jacintos. E, pra variar, me pegou na veia. Os poucos verdadeiros amigos que tenho são assim, não precisam de mim e nem eu deles. Ficamos anos sem nos ver, sem nem ao menos ligar um pro outro, mas continuamos amigos pra caralho. Justamente por isso : um não dá trabalho pro outro, um não fica enchendo o saco do outro, nos encontramos quando calha de, quando o universo cochila e se descuida. E é como se tivéssemos nos visto ontem, e não há dois, cinco ou dez anos. Casamos, tivemos filhos, envelhecemos, ficamos de cabelos brancos, criamos barriga... mas isso é só para o resto do mundo, pois o mundo é que dá trabalho. Entre nós, somos os mesmos de décadas atrás, somos Peter Pan, somos os Garotos Perdidos. Visitamos cada vez menos a Terra do Nunca, é verdade, mas nos basta saber que ela continua por lá. Que sempre continuará.
E o que você está fazendo para agradar os seus leões nesse dia? E por que você jogou fora o valete de copas, se era a única carta no baralho que eu tinha pra jogar?
Hyacinth House
(Jim Morrison)
What are they doing in the Hyacinth House?
What are they doing in the Hyacinth House?
To please the lions in this day
 

I need a brand new friend who doesn't bother me
I need a brand new friend who doesn't trouble me
I need someone, yeah, who doesn't need me
 

I see the bathroom is clear
I think that somebody's near
I'm sure that someone is following me, oh yeah
 

Why did you throw the Jack of Hearts away?
Why did you throw the Jack of Hearts away?
It was the only card in the deck that I had left to play
 

And I'll say it again, I need a brand new friend
And I'll say it again, I need a brand new friend
And I'll say it again, I need a brand new friend, the end
 

Casa dos Jacintos 
O que eles estão fazendo na Casa dos Jacintos?
O que eles estão fazendo na Casa dos Jacintos?
Para agradar os leões nesses dias?
 
Eu preciso de um novo amigo que não me incomode
Eu preciso de um novo amigo que não me atrapalhe
Eu preciso de alguém que não precise de mim
 
Eu vejo que o banheiro está limpo
Eu acho que alguém está por perto
Eu estou certo que há alguém me seguindo

Por que você jogou fora o Valete de Copas?
Por que você jogou fora o Valete de Copas?
Era a única carta no baralho que eu tinha para jogar
 
E eu digo outra vez, preciso de um novo amigo
E eu digo outra vez, preciso de um novo amigo
E eu digo outra vez, preciso de um novo amigo, o fim
Por que justo o Valete de Copas, Jim? Por quê?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Bilau no Tratamento de Canal (Ou : Boca de Anestesiado Não Tem Dono)

