quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Escola Sem Partido, Já

Fora com os doutrinadores comunistas disfarçados de professores, de educadores. Fora com a canalha comuna a arrebanhar e a aliciar os nossos filhos para a militância e para a vagabundagem. Tratar de educação cívica e política nas escolas, sim; catequese, lavagem cerebral partidária, não!
O Marreta apoia, incondicionalmente, o movimento Escola Sem Partido. Pau na moleira dos professores comunistas que bem gostam do salário que os pais e/ou o Estado capitalistas lhes pagam. Pau na lomba dos comunistas de facebook, dos comunistas que carregam seu iphones, ipods etc. Pau no cu desses Ches Guevaras de jaleco, giz e apagador.
Pais, exijam saber o que está sendo imposto, empurrado goela abaixo de seus filhos nas aulas de história, geografia, sociologia, filosofia e outras que tais.
A escola já é laica, sem religião. É urgente que também se torne apartidária, por força de lei se preciso for.
Escola sem Partido. Já.

Você Tem Fome de Quê?

Quem recebe e se utiliza de cartão de vale-alimentação para fazer suas compras no supermercado, sabe que algumas redes não aceitam tal forma de pagamento para bebidas alcoólicas. Na primeira vez em que me deparei com esse obstáculo, perguntei à moça do caixa sobre o porquê : cerveja não é considerada um gênero alimentício, ela me informou.
Eu, normalmente, por conta própria, já faço essa separação. Não costumo mesmo comprar cerveja nem no meu miserável e patético cartão de migalhas que recebo do Estado nem no mais bem fornido vale-alimentação (que passarei a representar daqui em diante por V.A.) de minha esposa. É coisa minha. Gosto de saber mais ou menos dos meus gastos mensais nos diversos setores que nos comem pela perna e nos arrancam o couro, para que, numa eventualidade, numa época de vacas menos gordas, eu saiba exatamente por onde posso e devo cortar alguns excessos, algumas gordurinhas do orçamento.
Mas, eventualmente, em meio a uma compra um pouco maior, até jogo umas três ou quatro latinhas lá no meio. Não vejo problemas. Tem quem vê.
A exemplos, a nacionalmente conhecida Carrefour e a paulistanamente conhecida rede de atacados Assaí não aceitam o V.A. como paga da sacrossanta cerveja. Preconceito puro. Sem nenhum fundamento lógico. Discriminação braba contra o bebum. E tenho provas irrefutáveis do que afirmo.
Dia desses, ontem para ser mais exato, eu passei pelo Assaí para comprar uns víveres e outros que tais, e acabei aproveitando uma oferta de cerveja, comprei um fardo da boa e barata Proibida Puro Malte (a do rótulo preto, que a do vermelho não é grande coisa) para tomar no fim de semana.
Ao colocar minhas compras na esteira do caixa, já fiz a separação, primeiro o fardo de cerveja e, logo atrás, guardado um certo espaço entre eles, os outros produtos - primeiro os gêneros de primeira necessidade, depois os supérfluos -; eu pagaria a cerveja com dinheiro e o restante com o V.A.
A operadora do caixa, quando viu o cartão alimentação na minha mão, foi logo recitando a programação lhe inculcada em seu treinamento :
- Senhor, não pode pagar bebida alcoólica com V.A.
Eu disse que já sabia e que iria pagar em duas contas separadas. Ela passou a cerveja e eu paguei em espécie. Então, ela foi passando os outros produtos, um frango congelado, um pedaço de muçarela, um pão de forma, um pote de maionese, duas caixas de suco de laranja, mais duas de leite integral e, só me caiu a ficha na hora, também alguns produtos de limpeza, um pacote de sabão em pedra, umas buchas de lavar louças - daquelas amarelas de um lado e verde do outro -, um litro de água sanitária e três tubos de detergente. A moça passou tudo aquilo e cobrou a conta toda no V.A., sem nenhum problema ou ressalva.
Pããããããããta que o pariu!!!! Quer dizer que cerveja não é considerada gênero alimentício e uma barra de sabão, sim?
Como todos sabem, nós temos duas consciências opostas, conflitantes e em eterno litígio a nos aconselhar e a nos dar ideias. São aqueles famosos anjinho e diabinho, cada qual em um de nossos ombros, que ficam disputando nossa alma. O primeiro só nos inspirando bons sentimentos e boas ações; o segundo a fomentar maus pensamentos, que são sempre os melhores. Pois bem. Se além do diabinho no ombro esquerdo, eu tiver também um anjo no direito, esse anjo é o caído, é o Lúcifer. Eu não penso nada que preste. Só penso em canalhices e sacanagens, embora quase nunca as ponha em prática.
Na mesma hora, veio-me a ideia de pedir à moça do caixa que me chamasse o gerente - sim, o gerente, pois a moça não tem culpa nenhuma, só segue ordens. Assim que o gerente - de gravatinha, sapato de verniz e gel no cabelo - chegasse até mim com seu passo altivo, orgulhoso de seu pequeno poder, eu lhe perguntaria por que não pude pagar a cerveja no V.A. 
Ele ajeitaria a gravata, empertigaria-se, colocaria-se levemente na pontas dos pés, para tentar se pôr num patamar superior ao meu, empostaria a voz e diria que cerveja não é alimento.
Aí, ele teria caído na minha armadilha, aí, ele teria me dado a deixa de que eu precisava. Cerveja não é alimento, e sabão em pedra, detergente e esponjas lava-louças, são? - eu lhe perguntaria. Ele gaguejaria, ensaiaria sons desconexos enquanto tentava organizar seus pensamentos. Eu, claro, não lhe daria tempo.
- Pegue esse sabão em pedra aqui - eu começaria a minha artilharia -, come um pedaço pra eu ver, vai, dá uma boa duma mordida. Ele começaria a suar e a ficar impaciente, rir aquele risinho amarelo, sem graça.
- Não? Não aprecia a marca, Minuano? Tudo bem. Posso trocar por uma de sua preferência, Ypê, Brilhante, qual prefere? Ah!!! Pelo jeito, você é um gourmet. Não há problemas, posso tentar providenciar um sabão artesanal, caseiro.
Ele, afobado, começaria a olhar para os lados, à procura de algum segurança.
- Ah, está de regime? Tudo bem. Então, só tome um gole desse suquinho de tensoativo, detergente para os menos letrados. Não lhe agrada o neutro? Tem aqui também um de laranja e outro de coco.
Pããããããta que o pariu!!!
O caralho que cerveja não é alimento. Diga isso para a minha incipiente e crescente  barriga. A cerveja é rica em minerais como o cálcio, o fósforo, o sódio e o potássio, o que a torna uma excelente repositora de eletrólitos, um gatorade de macho. É rica também em vitaminas, sobretudo as do complexo B; a B1, que auxilia no funcionamento dos nervos e músculos, a B2, que colabora para a manutenção dos tecidos, e a B5, que age no metabolismo de carboidratos e gorduras. Além, é claro, dos carboidratos do malte e da cevada.
Não é alimento? O caralho que não.
E isso dizendo só das necessidades do corpo. E para a alma, então? Aí é o próprio maná, a própria ambrosia. Um bom canecão de cerveja fortalece minha esquálida e triste alma tanto quanto uma lata de espinafre anaboliza os bíceps do Popeye. Dá-lhe não somente asas, que isso é slogan de outra bebida para viadinhos, acopla-lhe também turbinas, reatores atômicos, propulsores fotônicos, feito os da Enterprise.
Mas ainda existem territórios livres nos quais os machos das antigas podem exercer seu livre arbítrio. Há, aqui na região, a rede Savegnago de supermercados, que aceita na boa o V.A. na compra de cerveja. Não faz distinção, não discrimina nem faz perguntas sobre a origem do dinheiro; dinheiro bom é dinheiro em caixa. Um verdadeiro paraíso fiscal, o Savegnago.
Pau no cu do Carrefour e do Assaí. Vida longa ao Savegnago e a todos os outros mercados de boa vontade.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

