sábado, 31 de março de 2018

Eu, Apenas Uma Caneta Bic Azul

Pro pau na cova,
Pra ereção que foi pro vinagre,
Tem a buceta nova,
Tem o Viagra;

Para a tristeza, o Prozac
O Lexotan
O Soma
O divã;

E para a falência autoimune das ideias,
Meu amigo?
E para o debandar e o atraiçoar das Musas?
Qual o remédio
Para a caneta Bic azul
Que
De uma hora pra outra
Se torna
Apenas
Uma caneta Bic azul?

sexta-feira, 30 de março de 2018

PT Dá Um Tiro no Pé (Ou : Lula, Que Tiro Foi Esse?)

É gritante e patético o desespero de Lula, o sapo barbudo, o seboso de Caetés, para se manter fora do xilindró e concorrer à presidência do país. É quase de dar pena a velha estratégia esquerdista de transformar Lula - de novo - em uma vítima das "elites brancas", em um mártir das massas analfabetas, um Jesus Cristo dos brasileiros desdentados, verminosos e encostados nos programas sociais, o último curralinho eleitoral do Nove-dedos.
Lula, em sua caravana pelo Sul do país, tem sido achincalhado e escorraçado pelos nossos compatriotas sulistas. Que eles sirvam de exemplo para a nação. Sulista é povo que trabalha, que pega pesado no batente, que não foge da lida, que tem a faina e a honradez nos sangues imigrantes italiano, alemão e eslavo. E não a bandidagem dos degredados portugueses, que, misturada à indolência nativa, contaminou as primeiras fundações portuguesas do Nordeste e Sudeste brasileiros.
Sulista trabalha. Não depende de bolsa-família, bolsa-escola etc etc. Sulista não tem o rabo preso com o PT. Assim sendo, trata a malta vermelha como bem ela merece, como a canalha que ela é.
Mas protesta, ainda que de forma incisiva e ferrenha, sem se valer dos métodos da esquerda, sem destruir patrimônio público, sem ferir nem matar ninguém. Por isso, desde que li a notícia de que um dos ônibus da caravana do sapo barbudo havia sofrido um atentado à bala, não tive dúvidas : tudo não passara de uma (mais uma) armação do PT para transformar o seu líder cachorro morto em um coitadinho. E não deu outra.
É notório episódio de nossa História mais recente, o atentado do Riocentro, ocorrido em 1981. Aos que nunca dele ouviram falar, resumo-o : alguns militares, de alas mais radicais do Exército, colocados diante do fato inexorável de que o Governo Militar, instaurado em 1964, estava aos cacos, manquitolando e que era só questão de tempo - de pouco tempo - a sua total queda e derrocada, resolveram simular um atentado terrorista à bomba, como forma de estender o controle das Forças Armadas, como forma de dizer que a ameaça comuna ainda não havia sido eliminada. Ocorreu que uma das bombas estourou no colo, no saco de um sargento, dentro de um veículo da marca Puma, e a farsa foi desmascarada. O atentado ao Riocentro, avesso ao seu objetivo inicial, só serviu para cavar um palmo a mais de terra na sepultura da ditadura.
Lula, que sempre se declarou opositor da ditadura militar, mas que, em verdade, sempre foi dela um fervoroso admirador - o sonho de todo comunista é ser o tio Fidel, é o de vestir uma farda militar e autodeclarar-se ditador de seu país -, resolveu criar o seu próprio Riocentro, como já tentara há tempos, no tal atentado ao Instituto Lula.
A imitar e prestar homenagem a tal ala mais radical, desesperada e burra do Exército, aos seus inspiradores, Lula e o PT, de forma ainda mais capenga e em bem menor escala, tentaram reproduzir um simulacro do Riocentro, com o mesmo objetivo : "provar" que Lula ainda é necessário ao país.
As perícias iniciais indicam a farsa. O excelente jornal O Antagonista deu que a Polícia Federal está "intrigada" com tiros à caravana de Lula : os disparos parecem ter sido feitos à curta distância, à queima-roupa, ou com o ônibus parado, ou por alguém capaz de correr tanto quanto o veículo, equiparar-se a ele e, então, atirar. Terá sido o Flash, ou o mutante Mercúrio, cooptados e mancomunados com as elites brancas? Isso porque um tiro disparado contra um veículo em movimento resulta em uma marca com um aspecto de "rasgo" ou de "respingo", meio de viés, assimétrica. As marcas no ônibus de Lula são redondinhas. Isso porque um tiro deflagrado a uma certa distância do alvo gera um buraco maior que o diâmetro da bala, em razão da expansão da energia que o projétil adquire em seu trajeto. Os buracos no ônibus da caravana Lula são exatamente iguais ao diâmetro das balas que os causaram.
E mais :
- foram jogados objetos perfurantes na pista para simular a parada forçada dos ônibus, mas nenhum pneu estava furado;
- Lula, no momento do "ataque",  não estava em nenhum dos ônibus - tinha viajado de helicóptero, o filho da puta;
- todos os passageiros estavam acomodados nas poltronas dianteiras do coletivo; todos os tiros, "milagrosamente", atingiram apenas a traseira - que sorte têm esses comunas...;
- a PF foi afastada do caso, sem nenhuma explicação;
- entre as hostes do PT, foi decretada a Lei do Silêncio; a ordem é abafar o ocorrido e não comentar mais sobre o assunto.
Por essas e por outras é que o STF, no dia 4 de abril próximo, tem que parar de ser cuzão, de ser frouxo e condenar de vez o sapo barbudo, tem que pôr, de vez, Lula atrás das grades.
Por essas e por outras é que a PF já tem praticamente certeza dos mandantes do atentado à caravana Lula, como se vê na foto abaixo.

Branca, Trabalhadora, Bem-sucedida, Heterossexual, Salvava Vidas ao invés de Defender Bandidos (II)