Gravem esse nome, Bilal Ahmed. E corram dele. O mais rápido e para mais longe que conseguirem. Isso se ele lhes der tempo.
Com um sobrenome desse, Ahmed, ele poderia ser tomado por um perigoso fundamentalista islâmico disposto a decepar infiéis, ou a se explodir em nome do profeta. Mas não. Ele oferece perigo muito maior. E muito mais insidioso. Bilal Ahmed é dentista.
O dentista é a figura mais terrível que povoa o imaginário do medo infantil. Ele assombra e instila mais temor que o bicho-papão, que o homem do saco, que o monstro dentro do guarda-roupas, que a loira do banheiro, que o professor de matemática. Mesmo quando adultos, admitamos, quem é que se deita despreocupadamente na cadeira de um dentista e se entrega tranquilamente aos seus cuidados? Quem é que não tensiona toda a musculatura e não se agarra firme aos braços da cadeira quando ele começa a escrutinar nossos dentes e gengivas?
Pois o paquistanês Bilal Ahmed conseguiu acrescentar um novo elemento de terror à sádica e temível figura do dentista. Um elemento que faz com que as agulhas, as anestesias que não pegam, as brocas, os torturantes motorzinhos e até mesmo o medieval boticão se transformem em simpáticos e agradáveis instrumentos, mais inofensivos que acessórios de cabeleireiro e de manicure. Bilal Ahmed introduziu um novo instrumento na terapêutica de seus clientes, uma revolução no tratamento de canais : o próprio pau! Isso mesmo. O caralho, a rola, o cacete!
Bilal Ahmed foi acusado de ter enfiado o pau na boca de um paciente anestesiado. A anestesia acabou antes do planejado por Ahmed e ele foi pego com a boca na botija, ou melhor, com a botija na boca do paciente, que agora lhe processa por abuso sexual.
A vítima (um homem) relatou à polícia que o dentista disse que seria necessário o uso de óxido nitroso, um gás incolor com efeito anestésico quando inalado em grande quantidade. A pessoa inala o gás através de uma máscara colocada em seu nariz e, em pouco tempo, dorme, apaga. No início do procedimento, relatou ainda a vítima, um assistente acompanhava o dentista. Ao acordar, porém, o assistente já não se encontrava na sala e uma estranha broca lhe examinava a boca, o caralho de Bilal Ahmed, fazendo-lhe uma aplicação de flúor, uma limpeza, tirando-lhe os tártaros.
Bilal Ahmed, que é casado e pai de seis filhos, foi liberado após pagar fiança equivalente a R$ 200 mil.
Pããããta que o pariu!!! Mil vezes uma broca daquelas bem fininhas e com o motor no máximo de rpm. 
Acho que vocês já perceberam, mas caso não, deem uma olhada no nome do tarado : Bilal. O Bilal atochou o bilau na boca do cara! É a piada pronta, como diz o Zé Simão. O cara vai se consultar e se deixa anestesiar por um sujeito chamado Bilal. Estava esperando o quê?
Bilal deu azar, simplesmente deu azar. Um azar geográfico. Esse imbróglio todo pro lado dele só ocorreu porque ele clinica nos EUA. Fosse no Brasil, a agenda dele estaria lotada! E ele nem precisaria usar óxido nitroso!
 Bilal Ahmed, o rei da broca.

Aniversário do Marrreta do Azarão

Sete anos de Marreta em riste, ereta! Sete tenebrosas temporadas! Sete rounds a la Cassius Clay, "voando como uma borboleta e ferroando como uma abelha"!

