terça-feira, 30 de abril de 2019

Pequeno Conto Noturno (75)

Duas e meia da manhã. Rubens acaba de preparar a quinta dose de vodka-tônica. Olha para o fundo da garrafa e vê que ainda há conteúdo para uma sexta dose, mas não para uma sétima; e Rubens não gosta de números pares. Decide que será a última da noite. 
Uma noite sem foda. Uma noite de foda certa e garantida; até horas atrás. Como se diz no jargão futebolístico, Rubens chutou a foda pra fora de frente pro gol. 
Pega a vodka e vai se sentar à sacada do apartamento, mirar a noite e a rua.
O ser humano, pensa Rubens - e desde lá com o nosso tataravô Homo habilis - é o único animal que aprendeu a confeccionar ferramentas. Daí em diante, acredita Rubens, o homem passou a ver o mundo de outra forma. Para o homem, o mundo passou a ser uma grande caixa de ferramentas; a Terra, o setor de bricolagem da galáxia.
Passou a olhar para tudo como potenciais ferramentas, utilitários. E a desprezar tudo aquilo que não conseguia destinar a uma finalidade, a uma função.
Se uma pedra não pudesse ser lascada para se transformar numa ponta de lança, ou se não gerava faíscas ao ser colidida com outra, ele não mais se interessava por ela. Ele nunca mais olhou para uma pedra pelas belas formas, cores e relevos que ela pudesse assumir. Nunca mais se sentou à beira de um córrego para ver os seixos rolando e dando cambalhotas nas corredeiras. Nunca mais contemplou um cristal de rocha só pelo brilho e pela exata simetria, para simplesmente se deixar banhar por sua calma rutilância.
Se uma árvore não lhe fosse madeira para suas construções, ou para suas fogueiras, ela também não mais lhe interessava. Ele nunca mais se deitou à sombra de um ipê ou de uma paineira em flor a admirar a coreografia marcial das abelhas e outros polinizadores.
Com o tempo, ele próprio fez-se em ferramenta. Uma ferramenta de fazer ferramentas.
Fez ferramenta de suas interações com outras ferramentas. Todos os vínculos e relações humanas passaram a se basear na utilidade que os envolvidos têm um para o outro. Somos ferramentas de usos emocional e financeiro uns dos outros.
- Qual a minha função para você, a função da nossa relação? - perguntou-lhe Juliana, a foda tida como certa para esta noite.
Pego de calças curtas, Rubens estranhou. Nunca vira Juliana como a um serrote, a uma esferográfica, a uma buceta de borracha. Ofendeu-se, calado. Veria a ele - ela - como a uma chave de fenda, a uma cafeteira elétrica, a um vibrador? Rubens não lhe bastaria - como ela bastava a ele - apenas pelo correr dos seixos no leito do riacho? Pelo brilho polarizado e morno? Pela coreografia marcial dentro dela? Por que teria ele de ser a ela ferramenta, utilitário, definição?
Rubens não respondeu à pergunta. Não soube. Ou não quis. Juliana calçou os sapatos e foi embora, sem se despedir, bufando. Incapaz de viver sem ver função em tudo, Juliana ficou perdida. Perdeu-se na noite. Juliana, a buceta perdida na cara do gol.
Rubens dá o último gole na quinta vodka-tônica. Há ainda vodka para uma sexta dose, mas não para uma sétima, e Rubens não gosta de números pares.
Rubens se levanta e vai para a cozinha, para a geladeira. Preparar a sexta vodka-tônica.
Já é mais do que hora de se livrar de velhas e tolas superstições.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa... (47)

A canção "Resumo" não faz parte do repertório clássico do Rei Roberto Carlos; não é daquelas músicas que o público exige nos shows, sob pena de, se não tocada, pedir o dinheiro do ingresso de volta.
"Resumo" não caiu no gosto popular dos súditos do Rei; talvez pela sua natureza sombria, da má sina encerrada em si mesma, sem escapatórias, sem nenhum sinal de esperança de dias melhores.
"Resumo" não faz parte da seleção principal do Rei; duvido mesmo que ela seja, ainda que eventualmente, escalada para alguma apresentação de Roberto Carlos.
"Resumo" não faz parte da comitiva principal do Rei; não obstante, é fossa de primeira linha.
Fala-nos o Rei : "Eu sou o consumo de um sol sem calor/Enfim, sou resumo do riso e da dor/Eu colho a tristeza em forma de flor...".
Resumo
(Roberto Carlos)
Qual folha que vaga sem rumo e sem vida
No espaço perdida sou eu a vagar
Qual chuva correndo nos olhos do tempo
Nos mares crescendo, sou eu a chorar
Qual sombra da noite de um céu nevoento
Que canta tristeza, sou eu a cantar
Qual mente que vai aos pés do infinito
Gritando, gritando, sou eu esse grito

Eu sou o consumo de um sol sem calor
Enfim, sou resumo do riso e da dor
Eu colho a tristeza em forma de flor
Na paz da certeza onde canta o amor
Qual sombra da noite de um céu nevoento
Que canta tristeza, sou eu a cantar
Qual mente que vai aos pés do infinito
Gritando, gritando, sou eu esse grito

Qual sombra da noite de um céu nevoento
Que canta tristeza sou eu a cantar
Qual mente que vai aos pés do infinito
Gritando, gritando, sou eu esse grito

Qual folha que vaga, sem rumo e sem vida
No espaço perdida sou eu a vagar
Qual chuva correndo nos olhos do tempo
Nos mares crescendo, sou a chorar
Qual sombra da noite de um céu nevoento
Que canta tristeza, sou eu a cantar
Qual mente que vai aos pés do infinito
Gritando, gritando, sou eu esse grito.

Para ouvir a música, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

sábado, 20 de abril de 2019

Poeira de Estrelas e de Naftalina

"Pensei na sua carpa...
Já usei uma borboleta para você... 

Acho que fadas, borboletas, dragões são figuras complexas e complementares...
Fico com a pele, a minha, a sua, a minha na sua, a minha é a sua."
 

[É nisso o que dá
Tirar nebulosas de comas vegetativos
(cheias de mofos de hidrogênio e de pelos nas orelhas e nos buracos negros);
É nisso o que dá
Exumar velhas gavetas
Que só querem da vida
Fazer tricô e crochê,
Bolinhos de chuva para os netos
E lavar as calçadas ao romper da Aurora].
"Pela marca que nos deixa
A ausência de som que emana das estrelas
Pela falta que nos faz
A nossa própria luz a nos orientar
Doido corpo que se move
É a solidão nos bares que a gente frequenta
Pela mágica do dia
Que independeria da gente pensar
Não me fale do seu medo
Eu conheço inteira sua fantasia
E é como se fosse pouca
E a tua alegria não fosse bastar
Quando eu não estiver por perto
Canta aquela música que a gente ria
É tudo que eu cantaria
E quando eu for embora, você cantará"

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Saudades, Meu Bem, Saudades.

