Carne :
Equilibrista ébria
Entre o viço e a decomposição.
Escrever:
Uma maneira de não olhar para baixo,
Uma maneira de quase disfarçar o medo,
Enquanto espero :
A corda bamba arrebentar,
A hora da cópula com o abismo.
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Noticiário Local, da sucursal do planeta Jota
Curioso seria se em nosso mundinho egoísta e vil houvesse um pôr do sol que começasse com o nosso primeiro bocejo do dia,
O hálito quente e mórbido das manhãs beijando a fresca vida,
Mais, seria ideal que os dias se findassem quando a poeira do sono pousasse,
Ou tanto melhor,
Pesasse sobre nossas ponderosas cortinas,
Pálpebras ciliadas tão cansadas de varrê-las durante o estafante dia.
No entremeio nada que se preze
E tudo da maior importância relatado na programação televisa,
Nos rádios, nos outdoors - você mesmo - a manchete do dia, "Carlos Eduardo finalmente passou no exame de habilitação"
E anéis saturnianos adornando cicatrizes umbilicais.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
O Azarão, Cuspido e Escarrado
Quando se quer expressar, de forma enfática e categórica, a grande semelhança entre duas pessoas, é dito que "fulano é cuspido e escarrado o beltrano". Uma maneira um pouco mais polida - só um pouco -, porém, não menos contundente e cabal de dizer que "a cara de um é o cu do outro".
Li, certa vez, que tal expressão - cuspido e escarrado -, cunhada pela ignorância do povão, degenerou-se de outra, mais culta e elegante: esculpido em carrara.
Carrara é o nome de uma região da Itália possuidora de jazidas de um mármore de altíssima qualidade, o preferido pelos artistas do Renascimento para darem forma às suas esculturas. As estátuas e bustos confeccionados nesses mármores pelos gênios renascentistas atingiam uma tal semelhança com as pessoas neles retratadas que, quando duas pessoas eram muito parecidas, passou-se a dizer que uma parecia ter sido esculpida em carrara a partir da outra.
Para a inculta sabedoria popular, esculpido virou cuspido; carrara, escarrado. Avacalharam-lhe com a forma (do original), porém, preservaram-lhe o significado. Cuspido e escarrado ao esculpido em carrara? Ou esculpido em carrara o cuspido e escarrado? E que ninguém jamais diga que não existe genialidade na ignorância.
Eu não tenho atributos - sejam eles físicos, fisionômicos, culturais, acadêmicos, intelectuais, atléticos, sexuais ou morais - para merecer ser esculpido em carrara. Mas para ser cuspido e escarrado, acredito que atenda a todos os pré-requisitos. E foi o que se deu.
Há cerca de duas, três semanas, um aluno, um dos poucos a quem respeito, não só pela dedicação à minha disciplina, como também, e sobretudo, pela educação com a qual sempre se dirigiu aos professores e pelo enorme talento artístico demonstrado em vários desenhos que, vez em quando, me mostra, procurou-me à saída da última aula e perguntou se podia esculpir um busto meu.
Soubesse disso, meu amigo Samuel, o famoso e desaparecido Nariz, primeiro, riria desbragadamente, a não mais poder, depois, uma vez retomado o fôlego, diria que o busto ou seria feito em escala 1/1000, ou não haveria argila suficiente no mundo para esculpir minha cabeça em tamanho real. Como se houvesse para o nariz dele.
Disse que sim, que ele podia esculpir um busto meu. Perguntou-me, então, se eu poderia lhe ceder fotos minhas, tiradas de perfil e de frente. Respondi que não tinha as fotos. E é verdade. Fotos minhas são artigo raro, e as que existem não forneceriam a ele detalhes suficientes para o busto. O início de um silêncio constrangedor começou a se instalar. Estava claro que ele queria perguntar se poderia tirar umas fotos minhas, mas sabendo da minha aversão a retratos, hesitou. Achei graça naquilo e resolvi não prolongar a tortura, falei que ele podia tirar as tais fotos. Ele sacou de seu celular e três fotos foram feitas. Uma de frente, outra de perfil e uma última da parte posterior da cabeça.
Duas ou três semanas depois, as fotos viraram busto, saíram do achatado mundo bidimensional e ganharam corpo em 3D. O Azarão está imortalizado em argila.
E ficou bom pra caralho. Ficou bom pra carrara (valeu, JB)! Agora, só falta comprar uma estante e colocá-lo no meio de uma coleção de livros dos Grandes Pensadores. Pai, afasta de mim essa cicuta, Pai!
Eis o Azarão, cuspido e escarrado!
sábado, 18 de agosto de 2018
Vida, Doença Autoimune
A vida,
Muitas vezes,
Dá-me ganas de me matar.
Por isso,
E só por isso,
É que ainda vale a pena
Continuar vivo.
Por pirraça,
Por implicância.
Muitas vezes,
Dá-me ganas de me matar.
Por isso,
E só por isso,
É que ainda vale a pena
Continuar vivo.
Por pirraça,
Por implicância.
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
terça-feira, 14 de agosto de 2018
Pequeno Conto Noturno (71)
Dalila pediu a Rubens para que comprasse um assento com tampa para o vaso sanitário. Causava-lhe gelo nas nádegas ir-se direto à porcelana.
Rubens saiu de casa - Rubens odeia sair de casa - e foi a uma dessas bodegas "tem-de-tudo-para-seu-lar", estabelecimento antigo perto de sua casa. Vizinho da dita cuja informou que fechara há uns meses. Um escritório de contabilidade no local. Rubens arremessou-se a um desses shoppings da construção - Rubens odeia shoppings mais que tudo, de qualquer tipo, um shopping da cerveja existisse, ele odiaria, um shopping da cerveja com tira-gosto de buceta no cardápio existisse, ainda ele odiaria - e comprou o assento sanitário com tampa. Não sem certa dificuldade de se lembrar da cor de sua privada, quando indagado pelo atendente, para que a tampa não destoasse. Dalila chegou e disse : - mas eu não falei que tinha de ser um assento acolchoado? Dalila nem deu o cu pra Rubens naquela noite. Mesmo assim, dia seguinte, voltou ao shopping para fazer a troca. Pagou pela diferença.
Dalila pediu a Rubens para que comprasse uns vasinhos, umas plantinhas. Arejar a sacada. Espantar o cinza da casa. Fazer parecer que ali mora gente.
Rubens saiu de casa e arrastou-se a uma floricultura/artigos para casa e jardim. Venderam-lhe lá umas samambaias e umas avencas. Bem como os adubos, os suplementos minerais, os vasos de fibra de coco (em substituição aos antiecológicos xaxins), pratos pra suporte, correntes, parafusos, buchas e ganchos para pendurá-los. Rubens adubou os vasos, montou os pratos com as correntes, furou o teto, botou os ganchos e pendurou as plantas - Rubens odeia qualquer tipo de serviço que envolva habilidades manuais, mexer com terra, parafusar, medir, serrar, instalar. Dalila chegou e disse : - samambaias e avencas nesse sol que bate aqui à tarde? Não tem noção, não? Dalila nem deixou Rubens gozar na sua boca naquela noite. Mesmo assim, dia seguinte, Rubens na floricultura. Explicar o "clima" de sua sacada. Trocar por suculentas e cactos, rosas-do-deserto e patas-de-elefante. Não realizavam trocas, esclareceu-lhe o bichinha de avental de juta com manchas de terras cuidadosamente carimbadas para passar a impressão de um verdadeiro homem da terra. Não trocam?, arriscou-se Rubens. São seres vivos, empertigou-se a bicha, trocá-los, como se fossem mercadorias, feriria suas dignidades. Teria sido já homologado e publicado um Estatuto das Plantas Ornamentais? Rubens preferiu não provocar a bicha, não incorrer na Lei Maria da Benga. Voltou para casa com as samambaias e as avencas. Mais três suculentas, cinco cactos e uma rosa-do-deserto. A pata-de-elefante estava em falta, disse a bicha, mas que "a estariam recebendo em poucos dias". Tal escassez será por causa da caça predatória ao animal?, pensou Rubens, mas, vendo que a paciência da bicha estava no limite, preferiu não perguntar.
