sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Em Ribeirão Preto, Traveco Invade Recinto da Onça-Pintada

O Bosque e Zoológico Municipal Fábio Barreto, moicana célula clorofilada ainda a resistir no coração anóxico e infartado da triste Ribeirão Preto, santuário de remanescente vegetação da Mata Atlântica e abrigo de diversas espécies nativas de nossa fauna, bem como da fauna de quase todos os continentes, teve ontem (27/09) a sua tranquila e plácida rotina quebrada pela invasão de uma espécie exótica da fauna urbana. Exótica, porém, não rara. Tampouco em extinção; antes pelo contrário, aliás.
Uma criatura quase que saída das antigas mitologias, praticamente uma quimera, um híbrido metade mulher e metade elefante : um travecão-campeiro, ou também conhecido - haja vistas à tirânica monocultura da região - como travecão-dos-canaviais.
Estima-se que, por volta das 06:30h (as câmeras de vigilância do Bosque há muito não funcionam), o travecão-dos-canaviais tenha adentrado sorrateiro nas dependências do Bosque, dirigido-se ao recinto dos grandes felinos, pulado o alambrado de proteção do covil da onça-pintada, mergulhado no fosso com água, que serve como barreira entre os animais e os visitantes, atravessado-o a nado e, finalmente, atingido o pátio gramado destinado à locomoção e exibição dos bichanos. As onças, que são recolhidas às suas jaulas à noite, ainda não haviam sido soltas.
Funcionários que iniciavam o turno da manhã flagraram o travecão-dos-canaviais e acionaram o Corpo de Bombeiros e a GCM, a Guarda Civil Municipal. O travecão-dos-canaviais, que atende pelo "nome social" de Nina, portava e brandia uma garrafa quase vazia de conhaque Presidente e estava visivelmente transtornado, bêbado feito um gambá. Com a chegada dos valorosos homens da lei, começou a gritar que era uma vítima da sociedade e a proferir frases desconexas e de significado hermético : "meu tênis está molhado, estou suja, minha bolsa... soltem as bestas, soltem as bestas... tem gente aí no fundo, tem gente me esperando... eu vou sair, tem gente me esperando, de tocaia... vão me dar uma gravata... "
Foram trinta malogrados minutos de negociação na tentativa de que o travecão-dos-canaviais saísse por livre e espontânea vontade. Entre os termos de negociação para deixar o recinto pacificamente, o travecão-dos-canaviais chegou a pedir aspargos e sorvete de pistache. Aspargos e sorvete de pistache... Pããããta que o pariu!!! É muito bicha! Bicha fina, chiquérrima, uma verdadeira lady. Bichinha gourmet. Até que, cansado de tanta viadagem, um agente da GCM entrou em ação e imobilizou o travecão-dos-canaviais; mostrando que conhece muito de seu ofício, que sabe do métier, o guarda municipal pegou o travecão-dos-canaviais por trás e o jogou ao chão. Dali, o travecão-dos-canaviais foi levado a uma UPA (unidade de pronto atendimento), medicado e, depois, levado para a Central de Flagrantes da Polícia Civil.
O incidente pôs em xeque a segurança do Bosque, ou seja, o travecão-dos-canaviais tava muito doido e quem teve que dar explicações foi o coitado do diretor. Alexandre Gouvêa, chefe do zoo, disse que não houve falha na segurança do  perímetro, que o travecão-dos-canaviais, provavelmente, pegou uma trilha alternativa e não vigiada que sai do conjunto Mosteiro do São Bento/Sete Capelas, notório ponto de prostituição masculina, e vai dar no mirante do Bosque. Quanto à segurança do recinto, Gouvêa garante : "o recinto tem aprovação dos órgãos fiscalizadores, com cerca de afastamento e grade horizontal para prevenir quedas no fosso com água, os animais são mantidos em suas áreas de manobra ou cambiamento nos horários em que o zoológico fica fechado. É um recinto que nos atende em todos os quesitos, tanto aos animais e o público visitante. O que aconteceu foi uma situação inusitada"
Mas e a real motivação do travecão-dos-canaviais ter saído tanto assim de seu habitat, de ter galgado escura e íngreme trilha, adentrado o Bosque e se jogado às feras? Isso a imprensa oficial não revelou. E, talvez, não por desconhecimento. Talvez por se tratar de assunto em torno do qual há uma tácita concordância, entre os grandes órgãos de imprensa, de não divulgação : o suicídio, ou a tentativa de.
Não há nenhum indício ou comprovação, mas corre à boca pequena - fiquei sabendo por uma mexeriqueira do trabalho - que a intenção do travecão-dos-canaviais era a de se matar. Mas não se suicidaria sem brilho ou glamour. Queria "causar", partir de forma triunfal, ser estripado, eviscerado, arrombado e, finalmente, comido pelas onças-pintadas. Aos boatos, imediatamente, juntaram-se as más-línguas de plantão : se a intenção do travecão-dos-canaviais era ser comido, deveria ter pulado no recinto do jumento-da-Mongólia; o bicho, dizem, não tem pena nem da mãe.
Corre, também à boca pequena, que parte do vídeo da negociação e da captura do travecão-dos-canaviais foi editada, suprimida. Nela, o travecão-dos-canaviais gritava : "Cadê a pintada? Eu quero uma pintada!".
Corre, ainda à boca pequena, pelas alamedas do bosque, que a ala dos cervídeos - veados, gazelas, gamos, impalas etc - está a se organizar em apoio ao travecão-dos-canaviais e em repúdio às onças-pintadas, que, aliás, foram atendidas pelo psicólogo do zoo e que, embora aparentem não ter sofrido nenhum trauma com o ocorrido, dizem temer por sua segurança futura e ameaçam fazer greve de fome se lhes for, de novo, oferecida carne de segunda. Os cervídeos estão a fundar uma ONG, para terem representação jurídica e poderem processar judicialmente as onças-pintadas. Por homofobia. Por não terem comido o travecão-dos-canaviais.
Pããããããta que o pariu!!!! 
Abaixo, fotos feitas a partir do vídeo.
Para assistir ao vídeo, é só clicar aqui, no meu animalesco MARRETÃO.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Vou Apertar, Mas Não Vou Eleger Agora

Quando o assunto é empreendedorismo, estratégia de mercado e publicidade, os traficantes brasileiros estão anos-luz além dos grandes empresários e marketeiros. Eike Batista é o caralho! Washington Olivetto é a puta que o pariu!
Sempre atentos (ou sempre de tocaia, nesse caso) às pesquisas de preferência do consumidor, sempre alertas às tendências do mercado, os traficantes adequam a natureza, a qualidade e o visual de seus produtos de modo a atingir (a alvejar, nesse caso) em cheio a sua clientela. Os traficantes sabem que no mundo empresarial não se pode contar com a sorte, com o feliz acaso, sabem que no mundo do business  não tem bala perdida.
Inteirados dos resultados e prognósticos das últimas pesquisas eleitorais do Ibope, Datafolha e outros institutos, nas quais Fernando Haddad, em apenas duas semanas de candidatura anunciada, saiu da última colocação, pulou para a segunda e já ameaça a liderança do intrépido Jair Bolsonaro, somente pelo fato de que o chefão-mor do crime no Brasil, Lula Inácio Sapo  Barbudo Condenado em Segunda Instância da Silva, mandou, os traficantes concluíram, em definitivo, que o brasileiro gosta mesmo é de droga, é de bandido. E de droga malhada. De droga batizada. De fumar bosta de vaca.
Lançaram no mercado a droga 2 em 1: tabletes de maconha embalados em papel estampado com as fuças do Lula. Droga por fora e droga por dentro. O cara dichava a maconha, enrola na foto do Lula, queima e a ideologia fanática e fascista da esquerda sobe pra cabeça. Parece a embalagem de um chiclete. Chiclete que passarinho não masca. Na embalagem, ainda a inscrição : "Lula livre no Brasil e no mundo!". A droga foi apreendida na cidade de Batatais, interior de São Paulo, no dia 11, e a imagem abaixo foi feita por um dos policiais que participou da apreensão.
A bandidagem tá investindo na carreira, virou cabo eleitoral do Lula e do PT. Isso sim é que é ser pró-ativo! Isso sim é que é investir em mercados futuros! Camisetas, canetas, chaveiros, bonés e santinhos com foto e nome de candidatos são coisa do passado, das antigas oligarquias, dos velhos coronéis da política. O negócio agora é tablete de maconha com a foto do Lula. Boca de Urna é estratégia eleitoral ultrapassada, dinossáurica, o quente agora é a Boca de Fumo. O cara é pego em flagrante delito eleitoral e o policial pergunta : " - tá fazendo boca de urna pro PT, ô filho da puta?" " - Nada disso, doutô, tô fazendo é boca de fumo!" Pããããããta que o pariu!
A veracidade da foto foi confirmada por uma equipe de jornalistas da Folha de S. Paulo, Gazeta Online e NSC, mas o PT, é claro, negou que a mercadoria tenha qualquer ligação com o partido, que seja uma estratégia de campanha.
Na verdade, a maconha do Lula é uma droga 3 em 1 : além de ter droga por fora e droga por dentro, ainda traz de brinde dois álibis incontestáveis (ao menos do ponto de vista da defesa do Lula no caso do tríplex) para o moleque maconheiro que for pego pelos pais com a boca na botija (na bagana, nesse caso). Numa saída a la Lula, o menino pode dizer : "eu não sabia de nada". Ou ainda : "a dona Marisa Letícia é que tava cuidando disso". Pãããããããta que o pariu!!!!
Vou apertar, mas não vou eleger agora. E nem nunca mais, essa corja de vagabundos!