quarta-feira, 28 de março de 2018

A Revolta da Cenoura

Às vezes, penalizo-me de nossos (in)digníssimos gestores públicos. Lidar com um povo analfabeto, folgado e cheio de "direitos" não é fácil. Agradar a patuleia, a cholda ignóbil, não é só uma hercúlea tarefa, é também inútil, é trabalho para um outro grego, Sísifo.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Duque de Caxias (RJ), visando proporcionar uma Páscoa mais frugal e salutar ao alunos matriculados em sua rede de ensino, decidiu por substituir os tradicionais ovos de chocolate e bombons, com os quais comumente presenteava a molecada por ocasião desta festividade católica, por um kit "Páscoa com alimentação saudável". Um kit simples, porém, muito bem-intencionado. O kit é composto por duas ou três grossas cenouras acondicionadas em uma embalagem de celofane e, anexa a esta, uma receita impressa de bolo de cenoura.
É a Páscoa Mário Gomes!!!
Pronto. Foi o que bastou para deflagar a ira e o levante das dedicadas genitoras dos petizes.
Frente à gravidade do ato da SME, diante de tão acintosa afronta à dignidade dos apedeutas, as zelosas rainhas do lar deixaram seus afazares de lado  e acorreram às escolas, em protesto. Com certeza, estavam todas a fazer uma boa faxina em casa, a preparar um bom almoço, a passar a roupa dos filhos e do marido; com certeza. Pois largaram o feijão no fogo e a roupa no tanque e foram brigar por seus direitos.
Tudo aquelas barraqueiras típicas. Estilo periguete. Tudo com os "pernão" e os "peitão" tatuados. Tudo com panca de cantora de funk.
Uma declarou que o filho tinha sofrido uma profunda decepção, que temia que o mesmo pudesse até ficar traumatizado e não mais quisesse retornar à escola; uma outra disse que esperava (vejam bem, ela esperava) que o filho ganhasse ao menos dois bombom (sic).
A SME também foi alvo de críticas e ironias nas redes sociais. Um pai escreveu : "Obrigado senhor prefeito Washington Reis, de Duque de Caxias, pelo ótimo presente que o senhor deu para nossas crianças que estudam na Escola Municipal Anton Dwovsak. Que o senhor seja ricamente abençoado por ter abençoado nossas crianças pelas três cenouras murchas para fazermos bolo de cenoura".
Pois a escola deveria é ter presenteado esse pai com um enxada, pra ele ir plantar as próprias cenouras. Ô povinho mal-agradecido.
Outra escreveu : "Olha o que a minha prima ganhou no colégio. Enquanto em outros colégios as crianças estão ganhando bombom, ovinhos de Páscoa, ela simplesmente ganhou cenoura do prefeito. Ela disse que a professora entregou dizendo que o prefeito que pediu para entregar e que era para eles fazerem bolo de cenoura em casa para comer. Minha prima virou coelha agora?"
Pois não é só coelho que gosta de cenoura; burro de carga também adora.
Para mim, a Revolta da Cenoura se assenta em dois grandes pilares. Primeiro, uma vez que a molecada não ganhou chocolate de graça, na "faixa", às custas dos contribuintes, as mães terão de realocar parte da verba destinada ao cigarro e à cerveja do fim de semana para comprarem, elas próprias, vejam só que absurdo, ovos para os filhos. Segundo e pior, a SME mandou as mães irem pro fogão, literalmente colocarem a mão na massa e fazerem um bolo para os filhos.
Fazer bolo? Cozinhar pra família? A SME de Duque de Caxias pensa que está a tratar com quem? Com mulheres do século passado, cuidadoras de seu lar? Ora, essa... A SME está é a tratar com mulheres empoderadas, conscientes de seu lugar na sociedade, de seus direitos de cidadãs etc etc. Pro fogão, ia a sua avó!
Ao saber do imbróglio, o prefeito Washington Reis, temendo que sua casa fosse talvez apedrejada, ou que fosse pedido o seu impeachment, ou que virasse réu na Operação Pernalonga, emitiu um comunicado oficial de escusas  à respeitável e aristocrática população : "A Prefeitura ressalta que não compactua com desperdício, nem tolera o gasto desordenado e irresponsável de dinheiro público. Em nome do prefeito Washington Reis, a Prefeitura lamenta e pede desculpas ao povo de Duque de Caxias, em especial aos nossos 80 mil estudantes e suas famílias".
A intenção da SME foi correta, louvável e exemplar, pois um dos papéis da escola é também educar para um modo de alimentação saudável, tanto que, há tempos, cantinas de escolas públicas são proibidas de comercializar balas, chicletes, pirulitos, refrigerantes e frituras.
O propósito do kit "Páscoa Saudável" foi correto. Porém, para o povo errado.
Fico imaginando as crianças cantando : "coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim, um ovo, dois ovos, três ovos assim? E o coelhinho responde : "dessa vez, vai entrar só a cenoura, os ovos ficarão de fora"!
Pããããããta que o pariu!!!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Bebendo Café

Café sem açúcar e com canela
Ou vodka on the rocks e uma rodela de limão?

O bom senso
(o meu bom senso)
E o bafo vulcânico que fustiga a cidade,
A bem da saúde e da sanidade,
Recomendam : vodka, baby, vodka.
O relógio da parede,
Porém,
Legislador, juri, juiz e executor de nossa existência
(e pensar que sou eu quem o alimento com pilhas),
Marca três da tarde
E,
Sem recurso à segunda instância,
Decreta:
Café,
Bicho encoleirado,
Café.

domingo, 18 de março de 2018

Paineiras Não Se Entopem de Rivotril e de Fluoxetina

As paineiras,
Uma vez ao ano,
Só uma vez ao ano,
Frutificam travesseiros
E caem em profunda dormência vegetativa.
No mais do tempo,
Na entressafra onírica,
Não se afligem
Não se desfolham nem se descabelam
Não se adubam de barbitúricos.
Sentam-se serenas
Às soleiras e às calçadas.
Aguardam,
Sentinelas em vigília,
Pela próxima colheita do sono.

Suas flores dão flor
Na hora de dar a flor,
De rosar o arrebol.
No mais do tempo,
No intermédio,
Não se angustiam
Com a rotina do verde,
Com o lento germinar da vida.

(as paineiras não tomam florais de Bach)

Branca, Trabalhadora, Bem-sucedida, Heterossexual, Salvava Vidas ao invés de Defender Bandidos

sexta-feira, 16 de março de 2018

Monica Mattos Diz : Chupo Pau de Cavalo, Mas Não Voto no Bolsonaro

A atriz pornô Monica Mattos, com mais de 300 filmes de putaria em seu CUrrículo, incluso um em que pratica zoofilia fazendo um boquete caprichado num cavalo, e de quem todo o país, há tempos, ansiava em saber sobre o seu posicionamento político, declarou : "Votar no Bolsonaro? Esse desgosto eu não dou aos meu pais".
Pãããããta que o pariu!!!!!
Imagino que a moça, então, considere que tenha dado muito orgulho aos seus genitores com a cena abaixo.

Perigoso no Rio não é ser mulher, negra, lésbica e favelada. Morre-se mais por ser PM. Matemática para a esquerda amoral

Excelente texto de Reinaldo Azevedo.

“Não acabou, tem que acabar; eu quero o fim da Polícia Militar”. Ouviu-se, nesta quinta, esse grito em várias cidades brasileiras, especialmente no Rio e em São Paulo. Como antevi que aconteceria em textos nesta madrugada, as esquerdas foram às ruas e às praças para acusar as forças oficiais de segurança pelo assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, do PSOL. Seu partido, em coro com o PT, tentou jogar a tragédia nas costas da intervenção no Estado, como se a ocorrência não reforçasse a necessidade da ação do governo federal.

É claro que o debate sobre o assunto pode ser travado no terreno dos valores, da ideologia, da política. Mas pretendo aqui evidenciar a vigarice moral dessa gente com números, com a matemática. Entrar na rinha puramente valorativa corresponde a dar aos esquerdistas o seu palco predileto, que é o da autovitimização triunfante. Ou vocês, como eu, não cansaram de ler textos a lembrar que Marielle era mulher, negra, favelada, socialista, lésbica e contra a intervenção”? Isso faz supor que a eventual morte de um homem branco, do asfalto, liberal, hétero e favorável à intervenção mereceria indignação menor.

Não é de hoje que as esquerdas fazem hierarquia de vítimas e mortos, desde que isso possa servir à sua causa. Há quantos anos escrevo no meu blog contra a barbárie nos presídios e cadeias? Sempre existiu tortura no Brasil. Os camaradas vermelhos só lutaram por indenizações para os torturados com pedigree ideológico. A propósito: se Marielle, ainda que negra e favelada, fosse hétero e de direita, a indignação já seria menor. Se lésbica, mas branca, ainda que socialista, também a comoção industriada seria mais contida. Esses papa-defuntos precisam de uma morta que seja, ao menos tempo, um “combo” de opressões para que, como dizem, “seu martírio não seja em vão”.