Saudades, meu bem,
Saudades.
Saudades de quando nem sabíamos que nos amávamos,
E já.

Saudades, meu bem, 
Saudades.
Saudades de quando, impedidos de nos amarmos,
Achávamos que sempre nos amaríamos.

Saudades, meu bem,
Saudades.
Saudades de quando resolvemos poupar nosso amor em nitrogênio líquido,
Esperma e óvulo hibernando na geladeira de um laboratório,
Crentes que, em tempos menos estéreis,
Nos fecundaríamos.

Saudades, meu bem,
Saudades.
Saudades de quando o Universo
Tinha sido recém-descabaçado pelo Big Bang.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Da. Francisca Trocou Deus por Uma Bicicleta Grená

Em meu habitual caminho às seis da matina a pé para o trabalho, cruzo com algumas pessoas também a caminho dos seus; uma meia dúzia de gatos pingados, de galos madrugadores, neste caso.
Algumas delas, vejo muito esporadicamente, ou mesmo uma única vez. Outras, no entanto, são figurinhas carimbadas para mim - e eu para elas -, personagens anônimos recorrentes do meu cotidiano.
Cruzamo-nos em todo santo e profano dia. Não sei para onde vão, nem elas, o meu destino. Não sei qual o ofício que lhes agrilhoa e lhes garante a subsistência - nosso inferno e céu de cada dia -, nem eles o meu.
Cruzamo-nos em todos os dias e sempre nos mesmos trechos de nossos percursos. Somos os relógios uns dos outros. Ao cruzar com um ou com outro sempre naquele lugar, me asseguro de que estou dentro do meu horário - e eles dos deles. 
Há ligeiros atrasos às vezes. Atrasos de um ou dois quarteirões, para mais ou para menos.
Não lhes sei os nomes, nem eles o meu. Não sei da parte deles, mas a alguns, que já encontro há anos, acabei atribuindo nomes fictícios, apelidos.
Há um rapaz, por exemplo, de seus 30 e poucos anos, a quem eu sempre ultrapasso em frente às Lojas Americanas no centro da cidade. Ele tem o passo firme, cadenciado e o único quase tão rápido quanto o meu : é o Forrest Gump; com um outro, ainda, um japonês de seus mais de 40 anos, cruzo sempre perto de um posto de saúde, e ele carrega sempre uma mochila posta ao peito e não às costas : é o Canguru de Tóquio. E as besteiras por aí vão, por aí seguem os seus caminhos.
E há a Da. Francisca, o motivo desta postagem. Uma senhora, estimo eu, entre os seus 55 e 60 anos, morena, baixinha e atarracada, um toquinho de amarrar jegue. Chamei-lhe de Francisca por ser muito parecida com uma Francisca com quem trabalhei há muito e muito tempo.
Cruzo com a Da. Francisca, invariavelmente, na avenida que margeia o Ribeirão Preto, rio que corta o centro da cidade e que lhe deu o nome, outrora mais caudaloso e flanqueado por exuberantes palmeiras imperiais.
Da. Francisca anda sempre de cabeça baixa, como a olhar para o chão ou para os pés, mas, na verdade, está sempre a rezar. Da. Francisca anda sempre com um rosário de contas na mão, a balbuciar, contrita, o seu terço de orações.
Hoje, uma surpresa. Cruzei com a Da. Francisca a um quarteirão acima da avenida, ela descendo em direção ao rio. Dizer que "cruzei com a Da. Francisca" não descreve exatamente nem faz jus à realidade do fato : Da. Francisca passou voando por mim. A bordo de uma bicicleta grená.
Instintivamente, olhei para as mãos de Da. Francisca. Ambas no guidão. Deu-me vontade de gritar-lhe : "Cadê o rosário, Da. Francisca, cadê o terço, mulher de Deus?". Se não em suas cansadas e calejadas mãos, em que lugar Da. Francisca estaria a levar Deus consigo? Na garupa de sua "bike"?
Da. Francisca trocou Deus por uma bicicleta grená! Pããããããta que o pariu!!!!
Levou vantagem, a Da. Francisca, muita vantagem.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Notre-Dame Pegou Fogo! Que se Foda Notre-Dame!

Notre-Dame pegou fogo! Nossa-Senhora! Notre-Dame pegou fogo!
O mundo lamenta, diz um jornalista conceituado de um conceituado canal jornalístico da tv a cabo. 
Eu, não. Eu não lamento.
Só mais uma construção humana de gosto duvidoso. Pior: só mais uma igreja.
Notre-Dame pegou fogo! Joana D'Arc pegou fogo, também. A Igreja Francesa botou fogo em Joana D'Arc, sapatão das antigas. Notre-Dame botou fogo em Joana D'Arc antes de pegar fogo.
Notre-Dame pegou fogo! Viva a Inquisição de Notre-Dame. Que o tempo - e a má manutenção - seja o Torquemada de todas as igrejas e deuses.
Notre-Dame sobreviveu às Cruzadas, sobreviveu à Revolução Francesa, sobreviveu à 1ª Guerra Mundial, sobreviveu a Hitler, à 2ª Grande Guerra, continua, quase aos soluços, o conceituado âncora.
Sobreviveu porra nenhuma. Notre-Dame nunca foi um ser vivo.
Notre-Dame pegou fogo! Quasímodo está sem moradia, sem emprego. Será só mais um a engrossar a marcha dos sem-teto e dos sem-Esmeralda. 
Notre-Dame pegou fogo! Suas cinzas e suas memórias fedem a abades gordos e rosados feito leitões cevados, sebosos e pervertidos; não se prestarão nem a um bom sabão.
Notre-Dame pegou fogo! Mil e trezentos carvalhos centenários - ou mais - foram ceifados e suas ossadas e suas almas elementais utilizadas no arcabouço dos domos e pináculos de Notre-Dame. Árvores sábias e barbadas chacinadas para erigir uma igreja. Quem quereria maior pecado, maior blasfêmia?
Notre-Dame pegou fogo! Os corpos profanados dos 1300 carvalhos mortos tiveram, enfim, um digno funeral. Um funeral cristão. De fogo e enxofre. De fogo e chumbo.
Notre-Dame pegou fogo! Foi cremada! E as ninfas presas nos cernes dos carvalhos, açoitadas secularmente pelas penitências, pelos castigos, pelos flagelos e pelos abusos clericais, finalmente dançam livres.
Livres com suas xoxotas ardentes, de grandes lábios de asas de libélulas!
O fogo é, realmente, um dos deuses mais lindos!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Primeiras Excomunhões

Duas peixeiras
Cravadas
- irremovíveis -
No granito em que se tornou meu coração :
O amargo/fétido do abandono da primeira mulher com quem trepei;
O fétido/amargo da ressaca da vodka barata com nome de mulher
Sob o vômito convulso da qual passei a considerar,
Como plausível e palpável hipótese,
A existência do divino.