sábado, 22 de setembro de 2018

Há uma outra cidade
Sobre a cidade em que um dia vivi,
Há pessoas pisando em pessoas
Às quais nunca mais revi,
Há um túmulo fazendo companhia
Ao berço em que nasci.
Há gemidos terminais de dor
Onde havia sua terna voz,
Há poças de lama e não pedras douradas
Em seu caminho para Oz.

Há flores sulfurosas
Onde havia o adocicado jasmim,
Há urubus bebendo néctar,
Expulsando os colibris do seu jardim,
Há seus olhos que não mais me enxergam
Onde antes havia espelhos de mim,
Há doenças  venéreas em seu beijo,
Há cáries malcheirosas em tudo o que vejo,
Há desolação e pesadelo
Onde antes havia desejo.

Há inimigos em família
Onde antes havia o almoço de domingo,
Há cães treinados e medo
Na rua calma onde se brincava sem perigo,
Há vírus e drogas onde havia amor
Correndo pelo cordão que leva ao umbigo.
Há tragédias e desgraças prestes a explodirem
Atrás da cara fresca e barbeada de cada manhã,
Há assassinos embutidos
Em cada pai e mãe.

sábado, 15 de setembro de 2018

Florilégio

Vasculhei a cidade a recolher flores,
Para ornar aquele vaso solitário ao lado do teu espelho;
Vasculhei a cidade a procurar fios de dálias,
Querendo entremeá-los aos teus cabelos.
Mas me parece que demorei tempo demais.

É que eu perambulei pela cidade
A escolher flores sem espinhos 
Que não fizessem correr a vermelha seiva de teus dedos;
Eu perambulei pela cidade a procurar luzes de azaleias,
Querendo deixar menos sombrios os teus medos.
Mas me parece que me demorei tempo demais.

É que eu varri toda a cidade a cheirar flores
Tentando adivinhar qual não te daria alergia;
Varri toda a cidade a procurar uma maquiagem de lírios
Para ver se conseguia pintar um riso nessa tua agonia.
Mas me parece que demorei tempo demais.

É que eu me perdi pela cidade a roubar flores;
E aqui estou a carregar um jardim,
Mas demorei tempo demais
E tantas eram as tuas dores
Que não podes esperar pelas flores e nem por mim.

Sem dizer única palavra,
Deixo tudo aos teus pés e me retiro :
Passei o dia entre flores,
Mas não cheguei a tempo de trazer perfume
Ao teu último suspiro.

Soluções

Eu até que pegaria essa Manuela d'Ávila, mas num dia em que ela estivesse afônica, com faringite etc, só pra não ter que aguentar esse papinho batido e enfadonho e broxante de que a mulher é sempre uma ingênua, uma desavisada, uma vítima inocente, um objeto sexual nas mãos (e na rola) do homem branco, capitalista e heterossexual.
E, nesse caso, Bolsonaro, o mito, pegou bem leve; poderia muito bem ter dito : e quem dá pra vagabundo é o quê? Os opostos, no caso das cargas elétricas, é bem verdade, se atraem; porém, dentro da triste condição humana, são os semelhantes que se acasalam e procriam.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Cordas de Nylon, por JB do Blogson Crusoe

Não faz muito tempo, eu tinha vinte e poucos anos
Em meu violão novo de cordas de aço
Tocava e cantava músicas do Belchior e dos Beatles
Em festinhas ou em casas de amigos.
Meus dedos tinham calos nas pontas e não doíam.
Eu tinha vinte e poucos anos, mas nunca toquei
Como nossos pais.

Hoje, passados muitos anos
Em um velho violão de cordas de nylon
Às vezes toco e canto músicas do Belchior e dos Beatles
Para minha mulher e meus filhos e filhas.
Hoje tenho calos na alma - que doem muito.
Passaram-se os anos, mas nunca toquei
Como nossos pais.

domingo, 9 de setembro de 2018

Inabalável, Bolsonaro Continua Mandando Bala (Ou, quase morrer não muda nada)