E Não Mais Tornarei a Falar de Ti (Ou : Um Réquiem para Christopher Reeve)

Correu. 
Mais rápido que o mais rápido valha, 
Corisco, arisco : uma bala. 
Correu, mas nunca do risco, 
Nunca da batalha. 
E estamos, hoje, um pouco mais medrosos 
Sem você a lutar por aí.  

Saltou. 
Alto, alturas sem esforço nem sacrifícios. 
Saltou impunidades, injustiças, 
Himalaias e precipícios. 
Num único salto, as solas vermelhas de suas botas 
Passando por King Kongs em seus edifícios. 
E andamos, hoje, de cabeças bem mais baixas 
Para não constatarmos o seu não-mais-saltar por aí.  

Voou. 
Não como um pássaro; que pássaro que nada. 
Voou como só gente pode voar. 
De punhos cerrados, dentes trincados, 
Com urgência : 
Voou sem nunca o voo aproveitar. 
E estamos, hoje, de asas e sonhos podados 
Respiramos com mais cuidado sem você a voar por aí.  

Sangrou. 
Sangrou raramente, é fato. 
Mas agora que o fez 
O fez pra valer, o fez sem recato. 
E que hemoglobina que nada! 
Sangrou todas as lágrimas de um povo, 
Sangrou em definitivo, sangrou de verdade. 
Colhido em foice de lâmina verde, 
Sangrou no clarão manso de um luar de jade. 
(Seu túmulo : uma cicatriz na face agora menos risonha do planeta) 
E o mundo tornou-se, hoje, ainda menos seguro 
Sem você a sangrar por nós, por aí.

Cavalariço

Minha pele não transpira: sangra. 
De um sangue sem cheiro, sem cor, 
Sem céu nem pigmento. 
Que escorre e se empoça em angras, 
Residência de destroços, serpentes marinhas, 
Holandeses voadores em lamento. 

Minha pele não é quente: tem febre. 
De pouca caloria, branda, imberbe. 
Sem tiritar, calafrios, sem licença médica, 
Sem drama; 
Pouco além dos 37, dispensando vitamina C, 
Banho gelado e cama : febre diplomática. 