Dalila pediu a Rubens para que comprasse arroz integral, sementes de chia e de quinoa. Eliminar as toxinas do dia a dia. Reequilibrar as funções metabólicas. Mens sana e blá-blá-blás. Precavera-se, dessa vez, Dalila. Escreveu num papelzinho o nome da loja - Empório Alecrim -, o endereço e o nome da vendedora. Para Rubens não ter como errar. Gostosa, a vendedora, pedidos feitos e empacotados, começou : não gostaria de também levar nosso pão caseiro/artesanal/gourmet/integral de grãos de trigo do delta do Nilo? Ou uma penca de nossas bananas-da-terra orgânicas e autossustentáveis cultivadas em assentamentos do MST por famílias que vivem em harmonia e respeito com a terra? Quem sabe nosso mel de abelhas jataí de pólen coletado exclusivamente de lavandas silvestres? Os peitos balouçantes, tamanho médio para grande, livres por debaixo da bata de algodão cru, certamente confeccionada por uma cooperativa de mulheres rendeiras do Vale do Jequitinhonha e com renda revertida para a comunidade, que Rubens adivinhava os mamilos terem o gosto de gergelim torrado, a vendedora não lhe ofereceu.
Pediu muito mais e além, Dalila. Detergente biodegradável, sabonete antibacteriano, bucha vegetal, frigideira antiaderente, travesseiros de viscoelástico, TV de led, que Rubens trocasse o rum pelo vinho, caminhadas três vezes por semana, cortinas para a sala, amaciante para as roupas, pato purific, escova de dentes com limpador de língua, abajur de cabeceira, mesa de centro, tapetes, porta-retratos, quadros para as paredes, velas perfumadas. Pediu mais e além, Dalila.
- Rubens - pediu, finalmente, Dalila -, posso cortar os cabelos do seu pau?
Rubens - que nunca fora Sansão - mandou Dalila à puta que a parira. De malas e cuias.
Pegou a garrafa de rum escondida no maleiro. Botou Hanói-Hanói pra rolar na vitrola. Casa depenada. Sozinho. Pleno.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
O Caixa 2 de Deus (Ou : Eu, o Sérgio Moro do Diabo)
O deputado boliviano Sergio Choque saiu-se com um projeto de lei para lá de herege : o parlamentar quer quebrar o sigilo bancário de Deus, auditar o livro-caixa do Senhor. Ou, pelo menos, uma vez que Deus não existe, ou não tem nem CPF (cadastro de pessoa física) nem CNPJ (cadastro nacional de pessoa Jeová), devassar a contabilidade dos autoproclamados representantes terrenos de Deus, pastores, padres e outros estelionatários da fé.
O deputado quer que os rendimentos das igrejas sejam declarado ao fisco boliviano. Tudo discriminado, tudo preto no branco, tim-tim por tim-tim, a origem dos donativos, o montante e a destinação. É a CPI do Dízimo! É a Lava Jato da Sacolinha!
Antes mesmo de ser acusado de qualquer coisa, o pastor Eloy Luján, presidente da Associação de Igrejas Cristãs Evangélicas de Cochabamba, estrilou, pôs o boca no trombone de Jericó, cantou feito galinha que acaba de botar ovo, saiu em ataque ao projeto do deputado e, ao mesmo tempo, em autodefesa, comportamento típico e padrão de quem tem culpa no cartório.
Eloy Luján disse que a aprovação de tal projeto seria um "absurdo", que um Estado declarado laico não pode exercer nenhum tipo de interferência e de ingerência nas atividades religiosas, que um Estado laico nada entende das coisas de Deus e da fé. Grande safado, esse pastor. Nessas horas, o Estado é laico, né?
Na hora do recebimento de privilégios, nunca vi nenhum líder religioso exigir o pleno exercício do Estado laico. E são muitos, os privilégios : isenção de impostos, doação de terrenos públicos para a construção de templos, concessões de canais de rádio e tv para melhor divulgar a palavra de Deus e atingir e garantir a tosquia de um rebanho cada vez maior, homens de algumas religiões ficam isentos do serviço militar etc etc. Todos privilégios, diga-se de passagem, indevidos, ilegais, inconstitucionais a rigor.
Agora, na hora da contrapartida, da prestação de contas de toda a dinheirama advinda dessas benesses estatais, os pilantras de Cristo dizem que as igrejas não devem qualquer tipo de satisfação a um Estado secular. Verdadeiros canalhocratas, como diria Bezerra da Silva.
A revolta do pastor chamou mais atenção para o projeto que o próprio projeto em si, que passaria despercebido em direção às gavetas dos projetos não aprovados, pois, sendo o parlamento boliviano formado por bons cristãos e homens tementes a Deus, a auditoria do livro-caixa de Deus não tem a menor chance de prosperar.
Ainda mais que o projeto obrigaria também a Igreja Católica da Bolívia a prestar conta dos recursos enviados ao Vaticano. Não consegui encontrar a porcentagem enviada nem a periodicidade do envio, mas cada paróquia católica do planeta, desde uma basílica a uma simples capela ou ermida, esteja localizada numa grande metrópole ou no cafundó do Judas, é obrigada a pagar certo quinhão do que arrecada para o Vaticano. Ou seja, cada padre tem que pagar os royalties pelo uso da marca, para manter sua franquia.
Ocorreu-me agora : esse dinheiro enviado para o Vaticano, uma vez que não declarado, não poderia ser considerado um tipo de evasão de divisas? Cada paróquia do planeta não seria possuidora, portanto, do equivalente a uma conta bancária no exterior, um caixa 2 num paraíso fiscal? É o Éden da propina!
Adorei o projeto do deputado boliviano. Estará lançada a semente de uma bancada ateia na América do Sul?
Aliás, essa situação me lembrou de uma piada.
"Três líderes religiosos - um monge budista, um padre católico e o Edir Macedo - foram entrevistados sobre a destinação que davam aos donativos arrecadados, de como era feita a partilha entre o montante que ia para as obras de Deus - ajudas assistenciais, caridade etc - e o que ia para as coisas dos homens, para as necessidades dos sacerdotes, manutenção dos templos e coisa e tal .
O monge budista, todo zen e sereno, foi o primeiro a responder : bem ao centro do templo, no chão, há uma pintura da Roda de Buda, ou Roda do Dharma, pois eu me posiciono bem ao centro da roda e lanço os donativos para o alto, o que cair dentro da roda é de Buda, o que cair fora é para as necessidades parcas e frugais dos monges e do mosteiro.
Em seguida, veio o padre católico : eu procedo de forma parecida ao colega monge, vou para perto do altar-mor da minha igreja, lanço os donativos para o alto e o que cair em cima do altar é de Deus, o que cair no chão é para o sustento das necessidades terrenas dos padres, coroinhas e seminaristas, que, estando sempre saciadas e locupletadas, nos dão mais ânimo e forças para bem continuar a obra do Senhor.
Por último, o Edir Macedo : eu também procedo de forma semelhante às dos meus colegas, vou para o centro do Templo de Salomão e jogo o dinheiro pro alto, o que Deus pegar é dele.
(em tempo : na piada original, eram um monge budista, um padre católico e um rabino, mas como publiquei recentemente duas postagens de conteúdo judaico - Sadomasoquismo Judeu e Queda do Muro das Lamentações -, antes que algum filho da puta comece a me acusar de antissemitismo, achei por bem substituir o rabino pelo Edir Macedo, a ideia é a mesma)"
Agora, se aprovado o projeto do deputado boliviano, não forem encontrados, porém, policiais dispostos a investigar, promotores dispostos a acusar e juízes dispostos a condenar, por medo de excomunhão e da danação eterna, é só o deputado Sergio Choque entrar em contato comigo aqui no Marreta. Serei, com todo prazer, júri, juiz e executor da CPI do Dízimo, da Lava Jato da Sacolinha.
Eu, o Sérgio Moro do Diabo.
segunda-feira, 23 de julho de 2018
A Queda do Muro das Lamentações
Hoje, os judeus que choravam as pitangas para Deus no Muro das Lamentações levaram um puta susto. Uma pedra de 100 kg se soltou do Muro e despencou sobre uma plataforma de madeira usada pelos fiéis para suas preces e choramingos.