Há aqueles - e são muitos, afinal advogam em causa própria - que creem na redenção do ser humano, na existência de uma humildade latente a todos e que, uma vez sensibilizada, levaria o sujeito a reconhecer sua equivocada conduta pregressa, arrepender-se de suas falhas e tornar-se em um novo homem, mais sensato, responsável, cordato, moral e ético. Ou, como diriam os viadinhos politicamente corretos e dados a misticismos e esoterismos : a evoluir como pessoa.
Este renascimento, porém, esta metamorfose da alma, nunca se dá de forma pacífica e indolor, muito menos voluntária. O novo homem não será parido da leitura dos grandes filósofos, ou dos livros de autoajuda do Augusto Cury - o que dá na mesma.
Todo nascimento é doloroso, traumático e sangrento; que dizer, então, de um renascimento? O gatilho que deflagra a humildade latente - o zigoto do novo ser - é sempre uma porrada. A purificação e o aprimoramento, como bem reza a tradição cristã, vem pelo flagelo e pelo martírio. A revelação - garantem tais avalistas do caráter humano - vem do enfrentamento de uma situação difícil, um apuro, uma sinuca de bico, de uma provação divina; da superação, emerge o ser humano lapidado.
Experiências de quase morte seriam os agentes catalisadores mais eficientes da reconstrução humana - sair milagrosamente vivo de um acidente de carro, de uma queda de 10 andares, acordar de um longo estado de coma, curar-se de um câncer, conseguir se aposentar como professor de escola pública etc.
Ao escapar por pouco da Morte, o sujeito passará a dar mais valor à vida, a aproveitá-la para atos mais nobres, não reclamará mais das pequenas coisas, passará a ver o mundo por um prisma menos crítico, não desperdiçará a segunda chance que Deus lhe deu.
Só que não. Pura balela. Sinto desiludi-los, cabos eleitorais da remissão do espírito humano.
Há 12 anos, dei aula para um tal de Denis, um cramulhão em forma de guri. Ele estava no primeiro ano do ensino médio e eu o punha pra fora da sala, por indisciplina, numa média de três para cada quatro aulas. Ainda assim, garantiam-me as professoras que o conheciam desde a quinta série, que Denis muito melhorara. Quando petiz, só para dar bom-dia à sala, só para esquentar os motores, Denis entrava na sala e ia caminhando até o seu lugar, no fundo da sala, não por entre as carteiras, sim andando por sobre elas.
Vai daí que, lá para maio, junho do ano em que lhe dei aula, Denis foi acometido por uma forte meningite, a pior delas, a bacteriana, letal em muitos casos. Denis foi mantido em coma induzido por quase duas semanas. Enfermeiras do Hospital das Clínicas acorreram à escola para medicar preventivamente os outros alunos da sala de Denis e também os professores - um antibiótico que me fez ficar mijando vermelho por uma semana.
Denis safou-se. Driblou a meningite. Escapou ileso e incólume. Sem nenhuma sequela. Um milagre, asseguraram as professoras mais religiosas, ou seja, 99% do triste professorado público paulista. Na sala dos professores, uma roda de oração foi feita em agradecimento à misericórdia divina - não teria sido mais fácil Deus não ter deixado Denis contrair a bactéria, ou não ter criado tal micro-organismo? Com certeza, vaticinaram as professoras, um novo Denis iria se sentar de volta às fileiras escolares. Um Denis educado, respeitoso e gentil para com os professores, estudioso, agradecido a Deus pela segunda chance.
A primeira semana do retorno de Denis passou sem maiores incidentes. Na terça-feira da segunda semana, já totalmente restabelecido, Denis, como forma de comemorar a sua volta do mundo dos mortos, soltou uma bomba no banheiro dos alunos. Não uma bombinha qualquer, um reles traque. Uma senhora bomba, que chegou a quebrar um vaso sanitário. Humildade é o cacete! Nem a meningite mais letal conseguira lhe dar cabo. Ele, agora, sentia-se invencível.
Eu mesmo já tive ressacas que foram autênticas experiências de quase morte e, muitas vezes, jurei ao Universo que nunca mais beberia. No entanto...
Não sou de citar os grandes pensadores, até porque - já citando um deles - "eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz". Contudo, citarei dois outros deles, bem a calhar no caso em questão. O primeiro, o dr. Gregory House : "quase morrer não muda nada. Morrer muda tudo"; e o segundo, o Compadre Washington, do Grupo É o Tchan : pau que nasce torto, nunca se endireita".
O intrépido Jair Bolsonaro, candidato à presidência da república pelo PSL, sofreu um atentado à faca na cidade de Juiz de Fora (MG), na quinta-feira, 06/09. O autor : um cara "formado" em sociologia e ex-militante do PSOL, e o qual a grande imprensa tenta a todos nos convencer de que é um "louco", um "lobo solitário", e não um pau mandado a serviço da esquerda. Fígado furado, intestino lacerado, bosta espalhada por todo o corpo, Bolsonaro ficou entre a vida e o garfo do capeta.
Todos os outros candidatos manifestaram seus repúdios ao atentado, e suas solidariedades a Bolsonaro. Os noticiários e os noticiosos foram tomados por debates sobre a urgente necessidade dos partidos políticos moderarem o tom de suas campanhas, evitarem qualquer tipo de violência verbal em seus discursos.
Muitos julgaram, é claro, que o próprio Bolsonaro, de volta as suas atividades de campanha, estaria mais manso em sua fala, abandonaria a contundência de seu "discurso de ódio" - que é o qualificativo dado pela esquerda e pela imprensa por ela comprada às muitas verdades ditas por Bolsonaro. Puro ciúme da esquerda. É que, no Brasil, discurso de ódio é exclusividade da esquerda. Os vagabundos dos sem-terra podem invadir sua propriedade, os bandidos dos sem-teto, liderados por Boulos, podem ocupar a sua casa, pois são integrantes de "movimentos sociais", mas falar que tem que metralhar esse povo é fazer discurso de ódio. Vejam, só a exemplo, o item 3 do programa do PSOL, partido do esfaqueador de Bolsonaro: "Rechaçar a conciliação de classes e apoiar a luta dos trabalhadores". Logo, logo, a esquerda processará Bolsonaro por "apropriação cultural" de seu discurso de ódio.
Tenho certeza, até, de que muitos opositores de Bolsonaro acharam mesmo que ele se tornaria politicamente correto. Acharam o quê? Que Bolsonaro sairia em cima de um carro de som na próxima parada gay? Que começaria a trocar mensagens de bom-dia pelo whatsapp com a deputada Maria do Rosário e com o deputado Jean Wyllys? Que pintaria o corpo com urucum e participaria de um Quarup ou de uma pajelança em uma aldeia do Alto do Xingu? Que se fartaria de mungunzá com vatapá e dançaria ao som de uma batucada ancestral em uma comunidade quilombola?
Porra nenhuma! Bolsonaro continua impávido, intréprido e inabalável (embora não mais inesfaqueável). Bolsonaro continua mandando bala. Bastou que se recuperasse minimamente, o suficiente para levantar do leito hospitalar, posou para a foto abaixo. Bolsonaro mandou o recado de que está vivo e de que nada mudou.
 "Quase morrer não muda nada."

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O Bolsa Colostomia

Bolsa Família é o caralho! Bolsa Escola é a puta que o pariu! 
Uma vez eleito, o intrépido Bolsonaro vai acabar com a vida mansa da esquerdalha encostada, da comunistada braço curto!
Porém, sensibilizado pelo atentado à faca sofrido no dia de hoje (06/09), promete ampliar o acesso da população de baixa renda, que já vive na merda mesmo, ao Bolsa Colostomia!
Pããããããta que o pariu!!!!!!
Esta bolsa, eu aprovo! E recomendo!

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A Facada em Bolsonaro (Ou, Cada País Tem o JFK que Merece)

Hoje, ainda há pouco, por volta das 15 horas, o intrépido Jair Bolsonaro, o queridinho dos movimentos feministas e LGBTs, e líder isolado em intenções de votos para o primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, sofreu um atentado à faca durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). 
O autor do atentado, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso, confessou o crime e revelou o mandante : Deus. O atentado, que feriu gravemente Jair Bolsonaro no fígado e na alça do intestino, foi a mando de Deus, disse o criminoso.
De pronto, todos os opositores políticos de Bolsonaro, de todos os partidos, manifestaram, em suas redes sociais, ou em declarações aos mais diversos veículos de comunicação, o seu repúdio ao ato antidemocrático, e fizeram votos de rápida melhora e restabelecimento ao candidato do PSL; hipocritamente, muitos deles, é claro, mas a mentira, enfim, é a base da sociedade civilizada.
Todos. Menos Dilma Rousseff. Dilma, a Louca do Planalto, deixou transparecer a sua satisfação em saber que Bolsonaro está entre a vida e o garfo do capeta. Munida de toda a eloquência e a coesão de ideias e de palavras que lhe são peculiares, que se tornaram a sua marca registrada, a posta pra fora a pontapés da Presidência, disparou : "o ódio, quando você planta, colhe tempestade". Pããããããta que o pariu!!! Confúncio, Lao-Tsé, Paulo Coelho, frasistas de para-choques de caminhão e filósofos em geral estão a se roer de inveja, desmoronaram em sua autoestimas.
"Agora, incentivar o ódio cria esse tipo de atitude. Você não pode falar que vai matar ninguém, não pode falar isso", finalizou Dilma Rousseff, a mulher que, nas décadas de 1960 e 1970, sob o codinome de Patricia, Luiza, Wanda e outros mais, liderou a célula terrorista VR-8 Palmares, envolvida em inúmeros atentados a bomba, sequestro de aeronaves, sequestro de embaixadores, assaltos diversos, assassinatos de militares, incluso o do jovem soldado Mário Kosel Fiho (crime jamais investigado por nenhuma "comissão da verdade") e justiçamento de inocentes.
O quadro de Bolsonaro ainda inspira cuidados e preocupações, mas está estável, segundo comunicados médicos à imprensa.

sábado, 1 de setembro de 2018

A Maria do Zé e o Zé da Maria (Ou, Se a Moda Pega, o Fábio Jr. Tá Lascado)

