domingo, 10 de abril de 2016

Conto de Fadas Adulto

Madrugada:
Falsificação do dia,
Cópia pirata da vida,
Existência made in China,
Fabricada na Zona Franca de Manaus.
Olhares falsos,
Sorrisos falsos,
Whiskys falsos,
Entrelaçar de dedos falso,
Feromônios falsos
(Do Boticário ou da Natura),
Nomes e telefones falsos
Escritos em guardanapos de papel.
Beijos verdadeiros e urgentes
Em bocas substitutas.
Mas
Enfim
O que pode ser mais verdadeiro
Do que o fingimento sincero?
Do que a mentira
Que mente e convence a si mesma?
O que pode ser mais honesto
(e elogioso)
Do que gritar o nome da outra,
Do que chamar a androide,
A boneca inflável
Em que mete e cavalga
Pelo nome do seu conto de fadas?
(já que eu não posso ter você, fecho os olhos, e qualquer corpo passa a ser o seu, qualquer corpo passa a ser o seu).

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Os Oito Mandamentos Mórmons Contra a Punheta (Ou : o Octálogo da Bronha)

Uma vez que fundamentado no sofrimento - no daquele rapaz lá, aquele que pegaram para cristo -, o Cristianismo só considera virtuosos os caminhos da dor, do martírio e da privação. Em oposição, qualquer comportamento ou modo de vida que proporcionem algum grau de prazer e satisfação recebem automaticamente a pecha de pecado, de vício, de defeito moral.
O deus cristão é um cara azedo, mal-humorado e recalcado, não pode ver ninguém feliz nem gozando que já vem com destruição de cidades, com dilúvios, com o apocalipse.
Não é de se espantar, portanto, que a boa e velha punheta seja, até hoje, um dos alvos preferenciais no vasto stand de tiro ao alvo do cristianismo. Não é à toa que a bronha amiga de todas as horas ocupe, desde sempre, um lugar de honra na galeria das confissões e das penitências cristãs, que seja aflição teológica, filosófica e eclesiástica das mais antigas e peremptórias. Poucas coisas dão mais prazer a um filho de deus que a prática do prazer solitário, logo, poucas coisas sofrem maior condenação por parte da igreja.
Aliás, tamanhas são a implicância e a perseguição dos padres para com o culto a Onam que não sei como a punheta não é considerada um oitavo pecado capital, ou, mais ainda, como não está registrada na Bíblia como um décimo primeiro mandamento do Senhor : Não Punhetais.
Teria deus vacilado, marcado bobeira e se olvidado de ditá-lo a Moisés? Acho difícil. Lembrem-se de suas infâncias e adolescências, leitores de meia-idade do Marreta, deus é inclemente para com os punheteiros : faz crescer cabelos nas mãos, faz crescer peitinhos, cega e deixa retardado quem fica na mariquinha, maricota, com a direita e com a canhota.
Deus ditou o "Não Punhetais" a Moisés. Tenho certeza. Mas Moisés editou o texto divino. Removeu o que seria o 11º Mandamento. O desejo à mulher do próximo tinha acabado de ser vetado no 10º Mandamento e, como se não bastasse, logo em seguida, vem o Senhor com mais essa sacanagem, proibir também a punheta? O cara já não podia cobiçar a buceta alheia, se, além disso, o cristão não pudesse sequer socar uma punhetinha, a vida se tornaria insuportável. Moisés foi sábio e piedoso para com seu povo, fez vistas grossas à punheta.
Aliás, recorri ao Google para saber o número do mandamento que proíbe que se espiche o olho e o cacete para mulher do próximo e descobri que ele vai além disso. Tendo como fonte de informação os sites http://www.osdezmandamentos.com.br/ e http://biblia.com.br/, eis o 10º Mandamento em sua íntegra : “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”
Deus é foda. Não deixou brechas legais aqui. Não pode comer a mulher do próximo nem a empregada nem o empregado - aqui Ele já proíbe também a viadagem - e muito menos o boi e o jumento - zoofilia, então, nem um lugar no Inferno o sujeito arruma depois de morto.
Agora, mais de três mil anos depois (Moisés teria vivido há cerca de 1.300 a. C), os Mórmons vêm desmascarar e reparar a falseta de Moisés. Lançaram uma espécie de errata da Bíblia e fizeram justiça (provavelmente com as próprias mãos, se é que vocês me entendem) à punheta, reconduzindo-a ao lugar de honra que sempre lhe coube no panteão dos grandes pecados cristãos. Os Mórmons fizeram muito mais do que simplesmente transformar a punheta num mero 11º Mandamento. Eles lançaram uma tábua de oito mandamentos dedicadas somente à punheta. É o Octálogo da Bronha.
Oito mandamentos que, se observados e seguidos à risca, afastam e livram o cristão do ato impuro de descascar o inhame, de descabelar o palhaço, de esgoelar o bem-te-vi, de envernizar o pescoço da girafa.
São os 8 passos do P.A., os Punheteiros Anônimos. Os punheteiros anônimos se reúnem, dão-se as mãos (o que já ajuda a evitar a punheta) e recitam : um dia de cada vez. Eis o Octálogo Mórmon da Bronha, de autoria de Mark E. Petersen, diretor da universidade e integrante do conselho administrador da Igreja Mórmon :

1 – Nunca toque nas partes íntimas do seu corpo. Evite ficar sozinho o quanto possível. Procure ficar em boa companhia.
2 – Quando tomar banho, não se admire no espelho. Nunca fique sob o chuveiro mais de cinco ou seis minutos e se vista rapidamente. Saia logo do banheiro e vá para uma sala onde esteja um membro da família.
3 – Interrompa a amizade com pessoas que têm o mesmo problema. Jamais fique junto com pessoas que possuam a mesma fraqueza. Você deve ficar longe dessas pessoas, para que sua mente se livre do problema.
4 – Se a fraqueza lhe acometer principalmente quando estiver na cama, à noite, se vista de modo a ficar difícil o toque em suas partes intimas. Coloque uma roupa que seja difícil de ser tirada, exigindo o tempo para que a tentação passe.
5 – Se na cama a tentação parecer avassaladora, vá para a cozinha para comer um lanche, mesmo que seja no meio da noite e que não esteja com fome e que tenha medo de engordar. O objetivo dessa iniciativa é desviar sua mente da fraqueza do seu corpo.
6 – Nunca leia material pornográfico e nem sobre o seu problema. Mantenha-o fora da mente. O seu padrão de pensamento deve ser mudado, para que o problema não se mantenha em sua mente.
7 – Coloque pensamentos benéficos em sua mente em todos os momentos. Tenha boas leituras. Leia livro da Igreja, como as escrituras e os sermões.
8 – Ore, mas quando orar, não ore para suplantar esse problema, para não tê-lo na mente. Reze para ter compreensão das Escrituras, pelos missionários, pelas autoridades, pelos seus amigos, pela sua família.