O Muro das Lamentações data dos tempos de Herodes e não há relatos e registros anteriores de casos parecidos. O rabino encarregado do complexo, Shmuel Rabinovich, chamou o evento de “o mais incomum em décadas”.
O local - o segundo lugar mais sagrado do judaísmo, perdendo apenas para o Templo de Salomão - foi fechado para manutenção e a realização de uma perícia. O rabino acredita que a umidade, a erosão e o crescimento de plantas nos vãos entre as pedras possam ter levado ao deslocamento da rocha. Apesar de ter caído na área de orações, ninguém foi atingido.
Nir Barkat, prefeito de Israel, disse : "foi um 'grande milagre' uma rocha de 100 kg ter caído perto de um fiel e não o ter machucado".
Milagre o caralho! A pontaria de Deus é que vai de mal a pior. Bons tempos, os do Velho Testamento, em que Deus, muito mais jovem, era um verdadeiro atirador de elite, um sniper americano. Deus não errava uma única cabeça de fiel, não perdia um raio.
Milagre coisa nenhuma! Deus é que errou a estilingada.
Abaixo, um flagrante do momento. Dentro do círculo amarelo, a pedra em queda livre; dentro do vermelho, um fiel a se lamentar.
Aliás, este incidente me lembrou de uma piada a respeito da mira decadente do Todo-Poderoso.
"O menino estava postado à boca de um formigueiro e cada formiga que saía, ele tentava matar com um palito de dentes. O menino espetava, a formiga fugia e ele gritava : - errei, porra! Mais uma formiga, mais uma tentativa : - errei, porra! Outra formiga, errei, porra! E outra, errei, porra! Nisso, passou um padre e, ao ver a cena, aproximou-se do menino : - meu filho, você não deve matar as formiguinhas, elas também são criaturas de Deus.
O menino cagou e andou pro padre e continuou : errei, porra!, errei, porra!, errei, porra!
- Meu filho - tornou o padre -, e deixe de dizer palavrão. É feio, Deus não gosta, se você continuar, Ele vai mandar um raio sobre a sua cabeça.
Aí, o menino enfezou : - errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra!
Súbito, um relâmpago rasgou o tecido do firmamento e desceu certeiramente sobre a cabeça do padre, carbonizando o sacerdote.
O céu escureceu, as nuvens se adensaram iracundas, uma voz grave, alta, onipresente e tonitruante se fez ouvir : - Errei, porra!!!!
Mas Sou Só Eu? Cadê os Outros?
O macaco Sócrates, criação do genial e saudoso Orival Pessini, personagem que tinha cadeira cativa no não menos saudoso programa O Planeta dos Homens era dono de vários bordões, entre eles o "mas sou só eu? cadê os outros?", sempre repetido quando o macaco era pego em pequenas safadezas, deslizes, escorregadelas e pecadilhos próprios do ser humano.
Jair Bolsonoro, longe de ter a genialidade de um Orival Pessini e de um macaco Sócrates, bem que podia adotar tal bordão. Vejam, abaixo, três dos candidatos oficiais ao pleito presidencial de 2018.
O primeiro afronta e desacata a Justiça de forma descarada, seguro de sua impunidade, chama juíza de "filha da puta", conduta bem própria dos antigos coronéis dos rincões onde nasceu; o segundo é um criminoso, um infrator confesso do artigo 161 do Código Penal Brasileiro e faz de seu crime a sua plataforma de campanha, é um invasor safado de propriedades particulares.
E a grande mídia - tanto a impressa, como a televisiva, como a da internet - de forma vendida e hipócrita diz que Bolsonaro é o único candidato não viável para 2018. Isso sem falar, é claro, no presidiário Lula, no sapo barbudo, criminoso condenado em segunda instância.
Só o Bolsonaro? Cadê os outros?
domingo, 22 de julho de 2018
Dose Dupla de Bukowski. Sem gelo.
A Genialidade da Multidão
Há suficiente traição, ódio, violência, absurdo no ser humano comum
Para abastecer qualquer exército a qualquer momento.
E os melhores assassinos são aqueles que Pregam Contra o assassinato.
E os melhores no ódio são aqueles que pregam amor.
E os melhores na guerra - enfim - são aqueles que pregam paz.
Aqueles que pregam Deus, precisam de Deus.
Aqueles que pregam paz, não tem paz.
Aqueles que pregam amor, não tem amor.
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidado com os conhecedores.
Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros.
Cuidado com aqueles que ou detestam a pobreza ou orgulham-se dela.
CUIDADO com aqueles rápidos em elogiar
Pois eles precisam de louvor em retorno
CUIDADO com aqueles rápidos em censurar:
Eles temem o que desconhecem.
Cuidado com aqueles que procuram constantemente multidões;
Eles não são nada sozinhos.
CUIDADO.
O Homem Vulgar. A Mulher Vulgar.
CUIDADO com o amor deles.
Seu amor é vulgar, busca vulgaridade
Mas há força em seu ódio
Há força suficiente em seu ódio para matá-lo,
para matar qualquer um.
Não esperando solidão
Não entendendo solidão
Eles tentarão destruir
Qualquer coisa que difira deles mesmos
Não sendo capazes de criar arte
Eles não entenderão a arte
Considerarão seu fracasso como criadores
Apenas como falha do mundo
Não sendo capazes de amar plenamente
Eles ACREDITARÃO que seu amor é incompleto
ENTÃO TE ODIARÃO
E seu ódio será perfeito
Como um diamante brilhante
Como uma faca
Como uma montanha
Como um tigre
COMO cicuta
Sua mais refinada
ARTE
Para abastecer qualquer exército a qualquer momento.
E os melhores assassinos são aqueles que Pregam Contra o assassinato.
E os melhores no ódio são aqueles que pregam amor.
E os melhores na guerra - enfim - são aqueles que pregam paz.
Aqueles que pregam Deus, precisam de Deus.
Aqueles que pregam paz, não tem paz.
Aqueles que pregam amor, não tem amor.
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidado com os conhecedores.
Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros.
Cuidado com aqueles que ou detestam a pobreza ou orgulham-se dela.
CUIDADO com aqueles rápidos em elogiar
Pois eles precisam de louvor em retorno
CUIDADO com aqueles rápidos em censurar:
Eles temem o que desconhecem.
Cuidado com aqueles que procuram constantemente multidões;
Eles não são nada sozinhos.
CUIDADO.
O Homem Vulgar. A Mulher Vulgar.
CUIDADO com o amor deles.
Seu amor é vulgar, busca vulgaridade
Mas há força em seu ódio
Há força suficiente em seu ódio para matá-lo,
para matar qualquer um.
Não esperando solidão
Não entendendo solidão
Eles tentarão destruir
Qualquer coisa que difira deles mesmos
Não sendo capazes de criar arte
Eles não entenderão a arte
Considerarão seu fracasso como criadores
Apenas como falha do mundo
Não sendo capazes de amar plenamente
Eles ACREDITARÃO que seu amor é incompleto
ENTÃO TE ODIARÃO
E seu ódio será perfeito
Como um diamante brilhante
Como uma faca
Como uma montanha
Como um tigre
COMO cicuta
Sua mais refinada
ARTE
Cerveja às 2 p.m.