Sempre considerei de uma aviltante submissão e de um tirânico subjugo que a mulher, ao contrair matrimônio, passe a carregar o sobrenome do marido. Como uma cangalha, uma marca de propriedade gravada com ferro em brasa em suas ancas, que passe a portar não mais uma certidão de nascimento, sim um certificado de propriedade.
Que percamos certas liberdades, teoricamente em prol de outras vantagens da vida em comum, ao nos casarmos, faz parte do contrato, do pacote. Mas abandonar a antiga identidade? Abrir mão da condição de um ser amado e tornar-se em um ser aparentado? Dizem que é comum casais virarem irmãos depois de longa data de convivência. Pudera, uma vez que a intenção desse desejo incestuoso era clara e explícita desde o início.
Vai daí, ontem, uma amiga do trabalho - aconteceu com uma prima dela - me contou que a moda agora, ou a crescente tendência, como diriam os viadinhos politicamente corretos, entre os casais modernosos, antenados, inteligentinhos, politicamente corretos, orgânicos, autossustentáveis e empoderados, daqueles que só usam detergente biodegradável, que só vão às compras com sacolas reutilizáveis de juta, que defendem a doutrinação político-partidária, a ideologia de gêneros e a distribuição do kit gay nas escolas públicas (não nas particulares onde seus filhos irão estudar), que votam na esquerda e no PT mesmo depois da Justiça provar por a+b+c+z a qualidade de cartéis criminosos desses partidos, é que o homem passe também a agregar o sobrenome da esposa ao seu. O casal fica com os sobrenomes iguaizinhos, combinandinhos.
Mais que uma prova de amor, é uma demonstração de respeito à igualdade de gêneros - disse-me minha colega que a prima lhe disse. Igualdade de gêneros é o caralho! E a buceta, também! Os gêneros não são iguais! Os direitos, para ambos, têm, é claro, que ser iguais, mas os gêneros, definitivamente, não o são. E ainda bem. Caralho é caralho. Buceta é buceta. Igualdade de gêneros só se dançar homem com homem e mulher com mulher! Valha-me São Tim Maia!
De mais a mais, convenhamos, para fazer isso, para adotar o sobrenome da esposa, o cara tem que ser muito fofo, muito ursinho panda, muito bebê-foca. O tipo de babaca que, quando a mulher está prenha, ela a sofrer com enjoos, azias, refluxos, descontroles hormonais e com as mudanças do corpo, ele diz, sorridente, aos amigos, "estamos grávidos". O tipo de mané que dá presente pra sogra no Dia das Mães, que chama o cunhado de brother, que fica de TPM junto com a mulher, que vai ao shopping e à manicure com ela, escolher sapatos e palpitar na cor do esmalte.
É o crepúsculo do macho-jurubeba! É a bancarrota do macho das antigas! Se a moda pega, o Fábio Jr. tá lascado. Tivesse o grande comedor e passador de rodo agregado o sobrenome de cada mulher com quem se casou, teria hoje mais nomes que o Dom Pedro I, a saber : Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. 
E a mulher que se associa a um tipo desse, que se sujeita a trepar com um fofo, com um bebê-foca? Deve ter sofrido muita rejeição, ter passado por muita decepção amorosa para estar assim, vendendo a buceta à baciada na xepa da feira do amor.
Eu vos declaro Maria do Zé e Zé da Maria.
Que viadagem!
Respeito muito mais o cara que dá o cu!

Melhor Que o 7 a 1 Contra a Alemanha

Pensei que jamais um outro placar fosse me deixar tão feliz e exultante quanto a naba do 7 a 1 que a seleção do Neymarzinho levou da Alemanha, lá na copa do mundo de 2014.
Enganei, no entanto; como tem sido de hábito, ultimamente.
Ontem, já madrugada de hoje, o sapo barbudo, o nove-dedos, o seboso de Caetés, levou uma goleada da Justiça brasileira. Perdeu vergonhosamente de 6 a 1 do Tribunal Superior Eleitoral, capitaneado pelo ministro Luís Roberto Barroso.
Foi, finalmente, declarada a inelegibilidade do condenado Lula. É o fim do sapo barbudo. É o fim da organização criminosa que atende pelo nome de PT. Podem gritar à vontade, esquerdalhada desse Brasil dantes mais varonil. Podem dizer que é golpe, podem dizer que Lula é um preso político. Não é. Lula é um safado dum preso comum, dum saqueador dos cofres públicos, um reles dum ficha suja.
O tal ministro Fachin ainda tentou jogar a migué da tal recomendação da ONU. Ora, porra, a ONU que vá tomar no cu dela! A ONU que vá cuidar da fome no mundo, das epidemias na África, que das doenças aqui do Brasil, o TSE dá conta tranquilamente. A ONU que vá erradicar a AIDS e o Ebola, que, da erradicação do PT, cuida a lava-jato.
Acabou a mamata, esquerdistas de merda, sindicalistas, sem-terras, sem-tetos, sem-mortadela, funcionários públicos e professores universitários. Vossas camisetas vermelhas mal se prestarão, doravante, a pano de chão.
                 6       x         1

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Só os Gatos Caem Sempre de Pé

Carne :
Equilibrista ébria
Entre o viço e a decomposição.

Escrever:
Uma maneira de não olhar para baixo,
Uma maneira de quase disfarçar o medo,
Enquanto espero :
A corda bamba arrebentar,
A hora da cópula com o abismo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Noticiário Local, da sucursal do planeta Jota

Curioso seria se em nosso mundinho egoísta e vil houvesse um pôr do sol que começasse com o nosso primeiro bocejo do dia, 
O hálito quente e mórbido das manhãs beijando a fresca vida, 
Mais, seria ideal que os dias se findassem quando a poeira do sono pousasse, 
Ou tanto melhor, 
Pesasse sobre nossas ponderosas cortinas, 
Pálpebras ciliadas tão cansadas de varrê-las durante o estafante dia. 
No entremeio nada que se preze 
E tudo da maior importância relatado na programação televisa, 
Nos rádios, nos outdoors - você mesmo - a manchete do dia, "Carlos Eduardo finalmente passou no exame de habilitação" 
E anéis saturnianos adornando cicatrizes umbilicais.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O Azarão, Cuspido e Escarrado

Quando se quer expressar, de forma enfática e categórica, a grande semelhança entre duas pessoas, é dito que "fulano é cuspido e escarrado o beltrano". Uma maneira um pouco mais polida - só um pouco -, porém, não menos contundente e cabal de dizer que "a cara de um é o cu do outro".
Li, certa vez, que tal expressão - cuspido e escarrado -, cunhada pela ignorância do povão, degenerou-se de outra, mais culta e elegante: esculpido em carrara.
Carrara é o nome de uma região da Itália possuidora de jazidas de um mármore de altíssima qualidade, o preferido pelos artistas do Renascimento para darem forma às suas esculturas. As estátuas e bustos confeccionados nesses mármores pelos gênios renascentistas atingiam uma tal semelhança com as pessoas neles retratadas que, quando duas pessoas eram muito parecidas, passou-se a dizer que uma parecia ter sido esculpida em carrara a partir da outra.
Para a inculta sabedoria popular, esculpido virou cuspido; carrara, escarrado. Avacalharam-lhe com a forma (do original), porém, preservaram-lhe o significado. Cuspido e escarrado ao esculpido em carrara? Ou esculpido em carrara o cuspido e escarrado? E que ninguém jamais diga que não existe genialidade na ignorância.
Eu não tenho atributos - sejam eles físicos, fisionômicos, culturais, acadêmicos, intelectuais, atléticos, sexuais ou morais - para merecer ser esculpido em carrara. Mas para ser cuspido e escarrado, acredito que atenda a todos os pré-requisitos. E foi o que se deu.
Há cerca de duas, três semanas, um aluno, um dos poucos a quem respeito, não só pela dedicação à minha disciplina, como também, e sobretudo, pela educação com a qual sempre se dirigiu aos professores e pelo enorme talento artístico demonstrado em vários desenhos que, vez em quando, me mostra, procurou-me à saída da última aula e perguntou se podia esculpir um busto meu.
Soubesse disso, meu amigo Samuel, o famoso e desaparecido Nariz, primeiro, riria desbragadamente, a não mais poder, depois, uma vez retomado o fôlego, diria que o busto ou seria feito em escala 1/1000, ou não haveria argila suficiente no mundo para esculpir minha cabeça em tamanho real. Como se houvesse para o nariz dele.
Disse que sim, que ele podia esculpir um busto meu. Perguntou-me, então, se eu poderia lhe ceder fotos minhas, tiradas de perfil e de frente. Respondi que não tinha as fotos. E é verdade. Fotos minhas são artigo raro, e as que existem não forneceriam a ele detalhes suficientes para o busto. O início de um silêncio constrangedor começou a se instalar. Estava claro que ele queria perguntar se poderia tirar umas fotos minhas, mas sabendo da minha aversão a retratos, hesitou. Achei graça naquilo e resolvi não prolongar a tortura, falei que ele podia tirar as tais fotos. Ele sacou de seu celular e três fotos foram feitas. Uma de frente, outra de perfil e uma última da parte posterior da cabeça.
Duas ou três semanas depois, as fotos viraram busto, saíram do achatado mundo bidimensional e ganharam corpo em 3D. O Azarão está imortalizado em argila.
E ficou bom pra caralho. Ficou bom pra carrara (valeu, JB)! Agora, só falta comprar uma estante e colocá-lo no meio de uma coleção de livros dos Grandes Pensadores. Pai, afasta de mim essa cicuta, Pai!
Eis o Azarão, cuspido e escarrado! 