Do alto de minha vasta experiência empírica no assunto, garanto que nada disso funciona. Mas gostei muito do Mandamento 2. Com a primeira observação, eu concordo, isso de ficar se admirando muito no espelho é pura viadagem, o cara começa a se amar tanto que daí a pouco já começa a enfiar o dedo no cu. 
Limitar, porém, o tempo do banho não adianta porra nenhuma contra a punheta. Nem mesmo que os pais do punheteiro instalem alguma válvula ou dispositivo que corte a água do chuveiro após os cinco minutos limite, a punheta será evitada ou coibida. Punheteiro que é punheteiro, punheteiro das antigas, punheteiro de fé, sempre arruma um jeito. Se ele dispuser de cinco minutos no chuveiro, em trinta segundos, ele acaba o banho; em trinta segundos, ele lava os cabelos, atrás das orelhas, os suvacos, esfrega joelhos e cotovelos, as costas, lava até o cu. E os 270 segundos restantes, ele dedica a uma boa e relaxante bronha. Com a prática, ele até reserva os 10 ou 15 segundos finais para empurrar a porra pro ralo com o chuveirinho. Punheteiro que é punheteiro não pode ver um ralinho que já fica de pau duro. Pavlov explica. 
E a melhor parte : ficar perto de um membro da família. Ficar perto do membro de que membro da família? Do tio, do primo, do cunhado? Aí é que a coisa pode descambar ainda mais.
Punheta não é pecado, meninos! Tampouco a sua versão de saias, a siririca, meninas! Punheta não é pecado! Punheta é, ela própria, uma religião per si. Uma religião na acepção mais pura e castiça do termo latino, religare. Religar o homem à unidade perdida com o Universo. 
O sujeito vai para o banheiro - que, além sê-la de todos os bêbados, como bem disse Cazuza, é também a Igreja de todos os punheteiros -, tira a roupa, se acomoda, eleva seu pensamento às deusas, aos deuses, às deusas e aos deuses ao mesmo tempo - cada um com sua fé - e se desliga do mundo terreno; sua alma transcende livre os limites da matéria, voa albatroz pelo Cosmo. Nada religa mais o cara ao Universo que a punheta.
Por isso, a proibição. Punheta não é pecado, é religião. E, como bem sabemos, o cristianismo odeia a livre concorrência.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

É a Podridão, Meu Velho (8)

Água
(de conversa mole)
Em pedra erodida
E escaldada;
Café 
(para acordar),
Uma bomba de sódio em cada garfada
(para manter a fornalha em combustão)
E cerveja
(para dormir)
Em estômago ulcerado
E cérebro mutilado de guerra :
A Rotina fez a Poesia jogar a tolha;
O poeta, ao menos.
(não há nocautes na vida. é sempre a arrastada, exaustiva e degradante derrota por pontos, pelo cansaço, não pela falta de técnica ou de talento, pelo cansaço - o cansaço é o resumo de tudo. e sem aquelas gostosas passando com placas pelo ringue entre um round e outro).

domingo, 3 de abril de 2016

Todo Castigo Pra Corno é Pouco (23)

Biscate é artigo de luxo. Não sai barato bancar as vontades e os caprichos da puta, mas tem cara que gosta de ser mantenedor de vagabunda, se sente mais macho. Mas e quando o cara não dá mais conta de sustentar dos sonhos dela?
Fácil, pois corno sempre arruma um jeito para tudo : assume a cornagem e bota as ações do chifre para negociar na bolsa de valores, abre para o mercado de investimento, procura uma sociedade anônima, uma CIA LTDA, abre licitação, autoriza franquias da mulher.
É o corno-franquia! É o corno de Matriz ou Filial, o clássico de Lúcio Cardim, cuja autoria, muitas vezes, é erroneamente atribuída a Lupicínio Rodrigues, um de seus mais conhecidos intérpretes, o que, possivelmente, cause a confusão.
Matriz ou Filial já foi gravada por inúmeros intérpretes da MPB, de Jamelão a Chitãozinho e Xororó. A versão que eu mais gosto é a do eterno boêmio Nélson Gonçalves, se bem que ela adquire uma pegada mais de macho, mais de corno machucado mesmo, na voz da cantora Simone.
Matriz ou Filial
(Lúcio Cardim)
Quem sou eu pra ter direitos exclusivos sobre ela
Se eu não posso sustentar os sonhos dela
Se nada tenho e cada um vale o que tem?

Quem sou eu pra sufocar a solidão da sua boca
Que hoje diz que é matriz e quase louca
Quando brigamos diz que é a filial

Afinal, se amar demais passou a ser o meu defeito
É bem possível que eu não tenha mais direito
De ser matriz por ter somente amor pra dar

Afinal, o que ela pensa em conseguir me desprezando
Se sua sina sempre é voltar chorando
Arrependida, me pedindo pra ficar

sábado, 2 de abril de 2016

Cada Macaco no Seu Galho

E você, em qual livro acredita, no de Darwin ou no de deus? De quem prefere ser parente, de um gorila ou de um tijolo baiano? Qual a sua árvore filogenética? Qual é o galho em que se dependura?

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Pequeno Conto Noturno (60)