domingo, 31 de janeiro de 2016

Vênus de Cloacina : A Deusa do Boa Cagada

Deuses são criados de acordo com as conveniências humanas, de uma sociedade, de uma época. Deuses são adorados e cultuados para que, em troca, correspondam e satisfaçam aos anseios e necessidades das pessoas. Ou alguém é mesmo capaz de achar que o bicho homem se submeteria, se curvaria, esfolaria os joelhos num genuflexório, se humilharia, se reduziria a um merda frente ao seu deus se não fosse por interesse? Se não fosse na esperança de uma recompensa?
Deuses são o atalho do preguiçoso. Deuses são criados para que deem ao ser humano o que ele deveria obter através do esforço, dedicação, planejamento, estudo etc. Deuses são a resposta rápida - porém, estão longe de ser a solução - para tudo.
Deuses são uma mão na roda, são pau pra toda obra, ou, como mais afrescalhadamente se diz hoje, deuses são multifuncionais, multiusos. A tudo se prestam e socorrem. Incapaz de entender um fenômeno natural? Valha-me deus! E um deus que represente e personifique tal fenômeno é criado - todas mitologias, a exemplos, contam com seu deus do raio e do trovão, do sol, da noite, dos mares, das tempestades, dos vulcões etc. Servem, os deuses, igualmente, para assegurar o êxito de tarefas complexas que são, via de regra, malplanejadas e mal executadas pelo homem - os deuses da colheita, da fertilidade, do matrimônio etc. Servem para justificar conquistas e promover massacres - os deuses da guerra. Servem mesmo para nos garantir passagem tranquila pela alfândega final - os deuses da boa morte.
Tirante a cristã, a mitologia greco-romana nos é a mais familiar. Seja por causa dos rudimentos nos transmitidos na escola, seja por interesse pessoal de leitura, seja pelo contato travado com suas versões para o cinema, ou para as histórias em quadrinhos, todo mundo conhece, ainda que de forma desordenada, falha, confusa e deturpada, um pouco de mitologia greco-romana. Gregos e romanos tiveram praticamente o mesmo panteão de deuses. Deuses que, a bem da verdade, foram criados pela imaginação dos gregos e, depois, usurpados pelos romanos e tomados como se fossem legitimamente seus, quando da conquista do território helênico pelo Império Romano; os deuses gregos vieram no pacote, foram parte do butim, os romanos, basicamente, apenas trocaram-lhes os nomes.
A exemplos : Zeus/Júpiter era o deus criador, pai  dos deuses e dos homens; Hera/Juno, esposa de Zeus/Júpiter e deusa da família e do matrimônio; Apolo/Febo, deus do sol, da música e da profecia; Ares/Marte, deus da guerra; Afrodite/Vênus, deusa da beleza e do amor; Palas/Minerva, deusa do conhecimento e da sabedoria; Artêmis/Diana, deusa da caça e da lua; Deméter/Ceres, deusa da agricultura; etc etc.
Esses, contudo, eram os maiorais do Olimpo, a diretoria, os manda-chuvas, os que se ocupavam das grandes questões e aflições humanas; seriam, a mal comparar, o governo federal, os deuses do Planalto. Mas e os deuses das pequenas causas, das aporrinhações diárias, dos percalços cotidianos? Havia os deuses do mundano? O deuses do comezinho? Sim, havia.
É de um deles que direi agora, de uma delas, já que uma deusa. Ontem, tomei ciência dela através da excelente série "Grande História e Pequenas Coisas", de produção do canal H2. Com a expansão do Império Romano e o crescimento de suas principais cidades, um grave e urgente problema se apresentou aos seus governantes : o da eliminação dos dejetos humanos, o de um sistema de esgotos eficiente que impedisse que os grandes aglomerados urbanos se tornassem verdadeiras fossas a céu aberto.
Nas pequenas cidades, os sanitários públicos eram dispostos na forma de um banco conjunto - não havia compartimentos individuais - sob o qual sempre passava um pequeno córrego ou uma vala d'água. O cara cagava e daí, rio abaixo. Em grandes metrópoles, porém, tal solução era inviável.
Um parêntese : para nós, homens modernos, o problema dos romanos com o esgoto pode parecer coisa pouca. Pois saibam que não faz muito tempo que as pessoas, como fazemos hoje, sentam-se confortavelmente em seus privadões, soltam tranquilamente seu barro, dão a descarga, veem seus cagalhões desaparecer como que por mágica e, por fim, os mais sensíveis, aspergem borrifadas de Bom Ar Flores do Campo no ambiente. O primeiro protótipo de vaso sanitário, como hoje o concebemos, só surgiu em fins do século XVI, em 1596, pelas mãos cheias de coliformes fecais de um lorde inglês, Sir John Harrington, poeta e protegido da Rainha Elizabeth I. Mas a invenção não pegou, foi considerada apenas como mais uma excentricidade de um nobre, de quem não tem o que fazer da vida. O vaso sanitário de Sir John Harrington não caiu no gosto das pessoas, que seguriam a fazer o que sempre tinham feito e que consideravam melhor e mais prático : cagavam e mijavam o dia inteiro dentro de baldes e, ao entardecer, a uma determinada e preestabelecida  hora, jogavam o conteúdo mefítico por suas janelas. O projeto só foi retomado em meados do século XIX, em virtude do evento conhecido como Great Stink, o Grande Fedor de Londres, em 1858, em que, depois de séculos de despejo de merda humana, as águas do Tâmisa estavam pior que as do Tietê.
Fim do parêntese e voltando.
Os governantes romanos, diante do problema da merda, que está longe de ser um problema de merda, não se deixaram abater ou desanimar. Agiram pronta e rapidamente, com a destreza e a eficiência que parecem ter sempre sido a marca registrada dos poderes públicos : criaram - talvez por um projeto de lei, quem sabe muito discutido no Senado e às custas de muito mensalão e pixuleco - a deusa Cloacina, também conhecida por Vênus de Cloacina (do latim cloaca, que significa esgoto ou dreno).
Quero dizer, criaram porra nenhuma, copiaram de novo, que, como dito anteriormente, em relação aos povos que os antecederam no comando do mundo, os romanos não eram povo dos mais cultos, eram os emergentes da época, os novos ricos, a classe C, digamos assim, obtiveram poder e grana, mas continuaram bárbaros. Copiaram, dessa vez, dos etruscos, que a tinham como a divindade da Cloaca Máxima, o espírito do Grande Esgoto.
Uma deusa do esgoto criada e problema resolvido. A Vênus de Cloacina era cultuada como a deusa da pureza e da limpeza. Como toda deusa que se preze, tinha o seu templo, o Santuário da Vênus Cloacina, que ficava numa das avenidas mais movimentadas e famosas da época, a Via Sacra. Será que Cristo, a caminho do Gólgota, parou no santuário da Vênus de Cloacina para dar sua rezadinha, fazer sua fezinha, ou melhor, suas fezezinhas (isso é influência sua, Jotabê)?
Como eram as orações feitas à deusa dos esgotos? Até imagino as oferendas levadas pelos fiéis.
Tamanha foi a importância da deusa Cloacina que até lord Byron, poeta e metrossexual da era vitoriana, ele próprio um deus entre os devotos do tédio, do spleen, do niilismo e de outras viadagens, compôs versos em louvor a ela :
"Oh Cloacina, Goddess of this place,
Look on thy suppliants with a smiling face.
Soft, yet cohesive let their offerings flow,
Not rashly swift nor insolently slow"