Nada importa
a não ser ficar se virando no colchão
com sonhos tão baratos quanto a cerveja
enquanto as folhas morrem e os cavalos morrem
e as donas-de-casa olham nas janelas;
avivando a música das cortinas se fechando,
a última caverna de um homem
em uma eternidade de enxame
e explosão;
nada além da torneira da pia pingando,
a garrafa vazia,
euforia,
juventude cercada,
esfaqueada e barbeada,
instruída,
indo contra a morte.Nada importa
a não ser ficar se virando no colchão
com sonhos tão baratos quanto a cerveja
enquanto as folhas morrem e os cavalos morrem
e as donas-de-casa olham nas janelas;
avivando a música das cortinas se fechando,
a última caverna de um homem
em uma eternidade de enxame
e explosão;
nada além da torneira da pia pingando,
a garrafa vazia,
euforia,
juventude cercada,
esfaqueada e barbeada,
instruída,
indo contra a morte.
a não ser ficar se virando no colchão
com sonhos tão baratos quanto a cerveja
enquanto as folhas morrem e os cavalos morrem
e as donas-de-casa olham nas janelas;
avivando a música das cortinas se fechando,
a última caverna de um homem
em uma eternidade de enxame
e explosão;
nada além da torneira da pia pingando,
a garrafa vazia,
euforia,
juventude cercada,
esfaqueada e barbeada,
instruída,
indo contra a morte.Nada importa
a não ser ficar se virando no colchão
com sonhos tão baratos quanto a cerveja
enquanto as folhas morrem e os cavalos morrem
e as donas-de-casa olham nas janelas;
avivando a música das cortinas se fechando,
a última caverna de um homem
em uma eternidade de enxame
e explosão;
nada além da torneira da pia pingando,
a garrafa vazia,
euforia,
juventude cercada,
esfaqueada e barbeada,
instruída,
indo contra a morte.
sábado, 21 de julho de 2018
Sadomasoquismo Judeu
Sou um apreciador de piadas. Tenho até uma vasta e sortida coleção mental delas, um bom cabedal de chistes. Não tenho, muitas vezes, aliás, quase nunca, a teatralidade necessária para contá-las, mas guardo um bom arquivo delas em minha memória.
Sou um apreciador de piadas. Mas não dessas mais moderninhas, já encabrestadas por pruridos e melindres morais, sociais e ideológicos, não desse humor do tipo Casseta e Planeta, Porta dos Fundos, comédia stand-up, embora muitos deles apresentem bons textos, boas sacadas e contem boas histórias. Gosto de piadas A Praça é Nossa.
Gosto de piadas das antigas. De piadas de salão. De piadas sem marca ou grife desse ou daquele humorista. De piadas criadas pelo inconsciente coletivo, pela "sabedoria" popular, de domínio público, de autoria desconhecida, transmitidas oralmente de geração pra geração, piadas muitas vezes chulas e grosseiras, sem pretensão nem refinamento. De piadas que são contadas no bar, no intervalo do cafezinho, na zona, no velório.
Gosto de piadas que não têm nenhum preconceito em relação ao tema tratado, ou seja, de piadas que são democraticamente desrespeitosas com tudo e com todos. De piadas que avacalham e esculhambam do português ao judeu, do baiano ao gaúcho, do comunista ao militar, da puta à freira, da bichinha ao machão.
Piada boa é piada que faz rir. Automaticamente. De bate-pronto. Em arco reflexo. Que faz a gargalhada jorrar sem freios, sem dar tempo de freá-la, impossível de ser contida, que nos escapa feito um soluço, um espirro, feito aquela gozada fora que não conseguimos tirar o pau a tempo de gozar fora.
Piada que nos dá tempo de pensar antes de rirmos, ou que requer um tempo de processamento, por melhor que ela seja, não é piada; é uma história engraçada, jocosa, tão-somente.
A boa piada é a que nos pega de surpresa, de supetão, de fim e desfecho insuspeitados. É o inesperado, é o inusitado que gera o riso autêntico, o riso convulso e gutural, o riso que vem do fígado, não do cérebro. Por isso, é preciso ser dono de um autocontrole muito grande para não rir, a exemplo, quando alguém tropeça ou escorrega e se estabaca no chão na nossa frente. O inusitado.
Nesse aspecto, há tempos uma piada não me surpreendia. Até porque, como eu disse, guardo de memória um amplo arsenal delas, e também porque muita piada com cara de nova nada mais é que uma variação, uma adaptação de piadas clássicas, de forma que o fim já se adivinha mal ela começa a ser contada.
Hoje, porém, uma piada - rápida e rasteira, curta e grossa - me pegou desprevenido, de calças curtas. Sabadão. Geralmente, vou a uma padaria, a duas quadras de onde moro, para pegar lá uma meia dúzia de pãezinhos. No balcão do caixa há sempre toda uma sorte de folhetos e panfletos, propagandas de outros estabelecimentos comerciais do bairro, ofertas de prestações de serviços e outros que tais. Um desses panfletos, na forma de um livrinho sanfonado e comprido com oito páginas, é um informativo de nome "Divirta-se", distribuído gratuitamente e que traz um roteiro cultural da cidade para a próxima semana - a programação de cinemas e teatros, festas e eventos musicais, sugestões de bares e restaurantes, opções de lazer ao ar livre etc.
Dentro desse etc, há uma sessão de humor, com três ou quatro piadinhas pra lá de batidas. Apesar disso, sempre as leio, mais para refrescar a memória que para tirar o pó e as teias de aranha do riso. São piadas que se prestam mais à lembrança do quanto rimos delas à primeira audição do que ao riso de fato. E as três primeiras do folheto de hoje, enquadravam-se justamente nessa categoria. A última, no entanto, a mais curta delas e relegada quase ao anonimato do rodapé da página, trouxe-me o inusitado. E o riso. Ri sem pensar. Ri alto ainda à saída da padaria, na calçada a esperar o semáforo ficar vermelho para os carros. Ganhei o dia. E uma nova aquisição para a minha piadoteca, o sadomasoquismo judeu.
"O Isaac chegou na zona, escolheu uma puta e foi logo perguntando:
- Quanto é?
- 100 reais - respondeu a puta.
- E com sadomasoquismo?
- É para você me bater ou para apanhar? - quis saber a puta
- Pra eu te bater!
- E você bate muito?
- Só até você devolver o dinheiro!"
sexta-feira, 20 de julho de 2018
A Morte do Corvo
"Perdi outrora tantos amigos tão leais! Perderei também este em regressando a aurora?" E o corvo disse : "Nunca mais".
Edgar Alan Poe
Morreu o corvo
Morreu uma morte magenta
Teve o desplante de morrer antes de mim, ave agourenta
Deixou-me o corvo
Sem ninguém para carregar-me dessa vida de tormenta.
Morreu o corvo
Morreu meu definhado coração e todos os seus plexos
Morreu o corvo
Morreu no espelho embaçado o meu pálido reflexo
Morreu o corvo
Morreram toda a vontade e os gametas em meu sexo.
Morreu o corvo
Morreu o corvo uma morte proscrita
Teve o atrevimento de partir antes de mim, ave maldita
Num vômito de escárnio pelo mundo
Que de sua bocarra desdentada regurgita.
Morreu o corvo a quem minhas córneas foram doadas
Para serem vazadas quando a luz já me estivesse perdida
Morreu o corvo que iria empanturrar-se
Da profusão dos seres inferiores
Em passeio pela minha carcaça semidigerida
Morreu o corvo que seria o último em meu sepulcro
A dar-me um beijo de despedida.
Morreu o corvo
Morreram todos os meus leucócitos
Estuprados por modernas gerações de bactérias
Morreu o corvo
Morreram todo o vigor e a libido
Estrangulados nas minhas artérias
Morreu o corvo
Morreu todo o meu organismo
Em ostracismo e orgânica miséria.
Morreu o corvo
Morreu o corvo cansado de esperar minh'alma
Para levá-la ao abandono
Morreu o corvo
Antes de envolver-me em suas asas de outono
Morreu o corvo que iria me dar suas penas
Pra eu fazer o travesseiro do meu último sono.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
Os Cabaços de Cristo
Cabaços nunca foram itens do cardápio da mesa do pobre, nunca compuseram a marmita e/ou o prato feito do povão, nunca foram comidos a quilo nos plebeus self services.
Cabaços sempre foram finas iguarias destinadas a nobres paladares, sempre foram requintados pratos reservados e servidos com pompas e circunstâncias a seletos comensais de sangue azul e de ascendência divina. Cabaços sempre foram artigos gourmet raros e exóticos ofertados em sacrifício aos antigos deuses, reis, faraós, monarcas, imperadores, chefes de estado e, claro, ao Espírito Santo.
Aliás, hoje, a depender de um cabaço, a depender de uma bucetinha ilibada e zero km, o Cristo nem teria sido concebido. E é justamente pro lado do Nazareno que a coisa tá pegando. Acredito que muitos não saibam, mas o Cristo é um dos últimos donos de uma reserva especial e exclusiva de cabaços, um dos derradeiros sultões detentor de um harém lacradinho, ainda na embalagem original de fábrica.