Rubens não tem TV a cabo. Nunca teve. Nem a intenção ou a vontade de. Instalou, no entanto, aliás, Calil instalou a troco de umas cervejas, uma antena parabólica, presente de Dona Jandira.
D. Jandira fora vizinha de Rubens por quatro anos, a pacata e silenciosa vizinha do apartamento à esquerda do de Rubens. Rubens nunca teve grandes vocações paleontológicas, tampouco instintos precisos de datação por carbono-14, mas estima que D. Jandira tenha já ultrapassado os sessenta, porém, que não tenha dado entrada ainda nos setenta.
Por volta das 20 horas da sexta-feira passada, a campainha de Rubens soou. D. Jandira, que estava de mudança, o que Rubens já sabia dada a movimentação dos últimos dias. D. Jandira passaria a morar com um dos filhos, que estivera fora, em país estrangeiro, durante a última década.
Disse a Rubens que estava encaixotando seus últimos pertences, as miudezas, e que o sobrinho, que a ajudaria na mudança, havia contraído dengue e ficado inutilizado. Sobretudo, precisava de ajuda com os objetos colocados em lugares mais altos, em prateleiras, em cima dos armários etc, pois subir em um banquinho ou em uma escada seria arriscado e temeroso em sua idade. D. Jandira trazia um lenço velho segurando os cabelos desalinhados e vestia um vestido surrado e empoeirado, adequados à tarefa que realizava. Rubens, que acabara de abrir o primeiro latão da noite, perguntou se podia levar a cerveja junto, e D. Jandira, meio encabulada, confessou também ser chegada a um traguinho, de vez em quando.
Dentro do apartamento de D. Jandira, Rubens viu o que imaginara que veria. Quinquilharias e badulaques de velha, um museu de pequenos cacarecos de valor sentimental, cacos de outras, e talvez mais felizes, épocas. Bibêlos, estatuetas de gesso, porta-retratos, caixinhas decoradas, camafeus, toalhinhas de crochê sobre os móveis, vaso solitários com flores artificiais, xícaras e pratos de porcelana comemorativos pelos tantos anos de idade, pelos tantos de casamento etc, souvenires de viagens de parentes e amigos - do tipo, estive em tal lugar e lembrei de você -, um quadro da Santa Ceia e toda a sorte de objetos inúteis- o saldo de toda uma vida.
Tarefa leve e fácil, recolhê-los e encaixotá-los, porém, enfadonha, o que fez com que as cervejas de Rubens descessem mais rápidas e mais urgentes goela abaixo - D. Jandira o ajudou em dois dos seis latões que levara. 
- Gosta de Altemar Dutra?, perguntou D. Jandira. Rubens gostava. 
Faltando apenas os objetos do quarto de D. Jandira para serem encaixotados, a cerveja acabou. Rubens disse que estava saindo para comprar mais, em uma loja de conveniência de um posto de combustíveis a alguns quarteirões dali, e que logo voltaria para encerrar o trabalho.
Assim que retornou ao apartamento de D. Jandira, ouviu a voz dela lhe chamar do quarto. D. Jandira havia iniciado a tarefa e o esperava dentro do quarto.
D. Jandira recendia a banho recém-tomado e a um antigo perfume de lavanda - Alma de Flores, Seiva de Alfazema, Rubens não se lembrava ao certo -, tinha se maquiado levemente - empoara-se com pó compacto, um pouco de rouge e, com sombra azul, camuflara as bolsas sob os olhos -, tinha arrumado o cabelo em coque e brincos de pedras vermelhas balançavam nos lóbulos flácidos e espichados de suas orelhas, e tinha também reforçado o Corega de sua dentadura, que exibia a Rubens num sorriso largo e murcho.
D. Jandira vestia um peignoir (penhoar) rosa translúcido, do qual, logo à entrada de Rubens, deixou escorregar pelos ombros as alças, mostrando peitos acondicionados em um sutiã de bojo, daqueles com armação de arame por dentro, vermelho.
Rubens se aproximou, pousou as mãos em concha sobre os peitos de D. Jandira e os apalpou, testando-lhes a consistência e a textura. D. Jandira inspirou fundo, arfou de olhos fechados, suspirou como quem suspira por uma antiga recordação, por um ente querido que há muito se foi. O sutiã, julgou Rubens, dava aos peitos de D. Jandira a firmeza que a vida roubara.
Ato reflexo, Rubens fez menção de desabotoar o sutiã de D. Jandira, no que foi detido por ela. D. Jandira preferia manter a ilusão, e Rubens, pensando melhor, também. Rubens aproximou a cara dos peitos dela, pôs o nariz entre eles e aspirou fundo - cheiravam a guardado, de tanto esperar. D. Jandira arrepiou-se, molhou-se e afastou um pouco Rubens de si, sentou-se na cama, de frente para ele, e levantou a barra do penhoar.
- Depiladinha, só para você - disse D. Jandira, e fez sinal para que Rubens se sentasse ao seu lado, na cama.
Não havia único pelo na buceta de D. Jandira, mas não por obra de uma gilete ou de cera quente, percebeu Rubens. A buceta estava careca naturalmente, pela idade, já não nasciam mais pelos na nela, caíram todos, gastaram.
Rubens sentou-se e D. Jandira alcançou imediatamente a boca dele com a sua. Uma língua voluntariosa, ávida, surpreendentemente forte e prênsil - o Corega tinha gosto de morango, de anestesia de dentista. Grudada feito uma ventosa à boca de Rubens, D. Jandira procurou, ainda por sobre a roupa, o pau dele, atochou a mão artrítica no meio das pernas de Rubens, esperava encher a mão, porém, o percebeu nada animado. Nada mesmo.
Mas a experiência e, provavelmente, o convívio com homens de idades próximas a dela, tornou D. Jandira em uma especialista em mastigar borracha, uma bomba de sucção humana. Fez com que Rubens se levantasse, ficasse de pé em frente a ela, abaixou-lhe a bermuda, libertou-lhe o cacete e o abocanhou. Uma autêntica Roto-rooter, uma bomba de vácuo, a boca de D. Jandira. A língua dela erguia o pau de Rubens até o palato e a boca fazia o resto, mordia, mascava, aspirava, erguia, mordia, mascava, aspirava.
Rubens se entesou e encacetou D. Jandira; inicialmente de frango assado (queria lhe testar a flexibilidade), depois deixou D. Jandira rebolar e cavalgar o quanto quis em sua rola, e a finalizou de quatro - e D. Jandira fez tanta sujeira, lambuzou-se a noite inteira.
Tomados o fôlego, o banho e as cervejas trazidas da loja de conveniência, D. Jandira quis mais, abocanhou de novo o pau mole de Rubens. Dessa vez, contudo, nem toda a técnica e a perícia de desentupidor de pia de D. Jandira estavam conseguindo dar nova vida ao pau de Rubens. D. Jandira, então, tirou sua última carta da manga, jogou na mesa o trunfo que toda mulher tem, mas que poucas costumam usar, proferiu a frase mágica levantadora de cacete, a frase que reanima qualquer pau, não importa quantas fodas ele já tenha dado:
- Rubens, come o meu cuzinho! - disse D. Jandira, sem tirar o pau da boca, apenas o empurrando pro lado com a língua. Em seguida, pôs-se de quatro na cama e empinou a rabeta pra Rubens.
Na mesma hora, Rubens sentiu o sangue afluir para a sua cabeça pensante, mas ficou apreensivo, com certo receio de que as pregas de D. Jandira não fossem aguentar a sua rola. O mesmo receio que se tem ao manipular coisas antigas, fotos, livros, roupas, o receio de que elas quebrem e virem pó ao menor toque. 
Rubens constatou, de novo com surpresa, enquanto enrabava D. Jandira, enquanto tirava e enfiava o pau até o talo no cu dela, ajudado por um creme hidratante para mãos,Vasenol, sugestão da própria D. Jandira, que se ela tinha, sim, alguma coisa de antiga, não era, definitivamente, a fragilidade de velhas fotografias; era a robustez e a durabilidade das velhas geladeiras, dos fuscas de parachoques de aço cromado.
Na manhã seguinte, na hora do almoço, na verdade, a campainha de Rubens tocou novamente. D. Jandira, que viera se despedir, agradecer a ajuda e deixar-lhe um presente, a tal antena parabólica. Não iria mais precisar dela, a casa do filho tinha TV a cabo, home theater e o escambau.
Agora, é em frente à TV, turbinada por um pacote de 31 canais da parabólica, que Rubens tenta encerrar a noite, procura por algum programa que o satisfaça ou o distraia minimamente. Trinta e um canais. E, possivelmente, Rubens pode ter passado trinta e uma vezes por cada um deles. Seis ou sete são canais abertos - Globo, Bandeirantes, SBT etc -, cinco são canais rurais, de leilão de gado, de boi, de cavalo e de porra do boi e do cavalo - Rubens surpreendeu-se com o preço de uma âmpola de porra de boi -, outros seis são canais de televendas, nove são canais religiosos, outro é um canal de esportes - canal de esportes para Rubens é o mesmo que um canal pornô para um eunuco. Restam ainda uns dois ou três que retransmitem o mesmo canal estatal educativo, mas quem é que está interessado em cultura às três da manhã, embriagado? 
Rubens pula de canal em canal, enquanto seca as latas de cerveja. Não consegue parar em nenhum. Nem nos canais de gado nem nos canais para o rebanho. Não tem interesse no resultado do jogo entre o Mirassol e o Miramar. Não precisa de um novo aspirador de pó nem de um fritadeira turbo de batatas fritas. Tampouco de algum deus pago no cartão de crédito.
A boca de D. Jandira viria bem a calhar agora, pensa Rubens, enquanto desliga a TV, entorna a última lata e se prepara para ir dormir.