(Oh, Cloacina, Deusa desse lugar,
Olha para teus suplicantes com face sorridente
Suave, mas coesos deixar fluir as suas ofertas,
Não precipitadamente rápida nem insolentemente lento)

Para um único detalhe, os historiadores não encontraram explicação, conexão. Dizem não saber como a deusa etrusca dos esgotos, a Cloaca Máxima, foi associada pelos romanos à figura de Vênus, a deusa do amor e do intercurso sexual, ou seja, da furunfa. Não sabem? Que porras de historiadores são esses? Que merdas de intelectuais? Para mim, a associação é óbvia. Cloaca, rego, cu, buraco. Sério que não veem ligação com a deusa do amor e do sexo?
Hoje, somos afortunados, temos particulares templos à Cloacina em nossas próprias casas. Cada banheiro é uma pequena capela em devoção à Cloacina. Falando nisso, irei agora, ou quando as tarefas domésticas me derem folga, ou ao fim da noite, antes de me deitar, fazer minhas condoídas orações à Vênus de Cloacina. Está indo para uns três dias que eu não recebo suas graças. Pããããããta que o pariu!!! 
Na foto de cima, a base do Santuário da Vênus da Boa Cagada; na de baixo, um denário romano de prata com a efígie da Vênus na "cara" e o seu santuário na "coroa".

sábado, 30 de janeiro de 2016

Receita de Mulher (XI)

Enfim, o último mandamento do Dodecálogo do Azarão, o manual prático para a mulher moderna arrumar um homem para chamar de seu, o verdadeiro mapa do tesouro para um matrimônio duradouro e feliz, a bula do remédio para a cura da solidão e do encalhe feminino. Chega de ir a casamento alheio e se matar na hora em que a noiva joga o buquê. Chega de gastar parte do orçamento em pilhas e baterias para o vibrador. Siga o Dodecálogo do Azarão, que Deus ajuda.
12 - Coloque-o à vontade - Deixe que ele se acomode em sua poltrona, ou que repouse em seu quarto. Tenha uma bebida quente sempre pronta para ele. Ajeite a almofada dele e se ofereça para lhe tirar os sapatos. Fale com voz suave e agradável.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O Paradoxo do Avião Que Cai

Muito boa!