Duas barreiras alfandegárias
(buscando me castrar, confiscar meu passaporte da alegria? e importa?)
Duas primeiras excomunhões
(vingança de que deus? e importa? que se fodam todos eles).

em tempo : não costumo trabalhar "por encomenda", mas a esquiva e enigmática Jota, leitora das antigas do Marreta, por alguma razão, viu uma possibilidade de continuação da postagem Primeiras Comunhões, e sugeriu o título, Primeiras Excomunhões. Ele acabou saindo e aí está. Melhor se for lido lado a lado com o primeiro.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

A Volta do Ex-Boiola

Meu grande amigo virtual, o ex-boiola, sempre aparece por aqui no Carnaval e nos mantém informados de sua folia durante os dias do reinado de Momo. Neste ano, porém, ele sumiu, não deu as caras; estava, com certeza, dando outras coisas.
E não fui apenas eu quem sentiu a ausência da alegre e esfuziante figura. Dia destes, um anônimo comentou em um postagem : "Falando em bichonas, por onde estará o ex-boiola? Será que sobreviveu ao carnaval? Suas estórias são muito boas, volta logo ex-boiola".
Pois ele voltou. O ex-boiola voltou novamente e nos dá, em primeira mão, notícias de seu folguedo carnavalesco : 

"Nobre e querido mestre Azarão, Sobrevivi ao carnaval, meus amigos. A novidade foi um italiano mascarado que conheci no último dia, que me consumiu até o último suspiro. Um italiano de pau grande que me deu trabalho e até hoje ainda estou sem prumo. Afffff." 

Pãããããta que o pariu!!!! O ex- boiola levou a Torre de Pisa no cu!!! Diante de relato tão minucioso e ilustrativo, nada tenho a acrescentar.
Só dizer que é sempre uma alegria lhe ter por aqui, ex-boiola. 
Sempre bom saber que está vivo, com boa saúde e de pregas arrebentadas.
em tempo : de repente, você e o seu anônimo admirador fazem contato por aqui e formam o casal Arlequim e Pierrot do Carnaval 2020.
 Olha só, ex-boiola, o tamanho da flauta desse Arlequim.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Primeiras Comunhões

Duas excalibures
Cravadas
- irremovíveis -
No granito da memória :
O cheiro/gosto do sovaco suado da primeira mulher com quem trepei;
O gosto/cheiro da vodka barata com nome de mulher
Sob os vapores da qual passei a considerar,
Ainda como vaga e intangível hipótese,
A existência do divino.

Dois ritos de passagem
(para onde? e importa)?,
Duas primeiras comunhões
(com que deus? e importa? que se fodam todos eles).

Dieta Vegana

Dieta vegana, ou "vergana"? 
E dá-lhe verga! 
Caparam o homem berinjela!

Quando Eu Voltava das Festas

Somos socialmente moldados a perpetuar a célula da família - procriar é biológico, alicerçar e erigir uma família é puramente social.
Somos condicionados - por pais, parentes, professores, novelas das oito - a pensar que a solidão é uma doença, é o câncer da alma. Somos doutrinados - por poetas, romancistas, letristas de MPB e roteiristas de Hollywood - a crer que uma vida tranquila, sem responsabilidades para com outrem, sem nem um passarinho pra dar água, é uma vida vazia.
Fazem-nos confundir sossego com ausência de sentido.
Só desfazemos a confusão, só nos damos conta do engodo, quando perdemos a solidão, quando ela, amante traída, no abandona e não vem nos visitar nem mais nos domingos e feriados.
A vida do solitário não é vazia. Tampouco cheia de dor e de desespero. A vida do solitário é bonita pra caralho - como nos diz o maluco beleza Rogério Skylab na canção "Quando eu voltava das festas".
A canção, com letra que não recomendo aos paladares mais sensíveis, está no disco "A Trilogia dos Carnavais", recomendado a mim pelo Gianndre, um ex-aluno, hoje graduando, talvez já graduado psicólogo, em cujo divã, pelo andar da carruagem, não tardarei em me deitar - mas sem nenhum tipo de viadagem. Gianndre também é o menestrel do blog P-o-e-s-i-a.

Quando Eu Voltava das Festas
(Rogério Skylab)
Quando eu voltava das festas
Chegava em casa arrasado
Sofria de sinusite
E não sabia

E quando eu acordava
Eu vomitava
Depois ia pro McDonalds
E comia um McFish

Então voltava pra casa
Um pouco mais conformado
Se eu ficasse tarado
Putaria

Comia gente do hospício
Bichas e criancinhas
A vida de um solitário
É bonita pra caralho

Andava nu pela casa
Fazia o que eu queria
Rock, bumba, xaxado
Poesia

E quando vinha o dilúvio
A nuvem negra baixava
Não tinha saída
Eu dancava o puladinho

Confesso que não sofria
Naquelas noites de insônia
Fumava um baseado
E dormia

Havia um abandono
Havia um quê de alegria
A vida de um solitário
É bonita pra caralho

Aialaialaia
Laialaiala
Aialaialaia
É bonita pra caralho

Para ouvir a música, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.
em tempo : esta postagem vai pro meu irmão mais novo (já não tão novo assim), recém-casado, casadinho de novo, e que, segundo as más, porém confiáveis, línguas, já anda a sentir falta de seu "cantinho".

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Tomemos Cerveja!

E quando faltar a água?
Para o lava-jato,
Para a raiz do mato,
Para a bacanal do sapo,
Para o flutuar do pato,
Para, do alevino, o parto,
Para a comportada e pudica sede do cacto?