E é com igual parcimônia, 
Assim tão desprovido de viço, 
Tão servil, cavalariço, 
Sem vigor tampouco flama 
Que meu coração bate no peito 
E diz (acha) que ama.

domingo, 31 de julho de 2016

Um Velho e Cansado Superman

Não sei se alguém que me lê assistiu à série Smallville, que narra a trajetória do adolescente Clark Kent rumo à sua transformação no Superman, o Homem de Aço. A concepção da série é muito boa, como também foram muito boas as suas duas primeiras temporadas; então, aconteceu o que de pior pode acontecer com uma boa série : o sucesso e a consequente e nefasta necessidade de agradar ao público. Da terceira ou quarta temporada em diante (foram dez), a série virou mais um novelão e lá pela quinta ou sexta temporada, eu deixei de vê-la.
Mas um episódio em especial teve um forte impacto em mim. Clark Kent (o jovem Tom Welling) fica sabendo de um astrônomo, Dr. Virgil Swann, que teria informações da localização do planeta Krypton, do setor do espaço em que Krypton existira antes de explodir. Clark Kent se encontra com o cientista Swann e o tal é ninguém mais ninguém menos que Christopher Reeve, o eterno e definitivo Super-Homem do cinema.
Uma belíssima homenagem. De arrepiar a minha casca grossa. O encontro do jovem Superman com o antigo Super-Homem - Christopher Reeve ficou tetraplégico em uma queda de um cavalo, em 1995. 
O episódio foi ao ar no dia 15/04/2003 (Christopher Reeve morreria em 10 de outubro do ano seguinte, 2004) e promoveu o encontro de duas gerações do herói. Uma bela homenagem, repito. Mas também triste pra caralho. Não sei para Christopher Reeve, mas para mim, sim.
Coloquei-me - fui colocado sem me dar conta - no lugar do tetraplégico ex-filho de Krypton a olhar para o atual herdeiro da égide do "S". A olhar, só podendo mesmo mexer os olhos, o que ele tinha sido há poucas décadas. O cara voava e fazia o planeta rodar ao contrário para fazer voltar o tempo e salvar Lois Lane e, agora, estava lá, paralisado do pescoço pra baixo, a olhar para uma sua antiga fotografia que ganhara vida, carne e poderes sobre-humanos.
Fiquei mal por ele - por mim, que a idade já vinha me impondo o seu peso - e saiu o escrito abaixo.

UM VELHO E TRISTE SUPER-HOMEM 
(AN OLD AND SAD SUPERMAN) 
Gosto, mas faze-me mal olhar pra ti 
Faz-me lembrar do que já tive 
Tens tudo o que perdi. 
Fico uma folha em branco a contemplar uma biblioteca, 
Pedra de pirita frente a todo ouro Asteca. 

Gosto, mas dói-me demais o teu sorriso 
Lembra-me de quando era poderoso como ti 
Pra depois me ver reles, motivo de riso. 
Fico um fósforo encarando estrela de primeira grandeza, 
Verme mirando olímpica beleza. 
Olhar-te é me olhar num espelho 
Onde o tempo, às avessas, flui 
Olhar-te é, num cruel reflexo, 
Olhar como já fui; 

Gosto de ti mesmo assim. 
Mas o que não suporto são teus olhos. 
O pior são os olhos teus 
Azuis, pólos magnéticos 
Faiscando com o poder de um semideus. 
O pior são teus olhos 
Azuis, telecinéticos 
Alçando-te a saltos, vôos estratosféricos. 
O pior são teus olhos 
Azuis, bondosamente enérgicos. 
Ante a eles, meus olhos são baços, cansados : 
De um super-homem tetraplégico. 

sábado, 30 de julho de 2016

Bukowski, Camas, Banheiros, Você e Eu...

camas, banheiros, você e eu... 
pensando nas camas
usadas e reutilizadas
para trepar
para morrer.

nesta terra
alguns nós trepam mais do que
nós morremos
mas a maioria de nós morre
melhor do que
trepamos,
e morremos
bocado a bocado também -
em parques
tomando sorvete, ou
nos iglus
da demência,
ou em esteiras de palha
ou sobre amores
desembarcados
ou
ou.

:camas, camas, camas
:banheiros, banheiros, banheiros

o sistema de esgoto humano
é a maior invenção do
mundo.

e você me inventou
e eu inventei você

e é por isso que nós não
damos
mais certo
nesta cama.
você era a maior invenção
do mundo
até que resolveu
me mandar descarga
abaixo.

agora é a sua vez
de esperar que alguém aperte
o botão.
alguém fará isso
com você,
puta,
e se eles não fizerem
você fará -
misturada ao seu próprio
adeus
verde ou amarelo ou branco
ou azul
ou lavanda.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Empoderamento Feminino