Quarenta Anos, por Alexandre Garcia

sábado, 18 de agosto de 2018

Vida, Doença Autoimune

A vida,
Muitas vezes,
Dá-me ganas de me matar.
Por isso,
E só por isso,
É que ainda vale a pena
Continuar vivo.
Por pirraça,
Por implicância.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Pequeno Conto Noturno (71)

Dalila pediu a Rubens para que comprasse um assento com tampa para o vaso sanitário. Causava-lhe gelo nas nádegas ir-se direto à porcelana. 
Rubens saiu de casa - Rubens odeia sair de casa - e foi a uma dessas bodegas "tem-de-tudo-para-seu-lar", estabelecimento antigo perto de sua casa. Vizinho da dita cuja informou que fechara há uns meses. Um escritório de contabilidade no local. Rubens arremessou-se a um desses shoppings da construção - Rubens odeia shoppings mais que tudo, de qualquer tipo, um shopping da cerveja existisse, ele odiaria, um shopping da cerveja com tira-gosto de buceta no cardápio existisse, ainda ele odiaria - e comprou o assento sanitário com tampa. Não sem certa dificuldade de se lembrar da cor de sua privada, quando indagado pelo atendente, para que a tampa não destoasse. Dalila chegou e disse : - mas eu não falei que tinha de ser um assento acolchoado? Dalila nem deu o cu pra Rubens naquela noite. Mesmo assim, dia seguinte, voltou ao shopping para fazer a troca. Pagou pela diferença.
Dalila pediu a Rubens para que comprasse uns vasinhos, umas plantinhas. Arejar a sacada. Espantar o cinza da casa. Fazer parecer que ali mora gente. 
Rubens saiu de casa e arrastou-se a uma floricultura/artigos para casa e jardim. Venderam-lhe lá umas samambaias e umas avencas. Bem como os adubos, os suplementos minerais, os vasos de fibra de coco (em substituição aos antiecológicos xaxins), pratos pra suporte, correntes, parafusos, buchas e ganchos para pendurá-los. Rubens adubou os vasos, montou os pratos com as correntes, furou o teto, botou os ganchos e pendurou as plantas - Rubens odeia qualquer tipo de serviço que envolva habilidades manuais, mexer com terra, parafusar, medir, serrar, instalar. Dalila chegou e disse : - samambaias e avencas nesse sol que bate aqui à tarde? Não tem noção, não? Dalila nem deixou Rubens gozar na sua boca naquela noite. Mesmo assim, dia seguinte, Rubens na floricultura. Explicar o "clima" de sua sacada. Trocar por suculentas e cactos, rosas-do-deserto e patas-de-elefante. Não realizavam trocas, esclareceu-lhe o bichinha de avental de juta com manchas de terras cuidadosamente carimbadas para passar a impressão de um verdadeiro homem da terra. Não trocam?, arriscou-se Rubens. São seres vivos, empertigou-se a bicha, trocá-los, como se fossem mercadorias, feriria suas dignidades. Teria sido já homologado e publicado um Estatuto das Plantas Ornamentais? Rubens preferiu não provocar a bicha, não incorrer na Lei Maria da Benga. Voltou para casa com as samambaias e as avencas. Mais três suculentas, cinco cactos e uma rosa-do-deserto. A pata-de-elefante estava em falta, disse a bicha, mas que "a estariam recebendo em poucos dias". Tal escassez será por causa da caça predatória ao animal?, pensou Rubens, mas, vendo que a paciência da bicha estava no limite, preferiu não perguntar.
Dalila pediu a Rubens para que comprasse arroz integral, sementes de chia e de quinoa. Eliminar as toxinas do dia a dia. Reequilibrar as funções metabólicas. Mens sana e blá-blá-blás. Precavera-se, dessa vez, Dalila. Escreveu num papelzinho o nome da loja - Empório Alecrim -, o endereço e o nome da vendedora. Para Rubens  não ter como errar. Gostosa, a vendedora, pedidos feitos e empacotados, começou : não gostaria de também levar nosso pão caseiro/artesanal/gourmet/integral de grãos de trigo do delta do Nilo? Ou uma penca de nossas bananas-da-terra orgânicas e autossustentáveis cultivadas em assentamentos do MST por famílias que vivem em harmonia e respeito com a terra? Quem sabe nosso mel de abelhas jataí de pólen coletado exclusivamente de lavandas silvestres? Os peitos balouçantes, tamanho médio para grande, livres por debaixo da bata de algodão cru, certamente confeccionada por uma cooperativa de mulheres rendeiras do Vale do Jequitinhonha e com renda revertida para a comunidade, que Rubens adivinhava os mamilos terem o gosto de gergelim torrado, a vendedora não lhe ofereceu.
Pediu muito mais e além, Dalila. Detergente biodegradável, sabonete antibacteriano, bucha vegetal, frigideira antiaderente, travesseiros de viscoelástico, TV de led, que Rubens trocasse o rum pelo vinho, caminhadas três vezes por semana, cortinas para a sala, amaciante para as roupas, pato purific, escova de dentes com limpador de língua, abajur de cabeceira, mesa de centro, tapetes, porta-retratos, quadros para as paredes, velas perfumadas. Pediu mais e além, Dalila.
- Rubens - pediu, finalmente, Dalila -, posso cortar os cabelos do seu pau?
Rubens - que nunca fora Sansão - mandou Dalila à puta que a parira. De malas e cuias.
Pegou a garrafa de rum escondida no maleiro. Botou Hanói-Hanói pra rolar na vitrola. Casa depenada. Sozinho. Pleno.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O Caixa 2 de Deus (Ou : Eu, o Sérgio Moro do Diabo)