segunda-feira, 1 de abril de 2019

É Tudo Chupador de Pau do Lula, dispara Nana Caymmi

Não bastasse ser filha de um dos grandes gênios da MPB e ser, ela própria, uma das vozes mais afinadas e maviosas do nosso cancioneiro, a cantora Nana Caymmi mostrou que também é mulher das antigas, que não tem nada de politicamente correta. 
Antes pelo contrário. Em entrevista à Folha de São Paulo, pelo lançamento de seu novo disco, Nana Caymmi detonou três dos mais queridinhos ícones da esquerda festiva deste país : Chico, Gil e Caetano.
Isto mesmo. Nana Caymmi blasfemou linda e corajosamente contra a Santíssima Trindade dos "inteligentinhos" da esquerda.
Declarou claramente o seu voto em Bolsonaro no segundo turno : "É injusto não dar a esse homem um crédito de confiança. Um homem que estava fodido, esfaqueado, correndo pra fazer um ministério, sem noção da mutreta toda… só de tirar PMDB e PT já é uma garantia de que a vida vai melhorar", disse a diva maior da família Caymmi.
Em relação às teorias conspiratórias e ao terrorismo cívico que os órfãos do Lula e da Lei Rouanet tentam instalar no país, dizendo que Bolsonaro vai dar um golpe e colocar tudo nas mãos dos militares, Nana Caymmi foi de uma exímia precisão. Insuperável : "Agora vêm dizer que os militares vão tomar conta? Isso é conversa de comunista. Gil, Caetano, Chico Buarque. Tudo chupador de pau de Lula. Então, vão pro Paraná fazer companhia a ele. Eu não me importo".
Pããããããããta que o pariu!!!! Tudo chupador de rola do sapo barbudo!!! E é verdade!
E tenho certeza de que grande parte da classe artística - sim, há também artistas decentes - tem o mesmo pensamento de Nana Caymmi, mas frente à Gestapo Ideológica instalada durante o Terror Petista, calam-se. 
É necessário ser um potentado feito Nana Caymmi para dizer isto às claras, em bom e chulo português. Quero ver, agora, se algum dos chupadores do pau do Lula vão querer processá-la, quero só ver.
Do Chico e do Caetano, não sei com que propriedade Nana Caymmi diz, mas do Gil, tem conhecimento de causa, ela foi casada, na década de 1960, com o ex-Ministro da Cultura do atual presidiário Lula.
Eu, que já gostava muito da Nana Caymmi, de agora em diante, virei fã de carteirinha. 
Pãããããta que o pariu se virei!!!
Se alguém quiser ouvir - como diria o Zé Bonitinho - um tostão da voz da Nana Caymmi, interpretando a belíssima Resposta ao Tempo, é clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

sábado, 30 de março de 2019

Censurado (também!) em Portugal

Há cerca de três anos, o Marreta começou a receber um caudaloso número de visitas vindas das mais variadas localidades do planeta : Rússia, Canadá, Ucrânia, Índia, França, África do Sul etc. Cheguei a receber, num único dia, mais de seis mil visitas dos EUA, do Tio Sam. Pensei que fossem a CIA e o FBI em meu encalço. Enganei-me. Era pior. Eram os robôs do Google. A vasculhar o blog, a virá-lo pelo avesso e de cabeça para baixo, à procura de conteúdo "inadequado".
E eles acharam. Depois de uns quatro meses de visitas robóticas, recebi uma notificação de que o Google retiraria do ar todos os blogs de "conteúdo adulto" e o meu estaria entre eles caso eu não retirasse o material "inapropriado". Ora, porra, retirar o material inapropriado, impuro e herege do Marreta seria arrancar-lhe a própria alma. Pior : arrancar-lhe os testículos, as tão prezadas bolas.
Caguei para o aviso. Se fosse para o Marreta morrer, que fosse assassinado pelo Google, pego à tocaia, e não por suicídio. Meses depois, o Google deu uma arregada e resolveu não derrubar os blogs impróprios, mas os classificou como "conteúdo adulto" e os removeu de seus mecanismos automáticos de busca. Ficamos, nós, os imorais, invisíveis e indetectáveis à blogosfera.
Hoje, só chega ao Marreta quem dele já sabe, quem por ele procura de forma específica. O tráfego diário de visitas despencou, caiu, em um dia bom, a uns 10% do que era. Continuei firme, porém, apesar do golpe. Estóico.
Agora, já depois de dois anos do blog censurado, as visitas robóticas voltaram. De um mês para cá, recomeçaram as volumosas visitas, oriundas dos mais inusitados logradouros do planisfério : Itália, Bélgica, Moldávia, Emirados Arabes Unidos e até visualizações de "Região Desconhecida". Sempre da mesma forma : cem, duzentas, trezentas visitas do mesmo lugar e ao mesmo tempo, picos de visualizações, e sempre pela madrugada.
O que virá desta vez? Tenho cá pra mim que os robôs estejam a voltar para ver como os blogs indecentes andaram se comportando nestes dois anos, com, talvez, a missão de eliminá-los. Não me surpreenderia. Seria o Apocalipse Marreta. O Armagedon.  O Ragnarok.
Resolvi, então, como dizem os viadinhos e as empoderadas de hoje em dia, ser pró-ativo. Precaver-me. Com o meu planeta, o meu Krypton, prestes a ser explodido, lancei naves ao ciberespaço, módulos de sobrevivência levando o conteúdo do Marreta para colonizar outras plataformas.
Há coisa de um mês que o Marreta também está no Wordpress (amarretadoazaraoblog.wordpress.com) e no SAPO (amarretadoazarao.blogs.sapo.pt), em Portugal. Isto mesmo, ora pois. Fazendo rota inversa à de Cabral, levei a nau do Marreta para a Santa Terrinha.
E não é que lá em terras de Camões o Marreta estava até a ir muito bem e obrigado? Quinze, vinte até visitas diárias; mais que o Marreta original em certos dias. Surgiu até uma "seguidora". Estava a ir bem, o Marreta lusitano. Estava. Ontem, ao acessar o blog, estava lá a notificação : "Blog Suspenso. Para maiores informações contactar o endereço tal".
Todas as postagens foram deletadas. Tudo. Ficou mais vazio que cérebro de sertanejo universitário.
O SAPO não quis engolir sapo. Eliminou-me de pronto. Sem aviso e de forma muito mais sumária que o Google.
Censurado também em Portugal!!!  Pããããããããta que o pariu!!!!!
Escrevi para o endereço de e-mail que promete maiores informações sobre a suspensão do Marreta e aguardo pela resposta e pelos esclarecimentos. Se eles vierem.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Eu Quero Gozar no Teu Céu...