O conjunto é nauseante. Essa gente é incapaz de expressar o luto, palavra oriunda do vocábulo latino “luctus”, que deriva do verbo “lugeo”, que quer dizer chorar a perda de alguém. Antes mesmo que possa demonstrar sofrimento, o cadáver é logo carregado em triunfo em nome de uma causa.

Sim, só Marielle trazia tantas marcas distintivas da militância e portava tantas bandeiras — inclusive o equivocado estandarte contra a intervenção. Mas sabem quantos outros seres humanos, a exemplo dela, que também tinha essa condição, foram assassinados no Estado no ano passado? 6.371! O que fez com que a taxa de homicídios chegasse à escandalosa marca de 40 por 100 mil habitantes. Sim, há unidades da federação com números ainda piores. E as esquerdas ficaram em casa.

Ataca-se a Polícia? Com efeito, desse total, 1.124 mortes se deram em decorrência de ações policiais, uma taxa de 6,7 mortes por 100 mil habitantes — o número é realmente escandaloso. Mas nada, meus caros, nada mesmo se equipara ao que acontece com os próprios policiais militares, eleitos os vilões da hora. Em 2017, foram assassinados 134, de um total de 45.429 homens.

Preste atenção, leitor, para o tamanho da delinquência moral da esquerda que grita “Não acabou, tem que acabar; eu quero o fim da Polícia Militar”. Relembro: houve 40 homicídios por 100 mil habitantes no Rio; a PM matou 6,7 pessoas por 100 mil habitantes. É tudo estúpido e assustador. Ocorre que a taxa de mortalidade dos policiais, se convertida a essa relação, atinge a marca insana de 249,6 mortos por 100 mil.

Confrontar um esquerdista com a verdade pode não ser nem fácil nem difícil, mas apenas inútil. Mas sou obrigado a fazê-lo.

Que se vá até o fim para saber quem matou Marielle. Até porque aquele que o fez sabia que a esquerda botaria a boca no trombone contra a intervenção. Era o que queriam os assassinos. Os companheiros vermelhos, também contrários à ação federal, cumprem rigorosamente a vontade do crime organizado. Contra o narcotráfico, nem um miserável pio.

“Marielle, presente!”

Essa mesma esquerda deveria ter saído às ruas, no ano passado, para dizer “Washington, presente”; “Claudenilson, presente!”; “Wilson, presente”, “Josés da Silva sem Pedigree Militante, presente!” Poderia tê-lo feito q cada uma das 134 vezes em que o crime organizado matou um PM. Também ele, quase sempre, preto de tão pobre e pobre de tão preto.

Sei que um esquerdista diante da verdade se comporta como o diabo diante da cruz, mas a verdade inescapável é que perigoso mesmo, arriscado mesmo, quase suicida, no Rio, não é ser mulher, homem, negro, branco, hétero, homo… Arriscar-se de verdade, no Rio, é ser policial militar. E isso os delinquentes não admitem porque lhes falta a moral necessária para consultar a matemática dos fatos e lhes falta a matemática dos fatos para instruir a sua amoralidade barulhenta.

Preferem atuar como propagandistas do narcotráfico."

quinta-feira, 15 de março de 2018

Biotônico Fontoura de Buceta (Ou : um tapa na beiça e outro na beiçuda)

É notória a brutal, avassaladora e irreprimível  fome que assalta e acomete o maconheiro - o cara que acabou de dar um tapa na beiça -, a famosa larica. A larica, feito um demônio bíblico, possui o corpo que não lhe pertence e faz do maconheiro um ser sem vontade própria, guiado por uma única compulsão : comer! Comer pra caralho. De preferência alimentos doces e gordurosos - o brigadeiro é o arroz com feijão do maconheiro. Mas não havendo o brigadeiro, ele come tudo o que houver pela frente. Já presenciei um cara, no auge da larica, arrancar limões minúsculos e ainda verdes do pé e comê-los como se um manjar dos deuses fossem. Não há anorexia que resista a um cigarrinho do capeta.
Acho até que deveria ser desenvolvido para a Cannabis, já tão aplicada para usos curativos em certas áreas esculápicas,  um uso medicinal pediátrico, para aquelas crianças com falta de apetite. Quando eu era criança, todos os dias, uns quinze, vinte minutos antes do almoço, minha mãe nos dava, para mim e para a minha irmã, uma colherada de Biotônico Fontoura, elixir com propriedades fortificantes, que, se dizia à época, abria o apetite da molecada. Imaginem, então um biotônico à base de Cannabis? Um Biotônico Bob Marley, ou um Biotônico Marcelo D2? A molecada ia comer até jiló e pedir sorvete de quiabo de sobremesa.
Aí, alguma mente doente e desocupada deve ter pensado e se perguntado : será que a maconha também é capaz de despertar outros apetites, que não os bucogastroentéricos? Que faça salivar também outras bocas? Afinal, você tem fome de quê? Se dar um tapa na beiça, aviva o apetite por comida, será que dar um tapa na beiçuda atiçaria o apetite por rola, por piroca?
E assim nasceram os tão em voga lubrificantes íntimos de maconha. É isso mesmo, caro amigo leitor do Marreta, a nova onda dos sexshops é o lubrificante pra buceta à base de óleo de Cannabis, para ser usado, assim como o Biotônico Fontoura, um pouco antes do "almoço". Uns vinte minutos, uma meia hora antes da trepada ou da siririca, a mulher deve aplicar o lubrificante em sua perseguida, besuntar a fedegosa por dentro e por fora, no clitóris. Então, é só esperar o efeito, é só esperar aquela larica vulvouterina se instalar. É o Biotônico Fontoura da Buceta!
A produção do lubrificante é oficializada em alguns estados dos EUA, tolerada, vista apenas como contravenção, no Uruguai, e clandestina e criminosa no Brasil. Independente da origem e nacionalidade, os fabricantes da bagana de buceta têm seduzido as mulheres com promessas de orgasmos mais intensos, prolongados e até múltiplos.
O produto original, o Foria, em forma de spray, foi concebido na Califórnia, em 2014, e, de lá para cá, já inspirou diversos genéricos mundo afora. No Brasil, a reportagem da Folha de São Paulo, via redes sociais e whatsapp, mapeou versões caseiras do lubrificante produzidas no Sul, Sudeste e Nordeste do país. Uma das fabricantes que concordou em dar entrevista ao jornal, Joana (será Maria Joana?), 30 anos, diz ter mais de cem clientes regulares, distribuídas entre Pernambuco, Rio e São Paulo. “Quero ver mulheres mais independentes sexualmente.”, disse Joana.
A versão uruguaia, desenvolvida por Débora Mello, é a mais inspirada. Débora batizou sua obra de Xapa Xana. Pããããta que o pariu!!! O cara que fuma unzinho xapa o coco, a mulher que usa o lubrificante da Débora xapa a xana!!! Sobre a sua criação, Débora diz : “Fiz muitas pesquisas e desenvolvi um projeto de arte que trata do empoderamento sexual feminino, juntei dois tabus em um potinho: a maconha e o prazer sexual feminino". Pããããta que o pariu!!! Será que ela não podia só passar o lubrificante na xana, relaxar e gozar? Tinha que ficar teorizando, tinha que ficar com esses papos furados de empoderamento feminino etc? Por isso, essa mulherada tem tanta dificuldade de gozar, fica enchendo a cabeça de caraminholas e de falsas ideologias.
A repórter Marcella Franco foi destacada pela Folha de SP para testar três versões do produto e escrever sobre suas impressões. Marcella Franco, em nome de seu profissionalismo, fez o sacrifício, besuntou-se e tocou uma siririca com cada um dos produtos, o Foria, o óleo caseiro da Joana e o Xapa Xana. Abaixo, as impressões da moça:
"Entre os três lubrificantes de maconha, o Foria foi o que menos surpreendeu. Na hora da masturbação não fez lá grande diferença, causando sensação de um Halls preto esfregado no clitóris.
O brasileiro caseiro é o que mais demora para fazer efeito, mas, quando bate, a onda é boa. Entre a dormência e o inchaço, senti a vulva mais sensível e receptiva. O orgasmo parece mais longo, embora a intensidade seja igual.
O campeão é o Xapa Xana. Além de fazer efeito de cara, causa a “chapação” esperada de um produto à base de maconha. Algumas gotas já ajudam a gozar de maneira mais prolongada e vigorosa. Pulei para o segundo, terceiro e quarto orgasmos com menos esforço que o normal."
É um novo e promissor nicho de mercado! E não é só a mulherada que está em polvorosa com a novidade. A viadada está ainda mais. A bicharada está inquieta, aflita e curiosa : será que o Xapa Xana também xapa o cu? Será que o Xapa Xana também dá larica nas pregas?
De antemão, já respondo : não sei, ex-boiola, não sei. E nem quero saber.