O deputado boliviano Sergio Choque saiu-se com um projeto de lei para lá de herege : o parlamentar quer quebrar o sigilo bancário de Deus, auditar o livro-caixa do Senhor. Ou, pelo menos, uma vez que Deus não existe, ou não tem nem CPF (cadastro de pessoa física) nem CNPJ (cadastro nacional de pessoa Jeová), devassar a contabilidade dos autoproclamados representantes terrenos de Deus, pastores, padres e outros estelionatários da fé.
O deputado quer que os rendimentos das igrejas sejam declarado ao fisco boliviano. Tudo discriminado, tudo preto no branco, tim-tim por tim-tim, a origem dos donativos, o montante e a destinação. É a CPI do Dízimo! É a Lava Jato da Sacolinha!
Antes mesmo de ser acusado de qualquer coisa, o pastor Eloy Luján, presidente da Associação de Igrejas Cristãs Evangélicas de Cochabamba, estrilou, pôs o boca no trombone de Jericó, cantou feito galinha que acaba de botar ovo, saiu em ataque ao projeto do deputado e, ao mesmo tempo, em autodefesa, comportamento típico e padrão de quem tem culpa no cartório.
Eloy Luján disse que a aprovação de tal projeto seria um "absurdo", que um Estado declarado laico não pode exercer nenhum tipo de interferência e de ingerência nas atividades religiosas, que um Estado laico nada entende das coisas de Deus e da fé. Grande safado, esse pastor.  Nessas horas, o Estado é laico, né?
Na hora do recebimento de privilégios, nunca vi nenhum líder religioso exigir o pleno exercício do Estado laico. E são muitos, os privilégios : isenção de impostos, doação de terrenos públicos para a construção de templos, concessões de canais de rádio e tv para melhor divulgar a palavra de Deus  e atingir e garantir a tosquia de um rebanho cada vez maior, homens de algumas religiões ficam isentos do serviço militar etc etc. Todos privilégios, diga-se de passagem, indevidos, ilegais, inconstitucionais a rigor.
Agora, na hora da contrapartida, da prestação de contas de toda a dinheirama advinda dessas benesses estatais, os pilantras de Cristo dizem que as igrejas não devem qualquer tipo de satisfação a um Estado secular. Verdadeiros canalhocratas, como diria Bezerra da Silva.
A revolta do pastor chamou mais atenção para o projeto que o próprio projeto em si, que passaria despercebido em direção às gavetas dos projetos não aprovados, pois, sendo o parlamento boliviano formado por bons cristãos e homens tementes a Deus, a auditoria do livro-caixa de Deus não tem a menor chance de prosperar.
Ainda mais que o projeto obrigaria também a Igreja Católica da Bolívia a prestar conta dos recursos enviados ao Vaticano. Não consegui encontrar a porcentagem enviada nem a periodicidade do envio, mas cada paróquia católica do planeta, desde uma basílica a uma simples capela ou ermida, esteja localizada numa grande metrópole ou no cafundó do Judas, é obrigada a pagar certo quinhão do que arrecada para o Vaticano. Ou seja, cada padre tem que pagar os royalties pelo uso da marca, para manter sua franquia.
Ocorreu-me agora : esse dinheiro enviado para o Vaticano, uma vez que não declarado, não poderia ser considerado um tipo de evasão de divisas? Cada paróquia do planeta não seria possuidora, portanto, do equivalente a uma conta bancária no exterior, um caixa 2 num paraíso fiscal? É o Éden da propina!
Adorei o projeto do deputado boliviano. Estará lançada a semente de uma bancada ateia na América do Sul?
Aliás, essa situação me lembrou de uma piada.
"Três líderes religiosos - um monge budista, um padre católico e o Edir Macedo - foram entrevistados sobre a destinação que davam aos donativos arrecadados, de como era feita a partilha entre o montante que ia para as obras de Deus - ajudas assistenciais, caridade etc - e o que ia para as coisas dos homens, para as necessidades dos sacerdotes, manutenção dos templos e coisa e tal .
O monge budista, todo zen e sereno, foi o primeiro a responder : bem ao centro do templo, no chão, há uma pintura da Roda de Buda, ou Roda do Dharma, pois eu me posiciono bem ao centro da roda e lanço os donativos para o alto, o que cair dentro da roda é de Buda, o que cair fora é para as necessidades parcas e frugais dos monges e do mosteiro.
Em seguida, veio o padre católico : eu procedo de forma parecida ao colega monge, vou para perto do altar-mor da minha igreja, lanço os donativos para o alto e o que cair em cima do altar é de Deus, o que cair no chão é para o sustento das necessidades terrenas dos padres, coroinhas e seminaristas, que, estando sempre saciadas e locupletadas, nos dão mais ânimo e forças para bem continuar a obra do Senhor.
Por último, o Edir Macedo : eu também procedo de forma semelhante às dos meus colegas, vou para o centro do Templo de Salomão e jogo o dinheiro pro alto, o que Deus pegar é dele.
(em tempo : na piada original, eram um monge budista, um padre católico e um rabino, mas como publiquei recentemente duas postagens de conteúdo judaico - Sadomasoquismo Judeu e Queda do Muro das Lamentações -, antes que algum filho da puta comece a me acusar de antissemitismo, achei por bem substituir o rabino pelo Edir Macedo, a ideia é a mesma)"
Agora, se aprovado o projeto do deputado boliviano, não forem encontrados, porém, policiais dispostos a investigar, promotores dispostos a acusar e juízes dispostos a condenar, por medo de excomunhão e da danação eterna, é só o deputado Sergio Choque entrar em contato comigo aqui no Marreta. Serei, com todo prazer, júri, juiz e executor da CPI do Dízimo, da Lava Jato da Sacolinha.
Eu, o Sérgio Moro do Diabo.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

A Queda do Muro das Lamentações

Hoje, os judeus que choravam as pitangas para Deus no Muro das Lamentações levaram um puta susto. Uma pedra de 100 kg se soltou do Muro e despencou sobre uma plataforma de madeira usada pelos fiéis para suas preces e choramingos.
O Muro das Lamentações data dos tempos de Herodes e não há relatos e registros anteriores de casos parecidos. O rabino encarregado do complexo, Shmuel Rabinovich, chamou o evento de “o mais incomum em décadas”
O local - o segundo lugar mais sagrado do judaísmo, perdendo apenas para o Templo de Salomão - foi fechado para manutenção e a realização de uma perícia. O rabino acredita que a umidade, a erosão e o crescimento de plantas nos vãos entre as pedras possam ter levado ao deslocamento da rocha. Apesar de ter caído na área de orações, ninguém foi atingido.
Nir Barkat, prefeito de Israel, disse : "foi um 'grande milagre' uma rocha de 100 kg ter caído  perto de um fiel e não o ter machucado".
Milagre o caralho! A pontaria de Deus é que vai de mal a pior. Bons tempos, os do Velho Testamento, em que Deus, muito mais jovem, era um verdadeiro atirador de elite, um sniper americano. Deus não errava uma única cabeça de fiel, não perdia um raio.
Milagre coisa nenhuma! Deus é que errou a estilingada. 
Abaixo, um flagrante do momento. Dentro do círculo amarelo, a pedra em queda livre; dentro do vermelho, um fiel a se lamentar.
Aliás, este incidente me lembrou de uma piada a respeito da mira decadente do Todo-Poderoso.
"O menino estava postado à boca de um formigueiro e cada formiga que saía, ele tentava matar com um palito de dentes. O menino espetava, a formiga fugia e ele gritava : - errei, porra! Mais uma formiga, mais uma tentativa : - errei, porra! Outra formiga, errei, porra! E outra, errei, porra!
Nisso, passou um padre e, ao ver a cena, aproximou-se do menino : - meu filho, você não deve matar as formiguinhas, elas também são criaturas de Deus.
O menino cagou e andou pro padre e continuou : errei, porra!, errei, porra!, errei, porra!
- Meu filho - tornou o padre -, e deixe de dizer palavrão. É feio, Deus não gosta, se você continuar, Ele vai mandar um raio sobre a sua cabeça.
Aí, o menino enfezou : - errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra! errei, porra!
Súbito, um relâmpago rasgou o tecido do firmamento e desceu certeiramente sobre a cabeça do padre, carbonizando o sacerdote.
O céu escureceu, as nuvens se adensaram iracundas, uma voz grave, alta, onipresente e tonitruante se fez ouvir : - Errei, porra!!!!

Mas Sou Só Eu? Cadê os Outros?

O macaco Sócrates, criação do genial e saudoso Orival Pessini, personagem que tinha cadeira cativa no não menos saudoso programa O Planeta dos Homens era dono de vários bordões, entre eles o "mas sou só eu? cadê os outros?", sempre repetido quando o macaco era pego em pequenas safadezas, deslizes, escorregadelas e pecadilhos próprios do ser humano.
Jair Bolsonoro, longe de ter a genialidade de um Orival Pessini e de um macaco Sócrates, bem que podia adotar tal bordão. Vejam, abaixo, três dos candidatos oficiais ao pleito presidencial de 2018.
O primeiro afronta e desacata a Justiça de forma descarada, seguro de sua impunidade, chama juíza de "filha da puta", conduta bem própria dos antigos coronéis dos rincões onde nasceu; o segundo é um criminoso, um infrator confesso do artigo 161 do Código Penal Brasileiro e faz de seu crime a sua plataforma de campanha, é um invasor safado de propriedades particulares.
E a grande mídia - tanto a impressa, como a televisiva, como a da internet - de forma vendida e hipócrita diz que Bolsonaro é o único candidato não viável para 2018. Isso sem falar, é claro, no presidiário Lula, no sapo barbudo, criminoso condenado em segunda instância.
Só o Bolsonaro? Cadê os outros?

domingo, 22 de julho de 2018

Dose Dupla de Bukowski. Sem gelo.