Ai, Que Saudades da Ditadura!, Suspira Lula

Há uma semana, na mesma coletiva com blogueiros em que afirmou ser a alma viva mais honesta do país, o ex-talvez-futuro-presidente-de-novo Luis Inácio Lula da Silva aparentou um certo saudosismo dos dias da ditadura militar : "No Brasil, neste momento, nem habeas corpus as pessoas estão conseguindo. Está muito mais difícil que na ditadura militar", queixou-se Lula, quase que num velado tom de choramingo, de quem é vítima inocente da situação. Que é o modus operandi padrão dos esquerdistas, fazerem-se de vítimas, passarem-se por coitadinhos, quando, na verdade, não aguentam o tranco de suas próprias cagadas.
Eu acredito em Lula. Realmente, acredito. Pela primeira vez, desde que o barbudo surgiu no cenário nacional, ainda como sindicalista (e, portanto, já sem trabalhar), eu acredito nele. Está mesmo muito mais difícil que na ditadura militar. Para o PT!
Na época, o inimigo inconteste da Nação, ou, pelo menos, assim o críamos (eu mesmo, adolescente, inocente, puro e besta à época, pensava dessa forma) era o Regime Militar, e todos os que a ele se opunham, não importando os meios e os métodos utilizados, eram tidos como nossos representantes contra o opressor, os nossos salvadores. Ou seja, os que hoje compõem a alta cúpula do PT eram a oposição naqueles dias, e a oposição de nada tem que se defender, só atacar, é muito mais fácil. Muito da saudade de Lula tem a ver com o fato de que o PT era pedra na época, atualmente, é vidraça.
Além disso, hoje, em minha opinião, que sempre pode estar equivocada, duas coisas estão muito claras. 
Primeira. Os militares nunca foram os verdadeiros inimigos da Nação, e nem poderiam, eles são treinados e obedecem ordens a serviço do oposto, eles protegem a Nação de ameaças externas e internas, no caso, os comunas terroristas de grupos como o MRN (inspirados por Leonel Brizola e que chegaram a receber apoio e treinamento militar em Cuba) e o VAR-Palmares, de cujas entranhas podres e malcheirosas suporou, dentre outros, a nossa digníssima Dilma Rousseff; hoje, isso é patente para mim, os inimigos eram os comunas terroristas. Ser visto como mocinho ao invés de vilão também é um componente da saudade de Lula.
Segunda. Embora, em teoria, na aparência, na fachada, o PT seja um partido político legalizado desde 1980 - e, por isso mesmo, tenha que, minimamente, obedecer à Constituição e, em caso de infringi-la ou de suspeita de, se submeter às suas sanções, ainda que seja só pro forma, só para inglês ver, ainda que tudo termine em pizza -, na prática, em sua essência e em seu cerne, o PT continua a ser e a proceder como a mesma malta de comunistas subversivos das décadas de 1960 e 70, continua a agir como uma quadrilha de criminosos - e deixo bem claro e realçado aqui que não sou eu quem imputo ao PT o status de quadrilha; tal comenda, que muito deve encher os petistas de orgulho, foi-lhes impingida pelo então Ministro do Supremo, o supremo Joaquim Barbosa. Foi o órgão máximo da Justiça de um Estado democrático que condenou membros da alta cúpula do PT por formação de quadrilha; coincidência ou não a mesma classificação dada pelos militares há mais de 50 anos, em 1964. Partido político no papel; quadrilha comunista na prática.
É justamente nesse segundo aspecto que parece residir a maior parte da saudade de Lula dos tempos da ditadura, ou melhor, dos tempos de clandestinidade das células que originaram o PT. Comunista é o ser mais avesso à democracia que existe - vide Stalin, Mao, Fidel etc -, alguém conhece algum regime comunista que não seja uma ditadura? Comunista não quer seguir nenhum lei, gosta da subversão, da bandalheira. Comunista resolve seus desafetos políticos com luta armada, comunista vence a oposição com metranca na mão, comunista negocia com sequestro a embaixadores, comunista resolve os problemas de receita e de verba assaltando bancos e cofres governamentais.
Parece-me, posso estar enganado, e comumente estou, que é da falta dessa "liberdade" dos tempos de ditadura que Lula se ressente e tem nostalgia, de resolver as divergências na base da truculência, à margem da lei, ao invés de em uma votação em plenário. Sequestros, assaltos a bancos e atentados terroristas são muito mais eficientes - e baratos - que pagar mensalão e pixulecos para a oposição. Agir fora da lei e ser visto como herói, creio eu, é a grande saudade de Lula dos tempos militares.
Sim. Acredito em Lula. Está muito mais difícil que na ditadura militar. Para o PT.
E não é só : Lula viu seu mito ser edificado durante a ditadura militar - épocas sombrias, de poucas luzes, como são as ditaduras, ocultam não apenas os podres dos governantes, mas muito mais os de seus opositores -, e vê esse mito, agora, ser dinamitado pela democracia. As sombras da ditadura militar alçaram Lula à condição de um salvador da pátria, de um paladino da liberdade, deu-lhe ares quase que messiânicos; as implacáveis luz e transparência da democracia arrancaram a aura de santidade de Lula, reduziram-no à sua condição real, a de líder do partido político mais envolvido em corrupção que já pisou em terras tupiniquins, desde Cabral. Ponha-se no lugar do barbudo: que época você preferiria?