domingo, 11 de março de 2018

Salete, a Vegetariana Vermelha

Conheço algumas dessas. Matar a vaquinha, o porquinho, o franguinho, não pode. Já um feto humano, é outra história. Aí, não é assassinato, é controle sobre o próprio corpo, aí é ter direito sobre o seu útero, aí é poder dar à vontade, feito uma biscate, sem cuidados nem precauções. Depois, é só destroçar o bebê, aspirá-lo para fora e jogá-lo vaso sanitário abaixo.

Rubens, o Pensador (3)

"Mulher que pensa? Que pensa que pensa? Pensem bem antes de comê-las".

Rubens, o Pensador (2)

"Se não tens certeza de que és capaz, de que podes ir até o fim, nunca abra um latão de 550 ml".

Rubens, o Pensador

"Nunca fui pra cama com uma mulher que tivesse um sovaco mais cabeludo que o meu, nem um grelo maior do que o meu pau" (perguntado sobre o empoderamento feminino)

quinta-feira, 8 de março de 2018

Um poeminha, daqueles bem fuleiros, escritos em porta de banheiro de buteco pé-sujo

parece que a gente combina
(acontece)
de se foder sempre junto,
(nossos azares, revezes e desventuras, parecem sincronizados)


mas nunca nos fodemos, de fato
no bom sentido do verbo
(nunca pusemos, expusemos, testamos, nossos corpos às vias de fato, nunca língua na língua, a criar novos dialetos, a matar idiomas, nunca a minha boca a beber da tua boca mais baixa e de lábios mais grossos, nunca o meu falo a te falar em sussuros, ao pé do ouvido, em mímicas cadenciadas)


será que nos foderíamos
ainda mais
se,
um dia,
viéssemos realmente a nos foder?

O Dia Internacional da Mulher, por Altamir Pinheiro, o Guerrilheiro Chumbo Grosso

Altamir Pinheiro, o guerrilheiro de Garanhuns, ficou mais de mês fora do ar. Sua última postagem se dera em 27 de janeiro. Preocupei-me, admito. Teria ele sido capturado por forças petistas e levado a porões obscuros para sofrer tortura e lavagem cerebral? Teria ele, mesmo, sido morto pelas hostes vermelhas, que a tantos já mataram?
Nada disso. O Guerrilheiro é imatável e imorrível. Talvez estivesse apenas a tirar umas férias. A beber de sua poção mágica e paudurescente Pau Dentro, os seus licores fantásticos, as suas conservas de pimenta, os seus feijões de fava, a tocar punheta passando manteiga de garrafa no pau.
Hoje, provavelmente, cansado de descansar, o guerrilheiro voltou a apresentar as sua armas, porretas, arretadas. Voltou em grande estilo. Homenagendo as mulheres petistas e MSTistas, as famosas mulheres do grelo duro. 
Folgo em vê-lo vivo, Altamir. Folgo em vê-lo combativo, como de costume.
Abaixo, o texto de Altamir Pinheiro, sem retoques nem formatações.

NO DIA DAS VADIAS DO PT E DO MST, MERCENÁRIAS INVADEM JORNAL O GLOBO



MASSA DE MANOBRA DO "COMANDANTE" STÉDILE, O ETERNO CANDIDATO A FIDEL DO GROTÃO, APROXIMADAMENTE 400 MULHERES INVADIRAM O PARQUE GRÁFICO DO JORNAL CARIOCA - EM NOME DA DEMOCRACIA, PASMEM!!! ESSA CAMBADA DE PUTAS SAFADAS DO PT,  AS FEMINISTAS PEITUDAS, BUNDUDAS E BUCETUDAS  JAMAIS RECLAMARAM DO MACHISMO DO MST, QUE TAMBÉM USA CRIANÇAS EM MANIFESTAÇÕES:
Cerca de 400 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), a maioria mulheres, invadiram o parque gráfico do GLOBO na manhã desta quinta-feira. Entre os manifestantes, que chegaram em dez ônibus, havia pessoas armadas com facões. O grupo parou no estacionamento para visitantes, de acesso livre, e invadiu o prédio. Os seguranças da empresa não impediram a invasão, devido à quantidade de pessoas.
Os manifestantes fizeram pichações de mensagens políticas em vidraças, sofás, paredes e no piso. Também atearam fogo em pneus ao redor de um totem com o nome do jornal, que é de metal e não chegou a ser danificado. Os invasores gravaram toda a ação e divulgaram em redes sociais. Meia hora depois da invasão, o grupo deixou o local. Não houve feridos.
A polícia vai investigar o caso. Uma perícia foi enviada ao local.
ENTIDADES REPUDIAM OCUPAÇÃO
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Asoociação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiaram, com veemência, a invasão MST ao parque gráfico do GLOBO.
Em nota conjunta, as entidades afirmaram que "é inadmissível que um grupo, que se diz defensor das causas sociais, ameace e ataque profissionais e meios de comunicação que cumprem a missão de informar a sociedade sobre assuntos de interesse público".
O texto diz ainda que "atos criminosos como este são próprios de grupos extremistas, incapazes de conviver em ambiente democrático, e não pautarão os veículos de comunicação brasileiros".
A Abert, a Aner e a ANJ pedem apuração dos fatos, "com a punição dos responsáveis, para que vandalismos como este não voltem a se repetir". – As duas primeiras manchetes e a imagem  não fazem parte do texto original -

Pitaco do Azarão : viram só as barangas da foto? Quem, em sã consciência, é capaz de comer "aquilos"? Não me surpreende a revolta das vadias.

terça-feira, 6 de março de 2018

O Sapo Barbudo, Enfim, na Cadeia

O enjaulamento em definitivo do maior saqueador de cofres públicos da história do mundo decretará também o fim da comunalha tupiniquim, será a pá de cal sobre a escrota esquerda brasileira.