Nunca pensei em entrar no Céu depois de minha morte. Não acredito que haja um Céu e um Inferno. Acredito, inclusive, que não haja nada depois. O fim. E pronto.
Mas caso os houvesse - o Céu e o Inferno -, e fossem os dois únicos destinos possíveis no Além, e eu pudesse escolher, ficaria com o escritor Mark Twain : "prefiro o Céu pelo clima, o Inferno pela companhia".
Imagine a aporrinhação que seria tomar um chazinho inglês com o Gandhi, ou o tédio de um cafezinho com bolinhos de chuva com a Madre Teresa. Que Inferno é o Céu!
Muito melhor tomar um porre com Bukowski e Frank Sinatra, assistir a um show do Raul Seixas cantando com o Jim Morrison e ganhar uma chupada da Marilyn Monroe. Que Paraíso é o Inferno!
Nunca quis entrar no Céu. Mas agora quero! Na Igreja Evangélica Teu Céu. Que virou notícia por conta de um logotipo que encomendou a uma empresa de publicidade, uma logomarca para "fidelizar" ainda mais as mentes fracas de seus fiéis, e cujo link recebi aqui no blog em um comentário anônimo. Eis o logotipo entregue ao pastor :
Você, caro leitor do Marreta, consegue ler o nome da igreja, Teu Céu, no logotipo? Nem eu.
Por mais puro de alma que o fiel possa ser, por mais que ele tenha sua vida e suas ações pautadas pelos ensinamentos de Cristo, por mais que ele obedeça aos 10 mandamentos, por mais que ele nunca atrase o pagamento do dízimo, ainda assim, ainda assim o sujeito só conseguirá ler uma coisa : Teu Cu!
Neste Céu, eu quero entrar! Entrar e gozar!
Eu quero gozar no teu céu... Valha-me São Belchior!
Pãããããããta que o pariu se eu quero!

em tempo : o título da postagem é um verso da canção Divina Comédia Humano, do gênio Belchior, e para ouvi-la, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Papel de Deus

O céu noturno,
Cravejado e coalhado de sóis,
De constelações e de berçários deles,
É inspirador
(o céu noturno é dividir a conta da cerveja barata com o amigo):
Dá até vontade de viver,
De voar,
De fazer papel de bobo.

O céu diurno,
Encimado por único e autocrático
E tirânico Sol,
É desesperador
(o céu diurno não delega poderes) :
Dá vontade de morrer, 
De matar,
De fazer papel de Deus.

domingo, 24 de março de 2019

Zum, zum, zum! Está Faltando Um!

Acabaram-se de vez - não que em algum momento tenha havido fundamentos sólidos, ou mesmo reais, para eles - a ladainha e o mi-mi-mi petralha de que a Operação Lava Jato é um complô para a perseguição dos petistas, uma conspiração das elites para tirar do poder os benfeitores (hoje, todos milionários, com dinheiro pra limpar o cu com nota de 100) do povo.
A Lava Jato prendeu Michel Temer. Temer não é petista, é peemedebista. Temer não é "povão", é elite das antigas. Como diria o grande locutor esportivo Silvio Luiz : o que é que os petralhas vão dizer lá em casa?
Mas, feito na marchinha de carnaval Zum-zum, eternizada por Dalva de Oliveira, está faltando um. Uma, no caso. Dilma Roussef. Tá faltando a Dilma para completar o Bloco dos Unidos da Petralha.
Temer, embora não seja um petista de raiz, também poderá desfilar no Bloco, uma vez que podemos considerá-lo um petralha honorário. Temer chegou ao mais alto posto político da nação se aliando ao PT. Quem votou na Dilma, votou no Temer.  
Temer recebeu, das mãos do PT e do povinho da esquerda, a mais alta condecoração da ladroagem, a suprema distinção honorífica alibabesca : a Comenda da Grã-Estrela Vermelha. O Colar da Grã-Insígnia do Pixuleco.
Tá faltando a Dilma ir pro xilindró! Tá faltando prender a Dilma para reunir de novo o Triunvirato da Corrupção, a Regência Trina da Gatunagem.

Para ouvir Zum-zum, com Dalva de Oliveira, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

sábado, 23 de março de 2019

O Livre-Arbítrio Acaba Quando a Merda Fica Madura

Ingênuo do homem que crê ditar os rumos de sua vida e ter o domínio de suas ações; tolo do homem que se julga detentor de livre-arbítrio; e pobre do homem - pobre, mesmo - que pensa que consegue, inclusive, controlar o próprio cu.
O cu é um órgão caprichoso. Funciona quando quer e, no mais das vezes, nos momentos mais impróprios e inconvenientes. Aparenta ter um cérebro próprio, o cu.
Vou a pé para o trabalho todos os dias. Não só para o trabalho. Vou a pé para todos os lugares. Ando boas léguas tiranas. E é bem sabido e comprovado que caminhar estimula a motilidade intestinal, facilita e estimula o trânsito da merda.
Não foram poucos os apuros, os sufocos e os suadouros que já passei a caminho do trabalho por conta da rebeldia e das idiossincrasias do cu, que, em casa, muitas vezes se recusa em deitar a carga, mas, não muito depois, eu já na rua, resolve largar o lastro. Não foram poucas as vezes em que tive de andar trancando o cu, que tive de cerrar os diques, comportas e eclusas das minhas invioláveis pregas para chegar de cuecas impolutas ao trabalho.
Ontem, mal acabara de pôr pé à rua, andado cerca de uns quatro ou cinco quarteirões dos quase cinco quilômetros de meu trajeto total, e o cu deu sinal de vida : "madeiiiiiiira!!!!!", pude ouvi-lo telepaticamente a gritar. Seria mais uma manhã daquelas, pensei inicialmente.
Não foi. Ontem, logo em seguida, senti a maior gravidade e urgência da situação. Percebi, de chofre, por esses instintos de sobrevivência que vamos aprimorando ao longo da longa estrada da vida, que minhas inexpugnáveis pregas não dariam conta; de súbito, constatei a inescapável dicotomia da minha atual conjuntura : ou eu arrumava um lugar para cagar, ou me cagava.
Mas aliviar-me onde, às seis da manhã, esperando para atravessar uma avenida de grande tráfego, com um olho no semáforo e o outro no cu? Dizem que as soluções surgem quando a água nos bate à bunda, que dirá, então, quando é a bosta que nos alcança o rego?
Salvaram-me o meu raciocínio rápido e meus contatos etílicos.
Umas duas ou três vezes na semana, de volta do trabalho ao lar, passo por um posto de combustíveis - o Posto Triângulo -, que nem sei se pratica bons preços de combustíveis automotivos, mas que tem sempre boas ofertas de etanol próprio para o consumo humano, e compro lá uns latões de cerveja para a noite. Conhecem-me por lá. Resolvi, sem outra saída, apelar para o código de honra e conduta entre bebuns : pediria para cagar no banheiro do estabelecimento.
O posto ainda estava a umas duas quadras de onde me encontrava, distância que, no contexto em que me achava, parecia intransponível, mas que era muito melhor que os quatro quilômetros a serem ainda percorridos até o trabalho.
Cheguei a tentar, enquanto aguardava o semáforo ficar-me favorável, impor a supremacia da minha vontade ao meu corpo, a tentar exercer o livre-arbítrio do meu cérebro sobre o meu cu. Mentalizei uma ordem ao cu: agora acabou a brincadeira, quem decide a hora de cagar sou eu. Em resposta, a barriga convulsionou numa lancinante pontada de cólica, mostrando-me, o cu, que o livre-arbítrio acaba quando a merda fica madura.
Vencido, resolvi que cagaria mesmo no posto. O semáforo ficou vermelho para os veículos. Respirei fundo. Tranquei o cu e atravessei. Como garantia adicional, apeguei-me também ao divino, pedi proteção celestial e aferrei-me com fé ao santo protetor e padroeiro dos desarranjos e das cagadas perdidas : - Valha-me, São Fernandão! - gritei. E me pus a caminho do Triângulo.
Dei sorte. Estava, ao balcão, o mesmo rapaz que costumava me atender à tarde. - Que é isso, Moisés? Tá começando cedo hoje, é? - ele me disse à minha entrada. Ele não sabe meu nome, mas me chama de Moisés há algum tempo, de quando, durante uma época, eu deixei minha barba crescer a proporções realmente bíblicas.
- Bem que eu gostaria de estar começando, bem que eu gostaria - respondi - e contei-lhe meu infausto. Deu-me prontamente a chave do banheiro, mas não sem antes dar umas boas dumas gargalhadas. -Mas não tem papel - falou. - Penso nisso depois - eu disse.
O banheiro também não tinha luz. Foi a conta de me sentar e a carga arriar bonito. Uma avalanche. Bem já dizia o cronista Mário Prata, merda madura é carga insustentável. No que eu o complemento, o livre-arbítrio acaba quando a merda fica madura.
Alívio imediato, meus amigos, alívio imediato. Melhor do que muita trepada que já dei.
E agora, limpar com o quê? Abri a minha bat-bolsa de lona cáqui de utilidades que carrego a tiracolo, peguei um livrinho de palavras cruzadas e me limpei com duas de suas folhas, que se saíram muito bem na tarefa, por serem do tipo papel jornal, com textura, porosidade, aderência e absorvibilidade adequadas. Em casa, sempre cago a fazer cruzadas, mas foi a primeira vez que me limpei com elas. Cruzadas do grupo Coquetel. Recomendo.
Usei duas folhas já preenchidas, ou quase. Uma delas, de fato, eu havia preenchido por completo, tinha-a gabaritado. Na outra, restava uma lacuna, uma clareira de minha ignorância bem no meio da densa mata de minha cultura inútil : "diz-se do texto ou códice aceito na exegese hebraica", com onze letras; com "a" e "s" na segunda e na terceira e "e" e "t" na sétima e oitava.
Salvei o cu, mas nunca saberei do códice aceito na exegese hebraica.
A vida é mesmo feita de prós e de contras.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Uma Geração Perdida, por Luiz Felipe Pondé