quinta-feira, 31 de março de 2016

O Ministro Jararaca, por Arnaldo Jabor

“Eu sou o único cara que pode incendiar esse país... Tá pensando o quê?” Eu estou aqui em frente ao espelho e posso falar tudo que quiser... ninguém me ouve. Olho-me no espelho e vejo que eu sou o povo. Sou um fenômeno de Fé. Quanto mais me denunciaram, mais eu cresci. Eu desmoralizei escândalos, vulgarizei alianças, subverti tudo, inclusive a subversão. Agora eu voltei como uma jararaca. Ahhh. A jararaca virou ministro... vou morder esse Sergio Moro na bunda. Meus inimigos odeiam o homem maravilhoso que eu sou. Por isso querem me prender. Inveja. Não há vivalma no país tão inebriante como eu. Eu me amo. Por inveja, o Supremo Tribunal Federal também está querendo me esmagar a cabeça. Estão todos acovardados sem me defender, porque são uns neoliberais de merda — covardes... E mais: e os babacas dos presidentes da Câmara e do Senado? Estão fodidos. Se derrubarem a Dilma, caem juntos.
Agora eu chamei um novo ministro para a Justiça, o Eugênio Aragão. Ele é meio maluco, frequenta o Santo Daime, bebe ayahuasca e já começou a ‘trabalhar’; já ameaçou o diretor da PF e vai nos ajudar a atacar a República de Curitiba... Ainda bem que surgiu um macho para me defender, porque a ministra Rosa Weber nem deu bola — mal-amada... Até a minha assessora Clara Ant está com raiva, porque eu falei que ela era uma baranga... E a ingratidão daquele Janot, que eu mandei a Dilma nomear?
Mas o povo foi para as ruas, a CUT, o MST organizaram tudo. Os coxinhas ficam com medo daquela onda vermelha... Eles têm de me respeitar... Como pode um delegado, um promotor do MPF me desrespeitar...? Eu não sou um cidadão comum, como eu disse uma vez para puxar o saco do Sarney. Eu sou especial. Fui falar com o Lewandowski, que tanto nos ajudou no mensalão, e também fui traído... Ele se recusou a agir contra a república; mas, que república? Ele traiu a mim...
Eu vou secar essa Lava-Jato. Eles têm de ter medo de mim... Esse Moro está subvertendo as regras políticas de 400 anos. Sempre fomos assim; é até uma tradição... E a Receita Federal que não me respeita? Tem de ficar bisbilhotando minhas contas? Já dei um esporro no Nelson Barbosa, que fica copiando aquele babaca do Levy, querendo fazer cortes no orçamento... Que cortes? A militância não quer. Tem de cortar porra nenhuma... Tem é que aumentar os gastos públicos ainda mais para eu recuperar minha imagem. E tem mais: vou meter a mão naquele tal de fundo soberano, nas reservas internacionais do Brasil, no peito e na raça, para distribuir presentinhos de consumo para os idiotas que me amam.
E a porra do sítio em Atibaia? A ideia foi boa, botar tudo no nome dos sócios do Fabinho... Mas veio essa PF, que o Aragão graças a Deus vai arrasar, e fodeu tudo...
E aquele tríplex que comprei, atualmente em nome da OAS. Êta gente boa! Eu achei pequeno como um daqueles barracos do ‘Minha casa minha vida’ e eles reformaram tudo. A direita diz que aquelas fotos no apartamento — eu, a Marisa e o Léo Pinheiro — provam que eu sou o dono. Eu direi a eles que não prova nada, porque estávamos decidindo cor de paredes, sancas, lustres... etc... É isso aí... bicho. A OAS tem agora um novo departamento: OAS Decorações. Haha...
Espelho meu, a verdade é que eu comandei o esquema todo. Eu ia deixar toda essa grande empreitada para me salvar, na mão de incompetentes como o Mercadante? Eu me salvo! Porra, tive de bancar o bobo, dizendo que não sabia de nada... só se eu fosse um débil mental, com tudo ali à vista no Planalto, na cara.
Eu sou foda... eu fiz tudo sozinho... claro que com a ajuda dos operários, aqueles operários que acreditavam em mim enquanto eu conciliava com as multinacionais... A verdade é que eu nunca me interessei pelo bem do povo. Essa visão de um operário pensando no país é uma imagem romântica de pequenos burgueses. Operário quer é subir na vida. Fui mestre nisso. Eu odiava o calor daqueles tetos de Eternit na fábrica, aquela cachaça morna na hora do almoço. Aquele torno que cortou meu mindinho foi minha primeira grande sorte (tem gente que até acha que eu mesmo cortei...). Virei líder sindical. Foi a sorte grande. Sem dedo, descobri a massa. Eu vi a facilidade de convencer o povão de fazer o que eu quisesse. Tudo tão simples; basta falar como eles, falar de futebol, fingir de vítima, injustiçado por ter origem humilde, dividir o mundo em ricos e pobres, mentir estatísticas numa boa, falar do futuro.
Meu grande erro, espelho meu, foi não ter pegado o terceiro mandato. Botei aquela guerrilheira incompetente no poder e ela também sabia de tudo. Imagina se aquela comuna não sabia da compra da refinaria de Pasadena pela qual pagamos 300 vezes mais que o preço original... foi lindo! Mais de 3% só para o PT. Quanto deu? 3% de 1 bilhão e 200 milhões, quanto é? Sei lá... E dane-se que os ‘cerverós’ da vida meteram a mão na cumbuca... Nosso plano foi de usar a corrupção para ficar no poder, como todos sabem... ‘Fora do poder tudo é ilusão’, dizia, acho que foi Lênin, que aqueles imbecis citam muito... Só a corrupção move o país.
Ai que saudades das mãos da rainha Elizabeth — eu beijei sua mão com um vago perfume de verbena. Ai que saudades dos tempos em que eu posava com outros presidentes, com o Obama me puxando o saco dizendo que eu era o “cara”. Mas eu voltarei... e mesmo com tantos problemas, tenho compensações: como é bom ver intelectuais metidos a besta ainda me olhando com fervor, me achando o símbolo do futuro, como se eu tivesse uma foice e um martelo na mão. Como são burros esses cultos, esses intelectuais da USP/PUC reunidos para me defender... Eu confesso que não entendo como esses artistas e cancioneiros populares ignoram que eu não sou a salvação de merda nenhuma. Como é que eles conseguem se enganar tanto? Só penso em mim. Mas, graças a Deus, eles têm fé... Por isso, eu conto com esses idiotas. Suas teorias e crenças ideológicas conferem um pouco de ‘profundidade’ a mim... Claro que estou pouco cagando para suas teses, mas eles são úteis.
Eles pensam que são a revolução. Mas, eu é que sou a revolução. Eles não queriam arrasar o capitalismo?
Pois, eu consegui."