De uns tempos para cá, uma nova palavra de ordem foi adicionada à escrota cartilha do politicamente correto, o empoderamento feminino. De uma hora pra outra, ou, pelo menos, no que me pareceu ser de uma hora pra outra, cartazes, folhetos explicativos e até pichações com bravatas do tal empoderamento feminino começaram a pulalar e a poluir visualmente o ambiente.
Em postes, nos pontos de ônibus, nas costas das bancas de revistas, nos muros etc, ONGs feministas a convocar suas recrutas para a guerra. Guerra contra quem? Ora, contra quem... Contra o homem, branco e heterossexual, o mal do planeta, o inimigo de tudo que se move, o algoz da Criação; isso, claro, segundo os encostados, oportunistas, incapazes e mal-intencionados que abraçam fervorosamente o discurso do politicamente correto, que se autovitimizam como meio de vida. 
Se você é HBH - homem, branco e heterossexual -, deve ter vergonha de si mesmo, deve se desculpar com todo o resto da humanidade, a qual você tanto oprime e explora. Se você é homem, todos os problemas que se colocam perante as mulheres são culpa sua, até a menopausa é culpa sua; se você é branco, todas as injustiças enfrentadas pelos negros, pelos judeus, pelos orientais, pelos árabes, pelos indígenas, pelos aborígenes, pelos incas venusianos etc, são culpa sua; se você é heterossexual, todos os reveses que ocorrem na vida dos LGBTs são de sua responsabilidade. Você é o cancro do planeta. Ora, porra, vão todos à merda. Todos enfrentam problemas, injustiças e sofrem reveses na vida, o tempo todo; mas só os acomodados, só os braços curtos os atribuem ao seu gênero, etnia ou orientação sexual.
Para me informar corretamente do que seria a porra do empoderamento feminino, fui a uma fonte de consulta confiável, ao site da ONU, mais especificamente ao da ONU Mulheres Brasil. E lá está : "promover a equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia são garantias para o efetivo fortalecimento das economias, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças, e para o desenvolvimento sustentável".
Equidade, atividades sociais, impulsionamento, desenvolvimento sustentável... Tudo lugar-comum, tudo clichê. Só não tem mais chavão por falta de frase. E todas essas paridades, claro, obtidas apenas na base do discurso, do blá-blá-blá, da lenga-lenga. Trabalhar que é bom para tal, nada. Quer equidade, paridade e blá-blá-blá? Trabalhe, estude e se mostre tão produtivo e necessário quanto aquele que você tanto inveja; torne-se tão competente quanto ele, não o culpe por ser mais capaz que você, isso é problema seu.
Não obstante a sabedoria de para-choques de caminhão por detrás do tal empoderamento feminino, eu lhe sou simpático. Fazer o quê, meninas? Todo mundo tem um ponto fraco, vocês são o meu, por que não?
O Marreta dá o maior apoio ao empoderamento feminino.
Empoderem-se, meninas, empoderem-se de todos os cargos, postos, posições, cidadelas e fortalezas outrora exclusivas do homem (quanto mais vocês trabalharem, menos precisarei eu), empoderem-se das lanças, das clavas, das maças e dos tacapes, cacem o mamute em nosso lugar, dos trogloditas, empoderem-se de nossa frieza, insensibilidade, truculência, ganância e ambição desmedidas, empoderem-se de nossos cabelos no sovaco, empoderem-se do estresse, dos infartos fulminantes, das horas a menos passadas com os filhos, empoderem-se também das contas do bar e do restaurante, da chave de roda para trocar o pneu, do choque de 220 V na hora de trocar a resistência do chuveiro, da força descomunal para abrir o vidro de palmitos ou o de azeitonas, do serviço militar obrigatório.
Empoderem-se, meninas, sobretudo e por favor, de nossas picas. Empoderem-se delas com unhas e dentes, com lábios de batom carmim e saliva, com rabos e buças. Empoderem-se meninas, empoderem-se. 
Isso sim é uma bela duma empoderada!

em tempo : se isso de pleitear equidade for mesmo sério - não é, sempre há um desejo de privilégios por detrás de cada causa igualitária -, que tal começarmos, homens e mulheres, a nos aposentar com mesma idade e tempo de contribuição, e não com cinco anos a menos para o sexo "frágil"?

Fim das Férias

Aqui pra porra do trabalho.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Pequeno Conto Noturno (65)