São as Esposas de Cristo, a Ordem das Virgens Consagradas. Não necessariamente freiras, as esposas de Cristo são mulheres virgens que passam por uma cerimônia de consagração e, a partir de então, tornam-se eternamente comprometidas com Cristo, usam aliança de casamento para demonstrar sua devoção e ficam impedidas de qualquer contato físico com outros homens. Na cerimônia, as mulheres vestem-se de noivas e juram castidade perpétua a Cristo.
A Igreja Católica estima que haja, hoje, cerca de 5.000 esposas de Cristo consagradas em 42 países, com maior concentração na França, Itália e Argentina. O número já foi bem maior e continua em franco declínio; em parte pela sangria de fiéis que a Igreja Católica vem experimentando em suas fileiras nos últimos tempos, mas, sobretudo, pela escassez da mercadoria cabaço; hoje, um cabaço é mais raro que combustível na bomba durante greve de caminhoneiros. Uma coisa somada a outra e o casamento de Cristo caminha para um divórcio.
Para salvar o matrimônio de seu filho mais dileto, de seu arrimo de família, para não ter que abolir, por falta de contingente, a tão tradicional Ordem das Virgens Consagradas, a Igreja Católica resolveu decretar, então, a Abolição dos Cabaços, deu alforria às periquitas das beatas, que, afinal, também são filhas de Deus.
É isso mesmo, caro e estupefacto leitor, a partir de agora não é mais necessário ser mais virgem para se tornar uma esposa virgem de Cristo, não é preciso mais ser virgem para ser uma Virgem Consagrada.
Um documento, o Ecclesiae Sponsae Imago, divulgado pelo Vaticano neste mês diz que uma mulher não precisa ter "mantido seu corpo em perfeita continência" para se tornar uma virgem consagrada, que "o chamado para dar testemunho do amor virginal, matrimonial e fecundo da Igreja por Cristo não é redutível ao símbolo da integridade física". E finaliza : "Assim, ter conservado seu corpo em perfeita continência ou ter praticado a virtude da castidade de maneira exemplar, embora de grande importância em relação ao discernimento, não são pré-requisitos essenciais para a admissão à consagração".
A virgindade mais importante, a pureza mais valiosa, segundo o documento, é a dos atos, a das condutas, a da moral e da espiritualidade. Possuindo-as, a mulher, ainda que seu cabaço já tenha ido e ficado apenas as recordações, está apta a ser uma Virgem de Cristo. Virgindade de conduta, moral e espiritual, é? Finalmente, depois de dois milênios, desvendado o mistério da concepção imaculada de Maria.
Claro que tal documento do Vaticano não passou despercebido pela comunidade católica, claro que não deixou de provocar grande celeuma no seio da Igreja, principalmente dentro da própria Ordem da Virgens Consagradas, onde o decreto papal caiu feito uma bomba. Tal decisão criou uma resistência por parte da Virgens Consagradas que já lá estão, quiçá uma futura dissidência dentro da Ordem, um cisma, um "racha" das que ainda têm intactas as suas rachas. Haverá, e não demora muito, a ala das cabaços xiitas, fundamentalistas, daquelas que nunca tiveram sequer um pau nem na boca nem no cu, e a ala das virgens não ortodoxas, das moderadas, das virgens nem tanto ao céu nem tanto ao inferno, da virgens do "Centrão", digamos assim, bem do centrão, se é que vocês me entendem.
A Associação de Virgens Consagradas dos EUA, através de sua líder, a Cabaço Superiora, divulgou uma moção de repúdio à decisão do Vaticano, classificando-a como "profundamente decepcionante". "Toda a tradição da Igreja sustentou firmemente que uma mulher deve ter recebido o dom da virgindade - isto é, material e formal (físico e espiritual) - para receber a consagração das virgens", desabafou a Cabaço Superiora.
E o Cristo, o que será que está achando disso tudo? Acho que pouco se lhe dá. Ao menos, de acordo com os relatos bíblicos, o Nazareno nunca demonstrou muito interesse ou apetite no tal quitute, fosse ele virgem ou não.
A Igreja Católica, sempre acusada de retrógrada, desta vez se antecipou à Ciência. Colocou-se à frente da Biologia Evolutiva e declarou o hímen um órgão vestigial, pô-lo a fazer companhia ao apêndice e ao cóccix, ou seja, órgãos que ainda conservamos, que devem ter sido de grande funcionalidade para nossos ancestrais evolutivos, mas que, atualmente, não apresentam nenhuma utilidade ou significado para nós.
Meu amigo, filósofo e, agora vejo, também profeta Fernandão, quando éramos jovens, quando tínhamos todo o tempo do mundo (ele ainda pensa que tem), vivia a repetir uma frase que, à época, nunca pude de todo compreender e desvendar o significado, era uma espécie de bordão dele, um mantra que ele entoava à exaustão : " 'Caba, não, mundão... Cabacim que é bom tá em extinção", ou algo muito parecido a isto. Como, à época, decifrar tão insondável centúria nostradâmica? Mas, agora, à luz das novas revelações da Igreja Católica, a frase do Fernandão se despe de seu hermetismo e se revela um vaticínio de grande precisão e de fácil compreensão.
Aliás, meu corno amigo, tá em extinção, não. Estava, na nossa época, em nossos anos dourados. Agora, acabou de vez. Só podem ser ainda encontrados conservados em formol nos museus de anatomia, em ilustrações detalhadas nos livros de medicina e embalsamados naquelas tias velhas e solteironas.
quarta-feira, 18 de julho de 2018
Todo Castigo Pra Corno é Pouco (31)
Vai Vadiar é a rendição final do corno! Bandeira branca, amor, não posso mais... diz o chifrudo! Vai Vadiar é a declaração de amor definitiva do corno à sua biscate! Convencido, enfim, depois de tanto chifre, depois de tanta galha, que ninguém muda, o corno libera geral e solta sua puta pra vadiar à vontade. Sem culpa nem remorso. Como se puta, um dia, pudesse ter algum destes sentimentos.
Composição de Ratinho - o nascido português Alcino Correia Ferreira, o mesmo corno de Coração em Desalinho, o corno que sempre acolhia a biscate quando ela chegava arrebentada da orgia, que dava asilo e refúgio, que dava banho e penicilina para a gonorreia, que fumigava a buceta com Neocid para expurgar os chatos -, Vai Vadiar, muito mais que a liberdade pra puta, é a alforria do corno.
Não bastasse a letra sensacional, a música foi também gravada por Zeca Pagodinho e o clipe é um primor, uma homenagem à velha boemia do samba. Destacam-se várias das grandes figurinhas carimbadas de nossa música, verdadeiros imortais do samba, embora muitos já estejam hoje tocando samba e bebendo cerveja no churrasco do capeta. João Nogueira, Mário Lago, Nélson Sargento, dona Neuma da Mangueira, Moreira da Silva, Almir Guineto e muitos outros, que minha ignorância sambística impede de identificar e nomear.
Vai vadiar, biscate! Vai!
Vai Vadiar
(Ratinho)
Eu quis te dar
Um grande amor
Mas você não
Se acostumou
À vida de um lar
O que você quer é vadiar...
Vai Vadiar! Vai vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Vai Vadiar!)
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Eu quis te dar!)
Eu quis te dar
Um grande amor
Mas você não
Se acostumou
À vida de um lar
O que você quer é vadiar...
Vai Vadiar! Vai vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Vai Vadiar!)
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Agora!
Não precisa se preocupar
Se passares da hora
Eu não vou mais te buscar
Não vou mais pedir
Nem tão pouco implorar
Você tem a mania
De ir prá orgia
Só quer vadiar
Você vai prá folia
Se entrar numa fria
Não vem me culpar
Vai Vadiar!...
Vai Vadiar! Vai vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Vai Vadiar!)
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Quem gosta da orgia
Da noite pro dia
Não pode mudar
Vive outra fantasia
Não vai se acostumar
Eu errei quando tentei
Lhe dar um lar
Você gosta do sereno
E meu mundo é pequeno
Prá lhe segurar
Vai procurar alegria
Fazer moradia na luz do luar
Vai Vadiar!...