Receita de Mulher (X)

Tá acabando, mulherada. Este é o penúltimo mandamento do Dodecálogo do Azarão para a mulher moderna que não quer ficar pra titia, que não quer chamar o chuveirinho do banheiro de meu amor.
11 - Não se queixe - Não o sature nem o aporrinhe com problemas insignificantes. Qualquer problema seu é um pequeno detalhe se comparado com o que ele tem que passar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

É a Podridão, Meu Velho (7)

Ter asas
E render-me ao conforto
E à monotonia de um serviço de bordo.
Usar minhas penas
Só para rechear travesseiros
Quando para a fuselagem de veleiros espaciais foram feitas.
Só botar um agasalho de moleton
Calçar umas pantufas
E reforçar a dose de conhaque
Enquanto assisto à vida voar para o Sul
Fugir para os trópicos
Do frio e da hibernação.
É a podridão, meu velho.
E que sossego!!!

domingo, 24 de janeiro de 2016

Só os Inimigos Trazem Flores

Quando tudo acaba
Se vê que não foi tão ruim desse jeito
Nota que não se viveu tantos horrores
Que poderia se ter reparado algum defeito
Que poderiam ter sido evitadas algumas dores.
Mas agora é tarde demais
Agora é quando tudo acaba
Tarde para voltar atrás
Vão te jogar na terra molhada
Te enterrar no solo fofo
Vais apodrecer
Cheirar a mofo.
Nada vale o quanto te fizeram acreditar que eras querido
Ou quantos amores tenhas tido
(Se é que se é possível ter algum)
Serás imediatamente esquecido
Nada mais que um elo perdido.
Quando tudo acaba
É sublimada a noção dos valores
Esvai-se o dom das cores
E não importa quantos amigos tenhas feito
Não importa que te devam favores :
Quando tudo acaba
Só os inimigos trazem flores.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O Bolsa Naro : O Programa Social Que o Povão Tá Precisando

Bolsa Família é o cacete! Chega de sustentar um contingente cada vez maior de encostados deitados eternamente em berço esplêndido! É do Bolsa Naro que o povão indolente, mal-acostumado e gado eleitoral do PT tá precisando! É enxada na mão até fazer calo! É trabalhar para ganhar o pãozinho de cada dia e a cachaça do  fim de semana! É carteira de trabalho assinada! É jornada de trabalho de oito horas diárias com hora pra entrar, pra sair e pra almoçar! É ferro na boneca! É o Bolsa Naro!
O Marreta dá o maior apoio!