A Genialidade da Multidão
Há suficiente traição, ódio, violência, absurdo no ser humano comum
Para abastecer qualquer exército a qualquer momento.

E os melhores assassinos são aqueles que Pregam Contra o assassinato.
E os melhores no ódio são aqueles que pregam amor.
E os melhores na guerra - enfim - são aqueles que pregam paz.

Aqueles que pregam Deus, precisam de Deus.
Aqueles que pregam paz, não tem paz.
Aqueles que pregam amor, não tem amor.
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidado com os conhecedores.

Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros.
Cuidado com aqueles que ou detestam a pobreza ou orgulham-se dela.
CUIDADO com aqueles rápidos em elogiar
Pois eles precisam de louvor em retorno

CUIDADO com aqueles rápidos em censurar:
Eles temem o que desconhecem.
Cuidado com aqueles que procuram constantemente multidões;
Eles não são nada sozinhos.

CUIDADO.
O Homem Vulgar. A Mulher Vulgar.
CUIDADO com o amor deles.

Seu amor é vulgar, busca vulgaridade
Mas há força em seu ódio
Há força suficiente em seu ódio para matá-lo,
para matar qualquer um.

Não esperando solidão
Não entendendo solidão
Eles tentarão destruir
Qualquer coisa que difira deles mesmos

Não sendo capazes de criar arte
Eles não entenderão a arte

Considerarão seu fracasso como criadores
Apenas como falha do mundo

Não sendo capazes de amar plenamente
Eles ACREDITARÃO que seu amor é incompleto
ENTÃO TE ODIARÃO

E seu ódio será perfeito
Como um diamante brilhante
Como uma faca
Como uma montanha
Como um tigre
COMO cicuta

Sua mais refinada
ARTE
Cerveja às 2 p.m.
Nada importa
a não ser ficar se virando no colchão
com sonhos tão baratos quanto a cerveja
enquanto as folhas morrem e os cavalos morrem
e as donas-de-casa olham nas janelas;
avivando a música das cortinas se fechando,
a última caverna de um homem
em uma eternidade de enxame
e explosão;
nada além da torneira da pia pingando,
a garrafa vazia,
euforia,
juventude cercada,
esfaqueada e barbeada,
instruída,
indo contra a morte.Nada importa
a não ser ficar se virando no colchão
com sonhos tão baratos quanto a cerveja
enquanto as folhas morrem e os cavalos morrem
e as donas-de-casa olham nas janelas;
avivando a música das cortinas se fechando,
a última caverna de um homem
em uma eternidade de enxame
e explosão;
nada além da torneira da pia pingando,
a garrafa vazia,
euforia,
juventude cercada,
esfaqueada e barbeada,
instruída,
indo contra a morte.

sábado, 21 de julho de 2018

Sadomasoquismo Judeu

Sou um apreciador de piadas. Tenho até uma vasta e sortida coleção mental delas, um bom cabedal de chistes. Não tenho, muitas vezes, aliás, quase nunca, a teatralidade necessária para contá-las, mas guardo um bom arquivo delas em minha memória.
Sou um apreciador de piadas. Mas não dessas mais moderninhas, já encabrestadas por pruridos e melindres morais, sociais e ideológicos, não desse humor do tipo Casseta e Planeta, Porta dos Fundos, comédia stand-up, embora muitos deles apresentem bons textos, boas sacadas e contem boas histórias. Gosto de piadas A Praça é Nossa.
Gosto de piadas das antigas. De piadas de salão. De piadas sem marca ou grife desse ou daquele humorista. De piadas criadas pelo inconsciente coletivo, pela "sabedoria" popular, de domínio público, de autoria desconhecida, transmitidas oralmente de geração pra geração, piadas muitas vezes chulas e grosseiras, sem pretensão nem refinamento. De piadas que são contadas no bar, no intervalo do cafezinho, na zona, no velório.
Gosto de piadas que não têm nenhum preconceito em relação ao tema tratado, ou seja, de piadas que são democraticamente desrespeitosas com tudo e com todos. De piadas que avacalham e esculhambam do português ao judeu, do baiano ao gaúcho, do comunista ao militar, da puta à freira, da bichinha ao machão.
Piada boa é piada que faz rir. Automaticamente. De bate-pronto. Em arco reflexo. Que faz a gargalhada jorrar sem freios, sem dar tempo de freá-la, impossível de ser contida, que nos escapa feito um soluço, um espirro, feito aquela gozada fora que não conseguimos tirar o pau a tempo de gozar fora.
Piada que nos dá tempo de pensar antes de rirmos, ou que requer um tempo de processamento, por melhor que ela seja, não é piada; é uma história engraçada, jocosa, tão-somente. 
A boa piada é a que nos pega de surpresa, de supetão, de fim e desfecho insuspeitados. É o inesperado, é o inusitado que gera o riso autêntico, o riso convulso e gutural, o riso que vem do fígado, não do cérebro. Por isso, é preciso ser dono de um autocontrole muito grande para não rir, a exemplo, quando alguém tropeça ou escorrega e se estabaca no chão na nossa frente. O inusitado.
Nesse aspecto, há tempos uma piada não me surpreendia. Até porque, como eu disse, guardo de memória um amplo arsenal delas, e também porque muita piada com cara de nova nada mais é que uma variação, uma adaptação de piadas clássicas, de forma que o fim já se adivinha mal ela começa a ser contada.
Hoje, porém, uma piada - rápida e rasteira, curta e grossa - me pegou desprevenido, de calças curtas. Sabadão. Geralmente, vou a uma padaria, a duas quadras de onde moro, para pegar lá uma meia dúzia de pãezinhos. No balcão do caixa há sempre toda uma sorte de folhetos e panfletos, propagandas de outros estabelecimentos comerciais do bairro, ofertas de prestações de serviços e outros que tais. Um desses panfletos, na forma de um livrinho sanfonado e comprido com oito páginas, é um informativo de nome "Divirta-se", distribuído gratuitamente e que traz um roteiro cultural da cidade para a próxima semana - a programação de cinemas e teatros, festas e  eventos musicais, sugestões de bares e restaurantes, opções de lazer ao ar livre etc.
Dentro desse etc, há uma sessão de humor, com três ou quatro piadinhas pra lá de batidas. Apesar disso, sempre as leio, mais para refrescar a memória que para tirar o pó e as teias de aranha do riso. São piadas que se prestam mais à lembrança do quanto rimos delas à primeira audição do que ao riso de fato. E as três primeiras do folheto de hoje, enquadravam-se justamente nessa categoria. A última, no entanto, a mais curta delas e relegada quase ao anonimato do rodapé da página, trouxe-me o inusitado. E o riso. Ri sem pensar. Ri alto ainda à saída da padaria, na calçada a esperar o semáforo ficar vermelho para os carros. Ganhei o dia. E uma nova aquisição para a minha piadoteca, o sadomasoquismo judeu.
"O Isaac chegou na zona, escolheu uma puta e foi logo perguntando:
- Quanto é?
- 100 reais - respondeu a puta.
- E com sadomasoquismo?
- É para você me bater ou para apanhar? - quis saber a puta
- Pra eu te bater!
- E você bate muito?
- Só até você devolver o dinheiro!"