Duas horas da manhã. Rubens pega a penúltima lata de cerveja na geladeira e vai verificar sua caixa de e-mails. Sim, Rubens tem lá o seu antigo e-mail, não é um completo homem das cavernas, embora considere que será justamente toda essa tecnologia que levará o homem de volta às cavernas, mas isso é outra estória.
Rubens não abre seus e-mails todos os dias. Uma vez por semana, quando muito. Sendo mais frequente a cada duas. E o e-mail de Rubens é igual à sua caixa de correio real : ou está vazio, ou repleto de propagandas. Se abre seus e-mails agora, é na espera da resposta de uma provocação feita a um velho amigo velho. A resposta do amigo não está lá.
Quatro mensagens de Yrina, sim. Depois de o quê, cinco, seis anos?
Na primeira, enviada às 22:43 h, Yrina diz que está por perto do apartamento de Rubens, que conseguiu um álibi e toda uma conjuntura de fatores favorável a uma pequena, rápida e clandestina incursão noturna, tomarem uma gelada juntos, dentro do carro, pelos velhos tempos, e informa o endereço da loja de conveniência onde se encontra no aguardo de Rubens; na segunda mensagem, às 23:01 h, apenas 15 minutos depois, Yrina diz já se sentir uma idiota, sentada dentro do carro, tomando as cervejas que queria tomar com ele; na terceira, às 23:19 h, Yrina diz que está em outro lugar, comendo algo para ir embora; na quarta e derradeira, às 23:44 h, Yrina diz que não entende o que fez de errado para que Rubens a tenha ignorado dessa forma, se mostra ofendida, machucada, ultrajada pelo "bolo" que levara de Rubens.
Rubens conhece Yrina. Ela dirá que ele a tratou com desdém, que fez pouco caso dela, que até riu com escárnio de sua vã espera. Tratante, ela dirá.
Rubens não tratara nem combinara nada com Yrina. Nem ao menos falara com ela. Há tempos que não.
E então, numa bela noite, Yrina, que sempre foi de grandes sumiços e de grandes urgências, consegue um perfeito alinhamento planetário para um reencontro, consegue um álibi para um crime quase perfeito, uma brecha no espaço-tempo, vistas as horas dos e-mails, de pouco mais de uma hora e se sente ofendida pela ausência dele?, pensa Rubens.
Uma fugaz e estreita fenda de coordenadas indefinidas entre o real e o Sonhar e Rubens tinha de estar ali, bem na hora, ao lado da fenda?
Yrina deve pensar que Rubens é feito a massa de idiotas que habita o planeta, que vive 24 h por dia conectado a e-mails, a redes sociais e outras coleiras eletrônicas. Deve pensar, não; Yrina deve se esquecer, pois sabe da alergia de Rubens a tais traquitanas.
Yrina dera sorte, de certa forma. Não fosse a espera de Rubens pela resposta do amigo, as mensagens de Yrina poderiam ter ficado lá perdidas por mais uma semana, ou duas, sem serem lidas. Foram lidas no mesmo dia, ainda que não a tempo.
Yrina dirá que Rubens é covarde e cagão.
Muitas vezes, pensa Rubens, o que chamamos de covardia nada mais é do que a ausência de um bom álibi, e a tão vangloriada coragem, uma mão de pôquer cheia deles.
Rubens não está sozinho nos últimos tempos. Virna reapareceu há mais de ano e não dá mostras de querer partir. Nem Rubens de lhe tomar a chave da porta da frente, ou a gaveta em que ela guarda suas calcinhas. Há as aporrinhações da vida a dois, assente Rubens, mas ele tem dormido mais, tem bebido menos.
Ainda que Rubens tivesse lido os e-mails a tempo, não teria ido ao encontro de Yrina. Não teria um álibi.
Ainda que tivesse um álibi, ou que forjasse um de última hora, que dissesse, por exemplo, que tinha perdido o sono e precisava sair para uma caminhada em busca de mais bebida, álibi que pareceria dos mais consistentes para Virna, não teria ido ao encontro de Yrina.
Rubens não tem mais disposição, paciência, estômago, ou chamem do que quiserem, para véus e escamoteios, para jogar jogos de estratégia, para brincar de esconde-esconde.
Ainda que tivesse lido os e-mails em tempo, que tivesse ou forjasse um bom álibi, que decidisse, nem que por puro saudosismo, reviver seus tempos de 007, de disfarces e vidas duplas, não teria ido ao encontro de Yrina.
Virna tinha procurado por Rubens duas vezes hoje - deve estar ovulando - e o velho pau bem correspondeu em ambas. Nenhum homem que tenha dado duas boas fodas em um dia tem o que fazer na rua, de madrugada. Nada tira um homem de pau mole de dentro de casa.
Rubens fecha os e-mails, desliga o computador, pega a última lata na geladeira e vai tomá-la na sacada escura. Rubens entende a decepção, a frustração e mesmo a possível ira de Yrina, mas não compartilha delas. Podemos controlar os sonhos, não a realidade. Querer forçar a realidade à bitola de nossos trilhos é, geralmente, destroçar sonhos, fazê-los descarrilar.
Rubens é  um homem velho. Cansado. Se sabe velho e cansado. Não nutre revolta contra isso. Nem inúteis saudosismos. Não tem mais estrelas nos olhos nem jeito de herói, não é mais forte nem veloz. Aceita placidamente tudo isso. É mais fácil viver assim.
Rubens é um homem pesado de tempo. Rubens é o que o tempo fez dele. Dá o último gole em homenagem a isso e vai se deitar.

terça-feira, 26 de julho de 2016

A Preguiça é a Mãe de Todos os Pecados

Recebi esse vídeo por e-mail do meu amigo Margá. A distinta donzela que o protagoniza reclama, pelo visto, da atual geração de homens de nosso Brasil dantes varonil, hoje mais para metrossexual. Com uma educação suíça, a virginal querelante se queixa da preguiça dos homens em realizarem um serviço completo. E ela está coberta de razão. Concordo com cada uma das polidas e galantes palavras dela. É uma verdadeira lady.
Pois isso não aconteceria se ela, e toda essa geração de jovens mulheres mal servidas pelos atuais frouxos que se depilam, tiram sobrancelha, vão à manicure etc, procurassem pelo verdadeiro macho, recorressem aos préstimos do macho das antigas.
O macho das antigas não tem preguiça nem nojinho de nada, nem de pelo, nem de menstruação, nem de resto de merda seca nos cabelinhos do cu. Mija que eu bebo, peida que eu trago, é o lema do macho das antigas.
A queixa da moça me fez lembrar de uma antiga piada. Uma moça se casou com o genro que toda sogra queria ter, rapaz bonito, educado, loiro, rico etc etc. Preocupada com a boa consumação do casamento e com o sucesso da lua-de-mel do casal, a mãe combinou com um código com a filha : para cada pistolada que o marido lhe desse no dia, ela mandaria um whatsapp dizendo, o fulano comeu um bife, o fulano comeu dois bifes e assim por diante. Ao fim do primeiro dia, a mensagem da filha : o fulano não comeu nenhum bife. A mãe procurou entender, o estresse do casamento, o cansaço da viagem. No segundo dia, nenhum bife. No terceiro, nenhum bife. Aí, a mãe não aguentou e respondeu : assim não dá  minha filha, esse rapaz tem algum problema, o seu pai tá com mais de 50 anos e ainda ontem comeu dois bifes, uma rabada e ainda lambeu a frigideira.
Pããããããta que o pariu!!!!
Preguiça e nojinho na cama, meninos? Não me decepcionem.

domingo, 24 de julho de 2016

As Boas e Baratas do Chile (3)