O Admirável Mundo Novo da Coreia do Norte

Não fossem suas péssimas relações diplomáticas com todo o resto do mundo e o conservadorismo tacanho das academias de ciências ocidentais - as Academias Sueca e Norueguesa em específico -, a Coreia do Norte, com certeza, ostentaria um enorme número de cientistas laureados com o Prêmio Nobel.
Inúmeras e significativas foram as descobertas relatadas pelos pesquisadores da pátria de Kim Jong-un
Em 2012, a arqueologia norte-coreana, em estudo assinado pelo Instituto de História da Academia de Ciências Sociais DPRK, confirmou a existência de unicórnios cuja toca estaria localizada no subsolo do templo Yongmyong, exatamente na capital norte-coreana, Pyongyang.
A medicina norte-coreana, em junho de 2015, anunciou o desenvolvimento de uma miraculosa substância feita à base de ginseng, terras raras e fertilizantes, a Kumdang-2, que seria eficaz na cura e na prevenção de Mers, Sars, ebola e Aids.
No início desse mês, a indústria bélico-militar norte-coreana deixou os norte-americanos e os europeus com a pulga atrás da orelha e com o cu não : um teste com uma bomba de hidrogênio, uma bomba de fusão nuclear centenas de vezes mais poderosa que as de fissão, feito as de Hiroshima e Nagasaki, teria sido realizado. E, realmente, um abalo sísmico foi registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) na área de testes nucleares do país; porém, segundo os sismologistas yankees, o abalo registrado alcançou magnitude de 5,1 na escala Richter, tremor muito abaixo de um provocado por uma real bomba de hidrogênio, e, portanto, o alegado teste seria mais uma bravata norte-coreana. Kim Jong-un não se deixou abater : foi testada uma miniatura da bomba H, uma versão portátil. Sensacional.
Agora, a Coreia do Norte volta a surpreender com sua ciência décadas à frente das norte-americana e europeia. Uma descoberta que revolucionará vital setor do entretenimento adulto, o das bebidas alcoólicas. Segundo informações do "Pyongyang Times", o cientistas desenvolveram uma bebida alcoólica que não dá ressaca! Pãããããta que o pariu!!! É o Santo Graal de todo bebum!
Terão, os cientistas norte-coreanos, conseguido obter o tão buscado Soma, a droga utópica do distópico Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley? "Uma droga com todas as vantagens do Cristianismo e do álcool; nenhum dos seus inconvenientes", escreveu Huxley, referindo-se à culpa cristã e à ressaca.
A bebida, produzida pela fábrica Taedonggang e batizada de Koryo Liquor, é feita à base de ginseng e o segredo é que ela  leva arroz queimado em lugar do açúcar no seu processo de fermentação, o que eliminaria os efeitos danosos do dia seguinte.
O anúncio da nova bebida gerou, mais uma vez, desconfiança e incredulidade no cenário internacional, pois o regime de Kim Jong-un nunca apresenta comprovações de suas fantásticas descobertas.
Pois eu acredito em Kim Jong-un, parcialmente. Acho perfeitamente plausível que ele tenha achado um ninho de unicórnios sob o solo da capital do país, acredito piamente na panaceia que cura e previne Mers, Sars, ebola e Aids, boto a maior fé na bomba de hidrogênio portátil. Agora, uma bebida alcoólica que não dá ressaca? Eu truco. Kim Jong-us só pode estar blefando. Álcool etílico é álcool etílico, não importa a fonte da qual tenha sido obtido. Caiu no fígado, não tem jeito, ele é quebrado e transformado em acetaldeído, que é a substância que ocasiona todos os sintomas da ressaca.
Unicórnios, tudo bem, Kim Jong-un. Mas bebida que não dá ressaca? Pra cima de moi?
Kim Jong-un, o ditador mais simpático e sorridente do planeta.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A Escala Lula de Honestidade

“Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da igreja católica, nem dentro da igreja evangélica. Pode ter igual, mas eu duvido” (Luis Inácio Lula da Silva, no café da manhã com blogueiros na manhã desta quarta-feira, 20, no Instituto Lula)
Lula acaba de inventar a honestidade relativa. É a escala Lula de Honestidade. 
Lula deve ter ouvido o preceito filosófico de que não existe a verdade absoluta e concluiu que o mesmo se dá para com a honestidade. Desabsolutizou a honestidade. Diógenes acabou de apagar sua lanterna, em definitivo. Não a acenderá nunca mais.
Dá pro cara ser mais ou menos honesto? Ser 90% honesto? 52%, 27% etc? Lula diz que sim. Há os mais honestos e os menos honestos, segundo Lula. E ele, pelo jeito, a exemplo de cientistas que dão seu próprio nome às descobertas que realizam, se coloca no limite máximo superior dessa escala de honestidade. Nem o Papa é mais honesto que ele. Pode ser igual, mas ele duvida, mais honesto, então, nem pensar. E em que será graduada a Escala Lula de Honestidade? Em graus Lula? Graus mensalão? Graus petrolão? Graus lava jato? Graus Pixuleco?
É o maior cara de pau que esse país já teve na política. Um safardana. É o presidente que uma nação de analfabetos acomodados em suas misérias e em suas felizes (sim, são felizes) vidas de subsistência achou por bem eleger. 
Estamos fudidos! Se Lula não morrer até 2018, elege-se Presidente da República; se morrer, é canonizado!!!
E em 2018, ele volta! Estejam certos de que volta! Para a alegria da vagabundada desse país!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