Vai Vadiar! Vai vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Vai Vadiar!)
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Um grande amor
Mas você não
Se acostumou
À vida de um lar
O que você quer é vadiar...
Vai Vadiar! Vai vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Vai Vadiar!)
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Eu quis te dar!)
Eu quis te dar
Um grande amor
Mas você não
Se acostumou
À vida de um lar
O que você quer é vadiar...
Vai Vadiar! Vai vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Vai Vadiar!)
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Agora!
Não precisa se preocupar
Se passares da hora
Eu não vou mais te buscar
Não vou mais pedir
Nem tão pouco implorar
Você tem a mania
De ir prá orgia
Só quer vadiar
Você vai prá folia
Se entrar numa fria
Não vem me culpar
Vai Vadiar!...
Vai Vadiar! Vai vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Vai Vadiar!)
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Quem gosta da orgia
Da noite pro dia
Não pode mudar
Vive outra fantasia
Não vai se acostumar
Eu errei quando tentei
Lhe dar um lar
Você gosta do sereno
E meu mundo é pequeno
Prá lhe segurar
Vai procurar alegria
Fazer moradia na luz do luar
Vai Vadiar!...
Vai Vadiar! Vai vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
(Vai Vadiar!)
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Vai Vadiar! Vai Vadiar!
Para ouvir a música e ver o clipe, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO
Vai Vadiar...
Vai Vadiar, Vai Vadiar...
Vou-me Embora Pra Croácia
Esta é Kolinda Grabar-Katarovic, 49 anos, presidente da Croácia.
É conservadora, o que a vermelhada escrota chama de reacionário.
Kolinda não usou dinheiro público para ir à Copa da Rússia. Passagens de avião e estadias em hotel saíram de seu próprio bolso.
Os dias que Kolinda passou na Rússia a assistir aos jogos de sua seleção, e portanto não trabalhados, serão descontados de seu salário ao fim do mês.
Acompanhou os jogos de sua seleção da arquibancada, junto com a torcida.
Foi aplaudida, aclamada e ovacionada por seus compatriotas.
Não bastasse, é uma bela duma coroa, gostosíssima, dá um caldo pra lá de sustancioso.
E esta a seguir - e advirto aos de estômago fraco de que as imagens são fortes, de péssimo gosto - é Dilma Rousseff, eleita "presidenta" do Brasil por duas vezes pelo povão analfabeto e pelos comunistas de merda.
Pedalou com o dinheiro público.
Ajudou a falir a Petrobrás.
Aumentou por várias vezes o próprio salário.
Na Copa de 2014, assistiu a um único jogo da seleção brasileira isolada num camarote VIP, tudo às custas do dinheiro do povão.
Foi vaiada por todo o estádio.
E é esse tribufu, essa mocreia, essa jabiraca barriguda e caída das fotos abaixo, pega num flagrante enquanto se esbaldava, às custas de dinheiro público, em algum mar da Bahia.
As fotos, para a nossa sorte, foram tiradas de longe, estão meio desfocadas, com granulação excessiva, sem muita definição, ao estilo foto do monstro de Loch Ness e ainda mais assustador que ele.
terça-feira, 17 de julho de 2018
Deputado Petista Quer Liberar Mais Uma Droga
O deputado Paulo Teixeira (PT - SP), um dos três safados que pediu a soltura de Lula ao plantonista Rogério Favreto, outro pau mandado do PT, apresentou, em 10/07, um projeto de lei para liberar outra droga para consumo do povo brasileiro, a maconha, o famoso cigarrinho do capeta.
Tirando os prolegômenos e blá-blá-blás jurídicos, na prática, o projeto de lei do deputado quer liberar o uso recreativo da maconha, hoje, autorizada, depois de muita análise de cada caso, apenas para uso medicinal. O projeto de lei autoriza aos maiores de 18 anos o plantio de “até seis plantas fêmeas em floração”, bem como a compra, transporte e armazenagem de “até 40 gramas não prensadas de cannabis” por mês, para uso pessoal ou medicinal. Por outro lado, proíbe a publicidade da cannabis e seus derivados.
De acordo com a justificativa feita pelo deputado petista, “da mesma forma que o tratamento de enfermidades é um direito individual, assim também deve ser tratado o uso pessoal da ‘cannabis’ e de outras drogas. A decisão de fazê-lo dentro de limites aceitáveis, assim como sói acontecer para a utilização de tabaco e de álcool, a despeito dos males que causem à saúde, é uma decisão individual, pessoal. O Estado somente deve intervir se o uso pessoal venha a ocasionar danos à saúde pública”.
Por mais inacreditável que possa parecer, concordo, em grande parte, com o deputado petista. Eu nunca fumei maconha, sendo ela liberada, ou não; e se, amanhã, ou depois, ela puder ser comprada no supermercado, ou na padaria, continuarei sem saber qual é o gosto; fuma quem quer. E, via de regra, maconheiros chapados e calmos em bancos de praças, ou acampados em torno de uma fogueira, causam muito menos problemas que agressivos bêbados em seus lares e no trânsito. O problema é o crime por detrás da erva, que dela se alimenta. Tornando-a legal, ela deixará de ser um problema criminal, um caso de polícia, e passará a ser tão-somente um problema de saúde, como o são o álcool e o tabagismo. Eu tomo a minha cervejinha pra dar uma relaxada; sou melhor, por isso, ou pior, ou diferente, do moleque que fuma o baseado dele? Ou é melhor, pior, ou diferente de mim ou do moleque, o sujeito que toma o seu tarja preta para poder suportar a vida? Como disse o blue eyes Frank Sinatra : "sou a favor de tudo que ajude um homem a ter um sono tranquilo, seja uma prece, tranquilizantes, ou uma garrafa de Jack Daniels".
O deputado justifica ainda a propositura do projeto da liberação da cannabis para uso recreativo dada a observância de experiências bem-sucedidas em outros países, como Uruguai, EUA, Espanha e Portugal.
Mas que fique claro : concordo com o deputado petista no caso da liberação da cannabis para uso recreativo, não no caso da liberação do Lula. Liberar a maconha, tudo bem; o Lula, jamais. Lula é uma droga muito mais perigosa e nociva que a maconha.
E é do próprio projeto pró-liberação da maconha do deputado petista que tiro os argumentos para a não liberação de Lula, para o meu projeto Lula Forever no Xilindró. Bem o disse o deputado : "a despeito dos males que causem à saúde, é uma decisão individual, pessoal. O Estado somente deve intervir se o uso pessoal venha a ocasionar danos à saúde pública”. O cara que fuma a maconhinha dele só pode causar mal a si próprio, à sua própria saúde; bem como disse Lobão, "eu não posso causar mal nenhum, a não ser a mim mesmo". Já o filho da puta que vota no Lula, Dilma, ou em outros assemelhados causa mal à saúde de uma nação inteira, às saúdes ética, moral e financeira de todo um país.
Mais. A maconha vicia? Vicia. Causa dependência física, química e psicológica? Sim. Mas tem tratamento. É possível livrar-se do vício. Ou, ao menos, moderá-lo, de modo ao sujeito, feito o tal "bebedor social", fumar seu baseado e continuar normalmente com seu trabalho, a cuidar de sua família etc. O comunismo e Lulismo não viciam. Doutrinam. A maconha, segundo alguns, abre as portas da percepção. O Lulismo as fecha. Promove lavagem cerebral. Cria fanáticos. Não há tratamentos possíveis para o fanatismo; nem moderadores ou paliativos.
E, finalmente, as experiências bem-sucedidas da liberação da maconha em outros países fazem supor que o mesmo possa se dar por aqui. As experiências malsucedidas do comunismo em outros países - URSS, Cuba, Venezuela, Colômbia, Nicarágua, Coreia do Norte etc - nos dão a plena certeza de que esta merda não pode funcionar por aqui, também.
Maconha, livre! E a use quem bem entender. Lula, preso! E que seja erradicado da política brasileira, por decreto emitido pela Organização Mundial da Saúde, feito a varíola, a poliomielite.