A gripe continua, companheiro. Deve ser alguma cepa milenar, das brabas, há muito soterrada nos Andes e que agora, com o aquecimento global e o degelo, aflorou novamente.
Eis a medalha de bronze no pódio do Azarão das cervejas boas e baratas, a Becker Grado 7. Que, como o próprio nome indica, tem um teor alcoólico de 7%,  um pouco maior que os usuais 4% ou 5% da maioria das cervejas.

sábado, 23 de julho de 2016

Mimetismos (23)

Zoofilia é perversão já ultrapassada e cafona. Démodé. O moleque que passa a vara na galinha, na cadela ou na cabritinha e a madame que vive com o seu doberman, dogue alemão ou rottweiler sempre a reboque, engatado na xereca, ou que se lambuza na porra de um cavalo, não impressionam nem escandalizam mais ninguém.
A tendência entre os depravados agora é a fitofilia, o tesão em vegetais, especificamente no fruto, mais especificamente ainda na masturbação do fruto. E não é usar um fruto pra se masturbar, não. É masturbar o fruto. Tocar uma siririca para um figo, um morango, um melão, um limão siciliano, um pêssego etc.
A guru espiritual desse novo fetiche é a "artista" Stephanie Sarley. Ela diz que seu trabalho - que foi temporariamente censurado pelo instagram, plataforma onde ela o exibe - tem como objetivo discutir o tabu em torno da masturbação feminina e guiar a mulher na trilha do próprio prazer, ou seja, ensinar a mulherada a siriricar.
Porra nenhuma! Desculpa de tarado! Puro pretexto para dar vazão à sua pulsão sexual esdrúxula e ainda passar por intelectual, por "cabeça", por artista de vanguarda e engajada nas questões femininas.
Ninguém precisa ensinar ninguém a se masturbar. É instintivo. Na hora em que os hormônios borbulham e em que a coisa - tanto faz se o pau ou a xereca - começa a coçar, a pessoa leva a mão até lá. Aí, se o que ela encontrar for o suficiente para encher a mão, é um pinto, e o moleque toca uma bronha; se o que ela encontrar puder ser acomodado entre o polegar e o indicador, é um grelo (ou um japonês), e a moça dedilha uma siririca, toca uma campainha.
Se bem que a tara de Stephanie Sarley tem lá seus fundamentos. O fruto nada mais é que o ovário da planta, que se desenvolve, se espessa, ganha sumo e substância depois que seus óvulos são fecundados pelos grãos de pólen, para bem acolher e acomodar os embriõenzinhos contidos nas sementes, da mesma maneira que o endométrio uterino ganha tecidos e se torna mais espesso e vascularizado para abrigar o embrião humano.
Stephanie Sarley está é a fazer cosquinha, um cafuné, no útero das plantas. Pããããta que o pariu!!!
Mas se Stephanie Sarley pensa que está na dianteira dessa putaria toda, está redondamente enganada, pois, quando o assunto é putaria, quando a lição é de esculacho, olha aí, sai de baixo, o brasileiro é professor, ninguém nos supera.
O falecido ator Cláudio Cavalcanti, no filme Contos Eróticos, de 1977, há quarenta anos, portanto, no auge da pornochanchada brasileira, ficou nacionalmente célebre por uma cena de fitofilia explícita. Cláudio Cavalcanti enterrou a rola numa melancia. Que brasileiro gosta é de fartura, de sustança, não se contenta com uns moranguinhos.
O próximo desdobramento dessa nova libertinagem será as Sociedades Protetoras dos Animais criarem um braço, uma ramificação para proteger os direitos que cada vegetal deve ter sobre o seu próprio corpo, defender as frutinhas dessa exploração sexual; em pouco tempo, exportar frutos será declarado tráfico de escravos sexuais e os horticultores, acusados de aliciamento de indefesos.
As feministas - acharam que elas ficariam fora dessa? - declararão que cada vegetariano ou apreciador de frutas é um estuprador em potencial. Pããããta que o pariu!!!! E logo, logo, organizarão a Marcha das Frutas Vadias, ao longo da qual as drupas, as bagas, as infrutescências e os pseudofrutos (uma espécie de LGBTs do reino vegetal, parece mas não são) clamarão pelo direito de se expor nos hortifrutis e nos varejões do jeito que vieram ao mundo, sem nenhuma embalagem, brilhantes, sedosos, reluzentes e suculentos, sem que sejam taxados de putas ou de promíscuas.
O pináculo da Marcha das Frutas Vadias será o discurso de fechamento de sua organizadora, a Banana, claramente uma sapatão. Aliás, a banana é a personificação (ou a frutificação?) da feminista de sovacos e pernas cabeludos, peitos caídos e grelo de 15 cm; a banana não precisa ser polinizada para produzir seus frutos, não precisa ser fecundada, os produz por um processo chamado partenocarpia, a banana é uma espécie de Virgem Maria do reino vegetal. Não é esse o ideal de vida de toda feminista? Gerar seus filhos - filhas, de preferência, pois não querem se arriscar a ter um estuprador em potencial dentro de suas próprias casas, a mamar em seus peitos - sem levar uma carga de porra, seja direto da rola ou de uma micropipeta, seja na buça ou numa placa de Petri?
Voltando : em seu discurso, a Banana sairá em defesa e em resgate da honra da Maçã, a fruta mais perseguida e injustiçada historicamente, irá cobrar em altos berros a dívida histórica que o cristianismo e toda a sociedade machista opressora tem para com a Maçã, desde o Gênesis vista como o fruto do pecado, por ter seduzido Adão e o levado a desobedecer o Todo-Poderoso. Um caso clássico de imputar à vítima a culpa pela violência sofrida, concluirá e encerrará o seu discurso, sob aplausos e ovações da plateia, a Banana.
Pãããããta que o pariu!!!

em tempo : mas a verdade é que, de hoje em diante, eu nunca mais olharei para um figo da mesma maneira; não é que ele, longitudinalmente cortado, parece mesmo uma fedegosa peludinha? Do jeito que eu gosto.