G0ys, o Romance Entre Brothers. Ou, Ainda, Os 24 Tons de Azul

Só pode ser sacanagem. Nem bem eu e os leitores do Marreta digerimos o conceito de HSH - o homem que chupa rola, que dá o toba, mas que não se considera viado, pois não desenvolve sentimentos pelo outro homem, não se apaixona, é homoerótico, mas não é homoafetivo - e um outro e novo tipo de viado já aparece no mercado : o g0y. Com zero mesmo, e não a letra "o", no lugar do "a" que compõe a palavra gay.
O g0y, assim como o HSH, não se considera uma bichona enrustida, mantém-se convicto de sua heterossexualidade. E qual a diferença, então, entre o g0y e HSH? 
Simples : O HSH dá o toba, mas não se apaixona, não rola um sentimento; o g0y até se apaixona, apega-se a outro g0y, dorme de conchinha e tudo, mas, em hipótese alguma, dá o cu! O HSH não se considera gay porque não se apaixona; o g0y não se considera gay porque não pratica o sexo anal.
O tipo de contato que os parceiros g0ys têm entre si se resume a "preliminares na visão hétero tradicional, ou brincadeiras sacanas na visão hétero g0y." Ou seja, beijam na boca, tocam punheta um pro outro e se acabam num 69, mas desfolhar as pregas, nem pensar. Penetração, o g0y só pratica com mulheres, afinal, é muito macho, ora porra!
E de onde vem o zero do g0y? São os próprios g0ys quem explicam : ""O nome composto gay-zero confunde no momento que pode levar à interpretação de que um gay-zero = heterossexual, o que não é verdade, por analogia um guaraná zero, não é aquele que virou fanta, mas apenas um guaraná do qual foi retirado um único componente, no caso o açucar. No caso dos gays é justamente isso, o gay-zero (ou g-zero) seria um homem que sente atração por outro homem, mas não pratica um dos componentes do mundo gay, o sexo anal"
O g0y é o viado diet!!! Que explicação mais viada!!! Pããããããta que o pariu!!!
A viadagem entre os g0ys é chamada de Bromance, isto é, Romance entre Brothers; bem ao estilo dos caubóis viados do Brokeback Mountain e, muito antes deles, das tirinhas de Rock e Hudson, do cartunista brasileiro Adão Iturrusgarai. Os g0ys só fazem coisas de homem juntos. O g0y assiste ao futebol com o camarada ao lado, xingam o juiz e o técnico do time, tomam pinga e comem torresmo, que são goró e tira-gosto de macho, que se servirem cerveja e provolone pro g0y ele já olha desconfiado, e, para relaxar, ficam lá, um tocando uma punheta pro outro.
E o g0y é machão, machista. Não suporta viado. É verdade : na página oficial do grupo, a Heterogoy.webnode.com, a masculinidade rústica e sem frescuras é exaltada e a baitolice rechaçada e condenada. A mesma página traz um estatuto g0y, que resume os principais preceitos do pensamento deles : "G0ys não namoram nem casam com outros g0ys, têm no máximo uma amizade íntima. Casam-se com mulheres. “G0ys são a salvação do “homem de verdade” e, por isso, não permitem qualquer associação com imagens e clichês do mundo gay”.”G0ys criam clubes de relacionamento onde só é permitida a entrada de outros g0ys”.”G0ys não devem se envolver com o universo gay”.”Goys são machistas”.
Até a bandeira dos g0ys é estandarte de macho. Não tem nada de arco-íris. Rosinha, lilasinho, laranjinha... vão se fuder! Porque aqui na face da Terra só viado macho é que vai ter! A bandeira g0y é feita em tons de azul, a cor do machão, em degradée, uuuiiiii!
Vinte e quatro tons de azul!!! Pãããããta que o pariu!!!