Hoje, a apologia à maconha é ilegal; alguém usando uma camiseta com a famosa folha denteada da cannabis pode ser autuado criminalmente. Que, num futuro não muito distante, qualquer militante a fazer apologia do Lulismo, usando camisetas com a foto do sapo barbudo, ou mesmo um pequeno e discreto broche da estrela do PT, também seja criminalizado, e julgado sumariamente, sem direito a qualquer defesa, por crime lesa-pátria, por crime contra a humanidade.
Fonte : Amigos da Direita
segunda-feira, 16 de julho de 2018
A Antena
"Uma cidade sem voz, onde só a cantora sem rosto pode falar."
Pura poesia em preto-e-branco.
Sem som. Repleta de fúria e significado.
Uma ode à palavra.
Um tango frenético e lascivo de luz e sombra.
Uma sinfonia executada em uma velha máquina de escrever.
Ousou ir, e foi, muito além de Orwell e 1984, de Welles e Cidadão Kane.
O tipo de filme para o qual o cinema foi inventado.
O tipo de filme do qual eu gosto, e que já tinha até me esquecido de.
domingo, 15 de julho de 2018
O Que é Que a Rússia (e a Russa) Tem (VII)
Finda a Copa da Rússia.
E eu sou mais pé-frio que o Mick Jagger!
Começo, como sempre, torcendo pela Argentina, e logo ela foi eliminada. Depois, simpatizei com os vikings islandeses, que, até então, estavam indo muito bem - foi o que bastou para que os descendentes de Odin e de Thor fossem derrotados. Em seguida, estendi minha torcida para os japoneses e a Bélgica caiu feito uma Little Boy sobre suas cabeças; finalmente, hoje, na briga de Davi e Golias, preferi que tivesse dado a Croácia, pelo esforço, pela dedicação, garra, disciplina e também pela presidente croata, uma coroa muito da ajeitada : o resultado, todos sabemos.
Não obstante, na última postagem desta série cultural, folclórica, histórica e geográfica O Que é Que a Rússia (e a Russa) Tem, não posso deixar de deitar loas a mais duas das grandes, enormes, imensas e incomensuráveis maravilhas naturais russas.
Uma. O lago Baikal. É o maior lago em volume de água do mundo. Com 636 km de comprimento, 80 km de largura e 1680 metros de profundidade máxima conhecida, o Baikal é a maior reserva de água doce do planeta, contém 20% das reservas de água doce do planeta no estado líquido. É patrimônio mundial tombado pela Unesco.
Duas. Os peitos de Tanya Song. Também dois dos maiores peitos em volume do mundo. Tão impressionantes e imponentes em suas grandeza e magnitude como o Baikal, os peitos de Tanya Song compõem parte da maior reserva tetífera do planeta, as mulheres russas. As russas reúnem 38% dos peitos acima da medida 38 G do planeta. Ainda não o são, os peitos das russas, patrimônio mundial tombado pela Unesco. Deveriam ser. E logo. Antes que, ao invés de tombados, tornem-se caídos. Mas, nesse caso, é só colocar a moça na vertical que eles ainda duram uns bons anos.
Abaixo, um apanhado de Tanya Song, não consegui optar por apenas uma delas. Tanya Song, um aquífero Guarani em cada teta.
E já ando a me preocupar com a Copa do Mundo de 2022, a ser realizada no Qatar. Dei uma pesquisada na Boobpedia, a enciclopédia das grandes tetas, a Barsa dos peitos, e não encontrei uma única peituda Qatariana. Se eu e o Marreta ainda estivermos vivos em 2022, não sei o que farei.
sexta-feira, 13 de julho de 2018
O Que é Que a Rússia (e a Russa) Tem (VI)
"O futebol é uma caixinha de surpresas", defendem-se os jogadores do time perdedor quando chamados a juízo e confrontados pelo inquisidor microfone do repórter esportivo.
Mas como tudo é grande, farto, generoso, túrgido e intumescido na Rússia, a Copa de 2018 tem sido muito mais que uma simples caixinha de surpresas, revelou-se uma verdadeira matrioska de surpresas. É uma surpresa saindo de dentro da outra, um fractal de "zebras".
É a Copa dos azarões. A Coreia do Sul eliminou a poderosa Alemanha, a Rússia pôs a campeã Espanha para correr e a grande azarona Croácia bateu o futebol bretão e se classificou para a finalíssima.
As matrioskas são peças tradicionais do artesanato e da cultura popular russa. São um conjunto de bonecas ocas de tamanho crescente entalhadas em madeira e colocadas umas dentro das outras. Abre-se uma matrioska e uma outra menor sai dela, e mais outra menor e outra e outra... Representam o ato do parto, quando a mãe dá à luz a sua filha e, consequentemente, a filha dá à luz a outra criança, que dará a luz a outre assim sucessivamente.
Haja leite e haja teta para sustentar tanta criança assim. O que, para as russas, está longe de ser um problema. Pelo contrário. Mais até que as matrioskas, outro elemento tradicional da cultura e dos costumes russos são os peitões, comprovadamente os maiores do planeta. Inversamente, porém, às matrioskas, de cada russa peituda que você abre, sai outra russa ainda mais peituda de dentro.
Não me deixa passar por mentiroso, Anya Sakova, detentora de verdadeiras cornucópias.
quinta-feira, 12 de julho de 2018
O Lar dos Velhinhos de Pau Duro
Sempre fui um sujeito precavido, previdente, resvalando, por vezes, as raias da paranoia. Gosto de pensar que tenho sempre um plano, ainda que um esboço, para os imprevistos previsíveis, inevitáveis. Feito a velhice, que campeia, não obstante de bengala, a passos cada vez mais largos.
Não acredito em futuros já grafados no livro de algum deus sádico, em garranchos escritos nas estrelas, em predeterminações etc. Acredito em possibilidades, em possíveis linhas temporais, em variados caminhos que darão, inevitavelmente, à mesma Roma em cinzas e ruínas. Uns mais esburacados, outros, melhor pavimentados, sinalizados, pedagiados, até; a depender do GPS e da sorte de cada um. Enfim, acredito em vias crúcis alternativas que conduzirão ao mesmo Gólgota.
Em um desses possíveis futuros inglórios, serei um octogenário saudável, dentro do possível; um velhinho pimpão. Serei capaz de comer com minhas próprias mãos, andar com minhas próprias pernas e limpar o meu próprio cu. Nesta possível linha temporal, acredito, as pessoas de minha convivência ainda serão capazes de me tolerar. De terem-me por perto, feito um gato velho do qual se releva os pelos deixados no estofamento do sofá novo, os arranhados nos batentes das portas e os esporádicos e melancólicos miados roucos para a Lua e para os telhados vazios - a nênia de todo gato. Tolerarão-me feito uma presença, um espectro , um tipo de fantasma que não se desapega de sua antiga residência.
Em outro possível tentáculo de minha linha temporal, eu não me torno apenas velho; também senil, gagá. Terão que me dar comida à boca e trocar minhas fraldas. Nesta ramificação temporal, o melhor para todos é que me internem num asilo para velhos. O que, atualmente, é chamado de lar de idosos, casa de repouso da terceira idade etc. A merda do politicamente correto não nos deixa usufruir nem do último prazer da vida, que é o de ser velho, que é o carimbo de soltura no nosso prontuário da condenação à vida, que é o nosso habeas corpus da existência; querem-nos idosos, envelhescentes.
Com o aumento artificial da expectativa de vida do brasileiro, e raramente da qualidade da mesma, tais lares para velhinhos estão a proliferar. Há vários deles no meu bairro; inclusive, um bem em frente ao prédio em que moro, bem em frente à minha sacada. Moro em apartamento há 32 anos. Acham que a vida, pulsante, jovem e de peitos empinados já se exibiu das janelas dos prédios em frente para mim? Nunca flagrei um único peitinho. No entanto, a morte faz seus ensaios todos os dias quando saio para tomar o meu café e/ou minha cerveja.