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A Morte do Corvo

"Perdi outrora tantos amigos tão leais! Perderei também este em regressando a aurora?" E o corvo disse : "Nunca mais".
Edgar Alan Poe

Morreu o corvo 
Morreu uma morte magenta
Teve o desplante de morrer antes de mim, ave agourenta
Deixou-me o corvo
Sem ninguém para carregar-me dessa vida de tormenta.
Morreu o corvo
Morreu meu definhado coração e todos os seus plexos
Morreu o corvo
Morreu no espelho embaçado o meu pálido reflexo
Morreu o corvo
Morreram toda a vontade e os gametas em meu sexo.

Morreu o corvo
Morreu o corvo uma morte proscrita
Teve o atrevimento de partir antes de mim, ave maldita
Num vômito de escárnio pelo mundo
Que de sua bocarra desdentada regurgita.
Morreu o corvo a quem minhas córneas foram doadas
Para serem vazadas quando a luz já me estivesse perdida
Morreu o corvo que iria empanturrar-se
Da profusão dos seres inferiores
Em passeio pela minha carcaça semidigerida 
Morreu o corvo que seria o último em meu sepulcro
A dar-me um beijo de despedida.

Morreu o corvo
Morreram todos os meus leucócitos
Estuprados por modernas gerações de bactérias
Morreu o corvo
Morreram todo o vigor e a libido
Estrangulados nas minhas artérias
Morreu o corvo
Morreu todo o meu organismo
Em ostracismo e orgânica miséria.

Morreu o corvo
Morreu o corvo cansado de esperar minh'alma
Para levá-la ao abandono
Morreu o corvo
Antes de envolver-me em suas asas de outono
Morreu o corvo que iria me dar suas penas
Pra eu fazer o travesseiro do meu último sono.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Os Cabaços de Cristo

Cabaços nunca foram itens do cardápio da mesa do pobre, nunca compuseram a marmita e/ou o prato feito do povão, nunca foram comidos a quilo nos plebeus self services.
Cabaços sempre foram finas iguarias destinadas a nobres paladares, sempre foram requintados pratos reservados e servidos com pompas e circunstâncias a seletos comensais de sangue azul e de ascendência divina. Cabaços sempre foram artigos gourmet raros e exóticos ofertados em sacrifício aos antigos deuses, reis, faraós, monarcas, imperadores, chefes de estado e, claro, ao Espírito Santo.
Aliás, hoje, a depender de um cabaço, a depender de uma bucetinha ilibada e zero km, o Cristo nem teria sido concebido. E é justamente pro lado do Nazareno que a coisa tá pegando. Acredito que muitos não saibam, mas o Cristo é um dos últimos donos de uma reserva especial e exclusiva de cabaços, um dos derradeiros sultões detentor de um harém lacradinho, ainda na embalagem original de fábrica.
São as Esposas de Cristo, a Ordem das Virgens Consagradas. Não necessariamente freiras, as esposas de Cristo são mulheres virgens que passam por uma cerimônia de consagração e, a partir de então, tornam-se eternamente comprometidas com Cristo, usam aliança de casamento para demonstrar sua devoção e ficam impedidas de qualquer contato físico com outros homens. Na cerimônia, as mulheres vestem-se de noivas e juram castidade perpétua a Cristo.
A Igreja Católica estima que haja, hoje, cerca de 5.000 esposas de Cristo consagradas em 42 países, com maior concentração na França, Itália e Argentina. O número já foi bem maior e continua em franco declínio; em parte pela sangria de fiéis que a Igreja Católica vem experimentando em suas fileiras nos últimos tempos, mas, sobretudo, pela escassez da mercadoria cabaço; hoje, um cabaço é mais raro que combustível na bomba durante greve de caminhoneiros. Uma coisa somada a outra e o casamento de Cristo caminha para um divórcio.
Para salvar o matrimônio de seu filho mais dileto, de seu arrimo de família, para não ter que abolir, por falta de contingente, a tão tradicional Ordem das Virgens Consagradas, a Igreja Católica resolveu decretar, então, a Abolição dos Cabaços, deu alforria às periquitas das beatas, que, afinal, também são filhas de Deus.
É isso mesmo, caro e estupefacto leitor, a partir de agora não é mais necessário ser mais virgem para se tornar uma esposa virgem de Cristo, não é preciso mais ser virgem para ser uma Virgem Consagrada. 
Um documento, o Ecclesiae Sponsae Imago, divulgado pelo Vaticano neste mês diz que uma mulher não precisa ter "mantido seu corpo em perfeita continência" para se tornar uma virgem consagrada, que "o chamado para dar testemunho do amor virginal, matrimonial e fecundo da Igreja por Cristo não é redutível ao símbolo da integridade física". E finaliza : "Assim, ter conservado seu corpo em perfeita continência ou ter praticado a virtude da castidade de maneira exemplar, embora de grande importância em relação ao discernimento, não são pré-requisitos essenciais para a admissão à consagração"
A virgindade mais importante, a pureza mais valiosa, segundo o documento, é a dos atos, a das condutas, a da moral e da espiritualidade. Possuindo-as, a mulher, ainda que seu cabaço já tenha ido e ficado apenas as recordações, está apta a ser uma Virgem de Cristo. Virgindade de conduta, moral e espiritual, é? Finalmente, depois de dois milênios, desvendado o mistério da concepção imaculada de Maria.
Claro que tal documento do Vaticano não passou despercebido pela comunidade católica, claro que não deixou de provocar grande celeuma no seio da Igreja, principalmente dentro da própria Ordem da Virgens Consagradas, onde o decreto papal caiu feito uma bomba. Tal decisão criou uma resistência por parte da Virgens Consagradas que já lá estão, quiçá uma futura dissidência dentro da Ordem, um cisma, um "racha" das que ainda têm intactas as suas rachas. Haverá, e não demora muito, a ala das cabaços xiitas, fundamentalistas, daquelas que nunca tiveram sequer um pau nem na boca nem no cu, e a ala das virgens não ortodoxas, das moderadas, das virgens nem tanto ao céu nem tanto ao inferno, da virgens do "Centrão", digamos assim, bem do centrão, se é que vocês me entendem.
A Associação de Virgens Consagradas dos EUA, através de sua líder, a Cabaço Superiora, divulgou uma moção de repúdio à decisão do Vaticano, classificando-a como "profundamente decepcionante". "Toda a tradição da Igreja sustentou firmemente que uma mulher deve ter recebido o dom da virgindade - isto é, material e formal (físico e espiritual) - para receber a consagração das virgens", desabafou a Cabaço Superiora.
E o Cristo, o que será que está achando disso tudo? Acho que pouco se lhe dá. Ao menos, de acordo com os relatos bíblicos, o Nazareno nunca demonstrou muito interesse ou apetite no tal quitute, fosse ele virgem ou não.
A Igreja Católica, sempre acusada de retrógrada, desta vez se antecipou à Ciência. Colocou-se à frente da Biologia Evolutiva e declarou o hímen um órgão vestigial, pô-lo a fazer companhia ao apêndice e ao cóccix, ou seja, órgãos que ainda conservamos, que devem ter sido de grande funcionalidade para nossos ancestrais evolutivos, mas que, atualmente, não apresentam nenhuma utilidade ou significado para nós.
Meu amigo, filósofo e, agora vejo, também profeta Fernandão, quando éramos jovens, quando tínhamos todo o tempo do mundo (ele ainda pensa que tem), vivia a repetir uma frase que, à época, nunca pude de todo compreender e desvendar o significado, era uma espécie de bordão dele, um mantra que ele entoava à exaustão : " 'Caba, não, mundão... Cabacim que é bom tá em extinção", ou algo muito parecido a isto. Como, à época, decifrar tão insondável centúria nostradâmica? Mas, agora, à luz das novas revelações da Igreja Católica, a frase do Fernandão se despe de seu hermetismo e se revela um vaticínio de grande precisão e de fácil compreensão.
Aliás, meu corno amigo, tá em extinção, não. Estava, na nossa época, em nossos anos dourados. Agora, acabou de vez. Só podem ser ainda encontrados conservados em formol nos museus de anatomia, em ilustrações detalhadas nos livros de medicina e embalsamados naquelas tias velhas e solteironas.
Pããããããta que o pariu!!!

Fonte : National Post