As Boas e Baratas do Chile (2)

Viajar é bem mais que se expor ao contágio de novos conhecimentos e de diferentes culturas. Muito mais, infinitamente mais. Viajar é, antes de tudo, expor-se ao contágio de diferentes cepas de vírus, contra as quais nosso organismo não tem seus exércitos de prontidão.
Se eu adquiri novos conhecimentos em minha viagem ao Chile? Muito provavelmente não. Mas que peguei uma boa duma gripe, isso eu peguei. Estou um caco há dois dias. Peguei uma boa duma cepa de influenza por lá.
Ainda se tivesse pego uma boa duma bucepa... mas, enfim, aí está a medalha de prata no pódio do Azarão das cervejas boas e baratas do Chile, a Cristal. É de coloração bem mais clara e de paladar bem mais leve que a campeã Escudo, parecida com a nossa Subzero.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Artistas Petistas Picam a Mula Após Comprovação de que Dilma se Elegeu com Dinheiro Roubado da Petrobrás

Taí a canalhada artística brasileira, a "intelectualidade" tupiniquim de esquerda, preocupadíssimos em defender as questões e as mazelas sociais do país, mas só, é claro, se pintar um dinheirinho do governo, dos impostos do contribuinte de direita, pois esquerdista não trabalha, não contribui, é tudo encostado filho da puta, só mamam nas tetas do erário público, só vivem de bolsas, cotas e lei Rouanet. 
Taí a nata vermelha da inteligência brasileira, sempre dispostos a levantar as bandeiras das causas sociais, mas só, é lógico, se pintar um "incentivo" cultural ou sobrar um cargo público - de preferência, um ministério -, um cabidão de emprego, uma sinecura, para eles próprios, ou para algum parente ou apadrinhado.
Mas agora a fonte secou pros vermelhoides filhos das putas. A casa caiu para o PT. E quando o barco afunda, a gente já sabe, os ratos são os primeiros a abandoná-lo. 
Sumiram os "artistas" que tanto defendiam a Dilma e o PT. Não só sumiram como também não vieram a público dar a cara para bater, para assumir que erraram em ajudar a quadrilha do PT se eleger e dilapidar o país durante 13 anos. Nenhum deles teve - e jamais terá - a hombridade para admitir a cagada e pedir desculpas à população por ter promovido bandidos. A não ser que não achem que erraram, a não ser que sejam simpatizantes e coniventes com a roubalheira do PT, o que me parece mais provável
O texto que publico a seguir é do ótimo site Manchette, recomendo.


Artistas Petistas Somem Após Comprovação de que Dilma se Elegeu com Dinheiro Roubado da Petrobrás
"Já faz um bom tempo que um conhecido grupo de artistas que defendia o governo Dilma na TV, nas redes sociais e nos palanques petistas não dá as caras. Os artistas simpáticos ao PT recebiam dinheiro do contribuinte para ajudar a influenciar a opinião pública não apenas em épocas de eleições, mas também nos momentos de crise, como durante as revelações da Operação Lava Jato e nos dias que antecederam a votação do impeachment de Dilma na Câmara.
Os artistas usavam a projeção nacional para  induzir que incontáveis seguidores formassem opinião positiva sobre o governo mais corrupto que já existiu na história do país. É claro que nenhuma dessas figuras agiu por questões ideológicas, mas sim em troca de contratos com o governo federal. Todos eles fizeram parte de campanhas publicitárias do governo, receberam apoios culturais, incentivos fiscais e até fizeram parte da administração federal, como foi o caso da irmã de Chico Buarque e do marido de Marieta Severo. Embora nada do que fizeram possa ser ilegal, abusam ao subestimar a inteligência da população. Na maior cara de pau.
O problema é que, na medida em que as denúncias de corrupção envolvendo o ex-presidente Lula e a presidente afastada, Dilma Rousseff, muitos destes artistas começaram a evitar falar sobre política. Praticamente todos aqueles que apoiavam o governo corrupto do PT sumiram.
Nenhum deles veio à público explicar o fato de Dilma ter sido eleita com dinheiro roubado da Petrobras, conforme foi relatado por João Santana e Mônica Moura, o casal de marqueteiros do PT, durante depoimento ao juiz Sérgio Moro na última quinta-feira."