Uma geração perdida, diz Pondé, sempre polido e cortês. Uma geração de merdas, asseguro-vos eu. De inúteis. De pesos mortos.

"O mercado de trabalho que se prepare porque as universidades estão gestando uma geração mimimi raivosa, que não vai prestar para muita coisa. Esse diagnóstico é feito por especialistas americanos sobre universidades americanas. Mas, como toda moda americana pega, ela já chegou aqui.
O fetiche com relação aos jovens serem “mais evoluídos” continua em ação. Um pouco pela vaidade dos pais, um pouco pelo marketing das escolas e universidades, um pouco porque pessoas mais velhas querem fazer sexo com esses jovens, e o blábláblá de que são legais funciona melhor quando você quer levar um deles ou uma delas para a cama.

Greg Lukianoff, psicólogo cognitivista, e Jonathan Haidt, psicólogo social, escreveram um livro em 2018 que está impactando não só o mundo acadêmico como o mundo corporativo. “The Coddling of the American Mind” (Mimando a mente americana, Penguin Press) é de urgente leitura para quem trabalha com jovens. Mas, se fôssemos medir o nível de leitura de quem trabalha em escolas e universidades, provavelmente não passariam de 10% aqueles que ainda têm tesão pelo estudo
“Coddling” significa mimar. A realidade desse processo já foi apontada, de formas diversas, por especialistas como Jean Twenge e Frank Furedi em livros recentes. Ela com o “iGen”(traduzido no Brasil) em 2017, ele com “What’s Happened to the University?” (sem tradução por aqui) em 2018.

A obra descreve casos recentes e escandalosos de universidades americanas que mergulharam no caos e na violência estudantil de esquerda a partir de emails nada especiais, enviados por seus professores, alunos ou por membros da administração.

A pesquisa também relata provocações de membros da direita agressiva off-campus e o comportamento canalha de colegas professores que, apesar de no particular se solidarizarem com os colegas levados à fogueira por esse alunos furiosos, no público juram pureza ideológica a favor dessas mesmas fogueiras (universidades são um dos espaços onde canalhas crescem aos montes). Os autores se referem a esse fenômeno como “caça às bruxas” —quem já viu ou viveu esse tipo de ataque por parte de alunos e redes sociais sabe o que é.
As universidades americanas estão se transformando em tribunais da inquisição, muitas vezes liderados por professores e justificados por uma teoria conhecida como “interseccionalidade”. Segundo esta teoria, existem dois grupos básicos no mundo, os opressores e os oprimidos. Mas o gradiente é móvel: ele vai do mais opressor ao mais oprimido. 

Na ponta do opressor, homens brancos, heterossexuais, bem-sucedidos. Na ponta do mais oprimido, encontramos um “mau infinito”: talvez uma mulher, negra, lésbica, pobre. Bruce Bawer, crítico literário americano, já havia apontado esse “mau infinito” na sua obra “Victims’ Revolution”, em 2012

Um traço dessa tese é que, mesmo que o “agressor” não tenha tido a intenção de cometer a “agressão” de que o acusam, se a “vítima” se sente agredida, ele deve ser demitido, execrado em praça pública, condenado ao ostracismo. A tendência a desconvidar pessoas para conferências em universidades nasce dessa tese.

Um dos riscos desse fenômeno é que os alunos são estimulados a recusar o contato com questões das quais eles podem discordar, mas que deveriam ser estimulados a refletir e debater. As universidades mimam esses alunos, criando pequenos Torquemadas ofendidos.

Na parte dedicada a investigar as causas que nos levaram a essa situação, os autores elencam: polarização política, pais paranoicos superprotetores, obsessão por um mundo mais justo, ansiedade, suicídio e depressão em crescimento, o declínio do brincar em espaços abertos, mídias sociais e a burocracia para construção de um mundo cada vez mais “seguro psiquicamente” nas escolas e universidades. Você reconhece algumas dessas causas perto de você? 

Segundo os autores, a única solução será as universidades que quiserem apoiar um viés político claro se tornarem instituições como as religiosas, que pregam ao invés de formar adultos livres, assim como faculdades de teologia que assumem sua denominação religiosa. E aquelas que quiserem formar jovens que pensem o mundo livremente devem abandonar o projeto de confundir filosofia e ciências humanas com uma igreja a favor dos oprimidos.