terça-feira, 29 de março de 2016

Governador Alckmin Cortou o Bônus-Propina

O governador Alckmin
Cortou o bônus-cala-boca dos professores,
O mensalão da classe docente.
Cortou o bônus-propina,
O suborno anual para que os nobres mestres,
Aprovando e diplomando,
Sem remorso nem remordimento,
Semianalfabetos,
Melhorassem os índices governamentais da educação
As estatísticas.
O governador Alckmin
Cortou o bônus-vistas-grossas dos professores :
Não trocarão seus carros nesse ano,
Seus celulares,
Terão que se contentar com as polegadas de suas tvs atuais
Não viajarão nas férias de julho.
O governador Alckmin
Tirou o doce da boca da criança,
Que,
Birrenta,
Ameaça-o
Agora
Com greve branca
(escolas da cidade já aderiram a essa canalhice hoje, e a em que eu leciono, decidiu por aderir amanhã).
Greve branca,
Arma branca,
Faca de cozinha,
De cortar pão,
Canivete de descascar laranja,
De picar fumo,
De lascar unha do dedão do pé,
Alicatinho de cutícula de madame
Contra quem detém o botão da bomba H?
Poupem-me.
Fui vacinado intrauterinamente contra a burrice, contra a hipocrisia
Contra o contrassenso.
Levantarei amanhã
Como o de costume,
Com resquícios de ressaca,
Caminharei suarento e mal-humorado a minha légua tirana,
Tomarei meu material do armário,
Beberei o café de todas as manhãs pago pelo contribuinte,
Ignorarei o burburinho 
E os ânimos acirrados dos "rebeldes"
Desprezarei a decisão da maioria
Entrarei em sala e darei minha aula
Como faço há 20 anos
Como faço a única coisa que sei fazer.
Que essa é a maneira mais divertida
Que encontrei até hoje para viver :
Ser malvisto e malfalado,
Maldito,
Entre os meus pares díspares,
Horrorizar e virar assunto das páginas dos feicibúques
Dos meus pretensamente iguais.
(e deixem que digam, que pensem, que falem)

domingo, 27 de março de 2016

Golpe é o Caralho!!!

Golpe é o caralho!!! Que ninguém mais engole essa lenga-lenga comunista de se fazer de vítima. De se fazerem de perseguidos políticos, de alvos da "elite branca". Faz quanto tempo que Lula não é mais pobre? E desde quando ele foi negro? E Dilma já nasceu "elite branca", nasceu em família de classe média alta, pai advogado e mãe professora, na época em que professor ganhava bem. Só que Dilma não quis saber de pegar no pesado e viver dignamente como fizeram seus pais, não quis saber de trabalhar, arrumou melhor e mais fácil meio de vida : virar comunista! Viver às custas do Estado.
Golpe é a puta que o pariu!!! A petezada escrota e filha da puta vai levar no rabo é a lei, é a Constituição. É a Constituição que irá enxotar essa canalhada do Planalto!!! Vejam o que diz a OAB, que também, lá na década de 90, já botou no fiofó de Collor.

‘Se é golpe, então o Supremo regulamentou o golpe’, diz OAB

Pedido de impeachment de Dilma será protocolado na Câmara nesta segunda, 28; documento histórico, de 43 páginas, acusa presidente de crime de responsabilidade por pedaladas, isenções fiscais à FIFA e manobra para livrar Lula do juiz Moro