Lula perde recurso no STF. Colegiado rejeita pedido de habeas corpus do ex-presidente (site Imprensa Viva).

Moro deve decretar a prisão de Lula. MPF pede prisão imediata do ex-presidente (site Imprensa Viva) 

Então, o vagabundo petista já está no xilindró. Se tudo, agora, depende do decreto de Moro, o condenado Lula já pode ir tirando as medidas do seu uniforme da Papuda.

sábado, 3 de março de 2018

O Sonho Suicida de Clark Kent

O Super-Homem chega em casa
E sonha em tomar um bom banho,
Em deixar o cabelo por pentear,
Em botar uma cueca frouxa
E se sentar à sacada
À noite
A contemplar
As constelações
A Lua
O éter
O universo.
Como um visitante que olha para uma pintura num museu,
Não como um Van Gogh urgente a açoitar a noite estrelada com seus pincéis;
Como o destinatário de um cartão-postal entregue pelo carteiro,
Não como um turista sujeito a atrasos de voo e a indigestões por comidas locais;
Como um espectador acéfalo hipnotizado pela tela de uma TV aberta;
Não como um ator a encenar o drama cósmico do horário das oito.

Super-Homem chega em casa
E sonha em não ser super,
Em não ter que se superar.
Sonha em não ter que fazer a barba,
Em não ter que encolher a barriga,
Em não ter que pôr enchimento na cueca sobre o uniforme,
Em não ter de disfarçar a sua miopia.

Qual o quê...

Super-Homem, a lâmpada da cozinha queimou;
Super-Homem, é dia de pôr o lixo para fora;
Super-Homem, a resistência do chuveiro;
Super-Homem, acabaram o sabão em pó, o vinagre, os ovos e o papel higiênico;
Super-Homem, a ração dos gatos;
Super-Homem, tem uma barata atrás do sofá;
Super-Homem, pagou o IPTU?

E o Super-Homem prefere, então,
Ir dormir.
E sonha em sonhar
Com um eclipse total de um sol vermelho
E com duas rodelas de kryptonita
Em seu gin-tônica.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Criacionismo Para Ateus, por Reinaldo José Lopes

"Os pontos mais extremos do espectro político e ideológico têm a desagradável tendência de se encontrar, morrendo juntinhos n'um abraço de afogados - se não pelo conteúdo exato do que defendem, ao menos pelo teor estapafúrdio de seus credos.
Cristãos conservadores adeptos do literalismo bíblico (a crença de que cada sílaba da Bíblia é literalmente verdade, em todos os aspectos), por exemplo, acreditam que o ser humano surgiu há poucos milhares de anos, plasmado pela ação direta de Deus, sem qualquer relação com as demais formas de vida, único ocupante do trono da Criação (logo abaixo do Senhor, é claro). Para simplificar, chamemos essa crença de "criacionismo da Terra jovem" (já que seus adeptos tampouco aceitam os 4,5 bilhões de anos da idade real do nosso planeta). 
Absurdo, dirá o leitor. E, no entanto, talvez mordidos por algum tipo de inveja freudiana de seus oponentes da extrema direita, ateus da esquerda radical frequentemente aderem a uma concepção ideológica que, apesar das diferenças superficiais, funcionalmente diz a mesma coisa que o literalismo bíblico. "Tudo no ser humano é construção social", pregam eles. "Não existe natureza humana. Somos infinitamente maleáveis." Que me desculpe a massa de crentes de ambos os lados, mas isso não passa de criacionismo para ateus.
Convém explicar um pouco melhor onde vejo esses dois extremismos se encontrando. Numa palavra (OK, em duas): excepcionalismo humano. Ou seja, a fé segundo a qual o Homo sapiens corresponde a tamanha exceção entre os demais seres vivos que não faria sentido aplicar as mesmas regras que valem para o resto da Árvore da Vida.
Para os criacionistas "de raiz", os da Terra jovem, é por decreto divino que somos esse ser fora de série; para os neocriacionistas ateus, a invenção da cultura humana nos permitiu um ecossistema simbólico de nossa própria lavra, liberto das amarras da biologia. Bastaria apertar os botões certos na hora de configurar nossas estruturas sociais, políticas e econômicas e pronto: felicidade perpétua para nossos semelhantes.
Infelizmente, acreditar nisso faz tanto sentido, do ponto de vista empírico, quanto achar que o Senhor Deus realmente moldou a anatomia adâmica com argila lá pelo ano 4.000 a.C. Nunca é demais lembrar que os mesmos ansiolíticos e antidepressivos capazes de aliviar os males do coração humano funcionam em roedores ou invertebrados; que líderes chimpanzés são capazes de manobras de fazer inveja ao MDB e a Maquiavel; e que aspectos de transmissão cultural estão presentes em espécies de primatas, cetáceos e corvídeos, entre outras criaturas.
Eu poderia passar os próximos séculos citando exemplos aqui, mas a mensagem geral é clara: o excepcionalismo não fica menos absurdo quando ganha versão laica. Ignorar a natureza humana como o fato de que crimes violentos quase sempre são cometidos por homens jovens, independentemente da cultura, por exemplo, como já escrevi neste espaço --pode levar a pontos cegos trágicos quando se tenta enfrentar problemas sociais, um objetivo louvável que não deveria ser exclusividade de nenhuma orientação política. Somos escravos de nossa natureza biológica? Não, lógico. Mas achar que ela pode ser ignorada, em nome de Deus ou da utopia política, é uma ilusão perigosa."

Em tempo : sou ateu, todos que leem o Marreta o sabem, mas sou ateu em um sentido mais amplo, sou descrente não só de forças divinas, também o sou de qualquer ideologia ou sistema político e, sobretudo, descrente do gênero humano. Concordo com cada palavra e frase do autor do texto acima, independente de raça, credo, posição social ou ideologia política, o bicho humano se considera um ser à parte do resto do planeta, um ser que paira acima de todas as leis naturais, que pode fazer do planeta o seu supermercado, o seu bordel, a sua estância de veraneio. Excepcionalismo é um termo excelente. Nós, construtos de Deus? Bobagem. Nós, construtos sociais, de nós mesmos? Bobagem ainda maior.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Direita e Esquerda : Definições

Esta eu recebi de um velho amigo, por e-mail, uma das melhores definições de direita e de esquerda que já vi:
"Um país é de "direita" quando todo o mundo quer se mudar para lá e ele controla a entrada. Um país é de "esquerda" quando todo mundo quer fugir de lá e ele controla a saída."
Na minha imodesta opinião, isto é praticamente tudo o que precisamos saber sobre direita e esquerda.