Pensando nas universidades que conheço aqui no Brasil, só nos restarão as que optam por ser igrejas que se acham salvadoras do mundo."

sexta-feira, 15 de março de 2019

Planeta (não tão) Macho

Anteontem, na postagem Planeta Macho, dei um mergulho no túnel do tempo e falei de uma antiga campanha publicitária da cerveja Kaiser, que consistia de fotos de gostosas de biquínis estampadas na parte interna das tampinhas das garrafas.
Tempos que, provável e infelizmente, não voltam mais. Tempos em que propaganda de cerveja era sinônimo de mulher pelada, pois também eram tempos em que cerveja era bebida de macho das antigas, de pedreiro, de estivador, de mecânico de trator, de caminhoneiro de fenemê, e não de somelliers e de degustadores afrescalhados. Tempos em que o cara bebia cerveja para ficar bêbado e não para apreciar o bouquet, sentir o amargor equilibrado do lúpulo, o frutado do retrogosto e analisar com que comida este ou aquele tipo de cerveja harmoniza. Cerveja harmoniza é com chifre, ora, porra! Com dor de cotovelo! E, como saco vazio não para em pé, também com torresmo, panceta, ovo colorido e salsichão em conserva de boteco.
Tempos em que não existiam as porras dessas cervejas artesanais, em que ninguém sabia se a cerveja era pilsen, era lager, ou qualquer outra coisa. Cerveja era cerveja. O máximo de sofisticação, de gourmetização que havia era se a cerveja era da loira ou da preta. E pronto.
Aí, vem o meu amigo virtual Jotabê, o Matusalém do Blogson Crusoe, e me joga um balde de água fria, interrompe o meu devaneio, traz-me para os tristes dias atuais.
Comentou Jotabê na postagem : "Rapaz, isso é muito legal! Nunca jogue fora, pois é o tipo de coisa que ninguém tem e que define uma época, uma cultura, etc. Não deixa de ser divertido pensar que se existiu o baixinho da Kaiser, hoje existe o Lulu da Itaipava. Que, como diria o Paulo Silvino, "é uma bichona".
Na hora, não entendi picas. Quem era o tal Lulu da Itaipava? Não conhecia, nunca tinha ouvido falar e até tentei imaginar, mas não consegui tecer a menor ideia de quem pudesse ser. Eu assisto à televisão cada vez mais raramente; canal aberto, então, só se o médico receitar e a doença for muito grave, se for uma pneumoniazinha qualquer, eu nem sigo a prescrição.
Fui pesquisar e descobri que o tal Lulu da Itaipava era ninguém mais ninguém menos que o Lulu Santos. Pããããããta que o pariu!!!! Lulu Santos, o último romântico! Lulu, o roqueiro LGBT da terceira idade! Gosto pra caralho de um punhado de músicas do Lulu, gosto mesmo, e, além do quê, ele me parece ser um sujeito dos mais gente boa. Mas propaganda de cerveja? Como diziam antigamente : não orna.
É bem verdade que Lulu não está sozinho, conta com o auxílio luxuoso de Aline Riscado, a Verão da Itaipava. Quase que irreconhecível, a Verão. Onde foram parar as formas bem torneadas e roliças, para onde foram todas aquelas suculências e carnosidades da Verão de que me lembrava? Secaram. A moça tá com um físico de maratonista. Tristes tempos, tristes tempos.
Abaixo uma foto do Planeta (não tão) Macho, tirada pelo telescópio Hubble, da Nasa.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa... (46)

Lágrimas por ninguém, só porque é triste o fim : outro amor se acabou. E quem iria acreditar?
Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...
Ela Disse Adeus
(Os Paralamas do Sucesso)
Ela disse adeus
(Now the deed is done)
(As you blink, she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Ela disse adeus
(Now the deed is done)
(As you blink, she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Ela disse adeus e chorou
Já sem nenhum sinal de amor
Ela se vestiu e se olhou
Sem luxo, mas se perfumou

Lágrimas por ninguém
Só porque é triste o fim
Outro amor se acabou

Ele quis lhe pedir pra ficar
De nada ia adiantar
Quis lhe prometer melhorar
E quem iria acreditar?

Ela não precisa mais de você
Sempre o último a saber

Ela disse adeus
(Now the deed is done)
(As you blink, she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Ela disse adeus
(Now the deed is done)
(As you blink, she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Disse adeus e chorou
Já sem nenhum sinal de amor
Ela se vestiu e se olhou
Sem luxo, mas se perfumou

Lágrimas por ninguém
Só porque é triste o fim
Outro amor se acabou

Ele quis lhe pedir pra ficar
De nada ia adiantar
Quis lhe prometer melhorar
E quem iria acreditar?

Ela não precisa mais de você
Sempre o último a saber

Ela disse adeus
(Now the deed is done)
(As you blink, she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Ela disse adeus
(Now the deed is done)
(As you blink, she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Ela disse adeus
(Now the deed is done)
(As you blink, she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Ela disse adeus
(Now the deed is done)
(As you blink, she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Ela disse adeus
(Now the deed is done)
(As you blink, she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO

quarta-feira, 13 de março de 2019

Planeta Macho

Durante milênios, o planeta Krypton viveu sua glória e seu esplendor sob a batuta da autocrática dinastia El, da qual, para nós, Kal-El é o filho mais célebre, e que, por aqui, em terras de Sol amarelo, atende por Clark Kent, o Super-homem.
Até que, um dia, uma desestabilização do núcleo do planeta (não me lembro do que a ocasionou) provocou a explosão de Krypton, que deixou de ocupar seu lugar na órbita do sol vermelho Rao, passando a vagar pelo Universo na forma de destroços espaciais. Destroços que, volta e meia, vêm dar aqui na Terra, fotografias verdes de um passado glorioso.
Analogamente, existiu, um dia, o Planeta Macho, que também viveu milênios de auge e de grandeza sob o comando do macho das antigas, do macho de respeito. Áureos tempos em que ser macho era virtude e que virilidade e pelos no saco e no sovaco eram motivos de orgulho, tempos em que ser homem não era considerado politicamente incorreto, em que exalar testosterona e exercer a sua legítima condição biológica não era visto como algo "tóxico".
Diferentemente, porém, de Krypton, o Planeta Macho não explodiu : foi sabotado e implodido de maneira canalha e sub-reptícia. Creio que a sua ruína e o seu desmoronamento tenham se dado, ou começado a se dar, entre fins da década de 1990 e auroras dos anos 2000. Foi desestabilizado lentamente e jogado fora de sua órbita pelo advento da ideologia esquerdista no Brasil, sobretudo por um de seus tentáculos mais podres e gosmentos, o feminismo/comunismo. O feminismo vermelho foi minando, solapando as bases do Planeta Macho até a sua total fragmentação. 
Seus destroços, feito os de Krypton, também continuam a vaguear pelo cemitério sideral dos planetas póstumos, sendo encontrados e recolhidos, vez ou outra, por velhos cosmonautas que escaparam com vida da implosão do Planeta Macho.
Topei com um desses fragmentos, com uma dessas kryptonitas, neste fim de semana. A dar uma geral numas gavetas há muito não abertas, para ver o que poderia ser descartado, dei de cara com um fragmento do Planeta Macho : uma série de tampinhas de garrafa da cerveja Kaiser, da década de 1990, da época do antológico "Baixinho da Kaiser".
Uma série promocional de tampinhas impensável de ser viabilizada nos dias de hoje, sob a pena de irem para o xilindró os publicitários que a criaram e o diretor da empresa que contratou a campanha. 
Na parte de fora da tampinha, o normal, o logotipo da Kaiser, e na parte de dentro, protegidas por aquele círculo de plásticos, fotos de gostosas de biquíni. Uma mais suculenta e peituda que a outra; acho que eram um total de treze delícias. Bem que tentei completar a coleção, mas o meu inseparável azar me fazia tirar mais tampinhas com a foto do Baixinho do que com as estampas das gostosas. Ainda assim, conseguia juntar algumas, sete gostosas, justamente as que eu encontrei no fundo da gaveta.
Verdadeiros e inestimáveis registros arqueológicos do Planeta Macho, as tais tampinhas.
Aí estão, tem a Babi, a Fran, a Majô, a Simone, a Gabi, a Marcele e a Paty.
Bons tempos de nossa publicidade, bons tempos...