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) irá entregar no protocolo da Câmara nesta segunda-feira, 28, o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O documento histórico de 43 páginas tem base na decisão do Conselho Federal da entidade que, por 26 voltos a dois, concluiu que a petista deve perder o mandato e ser declarada inelegível por oito anos sob acusação de crime de responsabilidade numa sequência de atos que justificariam a medida – pedaladas, renúncias fiscais em favor da Fifa na Copa do Mundo/14 e a intenção de beneficiar o ex-presidente Lula, alvo da Lava Jato, dando-lhe foro privilegiado ao nomeá-lo chefe da Casa Civil, condição que o livraria das mãos do juiz federal Sérgio Moro.
“Fala-se muito em golpe, o governo está usando muito essa versão de que é um golpe. Eu afirmo que não é golpe, é apenas a aplicação de um instituto previsto na Constituição, o impeachment, portanto, absolutamente democrático”, declara o presidente do Conselho Federal da Ordem, Claudio Lamachia.
Ele enfatiza que a Constituição é clara, no artigo 85, quando define que o crime de responsabilidade se caracteriza quando o presidente viola o texto constitucional.
Para Lamachia, a tese do Planalto e do PT de que tramam um golpe agride a Corte máxima. “Essa afirmação do governo, com tanta frequência, de que há um golpe em curso me parece ofensiva ao próprio Supremo Tribunal Federal. Se dizem que é golpe, então o Supremo, há poucos dias, regulamentou o golpe. Ou seja, tanto não é golpe que a instância máxima da Justiça, numa sessão histórica, regulamentou o procedimento de impeachment. Isso acaba com a ladainha de golpe.”
A denúncia da OAB é subscrita por Lamachia e pelo relator do processo no Conselho Federal, Erick Venâncio Lima do Nascimento. O presidente da OAB convidou para acompanhar o ato da entrega do pedido todos os 81 conselheiros federais, todos os presidentes das 27 seccionais, toda a diretoria da Ordem e presidentes de outras entidades.
O documento que será protocolado na Câmara deve iniciar com trecho da acusação contra o primeiro presidente eleito pelo voto direto pós-ditadura que sofreu impeachment. “O clamor público, a passeata dos jovens de nosso País, as praças públicas tomadas de cidadãos indignados são a demonstração da perda da dignidade de Fernando Affonso Collor de Mello para o exercício do cargo de primeiro mandatário da Nação.”
A Ordem arrola cinco testemunhas – o minstro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, o procurador do Ministério Público Federal junto ao Tribunal de Contas da União, Paulo Bugarin, o senador Delcídio Amaral, o filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, Bernardo, e Eduardo Marzagão – assessor de Delcídio.
A OAB pede reconhecimento da prática, pela presidente, dos crimes de responsabilidade e o encaminhamento dos autos ao Senado. A entidade quer imposição a Dilma da pena de perda de mandato, bem como inabilitação para exercer cargo público pelo prazo de oito anos, nos termos do artigo 52 da Constituição.
A denúncia transcreve trechos da delação premiada de Delcídio. Uma revelação do senador indica suposto interesse da presidente em nomear ministro para tribunal superior com objetivo de favorecer empreiteiros que a Lava Jato pegou. Para a OAB, ‘teria a presidente da República se utilizado do seu cargo e da prerrogativa de nomeação de ministros de tribunais superiores, que lhe é constitucionalmente assegurada, para nomear magistrado previamente compromissado a lhe auxiliar em atos que importam em obstrução da Justiça’.
A OAB avalia que também compromete Dilma seu empenho pessoal em garantir foro privilegiado a Lula, nomeando-o ministro da Casa Civil ante o risco de ele ser preso por ordem do juiz federal Sérgio Moro na Operação Lava Jato “A permissividade da presidente com relações não republicanas, externadas na aceitação, expressa ou tácita, de que o seu antecessor livre e diretamente busque junto aos seus auxiliares diretos (ministros de estado), dentre outras autoridades, a satisfação de interesses pessoais, lhe deixa à míngua das mais basilares condições para o exercício do cargo de Presidente da República’.
“Ao permitir tal grau de licenciosidade, a presidente da República afastou-se da sobriedade e da equidistância que deveria manter de apurações penais conduzidas pelas instâncias constitucionalmente competentes para, uma vez mais, praticar crime de responsabilidade, tal qual disposto no artigo 85, II, V e VII, da Constituição Federal, bem como os artigos. 9º e 12 da Lei 1.079/50.”
“Como se vê, não é um fato isolado que se está a perscrutar, mas sim, diversas condutas que, a meu sentir, demonstram de forma clara que a senhora Presidente da República se afastou de seus deveres constitucionais, incorrendo em crimes de responsabilidade que devem ser apurados pela via do processo de impeachment.
O presidente da OAB rechaça também uma outra linha de argumentação recorrente dos aliados de Dilma, a de que o País vai cair no regime de exceção. “Não vamos entrar numa ditadura coisa alguma. Nossas instituições estão funcionando. Precisamos ressaltar que essa decisão foi tomada pelo Conselho Federal da Ordem após um amplo debate nacional que envolveu as 27 seccionais e todos os seus conselheiros, todos eles eleitos democraticamente e pelo voto direto de praticamente de um milhão de advogados brasileiros.”
Lamachia enfatiza. “A decisão do Conselho foi tomada por 26 bancadas estaduais, ou seja, 26 das 27 seccionais, representados pelos seus respectivos conselheiros federais, num exame rigorosamente técnico da matéria, deliberou pelo ingresso, por parte da OAB, com uma denúncia de crime de responsabilidade contra a presidente da República.”
O presidente da Ordem destacou que a entidade que preside exerce um papel de protagonista na história do País – ele apontou para o impeachment do ex-presidente Fernando Collor (1990/1992).
“Importante salientar que a OAB, quando faz a apreciação de um caso como esse, tendo em vista esse amplo espectro de consultas que fizemos em todo o Brasil, em todas as seccionais, ela se manifesta de maneira absolutamente jurídica e sem qualquer interferência de paixões partidárias ou ideológicas.”
Lamachia afirma que a OAB se mantém à distância do agressivo debate entre situação e oposição. “A OAB se movimenta por um caminho técnico. O partido da OAB é o Brasil e a sua ideologia é a Constituição Federal. Desta forma, e tendo em mente essa responsaibliade, é que todos os conselheiros federais da Ordem e todas as suas seccionais agiram nesse processo a partir da análise criteriosa de todas as provas carreadas para os autos. As pedaladas fiscais, delações, isenções fiscais oferecidas à FIFA, a forma como se deu a nomeação do ex-presidente, tudo isso foi decisivo”, afirma Lamachia, em alusão ao fato de Dilma ter indicado Lula para a Casa Civil para supostamente lhe dar foro privilegiado e protege-lo dos riscos de um eventual decreto de prisão por parte do juiz Sérgio Moro.
O Conselho Federal da OAB, depois de tomada a decisão, passou à diretoria da Ordem a responsabilidade pela decisão sobre uma nova proposta ou de apenas um aditamento ao processo já existente na Câmara. Decidiu-se por um novo pedido de impeachment.
“A grande solução para esse capítulo da nossa História é a celeridade na apreciação do pedido de impeachment da presidente, uma resposta que a sociedade não pode mais contornar.”
Claudio Lamachia pondera que a ação da entidade que preside ‘não se mistura em hipótese alguma’ aos discursos da oposição. “A OAB não é do governo nem é da oposição. A OAB é do cidadão, tem um compromisso com a defesa do Estado democrático de Direito e com a Constituição. A Ordem está buscando sim combater a impunidade e a corrupção no nosso país. Se a OAB detectar qualquer ato atentatório à dignidade, qualquer ato atentatório à lei, qualquer ato de corrupção, seja de que partido for, ela estará sim buscando que essas pessoas sejam responsabilizadas, garantindo sempre a todos, seja presidente da República, seja senadores, deputados, seja agentes políticos da oposição, o devido processo legal e direito de defesa que, aliás, a presidente da República vai ter no no Congresso nacional.”
“Hoje vivemos não apenas uma crise política e econômica, mas acima de tudo uma crise ética e moral sem precedentes no Brasil. Precisamos de uma resposta rápida das nossas instituções e do Poder Judiciário”, prega Claudio Lamachia.
Um detalhe desconforta o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil na missão de levar à Câmara o pedido de impeachment de Dilma. O presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), é alvo de uma outra ofensiva da OAB, que pediu seu afastamento. “Me causa incômodo também que o processo de impeachment seja despachado ou admitido ou não apreciado pelo presidente da Câmara. Porque a OAB já se manifestou abertamente pelo seu imediato afastamento da sua função. A permanência dele (Eduardo Cunha) na Câmara dos Deputados conspira contra o devido processo legal porque está sendo processado pela Comissão de Ética e tem usado sistematicamente o seu cargo para atrapalhar e procrastinar o processo.”
Para Lamachia ‘é algo equivocado o País ter que conviver com pedido de impeachment da presidente da República sendo despachado pelo presidente da Câmara, uma situação esdrúxula’.
“Ele (Eduardo Cunha) pode indeferir (o pedido da OAB), pode mandar arquivar. O que eu não quero é um ato político com ele. Afinal, estou pedindo o afastamento dele também. Por isso, vamos entregar uma cópia do pedido de impeachment ao presidente da Comissão de Ética. Ele terá conhecimento dos nossos argumentos jurídicos.”
Para evitar o encontro pessoal com Eduardo Cunha, réu da Lava Jato, o presidente da OAB entregará o pedido de impeachment no protocolo da Câmara dos Deputados.