Contirubições da Esquerda Para a Sociedade Brasileira

Cientificamente Comprovado

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A Volta do JB

O Jornal do Brasil, o famoso JB, um dos jornais mais antigos e  tradicionais do país, volta às bancas de jornais e de revistas após oito anos de ausência em sua versão impressa. Há oito anos a existir apenas na esfera digital e o papel da edição reinaugural, publicada ontem, já tem destino certo : virar jornal pra embrulhar peixe? Porra nenhuma. Antes fosse, que essa é aposentadoria natural dos jornais. Vai virar - já virou - é jornal pra limpar cu, com grandes riscos, aliás, de arranhar e de "assar" o cu do freguês.
É que, logo de cara, resolveu publicar um artigo supostamente escrito pelo condenado Lula, pelo bandidão Sapo Barbudo.
Não bastasse mostrou-se parcial, contraditório e bairrista. Sobre a escolha das autoridades às quais foram solicitados depoimentos sobre a importância da volta do JB às bancas, foi emitida uma nota da redação, "em respeito aos leitores, aos eleitores e aos contribuintes do estado do Rio de Janeiro, o conselho editorial do Jornal do Brasil tomou a decisão de não convidar o ex-governador Sérgio Cabral, preso e condenado por corrupção, assim como o presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Jorge Picciani, acusado e preso pelo mesmo motivo".
Aí, em seguida, publicaram o artigo do Nove-Dedos, condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro. E o respeito aos leitores, aos eleitores e aos contribuintes de todo o Brasil, cadê?
Mostrando que continua um analfabeto congênito, um asno de teta, Lula começou seu artigo em grande estilo, de fazer inveja a um Machado de Assis, a um Rui Barbosa, a um Joaquim Nabuco
Escreveu Lula já na primeira frase : "Num um país com uma das mídias mais concentradas do mundo..."
Num um? Que porra é essa? Alguém vai ter que chamar a Dilma pra explicar!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Padre Comia o Cu do Capeta

Pãããããããta que o pariu!!! A Igreja Católica inaugura um novo tipo de perversão sexual : a capetofilia. Não bastassem os canalhas dos padres pedófilos, surge agora o padre capetófilo, chegado no fiofó do Demo.
Vade Retro, Satanás? Nada disso. Vem de reto, Satanás!, diz o padre italiano Michel Barone, 42 anos, preso pelo Ministério Público da Itália (não pelo Ministério de Deus, que esse lhe daria facilmente um habeas corpus) sob a acusação de passar a vara em mulheres durante rituais de exorcismo.
Michel Barone (foto ao lado) convencia jovens mulheres de que estavam possuídas pelo demônio e as submetia a ritos diários de "libertação e purificação da alma" nos quais eram violentamente espancadas, insultadas, despidas, forçadas a práticas sexuais pouco ortodoxas, como a sodomia, e obrigadas a dormir nuas com o padre e um amante.
Marie Antoniette Tronconi, advogada responsável pelas investigações, classificou os atos de Michel Barone como "ritos exorcistas medievais e brutais". Além disso, o padre convenceu algumas mulheres a abandonar os tratamentos médicos convencionais que estavam seguindo, tratamentos psiquiátricos, em alguns casos.
Sem querer fazer aqui o papel de advogado do Diabo, no caso, do sacerdote, há de também ser visto o lado do homem de Deus. Michel Barone chegava pro capeta, a ocupar os tenros corpos das jovens mancebas, aspergia-lhe água benta, punha-lhe o crucifixo à testa, rezava umas ladainhas e pajelanças em latim e ordenava : Sai, capeta! E o capeta nem aí. Gargalhava e peidava enxofre pro padre. 
O padre, lógico, não podia permitir que fosse desrespeitado e desacatado em suas funções de preposto do Senhor, não ia levar desaforo para a paróquia de um demoniozinho qualquer e mequetrefe. Não vai sair, não, é? - dava ainda uma segunda chance ao Tinhoso, o padre. Então, virava o capeta e crau! Metia-lhe a rola ungida cu adentro. O meu cajado vai lhe purificar! E o Coisa-Ruim, que não é bobo nem nada, picava a mula. Fugia, literalmente, pro quinto dos infernos.
O padre já vinha comendo cu de capeta há alguns anos, mas a casa caiu para o seu lado com a divulgação da gravação de parte de um exorcismo realizado em uma menina de 14 anos. A gravação foi feita pela irmã da menor e levou à abertura da investigação contra Michel Barone.
O Inferno respira aliviado com a prisão do padre!
No entanto, correm rumores pelos corredores secretos do Vaticano de que um dos capetas exorcizados por Michel Barone se converteu ao Catolicismo, afeiçou-se ao sacerdote e acalenta, hoje, o sonho de ocupar o cargo de coroinha da igreja da pequena província de Caserta.

É a Podridão, Meu Velho (16)

Quando o médico
Comunicou-lhe as notícias de sua em breve Morte,
Ele não se sentiu
Um desempregado da Vida,
Um demitido pela Existência em aviso prévio.
(não perguntou por tratamentos, não enviou currículos, não requereu FGTS, não entrou na Justiça do Trabalho contra deus)

Sentiu-se um aposentado,
Um desobrigado da Vida,
Alguém que já contribuíra com seu tempo de faina
E recolhera,
holerite a holerite,
Sua previdência de alegrias e sofrimentos,
De êxitos e de broxadas.

Não chorou.
Nem se (pré)ocupou
Em redigir uma carta de despedida,
Em lavrar testamento e inventário em cartórios e tabeliões,
Em deixar mala e passaporte prontos para a viagem.

Tinha tido organização demais em Vida;
Desorganizou-se para a sua Morte.

Jogou seus cabides ao chão,
Desempoleirou seus livros da estante,
Desnorteou seus LPs de sua ordem alfabética,
Alforriou e expulsou
Velhas fotos, escritos e lembranças agrilhoados em suas gavetas,
Como quem abre a porta da gaiola e põe a voar o cativo pássaro azul.

Vestiu sua camiseta mais furada e cinza,
Sua bermuda mais gasta e de zíper quebrado,
Seu chinelo de dedos de tiras soltas.
Nem penteou os dentes
Nem escovou os cabelos
E se sentou num buteco.
Pediu da boa e da barata pro Betinho
E ali se ficou. 
Se ficou e se enficou na esquina.
Se ficou a prestar atenção
Nos outros bebuns do bar,
Nos jogadores de sinuca,
No cão vira-latas a desafiar o trânsito,
Na mãe a ralhar com o filho de volta da escola,
Nos sacos de lixo postos às calçadas,
Na saia da moça que passa,
No bem-te-vi que fez o ninho no transformador do poste de iluminação pública,
No mamoeiro que brotou de dentro de um bueiro,
No velho que sai com uma sacolinha de remédios da farmácia,
Na gata de três cores que salta pelo muro e some de suas vistas.

Se ficou a atentar, enfim,
À vida que resolveu não mais lhe prestar atenção,
Pôr-lhe para escanteio.
Resolveu que era muito melhor olhar para a Vida
Quando ela não olhava mais para ele.
Sorriu
E relaxou.

Faz-de-Cotas

Parabéns, M.E.
Ingressaste na USP.
Ingressaste por conta própria,
Não por cotas impróprias.
Não ingressaste via faz-de-conta
Via faz-de-cotas,
Pela cota dos coitadinhos.
Ingressaste por mérito,
Por dedicação,
Ingressaste na raça :
Não por cotas raciais.
Parabéns, menina.
Parabéns pra caralho!!!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Peruca de Buceta (Ou, Cláudia Ohana Fashion Week)