quinta-feira, 21 de julho de 2016

As Boas e Baratas do Chile

Ciências, esportes, artes plásticas, literatura, música, cinema, teatro, arquitetura, gastronomia, artesanato, história dos povos, religiões e mitologias, folclore... Todas, sem exceção, atividades humanas supervalorizadas, superestimadas. Superfaturadas, eu diria, até.
Exemplos pernósticos, todas elas, da vaca que lambe e admira a própria cria. O ser humano é a única espécie capaz - e que perde tempo com - de se gabar de suas realizações. A única espécie à qual a Evolução legou o gene do pedantismo. A única espécie capaz de se dobrar e de se contorcer e chupar o próprio pau. E como o ser humano gosta de fazê-lo.
Quando um atleta recebe o ouro olímpico, ou um escritor é laureado com o Prêmio Nobel, ou é atribuída uma cifra de milhões de dólares a uma tela, o que o ser humano está a fazer é isso : chupando o próprio pau. Cada láurea, medalha ou condecoração, uma chupada no próprio pau, uma autofelação.
Quem estabelece que tais manifestações do intelecto humano têm assim tanto valor ou expressividade, a ponto de alguns receberem o rótulo de mestres da pintura ou da literatura universal? Os próprios humanos! É o próprio ser humano quem atribui valores aos seus feitos. Portanto, desconfie. Somos uma espécie autochupadora de rola.
E de todas as atividades humanas, uma das mais superfaturadas : viajar a passeio; pois subentende-se que essa coloque o turista em contato com todas as outras atividades supracitadas - cultura, folclore etc - do local em que ele aportará. 
Viajar seria o vetor que carregaria o vírus de novas informações e aprendizados, que nos inocularia com inéditos e surpreendentes conhecimentos, que nos contaminaria com diferentes culturas, que nos infectaria da enorme diversidade humana, expandindo, inclusive, nossas míopes visões e nossos tacanhos horizontes, nos tornando mais sensíveis e tolerantes às diferenças. Viajar seria o Aedes aegypti de novos conhecimentos. O chupança de uma maior ilustração.
Viajar, na cartilha decorada pelos inteligentinhos sensíveis e corretos, seria um modo lúdico de tomar contato e assimilar os hábitos e costumes de outros povos. Ninguém, dizem tais inteligentinhos, volta o mesmo de uma viagem.
O caralho! Lúdico é o caralho! Balela pura. Falácia da mais bem montadas pela enorme indústria mundial do turismo, viajar é uma arapuca para escalpelar turistas. Turista, teu nome é otário. Ninguém aprende porra nenhuma viajando.
Ninguém que passe uma semana nessa ou naquela cidade, naquele ou naqueloutro país, aprende sobre a maneira de viver dos nativos dali. A não ser que se considere como um grande aprendizado passar intermináveis e fastidiosas horas fazendo check-in e check-out em aeroportos, verificando reservas em saguões de hotel, passando outras tantas e tão insuportáveis horas dentro de vans entulhadas de turistas barulhentos para visitar pontos turísticos predeterminados e maquiados para a apreciação boquiaberta e para a selfie dos visitantes, e, para finalizar, e para ajudar na preservação da cultura local, sim, todo turista é politicamente correto, comprando souvenirs do artesanato local para dar de presente para a parentada.
O sujeito compra uma estatueta de barro tosca para enfeitar a sua estante e um tapete rústico para pendurar na parede e já se considera um especialista na cultura inca, maia ou asteca.
Não importa a cidade ou o país, não importa se litoral ou montanha, se metrópole ou rincão, todo destino turístico se resume a hotéis, restaurantes típicos, cafés, cartões-postais e lojas de artesanato local. Não tem nada de aprendizado nisso.
Quer aprender realmente sobre os usos e costumes de um povo? Deixe isso a cargo dos viajantes profissionais, dos documentaristas. Quer aprender sobre as diferenças e particularidades de outra nação ou cultura humana? Assista a um bom documentário do Discovery, da BBC, ou mesmo do Globo Repórter. Faça isso da comodidade do sofá de sua casa, confortavelmente, bebendo uma cerveja. E o melhor : evitando todo e qualquer, e sempre desagradável, contato humano. Isso, sim, é uma forma lúdica de aprender, sem o povão por perto.
Não sou fã de viagens. Não gosto de sair de casa nem para ir ao mercado. Vinte ou trinta quilômetros de distância, para mim, já é praticamente uma aventura de Júlio Verne a bordo de um balão, ou do Nautilus.
Por mim, não viajava; ou raramente o faria - somente nas passagens do cometa Halley pela Terra. Porém... acabo por viajar amiúde. Então, como diz o outro, uma vez no inferno, o negócio é abraçar o capeta; eu tento relaxar e gozar. 
Também me lanço à pesquisa e ao aprendizado de elementos da cultura local. Óbvio que eu quero que o folclore de um povo se foda, sua dança, sua música, sua culinária, idem e ibidem
Quando viajo, faço um trabalho de arqueólogo  para descobrir e desenterrar as cervejas locais. Mas nada das afrescalhadas cervejas artesanais, que viadagem é igual em qualquer lugar do planeta, que a rosca frouxa é globalizada. Me interesso pelas cervejas de macho, me aprofundo no estudo das boas e baratas - essas representam os verdadeiros e cotidianos hábitos de um povo, não são cenografia nem macumba pra turista.
Em minha estada no Chile, depois de muita dedicação e muito afinco, elegi o meu pódio das boas e baratas, cujas estampas aqui apresentarei a partir de agora. São cervejas de preços equivalentes às nossas Bavarias, Schin, Subzero, Crystal etc.
E começo com a medalha de ouro do meu pódio das boas e baratas chilenas, a cerveja Escudo, do tipo lager. É cerveja forte e incorpada, de pedreiro, como se costumava dizer antigamente, daquelas que dão uma caganeira desgraçada no dia seguinte, o que, na verdade, até que é bom, pois limpa os intestinos da indigesta e entupitiva culinária local.