Moço do Disco Voador

Quem voando visse, 
Lá das alturas de urubu, 
Minando da terra essas vesículas amarelas, 
Acnes em pus em rosto pueril, 
Emudeceria de comoção.  

Quem voando visse 
Tais ipês amarelos em errática formação 
Verteria uma lágrima, 
Sem sentir e sem porquê. 

Quem voando visse 
Esses bandos enraizados de canários com pétalas 
Até pensaria 
Que aqui é um bom lugar para se viver.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Lula Pretende Pedir Asilo Para a Máfia Italiana

Do Blog do Aluízio Amorim:

Exclusivo! Reportagem-Bomba de "Veja" Revela o plano secreto de Lula para evitar a prisão : pedir asilo à Itália e deixar o Brasil.
"A revista Veja que chega às bancas neste sábado vem com mais uma reportagem-bomba exclusiva: o plano secreto de Lula para evitar a prisão e pedir asilo à Itália e deixar o Brasil. Lula escolheu a Itália para escapar da cadeia porque a descendência italiana de sua esposa conferiu à família a dupla cidadania.
Numa crise que já revelou tramas e enredos antes inimagináveis, nada mais parece capaz de provocar surpresa nem espanto - e, no entanto, surpresa e espanto insistem em aparecer, diz a reportagem-bomba de Veja.
Se os "coleguinhas" da revista Veja pensavam que já tinham visto tudo estão enganados. Esse engano deriva do fato, como a maioria da grande mídia faz, de afastar de suas reportagens e análises políticas aquilo que é fundamental: o PT é um partido comunista. Haja vista que Lula, sob as ordens de Fidel Castro, é o fundador do Foro de São Paulo, a organização transnacional esquerdista destinada a comunizar todo o continente latino-americano e o Caribe. Para este blog não há nenhuma surpresa. Se pensam que já viram tudo estão enganados. Cumpre notar que o aparelhamento da grande mídia por parte do PT é tamanho que a revista Veja sobressai como um dos poucos veículos que não sucumbiu por inteiro à nefasta ocupação esquerdista. Há ainda uma chama libertária, embora tênue, ardendo no meio da redação.
E não foi por falta de aviso que tudo isso está vindo à tona. Há quase uma década escrevo sobre esses temas políticos com enfoque para a natureza ideológica do PT e como agem os comunistas. Mas o primeiro jornalista a revelar esse plano comunista diabólico foi Olavo de Carvalho que, perseguido nas redações da grande mídia, resolveu viver nos Estados Unidos. E a grande imprensa nacional continua perseguido Olavo de Carvalho ao tentar ignorá-lo. 
Segundo Veja, a reportagem apurou o fio da meada que leva a um plano secreto destinado a tirar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil, caso sua prisão seja decretada. O plano prevê que Lula pediria asilo a uma embaixada, de preferência a da Itália, depois de negociar uma espécie de salvo-conduto no Congresso, que lhe daria permissão para deslocar-se da embaixada até o aeroporto sem ser detido - e, do aeroporto, voaria para o país do asilo.A cronologia do plano lulístico para escapar das malhas da lei foi descoberta por Veja e a partir deste sábado estará disponível nas bancas e para os assinantes digitais da publicação daqui a pouco já estará disponível.De toda a sorte, a reportagem-bomba de Veja é super importante e joga um poderoso facho de luz sobre a penumbra produzida pela maioria da grande mídia vagabunda e aparelhada pelos acólitos de Lula e do PT. Sob essa penumbra pululam - perdoem o trocadilho - os grão-petralhas que formam o comitê central do PT e que, pasmem, dão as diretrizes editoriais de jornalões e redes de televisão.
Há centenas de jornalistas envolvidos no esquema do golpe comunista do PT. Quem viver verá."

quinta-feira, 24 de março de 2016

Huuummm, Esse Degusta...