É a caranguejeira na passarela! É a folia no matagal! É o prêt-à-porter da buceta! A coleção outono-inverno da xavasca! A Cláudia Ohana Fashion Week!
A estilista sul-coreana Kaimin, conhecida no métier por vestir nomes como Lady Gaga e Björk, o que, para mim, só faz depor contra ela, lançou uma nova e acachapante tendência nos desfiles da New York Fashion Week 2018 : a peruca de buceta, o mega hair de xoxota, o interlace da xereca, o chenille da perereca, a pantufa da perseguida.
Aliás, lançou nova tendência porra nenhuma. Que na moda, assim como na TV - já dizia Chacrinha, o Abelardo Barbosa, que tá com tudo e não tá prosa -, nada se cria, tudo se copia.
A peruca de buceta está longe de ser novidade. Ela data - fiz uma lúdica pesquisa - do século XVI, dos anos 1500, e era usada pelas putas da época, pelas mulheres da difícil vida fácil. A putada de então precisava manter a virilha sempre depilada para que detectassem precocemente qualquer alteração na região de seus ganha-pãos (ou ganha-paus?), uma mancha suspeita, uma irritação, uma micose, um prurido, um carrapato etc.
Acontecia, porém, que os machos da época eram machos de respeito, machos das antigas, e, como tais, gostavam de se refestelar e de chafurdar num bucetão cabeludo. Muito diferentes dos "homens" de hoje, cheios de frescuras, nojinhos e que têm engulhos frente a uma boa fedegosa peluda, viadinhos disfarçados de machos.
Foram criadas, então, as perucas de buceta, para, ao mesmo tempo, proteger a putada das doenças e agradar ao gosto da clientela.
Tirando proveito da abominável prática atual de passar a máquina zero na perseguida, de escanhoar o capô de fusca, a qual transforma a mulherada em manequins de vitrine de lojas, em bonecas Barbie, lembrando que só quem gosta de Barbie é o Ken, que não tem pinto, Kaimin revive as perucas de buceta. Mas não o faz apenas por questões estéticas, tampouco só por questões mercantilistas. De jeito nenhum. Artista que é artista sempre tem o objetivo de suscitar questionamentos com a sua arte. 
Fá-lo também para levantar debates filosóficos e sociais sobre o papel da vagina nas sociedades contemporâneas : "quero colocar em debate a questão da individualidade e da autoaceitação, normatizando a imagem estigmatizada da vagina". Pãããããta que o pariu!!! Só essa frase é muito mais criativa - e cara de pau - que toda a coleção de perucas de buceta da estilista. 
Abaixo, um dos modelitos da coleção de Kaimin.
A questão da peruca, eu até que entendi, mas que porra é essa saindo do meio da racha, essa estrutura vermelha triangular? Uma quilha? Uma crista? Uma barbatana? Seria o grelo? 
Vade retro, Satanás! Um bucetão de brenha densa e lanosa, eu muito que aprecio, mas, de mulher de grelo duro, eu tô fora! Pããããããta que o pariu!!!

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Qual é o pH do Cu?

Ah, a Ciência! Sempre trabalhando em prol das grandes questões que afligem a humanidade! A cura do câncer? Da AIDS? Do Alzheimer? Do unheiro? O controle da emissão de poluentes? O aquecimento global?
Nada disto. Que todas estas são questões menores, de pouca, ou mesmo de nenhuma, relevância.
A vanguarda da pesquisa científica, hoje, seja concentra em algo muito maior, o controle de pH do cu! Pããããta que o pariu!!!
Nunca me ocorreu, inclusive, que cu pudesse ter pH. Até hoje. Hoje, estava a esperar a minha vez na fila do mercado e a moça à minha frente colocou um fardo enorme de papel higiênico na esteira do caixa, papel Higiênico Neve - leve 16, pague 15. Olhando para a moça, magra que só um varapau, era difícil imaginar que pudesse sair tanta bosta dela a ponto de usar aquilo tudo. Mas o que me mais me chamou a atenção foram duas informações do rótulo do fardo de papel : O único com a tecnologia Dermacare. Mantém o pH natural da pele.
Da pele? Um eufemismo do caralho! Melhor, um efemismo do cu! Da pele? Não deixa de ser, é verdade. Mas o papel higiênico é feito para passar onde? No rosto, nas mãos, nas pernas? Não! É feito pra passar no cu! Então, a tal tecnologia Dermacare mantém natural é o pH do cu! Então, nem é tecnologia Dermacare. É Dermacu!
Já tinha visto papel higiênico com as mais diversas fragrâncias - lavanda, pinho, jasmim -, com as mais variadas texturas - desde o "lixa" até o "com a maciez do pêssego - , os com vitamina E e até o papel higiênico preto, o qual suscitou uma outra questão : E pra ver se o cu está limpo? Mas este estourou todas as minhas escalas, a de pH, e sobretudo a de expectativa em relação a futilidade da espécie.
Tendo que esperar o lento andar do caixa, e sem nenhuma peituda por perto pra dar uma "bisoiada", pus-me a pensar, qual será o pH natural do cu? Já ouvi falar de cu doce. Porém, nem o doce nem o seu oposto, o acerbo, o amargo, são medidas de acidez ou de basicidade. 
Também há o cu azedo, e aí a coisa começa a ter algum sentido. Azedo é ácido. O limão é azedo por conta do ácido cítrico, o vinagre, do ácido acético etc. E o que seria, então, um cu básico? Um com todas as pregas no lugar e que, de tempos em tempos, se oferecesse em sacríficio a uma rola? Um cu basiquinho. Só de vez em quando. Só pra variar. E o cu neutro? Deve ser aquele cu que não se envolve com nada. O cu indiferente. O cu que tá cagando e andando.
E mais : como os cientistas determinaram e estabeleceram o pH normal, médio, natural do cu? Como foram coletados os milhares e milhares de dados necessários à conclusão de uma pesquisa? Que tipo de gente se voluntariou como cobaia à tal pesquisa? O cus tiveram seus pH medidos com papéis indicadores de tornassol ou do universal? Ou com pHmêtros, aparelhos dotados de roliços e vítreos eletrodos que se inserem no meio a ser determinado? E se, para a alegria da bicharada, foi usado o pHmêtro, foi usado o pHmêtro ANALógico ou o digital? O "digital" deve ter sido a preferência.
Eis o mais novo prodígio da Ciência. Einstein, Darwin, Mendeleiev e Newton devem estar a rolar em suas tumbas. A rolar de rir.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Pequeno Conto Noturno (70)