Tenho andado, portanto, a observar esses lares para idosos sempre que passo defronte algum deles, a tentar entender seus funcionamentos, suas dinâmicas, a armazenar dados para futuras necessidades. Todos parecem seguir os mesmos protocolos e cronogramas. De manhãzinha, os velhos são colocados às varandas e aos alpendres para tomarem um pouco de sol - não deixar criar bolor e mofo nas rugas-, depois as enfermeiras se revezam dando comida e remédios, comem bem os velhinhos, o asilo daqui de frente de casa, em sua placa com um casal de velhos sorridentes, garante que serve seis refeições diárias, há também sessões de exercícios físicos com fisioterapeutas, e assim o dia vai transcorrendo. Ao entardecer, os velhinhos são recolhidos e desaparecem para dentro das casas.
Aparentemente, levam vida boa e confortável, os velhinhos, porém, em nenhum desses asilos, nunca ouvi uma música tocando (e eu vivo com o toca-CD ligado o dia todo), nunca vi um único velhinho com um jornal, um livro, um caderninho com uma caneta, ou mesmo com palavras cruzadas nas mãos (viver em silêncio, sim, mas sem a palavra, não), nunca vi, nem aos sábados, domingos, feriados e aniversários (sim, eles comemoram aniversário, com bolo, parabéns e tudo), um velhinho molhando o bico com uma latinha de cerveja (oh, Morte, abstinência é um de seus nomes). E essa estória, então, de atividades físicas diárias? Eu nunca fiz exercício nem quando era novo, vou me meter a besta depois de velho? Quero é sossego. E minha dúvida, de onde me instalarei na velhice, continuava...
Mas são nestas horas de angústia e de indecisão que os amigos nos valem. Mesmo sem saber. Mesmo sem serem requisitados sobre o assunto, nos vêm com uma luz no fim do túnel. Ontem, meu primo Leitinho me mandou uma notícia sobre um fato insólito ocorrido em um asilo norte-americano em Oklahoma, o Parkview Nurse Center.
Giselle Horney, 49 anos, uma das enfermeiras do asilo, foi detida e acusada de abusar sexualmente de vários idosos. As investigações e os depoimentos indicam que os abusos vêm ocorrendo há cerca de três anos e atingiram mais de 78 residentes da instituição, homens e mulheres com idades compreendidas entre os 72 e os 103 anos. Ela dava viagra para os velhinhos e depois os forçava a fazerem sexo com ela.
As suspeitas foram levadas por alguns funcionários a Elise Wood, a gerente do asilo, que estavam a estranhar o permanente estado de ereção de alguns residentes do sexo masculino. Era bengala em riste pra tudo quanto é lado. Câmeras de vigilância foram instaladas nos quartos dos idosos, e as suspeitas, confirmadas.
Giselle Horney chegava a fazer sexo com mais de 20 velhinhos por dia. É Geni, da música do Chico, "e também vai amiúde com os velhinhos sem saúde e as viúvas sem porvir, ela é um poço de bondade...".
Ouvidos pela polícia, os velhinhos não quiseram prestar queixa contra Giselle, muitos, inclusive, disseram ter gostado dos "abusos" por parte da enfermeira. Um dos idosos entrevistados disse : "Ela foi a melhor coisa que me aconteceu desde que minha mulher faleceu há 35 anos, mas admito que passar horas e horas por dia com ereção era um pouco aborrecido e incômodo".
Outros, apesar de confirmarem que as trepadas com Giselle foram consensuais de parte a parte, disseram não ter gostado dos "brinquedos sexuais" e das "brincadeiras anais". Uns mal-agradecidos, esses velhinhos. O sujeito tá lá, com 90 e tantos anos, no bico do corvo, aí vem uma ninfetinha de 49 anos, deixa o cara de pau duro e dá pra ele. E o cara tá reclamando do quê? Dum fio-terra?
Rapaz, se um dia eu estiver com 90 anos, de pau duro e com uma doida querendo dar pra mim, tudo o mais que vier (ainda que por trás) será lucro, será bônus. Vê lá se eu vou ficar regulando a mixaria dum cu velho, reclamando de uma cutucada no toba seco. Pããããããããããta que o pariu!!!!
Com a divulgação do ocorrido, espero que outros lares para idosos, de outros países, realizem estudos e experimentos acerca do método revolucionário de Giselle Horney, para promoverem ainda mais o conforto e o bem-estar de seus residentes. Ou que Giselle, após sair do xilindró, resolva abrir sua própria franquia de asilos, a Old Man with Hard Cock's Home, ou, vertido para o bom português, o Lar dos Velhinhos de Pau Duro. E que inaugure o primeiro deles, o quanto antes (meu tempo urge), aqui em Ribeirão Preto. E o segundo em Belo Horizonte, certo, JB?
A gerontófila Giselle Horney
Os Canalhas Dormem Cedo
Não gosto de Sol
(fodam-se a fotossíntese e a vitamina D).
Gosto de sóis,
De galáxias deles.
Por isso, a madrugada,
Por isso, as damas-da-noite
Banhando-se em banheiras,
Gestando em úteros
De leite ejaculado pela Via-Láctea.
(e os intolerantes à lactose, que assistam às suas novelas, aos seus reality shows, ao seu futebol, que atualizem seus perfis nas redes sociais e vão dormir mais cedo).
quarta-feira, 11 de julho de 2018
A Bélgica e Bolsonaro Agradecem
Um belo texto de Marcelo Damato, colunista da Folha de São Paulo. Sobre as duas grandes farsas nacionais, Lula e Neymar, e sobre os fanáticos que ainda os defendem. Os grifos em vermelhos são por minha conta.
Lula e Neymar consomem mais esforço do que devolvem ao país
"Em química, as reações entre os compostos podem ser divididas em exotérmicas, que liberam mais energia do que consomem, e endotérmicas, que agem ao contrário.
No trabalho e nas relações humanas, é parecido. Ao contratar um profissional, uma empresa ou entidade projeta que a riqueza gerada por seu trabalho supere o seu custo. Numa relação pessoal, seja um companheiro de cerveja, seja a pessoa com quem casamos, esperamos que o esforço gasto na relação seja recompensado com algo melhor.
Mas esse ganho não tem acontecido nem com Lula, nem com Neymar. Ambos consomem mais energia, esforço e emoções do que devolvem ao país. Neymar já encerrou sua campanha na Copa –com fracasso. Lula ainda está em campanha –para entrar na campanha eleitoral.
A premissa que move o apoio a ambos é a mesma: é a única pessoa que pode levar a um ápice, um objetivo essencial para a felicidade.
Para a esquerda que o apoia, Lula é o único capaz de, nas próximas eleições, derrotar “a direita”, esse grupo meio misterioso que iria de Temer a Bolsonaro, e que agiria com o objetivo de retirar direitos e dinheiro dos cidadãos, destruir a natureza e aumentar a exclusão.
Da mesma forma, Neymar era, para os seus fãs, o único craque capaz derrotar a Fifa, o VAR e todas as seleções e conquistar o sonhado hexa.
Para apoiá-los, é preciso quebrar a disciplina do Judiciário ou a disciplina da seleção. É preciso aceitar sem contestar o que fazem ou pedem, de um corte de cabelo lamen na véspera da estreia ou um frigobar na cela uma semana após a prisão.
Se você critica Neymar, independente de quantos elogios faça, então você é um cego, que não entende de futebol ou, pior, um invejoso que não aceita que um garoto pobre tenha sucesso –não importando quantos outros você admire– e até está torcendo contra. Ou seja, é um traidor da pátria.
Se você faz críticas a Lula, não importam os seus elogios, então você é um cego, que não enxerga a situação do país, ou, pior, um reacionário que não aceita que um ex-operário seja presidente do Brasil –ainda que já tenha votado nele. Ou seja, …
Para atender Lula em suas vontades, os seus fiéis se tornaram motivo de chacota nacional. Para atender Neymar em suas vontades, os seus fiéis, inclusive parte da comissão técnica, se tornaram motivo de chacota internacional.
Se as notícias sobre as recentes manobras no Judiciário fossem relativas a um político rival, os fãs de Lula ficariam revoltados. Já ficaram, com Aécio fazendo menos. Se as imagens, simulando, rolando e se contorcendo fosse de um jogador rival, os fãs de Neymar ficariam indignados. Já ficaram, com ingleses fazendo menos.
Pode-se dizer que Neymar é o Lula do futebol. E Lula é o Neymar da política.
A Bélgica e Bolsonaro agradecem."
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