No sábado passado, encontrei uma amiga num atacadão aqui do bairro onde costumo comprar minha cerveja - é, cerveja pra mim tem que ser no atacado, cervejinha a varejo, duas ou três latinhas, é coisa de florzinha, de perobo.
Ela estava lá - cada qual com seus vícios - comprando granola, sementes de girassol, linhaça, aveia, ameixa seca, essas coisas que as mulheres de meia-idade ficam comendo para o bom trânsito intestinal, para desentupir o cu - então, eu disse a ela de um método muito mais eficaz, e muito mais divertido e prazeroso, de desentupimento do cu, ela riu e disse que eu não mudo mesmo, que não tomo jeito. Não sei porque ninguém leva a sério o que eu digo.
Zombou da minha cerveja. Disse que nunca tinha visto aquela marca - a boa e barata Glacial -, falou que devia ter sido a mais barata que encontrei. Confirmei. Fora mesmo a mais em conta, R$ 1,09 a latinha, disse a ela, com orgulho do resultado de meu garimpo.
Acusou-me de sovina, de canguinha, de mão de vaca. Professor ganha mal, é verdade, mas dá pra comprar uma coisinha melhor, não dá, não?, espezinhou-me. Perguntou se eu não gostava de uma cerveja artesanal, sem saber que estava a cutucar vespeiro com vara curta.
Antes que eu perguntasse - meus reflexos de resposta estavam um tanto quanto lentos, pois me concentrava para não mandá-la tomar no cu - como ela se tornara uma connoisseur de cervejas, uma sommelier, pois a sei uma abstêmia (de novo, cada um com seus vícios), ela me respondeu. E cavou a própria cova rasa.
Revelou-me estar de caso com um sujeito - ela tem idade próxima à minha, é descasada, avulsa, e enceta sistematicamente relacionamentos fátuos e fugazes - que tem como hobby as cervejas artesanais. Contou-me, inocente, pura e besta, que eles saem, sentam-se à mesa de um estabelecimento especializado em cervejas artesanais e ele passa mais de hora a degustar uma única garrafa de cerveja. Ele dá golinhos homeopáticos, bochecha a cerveja, deixa-a repousar um tempo na língua e vai versando sobre o bouquet, sobre o amargor do lúpulo, sobre as notas frutais ou defumadas etc etc. E pede, como acompanhamento, uma porção de comida que harmonize com o espírito daquela cerveja, que não entre em conflito com as especiais propriedades dela.
Ri sem sorrir. Dei um tapão, como quem afugenta o Aedes aegypti ou o Lula, no anjinho sobre o meu ombro direito e fiquei só com o capetinha, no esquerdo. Estava na hora do pau, como diria Ben Grimm, o Coisa. Estava na hora do Azarão, como diria eu mesmo.
Perguntei-lhe, então, há quanto tempo haviam começado com o affair, quantas vezes tinham saído juntos. Há cerca de dois meses, e uns cinco ou seis encontros tinham se dado - ele trabalha em outra cidade e chega tarde e cansado.
Ele já te comeu? - mandei na lata.
Ela riu de novo, disse de novo que eu não me emendava mesmo etc, mas não um riso de troça como o que expressara quando se referiu à minha cerveja, sim um riso meio triste, decepcionado.
Já te comeu? - insisti.
Não. O degustador ainda não tinha lhe dado uma boa pirocada. É um sujeito fino, requintado, respeitoso, que gosta de ir devagar, construir lenta, porém, solidamente, um relacionamento. Mas que ela tinha esperança de que no encontro que eles teriam à noite, ele faria amor com ela. Respeitoso é o caralho; solidamente é a puta que o pariu! O que esse cara não deve ter de sólido é a benga. Só o cara broxa é que é respeitoso, que não tenta comer a mulher logo no primeiro encontro. Dentro do carro. No elevador, se bobear.
Continuei. Disse que não queria desanimá-la em relação ao seu novo rapaz, longe de mim agourar alguém, mas que um cara que passa mais de uma hora degustando uma cerveja, com certeza, passa umas duas ou três degustando uma boa rola. Nem precisa caprichar muito na produção para o encontro de hoje, aconselhei. Nem precisa usar lingerie nova. Nem precisa aparar os pelos da buceta. Não vai rolar.
Ela riu, de novo. Agora, um riso apreensivo, amarelo. Falou que ainda tinha umas coisas pra comprar e saiu.
Espero que eu tenha baixado as expectativas dela para o tal encontro com o degustador. O que será bom para ela. Para os dois, na verdade. Se o cara realmente não compareceu, a frustração dela foi menor, ela já fora alertada para essa possibilidade. Se, contrariando meus prognósticos, o cara passou-lhe a vara, ainda que pequena, ainda que meia-bomba, ainda que fazendo cara de nojinho, ainda que uma foda rapidinha, de galo, ela, psicologicamente esperando pelo pior, deve ter se deliciado, se esbaldado. E o cara ainda foi pra casa com fama de metelão.
Cada vez mais concluo que essa é missão para a qual vim ao mundo : distribuir esperança e alegria por aí.
Já fora do mercado, a caminho de casa, numa dessas associações mentais involuntárias, aleatórias e sempre mal-intencionadas e canalhas, lembrei do grande Renato Aragão e de seu alter ego Didi. Não do Didi de hoje, do Didi da Turma do Didi, aquele bando de debiloides do quinto escalão do elenco da rede Globo. Sim do Didi dos impagáveis e politicamente incorretíssimos Os Trapalhões. Sim do Didi Mocó Sonrizep Colesterol Novalgino Mufumbbo, Mufumbbo com dois "bês" e Mocó com dois acentos no ó.
Mordaz, sacana e boca do inferno que só ele, Didi Mocó criava vários eufemismos para se referir à viadada. Rapaz alegre, possivelmente, é o mais famoso deles. Mas o que eu mais gosto é o "huuummm, esse camufla...". A bichinha passava, toda saltitante e serelepe, Didi a olhava de soslaio, levava as pontas dos dedos à boca, como forma de reprimir e esconder o riso de mofa, e dizia : "huuuummmm, esse camufla...".
Sem, obviamente, as mesmas genialidade e verve histriônica de Didi Mocó, sem a intenção/presunção de cunhar expressão de mesma força e significância, sabendo-a tão somente uma sofrível e pálida cópia da original, veio-me, à sempre desocupada mente, uma versão do "huuumm, ele camufla...", uma adaptação para os sommeliers de cerveja, vinho etc (isento dela, aqui, apenas os sommeliers de buceta, e os de cu, também). Surgiu-me : "huuuummmm, esse degusta..."
Se o sujeito, cara leitora do Marreta, estiver lá, no bistrô ou no pub, sentado naqueles banquinhos de pernas longas, com as pernas (as dele) cruzadas uma sobre a outra, o pezinho (com sapatênis) balançando, lendo uma publicação especializada em cerveja, bebericando, dando golinhos homeopáticos numa cerveja artesanal, lendo e analisando detidamente o rótulo e fazendo caras de que está a provar da ambrosia e do néctar dos deuses, de que está a chafurdar nos peitos de Vênus, não tenha dúvidas: "huuummm, esse degusta...".

Moro Não é o Vilão, Por Rogério Gentile

"O governo e o PT tentam transformar Sergio Moro no vilão do escândalo da Lava Jato. O juiz, que já foi chamado de golpista, de ditador e até mesmo de gângster, é acusado de atentar contra a soberania nacional, imputação que comprova a ilimitada capacidade do ser humano de proferir asneiras.
Moro –não custa lembrar às viúvas do Lula de 1989– nunca foi líder do partido envolvido na pilhagem da Petrobras, tampouco obteve benefícios de empreiteiras ou levou centenas de objetos pessoais para um sítio que não lhe pertence –a perícia não achou nenhuma peça dos alegados donos do imóvel na propriedade.
O magistrado cometeu erros nesses dois anos da operação? É provável, ainda que mereça muito mais elogios do que críticas. Cabe à própria Justiça fazer um exame das suas decisões –ao ordenar a Moro o envio da apuração sobre Lula ao STF, Teori fez críticas à atuação do juiz no episódio das escutas do ex-presidente.
Ainda que Moro tenha agido de modo inapropriado na divulgação das conversas, sua conduta não pode ser utilizada como cortina de fumaça para a estarrecedora operação de obstrução das investigações efetuada por Lula e Dilma.
O ex-presidente orientou o ministro da Fazenda a pressionar a Receita por conta das auditorias no Instituto Lula, derrubou o da Justiça por considerar que ele não tinha controle da Polícia Federal e exigiu que o sucessor cumprisse "papel de homem" –ato contínuo, o novo titular ameaçou trocar toda a equipe da PF.
Dilma, por sua vez, nomeou para o ministério um aliado que é alvo de pedido de prisão, beneficiando-lhe com o foro privilegiado. Para a OAB, cometeu crime de responsabilidade.
Moro, deveria ser desnecessário dizer, não é o problema.
*
Chico Buarque reprimiu um artista por expressar sua opinião e foi aplaudido pela crítica. É difícil saber o que causa mais espanto."