Conheceram-se - Rubens e Silvana - em um momento de gravidade zero de suas vidas, num momento de espera em consultório médico, de coma induzido, de deixar estar para ver como é que fica, de deixar a indefinição definir-se por si. Conheceram-se - Rubens e Silvana- num momento de "quase" de suas vidas. Ele, quase num casamento; Ela, quase num divórcio.
Conheceram-se e reconheceram-se. Quiseram. Precisavam. Estavam precisados de se reconhecer. Há momentos em que a busca por um lago de Narciso, ainda que ele seja mera poça de lama, se faz mais premente que a pela fonte de Ponce de León.
Suas ideias se esbarraram, derrubaram café umas nas outras, desculparam-se e embaraçaram-se. Emaranharam-se. Os novelos de Ariadne de cada um - cada um fugindo (só para se enfurnar ainda mais) de seu dédalo, de seu quase - se enroscaram, perderam ainda mais os fios de suas meadas, mas consideraram que as tinham achado. Acima dos dois novelos enamorados, a tecerem futuros e tecituras, o gato cínico do Destino batia, estapeava e os jogava de  um lado para o outro.
A fala de um, ora completava, ora antevia, ora ecoava, a fala do outro. Clichês sobrepondo-se a clichês (filmes de guerra e canções de amor), Rubens sabia. Marionetes bem ensaiados, os dois, Rubens sabia. Cérebros em rara e sagrada comunhão, Silvana pensava. Intelectualidades nômades e sedentas que, final e merecidamente, se encontram oásis uma da outra, e se fundem e copulam e geram maravilhas, Silvana pensava.
Trocavam olhares em código Morse e e-mails criptografados, que ela, em arroubos quixotescos de quem mal escreve mas bem ama, pensara até em transformar num livro, o rebento bastardo e retardado deles dois.
Haviam, no entanto, ter que definir os seus "quases". Silvana optou por divorciar-se do "quase" em que estava e recuperar a sua liberdade - liberdade, para Silvana, é se lançar a esmo a uma outra sucessão de incertezas, a uma coleção de outros "quases". Rubens optou por contrair matrimônio (só no civil) com o seu "quase", fazer do quase a sua definitiva liberdade - liberdade, para Rubens, não é voar sem rumo nem bússola nem local de pousada; liberdade, para ele, é ser dono das chaves da própria gaiola.
Ela não gostou da opção dele. Sentiu-se, possivelmente, usada, iludida, lograda. No que tinha certa razão de suspeita. Rubens nunca tivera tesão fisico por Silvana. Ou a teria traçado já na primeira noite em que ela confessara-lhe seu interesse. Mas, por outro lado - egoísmo, teu nome é Humano -, não queria abrir mão da boa companhia de Silvana, de sua conversa divertida. Pensou que a simetria das ideias e a convivência poderiam trazer o desejo carnal (por isso, deu trela à Silvana). Não trouxeram.
Daí em diante, Silvana buscou atazanar e fuder com a vida de Rubens de todas as maneiras escusas que foi capaz de imaginar. Quase conseguiu. Quase. E como esse "quase" deve ter lhe amargado a amarga e recalcada alma... Rubens deu um basta. Sem aviso prévio. Demissão por justa, porém , não revelada, causa. Da noite para o dia, do hoje para o amanhã, passou a ignorá-la (por força das circunstâncias, viam-se em todos os dias). Passou a não olhar para ela e a nem lhe dirigir a palavra mesmo nas vezes - foram poucas depois que ela percebeu a nova postura dele - em que ela tentara conversar, buscara por respostas para a súbita mudança de comportamento.
Ela nunca soube a razão do ostracismo definitivo em que Rubens a jogara, nunca soube qual fora o estopim da explosão final. E esta foi a vingança de Rubens. Deixá-la sem saber. Sem respostas.
Anos se atropelaram sem que Rubens e Silvana se vissem. Até hoje. Madrugada. Silvana, a entrar na loja de conveniência de um posto de combustíveis, pagar pelo álcool colocado no carro; Rubens, de costas para a porta, no caixa, a pagar por mais um latão de cerveja, pelo álcool colocado em si mesmo - derramar cachaça em automóvel, é a coisa mais sem graça de que eu já ouvi falar, já disse Raul.
Silvana resolve se arriscar:
- Rubens? - mais um chamamento, um apelo, que uma pergunta?
Ele se vira, a vê e resolve recompensar o risco por ela corrido, responde:
- Ainda.
- Bebendo, a uma hora desta?
- Abastecendo, a uma hora desta?
- Um café, um capuccino, será que pode ser?
- Sem açúcar e sem afeto?
- Nunca vai me dizer, né? Nunca vai dizer o que de tão grave, ou transformado em tão grave por você, eu fiz para você virar de vez as costas para mim. Deve ter tido uma gota d'água, uma gota d'água que fez transbordar o seu copo de rum.
Rubens gostou da imagem evocada, mas manteve a altivez, deu um gole no latão.
- Ou uma chuva de gotas d'água, um toró delas.
- Nunca vou saber, né?
- Não.
- Um resumo da ópera, pelo menos...
- Você nunca entendeu a brincadeira.
- A brincadeira?
- É.
- O nosso amor a gente inventa pra se distrair, foi isso, Rubens?
- Exatamente isso.
- Filho da puta!!!
- Exatamente isto e não entendo por que isto seja algo vil, condenável em última instância e punível em praça pública.
- Usa a outro como distração e não vê o mal nisto?
- E também me deixo usar como distração. Não entendo como algo feito a propósito de distração, de entretenimento, possa ser torpe ou ofensivo. Pelo contrário. Ser distração para ou de alguém deveria ser tomado como o mais alto dos elogios, como uma condecoração, uma honraria de Estado.
- Que porra é essa, Rubens?
- Passávamos por uma fase de merda em nossas vidas, não era?
- Era.
- E quais eram os únicos momentos que faziam nosso dia valer cada uma de suas penas e de seus suores, quais eram os únicos instantes em que não pensávamos em lançar mão do cianureto e a da estricninca escondidos em nossos armários? Não eram feitos, esses fugazes átimos, justamente do amor que inventávamos para nos distrair?
- Você inventava, seu desgraçado, eu te amava de verdade.
Rubens dá mais um gole no latão. Conversar com Silvana dá um gosto a mais à cerveja.
- Então, no seu caso, Silvana, você é que era a invenção que o Amor criava para se distrair. A distração é a mais nobre e vital das atividades humanas. A distração é o que escolhemos fazer no tempo livre que temos, é o que escolhemos fazer quando, simplesmente, poderíamos não fazer nada. Dizem que, um homem, se conhece por seu hobby, por seu passatempo. O passatempo de um sujeito é o amor que ele inventa pra se distrair. É no passatempo que ele passa o dia todo a pensar, a ansiar pela hora. É para o passatempo que ele não vê a  hora de correr. É pelo passatempo que ele suporta a vida e se faz, até,  mais eficiente e competente em logo cumprir com os afazeres e os enfadonhos do dia. Ser o passatempo de alguém deveria figurar no pódio dos elogios, com direito a hasteamento de bandeira e execução do Hino Nacional. Eu escolhi você para passatempo, e tentei me fazer em palavras cruzadas pra você. Você queria, contudo, que nos transformássemos na merda oficial um do outro, no mesmo tipo de merda do qual fugíamos quando estávamos juntos, brincando.
- Você inventou isso tudo agora, né, Rubens? Ou já tinha tudo isso inventado e ensaiado há tempos, para quando, num possível, ainda que improvável reencontro, voltasse a falar comigo. Sabe a impressão que tenho, Rubens? Que você vive a criar enredos, scripts, cenas e encenações para as mais diversas situações que possam lhe ocorrer, falas e diálogos para todos os possíveis e imagináveis encontros que possa ter em suas caminhadas. Para cada pessoa que você gostaria de reencontrar, ou de não, você já tem um roteiro pronto e acabado, pronto para ser filmado, sob sua batuta e direção. Você se caga de medo do acaso, Rubens. Se caga de medo de ser pego desprevinido, sem algo inteligente e espirituoso para dizer, sem uma frase de efeito para impressionar.
Rubens seca o latão, vai até a geladeira da loja, pega mais um, paga-o à gostosinha do caixa, sai pelas portas de vidro e ganha as ruas.
Silvana segue atrás.
- Rubens, seu filho da puta, vai me dar as costas de novo, é?!?! Rubens, caralho, ainda não terminei com você! Rubens! Rubens! Rubens...
Rubens, já do outro lado da avenida, embrenha-se pela escadaria da praça escura e entorna o latão. Os gritos de Silvana, comungados aos lamentos dos motores e das buzinas e dos gatos no cio do fim da madrugada, são música que os seus ouvidos não querem mais ouvir.
Há muito que perdeu o interesse por vãos filósofos e suas (peri)patéticas filosofias.