domingo, 10 de março de 2019

Tolices

- É melhor pararmos
Com estas nossas tolices - ela disse.
Ele,
Que nunca se julgara
(e menos ainda a ela)
Um tolo,
Com medo de perguntar ou de cometer
Alguma tolice,
Apenas virou a dose,
Que já era mais água que whisky,
E disse :
- Tudo bem.
E as tolices entre eles
- fossem o que tivessem sido,
fossem o que fossem,
fossem o que poderiam vir a ser -,
Pararam.

sábado, 9 de março de 2019

Realizei Todos os Meus Não-Desejos

Eu nunca quis ser um alto executivo
De uma supermultinacional,
Miliardário,
A viajar o mundo com minha valise 007
A influenciar as bolsas de valores.
E consegui :
Sou pacato funcionário público.

Eu nunca quis ter um carrão envenenado
Motor V8
Uma Ferrari Testarossa carmim.
E consegui :
Nem carteira de habilitação, tenho.

Eu nunca quis ser um conquistador,
Um galã da novela das oito,
Um Don Juan, um Casanova.
E consegui :
As namoradas que tive,
Contam-se nos dedos de uma só mão.

Eu nunca quis ser o camisa 10 da seleção,
Vestir a plumagem canarinho,
Desfilar em aclamação popular do alto de um carro de bombeiros,
Passar no canal 100.
E consegui :
Nunca venci um campeonato de pebolim,
Nem de jogo de botão,
Nem de Atari.

Eu nunca quis ser um douto erudito,
Um literato,
Um descobridor de nada.
E consegui:
Vivo, há vinte anos,
De repetir a mesma ladainha,
De Mendel pra cá, de Darwin pra lá, de Lavoisier pra acolá,
De narrar glórias alheias.

Eu nunca quis ser célebre,
Notório,
Nem expoente de nada.
E consegui :
Mantive-me firme,
Realizei todos os meus não-desejos,
Sou um  homem realizado.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Todo Castigo Pra Biscate é Pouco (4)

Pandemias? A peste negra, a gripe espanhola, a AIDS? Coisa nenhuma! Surtozinhos endêmicos de nada.
Um único mal, até hoje na história da humanidade, merece o título de pandemia. Um flagelo que não se deixa deter nem intimidar por barreiras geográficas, sociais, religiosas, étnicas, ideológicas, econômicas, sanitárias, mesmo de eras geológicas : o chifre!
Apesar de ser um mal tão velho quanto o próprio ser humano, pouca certeza se tem de seus agentes etiológicos - se um vírus, um fungo, uma bactéria, um protozoário -, sabe-se apenas de seus meios de dispersão, de seus vetores; o principal, a buceta, a famosa xavasca.
O chifre, logo e portanto, é inevitável. O que muda, de caso pra caso, é a maneira com a qual o corno lida com ele. O cara pode ser o corno clássico : chorar, encher a cara e esfolar o cotovelo no balcão de um buteco, implorar e aceitar a biscate de volta; ou ser o anti-corno : chorar, encher a cara e esfolar o cotovelo no balcão de um buteco, mas jamais, em tempo algum, perdoar a vagaba. Antes pelo contrário : maldizê-la aos quatro ventos, arrastar o nome dela na lama, pôr o nome dela no SPC, o Serviço de Proteção ao Corno.
Foi o que fez Marcelo Nova na canção "Silvia". Sim, meus caros, o visceral e verborrágico Marcelo Nova, líder do Camisa de Vênus, até hoje o homem do rock no Brasil, também é corno. E qual a surpresa? Não são cornos apenas os cantores de boleros, fados, serestas, tangos e guarânias. Se o velho chifre não faz distinção geográfica etc, não seria um gênero musical a servir de imunização contra ele. Roqueiro também é corno.
Ou, no caso, anti-corno. Na canção, Marcelo Nova não nega o chifre, assume a galha com galhardia, mas é implacável com a tal da Silvia. Marceleza não tergiversa nem titubeia : "Ô, Silvia, piranha!!!", "Ô sua puta"!

Silvia
(Camisa de Vênus)
Você me diz que não tá mais saindo
Mas eu desconfio que cê tá me traindo

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Vive dizendo que me tem carinho
Mas eu vi você com a mão no pau do vizinho

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Todo homem que sabe o que quer
Pega o pau pra bater na mulher

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Vive dizendo que tá numa boa
Mas veio pra São Paulo dar massagem em coroa

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Você jura e repete que me tem amor
Mas eu lhe flagrei com um vibrador

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Todo homem que sabe o que quer
Pega o pau pra bater na mulher

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Quando eu chego em casa com essa cara de otário
Vejo o zelador, tá dentro do armário

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Eu acho mesmo que você não tem jeito
Pois até o leiteiro anda mamando em seu peito

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Todo homem que sabe o que quer
Pega o pau pra bater na mulher

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!
Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Ô sua puta!


Para ouvir "Silvia", é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO

(rascunhei esta postagem há cerca de 10 dias, mas como minhas inércia, preguiça e total anedonia só me permitiram digitá-la hoje, a coincidir com a mais representativa data feminista do mundo - e a com mais cabelos no sovaco, também -, além da intenção inicial de tê-la escrito, deixo-a aqui também como uma modesta homenagem ao Dia Internacional da Mulher)